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terça-feira, maio 28, 2024

Sem palavras
Ao cuidado do João Oliveira e de todos quantos, como ele, ainda não perceberem quem é que está a fazer a guerra

 

10-year-old boy describes missile attack that killed his parents


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Sim, eu sei, Israel está a portar-se também de forma criminosa, e escrevo criminosa com todas as letras, sim, eu sei, o que Israel está a fazer não se faz. 

Mas uma coisa não desculpa outra. A Rússia, apenas pela psicopatia de um imperialista narcisista, invadiu a Ucrânia para a anexar com a ideia megalómana de reconstituir, aos poucos, a antiga URSS ou, pelo menos, as partes que dela lhe interessam.

Israel não se tem portado bem, é certo, aliás, nada, nada bem, ninguém o contesta pois crimes de guerra são crimes de guerra e a dimensão do que está em curso ainda mais o empola, mas, não o esqueçamos, neste caso está a reagir a um bárbaro atentado levado a cabo por terroristas fanáticos que ainda mantêm um conjunto de reféns civis, inocentes. A reacção é bárbara, desproporcionada, indesculpável -- é um facto. 

Mas ao passo que a Ucrânia é um Estado de direito e a Rússia não teve qualquer pretexto para fazer o que continua a fazer, no caso da Palestina e de Israel não apenas o Hamas deu a Israel um pretexto como há uma situação histórica, religiosa, civilizacional que está longe de estar assimilada. Basear a constituição de países, de Estados de direito, em religiões não sei se será uma solução inteligente. Pelo menos, até ver, ainda não se conseguiu que resultasse. 

Claro que poderá sempre invocar-se que, por detrás do que se vê, há sempre equilíbrios geo-estratégicos, desequilíbrios e tentativas de reequilíbrios políticos, tudo isso. Mas só facínoras obtusos podem levar adiante crimes hediondos em que se violam leis internacionais e se mata indiscriminadamente em nome de estratégias fantasmagóricas. 

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quarta-feira, abril 17, 2024

Homens que escrevem são perigosos...?

 

Tenho ideia que se costuma dizer que as mulheres que escrevem são perigosas. Mas, se calhar, é mais abrangente. 

Na verdade, muita gente tem achado Salman Rushdie perigoso e ele já tem pago, de todas as formas possíveis, as consequências dos riscos que corre ao escrever. 

Se antes, as ameaças, o viver sob protecção e tudo aquilo por que passou, certamente lhe deixou algumas marcas, a última situação, o atentado à facada, deixou-lhe marcas físicas muito evidentes. E traumas que parecem também evidentes.

Tudo o que envolve o crime perpetrado contra ele é terrível, a começar pelo sonho premonitório. Nem imagino o que é ter um pesadelo, ficar assustado, ficar sem vontade de ir, e, depois, viver essa situação, sentir-se apunhalado, catorze vezes a faca a entrar-lhe no corpo, não conseguir defender-se, cair a sentir que estava a esvair-se, o chão a encher-se de sangue... Estar às portas da morte depois do terror pelo qual passou deve ser terrível, não saber a extensão e as implicações das lesões... tudo terrível.

Mas ele tem conseguido vencer as ameaças, as más lembranças, os fantasmas, transformando-os em palavras. 

Knife

Um livro com uma capa belíssima.

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Salman Rushdie: The 2024 60 Minutes Interview

Andersen Cooper, como sempre, mostra que é um dos grandes entrevistadores do nosso tempo

Salman Rushdie has come to terms with the attempt on his life the only way he knows: by writing about it in his new book. He details the experience in his first television interview since the attack.


quarta-feira, outubro 25, 2023

Mosab Hassan Yousef, filho do fundador do Hamas, depois um dos principais agentes secretos ao serviço de Israel, diz o que pensa (e sabe) sobre o que está a passar-se
[E Yuval Noah Harari reflecte sobre a situação]

--- E a palavra ao grande Eugénio Lisboa ---

 

Nestas guerras sangrentas, somos todos vítimas. 

Mas as vítimas não são todas iguais.

Umas morrem, outras são violadas, estropiadas, roubadas, agredidas, humilhadas, ameaçadas, forçadas a ver o horror.

E depois há as que estão a ver de longe -- nós.  

Estamos no bem bom das nossas casas, perto dos nossos, livres de perigo. Somos vítimas mas vítimas numa escala que, de forma alguma, se pode comparar com as que sofrem com o corpo e com a alma a dor e o medo das guerras sangrentas. Somos, isso sim, vítimas da verdade, vítimas de manipulação a que diariamente estamos sujeitos. 

Perde-se a perspectiva histórica, opina-se sem se conhecer a total verdade dos factos, fala-se do que não se sabe. O pó que nos entra em casa através das televisões não cobre apenas os corpos ensanguentados: cobre também a verdade que nunca conseguimos, realmente, ver.

Como sou ignorante, tenho dificuldade em dissertar sobre tema tão complexo. Mas tento adquirir informação para conseguir navegar neste mar encapelado e com tão fraca visibilidade.

Nos dois vídeos abaixo, pode pôr-se legendagem automática para português (mas, se o fizerem, não se espantem com gralhas que são de gargalhada...).

Hamas leader's son who became a spy explains what Hamas really wants

Mosab Hassan Yousef, the son of Hamas' founder who later became one of Israel's top informants, speaks with CNN's Jake Tapper about Israel's war on the terror group and the situation in Gaza


Yuval Noah Harari & Rosemary Barton - Israel's war with Hamas


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Recomendo a visita e a leitura de um texto do Grande Eugénio Lisboa no qual me revejo em absoluto: 

Começo, para não haver dúvidas sobre aquilo a que venho, por dizer que condeno com a maior veemência, o comportamento arrogante, brutal e invasivo que Israel tem demonstrado, ao longo dos anos, para com os palestinianos da faixa de Gaza. Mesmo tendo em conta que Israel passou por períodos altamente perigosos, no começo da sua formação, quando foi atacado por todos ou quase todos os Estados árabes da redondeza, o que lhe terá criado um complexo de “excesso de resposta”, este excesso tem ultrapassado todas as linhas vermelhas de uma desejada proporcionalidade. 
(...)
O fanatismo só pode levar à destruição e faz pena ver uma certa esquerda a pôr-se embevecidamente ao lado de fanáticos religiosos, que os devorarão, assim que tiverem oportunidade. Por detrás destes está um país infernal, tirânico, retrógrado e misógino, que a esquerda – uma certa – não gosta de atacar, porque financia os delírios revolucionários de grupelhos mais ou menos genocidas. Dizia o grande Umberto Eco que “as pessoas nunca são tão completamente e entusiasticamente más, como quando agem em nome das suas convicções religiosas.” Ficam aqui estes avisos destinados àqueles que se referem sempre à triste tragédia do povo palestiniano, esquecendo-se de mencionar o HAMAS, como um dos encenadores dessa tragédia. Com Israel, sim. Juntos.

