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quarta-feira, outubro 14, 2026

Nem breve nem irrelevante -- um aviso para levar muito a sério

 

Sobre aquela coisa de que a IA pode dar cabo da humanidade e tal e coisa e haver muita gente que acha que isto pode ser tudo um alarmismo sem razão de ser e etc e tal, sempre tenho dito, e digo-o há anos e anos, que não se deve brincar com coisas sérias. Ferramentas poderosas nas mãos sabe-se lá de quem, é coisa com elevada probabilidade de vir a dar para o torto.

O mundo já anda perigoso mesmo sem inteligências ao ataque, fará quando as ditas, encarnando 'agentes', resolverem fazer das suas.

Quem por aqui me acompanha saberá que digo muitas vezes que não quero dar exemplos do que pode acontecer pois não quero que alguém um dia possa dizer que estou para aqui a dar ideias. É absurdo, bem sei, porque ideias é o que não falta a quem quer fazer mal e a última coisa que lhes há de ocorrer é prestarem atenção ao que aqui digo. Mas, ainda assim, prefiro conter-me.

Aconteceu, umas quantas vezes, no grupo onde trabalhei, recebermos a visita de pessoas dos Serviços de Inteligência para nos alertarem para alguns riscos. Inspirei-me na 'agente secreta', simpaticíssima e elegantérima, que dava voz às recomendações, em algumas novelas que escrevi. E não foi apenas nela: foi também em casos reais de que ela falou, sem revelar nomes, nem de empresas nem de intervenientes.

Aliás, alguns dos casos que foram usados para exemplificar os riscos e o modo de actuação de agentes (na altura, humanos) quer para espiar quer para sabotar, eram, sem tirrar nem pôr, casos que tinham acontecido com alguns artistas lá do Grupo. Ela, diplomaticamente, falou como se fossem outras empresas, outras pessoas, mas eu, que já conhecia algumas peripécias, bem vi alguns, aflitos, a trocarem olhares estupefactos e, até, apavorados, entre eles.

E se os riscos já eram (e são) tremendos com agentes humanos, imagine-se com agentes artificiais, ultra inteligentes, ultra rápidos, invisíveis, ubíquos. 

Vou dar apenas um pequeno, ínfimo, ínfimo, exemplo. Uma vez estava numa conferência em que um dos intervenientes era um hacker reconvertido para o bem, isto é, que trabalhava para uma grande consultora como expert em segurança. Ao vivo, no palco, com um computador, depois de relatar que na véspera tinha estado a 'varrer' algumas das grandes empresas do país e que tinha descoberto inúmeras 'portas' abertas ou facílimas de abrir, resolveu demonstrar como é de caras 'entrar' numa empresa. E ali mesmo mostrou como se tinha apoderado do sistema de câmaras de vigilância e não apenas se via o que se passava lá dentro como ele as orientava, aumentava a sensibilidade para melhor captar imagens, etc. Escusado será dizer que todos os presentes ficaram altamente intranquilos.

Explicou, nessa altura, como explicam todos os especialistas em segurança, que muitas vezes nem são os sistema informáticos principais, a cargo de técnicos com conhecimentos em segurança, que são os mais vulneráveis, mas, sim, os sistemas que fogem muitas vezes ao controlo dos informáticos e que ficam sob gestão dos emgenheiros de processo ou de manutenção. Nas empresas (ou nas organizações em geral) as pessoas ainda pensam que os riscos só estão nos computadores, nem lhes ocorre que o risco está em tudo o que esteja ligado na rede. E, não nos esqueçamos, não há hoje equipamento, seja qual for, que não esteja ligado em rede, não apenas para ser monitorizado como para ser intervencionado remotamente, a nível de manutenção. Não há fábrica, empresa, autoestrada, hospital, ou cadeia de hipermercados, por exemplo, em que isso não aconteça. 

Um hacker (humano ou agente de IA), ao varrer a rede, detecta uma fragilidade de segurança (e muitas vezes muitas dessas 'coisas' nem têm segurança -- afinal são equipamentos, quem é que os quer piratear...?), entra, e, a partir daí faz o que quer.

Imagem gerada pelo Chat GPT
(tem algumas redundâncias mas, a esta hora, vou deixar estar)

Não é ficção. Quem está mais afastado destas realidades acredite. Não estou a exagerar ou a dramatizar. Poderia dar exemplos de situações gravíssimas que já aconteceram, gravíssimas mesmo. Claro que geralmente a empresa/instituição a quem isto acontece cala-se bem caladinha para evitar danos reputacionais, para evitar alarme social, para não dar ideias, etc, e, por isso, a opinião pública nem faz ideia do que se passou.

