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sábado, fevereiro 29, 2020

Coronavírus:1 milhão de infectados em Portugal?
É provável. Mas a vida não pára. Por isso, bola para a frente e rendamos homenagem a Ofélia.





Vem na 1ª página do Expresso mas desde há alguns dias que eu, vendo as curvas de propagação e olhando os factores multiplicativos, vinha dizendo que não via como conter o COVID-19. Se vivêssemos em aldeias, em casinhas isoladas, se não respirássemos todos o mesmo ar em grandes espaços fechados (como grandes escritórios, centros comerciais, cinemas, etc.), se não houvesse a globalização, as feiras internacionais, os Erasmus, as abertura de fronteiras, as viagens baratas e o turismo permanente e global, toda a gente a voar de um lado para outro (a voar ou a andar aos milhares, fechados em paquetes), aí talvez se pudesse conter a progressão do vírus. 

Assim é impossível.

Se, ainda por cima, pode haver recidivas (parecendo que a pessoa que contrai a virose não fica imunizada) ou se o período de contágio se inicia antes da fase sintomática, então, adeus minhas encomendas.

Em cima disso, agora percebeu-se que os cães também ficam apanhados. Era o que faltava. Ou seja, é para esquecer. Não dá para conter.

Quando houver uma vacina -- para gente e, provavelmente, para animais -- e, se calhar, quando já parte significativa da população tiver sido tocada e, portanto, quando já existirem algumas resistências, aí talvez o bicho enfraqueça e deixe de ser tema.


Mas isto digo eu que não sou expert em nada disto. Digo porque, se pensar em termos de modelagem daquilo que se observa, facilmente antevejo que o resultado será justamente qualquer coisa como o que Graça Freitas refere, ao que percebo baseada em modelos matemáticos. Um décimo dos portugueses infectados nos próximos tempos (não li o artigo mas admito que o horizonte temporal em causa se refira aos próximos anos) parece-me um número provável. 

Não se veja isto como alarmismo mas como aquilo que é. E isso não é forçosamente uma catástrofe. Quantos portugueses já tiveram gripe de outros tipos? Certamente também milhões e daí não veio grande mal ao mundo (excepto, claro, para os vários milhares que morreram e para as famílias que os choraram).

Claro que o Expresso, ao puxar para parangona de 1a. página o número de 1 milhão, está a procurar o efeito sensacionalista mas disso a Graça Freitas, mulher inteligente e serena, não tem culpa.


Além do mais, até ver, com o coronavírus, a maior parte dos casos é benigna, coisinha de pequeno incómodo, febrinha ligeira, cansaçozinho bobo. Pior mesmo, e, por favor, não se negligencie isto, são os idosos ou os previamente doentes e debilitados. É muito por eles que temos que tentar aguentar-nos 'limpos', para que o contágio não lhes chegue. Vamos esperar que o cumprimento das medidas que estão a ser recomendadas, acrescidas do distanciamento social (controlado e sensato), e dos planos de contingência das empresas e da sociedade em geral bem como os conselhos de higiene que têm estado a ser publicados, ajudem a ganhar tempo até que a vacina ou o tratamento estejam no terreno. Para mim é isso que está verdadeiramente em causa e não tanto o pretendermos travar o mar com as mãos.

Quando houver vacinas e/ou tratamentos eficazes o OVID-19 deixará de ser um bicho papão. É o que dizem e eu acredito. Mas até lá, sem dramas ou histerismos mas com disciplina, informemo-nos e sigamos as indicações da DGS e da Organização Mundial de Saúde.
Teorias da conspiração, textos que correm nas redes sociais a desvalorizar as recomendações ou a comparar com outras epidemias ou a reescrever conselhos à luz de pretensas teorias de cão de caça é que não. Confiemos nos cientistas, nos técnicos de saúde e no bom senso e na franqueza dos responsáveis. Podem não ser infalíveis mas, até ver, são a nossa melhor fonte de informação.

Para além da saúde pessoal há depois a saúde da economia. A economia é uma dama assustadiça. Mais hipocondríaca do que a minha tia -- e se ela é hipocondríaca -- só de pensar que pode ficar doente, já a economia cai de cama. Com as bolsas prestes a irem ao tapete e com as campainhas a começarem a anunciar o desastre, a verdade é que desde rupturas de stocks a défices de tesouraria com danos sérios para muitas empresas, o que aí vem pode não ser boa coisa.

Mas, sempre que há ameaças, há oportunidades pelo que aguentemos firme que a coisa há-de voltar a entrar nos eixos. O tempo é de resiliência. 

