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domingo, outubro 12, 2025

Friends & Co.

 

Como naqueles filmes, assim eu na vida real. Ao fim de muitos anos, aos poucos vamo-nos reencontrando. Algumas vezes todos, outras vezes em grupos mais reduzidos. Hoje foi assim: envoltos em sol, como se o tempo não tivesse passado, um grupo de amigos encontra-se. 

Em volta da mesa, conversamos como se sempre tivéssemos mantido o contacto assíduo. As expressões são as mesmas, os risos os mesmos. Os truculentos continuam truculentos, as serenas continuam serenas, as rebeldes e fora da caixa continuam assim só que, como dizem, agora sem filtro. E vai risada. E a nossa artista continua artista, mas agora com obra feita, cotada. E, aliás, de uma maneira ou de outra, todos temos obra feita nem que com obra feita estejamos a referir-nos, sobretudo, à família que constituímos.

Há novos personagens, claro: o marido de uma, a mulher de outro, a namorada de um outro. E todos conversam e riem. Recordamos episódios, muitas vezes esquecidos ou nem apercebidos por alguns. 

Contam coisas de mim ao meu marido. 'Não nos ligava nenhuma', confessam os rapazes. (Não lhe contam que não ligava a eles mas havia um e depois outro a quem ligava). E falam-lhe dos meus feitos académicos e, nesse capítulo, como sempre, não consigo dizer nada. É como se dissessem: 'Tinha o nariz grande.'. Que poderia dizer? Nada. A ser verdade, não teria feito nada por isso. Tento mudar o rumo da conversa. 

Falamos das eleições. Há interpretações distintas, visões diferenciadas sobre o trabalho realizado. Há quem invoque situações pessoais, há quem se insurja porque tem que se pensar na cidade e não na sua situação pessoal. Os ânimos ficam acalorados. A política, ainda por cima em véspera de eleições, ainda incendeia. Uns desentendem-se e a mulher de um dos assanhados põe água na fervura: 'Isto é só uma tertúlia', ou seja, não um combate de box. Mas o sangue na guelra dos intervenientes mantém-se vivo. Passado um bocado, os dois amigos atiram-se num mergulho e põem-se a nadar, amigos somo sempre.

Fazemos um brinde, dois brindes. Desejamos todos que nos mantenhamos assim, de boa saúde, amigos, com vontade de partilhar o dia, a companhia uns dos outros.

Nunca tinha estado naquele lugar. Dir-se-ia um lugar quase no fim do nada. E, no entanto, uma maravilha. Muito verde, muito amplo, muito iluminado. E com peças de arte, umas adquiridas, outras feitas, que acrescentam beleza àquele espaço.

Chegámos a casa já noite. Fomos passear o cão que, coitado, tinha ficado em casa sozinho. Mas ficou no jardim e isso mantém-no sempre atento e ocupado, sempre em guarda do território.

Por isso não vimos notícias nem sabemos de novidades. Ou seja, nem eu nem o meu marido temos alguma coisa a dizer. Acresce que a noite passada praticamente não dormi, tossi, tossi, tossi, toda a santa noite até às sete e tal da manhã, uma daquelas tosses que resultam de uma comichão na garganta que não passa. Depois ainda dormi um pouco mas, claro, pouco demais. Agora estou melhor mas carregada de sono. Só que, entretanto, peguei ao meu marido, agora está ele. Pôs avamys no nariz e tomou paracetamol e foi enfiar-se na cama. Não arriscou na ceterizina pois viu como eu fiquei (passaram-me os espirros e o pingo mas no dia seguinte fiquei completamente KO).

Concluindo: o dia foi muito bom, adorei, mas se, enquanto lá estive, estive razoável, agora, aqui chegada, estou capaz é de ir para a cama.

Mas, antes de ir, uma nota: ao ligar o computador e espreitar as notícias, vi que morreu a Diane Keaton e isso deixou-me em choque. 

Diane Keaton, by Pablo Lobato

Há pessoas assim, que, saberemos lá dizer exactamente porquê, nos tocam de uma maneira especial, parece que queremos tê-las a partilhar o nosso tempo, enquanto o nosso tempo existir. 