Desta vez, contudo, a coisa foi impossível de esconder. Hackers entraram nos hipermercados e puseram os frigoríficos a aquecer. Centenas. Espalhados por várias cidades. Creio que por vários países mas com predominância em França.

Ao saber disto, senti um arrepio. É de coisas assim que eu tenho medo. E tenho medo porque sei que isto é fácil de fazer. Sei. Sei que se alguém quiser fazer mal, muito mal, consegue fazer.

Este caso não demonstra apenas que é possível estragar muitas toneladas de alimentos em todo o lado, ao mesmo tempo, e, ainda por cima, provocar incêndios -- demonstra que sabem fazer, que conseguem fazer, que o farão se quiserem.

Volto a dizer: não quero que alguém diga que estou a dar ideias. Mas a quem tenha um mínimo de capacidade de abstração não será difícil perceber que isto vale para sistemas de refrigeração de supermercados mas também para hospitais ou fábricas (incluindo as que produzem produtos essenciais ou produtos perigosos -- e aqui o risco é de natureza distinta), para sistemas de controlo de águas e eletricidade e comunicações e autoestradas e pontes e comboios e aviões, para máquinas ATM, e por aí adiante. 

No grupo em que eu trabalhava os avisos foram levados muito a sério. Eu mesma promovi várias reuniões, a vários níveis, para alertar para os diferentes tipos de risco. E muitas medidas foram implementadas, muitas delas sob grande oposição dos que se sentiram coarctados na sua liberdade de implementar sistemas de toda a espécie, inovadores ou não inovadores, projectos de toda a espécie, tudo ligado na rede, muitos deles sem obedecerem a protocolos apertados de segurança. Mas eu trabalhava num grande grupo em que havia muito dinheiro para investir em segurança. Muitas empresas, ou organismos, não apenas não estão sensibilizados para a imensidão dos riscos como nem têm dinheiro para gastar nisso. 

Portanto, com tudo ligado a tudo (quandos equipamentos das nossas casas não estão ligados à nossa rede doméstica para podermos controlar remotamente? Pois...) e com tanta gente que gosta de fazer mal, seja através de guerras híbridas, seja por banditismo, seja por que motivo for, não sei bem se o mundo está preparado para o que se avizinha. E uma coisa é ter um hacker, ou uma equipa de hackers, gente de carne e osso, a trabalharem por si mesmos, ou a mando de alguma outra empresa (espionagem industrial) ou a mando de algum estado (espionagem, sabotagem ou terrorismo), e outra, muito diferente, milhões de vezes mais perigosa, é ter um batalhão de agentes de IA, super inteligentes, capazes de tudo em pouco tempo, a entrar onde quiserem, provocando os danos que quiserem, e, com a sofisticação crescente que têm demonstrado, sem deixarem rasto.

Nada disto pode ser levado com ligeireza. Não é tema que ocupe comentadores ou desperte interesse nos políticos, mas, caraças, read my lips, é um tema nevrálgico e premente. Não lhe dedicar atenção e esforço pode, um dia, vir a deixar o mundo à beira do abismo.

sexta-feira, abril 14, 2023

Geneviève Côté - sai um big golden buzzer para ela.
Quanto ao Jack Teixeira, estou curiosa. Deveras curiosa.

 

Metade do dia foi passado numa sala cheia de doentes com enfermeiros e médicos pelo meio, tudo ao molho e fé em deus. 

Nada de mais, apenas uma consulta de seguimento depois do internamento. Ela, noventa frescos anos, a mais jovem e a mais em forma daquela malta toda. A enfermeira chefe dizendo às outras: tenho cá de sessenta em pior estado que ela. E quando o médico chegou e olhou em volta, certamente sem perceber qual seria ela, a enfermeira: não vai acreditar mas é aquela ali, a que está com a filha de pé, ao lado. 

Penso sempre que seria bom que pudesse filmar. Há apontamentos que de tão trágicos chegam a ser cómicos, há personagens bizarras, outras tristes e outras que desbobinariam a vida inteira assim a gente lhes dissesse que falassem à vontade. 

Claro que penso sempre no que toda a malta penou com o RGPD e, afinal, ali é tudo à vista e ao ouvido de toda a gente: nome e idade, onde dói, o que toma, como faz, etc e tal. Tudo se pergunta, a tudo se responde, todos à frente de todos.

Poderia sair dali a escrever uma novela. Não há cá privacidades para ninguém, isso é coisa de gente folgada, com saúde.

Na outra metade do dia, porque me levantei antes do sol raiar e me tinha deitado quando a noite ia bem alta, estive a escrever uma coisa à qual ainda vou ter que retomar pois, ao escrever, estava prestes a ser devorada pelo sono.

Na metade seguinte, andei a passear na praia, que nada como o ar do mar para uma pessoa ficar ainda mais ko quando de lá vem. 

