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terça-feira, outubro 01, 2024

Como sou bem mandada, cá estão eles...

 

Enquanto as televisões dão conta de foguetório aceso lá pelos médios orientes, com algumas botas a marcharem a caminho de terreno proibido, refugio-me no meu mundinho suave, banhado a outono e a ouro, onde ninguém maltrata ninguém, onde se fala de escritas e de leituras, em que se cultiva a afabilidade e não a animosidade.

Portanto, é por aí que hoje vou.

Ando geralmente pelas margens. Tento descobrir a escrita genuína, aquela em que não se encontram bolas de efeito, em que as palavras estão junto à respiração, em que não há banalidades enfatuadas mas em que se escreve sobre verdades desabitadas, em que se visitam ruínas ocupadas pelo silêncio.

É verdade que muitos dos blogs em que a escrita escorreita fluía vão rareando. Desmotivaram-se os seus autores, desertaram talvez para redes mais socialites; ou simplesmente cansaram-se. Muito gostaria eu que o Pedro Mexia, a Ana de Amesterdão, o Vítor das Âncoras e Nefelibatas e todos os outros que na minha lista de Frescos e Bons (à direita) aparecem bem cá para baixo já que não publicam há séculos voltassem a aparecer e a aquecer a blogosfera. 

De qualquer forma, vou continuando a acompanhar os fiéis e devotos que ainda se mantêm no activo. E ainda os há dos bons. 

E, também eu, não perco o que dizem. São apontamentos, são registos no livro de horas dos seus autores, são desabafos, são conselhos. São boas companhias.


No outro dia foi a Susana que falou na Maria Judite de Carvalho e nas suas saborosas crónicas. Agora, mais recentemente, foi o Mr. Xilre que falou na Alba de Céspedes com o seu Caderno Perdido (também aqui). Também a Maria do Rosário Pedreira referiu o Escrever de Stephen King e o Hoje Caviar, amanhã Sardinhas da Carmen Posadas e do irmão Gervasio.

Portanto, fui em busca desses frutos que se anunciaram gostosos, maduros.

Juntei-lhe um livro da Martha Medeiros pois tenho lido que os seus livros de crónicas se vendem como pãezinhos quentes e eu, que gosto tanto de ler crónicas (apesar de me dizerem que em Portugal o género Crónica é mal amado e pouco procurado), quero perceber quais as razões de tal sucesso.

E o Nexus do Harari porque claro que sim, é muito cá de casa, e porque o meu marido tem lido de fio a pavio todos os livros dele e estava à espera que este cá chegasse, e um outro também para ele, A História do Mundo do Peter Frankopan de quem já leu As Rotas da Seda.

Nos idos de outras eras, antes de nos termos desiludido de vez com o Expresso, gostava de ler as suas críticas literárias. Mas também havia críticas muito balofas, muito tontas. 

Por isso, agora, sem Expresso e sem gurus a opinarem sobre isto e aquilo, bebo com avidez sugestões que vou colhendo aqui e ali, nomeadamente na nossa querida blogosfera. 

Vamos é agora ver como me oriento para me deitar a eles (refiro-me aos livros, claro), tanto mais que as pilhas dos não lidos vão crescendo nos lugares estratégicos, ameaçando desabar quando lá pousar o próximo.

Mas é tão bom ver chegar bichinhos novos, cheios de mundinhos por descobrir, cheios de palavrinhas boas...

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E, agradecendo aos bloggers que se mantêm no activo, despeço-me por hoje desejando a todos, bloggers e não bloggers, uma bela terça-feira. 

domingo, janeiro 08, 2023

Quando a realidade supera a ficção.
E, para variar, quando os anjos sorriem.

 



Ainda estou perplexa com o conteúdo do livro que a minha filha está a ler. Supostamente é um livro em que a história e os personagens são ficcionados. Acredito que quase toda a gente que o lê, cá e nos países em que está publicado, não faz a mínima ideia de que todo o enredo é rigorosamente verdadeiro.

A questão é que grande parte do que ali se lê não é propriamente muito abonatório para as pessoas em causa. E a questão é também que pelo menos uma pessoa ali retratada é uma figura pública, altamente conceituada e tida como bastante respeitável e prestigiada.

Muitas vezes a vida das pessoas é plurifacetada e poucas pessoas a conhecem em toda a sua latitude. Por isso, quem leia o livro e não conheça os pormenores reais da vida das pessoas, ao lê-los, não lhe passa pela cabeça que são rigorosamente verdadeiros nem que respeitam àquela pessoa que conhecem da vida pública. E depois há ainda os outros personagens do livro. E os outros personagens são também pessoas da vida real. E as infidelidades, espionagem, denúncias, discussões, vaidades, etc, que ali aparecem são todas literais bem como são fiéis reproduções da realidade todos os episódios, mesmo os marginais, que ali aparecem descritos.

E eu conheço, por tê-los sabido na primeira ou na segunda pessoa, o que ali é descrito. A doença do irmão, a actual mulher, as molduras sobre a secretária, os almoços com os filhos, a infidelidade do genro, a infidelidade da filha. Enfim, tudo. 

Perante isto fico naturalmente perplexa: será que os próprios sabem que a sua vida está ali exposta? Passar-lhes-á pela cabeça que alguém passou a sua vida a livro? Ou sabiam que uma da pessoas, por sinal malquista na família, é amiga de um escritor e que este risco existia? E, sabendo-o, como reagirão? Vão processar o autor, assumindo, dessa forma, que tudo o que ali está, do mais ridículo ao mais grotesco, é verdade? Ou ficam, simplesmente, transidos de medo que a notícia de que aquele livro é a sua história e que é tudo verdade se espalhe? 

Não sei. Sei apenas que fico perplexa com isto.

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Mas, enfim, adiante. Não serei eu a revelar. No entanto, acho que não vou resistir a dar uma ligadela a um amigo que sabe tanto de todas as histórias quanto eu. O meu marido sugeriu que eu lhe pergunte se foi ele a garganta funda do autor...

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E, para mudar de assunto, uma coisa completamente diferente. Tem legendas em português (activar nas definições, clicando na roda dentada)

There are angels

What if you knew that the way to access the very best in yourself - the light side of your humanity - was by facing your darkness? 

One of the most powerful turning points in life comes when we begin to understand the shadow as a great teacher.  In darkness, it waits for the light of our own awareness - to be seen, heard, understood, and embraced.  And as we learn to accept and care for all parts of ourselves, we grow and evolve into our best selves.  

Gradually coming to love the shadow gives us access to the wisdom that it holds for us at its core - the secret gems we find when we dare to open the hidden door of the shadow.

Filmed at Nieu Bethesda, South Africa. Featuring Daleen Kruger


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Pinturas de Teerawat Kanama acompanhadas por Maria Ioudenitch & Kenny Broberg que, de Rachmaninof, interpretam: "Don't sing, my beauty, for me" (from 6 Romances)

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Desejo-vos um bom dia de domingo
Saúde. Alegria. Paz.

quinta-feira, julho 21, 2022

Isto não é conversa para moi até porque, ao contrário do que há quem pense, não sou uma influencer

 



A água do mar está boa. Estive um bom bocado dentro dela. Sabe bem estar dentro do mar, sentir-lhe as ondas, a frescura. 