Mais uma estrelinha que foi brilhar para mais longe.

Contudo, a vida continua, a vida sempre continua. E que seja boa para os que cá estão.

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Desejo-vos um belo dia de domingo

E não se esqueçam de votar pois votar é mais do que um dever, é uma obrigação, é mesmo, ok?

domingo, outubro 05, 2025

A alegria dos reencontros felizes

 

A mim, que gosto tanto de probabilidades, acontecem-me muitas improbabilidades. 

Na última vez que estivemos juntos, contei-o aqui e, como sempre, falei em abstracto, sem referir nomes ou locais. Pretendo que o que escrevo valha por si, fale de emoções ou de impressões que sejam independentes de referências concretas. Escrevo, digamos, para mim; ou, então, para quem, através das minhas palavras, se reveja no que por aqui vou desfiando. Para mim é uma espécie de pro memoria: muitas vezes, quando quero localizar, no tempo, algum episódio da minha vida ou rever o que, em determinada altura pensei, venho aqui pesquisar.

Pois, como já aqui o contei, para meu espanto, no dia seguinte tinha uma mensagem de uma das pessoas presentes. De facto, eu tinha-me, também, referido a ele, embora, pensava eu, pelo que tinha escrito jamais alguém conseguisse identificar-me ou identificá-lo a ele. E, no entanto, imagine-se, tinha sido denunciada... Para minha total estupefacção, a filha desse meu amigo tinha reconhecido o pai nas minhas palavras... e logo também percebeu que esta que aqui vos escreve e que ela seguia há algum tempo era amiga do pai... e logo ele percebeu que essa pessoa não podia ser outra que não eu. Fiquei com um sorriso de orelha a orelha e ainda hoje sorrio com isso. Há coisas extraordinárias. 

Ainda no outro dia, aqui em casa, recordámos isto. E as perguntas voltaram: 'Mas como é que perceberam que eras tu? Como é que ela reconheceu, no que escreveste, o pai dela?'. E a minha explicação foi: 'Pois, é espantoso. É inteligente como o pai, só pode.'. E agora acrescento: 'E, pelos vistos, improbabilidades também são a sua praia...'

Hoje, com ele, falámos nisso e, claro, sorrimos os dois. Vivendo fora do País, foi esta jovem, que eu não sabia que por aqui me aturava, que, juntando dois pontos, rapidamente traçou a recta que, num ápice, chegou até mim!

Disse-me ele que viria aqui espreitar para ver se eu relatava o nosso encontro de hoje. Não deixei transparecer mas confesso agora que me deixou sem jeito. Parece que, assim, perco um bocado a espontaneidade de escrever em abstracto, para mim e mais ninguém, para o ar, para o anónimo mundo que me cerca.

Mas, então, até porque, de facto, iria mesmo escrever, aqui vai. 

Quando chego a casa destes nossos encontros venho sempre feliz, feliz, feliz. Quando penso em todos, parece que estão sempre todos a sorrir. 

O tempo passou. Ao princípio quase não nos reconhecíamos. O tempo esculpiu algumas transformações, por vezes parece que até as nossas feições mudaram. Mas, agora que nos reabituámos, acho que, afinal, estamos quase na mesma: boa onda, boas pessoas, bons amigos, só que com uma diferença - parece que estamos todos mais felizes. Já não temos nada a provar, agora somos nós no que temos de mais genuíno, nós e a amizade que afinal não esmoreceu, nós e o carinho de, ao fim de tanto tempo, ainda gostarmos de estar juntos.

É muito bom reencontrarmo-nos. E até os que estavam doentes ou 'empanados' na última vez agora, felizmente, estão bem, recuperados. Na mesa em que eu estava, quando começámos, fizemos um brinde. Desejámo-nos saúde, alegria. E eu acrescentei: 'E que, para a próxima, estejamos cá todos'. No mesmo instante em que o disse, pensei: 'Olha que estupidez... isto soa a fatalismo'. Mas todos desejaram que sim, que para a próxima cá estejamos todos. 