Um sol tímido e um ar fresco, nada a condizer com as férias que me apeteciam. Mas montes de gente. Penso que é por ser período de férias. Para além disso muitos erasmus. E, cá para mim, também muito nómada digital. Digital e não só. (Sei lá).

E agora estou aqui a ver se perdi alguma coisa durante o dia. E acho que nada. 

Só uma little coisinha. Quero dizer que acho o máximo o puto que alegadamente sacou informação ao Pentágono, Jack Teixeira de seu nome, ser neto de portugueses. Acho tudo o máximo, isso e que, aparentemente passando ao lado de mil sistemas de controlo,  chegue um puto (neto de portugueses!) e faça uma destas. Gramava saber por que porta é que ele entrou ou com que chave ele abriu a porta por onde se esgueirou.  Ou não foi preciso nada disso? Nem arte nem engenho? Será que estava tudo à disposição? Seria, por exemplo, simplesmente um funcionário do departamento de Gestão e Classificação de informação com que ninguém se preocupava? 

Million dollar doubt, claro.

[NB: Acho o máximo é como quem diz: é crime condenável, claro, e sobre isso não há duas leituras. É crime e ponto final. Mas a perna às costas com que o puto deu a volta a sistemas milionaríssimos operados por mega experts da coisa deveria dar que pensar a todos quantos se julgam o máximo na cibersegurança e na segurança em geral]

E, aqui chegados, talvez estejam a fazer contas de cabeça, conjecturanto sobre o fenómeno matemático que é 1 dia (ou, quem diz um dia diz qualquer outra coisa) ter várias metades -- mas é o que é. No mundo topológico que habito as coisas não têm forma ou contornos definidos e uma coisa tanto é a coisa em si como também as coisas adjacentes que com ela coabitam. Numa versão menos analítica e mais literária houve quem o dissesse dizendo que o homem é o homem e as suas circunstâncias.

Seja como for.

O que interessa é comprámos sushi e, enquanto o meu marido vê o Sporting, eu estou aqui no bem bom, sem jantar para fazer, podendo estar neste preguiçoso parlapiê que não aquece nem arrefece.

Tirando isso, é sempre de gosto que vejo os Botões Dourados. Claro que haverá quem ache isso uma futilidade mas eu, que não sou de me calar, direi que antes derreter-me com botões do que com vistos. E se esta Geneviève é do caraças... Há quem fuja ao banal e arrisque na diferença. Eu, que sou uma bem intencionada, diria que deles é o reino dos céus. Mas já sabemos que deus parece preferir os quadradinhos pelo que esta malta geralmente tem que penar. 

Não aqui. Aqui, no Um Jeito Manso, as portas estão sempre abertas para o que é diferente (e bom).


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Como é bom de ver as fotografias que usei para ilustrar o texto não eram para aqui chamadas. Mas vieram e quem sou eu para as pôr a andar? São obra da Inteligência Artificial a mando de Gokul Pillai que resolveu ver como ficariam os muito ricos se fossem muito pobres. E cá estão eles.
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Um dia bom
Saúde. Boas vibes. Paz.

sábado, fevereiro 12, 2022

Podemos defender-nos dos piratas?

 


As empresas e organismos portugueses estão desprotegidos em relação aos ciberataques?

- Estão

Uma empresa ou um organismo pode garantir que, depois de ter investido muito dinheiro em segurança, está seguro contra ciberataques?

- Não

Um pirata informático consegue sempre entrar nos sistemas de uma qualquer empresa ou de um qualquer organismo, por melhor protegidos que estejam?

- Consegue. É uma questão de tempo.

Quais são as principais vulnerabilidades das redes e dos sistemas informáticos?

- Muitas. Essencialmente as humanas.

O que deve uma empresa ou organismo fazer para melhor se defender de um ataque informático?

- Para além de investir em segurança (equipamentos, aplicações, etc), em formação a todas as pessoas da empresa e num seguro adequado, deve, acima de tudo, ter um bom plano de contingência que contemple bons sistemas de backup. Mais tarde ou mais cedo, todos serão atacados. A diferença estará na capacidade de rápida recuperação.

Pode dar um exemplo de como pode ser fácil a um hacker entrar em sistemas alheios, danificando ficheiros, capturando acessos, copiando informação, impedindo os serviços, etc?

