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terça-feira, março 20, 2012

Picasso segundo Gertrude Stein no tempo em que 'Paris was a woman'


Meus amigos, ainda antes de começar já me vou desculpar. A noite passada fiquei-me pelas 4 horas de sono pois tive que sair de casa cedíssimo para ir para norte, para um dia inteiro de reuniões. Cheguei a casa tardíssimo, cansada, com fome, com sono. Já cumpri com a minha empreitada no Ginjal e, lá e aqui, já li os comentários, já respondi e agora vou começar aqui no UJM mas estou mesmo perdida de sono, quero ver se esta noite consigo dormir um pouco mais. Por isso, hoje vai ser uma coisa mais ligeira (pelo menos é essa a minha intenção... oxalá consiga cumprir).

Música por favor

Paris was a woman
brevíssimo excerto de documentário sobre Gertrude Stein


Gertrude Stein passeia o seu cão na companhia de Alice B. Toklas,
sua companheira durante vinte e cinco anos

Gertrude Stein (1874 - 1946 ) nasceu nos Estados Unidos mas viria a radicar-se em Paris onde viveu grande parte da sua vida e onde acabou os seus dias.

Conviveu com escritores, pintores. O meio intelectual e artístico seduzia-a, alimentava-a. Era uma mulher muito à frente do seu tempo. Dos ilustres com quem mais privou contam-se Braque, Matisse, Paul Eluard, Apollinaire e, claro, o que mais a impressionou, Picasso.

Há um pequeno livro, Picasso, escrito por ela em 1938, que nos dá conta dessa afeição e devoção. 

Gertrude Stein pintada por Pablo Picasso

Não vou transcrever todo o livrinho, claro, mas vou transcrever algumas partes (e lembrei-me disto ao ler um comentário ao meu texto de ontem, escrito por um leitor a quem, desde já, agradeço por me ter dado este pretexto):

Picasso - Meninas a ler

"Em 1933 Picasso pára uma vez mais de pintar, mas continua a desenhar, e durante o Verão de 1933 faz os seus únicos desenhos surrealistas. No entanto o surrealismo não era coisa que o pudesse ajudar, que lhe facultasse uma nova forma de expressão; podia reconfortá-lo, mas não em profundidade.

Os surrealistas continuam a ver as coisas como toda a gente as vê, complicam-nas de uma maneira muito pessoal, mas a visão é comum.

Picasso - A leitura

Resumindo, a complicação é do século XX e a visão do século XIX. Só Picasso vê outra realidade. De facto, complicar é sempre fácil, mas uma visão diferente da dos outros, uma visão original, é coisa rara.

É por isso que os génios são raros.

Picasso - Mulher com um livro

(Mulheres que lêem são uma presença assídua na obra de Pablo Picasso)

Complicar as coisas de uma maneira nova não oferece dificuldade, mas ver essas coisas com um olhar novo é realmente difícil. Porque tudo nos impede de o fazer: os hábitos, as escolas, as influências, as necessidades da vida, a preguiça, a própria razão.

(...)

Hoje os quadros de Picasso voltaram para a minha casa, depois da exposição no Petit Palais. Estão outra vez nas minhas paredes. Não posso dizer que me esqueci do seu esplendor durante a sua ausência, mas parecem-me ainda mais esplêndidos.

(...)

Picasso

A terra, vista de avião, é uma terra diferente da que se vê de um automóvel. (...) A terra vista de avião tem outro aspecto. Por isso também aqui o século XX não se parece com o século XIX e é muito interessante pensar que Picasso, que nunca viu a terra de avião, tenha sentido por instinto que a terra do século XX já não era a do século XIX. Criou uma coisa que toda a gente pode doravante ver, comprovar.

Picasso - Factory at Horta de Ebro

Quando estava na América, aconteceu-me fazer, pela primeira vez, sucessivas viagens de avião. E via lá em baixo, na terra, as linhas entretecidas de Picasso, que iam, vinham, se desenrolavam e se destruíam; vi as soluções simplificadas de Braque, a linha errante de Masson. Sim, vi tudo isso e uma vez mais compreendi que um criador é sempre um contemporâneo.
(...)

Picasso é deste século, tem as qualidades estranhas de um mundo nunca visto até então e das coisas destruídas como nunca até então.

Assim Picasso tem o seu esplendor. "


Mais um excerto do referido documentário sobre Gertrude Stein e Alice B. Toklas

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Hoje no meu blogue Ginjal e Lisboa temos umas palavras minhas sobre o meu romance o Pirata de Sophia de Mello Breyner ao som de Jeux d'Eau de Ravel. Passem por para sentirem a maresia nos vossos rostos.

E tenham, meus Caros, uma bela terça feira!
(e, com isto, já passa da 1 e meia da manhã, que maçada, já vou dormir pouco outra vez)