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terça-feira, maio 21, 2024

O que as religiões podem fazer à cabeça das pessoas...

 

Eu não sei qual o culto em que esteve imersa Glenn Close, a grande Glenn Close (ainda há dias a vi na RTP 2 no excelente 'A mulher') desde a infância até atingir a idade adulta. Mas os testemunhos que tenho visto em que ela conta como a confissão permanente era, na realidade, um acto de humilhação sobre ela, um acto em que ela se sentia, ou a faziam sentir,  diminuída, (no fundo, assediada) e como toda a sua vida afectiva foi prejudicada pelo mal que tudo aquilo lhe fez, deixam-me francamente incomodada.

Quantas pessoas, quantas, não conseguem  ser autênticas, livres, genuínas, ao longo de toda a sua vida porque as condicionantes impostas pelos cultos religiosos as deixaram castradas? Quantas pessoas continuam, mesmo em adultas, a ter dificuldades nos seus relacionamentos, com medo de pecar, com medo de infringir algum mandamento, porque durante o período em que a sua personalidade se estava a formar, foram manietadas, manipuladas, porque o medo da culpa lhes ficou inscrita nos genes?

Quando vejo tantos jovens envolvidos em actividades promovidas pela igreja católica, completamente alienados -- cheios de boas intenções, é certo, mas tudo tão longe do que é a realidade em todas as suas diversas vertentes -- fico a pensar em que é que se tornarão, quando adultos?

Conheço vários católicos praticantes e dos que conheço como mais praticantes o que lhes vejo em comum é o estreitamento intelectual, parece que embrutecem, parece que se fecham ao mundo, parece que ficam a pensar que o mundo são eles. Teoricamente estão imbuídos dos melhores sentimentos mas tudo gira em volta deles, dos seus grupos que frequentam a missa, que frequentam retiros espirituais, que organizam peregrinações, e cada vez mais pensam e vivem em circuito fechado. E isso nunca pode ser bom.

Glenn Close was in a cult as a child

sábado, maio 07, 2022

A beleza dela aos 75 anos, confortavelmente fora da sua zona de conforto

 

Na sequência de dois posts anteriores, volto à Met Gala para mostrar Glenn Close, a fantástica Marquise de Merteuil em Dangereous Liaisons (uma das minhas personagens especiais num dos meus filmes de eleição), a arranjar-se.

Não seria nada de especial se ela fosse uma habituée. Ora não é: esta é a sua primeira vez. Ou se fosse uma das menininhas com milhões de seguidores por serem bonitas, jovens e narcisistas. Ora não é. Nem seria nada de especial se se mostrasse produzida e perfeita. Ora mostra-se sem maquilhagem (tal como se mostra com o cabelo quase branco).

Portanto, ao vê-la assim antes de estar pronta e ao vê-la a desfilar, bela e divertida, nos seus orgulhosos 75 anos, fiquei com vontade de aqui trazer de novo um vídeo relacionada com a Met Gala.

Glenn Close Gets Ready for Her First Met Gala | Vogue

"This is comfortably out of my comfort zone. I live in Bozeman, and we do not wear clothes like this in Bozeman," says Glenn Close as she gets ready for her very first Met Gala.

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Divina




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terça-feira, outubro 19, 2021

Oito filmes razoavelmente eróticos

 



Segunda-feira nunca é um bom dia. É daqueles axiomas que é bom que ninguém ouse questionar. Segunda-feira é o início do que pode vir a ser uma sucessão de dias carregados de chatices. Numa segunda-feira as tréguas do fim de semana ainda estão longínquas. 

[Os Leitores reformados, ao lerem isto, esfregam as mãos de contentes: para eles todos os dias são fim de semana. Bem sei. São uns sortudos. Mas lá chegaremos, nós os pobres coitados que por aqui ainda andamos a trabucar.]

Enquanto não, tenta levar-se o melhor possível embora haja quem não se aguente sem moer a paciência aos outros. Para mim o pior é quando olho para a agenda e penso que tenho ali um buraquinho que virá mesmo a calhar para repousar a minha beleza e, acto contínuo, logo recebo uma chamada a pedir que arranje um bocadinho para uma reunião urgente. E uma pessoa tenta que não mas, às tantas, não tem como não e lá se vai o buraquinho à vida. 

[A língua portuguesa é traiçoeira, também sei]

Agora tenho aqui uma coisa a chamar por mim. Ainda antes de ir para a cama terei que ver e despachar esse assunto. Não me apetece nem um pouco pois estive a trabalhar até há pouco, estou mais do que saturada. Mas, quando o dever me chama, parece que não consigo entregar-me ao desfrute da escrita mesmo se de uma colecção de frioleiras postas em palavras se tratar.  Podia saltar por cima disto, do blog. Pois podia. Mas, enfim, ficar sem escrever também não consigo. Addicted to writing.

