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sexta-feira, dezembro 19, 2025

Os 2 videirinhos da vida airada, o reformado escusado, e, para que se aproveite alguma coisa, uns bombeiros com bom coração

 

Tudo o que se sabe do modo como o MP funciona é de estarrecer qualquer um. E o reformado Amadeu, PGR acidental, só vem acentuar o desgoverno do uma organização que deveria ser exemplar.

Não apenas é patente que aquela malta interpreta a lei como se todos pudessem andar à rédea solta, agindo à tripa-forra, como o suposto responsável por manter a ordem naquela casa da Mãe Joana, quando a coisa ganha alguns contornos mais sensíveis, pede escusa.

Escusa?! Escusa como?!

Juro: por esta é que eu jamais esperaria. 

Pelo contrário, contava é que o dito aposentado andasse em cima a ver se estava tudo a correr como deve ser, mostrasse àqueles desmandados que os queria à rédea curta, que exigia que andassem lestos e mostrassem ser rigorosos, sob pena de ter que lhes mostrar quão pesada era a sua mão.

Não senhor, pôs-se ao fresco.

Só não digo que aquele Ministério Público parece mesmo uma bandalheira para não usar palavreado bastamente usado pelo taberneiro.

Mas este aposentado, que acha que fez uma proeza ao presentear o Montenegro com uma averiguação preventiva em vez de um inquérito-crime, é o mesmo menino que convive bem com o facto de o suposto inquérito a Antônio Costa, que apesar de ter feito cair um Governo de maioria absoluta e depois de todos os juízes terem dito que aquilo é uma mão cheia de nada, continua, ao fim de vários anos a manter o caso num malsão e indesculpável banho-maria. Uma vergonha que deveria mandar para casa qualquer PGR, muito mais um aposentado.

Quanto à Spinumviva 2.0, que também dá pelo nome de Ls2Mm, a empresa familiar do sonso Marques Mendes, em tudo, t-u-d-o, idêntica à do Montenegro, só chamo a atenção para o cinismo, a hipocrisia, a sonsice que dá náusea do comentador Marques Mendes que andou na SIC, todos os domingos, meses a fio, a comentar, ao de levezinho, na boazinha, o caso Spinumviva quando ele, ele próprio, estava na mesmíssima condição. O sonso, se fosse homenzinho, ter-nos-ia avisado: "Peço escusa de comentar este caso pois tenho o rabo preso, estou na mesma situação, sou também um videirinho, um chico-esperto."

E os Senhores Jornalistas, em vez de serem papagaios uns dos outros, porque não perguntam ao candidato Marques Mendes: "Porque é que a SIC pagava os seus comentários à sua empresa pessoal em vez de lhe pagar diretamente a si? Para fugir ao IRS?" ou "Como conseguiu fingir tão descaradamente que era isento ao comentar a Spinumviva, quando tinha uma empresa que quase parece réplica uma da outra?" ou "O que é que percebe de gestão para ter sido avençado de empresas em consultoria de gestão?"

Mas, enfim, o Santa Claus está a chegar à cidade e não me apetece cansar mais a minha beleza. Por isso, ponham os cintos porque vou guinar noutra direcção, e é a toda a brida.

Antes que isto pegue fogo, que entrem os bombeiros.

Podem ser os australianos, porque gostam muito de animais.

2026 Australian Firefighters Calendar


Be happy

quinta-feira, dezembro 15, 2022

Perdoai-me, Pai, mas apetece-me pecar

 

No outro dia, quando fui ao chinês (leia-se: ao bazar chinês), ao pagar, o rapaz da caixa ofereceu-me um calendário. Achei graça. Nunca soube o que fazer com eles.

Dantes, nas empresas, a área de Comunicação ou de Marketing começava meses antes a tratar do calendário e das agendas para, pelo Natal, oferecer a trabalhadores, clientes, fornecedores. 

Muitas vezes havia sessões de debate interno para decidir qual deveria ser o tema, contratavam-se fotógrafos, havia provas -- todo um processo. Muitas vezes a tendência era ter tudo a ver com a actividade da empresa. Outras vezes optava-se pela surpresa: nada a ver, apenas belas imagens e belo material e depois, muito sóbrio, o logo da empresa. Outras vezes era temático (virado para a inovação ou virado para a defesa do ambiente -- por exemplo).

Sempre gostei de participar ou opinar sobre os temas ou sobre o produto final mas, verdade seja dita, nunca liguei nem a calendários nem a agendas. Mas a minha mãe gostava sempre de receber um de cada e sempre reservava a contar com ela. Cheguei a levar também para os meus avós.

Atrás da porta da cozinha dos meus pais havia sempre um calendário. E as agendas que ela usava eram sempre as que lhe levava.

Depois os calendários caíram em desuso e as agendas lentamente também foram decaindo.

Mas se não sou de calendários analógicos, a verdade é que gosto de ver, digitalmente falando, calendários que tenham aquele je ne sais quoi que faz a gente querer ver com atenção. Pode ser porque a narrativa tem que se lhe diga, pode ser porque o fotógrafo tem arte e transforma em beleza ou estranheza o que a objectiva capta ou pode ser porque o objecto captado é, em si, uma obra de arte.

Um calendário que não sei se tem um pouco de tudo isso é o Calendário Romano, também conhecido como o Calendário dos Padres Escaldantes. Pode acontecer que alguns padres apareçam repetidos de ano para ano e podem até alguns não ser padres e pode, até, não se perceber bem qual é a mensagem. Mas quem é que liga cá a miudezas?

O importante é que os devotos moços que ali abençoam cada mês estão devidamente cobertos, têm pudor e decência (o que é de bom tom na época natalícia), têm a pose contida de quem segura a Bíblia e isso inspira confiança quanto mais não seja porque transmite a ilusão de que gostam de ler, e, ainda por cima, têm um olhar puro e piedoso, o que é sempre inspirador (e se não for puro também não faz mal nenhum). E a gente, queira ou não queira, pensa logo que aqueles jovens padres (sejam eles de gema ou fake) deve pecar com uma grande pinta. E, se não pecam, dão a quem os olha uma certa vontade de pecar.

E, para que não se pense que estou sozinha na admiração pela objecto (refiro-me ao calendário), sugiro que leiam: ‘Forgive me, Father, for I am in the mood to sin’: how the ‘hot priest calendar’ became a publishing hit da autoria de Morwenna Ferrier.


