Vi muito pouco pois, ao ouvir o dito exonerado, só me lembrei do ambiente das escolas infantil e primária com meninos a fazerem queixinhas e a contarem palermices, um conjunto de alcofinhas, meninos todos nervosos a incriminarem os meninos do lado e os meninos do lado a dizerem que ele é um mentiroso.
Claro que desligámos a televisão pois não temos saco para tanta parvoíce.
Pensava eu que esta Comissão Parlamentar se destinava a avaliar o processo de demissão da Alexandra Tomba-Todos e o respectivo processo indemnizatório.
Mas não. Onde é que isso já vai.
Descambou de imediato e nunca mais encontrou o carril. Cada vez mais pessoas são enfiadas no comboio e o comboio por ali vai, desgovernado, sem rumo. Uma rábula. Era uma vez um bando de deputados desatinados que desataram a chamar meio mundo, uns malucos e outros quase, para lhes moer a paciência até mais não. Nada do que dizem faz sentido mas as televisões transmitem em directo.
Uma maluquice total, sem qualquer aderência com a realidade do país.
E, estranhamente, parece que não há um adulto que tome conta daquilo.
Os deputados têm demonstrado à saciedade que não sabem a quantas andam. É gente que não sabe qual o seu papel, que se desfocam à primeira mosca que lhes passa pela frente e que, mais grave ainda que isso, não têm consciência que estão a ser pagos por nós (leia-se: nós = contribuintes) para fazerem coisas úteis e não para andarem, feitos alcofinhas pueris ou vizinhas coscuvilheiras ou inquisidores encartados, a escarafuncharem em tudo o que calha, mesmo que irrelevante, mesmo que ridículo, mesmo sabendo que tudo não passa de uma palhaçada.
Tirando isso, só posso constatar o óbvio: que tudo isto é um pitéu para chornalecas e para comentadeiras avençadas. Deputados desatinados, chornalecas e comentadeiras. Uns alimentam-se dos outros. Um círculo vicioso. Justiceiros sem lei.
Enquanto na televisão desfilam os diversos países do festival da Eurovisão, inegavelmente um extraordinário espectáculo de cor, design cénico e luz, depois de ter prestado especial atenção ao coração português da Mimicat, agora passo os olhos pelas notícias.
Se calhar por ter chegado há pouco do campo, por ter andado a cortar rebentos ladrões, a apanhar erva e flores que rebentam no meio dos caminhos de pedra, a varrer e a apanhar doses massivas de caruma e pinhas roídas, estou sintonizada em coisas mais invulgares.
Saber qual o empregador da Alexandra Reis não me assiste. Que fique por lá antes que atire com o governo todo abaixo e, de caminho, ainda leve o Marcelo à resignação.
Quanto muito detenho-me um bocado naquela do casarão do Montenegro, à beirinha da praia. Não sei se é a residência usual ou se é apenas a casota de praia.
Como não faço ideia disso de que se fala por aí -- se era obrigado a declarar ou a dizer de onde lhe veio o carcanhol --, agarro-me a coisas na base dos peanuts. Em concreto o que me intriga é para que quer ele uma casa com seis andares, mais de oitocentos metros quadrados de área, consta que com elevador e oito casas de banho, jardim vertical, não sei quantos quartos... Ainda se tivesse dez filhos ou cinco mulheres e tivesse que distribuir a malta por andares... Agora parece que não, que só tem 1 mulher e 2 filhos... Não se percebe. Mas, se calhar, um dia destes ele ainda vai largar aquele sorrisinho de joker dos pequeninos e nos vai contar.
Agora duas notícias despertaram verdadeiramente a minha atenção.
A primeira é que o fantástico Robert de Niro, 79 anos, acabou de ser pai pela sétima vez. Acho, francamente, o máximo. Deduzo que a mãe da criança seja mais nova e não sei que posição ocupa no ranking das mulheres dele mas isso não interessa pois, apesar de serem muitas, a última é sempre a que vale.
A segunda é que o Bobi, um rafeiro alentejano português, já tem 31 anos. Feito extraordinário. E tanto mais extraordinário quanto nunca comeu ração mas apenas comida normal, a mesma que os donos comem (embora digam que comem comida com pouco tempero). O dinheiro que nós aqui em casa gastamos em ração de boa qualidade, em ossinhos oral não sei quê, nisto e naquilo. Vejam bem.
