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sexta-feira, dezembro 19, 2025

Os 2 videirinhos da vida airada, o reformado escusado, e, para que se aproveite alguma coisa, uns bombeiros com bom coração

 

Tudo o que se sabe do modo como o MP funciona é de estarrecer qualquer um. E o reformado Amadeu, PGR acidental, só vem acentuar o desgoverno do uma organização que deveria ser exemplar.

Não apenas é patente que aquela malta interpreta a lei como se todos pudessem andar à rédea solta, agindo à tripa-forra, como o suposto responsável por manter a ordem naquela casa da Mãe Joana, quando a coisa ganha alguns contornos mais sensíveis, pede escusa.

Escusa?! Escusa como?!

Juro: por esta é que eu jamais esperaria. 

Pelo contrário, contava é que o dito aposentado andasse em cima a ver se estava tudo a correr como deve ser, mostrasse àqueles desmandados que os queria à rédea curta, que exigia que andassem lestos e mostrassem ser rigorosos, sob pena de ter que lhes mostrar quão pesada era a sua mão.

Não senhor, pôs-se ao fresco.

Só não digo que aquele Ministério Público parece mesmo uma bandalheira para não usar palavreado bastamente usado pelo taberneiro.

Mas este aposentado, que acha que fez uma proeza ao presentear o Montenegro com uma averiguação preventiva em vez de um inquérito-crime, é o mesmo menino que convive bem com o facto de o suposto inquérito a Antônio Costa, que apesar de ter feito cair um Governo de maioria absoluta e depois de todos os juízes terem dito que aquilo é uma mão cheia de nada, continua, ao fim de vários anos a manter o caso num malsão e indesculpável banho-maria. Uma vergonha que deveria mandar para casa qualquer PGR, muito mais um aposentado.

Quanto à Spinumviva 2.0, que também dá pelo nome de Ls2Mm, a empresa familiar do sonso Marques Mendes, em tudo, t-u-d-o, idêntica à do Montenegro, só chamo a atenção para o cinismo, a hipocrisia, a sonsice que dá náusea do comentador Marques Mendes que andou na SIC, todos os domingos, meses a fio, a comentar, ao de levezinho, na boazinha, o caso Spinumviva quando ele, ele próprio, estava na mesmíssima condição. O sonso, se fosse homenzinho, ter-nos-ia avisado: "Peço escusa de comentar este caso pois tenho o rabo preso, estou na mesma situação, sou também um videirinho, um chico-esperto."

E os Senhores Jornalistas, em vez de serem papagaios uns dos outros, porque não perguntam ao candidato Marques Mendes: "Porque é que a SIC pagava os seus comentários à sua empresa pessoal em vez de lhe pagar diretamente a si? Para fugir ao IRS?" ou "Como conseguiu fingir tão descaradamente que era isento ao comentar a Spinumviva, quando tinha uma empresa que quase parece réplica uma da outra?" ou "O que é que percebe de gestão para ter sido avençado de empresas em consultoria de gestão?"

Mas, enfim, o Santa Claus está a chegar à cidade e não me apetece cansar mais a minha beleza. Por isso, ponham os cintos porque vou guinar noutra direcção, e é a toda a brida.

Antes que isto pegue fogo, que entrem os bombeiros.

Podem ser os australianos, porque gostam muito de animais.

2026 Australian Firefighters Calendar


Be happy

quinta-feira, outubro 23, 2025

Serão os homens uns trogloditas? Uma ameaça para as mulheres?

 

Nunca gosto muito de falar em cima do acontecimento. Não sou repórter. Prefiro falar em abstrato, sobre situações genéricas, indefinidas. 

Além disso, neste caso, estivam presentes pessoas conhecidas. Não quero ser indelicada ou inconveniente.

Em geral, posso até dizer que até gostei de lá estar. Gosto sempre de estar em lugares. Aproveito sempre nem que seja numa perspectiva de observação. Aquilo ali era bem uma amostra de uma certa sociedade. Não direi jet set, até porque estas pessoas não gostam de pertencer a esse género tão mal afamado. Direi antes bcbg (bon hic bon genre). A beautiful people da linha (Estoril-Cascais) ou os agro-betos (os que gostam de se afastar para o campo). As mulheres são globalmente iguais entre si. Fisicamente e na maneira de vestir. Os homens igualmente iguais entre si, identicamente no aspecto e no trajar. As vozes também iguais.

Tenho a certeza que eu não sou igual e que a minha voz é o oposto (quem me acompanha no Instagram, sabe bem que não tenho voz grossa nem o meu registo é histriónico). Mas não que faça para ser diferente: simplesmente, não conseguiria, mesmo que quisesse, ser assim. E não que tenha algo contra estas pessoas. Não. Simplesmente, quando num grupo assim, sinto-me totalmente a ovelha que não encaixa naquele rebanho.

Mas não vou entrar em questões objectivas. Mais depressa, daqui por uns tempos, repescarei alguns episódios desirmanados como o da jovem companheira de um conhecido actor que se descalçou e se sentou sobre as pernas cruzadas ou o incrível bronze de uma comentadora da nossa televisão. Mas mais tarde, agora não.

Hoje quero apenas trazer aqui o meu desconforto sobre o que lá foi dito. Não referirei alguns aspetos mais pitorescos -- realmente insólitos e divertidos --, mas, sobretudo, o tema que foi lançado: no fundo o da guerra dos sexos.

Referiram as oradoras, em especial a principal, que, desde pequenas, as mulheres são ensinadas a tomar cautelas com os homens pois são animal predador. Ia dizer que, segundo ela, são também animal insensível mas a tese dela é que não são insensíveis de todo pois há um tema ao qual são bastantes sensíveis: ao sexo. Segundo ela, salvo disfunções eréteis, estão sempre prontos para o sexo. Mais: diz ela que são relativamente indiferentes a outros atributos (nem ligam muito à beleza ou ao companheirismo ou ao que for) desde que se lhes proporcione a possibilidade de ter sexo.

E toda a dissertação, até a do senhor que também falou, andaram à volta disto: os homens são violentos, os homens fazem coisas que molestam as mulheres, e, por outro lado, as mulheres aprendem desde sempre a sujeitar-se à vontade dos homens, ou, se vão na rua, a temer os homens. E, mesmo em casa, a ter cuidado com o olhar do pai.

E depois afirmava ela que mulher que diga que não tenha tido estas experiências é porque não é mulher, é porque não tem vivido.

Portanto, tendo ouvido dizer isto, fiquei a pensar que, de acordo com esta afirmação dita com tamanha assertividade, não sou mulher. Ou, então, não tenho vivido.

Ora, posso estar enganada mas tenho-me em conta de ser mulher, muito mulher, e ter tido até aqui e ainda ter uma vida bem vivida.