Aliás, vendo o ar benevolente dos jovens padres, fico até a pensar que se, na paróquia aqui da zona, o padre for do mesmo gabarito que estes, estou capaz de ir repetir a catequese. Refreshment. Quem sabe se desta vez acho alguma graça à matéria. 

Ou os padres não dão a catequese? 

Se não derem, não faz mal: inscrevo-me num daqueles cursos de preparação pré-nupcial. Ou qualquer outra coisa. Ou convido-o para uma sessão fotográfica para fazer um calendário destes, versão lusa. Por exemplo, um Calendário Fatimiano com portuguese hot priests. Um recuerdo que nenhum turista religioso poderia dispensar.

Ámen.

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Um bom dia.

Paz. Alegria. Saúde.

quinta-feira, outubro 20, 2022

Calendário 2023 para quem gosta de animais
(racionais ou irracionais, de 2 ou 4 patas)

 

Não é lá por sentir que o tempo galopa a uma velocidade estonteante que, para mim, é como se o ano passasse a ter apenas cinco meses. Ná-na-ni-na-não. Tem doze que eu bem sei.

No entanto, agora que falo nisso também não seria disparate simplificar o calendário. A bem dizer bastaria que o ano contivesse apenas o mês do Carnaval, o mês da Páscoa, dois meses de Férias e o mês do Natal. Mais que suficiente. Poderia até alguns meses terem maior tamanho que os de hoje, poderia até funcionar em geometria variável. Quando estivesse a correr de feição a gente dava-lhe gás, meses de oitenta ou noventa dias. Quando estivesse fastidioso, atalhava-se e passava-se ao seguinte. 

Mas não é isso. Só aqui tenho cinco páginas de calendário por uma simples razão: para não maçar os leitores que preferem calendários no feminino, ie, calendárias. Para esses, quando a Pirelli se sair completamente à cena em toda a sua elegante sofisticação, está prometido que não deixarei passar a ocasião em claro. Aliás, hoje, já aqui, lá mais abaixo, levanto um pouco do véu.

Mas, enquanto não acontece a pirelliana revelação em todo o seu esplendor, fico-me por este. E, para quem estranhe a escolha, informo desde já que sou toda pela ecologia, pela natureza como toda a sua naturalidade. Calendário que é calendário deve retratar as nossas preferências estéticas. Claro que poderia ficar-me por céus e marés, lagos e cúmulos, montanhas que revelassem a solidão da alma dos montanheiros ou por multicoloridas e femininas borboletas, sempre tão efémeras e inocentes. Ou por belos e sinuosos rios ou por aprisionados vulcões prestes a soltar a franga. Mas não. A minha ecologia, no caso, verte-se em animais. E animais declinados em belos exemplares, masculinos e bípedes, afeiçoadamente próximos de igualmente belos quadrúpedes.

Não sei bem que mês cada um deles representa mas isso também não interessa para nada. Têm competência para representar condignamente qualquer mês.

Não sei se sabem tocar piano ou falar francês nem sei se sabem descer às profundidades do grego antigo ou se sabem desbravar o segredo das partículas elementares. Mas aposto que agarram a mangueira com viril convicção e apagam os fogos, de qualquer espécie, com uma perna às costas. E isso é virtude que merece ser enaltecida.










Um grupinho que a gente nem sabe dizer qual deles é que prefere. É como aquela coisa de alguém perguntar a outra se prefere um copo de tinto ou de branco e a outra responder: Cheio. É a mesma lógica. Qual deles preferes? Todos.

Mas, pronto, se tiver mesmo, mesmo, mesmo que escolher, então, vá, escolho o do cavalo. Mas vou já alertando que deixei cair o 'do' não porque prefira animais que andam em quatro patas mas, apenas, para não dizerem que sou uma velha assanhada. Ora. Tenho que zelar pela minha reputação.

Escuso de dizer que tudo isto para informar que o Calendário 2023 dos Bombeiros Australianos já está à venda e as receitas se destinam a ajudar causas meritórias. Por cá também tínhamos os garbosos bombeiros sadinos mas não sei se a causa se mantém de pé. Ou melhor, se a chama se mantém viva. (Puns obviously intended)
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Quando ao tema que me tem vindo a mobilizar nos últimos dias, acrescento apenas que a monda hoje não foi má de todo e, se é para dizer toda a verdade, então tenho que confessar que é viciante. Mal apanho uma aberta atiro-me a eles. Custa a parar. Há sempre mais e mais para apagar. É como nos gabinetes: fui virando minimalista até atingir o minimalismo perfeito. Armários quase vazios. Nas gavetas só lápis, canetas, creme para as mãos, um espelhinho, um perfuminho portátil, coisas simples. Nas prateleiras só coisas estimativas: revistas antigas do tempo em que as newsletters eram em papel e algumas coisas sem nada a ver. 

Ao todo creio que já apaguei à volta de uns catorze mil mails. Hoje estou já cansada dos olhos de ver tanta coisa, já não vou falar de duas coisas que a ver se conto amanhã: os blackberry que numa altura eram tão importantes, tão gadget, e dos quais já nem me lembrava e o mistério do roubo da carpete. Escrevo já aqui pois posso amanhã ver outras coisas e esquecer-me outra vez destas.

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Quanto ao Pirelli, aqui vos deixo um amuse-bouche

Models step up for the 2023 Pirelli Calendar

Fourteen of the world’s most high-profile and dynamic models including Karlie Kloss, Bella Hadid, Cara Delevingne and Emily Ratajkowski will feature in the 49th Pirelli Calendar shot by Australian photographer Emma Summerton


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Um dia bom
Saúde. Bom humor. Força aí. Paz.

sexta-feira, dezembro 06, 2019

Hesito entre ir à procura de Julieta ou dançar o tango.
Embora, sendo realista, it takes two to tango...





Só para dizer que continuo desinspirada para fazer compras de natal. Passo pelo comércio e ponho-me ao largo. Aversão ao consumismo, às barafundas. Sei que, à medida que o dia se aproxima, cada vez há-de ser mais difícil; mas ainda não desceu em mim a interiorização da necessidade. Só me apetecia chegar à véspera e ao dia e haver só a companhia uns dos outros, zero presentes. Mas os meninos não perceberiam pelo que, paciência, lá terá que ser qualquer coisa para cada um. 