Peço que o visitem e leiam o texto na íntegra

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Desejo-vos uma boa quarta-feira

Saúde. Boa sorte. Paz.

sábado, agosto 13, 2022

Quanto menos soubermos, melhor dormimos

 

Ontem à noite comecei a ler e hoje, ao fim da tarde, li mais um bom bocado. David Satter explica como o que o que se passa na Rússia parece difícil de perceber se for olhado à luz dos valores ocidentais mas que, se soubermos o que é a prática corrente do Kremlin ou de como Putin conseguiu estabelecer-se com o crescente poder que o trouxe até aqui, acabaremos por identificar a repetição de um padrão. 

Um conjunto de crimes em larga escala, prédios destruídos durante a noite levando à morte de centenas de pessoas inocentes, atentados que têm como objectivo lançar o terror na população, atribuindo a culpa a cidadãos de um país, criando o ambiente de aceitação para a invasão que irá, depois, ser levada a cabo -- técnicas urdidas a frio. Depois o afastamento ou a a eliminação de quem poderia dar com a língua nos dentes.

Nos corredores do Kremlin, entre a seita que ele lá mantém, as pessoas são mera matéria prima para manobras que têm vários objectivos sendo que nenhum deles parece razoável e moralmente aceitável.

Corrupção, favorecimentos, comportamentos oligárquicos -- um regime que, para sobreviver, tem que abafar a revolta, a resistência. E, para isso, todos os meios são admissíveis. 

Olha-se de fora e vê-se ausência de escrúpulos, ausência de moral, ausência de humanidade, olha-se e vê-se um bando de terroristas, de criminosos. E vê-se também a cobardia dos fracos que, pela força, pela mentira, pela manipulação, pela tirania, detêm o poder de matar indiscriminadamente.

O livro saiu agora por cá mas já tem uns sete anos. Ou seja, na altura ainda se estava longe de saber onde a deriva psicopata de Putin e da sua entourage iria levar. As práticas e os crimes descritos, apesar de serem assustadores, são uma pálida amostra do que estaria para vir.

E o diagnóstico não difere por parte de quem conhece e estuda a realidade da Rússia de Putin. Veja-se o vídeo abaixo.

'O monstro frágil': o autor descreve o carácter de Putin

Journalist and author of "Killer in the Kremlin" John Sweeney argues that while Russian president Vladimir Putin is "pathologically enthralled to violence," his strategy in Ukraine is failing

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sábado, julho 16, 2022

Liza não voltará a sorrir
-- À atenção de quem é contra a guerra e quem acha que a guerra devia ter sido evitada --

 

Liza Dmitrieva, 4 anos, síndrome de Down. Estava ir ao Centro de Tratamento com a mãe quando foi filmada empurrando o carrinho de bonecas. Foi uma das várias pessoas mortas em mais um ataque russo. 

Dirão os pretensos pacifistas que este ataque deveria ter sido evitado...?

Segundo eles, como é que o assassinato de Liza poderia ter sido evitado?

A Rússia invadiu a Ucrânia (que não lhe fez mal nenhum), está a assassinar os ucranianos e a destruir as suas casas, as suas escolas, hospitais, fábricas, teatros, estradas. A Rússia pretende expulsar os ucranianos, numa clara acção genocida, com o confesso objectivo de lhes ocupar o território. Há uns anos ocupou uma parte, agora quer mais. Na verdade, querer, querer, queria era ocupar todo o país. E, se não for travada, será isso que tentará.

Dizem alguns que a guerra deveria ter sido evitada. Aliás, acho que o diz toda a gente de bom senso. Só não o diz os que defendem a guerra, os que acham que a Ucrânia, ao não aceitar ceder parte do território à Rússia, provocou a guerra. Ou seja, estranhamente essas pessoas não acham que o culpado pela invasão foi o invasor. Não -- há quem ache que a culpa da invasão foi de quem não cedeu às ameaças. Há quem consiga ver os filmes ao contrário. 

No entanto, a guerra deveria ter sido impedida, sim. Bastaria que alguém tivesse conseguido demover o psicopata com aspirações imperialistas que meteu na cabeça que deveria anexar o país do lado. Bastaria que Putin respeitasse o direito internacional e respeitasse a soberania e as fronteiras da Ucrânia. A guerra deveria ter sido evitada, sim. Bastaria que Putin não a tivesse começado.

A guerra é uma desgraça para quem a sofre e vai ser uma desgraça para todo o mundo, em especial para os mais desfavorecidos. Deveria acabar, claro. 

Defendo isso. Acho que todas as pessoas de bom senso o defendem. Mas defendo que a guerra acabe com Putin a retirar-se da Ucrânia e a ser julgado e condenado a pagar por todos os crimes que está a cometer. 

Defendo a paz. Defendo a paz. Mil vezes o direi: defendo a paz. 

Mas não defendo que, para haver paz, os ucranianos tenham que ceder território e que a comunidade internacional tenha que aceitar actos de barbaridade como se fossem actos normais. Não são. Actos bárbaros não podem ser aceites. A bem do futuro da humanidade, o terrorismo e a barbárie não podem ser aceites.

Defendo a paz. Mas jamais aceitarei que assassinar crianças, mulheres, velhos que vivem pacificamente no seu próprio país seja irrelevante ou uma consequência razoável da não cedência perante os actos terroristas de Putin.

Defendo a paz. Mas jamais defenderei que, para a alcançar, um país tenha que ceder parte de si sob ameaça de um ditador psicopata. 

Tal como Hitler jamais merecerá perdão, também Putin jamais merecerá perdão ou esquecimento. Jamais. Tal como não merecem perdão os que, perante a barbaridade destes crimes, não são capazes de os renegar.

Há algumas pessoas, felizmente poucas, felizmente cada vez menos, que continuam a desvalorizar os crimes de Putin. Há algumas pessoas que, perante a destruição e os assassinatos em série levados a cabo por Putin, pretendem desviar a atenção para factos que são, na sua maioria, forjados ou distorcidos e que, mesmo que fossem verdadeiros, jamais poderiam justificar o terrorismo russo. Há pessoas que, perante a morte e a destruição que nascem das mãos de Putin, continuam a não ter vontade de ajudar os ucranianos a defender-se. Há quem, perante o sofrimento e a dor dos ucranianos, não seja capaz de sentir compaixão.

De entre estas pessoas, destacam-se os apoiantes do PCP. Depois do choque inicial, já não me admiro muito. Ao princípio, sim. Ao princípio fiquei atónita, não queria acreditar. Agora já não me espanto. Já percebi que nada os demove. Na realidade serão os mesmos que também acharam bem a invasão, in illo tempore, da Checoslováquia. Serão os mesmos que aceitam com naturalidade os milhões de mortes às mãos de Estaline. Serão os mesmos que não ficam chocados com o regime ditatorial e absurdo de Kim Jong-un. Claro que, in between, dizem que defendem os trabalhadores mas defendem-no de uma forma desfasada da realidade, agarrando-se a parangonas que talvez tenham feito algum sentido há dezenas de anos mas que já não fazem agora. Claro que há coisas que defendem que podem fazer algum sentido. Mal fora. Mas também o Chega há-de ter algumas que se aproveitam. O pior é o resto. E o resto é mau demais. Sempre que se está do lado dos ditadores está-se do lado do mal. 