E, no entanto, o meu testemunho é o oposto. Nunca, nunca, em tempo algum, senti qualquer olhar estranho por parte do meu pai, dos meus tios, do meu avô. Nunca, nunca, nenhum colega ou chefe se afoitou a ser inconveniente comigo. Nunca, nunca, nenhum amigo se aproximou ou se insinuou ou tentou o que quer que seja de impróprio comigo.

Poder-se-ia dizer: pudera, feia como uma bruxa, antipática como um animal do mato, como poderia ser diferente? Mas sei que não sou nem tão feia nem tão antipática assim. 

Talvez tenha tido sorte. Mas se todos os homens fossem as bestas quadradas, os trogloditas de que ali se falou, alguns já me teriam calhado na rifa. E não. Nunca.

Mais: constatei ao longo de toda a minha vida que mais 'atiradiças' são as mulheres, mais ousadas, mais destemidas ao darem um passo em frente sem saberem se são bem sucedidas.

Claro que há homens estúpidos, tarados, doentes, atrasados, perturbados e, nesse caso, dado terem fisicamente mais força do que as mulheres, podem ser perigosos. Mas não são todos. São uma minoria.

Os homens, na sua maioria, são boas pessoas, sabem estar, sabem viver civilizadamente, conseguem ter relacionamentos saudáveis. E merecem respeito e carinho. São pessoas de corpo inteiro. Pelo menos, é este o meu testemunho.

quarta-feira, abril 09, 2025

Aplicações de engate

 

Nunca entrei no Tinder nem em qualquer outra aplicação de encontros (ou melhor, de dates). Nem sei dizer o nome das demais apps pois desconheço. Como não ando à procura de parceiro é coisa que nem entra no meu radar. Mas, mesmo se andasse, tenho sérias dúvidas de que me arriscasse. 

Imagina que encontrava alguém conhecido? Seria a modos que uma barraquinha das antigas, imagino. No meio da atrapalhação nem sei se teria cabeça para engendrar uma desculpa que não parecesse esfarrapada. "Ai, tu também por aqui? Na fotografia não deu para perceber que eras tu... E usaste outro nome... Mas eu estou aqui só porque estou a recolher informação para uma tese de mestrado. Não é para o que estás a pensar..." E ala moço que se faz tarde. 

Mas, pior que isso, uma pessoa vai encontrar-se com alguém que não sabe se é maluco, se é malcheiroso, se é um chato dos antigos? É que nem imagino o horror que deve ser uma pessoa expor-se, apresentar-se num encontro e depois dar de caras com alguém de quem tem vontade de fugir no instante seguinte. Como é que descalça a bota? Assume que não suporta e raspa-se imediatamente? Ou finge que está a gostar e aguenta o mais que pode até que consegue inventar uma desculpa? Ou, pior, muito pior, o risco que é se o fulano aparenta normalidade e, quando uma pessoa já está com as defesas em baixo, dá uma abébia e o fulano acaba por se mostrar um tarado da pior espécie...

Não. Nem pensar.

Para mim, para escolher alguém ou seria na base do amor à primeira vista -- mas aí teria que ter a sorte de o encontrar... e onde é que andam os homens desirmanados...? Não faço ideia... -- ou teria que ser uma coisa em que pudesse seleccionar, eles em exposição. E por exposição estou a referir-me a uma coisa como um programa de televisão que há -- há ou havia, pois há muito tempo que não me aparece -- em que põem uns quantos homens nus, um em cada cabine, e a mulher vai eliminando sucessivamente os candidatos deixando para o fim o mais convincente. 

Vendo o vídeo da Beatriz Gosta, percebo-a perfeitamente. Sou como ela: niquenta até à quinta casa. Não suporto maçadores, saloios armados em bons, azeiteiros, mal vestidos, demasiado bem vestidos, empedernidos, armados em engraçados, cheios de paranoias, armados em parvos, feios, aparadinhos demais, demasiado sonhadores, demasiado musculados, chonés de todo, mirradinhos e encarquilhados, cheios de teorias de cão de caça, parvalhões sem uma ideia na cabeça, narcisistas, mimados, frustrados, gordos que nem baleias e todos transpirados, a cheirarem a tabaco que tresandam, encharcados em perfumes rascas, etc. Etc. Etc. Mas ponham esmo muitos etcs nisso. 

Agora onde param os que se aproveitam e que estão disponíveis, isso eu estou como ela, também não faço ideia onde andam.

E, assim sendo, porque ainda não estou numa de comentar debates ou de cansar a minha beleza com as trapalhadas de alguns dos biltres desta praça, aqui está a Beatriz Gosta com quem sempre me divirto. Quando houver um debate que me inspire, aqui estarei para dizer de minha justiça.

Apps de engate - Beatriz Gosta

Desejo-vos uma bela quarta-feira

quinta-feira, agosto 22, 2024

Bom demais para ser verdade.
Correcção: bons demais para serem de verdade

 

Podia estar a falar do Barack Obama. E estaria correcto. Bom demais para ser verdade. Ou da dupla Barack e Michelle Obama. Também estaria certo. São bons demais para serem de verdade. 

Do que vi e ouvi das suas intervenções naquela magnífica arena só posso dizer que tudo aquilo foi extraordinário. Na verdade, naquelas pessoas, independentemente do alto gabarito, do dom de palavra, da visão, da fantástica capacidade de análise e de síntese, há a intuição para o momento certo, para o gesto certo, para a pausa certa, para o olhar certo. São aquilo a que na gíria se chama 'animais de palco' mas animais de palco com conteúdo (e um bom conteúdo). Magnífico. Em cima (ou ao serviço) do génio dos oradores há uma vertente de grande espectáculo, de grande escala, de grande profissionalismo em tudo aquilo. Há pouco, o Luís Paixão Martins falava na preparação milimétrica, na cuidada realização, nada deixado ao acaso. 

Mas este post não é sobre os Obama. Ando cansada, sem tempo e com muito sono. Não dá para temas que requerem alguma reflexão. Por isso, indo à boleia da silly season, confesso: quando digo que são todos bons refiro-me ao Brad Pitt (claro, tinha que ser, é o melhor dos melhores) e ao George Clooney. Fazem uma dupla que é qualquer coisa. Nem imagino como é que uma mulher normal fica se der de caras com estes dois. Mas, lá está, até bastaria um. Brad Pitt. Se eu me visse frente a frente com ele, como reagiria? Acho que ficava bloqueada. Com receio de fazer uma figurinha miserável, haveria de ficar congelada. Mas, mesmo assim, não me importava nada.

Naquelas perguntas parvas: se fosse para uma ilha deserta, o que levaria consigo? acham que eu ia levar o Ulisses? Ia, ia... Só se fosse parva... Partindo do princípio que não poderia levar um deles em pessoa, levava era este vídeo. 

