Esta tarde choveram cães e gatos, granizo e toda a espécie de actos de deus (como se diz em gíria jurídica). Isto incluiu uma trovoada violentíssim que colocou o cão a tremer, encostado a mim, e que deitou a eletricidade abaixo.
Tinha deixado o computador em cima de uma mesinha junto a uma porta/janela. Acabámos de almoçar antes que a casa viesse abaixo tamanha a carga de relâmpagos e trovões.
Quando regressei à sala, chovia copiosamente. Provavelmente as telhas entupidas com caruma. Não sei. Só sei que a água caía em cima do computador... Sequei e fiz o que podia (sem secador e sem poder usar qualquer coisa que o secasse, pois a luz custou a vir), agora parte do teclado não funciona. Na prática, não posso usar o computador.
Portanto estou a fazer isto no telemóvel, com as limitações que isso tem.
Explico também que o meu marido escreveu o texto abaixo nessa altura, ou seja sem ter visto o arranca-rabos que o execrável taberneiro desencadeou na AR e antes da votação. Quando vínhamos no carro ao fim do dia, ouvíamos a pouca vergonha que o cavernícola Ventura provocou. Ao ouvir as estúpidas bacoradas, disse que, à noite, acrescentaria uns pontos ao texto. Só que se meteu isto e aquilo e, entretanto, adormeceu. Portanto, o texto segue como ele o escreveu.
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Ontem o Luís, na AR, encheu-se de brios e explicou ao Ventura que a ditadura é corruptiva e geradora de corrupção, ao contrário do que acontece com a democracia. Esteve bem neste particular. Tenho para mim que só se atirou ao André porque sabe que a direção do PS é gente de palavra e, no seguimento da decisão que tomou, vai mesmo abster-se na votação do orçamento na generalidade. Precisasse o Luís do André para o orçamento passar e meteria a viola no saco para não o "chatear". Temos visto que o Luís só chateia mesmo o André quando não prevê grandes consequências do ato.
A triste "cena" da burka é elucidativa e vir dizer que aprova a lei por questões de segurança é ridículo. Será que alguém já viu mais do que uma pessoa com burka em Portugal? Um dos problemas do Luís é que, dizendo de vez em quando coisas acertadas sobre a democracia, a forma como entende a prática e a ética democráticas quando os seus atos estão a ser julgados está nos antípodas do que apregoa. Para ele, a democracia é porreira desde que, por exemplo, não implique o escrutínio dos atos do PM Luís Montenegro. Para ele, a ditadura é um problemazito quando se trata de ser mais papista que o papa e trazer para a ordem do dia assuntos que são bandeiras do André numa tentativa de caçar votos aos apaniguados do taberneiro, independentemente dos assuntos serem mais relevantes em regimes autocraticos do que em democracias maduras.
Na verdade, entre aquilo que o Luís diz e aquilo que o Luís faz há uma enorme diferença que, manifestamente, não abona a favor do Luís. É o Luís que temos. Não me parece que seja o Luís que merecemos.
Após o congresso laranja, após a novela do orçamento (que me parece ir continuar na especialidade), após as acusações entre o Ventura e o Montenegro, após a atuação do PSD e do governo, confirmo a minha opinião de que esta gente não sabe governar, muito menos na situação de minoria em que se encontra (situação essa que ainda não interiorizaram).
Senão, vejamos:
Como é possível que o líder parlamentar do PSD seja constantemente mal educado e arrogante para as oposições? O que ele afirma e como afirma são de uma arrogância e de uma falta de educação que dizem bem da forma como o PSD se posiciona.
A birra do Rangel com chefias da Força Aérea, em público, revela que não deve ser ministro quem quer. É preciso saber estar e não mimetizar, nas cerimónias públicas, os histerismos exibidos anteriormente em comentários televisivos. Deplorável!
Mas a arrogância é também constante nos discursos do Montenegro (por exemplo, o que disse sobre os jornalistas teria dado origem a uma revolta das redações no passado recente), na forma como se recusa a responder aos jornalistas quando não lhe interessa abordar assuntos difíceis ou nas intervenções parlamentares.
O Moedas é outro exemplo acabado do mesmo.
A falta de ética revela-se em muitas coisas, como por exemplo, no que o Sarmento disse e contradisse sobre as contas públicas.
Mas nada me parece mais desprezível do que apropriarem-se de medidas do PS afirmando "à cara podre" que são do PSD, sem referirem nem ao de leve que as mesmas já existem. O Montenegro voltou a fazer a mesma coisa no congresso do fim de semana.
Mas não se ficam pela apropriação de ideias e iniciativas do PS. Como estão a apostar em eleições, também apresentam medidas suportadas em "ideias" do Chega, sem o referirem, para ver se conquistam os votos da extrema direita. Para o PSD tentar ganhar eleições vale tudo, até "tirar olhos".
Sobre incompetência também estamos falados.Basta relembrar as Ministras da Saúde e da Administração Interna e os Ministros da Defesa e da Educação (afinal bastava mudar de governo para não haver problemas no início das aulas e continuamos a ter dezenas de milhares de estudantes sem professores).
Relativamente à "alergia â verdade" o rol é extensíssimo mesmo que nos detenhamos apenas no Montenegro.
O que disse e desdisse sobre o choque fiscal, sobre o tempo necessário para a resolução dos problemas da saúde e da educação, sobre o crescimento da economia na legislatura em que assentou todo o programa económico (e que em seis meses passou de 3,4% no último ano para 1,8% e cuja média é inferior à media durante os governos do PS, mesmo tendo havido uma pandemia), a desfaçatez com que toma como suas medidas alheias ou "o não é não" que afinal termina numa proposta de acordo com o Chega (estou convencido que neste caso quem falta menos à verdade é o Ventura) são as exemplos mais do que suficientes para confirmar que existe uma enorme "alergia à verdade" neste governo.
Eu sei que a comunicação social tem levado o governo ao colo e que a única coisa que o Montenegro tem feito é distribuir dinheiro a torto e a direito. A comunicação de direita presente nos meios de comunicação que desancou e desanca o PS continua ativa e nos mesmos sítios, mas caramba, será que a oposição, em vez de se deixar enredar pelo PSD e pela comunicação social, não tem bastas razões para fazer politica à séria e demonstrar a ineficácia e a vacuidade do governo? Tem com certeza!
Estava a ouvir o Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer quando João Miguel Tavares, a propósito da atitude dos partidos sobre a decisão que iriam tomar aquando da votação relativa ao Orçamento, usou a metáfora da comparação de pilas. Diz ele que até parece que quem vote contra com mais veemência será quem melhor faz oposição. Nesse contexto, naturalmente os principais intervenientes seriam Ventura com o seu rotundo não e Pedro Nuno Santos que, depois de enunciar todos os motivos para votar contra, aplicou-lhe um 'não obstante' e comunicou que a sua decisão será abster-se.
Nesse momento, Pedro Mexia, sempre com aquele seu ar de quem não está nem aí, se sai com a observação que acima citei. Claro que desatei a rir. Nem mais. E bate muito certo com o que ontem escrevi.
Mas, seguindo no carril das pilas e, na senda do que em tempos escrevi sobre alguma malta que, na nossa política, por aí anda a padecer de ejaculação precoce, uma pergunta faço eu: se é apenas na 2ª feira que Pedro Nuno Santos vai propor à Comissão Política o voto abstencionista do PS, porque é que já fez o anúncio ao País com pompa e circunstância como se já houvesse uma decisão oficial e escriturada?
