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terça-feira, julho 08, 2025

Quando formos para melhor

 

No fim de semana, parte da família esteve a banhos no sudoeste e, da outra parte, um dos meninos esteve numa festa de anos, numa destas festas que também são happenings, desta vez incluindo equitação. Fui recebendo fotografias de uns e de outros, uns a mergulharem, outras a cantarem, um a andar a cavalo. 

Portanto, a casa não esteve tão cheia como quando estão todos, mas foi igualmente bom. Se sei que estão todos bem também estou bem. 

O bem estar e a felicidade são estados de geometria variável.

No outro dia recebi uma fotografia de uma das minhas primas com o seu neto mais novo, o que conheci no dia do velório e que voltei a ver no dia da cremação da minha tia. Na fotografia estava também o meu tio que, como sempre, estava impecável. Por tanto que tem passado e mantém-se inalterável, sempre muito bem arranjado, sempre com boa cara, mesmo muito bem. Está quase igual ao meu avô, seu pai.

O tempo passa a correr, é o que é. Penso que o nome deste meu tio, o petit nom pelo qual era chamado, foi a segunda palavra que disse (a primeira foi cão). Embora pouco efusivo -- nada a ver com o meu outro dia que falava alto, que ria, que conversava e contava histórias --, sempre admirei a contenção e os modos reservados deste meu tio. Levava-me a andar na sua bela mota, com cromados reluzentes. Os meus pais não queriam, mas ele transgredia. Eu sentia o cabelo ao vento em especial quando ele curvava. Ninguém usava capacete. Depois arranjou uma namorada bonita, com uns grandes olhos verdes e uma voz com um timbre distinto. Levou-me algumas vezes com ele quando ia namorar. Aquela namorada despertava-me curiosidade. Devia ter uns quatro anos, eu, e achava que ela parecia uma artista de cinema. Algum tempo depois fui a menina das alianças e levei um vestido todo feito de renda branca e o cabelo apanhado em cima, com uma fita de rendas em volta.

Agora ele já tem uma bisneta que é igual, igualzinha, à minha prima. Até na forma como se riem, gargalhando de forma franca, aberta. Agora a minha prima já não ri assim, está muito parecida com o pai, nos modos contidos. Mas, quando era pequenina, a minha prima ria muito. Eu também. Por vezes tínhamos ataques de riso e partíamo-nos a rir. A minha mãe diz que ficava com vontade de rir só de ver como nos ríamos. 

E, para além da bisneta que é igual à filha, quando era pequenina, o meu tio agora tem este bisneto bebé, também muito fofo.

É aquilo que digo. A nossa vida humana dura enquanto nos aguentamos na passadeira rolante. De vez em quando há um que sai. Um ano depois da minha mãe, foi a minha tia que saiu. Mas, entretanto, pouco antes tinha entrado um novo bebé.

As famílias recompõem-se. É um fenómeno fractal. Também os nosso corpos vão libertando células velhas e novas vão aparecendo. Pouco somos daquilo que um dia fomos.

Contei, num vídeo que publiquei agora no Instagram, como, no outro dia, um dos meus meninos me perguntou para quem ficaria este espaço a que, entre nós, damos um outro nome mas a que aqui, no blog, chamo heaven: 'Olha lá, quando tu e o avô forem para melhor, o 'heaven' fica para mim ou para o pai?'. Num primeiro momento não percebi. Depois percebi que ele queria dizer 'quando forem desta para melhor'. Não me fez impressão a pergunta. Pelo contrário, fico contente que gostem tanto deste lugar. Já há uns anos, um outro menino, com mais hesitação, me tinha perguntado o que aconteceria a isto quando nós morrêssemos. 

O que me preocupa e o que me custa, isso sim, é pensar como pode ser difícil a sua vida quando forem adultos, quando tiverem os seus próprios filhos. Gostava que se mantivessem juntos, amigos uns dos outros, que vivessem numa terra verdejante, amena, pacífica, em que todos se estimassem e amparassem, em que o futuro fosse promissor e aguardado com optimismo e alegria. Isso era mesmo o que eu queria. 

Mas receio tanto... Hoje esteve outro dia de calor difícil de suportar. As temperaturas sobem, sobem. E, muito sinceramente, não vejo que em Portugal estejam a ser tomadas medidas estratégicas, de longo prazo, para combater, na medida das nossas possibilidades, as alterações climáticas. E devia haver um toque a rebate, medidas globais, que tocassem a toda a gente.

Vejo que na Suíça o Estado está a financiar o arranque do betão dos pavimentos para o substituir por jardins. Junto às casas, nos parques públicos, em todo o lado em que tal faça sentido, é um movimento que está a começar. Pretende-se que os solos consigam absorver as águas para que os rios não transbordem, pretende-se devolver à natureza o que à natureza nunca deveria ter sido retirado.

