Como um bicho atordoado, desatinado, descerebrado, sentindo-se acossado -- com revelações sobre o seu envolvimento no escândalo Epstein a rebentarem como pipocas, em todo o lado, a toda a hora --, Trump vira-se para onde calha e atira ao acaso.
Ultimamente, para além dos disparates habituais e dos insultos e desconsiderações a adversários políticos ou a gente da televisão (Colbert, Kimmel ou Fallon, por exemplo), deu-lhe para lançar acusações sobre Beyoncé e sobre Oprah a propósito do apoio que publicamente deram a Kamala Harris aquando das eleições, pedindo a sua acusação. Imagine-se o nível a que o desvario já chegou.
Mas se alguns engolem em seco e tentam seguir em frente, outros há que, como foi o caso de Colbert, tiraram as luvas e agora é às escâncaras e sem meias palavras, ou como Beyoncé, que, no programa de Colbert, é vista num vídeo, colagem de vários momentos dos seus clips, que é, todo ele, uma gargalhada na cara do camelo-mor.
Beyoncé responde ao Presidente Trump
Will President Trump succeed in his latest attempt to distract attention from the Jeffrey Epstein scandal?
Que a democracia consiga sobreviver -- nos EUA e em todos os lugares em que é ameaçada
Chateia-me à brava quando vejo dar cabo de dezenas, centenas de árvores, para fazer novas urbanizações. E ultimamente tenho visto umas quantas. Fico passada. Com a falta que elas fazem, como é possível tamanha chacina? Não seria possível compatibilizar o crescimento urbanístico com a preservação de manchas verdes?
Mesmo a um nível mais reduzido, tenho visto decepar, degolar árvores lindas e enormes que estão perto de estradas em locais em que não vejo que possam fazer mal. Mesmo pelo respeito que deveriam merecer-nos pelo número de anos que têm, acho que deveriam ser poupadas. Soube recentemente de uma petição para acabar com esta estupidez e fiquei satisfeita por haver ainda pessoas atentas e preocupadas.
Gosto cada vez mais de ver ou ler notícias de locais antes ermos, desertificados, que foram recuperados e se tornaram verdejantes, férteis, por acção humana, por plantação de árvores, por criar zonas de sombra e de escoamento e retenção de águas. Não haverá outro caminho para que o nosso pequeno planeta continue a ser um local habitável pelos seres que hoje ainda existem.
E vi este vídeo abaixo e achei-o também maravilhoso.
The Fascinating Plant That Lives For 300+ Years | Seasonal Wonderlands | BBC Earth
Svalbard in the Arctic spends many months of the year in complete darkness, an unrelenting frozen winter with temperatures down to minus 40 Celsius. Some organisms – such as the compass plant – have adapted an ingenious method to survive in these extremes, ready for when the sun finally reappears.
Back to the future: Reforesting Scotland's iconic hills | Focus on Europe
After being deforested centuries ago, southern Scotland is now dry and barren. Now, to preserve nature and protect the climate, weekly volunteers are replanting pastureland to be forests in the future.
... e depois coisas inesperadas mas em que igualmente se revela o amor e respeito pela natureza.
Man builds an entire village for mouse he saw in his garden
... e depois um daqueles lugares em que parece que a natureza é simplesmente um lugar feliz já que tem sido respeitada, amada.
Giverny Monet's Home and Garden
Monet's house and garden in Giverny is a picturesque oasis of beauty and tranquility, where the famous impressionist artist found inspiration. The vibrant colors of the flowers, serene pond with his iconic water lilies, and the charming French country house creates a truly enchanting experience. Explore Normandy's town of Giverny!
Que a ressurreição seja também a da natureza nos locais em que se encontra definhada, a do respeito e amor às árvores, às flores, aos pássaros, ao ar puro, à beleza.
Dou-me lindamente com o meu marido apesar de já viver com ele há séculos e séculos. Na origem de tal fenómeno estará a atracção, o afecto mútuos mas, não menos importante, está o respeito pela liberdade e privacidade mútuas: um não invade (demais) o espaço um do outro. Cada um trabalha em seu sítio, cada um tem seus gostos, cada um tem seus horários. Coexistimos a espaços e, acho eu, de forma não intrusiva nem evangelizadora.
Já aqui falei de uma prima, bonita, elegante, altamente apaixonada pelo marido, e que, por ele fazia tudo -- e esse tudo incluía querer tomar conta dele, querer controlá-lo, fazer-lhe todas as vontades. Quando ele chegava ao trabalho, ela exigia que ele lhe ligasse a dizer que tinha chegado bem, se ele estava ao sol, ela ia a correr pôr-lhe um chapéu, se ele andava ao frio, ela ia a correr buscar-lhe um casaco. Claro está, que ele não descansou enquanto não arranjou outra. Agora vive com uma horrososa, mal encarada e mal disposta e que se está nas tintas para ele. E a minha prima vive ainda sozinha, incapaz de substitur o grande amor da sua vida.