E, então, pensei escrever sobre uma coisa que li na Vogue francesa: as cenas mais eróticas do cinema. Fui conferir, curiosa. Como é costume nestas coisas, parece que quem escolhe os melhores livros, os melhores filmes, as melhores cenas faz de propósito para deixar os outros a sentirem-se ignorantes. Dos oito filmes, apenas conheço três. E das cenas que consegui ver, talvez por descontextualizadas, não achei grandes espingardas. Além disso, agora acontece uma coisa que me encanita solenemente: ao seleccionar um vídeo que contenha alguma ceninha mais encaloradita, o Youcoiso pede que comprove que sou adulta. Não estou para isso, era o que me faltava. Portanto, como não estou para fornecer comprovativos, marimbo-me para as ditas cenas. 

A beatice vai alastrando. Claro que há que acautelar que as coisas não sejam vistas por crianças. Mas, caneco, parece que preferia as salas de cinema em que a barragem era feita à porta. Agora aqui...? Não basta a publicidade em cima de tudo senão ainda isto...? Que seca, caraças.

Por isso, com tanto entrave e chachada, desisto das listas alheias. Acontece que, para listas próprias, tenho um problema do escambau: não as tenho anotadas, não as tenho de cabeça e, pior ainda, a cabeça não está formatada para fazê-las.

Posso aqui enunciar algumas cenas ou alguns filmes que tenho a certeza que amanhã me ocorrerão outros, provavelmente mil vezes melhores. E não estou certa de que o algoritmo que é mais lápis azul e beato que fedorentozinho de antanho me deixe abrir o vídeo para conferir. Vou tentar mas, acreditem, não garanto que seja muito para levar a sério. E são oito apenas porque não posso ficar aqui a noite toda a puxar pela cabeça ou a tentar encontrar vídeos que expliquem o critério. 

.  1  .

Lady Chatterly, na versão de Pascale Ferran, com Marina Hands e Jean-Louis Coulloc'h um filme belo demais. Mas, mais do que caliente, é belo, belo demais. As cenas mais eróticas apenas são disponibilizadas a quem provar que é adulto. Portanto, vai o trailer.


.  2  .

Dangerous Liaisons de Stephen Frears com Glenn Close, John Malkovich e Michelle Pfeiffer, um filme sensual da cabeça aos pés, passando pela insolente língua de Malkovich (e isto já para não falar do olhar, da voz, das mãos, do andar dele, o descaradão e perverso do Visconde de Valmont)


.  3  .

The Horse Whisperer de Robert Redford com ele e com Meryl Streep, envolvente demais


.  4  .

Damage de Louis Malle com Juliete Binoche e Jeremy Irons. Tem a chatice de não acabar bem mas, antes de acabar, é bom até dizer chea, a começar e a acabar na voz do Jeremy Irons


.  5  .

The Unbearable Lightness of Being de Philip Kaufman com Daniel Day-Lewis, Juliette Binoche, Lena Olin, um filme para sempre, com cenas inesquecíveis (a Lena Olin ficará para sempre na minha memória com aquele seu chapéu)


.  6  .

Closer de Mike Nichols com Julia Roberts, Jude Law, Clive Owen
[Larry : You like him coming in your face?; Anna : Yes!  Larry : What does it taste like?; Anna : It tastes like you but sweeter!]



.  7  .

La vie d'Adèle de Abdellatif Kechiche com Léa Seydoux e Adèle Exarchopoulos
O azul definitivamente a cor mais quente


. 8  . 

The French Lieutenant's Woman de Karel Reisz com Meryl Streep e Jeremy Irons. 
Intemporal, belo.


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Desejo-vos uma boa terça-feira
Saúde. Alegria. Boa sorte.

terça-feira, fevereiro 12, 2019

Mais uma prova provada de que Glenn Close é uma excelentésima actriz


Gosto muito de Glenn Close. Óptima nos seus orgulhosos 71 anos, volta a ser candidata a um Oscar, desta vez com The Wife. É indubitavelmente uma das grandes actrizes de sempre. 