Está muito calor. A fera estava connosco. Escava, escava, enche tudo de areia e depois deita-se. Mas, sentindo que a areia não está suficientemente fresca, volta a escavar. Só quando a areia está húmida e mais fresca se mantém sossegado.

Não se sente atraído pelo mar. Assusta-se com o ribombar das ondas e foge quando a água se aproxima. Quando os meninos estão dentro de água, ele, de longe, fica a fixá-los. Se se aproxima alguém ou se vem onda mais forte, levanta-se apreensivo e fica atento até que o forasteiro ou a onda se afaste.

Levámo-lo à noite para o restaurante, uma esplanada, mas não correu bem. Desatou a ladrar de cada vez que o empregado se aproximava. Está cada vez mais territorial. O meu marido teve que acabar à pressa para ir passear com ele para longe. A minha filha mandou-me um artigo onde se refere que, quando os cães estão fora do seu ambiente normal, costumam ficar stressados e que nada melhor do que lhes aplicar uma dose de CBD. O meu marido disse: 'O pior é se ele se habitua'. 

À noite, está um calor tropical. Chega a ser estranho. De dia, tórrido, de noite ainda quente. Não sopra aragem.

Pode saber bem, verão assim sabe a férias e já nem será preciso procurar destinos longínquos. Mas é demais. São temperaturas demasiado altas durante tempo demais. 

O mundo não está preparado para isto. Tanta civilização, tanto conhecimento acumulado e transmitido de gerações em gerações para chegarmos a esta altura do campeonato e estarmos metidos numa guerra medieval, com o planeta exausto e em vias de mandar os humanos às urtigas. 

Enquanto isso, alguns fazem o pino para verem as coisas diferentes do que elas são, outros discutem o fim do namoro de umas so called celebridades ou o novo namorado deste ou daquela, umas bloggers fazem posts a opinar contra quem opina, outras desencantam opiniões de quem se acha mais inteligente do que outros ao prever catástrofes que obviamente vão acontecer pois estão a ser deliberadamente provocadas por um assassino psicopata (o que, por um estranho lapso mental, nessas análises é escamoteado). E, pelo meio, a grande empresária Cristina Ferreira partilha-se em poses pretensamente sensuais, Brad Pitt apresenta-se de saia e Marcelo vai a Fátima de duas em duas semanas. As coisas bizarras sucedem-se e parecem não seguir um sentido lá muito promissor.

E até eu sou vítima destes novos tempos. Exemplifico. Fiz uma encomenda para entregarem em casa. Quando vou atender o entregador, salta ele da carrinha, olha para mim com atenção e pergunta-me: 'É influencer?'. Pensando não ter captado, questionei: 'Desculpe, não percebi'. O calmeirão, estacado à minha frente: 'A senhora não é influencer...?' Eu, pensando que se calhar estava a ouvir mal: 'Influencer...? Não...'. E ele, duvidando: 'Não...?'. Confirmei: 'Não, não sou'. 

Não há explicação. 

Com um mundo tão maluco, com este calor a fritar-nos os miolos, não sei como vamos conseguir fazer alguma coisa de jeito para nos salvarmos.

Mas, se eu não sei, há quem consiga alinhar as ideias de uma forma convincente. Lamentavelmente não há legendas em português mas, pela oportunidade e pela clareza de exposição, ainda assim acho que vale a pena a partilha. 

Yuval Noah Harari: The Actual Cost of Preventing Climate Breakdown | TED

Nobody really knows how much it would cost to avoid the worst impacts of climate change. Yet historian Yuval Noah Harari's analysis, based on the work of scientists and economists, indicates that humanity might avert catastrophe by investing the equivalent of just two percent of global GDP into climate solutions. He makes the case that preventing ecological cataclysm will not require the major global disruptions many fear and explains that we already have the resources we need -- it's just a matter of shifting our priorities.


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As pinturas de Jan Toorop obviamente não têm nada a ver com o texto. 
Mari Samuelsen – Einaudi: Una Mattina

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Desejo-vos um dia bom
Saúde. Boa sorte. Boa disposição. Paz.

sexta-feira, abril 08, 2022

Estar do lado errado da História -- o que não é forçosamente o mesmo que ser gauche na vida*




Por motivos que mal compreendo, o facto de me sentir indignada com a invasão da Ucrânia por parte da Rússia e chocada e revoltada com a barbárie a que temos assistido, uma destruição e uma chacina impensáveis, tem desencadeado em algumas pessoas que por aqui me lêem reacções verdadeiramente violentas contra mim. Alguns comentários (que não publico) são abjectos, ordinários, violentos e, alguns, ameaçadores. Isto foi exponenciado pelo que escrevi ontem, espantada e incomodada que tenho andado com as reacções do PCP que, envolvendo as suas opiniões em algodão doce, na prática está ao lado de um psicopata assassino, autocrata e cabecilha de um regime de oligarcas, de seu nome Putin. Publiquei dois desses comentários mas não publiquei todos, alguns porque são excessivos e violentos e outros por não usarem linguagem compaginável com este blog.


Contudo, como bem devem saber, sou osso duro de roer. Por isso, de novo aqui o digo e repito: há qualquer coisa de triste na forma como os comunistas portugueses ficarão para a história, colados a um déspota, a um psicopata, a um assassino que ousou invadir um país, que ousou tentar a sua destruição, que violou todas as regras do direito internacional, que é responsável por toda a espécie de crimes de guerra em larga escala. 

Poderia acrescentar aqui o lado caricatural de tudo isto: a tareia que uma superpotência como a Rússia está a levar da Ucrânia que, apesar de ferida na carne e na alma, está a resistir e a obrigar a Rússia a bater em retirada de Kyiv e de muitos outras cidades e a sofrer pesadas perdas. Mas isso, neste momento, não é para aqui chamado, isso poderá esperar para quando ficar claro que, se a Ucrânia está arrasada, a Rússia não o ficará menos. E Putin será responsabilizado por isso. Portanto, o PCP ficará colado a um bandido assassino que ficará para a história como um segundo Hitler, um desgraçado que destruiu tudo em que tocou antes de acabar ingloriamente derrotado.

Entretanto, a par dos putinistas, dos comunistas, aparem também os negacionistas. Sempre que há qualquer tema mais relevante, cá aparecem eles. São os que se acham mais inteligentes, vendo o que todos os outros não vêem. São os que negam a existência da covid, os que sabem sempre o que o resto do mundo não sabe, são os sabem, de fonte segura, que a terra é plana. 


Psicologicamente deve haver explicação para isto: o que leva a que, perante todas as evidências, imagens, testemunhos, validação de informação por fontes isentas e diversas, algumas pessoas se agarrem a narrativas ficcionadas, inverosímeis, ridículas?