Também já contei sobre a minha amiga vistosa, toda giraça, que era casada com um homem mais baixo que ela, meio encurvado, feio e mal jeitoso (apesar de simpático e bom coração). Pois bem, ela tinha uns ciúmes loucos dele. Fazia cenas, vigiava-o, controlava-o. Uma coisa sem explicação. A paciência que ele tinha que ter para aturar aquela maluquice não tem explicação. Claro que, depois de uma parte final tempestuosa, acabaram separados, inimigos, a espumar ódio por todos os poros.
Não sou exemplo para coisa nenhuma e nisto ainda menos. Mas o que queria dizer é que, volta e meia, quando estou com o meu marido muito tempo de seguida aqui na casa da cidade, acabo por me enervar um bocado e inevitavelmente alerto-o para o facto de que, um dia que estejamos ambos reformados, ele que nem tente disciplinar-me, educar-me, ou, de qualquer forma, condicionar-me. No campo esta é questão que não se coloca: há largueza e ocupação que chega e sobra para que não tenhamos que andar a encalhar um no outro. Mas, aqui nesta casa, a conversa é outra e presta-se a que ele ensaie tentar fazer de mim uma mulherzinha de bons hábitos, bem comportada e bem mandada. Coisa fatal. Tudo menos isso.
Mas há os casais estóicos que conseguem conviver airosamente, do levantar ao deitar, dia após dia, ano após ano, seja a nível pessoal, seja a nível profissional. Conseguem fazer uma equipa sempre bem articulada, sempre tolerante e sempre prontos para mais. Quando penso nisso, não sei porquê ocorre-me que, quando isso acontece, na volta acabam mais companheiros, quanto muito amigos coloridos, do que amantes. Mas não sei. Sabe-se lá da vida de cada um.
O que sei é que o vídeo que a Beyoncé e o marido, Jay Z, acabaram de lançar é qualquer coisa de espectacular. Nem um nem outro fazem o meu género (aliás, acho que é a primeira vez que vejo um vídeo que qualquer um deles do princípio ao fim) mas, a sério, tiro-lhes o chapéu. Para dizer a verdade nem foi à letra nem à música que prestei mais atenção. Nem à interpretação. Foi mesmo ao vídeo. Espectacular. Ela linda, hot, uma deusa parideira, toda sinuosidades e convites, ele todo dengue, malandrice, disponibilidade. E há ali cumplicidade. Vê-se que se divertiram, que há criatividade, empatia e convergência de vontades, de estilos, de vida. Ousaram e ousaram em grande. Ousaram em grande estilo. Com arte. Com muita pinta.
A coisa dá-se no Louvre e, vão por mim: é espectacular. Vou ouvir outra vez a ver se me dá vontade de dançar. Ou de ir até ao Louvre.
Beyoncé e Jay Z em "Apeshit" do álbum"Everything is love"
Longe vão os tempos em que eu via crescer, um a um, o número de leitores do meu blog e ficava intrigada: quem serão? como deram comigo? Tinha, então, a vontade de atingir o número simbólico e que me parecia quase inatingível das 100 visitas por dia.
Uma vez li no Vida Breve um agradecimento por ter recebido, na véspera, 400 visitas. Nessa altura eu acompanhava uma meia dúzia de blogs e desconhecia, mesmo de nome, os mais visitados da blogosfera portuguesa. 400 visitas parecia-me uma coisa espantosa, um objectivo que nunca estaria ao meu alcance. Atribuí-o ao mérito do seu autor e à qualidade que eu lhe reconhecia, apesar de tantas vezes discordar do que ali lia.
Enquanto isso, aos poucos, as visitas ao Um Jeito Manso iam crescendo. Até que um ano e oito meses depois de ter criado o blog, o impossível aconteceu e atingi o surpreendente número de 100.000 visitas. Fiquei tão contente, tão agradecida. Nunca tinha imaginado tal feito.
O tempo tem passado. Há sete anos que já por aqui ando. Quando comecei esta aventura, havia um pimentinha, ainda pequenino. Depois dele mais quatro chegaram. Os leitores também foram chegando e ficando. Os números foram crescendo. Nunca deixei de me surpreender nem de me sentir agradecida mas agora já não reparo quando passo por números redondos. Contudo, hoje vi que já tinha ultrapassado 2.300.000 visitas e voltei a ficar admirada. Em Abril tinha chegado aos dois milhões e, agora, em cerca de seis meses, já se somaram mais 300.000. Provavelmente não é nada de mais e o que não faltarão serão blogs que recebem mais do que isto por mês ou por dia. Não sei, não faço ideia. Mas eu tenho consciência das minhas limitações e, por isso, é sempre com alguma estupefacção (e contentamento) que vejo que as minhas palavras despertam algum interesse. No outro dia, um Leitor, por mail, referiu que o que o tinha feito permanecer era também o que eu juntava aos textos, nomeadamente os vídeos. Cada Leitor terá as suas razões.
