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domingo, julho 03, 2022

Luzinhas, amorzinhos, casinhas para passarinhos

 


Aquele pequeno prolongamento do terraço ficou muito bonito. Acolhedor. Ganhou vida. É agora um lugar onde é bom estar. Penso que uma das coisas que mais contribui para ser tão agradável ali estar à noitinha é aquilo que arreliou o meu marido. Agora já concede que fica bonito. São grinaldas de bolinhas brancas que se iluminam à noite. Funcionam com energia solar. Na sexta-feira, trouxe da loja um outro candeeiro que estava em promoção. Trouxe-o por cinco euros. O meu marido logo a torcer o nariz. Sendo quase cem por cento minimalista, assusta-se perante a perspectiva de ficar com os espaços transformadas em arraial. Mas não. Também sou um bocado discreta. Este consta apenas de uma bola branca, grandinha, talvez uns vinte centímetros de diâmetro. Pode ser o globo que encima um pé que se enterre no chão. Mas eu não usei o pé, limitei-me a pô-la encaixada num vaso branco. Quase parece uma mono-peça. Se não me esquecer, amanhã fotografo para vos mostrar. À noitinha ilumina-se e dá uma luz bem boa. Ao fundo do jardim também está uma grinalda de luzinhas solares. 

Acho uma graça, as luzinhas brancas que, de dia, nem se vêem e que, à noite, como que por magia, ficam luminosas.

Tenho cá três meninos a dormir. Jantámos lá fora e depois deixámo-nos lá ficar até já passar das dez da noite. Fomos conversando, eu penteando-a, ela penteando-me a mim, eu penteando o mano mais novo. Estávamos todos num cadeirão lounge comprido e largo. Obviamente que o urso felpudo não podia faltar. De vez em quando saltava para se ir pôr a ladrar ao cão da casa ao lado. Mas depois vinha pôr-se ali no meio dos meninos. O meu marido também esteve. Depois a menina esteve a pentear o mais cabeludo que se ia virando de um lado e de outro para ela o escovar bem.

Por volta das dez e tal, viemos para casa, vestiram-se para dormir, lavaram os dentes e ela juntou-se aos irmãos no quarto dos rapazes para ouvirem mais uma história da Margaret e do seu irrequieto cãozinho. Eles é que escolhem o tema. E eu desenvolvo. Margaret vai ao oceanário. Depois quiseram mais uma: Margaret no Zoo. Fartam-se de rir. O mais novo conta coisas suas a propósito do que vai ouvindo. Os irmãos mandam-no calar-se receando que se perca o fio à meada. Claro que o urso felpudo estava no chão, enroscado num canto, também a ouvir s histórias. É a encarnação viva do irrequieto e querido cão das histórias da Margaret. A meio de uma história, o mais novo disse: 'Gosto tanto dele. Vou dar-lhe uma festinha.' e levantou-se e foi mesmo fazer uma festa ao seu amigo.

Depois ela foi para o quarto dela e o dog de guarda foi pôr-se no corredor entre as portas dos quartos deles. Algum tempo depois acabou por entrar no quarto dela. Está deitado no chão, ao lado da cama. Ela ficou contente. É a orgulhosa madrinha dele e gosta de ver estes sinais de atenção por parte do seu afilhado.

Hoje está com as unhas pintadas de azul claro. Disse-me que é um verniz vegan. Não faço ideia do que isso significa. Mas é uma cor bonita e fica-lhe bem.

No outro dia, disse-lhe que tinha pensado, um dia que deixe de trabalhar, pintar o cabelo de cor de rosa  claro. Perguntei-lhe a opinião. Disse-me que sim, que acha bem. Mas depois acrescentou: Mas eu acho que preferia em azul. É cá das minhas, não se preocupa com a opinião dos outros, pensa pela cabeça dela. 

Teve notas altas, vários cincos e vários quatros. Mas a EVT teve três. Admirei-me pois adora desenhar e pintar. Perguntei-lhe que matéria deu para não ter gostado assim tanto. Disse-me: 'Perspectivas e assim'. Depois encolheu um pouco os ombros e esclareceu melhor. 'Prefiro o abstracto.' Achei um piadão. Nestas coisas, acho que esta miúda tem muito de meu. 