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Tirando isso, a vida continua. E eu, depois de um dia que na vida de algumas pessoas com quem lido de perto se pode considerar de charneira, com emoções mais ou menos fortes à mistura, preciso de um pouco de sossego e de beleza. Permitam, pois, que, pela mão de Odilon Redon, traga aqui Ophelia entre as flores. Imagens belíssimas. Não que venha a propósito mas, justamente, porque não vem.


E agora vou escolher livros para ler no fim de semana que é um momento que sempre me enche de emoção boa e irracional, levando-me a pegar em vários pois, nestes momentos, na minha cabeça, acho que pode acontecer que, a meio de algum, deixe de estar in the mood para ele, ou que, estando toda prosa, às tantas, sinta que está a chegar a horinha da poesia, ou, ainda, que estando a meio de uma pura ficção me sinta puxada para a epístola ou para a diarística. Ou que, estando numa de filosofia, sinta que a minha beleza está a ficar cansada e sinta o apelo dos louvores da terra. Portanto, sendo certo que todo este processo é um déjà-vu, a verdade é que só o facto de passar a mão pelas resmas de livros, já me faz sentir o frisson que as coisinhas boas da vida costumam produzir em mim.

E, antes de me ir, com vossa licença, agora a beleza das palavras.

Mel Gibson como Hamlet. Helena Bonham Carter como Ophelia.


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E a si que está aí desse lado desejo um sábado bom.
Saúde e boa disposição.

quarta-feira, setembro 13, 2017

Regresso ao trabalho.
Pedro, o menino que tinha um único amigo: um monstro.
E Paul Auster sobre Trump


Tenho a dizer que já estou, de novo e em força, na minha vidinha de sempre. Mas, vinda de umas não-férias, ligeiramente com falta de descanso e, sobretudo, estando cada vez mais ciente da perecibilidade de tudo, não estou para meias palavras, mas-mas-mas ou simpatias ingenuínas. Portanto, se sempre fui frontal, sinto que estou cada vez mais a tender para o politicamente muito incorrecto. Olham-me, reconheço, com algum assombro, como se eu estivesse a pôr à vista algumas verdades incómodas e isso fosse assustador porque enquanto não se fala é como se não existisse mas, uma vez as coisas ditas, já não é possível fazer de conta que não existem.

Não sei se, um destes dias, vou voltar a cobrir-me de paciência e fazer de conta que levo a sério o que só pode ser brincadeira. Mas, até lá, é mesmo: 'Só pode ser brincadeira..'. Ou: 'Não vou, não estou para perder tempo com macacadas'. Do outro lado, o olhar espantado. Paciência.

Nunca fiz fretes mas volta e meia fazia de conta que não era nada comigo ou que, coitados, deixá-los pensarem que são importantes. Agora não. 

Mas, regressada à vidinha, voltei também ao trânsito. Não saí muito tarde mas cheguei tarde a casa. Uma maçada, isto. De manhã, ao fim do dia. O tempo que perco nisto, um mar de carros. É certo que deu para os telefonemas, para ouvir música, para olhar a luz que se esvai já tão cedo. Depois, à chegada, ainda deu para uma mini-caminhada mas coisa ligeira. Mas, ainda assim, um desperdício.

Depois, enquanto o meu compagnon de route sofria a ver o volte-face do Sporting, vim aqui ao computador a ver se descobria quem era uma tal Juju que vinha a cantar o Cry me a river. Pelo menos era a legenda que me aparecia no monitor do carro. Pois bem. Não descobri. Uma voz de veludo, um sussurro colado à voz. Mas, pondo Juju, nada do que me aparece tem a ver com a voz que ouvi. Não é a Julie London. Pareceu-me uma voz jovem, acetinada. Em contrapartida, o YouTube dizia que recomendava para mim o vídeo que aqui mostro. Não morro de amores pelo Paul Auster mas tenho que dizer que gosto de ouvir o que ele aqui diz sobre a besta quadrada que os americanos fizeram o disparate de eleger (e não vou entrar na conversa dos milhões de diferença e dos métodos de apuramento, dos votos por estados, ou, sequer, pelas escandalosas tramóias de toda a espécie que Trump ou sua entourage levaram a cabo nas eleições. Votaram, foi eleito, está onde está). 


Mas eu estava numa de ouvir música, uma qualquer nostalgia que me deu. Procurei. Não é fácil procurar quando se quer procurar o que não se conhece. Mas descobri. Uma metáfora. Ninguém sabe. O dragão do Pedro. O menino que tinha como amigo um dragão. Há meninos que gostam de viver com monstros, mesmo que monstros interiores, e que dificilmente conseguem separar-se deles.