Também ando sem paciência para as cenas do PSD. No outro dia calhou ver aqueles três da vida airada, cocó, ranheta e facada mas foi coisa passageira, nem três minutos aguentei. Nada naqueles três é interessante. Fazem parte do passado. O meu mundo não é o deles. 

Do resto, os outros partidos ou andam às aranhas ou a trilhar os caminhos do populismo ou, no caso do PS, a governarem na boa, sem qualquer oposição. E, assim sendo, porque as boas notícias não têm que se lhe diga e às indigências a gente deve poupar, não me detenho na matéria. Se a comunicação social não andasse com alguns ao colo, desapareciam por si. 

Do Trump, esse narcisista em decomposição, também já mal consigo falar. Não gosto de falar de zombies, de parvalhões que já mal se aguentam de tão desintegrados que já estão. E do Bolsonaro, esse outro animal que os brasileiros resolveram eleger, também não vou falar. Não vale dois réis de prosa fiada. Ou de outros.

Nem tenho nada a dizer sobre a vinda do Bibi e do Pompeo para falarem um com o outro nem me apetece falar da campanha americana anti-China. Tudo uma cambada. Mas não é perto das duas matina que vou maçar-me com essa camarilha.

Podia, claro, ao menos falar do ódio ou desprezo inexplicáveis que algumas pessoas, do alto da sua ignorância ou pesporrência, sentem pela Greta mas falar disso poderia enervar-me e eu, santa paciência, tento poupar-me.

Podia falar de outras coisas. Por exemplo, dos loucos e loucas que assomam às janelas da blogosfera para inventarem narrativas destrambelhadas, para moerem a paciência a quem lhes cai no goto, para fazerem cenas patéticas. Gente demente que não sei se na vida real mostra a psicopatia que lhes corre nas veias ou se conseguem disfarçar. Mas não vou falar de stalkers, paranóicos e outros e outras totós. Até porque não há pachorra.

Ou podia ainda falar das secas que, parecendo que não, apesar da boa companhia e das conversas simpáticas, são os jantares e almoços de natal. E, em cima desses, outros. Ainda hei-de perceber o que dá na cabeça de tanta gente para desatarem a organizar almoços específicos como se os 'oficiais' não fossem mais do que suficientes. E mais os almoços de despedida para homenagear os colegas que  resolveram que já mais do que deram para este peditório e que, segundo dizem, vão abraçar novos desafios. E vá de almoço. Se me vejo sem compromissos durante dois ou três dias de seguida até digo que é mentira.

Devia era ficar a dormir até às onze, depois ir caminhar na praia, depois petiscar, depois dormir a sesta, depois ler, depois ir caminhar no campo, depois regressar a la maison, beber um chá quente. Etc. Coisas assim. Uma vida regalada. Anseio. Ou ir de férias para uma aldeia aí perdida no meio das serras.


Enfim. Isto para dizer que, depois do jantarinho da Kate Moss, nada mais tenho a declarar.

Vou é mas é ver se consigo acordar o meu marido para vir aqui dançar um tango comigo. I'm in the mood. Embora mais em sonho do que na realidade até porque já estou a dormir.

Já trouxe para aqui algumas companheiras para a dança: algumas das beldades que valorizam o Calendário Pirelli 2020 com fotografia de Paolo Roversi.

Looking for Juliet...? Não sei, não... Quero é dançar. Na boa. Nem que seja mulheres com mulheres. Até porque o tango era homem com homem.


Mas pronto, vá, para que não vos pareça insensível, aqui fica um cheirinho de amor em poema pelas meninas bonitas do Pirelli possuídas pelo espírito da Julieta -- e não se fala mais nisso.


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E, por ora, é isto. Se vos apetecer frango a la Moss é só descerem.

Beijos e abraços e uma bela happy friday


terça-feira, agosto 06, 2019

À procura de Julieta.
2020 a caminho pela mão de Paolo Roversi para o Calendário Pirelli.
2020 promete, pois, ser um ano em beleza


O fotógrafo é Paolo Roversi e isso, em si, já é garantia de muita qualidade. Mas nem precisaríamos de ter essa garantia pois o Calendário Pirelli é desde sempre um objecto artístico de extrema qualidade. Moda e fotografia sob a lente de quem sabe ver os pormenores e valorizar a beleza. Não é qualquer um que consegue alcançar o patamar que a Pirelli requer.

Rosalia by Roversi para o Pirelli 2010

O tema deste novo calendário tem a ver com a reinterpretação de Julieta o que, reconheçamos, é um desafio extraordinário já que Julieta não existiu. Mas, sendo Paolo Roversi o fotógrafo por excelência da melancolia e, no fundo, sendo esse o tema, o resultado final só pode ser esplendoroso.

De entre os nomes divulgados, há alguns que, do que conheço, não têm como desiludir. Claire Foy, Mia Goth, Emma Watson, Indya Moore, Yara Shahidi, Kristen Stewart, Chris Lee, Rosalia e Stella Roversi serão as Julietas de 2020.

Hoje foi 'libertado' um preview do que vai ser e eu, que gostava de um dia poder estar por perto de uma sessão fotográfica assim, fui logo ver.  Uma amostra de belezura pela qual custa a esperar.


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E até já. Talvez ainda cá volte.
Tenho notícias da Clara.

terça-feira, dezembro 04, 2018

Pirelli 2019
[O making of]



Todos os anos é com curiosidade que espero pela notícia de que já se começam a saber as novidades sobre o Calendário Pirelli. A escolha dos fotógrafos é sempre criteriosa e a das pessoas fotografadas também. E cada vez mais há aspectos diferenciadores. Já lá vai o tempo em que bastavam umas meninas curvilíneas, descascadas. Agora é normal que se reconheça ali arte e uma história ou, vá, uma mensagem.

Desta vez há bailado e Albert Watson -- o fotógrafo convidado -- foi buscar, imagine-se,o meu bem amado Sergei Polunin. E como se já não fosse suficientemente excepcional também foi buscar Misty Copeland. Só de sabê-lo já fiquei encantada.

Ainda não tenho as fotografias dos meses mas tenho um pouco dos bastidores. A Gigi faz a capa do vídeo e, do que se vê, a edição 2018 promete.


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Para quem não conheça a bela Misty, aqui fica uma amostra



Maravilha.

E até já.

sábado, outubro 13, 2018

Fogo! Fogo! O ministro demitiu-se!
Chamem os binómios cinotécnicos! Rápido!!!!