Brad Pitt & George Clooney's GQ Cover Shoot | Behind The Scenes

Brad Pitt and George Clooney are GQ's September cover stars. The iconic Ocean's duo are back, this time roaming through the rolling hills of the South of France.


E tenham um belo dia

segunda-feira, agosto 19, 2024

Pelos seus olhos, muitas mulheres se derretiam. Mas não eram apenas os olhos, era o olhar. E não era apenas o olhar, era tudo.
. Muitas caíram-lhe nos braços e só a custo conseguiram libertar-se.
Depois veio o AVC e perdeu a vontade de viver. Os filhos dividiram-se. Queria morrer, o mundo já não lhe interessava, a vida que tinha já não lhe era querida.
Aqui dizendo tudo: Je n'aime que toi

 

Há um livro extraordinário. O Leopardo. Tem personagens fabulosos. Não sei se Alain Delon é o mais carismático. Mas é o mais bonito. 

Foi ele que disse aquela frase de que tantas vezes me lembro, com vontade de contrariá-la. É preciso que tudo mude para que tudo permaneça na mesma.

Muitas vezes parece que há quem faça de tudo para que nada se altere atirando poeira para os olhos dos saloios (e não somos todos uns saloios?) para que pensemos que estão a ser desenvolvidos esforços para mudar as coisas. 


Lembro-me do Alain Delon em vários filmes. Uns olhos lindos. Aqui, um tour d'horizon sobre a sua careira.

Alain Delon: a look back at the actor's prolific career

Alain Delon, the celebrated actor who starred in a string of classics such as Plein Soleil, Le Samouraï and Rocco and His Brothers, has died aged 88. Identified with French cinema’s resurgence in the 1960s, Delon lent his beautifully chiselled features to parts that included cops, hitmen and romantic leads, working for some of the country’s greatest directors 
 
 French screen star Alain Delon dies aged 88 
 Mesmeric and beautiful, Alain Delon was one of cinema’s most mysterious stars

Em 2029 teve um AVC e tudo mudou. Quando uma vez o vi, lembrei-me do meu pai que, quando percebeu que não voltaria à vida que tinha antes, dizia que queria morrer. Alain Delon também o dizia. 

Antes do AVC fez este trabalho onde lê um poema.

Alain Delon - Je n'aime que toi 


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Uma boa semana a todos

quarta-feira, agosto 07, 2024

JO 2024 -- the very best

 

Não tenho seguido com atenção tudo o que tem dado. Ando sempre noutra. Mas, porque às vezes parece que há um qualquer ser oculto que me bafeja e me coloca no trilho do mau caminho, vi a prova em que um homem do outro mundo ganhou, um deus a atravessar as águas e, no fim, a sair delas, vitorioso, glorioso, e vi-o a subir ao pódio, emocionado, lindinho de fazer qualquer uma (ou um) cair para o lado.

Mede quase dois metros e tem uns olhos verdes que, uma vez mais, são para tirar qualquer uma (ou um) do sério.

Fui conferir a idade só para garantir que o rapaz não tem idade para ser meu neto. Ufff... Não. Já tem 23. Portanto, já tem boa idade para aqui figurar como o melhor dos melhores destes JO que se têm destacado em muitas coisas. 

Deviam fazer dele uma estátua. É lindo, lindo.

Thomas Ceccon








Queria aqui colocar um vídeo com a sua prova de costas ou com a sua conferência de imprensa (ao falar, obviamente em italiano, consegue a proeza de ficar ainda mais sexy) mas não estou a conseguir inserir vídeos. Portanto, aqui fica estático, bom para ser contemplado.

[Claro que este post, se fosse escrito por um homem sobre uma atleta, seria machista. Assim, se calhar é feminista. E ser feminista é bom por várias razões e também por mais esta.]

quarta-feira, maio 08, 2024

Os homens estão a desaparecer....?
(Refiro-me aos do sexo masculino, os de tipo 'manuel germano', não aos homens=género humano)


Vejo em muitos homens hetero, ou supostamente hetero, uma certa tendência para recearem que a aparição pública de muitos homens homossexuais venha a beliscar a sua virilidade. Muitas vezes, quiçá por temerem ficar em minoria,  dizem que qualquer dia serão obrigados a converter-se ou deixarão de ter lugar no mercado de trabalho ou de ser socialmente aceites. 

Ouço-os e não percebo o exagero nem o receio. Não vejo isto nas mulheres. 

Nem vejo as mulheres a sentirem que têm que afirmar a sua feminilidade para que não as tomem por lésbicas. Ou seja, as mulheres hetero parecem ser mais confiantes do que os homens hetero.

Também, por vezes, se vê alguns homens -- fingindo que estão a brincar -- gozarem com a ascensão das mulheres no mundo do trabalho e na vida social. Embora as mulheres ainda estejam em minoria nos lugares de poder, é verdade que são mais do que eram quando eles eram pequeninos e pensavam que o mundo era dos homens. Portanto, embora disfarcem como se fosse uma brincadeira dita com ar displicente, revelam a sua preocupação. Parece que ainda não interiorizaram que as mulheres têm os mesmos direitos e, de forma genérica, idênticas capacidades às dos homens e que mais vale que o percebam e interiorizem.

E depois há os que não sabem o que fazer para agradar mais às mulheres: devem ser mais musculados, mais fit...? Ou, pelo contrário, devem ser mais fofinhos...? Há muitos que não sabem e que andam à nora a fazer ginástica a torto e a direito, a fazer cortes de cabelo com um cuidado que antes não se lhes via, a arranjar roupas ou perfumes que pensam ser boas armas de sedução.

E depois há os que atiram a toalha ao chão e se isolam, se ficam pela net, pelo gaming, pela realidade paralela do mundo que não requer interacção humana. 

De certa forma, percebo as suas dificuldades pois parece que há cada vez mais mulheres que acham que conhecer um homem é sinónimo de troca de mensagens ou de chats nas redes sociais. E há as que confundem um saudável piropo com assédio e os olhem com uma desconfiança que os deixe tolhidos.

Portanto, ao que parece os homens andam meio perdidos, meio desaparecidos, meio sem graça. Eu, não sendo entendida mas sendo apreciadora do género, a ter que dar um conselho dir-lhes-ia que sejam naturais, espontâneos, despreocupados, genuínos. E sem medo.

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 The disappearance of men | Christine Emba

“Masculinidade” tornou-se sinónimo de “tóxico”. A jornalista Christine Emba explica como isso aconteceu e como pode mudar

Os jovens estão cada vez mais solteiros e lutando para atingir as expectativas tradicionais. A jornalista Christine Emba analisa a crise da masculinidade e o que pode ser feito para resolvê-la.