- Um exemplo muito simples. Imagine-se um estagiário que vá trabalhar na área de IT. E, quem diz estagiário, pode dizer um trabalhador temporário. Ou mesmo efectivo. Tanto faz. Enquanto lá está, para poder trabalhar, atribuem-lhe permissões adequadas a pessoas que trabalham nesta área (permissões alargadas). Enquanto lá está, sabe como é a arquitectura das redes, dos sistemas, como é a segurança, quais as rotinas dos administradores de sistemas, etc. Quando sai, suponha-se que, por lapso, não lhe são retirados de imediato os acessos. Ou nem isso. Suponha-se que, quando lá estava, criou um utilizador com permissões alargadas. Suponha-se que, já lá fora, resolve fazer uso dos acessos e dos conhecimentos. Entra legitimamente, não é detectado pelos sistemas de segurança. Faz o que quer. Ou suponha-se que nem é ninguém de fora mas alguém que, lá dentro, resolve vingar-se. Ou que está a ser pago por alguém para fazer isso. Mil hipóteses. Mil hipóteses quase impossíveis de detectar. Ou, numa organização ainda pouco apetrechada para detectar brechas, suponha-se que alguém instalou algum equipamento ligado à rede e que se esqueceram de mudar a palavra-passe que o equipamento traz por defeito, palavra-passe essa disponível na net. Mil hipóteses. Mil. Impossível a blindagem absoluta. Impossível. Uma vez lá dentro, é só o tempo para ir entrando, conhecendo, agindo. Pode até nunca dar a conhecer que lá está ou lá esteve. E estar, silenciosamente, fazendo o que quer. Ou pode, um dia, deitar tudo abaixo. Apesar de não estar ao alcance de qualquer um, é fácil.

O que leva um pirata informático a entrar nos sistemas e nas redes de empresas ou organismos?

- Motivações políticas (em especial quando os hackers actuam a mando de Estados), motivações comerciais (para prejudicar as empresas atacadas), motivações económicas (pedindo resgates), por gozo (entrar em sistemas alheios é um desafio, é como vencer etapas de um jogo).

Os únicos riscos que se correm quando uma empresa ou organismo são atacados são apenas os de se perder informação ou de se ficar sem acesso durante uns dias?

- Não. Pode ser muito pior que isso. Se pensarmos nos equipamentos de controlo de instalações críticas tais como redes eléctricas ou de abastecimento de água ou gás, salas de controlo na aviação ou na rede ferroviária ou de metropolitano, salas de controlo em fábricas químicas ou petroquímicas, ou redes de operadores de comunicação, em especial se forem de mais que um em simultâneo. Em qualquer destes casos pode estar a falar-se em risco de vida, potencialmente em risco para muitas vidas. Ou seja, há casos que dizem respeito à segurança nacional. E espero bem que, a esta altura do campeonato, os nossos SIS estejam a validar com as empresas críticas como estão os seus planos de contingência.

De novo, o que devem as empresas e organismos fazer para prevenir situações graves?

- Levar o risco muito a sério. Em primeiro lugar devem ter um responsável de Segurança. Não deve ser uma pessoa qualquer. Deve ser alguém muito competente, muito pragmático, muito assertivo, muito bem conhecedor do funcionamento e da cultura da organização, deve ter um grande ascendente junto de todas as pessoas, deve reportar à Administração. Em segundo lugar deve haver um orçamento generoso para o tema da Segurança. 

Numa empresa ou organismo críticos, em caso de suspeita de que algum deslize pode ter acontecido, de que algo de suspeito pode estar a acontecer, o que se deve fazer?

- Ao contrário do que é costume (desvalorizar, recear 'dramatizar', ter medo de que acusem de ser paranóíco, etc), deve agir-se prudencialmente: devem avisar-se de imediato as autoridades (SIS e/ou Centro Nacional de Cibersegurança, consoante a natureza da suspeita), chamar peritos em segurança, começar de imediato a monitorizar de perto todos os comportamentos na rede e nos sistemas, em especial os que pareçam anómalos e, de imediato, verificar se todos os sistemas de contingência estão operacionais e se há quem saiba conduzi-los.

A comunicação social tem estado a dramatizar ou a empolar a gravidade dos ataques sofridos este ano (e ainda estamos no início de Fevereiro) pelo grupo Impresa, pelo grupo Cofina, pela Assembleia da República, pela Vodafone, pelos laboratórios Germano de Sousa...?

- Não. Pelo contrário. Neste caso, maior divulgação dos riscos e maior divulgação de quais as melhores práticas seriam necessárias. 
Este tema é sexy?

- Não.

Então porque temos que lhe dar atenção?

- Porque disso pode depender a nossa liberdade. Ou a nossa vida.  

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Fotografias feitas na praia ao fim de uma tarde de névoa na companhia de Sofiane Pamart que interpreta Love. 
A última fotografia, como é bom de ver, não fui eu que a fiz. 
Nada disto tem a ver com o texto mas de alguma forma eu haveria de tentar compensar a aridez do tema, certo?
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Desejo-vos um sábado feliz
Afecto. Encontros. Abraços. Alegria.