Câmara de vigilância captura ataque russo - criança de quatro anos morta

A Rússia atacou Vinnytsia no centro da Ucrânia na manhã de quinta-feira. Liza Dmitrieva, 4, foi uma das vítimas. 


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Desejo-vos um bom sábado
Saúde. Afecto. Paz.

sábado, agosto 04, 2018

Quanto a Alia Ghanem, só para dizer que toda ela e todo o ddécorque a rodeia são uma graça.
Quanto ao reso, mãe é mãe.




A maquilhagem garrida, o colorida da farpela, os naperons, o que Alia diz -- tudo aquilo parece coisa de outro tempo, de outro espaço, de uma outra dimensão. 

Para nós, Osama foi aquela criatura que endoidou, extremou, divergiu, desaderiu. Aquele que fez virar a história com a evidência de que o terrorismo existia e era para levar a sério. Atacou o ocidente, ali onde o ocidente era mais ocidente, no coração do mundo moderno.

Para Alia, Osama era apenas o seu menino. Bom aluno, brilhante, um líder natural. Apenas mal rodeado. Más influências. Mas o que se pode esperar de uma mãe? Que renegue o seu menino?

Osama bin Laden (second from right) on a visit to Falun, Sweden, in 1971.
Photograph: Camera Press
Sitting between Osama’s half-brothers, Ghanem recalls her firstborn as a shy boy who was academically capable. He became a strong, driven, pious figure in his early 20s, she says, while studying economics at King Abdulaziz University in Jeddah, where he was also radicalised. “The people at university changed him,” Ghanem says. “He became a different man.” One of the men he met there was Abdullah Azzam, a member of the Muslim Brotherhood who was later exiled from Saudi Arabia and became Osama’s spiritual adviser. “He was a very good child until he met some people who pretty much brainwashed him in his early 20s. You can call it a cult. They got money for their cause. I would always tell him to stay away from them, and he would never admit to me what he was doing, because he loved me so much.” (...)
“He was very straight. Very good at school. He really liked to study. He spent all his money on Afghanistan – he would sneak off under the guise of family business.” Did she ever suspect he might become a jihadist? “It never crossed my mind.” How did it feel when she realised he had? “We were extremely upset. I did not want any of this to happen. Why would he throw it all away like that?”(...)
Ghanem moved to Saudi Arabia in the mid-1950s, and Osama was born in Riyadh in 1957. She divorced his father three years later, and married al-Attas, then an administrator in the fledgling Bin Laden empire, in the early 1960s. Osama’s father went on to have 54 children with at least 11 wives. (...)
O artigo My son, Osama: the al-Qaida leader’s mother speaks for the first time de Martin Chulov, publicado no The Guardian, é muito interessante. Compreender o lado humano dos assassinos e daqueles que os rodeiam pode ajudar a melhor compreender as situações. Porque, se não as compreendermos, como pretender tentar controlá-las e debelar o mal?

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E muito obrigada, Paulo. As músicas que enviou são muito do meu agrado. E as suas palavras dão-me a conhecer um mundo que me é totalmente desconhecido. Agradeço-lhe.

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sábado, julho 01, 2017

Pois eu, com vossa licença, a propósito do roubo de munições do paiol de Tancos,
se fosse ao Costa, demitia o Ministro da Defesa Azeredo Lopes.
E, naturalmente, se eu fosse o Ministro, antes que fosse preciso chegar a esse ponto, demitia-me eu.
[A menos, claro, que queira suceder ao Solnado nas suas rábulas da guerra]

E o Presidente Marcelo, Comandante Supremo das Forças Armadas, agora não tem nada a dizer...?


Não sou de reacções emocionais que se sobreponham à racionalidade -- ou, pelo menos, acho que não sou. Acho que se devem perceber as razões, avaliar as responsabilidades, perceber se há ou não negligência ou culpa antes de desatar a clamar pelo pescoço de alguém. Até prova em contrário, toda a gente é inocente e há causas naturais de tal intensidade ou extensão que os meios dimensionados para situações dentro da média não podem dar resposta -- por exemplo. Ou seja, não é o primeiro que caíu em desgraça junto de alguns jornalistas ou que se chegou à frente numa situação de tragédia que deve arcar com culpas que, se calhar, não são de ninguém em particular.

Por isso, não condeno na praça pública José Sócrates já que ainda nem acusado foi (quanto mais condenado) e, também por isso, não ando para aqui a pedir a demissão da ministra Constança Urbano de Sousa.



Contudo, há situações e situações. Por exemplo, acho que o que se passou nisto do roubo de material de guerra do paiol de Tancos é de tal forma grave, aberrante, incompreensível e perigoso que acho que o responsável pela área deve assumir as suas responsabilidades. Deve. Não digo que 'tem que', digo que 'deve'. É uma questão moral face à gravidade e ao risco potencial do que está em causa.

Numa altura em que se sabe bem da difusa ameaça terrorista, não posso entender nem aceitar que armazéns carregados de munições de toda a espécie e feitio estejam sem videovigilância nem, tão pouco, equipados com um banal alarme. Os meliantes entraram, circularam, roubaram tanta e tanta coisa e não tocou uma campainha, não disparou uma buzina, não há um vídeo, não há nada. Um paiol com uma protecção à Pai Adão. Surreal. Ridículo. Indesculpável.


Se não tinham dinheiro para montar um sistema capaz, fizessem um contrato com a Prosegur ou com a Securitas. E pode parecer que estou a ironizar mas não estou. Proteger uma casa, um armazém ou o que for não é nenhuma fortuna. Não é, mesmo. E que fosse. Os riscos de haver granadas, lança-morteiros, munições de calibre não sei quantos e sei lá que mais nas mãos sabe-se lá de quem são imensos. E imensamente graves.

Pode ser que a culpa seja dos militares. E os responsáveis bem podiam pôr as barbas de molho. O chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte, deveria ser o primeiro a aparecer perante o País a assumir as responsabilidades, batendo em retirada para que alguém mais confiável viesse ocupar o seu lugar. Mas, independentemente disso, a responsabilidade primeira por tão absurdo e grave roubo é política -- e é do Minsitro.

Tenho pena mas é isto. Não confio num ministro em cujas barbas é cometida tal coisa. E pode ele nem ter barbas ou não ter estado lá dentro a facilitar as movimentações dos ladrões: não interessa. Com uma coisa destas não se brinca e os paóis têm que estar bem guardados, à prova de bala --  e não vulneráveis e desprotegidos como provaram estar. Que se ande em convénios internacionais a debater a segurança, em encontros com os congéneres europeus a traçar planos contra o terrorismo e que, afinal, não se cuide de garantir que todo o material sensível à guarda das Forças Armadas está seguro parece-me de uma gravidade extrema. Ou seja, e uma vez mais, lamento dizer isto mas não tenho como não dizê-lo: o ministro Azeredo Lopes deveria sair pelo seu pé ou, se não, então, o Costa deveria indicar-lhe o caminho da porta. 


