Ontem deu-me para beber à noite um chá de uma misturada qualquer que para ali tenho e de cuja marca ou composição agora não me lembro. Tem um sabor bom, exótico. Só que me tirou o sono e, claro, também tive que me levantar duas vezes para ir à casa de banho. É que, ainda por cima, quando bebo chá, como gosto muito, bebo canecas cheias e, portanto, já estão a ver.
Acho que só adormeci já perto de amanhecer. Portanto, desforrei-me e deixei-me ficar a dormir até mais tarde. Acordei com o urso cabeludo a dar-me beijinhos na mão. Tenho impressão que, quando durmo até mais tarde, pelo sim, pelo não, ele gosta de conferir se estou viva. Mal acordo, fica descansado e pára com as lambidelas. O meu marido já estava levantado certamente há séculos e devia andar nas dele, tendo deixado a porta do quarto aberta.
O nosso dia foi calmíssimo. Longa e boa caminhada antes de almoço. Almocinho bom, simples.
Depois de almoço, estive a ver o Little big lies. O meu filho tinha-me aconselhado mas eu andava na Netflix, numa de The good doctor. Mas agora voltei à HBO e, de facto, é uma série tramada. Faz-me lembrar um bocado a onda do Twin Peaks. Para os mais novos, o Twin Peaks pouco ou nada deve dizer mas, na altura, deu que falar. Num lugar pacífico, tranquilíssimo, bucólico, onde nada acontecia e onde todos eram amigos, após a descoberta do corpo de Laura Palmer, aos poucos vai-se percebendo que, sob a fina capa das aparências, a inquietação vivia latente, sempre pronta a manifestar-se. A música era parte do ambiente de suspense, as cores e o excelente trabalho de David Lynch faziam o resto.
O Big little lies é um pouco assim. Num lugar de famílias ricas, casas fantásticas à beira mar, onde a escola e as actividades a ela associadas são um importante elo de ligação entre as famílias, aos poucos vamos descobrindo que sob a pele das mulheres elegantes e sorridentes e sob a pele dos respectivos maridos há mais do que o que aparece à superfície. A inquietação é crescente. Não há grandes acontecimentos, apenas pequenas mentiras, uma ou outra omissão, insignificantes encobrimentos. E o enredo vai avançando sobre essa mistura de acasos e opções que, na vida real, também desenha os destinos da gente.
A banda sonora também é qualquer coisa. A música lá em cima, The wonder of you, faz parte do episódio em que há uma festa temática, eles de Elvis, elas de Audrey Hepburn, e em que o Ed, o marido de Madeline (fantástica Reese Witherspoon), protagoniza um momento em que se sente, quase fisicamente, que a desgraça está para acontecer.
Há um crime, sabemos desde o início, mas não sabemos bem quem morreu. Mas vamos percebendo que qualquer um pode vir a ter um fim triste e que qualquer um pode ter estado envolvido no homicídio.
E há, a par disso, o extraordinário elenco de actores, nomeadamente de actrizes. Excelentes desempenhos. Citei Reese Witherspoon mas são todos incríveis.
[A grande arte da representação vai-se desviando do grande ecrã para o streaming. A evolução acontece muitas vezes (ou quase sempre) de forma inesperada, disruptiva.]
A seguir chegou parte da tribo. Chegam ruidosamente. Tocam à campainha mas os meninos fazem-se logo ouvir e a ferinha cabeluda salta de alegria e abala a correr para ir fazer-lhes a festa ao portão, saltos no ar, abracinhos, beijinhos. E eu vou atrás e só por decoro não me manifesto com idêntica exuberância.
Ontem tínhamos estado com a outra parte da tribo. Entre jogos de futebol, dois num clube, outro noutro, estudo para testes já para quatro deles, festas de anos, e, para ajudar à festa, as viroses que apanham nas escolas, nem sempre conseguimos fazer o pleno.
Claro que, em especial os miúdos, preferem quando estão juntos. Mas é sempre bom, sempre.