Que canção tão bonita. Tenho estado a ouvir e estranhamente a música envolve-me em melancolia. Ou serenidade, nem sei.

Talvez seja porque é interpretada pelos The Lumineers. Gosto deles.

Ou saudades de qualquer coisa. Talvez de estar in heaven, talvez de passear junto ao mar.


I was silent in love

And nobody really knows what i would do for you

Nobody really knows how much I love you

I had a vision of you

That carried me through

Mas vejam se também acham bonito. A internet tem isto de fantástico: dá-nos a conhecer o que de outra forma dificilmente conheceríamos.


Mas, primeiro, if you please, o Paul Auster. Unhappy rest.

Paul Auster is one of the USA’s most important contemporary writers. In this short video, he speaks his mind about the growing right-wing and Donald Trump: “I think he’s the most dangerous being that has ever existed in public office in the United States.” 
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Nobody knows (da banda sonora de Pete's Dragon) - The Lumineers



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Até já.

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segunda-feira, fevereiro 13, 2017

Ir ao IKEA e sobreviver.
E depois voltar lá para devolver o que se comprou antes.
E sobreviver outra vez.
Muita sorte, portanto. Também gostavam, não era...?





Pois, então, muito bem. Tudo em ordem. Roupinha lavada, comidinha feita, o que havia a arrumar, arrumado. Presentation despachada, relatório enviado. Tudo jóia. Sossegada aqui na minha salinha. 

Há bocado, quando me instalei aqui no meu sofá de estimação, puxei o saco do Expresso. Pesado. Pensei: continuam a ser mais as nozes que as vozes. Ou seja, quilos de papel. O livro do Estaline, o suplemento da Saúde, o da Economia (que ainda não abri), o Principal (que despachei, sem curiosidade, em três penadas), de novo a Revista. E, surpresa!... afinal também uma laranja. Ontem, antes de me vir embora, andei à laranja. Pelo caminho para cá, comi logo duas. Boas, boas. Só sumo. Docinhas. Nem pingo de tratamento. E bem que aquelas pobres laranjeiras precisariam de qualquer coisa. Parece que as folhas estão amareladas. Mas gosto que as coisas ali medrem por si. E também já aprendi a aceitar que, volta e meia, não vingam. É a natureza.


As amoras, as laranjas, as nêsperas, os figos são sempre uma maravilha. Já morreu um limoeiro e uma figueira. Não sei porquê. Maleitas, falta de rega. Talvez. Mas aprendi a não dramatizar.

Portanto, havia uma laranja no saco do Expresso e essa foi a melhor novidade desta edição.

Depois andei a ver blogs. Descobri outro. Encaro isto da blogosfera como encaro a natureza. Entram uns, saem outros. No outro dia, fiquei completamente desagradada com o que uma pessoa escreveu no seu blog. Deu-me uma veneta, tirei-o logo da minha galeria. Hoje, através do Ouriquense, descobri o Elogio da Derrota e já o incluí ali ao lado (se não o faço esqueço-me: há tantos blogs). Quem tenha tempo, pode passar o dia inteiro a descobrir blogs a partir de outros blogs, novas escritas, novas maneiras de ver a vida. E pode recuar no tempo, ler no tempo antes deste tempo, deixar-se surpreender.


Mas, então, adiante que vinha eu aqui para contar das minhas compras matinais e me distraí. Adiante, adiante.

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No sábado, à tarde,o meu filho enviou-me uma mensagem perguntando se estavamos por perto pois os dois mais crescidos, com a chuva, fechados em casa, estavam que já não atinavam, se podíamos ir dar uma volta com eles nem que fosse para um centro comercial, só para ver se deixavam de embirrar um com o outro. Mas não deu, estávamos longe e já com os minutos contados até ao fim da noite. Mas, como tínhamos que ir ao ikea este domingo de manhã, podíamos levá-los. Assim ficou combinado.

Andamos há algum tempo a pensar mudar de colchão e um domingo de manhã podia ser uma boa altura. Durante a semana quase não há tempo e está sempre lá muita gente. Domingo de manhã devia ser tranquilo.