(E, de carrinho, idem com o responsável pelo paiol, o responsável pelo quartel... e todos os que estão na linha hierárquica até chegar ao general Rovisco Duarte).


E, Marcelo, sempre tão lesto a comentar tudo, agora fica caladinho...? 

Não é ele o Comandante Supremo das Forças Armadas?


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Isto, claro, porque, não fazendo isto, ficar-se-á em risco de as Forças Armadas passarem a ser alvo de chacota e de o pessoal civil passar a ter um medo danado dos militares que guardam as armas e armamentos e da gandulagem que lá vai aviar-se nas calminhas.

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Nem digo quem é que estou a ver a fazer figuras destas.



Só que agora o caso não é para rir.

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domingo, junho 04, 2017

As flores e os frutos in heaven
[E os atentados em Londres
(e outras pequenas considerações)]





Aqui onde estou há silêncio e paz. Durante o dia, de vez em quando, passa um carro. Pode acontecer que passe também um dos vizinhos do princípio da rua mas vai a cavalo. Quando nos vê, cumprimenta com um sorriso, levando a mão ao boné. Pelo menos duas vezes por dia passa, numa carrinha, o outro vizinho para ir tratar das vacas. Antes passava também um rebanho guiado por esse mesmo vizinho.

Quando tínhamos connosco a nossa querida cãzinha, mal se ouviam ao longe os cascos do cavalo ou o balir das ovelhas, logo ela se eriçava e saía que nem uma louca para ir a correr e a ladrar ao longo da rua, pelo lado de dentro. Regressava algum tempo depois, exausta, notoriamente enervada. Eu tentava acalmá-la mas ela vinha agitada. Depois, lá sossegava.

Por vezes, de noite, ouvimos barulhos no telhado. Ao princípio, eu ficava assustada, pareciam passos. Aliás, ficávamos todos em suspenso, a tentar perceber o que era, assustados. Depois fomo-nos habituando. Achamos que devem ser bolotas ou ramos que caem, pássaros, gatos. Outras vezes ouvem-se piares altos. Talvez corujas, mochos. 

E, mal o sol se prepara para despertar, logo os pássaros em concerto, uma alegre cantoria que transmite alegria para o dia todo.

Claro que, durante o dia, mal as ameixas fiquem pintadinhas, farão o mesmo que fazem a toda a fruta: chamar-lhes-ão um figo. Entretanto, para memória futura, fotografo-as enquanto estão assim, como aqui se vê, formosas, a quererem amadurecer.


A vida pode ser simples, sem ostentações, sem conflitualidades, sem dramas. A vida aqui, in heaven, decorre assim. Devagar, em paz.

Mas é um refúgio, uma excepção. No mundo lá fora, as pessoas engendraram mundos que as aprisionam, as desgastam, lhes retiram a alegria dos prazeres elementares. Tantas pessoas com depressões, tantas pessoas desgastadas, tantas pessoas enervadas por vezes com situações frívolas (comentários desagradáveis nas redes socias ou olhares de soslaio nas pequenas terras do interior, por exemplo). Parece que as pessoas se vêm esquecendo de como é bom descansar, andar no campo, ler um livro, escrever uma carta, conversar calmamente -- sem ser de copo na mão (como vejo tantos jovens ao fim do dia a conviverem, todos de copo ou garrafa na mão) -- experimentar o prazer da generosidade, sorrir, dar a mão.

Claro que não vale a pena ser bucólico-fantasista porque o tempo em que grande parte da população vivia no campo já lá vai há muito, muito tempo. Mas parece que já vai sendo tempo de as pessoas perceberem que o mundinho escandalosamente rico dos happy few que ganham por ano aquilo que os remediados não ganham numa vida inteira é, frequentemente, um mundinho espúrio, geralmente assente em alicerces inexistentes ou podres, pelo que não faz grande sentido que sejam apontados pelos media como gente em quem o comum dos mortais deve pôr os olhos. E já vai sendo tempo de os meios de comunicação social deixarem de propagandear a mediocridade ou dar palco a tudo o que é cabeça oca, opinador da treta, entretenimento pimba ou reality show com o lumpen da sociedade.


Este sábado, de manhã, fui à cabeleireira. Depois de anos sem pôr os pés numa, agora estou a tomar-lhe o gosto. Este ano já é a terceira vez que vou. Esta percebe o meu cabelo, sabe tirar-lhe volume, escadeá-lo naturalmente, colocá-lo numa altura em que não é curto nem é comprido. Como sempre, aproveito para ler revistas. E pasmo com o que ali leio. Uma futilidade constrangedora, tudo aquilo. Nada se aproveita. Uma espuma inútil que a única coisa que faz é ajudar a distorcer ideias a quem é possuidor de uma cabecinha fraca.

As sociedades quando perdem raízes e o apego às coisas naturais e simples, quando deixam de ler ou de apreciar arte, quando deixam de ser minimamente exigentes consigo próprias e com os outros, quando o humanismo passa a ser coisa perdida no passado, tornam-se vulneráveis a populismos e alvos fáceis de gente perigosa.


Enquanto escrevo, passa na televisão o que está, de novo, a passar-se em Londres. Mais um atentado. Ou dois atentados. 

A minha filha assusta-se, pede-me que não fale nisto, que não escreva aqui aquilo que lhe disse a ela, ao revelar-lhe os meus medos. Não digo, claro, porque penso que o terrorismo se alimenta da propaganda e quanto mais mediatização tiverem os seus atentados, mais ideais destrutivas surgirão, mais tarados aparecerão dispostos ao sacrifício final, uma baleia azul em ponto grande e ao vivo.

Vejo ambulâncias, ruas cortadas, confusão. Eu aqui, tranquila nesta sala silenciosa, a escrever sobre flores e pássaros enquanto, num dos centros mais nevrálgicos do mundo ocidental, morre gente e outros sobrevivem, mas com feridas, a mais um momento de terror nas ruas supostamente pacíficas, cheias de gente que convive ao fim de semana à noite.

Tempos tristes estes em que parece querer anunciar-se o fim dos tempos, pelo menos dos tempos bons, aqueles inocentes tempos em que ver um arco-íris era uma festa, em que acreditar no amor nos enchia os corações e em que dávamos valor às coisas insignificantes e boas desta vida. E em que a poesia e a palavra em geral eram raiz e coroa da nossa existênia.


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E queiram continuar a descer ao encontro dos golos do Ronaldo, dos meus passeios in heaven  e do livro tão triste que estava a ler que tive que suspender a leitura.

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sexta-feira, maio 26, 2017

Face ao terror que derruba inocentes eis que se levanta o poder da palavra


A poesia serve para quê?

Um poeta é útil para quê?

As palavras valem o quê perante a força destrutiva de uma bomba que explode no meio de um grupo de jovens?