Tirando isso, o que desejo é que a Mimicat consiga uma boa pontuação. Simpatizo com ela e acho que a actuação foi impactante.
Tenho pena é que o Marcelo não tenha lá ido dar um pezinho de dança. Não fazia mais que a sua obrigação. Ele que ponha os olhos na Kate Middleton que foi tocar um bocadinho de piano na abertura do festival deste ano. Assim é que é.
Tenho a dizer que graças a um telefonema que recebemos perto das duas da manhã tivemos que sair de casa e, ala moços que se faz tarde, aí vão eles, feitos à estrada.
Cumprida a missão, entrámos na cama perto das quatro, uma espertina do caraças. Portanto, podem imaginar: o sono foi pouco, muito pouco.
Aproveitei para, em jejum, ir fazer umas análises que estavam prescritas e que estavam à espera do dia certo para serem feitas. Afinal, quando ia a sair de casa já com o frasco com a devida urina II, reparei que não eram para ser feitas agora mas sim daqui por uns cinco ou seis meses. Mas já não estive para me reorientar e fui na mesma. Que se lixe. A seguir fomos comprar o comprimido desparasitante para o cão.
Por acaso, de tarde, dormi um pouco. Mas nada que chegasse.
Mas depois, porque hoje foi dia, fomos jantar fora. Pelo caminho perguntei ao meu marido se queria viver comigo outros tantos. Disse que não respondia porque a pergunta estava para lá de surreal. Não percebi porquê.
A seguir ainda fomos buscar o urso cabeludo que tinha ficado em boa companhia.
Como é bom de ver, só quando, ao almoço, lá para as duas da tarde, ligámos a televisão é que vimos qualquer coisa. Mas o meu marido teve um acesso e desligou-a. Conclusão, não apenas não pude debruçar-me sobre o magno problema que absorve os neurónios de tutti quanti como, do que ouvi, não consegui extrair uma conclusão que fosse.
Primeiro: afinal para que é mesmo a comissão sobre a TAP? Não era para perceber quem é que aprovou aquela cena da indemnização da Alex Tomba-Todos? Isto, quiçá, para perceber que aquilo lá não é uma felga?
Ou não?
Será que aquela Comissão é um daqueles exemplares topológicos sem contornos, a materialização daquilo a que se chama geometria variável? Será que os objectivos variam consoante?
NB: É mesmo assim. Consoante. Sem palavra a seguir porque é o que me parece que acontece na comissão. Se, um dia, um qualquer diz batatas fritas na sessão seguinte o tema é sobre batatas fritas. Se nessa um diz gatinho azul, na seguinte anda tudo às voltas de gatinhos azuis. Uma never ending Comissão em que começou na indemnização da Gand'Alex e já vai nas notas que um tomou numa reunião qualquer que me parece que não tem nada a ver com o caso.
Isto já para não falar que, para o tom inquisitório ser ainda mais apurado, só falta mesmo haver ali uma pide Leninha (*) para andar à bofatada (escrito assim mas soar mesmo a estaladão) com aquela malta toda.
E, de cada vez que algum inquirido se descosesse e dissesse que sim, senhor, bebeu água antes de ir para ali, primeiro soltavam a Leninha e só depois é que se chamavam os macacos avençados para saltarem para as televisões e para as rádios a macaquearem o que foi dito. Claro está que os macacos não fazem a mínima sobre o tema, este ou qualquer outro, estão ali só mesmo para se macaquearem uns aos outros. O facto de todos, encarniçadamente, se porem a debater o dislate que é beber água antes de entrar para a sala de audiências é apenas porque sim, porque são pagos para isso. E isto quando o tema é beber água. Porque pior ainda quando algum inquirido entra em contradição e diz que se esqueceu de lavar as mãos depois de ter feito chichi quando todos assistiram que afinal até as lavou três vezes e até trocaram whatsapps a comentar o caso, Aí, sim, aí cai o carmo, a trindade e a portugália, e, por isso, ie, por causa dos bifes, o Montenegro desata a formar governo (à sombra, não vá apanhar algum escaldão).
Há dias andava o zoo comentadeiro às voltas com o parecer. Há ou não?, quem o tem? quem o escondeu? A malta toda a brincar ao lencinho queimado ou, na versão mais moderna, à caça ao ovinho da páscoa. E o Medina e as duas ministras não foram logo ali apedrejados, açoitados e alvejados com ovos podres porque não calhou. Mas foi por um triz.