É que fiquei muito triste, muito mesmo, quando a G., que parecia tão bem e que tinha sempre aquele sorriso doce, morreu. Pareceu-me uma daquelas rasteiras que não são admissíveis. Uma das nossas a ir-se assim, tão cedo, tão a despropósito... Depois foram umas doenças que tocaram alguns e o teu acidente, e, com tudo isso, fiquei como que assustada. 

Lembro-me que, na altura, depois de ter lido o que eu tinha escrito no grupo, um dos amigos escreveu-me uma mensagem privada em que dizia que temos que nos preparar, que nas nossas idades, temos que nos mentalizar que, de vez em quando, chegarão notícias assim. Racionalmente compreendo, claro que compreendo. Mas, com a inocência da adolescente que eu era naquela nossa altura, apetece-me bater o pé, dizer que não quero, não aceito partidas antecipadas, maleitas, sustos e tristezas. Quero é que continuemos a sorrir uns para os outros, mostrando-nos confiantes, bem dispostos, felizes.

Estive a ver as fotografias que, entretanto, já foram partilhadas, não apenas deste sábado mas também as da viagem a Madrid. Como é possível que tenha passado tanto tempo? Passa rápido o tempo... Caraças.

Os jovens saberão que devem aproveitar bem os seus dias, não os desperdiçar com intrigas, futilidades, desencantos desnecessários? 

A vida é boa, cada pequeno momento deve ser acarinhado como único, irrepetível. E se querem fazer alguma coisa, arriscar, passear, o que for, pois que façam, não fiquem à espera pois a vontade ou a oportunidade de o fazer pode esmorecer ou desaparecer e, depois, fica a mágoa do que não se fez. É que é tudo tão rápido...

Mas, lamechices ou filosofices à parte, adorei o dia, o reencontro. Vim feliz. Estou feliz. Estou a escrever e estou a sorrir. E cheia de vontade que venha o próximo. 

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Desejo-vos um belo dia de domingo

domingo, abril 27, 2025

Dia de encontros felizes

 

Já vim do Instagram onde é tudo mais na base do toca e foge. Sendo eu caudalosa como sou, vejo-me e desejo-me para poder encaixar qualquer coisa numa legenda de uma fotografia. Se faço vídeos, a maltinha cá de casa e arredores mói-me a cabeça, que aquilo não tem jeito nenhum, que ninguém faz coisas assim (ora os vídeos são longos demais, ora são malucos para além da conta).

Por isso, aqui estou. 

O dia foi muito bom. Dia de reencontros. Como sempre, mal nos vemos desatamos a falar como se tivéssemos interrompido a conversa no dia anterior. Os abraços que recebo, calorosos, são sempre aconchegantes. Espero que os que dou o sejam também. E constato como a maneira de ser das pessoas, apesar das voltas e reviravoltas da vida, se mantém. E, talvez por isso, a compreensão que havia antes se mantém intacta. As minhas melhores amigas de então continuam a ter a mesma maneira de falar, entendemo-nos como sempre nos entendemos, os gestos, os olhares, os sorrisos são os mesmos.

E depois há os romances que têm surgido. Alguns são surpreendentes, enternecedores, outros por vezes a gente percebe que são inviáveis -- mas não faz mal, o enamoramento é bom mesmo que não possam senão ser uma amizade especial e mesmo que a gente saiba que, mesmo assim, não têm grandes pernas para andar. Mas não faz mal: há coisas que são boas enquanto duram e que, mesmo que não vão acabar em casamento, um dia que acabem deixarão boas memórias. 

Mesmo quando falamos dos ausentes, é com carinho e saudade que o fazemos. Mas seguimos em frente. A vida continua. Há que saber dar valor ao que temos até porque sabemos bem que tudo é efémero, precário. Um dos 'nossos' está internado, ainda sem se saber o que tem. São médicos, sabem do que falam quando dizem que não sabem o que se passa. Ficamos preocupados. Mas o que desejamos é que, um dia destes, esteja de volta. Um outro teve um acidente que poderia ter sido dramático. Teve que ser operado, esteve internado algum tempo, ficou debilitado. Mas já está de volta, a recuperar muito bem. E sorrimos e toda a gente fica contente porque, no meio de tudo, teve muita sorte. E a boa sorte tem que ser festejada.

E, quando nos separamos, já estamos com vontade que o próximo encontro chegue rápido.