Quando íamos a chegar ao carro, para ir apanhar os meninos, lembrámo-nos que não tínhamos medido o colchão. Mas já não dava tempo de voltar atrás pois a combinação era estarmos de volta à hora do almoço e, de resto, eu tinha a ideia que era o tamanho mais pequeno. A cama é tradicional, cabeceira alta em raiz de nogueira, nada daquelas camas actuais, maravilhosas, onde duas pessoas podem estar deitadas como se não se conhecessem, sem aquele drama dele prender a roupa ou vir deitar-se com a cabeça também na nossa almofada,  

Lá fomos. Para começar, parque de estacionamento a deitar por fora. Fiquei logo incomodada. O IKEA cheio de gente é de fugir. Com duas crianças pequenas pior um pouco. Os meus filhso acham que eu fico stressada nestas situações e, se hoje me tivessem visto, teriam constatado que têm razão. Tenho medo de perder algum. Mal chegaram, os meninos ficaram com calor. Portanto, lá andava eu com a trench coat dela e a samarra dele nos braços. Depois ele enfiava-se numa tenda e ela fugia para se sentar numa secretária. O meu marido dizia-me: não tires os olhos dela que eu fico com ele. Mas está bem, está. Logo já ele se tinha esgueirado da tenda e se tinha enfiado noutra casinha e já ela tinha voado da secretária para fazer um puzzle num monitor que estava numa parede. Nestas alturas eu penso que uma pessoa austera talvez conseguisse impor algum respeito, trazê-los pela mão. Mas não. Não só sou contra a austeridade como o meu próprio facies desmentiria tal vocação. Portanto, foi assim, esgueirando-se um por aqui e outro por ali até conseguirmos chegar aos colchões. Lá chegados, uma festa. colchões de latex, de molas, de molas ensacadas, de espuma, de firmeza elevada, de firmeza média. Várias combinações. Com sobre-colchões ou sem, de solteiro ou casado. Lá me informei. Melhores os de molas ensacadas. Em circunstâncias normais, talvez tentasse saber que coisa vem a ser essa de molas ensacadas. Assim, acriticamente, aceitei. Cada um deitado em sua cama, mudando de cama em cama, e eu aflita, uma multidão de gente a experimentar colchões e eles a correrem de cama em cama. 
Percebemos, então, que havia uma promoção justamente para colchões. Daí aquela barafunda.
No meio daquela confusão, até o meu marido se deitou numa para confirmar: de molas ensacadas, firmeza elevada. Depois o tamanho. O mais pequeno: 140x190. Só podia ser essa a medida. Nada de 160 ou 180, essas larguezas paradisíacas. Tirar código, corredor, secção. Fotografar para não enganar.

Depois a odisseia de ir buscar ao armazém. Os colchões vêm enrolados, um big e pesado rolo. Os meninos queriam ir dentro do carrinho. Pôr lá o colchão foi obra. Lá fomos, a custo, então, para a caixa.

Quando estavamos na fila, olho para o colchão e vejo: espuma. Não dava para acreditar. Era para ser as ditas molas ensacadas. Tínhamo-nos enganado. A custo, o meu marido lá foi trocar, aquilo a pesar toneladas. Lá regressou com outro big chourição, coisa para quase trinta quilos, 

À saída, quiseram ainda um cachorro. Os pais odeiam que eles comam porcarias mas, enfim, um dia não são dias e não será uma salsicha que há-de fazer mal. Lá fomos. Estafados.

Depois ainda pior. Enfiar aquele monstro no porta bagagens com o banco de trás ocupado com duas cadeirinhas foi outra odisseia. A parte de trás do carro teve que ser quase desmanchada para se conseguir a proeza.

Mas, pronto, meninos entregues a horas. E lá andei outra vez com o bebé ao colo, fofinho, fofinho. Ia a sair de lá, mensagem da minha filha, que iam ver o bebé daí a nada, se não queríamos ir também lá ter. Bem que gostava, há uma semana que não vejo os outros pientinhas mais lindos mas com o que ainda tínhamos para fazer, não dava.

Lá fomos, então, para casa, o meu marido com aquele canhaozão nos braços. Quem já lá comprou um colchão sabe que aquilo parece que é dobrado em vácuo. Quando se tiram as fitas, aquilo desdobra-se, enche-se de ar ou lá o que é, expande-se, e fica um colchão normal. Felizmente não o fizemos. Lembrámo-nos de medir o actual colchão. Pois. Ia-nos caindo tudo. 1,30*1,85. E sem margem para um centímetro a mais já que a cama tem aquela parte dos pés para cima, a travar o colchão. O meu marido disse: Pois, não me admiro. Se me esticar, fico com os pés de fora. Ficámos passados a olhar para aquilo. Solução: voltar lá, devolver.

Voltar lá...?

Nããããããoooooooo....!


Outra vez com o canhão nos braços, outra vez a enfiar no carro. Desta vez mais simples, deu para rebater parte do banco de trás.

Fatalistas com aquilo tudo, já íamos a temer o pior. Não. Tudo na boa. Ninguém nas devoluções. Ficaram com o colchão, devolveram o dinheiro. Não vendem lá colchões da dimensão do nosso. O meu marido já queria ver-se livre da cama. Por ele trazia uma cama larga, um colchão largo. Era o que faltava, uma cama tão bonita.