E hoje fico-me por aqui pois estes passarinhos acordam cedo. Hoje estavam cansados. O mano do meio foi finalista e teve nesta sexta-feira o seu jantar de despedida. Toda a turma e respectivos pais e irmãos. Foi festa até à uma da manhã, dança e brincadeira. Apesar disso, no sábado, praia com eles. Portanto, agora à noite estavam de olho gordo, mesmo com sono. Ela é que agarrou uma espertina das brabas. Diz que não sabe porque não dormia porque até estava com sono. Acontece. Mas estão habituados a levantar-se cedo pelo que mais vale que eu esteja preparada para me pôr em pé quando der por eles já acordados. 

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A beleza de viver

Rugas, linhas, cicatrizes - há muitas formas através das quais o tempo deixa a sua marca nos nossos corpos. No entanto, a cultura dominante teme envelhecer - somos instados a combater o processo de envelhecimento e muitos sentem-se pressionados a mentir sobre a sua idade. Mas, como disse Betty Friedan: "O envelhecimento não é a 'juventude perdida', mas um novo estágio de oportunidade e força".

Com a idade pode vir a confiança e a liberdade para perceber quem realmente somos. À medida que envelhecemos, desenvolvemos um tipo mais profundo de beleza que funciona de dentro para fora. É uma beleza mais autêntica porque irradia de dentro. Então vamos celebrar vidas bem vividas. E sintamo-nos com sorte por acordar todas as manhãs para apreciar o que o novo dia tem para nos oferecer.


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As casinhas de pássaros são algumas das que podem ser vistas no artigo Home tweet home: birdhouses designed by artists – in pictures e estão na companhia de Three little birds. O vídeo, como é bom de ver, é da Green Renaissance

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Desejo-vos um feliz dia de domingo

domingo, setembro 03, 2017

Cenas da vida doméstica




E não esperem, por favor, que vos fale da actualidade pois não faço ideia de actualidade nenhuma. Todo o dia fora da actualidade. Nem notícias, nem fofocas, nem temas que incendeiem as redes sociais, nem coisa nenhuma.

Estes meus dias andam peculiares. Mas à tarde emergi num outro mundo e ainda é nele que estou.

Conto.

Já era noite, fui à casa de banho buscar um creme, tinham-me pedido uma massagem, e, num relance, vi-me ao espelho. É instintivo: sempre que passo perto de um espelho, olho-me. E fiquei admirada: vi-me bonita. Lábios em cor-de-rosa brilhante, sombra em cor de musgo sedoso nos olhos, cabelo penteado, apanhado dos lados. Nem parecia eu. Há duas semanas que não me arranjo desta maneira, a imagem no espelho parecia-me uma outra eu. Voltei à sala e disse: 'Olha, gostei de me ver, estou bem'. O meu marido olhou-me e confirmou: 'Estás mesmo'. A menina sorriu orgulhosa. Como sempre que cá dorme, pede para me maquilhar. Vai buscar o grande estojo que a tia me ofereceu e que faz as suas delícias. Antes pintalgava-me toda. Agora não. Está crescida, fez sete anos, já tem mão, já tem o gosto apurado.

Antes estive eu a penteá-la. Apanhei um pouco de cabelo de cada lado, fiz duas trancinhas e prendi-as em cima com umas molinhas em tartaruga. Com o seu cabelo castanho claro assim apanhado, os seus belos olhos em azul-acinzentado claro e os seus lábios cheios e rosados, estava linda.


