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sábado, junho 06, 2026

Colheita Feira do Livro de Lisboa 2026

 

Cá estão eles, conforme ontem tinha dito. 

Mas, antes de transcrever uma página de cada, explico porque os comprei.

  • Comprei o livro da Carla Pais e o do Nuno Duarte pois foram vencedores de prémios Leya e tenho curiosidade em perceber que género de livros estão os jurados a valorizar. Em concursos alguns anteriores, li-os e fiquei intrigada pois não consegui levá-los até ao fim, mal acabava de ler já me tinha esquecido do que tinha lido (e até tenho boa memória), e, enquanto os lia, não via interesse nem na história nem no rasgo literário. Claro que pode ser um problema meu, ou pode acontecer que, nessas vezes, eu estivesse a passar por uma crise aguda de exigência. Por isso, vou fazer nova tentativa com os dois últimos.
  • Comprei o '1984' pois acho que já o li mas, ao vê-lo no stand, ocorreu-me a dúvida se o teria. Como estava a um bom preço, pensei que mais valia trazer não fosse já não o ter cá em casa.
  • Comprei o da Lídia Jorge pois acontece que também tenho alguma dificuldade em manter-me interessada quando tento os seus romances. Como fez um grande discurso o ano passado no 10 de Junho, em Lagos, e está incluído neste livro de crónicas e não a conheço enquanto cronista, resolvi trazer.
  • Comprei o da Siri Hustvedt porque tenho simpatia por ela e porque gosto de ler memórias e tenho curiosidade em acompanhar a sua vida, não apenas enquanto mulher e viúva de Paul Auster, mas também enquanto pessoa autónoma e escritora.
  • Comprei o de Leonardo Sciascia porque o Paulo Portas o recomendou e, até ver, quando seguimos as suas recomendações, não nos temos dado mal.
  • Comprei o de Laura Agustí porque gostei da capa e porque fala de flores.

E agora a transcrição de uma página de cada livro. Fotografei e pedi à IA para passar a imagem a palavras. 

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(...) possibilidades: ou a senhora Roscio e o seu primo tinham sido surpreendidos em flagrante crime de adultério, como se diz nos processos verbais da polícia; ou Roscio não tivera qualquer suspeita, mesmo fundamentada, da sua ligação. No primeiro caso, devia reconhecer-se um comportamento muito estranho: ver, declarar friamente ao amante da sua mulher a intenção de o esmagar ali; depois, organizando a vingança, manter com o homem odiado um relacionamento cordial. No segundo caso, ficava por explicar como Rosello tinha sabido o que Roscio tramava contra ele. Havia, é verdade, uma terceira hipótese: que a senhora Roscio, inocente, tivesse sido seduzida, enganada, pelo primo, perseguida pelas suas assiduidades, e tivesse avisado o marido, ou, ainda, que o marido se tivesse apercebido disso. Mas, nesta última hipótese, assegurado da fidelidade da mulher, Roscio ter-se-ia limitado a modificar ou a romper as suas relações com Rosello. A sua compreensão e a sua tolerância para com as paixões humanas, perante esta ofensa irreparável, mesmo que apenas projectada, não podiam ter evoluído até ao ponto de procurar uma vingança irreparável.

Poder-se-ia, todavia, considerar que ele não tinha ido encontrar-se com o deputado comunista a não ser para verificar se este estava disposto à denúncia; que ele não tinha ainda resolvido exercer a sua vingança, e havia, aliás, claramente declarado ao deputado que devia ainda decidir que lhe diria tudo ou nada, segundo... Segundo o quê? Segundo o quê, sob a ameaça, Rosello mudaria ou não de comportamento?

Por conseguinte, ao ameaçá-lo abertamente, Roscio tinha-lhe posto uma condição? Era necessário, neste caso, voltar à primeira hipótese: a uma maneira mais estranha de se comportar, no estilo floreado continental, ou de cinema, da parte de um marido enganado mas apaixonado pela sua mulher, decidido a conservá-la contra todos e contra tudo. E embora Laurana julgasse severamente toda a maneira de viver governada pelas paixões, particularmente pelas do amor-próprio e da honra, não podia fazer de outro modo que o de sentir, na sua hipótese, uma falta de respeito pela memória de Roscio: era por isso que fazia todos os esforços por a demolir, por a aniquilar. Mas seja qual for a maneira como se encare o assunto, este tinha algo de equívoco, de ambíguo: mesmo que não aparecessem ainda muito claramente as relações de causa e efeito, as relações dos protagonistas entre eles, dos elementos de que dispunha com o mecanismo do crime. E no equívoco, na ambiguidade, Laurana sentia-se moral e sensualmente implicado. (...)

in 'A cada um o seu' de Leonardo Sciascia

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Na primavera, o jardim da minha mãe torna-se um espetáculo de calêndulas e outras flores, que crescem com vigor, e ela envia-me sempre fotografias para que eu veja como evolui cada uma das plantas. O jardim, quadrangular e quase tão amplo quanto a casa, tem uma secção dedicada à horta, onde o Francesco, o seu companheiro, planta curgetes, pimentos, tomates, beringelas, alhos e cebolas. Todos os anos acaba por semear mais do que o necessário, e a colheita é tão generosa que a minha mãe costuma repartir as verduras entre as amigas, para que nada se perca. Apesar das suas tentativas de convencer o Francesco a plantar menos, ele entusiasma-se sempre com a horta, como tantos outros reformados que encontram na jardinagem uma forma de se manter ocupados e produtivos.

Quando construíram a casa, a horta era uma das ideias-chave do Francesco. Instalaram mesmo uma cisterna para recolher a água dos telhados e poder assim regar sem depender da rede pública, um recurso especialmente valioso numa província seca como Teruel. Agora estão a pensar em ampliar a cisterna, devido ao aumento de restrições ao consumo de água.