Poderia aqui enunciar, de rajada, uma série de grandes desempenhos mas vou limitar-me a partilhar este pequeno vídeo no qual, há dois dias, com Stephen Colbert, mostra como o seu carismático rosto espelha bem a plasticidade emotiva de que é capaz. Vejam, por favor, até ao fim. Muito bom.



sexta-feira, janeiro 06, 2017

O Campos e Cunha é como a Glenn Close naquele filme da 'Atracção Fatal': um perigo.
O homem deve ser daqueles paranóicos compulsivos que não descansam enquanto não destroem quem não lhes deu a importância que eles queriam.
E, quando toda a gente julga que o assunto está encerrado, aí está ele de volta, qual ressuscitado, para atemorizar os pobres coitados a quem eles tudo fazem para enfernizar a vida.



Declaração de interesses: 

Este homem, o Luís Camos e Cunha, é daqueles em que nunca confiei. Nunca. Olho para ele e acho que é daqueles mansarrões que não largam as tábuas mas que são traiçoeiros, manhosos, perigosos. Portanto, até pode ser que o que vou dizer a seguir esteja influenciado pela impressão que tenho dele.

..........

O que a criatura tem dito e feito contra o Sócrates e contra o governo do Sócrates ou, por tabela, contra o PS e contra tudo o que vagamente tenha a ver com o PS é coisa do além.

Volta e meia esqueço-me dele, parece que saíu de circulação. Não. Mal há qualquer perturbação, aí está o ressuscitado para vir contar uma qualquer treta do tempo em que era ministro ou do Sócrates ou de outra irrelevância qualquer. Parece que a vontade de se vingar por ter saído pela porta baixa do Governo de Sócrates e ninguém ter sentido a sua falta não se dá por saciada. 

Se bem percebi, agora relata porcariazecas sem qualquer interesse à data de hoje e que se terão passado há mais de dez anos. Leio aquilo e fico estupefacta. Só pode ser doença. Normal não é.

Leio no DN (mas já vi que também aparece no Expresso e, às tantas, em mais sítios, capaz de as televisões já terem também pegado no caso): Campos e Cunha admite "pressão" de Sócrates para demitir administração


O homem tem pancada.

Fez-me lembrar um filme terrível com a Glenn Close. Quando se pensava que a maluca tinha saído de cena, eis que lá estava ela de volta, de faca na mão, traiçoeira, destrambelhada, perigosa.

Não há paciência, para este Campos e Cunha, senhores.

E a criatura aparece com aquelas coisas que não interessam nem ao menino jesus e aí está a comunicação social a dar-lhe palco.

Aliás, a comunicação social em Portugal só pode ser autofágica. Não percebem que se auto-destroem quando dão palco a toda a espécie de anormalidades? Os jornalistas, perante um caso destes, não fariam melhor serviço a si próprios e uma caridade ao homem se o mandassem tratar-se?


Michael Douglas é Dan Gallagher, um advogado que se mete em trabalhos ao envolver-se com Alex Forrest, interpretada por Glenn Close.



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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela sexta-feira.

....

terça-feira, março 04, 2014

Ainda a festa dos Oscares 2014. Algumas fotografias para relembrar o momento. 'As tuas são maiores que as minhas....?!', interroga-se Irina Shayk. 'So what...?! Que mal tem ele ser novinho e vesgo? Ora essa.' pensa Glenn Close. E um quarteto especial: duas bizarras, a Donatella Versace e a Lady Gaga e um casal feliz, Elton John e o marido David Furnish.


No post a seguir alerto-vos para um vírus perigoso que por aí anda. Tem aparecido por todo o lado, os computadores dos jornais e televisões estão completamente infectados mas a coisa é tão viral que se propaga de todas as maneiras possíveis e imaginárias. Por isso, e porque também aparece por mail ou qualquer outro tipo de mensagem, alerto-vos para a forma usual como ele se pode apresentar.

Alertas informáticos à parte, que isso é mais abaixo, aqui continuo com a festança e a animação nas festas que sucederam a cerimónia.

*

E, entretanto, que entre mais uma das canções nomeadas para a melhor Canção dos Oscares 2014

Pharrell Williams - Happy






Fotografias tiradas na cabina das fotografias instantâneas.



Doutzen Kroes and Irina Shayk.