Com isto já passava das três. O meu marido perguntou: 'Será que a esta hora, lá em cima, ainda servem almoços?'. Achei que sim, aquilo é gente com olho para o negócio.

Quando lá chegámos só nos apeteceu fugir. Uma multidão, muito pior do que de manhã. O restaurante a deitar por fora. Filas e filas. Mas ir a outro lado? Àquela hora...? Ficámos.

Almoçámos lombo de salmão com legumes grelhados, ele salada, eu caldo verde, cheese cake com mirtilos. Agradável. Saímos de lá às quatro da tarde. 

De lá, resolvemos ir, então, a casa dos meus pais. Pelo caminho fui compondo o post abaixo que já tinha começado em casa. Em casa dos meus pais recebi uma mensagem da minha filha com um dos flhos com o bebé ao colo. Mais tarde, o mano também com o primo ao colo. A seguir os habitantes da casa iam para casa da outra avó pois havia outra festa de anos. Imagino que o bebé, que fez este domingo à noite uma semana, lá deve ter continuado a andar de colo em colo. Nem protesta. No meio da confusão  e de colo em colo e a dormir descansado. Menino mais lindo.

E pronto, foi isto. Uma trabalheira doida, uma estafadeira no meio de uma multidão e resultado zero.

No entanto, tenho a dizer que fico sempre com vontade de ir um dia ao ikea, um dia em que milagrosamente haja pouca gente e em que eu tenha muito tempo.


Aquilo ali há de tudo e coisas fantásticas. Mesmo assim, de manhã, no meio de todo aquele fuzuê, ainda consegui trazer um saco de molas para fechar embalagens, que as anteriores levaram não sei que descaminho, uma garrafa com tampa, para a água, e uma caixa de vidro com tampa de plástico para guardar comida no frigorífico. Mas deitei o olho a mil outras coisas que me dariam um jeitão. Em relação a algumas teria, antes, que perceber qual a sua função mas, estou certa, quando a descobrisse pasmaria de ter sobrevivido até aqui sem elas. E não estou a brincar.


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Lá em cima The Lumineers interpretam Sleep On The Floor. Nem mais.

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E desçam, por favor. Em baixo, o ambiente é mais tranquilo.

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quarta-feira, setembro 28, 2016

Sítios onde uma pessoa deve descansar com um sorriso nos lábios


Sou o quê, eu? Parece que tudo o que surpreende me encanta, que tudo o que é diferente me atrai. Pudesse eu e partiria por aí plantando insolências e traquinices pelas ruas, e oferecia pincéis e tintas e pedras e outros materiais a artistas e que fizessem o que quisessem nas paredes e nas pracetas, e contratava designers para surpreenderem os cidadãos, e inventava grandes canteiros e pedia que plantassem árvores e flores, e punha música nos largos e passava filmes com gente a dançar a ver se se formavam bailes espontâneos. Serei doida? Sonhadora? 
Não sei e, para dizer a verdade, também nunca penso nisso: não sou instrospectiva. Dos milhões de assuntos que despertam o meu interesse, francamente, eu não sou um deles. Volta e meia, por falta de imaginação, escrevo aqui sobre mim (como agora) mas é só aqui, parece que faz sentido introduzir os assuntos de uma forma mais pessoal. No resto do dia nem me lembro de tal coisa.
Mas, doida, sonhadora ou banal, a verdade é que vibro com coisas como as que agora mostro. No Bored Panda há mais bancos, todos criativos. 

Eu aqui em casa também tenho cadeiras, pequenas cadeirinhas, cadeirões de orelhas, bergères, e chaises-longues, bancos, banquetas e banquinhos -- de toda a espécie e feitio. Alguns são iguais aos pares, outras são peças únicas. Para umas comprei tecido e mandei-as estofar a meu gosto, algumas desenhei-as eu e mandei-as fazer. Mas o curioso é que olho para a heterogeneidade que me rodeia e, a mim, parece-me que é tudo coerente. Se calhar é a minha cabeça que tem os hemisférios entrelaçados e me leva a olhar para  coisas insólitas e achá-las normais.

Mas não interessa o que eu acho. Interessa sim que a paisagem que dá forma aos nossos dias nos ponha bem dispostos, nos provoque ou nos interpele ou nos faça sentir serenos e felizes. Como estes bancos ou balouços aqui abaixo.

Vöcklabruck, Áustria

Polónia, em Tychy

Massachussets, EUA

New Castle, Inglaterra

Na Dinamarca
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E isto pede mesmo uma música que nos leve entoando e deslizando entre lugares felizes. 