Aquando dos picos covid, fomos sabendo de negacionistas que, às portas da morte, se arrependiam das suas campanhas anti-vacinas, pedindo desculpa pelo absurdo do seu comportamento. 

Não sei se alguns dos que por aí andam, defendendo Putin* e atacando a Ucrânia ou lançando suspeições ou insultos virão a público reconhecer que se enganaram e pedir desculpa. Se calhar não. Se não conseguiram, até agora, reconhecer o assassino que foi Estaline e o rasto de pavor que espalhou, como irão agora ter a humildade de reconhecer que, uma vez mais, se puseram do lado errado da história ao apoiarem Putin?

[* E não vale a pena dizer que não estão a apoiar Putin. Estão. Ao não serem capazes de condenar inequivocamente Putin, estão a pôr-se do seu lado. )


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De novo, partilho alguns vídeos de quem, no terreno, testemunha o horror e a evidência do que têm sido as práticas das tropas russas. A crueldade humana pode ser excessiva. Em tempos de guerra, mesmo os inocentes perdem a inocência. Parece haver provas de que a violência não terá sido apenas fruto do álcool, do stress causado pelo medo misturado com a adrenalina, mas de algo premeditado para intimidar e fazer vergar a resistência ucraniana. Seja como for, é uma tragédia ilimitada.

Ukrainians say Russian soldiers used them as human shields - BBC News

Clear evidence of Russian troops rounding up Ukrainian civilians and using them as human shields has been found by the BBC.

In multiple interviews, villagers from Obukhovychi, north of Kyiv, have said they were taken from their homes at gunpoint and held in a school gym by Russians trying to stop advancing Ukrainian forces.

Local people also gave accounts of Russian troops shooting civilians and holding others captive in and around neighbouring town Ivankiv.

The BBC’s Jeremy Bowen reports from Ivankiv.

Ukrainian girl vlogs siege of Mariupol: 'My nerves collapsed'

When the Russian invasion reached Mariupol in Ukraine at the end of February, Alena Zagreba, 15, went from filming vlogs with her friends to chronicling the destruction of her home city. While most people hid in bunkers and cellars, Alena and her parents stayed above ground, and her videos are a rare insight into the intense attacks by Russian forces. Alena melted snow for water while her parents cooked on makeshift fire pits outside. The family survived by moving from house to house as shelling made their home and other shelters uninhabitable. Alena said at one point in the diary that her nerves had been 'destroyed' by the constant bombardment. After fleeing to the Ukrainian-controlled city of Zaporizhzhia, Alena and her mother moved to Luxembourg, where the teenager has resumed school – while her father is still in Ukraine as men aged 18-60 have been ordered by the government to remain in the country

The Horrors Russia Left Behind | Russia-Ukraine War

After weeks of heavy fighting in Kyiv’s suburbs, residents who had been in hiding returned to the streets to find damage and carnage — land mines, bullet holes and corpses.

On April 4 and 5, video journalists from The New York Times entered the towns of Bucha, Borodianka and Hostomel to talk with witnesses and document the aftermath of the Russian occupation.
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Ao mesmo tempo, há qualquer coisa de rudimentar e de incompreensivelmente impreparado na forma como toda esta operação militar russa se tem desenrolado. Numa perspectiva muito diferente, o que abaixo se vê é também de bradar aos céus. Os soldados russos que ocuparam a central nuclear de Chernobyl andaram a cavar trincheiras em solo radioactivo, andaram por ali como se nada fosse. Devem estar carregados de radioactividade. E o que parece é que com a mesma leviandade com que ocuparam a central, também se expuseram, eles próprios, ao risco como se totalmente ignorantes estivessem do que ali se passava.

E tão estupidamente a ocuparam como desocuparam. Não se percebe qual o planeamento e a lógica de muito do que se passa, parecendo evidenciar que não há liderança nas hostes russas, apenas desvario.

Ukraine officials survey Russian dug trenches in Chernobyl exclusion zone's radioactivity levels

'It’s already squeaking showing excess' says a Ukrainian official surveying the trenches dug by Russian forces in the Red Forest exclusion zone surrounding the Chernobyl nuclear plant.

The footage shows members of the State Agency of Ukraine for Exclusion Zone Management walking through former tank positions and trenches.

At one point one of the men can be seen measuring the radioactivity of the area. “It’s already squeaking showing excess,” he’s quoted as saying.

The International Atomic Energy Agency was investigating reports that forces had been impacted by radiation poisoning, but said on March 31 it was unable to confirm and was seeking further information.

The footage was released by Ukrainian Witness on Thursday. Russian troops took control of the plant on February 24 and withdrew weeks later on March 31.

Vladimir Putin’s troops occupied site of the world’s worst nuclear disaster, after they captured it in the early days of their Ukraine invasion.

Dozens of Russian soldiers are said to have been struck down with acute radiation sickness and were taken in seven busses back across the border in nearby Belarus.

The site of the 1986 nuclear tragedy in northern Ukraine was captured in the opening days of the war, sparking fears of a major radioactive disaster as a result of heavy fighting around the plant.

Russian troops dug trenches in the highly toxic Red Forest zone, just a few miles west of the plant, but have now retreated as part of a pull-out from around the capital Kyiv.

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* a propósito de se ser gauche na vida:

Poema de Sete Faces (Carlos Drummond de Andrade) por Paulo Autran


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As fotografias foram feitas aqui em casa e transbordam de primavera 
e vêm ao som de Music for Peace in the Ukraine 🇺🇦 Schindler’s List com Edmond Fokker no violino

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Desejo-vos um dia bom
Saúde. Esperança. Paz.

segunda-feira, março 28, 2022

Em noite de Oscares, memórias de outros tempos e vídeos muito esclarecedores nomeadamente aquele em que se fala de uma certa ponte dourada.
A vida é múltipla, incoerente e misteriosa.

 



Um dos meus professores de História era o Reitor, um bacano, um bon vivant. Baldava-se à grande e à francesa às aulas. Aquilo não tinha seguimento. Nunca se percebia que matéria estava a dar, se é que estava a dar alguma. Num dos testes deu-me uma nota fraca que não compreendi. Pensava que tinha as respostas certas. Nunca fui de me ficar quando penso que tenho razão. Tentei falar com ele no liceu, tentei, tentei, mas não consegui. Como sabia onde morava, não fui de modas: fui a casa dele. Não me recordo exactamente dos pormenores mas o que me ficou é que ficou muito atrapalhado e surpreendido por lhe ter aparecido em casa. Lembro-me também que confessou que, na realidade, não tinha tido tempo para ler os testes com atenção. Disse que ia rever. Mas deve ter-se esquecido. Não reviu e tive uma nota abaixo da que me pareceria justa. Aquilo deixou-me arreliada, injustiçada. Tudo naquela disciplina, pela forma como era data, me soava a pouca coisa. Cheguei ao fim do ano com a sensação que não tinha aprendido nada.