Há uns dois anos fui tomar conta de umas áreas de uma empresa. Herdei colaboradores, processos e uma cultura enraizada que vinha de há séculos. Um castigo. Ninguém merece. Mas devo ter passado parte da vida a pecar, e a pecar à grande e à francesa, porque acharam que eu merecia.

E estava a empresa bem governada se, de cada vez que alguns daqueles artistas faziam asneiras, eu me demitisse. Pelo contrário. Se gastavam dinheiro à tripa forra, se se baldavam airosamente, se se estavam a marimbar para o trabalho em equipa, se faziam disparates sem o assumirem, o que os accionistas e os outros elementos da equipa de gestão pediam a todos os santinhos é que eu não desse de frosques. E não sei quantas vezes a vontade de me pirar foi mesmo mais do que muita. Mas o sentido de responsabilidade levou-me a ficar e a tentar resolver os problemas. Hoje as coisas estão mil vezes melhor, mais controladas. Mas há práticas que quase fazem parte da genética das pessoas e, portanto, por muito que a gente as contrarie e tente que as coisas entrem nos eixos, mal uma pessoa se distrai já a bagunça está à espreita. Quando, em petit comité, digo: 'Eh pá, não há pachorra, aquela malta não atina, estou pelos cabelos, não há pachorra', logo me pedem mais algum tempo, que me mantenha firme e hirta naquela missão. 


Mas em Portugal, na política partidária, há uma cultura diferente. À mínima barracada, em vez de se exigir que o responsável máximo se mantenha em funções e resolva os pepinos que lhe aparecem pela frente, não senhor: querem é que os responsáveis sejam os primeiros a saltar fora, virem as costas e digam adeusinho por aqui me desbaldo, quem vier a seguir que feche a porta. Cá para mim quem assim pensa é malta que pratica o culto da irresponsabilidade. Houve aquela suprema barracada do roubo de armas de Tancos, uma coisa de bradar aos céus, uma escandaleira. E em vez de se proibir o Chefe das Forças Armadas e o Ministro que as tutela de saírem de funções até estar tudo explicadinho, em pratos limpos -- não senhor, exige-se é que saiam e vão para casa, descansados da vida.


Mas já não fico perplexa. Cada vez encontro mais gente que, perante uma simples operação aritmética de dois mais dois, conclui categoricamente que o resultado é cinco. E fazem um banzé desgraçado, vão para o Facebook e o escambau a apupar os pobres coitados, uma minoria cada vez mais isolada, que continua a defender que dois mais dois são quatro.

Portanto, já não fico estupefacta ou indignada perante o que me parece pura estupidez. Fico apenas com vontade de seguir em frente, de me abstrair. 


É o que faço agora. Enquanto as televisões estão ao rubro, com comentadores e mais comentadores a comentarem a demissão de Azeredo Lopes, eu vou mas é chamar os bombeiros. Mas desta vez não quero cá bombeiros dengosinhos, todos derretidinhos com gatinhos miau miau. Não. Agora quero bombeiros valentes, com cães feras, cães de meter medo.


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Bem. Não encontrei cães ferozes nenhum bombeiro com ar de mau. 
São todos lindos, fofinhos e depiladinhos. 
Paciência. É o que há.

[E, claro, esta rapaziada faz parte do corpo de bombeiros australianos que deu o corpinho ao manifesto por boas causas, nomeadamente para angariar fundos através de um calendário]

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PS: No meio da cegada de Tancos, já ouço que há para ali um mariola Frazão que armou encrenca para entalar o ministro. E o ministro, coitado, sem ter uma Georgina de rabo alçado a dar-lhe apoio nem uma rede de advogados e gestores de imagem a lançarem notícias nos trombones, não teve outro remédio senão meter a viola no saco. Só espero é que este sábado, agora que o ministro saíu, já se tenham apanhado todos os ladrões das armas. Eferre-á,eferre-á, alecuí, alecuá, á.

sexta-feira, outubro 12, 2018

Bombeiros so hot que quase pegam fogo.
De tal ordem que a gente nem se importa que o ano tenha muito mais do que os habituais doze meses.
Aqui, os que são afeiçoados a gatinhos.
E feliz ano de 2019!




Gosto de homens bonitos e com corpinho bem feito. Parafraseando o grande Vinicius, os feios que me desculpem mas beleza é fundamental. Não vou agora falar com pormenor dos que namorei e que depois deixei mas falo daquele com quem me casei. E, com vossa licença, vou repetir-me. Quando vejo homens bonitos, gosto de me lembrar. 

Num pavilhão cheio de gente, vi entrar aquele por quem, de imediato, me apaixonei. Tudo nele me agradou. Os olhos deles vaguearam pelo vasto pavilhão e foram pousar na que, sentada no parapeito de uma janela, o fitava com encantamento. Barba cerrada, cabelos quase pelos ombros, moreno, olhos cor de mel, era um autêntico cristo mas em bom. Um físico invejável, uma forma elegante e desportista de andar. Quando a seguir estive com o meu namorado, com franqueza, confessei: 'Vi aquele que acho que é o homem da minha vida'. Escusado será dizer que o pobre coitado ficou pregado: 'O homem da tua vida não sou eu?'. Já não me lembro como me saí. Se calhar disse aquilo que era verdade: não sabia quem era, nunca tinha visto e, se calhar, não ia voltar a ver.

E, de facto, passaram meses sem que o voltasse a ver. Até que um dia, estando numa sala perto da escadaria, vejo uma colega entrar em estado de apalermada estupefacção: 'Não vão acreditar. Vi o fulano mais giro da faculdade. Não imaginam. Lindo.' Pensei que só podia ele. Saí a correr mas já não o vi. Ela disse: 'Tinha o braço partido'. Tempos depois, entrei na cantina e vi um ajuntamento ao fundo. Muitas raparigas, muito sorrisinho. Pensei: 'Querem lá ver...' Espreitei. Era ele. Rodeado de mulheres por todos os lados. Estavam a escrever dedicatórias e parvoíces no gesso. Pensei cá para mim: 'Deixa-as. Guardado está o bocado para quem o há-de comer'. Afinal eu continuava a namorar, por sinal um namoro muito a preceito. Por essa altura, já ele tinha ganho o cognome de 'o borracho'.