Ho Hey.

The Lumineers

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma quarta-feira feliz.

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segunda-feira, agosto 15, 2016

Qual o segredo para viver mais anos?
Beber sumos detox como se não houvesse amanhã?
Comer ao pequeno almoço 1 tomate, 1 maçã, 1 ovo, 1 fatia de pão com 3 pingos de azeite e 1 copo de sumo de beterraba?
Fazer 1 hora de caminhada diária e dormir no mínimo sete horas por dia?
Pois disso tudo não sei (mas mal não deve fazer).

Agora certo, comprovado e registado é que bom mesmo é ler livros.
Jornais e revistas também é bom mas ler livros é melhor.
Cerca de 3 horas por semana, no mínimo.


Muito bem. Depois de, no post abaixo ter falado de uma avozinha sexy que tem mais de dois milhões de seguidores nas redes sociais e de ter mostrado algumas das suas fantásticas fotografias, continuo na onda da longevidade.

Mas vamos com graffitis e com música, que vamos melhor. The Lumineers com Ophelia. Fotografias das paredes decadentes do Ginjal e de uma mulher a ler, em Cacilhas, enquanto a outra olha Lisboa.





Enquanto vejo os jogos olímpicos, vou saracoteando o olhar por aqui e por ali. Os que cá jantaram, depois de termos ido de visita aos bisas, já se foram. Hoje o mais crescido descobriu-se um realizador de primeira. Ele e o irmão, com o meu telemóvel, fizeram filmes de aventuras com chitas, cavalos, aviões de caça e, portanto, foi a animação do costume. Não é por nada mas, quando se foram embora, recolhi-me. Melhor: recolhemos, os dois. Às boxes.

Daqui, neste sofá, tenho um posição privilegiada: apanho com a aragem do ar condicionado mesmo de feição, vejo a televisão e consigo ter o computador estrategicamente colocado de maneira que vou lendo umas e outras, escrevendo, vendo as nossas Patrícia Mamona e Susana Costa a saltarem, sorrindo com a descontração do campeão Usain Bolt a olhar para trás a meio da prova...
... e gozando a sensação boa de, sendo já segunda-feira, não ser afinal dia de trabalho pelo que posso estar por aqui na boa, sem me censurar por, tendo que me levantar cedo, estar na borga blogosférica até às quinhentas.

E é assim que, enquanto aqui estou na maciota, dou com notícias de mais um estudo que comprova que ler livros não é apenas bom para o espírito: é também bom para estimular a longevidade celular.


Poderia ir buscar a síntese do estudo A chapter a day: Association of book reading with longevity publicado na Social Science & Medicine, ou o artigo do The New York Times, Read Books, Live Longer?, mas ou me punha a traduzir (e teria que descurar os saltos das nossas meninas - e a Susana Costa agora fez um salto que foi considerado nulo e eu não percebi porquê) ou os colocava mesmo em inglês e isto é importante demais para não ser lido por toda a gente e eu não sei se todos os meus leitores lêem bem a língua inglesa.


Por isso, transcrevo da brasileira Revista Bula que, ainda por cima, tem aquele português com requebro e doçura que dá graça a tudo o que lá se diz.

LER ROMANCES FAZ VIVER MAIS E MELHOR. PALAVRA DA UNIVERSIDADE DE YALE


(...) Pois aquilo que todos sabíamos por intuição, a ciência acaba de revelar por comprovação: ler faz você viver por mais tempo.

Não é forçação de quem ama e defende o protagonismo dos livros. É dado real. 


Estudos da Universidade de Yale (Estados Unidos) — décima maior do mundo* —, publicados no periódico científico Social Science and Medicine, concluíram que pessoas que passam mais de três horas e meia por semana lendo livros de romance ou ficção correm um risco de morte 23% menor do que aquelas que não leem nunca. 



Vale para Machado de Assis, Dostoiévski e Harry Potter. Sim, ler jornal, revista ou periódicos também traz benefícios para a longevidade, mas não tantos. Mais um ponto pro velho e bom livro.

Os pesquisadores analisaram informações sobre a saúde e os hábitos de leitura de 3.635 pessoas, com pelo menos 50 anos de idade. Os participantes foram divididos em três grupos: no primeiro ficaram aqueles que não costumavam ler livros; no segundo, aqueles que tinham o hábito de ler algum livro por até três horas e meia semanais; e, por último, aqueles que passavam mais de três horas e meia por semana lendo.