Glenn Close and guest

*


Um casal dir-se-ia que normal,

Elton John e o marido David Furnish,
e duas freaks de alto calibre: Lady Gaga (vestida com Versace, claro)
e Donatella Versace, esta completamente quitada 

- e a outra para lá caminha

*

Sobre o vírus informático e os cuidados a ter, desçam, por favor, até ao post seguinte.

domingo, agosto 18, 2013

Já que a Anabela Mota Ribeiro não me faz o Questionário Proust, faço-o eu a mim própria. Quer não tem cão, caça com gato. [Mas, depois de ter respondido a tanta pergunta, tenho a dizer que acho isto uma coisa mesmo chata. E será que, depois deste absurdo exercício de narcisismo, alguém vai ficar a conhecer-me melhor? A minha personalidade estará patente no que respondi? Não faço ideia] ---- > texto revisto por causa de uma irrelevância



Usei as perguntas tais como Anabela Mota Ribeiro as fez a Clara de Sousa (peguei nesta entrevista apenas porque foi a última publicada (*), puro comodismo meu, mas as perguntas são sempre as mesmas, o que pode variar são as observações mas, enfim, não alteram o sentido da pergunta).

Já agora, para quem não saiba o que é isto do Proust Quest (Proust Questionnaire), digo muito brevemente que é um conjunto de perguntas que, supostamente, permite que se perceba melhor a personalidade de quem responde. O que isso tem a ver com Marcel Proust e os pormenores da coisa podem ser vistos por exemplo aqui, na Wikipedia



Então, vamos lá a isso.


Proust disse que uma necessidade de ser amado e cuidado era a sua característica mais marcante. Mais do que ser admirado. Qual é a sua?


- Talvez querer fazer tudo o que me apetece enquanto posso. Tenho muito consciente a noção da finitude. Não quero nunca iludir-me: a vida é curta e, por vezes, rasteira-nos. Não sei quanto tempo vou viver, nem sei quanto tempo vou viver sem limitações físicas. Por isso, se me apetece dizer parvoíces, digo, se me apetece passear no campo, entre as árvores escuras, ouvindo os sons da noite, iluminada apenas pelo luar, ando, se me apetece pintar, pinto, se me apetece ser excessiva na demonstração dos meus afectos, sou. São exemplos inócuos, estes que dei, mas são exemplos. No entanto, tenho também sempre muito presente o não fazer nada que prejudique outras pessoas. Mas preconceitos, inibições, receio de ser censurada, hesitações, ou protelar o que me apetece para melhores dias, etc, isso não é comigo. 

Qual é a qualidade que mais aprecia num homem? Proust falou de “charme feminino”...


- Inteligência com humor. Não é apenas nos homens que aprecio isto mas, num homem, então, é fundamental. Não tenho paciência para burros, mas é que não tenho mesmo. Apetece-me ignorá-los, fingir que nem os vejo. (Imaginem o que é para mim viver num País governado por quem o governa. Não vejo noticiários há uns dois dias, pelo que me poupei ao sacrifício de ver aqueles inteligentes que devem andar a desfilar pelo Pontal. Agora que escrevi isto, fiquei na dúvida: aquilo é festa só de um dia ou é o fim de semana todo, uma coisa tipo festa do Avante? Não sei). Adiante. Dizia que não suporto burros. Mas há outra casta de homens para os quais também não tenho paciência: os cepos, sem sentido de humor. Uma pessoa diz uma coisa na maior ironia e eles respondem a sério, não perceberam que era ironia nem têm sentido de humor para encaixar e dar o troco. Uns chatos do piorio. Ou os inteligentes armados em intelectuais, carapaus de corrida, uns chatos de primeira, todos prosa, citações, grandes tiradas.


E numa mulher? Ele mencionou “franqueza na amizade” – golpe baixo para as mulheres ou sagaz comentário?


- Sim, a franqueza. Aprecio mulheres francas. Mas também aprecio a generosidade. Não gosto de mulheres mesquinhas, quezilentas, que infernizam a vida aos outros (aliás não gosto nem de mulheres nem de homens assim - desperdiçam a própria vida e chateiam os outros - e para quê?). Gosto de mulheres que mostram alguma superioridade na capacidade de perdão; ou de aceitação. Não descurando o que pensam, são, no entanto, capazes de aceitar os outros nas suas diferenças.


Ternura, desde que acompanhada de um charme físico..., era o valor mais precioso nas amizades de Proust. E nas suas?


- A intemporalidade. A não necessidade de assiduidade. Não tenho paciência para as amizades que são cheias de 'temos que combinar almoçar', 'temos que combinar isto e aquilo'. A amizade boa é aquela que se manifesta nos momentos certos. Uma palavra dita quando se sente que o outro sente falta dela. Um gesto quando se intui que vai fazer bem. Sair de cena quando não faz falta estar-se. Reaproximarmo-nos quando fizer sentido mesmo que seja anos depois. E o encontro ser tão natural como se tivéssemos estado juntos na véspera. Não fazer perguntas quando o silêncio deve ser respeitado. 