A ascensão de “manfluencers” como Jordan Peterson e Joe Rogan reflete um novo tipo de masculinidade que desafia e redefine o que significa ser homem hoje. Embora esses influenciadores muitas vezes ofereçam empatia e conselhos de vida simples, os seus pontos de vista tendem a transformar-se em misoginia, resultando em ainda mais isolamento social para os homens no futuro.

O conselho de Emba é que os homens avaliem o que a masculinidade significa para eles – é força? Apoio de uma família? Liderança através do conflito? Ela sublinha que estas características não precisam de existir em oposição às características das mulheres e, em vez disso, podem complementá-las, levando a uma sociedade mais produtiva, coesa e, em última análise, mais feliz. 


quinta-feira, janeiro 18, 2024

Parece que anda meio mundo intrigado, 'onde está o umbigo dele?', mas eu, sinceramente, acho que até se vê bem e, sobretudo, acho que mais vale olhar para o que se vê bem do que para o que mal se vê

 

Nunca tinha ouvido falar em tal pessoa. Afinal parece que, mais uma vez, é problema meu. Jeremy Allen White é, afinal, conhecido, afamado, premiado, parece que excelente e multifacetado actor. 

E eu, que vivo aqui como uma eremita social, afastada de redes socias, longe dos ecos da fama alheia, desconhecia a existência da figura.

32 anos, 1,70 m, casado, com dois filhos, divorciado, parece que vive agora com outra afamada figura do panorama artístico, Rosalia. 

Como sou a tal que torce o nariz aos maiores pitéus, olho para ele -- e olho pois nunca o vi actuar, não posso avaliar a arte -- e não o acho nada de especial. Não me parece muito bonito. A mim não me convencia ele.

E, no entanto, parece que é, para meio mundo, se calhar até para três quartos de mundo, um sex symbol. Tento aguçar a vista, olhar para ele sob essa lente. Pois nem assim. Não que seja feio, não que seja desagradável, capaz até de ter uma certa pinta, tem um ar um bocado desmanchado que me agrada. Mas falta ali qualquer coisa. Não sei. Há ali qualquer coisa que não está no sítio. 

E não é a tal questão do umbigo que parece que anda a intrigar toda a gente. Provavelmente a mãe fez-lhe a ele o mesmo que a minha me fez a mim: apertou-o bem, enfaixou-o, de modo a que o dito cicatrizasse 'bem fechadinho'. Não é pois a isso que me refiro, acho que é mais a ligação entre o nariz e a boca. Não sei. Ou as sobrancelhas, descaídas ou lá o que é, não sei. Ou, vendo com atenção, parece que há ali qualquer coisa que se destaca pela proeminência. Não sei. 

Mas o tema do umbigo não me interessa nem é por ser secundário. É mais porque, vendo bem, há coisas nele para que a gente pode olhar. Ora, havendo-as, porque perder tempo a olhar para o que mal se vê.

Não é?

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Jeremy Allen White in Calvin Klein Underwear | Spring 2024 Campaign

Directed by Mert Alas in downtown New York City



(Sobre aquela minha dúvida da proeminência, será o lábio de cima que é saído de mais?)

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E queiram, por favor, descer até ao mistério do olhinho azul do José Luís Peixoto

domingo, agosto 27, 2023

"Quem disse que o homem nasceu para trabalhar?", questiona Pepe Mujica

 

Problemas técnicos ultrapassados, eis que consigo aqui voltar. Dia preenchido, casa quase cheia, animação, apetite e boa disposição. E, sem contacto com o mundo exterior, ainda consegui estar reclinada ao sol a ler. Algum ventinho mas a temperatura amena, e sabe bem alguma frescura depois dos dias de queimação por que passámos.

Do mundo não me apetece comentar nada -- até porque quase nada sei -- e, de resto, o que posso dizer é que o terreno está quase desfigurado de tão 'limpa' que está a terra. É quando como quando a gente vê um homem a quem sempre conhecemos com barba e que, de repente, se apresenta escanhoado. Não parece o mesmo. Olha-se e sente-se que falta qualquer coisa. Não posso dizer que esteja mal até porque as árvores estão grandes e parece que até sobressarem mais. Mas falta toda aquela vegetação que cobria o chão. Volta a nascer, prometem-me. E só espero bem que sim. 

A verdade é que os caminhos -- que quase tinham desaparecido sob a caruma e da qual já germinava toda a espécie de erva  -- estão de novo à vista e isso não deixa de ter a sua beleza.

Ainda não está tudo limpo. Nos dias de muito calor os trabalhos foram suspensos. Ainda há muita limpeza a fazer e há árvores por desbastar. Mas muito já está feito. Agora já se pode passear por zonas que a natureza já nos tinha interditado e isso é também uma alegria.

No outro dia um dos homens junto de quem eu me lamuriava pela razia, dizia-me: 'Isto serve para quê?', referindo-se ao mato. 'Isto só serve é para os coelhos', concluía. Fiquei ainda mais triste e disse: 'Mas eu gosto de ter aqui coelhos...'. Talvez para me consolar. ele disse: 'Já quase que não os há...'. De facto, quase não os vejo mas creio que seja pela secura, está tudo tão seco...

Só espero é que, com isto, os esquilos não se assustem e não se vão para outras paragens -- até porque os pinheiros também têm que ser subidos (ou seja, a copa tem que começar mais acima). E os pinheiros são a sua casa preferida. Custa-me pensar que estamos a perturbá-los mas reconheço que tem que ser, a bem da segurança.

Mas, pronto, é isto. Pouco mais tenho a acrescentar.

Agora já foram todos dormir e eu vim aqui dar um arzinho de minha graça. 

E o que hoje tenho para partilhar é um interessante vídeo no qual Mujica diz coisas interessantes. Há sempre várias maneiras de ver as coisas e a aproximação dele é a optimista, quiçá até utópica. Ele pede para não lhe retirarem a utopia e eu acho que, na realidade, viveremos mais felizes se conseguirmos sonhar com um futuro feliz.

Mujica reflete sobre evolução humana e diz que celular não é o problema

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Desejo-vos uma bom dia de domingo

Saúde. Tranquilidade. Paz. 

sábado, junho 10, 2023

Uma estrela

 

Não é Chanel quem quer. Tem que se merecer, merecer muito. A lista de nomes que têm sido escolhido ao longo dos anos ilustra bem o que é ser 'Chanel'.

E se, este ano, Timothée Chalamet saltou para rosto Bleu de Chanel, aqui percebe-se bem porquê. 

Shadow & Light interview 

— BLEU DE CHANEL

terça-feira, janeiro 10, 2023

O esteatopígico rabo é mesmo o dele.
E, ainda, o mecânico machão que usa fio dental; um fofo.