Vejo que na Dinamarca há incentivos estatais para que, a nível geral, a alimentação usual comece a ser substituída por alimentação sobretudo baseada em vegetais. A poluição resultante das explorações intensivas, nomeadamente de animais, é muito relevante. Tudo o que se possa fazer para a reduzir, sem prejuízo para a saúde humana, é de louvar.

Seria interessante que houvesse, por cá, uma chamada de atenção para a necessidade de se fazer alguma coisa -- e um plano de acções para fazer o que há a fazer.

Partilho os vídeos. Dá para activar a auto-tradução que, já se sabe, não é famosa mas que pode ser uma ajuda para quem não esteja à vontade com a língua inglesa.

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"Recuperar o espaço do betão: Como as cidades suíças estão a ficar mais verdes" - Focus on Europe

O betão está a abrir caminho para o solo, enquanto os ativistas suíços trabalham para recuperar o espaço urbano para a natureza. Como o solo absorve muito melhor a chuva, a iniciativa promete reduzir a carga sobre os sistemas de esgotos urbanos.

O ambicioso plano da Dinamarca para impulsionar os alimentos de origem vegetal | FT Rethink

Os alimentos de origem vegetal são essenciais para a transição verde da Dinamarca e deverão proporcionar benefícios económicos e de saúde significativos. A pequena nação escandinava é agora líder mundial neste sector. Então, como é que a Dinamarca fez isso? Será que esta estratégia poderia funcionar noutros locais?

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Dias felizes

terça-feira, fevereiro 04, 2025

Quanto tempo o tempo tem

 

Ontem e hoje dias de reencontros, daqueles em que as pessoas se lamentam dizendo que é pena é que seja nestas alturas que a gente se encontra. Pois. E despedimo-nos a dizer que 'temos que combinar qualquer coisa.' Mas depois o tempo passa.

Em pequenos grupos, vai-se conversando. Onde eu estava, conversas de médicos, vários, racionalizando, descrevendo as maleitas que vão aparecendo com o tempo, constatando o óbvio: chega a uma altura em que, se a pessoa vive, é apenas para morrer mais devagar.

E, ao mesmo tempo, duas jovens mamãs, cada uma com os seus dois filhos, idades variáveis entre os 4 anos e os 4 meses. As crianças não sossegam e as mães tentam que os filhos não se magoem. O bebé, agasalhado, no carrinho. Entraram há pouco para a passadeira rolante que é a vida. Correm, brincam e riem ao mesmo tempo que outros choram quem acabou de sair dela, alguém para quem a linha do tempo se extinguiu.

Revi também uma 'rapariga' que apenas reconheci pela mãe. A mãe manteve as feições mas ela está muito diferente. Devia ter cinco, seis, não sei, devo ter-me encontrado com ela até ela ter uns nove ou dez anos. Agora, se calhar uns quarenta e tal anos depois, quando a abracei tratei-a pelo diminutivo com que a tratava. Espantaram-se. 'Ah, ainda te lembras...'. Claro que me lembro. Sorrimos: continuamos a tratar-nos assim. Não faz sentido tratarmo-nos de outra maneira, o afecto que nos une é o mesmo de quando éramos pequenas.

Mas o tempo passa. 

Disseram-me: 'Há um ano passaste tu por isto.'. Pois foi. E desatei a chorar. 

As flores que a minha filha lá pôs há um ano, ainda estavam boas e deixei-as ficar. Juntei-lhes outras. Com carinho, ajeitei-as. Mas, na verdade, é um gesto simbólico. Mais flor, menos flor. Para mim, a minha mãe não está ali, nunca esteve. O que ela era, a nível material, o que sobrou, diluiu-se na terra (e ainda bem que assim é). O que ela era, imaterial, vive ainda em nós. E está ainda bem vivo.

Mas, enfim. É o que é. É a vida. É o tempo que passa. Nada a fazer. São as circunstâncias da nossa condição humana, finita, efémera.

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Por isso, adiante. Para a frente é que é caminho.

Para que não me fique um travo a uma certa tristeza, talvez a uma certa impotência, se não levarem a mal, a ver se espaireço, vou ter com a Philomena CunK que tem aquela maluquice irreverente que me agrada.

Philomena Cunk on Time – A Deeply Confusing Investigation | Moments of Wonder

What is time? Can we see it? Can we touch it? And if we stop all the clocks, does time stop too? In this hilarious episode of Moments of Wonder*, Philomena Cunk takes a *very serious (but mostly wrong) look at the concept of time.  