Outra professora que tive a História era um desastre. Era muito enfática, teatralizava o que dizia mas tinha um problema: parecia que engolia ar a mais e ficava com a voz transtornada como se precisasse de dar um grande arroto. Como não o dava, ficava a disfarçar a aerofagia enquanto falava. Já antecipávamos quando aquilo ia acontecer, e acontecia várias vezes em cada aula. Aquilo dava-me uma terrível vontade de rir. De vez em quando tinha brutais ataques de riso que mal conseguia controlar.

Um desses ataques mais complicados aconteceu num dia de teste. Já o devo ter aqui contado. Apesar de ser aluna mediana a História, à minha volta havia quem soubesse ainda menos. Eu deixava copiar tudo. As mesas ('carteiras') eram individuais, em filas. A rapariga que estava na fila ao lado da minha era minha grande amiga e, naquele dia, estava mesmo atrapalhada. Perguntava-me e eu tentava bichanar-lhe a resposta mas ela não percebia. Fez-me sinal para eu escrever. Para além da folha de ponto, folha própria, eu tinha uma folha de apoio, como se fosse para me servir de rascunho. A professora estava desconfiada e eu não sou grande coisa a disfarçar o que quer que seja. Escrevi a resposta na folha de rascunho, meio às escondidas, sempre pronta para esconder a folha debaixo da folha de teste, e, mal apanhei a professora distraída, passei-lhe a folha. A professora sempre de olho. Então, quando vou continuar a fazer o teste, cai-me tudo: na atrapalhação, despassarada como sou, tinha-lhe dado a minha folha de teste e tinha ficado apenas com a folha de rascunho que continha apenas a resposta a uma pergunta. Quando recebeu o meu teste, a minha amiga olhou para mim espantada, assustada. E eu, ao ver o que tinha feito, desatei a rir. A professora perguntou-me o que se passava e eu, entre o assustado e o divertida, disse que não era nada -- mas cada vez me ria mais. A outra cheia de medo, sem saber o que fazer, com o meu teste nas mãos e eu, em vez de estar sóbria, para a professora deixar de olhar para mim, naquele despreparo. Às tantas, a professora já me perguntava se eu queria ser posta na rua. E eu a chorar a rir. A outra já em pânico e a professora intrigada, desconfiada, a julgar que eu estava a rir dela. Fiz um esforço enorme, pensando que se não conseguisse recuperar o teste, no fim estaria em maus lençóis. Ao fim de um bocado, lá consegui que a professora desviasse os olhos e a outra lá conseguiu restituir-me o teste. Devo ter tido uma nota meio da treta, pois não devo ter conseguido acabar. Não me lembro. Só me lembro do ataque de riso. Ainda hoje, enquanto escrevo isto, me rio.

Tive uma outra professora, uma já com uma certa idade, que usava umas roupinhas muito curiosas. Lembro-me de um vestido justinho de malha que lhe ficava deveras bizarro. As aulas consistiam na sua leitura do livro. Ao fim de um bocado, já ela estava a perder a mão na turma. Ela lia monocordicamente, enquanto toda a gente se portava mal, ria, contava piadas, pregava partidas. Ela bem tentava ter mão em nós mas era impossível. De vez em quando enchiam a sua cadeira de pó de giz. Quando ela depois andava a ler o livro entre as filas de carteiras, a saia tinha duas manchas brancas no rabo e toda a gente ria a bom rir. Nos testes, queria que repetíssemos quase palavra por palavra o que estava no livro. Se omitíamos uma linha ou uma palavra, ela marcava incompleto. Por essa altura eu era apaixonadíssima pelo bad boy da turma. Num dia de testes, ele foi apanhado com o livro em cima do tampo da carteira a copiar as respostas. Ela, quando viu, ficou histérica: 'O que é isto? A copiar? Seu descarado? A copiar à descarada? O que vem a ser isto?!' E ele, sereno, desafiador: 'Como quer respostas exactamente iguais ao livro, resolvi certificar-me de que não falhava uma palavra'. Ela enraivecida e todos nós perplexos. Furiosa, mandou-o entregar a folha de ponto e sair da sala, ameaçando-o de que ia anular o teste. Eu com o coração disparado, querendo que ele tivesse juízo. Mas ele, descaradão e descontraído, levantou-se e saiu, nas calmas, sorridente. No entanto, movimentámo-nos todos e ela teve que arrepiar caminho. Com esta professora, eu, que sou péssima a decorar o que quer que seja, desliguei. História não era comigo, definitivamente.

Com estes professores nunca consegui, pois, que me ensinassem a gostar de História e isso ficou-me para o resto da vida. Tenho a sorte de ter cá em casa uma pessoa que gosta e sabe de História e que me ilumina quando estou às escuras. Mas é uma lacuna que nunca conseguirei ultrapassar.

[E estou a escrever isto enquanto as estrelas entram na cerimónia dos Oscares e se apreciam os vestidos que desfilam na passadeira (parte deles deixando os seios praticamente a saltar-lhes de dentro) e, ao mesmo tempo, leio notícias e vejo vídeos sobre a situação da Ucrânia e recrimino-me por misturar, no meu tempo e no meu espaço, o medo e o sangue com a volubilidade e o glamour da moda e da festa do cinema e com recordações que não têm nada a ver. Mas a minha cabeça deve precisar de manter compartimentos para cada emoção e, por isso, nem vale a pena eu fingir que não: ao mesmo tempo que me preocupo e me angustio e que me revolto com a bandidagem do Putin, mantenho via verde para as minhas memórias e, en passant, para ir acompanhando l'air du temps. A mente é um lugar tortuoso com labirintos, abismos, clareiras, pontos de luz.]

Mas esta conversa sobre a minha ignorância sobre História para dizer que, enquanto confesso o meu desconhecimento sobre matérias que explicam a raiz de muitos conflitos, a verdade é que, no que se refere à actualidade, tento compreendê-la nas suas diferentes vertentes. O que se passa na Ucrânia parece-me de tal forma aberrante e condenável que tento espreitar os acontecimentos sob diferentes ângulos. Evito fontes que podem ser discutíveis e procuro órgãos de comunicação social idóneos nos quais a informação é validada.

Hoje partilho vídeos que me parecem muito esclarecedores. Sendo todos interessantes, vi com especial atenção o último. Como sempre, não existem versões com legendagem em português...

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What untruths is Russia spreading about Nazis in Ukraine? - BBC News

One of President Putin’s justifications for his invasion of Ukraine is that he wants to "denazify" the country.

Ros Atkins looks at the distortions and untruths that Russia is spreading about Nazis in Ukraine - including about the role of the Azov regiment, who are based in Mariupol and are part of Ukraine's national guard.