Perante a comoção, o desgosto e o medo da população de que serve um homem levantar-se e dizer um poema?

Nada?

Ou tudo?

Que outra força pode transformar a emoção em força? Que outra força senão a da palavra? Que outra força transforma o espanto e o terror em coragem? Que outra força transforma o emudecimento em palavras senão a da poesia?

Tony Walsh, conhecido por Longfella (por ser muito alto) leu um poema seu na vigília pelas vítimas em Manchester e emocionou a multidão.



Independentemente da qualidade do poema, do que vi nos vídeos, o que ali se passou foi extraordinário.

Vejam, por favor.



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quarta-feira, dezembro 28, 2016

2016





Não sei se já alguma vez fiz um balanço de um ano que passou, coisa como deve ser, rigorosa, pensada. Só a nível profissional e é porque a isso sou obrigada. Chego a Dezembro e lembro-me lá eu bem do que aconteceu lá para trás. Não me lembro e estou-me nas tintas para isso. Posso ter uma ideia geral. Mas de que serve isso, agora que já passou?Neste tempo de reacções exacerbadas e efémeras, de que serve a reflexão sobre o que passou? 

Por exemplo, sei que a nível político, cá pelo burgo, a oposição começou por aboborar, depois definhou e, finalmente, feneceu. Em 2016 Passos Coelho cobriu-se de ridículo a cada dia que passou apesar de as televisões continuarem a levá-lo ao colo. Mas é ao colo. Não em ombros como antes: levam-no ao colo como se leva um inválido. Isto o Passos Coelho. Do lado dos orfãos do ex-Irrevogável, a desgraça não é menor. Enquanto o Láparo se vai deixando cobrir de moscas, a Madame Cristas-da-coxa-grossa aposta no glamour à moda da colunável Katia Aveiro. Infelizmente nem uma nem outra conseguem ser levadas a sério. O rapazito Adolfo do verbo fácil e olhinho faceiro lá tenta fazer de conta que o partido ainda mexe mas não consegue. Aquilo vivia dos trocadilhos do Portas. A sucessora, Madame Cristas, que não tem a verve do ex-discípulo do Esteves Cardoso, aposta nos quadrinhos e lembrancinhas 'tipo' pré-primária e o garçon Adolfo, não sabendo como fazer pendant com essas gracinhas escolares, aos poucos, vai também perdendo o brilho que lhe vinha do reflexo do tutor.


Quanto ao PS, lá vai andando, sem grande brilho, a reboque da energia catapultante de António Costa. Muita gente agarrada ao passado, a épicas memórias, muita gente com os pés agrilhoados ao aparelho, muito culto de seita que vem do espírito das jotas e muito encosto a facilitismos por via de nomeações para assessorias e outras mordomias. Mas, aqui e ali, alguém sobressai e consegue caminhar sobre esse terreno, alguém consegue formar uma equipa de gente que consegue puxar o barco e seguir em frente, com presciência, competência e determinação. António Costa tem estado a ser um exemplo de energia, capacidade de agregar diferenças, vontade de tirar o pé do país da lama -- e sempre num registo descontraído, não como um missionário, não como um mestre-escola castigador. Um primeiro-ministro que não nos envergonha. Pelo contrário: um primeiro-ministro de que nos podemos orgulhar.

O PCP é cada vez mais um agrupamento de gente desnorteada -- mas séria. Jerónimo de Sousa é um homem honrado. O PCP já não consegue ter ideais porque todos os seus modelos ruiram. Agora apoiam-se em utopias. No entanto, pode ser gente antiquada e, por vezes, um pouco quadrada, mas é gente de bem. Penso que uma aliança com o PCP, seja sob que forma for, é um esteio de honorabilidade.

O BE não é que, de vez em quando, não tenha razão. Tem. Concordo, com frequência, com o que dizem. Mas há ali um onanismo latente e um histrionismo cansativo que estraga o efeito do que dizem e quase anula a razoabilidade de algumas ideias. Se calhar, ao escrever isto, estou a pensar essencialmente na Mortágua e na Catarina Martins e a ser injusta para os outros. Mas a verdade é que, tirando elas, o resto não risca.

Marcelo é o que é e está na presidência como esteve nas campanhas (nas presidenciais e nas autárquicas). E como esteve nos comentários. Aliás, entre mil outras coisas, ainda está nos comentários. É a personificação do dom da ubiquidade, da hiperactividade e da criatividade ao serviço da política. Envolve o país em sorrisos e afectos, transporta uma mensagem de optimismo e confiança e isso é positivo. Não tem sido lesivo do País e tem ajudado a limpar a sombra negra do Cavaco e, enquanto assim se mantiver, nao está mal. Além do mais, não vai descansar enquanto não conseguir limpar o PSD de Passos Coelho e isso é motivo para todo o País lhe ficar grato.

Tirando isso, o que mais?


Na UE a pasmaceira do costume, a falta de visão, a calhandrice inconsequente a que já habituaram o mundo. Um bando de burocratas inúteis. E a vergonha de ter um ex-presidente da Comissão a enxovalhar uma instituição que, já de si, não sabe dar-se ao respeito. Durão Barroso é a bosta do regime cavaquista -- e eu, que nunca emprego esta palavra e que não acho graça a quem a usa, tenho que pensar mesmo muito mal da criatura para a usar.

Nos EUA, o cúmulo do ridículo a que isto chegou: um palhaço eleito presidente. E palhaço aqui não é profissão, é insulto mesmo. Os riscos que o mundo vai correr com um parvo daqueles aos comandos do mundo são difíceis de antever. Custa perceber como um país que é tido como um bastião da liberdade e do progresso elege um parvalhão retrógrado, uma nulidade, um perigoso bronco. Um perigo.

A Rússia continua a ser o urso grande que caminha sem medo por entre a negra floresta, de quando em vez até pode parecer amigo e fofinho, mas logo deixa claro que é capaz de dar abraços que asfixiam e que não se ensaia nada para deixar pegadas de sangue, 

A China é o grande império que se deixou deslumbrar pelo pechisbeque mas que mantém os hábitos ancestrais de planear a longo prazo, de avançar com a paciência milenar de quem sabe que a vida de um homem é curta mas que a cultura impregnada nos genes da nação é vasta. E avança. E avança a caminho do ocidente. Delicados, avançam por onde os caminhos são fáceis e as portas abertas. 


Tirando isso, o terrorismo, essa doença infantil de um mundo que não tem sabido lidar com a democracia, com a inclusão, com as dificuldades de um progresso que deixa muito a desejar. Este é um mundo onde abunda a testosterona besta, onde campeia o aproveitamento da situação por parte de quem vive da indústria de armamento e, sobretudo, onde os agentes evidenciam uma cultura de Play Station e muito poucos neurónios -- e isto quer do lado de quem pratica o terrorismo quer do lado de quem não é capaz de o combater. Talvez o ano que aí vem traga algum separar de águas nesta matéria.

Omnipresente, o capitalismo desregulado, a ganância insaciável, a corrupção boçal. Um mundo que se move a partir dos bastidores.