Não está a desvalorizar completamente a independência e relevância da Comissão Política do PS? O que lá vão fazer? Missa de corpo presente? São meros verbos de encher?
Passo por cima da sacanagem suprema da PGR (com ou sem o respaldo do Marcelo) ao empurrar António Costa do Governo, passo por cima da campanha vergonhosa que Marcelo fez contra o PS e que culminou nas dissoluções da Assembleia da República -- e dirijo-me directamente à escolha do sucessor de Costa.
Se tivesse aparecido, por exemplo, uma Mariana Vieira da Silva, não teria dúvidas em achar que seria uma excelente líder para o PS. Assim, entre Pedro Nuno Santos e José Luís Carneiro, se eu fosse militante do PS, teria votado no segundo. Parece-me mais ponderado e melhor posicionado para dar resposta aos anseios da classe média, seja à instalada seja a que pretende lá chegar.
Na altura das eleições, pareceu-me que Pedro Nuno Santos (PNS) não estava a perceber que o PS não tem que tentar agradar ao eleitorado do PCP e do BE tanto mais que este eleitorado está cada vez mais reduzido. A população que decide eleições e que deveria ser o alvo das propostas do PS posiciona-se em quadrantes que PNS parece ainda não ter compreendido bem.
PNS parece também ainda não ter compreendido que, ao deixar a resposta aos anseios dos jovens e da população mais qualificada para outros partidos e ao estar essencialmente conotado com a camada etária mais sénior, está a traçar aquele percurso que leva, devagarinho, à irrelevância.
E as eleições confirmaram isto que estou a dizer. E, ainda que à tangente, foi a AD que levou a melhor. Conseguiu-o com base em acusações pouco sérias e populistas e em promessas vãs e falsas mas já se percebeu que a malta, em especial os menos informados, gostam é de quem lhes promete o céu e mais um par de botas.
Claro que Montenegro, ao armar-se em campeão e ao achar que podia governar à vontadinha, também começou, logo na noite das eleições, a trilhar o caminho da próxima crise.
E Pedro Nuno Santos ao enunciar logo, a quente, uma série de determinações, começou a mostrar um problema de que padece (de forma, aparentemente, incurável): uma tentação irreprimível de dar tiros nos pés.
Seguiu-se o que se tem visto: o Governo a cavalgar os bons resultados deixados pelo PS mas, sempre que pode, desavergonhadamente a querer ficar com os louros, anunciando grandes medidas como suas quando praticamente estavam todas em curso ou em vias disso no governo de António Costa. E, noutros casos, dá o dito por não dito, não conseguindo resolver o que dizia que resolveria em 60 dias. E já nem falo nos saneamentos políticos, geralmente precedidos de ataques e humilhações, por vezes públicos, aos saneados.
E depois, quando têm ideias das quais fazem bandeira, percebe-se que são ideias obtusas, ineficazes e que conduzem a desequilíbrios nas contas (exemplo disso é a isenção do IMT para jovens que levou a uma subida do preço das casas ou a maior burrice de que há memória e que dá pelo nome de IRS jovem em que, como as notícias têm dado conta, dará borlas de dezenas de milhares de euros a futebolistas ou a todos os 'jovens' que têm bons ordenados).
Face a isso como tem agido PNS?
Frequentemente tropeça nas próprias pernas, ensarilha-se em argumentos palavrosos, anuncia coisas desnecessárias, frequentemente tendo que voltar atrás. Por exemplo, em vez de esperar para ver o Orçamento e só depois se pronunciar, enfiou-se numa saia justa ao reduzir o seu critério de decisão a duas medidas, depois reformulou e já eram essas duas, mas atamancadas, mais três a reboque, e depois já nem se percebia bem o que queria.
Já se percebeu que o Governo da AD é fraco, em algumas pastas, escandalosamente fraco, assenta em pressupostos errados e disparatados e não vai levar a lado nenhum. Pelo contrário, atira dinheiro a rodos para cima de meio mundo, traça políticas que não alavancam estímulos à economia e que desequilibram as contas e, afinal, em vez de estimular o crescimento do PIB (coisa em que o Sarmento, com base em fezadas, apostava), agora aponta para um PIB anémico e estagnado.
Face a isto, qual a posição do PS?
Custa-me dizer isto (e custa-me especialmente porque acho que ele é esforçado e, sobretudo, parece-me uma pessoa pura) mas o que vejo é que PNS mostrou não ter arcaboiço ou estaleca ou o que queiram para desmontar de forma cabal o que ali está e para se afirmar assertivamente perante o eleitorado, perante o País.
Se houvesse eleições agora -- com a capacidade de comunicação do Governo, uma boa capacidade, e a boa imprensa que tem (a mesma imprensa babosa e, por vezes, sabuja, que ajudou a deitar abaixo o PS e que levou o PSD ao colo) e com a inabilidade de PNS --, não seria claro que o resultado fosse estável e favorável ao desenvolvimento sustentável.
Um líder forte, de ideias bem estruturadas, provavelmente não se tinha enfiado no labirinto em que o PNS se meteu e, provavelmente, avançaria de peito feito para o que desse e viesse não deixando passar o OE. Mas não é o caso.
Assim, tomou a decisão que se encaixa neste panorama: depois de dançar o vira e o corridinho ao longo de não sei quanto tempo e, mesmo hoje, quando falou ao País, chegou ao fim da comunicação e, numa pirueta, anunciou que vai deixar passar o OE e deixar que o Montenegro passeie no parque por mais um ano e tal ou dois.
E eu, com o PNS como Secretário-Geral do PS, acho que a decisão não podia ser outra. Pelo menos, pode ser que haja tempo para uma de duas: para ver se amadurece e atina ou, alternativamente, para o PS pôr uma pessoa mais focada e mais estruturada no lugar dele.
Um dia os militantes do PS irão perceber que esta mulher tem tudo para ser uma grande líder. Nessa altura, os portugueses perceberão que dificilmente haverá melhor primeiro-ministro.
Nota: André Coelho Lima também com uma postura muito correcta. E Pedro Mourinho, um bom moderador.
PS: E atenção ao elevado nível de cativações (parece que o maior de sempre) no OE do Sarmento Pança, o mesmo menino que antes tão crítico era das ditas. E atenção à discrepância de valores e de previsões entre o que os espertos da AD apresentaram no programa eleitoral e o que agora apresentam a Bruxelas. Um dia vai ficar bem claro os vendedores de banha da cobra e os tangas que são.
Debate a ver todas as 4ªas feiras, a seguir às 21h (não sei exactamente a que hora), no Now.
Ventura refere pormenores, dá datas, horas, locais, diz quem é que pode testemunhar a veracidade do que diz, relata o que Montenegro disse, nomeadamente a forma desagradável como se referia a Pedro Nuno Santos ou a sugestão para que Ventura saísse de S. Bento pela porta das traseiras.
Por muito questionável que seja o comportamento usual de Ventura, tenho muitas dúvidas que fosse capaz de inventar uma coisa destas, olhos nos olhos, de frente para as câmaras, com tanto pormenor e com informações que, se não forem verdadeiras, facilmente poderiam ser desmentidas (como Ventura refere, tem no seu telemóvel os telefonemas recebidos da parte de Montenegro ou do seu Chefe de Gabinete, e há todo o staff de S. Bento que pode confirmar a presença de Ventura nas datas que ele refere.