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'Could be a big problem for you': Security analyst's warning to Putin

CNN's Peter Bergen reviews the implication of the Soviet Union's invasion of and withdrawal from Afghanistan, and how it could draw parallels to Russia's war in Ukraine today

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The Psychology of an Isolated Russia | The New Yorker

David Remnick and the historian Steve Kotkin discuss Vladimir Putin and how authoritarian regimes are pushed into misguided foreign wars.
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Pinturas de Nathan Altman na companhia de Valeria Kurbatova (Harpa) e de Davina Clarke (Violino) que interpretam o Romance de Dmitri Shostakovich

[Caso ainda não tenham reparado, este blog não gosta de assassinos, nomeadamente, de um dos mais cruéis de que há memória nos tempos recentes, mas acolhe de braços abertos a arte e os artistas russos]
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Desejo-vos uma boa semana a começar já por esta segunda-feira
Saúde. Boa sorte. Paz. E que o milagre não se faça esperar.

domingo, março 27, 2022

De que se fala quando se fala em meditação...?

 




Dia preenchido e bom. Almoço fora, em família, passeio à beira-rio, meninos felizes na brincadeira e na conversa uns com os outros, a minha mãe toda contente embora de vez em quando preocupada com o seu amigo little teddy bear, home alone. O céu estava cinzento mas ao ver as fotografias confirmei aquilo que me tinha parecido: todos estavam coloridos e sorridentes. Já lhes enviei as fotografias.

Não apareço, claro, pois eu era a fotógrafa. Mas gostava de ter podido fixar aqueles momentos em que os meninos vêm conversar comigo e caminhamos em conjunto. O meu mais crescido, já mais alto que eu, já com voz quase de homem, já com conversas e modos de rapaz crescido, é um bom conversador. Tem dúvidas, coloca questões, começa a pensar no seu futuro. Os outros ainda vivem apenas no presente, brincalhões e ruidosos na sua alegria. 

Ao fim da tarde fomos levar a minha mãe mas, antes, viemos a casa resgatar o nosso watch dog. De manhã, vendo os nossos preparativos, ele já mostrava que estava intrigado. Sentava-se a olhar para nós, seguia-nos pela casa, desconfiado. Quando saímos, veio a correr para nos acompanhar. Geralmente corre na brincadeira para ver se o conseguimos apanhar. Este sábado não, precipitou-se para o portão. Dissemos-lhe que não vinha, que ficava a tomar conta da casa. Ficou sentado, triste, a olhar para nós. Mas já está mais crescido. Antes, atirar-se-ia contra o portão, a ladrar, a ganir, num desespero. Hoje apenas ficou triste, desconsolado. 

Tínhamos deixado, no pátio junto à cozinha, a cama almofadada e a tigelinha da ração e a da água.

Quando chegámos, a almofada estava no jardim, ao lado do portão. E não tinha tocado na água nem ração. E, quando nos viu, ficou louco de alegria. Saltava, abraçava-nos, corria à nossa volta numa daquelas euforias que nos faz rir. A surpresa por ver a minha mãe, então, deixou-o fora de si, tanta, tanta a alegria. Alegria, de resto, recíproca.

Claro que, enquanto estávamos no almoço, depois a jogar matraquilhos, a passear, no parque infantil, a comer gelado e etc., todos, incluindo os meninos, perguntavam por ele e todos estavam com pena que o seu amiguinho não estivesse ali.

A minha mãe, quando íamos a caminho de sua casa, dizia que tinha sido um belo dia e que assim era muito mais descansado para mim. De facto, desde há dois anos que não íamos todos almoçar fora. Durante a pandemia todos os almoços em família têm sido cá em casa, de preferência ao ar livre. Por isso a minha mãe diz que assim é melhor para mim. Mas a verdade é que estou cansada, com sono, sem energia. É certo que acordei cedo e me tinha deitado tarde e é certo que a semana foi complicada. Talvez seja isso. É que hoje nem ânimo tenho para arrebitar a pele da cara com o pink jade-roller.

Ao sentar-me aqui, há pouco, ocorreu-me que, se calhar, está na altura de começar a meditar. Mas tenho com a meditação aquele mesmo desentendimento que tinha quando comecei a conduzir e não conseguia perceber o conceito do ponto de embraiagem. Diziam-me quando usar mas não me explicavam exactamente como era e como funcionava para se obter o ponto pretendido. Então, quando parava numa subida íngreme e tinha que arrancar, sofria horrores com medo de deixar descair o carro, bater no que estava atrás e não conseguir arrancar. Até que alguém me explicou detalhadamente os passos e a explicação. E tudo se tornou claro.

Com a meditação é a mesma coisa. Dantes, pensava que meditar era o mesmo que pensar. E que a meditação era boa quando se conseguia convocar pensamentos bons. Para meu espanto, vim a descobrir que é exactamente o oposto: não pensar. Por isso, se calhar é isso de que estou a precisar: esvaziar a cabeça, abolir os pensamentos. 

Já o contei aqui algumas vezes. Na única vez em que fui a uma sessão de meditação, deitei-me no colchão e, quando a professora mandou que fechássemos os olhos e pensássemos num lugar em que nos sentíssemos bem, pensei num campo verde, com as ervinhas a ondularem ao vento. E instantaneamente adormeci. Portanto, não sei de que se tratou entre aquele momento e aquele em que me dei conta que já tinha acabado e que estávamos a ser convidadas a respirar fundo e nos levantarmos devagarinho.

Para mim seria importante perceber de facto porque é que a meditação é benéfica: 

  • Porque, no fundo, consiste em respirar fundo, várias vezes a respirar fundo, e, portanto, oxigena-se bem todo o organismo, em particular o cérebro? é disso que se trata? 
  • E o tempo todo estamos alienados do mundo, concentrados apenas na respiração e, ao estarmos atentos à respiração, faz-nos esquecer tudo o que se passa à nossa volta? 
  • É isso que faz com que as pessoas se sintam tranquilas? 
  • Ou sentem-se revigoradas? 

Não sei e gostava de saber. Sem perceber isto parece que não consigo dar o passo seguinte que é de experimentar como deve ser.

Vejo vídeos mas é tudo muito conversa mística ou operacional e não os fundamentos científicos da coisa, as razões fisiológicas para as pessoas se sentirem bem. 

É que, por exemplo, estou a escrever isto e, ao mesmo tempo, estou a pensar que vou ter que me levantar cedo pois tenho um compromisso, estou a pensar nas horas a que tenho que me levantar, depois estou a pensar no que não posso esquecer-me de dizer às pessoas com quem me vou encontrar, depois num presente que tenho que comprar para mais um aniversariante, depois que gostava de ir comprar um banco para pôr numa parte do jardim em que é bom estar mas onde não há onde nos sentarmos a não ser no chão, nas lindas horas a que haveremos de conseguir almoçar, nas reuniões que tenho na segunda feira e em mais não sei o quê. Aliás, sei bem em quê, sei. No que se passa na Ucrânia. 