Hoje, enquanto uns jogavam futebol, a minha menina quis vir ver onde estavam as bolas grandes de Natal. Não me lembrava, pensava que estavam nos baús que estão numa arrecadação que temos num compartimento do sótão. Mas não, devem estar nos baús que estão na garagem. Mas ela não se desmoralizou. Nessa arrecadação há uma zona que, nos tempos dos anteriores proprietários, era usada como a sua biblioteca particular. O senhor levou os livros, claro, mas deixou ficar todas as estantes pois tinham sido montadas à medida. É aí que arrumo todas as carteiras, malas, malinhas e malões, sacos, mochilas, necessaires. Uma maravilha para mim que sempre tinha desejado tê-las bem arrumadas, tudo bem à vista e bem organizado. E uma tentação para ela. Resolveu pôr-se a abrir as mais pequeninas, as que eu usava em casamentos, cocktails, alguns eventos que requeriam coisa mais artilhada. A ideia, disse-me ela, era ver se descobria alguma coisa imprevista. Diz que gosta sempre de ver pois descobre sempre qualquer coisa. Descobriu moedas, papelinhos e descobriu um caderninho muito bonito que, em tempos, pensei usar como diário. Foi nos tempos pré-blog. Subtraí-lho pois não sei o que para lá estará. Por vezes tenho pensamentos impróprios para consumo. Mas prometi-lhe que vou reler e, se for, coisa capaz, a deixo ler. De resto, do que rapidamente folheei, parece que não deve ser mais do que meia dúzia de folhas escritas. Deve ter acontecido o mesmo de sempre: tudo o que entra nas minhas carteiras parece que se perde para todo o sempre. Mudo de malinha e lá ficam as coisas. Se volto a usar ou mudo o que lá está dentro para qualquer outra ou deixo ficar mas parece que o conteúdo se funde entre si. Por isso, fiquei tão surpreendida como ela quando ele lindo caderninho saiu à cena.
Entretanto, no outro dia comprei no supermercado uma grinalda de luzinhas pequeninas, que funciona a pilhas, e que na embalagem a mostrava dentro de uma taça de vidro. Hoje coloquei-a dentro de um copo grande e coloquei-o na mesa cá de fora. A minha menina deve ter achado que estava a modos que um bocado pobrezinho e foi lá dentro buscar uma espécie de taça baixa em aço brilhante e, então, em cima o dito copo. Ficou melhor, as luzinhas reflectiam-se na taça. Bonito. As luzinhas assim fazem sempre um ambiente acolhedor.
Para o lanche quiseram, e assim foi feito, sandes em pão de rio maior, quentinho, com tomate, queijo de cabra, brie e um fio de azeite. Em duas das sandes, também orégãos. Depois, para quem quis, diospiro às rodelas polvilhadas com canela e regadas com um fio de mel.
E, agora, ao chegar aqui, liguei-me no Youtube e ele, sabendo que sou dada a casas, a ambientes de aconchego e de afecto, apresentou-me o vídeo abaixo, muito bonito, com várias belas peças de artesanato, daquelas que me dão vontade de me atirar à obra.
Inside This Curator’s Bohemian L.A. Home Filled with Handcrafted Objects | Vogue
Step inside gallerist Alex Tieghi-Walker's avant-garde Los Angeles home in Vogue’s latest “Objects of Affection” video. As Alex walks around his property filled with handmade, one-of-a-kind objects, he regals us with the unique tales that make up the essence of these wonderful pieces. Watch as Alex discuses everything from his eye-popping ceramic cabinet to a handwoven Argentinian mountain hat that will forever reside in his bedroom.
Foi como se tivesse chegado a um lugar antes familiar e, estranhamente, agora já não o fosse. No lugar que costumava ser o meu estava agora instalada uma outra pessoa. No lugar em que antes estava o meu amigo e onde eu tanto ia dar dois dedos de conversa estava agora uma pessoa desconhecida. No espaço onde estavam 'os meus' estava agora um grupo de desconhecidos. Queria perguntar pelos que conhecia e não sabia a quem me dirigir. Não conhecia ninguém.
A sensação era de estranheza mas não de espanto.