A calêndula, que cresce com abundância no jardim, é uma planta bastante resistente, que não exige muito da terra e tolera bem tanto as geadas como as secas. Além de ser decorativa, tem aplicações práticas: as pétalas podem substituir o açafrão-das-índias como corante, e as propriedades anti-inflamatórias e cicatrizantes fazem dela uma base ideal para a confeção de cremes caseiros. Todos os anos, a minha mãe aproveita a colheita de calêndulas para fazer o seu próprio creme, e eu guardo os boiões vazios do que gasto durante o ano para que ela possa enchê-los com a sua produção artesanal. (...)

in 'Furor Botânico' de Laura Agustí

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(...) corre que se desunha, rapaz, se queremos que aprendas a ler em condições devemos correr atrás dele, quando não, será tarde demais, dizia-lhe isto porque nunca voltava inteiro das ausências, ficava sempre mais qualquer coisa perdida naquele vácuo para onde desaparecia enquanto o Victor lhe enchia o cachimbo com tabaco e o calcava no fundo, era como uma parede a que iam sendo retirados tijolos, seria chegado o dia em que desabaria, e nesse dia não haveria nada mais a ensinar e nada mais a aprender. Não tem filhos?, perguntou-lhe o Victor, e o Ângelo respondeu, tenho três, mas têm mais o que fazer do que aturar um velho rabugento, moram longe, um está na Alemanha, outro no Canadá, o terceiro é professor universitário em Coimbra, vê lá tu, e o Victor disse, o meu irmão vai para a Universidade, não sei se para Coimbra, e o Ângelo respondeu, pois faz muito bem.

O Vicente deu-lhe uma palmadinha no ombro e disse, anda lá, vá, disse-lhe aquilo e ele foi como foram todos, mas o que o apoquentava desde esse dia não era ter ido, era ter sido o último a ir como se algo dentro de si dissesse, fica, fica, fica, a coisa má dos Tirapicos, uma espécie de desejo mórbido de ser preso outra vez, uma vontade de se vingar do flato do pai, ter um filho ladrão e também subversivo, talvez até comunista, porque não?, o que não faltava em Alcântara eram reuniões clandestinas do Partido, se quisesse mesmo muito poderia aderir, fazer parte, mas nesse caso seria o comunista mais estúpido de sempre porque estaria a arriscar a prisão e a tortura apenas e só por despeito a um velho agonizante, e não por acreditar naquilo, sabia lá ele em que é que acreditava, tudo o que conseguia distinguir era aquilo em que não acreditava, sempre era melhor do que nada, e não acreditava nos cabrões dos americanos que diziam que a grua tinha sido verificada na semana anterior. Deu outra vez por si de punho (...)

in 'Pés de Barro' de Nuno Duarte

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(...) escala, sem sabermos como sair deste imbróglio. A questão não é de deformação por uma espécie de justiça essencial como a que movia Maria das Dores, ou pelos sentimentos contrários que tenham a ver com poder ou ressentimento. O problema é da ordem do embate entre o antropológico e o tecnológico em cuja encruzilhada nos encontramos perplexos. Li num artigo assinado pelo jornalista José Vegar que «a quantidade de informação transmitida por telecomunicações durante todo o ano de 1986 poderia ser transmitida em apenas dois milésimos de segundos em 1996».

Vinte e oito anos depois, a estrela irradiante que é a pulsão comunicacional como é descrita? Não tem descrição possível. Um mundo inimaginável de imagens, números e sinais crípticos expande-se pelo universo e leva-nos na enxurrada. O que entra nessa cadeia infinita não se retira mais, ainda que se apague. Esta é a eternidade que criámos. A responsabilidade por colocar mensagens que tenham a ver com a verdade nesta cadeia transfiguradora deveria por isso inserir-se na Ética e na Moral. Mas onde bater à porta de semelhante igreja?

5.

O ano de 2024 que agora entra, se acaso a História continua a ter parecenças com a lógica de uma narrativa, depois dos nós que se ataram, sobretudo desde há dois anos, estas guerras devem começar a ter suas peripécias definitivas e seus desenlaces, ao longo dos próximos meses. É possível (...)

in 'O céu cairá sobre nós' de Lídia Jorge

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(...) que a criança se perdesse no seio dos homens de barba feita e pés valentes, fizera-se ali um lugar para ele por ter aquele dom de falar com as pedras e por trazer àquelas almas uma certa curiosidade envolta de misticismo. Era preciso acolher aquele enviado, vigiar todos os sinais que o corpo transmitisse. Cada palavra, dita ou por dizer, podia significar uma profecia de oráculo que decifrasse a vontade de Alá. Davam-lhe livros sagrados a estudar, a decifrar, a ler em voz alta num refúgio da mesquita a que apenas os homens cultos tinham acesso. Uma espécie de quarto recôndito que se fizera para ouvir e refletir sobre as palavras do Profeta e assim preparar o sermão da sexta-feira para os fiéis. Mohamed fizera-se homem dentro daquele lugar. A cumprir o desejo do pai e a cava fé da mãe, orgulhosa que ficava a olhar para ele como um salvador tocado pela divindade e, por isso, aliviada das possíveis agruras que a vida lhe pudesse reservar. Bastava-lhe aquela ideia de que o filho mais novo trazia consigo as vontades cumpridas de um Deus. Trajado a preceito, com brio e esmero, a crescer sob uma bênção maior. Um saber inteiro que a escola não podia dar naqueles tempos de que só os escolhidos de Alá teriam o privilégio de desfrutar. Mohamed era, portanto, a voz materializada da crença e o menino que havia de estudar mais do que os outros. Mas, ao contrário do que se poderia imaginar, toda aquela doutrina lhe veio acentuar o silêncio e a mudez; foi-se calando ao longo dos anos, governando as vozes dentro de si, emudecendo-as com o passar do tempo, ora de mudos não se rege a religião, por isso, certo dia, o imã chamou o pai de Mohamed para lhe dizer que de nada lhe valia ter ali o filho, que ali só havia lugar para gente que adorasse as palavras e se vergasse às preces do Profeta, o que aparentemente não era o caso do miúdo. Isto, claro está, foi um grande desgosto para a mãe, que até ali via em (...)