 

Pelos vistos, o excesso de rabo gordo de que tanto se orgulham a Madame Kim Kardashian e a Madame CR7 Aveiro é doença e não trunfo. Dá pelo nome de esteatopigia o mal que consiste na hipertrofia das nádegas ocasionada pela acumulação excessiva de gordura nas ditas. Mas elas gostam e, pelos vistos, muito boa gente, aka seguidoras, andam a implantar sacos com enchimento para parecer que também padecem de esteatopigia. Nada a dizer: há gostos para tudo. E isto já para não falar nos que malham até mais não poder, suando e ressuando as estopinhas, para empinar e insuflar os glúteos.

É como este aqui abaixo. De repente até se pode pensar que é a cara dele ali no espelho à frente. Mas não. São fotografias para o inspirarem, para lhe darem ânimo. Rabinho mais gordo para levar uns bons tautaus, o dele.

in “Humans Doing Human Things”

E como se a bunda reboluda do senhor ali acima não bastasse, eis que se nos junta um outro bacano, um fofo, um mecânico que arranja os carros deixando que a clientela aprecie o nadegal enfeitado por um atrevido triângulo, não da Bermudas mas de um sexy fio dental. Nem mais. Macho que é macho não quer cá saber de coisas. Ora essa.

in “Humans Doing Human Things”


E, não tendo nada a ver com os supracitados bem cuidados rabos, uma bem disposta dancinha:


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quinta-feira, dezembro 15, 2022

Perdoai-me, Pai, mas apetece-me pecar

 

No outro dia, quando fui ao chinês (leia-se: ao bazar chinês), ao pagar, o rapaz da caixa ofereceu-me um calendário. Achei graça. Nunca soube o que fazer com eles.

Dantes, nas empresas, a área de Comunicação ou de Marketing começava meses antes a tratar do calendário e das agendas para, pelo Natal, oferecer a trabalhadores, clientes, fornecedores. 

Muitas vezes havia sessões de debate interno para decidir qual deveria ser o tema, contratavam-se fotógrafos, havia provas -- todo um processo. Muitas vezes a tendência era ter tudo a ver com a actividade da empresa. Outras vezes optava-se pela surpresa: nada a ver, apenas belas imagens e belo material e depois, muito sóbrio, o logo da empresa. Outras vezes era temático (virado para a inovação ou virado para a defesa do ambiente -- por exemplo).

Sempre gostei de participar ou opinar sobre os temas ou sobre o produto final mas, verdade seja dita, nunca liguei nem a calendários nem a agendas. Mas a minha mãe gostava sempre de receber um de cada e sempre reservava a contar com ela. Cheguei a levar também para os meus avós.

Atrás da porta da cozinha dos meus pais havia sempre um calendário. E as agendas que ela usava eram sempre as que lhe levava.

Depois os calendários caíram em desuso e as agendas lentamente também foram decaindo.

Mas se não sou de calendários analógicos, a verdade é que gosto de ver, digitalmente falando, calendários que tenham aquele je ne sais quoi que faz a gente querer ver com atenção. Pode ser porque a narrativa tem que se lhe diga, pode ser porque o fotógrafo tem arte e transforma em beleza ou estranheza o que a objectiva capta ou pode ser porque o objecto captado é, em si, uma obra de arte.

Um calendário que não sei se tem um pouco de tudo isso é o Calendário Romano, também conhecido como o Calendário dos Padres Escaldantes. Pode acontecer que alguns padres apareçam repetidos de ano para ano e podem até alguns não ser padres e pode, até, não se perceber bem qual é a mensagem. Mas quem é que liga cá a miudezas?

O importante é que os devotos moços que ali abençoam cada mês estão devidamente cobertos, têm pudor e decência (o que é de bom tom na época natalícia), têm a pose contida de quem segura a Bíblia e isso inspira confiança quanto mais não seja porque transmite a ilusão de que gostam de ler, e, ainda por cima, têm um olhar puro e piedoso, o que é sempre inspirador (e se não for puro também não faz mal nenhum). E a gente, queira ou não queira, pensa logo que aqueles jovens padres (sejam eles de gema ou fake) deve pecar com uma grande pinta. E, se não pecam, dão a quem os olha uma certa vontade de pecar.

E, para que não se pense que estou sozinha na admiração pela objecto (refiro-me ao calendário), sugiro que leiam: ‘Forgive me, Father, for I am in the mood to sin’: how the ‘hot priest calendar’ became a publishing hit da autoria de Morwenna Ferrier.


Aliás, vendo o ar benevolente dos jovens padres, fico até a pensar que se, na paróquia aqui da zona, o padre for do mesmo gabarito que estes, estou capaz de ir repetir a catequese. Refreshment. Quem sabe se desta vez acho alguma graça à matéria. 

Ou os padres não dão a catequese? 

Se não derem, não faz mal: inscrevo-me num daqueles cursos de preparação pré-nupcial. Ou qualquer outra coisa. Ou convido-o para uma sessão fotográfica para fazer um calendário destes, versão lusa. Por exemplo, um Calendário Fatimiano com portuguese hot priests. Um recuerdo que nenhum turista religioso poderia dispensar.

Ámen.

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Um bom dia.

Paz. Alegria. Saúde.

quarta-feira, dezembro 14, 2022

Se tamanho não é documento, imagina quando o 'documento' é fake...
[Agora com o vídeo explicativo]
Não sei, pois, se é caso para avisar sobre imagens explícitas ou para colocar bolinha (ou melhor: bolona) vermelha

 


Já o disse: não sou de perder tempo com ilusões nem com mercearia fina que não seja para o meu bico. Acresce que de platónica pouco ou nada tenho. Portanto, posso ver pitéu com ar de fazer crescer água na boca que não passo disso, de um mero olhar apreciador. Não fico esgalgada como se não comesse há anos ou como se fosse uma adolescente retardada que acredita que tudo é possível.

Mesmo quando me deparo com aparições dignas de beatificação, dou desconto. Posso até pensar cá para mim: 'Eh lá...' mas não passo disso. Poderia até pôr-me a fazer medições remotas e contas de cabeça, mas não me dá para isso. Para quê? Quero lá eu saber da galinha do vizinho, quero é saber da minha.

E depois, nestas coisas, já se sabe que não interessa tanto a coisa em si mas o que se faz com ela. 

Por isso, mal o aparatoso órgão saiu de cena, saiu-me também da cabeça. (Refiro-me a uma cena que anda a dar que falar e que não passa do que acima se vê.)