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Nas artes, nada de disruptivo, pelo menos que me lembre. O mais significativo talvez seja mesmo que a ceifa em 2016 tem sido brutal, levando mais artistas do que era costume. A grande malvada não tem sido branda.

Mas grandes obras, grandes livros, grandes pinturas, grandes músicas, grandes esculturas, grandes coreografias, grandes filmes, etc, etc,... assim que agora possa destacar não estou a ver. Contudo, talvez seja lapso de memória da minha parte.

Nas ciências, certamente por ignorância minha, mas também talvez devido à fraca visibilidade de um mundo que parece viver muito em circuito fechado, talvez devido ao estupidificante desinteresse da comunicação social, também não consigo pronunciar-me.

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E, no entanto, há todo um mundo aprazível, um mundo de gente boa, corajosa, heróica, especial. Ou de gente normal capaz de milagres. Do milagre da sobrevivência, por exemplo. Gente generosa. Gente inteligente. E há a natureza. O milagre da renovação da natureza. E a ciência. Gente que espreita o desconhecido, que procura o que se esconde debaixo da pedra, gente que procura a luz ao fundo do indecifrável labirinto. E a arte. Pode não acontecer a obra prima mas há a arte de todos os dias. A arte das palavras perfeitas, de as escrever, de as cantar, de as dizer, e a arte dos acordes sublimes, e a arte das cores e da luz, e a arte de mudar a forma dos materiais, e a arte de desenhar o movimento. 

E é isto que faz mover o mundo e que faz valer a pena viver.


E a nível pessoal, o que se passou comigo?

Uma avalanche de trabalho desabou em cima de mim. Muitas vezes sinto que não sei se vou aguentar ou conseguir dar conta do recado. Depois lá vou pondo de lado esses pensamentos e seguindo em frente. A nível de saúde, tive uma tendinite tramada que, porque fui deixando arrastar a toque de brufens consecutivos, deu também em bursite. Durante algum tempo escrevi aqui cheia de dores, com gelo, cheia de anti-inflamatórios. Devia ter descansado mais mas continuei a trabalhar, a conduzir, a fazer a vida normal (apesar do esforço, por vezes, tremendo). Lá passou. No tempo livre, passeei sempre que consegui, caminhei, fotografei, estive com os meus, porque sem eles é que não passo, carreguei com mais toneladas de livros cá para casa. Quase não pintei. Que me lembre só três quadros para a minha filha. E cada vez mais constatei que o mais importante na vida é o afecto. Talvez tanto ou mais que a saúde.

E agora, assim de repente, acho que mais nada que valha a pena figurar aqui. Ou melhor, haver mais, há. Se calhar o mais importante nem está aqui. Mas são coisas cá minhas.


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As imagens são algumas das fotografias do dia que, ao longo do ano, foram sendo publicadas pelo site National Geographic.

A música, interpretada por Nick Cave é To Be By Your Side porque assim me mantive ao longo de 2016, ao vosso lado.

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Permito-me ainda convidar-vos a descer até ao post seguinte onde me interrogo sobre qual a forma de lidar com alguém que está com uma depressão ou com um esgotamento.

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quinta-feira, julho 28, 2016

Adel, Ali e o filho dos pais que, ao meu lado, tão angustiadamente falavam
- ou os riscos de atentados terroristas nesta desorientada Europa




Esqueço-me frequentemente que o meu corpo tem limites que a minha mente desconhece e o resultado disso é que, volta e meia, tenho umas 'cenas'. Nada de mais, pelo menos até ver (noc, noc, noc - três vezes na madeira) mas há exames, análises, médicos, ou seja, maçadorias adicionais e, sobretudo, recomendações de repouso, repouso, repouso.

Hoje, de tarde, numa dessas incursões, estava eu no balcão da recepção e o sistema informático bloqueado, não conseguiam emitir facturas, aceder às agendas dos médicos, etc. E eu ali à espera. Mas, como estava sem pressa, não me fez confusão. E, sobretudo, às tantas comecei a ouvir a conversa de um casal que, encostado também ao balcão, perto de mim, falava com a que me pareceu ser a chefe do atendimento. Mesmo que não quisesse ouvir, ouvia na mesma dado que falavam com naturalidade. Ao princípio, eu estava distraída, reparando na aflição das pobres coitadas que ligavam e desligavam os computadores, que diziam umas às outras para experimentarem carregar aqui ou ali -- e nada funcionava.

Mas, depois, como aquilo não desenvolvia -- e ligaram para um técnico de informática que fosse lá com urgência pois já estavam fartas de fazer tentativas com ele do outro lado -- olhei para o lado e vi quem mantinha aquela conversa com a 'patroa' da recepção.


Era um casal talvez com uns quarenta e tais, classe média (a classe média portuguesa que é pouco mais do que remediada). Falavam do filho, agora com 19 anos. Que estava cada vez mais estranho, que não estudava, que dizia que não valia a pena porque depois não há trabalho, que passa os dias fechado no quarto de roda do computador, que ouve músicas muito estranhas (o pai acrescentava: pesadas; e depois contava que o filho lhe tinha perguntado se não havia nenhuma música com a qual se identificasse e que ele tinha respondido que não, e depois virava-se para a senhora da recepção e dizia: está a ver? Tem conversas destas, cada vez mais estranhas). A senhora da recepção fazia um ar compreensivo.


A mãe tinha um rosto de angústia e perplexidade e continuava: que ele se veste de forma cada vez mais estranha, que acha que não é gótico mas que é muito estranho, e aquelas músicas, tão esquisitas que quase dão medo. E que se tem apercebido que ele visita sítios muito estranhos na internet. Que não se interessa por procurar coisas úteis, só coisas estranhas que a deixam preocupada.

A senhora da recepção perguntou se não havia outros casos na família e a mãe do rapaz, num tom de voz mais baixo, disse que o pai há uns anos tinha passado por uma fase muito difícil e que isso tinha marcado muito o filho, e aí o marido encolheu-se nos ombros, quase envergonhado, fez que sim com a cabeça e disse: foi complicado, foi. A mãe continuou: e a avó também tinha problemas de nervos. A senhora da recepção fez um discreto e entendido sorriso: estas coisas são genéticas, muitas vezes são.

A mãe, com o rosto branco e derrotado, continuou: que já o tinham posto numa instituição mas que, quando ele fez 18, lhes disseram que, a partir daí, só se ele quisesse, que não o podiam ter preso. E que o filho não quis.


O pai dizia que já tinham marcado consultas mas que ele nunca ia. E que não sabiam se havia de ser psiquiatria ou psicologia. A senhora da recepção decretou: Psiquiatria - porque ele precisa de medicação. E que a psiquiatra depois é que havia de dizer se devia ter também acompanhamento psicológico. 