E depois há outra coisa: não é Montenegro também useiro e vezeiro a faltar à verdade? E a fazê-lo com o maior descaramento? Não foi ele que veio apregoar um colossal choque fiscal que, afinal, não era nada daquilo? E quantas vezes já o apanhámos a jogar com as palavras para parecer que não disse o que todos dissemos? E não se aproveitou, à socapa e pela calada, os bons resultados da governação socialista? E não permitiu ele que o seu Sarmento Pança viesse dizer mentiras a propósito das contas públicas?
Poder-se-á dizer que Ventura é um populista compulsivo, que sabe cavalgar a onda do medo tão fácil de instilar nos menos informados, que é capaz de dar o dito por não dito para se manter sob a luz dos holofotes, que parece que tem por intuito rebentar com o regime.
Mas a ser verdade o que agora diz, se de facto se provar que Montenegro se portou de forma pouco séria, que é um mentiroso descarado, não vem isso reforçar o que já se vem percebendo na conduta do Primeiro-Ministro? E pode ter-se um Primeiro-Ministro em que não se pode confiar?
Pela parte que me toca, acho muito desagradável.
Talvez o mentiroso, seja ele qual for, esteja bem para o tal outro que tinha reuniões com um jornalista, relatava jantares, confidenciando o que um e outro tinham dito, chegava até ao pormenor de dizer o que se tinha comido, uma bela vichyssoise... e, afinal, era tudo mentira, aquele jantar nem sequer tinha acontecido.
Marcelo dá dois passos e, se lhe puserem um microfone à frente da boca, diz 'os portugueses não perceberiam', 'os portugueses não querem' e todas as declinações possíveis do que 'os portugueses querem'. Depois vem o Marques Mendes e com aquele seu ar sonso e bonzinho, enche o peitaça de ar e diz 'os portugueses não iam compreender' e por aí continua, repetindo o mote que o chefe Marcel lançou. E depois vêm todos os outros e outras que, dentro da bolha, esbracejam, nadam, andam de boca aberta, em carneirinho, repetindo-se uns aos outros, e o mantra é sempre o mesmo: 'os portugueses não iam compreender', 'os portugueses não querem eleições'.
Na bolha respiram o ar uns dos outros, o ar viciado, e aparentemente também se alimentam do que uns e outros mastigam. Inteligência circular -- infelizmente, sem oxigénio a evitar a putrefacção.
Não é que alguém com dois dedos de testa goste de andar sempre em eleições. Não gosta -- mas também não as teme. E a isto chama-se pragmatismo. Apenas pragmatismo.
Se estes que por aí andam, na praça pública, a insultar-se uns aos outros (catavento, mentiroso, quis negociar comigo, não quis nada negociar com ele, mente, mente) assim continuarem, sem que ninguém se entenda, uma pouca-vergonha, e, nos intervalos, se o Luís Mentenegro mais o seu Sarmento Pança continuarem a distribuir dinheiro a rodos, despejando money para cima da malta toda, aumentando a despesa pública à cara-podre como há décadas não se via, e se virmos que não passa disto, então não será preferível que se tente encontrar um quadro político mais equilibrado?
Marcelo não deveria ter previsto este caldinho, este granel, antes de andar a dissolver Assembleias, antes andar a destruir maiorias absolutas, antes de obrigar a malta a andar a votar sem necessidade nenhuma? Claro, claro que devia. A Marcelo se deve este lindo panorama.
O que eu gostava é que os directores das televisões percebessem que a malta da bolha já fede e lhes desse uma corrida em osso. É que da boca deles já só sai jaca, ainda por cima jaca regurgitada.
Depois da gravidade das declarações de Ventura durante a entrevista concedida ao Pedro Santos Guerreiro, há pouco, na TVI/CNN, acusando Montenegro de ser um mentiroso encartado, tendo mentido gravemente aos Portugueses durante o 'passeio no parque' de mão dada com a não-jornalista Maria João Avillez, já Montenegro e vários dos seus ministros vieram a terreiro negar veemente o que Ventura revelou, acusando-o a ele de ser um mentiroso desesperado.
Mas eu, por muito que me custe dizê-lo, não ponho as mãos no fogo por nenhum deles.
É que uma coisa era haver um entendimento tacitamente aceite entre a AD e o PS (como houve no tempo da geringonça, entre o PS, o PCP e o BE) e o Orçamento resultava do alinhamento de algumas linhas de convergência, e outra, bem diferente, é a que se verificou, com o PSD (apesar da raquítica maioria que não lhe dá para nada) a andar para aí a cantar de galo, desafiador, rufia, sarrafeiro, armado em todo-poderoso, fazendo o orçamento sozinho, agora querer à viva força que o PS o aprove.
Claro que Pedro Nuno Santos não esteve bem ao reduzir o tema da aprovação a duas linhas vermelhas, dois aspectos específicos. Entre mil tópicos, reduziu o tema a dois. A partir daí ou o Governo ajoelhava e rezava ou a coisa tinha tudo para infectar.
Um orçamento contempla decisões em todas as áreas da governação e nem todas podem ser pacíficas. O Governo pode ter posto no OE toda a espécie de cavaladas. Veja-se qual a ideia do Governo para a RTP, uma canalhice pura e dura. E quantas mais medidas do género podem estar subjacentes ao orçamento?
Por isso, ou o Orçamento, no seu todo, tinha sido mais ou menos alinhavado entre a AD e o PS, ou a única decisão inteligente, em meu entender, seria esperar para ver: analisar cuidadosamente todas as medidas, todas as contas, e, então, com perfeito conhecimento de causa, tomar uma decisão.
O comentador Marcel e o seu amigo Mendes, a Madame Avillez, as comentadeiras a granel que, quais térmitas, saem de debaixo dos balcões para corroerem a opinião pública, podem não gostar. Azarinho. Já a comentadeira, mini-fonte-de-belém, Ângela Silva tinha escrito 'Despachem o Orçamento que Marcelo quer despachar o Almirante'. E agora, com esta decisão do Pedro Nuno Santos, ainda não sabem como é que isto vai acabar e isso maça-os.
Claro que o desaventureiro Ventura, que num dia veste a pele de baderneiro, noutro de taberneiro e, nos intervalos, ensaia o papel de estadista, prepara-se para se mostrar muito responsável. Estará a AD bem entregue se o OE passar com os votos do Ventura...
Enfim, está a cegadinha armada. Mas outra coisa não seria de esperar com a mais do que anémica vitória obtida pela AD e pela falta de noção de Montenegro que gosta de se armar em campeão, esquecendo-se que tem uma maioria menos do que relativa e não mais do que absoluta.
Para quem goste de ouvir pessoas inteligentes, sugiro que se veja Mariana Vieira da Silva no NOW.
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De qualquer forma, penso que a sugestão que fiz no post abaixo se mantém válida. Ponha-se essa maltosa a dançar em vez de nos maçarem com conversa fiada:
Na quinta-feira assistimos a mais um episódio da novela do orçamento, cujo guião é da autoria do comentador Marcelo. Segundo os outros comentadores deste reality show, parece que a coisa se irá compor e que vamos ter um final feliz. Segundo terminologia de antanho, finalmente o cowboy irá casar com o cavalo. O bom da fita (o Montenegro claro, quem havia de ser para os comentadores do costume?) vence o mau (o Pedro Nuno, quem havia de ser para os nossos comentadores do costume?), que no final até acaba por ter um gesto de simpatia e atira uma corda ao bom da fita para ele poder continuar a fazer o que manifestamente não sabe, que é governar.