Agora o tema são as notas. Há notas? Alguém escondeu as notas? Onde estão? Quem é que sabia das notas? E não há alho nem bugalho que não opine sobre as notas. E, uma vez mais, cinquenta vizinhas saltaram para a arena comentadeira, todas de língua e faca afiadas, tudo a clamar por justiça e só não cortaram ainda o pescoço ao Galamba porque parece que não apreciam arroz de cabidela.
E eu pergunto: mas não é normal tirar apontamentos nas reuniões? Meio mundo o faz. O que não é normal é andarem a cheirar as notas uns dos outros quais cães a cheirarem o rabo uns aos outros.
Mas parece que é o que os neo politicos, os jornalistas, os comentadeiros e os tomateiros gostam de fazer: cheirar o cu uns dos outros.
Sim, leram bem, Os tomateiros. Toda a gente opina sobre as notas, desde os mais ilustres desconhecidos, até às descabeladas do costume, até a uns pobres coitados que foram arrebanhados na rua e, à falta de melhor, quando já não há cão nem gato para opinar, já nem os pobres tomateiros escapam.
E tudo para quê? Para fuçarem nuns apontamentos que uns quaisquer tomaram numa reunião que não interessa nem ao menino jesus.
Até ouvi, de passagem, uma qualquer a descobrir a pólvora: que a ex-CEO do magnífico nome tinha reunido com o Galamba. Estava exorbitante a desgrenhada e enlouquecida criatura com a descoberta que tinha feito. E quem a ouvia, um entrevistador com ar alucinado, não foi capaz de lhe perguntar se ela não sabia que isso era o que era suposto acontecer: a tutela reunir com os órgãos de gestão da empresa. Se o Galamba reuniu com a ex-CEO fez apenas o que tinha que fazer. Mas aquela alimária falava como se tivesse descoberto que a Christine andava a vender coca ao ministro.
Parece que o país ensandeceu, de repente o espaço público transformado num filme cómico.
Não há pachorra.
Contudo.
Isto dito.
Tenho que perguntar ao Costa se ainda não percebeu que tem que ter cuidado com a marabunta que se acoita lá pelos ministérios. Quem é que selecciona e quem é que avaliza as competências daquela canalhada miúda que, sob o título de assessores e adjuntos (e recebendo como tal), se aboleta em lugares que deveriam estar reservados a gente de elevado calibre? O Costa ainda não percebeu que é tempo de chamar a brigada anti pragas? Ou tenho que ir lá levar desparasitantes de cão a ver se fazem fazem efeito também nessa tropa fandanga?
Pergunta a minha inocente ignorância: que conhecimentos e experiência de vida e da área em causa tem o jeitoso Frederico Pinheiro para ter sido Adjunto de um Ministro?
Li o CV do moço e nem para meu estagiário eu o quereria (isto quando eu ainda estava no activo, claro). Que credibilidade tem aquele rapaz para andar a coordenar reuniões, para acompanhar dossiers, para lidar com informação reservada? Alguém me diz?
Será que aquela rapaziada de quem dizem ser a gauche do PS, para agradar aos amigos da ex-geringonça, ainda acoitam maltinha dos Blocos, das Jotas e de sei lá onde mais?
E o nosso ubíquo Marcelo não consegue puxar pela sua iluminada cabeça e ver como se há-de (colectivamente) conseguir trazer para a vida pública gente capaz, competente, respeitável? Não consegue arranjar maneira de proibir a entrada a maltinha que pode ter muita graça a fazer teses de doutoramento (a expensas nossas) sobre temas que não interessam nem à carochinha ou a maltosa que gosta de fazer tricas laricas entre jotas mas que não tem a mínima competência ou respeitabilidade para assessor ou adjunto nem do raio que o parta, muito menos de um secretário de estado ou de um ministro?
Tempos houve em que os Ministros e Secretários de Estado eram a nata da sociedade, o melhor que o País tinha, O que se passa para gente dessa se recusar a ir agora para o Governo? Mas não vão nem que os banhem em ouro... E, se não há gente capaz que queira ir, depois é o que se vê. Só disto que agora se descobre que por lá anda.
Não pode ser.