Join Philomena as she visits the Greenwich Clock Museum to investigate what clocks actually do, asks experts deeply confusing questions, and delivers her trademark deadpan wisdom on one of life’s biggest mysteries.  

⏳ Prepare for an educational experience like no other—because after watching this, you might know even less about time than you did before.  


Desejo-vos dias felizes

segunda-feira, janeiro 23, 2023

Criada por macacos

 

Vivo uma vida privilegiada e, tal como eu, a maioria das pessoas que conheço. Podemos queixar-nos de tudo mas não temos razão nenhuma para isso.

No outro dia a minha prima, olhando para a minha mãe, disse que ela estava bem. A minha mãe, em vez de dizer que sim, que felizmente está bem, fez logo um certo ar sofredor dizendo que nem por isso. Para sua frustração, quando se preparava para falar dos seus males, a minha prima atalhou, disse que coisinhas todos temos, eu mudei de assunto e perguntei pelos meus tios, e a conversa seguiu. Depois, já quando estava só com ela, perguntei porque tinha, outra vez, tentado dizer que não está boa quando está. Que não, que não está, que isto e aquilo, e tudo insignificâncias que têm a ver com não ter vinte anos, coisa que parece não querer aceitar. E voltei a dizer-lhe que não percebo porque é que, em vez de dar graças por estar tão bem, parece que anda sempre a ver se fica doente. Quase ofendida, reagiu: que não, que não quer nada ficar doente, que disparate, ora essa. E eu insisti: 'Então sinta-se agradecida, dê graças por estar tão bem'. Encolheu os ombros. Acha que não a compreendo.

De facto, para minha pena, não se sente agradecida, anda constantemente a ver se identifica sintomas que possam levar à descoberta de uma possível doença. E, desta forma, acaba por não aproveitar a boa vida que tem.

Nisso sou o oposto em relação à minha mãe. Sinto-me permanentemente agradecida. 

Agradecida pela saúde que tenho e pela saúde dos meus (e desvalorizo as pequenas coisas do dia a dia), agradecida por estarmos juntos, por vivermos perto uns dos outros, por gostarmos uns dos outros, por termos casas em que nos sentimos bem, por vivermos num país afável e bonito, por podermos conviver e passear em paz... por tantas razões.

Tendo uma pessoa próxima a atravessar um mau momento, um difícil momento de sofrimento físico e de medo, o que me traz naturalmente preocupada, penso ainda mais convictamente que devemos dar-nos por felizes pelo que temos enquanto estamos bem pois a verdade é que nunca sabemos se um dia deixaremos de estar. E também para não parecermos estúpidos e mal agradecidos aos olhos dos que estão realmente mal e precisam que saibamos encontrar as palavras solidárias e de conforto que os ajudem a ter esperança e a suportar melhor aquilo por que estão a passar. Lembremo-nos também das heroicas pessoas da Ucrânia e de todos os países em que há guerra, em que há fome, tragédias naturais, ditaduras, opressão, perseguições e maus tratos. Aí, sim, a vida é difícil, verdadeiramente difícil.

De forma geral temos, sim, razão para nos sentirmos agradecidos e razão para sabermos desfrutar tudo o que de bom nos rodeia.

O vídeo abaixo não tem legendas em português e é uma pena. Mas, a quem consiga entender o inglês, recomendo a sua audição. 

Marina Chapman foi raptada aos 4 anos de uma aldeia na Colômbia rural. E foi abandonada numa selva. Aí viveu durante cerca de 4 anos, sobrevivendo entre macacos. O que esta criança sofreu dificilmente se imagina. Mas sobreviveu. Até que um dia resolveu aparecer a uns humanos, acreditando que a mulher jovem era uma boa pessoa. O que sofreu depois disso foi talvez ainda pior. Mas um dia uma senhora resolveu ajudá-la e aí a sua vida mudou. Agora, com cabelos grisalhos, sente-se feliz. Sorri. Não fala com amargura, não fala com revolta. Gostaria de voltar à selva em que viveu e tentar encontrar os macacos com que viveu. Mas não sabe onde é. Do que ela diz, dir-se-ia que não acha que a sua vida tenha sido uma vida de sofrimento, dir-se-ia que pensa que foi um percurso que a trouxe até onde está hoje, feliz.

I Lived With Monkeys In The Jungle


Desejo-vos uma boa semana a começar já nesta segunda-feira
Saúde. Coragem. Reconhecimento. Paz.

quarta-feira, dezembro 07, 2022

A minha prima

 

Não sei se alguma vez disse à minha prima, ou se alguém lhe disse, que fui eu que sugeri o nome dela. Eu devia ter uns cinco ou seis anos e ouvi numa entrevista na rádio o nome da filha de uma cantora que, à data, era famosa. A minha tia tinha ido para casa dos pais depois de ter a bebé e foi lá que os fomos visitar. Perguntaram-me como é que eu queria que ela se chamasse. E saiu-me esse nome. Ao ouvi-lo, pareceu-me um nome incomum, muito bonito, um nome de princesa.