Não deu outra: os que tinham o hábito de ler livros viviam, em média, dois anos a mais do que aqueles que não leem. E os que leem mais correm um risco de morte 23% menor do que aquelas que não leem nunca. Uma mensagem do Spock (Jornada nas Estrelas) pra você que nasceu depois dos anos 1970 e dá uma folheada em algum livro de vez em quando: Vida longa e próspera!

Segundo Becca Levy, autora do estudo, os que relataram ler livros por apenas meia-hora por dia tinham maior probabilidade de sobrevivência do que aquelas que não liam nunca. “Essa vantagem permaneceu mesmo após ajustes para renda, educação, capacidade cognitiva e outras variáveis. Estes resultados sugerem que os benefícios da leitura de livros incluem uma vida mais longa para lê-los”. (...)



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E que não me venham cá vocês com desculpas, dizer que está calor, que custa a ler com esta canícula. Pois se está calor, toca a despir. Ler em pelota é do melhor que há. E, se não vos dá jeito, assim sozinhos a lerem todos nus, pois que não seja por isso, façam como Michelle L'Amour, arranjem companhia, formem um clube. E vale para mulheres e para homens. O que interessa é ler. Ler. Ler livros. Ler sempre. Um capítulo por dia. Um conto. Uma crónica. Páginas de diários, Cartas. Qualquer coisa.


[E. para não pensarem que estou a ficcionar, fiquem lá com as leituras da Michelle L'Amour]

Naked Girls Reading



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E, por mulheres descaradas, relembro que, descendo até ao post seguinte, poderão ver o que é uma avozinha sexy.

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terça-feira, julho 12, 2016

Cleópatra, o Professor Marcelo que bate o Miguel-bate-Punho aos pontos, o idolatrado Mister Santos e os apoiantes que vão em peregrinação a Fátima e que talvez aproveitem para agradecer também aquilo das sançoezitas serem de brincadeirinha, e, ainda, qual cereja em cima do bolo, 'O que os homens simpáticos não dizem às mulheres simpáticas'





Muito bem, sim senhor.

À hora do almoço ia no carro a ouvir o discurso do Marcelo a parabenizar os jogadores. Empolgante, muito motivador. Aquele tal bimbo que dá pelo nome de Miguel-bate-Punho devia pôr os olhos no Professor para aprender como é que se inspira, motiva e galvaniza uma plateia. O nosso ubíquo presidente puxa o ego para cima, envolve-o em tule e benze-o com mel. Por pouco, uma lágrima não me toldava a visão. Ouvi palmas, presumo que dos próprios jogadores. Depois ouvi que foram todos para a varanda, que o povo agradeceu em delírio e que todos cantaram o hino. Eu no carro também cantei. Ora essa.


Quando à noite cheguei a casa, percebi que o ambidextro Prof. Marcelo, parabeniza com um hemisfério do cérebro enquanto com o outro já está a ensaiar a entrada discursiva no Conselho de Estado. 


Já lá vão os não-saudosos tempos em que, nada acontecendo em Belém, qualquer pequeno evento era transformado num happening. Se ia haver um Conselho de Estado, a comunicação social salivava, querendo saber que desígnios misteriosos ali se iriam discutir. Depois, no dia, aquilo durava horas e horas, de lá nunca saía nada e ficávamos todos a pensar que dali nunca valia a pena esperar nada. Quanto muito, antevíamos que, num próximo roteiro cavacal, talvez lá aparecessem referências oblíquas ao sucedido. E suspirávamos de tédio.

Agora, com o Prof. Marcelo, as coisas andam ao ritmo da luz. A gente nem dá por elas. Quando sabe que vão acontecer, já acabaram. Tudo na maior normalidade, como se fosse natural distribuir vouchers para comendas à hora do almoço, cantar o hino à varanda à sobremesa e, logo de seguida, discutir o futuro da desEuropa e elencar os advenientes riscos para o País. Puxa!

Como não vi as notícias, não sei de mais nada. Agora, enquanto escrevo, passam reportagens sobre o menino com ascendência portuguesa que consolou um francês em lágrimas e que se tornou viral (o vídeo, não o menino) e agora estão em casa dele a entrevistá-lo e o menino fala com uma fluência que tomara eu. Se o Prof. Marcelo tem sabido disto, tinha-o trazido até Belém para o ter ao lado daquele menino Tiago que escreveu uma carta à Selecção. Que isto o Prof. Marcelo não é um catavento qualquer -- não senhor, é um catavento com um radar de última geração: nada lhe escapa. 


Agora estão os comentadores do costume: desta vez não discutem. Obra de São Marcelo que apazigua todos os adversários, eles agora consensualizam sobre o quão excelsas são as virtudes do engenheiro Fernando Santos ou como foi ainda melhor Cristiano Ronaldo lesionado, no banco, a moer a cabeça ao Mister, do que a jogar. Os três de acordo. Ele há milagres que a gente nem imagina.