Meses depois, encontrei uma amiga minha dos tempos de liceu que estava noutro curso. Vinha com um saco com mantimentos. Vinha nas nuvens. Contou que andava com o gajo mais giro da faculdade, que ia fazer o jantar porque ele ia a casa dela, um andar um vivia sozinha. Contou que não era apenas lindo: era culto, era meiguinho. Tudo do melhor. Pensei: 'Querem lá ver...'. Certa de que com tanto elogio só podia ser 'o borracho', perguntei-lhe o nome dele. Disse-me. E foi assim que fiquei a saber o nome daquele que, não muito tempo depois, viria a ser meu.

E isto para dizer que me apaixonei só pelo físico, pelo olhar, pelo andar. Nada sabia dele, nunca lhe tinha ouvido uma palavra. Mas nada disso me fazia falta para ter a certeza de que não descansaria enquanto não o tivesse para mim.

Continuava a namorar outro e, no entanto, dentro de mim eu sabia que aquele lá, o outro, 'o borracho', é que era o tal. Mas ainda não se tinha proporcionado.


Andávamos em cursos diferentes, tínhamos horários distintos, apenas nos cruzávamos (e era de raspão) a espaços de meses. Mas, de cada vez que isso acontecia, ele ficava com os olhos presos aos meus e eu presa aos dele. Aos olhos... e ao corpo -- e ele ao meu. Era inevitável que aquilo tivesse um desenlace.

Teve. Não propriamente um desenlace mas, sim, um enlace. Dura até hoje.

Nessa altura, as minhas amigas diziam que eu era açambarcadora. O meu namorado era bem bonito, tinha (e tem) uns olhos num azul quase violeta, umas pestanas compridas. E um enorme talento. Elas queixavam-se: 'Com o que já tens, para que queres mais outro?'. Mas era mais forte do que eu.

E o anterior ao dos olhos azuis. Irreverente, uns olhos muito bonitos, um ar sensual e todo ele provocação. Um grande amor, esse. O primeiro.

Ou seja: toda a vida fui sensível a homens bonitos. É genético.


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E isto para dizer que. Aproxima-se o fim do ano e, com ele, começam a chegar os calendários. Este de que aqui vos dou conta chega da Austrália e traz um belo naipe de bombeiral. Cada um mais jeitoso do que o outro. Corpinhos bem feitos, carinhas larocas. As australianas, volta e meia, devem pegar fogo aos rissóis na frigideira só para os chamar lá a casa. 

A graça é que vejo um montão de fotografias, bem mais que os habituais doze meses. Mas não me espanta. Perante coisa assim, a gente até lhes perde a conta, que venham mais. Vinte, trinta meses... quem é que se prende a minudências dessas perante tão belos exemplares do género humano?

Claro que, ao vê-los só fico a lamentar que se tenham rapado. Não gosto. Salvo uma honrosa excepção, não se vêem ali pêlos no peito, no baixe ventre. Espero que não tenham depilado mais do que isso mas, ainda assim, faz falta algum pelinho para a gente sentir uma coceguinha boa quando se lhes encosta. Só perdoo a estes meninos porque, estando tão longe, lá na Austrália, não vou conseguir pôr-lhe a mãozinha em cima. 

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Se conseguir manter-me acordada, ainda aqui volto para mostrar bombeiros que gostam de piu-pus, outros de cãezinhos, outros de cavalinhos upa-la-lá.

sábado, novembro 11, 2017

Rescaldo de uma semana





Chego a sexta feira à noite com vontade de virar do avesso a semana que acabei de viver. Há coisas que são tão tenebrosas que só me dão vontade de rir. Outras tão parvas que só me apetece fazer parvoíces ainda maiores.

Para acabar o dia em beleza, jantámos num restaurante simpático. De um lado estava um grupo de professoras que não fizeram outra coisa durante todo o santo jantar senão dizer mal de outras, mas mal a sério, uma coisa espantosa tal a quantidade de raiva acumulada. Do outro lado, uma família em que uma mulher falava enervadamente do mal que amigos fingidos lhe faziam no facebook fazendo-se passar por amigos de verdade. E o resto da família dava-lhe estranhíssimos conselhos sobre a forma de desmascarar os hipócritas e vingar-se dos cruéis, ao que ela rebatia com revelações ainda mais parvas que as anteriores mas que desencadeavam, nos outros, curiosas reacções de solidariedade.


E nós no meio, incapazes de dizer mal de quem quer que seja a não ser um do outro. Só que a nós o mau feitio passou mal veio a comida porque, na verdade, o nosso mal era fome.

E, no rescaldo, concluímos que éramos mais felizes por não andarmos metidos no Facebook. E eu falei naquela coisa esperta que o Facebook anunciou: quem não quiser correr o risco de ter a circular fotos ou vídeos comprometedores deve... enviá-los para lá. Dizem que traçam o ADN de cada coisa dessas e, a partir daí, mapeiam essa informação contra o que lá cair, conseguindo identificar se algum meliante ou zinha vingativa lá os quiser pôr.


Mas eu pasmo: será preciso ser-se ainda mais desesperado mental do que os incautos que usam o Facebook para entregar justamente ao Facebook aquilo que se quer esconder. Mas vai haver quem se sinta completamente seguro ao fazê-lo. São os mesmos que acreditam no Pai Natal. Que os há.

Bem. 

E, na política nacional, a coisa também anda frouxa.
Ou, então, sou eu que ando com mais sono do que é costume. Tive que madrugar em dois dias e isso desestabiliza-me os humores. A verdade é que o que se passa não me dá pica.
E é que nem Madame Teodora (a Cardoso, of course) já consegue entusiasmar-me. Senhora muito datada para o meu gosto. Não está a envelhecer bem. A nível mental, quero eu dizer -- porque, calma aí, a nível físico, está do melhor que há. Não desfazendo.


Faz-me falta o láparo, o Vai-estudar-ó-Relvas, o Ex-Vice-Irrevogável, a Lulu e o seu pit-bull, o Lombinha dos Briefings, o Maçães e as suas polacas. Até do totó do Gaspar e daquele Álvaro com um ar sempre saudável eu tenho saudades para me despertarem os maus instintos. Ou do Cavaco com a sua Cavaca, agora promovida a fada-madrinha do maravilhoso Reino Encantado de São Marcelo. Olha, agora por falar nisso, lembrei-me que, por esta altura, tadinhos (dos Cavacos), haveriam de estar a preparar a árvore de natal para servir de pano de fundo à sua imprescindível mensagem natalícia. Fofos. Eles e a Joana dos naperons e dos tampões. Toda essa gente faz falta para a gente ter com que se rir à séria. 