de Carla Pais em 'A sombra das árvores no inverno'

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(...) que o que tinham antes. Estavam a dançar à porta do Michel. Ele vive pertinho da Bastilha e telefonou-nos por entre a barulheira toda. Acho que vou deixar a política pelo amor, não são coisas completamente separadas uma da outra, como é óbvio. Contei-te os horrores da minha doença para evocar a tua mais profunda e sincera compaixão pela tua pobre querida no Soho, atormentada por duas aflições: o coração e a cabeça. Espero que tenha resultado. Estás pronto para fugir comigo agora? Contento-me com um café. Que tal um café, sem beijos nem abraços. Pode ser um café perfeitamente espiritual para exibir a minha alma em toda a sua radiosa pureza. Se um café for demasiado íntimo, contento-me com fazer amor ao telefone. Como vai a vida? Esta palermice toda é só para te dizer que parece que passou uma eternidade e que tenho mais saudades tuas por não saber se e quando te verei. Acho que és o melhor do mundo e é muito triste perder o melhor.

Com amor,

Siri

Lembro-me da dor de cabeça. Passou depois de uma violenta explosão gastrointestinal na sanita que me deixou trôpega e zonza, mas sem dores. Diarreia-choque como cura milagrosa.

Demerol? Quando andava na faculdade, um médico receitou-me um medicamento para uma enxaqueca obstinada que continha Demerol, um opiáceo, nos ingredientes. Deu-me sete cápsulas roxas e vermelhas. A dor de cabeça durou mais de um ano e, depois, passou. Guardei aqueles comprimidos para tomar caso tivesse uma dor que me parecesse insuportável. Teria sobrado algum? Parece-me pouco provável. Não me lembro de arranjar uma receita para Demerol em Nova Iorque, mas talvez o tenha feito. (...)

De Siri Hustvedt, em 'Fantasmas, um livro de memórias'

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(...) meia-volta. Um rapaz com cabelo louro e cara de parvo chamado Wilsher, que ele mal conhecia, convidava-o, sorridente, a sentar-se num lugar vago à sua mesa. Não era seguro recusar. Depois de ter sido reconhecido, não podia continuar e ir para a mesa duma rapariga sozinha. Daria demasiado nas vistas. Sorrindo amavelmente, Winston sentou-se ao pé dele. O loiro Wilsher arvorava o seu sorriso parvo e radiante. Winston teve uma alucinação e imaginou-se a cravar-lhe uma picareta no meio da cara. Poucos minutos depois, a mesa da rapariga ficou inteiramente ocupada.

Mas ela devia tê-lo visto avançar na sua direcção, e talvez tivesse percebido a dica. No dia seguinte, Winston teve o cuidado de chegar mais cedo. E de facto ali estava ela, sentada mais ou menos no mesmo local e novamente sozinha. A pessoa imediatamente à sua frente na fila era um homenzinho com movimentos rápidos de percevejo e uma cara achatada, com uns olhitos pequenos e desconfiados. Quando se afastou do balcão com o seu tabuleiro, Winston viu que o homenzinho avançava a direito para a mesa da rapariga. As suas esperanças desvaneceram-se de novo. Havia um lugar vago numa mesa mais à frente, mas algo na aparência do homenzinho sugeria que ele apreciava suficientemente o conforto para escolher a menos ocupada. Com gelo no coração, Winston seguiu-o. Seria inútil se não conseguisse apanhar a rapariga sozinha. Nesse momento ouviu-se um grande estrondo. O homenzinho estava estatelado no chão, o seu tabuleiro voara pelos ares e havia dois jorros de sopa e café a escorrer à sua frente. Levantou-se e deitou a Winston um olhar feroz, parecendo suspeitar que este lhe passara uma rasteira. Mas estava tudo bem. Cinco segundos depois, com o coração a ribombar no peito, Winston estava sentado à mesa da rapariga.

Não olhou para ela. Colocou na mesa o conteúdo da bandeja e começou de imediato a comer. Era importantíssimo falar de imediato, antes que chegasse alguém, mas entretanto apossara-se dele um medo terrível. Passara uma semana desde que ela o abordara. A jovem podia ter mudado de ideias, podia ter mudado de ideias! Era impossível que aquela aventura acabasse bem; essas coisas nunca aconteciam na vida real. Winston podia ter recuado completamente na intenção de lhe falar se nesse momento não tivesse avistado Ampleforth, o poeta de orelhas peludas, a coxear pela sala com um tabuleiro nas mãos, à procura de um lugar

de George Orwell em 1984

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Desejo-vos um belo sábado

quinta-feira, novembro 21, 2024

O triunfo dos porcos

 

Há aquela cena que rematava os filmes do Hitchcock em que se via uma cabra a comer a 'fita' que estava na bobina e a dizer, com ar entendido: 'prefiro o livro'. Lembro-me desta cena com alguma frequência.

Neste caso, também vos digo que o livro é melhor. Imperdível. Um livro que toda a gente deve ler e a que se deve voltar com alguma frequência pois permite declinações diversas: seja a dos Estados Unidos do alucinado Trump, seja o trauliteiro e incompetente governo Mentenegro (ou as suas diferentes derivadas, como a tóxica equipa que está a dar cabo da nossa saúde), sejam muitas outras situações.

Se aqui partilho este vídeo é apenas porque é uma síntese visual de curta duração, supostamente como é indicado neste espaço. Mas, se não conhecem o livro, se puderem leiam-no, por favor.

Animal Farm trailer

Baseado no livro de George Orwell


terça-feira, março 26, 2024

Um político que diz tudo o que pensa

 

Ia para comprar um livro e, bas*, acabei por trazer quatro. Mas como quero falar deles com algum vagar e agora estou aqui com vontade de partilhar o vídeo abaixo, deixo a literatura para amanhã ou depois.