Os pais perguntaram, quase a medo, quanto custava. A senhora da recepção perguntou se tinham seguro. Que não. Então explicou-lhes que tinham que pagar na totalidade. 90 euros a primeira consulta, porque é a mais demorada, e 60 (ou 70, não me lembro) as seguintes. Os pais entreolharam-se, preocupados. Depois a mãe perguntou: E tem que vir quantas vezes à consulta? Uma vez por semana? A da recepção disse que não, que até podia ser de 2 em 2 meses, que as de psicologia é que poderiam ser mais mas que isso a psiquiatra é que depois havia de recomendar, que até podia não ser preciso.

Aflitos, disseram: Pois, se for muito a gente não pode. Depois a mãe disse ao pai: Se calhar havíamos mesmo de ver isso do seguro. E o pai disse: Pois, temos que ir ver. Imaginei que deviam estar a pensar que um seguro também não é barato. E não é.

Mas marcaram uma consulta e que iam convencê-lo a ir, porque começavam a sentir medo do que ele pudesse fazer. E lá saíram os dois, esmagados.


Fiquei numa ansiedade. Imagino o sofrimento de ver um filho assim, de não lhe conseguir chegar.

Não sei se no Serviço Nacional de Saúde não haverá psiquiatras e psicólogos que façam um tratamento atempado e de proximidade junto de jovens que começam a derrapar em planos perigosamente inclinados. Se calhar não, ou se calhar não em número suficiente.

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Agora, ao percorrer os jornais online, leio que o autor do acto bárbaro na igreja francesa era um jovem de 19 anos que desde há anos era problemático, tanto que ainda andava com pulseira electrónica, e que quem o acompanhou no acto foi outro jovem talvez ainda mais jovem. Vi a foografia: pouco mais que um menino grande.

Jovens como Adel, perturbados, que se sentem desinseridos -- ou Ali, o outro jovem de 18 anos, que matou tantas pessoas em Munique e que tinha perturbações de foro mental, tendo conhecido o outro jovem que o teria acompanhado no ataque no centro de apoio psiquiátrico e que tinha como ídolo o doido varrido do Breivik -- são verdadeiras bombas-relógio com as quais os pais não sabem lidar e, como se tem visto, nem os pais nem as sociedades.


Adel Kermiche virou-se para o Daesh porque é o que está a dar, a 'onda' mais mediatizada, enquanto Ali andava obcecado com a matança de Breivik, tão mediatizada cinco anos atrás.


Vê-se as fotografias de ambos e o que se vê são putos, adolescentes, jovens a quem, certamente, os pais não conseguem compreender ou amparar.


Claro que no Daesh qualquer destes infelizes jovens caem que nem ginjas na sua estratégia de marketing já que nem têm que os treinar nem influenciar: estão, por eles mesmos, prontos para fazer maluquices a eito e por conta própria.

Por isso, uma vez mais o digo: mais do que andarem por aí a falar em guerras religiosas, a imaginar grandes complots, penso que seria bom que quem manda percebesse o problema grave, endémico e profundo que tem em mãos. O mal maior não está fora das fronteiras da Europa: está dentro. Há um sentimento de desenraizamento e desesperança entre muitos jovens e esses sentimentos, muitas vezes, são maus conselheiros. Em minha opinião, deveria ser planeado, com urgência, acompanhamento sociológico/psicológico/psiquiátrico a todos os jovens identificados como jovens de risco.

Deve também, de uma vez por todas, encarar-se o grave problema do tráfico de armas. Se em França ou no outro dia num comboio foram usadas facas já o rapazinho de Munique, se não estou em erro, tinha um arsenal bélico em seu poder. Adquirido na dark internet, ouvi dizer. Certo. A internet não detectada, sites a que não se acede pelas vias normais. Ok. Mas teve que as pagar e o dinheiro é físico, e sobretudo as armas são físicas, materiais, não são virtuais. Circulam. A toda a hora se houve falar em rixas que acabam em tiroteio. Parece que meio mundo tem armas.


Se estou a ver bem o que se tem estado a passar, nenhum destes atrozes atentados teve na génese o Estado Islâmico. Se bem leio a realidade, tudo se tem passado às mãos de europeus desequilibrados: um adulto jovem desempregado, em processo de divórcio, perturbado, outro que sofreu bullying em miúdo e que vivia fechado na adoração de mitos bélicos, outro que sonhava com guerreiros do deserto que degolam prisioneiros, mais ou menos, tudo nesta base. 

O que a mim me parece, face ao que observo, é que estamos perante uma sociedade que não sabe interpretar a causa dos riscos, uma sociedade que gera líderes fracos como galinhas atarantadas, uma sociedade que explora até à náusea as desgraças sem as saber perceber e sem, sequer, perceber que a invenção de heróis que são uma espécie guerreiros do Daesh é um incentivo para adolescentes que não reconhecem outros 'idolos' que não os que as televisões e os jogos e filmes de guerra idolatram.


Nota: Comecei este texto refeindo uma conversa a que hoje, involuntariamente, assisti e derivei para o tema dos atentados. Contudo, não sei quais os riscos que tanto atormentam os pais que ali, por várias vezes, vi prestes a rebentarem em lágrimas.

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As imagens que usei são algumas das belas obras de street art que se podem ver em Lisboa e que, sabendo sou grande admiradora, Leitor a quem muito agradeço há dias me enviou. Poderão ver tudo aqui.

Lá em cima Benjamin Clementine interpreta The people and I 

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quinta-feira.

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sábado, julho 23, 2016

Coisas normais em tempos de medo e perplexidade






Por motivos que agora não vêm ao caso, hoje estava em casa a horas em que ainda costumo estar a trabalhar ou enlatada no meio do trânsito. Sozinha em casa, tempo totalmente meu. Mas, como já saberão os que daqui já me conhecem há algum tempo, não me dou bem com a ociosidade. Ter um tempo para mim que não precise de ser conquistado, comigo não funciona. Se não tenho tempo para nada, parece que arranjo tempo para tudo. Tê-lo de mão beijada, desconcerta-me. Podia ter pegado num livro, podia adiantar o blog, sei lá -- e isto para não falar em ocupações mais imperiosas como, por exemplo, pôr papelada em ordem. Mas não dá. Abate-se em mim uma indolência quase incapacitante.

Portanto, deitei-me no sofá e liguei a televisão. Em todos os canais o tiroteio em Munique. Ainda há pouco tempo, um ou dois meses, parte do meu pessoalzinho lá andou a passeio. Só de pensar nisso, fiquei ainda mais incomodada. A vulnerabilidade absoluta de todos nós pode ter um efeito paralisante. As televisões começaram a encher-se de comentadores. Até o Francisco José Viegas lá estava, não sei se ao lado de um polícia, não sei se era no Correio da Manhã TV. Ninguém sabia de que se tratava mas já toda a gente opinava. As mesmas imagens em contínuo. em todos os canais. Um sapato abandonado, os polícias de arma apontada, gente a sair com ar assustado.

Não sei ainda de que se trata mas acho que uma propaganda destas, mostrando em tempo real, durante horas, carradas de polícias na rua, armados até as dentes, tudo aquilo parece mais uma das omnipresentes séries ou filmes de violência que as televisões e os écrãs de cinema passam a toda a hora, tornando a agressividade, a raiva ou a loucura tópicos essenciais na indústria do entretenimento -- onde a morte é um elemento banal, imprescindível para manter a atenção.