Vontade fraca e incapacidade para entender, foi a resposta que deu quando lhe perguntaram qual era o seu principal defeito. Partilha destes defeitos? E que outros pode apontar?


- O meu maior defeito, segundo os outros me apontam, é a falta de paciência para suportar aquilo de que não gosto. A questão é que nem tenho paciência para disfarçar. Baldo-me imenso a encontros, almoços, festinhas sociais, coisas assim, porque não tenho paciência para conversa mole, trivialidades, gente que fala sem parar, que me cansa de tanta vacuidade, que diz coisas à toa. Ou quando estou em reuniões de trabalho e há gente que fala, fala, sem dizer nada, que empata, enrola, não dança nem sai da pista, fico numa impaciência que geralmente me leva a dizer coisas à bruta. Tenho uma certa fama de, de vez em quando, ser bruta como as casas. Nada a fazer.

Qual é a sua ocupação favorita? Amar, disse ele...


- Viver. Dito assim parece uma resposta estúpida, eu sei. Mas é a verdade. Viver dá-me muito prazer. Viver e fazer a cada momento o que de melhor posso - porque nem sempre posso fazer o que me apetece, claro. Mas agora, por exemplo, depois das 2 da manhã, depois de um dia maravilhoso (in heaven, com os meus amores e amorzinhos), o que me apetece é estar aqui a escrever - e, apesar do sono, é o que estou a fazer. Quando estou no carro, numa fila que não acaba, poderia apetecer-me largar o carro ali mesmo e ir a pé - mas isso não posso. Mas mesmo nessas alturas, ouço música, olho a paisagem, penso em coisas que me agradam. E, por isso, muitas vezes, quando estaciono, não consigo sequer lembrar-me se estava muito trânsito. A cada momento, viver o melhor possível. Caminhando, fotografando, lendo, escrevendo, pintando, cozinhando, nadando, e, claro, claro, amando, amando sempre, amando muito.


Qual é o seu sonho de felicidade? A resposta de Proust é esquiva: não fala de molhar madalenas no chá e diz que não tem coragem de o revelar... Mas que não é grandioso e que se estraga se for posto em palavras. O que é que compõe o seu quadro de felicidade?





- Estar em casa e ver a luz através da janela, estar rodeada pelos meus amores, abraçar os que amo, saber que estão bem, que são felizes, e viver cercada por livros, plantar árvores e vê-las crescer, imaginar caminhos, desenhá-los, caminhar depois por eles, cozinhar e pôr a comida na mesa e ver a família comendo, repetindo com gosto, conversando, leve e feliz. 


O que é que na sua cabeça seria a maior das desgraças? Proust respondeu, aos 20 anos: “Nunca ter conhecido a minha mãe e a minha avó”. Mas aos 13 respondeu apenas quando lhe perguntaram pela maior dor: “Ser separado da mamã”.


- Não quero nem falar, seria terrível, insuportável. 


Quando lhe perguntaram o que é que gostaria de ser, respondeu: “Eu mesmo”, aos 20, e Plínio, o Novo, aos 13. As suas respostas seria diferentes? Quem gostaria de ter sido aos 13 anos? E agora?


- Aos 13 eu não sabia o que queria ser, talvez psicóloga. Por essa altura já tinha desistido de ser cabeleireira. Aos 20 sabia que não queria ser professora, queria trabalhar numa empresa grande, embora em nenhuma função em particular, apenas trabalhar numa empresa grande. De facto, tenho exercido muitas funções, díspares, mas sempre em empresas grandes. Tenho sorte, faço o que queria. Mas hoje sei que poderia fazer outras coisas. Penso, aliás, que um dia ainda as hei-de fazer.


Proust gostaria de viver num país onde a ternura e os sentimentos fossem sempre correspondidos. O país onde gostaria de viver existe deveras? Onde fica?


- Não sou dada a utopias nem a ideais. Maça-me até a perfeição. Vivo em Portugal e é aqui que quero viver. Se me acontecer ter que viver algum tempo noutro país, sei que quererei sempre voltar para cá. Apesar de tudo.


Quais são os seus escritores preferidos? No momento em que respondeu, Proust lia com especial prazer Anatole France e Pierre Loti.




- Muito difícil responder a isto. Também não sou dada a eleitos. Escritores de que gosto há muitos. Seria ridículo escolher um ou outro. Ao acaso apenas alguns: Clarice Lispector, Hélia Correia, Eça, Jorge Luís Borges, Yourcenar, Thomas Mann, Pedro Tamen, Manuel António Pina, Herberto, Sophia - e vou parar porque estes não são os preferidos, são apenas alguns dos que muito gosto.