E quero aqui deixar o vídeo como contraponto à avalancha comentadeira com que os canais estão inundados, quase tudo com gente de direita. O mais à esquerda que vi -- e digo esquerda sabendo que, no caso, esquerda não é propriamente o caso --, é o Adalberto Campos Fernandes. 

Mas a impante figura do fulano do Chega (e vamos lá a ver se não o teremos como vice-presidente da AR) agora ali está a lançar a confusão, o Rangel completamente entusiasmado, leia-se à beira do histerismo, a fazer de conta que chega bem para o dito Pedro Pinto que, como formação, tem o ter frequentado o curso de Relações Internacionais e, como profissão, tem dedicar-se à organização de espetáculos tauromáquicos e que, como curiosidades, tem as que aqui transcrevo da Wikipedia:

. Em julho de 2022, foi noticiado que, nesse mesmo mês, Pedro Pinto, num corredor da Assembleia da República, tentou encostar a sua testa à de Nuno Saraiva, assessor do PS, num tom provocatório, enquanto ameaçava partir-lhe a “tromba”, chamando-o de "anão".

. Em junho de 2023, foi reportado que Pedro Pinto tinha sido visto, nesse mesmo mês, a agredir um árbitro de futebol de 18 anos e a tentar agredir um outro da mesma idade num torneio infantil de escalões de sub-11 e sub-13, em que também participava a equipa do seu filho, o Futebol Clube do Crato

Napoleão 
[Quem é o Napoleão?]

E, faça-se o zapping que se fizer, a malta toda fala à volta do Chega, o que é que o Chega faz ou deixa de fazer ou se prepara para fazer.

Lá se abre uma excepção para comentar o clima de cortesia entre Marcelo e Costa. E uns dizem isto e outros aquilo. E o que eu digo é que Costa, uma vez mais, mostrou que está num patamar acima das tricas, é um estadista, é um senhor. Acho que fez bem ao, neste momento, não trazer para o palco mediático o que, num plano institucional, iria aumentar a confusão. Portanto, os dislates e os graves deslizes de Marcelo que prejudicaram gravemente a estabilidade e, certamente, a paciência de Costa, ficaram para trás. Viu-se que Marcelo estava comprometido, certamente com medo que Costa não se aguentasse e deixasse sair uma boca que o entalasse ainda mais. Aliás, mal acabou de falar, raspou-se atabalhoadamente. Parecia que estava com medo que alguém lhe chamasse o 'dissolvente' (como o Carlos Magno lhe chama) ou o Desestabilizador-Mor. 

Mas isto para dizer que eu, vendo tanto comentadeiro e comentadeira a opinar e desopinar, a ovar e a desovar sapiências a metro, só me apetece arejar a cabeça com um político como deve ser, um que diz tudo o que pensa. 


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(*) bas = business as usual
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Desejo-vos uma boa terça-feira
Saúde. Atenção. Cabeça fria. Paz.

quinta-feira, setembro 21, 2017

Bruno de Carvalho vai ser pai e anunciou-o nos ecrãs do Estádio de Alvalade
-- depois de, obviamente, o ter divulgado no Facebook --


Já lá vai o tempo em que eu, na minha santa ingenuidade, pensava que quem ocupava lugares relevantes nas organizações -- nas empresas, nos clubes, nos partidos políticos... e mesmo à frente dos países -- era o que havia de melhor. Os melhores de entre os melhores.

Infelizmente, os tempos que correm provam que estava enganada. E ponham enganada nisso. Redondamente enganada.

Sendo eu ferverosa democrata, reconheço que alguns mecanismos regulatórios precisavam de ser afinados para não levarem onde isto nos está a levar. Tais como estão, dão no que se vê: num falhanço. Dá ideia que a democratização levou a uma razia nas elites, reduzindo tudo à mediania. E isto de forma decrescente. Primeiro arrasam-se os melhores, depois os medianos rejeitam os que, ainda assim, são melhorzinhos, depois a média já é a mediocridade e, sendo a mediocridade a camada dominante, há uma indução no sentido de se escolher o pior de entre os piores.

Vimos o que aconteceu em Portugal. Parece mentira mas durante quatro anos uma abécula impreparada e néscia (tendo como número dois um chico-esperto) governou o país, empobrecendo-o, vendendo as melhores empresas, tentando anular os direitos dos trabalhadores, tentando espatifar a coesão social e separando família -- ao fazer emigrar muita gente, em especial os jovens adolescentes. E vimos também quem presidiu a este pobre país durante um ror de anos: um ressabiado empertigado que só sabia ser simpático para com cagarras e vacas e que, no resto do tempo, se entregava à auto-promoção, escrevendo absurdos 'roteiros', à paranóia e às conspirações de meia tigela. Tivemos também à frente da Comissão Europeia uma alforreca peganhenta que destruiu a credibilidade duma instituição que deveria ser um bastião da democracia e liberdade e que, às suas mãos, mãos de concièrge da grande casa dos poderosos&velhavos, se viu arrastada para um humilhante papel subalterno, um barco à deriva que, por não ter comandante, acabou a entregue a burocratas acéfalos.  Um pouco por todo o lado, também um atraso de vida. Estamos agora a ver à frente dos EUA um narcisista estúpido, um perigoso palhaço, um inacreditável demente.

E à frente de grandes empresas...? Vimos os cagões burlescos que foram condecorados por bimbos e pacóvios... Zeinal Bava, por exemplo. E o que dizer do António Mexia...? Eu não digo nada mas há quem diga. Ou o Granadeiro ou o Berardo ou o Jardim Gonçalves ou... tantos, tantos.

E, portanto, se assim é, como posso eu admirar-me por, à frente do Sporting, estar um fulano que se não é um parvalhão encartado, parece.