Deveríamos tê-los ainda por aí, todos juntos numa espécie de portugal dos pequenitos, num reality show transmitido em directo, com uma Guilherma a atiçar ânimos e a fazer com que fossem para a cama uns com os outros.

Sem eles, o panorama mediático acinzenta-se. É certo que os números da economia estão mais para o côr-de-rosa mas isso dá é para sorrir de gosto. É que sem totós de jeito, a gente vai rir-se de gozo de quê? Dos moços-candidatos, o Rui e o Pedro, que agora deram em ser mais laparianos que o Láparo? Não posso, não é? Não quero passar por parva. Senão isso, então, de quê? De uma lagarta passeando por entre uma salada comprovadamente biológica? Não dá, não é? Ia defender que pusessem pesticida na salada da escola? Não, não é...? Ou vou falar de quem, na escola, achou que o vídeo não tinha qualidade artística e critica agora a aluna? Não... parece-me motivo meio pífio. Seria bater no fundo: chegar ao ponto de que o único motivo de conversa já não passasse disto.

Portanto, olhem, paciência, nada mais me resta senão tentar aliviar a maçadoria que se acumulou ao longo da semana, procurando cenas que, para mim, valham a pena. Portanto, aqui estão: rãs descaradamente verdes, pretas do além*, uma das quais branca, (e daqui a nada já verão a que propósito se puseram naqueles preparos), crianças metafísicas, majorettes d'après la lettre, uma Melania assombrada na muralha da China, um jordano bué de bacano, todo LGBT. É o género de coisa que me interessa.


Entretanto, já cá tenho outra vez na sala o porta-voz de todos os ramos da sociedade portuguesa, seja qual for o ramo e o tema: o ubíquo e omnisciente Marcelo (a quem o E. trata por Marcelo-afilhado), aquele nosso bem conhecido santo padroeiro que dá conta de tudo. Nem sei de que é que agora fala mas reparei que fala com ar de quem sabe de tudo. Para além de ter muito amor para dar, está sempre pronto para dar uma lição ao povo. Mas, enfim, isso já nada tem de novo.


Salva-se, pela graça, a notícia de que alguns gays maléficos andaram a influenciar alguns leões quenianos e de tal forma que já apanharam alguns a reproduzir o que viram. Upa-la-la em cima um do outro. Se isto dá em tudo o que é cão e gato vai ser um ver se te avias a sair do armário


E é isto. E se houver aí alguém que tenha registo de alguma coisa mais importante, que se levante e diga. Senão, ficamos assim.

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Fotografias quase todas vistas no The Guardian. A dos leões que são macacos de imitação não.

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* Ah, sim. É verdade. Salva-se ainda outra coisa. Oh lá se salva...!

Alice! Alicinha! Vem ver, Alicinha.

Calendário Pirelli 2018 por Tim Walker


A beleza em negro em Alice no País das Maravilhas. Pura magia.



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E a história das wild roses vai ter que esperar.

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sexta-feira, outubro 13, 2017

Homens-objecto. Homens que, em vez de apagarem fogos, os ateiam.
E Sophie, a quase mulher.
[E isto, se calhar, por causa do Relvas que me apareceu aqui todo prosa a dizer que, se a maioria votar no Santana, ele se calhar vai interpretar que também deve votar]



Lá está. Aquilo da reverência. Ou do politicamente correcto. Não sou. Tem que ter cuidado... depois dizem que é desalinhada... cuidado... -- recomendam-me. Azarinho. Não gosto de ter cuidado. Gosto mais de provocar ou de passar ao lado dos grandes movimentos de massas. Comoções de grupo, então, estou fora.

Isto para dizer que, em dia de relatório sobre os incêndios e depois de ouvir um senhor bigodudo que podia usar suspensórios para ficar ainda mais igual ao avô Cantigas, a dizer que, se calhar, se cá nevasse, fazia-se cá ski, e que, se os senhores que podiam ter feito diferente, tivessem feito diferente, as coisas podiam ter sido diferentes, eu não devia aqui trazer bombeiros.


Por isso, aceitem, para já, as minhas desculpas. Não quero ferir susceptibilidades. 

Mas a sério: não sei se aquele relatório pode ser levado muito a sério. Também é certo que apenas ouvi o abstract que a televisão passou. Mas, disso, basicamente, fiquei com a ideia de que tudo espremido, bem vistas as coisas, face às circunstâncias, naquele dia tenebroso, não era fácil fazer diferente. No entanto, confesso, apanhei-o meio de raspão -- e pensei que, depois de  um intróito enrolado, ele ia encher-se de brios e chutar à baliza. Mas não, a coisa acabou assim mesmo, meia ensarilhada. Dá ideia que a GNR não fez nada de mal, só alguém é que podia ter feito diferente mas que, se calhar, não era fácil fazer diferente. E esse alguém parece que é o da Protecção Civil mas, para dizer a verdade, do que ouvi, não fiquei certa disso.

Portanto, no meio de um texto cheio de ambiguidades, cá temos mais um banquete de carniça para os urubus da comunicação social e para os amorins desta vida que têm ali muito por onde chafurdar e encontrar novos pretextos para moer a cabeça ao Costa, a ver se é desta que ele despacha algum ministro. Namely a Constança, pois então. 


Mas isto para dizer que, a bem do equilíbrio emocional dos meus Leitores que deveriam ser deixados como estão, postos em sossego -- ora indignados com o senhor comandante que fez o milagre de suspender a fita do tempo, ora chorosos porque o Costa é teimoso como um burro e não deixa cair os ministros, quanto muito o tal da Protecção Civil (que, no meio de tanta coisa, já não sei se é o doutor por equivalências, ou outro qualquer) -- apareço eu aqui hoje com o bombeiral quase em pelota. 

Mas pode alguém ser quem não é?


Não pode. E, sendo eu como sou, e depois da subversão artística do post abaixo, o que me apeteceu trazer aqui foi a temática do aproveitamento sexual por parte dos produtores de moda ou de publicidade.

Uma coisa inadmissível. Mamocas, rabiosques. Fantasias sexuais que não se aguentam. Repudio. 