Sendo verdade que em termos de comunicação, o Luís deu cinco a zero ao Pedro, não partilho da opinião que houve, até agora, uma vitória folgada do Luís. É certo que o que se consegue transmitir é importante, e aí o Luís venceu, mas também não é menos certo que recuou numa das medidas bandeira do governo e deu um passo atrás -- provavelmente para tentar depois dar dois passos à frente (teoria que já foi muito do agrado do Durão Barrosos) -- no caso do IRC.
Quem definiu a estratégia de comunicação do PS e pensou que a Alexandra Leitão era quem devia transmiti-la melhor fora que, nesse dia, tivesse ido à praia tomar um banho de água gelada para refrescar as ideias. Um pessoa que diz em vinte cinco palavras o que podia dizer em cinco não é, naturalmente, alguém que pode transmitir com eficácia uma ideia.
E o Pedro Nuno também tem muito que aprender em termos de comunicação, assim, não vai lá. Enredar-se nas questões e fazer quase tantos comentários sobre a aprovação do orçamento como o Marcelo, também não foi boa ideia. Vi, por exemplo, o Francisco César falar sobre o assunto e deu cinco a zero ao Pedro Nuno e à Alexandra.
Na minha opinião a coisa devia ter sido feita de forma mais simples. O Montenegro que apresentasse o orçamento e, até lá, o PS não falava no assunto concentrando-se nos problemas do País. Será que, por exemplo, ter havido dezenas de grávidas que tiveram os filhos nas ambulâncias não deveria merecer mais atenção do PS? Mas não. Deixou-se enredar na teia montada pelo PR, pela AD e pela comunicação social e tem muito mais dificuldade em descalçar a bota. Deveria ter aguardado pela apresentação do orçamento, pronunciar-se e apresentar alternativas.
O Montenegro só agora deve ter percebido que o IRS Jovem era um burrice que não acabava e que tinha que pôr de lado esta "bandeira" que lhe traria fenomenais enxaquecas. Mas quer os comentadores queiram quer não, e aos comentadores exige-se capacidade de análise, andar em campanha eleitoral e no governo a endeusar uma medida que se deixa cair na primeira oportunidade não é seguramente uma vitória, é uma derrota porque revela que não se pensa no que se propõe nem se cumpre o que se promete.
Já agora, à laia de aparte, cuidado Montenegro, que, ontem, o Abel "qualquer coisa", salvo erro diretor do Observador, comentador da CNN e grande contribuinte para as notícias que desacreditavam o governo do António Costa, já começou a dizer que afinal o Montenegro estava a fazer o mesmo que o governo do PS.
Já agora talvez o governo pudesse começar a governar para todos perceberem ao que vem. Governar é tomar medidas e não apenas passar cheques.
Se o PS chegar a um entendimento com a AD sobre o IRS Jovem e sobre o IRC, Pedro Nuno Santos assina já, de cruz, a passagem do OE2025? Percebi bem? É isto?
E se a Cultura passar a 0%? E se as verbas da Saúde forem todas desviadas para o Privado? E se as verbas da Educação sofrerem um corte de 50%?
São exemplos apenas para demonstrar, por absurdo, que me faz muita espécie que alguém assine de cruz o que quer que seja.
Percebi que, para o PS, havia duas linhas vermelhas: o IR Jovem nos moldes em que a AD queria e a descida do IRC. E, no meu entendimento, isso queria dizer que se essas duas medidas lá estivessem, nem olhava para a proposta de OE. Se essas medidas lá não estivessem ou se estivessem com umas variantes aceitáveis, então, o PS analisá-lo-ia, podendo ou não deixá-lo ou não passar, consoante o que lá encontrasse.
Agora um cheque em branco...?
Não percebo.
Ou então, como no caso anterior, se calhar não estou a ver bem a coisa.
Ia no carro e ouvi-o a dar as mais descabeladas desculpas para não ir à Estónia e à Polónia. Dizia que tinha a ver com o momento que se vive a nível das ditas negociações AD/PS para o Orçamento. E depois entaramelou-se numas justificações esfarrapadas em que nem ele deve ter percebido o que disse.
Mas, se ainda o orçamento nem foi apresentado, que conversa é esta?
E passa a vida a falar em nome dos Portugueses ('os portugueses não compreenderiam se eu fosse para longe e a Estónia e a Polónia são muito longe'). Como é que ele sabe o que os Portuguesas pensam ou deixam de pensar? Não sabe. E que mal faria se por exemplo fosse para a Cochinchina? Se lá houver rede e puder ser avisado de que um Eléctrico bateu num carro no Chiado ou que houve um princípio de incêndio quando uma senhora queimou uns papéis no quintal, não é o suficiente?
O que é que este Marcelo pretende ao andar por aí a gritar, há meses, que vem aí o lobo? Ameaça num sentido, ameaça num outro, lança confusão, fala ele, fala a fonte de Belém, e por aí andam todos a bater bolas, ele mais o aka-ele e mais os comentadores. E agora dramatiza e cancela visitas...
Nada diz faz sentido. Ou faz? Serei eu que estou a ver mal as coisas?
Marcelo, esquecendo que é mestre em dissolver a Assembleia sem nenhuma necessidade disso -- apenas porque tinha essa 'fisgada' já que andava mortinho por tirar o PS do Governo --, agora anda por aí 'ó tio, ó tio' com medo de acabar o mandato a dissolvê-la outra vez, desta vez sem querer.
Então, andando, como sempre, pela rua a distribuir beijinhos e a fazer selfies e, pelo meio, apanhando-se com microfone à frente da boca, manda bocas: diz ao Governo que tem que perceber que o interesse do País está acima do programa do Governo e diz ao PS que tem que compreender que não é Governo e que, se o 1º e o 2º partido não se entendem, vai ficar o poder de decisão para o 3º partido. E se o 3º partido quiser não decidir, sobra para ele. Dá vontade de lhe perguntar: 'Ah é... e só agora contaram pr'a você, foi...?'. Não pensou nisso quando criou este caldinho? Agora que esta gentinha desqualificada da AD por aí anda aos papéis e agora que o Chega chegou aos 50 deputados é que anda aflito...? Não pensou antes nas previsíveis consequências dos seus actos?
Entretanto, as televisões continuam a mostrar uma porção de Urgências fechadas. Passam os meses e nem Montenegro nem a sua Madame Arruaceira da Saúde conseguem resolver o que, na campanha eleitoral, garantiam que eram favas contadas, em 60 dias resolviam tudo. Já decorreu meio ano, já correram com meio mundo... e o que se vê é que não resolvem coisa alguma. Nada. Uma zaragata pegada com a ministra a arranjar confusão com todos e as mulheres a parirem nas ambulâncias que é uma vergonha.
Quanto à Habitação, com a medida estúpida de isentar de IMT as casas para os jovens (jovens até aos 35 anos, leia-se, sejam eles podres de ricos e sejam as casas do melhor que há) o que aconteceu é que o preço das casas disparou. Ah pois é, bebé, aumento de cerca de 8%. Ter gente sem cabeça a governar só dá nisto, tiros nos pés atrás de tiros nos pés.