Até que vi a explicação no Jimmy Fallon. Aí, confrontado com a celeuma, Theo James confessa: aquilo não é nada o legítimo pirilau, claro que não! Alguma vez...? Que descansem os cavalheiros que ficaram a sentir-se uns minions ou, à sorrelfa, a espreitar a sua gaitinha ao espelho. Aquilo ali, naquela cena, é fake, fake, fake, uma prótese, um disparate de tamanho.

Theo James Dishes on His Nude Scene in The White Lotus 

| The Tonight Show Starring Jimmy Fallon

Portanto, não há tema. Corações ao alto.

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Agora uma coisa é certa. Theo James é uma obra prima. 

Mas igualmente uma obra prima é a abertura de cada episódio desta série. A música é fantástica, as imagens são fantásticas. 

Como sei que muitas pessoas não têm o HBO não vou alongar-me. Posso apenas recomendar o White Lotus a quem tem. Ou a Mildred Pierce. Por exemplo. 

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Quanto ao mais, o que posso acrescentar é que esta noite, de novo, durante a caminhada, o dog pôs-se em guarda. Dava saltos, punha-se de pata no ar, punha-se quase de pé. O meu marido disse: algum bicho. Mas de noite todos os bichos são pardos. Não vimos nada. Quando estávamos a avançar, algo saltou à nossa frente. Quase saltei também. Outro sapo. Mais pequeno e num lugar muito longe do outro, aliás agora até não muito longe da nossa casa. Ao contrário do outro que andava com ar snob, este saltava. Não sei de onde vieram. Terá a ver com as chuvas. Certo. Mas onde estavam em tempo de seca?

Posso ainda acrescentar que à hora de almoço fui a um chinês comprar um alguidar de plástico. E acabei por trazer uma cortina de estrelas de luz piscante. Já está no varão da sala lá de cima, podendo ver-se do exterior. E eu, vendo as pipilantes estrelinhas, só penso que deveriam lá ficar todo o ano. Gosto mesmo de luzinhas. Fiz um vídeo e enviei para a família.

Também filmei a árvore de natal. A ver se amanhã a fotografo para vos mostrar. É tal e qual o que eu queria. Parece que finalmente o espírito natalício começa a aproximar-se de mim. Um dia destes tenho que me deixar impregnar um pouco mais para ir às compras. Parecendo que não é já para a semana que a coisa começa a atacar.

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E, pronto, fico-me por aqui para a bagunça não ser ainda mais irresponsável: comecei com a pseudo-mega-pila do Theo e, sem dar por isso, fui desaguar no natal, tema que deve ser abordado com alguma elevação, não assim, com este desnível. As minhas desculpas.

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Uma boa quarta-feira

Saúde. Serenidade. Paz.

quinta-feira, outubro 20, 2022

Calendário 2023 para quem gosta de animais
(racionais ou irracionais, de 2 ou 4 patas)

 

Não é lá por sentir que o tempo galopa a uma velocidade estonteante que, para mim, é como se o ano passasse a ter apenas cinco meses. Ná-na-ni-na-não. Tem doze que eu bem sei.

No entanto, agora que falo nisso também não seria disparate simplificar o calendário. A bem dizer bastaria que o ano contivesse apenas o mês do Carnaval, o mês da Páscoa, dois meses de Férias e o mês do Natal. Mais que suficiente. Poderia até alguns meses terem maior tamanho que os de hoje, poderia até funcionar em geometria variável. Quando estivesse a correr de feição a gente dava-lhe gás, meses de oitenta ou noventa dias. Quando estivesse fastidioso, atalhava-se e passava-se ao seguinte. 

Mas não é isso. Só aqui tenho cinco páginas de calendário por uma simples razão: para não maçar os leitores que preferem calendários no feminino, ie, calendárias. Para esses, quando a Pirelli se sair completamente à cena em toda a sua elegante sofisticação, está prometido que não deixarei passar a ocasião em claro. Aliás, hoje, já aqui, lá mais abaixo, levanto um pouco do véu.

Mas, enquanto não acontece a pirelliana revelação em todo o seu esplendor, fico-me por este. E, para quem estranhe a escolha, informo desde já que sou toda pela ecologia, pela natureza como toda a sua naturalidade. Calendário que é calendário deve retratar as nossas preferências estéticas. Claro que poderia ficar-me por céus e marés, lagos e cúmulos, montanhas que revelassem a solidão da alma dos montanheiros ou por multicoloridas e femininas borboletas, sempre tão efémeras e inocentes. Ou por belos e sinuosos rios ou por aprisionados vulcões prestes a soltar a franga. Mas não. A minha ecologia, no caso, verte-se em animais. E animais declinados em belos exemplares, masculinos e bípedes, afeiçoadamente próximos de igualmente belos quadrúpedes.

Não sei bem que mês cada um deles representa mas isso também não interessa para nada. Têm competência para representar condignamente qualquer mês.

Não sei se sabem tocar piano ou falar francês nem sei se sabem descer às profundidades do grego antigo ou se sabem desbravar o segredo das partículas elementares. Mas aposto que agarram a mangueira com viril convicção e apagam os fogos, de qualquer espécie, com uma perna às costas. E isso é virtude que merece ser enaltecida.










Um grupinho que a gente nem sabe dizer qual deles é que prefere. É como aquela coisa de alguém perguntar a outra se prefere um copo de tinto ou de branco e a outra responder: Cheio. É a mesma lógica. Qual deles preferes? Todos.

Mas, pronto, se tiver mesmo, mesmo, mesmo que escolher, então, vá, escolho o do cavalo. Mas vou já alertando que deixei cair o 'do' não porque prefira animais que andam em quatro patas mas, apenas, para não dizerem que sou uma velha assanhada. Ora. Tenho que zelar pela minha reputação.

Escuso de dizer que tudo isto para informar que o Calendário 2023 dos Bombeiros Australianos já está à venda e as receitas se destinam a ajudar causas meritórias. Por cá também tínhamos os garbosos bombeiros sadinos mas não sei se a causa se mantém de pé. Ou melhor, se a chama se mantém viva. (Puns obviously intended)
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Quando ao tema que me tem vindo a mobilizar nos últimos dias, acrescento apenas que a monda hoje não foi má de todo e, se é para dizer toda a verdade, então tenho que confessar que é viciante. Mal apanho uma aberta atiro-me a eles. Custa a parar. Há sempre mais e mais para apagar. É como nos gabinetes: fui virando minimalista até atingir o minimalismo perfeito. Armários quase vazios. Nas gavetas só lápis, canetas, creme para as mãos, um espelhinho, um perfuminho portátil, coisas simples. Nas prateleiras só coisas estimativas: revistas antigas do tempo em que as newsletters eram em papel e algumas coisas sem nada a ver. 