Coisas desse género só em sentido contrário... Aí, com franqueza, parece-me muito bem. Especialmente, porque sei que os homens gostam. Na verdade, acho mesmo que gostam de tudo.


Especialmente gostam de saber que despertam alegrias (de toda a espécie) nas mulheres. Só de pensarem nisso já ficam eles todos animados. 

Tratados como animais de estimação? Como mobília?... Nada de mais. Sempre às ordens. Todos nus? Porque não? Melhor ainda se as mulheres a quem querem agradar estiverem sem roupa interior. Objectos? Seja. Usem-nos a ver se eles se importam.


E mais, ponham-lhes uma quase mulherzinha à frente a ver se eles se importam. Mulherzinha ou humanóide, tanto faz. Desde que bem instruída (em sentido lato, if you know what I mean), no problem

Sophie ficava melhor se não tivesse os neurónios à vista? Oh pá, que importância tem isso? Enfia-se um saco que lhe tape o cocuruto e não se fala mais nisso.

Sophie num encontro sobre Inteligência Artificial e Desenvolvimento Sustentável
(Dá ideia que disse alguma piada que deixou o cavalheiro da esquerda todo surpreendido)

E mais não digo para não ficarem a pensar que não estou é boa da cabeça. 

Mas pronto. Se calhar estou assim, com as ideias meio desorganizadas, porque vi um excerto da conversa do Vai-Estudar-ó-Relvas a quem a SIC foi buscar porque deve estar com falta de gente que queira dar a cara pelo partido. Disse ele, com aqueles seus olhos argutos, que, se interpretar que muita gente prefere o Santana, então ele também, na hora certa, o vai preferir. E disse isto não com ar de maria-vai-com-as-outras mas, sim, com ar assertivo, de quem a sabe toda, de barão escolado. E o jornalista, aquele que parece que depois de entrevistar tanto saco de vento também já só tem ar na cabeça, não se desatou a rir. E o Relvas está com aquela barba que alegadamente lhe dá uma patine mas que, na verdade, não dá coisa nenhuma, só nos faz perceber que se está a sair bem nos negócios. 


E, com isto tudo, deu-me para escrever este post que é a verdadeira negação do que deve ser um post como deve ser. 

Mas é aquela tal coisa: pode alguém ser quem não é? Não pode. E eu sou a verdadeira anti-Relvas e, quando ele aparece, fico logo cheia de erisipela e a erisipela a mim dá-me para isto, para desconversar.

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Ah... que saudades do Relvas a cantar... Volta, Relvas, volta que estou capaz de te perdoar


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Os bombeiros estão um bocado longe para quem queira testar os seus dotes ao vivo: são australianos e aparecem no Calendário 2018. O gif lá de cima mostra uns de outro ano, não sei qual. Mas ainda bem conservados, benza-os deus.

Os homens objecto aparecem na polémica campanha Not Dressing Men

O Relvas feito Einstoino é obra do fantástico We Have Kaos in the Garden


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E queiram continuar a descer porque abaixo é arte desconstruída, digamos assim, e uns apontamentos recordatórios que metem a Nelinha.

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sexta-feira, julho 21, 2017

Pirelli 2018 - going wild



Gosto de fotografia, gosto de beleza, gosto de elegância, gosto de irreverência, gosto de insolência, gosto de boas mensagens, gosto de ser surpreendida. Por isso, há coisas pelas quais sempre aguardo com expectativa. Uma delas refere-se às imagens do calendário Pirelli. Nele, os melhores fotógrafos, costumam fotografar as mulheres mais belas.

Pois bem, para este ano a Pirelli foi buscar um fotógrafo que é muito cá da casa: Tim Walker. Quando soube disso senti aquela reacção infantil de quem acerta no furo que esconde a bolinha que dá o melhor prémio.


Claro que o resultado não haveria de ser convencional e haveria de ter história, magia, inconvencionalismo, graça. Digamos que, para quem vai à procura de mulheres lindas, descascadas, em ambientes paridisíacos, poderá haver uma desilusão. Provavelmente pensará que se enganou no calendário. Mas o mundo já não é o que era. O ideal ficcionado em que apenas mulheres altas, esbeltas e sorridentes têm lugar, já era. Felizmente muito boa gente tem vindo a pugnar pelo fim da ficção da perfeição ideal e começa a ser consensual que em tudo há beleza, desde que tenhamos predisposição para a ver. E há muitas maneiras de defender a inclusão e uma das mais efectivas é praticando-a. Farta de palavras vazias, declarações inflamadas ou mediáticas bolas de efeito, fico toda feliz da vida quando o insólito marcha orgulhosamente rua afora.

E ver estas imagens ainda mais me agrada quanto, justamente, hoje, no meio de um mar de gente vi uma mulher numa cadeira de rodas e a mulher era apenas meia mulher, e vinha a sair, sorridente, de uma Zara, e vi duas crianças sem um cabelo, nem nas sobrancelhas, com gorros, máscara, rostos inchados e ambas sorridentes e felizes, e um homem que devia ser deficiente mental, muito estranho, vestido de uma forma absurda, e todo ele sorria, feliz por estar ali. E, cruzando-me com pessoas de todas as etnias e culturas e de todas as condições, senti-me muito bem porque a maior felicidade é a normal convivência no seio de um ambiente inclusivo, de genuína aceitação e profundo respeito por todas as pessoas.


Generosidade, compaixão, afabilidade, respeito, empatia, aceitação -- são estados de espírito ou predisposições mentais ou emocionais que tornam o mundo um lugar bom para se viver. Tim Walker demonstrou uma vez mais que este é o seu mundo ao encenar desta forma tão surpreendente a Alice no País das Maravilhas. E logo para o Calendário Pirelli.



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Tim Walker, salut!

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E uma feliz sexta-feira a todos quantos por aqui passam.

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quarta-feira, novembro 30, 2016

As garotas de rosto nu do Calendário Pirelli 2017
- um grito contra o terror da perfeição e da juventude


O meu prazer em fotografar é inversamente proporcional ao de ser fotografada. 


Nunca me apanham em grupinhos a dizer cheeeeese ou ba-ta-ta. Impossível. E se tenho que ser fotografada por obrigação sou incapaz de me produzir para o momento.