Da Educação, o fofo do Ministro, com aquele seu sorriso fofinho e gosto por falar para o público, por aí anda em digressão. Milhares e milhares de alunos sem professores, cerca de 150.000 alunos neste momento, e ele por aí anda, na boa, todo stand up, todo contente.
E da Administração Pública e da Justiça nem se fala, uma desgraça sem tamanho. Da primeira, então, até dá vergonha (vergonha alheia) a gente falar. Uma pouca sorte.
Aquela do Trabalho e da Segurança Social, a mana da Margarida Rebelo Pinto, depois de destratar a Ana Jorge e despedi-la por não ter entregue um plano de reestruturação para a Santa Casa, escolheu um que diz que quando resolver as coisas logo diz qual é o plano. Gozão. E, com este, a ministreca engole e cala. Surreal.
Quanto aos outros nem se sabe o que andam a fazer. Excepção para o Nunelo de Olivença que dá ideia que não tem os alqueires bem medidos e que mais valia que não abrisse a boca.
É uma parvoíce andar sempre a votar...? Pois, se calhar é. Mas enquanto não houver uma solução estável e capaz e enquanto tivermos um PR que é um brincalhão, qual a alternativa?
Face a este lindo panorama, quem é que tem medo de ir a eleições?
Eu, se fosse ao PS, não tinha. Para a frente é que é caminho.
Seja como for, não me apetece falar mais nisto. Já falei hoje até dizer chega (é só passar ao post a seguir a este).
Vou antes ver pintura. Gosto desta pintora. São delas as pinturas que escolhi para atenuar a secura do texto.
Montenegro e os inteligentes que o rodeiam, mormente o crânio cabeludo que dá pelo nome de Nunelo de Olivença, ainda não perceberam que não conseguem aprovar sozinhos o que quer que seja?
O que é que essas luminárias pretendem (e notem bem: diplomática como sou, não os tratei por alimárias)? Aparentemente pretendem fazer o que lhes dá na bolha e que alguns dos outros partidos fechem os olhos, tapem o nariz e lá vai isto, sapo ou sapalhão pela goela abaixo. Mas a que propósito é que os outros partidos fariam isso? Por masoquismo? Mas alguém visualiza algum partido na Assembleia que tenha comportamentos masoquistas? Eu não.
Diria eu, e penso que dirá qualquer um que tenha dois dedos de testa, que o normal seria que Montenegro escolhesse a quem se arrimar e, em articulação com outro ou outros partidos, conjugando opiniões e convergindo no que fosse possível, arranjasse um chão comum em cima do qual se conseguisse construir qualquer coisa. Foi isto que António Costa fez com o PCP e com o BE (e que funcionou bem até o PCP e o BE roerem a corda) e é isto que meio mundo faz por essa Europa afora, Civilizadamente negoceia-se, trabalha-se de forma leal e inteligente.
Montenegro -- parolo, pacóvio, saloio (como o seu correligionário Marcelo o caracterizou) e com sérias limitações a diversos níveis -- não percebeu isto. Não quis arranjar um entendimento nem com o PS nem com o Chega, os dois partidos que, pelas percentagens que tiveram, poderiam, em conjunto com a AD, conseguir fazer passar as coisas no Parlamento.
Se quisesse fazer passar o Orçamento, Montenegro teria trabalhado em conjunto com um dos dois, ou com o PS ou com o Chega. Teriam arranjado um entendimento, teriam um plano de acções para 2025 e, com base nisso, teriam feito contas, ou seja, as contas para o OE 2025.
Ora, pelo que se sabe, Montenegro não fez nada disto.
O que se passa é uma palhaçada.
Toda a gente diz que ir para eleições é uma estupidez mas eu acho que andarmos nisto é uma estupidez ainda maior. Montenegro tem revelado não ter cultura democrática nem capacidade para funções tão exigentes como as de primeiro-ministro. Estou a centrar o assunto no Montenegro pois todos os outros do PSD são ainda piores que eles e a AD é o PSD e mais nada já que do lado do CDS só vem disparate. E nenhum deles tem a humildade democrática para trabalhar em parceria com outro partido.
Ouço os comentadeiros do costume já a defender um acordo com o Chega. Mas o Chega, que um dia diz uma coisa e no outro diz outra, diz que aprova um Orçamento se participar na sua elaboração (o que não é nenhum disparate). Ou seja, se trabalhar em coligação com a AD e, em conjunto, construírem um novo orçamento. Ora Montenegro afirmou preto no branco que não é não. Ora se não é não, Montenegro dará uma corrida em osso ao Ventura.
Portanto, pântano mais pântano duvido que haja.
Eleições? Ouço meio mundo a achar que deveriam ser evitadas. E, em abstracto, uma overdose de eleições não é coisa boa.
O Dissolvente Marcelo, que -- não nos esqueçamos -- arranjou todo este caldinho, deve estar a tremer nas canetas sem saber o que fazer face à barracada a que todo o país está a assistir.
Havendo chumbo, não vejo que Montenegro e o inacreditável Sarmento a serem capazes do golpe de rins ou do golpe de asa suficientes para rapidamente gizarem um novo Orçamento capaz de passar na AR. Mas, mesmo que consigam dar uma cambalhota e apresentem qualquer coisa, pelo que já se viu até aqui (leia-se: despudoradamente vangloriarem-se de medidas alheias, avançarem com iniciativas avulsas e que ameaçam o equilíbrio das contas públicas, trapalhadas atrás de trapalhadas, saneamentos políticos em barda com nomeações partidárias como não se via desde a euforia cavaquista, mentiras em cima de mentiras, desgoverno em áreas que, antes, alardeavam que resolveriam em 60 dias, etc., etc.), o que se seguiria nunca seria coisa que se aproveitasse, coisa estável e saudável para o desenvolvimento do país e para a democracia.
Em alternativa, termos o país a funcionar por duodécimos geridos por um governo desgovernado e descerebrado haveria de ser, todos os dias, a toda a hora e sob qualquer pretexto, uma inimaginável cagada em três actos (pardon my french).
Por isso, face a esta caldeirada, pode ser que de umas novas eleições saia uma clarificação que permita um governo mais estável. Ou seja, não diabolizo nem temo umas novas eleições.
Se não for isso, então o optimista-realista Marcelo que reze um pouco mais à Nossa Senhora de Fátima a ver se ela faz um milagre.
A tese do Montenegro sobre os "interesses que sobrevoam os incêndios", desmentida pelas polícias, confirma o que já aqui escrevi. O Montenegro quer ser como o Rambo não só fisicamente mas também na perspicácia e na inteligência. Se admitirmos que esta nova tirada do Montenegro não resulta de uma enorme falta de ética, aproveitando mais uma vez uma tragédia para fins políticos, só podemos concluir que esta tese resulta de manifesta incapacidade para entender a realidade e estudar os dossiers.
O culminar desta pantomina foi uma reunião na qual, com toda a pompa e circunstância, o PM, a Ministra da Justiça e a MAI (que é manifestamente inadaptada para a função) vieram dizer-nos que as medidas para minorar os efeitos dos incêndios (que segundo os especialistas sempre existirão e fazem parte do ecosistema) serão da responsabilidade da GNR, da PSP, da PJ e do MP. Absolutamente inqualificável e inimaginável. Quando o Montenegro afirma que já falou mais de cem vezes na prevenção dos incêndios não devem restar dúvidas que o fez na sua casinha de Espinho quando a mulher põe a frigideira ao lume com óleo para fritar o peixe. Não se poderia referir aos incêndios rurais porque manifestamente não percebe nada do assunto.