E hoje conheci a mulher de um deles, uma simpatia. E conversámos também como se nos conhecêssemos e agora até estivemos a trocar mensagens. 

A vida é muito curiosa, cheia de surpresas. Temos é que estar disponíveis. É que o comodismo tende a deixar-nos no nosso canto, como se fosse preferível estarmos sossegados, sem ondas. Mas, a mim, estas coisas mobilizam-me gostosamente. Preparo vestimentas, maquilho-me, escolho brincos. E, como estamos na onda 25 de Abril e a minha filha me ofereceu um pequeno cravo em crochet (creio que comprou na feirinha do CCB), até o levei posto como pregador (digo pregador para evitar as armadilhas da língua portuguesa).

E é isto. Quando regressei, passei pelo supermercado, depois fiz o jantar (para mim, uma coisa ultraligeira) e, a seguir, fomos fazer uma caminhada nocturna que me soube lindamente. E, entretanto, já estive a ver algumas fotografias que alguns amigos partilharam. 

Quando vinha a sair do lugar onde nos encontrámos, reparei que estavam a escrever a ementa para domingo. Vi que tinham ovas de choco. E fiquei com imensa vontade de as comer. Adoro ovas de choco, adoro, adoro. Até escrevi isso numa coisa que publiquei no Instagram. Não me saem da cabeça. Imagino-as fritas, estaladiças por fora, branquinhas e suculentas por dentro. Juro que salivo só de pensar. Caraças. 

Mas pronto, já escrevi demais. Estou com sono. Por hoje dou o expediente por encerrado.

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Fotografei estes meus hibiscos hoje. São perfeitos, lindos, exuberantes e precários.

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Desejo-vos um belo dia de domingo

domingo, novembro 17, 2024

A felicidade dos bons momentos

 

Hoje vou ser bem minimalista. Saí de casa cedo e cheguei tarde. Antes de sair, aperaltei-me cuidadosamente pelo que, como é bom de ver, tive que me levantar com tempo para tal. Agora estou um pouco exausta, embora bem feliz.

Tive um dia muito bom, fantástico, cheio de abraços e beijinhos, cheio de sorrisos, ternura e alegria. 

Já comecei a receber fotografias e é engraçado ver como todos estão felizes. Ao longo de horas, o que se vê é gente a conversar e a sorrir. 

Agora, não sei se foi de alguma coisa que comi no belo repasto ou se é de outra coisa qualquer, estou com uma afta, dói-me a língua aqui de lado. Além disso, e vocês desculpem-me a falta de maneiras, não faço outra coisa senão bocejar...

Mas como me custa que aqui tenham vindo e saiam de mãos a abanar, sem nada que se aproveite, partilho o vídeo novo da série Reflections of Life, de que gosto muito. Sou sincera: apenas o fiz salteadamente. Amanhã vejo o resto. Como acredito que deve ser interessante (embora, pelo que leio no texto de apresentação, fale de momentos menos bons), aqui está:

Beauty in the ordinary

Trigger Warning - This film contains reference to suicide, which may be triggering for some viewers.  If you have been affected by a similar issue and you need someone to talk to, please reach out to an organisation or individual near you for help.  Take care.

Even in life’s most challenging moments, beauty quietly waits to offer us comfort. In times of pain or loss, noticing the small things around us — the warmth of sunlight, the comfort of a friend — can remind us of life’s gentle grace. These seemingly ordinary experiences, so easily overlooked, become subtle guides back toward hope and healing.

Resilience doesn’t mean ignoring hardship; it means facing it with courage, allowing ourselves time to process and grow. Gratitude can be a lifeline, a way to hold onto the blessings that remain, no matter how difficult things may seem. Though the journey may be marked by grief, embracing the beauty in each day can help us move forward. In this way, the smallest moments of light can offer strength when darkness surrounds us.

Featuring Doreen Gail Hemp.