A nossa diferença de idades levava a que as nossas brincadeiras andassem um bocado desfasadas. Mas, apesar de muito mais nova, eu gostava de brincar com ela. E ela de brincar comigo. 

Quando brincávamos juntas, eu era a cabeleireira e penteava-a a ela e às bonecas ou era a merceeira e vendia-lhe produtos a peso e fazia trocos numa máquina registadora. Ela, pequenina, era a médica e fazia-me curativos, auscultava-me, via-me a garganta, tratava das minhas filhas, bonecas doentes.

Sempre fomos muito diferentes. Eu gostava de brincar na rua, tinha muitos amigos, rapazes e raparigas, era respondona, com uma vontade própria muito determinada, sem receio de enfrentar os meus pais. Ela sempre foi muito de estar em casa, sempre muito chegada aos pais, muito educada. Sempre fui de me divertir e namorar e, para estudar, sempre fui mais de 'apanhar no ar' e estudar sobretudo o que sentisse que devia ser aprofundado ou treinado. Ela sempre foi o meu oposto: muito disciplinada, muito bem comportada, muito estudiosa. Era aplicada, obediente, estudava horas a fio com a mãe. A única vez de que me lembro de estudar com a minha mãe foi na preparação para os exames de admissão ao liceu e havia sempre zaragata, lembrando-me inclusivamente de, numa das vezes, a minha mãe acabar a chorar. Se calhava eu ter algum erro (nos ditados) ela queria que eu escrevesse essa palavra umas quantas vezes. Eu recusava-me. Coisas assim. Uma luta. Ela era professora, queria que eu seguisse a disciplina que ela impunha nas aulas dela. Não conseguia e sentia-se frustrada.

Ao passo que eu andava frequentemente meio despenteada, com roupas que, na altura, pretendiam ser mais 'alternativas' (Porfírios, por exemplo), ela sempre andou muito bem arranjada, sempre se vestiu com boas roupas, boas marcas. A minha mãe dava-a muitas vezes como exemplo: vê lá se a tua prima anda assim. Claro que sempre me entrou por um ouvido e saiu por outro. O estilo dela condizia com ela: respeitável, exemplar.

A verdade é que sempre senti admiração pelas pessoas diferentes de mim. Não sei como conseguem. 

Foi para Medicina, claro. Sempre muito boa aluna, sempre mantendo a disciplina de passar horas a estudar, sempre aceitando sacrificar-se. Aliás, creio que, para ela, não era sacrifício. Enquanto eu fiz questão de sair de casa quando fui para a faculdade e mudei de namorado e ia a festas e ao cinema e não parava, e, depois, cansada de tanta animação, resolvi 'assentar' aos vinte, a meio do curso, e começar a trabalhar, e todas essas coisas, ela, como todas as pessoas que conhecíamos, manteve-se em casa dos pais até se casar. E acabou o curso e a especialidade e tudo by the book. Casou com um rapaz simpatiquíssimo, igualmente bem comportado e disciplinado. 

Tal como eu, também teve dois filhos, um rapaz e uma rapariga, mas claro, nasceram quando os meus já eram crescidos. Também aqui, muito diferente de mim: batizou os filhos, fez festas de batizado. 

Profissionalmente manteve-se uma moura de trabalho. Tem cargos de responsabilidade num hospital, trabalha também no privado, e, uma vez mais, não sei como aguenta. Agora já não faz bancos mas, ainda assim, trabalha horas e horas a fio. E nunca a ouvi queixar-se de cansaço ou saturação. Gosta mesmo da profissão que tem. Quando fala de assuntos médicos, é sempre muito pedagógica. Ficamos a perceber bem as maleitas, os tratamentos, as probabilidades de as coisas irem para um lado ou para outro.

Continuamos a tratar-nos pelos nossos diminutivos e sempre que falamos, por muito tempo que tenha passado desde a última vez, é como se tivéssemos interrompido a conversa na véspera.

E hoje, orgulhosa e feliz, deu-me a notícia de que também já é avó. E eu fiquei muito feliz por ela, muito -- por ela e pelos meus tios, por todos. A minha prima, que é ainda a menina que trato pelo diminutivo e com quem acho que nunca me zanguei, já é avó! Dá para acreditar? 

[Do meu primo sonhador já falei algumas vezes mas da minha outra prima, outra que é mais na minha onda, acho que nunca falei. Um dia tenho que falar. Também gosto muito dela.]

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Desejo-vos um dia bom

Saúde. Boa sorte. Paz.