Para além de:
termos que levar com o Joaquim Sarmento a vangloriar-se dos resultados financeiros do primeiro semestre, para os quais dificilmente terá contribuído, depois de ter zurzido o PS pelo estado em que tinha deixado as finanças públicas,
com o "arrastado" Lentão Amaro nas conferências de empresa após o Conselho de Ministros que são incompreensíveis,
com a ministra da Saúde a "amandar" a culpa do estado caótico das urgências para cima de tudo e de todos, confirmando, nas intervenções televisivas, com os trejeitos que faz, que descendemos dos símios,
com as intervenções da MAI que deviam ser proibidas (nunca se viu tanta incapacidade),
com a Ministra da Justiça a sacudir a água do capote,
com o ministro da Educação a vangloriar-se (pasme-se) de haver ainda mais de 200 mil alunos sem aulas e a dizer que anda a fazer experiências que não faz ideia que resultados terão na resolução dos problemas da educação,
com o Nuno Melo a querer reconquistar Olivença
e com o Rangel a fazer "desafirmações" sobre o cargueiro que transporta explosivos,
vem o Montenegro e zás, no domingo, decide escrever uma carta que revela mais uma vez a habitual enorme falta de ética e de rigor. Como tinha reuniões marcadas com o Chega e com a IL, não se importou de faltar à verdade para tentar justificar estas reuniões. Diz-se, com razão, que para o Ventura vale tudo. Será que também não vale tudo para o Montenegro...?
Relativamente à aprovação do OE, se o Chega concorda com as propostas do IRS Jovem e do corte do IRC, força. A IL já disse, e bem, que não concorda com o IRS Jovem, propondo antes a baixa geral do IRS, o que contraria a proposta da AD pelo que provavelmente não votará favoravelmente a proposta defendida pela AD e Chega. Portanto, o Montenegro e o Sarmento que resolvam o que querem fazer.
Não se pode pedir/pressionar o PS para que concorde com o IRS Jovem que é injusto, ineficiente, descrimina negativamente os mais pobres e vai dar cabo das contas públicas.
A atração dos jovens mais qualificados faz-se aumentando os salários e criando melhores condições para viverem e criarem os filhos.
Aqui os empresários têm uma palavra a dizer. Ainda ontem o Conselho de Finanças dizia que em Portugal, ao contrário do que acontece na Europa, os empresários em vez de acomodarem os aumentos de salários nas margens de lucro, optam por aumentar os preços em vez de diminuírem os lucros. É a atuação típica do típico empresário tuga.
Relativamente à baixa do IRC sabe-se que só vai beneficiar as grandes empresas que objetivamente não precisam.
Ambas as medidas só servem para desbaratar recursos financeiros.
O PS deve manter a sua posição e não permitir que estas duas medidas sejam incluídas no orçamento.
Relativamente ao PR, que esteve silencioso perante a gravidade dos incêndios, devia era manter-se "fisgado" no silêncio e não continuar a chatear os mesmos.
Não haverá nenhuma forma do Marcelo sair ao mesmo tempo que a Lucília Gago?
Sobre o que já consegui saber sobre o Orçamento para 2024, tenho a dizer que, para além de algumas medidas que me parecem positivas, há aspectos que acho pouco positivas e que deveriam ser corrigidas:
1 - A receita fiscal assenta, em montantes consideráveis, no IRS. E, no IRS, há que ter em consideração o aspecto referido por Pedro Nuno Santos: 42% das famílias não paga IRS. Ou sejam são beneficiários líquidos do que os outros andam a pagar. Quando ouço imensa gente a queixar-se de tudo e mais alguma coisa quando não pagam 1 euro de IRS fico chocada. Estas pessoas não dão valor a nada pois não têm noção do que é andar-se a trabalhar para deixar ficar grande parte nos cofres do Estado. Claro que, se não pagam, é porque ganham pouco. Mas também se será tudo assim pois há muita gente que também recebe 'limpo', 'por fora'.
E não estou a falar apenas de quem faz biscates ou trabalhos simples (que, aí, a excepção, a raríssima, quase invisível excepção, é quem passa factura). Falo também de empresas que pagam ao pessoal ordenados baixos e, por fora, como subsídios de transporte, quilómetros, isto ou aquilo, que não pagam impostos. E são os empresários e os trabalhadores que querem isto.
Tudo isto deveria ser passado a pente fino. Se há área que merece investimento a sério (e pôr algoritmos de inteligência artificial, em força, em cima disto e pôr fiscais em campo) é este, o da fuga ao fisco.
Ou seja, tenho muitas dúvidas de que todos os 42% que não pagam IRS recebam, de facto, os valores que declaram.
E há um outro aspecto que deveria merecer muita atenção. 53% do IRS é pago por apenas 6% das famílias.
Ou seja, 6% das famílias andam a levar às costas grande parte do que os outros usufruem. Ora será que estes 6% são os muito ricos? Não, nem pouco mais ou menos.
Quando se fala em grande injustiça fiscal, é também disto que se fala. Taxar como milionários pessoas que são classe média pura é um abuso, um esbulho.
Uma coisa seria taxar como milionários quem ganhe de facto valores folgados como, por exemplo, acima dos 150.000€ (que, mesmo assim, do que se pratica, na realidade, por aí, é absurdo chamá-los de milionários). Quando há tempos escrevi sobre isso, considerei um escalão com um imposto já razoável para os que ganham entre 150.000 e os 250.000€ e pela medida grossa, então, os que ganharem mais de 250.000€.
150.000 ou 250.000 É muito? É. Não digo que não. Mas compare-se com o que ganham futebolistas, treinadores, etc...
O que me choca, nisto, não é tanto o que ganham mas que os ganhem, na realidade, e não paguem impostos.
Por tudo isto, uma coisa é certa: taxar tão pesada e injustamente quem ganhe acima de 80.000€ é absurdo, é pesado e muito injusto.
Quem, em Portugal, é de facto rico ou muito rico é mais, mas muito, muito mais, do que os tais que são taxados pela medida grossa. Já o referi: bastaria ver quantas casas caríssimas há neste país, de norte a sul, para perceber que, as famílias que as adquiriram e mantêm não são apenas os que pagam o IRS máximo.
Há, com certeza, muitos que continuam impunemente a fugir ao fisco. Profissões liberais, comerciantes, empresários, senhorios, etc. Do que se ouve falar quase generalizadamente há muitos senhorios, alguns em bairros ou condomínios caríssimos, que não declaram as rendas. E os explicadores? Quantos declaram o que ganham? E das inúmeras profissões liberais quantos não recebem 'limpinho' já que os clientes também preferem pagar menos? E comerciantes? Nos restaurantes, por exemplo, quantos são os que passam facturas apenas se o pedirmos?
Se todos esses pagassem impostos, de certeza que os 6% que hoje são tão penalizados seriam muito mais que 6% e, certamente, menos penalizados.
Portanto, se aliviassem os impostos nos escalões mais altos e, ao mesmo tempo, caíssem a pés juntos sobre os que fogem ao fisco, tudo seria mais transparente e justo.
Assim, é uma injustiça e uma estupidez.