Desejo-vos um bom dia de domingo

domingo, outubro 20, 2024

Sábado assim-assim.
E receita de frango a que não sei que nome dar

 

Logo de manhã tive notícia que um amigo está numa situação clínica muito complicada e, pelo que é, ficámos todos preocupados. Fiquei em estado de choque e, como eu, todos os amigos. E porque vejo os que são médicos tão preocupados ainda mais temo que a situação seja mesmo crítica. Todo o dia tenho andado com esta apreensão. Ele é daquelas pessoas de quem ninguém poderia alguma vez pensar que lhe acontecesse uma destas. Muito jovial, muito alegre, com um aspecto saudável, cheio de energia e irreverência. E, de repente, está mal.

Portanto, o meu dia ficou um pouco toldado.

Não há dúvida de que, quando estamos bem, devemos dar graças por isso, curtir a generosidade da vida, degustar a felicidade. É que, de um momento para o outro, pode haver uma guinada de pouca sorte... Portanto, que, ao menos, tenhamos sempre a sensação de que não andámos a ser parvos e a desperdiçar o que tínhamos de bom à nossa disposição e não soubemos aproveitar bem.

Enfim...

Acresce que antes de ontem dei um jeito ao pé e, na sequência, ficou dorido e, para me provar que era a sério, inchou. O peito do pé todo gordo, a sola do pé também inchada e um dos dedos também reboludo. Nem conseguia dobrar ou mexer os dedos. Nem fiz programas familiares para estar com o pé no ar e com gelo. Agora já está melhor. Esta coisa de pôr os pés ao alto e de os refrescarmos geralmente dá bom resultado. Também pus aquela pomada Diclofenac, que penso que é o genérico do Voltaren, e que também é eficaz,

Como estou assim a modos que levemente jururu, pensando no meu amigo que está tão mal, vou ficar-me por dizer o que fiz para o almoço pois ficou saboroso e creio que saudável. E é simples de fazer.

Como foi só para dois, as quantidades são inferiores às que uso quando é para o quartel.

Meio frango do campo. É relevante ser frango do campo pois a carne tem outra textura e outro sabor.

Num tacho coloquei água, um pouco de sal, uma cebola bem grande aos bocados, dois alhos franceses (apenas as partes de baixo pois comprei uma embalagem com eles sem a rama verde) também aos bocados, cenouras às rodelas e o frango cortado aos bocados (tinha pensado fazer uma canja pelo que tinha pedido no talho para o cortar assim).

Deixei cozer durante talvez uma hora ou quase. O frango do campo tem a carne mais rija. Se fosse frango normal, metade do tempo seria suficiente.

Quando vi que o frango estava já quase macio, juntei três batatas, um bocado de abóbora, uma quantidade generosa de feijões verdes, uma boa quantidade de salsa e mais umas três cenouras às rodelinhas. Temperei com um pouco de açafrão e um pouco de pimentão doce -- pouco para nem se dar por eles, mas o suficiente para ficar com um gostinho saboroso e não facilmente identificável. 

No outro dia, quando fiz os rolos de carne (ainda não disse como fiz... a ver se um dia destes o digo pois ficou bom), recheei um com maçã e farinheira de porco preto do Alentejo. Só usei meia farinheira. Por isso, sobrou metade que hoje juntei ao cozinhado.

Quando os legumes estavam cozinhados, juntei um frasco de grão de bico cozido e uns bons ramos de hortelã. Misturei tudo e desliguei.

Para quem não está tão habituado, um pormenor: quando junto as coisas, ponho o lume no máximo até ferver. Depois, cozinho tudo com o lume no mínimo.

Ficou com um caldinho bom que, depois de comermos os sólidos, apanhámos com colher.

Deu para o nosso almoço e, como estava preguiçosa, repetimos e deu para o nosso jantar. E ainda sobrou um pouco mas que já não dará para os dois.

Para sobremesa, e agora falo só por mim, comi dióspiro. Adoro dióspiro. Não comi inteiro. A cada refeição cortei meio às rodelas e em cada rodela coloquei um niquinho de queijo de cabra. Fica delicioso.

E pronto. Nada mais a reportar.

Ah, sim, tenho andado a ler o Escrever do Stephen King que, até ver, é a sua auto-biografia. Vou agora entrar na parte em que creio que vai falar, em particular, na sua actividade de escrever. Nunca tinha lido nada escrito por ele. Lê-se muito bem, é uma escrita sincera, sem rodeios, com sentido de humor. Não é uma peça de alta literatura mas também não sei se é suposto ser. E, cá para mim, aqui e ali, tem algumas pequenas arestas que presumo que resultem de uma tradução não extraordinariamente refinada. Mas, seja como for, tenho lido bem.