Como é sabido, aqui em casa os ventos sopram a favor dos verdes.

Mas aqui em casa havia a ideia, quiçá um bocado lírica, que o Sporting era um clube onde a malta era discreta, direi mesmo a modos que distinta. Nada de rufias, capangas, pintarolas. Isso eram os outros (if you know what I mean)

Pois bem. Ilusões. Reconheço, reconheço.... Ilusões, puras ilusões.

O Sporting está entregue a uma maltosa que nem se percebe.


Aquele Bruno de Carvalho é uma coisa que não se explica. Misto de arruaceiro e de badameco. Misto de palhaço e de ordinarão. Nem sei. Sempre que o vejo ou ouço, há uma palavra que logo me ocorre: rasca


Pois bem.

Sendo como é, não espanta que se ache. E acha-se o maior. E, como todos os pequenos narcisos com pouca cabeça, acha que é tudo dele.


E vai daí, Bruno de Carvalho não apenas usa a gravidez da mulher para se auto-promover, para se colar ao Cristiano Ronaldo, para se armar em engraçadinho parodiando o Sócrates -- como, para cúmulo do dislate, resolve usar os recursos do Sporting para tratar todos os apoiantes do Sporting como seus amigos do Facebook.


E eu, ao ler tão insólita notícia, só me ocorre que estamos a bater no fundo. O mundo parece que está a andar ao contrário, parece que estamos a caminhar para o fim dos tempos. Isto não pode acabar bem.

Veja-se para se acreditar.


Bruno de Carvalho anuncia o seu terceiro filho, desta feita com Joana Ornelas, a sua actual mulher



Eu admitiria que, face a tão ridículo desconchavo, os sportinguistas dariam um murro na mesa e que alguém iria ter com a criatura, pegá-la-ia pelos colarinhos, dar-lhe-ia um pontapé no traseiro e diria simplesmente xô! para que tão desclassificado animal tão cedo não voltasse a aparecer-lhes à porta.
Não que eu ache que se deva usar violência física com animais. Não. Nem pensar. Poderia, pois, o pontapé ser metafórico, tão metafórico como aquele fumo que ele deitou para a cara do senhor do Arouca.
Mas não. Parece que a maioria das pessoas acha isto normal. Vê-se uma nescidade destas e a malta assobia para o lado. Quando o mundo estiver nas mãos de láparos, portas, trumps, brunos de carvalhos, durões barrosos, cavacos, relvas, cristas, burros, estúpidos, populistas, lambe-botas, psicopatas, palermas encartados, exibicionistas, galinhas carecas, trogloditas e outros animais que tais... sempre quero ver...

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É que não é por nada mas eu não gostaria de viver num país entregue a porcos


Mas, enfim, isto se calhar não passou de uma macacada que não tem nada a ver, capaz de ter sido só coisa de um tal Orwell que parece que embirrava com o Estaline e assim

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terça-feira, setembro 22, 2015

Passos Coelho explica que está tudo melhor e que até já sofremos menos com as pulgas [e as sondagens até parecem mostrar que os carneiros estão a gostar e que até o aplaudem por ele já andar em duas pernas]




Entretanto, a vida não era fácil. O Inverno decorria tão frio como o anterior e a comida era ainda mais escassa. Mais uma vez, todas as rações foram reduzidas, excepto as dos cães e porcos. Uma igualdade demasiado rígida nas rações, explicou Squealer, seria contrária aos princípios do Animalismo. De qualquer modo, não teve dificuldade em provar aos outros animais que, na realidade, não havia falta de comida, apesar das aparências. Na verdade, agora fora considerado necessário fazer um reajustamento nas rações (Squealer falava sempre em 'reajustamento', nunca em 'redução'), mas, em comparação com o tempo de Jones, o progresso era enorme.

Lendo-lhe números, em voz rápida e esganiçada, provou com pormenores que tinham mais aveia, mais feno, mais nabos do que no tempo de Jones, que trabalhavam menos horas, que a água que bebiam era de melhor qualidade, que viviam mais tempo, que a mortalidade infantil era menor, que tinham mais palha nos estábulos e sofriam menos com as pulgas. Os animais acreditavam em tudo. Em boa verdade, Jones e tudo o que ele representava quase desaparecera das suas memórias. Sabiam que a vida agora era dura e triste, que muitas vezes tinham fome e frio e que, quando não estavam a dormir, estavam sempre a trabalhar. (...)


De algum modo, parecia que a quinta enriquecera sem que os animais se tornassem mais ricos - exceptuando, claro, os porcos e os cães. (...)


Um dia (...) os animais tinham terminado o trabalho e regressavam aos edifícios da quinta, quando se ouviu, vindo do pátio, o terrível relincho de um cavalo. Era a voz de Clover. Relinchou de novo e todos os animais desataram a correr, precipitando-se para o pátio. Viram, então, o que Clover tinha visto.

Era um porco andando sobre as patas traseiras. Sim, era Squealer. (...)


Fez-se um silêncio de morte. Espantados, aterrorizados, todos muito juntos, os animais observavam o longo cortejo de porcos marchando vagarosamente pelo pátio. Era como se o mundo se tivesse virado de pernas para o ar. Depois, passou o primeiro choque e, apesar de tudo - apesar do terror dos cães e do hábito, desenvolvido ao longo dos anos, de nunca se queixarem, nunca criticarem, acontecesse o que acontecesse - poderiam ter pronunciado algumas palavras de protesto.


Mas, precisamente nesse momento, como que a um sinal, todos os carneiros desataram a balir altíssimo:

- Quatro pernas bom, duas pernas melhor! Quatro pernas bom, duas pernas melhor! Quatro pernas bom, duas pernas melhor!




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O texto que leram é composto por excertos de 'O triunfo dos porcos' ('Animal Farm' no original) de George Orwell, publicado em 1945 e reportando-se a circunstâncias que não as que se verificam no Portugal de hoje. Contudo, vá lá saber eu porquê, ocorreu-me trazê-lo aqui, neste início de campanha eleitoral.