3 - Volto ao imposto sobre as rendas. É de tal forma alto o imposto sobre as rendas que é um convite directo e explícito à fuga ao fisco. Tem que baixar mais, mas baixar a sério. Para os senhorios, para os inquilinos (e até para as pessoas das agências imobiliárias que lidam com esta realidade) é normal que se aceite que não vale a pena declarar as rendas pois ficam todos a ganhar. Acho que é imperioso andar em cima do assunto mas só se consegue alguma coisa se se baixarem os impostos sobre as rendas, muito a sério.
O plafonamento das rendas é outro disparate. Não têm que ser os senhorios a ter um papel social junto dos inquilinos. As rendas devem aumentar conforme a inflação. Há muitos senhorios que têm nas rendas um auxílio ao seu rendimento e que cumprem com todas as suas obrigações fiscais.
Em contrapartida, os que agem na ilegalidade, nos domínios da informalidade e da fuga ao fisco, fazem o que querem.
Mas, se o problema das rendas altas tem a ver com a falta de casas, pois que se incentive a construção de mais casas. E o mercado encarregar-se-á de ajustar os valores ao equilíbrio entre a oferta e a procura.
4 - Há pouco, de raspão, ouvi o Bagão Félix, pessoa sempre objectiva e isenta, falar de um outro aspecto. Antes, o imposto sobre os juros das poupanças era de 20%. Passou para 28% e aí ficou. Ora, num país em que a poupança é tão baixa, como se consegue incentivá-la se o pouco que se consegue de juros é tão descaradamente comido pelos impostos?
5 - Não vou falar muito mais pois não conheço o documento em pormenor nem este será o espaço mais indicado para grandes análises económico-financeiras.
Mas, ou o OE24 ainda é ajustado ou será, apesar dos pontos positivos, uma decepção. Se há altura para fazer ajustamentos estruturais, profundos, é esta.
Evitar o défice, tentar que haja excedentes e pagar o mais possível da dívida parece-me importante, garantir a realização de investimentos críticos também. Mas mexer nos aspectos que referi e que têm a ver com sustentabilidade, transparência, equidade e justiça parece-me indispensável.
Começo por dizer que, por alguma ordem divina superior -- seja lá o que isso significar --, estou sem internet em casa e sem televisão. Já cá esteve um técnico que não conseguiu resolver o problema. Diz que pensa que é na rua e que, assim sendo, é com outra equipa. Só que, dado o adiantado da hora, hoje já não virá. Quando virá, ele não sabe.
Portanto, aqui, a salvo do regabofe que por aí deve andar pelas concelhias, distritais e sedes nacionais tudo com as televisões atrais (nb: não é gaffe, é mesmo assim, para rimar), resolvi que, por quem sois, falo e comento eu.
É que, parecendo que não, até sinto uma certa falta de acompanhar o frisson nacional. Sem conseguir testemunhar a azáfama e o entusiasmo que hoje deve grassar nas redacções e sem conseguir assistir aos orgasmos síncronos e assíncronos dos comentadores que, a esta hora, certamente ululam pelos balcões em que se serve comentário a copo, tenho que me contentar com o que euzinha tenha para dizer.
Mas, claro, não se compara com o porno espectáculo de jornalistas e comentadores, com a pica toda, em sucessivas erupções mediáticas, congeminando sobre o que aí pode estar para vir.
Crise para eles é melhor que viagra. Upa la-la. Umas atrás de outras.
Enfim.
Para colmatar a pecha, poderia ver televisão no computador? Poderia. Mas não seria a mesma coisa. Portanto, não quero.
Ou seja, perdoem-me mas o meu conhecimento hoje é francamente limitado, mais limitado ainda que nos outros dias. Vejam se pode. O que sei é apenas o que os onlines disponibilizam. E, como a maior parte dos conteúdos requerem que se seja filiado e subscritor, fico de fora. Ou seja, o que sei é pelas gordas. Imagine-se. Pelas gordas.
Poderia, claro, tentar os internacionais mas nem vou por aí: as nossas pequenas misérias não são, por enquanto, tema que tenha por onde se lhes pegue. Traições e baixas políticas levadas a cabo pelo pouco que ainda remanesce do PCP e pelas desnorteadas do BE não é coisa que interesse a quem quer que seja, muito mais fora de portas.
Tivesse havido pancadaria no Parlamento, quiçá entre o Jerónimo e a Mortágua ou entre a Joacine e a Catarina, aí, sim, aí talvez já houvesse alguma breve. Agora assim, tudo no maior pacifismo, querem lá eles saber disto...? E, para mais, a esquerda a auto-devorar-se...? Bahhhh, que seca, ... déjà vu. Filme visto mil vezes, acaba sempre da mesma maneira. Tudo ao tiro e, no fim, morrem todos. Dá é sono.
Quem se importa somos nós, os portugueses, que não perdoaremos por, de novo, os traidores do PCP e do Bloco se terem juntado à direita (Chega incluido!) para, uma vez mais, colocarem areia na engrenagem, provocando uma inútil baderna, gastos desnecessários, prejudicando a estabilidade governativa e a trajectória de crescimento e recuperação que estava em curso.
Tudo está agora nas mãos de Marcelo. E eu sempre estou para ver o que vai ele fazer. Tenho ideia que gosta de fazer habilidades quando está na confortável situação de espectador e comentador mas que não se sente a jogar em casa quando a bola e a estratégia de jogo está nas suas mãos.
Mas as coisas são o que são. Penso que, se em vez de ter andado a dar ideias aos fracos de espírito, se tivesse deixado estar caladinho, apenas apelando ao bom senso e ao sentido de responsabilidade de todos os partidos, teria sido preferível.
Mas não senhor, tem a língua mais rápida do que o pensamento. E pôs-se logo a dizer que, se o Orçamento chumbasse, convocava eleições antecipadas. Fuel para a programação da comunicação social. Crise à vista é o que eles gostam: fazem debates, chamam os comentadores e as putéfias de serviço (pardon my french) e aí estão eles todos a debater cenários, a desculpabilizarem uns, a culpabilizarem outros, um circo infantil e caricato. Este era também o mundo do bom do Marcelo. Bagunçada e baderna à vista e aí estava o Professor, salivando de entusiasmo nos ecrãs domingueiros da TVI.
E, portanto, desde que o Presidente deu fogo à peça foi um ver se te avias de ultimatos, de bocas, de conversa fiada: a crise estava lançada para a arena. Quem se portasse como adulto, estaria crucificado na comunicação social. Portanto, a partir daí, para os sobreviventes do PCP que esbracejam para ver se conseguem manter a cabeça fora de água e para as desnorteadas do BE que já não sabem a quantas andam, a única preocupação foi não ficarem mal vistos perante os poucos que ainda votam neles.
Portanto, se Marcelo gosta de andar a semear ventos, mesmo que diga que não, que gosta mesmo é de sol na eira e chuva no nabal, agora está a ver que está uma tempestade a querer entrar-lhe pela porta dentro. Nos idos da TVI ele deitar-se-ia a construir cenários, destilando vantagens e desvantagens e temperando com pontos de vista. Só que agora a pauta é outra. Não é hora para cataventices ou confidências a simularem beijinhos e selfies. É hora, sim, para se pensar com a cabeça no sítio -- e boca calada até se ter a certeza do que se vai fazer.