No carro, ouvimos as notícias e a minha mãe disse que o que já tinha dito ao almoço e que não reproduzo aqui para não ferir almas sensíveis. E falou, com revolta e pesar, da destruição sangrenta e feroz que está a ser levada a cabo. O meu filho diz que não devemos personalizar no Putin, que isto é uma questão geoestratégica. Não quero saber. Quando se invade um país para o destruir que se lixe a geoestratégia. E se me lembram os Iraques desta vida também não quero saber. Não determinei, aplaudi ou defendi essas guerras. Caraças para o Iraque: tantas pegas que tive nessa altura por não acreditar naquelas patranhas das armas de destruição maciça, tanto que me manifestei contra a porcaria da guerra no Iraque! E, por todas essas guerras serem absurdas, indesculpáveis, criminosas, destrutivas e desumanas é que me revolta que não se tenha aprendido nada e se volte a cometer os meus atentados contra a liberdade, contra o património, contra a vida.

Enfim. Adiante. É tarde. 

Deve estar quase a mudar a hora. Aliás: já mudou. Menos uma, ainda por cima. O que vale é que é por uma boa causa. Dias a crescerem é um sopro de oxigénio na minha disposição, fico sempre mais animada. É bom termos dias grandes, cada vez maiores, a encherem-se de luz. Tomara que tragam também mais paz a este mundo desgraçado.


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Já agora, a propósito da meditação:

Porque é que Yuval Noah Harari pratica meditação?

Seventy thousand years ago, our human ancestors were insignificant animals, just minding their own business in a corner of Africa with all the other animals. But now, few would disagree that humans dominate planet Earth; we've spread to every continent, and our actions determine the fate of other animals (and possibly Earth itself). How did we get from there to here? Historian Yuval Noah Harari suggests a surprising reason for the rise of humanity.


Qual é a ciência por trás da meditação?

Meditation has been practiced for thousands of years in many cultures to nurture calmness and inner peace. But what does science say about it, and how can we fit it into our busy, modern lives? CNN speaks to a psychologist about what it does to our brains and how we can do it better

[Não tem as respostas para as minhas perguntas mas aqui fica na mesma] 


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Pinturas de Andrey Remnev na companhia de Diana Tishchenko que interpreta Melody de Myroslav Skoryk

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Desejo-vos um belo dia de domingo 
(e que o milagre da paz comece a desenhar-se no horizonte)

segunda-feira, março 21, 2022

Crónica de um dia normal em tempos muito pouco normais

 


Tenho muita vontade de que aconteça alguma coisa que nos volte a colocar no trilho da normalidade. Sofro pelo que acontece e, de cada vez que, na televisão, vejo um prédio esventrado, uma pessoa a chorar mostra a sua casa toda destruída, abrigos cheios de gente amontoada, comboios ou camionetas cheias de gente que olha pela janela com o olhar perdido, crianças que deixam a sua vida cheia de futuro para ir rumo ao desconhecido, sinto compaixão, revolta, incompreensão, espanto, admiração, medo. 

Tento não pensar apenas nisto, não quero ficar obcecada, mas, de cada vez que não penso, quase sinto que estou a trair a solidariedade que aquelas pessoas tanto merecem. 

De manhã fui passear à beira-mar com a minha mãe. Estava cinzento e a ameaçar chover mas, mesmo assim, arriscámos. O urso felpudo fica numa alegria, salta, salta, abraça-a. Lá em casa, corre pela casa toda e, num ápice, vê o que pode apanhar para fazer avaria: uma almofada, um trabalho em crochet com novelo e agulha agarrada. Ela zanga-se mas vê-se que lhe acha muita graça. 

Vi também o meu tio e uma das minhas primas. Ela não conhecia ainda este franjinhas, espantou-se por ele ter os olhos tapados por pelo, e, com ternura, falou dos seus dois, um já idoso e outro mais novo. Ao contrário de outra das minhas primas que é relativamente parecida comigo na maneira de ser, esta sempre foi muito diferente. Sempre se portou bem, sempre estudou muito, sempre fez tudo o que se considera certo. E continua a ser assim. É muito pragmática, muito directa mas, ao mesmo tempo, sempre com o comportamento exemplar que os pais desejavam. Eu era aquela por quem os meus pais receavam pelo que os vizinhos ou familiares poderiam dizer, sempre muito independente e sempre completamente nas tintas para o que dissessem ou deixassem de dizer. Pela minha prima nunca houve esses receios. Muitas vezes a minha mãe confrontava-me com o exemplo da minha prima. Nunca tal me incomodou pois a mim fazia-me confusão ela ser sempre tão bem comportada, nada reivindicativa, nada problemática, sempre tão estudiosa e sempre tão bem arranjada. Por isso, sempre senti admiração pela sua maneira de ser embora sempre tenha sentido uma certa dúvida sobre se ela é absolutamente assim ou se há nela, nalgum recanto secreto, alguma vontade de inconformismo ou alguma saturação pela vida de trabalho, esforço e bom comportamento que sempre teve. 


De tarde fomos até a um viveiro de plantas. Uma das trepadeiras que está junto a uma das janelas do meu quarto parece que está morta. Não há a certeza do óbito mas, pelo menos, adormecida está. O meu marido não tinha vontade, apetecia-lhe estar em casa sem nada que fazer. Além disso, o tempo estava desagradável. Mas fomos pois durante a semana nunca conseguimos e agora, com a chuva, é capaz de ser boa altura para esta operação. Tinha chovido e tudo, lá no viveiro, estava molhado mas, talvez por isso, ainda mais bonito. Mais parece um jardim botânico do que um viveiro. Sempre gostei de viveiros, daquele ambiente verde, das plantas que nascem e se desenvolvem, do conhecimento íntimo que os jardineiros têm de cada pormenor do seu desenvolvimento. Descrevi o que queria e a jovem jardineira foi-me mostrando as que davam flores mais bonitas, as que precisavam de mais sol, as de crescimento mais rápido. Escolhi uma que dará flores em cor de rosa clarinho. Trouxe uma já crescidinha. Infelizmente esqueci-me do nome para poder ler alguma coisa sobre ela. 

Já a transplantámos. Como não quis arrancar o tronco da que está adormecida, quiçá num sono duradouro, e como está encostada à casa, junto ao caminho empedrado, não havia margem para fazer um buraco grande. E como o vaso era grande, a situação estava complicada. Fez-se o que se pôde. Espere que resulte bem. Uma trepadeira florida é uma coisa bonita. Dá vontade de regressar a uma casa que tem trepadeiras floridas.

Enquanto jardinávamos, o urso felpudo brincava, tentava disputar-nos a pá, rebolava-se na terra e bebia a água dos pratos dos vasos. Para ele isto deve ser a felicidade.

Andei a fotografar as flores. O jasmim florido e perfumado, a glícínia, a outras trepadeiras. Agora, de vez em quando, já consigo descobrir os passarinhos que se escondem por entre os ramos das árvores. Fico feliz quando vejo um.