Algum dia, alguém ainda há-de estudar o efeito perverso que a comunicação social e a indústria do cinema e da televisão têm na banalização do mal.

Fica-me a ideia de que os malucos encartados, os ressabiados, os deprimidos, os violentados ou rejeitados não se ensaiam muito para, em momentos de revolta, angústia ou desligamento afectivo do meio envolvente, resolverem 'partir tudo', 'limpar o sebo a uma data deles', provarem ao mundo que não deviam ter sido descartados, provarem que falavam verdade quando diziam que ainda iriam 'ouvir falar muito' deles.

Ou seja, não me parece muito difícil que gente com problemas de rejeição ou abandono, com vidas desestruturadas e sem esperança num mundo melhor, se vire para os cavaleiros do neo-apocalipse, para os neo-vingadores, para esses neo-convertidos que se vestem de guerreiros do deserto, enrolados em vestes de neo-profetas e armados como se estivessem num jogo de guerra. E esses neo-guerreiros (do Isis ou do que calhar) também não desdenharão a adesão de tudo o que é doido varrido, pronto a lançar o terror e sem medo de morrer.

Não sei quais as motivações do(s) atirador(es) de Munique pelo que mais não sei nem quero dizer. Não tenho conhecimentos sobre o assunto.

Preocupa-me, isso sim, a falta de lideranças fortes, democráticas e inclusivas no mundo ocidental. O actual bando de galináceas que por aí pulula, vendendo-se por tuta e meia e ferindo a dignidade das populações, fazendo acordos com ditadores, criando guerras e depois fechando as fronteiras às vítimas, com a xenofobia e o racismo a brotar como perigosa infestante, isso, sim, parece-me favorecer um perigoso caldo onde não será difícil que germinem ódios, demências ou desvarios.

Mas não sei. Pode isto não ter nada a ver. Como não ouvi os comentadores a metro, não me instruí.

Abreviando; aborrecida por ver o festival de comentadeiros que as televisões arrebanham mal lhes cheira a pólvora ou a cadáveres no passeio cobertos por curto lençol, parti para a maluqueira do zapping alternativo.

Não sei em que canal parei mas sei que fui parar a um onde as pessoas iam fazer operações plásticas correctivas depois de outras opreações lhes terem corrido mal. Uma chinesa tinha mudado o formato dos olhos e a cara agora parecia, dizia ela, o rabo de um macaco. Para além disso, tinha ela mesmo injectado nas maçãs do rosto um silicone que comprou pela internet. Comprou todo o que podia por 100 dólares. O médico dizia que era um perigo porque são produtos não sujeitos a controlo, que podem causar sérias alergias ou até pôr a pele preta. Agora queria voltar a parecer chinesa.

Outra era a ex top model Janice Dickinson, mudada de alto a baixo, um rosto estranho, a boca informe -- e que dizia que estava tudo muito bem. Maravilhosa - excepto no peito, dizia ela. Que, como tinha nascido com peito pequeno, tinha posto implantes de silicone já há uns 30 anos. E que agora tem pregas na pele do peito e que sente que há coisas a nadarem dentro dos seios. O médico explicou que aquele tipo de implantes tem que ser substituido de 10 em 10 ou, vá lá, de 12 em 12 em anos e que, depois disso, correm o risco de rebentar. Mostravam, então, os seios dela: uma coisa quase assustadora. A preocupação dos médicos era com o facto de ela ter tido problemas com drogas e, portanto, não ser aconselhável medicamentos de tipo narcótico. Ora aquela operação ia ser muito dolorosa.

O programa depois parou ali e deve continuar num próximo episódio. Fiquei com pena, gostava de ver como fivava a chinesa ou como ia a Janice reagir. Depois deu o Project RunWay e tive a sorte de papar os dois últimos episódios daquela série, ficando a conhecer de mão beijada o vencedor. Gosto imenso destes programas. A criatividade instantânea aliada ao virtuosismo técnico fascina-me. Do nada, desatam a fazer vestidos, casacos, saias e blusinhas altamente originais e tudo bem feito. Como eu gostava de ser assim.

Escusado será dizer que o meu marido já estava farto de protestar: não apenas não são programas do seu agrado como eu estava a ocupar-lhe o sofá. Dizia: 'Olha lá, não tens que ir fazer o blog?'. Portanto, aqui estou agora.

Entretanto, depois de vaguear pelos canais, agora está a ver a tourada na RTP1.
Custa-me pensar no sofrimento dos touros, claro que sim, mas tenho em mim um lado bárbaro: também gosto de ver tourada. Agora, por exemplo, estou a escrever isto e a espreitar a pega que teima em não se concretizar. Aliás, o primeiro aviso acaba de soar.
Já conseguiram. Bom embarbelamento.

E eu penso que a esta hora deve estar a dar o Expresso da Meia-Noite e que me estou a marimbar para o que toda essa gente diz, ou que, se calhar, a esta hora, já se conhecem os contornos do que se passou em Munique mas também não me apetece ir averiguar.

Entretanto, andei à procura de imagens para aqui colocar que ilustrassem a banalização do mal e lembrei-me de pôr o Graham -- que, coitado, pode ser horroroso mas mau acho que não é. Contudo, penso que ilustra bem o nonsense desta sociedade. A razão de ter sido criado pode ser meritória mas parece que a a mente começa a puxar demais para o lado do monstruoso. Transcrevo:
He might look a little different but I assure you that he’s human. Well, sort of. The reason he looks the way he does is because his body has been modified to withstand a car crash.
He has multiple nipples to protect his ribs like a natural set of airbags
Graham was created as part of a new Australian road safety campaign by the Transport Accident Commission (TAC). He was designed by sculptor Patricia Piccinini, a leading trauma surgeon, and a road safety engineer, who modified him based on their own knowledge of traffic accidents. The result isn’t a pretty sight but it’s certainly a sobering one. As you can see, Graham doesn’t have a neck because these snap easily in car accidents. He also has a flat, fleshy face to protect his ears and nose. And if you’re wondering about all those extra nipples, they’re to protect his ribs like a natural set of airbags.
Don’t have a body like Graham’s? Then think about slowing down next time you’re behind the wheel.
Em contrapartida, quis começar e acabar com imagens que ilustrassem a beleza da natureza. Queria imagens que mostrassem que ainda há lugares puros e belos e que se transfiguram em belezas ainda maiores quando são olhados com desvelo. É o caso da última (aqui abaixo) e das duas primeiras fotografias da autoria de Joni Niemelä, um fotógrafo autodidacta de Southern Ostrobothnia, Finlândia.


Lá em cima, a música é interpretada por um menino muito talentoso, George Ezra, que aqui aparece num divertido mano a mano.

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E agora vou à procura de poesia dita ou de dança.

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Ora bem; cá temos um momento poético


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo sábado

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