Ao todo creio que já apaguei à volta de uns catorze mil mails. Hoje estou já cansada dos olhos de ver tanta coisa, já não vou falar de duas coisas que a ver se conto amanhã: os blackberry que numa altura eram tão importantes, tão gadget, e dos quais já nem me lembrava e o mistério do roubo da carpete. Escrevo já aqui pois posso amanhã ver outras coisas e esquecer-me outra vez destas.

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Quanto ao Pirelli, aqui vos deixo um amuse-bouche

Models step up for the 2023 Pirelli Calendar

Fourteen of the world’s most high-profile and dynamic models including Karlie Kloss, Bella Hadid, Cara Delevingne and Emily Ratajkowski will feature in the 49th Pirelli Calendar shot by Australian photographer Emma Summerton


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Um dia bom
Saúde. Bom humor. Força aí. Paz.

quarta-feira, setembro 21, 2022

Todo bom

 


Olha-se e uma pessoa não pode deixar de pensar que aquilo ali, de alto a baixo, é tudo bom. É a forma como anda, é a forma como ri, a forma malandra como olha, é a voz, é aquele jeito nonchalant, são as dimensões e a respectiva proporção (embora, claro, eu só possa jurar sobre aquilo que me se tem dado a ver), é a harmonia do conjunto, é tudo. Tudo bom.

Agora anda todo fashionable, todo fora da caixa, todo a deixar toda a gente de olhos postos a ver se percebe. Eu só vejo por fotografia e, para dizer a verdade, tentar perceber é trabalho a que não me dou pois compro de qualquer maneira. Vestido de cor de rosa, vestido de verde. vestido de saia, de chapéu ou sem chapéu, é sempre o máximo. Despido também deve ser.

E depois tem aquela coisa: os homens interessantes melhoram com a idade. Tudo neles ganha um carisma e uma graça que parecem íman. Não dá para explicar. Os homens-meninas com a idade ficam flosôs, totós, umas gatinhas, mas os homens-homens, pelo contrário, encorpam, ganham patine, ficam com gostinho vintage, apetitosos de dar gosto. 

Ele, então... 

Tem 58 anos e nem imagino como estará quando tiver 70 ou 80. Um néctar, coisa premium, lindo de morrer. Só pode.

Acontece que o belo do Brad Pitt agora se saiu à cena com uma que ainda mais deixou toda a gente à nora: toma que também é escultor. E diz que é dos bons. Shockingly, Brad Pitt turns out to be a very fine sculptor. -- diz Jonathan Jones. E depois ainda tem o descaramento de pedir que o belisquem (Pinch me – I must be dreaming, diz ele). Na volta, quer é que o Brad o belisque. Como se não houvesse mais ninguém na fila. Julga que é chegar e pedir um beliscãozinho. É idoso? Está lesionado? Está grávido? Não...? Então que espere pela vez. Com cada um.

Mas só os críticos sem sabedoria podiam ser apanhados desprevenidos. Quem tem olhos de ver está fartinho de saber que o Brad é bom de mãos... Basta olhar e ver. Bom de mãos, mão de pegada. Bom de tudo. Parece que só não de dança. É pena mas, pronto, perdoa-se.

E eu, que não tenho vocação nem conhecimentos para ser crítica de arte, vejo-o na galeria, sorridente ao pé do Nick Cave ou todo gingão e a gozar o pratinho com a surpresa que está a causar, e só penso que deveria era haver um video com o making of daquelas peças, ele todo informal em casa, com sorte até todo à vista, podia ser até com uns shorts, condescendo -- uma sorte para quem visse.


Parece que fez estas peças para excomungar os fantasmas que tinha dentro dele. Não quero saber. Isso é lá com ele. O que sei é que se me sair o euromilhões vou à Finlândia buscar uma obra só para fazer uma selfie com ele. Sou realista quanto às expectativas, já me contento com uma selfie. Posso ser a única portuguesa, quiçá palop, a não ter uma selfie com o Marcelo mas, tomem e embrulhem, teria uma com o Brad, esse coisa mais fofa.

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E, para quem está para aí já de nariz torcido -- os homens, todos prosa, a acharem-se melhores que ele e as mulheres a roerem-se de ciúmes e a acusarem-me de ser toda oferecida -- aqui vai um atestado que posso mostrar a quem achar que estou a exagerar. Ah estou...?

Top 10 Movie moments that made us love Brad Pitt




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Um dia bom
Saúde. Sedução. Paz.

quinta-feira, setembro 08, 2022

Já há um novo 'rapaz mais belo do mundo'... e, caraças, é escandalosamente belo

 


Björn Andrésen tinha catorze anos, chamava-se Tadsio em 'A morte em Veneza' e nunca se tinha visto beleza tão inocente, tão perfeita... tão tentadora. As mulheres enlevavam-se. Os homens sentiam-se atraídos. Não sei se todos, se apenas alguns. Nem sei se todos o confessariam. A beleza do rapaz era talvez andrógina, talvez etérea. Um anjo atrevido, ambíguo.

Mas os anos passaram. Björn Andrésen tem agora sessenta e sete anos e é avô. O lugar de rapaz mais belo do mundo ficou em aberto.

E nem Brad Pitt, que se apresentou jovem e descarado e nos desinquietou em Thelma & Louise, conseguiu destroná-lo.

O lugar tem estado livre.

Mas já não está. 


Timothée Chalamet tem 26 anos, é lindo, talentosíssimo, premiado. Se calhar também tem qualquer coisa de andrógino e, se calhar, isso torna-o ainda mais atraente. Não sei. Pode ser que seja simplesmente muito belo. Mede 1,78m, tem olhos verdes e umas feições de menino. É o namorado preferido de todas as jovens, de todas as mulheres maduras e de todos os homens que gostam de rapazes bonitos.

Nos filmes em que o vi sempre me espantei com a intensidade, com a leveza, com a graça, com a agilidade elegante. 

Acresce que há nele qualquer coisa que faz com que possa vestir qualquer coisa. Apesar de um pouco desengonçado, tudo nele assenta bem. Pode ser um smoking, pode ser um casual, pode ser uma loucura qualquer. Fica lindo, insolentemente lindo de qualquer maneira.

Na Mostra de Veneza arrojou de vez, uma coisa nunca antes vista. Os fotógrafos ficaram malucos e não o largaram. E eu, se lá estivesse, faria o mesmo.


Lindo até dizer chega.

Timothee Chalamet | Beautiful Boy | Let It Unfold You by Bukowski


Top 10 Timothée Chalamet Movies


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E, se apreciam a beleza, queiram continuar a descer: abaixo umas longas pernas vos esperam

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Um dia feliz
Saúde. Beleza. Paz

terça-feira, abril 19, 2022

Parem tudo! Qual Tony Ramos, qual carapuça... Peludo, peludo é o Emmanuel Macron! Puxa...