E os poetas? Ele mencionou dois, e um deles faz parte das listas eternas: Baudelaire.


- Que pergunta... Então os poetas não são escritores? Já mencionei alguns na resposta anterior. Mas são muitos. A poesia para mim é a simetria perfeita da matemática. A expressão destilada, perfeita das coisas. Venero os poetas. Citei aqueles na pergunta anterior mas poderia ir por aí fora. Não o fazendo e apenas para não deixar a pergunta sem resposta substantiva, acrescento dois: Luís Filipe Castro Mendes e Jorge Carreira Maia.


Qual é o seu herói de ficção preferido? Aos 13 anos, Proust falou de Sócrates e Maomé como figuras históricas de eleição... E aos 20, referindo-se às mulheres, elegeu Cleópatra.




As ligações perigosas dão sempre pares memoráveis


- Outra vez... Preferências é coisa que não joga comigo, é estreitar muito o que é imenso. Há tantas coisas de que gosto que reduzi-las apenas para dar uma resposta é coisa em que não alinho. Mas, vá lá, alguns exemplos, e repito-me uma vez mais: apenas exemplos. Aos pares: Marquesa de Merteuil e o Visconde de Valmont; Lara Antipova e Yuri Jivago; Karen Dinesen Blixen e Denys George Finch Hatton. São exemplos. Podia puxar pela cabeça e referir mais umas dezenas. E, claro, não tem que ser aos pares. Muitas vezes são personagens que se destacam na sua individualidade. Adriano seria, por exemplo, um deles (e estou, claro, a lembrar-me das suas memórias ditas pela Yourcenar). Mas para que faria esse absurdo exercício? Ficariam de fora outros tantos, muitos outros tantos. Mas quero juntar um outro par, ou melhor mais dois personagens que 'me enchem as medidas': Lisa e Bart Simpson, talvez até mais o Bart. Mas também todos os outros membros da família. 


Quem é o seu compositor preferido? Aos 13 anos, escreveu Mozart, aos 20 Beethoven, Wagner, Schumann. Mas Proust não podia conhecer Tom Jobim ou Cole Porter...


- Fogo... estou quase a desistir. Maçada, isto. Todos os referidos na pergunta e mais cem. E Leonard Cohen. E Rodrigo Leão. E José Afonso. E tantos, tantos mais. 


Proust não foi contemporâneo de Rothko. E escolheu Da Vinci e Rembrandt como pintores favoritos.



"Amor vincit omnia", Caravaggio, 1602 c.


- E continua... Mas vá lá... Rothko, sim, o absurdo de uma cor que nos atrai de forma incompreensível. E a luz de Van Gogh. E as sombras, a sujidade, o vício de Caravaggio. E Paula Rêgo, controversa. E Picasso desbragado. E Balthus, perverso. E cem mais.



The Golden Years, Balthus, 1945

(A primeira imagem que encabeçou o Um Jeito Manso;
acho que esta menina tem muito de mim - e não me perguntem porquê)


Quem são os seus heróis da vida real? Ele apontou dois professores.


- Os desempregados. Não sei como vivem. Não sei como continuam vivos, não sei como encontram forças para se manterem vivos. Curvo-me perante eles. 


“Das minhas piores qualidades”, respondeu o escritor da “Recherche” quando lhe perguntaram do que gostava menos. E no seu caso?


- Esse Proust, credo, parece que não via muito além dele próprio. Eu aquilo de que gosto menos é capaz de ser da hipocrisia. E da mentira dita com descontracção, olhos nos olhos: acho um perigo. Da maldade: tenho medo das pessoas que são más.


Que talento natural gostaria de ter? As respostas de Proust são óptimas: “Força de vontade e charme irresistível”!


- Gostava de saber tocar piano. Nunca consegui. A minha filha toca, aprendeu com uma facilidade impressionante. Eu que lhe ensinava tantas coisas, não apenas não sabia ensinar-lhe isso, como não conseguia aprender. Mas nem os mínimos. Colcheias, semi-colcheias, tra-la-la. Zero. Mas nem tocar de ouvido. Nunca consegui, escusado. E tanto que gostava de saber, de deixar os meus dedos voarem sobre o teclado. 


Como gostaria de morrer? “Um homem melhor do que sou, e mais amado”.


- Proust era mesmo um lírico. Eu sou mais simples: a dormir, sem dar por nada. Pensando melhor, não, que pregaria um susto a quem desse por mim. Por isso, talvez sentada, a ler ou a olhar pela janela, na boa, sem sofrer, sem incomodar os outros, sem me aperceber. 