E é isto. Hoje não comento os comentários, estou um bocado off. Mas agradeço-os.

Um bom domingo a todos. 

sábado, setembro 30, 2023

Dia 29 de Setembro de 2023

 

Hoje não vou escrever muito pois estou um pouco exausta. Esta sexta-feira foi um dia muito especial para mim.

Acontece que, em vez de poder focar-me completamente na preparação para o evento em que ia participar durante o dia, de manhã tive uma série de assuntos para tratar. E depois a pessoa com quem tinha que falar não estava, a secretária disse que ela logo ligava, e eu pedi que fosse, no máximo dos máximos até às onze pois, a seguir iria ficaria indisponível... e o tempo passava e nada de telefonema e, a seguir a esse telefonema, teria que fazer um outro e ainda mandar o mail... e nada, nada, nada. Uns nervos. Tudo isto foi acontecer no pequeno intervalo de tempo que eu hoje tinha livre e que tinha destinado a outra coisa. 

Não sei se acontece convosco mas as coisas podem acontecer ao longo de meses e não acontecem. Mas, quando acontecem, parece que acontece tudo ao mesmo tempo.

E, estava eu a correr de um lado para o outro e a preparar-me para ir enviar o mail, recebo uma mensagem em que as pessoas com quem eu ia diziam que já estavam estacionadas à minha espera. Mas diziam que estavam num sítio que eu desconhecia. 

Saí para a rua e nada delas. Liguei. Disseram-me o nome da rua em que estavam. Rua desconhecida para mim. Ou seja, tinham ido parar a outro sítio. O meu marido, gozão como é, já tinha antevisto: 'Vão perder-se'. Pois.

Mas lá nos achámos.

E foi um dia muito bom. Um dia escreverei sobre isso. Foi daquelas coisas cuja descrição daria uma novela. Mas não quero escrever a quente, prefiro que as coisas assentem dentro de mim.

Só que não sei se para os vossos lados também esteve assim. Presumo que sim. Um forno. Ao sol não se aguentava. Muito, muito calor. 

Mas, tirando esse pormaior, o que posso dizer é que esta sexta-feira foi daqueles dias que jamais esquecerei -- pelo menos enquanto tiver os neurónios em bom estado.

Felizmente houve quem fizesse a reportagem e, portanto, para além da memória terei esse testemunho de que tudo aconteceu de verdade.

Fico-me por aqui até porque agora, desabituada que estou de acordar cedo e com despertador, quando isso acontece durmo muito pouco, acordo antes de tempo. Acresce que, ainda por cima, cometi o mesmo estúpido erro de sempre: sabendo que tenho menos horas para dormir, levo-me a mim própria mais cedo para a cama. Ou seja, ainda sem sono. Portanto, uma espertina do caraças.

Agora, ao escrever a data lá em cima, no título da mensagem, reparei que por uma diferença de dez dias, por pouco não tinha também comemorado o dia porventura mais decisivo da minha vida.

domingo, agosto 13, 2023

Regresso devagar ao teu sorriso como quem volta a casa

 

Hoje o dia foi especial. Aquilo de que não se deve voltar onde já se foi feliz, afinal, não é forçosamente bem assim.

Não sou saudosista e, em geral, página virada é página esquecida. Mas, lá está, também há aquilo do nunca digas nunca

Assim, hoje fui visitar uma pessoa que, em tempos, foi queridíssima amiga. A vida levou-nos por caminhos distintos e, quando andamos muito atarefados a criar filhos, a trabalhar, a construir uma vida, pouco tempo sobra para o que vai ficando para trás.

Mas nunca me esqueci dela. Enquanto eu sempre fui de ter muitas ideias, muita vontade de fazer coisas, amores intensos, ela sempre foi a serenidade em pessoa, a companhia perfeita e justa, a que ouvia e aconselhava. Nunca uma palavra de julgamento ou censura, nunca um gesto de deslealdade. Nunca. Sempre a presença amiga, autêntica, amável.