Entretanto, o irmão, já com sono, estendido no sofá, disse: 'Eu, para mim, é uma massagem. Trinta minutos, se faz favor'. Lá fui, então, buscar creme, lá lhe fiz uma massagem talvez de uns cinco minutos. Antes tinha estado a portar-se mal, a tirar o pente à irmã, antes a tirar-lhe o copo de lavar os dentes, a empurrá-la, sempre a fazer das dele. Zanguei-me. Quando estava a dar-lhe uma lição de moral, disse, com ar enfastiado: 'Já percebi, porra'. Zanguei-me outra vez. 'Isso diz-se? Ai, ai!'. Fez cinco anos e embora fisicamente não se pareça com o pai, na maneira de ser é tal e qual. Reguila, provocador, naturalmente irreverente, a tender para o disparate. O pai, quando era pequeno, não apenas dava conta do juízo à irmã, sempre a provocar-lhe ira, como dizia palavrões que até fervia. Acho que já o contei. Eu zangava-me, dizia que, se continuasse a dizer asneiras, lhe punha pimenta na língua. Não ligava patavina. Também com quatro ou cinco anos era um abusador. À mínima, lá saía palavrão. Um dia, furiosa, peguei nele e pus-lhe mesmo pimenta na língua. Nunca imaginei o efeito daquilo. O miúdo quase dava pulos até ao tecto, aflito. Fiquei aflita, talvez mais que ele. Peguei nele ao colo, fui a correr para a casa de banho, lavei-lhe a língua, lavei, lavei. Arrependida, arrependida, ainda hoje arrependida. Dava-me conta do juízo. Tinha tanto de inteligente, divertido e generoso como de traquinas e mal comportado. A minha filha, quase três anos mais velha que ele, penou um bocado. Assim é este agora. 


Ela é uma doçura. Opiniosa e decidida, é, no entanto, uma ternura. Agora ganhou o gosto a mandar mensagens. Nesta semana, um dia estava eu a dormir, às oito e picos da manhã, recebo uma mensagem da minha nora: 'Olá. Já estás acordada'. Pensei que se tinha enganado, que seria para a mãe dela pois a mim não me trata por tu. Estremunhada, respondi: 'A mensagem é para mim?' E, na volta: 'Sim, é'. Perguntei: 'Porque perguntas isso?'. Com familiares hospitalizados, pensei que havia coisa, e logo o meu coração começou a disparar. Resposta: 'Porque queria saber se estavas acordada.' Só depois reparei que a seguir às palavras vinha um bonequinho, acho que um unicórnio. Percebi, então. Perguntei se era ela, a bonequinha mais linda. Confirmou que sim. Respondi que ela me tinha acordado e que ia voltar a dormir. Respondeu: 'Bons sonhos'. Aqui presumo que já industriada por algum dos progenitores. Mas também pode ter sido coisa dela.

Hoje já se fartou de enviar mensagens aos pais. Eles enviam-me mensagens a mim a perguntar se eles se estão a portar bem ou se já jantaram ou o que estão a fazer e é ela que responde, e com uma velocidade e um à vontade fantásticos. Desliza o dedo sobre a letra para escolher o acento correcto, aceita as palavras sugeridas, escolhe bonecos que lhe parecem alusivos à conversa. Ele também pede para mandar uma mensagem mas só quer mandar bandeiras. De tarde, transcreveu palavras que tinha manuscrito e que eu lhe tinha ditado: Gato lava vulcão. Depois escreveu o nome dele. Seguiu assim a mensagem. O meu filho respondeu: Lava e vulcão fazem sentido. Só não sei o que está o gato aqui a fazer.


Agora de noite, os pais andam com os amigos e com o bebé no Avante. De tarde fiquei também com o bebé. Eu sozinha com os três. O meu marido tinha ido fazer uma visita daquelas que têm ocupado os nossos dias. Mas correu bem. Portaram-se bem. O pior foi quando o bebé acordou cheio de fome. Ficar calado na cadeira da papa está quieto. Eu e a maninha a preparamos a papa e ele aos gritos. Depois lá comecei a dar-lhe a pratada: acalmou-se instantaneamente. Se, pelo meio, tinha que interromper nem que por uns segundos, por exemplo, para abrir um iogurte líquido para o mano, que custava a desenroscar, logo ele desatinava, numa berraria. Come que se farta e tem que ser de penalti. Depois, mal acaba de comer, quer cirandar. Eu a querer lavar a louça e ele aos berros. Como, entretanto, o avô chegou e foi jogar à bola com o outro para a relva do jardim (enquanto a mana, com a minha máquina, fazia a reportagem fotográfica), levei-o lá para baixo e, dando-lhe balanço, pu-lo a dar pontabés na bola. Adorou. Uma festa. 