Qual é o seu actual estado de espírito? “Aborrecido. Por ter que pensar acerca de mim mesmo para responder a este questionário”. Pensar em quem é traz-lhe aborrecimento?


- O meu actual estado de espírito? Será preciso responder? Farta de estar aqui a responder a isto. Não me tinha apercebido que isto era tão comprido, senão não me tinha metido nisto, que seca. (Pensar em quem sou traz-me aborrecimento? perguntam. Não, nenhum. Gosto de ser quem sou)


Proust era condescendente em relação às faltas que conseguia compreender. Quais são aquelas que irreleva?


- Irrelevo (isto é, não perdoo) o que é feito com irresponsabilidade ou com maldade, prejudicando os outros. Por exemplo, irrelevo a devastação que o Governo de Passos Coelho tem levado a cabo no meu País.
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Volto e esta resposta pois fiquei a pensar que, ao responder, atribuí à palavra irrelevar o sentido oposto ao de relevar, ou seja, quis dizer não desculpar. Contudo, parece-me agora que o sentido mais comum que a ela se atribui é o de tornar irrelevante. Por isso, respondo de novo.
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- Irrelevo (no sentido de não dar importância) a atitudes de efeito pouco significativo tomadas no calor de uma discussão ou decorrentes de uma maneira de ser precipitada (por exemplo, disparates ditos ou feitos quase sem pensar e de que, ainda por cima, regra geral, os seus responsáveis por eles se vêm a arrepender)



Por fim, preferiu não responder qual era o seu lema, temendo que isso lhe trouxesse má sorte... É supersticioso como Proust? O que é que o faz correr?


- O meu lema não sei qual é, talvez viver bem e contribuir para que os outros vivam também melhor. Voar. Abraçar. Dar. Coisas assim. O que me faz correr? Acho que não corro. Não tenho pressa, vivo cada instante, degustando-o, e isso é incompatível com correrias. Caminho, aspiro o perfume do ar, deixo o meu pensamento voar.


Acabou? Ufffffff. Parecia que não acabava. Bolas.


[Não vou rever. Passa das 3 da manhã, imagine-se. Que coisa tão comprida esta, credo. Por isso, já sabem, é como nas outras vezes: se encontrarem erros graves, por favor, avisem-me, está bem? Se forem vírgulas ou letras trocadas, por favor, relevem, sim?] 

*

E, para não darem a visita por perdida - que isto de lerem isto tudo também deve ter sido uma seca das antigas - aqui vos deixo Leonard Cohen.





U2 & Leonard Cohen,  Tower of Song
(uma ao acaso)


***

Entretanto, agora de manhã, que vim aqui dar uma rápida vista de olhos, reparei que a Clara de Sousa já não é a última, já lá está uma nova entrevista da Anabela Mota Ribeiro, seguindo o Proust Quest., agora com a Guta Moura Guedes. Mas vou ter que deixar a leitura disso para mais tarde, que os meus afazeres não podem esperar. Estar agora aqui no computador é uma frescura incompatível com os trabalhos pesados a que tenho que deitar mão.


***

E tenham, meus Caros Leitores, um domingo muito feliz!!!!!!!!!


domingo, outubro 14, 2012

Segundo o Expresso, dos 50 filmes que toda a gente deve ver... tenho que confessar que não vi uma parte razoável e que vejo ali outros que vi e não achei nada por aí além. Mas, enfim, gostos não se discutem, não é?,


Quando quero ver um filme, o meu marido costuma perguntar quantas estrelas lhe dão os críticos. Se dão mais do que três ele fica desconfiado, já hesita. E eu tenho que lhe dar razão. Poucas vezes gostei muito de filmes a que davam 4 ou cinco estrelas.

Da lista seleccionada por Manuel S. Fonseca, Francisco Ferreira, Pedro Mexia, Jorge Leitão Ramos, Vasco Baptista Marques e António Loja Neves fazem parte filmes que vi e de que gostei como o Paris, Texas, o Apocalipse Now, a Morte em Veneza, Belle de Jour, o Anjo Azul, Luzes na Cidade. Vi outros, alguns dos clássicos, mas tenho dificuldade em incluí-los nos meus preferidos. E vejo ali outros, não clássicos (como, por exemplo, O joelho de Claire, um dos preferidos de Pedro Mexia), que não achei nada de extraordinário.

Por outro lado, não vejo ali filmes de que gostei bastante. Claro que não sou cinéfila nem sou capaz de sustentar comparações que envolvam mais do que o meu gosto pessoal. Nem tenho grande memória para agora me pôr aqui a hierarquizar os filmes da minha vida.