Pelo telefone, a minha mãe já me tinha prevenido: 'Sabes lá o que tem sido... Uma multidão... E na televisão, psicólogos, sociólogos, tudo a dizer que isto é bom para o país.'

Acredito. Somos uns heróis. Não sei se isto é só obra do bom olhado do nosso Presidente ou se há também mão da borboleta de prata que pousou na cara do Ronaldo. Capaz daquilo ter dado sorte ao País inteiro.

Ah, é verdade, à vinda, no noticiário da TSF, também disseram que aquela turminha dos bolinhas armados em bons -- e refiro-me, obviamente, aos comissários europeus -- tinham ido avante com a bambochada das sanções mas que agora a 'cena' era que as sanções tivessem valor facial de zero. Ou seja, uma coisa na base da brincadeirinha. E, cúmulo dos cúmulos da farrinha democrática, quem vai decidir são os ministros das finanças. Uma coisa assim como atribuir as grandes decisões de gestão de uma empresa ao contabilista de serviço. Está certo. Carnaval avant la lettre. Mas, não sei porquê, acho que isto já não dura muito. Palpita-me que um dia destes, alguém, lá de dentro, puxa a toalha e atira a louça ao chão. E aí aquelas pardas sumidades talvez percebam que está na hora de recolherem à casota. E talvez alguma voz se faça ouvir para explicar à bicharada que não é hora das galinhas andarem pelos salões, que é hora de puxar os políticos de verdade para a política.

Bem. Mas isto vinha eu no carro.

Chego agora aqui, faço uma ronda pela net e é quase tudo também na base do futebol. Acho bem. Ao menos, com esta vitória, a honra do convento não ficou manchada. Mas logo o lado religioso das gentes: um vai rezar o terço, vários vão a pé a Fátima e outro pôs-se nu no Marquês. Já a Ágata se tinha posto de bikini.


Felizmente nunca prometo nada. Imagina que me tinha dado para dizer que, se o Éderzito marcasse um golo, pintava o cabelo metade de verde, metade de encarnado e a ponta do nariz de amarelo. E um sapato de cada cor. Com medo das vinganças, depois tinha medo de não cumprir. Havia de ser lindo, eu a ter reuniões e naquela figura.

Bem.

Com isto tudo, não tendo eu promessas a cumprir, não sabendo que mais agora dizer e continuando em pousio no que à alta política diz respeito, mudo-me para o mundo mágico do algoritmo do youtube. Quiçá me reserva matéria suculenta.

E cumpriu, lindo menino. Ciência com fartura, música erudita de várias eras, hetero e ortodoxa, bailados clássicos e modernos, poesia de toda a espécie, muita poesia, e cartas lidas. E sei lá que mais. E, no meio, The school of life. Olho para os vídeos sugeridos e escolho um ao acaso. What Nice Men Don’t Say To Nice Women. Da música escolhi, lá em cima, o novo  e muito bom dos The Lumineers - Cleopatra.

Já agora: para ilustrar o texto apeteceu-me ter aqui as esculturas de bronze da autoria do polaco Malgorzata Chodakowska que as combina sempre com água. Acho que é o tempo quente que me faz apetecer passar junto aos repuxos dos jardins.


Mas, pronto, já chega de conversa mole e vamos à aula da Escola da Vida. Dizem eles deste vídeo:
A lot isn’t expressed between couples because of a fear of not seeming very ‘nice’. That’s deeply unfortunate, and stores up a lot of trouble. We’d be better off daring to be a little more honest
E eu confirmo. Sou casada para aí há uns mil anos -- ou mais -- e quer eu quer o meu marido estamos praticamente santos do que temos aturado um ao outro. Há respeito, claro, que respeitinho é muito bonito e sem respeito não há relacionamento que resista. Mas não há cá pruridos, nem conversas da treta ou teorias de cão de caça, que conversa a mais e muita teoria dão cabo da paciência de qualquer mortal. É pão pão, queijo queijo, Mas nem eu nem ele somos exemplo para ninguém. Aqui os camaradas da The School of Life devem saber disto mais do que eu.


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Sem conseguir responder aos comentários e aos mails que a hora vai avançada, agradeço-os e vou tentar responder esta terça-feira (bem, talvez esta terça também não seja fácil) mas, atenção, não é uma promessa senão já sabem, fico com medo de ser severamente punida se não cumprir. Foge. Punições é que não -- mesmo que também sejam só de brincadeirinha. 
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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela terça-feira.
Sejam felizes. Muito felizes.

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