Acho que já o contei. Quando o ano passado foi um fotógrafo à empresa para tirar fotografias a cada um de nós, cheguei lá e fiquei espantada com a produção de cada uma das outras mulheres. Muitas tinham ido ao cabeleireiro, vinham aperaltadas, todas de ponto em fino. Eu fui normal. Aliás, ao arranjar-me em casa, foi coisa que nem me ocorreu. Depois, estava numa reunião quando me foram chamar. Fui num ápice dar uma espreitadela à casa de banho. Achei que menos mal. Quando ia a entrar para a sala, pensei que devia ter passado uma corzinha nos lábios. Tarde demais. Pus-me lá no sítio que o fotógrafo disse e começou a dar-me vontade de rir. Ele, profissional, não ligou. Aproximou-se e pôs-me ligeiramente de lado. E eu com vontade de rir. Fiz um esforço para manter uma pose adequada ao status. E, nisto, pergunta-me ele enquanto me fixava com olho clínico: 'Sô-Tôra, não quer afastar o cabelo?' e fez um gesto com a mão, como que para afastar a franja. Fiquei preocupada: 'Mas está mal?' e ele. meio atrapalhado: 'Não... Mas podia querer afastá-lo mais da cara...' Fiquei apreensiva. Tive vontade de lhe dizer: 'Alto e pára o baile. Tenho que ir ver com os meus próprios olhos!'. Mas não, achei que, se afastasse o cabelo, poderia ficar com ar demasiado despido e e não me dispo perante qualquer um. Ficou assim. Agora olho a fotografia e não consigo formar opinião. Algumas colegas odiaram ver-se, exigiram um remake. Eu fiquei depois a pensar que, se calhar, devia ter aproveitado a oportunidade de tentar segunda chance, talvez ficasse melhor. Mas não. Só passar outra vez por aquilo... Não gosto.

Apenas de vez em quando, quando não estou nem aí, é que não me importo que o meu marido ande à minha volta a apanhar-me tal como estou, sem poses ou sorrisos pasmados. 


Acontece-me também, quando me vejo nas fotografias, achar-me diferente do que era tempos atrás. Como já o contei, tendo, então, a protestar com o fotógrafo: não devia pôr-me com o sol a bater-me na cara, não tem cuidado, não me adoça a pele, mostra-me as rugas junto aos olhos, mostra que o meu rosto já não tem a frescura de quando eu tinha a vida inteira pela frente, bem podia apanhar-me em melhores ângulos, com luz mais esbatida. Etc. Ele não liga, acha que fiquei bem. E está dito. Não lhe arranco nem mais uma palavra.

Depois, se calha eu ver essas fotografias anos depois, olho e já acho que ali ainda era uma jovem, cinquenta mil vezes com mais piada do que na actualidade.

E isto contado assim até parece que dou muita importância a isto. Não dou. São pensamentos ou reacções momentâneas que desaparecem na hora.

O que entretanto aprendi é que somos sempre jovens e bonitos aos olhos de quem é mais velho e acabado que nós.

E aprendi, sobretudo, outra coisa: é que a beleza de uma pessoa é francamente subjectiva. 

Gosto de me maquilhar ao de leve pois acho que sem um toque de cor, fico um bocado descorada, as sobrancelhas claras, a pele clara, parece que está mesmo a pedir uma sombra leve na pálpebra superior, um pouco de blush, coisa leve em tom de pêssego e só mesmo nas maçãs do rosto, e, nos lábios, uma passagem de gloss, cor de romã suave. Mas, ao fim de semana, nada, quanto muito um esfumado ligeiro  na pálpebra superior. E, no entanto, a minha filha diz que fico melhor assim, rosto nu. 


Mas não sei se ela tem razão. O meu marido, por seu lado, não se pronuncia. Não tem paciência para os meus inquéritos. E diz que receia responder o que quer que seja pois acha, que diga o que disser, ficará sempre sujeito a mais perguntas, e, se há coisa que o impacienta, é ter que dar justificações das opiniões que exprime. Por isso, tenho que me fiar na minha opinião. Contudo, nunca me deu para carregar na maquilhagem, usar base para disfarçar imperfeições, carregar no rimel, pintar os lábios de cor compacta e desenhando o contorno. Acho que não suportaria o contraste quando, à noite, retirasse a maquilhagem. Penso que deveria parecer-me com um palhaço no fim do circo, no camarim, a desfazer-me do personagem.

Mas a verdade é que tanto faz. Se nos sentimos bem e confiantes, está sempre tudo bem. E haverá sempre quem goste de nós, quem nos olhe com olhos doces de afecto ou apreço. Nem que seja um velhinho, cinquenta anos mais velho que nós (pitosga, taraulhoco, meio deslembrado).

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Vem isto a propósito do Calendário Pirelli 2017. Transcrevo:


This year, Peter Lindbergh became the first photographer to shoot three Pirelli calendars. His 2017 also marks another first for "The Cal", as the images have not been retouched. Lindbergh tapped 14 of his favorite women in Hollywood: Nicole Kidman, Lupita Nyong'o, Uma Thurman, Lea Seydoux, Rooney Mara, Kate Winslet, Robin Wright, Julianne Moore, Alicia Vikander, Charlotte Rampling, Zhang Ziyi, Penelope Cruz, Jessica Chastain and Helen Mirren. Lindbergh also included Anastasia Ignatova, a political theory professor in Moscow, that he met a dinner last year. All the women featured were tasked with sharing their natural beauty for the black and white calendar which he has titled "Emotional".


"Beauty is just commercial interest, as you see in magazines, women are washed out from every experience. That's just the opposite of what I wanted. These are the most talented women that I admire in the entire world. They are emotional and I wanted to show that," Lindbergh said during the official press conference in Paris today.

All the women in this calendar, we're women of all different facets. The calendar is physical, so what are you building inside? It's about the journey." Lindbergh and his subjects all hope to spark the cultural conversation on what real beauty looks like. "Look at this Pirelli calendar," Mirren said, "the reality is we live, we love, we continue, that's the role of women. It is very difficult, for young girls nowadays, incredibly challenging. The only way we can help them along the way is to say, life goes on a long time. You will be many things in your lifetime."

Pirelli Calendar 2017 by photographer Peter Lindbergh


Captured by legendary photographer Peter Lindbergh and featuring equally as iconic women as Nicole Kidman, Julianne Moore, Lupita Nyong'o, Kate Winslet and more.


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E tenham, meus Caros Leitores, um dia muito feliz. Vocês merecem.

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