 

Está uma pessoa todo o dia a trabucar, envolta em avaliações e em planeamentos, pontos de situação, qui-pi-ais e outras coisas que tais quando, no final da jornada, ao espreitar as notícias, dá de caras com uma peitaça peluda, coisa só vista nos épicos tempos do Tony Ramos.

Uma pessoa pisca e catrapisca os olhos, incrédula, dizendo para com os seus botões: Uóta-faque?

E, então, constata que não é alucinação, não senhor, está mesmo diante da mais improvável das situações: a peitaça é do Emmanuel e a frondosa pelagem preta também.

De perna aberta, todo sorridente, o manganão mostra-se assim ao mundo: jovial, quase informal, bonito, pronto para ofuscar, sem hesitação, a amiga do Putin. 

Depois desta fotografia não sei de que é os franceses, em especial as francesas, vão falar: se da idade da reforma se da inesperadamente cabeluda campanha de Macron.


Força, Macron! Dá-lhe!

sábado, outubro 09, 2021

Fantasias de uma mulher casada

 



Sobre o dia de hoje muito haveria a dizer mas, hélas, noblesse oblige, não posso. Portanto, tendo estado fora do circuito e desconhecendo o que por aí vai, para ter tema de escrita fico limitada a contemplar o meu próprio umbigo.

Melhor: não o dito cujo [que, por sinal, é 'muito bem feitinho', o orgulho da minha mãe que se gaba de me ter trazido bem apertadinha durante um mês, até que não ficou vestígio de nada à vista, tudo recolhidinho] mas outro tipo de umbigo. Claro que nunca perguntei à minha mãe se o aperto não me terá causado cólicas porque o que lá vai, lá vai. Tentei que os umbigos dos meus filhos também ficassem perfeitinhos, e ficaram, mas nunca apertei muito, assumindo cá para mim que, se eles viessem a protestar, lhes diria que tinha sido para seu bem. Felizmente, saíram bem e, portanto, não tive que usar aquele argumento sobre o qual, de resto, não estaria muito convicta pois não sei bem o que é isso de ser para o bem de cada um. Na volta, um mês de cólicas vale bem o ter, para o resto da vida, um umbigo perfeitinho. Sei lá. 

Mas, portanto, o que tenho a dizer não tem nada a ver com umbigos propriamente ditos.

Tem a ver, isso sim, com as estatísticas do blog. Mais do que quantas visualizações ou a partir de que países me visitam, gosto de ver as coisas que alguns Leitores escreveram nos motores de busca que fez com que viessem direccionadas para cá. Hoje, uma das expressões foi esta: 'fantasias de uma mulher casada'. Fiquei admirada: porque é que a google -- ou seja o que for -- manda para aqui toda a gente que não sabe fantasiar sozinha?

Mas depois percebi que há uns tempos escrevi mesmo uma historinha sobre Dita, a mulher casada com umas explícitas fantasias sexuais. Reli-me e achei-me muito pãozinho sem sal. Nitidamente escrevi aquilo a despachar só para não me arreliar com as coisas da política doméstica.

Sexo com dois ou mais homens é daqueles clássicos que mimetiza um outro clássico: um homem a fantasiar ter duas ou mais mulheres de roda de si. 

Contudo, nisto como para tudo nesta vida, para que as coisas produzam o efeito desejado, é preciso ciência. Ciência, imaginação and a touch of je ne sais quoi. Apenas improviso é bom às vezes, por acaso. Mas, se dá para o torto, é para esquecer. 

A ménage, seja de duas para um ou de dois para uma é daquelas que, só por si, pode ser uma valente carga de trabalhos ou, ainda pior, um tédio. 

Ou vem numa decorrência -- uma coisa que vai evoluindo, que começa por não ser nada para, aos bocadinhos, começar a desenhar-se qualquer coisa, uma coisa envolvente em que não são dois homens a servir uma mulher mas, antes, três pessoas que se desejam e que passam das intenções aos actos, tacteando, ousando, arriscando -- ou não vale um caracol furado, só serve para deixar todos desconfortáveis. Digo eu, claro.

É como aquilo do swing. Ir para um clube para experimentar um elemento de um outro casal é também daquelas que, em meu entender, só funciona com gente pouco exigente. Pode ser que, em idades pouco sofisticadas em que tudo o que vem à rede é peixe, a coisa possa parecer que funciona. Mas é treta. Fancaria. Claro que haverá quem garanta que poderá funcionar e ser um booster na boa disposição dos envolvidos mas, tenho para mim que, se não for bem gerido, pode é virar um belo pesadelo. 

A ser, tem que ser na base do afecto entre todos, um afecto tão verdadeiro que resista ao experimentalismo, à desconfiança, às comparações. Também digo eu de que, claro.

Mas estou em crer que, se calhar, as fantasias de uma mulher casada são, na maioria, de uma outra natureza. 

Mas são coisas de natureza muito inconfessável, daquelas de que mais vale nem falar, que, se calhar, até é bom que não se materializem não vá dar-se o caso de se transformarem numa xaropada sem pingo de graça ou de sofisticação. 

É que, também tenho para mim, coisas destas, para terem graça, devem vir envolvidas num mínimo de sofisticação. Deve haver romance, rêverie, bons modos (para além de uma boa pegada), demorada preparação e boa e cuidada execução -- deixando vontade de repetir (para aperfeiçoar). 

Poderia aqui dar alguns exemplos mas receio que, por falta de talento (e de liberdade de expressão), ao transformar fantasias gostosas e privadas num conjunto de palavras normais, as calientes fantasias virem uma pornochanchada. E isso é que não, caraças.

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E estou a escrever isto e a pensar que os meus filhos lêem as macacadas que para aqui escrevo. Às tantas, a esta hora, estão preocupados. Daqui vai, para eles, o meu disclaimer: descansem que a mãezinha não é dada a aventuras, a ménages, a swings, a órgias, muito menos a coisas ainda mais ponteagudas ou cabeludas. Zero. A mãezinha o que tem é uma imaginação desbragada na ponta dos dedos. Ofereçam-lhe um título que a mãezinha logo escreve uma redação. E é isto que a mãezinha acabou de escrever: uma redação que saiu assim mas que poderia ter saído assado.

Nada a fazer, já sabem. A mãezinha é um caso perdido.

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PS: Claro que os meus filhos não me tratam por mãezinha. Haveria de ter graça...

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A primeira, a segunda, a terceira e a sexta fotografias são de Mario Testino que os sabe escolher a dedo. A segundo mostra os fotógrafos Mert Alas & Marcus Piggott, ao que parece com Miley Cyrus. A quinta mostra Jeanne Moreau no filme Jules et Jim. E a última, obviamente é de Robert Mapplethorpe

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Um belo sábado

Tudíssimo de bom