Não serei a Paula Bobone nem, tão pouco, candidata a sua discípula. Nem tenho a mania das etiquetas nem sou muito convencional. Contudo, tenho que reconhecer, apesar de todas as minhas limitações, há coisas que tenho para mim que são regras a seguir quando estamos à mesa. Geralmente decorrem não de manias mas de tradições que, em dada altura, fizeram sentido ou que, vendo bem as coisas, ainda o fazem.
Por exemplo:
1 - Acho que é compreensível que mandem as boas práticas que, quando a sopa está quase no fim, não se incline o prato na nossa direcção mas no sentido oposto. É que, a haver algum deslize, não há risco de nos sujarmos.
2 - Também me parece óbvio que se segurem os copos de pé alto pelo pé e não de mão à volta do recipente em si. Não apenas é uma questão de elegância como, sobretudo, uma questão de temperatura. Os vinhos devem ser servidos à temperatura certa (mais coisa menos coisa) e uma mão à sua volta causará troca de temperaturas.
3 - Claro que também nunca se junta gelo ao vinho. Vinho é vinho, não é refresco.
4 - E não se deve encher o copo de vinho até quase a cima. O vinho deve poder respirar e, quem o vai beber, não deve correr o risco de enfiar o nariz na bebida mas, sim, deve poder aspirar o aroma que dele se liberta.
5 - Também mandam as boas práticas que, numa refeição que não as habituais em casa, no fim, não se dobre o guardanapo direitinho. Isso é quando vamos voltar àquela mesa na próxima refeição, usando o mesmo guardanapo. Caso contrário, deve ser deixado, naturalmente, não esparramado mas displicentemente colocado ao lado do prato. Não se pretende que pareça pronto para voltar a ser usado, mas o contrário.
6 - A menos que estejam poucas pessoas à mesa e todas cheguem facilmente ao centro, não se devem colocar as terrinas, as travessas da comida ou a fruta ou as sobremesas em cima da mesa mas sim num aparador ou mesa lateral. Os convivas levantar-se-ão e servir-se-ão levando o seu prato para a mesa. Se, pelo contrário, se puser a comida em cima da mesa, a toda a hora os que comem estarão com braços a cruzarem-se e descruzarem-se e todos a atrapalharem a refeição uns dos outros.
7 - Se surgir uma espinha na boca, não é preciso fazer muita ginástica: pode, com a ponta dos dedos, discretamente retirá-la, apondo-a na beira do prato (e, de preferência, limpando, de seguida, discretamente, os dedos). Idem com os caroços de azeitona. São coisas que acontecem e não vale a pena fazer de conta que não.
8 - Claro que em circunstância alguma se põe a faca na boca. E escuso de explicar porquê.
9 - Comer uma asinha de frango ou uma perninha de perdiz claro que se pode comer à mão. Com discrição e não com alarvidade, bem entendido. Mas claro que sim.
9 - Comer uma asinha de frango ou uma perninha de perdiz claro que se pode comer à mão. Com discrição e não com alarvidade, bem entendido. Mas claro que sim.
10 - E hoje pode parecer coisa marialva ou de dondoca -- mas eu que não sou (ou não me acho) uma tiazona, não abdico -- mas é o homem que serve as bebidas à mulher e não o inverso. Se há coisa que, juro, me faz muita impressão é ver algumas mulheres muito solícitas a acharem que mostram uma grande delicadeza pondo vinho no copo do vizinho do lado. Nunca. Não me perguntem porquê, à luz da igualdade de género, mas eu tenho para mim que é daquelas coisas que ponho ao nível de os homens fazerem a barba e as mulheres não ou as mulheres depilarem as axilas e (quase tdos) os homens não. Coisas que são assim porque sim. Bebo vinho se um homem me servir. Gosto de ser servida. No vinho (e noutras coisas também).
11 - E, claro!, é a comida que vai à boca e não o contrário. Ou seja, a pessoa não deve debruçar-se sobre o prato mas, sim, deve levar o garfo à boca, mantendo o corpo direito. Não deve a pessoa manter-se hirta à mesa como se tivesse engolido o garfo. Pode estar descontraída.
Mas estar descontraído não é sinónimo de fazer da mesa um apoio para o corpo descansar.