Quando fizemos uma caminhada ao fim do dia, começou a querer chover mas felizmente pouco. Encontrámos uma senhora que procurava o cão perdido há uma semana. Continua a procurá-lo. Num estado de ansiedade, quase a chorar. Percebo-a bem. Quando se perde um animal que é da família, não se sabe se está bem, se anda perdido, se alguém ficou com ele, se sofre. Claro que ao vê-la tão ansiosa e agora ao escrever penso como é tudo tão relativo. Lá ao longe mas aqui tão perto caem mísseis, ouvem-se explosões, fica-se sem casa, perdem-se familiares, não se sabe o que vai ser da vida -- e, no entanto, as pessoas sobrevivem e lutam pela liberdade. E esta senhora angustiada pelo seu amigo perdido. E a angústia é também grande, bem o vi pelas suas lágrimas e pela voz presa ao descrevê-lo, meigo, bom companheiro.

Entretanto, leio notícias. Leio blogs. Leio sobre perdas. Emociono-me. Todos vamos sofrendo perdas ao longo da nossa vida. Algumas perdas doem-nos mais. Umas são irreversíveis, outras pode ser que não. Que não se perca a esperança. Algumas são incompreensíveis e, talvez por isso, muito dolorosas: perdemo-nos sem sabermos porque nos perdemos, porque, na realidade, não queríamos perder-nos. A vida é feita também de labirintos. E de abismos. 

Há pouco, ao estar aqui, passei pela 2 e estava a acabar uma entrevista à Ana Cássia Rebelo. Pus para trás e vi do início. Desconcertante e divertida. Não tenho o seu Babilónia. Não sei se quero ler. Tenho que folhear para perceber.

Agora chove. Ouço a chuva lá fora. Aqui ao pé de mim a pequena fera está deitada de barriga para cima, cabeça de lado, pernas abertas. Mexeu-se e soltou um suspiro, depois ajeitou-se. Vive em paz e está junto aos donos que o protegem e acarinham.

E eu, a cada momento, penso que era bom que acontecesse um milagre, que o mal fosse varrido da superfície da terra, que a vida voltasse ao normal, que quem se perdeu se reencontre. Tenho esperança.


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Saúde. Paz. Reencontros.

quarta-feira, janeiro 26, 2022

Um Governo chefiado por um troca-tintas, um mangas de alpaca retrógrado e preconceituoso...? Com um puto medroso, palavroso e oco como Ministro da Defesa...?
Ná... Não posso acreditar... Não pode acontecer.

E, para que se ouça, loud and clear, aqui fica explícito qual o meu voto.
E também o da minha mãe...

 



Neste sábado, ao passearmos, a minha mãe voltou a dizer que 'esta gente' que provocou a queda do Governo -- e põe no mesmo saco PCP, BE, PSD e CDS -- é uma 'cambada de irresponsáveis'. Depois entristece-se, quase como se fosse ela a ser vítima de injustiça. Diz: 'Com o que este Governo tem feito, o que tem aguentado...Não há direito...O que eles têm lutado, o que têm penado... E agora o que estes aldrabões para aí andam a dizer... Não há direito... Para que são estas eleições? Uma vergonha.'  para logo rematar, já enfurecida, naquele registo informal de quem sabe que o que diz à filha não é testemunhado por terceiros: 'Se estas bestas vêm outra vez para o poder, sempre quero ver. Já não basta o que fizeram antes... Alguma vez eles são capazes de fazer o mesmo que estes? Alguma vez...? Uma cambada! Nem quero pensar!'. 

Quando se refere ao que 'fizeram antes', penso que se refere ao Passos Coelho; mas também pode ser ao Cavaco, que ela detesta. Não fala do Rio. Para ela, o Rio é apenas uma representação dos outros. Não o reconhece sequer como ser autónomo e capaz. 

Não sonhando que as suas palavras seriam aqui reproduzidas, enfurece-se ainda mais ao falar do Bloco ou do PCP: 'Bandidos. Eles é que têm dado espaço para esse Ventura, esse porco. Nem consigo vê-los, quando aparecem mudo logo de canal. Bandidos.'.

E acrescenta: 'Desde o 25 de Abril que não estou tão preocupada com umas eleições. Vou votar logo à abertura. Estou mesmo preocupada com isto'. Pergunta-me a que horas abrem as urnas. Digo-lhe que acho que é às 8 da manhã. Diz que vai antes para votar logo que abram.

Nunca, nestes anos todos, lhe perguntei em quem votava. Nem a ela nem ao meu pai. Mas creio que, em geral, terá sido no PS. Neste caso, agora, não há dúvidas pois di-lo explicitamente. Gosta muito do António Costa tal como gosta bastante da Marta Temida.

De resto, quer a minha avó quer o meu tio, irmão dela, sempre mostraram ter o coração devidamente implantado: à esquerda. 

Um dos seus tios, irmão dessa minha avó, tio que eu ainda conheci quando era muito pequena, antes do 25 de Abril esteve preso e foi deportado creio que para São Tomé. Mais tarde, já por cá, viveu clandestinamente e lembro-me de o ver uma vez à noite em casa da minha avó e de o ter encontrado uma vez no mercado do peixe. Estava com a minha mãe e ela deu de caras com ele. Lembro-me de ter sido um encontro estranho, meio a correr e a disfarçar. Nunca se sabia por onde andava. Tenho ideia que morreu pouco antes do 25 de Abril pois a minha avó lamentava que aquele irmão não tivesse desfrutado a liberdade pela qual tanto tinha lutado.

Do lado dessa minha avó sempre foram uns resistentes e houve um primo da mãe dela que foi Presidente da República, uma pessoa da cultura.

Há pouco, ao chegar a casa, já tarde, liguei a televisão enquanto nos preparávamos para jantar (felizmente a comida estava já feita). Vi o Rio a aconselhar o Costa a acabar a sua vida política com dignidade. Senti um enjoo, um incómodo profundo. 

Os portugueses não podem ser irracionais ao ponto de trocar uns bons governantes, como os que temos tido nestes últimos anos, por gente que não lhes chega aos calcanhares. 

Nem acredito que achem que o Costa tem governado bem o País e, por qualquer enviesada razão, vão votar noutro qualquer, abrindo a porta para o Rio, para o Chicão, para o Ventura.

Não acredito. 

Só espero é que quem pense que a melhor solução para o País passa por ter um governo liderado por António Costa se chegue à frente e o afirme a plenos pulmões. E vote. No PS.

Eu, pela parte que me toca, é o que aqui estou a fazer. Vou votar no PS e creio que praticamente toda a minha família mais directa vai fazer o mesmo. Nenhum de nós é filiado. Nem somos de ir a comícios, arruadas ou coisas do género. Mas concordamos numa coisa: nenhum outro partido tem mostrado a sensatez, a abertura de espírito, a visão de futuro, preocupações humanistas e intergeracionais, espírito inclusivo, apetência cultural, capacidade de pôr o país a crescer assente num equilibrado modelo económico, no poder da educação e do desenvolvimento científico e tecnológico, sempre com sentido de Estado e pés na terra como o Partido Socialista. E reconhecemos António Costa não apenas como um competente e digno líder socialista como um excelente governante.