Fui, em tempos, muitas vezes a casa dela, na cidade, e passei muitas tardes, belíssimas tardes, na grande casa que tinham no campo, no sopé da serra.

No lugar dessa grande casa há agora duas belas casas, uma dela, outra de uma das irmãs. O que antes era campo, é agora um dos limites da cidade. A casa dela está agora envolta noutras casas. Está na cidade mas com vista para a serra, com a acalmia do campo. 

Abraçámo-nos com emoção, um abraço muito amigo. E conversámos como se a conversa nunca tivesse sido interrompida. O seu olhar doce é o mesmo. A compreensão com que antes me ouvia é a mesma. A afabilidade é a mesma. Com ela continuo a sentir-me aceite, acarinhada, apoiada como antes me sentia.

E a casa, que eu não conhecia, é uma casa acolhedora, ampla, de uma beleza delicada, generosa, repleta de memórias, de afectos. Vê-se que é a casa de quem costuma acolher amigos, uma casa que nos abraça. 

Falámos das nossas famílias, falámos de nós, falámos do nosso reencontro.

Estava com medo que o urso cabeludo se atirasse a ela mas, estranhamente, foi como se a reconhecesse. Fez-lhe, imediatamente, uma festa, pôs-se em duas patas como se lhe quisesse agradar, como se quisesse abraçá-la. Ficámos admirados com aquela reacção.

E isto foi de tarde. Agora à noite estive à conversa com ela e com outros queridíssimos amigos. 

A vida sabe tão melhor quando é vivida em torno de afectos, de afinidades, de compreensão perante as diferenças, de admiração perante o que, nos outros, é bom.

Sempre tive vontade de, quando me reformasse, ter uma vida nova, ter um recomeço numa outra direcção. E é o que está a acontecer. E sinto-me muito agradecida, muito feliz. 

Amor Como Em Casa
| Poema de Manuel António Pina com narração de Mundo Dos Poemas

Desejo-vos um belo dia de domingo

Saúde. Afecto. Paz.

domingo, julho 23, 2023

Nada de especial

 

Nos últimos tempos tenho tido uma experiência tão inesperada, tão bizarra e tão repleta de nuances que, inevitavelmente, sobre ela ou sobre algumas das suas vertentes irei um dia escrever. Claro que terei que deixar destilar, terei depois que aplicar alguma dose de abstração, depois aplicar uma demão de qualquer disfarce. Não posso correr o risco de verter a vida de algumas pessoas para uma prosa em que, de pessoas de carne e osso, se vejam metamorfoseadas em personagens.

Nesta experiência, sem dúvida radical, tenho apreciado a personalidade de alguns dos intervenientes, a história de vida de outros e, de modo geral, tenho tido algumas surpresas. Pensava que conhecia razoavelmente algumas pessoas e verifico que me faltavam muitos ângulos de visão. Conhecer uma pessoa sob diferentes perspectivas não é forçosamente uma boa coisa pois, por vezes, ao desaparecer o mistério ou a nebulosa que permitia algumas suposições, fica uma realidade demasiada crua.

Nestes dias em que tenho estado de férias, muito ocupada a ir daqui para ali, a banhos aqui e ali (ou melhor, mais ali que aqui pois as águas a sul andam estupidamente geladas), com os meninos sempre naquela hiperactividade que lhes é tão própria (apenas interrompida quando foram levar a sua primeira massagem e saíram de lá tão zen, flutuando, quase sem conseguirem falar), pouca atenção tenho conseguido dedicar a essa tal experiência. Apenas de raspão vou espreitando a imensa actividade, quase vinte e quatro sobre vinte e quatro, que ali reina mas, de cada vez que consigo abeirar-me logo me espanto.

E interrogo-me frequentemente: será que eles e elas se espantam também comigo? Por vezes, parecer-lhes-ei uma alien? Serei uma alien? Por vezes vejo-os tão entusiasmados com coisas que a mim me passam totalmente ao lado... 

Enfim. Divagações.

E não me alongo. Este domingo o dia começa cedo pelo que tenho que ver se vou para a cama a horas normais.