Chamou o pessoal dos partidos a Belém para conversinhas de pé de orelha que, pelos vistos, entraram por uma e sairam por outra de quem lá foi sentar o rabo. E, não sei a que propósito, chamou também a galinha cacarejante que deve ter saído de lá sem que nem um feijãozinho lhe coubesse no rabiosque (não digo pardon my french porque rabiosque não é nome feio; ora essa!), tanta a alegria pela inesperada distinção. A esta hora a alinha depenada já deve estar até a sentir-se comendadora. Não sei que outras reses tresmalhadas terá também Marcelo chamado mas, na volta, também chamou o eterno Assis, o pintas Melo, ou qualquer outro cão ou gato que por aí ande a ver se é adoptado.
Li que esta quarta-feira janta com o Costa e com o Ferro. O Costa, para além de chateado, deve andar esfalfado por aturar tanta cretinice e cheio, cheio, cheio de sono. Se fosse comigo sei bem o que diria mal me visse lá chegada: Pardon my french mas bardamerda para esta cagada em três actos; se o PCP e Bloco querem brincar aos politicozinhos da treta que brinquem sozinhos; Senhor Presidente e camarada Ferro não me levem a mal mas vou é para casa dormir que para este peditório já dei foi demais. Ciaozinho e bon apétit.
Mas, felizmente para todos nós, o Costa não é como eu, não se cansa, não se enfurece, mantem a compostura e a boa disposição mesmo quando lhe saltam em cima ou o massacram com conversas da treta.
Tem ainda outra ande vantagem: é um estadista. Pensa no País antes de pensar em si próprio.
Não sei qual a ementa nem o que vai ser falado durante o jantar mas imagino que agora seja o Marcelo que está no mesmo papel em que a choramingona da Catarina se pôs antes de votar, quando até parecia estar a implorar que a ajudassem a sair desta. Acredito que o Costa e o Ferro o ajudem a pensar e a ver com alguma clareza. Mas, perdido no labirinto dos cenários que constrói, não sei se o Marcelo tem comedimento para pensar sensatamente nem consigo antever o que vai fazer sair daqui sem ficar associado a esta chachada.
O que espero é que, para bem de todos nós, ainda venhamos a dizer que há males que vêm por bem. Por isso, daqui lhe desejo: boa sorte, Sr. Presidente.
E não é apenas ao Presidente que o desejo, é a todos nós: boa sorte!
O título foi longo e poderia ficar-me por aí. Mas, como sou extrovertida, aproveito para responder a alguns comentários e mails e, de caminho, para acrescentar uns pontinhos.
Acredito que o Orçamento ainda pode ter pernas para andar. Convém termos presente aquela coisa da estupidez: a estupidez é uma burrice sem beneficiários. Ora, se a estupidez ainda não se materializou, ou seja, se a votação ainda não ocorreu, ainda pode acontecer que os que se meteram nisto armados em leões percebam que o melhor é saírem de fininho. Entrada de leão, saída de sendeiro. Melhor isso do que se atirarem da ribanceira abaixo.
Talvez recuem percebendo que não iam apenas prejudicar os portugueses em geral (coisa para a qual se estão a marimbar) como se iriam prejudicar a eles próprios. Talvez o PCP e o BE percebam que perderam a noção da realidade ao pretenderem que o governo altere a sua linha governativa legitimada pela votação obtida nas últimas legislativas para governar de acordo com a vontade deles que tiveram 6% e 9%. Talvez tenham um lampejo de lucidez e percebam que os 36% de eleitores do PS não querem ser governados segundo as suas arrogantes imposições. Talvez percebam que são pequenos e, em trajectória descendente, cada vez mais pequenos. Talvez percebam que, se voltam a trair a confiança dos poucos que ainda votam neles, então mais vale dedicarem-se à pesca ou a outra coisa qualquer.
Ou pode acontecer que, num derradeiro acto de misericórdia, o Costa lhes atire um peanut qualquer para eles, perante os seus fiéis, poderem fingir que ganharam alguma coisa.
Depois de ter visto as imagens do Parlamento, com a bancada do Bloco de Esquerda toda tef-tef, margarida, desorientadas, e a própria Catarina, com ar aterrado, quase a chorar, a pedir que o Costa lhe pegue ao colo ou, pelo menos, lhe dê a mão, acredito que, pelo menos, o Bloco já percebeu que fez porcaria (só que agora não sabe como sair do beco em que se enfiou).
Quanto ao PCP, acredito que o coração deles balança. Por um lado, a linha mais racional quer ter uma atitude responsável mas, por outro, a linha dura, a linha que gosta de manifs e punho erguido, quer é ter motivos para o protesto e, para isso, têm os portugueses que estar a ser bem lixados. Portanto, a ver o que o Jerónimo vai fazer: se opta por satisfazer os comunas de linha dura ou se opta por querer o bem dos portugueses.
Mas também acredito numa coisa. Se por uma bizarra convergência de burrices, houver mesmo eleições antecipadas, acredito que
o PS ver-se-á reforçado já que nisto tudo é quem, a par do PAN, tem mostrado ter cabeça e sentido de responsabilidade;
o PSD levará uma tareia das valentes, ainda por cima destrambelhados como andam ;
o PCP e o BE, obviamente, levarão um valente chega para lá pois ninguém gosta de irresponsáveis, arrogantes e gente que se porta de forma estúpida;
o CDS quase desaparecerá do mapa;
a IL talvez se aguente pois o Cotrim, para além de ter pinta e de se saber vestir, é elegante e educado;
o Chega deve subir, repescando os distraídos, os manipuláveis, os desiludidos e os destituídos que assim se juntarão aos desinformados, aos ignorantes, aos arruaceiros e aos patifes que já lá estão.
Portanto, acreditando que, a haver eleições, o PS sairá reforçado, a verdade é que não me agrada nem um bocadinho que, em vez de haver uma oposição construtiva e responsável, se tenha apenas um bando de gente desorquestrada e de um Chega perigosamente circulando com via verde para fazer a porcaria que quiser.
Quanto ao Marcelo, ele sabe bem que, se houver eleições antecipadas, o seu nome ficará ligado ao reforço do PS, ao estilhaçar dos partidos à esquerda e à direita do PS bem como à ascensão do Chega. E o que se seguirá poderá não ser bonito de se ver.
E essa não é, seguramente, a forma como quererá ser recordado. Marcelo sabe bem que a memória das pessoas é curta. Os últimos tempos do seu mandato facilmente apagarão os seus áureos tempos pré-pandemia, o tempo dos afectos, das selfies e dos beijinhos.
Por isso, pode muito bem acontecer que esteja a pôr toda a sua habilidade de experiente jogador político ao serviço da aritmética que pode garantir pelo menos mais um ano de governação estável.
E depois há aquilo em que parece que ninguém antes tinha pensado e que pode ser saída para se seguir em frente. Em frente mas com uns a irem ao charco e outros enfiados num saco de gatos. Em frente mas com os comentadores todos em histeria, todos a terem epifanias -- uma coisa também muito difícil de suportar.
Enfim, vamos esperar que, fruto de interpretações regulamentares, habilidades alheias ou arrependimentos próprios, haja quem, à última hora, consiga que não se perca tempo com frivolidades e que, pelo contrário, possamos concentrar-nos no que é necessário (desenvolver-nos, por exemplo).
E agora vou pensar noutra coisa para não cansar a minha beleza.