Espero muito sinceramente que ninguém fique em casa nem vote com os pés: vamos votar e vamos votar com a cabeça. Se não queremos a direita, votemos em quem melhor lhe consegue barrar o caminho e em quem melhor governará o país: no PS.


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As rosas foram fotografadas por Nick Knight ao som de do tema do Cinema Paraíso de Ennio Morricone na interpretação de Renaud Capuçon
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Desejo-vos uma boa quarta-feira
Bons pensamentos. Muitas rosas. Esperança. Força.

sexta-feira, dezembro 03, 2021

As moçoilas do cabelo às cores dizem: escute os sinais e respeite seu momento.
E eu não posso estar mais de acordo.
E claro que a culinária aqui vem completamente a despropósito. Mas fazer o quê...?]

 


Estes dias estão a transbordar. Muito trabalho e, em cima de uma agenda demasiado preenchida, há a campainha a tocar com entregas, telefonemas das mais diferentes proveniências, o urso cabeludo a precisar de atenção -- e eu sozinha em casa. 

Chego ao fim do dia com a cabeça feita em água. Por vezes, aqui à noite, penso que, no dia seguinte, deveria pensar nos presentes de natal. Uns já despachei mas, na verdade, uma ínfima minoria. Mas depois, durante o dia, falta o tempo. Claro que agora, em vez de estar para aqui feita carpideira, bem podia estar a puxar pela cabeça e a navegar, de site em site, escolhendo presente para um, presente para outro. Só que esta cabeça aqui, a esta hora, já não deita sumo, só palavras desasadas. E escolher presentes sem inspiração nem energia não é boa coisa. A escolha de presentes requer uma boa vibe, uma boa onda, a good mood, senão vira burocracia, coisa falha de validade.

Há-de aparecer a vontade. Portanto, adiante.

Ao fim da tarde, num ápice, fui até ao supermercado. Não tinha bananas em casa e isso é coisa que não pode faltar. Desde que me lembro, ao pequeno almoço, uma banana não me escapa (entre outras coisas). E não sabia o que fazer para o jantar. Então vi um lombo de salmão à provençal, congelado. Fiz como recomendado e acompanhei com um arroz com muitos legumes. Ficou bom. Vou dizer como fiz o arroz:

Num tacho, coloquei azeite, uma cebola aos bocados, um alho francês, uma folha de louro e salsa em boa quantidade. Refogou ao de leve. Quando estava tudo molezinho, juntei três tomates maduros aos bocados, um molho de feijões verdes também cortados aos bocados, metade de uma courgette cortadas aos bocadinhos, um pouco de sal, pouco, sempre pouco. Ficou tudo a cozinhar devagarinho. Quando estava tudo bem cozinhadinho, juntei um bocadinho de abóbora também aos cubinhos. Juntei dois copos de água, deixei ferver, Juntei um copo de arroz basmati. Quando ficou quase sem caldo disponível, desliguei e deixei o tacho tapado a apurar. Modéstia à parte, estava bem saboroso. Saborosinho. Inho, inho (que isto hoje está a dar-me para os inhos -- deve ser do frio, uma pessoa até encolhe, incluindo das ideias).

O salmão foi assim: claro que, primeiro, descongelou. E a seguir:

Numa frigideira coloquei um pouquinho de azeite e cobri o fundo com uma cebola grande cortada aos bocados. Sobre essa cama generosa coloquei o lombo que tinha cortado às postas.  A pele do peixe ficou para baixo. Para cima a parte com as ervas aromáticas. Ficou para ali em fogo leve e brando, até que a cebola quase caramelizou, o peixinho cozinhou e o perfume a boa comidinha encheu a cozinha.

Quando o jantar já estava ao lume recebi um telefonema da empresa, o último do dia. Ao contrário do que é costume, boas notícias. Várias boas notícias num único telefonema. Fiquei toda contente. De repente, parece que todas as situações complicadas do dia se tinham dissipado.

E agora aqui, ao ver os vídeos do dia, uma vez mais, o das Avós da Razão chamou a minha atenção. Falam de períodos da nossa vida em que parece que estamos num impasse, improdutivas, desinspiradas, abúlicas. Uma mulher de trinta e quatro anos perguntava se as Avós já se tinham sentido assim e, em caso afirmativo, o que fizeram. E a resposta que elas deram é a que eu daria: claro que sim. Quem nunca? E, numa situação assim, não se faz nada. Espera-se que passe. A menos que a pessoa esteja doente -- com uma depressão, por exemplo, e aí deve tratar-se -- passa sempre.

Falo por mim. Sou avessa à monotonia. Essa coisa da velocidade cruzeiro não funciona comigo. Prefiro mar encapelado sem saber bem o que fazer com ele. Gosto de me sentir a desbravar caminho, a construir, a enfrentar as dificuldades do que se faz de raiz, a criar coisas, a formar equipas, a deitar obstáculos abaixo. Depois, quando está feito e apenas há que manter, eu começo a roer-me de impaciência, doida por saltar para outra. Mas nem sempre há para onde saltar. E, nesses compassos de espera em que me sinto sem pachorra para o mar flat e sem saber se me vai aparecer lugar para onde me pirar, sinto-me a aboborar, a criar raízes quando gosto é de sentir as asas a romperem das costas, impacientes por me levarem nem eu sei bem para onde.

Mas, com o tempo, aprendi. Nessas alturas, não vale a pena fazer nada. Um dia tudo se vai resolver por si. O melhor é arranjar um qualquer entretenimento mental para ajudar a aguentar. Porque é apenas uma questão de tempo. Não vale a pena forçar. Tenho para mim que o que tem que ser será. Mas só o é na altura que tiver que ser. 

A nível profissional ou pessoal sempre me aconteceu isto: depois de estar como que em hibernação mental, o próprio corpo a pedir descanso, um belo dia, sem saber porquê, acordo e aparece-me uma decisão que me vira a vida noutra direcção. Por vezes, uma ideia anda por aqui a pairar, indefinida, inconcreta, impalpável, vaga, vaga, como uma ilusão longínqua. E, do nada, aparece a cola que liga as peças, une as pontas. E, aí, é só ir atrás que a coisa se dá.

Mas eu sou eu e pouca graça tenho para falar das coisas. Agora as moçoilas aqui abaixo têm toda uma sabedoria, graça, irreverência e cabelo às cores que é impossível a gente não pensar que quando for grande quer é ser como elas. 

[Relembro: Gilda tem 79 anos, Sonia 83 anos e Helena 92 anos] 

E mais nada. O resto é conversa.

Avós da Razão: Escute os sinais e respeite seu momento


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Ao longo do texto, fotografias e montagens de Grete Stern na companhia do violinista Augustin Hadelich a interpretar Dvořák: Humoresque No. 7 in G-Flat Major

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E bora lá curtir mais uma sexta-feira
Boa disposição, boa sorte e boa saúde.