Por isso, é ao correr dos dedos e sem a pretensão de incluir todos os que elegeria se me esforçasse mais que aqui vou incluir alguns que me estão na memória como sendo filmes que me ficaram marcados. Há a história, há os actores (Meryl Streep, Jeremy Irons, Glenn Close, Malkovich, Juliette Binoche, Daniel Day-Lewis, Robert Redford, Kristin Scott-Thomas, Daniel Auteil, Sabine Azéma, Robert de Niro, etc), há a realização, há a imagem, há a música. Não saberei bem dizer.

Alguns já aqui os mencionei, incluindo até os trailers. Perdoem-me, portanto, a repetição.


Pintar ou fazer amor




Um de que falei muito recentemente: Lady Chatterly




Um muito anterior, A amante do Tenente Francês




A insustentável leveza do ser




Ligações perigosas (Dangerous Liaisons)




África minha




As pontes de Madison County




Closer (Perto demais)




Damage



O encantador de cavalos




E não vos maço mais pois agora, de repente, comecei a lembrar-me de muitos mais, como o Lágrimas e Suspiros, o Paciente Inglês, a Violação, O Carteiro de Pablo Neruda, o Taxi Driver, Lili Marleen, Annie Hall, etc, etc, etc, etc, e até o Braveheart.

Mas é isso, não gosto nem de experimentalismos, nem de filmes muito conceptuais, nem de filmes que destilam violência gratuita, ou depressivos, ou chatos. Pelos filmes que me ocorreram assim de repente e cujos clips aqui coloquei, constato que sou essencialmente uma romântica, coisa que de resto, já estava farta de saber.


PS: Volto ao texto depois de ler o comentário, que agradeço, da Leitora Maria e que poderão aqui abaixo e que relembrou alguns dos seus filmes e que são também alguns dos meus. Convido-vos, pois, a abrir os comentários para os ver. No entanto, vejo-me quase compelida a acrescentar aqui pelo menos três desses.

O primeiro filme que me marcou fortemente, andava eu no liceu:

E tudo o vento levou




Casablanca




1900




E claro que fico ainda com vontade de referir também o Jogo de Lágrimas, o M. Butterfly, A room with a view (não traduzido porque não me lembro se a tradução foi literal), A Idade da Inocência, etc, etc, mas não vou aqui ficar a escrever o resto do dia a maçar-vos.

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Tenham, meus Caros, um belo domingo.

E, já agora, uma sugestão: acendam uma velinha para que nas reuniões do (des)governo deste fim de semana, das duas uma: que saia dali um orçamento que reponha os ordenados e os impostos para que fiquem iguais aos que eram há uns dois anos e com medidas para o relançamento da economia ou, então, que os ponham tão ridiculamente altos que Cavaco Silva se veja obrigado a dar uma valente e definitiva corrida em osso ao Passos Coelho logo na segunda feira, xô, xô, xô daqui para fora já!

quinta-feira, novembro 17, 2011

Amores e desamores: ficção e realidade, ligações perigosas, neuroses e humor, alguém tem de ceder e mais perto. Que falem os mestres.


No seguimento do texto de ontem sobre o casamento (ou sobre os relacionamentos a dois, em geral), hoje temos uma aula prática ou, melhor, um workshop em seis actos ou, melhor ainda, um conjunto de case studies. Escolham. Ficarão em boa companhia, seja com quem for.

Alguns dos filmes já aqui apareceram mas repito-os inseridos neste contexto. Pela qualidade, espero que me desculpem o déjà-vu.

Faço o aviso como se faz em relação a alguns números arriscados: não devem ser repetidos em casa (pelo menos sem o apoio de especialistas). Estão aqui mais para ilustrar situações - e, sobretudo, estão aqui porque são belos filmes, belos actores, belas realizações, belos argumentos (uns mais que outros, claro, mas tem que haver oferta para todos os gostos).


A amante do tenente francês com Meryl Streep e Jeremy Irons


Ligações Perigosas com John Malkovich, Glenn Close, Michelle Pfeiffer



Annie Hall com (e de) Woody Allen e Diane Keaton


 

Alguém tem que ceder com Diane Keaton e Jack Nicholson




Closer com Julia Roberts, Clive Owen, Jude Law e Natalie Portman




As Pontes de Madison County com Meryl Streep e Clint Eastwood


 

Tenham um belo dia. Esqueçam a crise. Nada podemos fazer senão viver o melhor que conseguirmos.

Be happy!