Entretanto, já estive a trocar mensagens com a minha filha. Na segunda-feira fico com os dela. Mais crescidos, dois reguilaços, vivaços, super bem dispostos. temos que arranjar programa à maneira.

Agora estes dois já estão, obviamente, a dormir. Como habitualmente, pediram que contasse uma história da princesa Margaret. Ela disse: 'A Princesa Margaret pinta um quadro'. Lá contei. Depois pediram mais uma: 'O primeiro dia de escola da princesa Margaret'. A parte pela qual sempre aguardam com expectativa é aquela em que o cão Kikas se porta mal e causa embaraços a toda a família. Um dia ainda vou ver se relembro as dezenas e dezenas de histórias da princesa Margaret que já inventei e publico uma colecção. 

E é isto. Agora vou eu dormir que a alvorada é cedo.

A vida é um verdadeiro carrocel, altos e baixos, sustos e alegrias, momentos de agitação, momentos de paz. Saibamos sempre agarrar e fazer perdurar os bons instantes e deixemos esquecer o que de menos bom vai atravessando o nosso caminho -- é o que eu penso. Não sei se penso bem, se mal, mas, pensar assim, a mim ajuda-me muito.

E que as crianças guardem boas recordações da sua infância e saibam transportar por toda a sua vida as doces memórias de quando ainda acreditavam que o mundo era um lugar seguro e tranquilo para que lutem para que assim ele seja.


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Fotografias de aves no The Guardian

Connie Talbot interpreta Three Little Birds 


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domingo, setembro 29, 2013

Afinal a Manuela Moura Guedes não fez cirurgias por razões estéticas mas sim porque tinha uma doença no rosto. E, por isso, aqui estou a reparar a minha incorrecção. E, de caminho, falo sobre uma coisa que escrevi no outro dia e que percebi que impressionou uma pessoa que me escreveu. Contra a solidão, a tristeza e as sombras que venha a luz e que cantem os three little birds. Haja alegria, minha gente.


No post abaixo falo do gnomo no jardim, ou seja, falo do artigo assim intitulado da autoria de Clara Ferreira Alves, no Expresso deste sábado, e que incide sobre o último livro de José Rodrigues dos Santos. Um artigo imperdível.

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, reparo uma incorrecção minha e reflicto sobre uma coisa que, no outro dia, aqui escrevi.

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Manuela Moura Guedes no Quem quer ser Milionário


Primeira observação: referi-me no outro dia ao regresso de Manuela Moura Guedes à televisão e às entrevistas que ela anda a dar por tudo o que é órgão de comunicação social. Não é pessoa cujo exercício profissional me agrade. Também me desagrada o tom que usa para falar e as expressões que faz, que me parecem descabidas. O tom de voz e os trejeitos quase anulam o que diz.

Mas referi-me às cirurgias plásticas que tem feito e que não a têm favorecido nada. Ora, em mais uma entrevista, desta vez no Expresso (as agências de comunicação a funcionarem em grande: arranjando publicidade através destas presenças), Manuela Moura Guedes refere que não foram cirurgias voluntárias mas sim fruto de uma maleita que a atormentou e que bastante mossa lhe devem ter feito pois diz que foi nessa altura que começou a tomar anti-depressivos. Diz que lhe apareceram quistos no rosto, que a deixaram deformada e que, na altura, teve que continuar a trabalhar porque as audiências estavam em alta, não podia deixar de aparecer. Imagino o tormento que deve ter sido. Teve que tirar os quistos, fazer infiltrações de corticóides. Acrescenta que só agora, com um médico iraniano, é que está a recuperar as suas feições.


Por isso, justiça seja feita: foi corajosa em ter continuado a expôr-se apesar dessa doença estranha e teve que ser também muito corajosa para suportar as observações desagradáveis referindo as operações plásticas quando, afinal, se tratava de uma doença.

E eu aqui, pela parte que me toca, reparo o meu erro.