12 - Uma regra que não sigo e que acho que, nos dias de hoje, é para esquecer é a de que não se deve repetir o queijo. Supostamente, quem se enche de queijo é porque prefere o queijo aos acepipes que os donos da casa com tanto gosto prepararam ou mandaram preparar. Mas que se lixe: queijo é bom e convém não exagerar no cumprimento à risca. É como não ser 'bem' cortar a salada com faca. Supostamente, para ajudar, só o pão. Mas isso pode ter feito sentido com talheres impróprios, de ferro que, oxidados e em presença do vinagre do tempero, enferrujariam de vez num instante. Com talheres de aço, não há risco de a alface se sentir molestada e muito menos de a faca ficar inflamada. Portanto, se dá mais jeito usar a faca com a salada, que se use. Contudo, se a folha da alface estiver muito grande, acho mais razoável dobrá-la antes de a levar à boca do que estraçalhá-la e a verdade é que, frequentemente, apenas uso o garfo para comer a salada. Poderia usar pão se não estivesse a esforçar-me para o evitar. Assim, só quando não resisto a molhar o pão no molho da salada, que adoro.
Mas estar descontraído não é sinónimo de fazer da mesa um apoio para o corpo descansar.
12 - Uma regra que não sigo e que acho que, nos dias de hoje, é para esquecer é a de que não se deve repetir o queijo. Supostamente, quem se enche de queijo é porque prefere o queijo aos acepipes que os donos da casa com tanto gosto prepararam ou mandaram preparar. Mas que se lixe: queijo é bom e convém não exagerar no cumprimento à risca. É como não ser 'bem' cortar a salada com faca. Supostamente, para ajudar, só o pão. Mas isso pode ter feito sentido com talheres impróprios, de ferro que, oxidados e em presença do vinagre do tempero, enferrujariam de vez num instante. Com talheres de aço, não há risco de a alface se sentir molestada e muito menos de a faca ficar inflamada. Portanto, se dá mais jeito usar a faca com a salada, que se use. Contudo, se a folha da alface estiver muito grande, acho mais razoável dobrá-la antes de a levar à boca do que estraçalhá-la e a verdade é que, frequentemente, apenas uso o garfo para comer a salada. Poderia usar pão se não estivesse a esforçar-me para o evitar. Assim, só quando não resisto a molhar o pão no molho da salada, que adoro.
13 - As flores ou quaisquer outros elementos decorativos sobre a mesa não devem cortar a visibilidade de quem está em frente: ou devem ser baixas ou, em alternativa, estar altas, por exemplo, colocadas em floreira ou jarra de pé alto e estreito. Os enfeites são para embelezar, não para atrapalhar.
14 - Quanto à ordem dos copos e talheres, é simples: de fora para dentro pela ordem de utilização. Mas nada como ver o esquema:
15 - Em refeições à mesa, especialmente se houver alguém a servir, quem abre as hostilidades é a dona da casa. Ninguém se deve atirar ao prato enquanto a anfitriã (ou, se fora de casa, a mulher mais velha) não começar a comer.
Em refeições volantes isto não se aplica. Não faria sentido. E, nos casos em que há muita gente a servir-se em side board, então também se releva a etiqueta de esperar pela dona da casa.
16 - Quando não há uma multidão a auto-servir-se mas um número comportável e (para aí até umas 12 ou 15 pessoas razoavelmente despachadas e disciplinadas) é simpático esperar que todos se tenham servido e sentado para se começar a refeição e, sendo assim, será delicado esperar que a dona da casa comece.
17 - Regra de ouro: não se limpam os pratos à mesa nem se passam restos de uns pratos para outros, à mesa. Isso faz-se na cozinha. Quando se levantam os pratos, levantam-se assim mesmo, sobrepondo-os tal como estiverem, com ou sem restos. Quanto muito, retiram-se os talheres.
18 - Finalmente: é preciso saber retirar-se. Nunca por nunca se deve ficar eternamente sentado à mesa, nos copos, com conversa mole, obrigando a refeição a prolongar-se para além dos limites suportáveis pela paciência alheia.
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Para quem se entenda com o francês, aqui ficam três vídeos que ilustram algumas das regras de etiqueta à mesa
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E claro está que isto a que por aqui têm vindo a existir não é outra coisa senão eu a precisar de férias e já com os neurónios em modalidade light. Bem pode o mundo pôr-se a fazer flic-flacs à rectaguarda, com mortais encarpados à rectaguarda em pleno espaço sideral que a mim só me dá para coisas deste calibre. Pior que isto só se me puser a falar de dietas de verão ou de cremes anti-celulite para podermos ir para a praia com o corpinho todo photoshopado. Mas, pelo caminho que este blog está a levar, não será de espantar se um dia destes a coisa descambar de vez para aí.
Abaixo as estrias e as socias-estrias e vivam os barrigudos!
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E viva a vida
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