Algumas das imagens foram pescadas na net sem que eu saiba a sua proveniência original enquanto outras provêm do saudoso We Have Kaos in the Garden.

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Muito gostaria de vos convidar a descerem até ao post seguinte onde partilho um vídeo interessante e que bem poderia merecer a atenção de todos nós. Fala das razões da impensável crise europeia com os refugiados a invadirem as cidades, dos desmedidos riscos que corremos (ou não), dos deveres que sentimos (ou não).

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E hoje gostaria também que me visitassem no meu outro blog, o Ginjal e Lisboa, onde canto a abundância da minha impiedade, levada pela mão de Catarina Mendes de Almeida ao som de Dvořák.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa terça-feira.
Be happy.

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quarta-feira, janeiro 15, 2014

Depois da revolta dos leitões da Mealhada contra o CDS, para quando a revolta dos frangos da Guia contra o PSD? Ou a das enguias da Lançada contra os Césares das Neves desta vida? Ou a dos pastéis de Belém contra os Cavacos? Tudo com sobretaxa em cima para gente que apoie o Governo! Já! Paguem! Paguem! Paguem!




E eis que, quando já todos estávamos a dar por adquirido que o Napoleão e outros que tais haviam irremediavelmente tomado conta da quinta (ou seja que estava declarado o Triunfo dos Porcos na Quinta dos Animais), nos chegam novas que nos dão conta da inesperada revolta dos leitões.





Denúncia no Facebook

Transcrevo do DN:

Militantes do CDS/Algarve queixam-se de restaurante da Mealhada que lhes cobrou mais refeições que aquelas que consumiram. Quando detetaram erro, um responsável justificou-se que era por serem apoiantes do Governo.


No domingo à tarde, depois do Congresso do CDS, em Oliveira do Bairro, Aveiro, um grupo de militantes centristas do Algarve parou para almoçar num restaurante da Mealhada, Meta dos Leitões. Agora queixam-se de terem pago mais refeições que aquelas que consumiram por serem apoiantes de Governo "que rouba".


"A justificação do responsável pelo restaurante foi a seguinte: tendo-se ele apercebido que eram do CDS e como tal apoiantes do governo, e aqui cito 'ipsis verbi' as palavras proferidas 'desse governo que nos rouba, então para me defender eu também os roubo a vocês'", escrevem os militantes do CDS na sua página do Facebook, onde relatam a peripécia.

Pagaram o que consumiram, garante gerência. Na sequência da polémica, a mesma fonte assevera ao DN que o livro de reclamações foi disponibilizado, esteve em cima do balcão, mas não ficou registada qualquer queixa.

"O senhor que pediu o livro de reclamações queria assinar com os dados da carta de condução. Isso não é permitido. Ele disse que ia buscar o Bilhete de Identidade ao automóvel, saiu e nunca mais voltou", apurou o DN.


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Acho graça a isto. Cá por mim, se em cima da conta, lhes aplicaram uma CES, uma TSU e mais um IVA agravado, só posso aplaudir.

A ver se aprendem.

E a ver se tudo o que é comércio lhes segue o exemplo.

Então aos que aparecerem de bandeirinha na lapela podem em cima disso tudo ainda aplicar-lhes Imposto de Selo, IMI, IRC e mais uma valente derrama. E ainda lhes podem roubar a carteira e dar uma valente carecada.

Aplaudirei.

Aplaudiremos quase todos (e digo quase porque, certamente, o Henrique Monteiro, o José Gomes Ferreira, o Henrique Raposo, o João Miguel Tavares e outros que tais devem achar que isso não é coisa que se faça).


E os pensionistas, reformados e idosos em geral, esses então, vão rebolar-se a rir!



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quarta-feira, agosto 14, 2013

Palhaçadas de verão à portuguesa. Em dia em que Cavaco, por via das dúvidas, manda os despedimentos na Função Pública para o Constitucional (que o Governo de corrécios que ele protege gosta de agir à margem da lei, pelo que ele tem que o manter sempre sob vigilância), sabe-se que Moita Flores, depois de não ter feito nada em Santarém, com a maior cara de pau, vai mesmo conseguir apresentar-se a votos em Oeiras; que Poiares Maduro diz que isso da Reforma de Estado do Portas talvez um dia destes, umas coisas naquela base, mas que já têm andado a dar uns toques e coiso; e que agora vêm aí uns quantos sábios, organizados em Comité, para governar o País e fazer baby sitting aos ministros, secretários de estado, assessores e outros lombinhas. Não seria era de os meter a todos numa piscina e soltar lá dentro um cardume de pacus?, pergunto.


Nos dois posts a seguir temos motivo de paródia: entre o vice do Farrobo e o naturalmente Poiazinha, chefão do adjunto Lombinha, e a precavida Morais que apareceu com uma pata de coelho escondida na carteira, a gente tem que se esforçar para não se atirar para o chão a rir. Corrijo: rir, claro, se antes tomarmos um calmante e nos abstrairmos das sacanagens que aqueles coiotes andam sempre a tramar. 

Mas isso é a seguir.

Agora, aqui, a conversa é outra. Ora, então, vejamos.


Palhaçadas de verão à portuguesa



#1

Candidatura de Moita Flores à Oeiras foi aceite, dizem as notícias



Mais uma vez estamos no domínio do laissez faire, laissez passer que é como quem diz, deixa andar.

E não é pela história do número de mandatos que isso, quem fez a lei que a refaça para que fique inequívoca porque isto de cada um ler sua coisa e acabar tudo nos tribunais, já parece coisa de república das cagarras, até já mete nojo. 

Aquilo que eu quero aqui assinalar é outra coisa. 