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Segunda observação: recebi hoje um mail em que se transcrevia um pequeno excerto de um texto escrito por mim, dizendo que, de facto, é assim mesmo que se passa.

O excerto é este:


As sombras não são boas companheiras, parece que sugam a vida. 

Aos poucos, a vida, destituída de luz, vai procurando mais e mais sombra, a matéria vai ficando rarefeita, apenas o silêncio já parece suportável. 

E depois já não são apenas sombras, já é um negrume que avança como irreversível gangrena.




Li a frase quase como se não tivesse sido escrita por mim. E assustei-me um pouco: tomara que estas minhas palavras não causem mais ansiedade em quem se sinta assim, rodeado por sombras. 

Não era essa a minha intenção. Muito pelo contrário, por eu achar aquilo mesmo que escrevi, é que tantas vezes aqui apelo a que, quem se sinta aflito, sozinho, sem apoio, sem ver saídas para os seus problemas, peça ajuda, não receie pedir ajuda. E saia de casa, abra as janelas e respire ar fresco, e passeie, e vá ao cinema, e ouça música, e qualquer coisa que ajude a trazer para fora da zona em que as sombras mais pesam.

Estar na zona de sombra pode ser bom, pode ser aconchegante, a sombra como uma seda, o silêncio como um bálsamo. Mas a sombra é boa por contraste ao excesso de luz. Quando a luz desaparece e toda a vida é invadida pela sombra, começam a desaparecer as referências, começam a quebrar-se os laços com o que se situa no exterior, a solidão começa a criar raízes que sorvem toda a seiva, que puxam para o vazio aqueles que se encontram mais fragilizados. Há que evitar isso a todo o custo.


Por isso, se alguns dos meus leitores leram as minhas palavras com alguma angústia, peço que as vejam como um apelo para que não se deixem tomar pela desesperança. 

Por muito fracas que sejam as vossas forças, por favor reinventem-se, acreditem em que melhores dias hão-de vir, procurem a luz, a cor, a inocência do riso das crianças, o afecto dos animais - qualquer coisa. 

É certo que estes dias cinzentos não ajudam muito mas não faz mal, respirem o ar molhado, sintam o ar fresco nos vossos rostos, riam, pensem em coisas boas. Não cultivem a solidão, não se habituem à ausência, à falta de afecto e de esperança. Não deixem que se quebrem os laços que vos ligam aos outros.

...

E agora já chega de palavras senão ainda me dizem: falar é bom para quem fala de barriga cheia, para quem tem uma família boa, uma vida sem problemas.

Eu calo-me já mas, primeiro, deixem que vos diga que não sou uma construção ficcional, não sou uma abstração: não, eu sou de carne e osso, tenho problemas, passo por momentos complicados, sou igual a toda a gente. No entanto, não me dou por vencida, vou à luta, vejo o lado bom das coisas, ponho o mau para trás das costas. Mas, enfim, cada um é como é. E isto também não pretende ser conversa azulinha com passarinhos em fundo, daquelas de conversa fiada e de pseudo-auto-ajuda - até porque cada um é que sabe de si e onde mais lhe dói e se as penas de que padece são das que voam ou das que se enterram na carne.

E adiante que para a frente é que é caminho

Mas, de qualquer maneira, se é para ter música celestial, um céu muito azul, passarinhos e borboletas, que seja como deve ser. Portanto, música, por favor: Three Little Birds (aqui não por Bob Marley mas por uma menina com uma bela voz e muita alegria de viver, Connie Talbot). 


Uma alegria vê-la e ouvi-la.




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Nota: Era para ter falado hoje de Os Idiotas do Rui Ângelo Araújo mas, com isto, acabei por me atrasar e amanhã tenho que me levantar cedo pois tenho um dia cheio de afazeres de toda a ordem (entre os quais votar, é claro). A ver se amanhã consigo.
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Relembro: sobre o gnomo no jardim, isto é sobre o JRS - que a Clara Ferreira Alves demoliu sem dó nem piedade no Expresso deste sábado - é descerem, por favor, um pouco mais.

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E tenham, meus Caros Leitores, um belo domingo.