Já agora: quem é que autoriza as bolsas para essa malta que para aí anda, eternamente, a fazer teses de mestrado e de doutoramento sobre bugigangas de assuntos, sobre tretas que não servem nem servirão nunca para nada que se aproveite? Andei eu anos e anos a trabalhar, de sol a sol, na economia real, como uma moira, deixando grande parte do meu ordenado em impostos, e ando agora a deixar parte da minha pensão de reforma, para andar a financiar o que me parece ser uma alegada trupe de imprestáveis que, em vez de trabalharem a sério, andam por aí entretidos a fazer merda respaldados pelas bolsas que recebem para fazer teses da treta? (Pardon my french)
Olhem, não há mesmo pachorra.
NOTA: Apesar de tudo, os indicadores económicos são fantásticos, a democracia funciona e, digam o que disserem, o PS ainda é a melhor alternativa para governar o País. Tem muito trabalhinho de casa para fazer? Oh se tem... Mas, enquanto não houver melhor, há que respeitar o voto dos portugueses e deixã-los continuar o trabalho que têm estado a fazer e que, por sinal, estão a fazer bem Que fique claro que o mecanismo fundamental nas democracias é o voto. E quem vota é o povo. Não é a comunicação social.
A realidade anda destravada. Ninguém a segura. Ultrapassa a ficção e tudo o que é fake a toda a brida. Desde que se meteram com a Alex Tomba-Todos que a caixa de pandora foi escancarada. Saem monstros que ninguém controla. Caem Ministros, Secretários de Estado, Assessores e não há dano colateral que não ocorra.
Agora parece que até um Adjunto terá andado à trolha no ministério, depois terá fugido e, para a cena ser mais pythoniana, chegaram os chuis e tomaram conta da ocorrência. O jovem Fred, por sinal um rapaz bem parecido, que as verdades são para ser ditas, para além de um eclético e ongoing estudante, parece ser também um ágil candidato a actor de filme de suspense, acção e comédia.
Para que seja um full faca e alguidar falta ainda aparecer uma dose bem apimentada de adultério (e não digo quem com quem para não levantar a lebre), um gémeo desconhecido que aparece para surpresa do incumbente (pode, por exemplo, ser um gémeo separado à nascença do Medina), uma tia muito velha que deixa uma bruta herança que toda a malta no parlamento vai disputar à batatada, e um qualquer que, do nada, aparece vestido de mulher assumindo-se trans e pedindo para o tratarem por Cátia.
Tudo pode acontecer. No meio disto, para esfriar os ânimos e para ver se consegue fechar a caixa de pandora que a super-Alex abriu, acredito que o bom do Marcelo é menino para arranjar uma gala para sortear condecorações.
No meio disto, faço notar que o grande e eterno Álvaro Amaro, em seu tempo, curiosa e conceituada figura cavaquista, ao fim de mil anos foi condenado a três anos e meio de pena suspensa. O cavaquismo tão bom que ele era. Quem também é boa é a Justiça. Já a gente nem se lembra das coisas quando elas têm desfecho.
No extremo oposto, o fantástico desempenho da economia portuguesa que passou a perna aos companheiros europeus.
Pena é que, em vez de se falar disto, que isto, sim, era caso para estarmos todos felizes, andemos todos a descobrir as cegadas surreais com que os assessores e adjuntos andam por aí a entreter-se para gáudio do pagode.
Ou isso, ou o que uns certos canalhas andam a tramar com fugas de informação e merdices que a toda a hora são lançadas para o ar, poluindo mais o ambiente do que as poeiras do deserto, as cinzas dos vulcões ou a bíblica praga de gafanhotos.
No meio disto, agora a notícia da inauguração de uma sereia que está a deixar meio mundo admirado, dizem que nunca viram sereia assim.
Parece que as sereia que alegadamente costumam andar por aí a dar as caras são muito diferentes, todas meio delambidas, meio enfezadas. Cuzudas, mamalhudas como esta nunca se viu, atributos assim não parecem coisa de sereia.
Continuo muito afastada da televisão. Ou estou noutra ou estou off. Nos intervalos vou apanhando salpicos do que estará por aí a passar-se. E os salpicos ora me mostram a dita Alexandra, com voz melíflua, meio-sorrisinho, óculos de fino recorte, deixando escapar uma bicada aqui, uma bicada acolá, mas parecendo sempre confortável nos seus saltos, ora mostram Ourmières-Widener, a CEO do fantástico nome, boquinha de rosa, mostrando que não está nem aí para tamanho carnaval e, igualmente, seguramente instalada nos seus saltos.