É a seguinte: mas este Moita Flores, que enquanto presidente da Câmara de Santarém escreveu, publicou e fez o roadshow do lançamento de livros, que fez guiões, que está sempre caído nas televisões a opinar sobre tudo e mais alguma coisa e que agora, da última vez, se demitiu ao fim de pouco tempo de presidente da Câmara, pretensamente por motivos de saúde, mas a quem a gente vê em permanência nesse mesmo circuito mediático, tem lá historial que prove a alguém que tem sentido de responsabilidade para ser presidente de alguma coisa? Nenhum. Um baldas. Está nas Câmaras a fazer uma perninha. O que ele gosta é de escrever histórias e andar a bater perna pelas televisões. 




Porque é que a comunicação social,
em vez de andar a papaguear os recados da poiazinha,
não faz investigação e não vai ver o que é que Moita Flores, este artista,
fez enquanto presidente da Câmara de Santarém?

Aí anda meio mundo a discutir insignificâncias
(e agora até me ia fugindo a boca para a expressão catroguiana,
mas, a tempo,
lá a evitei que eu há coisas que não gosto mesmo de ter na boca),
em vez de escrutinarem o verdadeiro curriculum desta tropa fandanga que aí anda enganando uns e outros



Como é que as pessoas não vêem isto e não o mandam dar uma grande volta em vez de andar a gastar dinheiro aos contribuintes? Não era mesmo de ter apenas dois únicos votos (o dele e o da mulher)?


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# 2

Em dia de poiazinha briefing, lá veio à baila o assunto da Reforma de Estado



Ouvi-o na rádio e há pouco vi-o na televisão e no vídeo que, no post abaixo, mostro. Com aquela sua vozinha de menina, ainda não percebeu, que, por muito bem pensado que seja o assunto (que não é, mas enfim...), não dá para ser levado a sério. É que uma vozinha de menina aceita-se a uma menina, não a um coisinho com uns pelinhos manhosos salteados na cara, armado em ministro. 

Mas, então, dizia a dita vozinha que a Reforma de Estado haverá de sair à cena quando for oportuno mas que isso será apenas um complemento do que já está a ser feito. Ia sozinha no carro mas desatei-me a rir. 

A dita reforma é aquela batata quente que o Coelho passou para as mãos do irrevogável Portas e que ia estar pronta em Fevereiro ou lá quando era. Depois, como o Portas, não foi capaz de parir uma reforma, o parto foi adiado para Julho. Parece que a lua mudava a 15 porque tenho ideia que a coisa devia dar-se até esse dia. Viste-a. 


Como o Portas não era capaz de parir a coisa, o Coelho tirou-o dos Negócios Estrangeiros para ver se, sem ministério nenhum, ele tinha mais tempo para fazer os trabalhos de casa.




O facto é que não se vê nada e, do que percebo, não há datas. Como o parto dos burros, este está a revelar-se demorado. Mas, prudente como é, este candidato a inteligente, Poaizita de seu nome, já nos veio preparar para o facto de afinal nem um burro vir a aparecer mas sim um simples rato. De facto, ao dizer que a dita reforma é um complemento às coisas que já têm andado a fazer, está a preparar-nos para a insignificância do que o Portas vai parir.

E pergunta a minha ignorância: mas e a que outras coisas se refere ele? Que outras coisas é que eles têm estado a fazer para além dos roubos e atentados ao conceito constitucional de justa causa de despedimento, o regime dos direitos, liberdades e garantias e o princípio da proteção da confiança (Cavaco dixit, ao confessar temer isto relativamente ao que agora voltou a mandar para o Tribunal Constitucional)?


Segundo o que uma colega minha toda tiazona no outro dia disse, já desbocada como uma gaja dos subúrbios, o que esses pulhas têm andado a fazer é um conjunto de javardices.




Porco Napoleão, esse grande estadista,
(ao que por aí corre, o guru dos ministros do governo de Passos Coelho, himself included)


Ou seja, já não estaremos no domínio dos burros nem dos ratos mas, sim, dos porcos. E, aqui chegados, só posso, uma vez mais lembrar-me de Napoleão, essa distinta figura de Estado.


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#3

Comité de sábios?



Diz a poiazinha que agora é que vai ser bom, que os sábios vêm aí para dizer como é que é. Menos mal se vão criar um grupo de gente com alguma senioridade. Mas pergunto eu: por que raio de carga de água é que é isso necessário? Os ministros, secretários de estado, adjuntos de secretários de estado, assessores e toda essa tropa que vive à custa do erário público não tem cabeça para tratar de coisa nenhuma?

E esse grupo de sábios vai reportar a quem? À Poia Madura, que tem a responsabilidade pelos fundos? Ou ao Pires de Lima da Economia, supostamente para o que os fundos comunitários se destinam em primeira mão, área esta supervisionada pelo Portas? 

O que a mim me quer parecer é que se vão multiplicando as comissões, os grupos, os assessores, e, às tantas, daqui a nada, num governo cuja orgânica é uma confusão, verdadeiramente desestruturado e sem liderança, vai tudo estar mais ensarilhado do que até aqui. 

Ou melhor, se até aqui o governo tem estado em estado comatoso, um dia destes, vai perceber-se que os tubos de oxigénio, os de soro e toda essa tubagem que vai permitindo ao governo fingir que está vivo, está tudo enleado, um com o tubo de soro a entrar-lhe pelo rabo, outro com o tubo de oxigénio a vir não da botija mas do tubo de esgoto, outros com os tubos a serem bombados directamente das condutas do City, enfim, a maior baderna. A gente já nem percebe quem é que faz o quê, tantas as nomeações para as coisas mais díspares. Tudo o que é sábio, cão e gato, jota, blogger e amigo do peito, entra numa coisa qualquer. A ver se, no meio da confusão das contratações, não se enganam e ainda contratam um pacu... (por isso, se um dia destes, nos aparecer por aí um pacu com os testículos de um deles na boca, não nos devemos admirar).