E talvez, de vez em quando, eu desiluda alguns. É impossível agradar sempre, é impossível agradar a toda a gente. Mas pode ser-se sempre verdadeira. Tento ser sempre verdadeira.
O tempo passa e nós talvez nos vamos modificando. Talvez eu hoje seja diferente de quando aqui me estreei. E há dias e dias. Tantas vezes, enquanto aqui se está, escrevendo palavras cheias de despreocupação e riso, num corredor subterrâneo dentro de nós, caminham as nossas preocupações, as nossas mazelas.
Mas quem aqui está é uma pessoa tão pessoa quanto quem nos está a ler. Contradições, fraquezas, paixões, desilusões, esperanças, prazeres, tristezas. De uma forma explícita ou implícita, tudo por aqui tem passado.
E as minhas causas. A defesa dos mais indefesos, a defesa da política inteligente e humanista, a defesa do conhecimento e da ética, o fascínio pelas artes, pelas palavras. A necessidade de afecto, de beleza e de elegância -- em tudo.
Hoje trago aqui o vídeo que fala da luta pela dignidade das meninas. Está lá em cima, para acompanhar a leitura deste texto.
This new film from director MJ Delaney featuring ‘Freedom’ by Beyoncé, calls for action on some of the biggest challenges girls face like access to education, child marriage and the threat of violence´
Já o confessei algumas vezes: tem acontecido pensar se me apetece por aqui continuar. Isto absorve-me o pouco tempo livre de que disponho e impede-me de me dedicar a outras aventuras ou a velhos prazeres. Mas depois há isto: o ter onde escrever e saber que alguém me lerá, o poder partilhar vídeos que me agradam, o poder abordar temas que me são caros, o poder mostrar fotografias que faço (como estas que fiz este sábado, in heaven) ou que vejo. No fundo, o poder ter este espaço de liberdade e partilha. O poder chegar até vós, o poder sentir-vos aí desse lado.
Lembremo-nos daquele de quem todos já nos esquecemos: Cavaco.
Saíu como entrou, desnecessário. Dele não sobrou uma boa lembrança, um bom momento. Como se durante dez cinzentos anos o Palácio de Belém tivesse estado habitado por uma múmia e por uma dona Cavaca, no dia seguinte a terem saído já ninguém se lembrava de tão inútil casal.
Entrou então o hiperactivo Marcelo. Até ver, tiro-lhe o chapéu. Frenético e inovador, parece estar a ser a alavanca de optimismo e civilização de que o País estava ávido.
O discurso deste 10 de Junho foi inteligente, elegante e justo para com os portugueses. Com as suas palavras, Marcelo devolveu Portugal aos portugueses, ao povo português.
Se conseguir manter manter este estonteante ritmo e, sobretudo, a lucidez, dele se guardarão bons momentos.
Mas dificilmente igualará o charmoso, inteligente e bem disposto Obama.
O que se vê no vídeo abaixo é notável. É certo que fala em temas não consensuais como, por exemplo, o tema TIPP (em que fica claro como água que tudo aquilo serve para abrir os caminhos e olear os mecanismos para venda, sem restrições, de produtos americanos na Europa). Mas fiquemo-nos pelo restante, e pelo estilo, descontracção, pelo extraordinário sentido de humor e pela disponibilidade para alinhar em tudo o que é irreverência.
Se Marcelo se quer inspirar numa personalidade civil (já que, notoriamente, se tem inspirado numa religiosa: o Papa Francisco), que ponha os olhos em Obama. Claro que não tem aquele swing, aquele sorriso que destila charme, mas, enfim, se se ficar pelo inteligente sentido de humor, pela criatividade e determinação, e pela vontade de não se quedar por actuações tradicionalistas e protocolares já será bom.
A vossa atenção, por favor, porque vale mesmo a pena. Desemprego, sistema de saúde, reatamento das relações com Cuba, próximas eleições, etc, tudo é passado em revista - mas, ó céus, com que graça... Isto é política nos tempos modernos e no seu melhor estilo.
"Slow Jam the News" - Jimmy Fallon com o Presidente Obama
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E um pequeno bónus: um cheirinho da Lemonade da Beyoncé que não escapou ao balanço de fim da era Obama
(e nada de segundas leituras daquilo que escrevi porque não me refiro à Beyoncé mas à Lemonade -- além disso, é preciso não esquecer que a Michelle com ciúmes não é pêra doce).
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E, claro está, viva Portugal que ainda é 10 de junho.