Não sabendo que partes significtivas do enredo perdi, ouvi há pouco falar num motorista que parece que não estava vacinado contra o corona e, a seguir, já parecia que o problema não era bem esse mas, se calhar, um outro mais escuso e interessante.
Desde que me conheço, em todas as cegadas bem apimentadas aparece sempre um motorista. Pode não ter nada a ver com a história mas por qualquer desvio estrutural que parece habitar a mente da malta, é como se o interesse acabasse sempre atraído pelo motorista. Só foi pena a Alex não ter feito biquinho, não ter revirado o olhinho e, em vez de motorista, ter dito chauffeur.
E, pelo meio, também não sei bem a que propósito, apareceu o Marcelo, o nosso ubíquo Marcelo (que, na realidade, não precisa de pretexto para aparecer seja onde for), que, se bem percebi, nem tem nada a ver com a história. Mas eis que vejo um mail ou uma mensagem do bacano Hugo Mendes (tem sempre que haver um Huguinho totó em qualquer história divertida) em que não se acredita. A realidade teima, cada vez mais, em ultrapassar a toda a brida a ficção. Só faltou que em vez do emoji fofinho dos dois pontinhos e parêntesis, um smilezinho muito déjá-vu, aparecesse um atrevido com óculos escuros e língua de fora.
Daria uma boa banda desenhada, este Huguinho. Aliás, qualquer dos personagens daria uns cartoons do caneco. Melhor: todo o enredo daria uma bonecada do caraças.
E, apesar do frisson destas cenas, não posso esquecer-me de que o Huguinho dependia do Pedro Nuno que despachava, en passant, por whatsapp. E não posso esquecer-me que a TAP e a CEO e tudo o que se relacionou com a TAP, nomeadamente a sabida e consabida felga que por lá parece que imperava dependiam do dito Pedro Nuno. Portanto, na banda desenhada não poderia faltar o boneco do Pê-Nu, esse ganda maluco de quem alguns ainda mais malucos que ele diziam ser o sucessor do Costa. Só que não, o Pê ia Nu.
Pelo meio de tudo tenho apanhado os comentadores a opinarem sobre tudo isto, nomeadamente sobre reuniões e sobre outros ministros que vão sendo chamuscados na primeira e na segunda e na terceira derivada pela inflamável Alexandra. Mas aos comentadores, então, é que já não consigo mesmo prestar atenção, são outros dos temíveis efeitos colaterais do tufão Alex.
António Costa deve estar com a cabeça feita em água. Como não? Tendo um governo com artistas como o ex Pedro Nuno ou a jovem e irreflectida Marina e com Secretários de Estado como o ex Huguinho e outra miudagem ou bacanos que fazem ou fizeram parte da equipa governativa, ele bem pode acender velas para pedir paz a todos os santinhos.
Uma pena.
Compare-se a qualidade de ministros e secretários de estado dos primeiros governos após o 25 de Abril com estes de agora. Estes de agora fazem-me lembrar o que o meu pai dizia de ir à praça perto da hora em que deixavam de vender peixe, quando as bancas de pedra já só tinham o peixe que tinha sobrado, peixe espatifado, pouco fresco, coisa que já nem para os gatos prestava, só para quem anda à babugem.
E isto nem ter a ver com o PS que, mal ou bem, ainda é capaz de ser do melhorzinho que por aí se arranja. Acho que isto é mesmo uma questão de regime. A influência nefasta da comunicação social cada vez mais sensacionalista e o poder triturante das redes sociais fazem com que o populismo ganhe terreno e, numa tríade fatal, provoquem o afastamento de gente de qualidade. Fica só isto, os inexperientes, os fala barato, os que vivem do show off, os verdinhos, os totós, os restos.
O Presidente da República bem poderia ter aqui um papel construtivo, convocando um conjunto de 'sábios' ou de gente isenta para se estudar uma forma de assegurar que a democracia consegue sobreviver, atraindo e retendo governantes e gestores públicos de qualidade, evitando que sejam destruídos na praça pública para satisfazer shares ou para gáudio da turbamulta.
Tirando isso, que agora me lembre, nada. Só se for que, com este calor, de dia só me apetece ser sereia.