Pacu

(Os dentes destes pacus são nojentos, parecem dentes de gente, credo, dentes de quem nunca fez uma destartarização)

Olhem que uma dentada dum animal destes nos testículos não deve ser coisa agradável (qual Teresa Morais, até a mim me dói só de pensar nisso, credo).



Até aqui, tenho ideia que não tenho falhado muito nas minhas previsões (o que não é difícil: estas criaturas que nos desgovernam são tão básicas, tão previsíveis, que até uma pedra da calçada é capaz de adivinhar o que se vai seguir). Mas enfim: este governo recauchutado está tão mau ou pior que a versão com Gaspar. Por isso, com tanto amadorismo e incompetência, as crises vão ser permanentes (até à crise final, quiçá depois do orçamento aprovado, com a coboiada das autárquicas pelo meio). A rentrée promete, pois, vir quente, fogosa. Vocês depois me dirão.


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Hoje, com tanta conversa fiada por aqui, esgotei o meu tempo de antena. Já não tenho cabeça para ir agora pregar para o meu querido Ginjal

Relembro: abaixo deste há mais dois posts. A culpa não é minha, é destes pândegos da trupe do Coelho (Coelho este agora já com uma pata a menos, conforme refiro no post abaixo) que não me dão descanso.

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E, por isso, assim sendo, despeço-me já. Tenham, meus Caros Leitores, uma grande quarta feira!

sexta-feira, dezembro 02, 2011

O triunfo dos porcos: governam e parecem pessoas mas - reparemos bem - não são! E, mesmo que achem que não tem nada a ver, recordemos o Novecento (1900) de Bernardo Bertolucci e, coisa puxa coisa, façamos coro com os escravos hebreus e gritemos 'Va, pensiero sull'ali dorate'


Hoje não estou para grandes palavreados porque há tanta coisa estúpida a acontecer, cá e mundo fora, e vejo tanta gente estúpida a fazer disparates à tripa forra achando-se empossado para tal (e, caraças! - de facto, foram-no porque quase tudo o que de pior se vê a acontecer, acontece no mundo civilizado, democrático, em que os governantes são eleitos pelo voto popular), que vou deixar-vos com três clips que dão gosto.

1. Já aqui anteriormente referido, O Triunfo dos Porcos ou a Quinta dos Animais do escritor inglês George Orwell foi escrito originalmente para parodiar o regime estalinista. Contudo, a alegoria foi tão bem urdida que pode ser vista como actual e adequada a muitas situações actuais.

A forma como os princípios que eram usados como bandeira antes de tomarem o poder foram totalmente adulterados logo que chegaram ao poder, as críticas aos governantes anteriores e as promessas que foram de imediato metidas na gaveta,  a forma despudorada como usam o poder para seu benefício pessoal, o desprezo que revelam pela população que vai sendo explorada e empobrecida - tudo isto é uma história que conhecemos muito bem. Snowball e Napoleon, dois porcos muito conhecidos.




2. O filme Novecento (1900) de Bernardo Bertolucci, 1976, com Robert de Niro, Gérard Depardieu, Donald Sutherland, Burt Lencaster, Alida Valli, Dominique Sanda, é um filme épico, que não se esquece, e que decorre em Itália num período de guerras, pobreza, exploração, revolta, luta pelos legítimos direitos.





3. Nabucco é uma ópera de Verdi (1813 - 1901) que conta a história do rei Nabudonosor da Babilónia, foi escrita durante a ocupação do norte de Itália pela Áustria. O 'coro dos escravos hebreus' tornou-se quase um hino, a música que os italianos sentiram como o seu grito de amor por Itália, contra os ocupantes. No enterro de Verdi muitos milhares de pessoas acompanharam a sua despedida, entoando as suas músicas e, muito em especial, este 'va, pensiero'. Vai, pensamento, com asas douradas. Vai, pensamento.




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E tenham, meus amigos, uma bela sexta-feira.

sexta-feira, agosto 19, 2011

O triunfo dos porcos ou a quinta dos animais: George Orwell dixit e a malta não faz outra coisa senão rir

Andam de pé, vestem fato, participam em reuniões e em conferências de imprensa… mas serão mesmo o que parecem? 
 

Venceram as eleições com base num conjunto de mandamentos, a saber:
  1. Não haverá jobs for the boys 
  2. Não vamos com sede ao pote 
  3. Não queremos TGV 
  4. Queremos avaliação de professores 
  5. Não subiremos mais impostos 
  6. Não é possível impor mais sacrifícios aos portugueses
  7. Não nos vamos desculpar com o passado
 
E eis que agora, decorridos dois ou três meses, alguém já alterou os mandamentos. O que agora se lê é isto:
 
 
 
  1. Não haverá jobs for the boys se os boys não forem amigos do PSD 
  2. Não vamos com sede ao pote quando já tivermos a barriga cheia dela
  3. Não queremos TGV a menos que mudemos de opinião ou que os espanhóis nos convençam de outra coisa 
  4. Queremos avaliação de professores mas só de 4 em 4 anos e para os professores que o permitam 
  5. Não subiremos mais impostos a menos que não consigamos cortar do lado da despesa 
  6. Não é possível impor mais sacrifícios aos portugueses a menos que a gente se esqueça disso porque, aliás, quem o disse foi o Cavaco
  7. Não nos vamos desculpar com o passado do tempo dos reis até porque não sabemos nada de nada de história 
 
Como é que se chamam: Napoleão? Gargantas?
  
A propósito e não me interpretem mal porque não tem nada a ver, que eu sou fraquinha das ideias, não digo coisa com coisa - mas que é feito do Paulo Portas? Fizeram dele o Bola de Neve?


E pronto, já chega que isto hoje vai por aqui uma jardinagem...! Daqui até lá abaixo - deslizem, deslizem, por favor  - é tudo a rir! A malta rebola-se a rir com isto tudo! Olhem-me este aqui:


Deslizem, deslizem, deslizem até aos posts abaixo: a malta está toda agarrada à barriga, sem conseguir parar de rir.