No outro dia ligou-me um dos antigos conhecidos e estivemos a passar em revista várias pessoas da altura em que de lá saí. E foi há tão pouco tempo que saí, há cerca de dois anos. Uns saíram para outras empresas, outros para outras funções fora dali, outros para a reforma. Muita gente nova tinha entrado. Dizia-me ele: 'Cruzo-me com desconhecidos e não sei se é gente de cá se é gente de fora. Há serviços em que não conheço quase ninguém'. Enquanto ele falava, eu pensava: 'Se ele que lá trabalha pensa isto, que diria eu se lá fosse...?'.
Numa outra vez, estava a ter uma reunião remota com uma pessoa de lá e qualquer coisa no espaço me pareceu familiar. Perguntei-lhe: 'Então agora onde é o seu poiso?'. Ele rodou o computador para filmar em volta: 'Veja se reconhece... ' Reconheci. E ele confirmou: 'Estou no seu gabinete'.
Ontem pensei que tinha que ligar para lá para esclarecer uma situação e fiquei a pensar: 'Com quem peço para falar? Todos os conhecia daquela área já lá não estão..'. Uma sensação estranha.
Talvez por isso, hoje, quando o despertador tocou, acordei de um sonho muito estranho. E tive dificuldade em desligar-me do sonho.
No sonho eu estava a despertar. Tinha acordado e não conhecia ninguém. Estava no meu anterior local de trabalho e a disposição dos espaços era nova e as pessoas eram outras. Olhando, aturdida, em volta, tinha ouvido: 'Esteve a dormir durante mais de um ano...'. E eu, incrédula, olhando em volta: 'A dormir? Como se pode dormir durante um ano? Não estaria em coma?'. Não acreditava. 'Alguém me alimentou?!'. E as pessoas, como se fosse natural: 'Levantávamo-la todos os dias, era alimentada, lavada'. E eu, assustada, temendo ter estado vulnerável, diminuída: 'E usava fraldas?'. Sorriram: 'Não. Tínhamos horas certas para a levar à casa de banho'. Eu não percebia nada do que estava a passar-se. 'Mas porque me mantiveram no escritório?' Depois, preocupada com medo de ter causado preocupação aos meus: 'E a minha família?'. E eles: 'Achámos que era aqui que fazia sentido estar. A sua família tem vindo visitá-la'. Eu tentava perceber: 'Mas eu estava de olhos abertos?'. Como se fosse uma coisa natural, explicavam-me: 'Sobretudo tem estado a dormir mas de vez em quando estava de olhos abertos'. Naquela que tinha sido antes a salinha das massagens e, em alturas covid, o gabinete de confinamento, estava agora uma espécie de quartinho. 'Estive aqui um ano?'. E eles: 'Mais de um ano?'. Toda a gente ali parecia conviver bem com uma pessoa que vivia ali naquela sala, no meio de um escritório, numa torre de vidro, há mais de um ano. Olhavam para mim com uma naturalidade que me parecia estranhíssima. 'Mas não deviam ter-me mandado para o hospital?'. E eles: 'Mas porquê? Estava bem'. E eu: 'Mas levavam-me às reuniões?'. E eles: 'Sim mas só às reuniões mais complicadas'. Eu não percebia nada. Aquilo não me agradava. Respondiam-me a tudo, pareciam não estar a esconder-me nada. Mas nada me parecia fazer sentido. Queria perceber. 'As pessoas da minha família conversavam comigo?'. E eles: 'Isso não sabemos mas se calhar falavam'.
Acordei e estava nisto. Sem perceber. Pensando que nada daquilo encaixava. Pensava: 'Mas estava a dormir ou estaria inconsciente?'. E só pensava que estava rodeada de desconhecidos.
E, durante o dia, várias vezes pensei nisto.
Ficou em mim a estranha sensação de lá ter ficado esquecida e de que, ao despertar, tinha constatado que tudo tinha mudado e que, estranhamente, os novos habitantes do espaço me tinham adoptado assim, como um animal de estimação que os donos tivessem abandonado, nem a dormir nem acordada, nem consciente nem inconsciente, nem útil nem inútil.
Se calhar é porque, daqui por algum tempo, depois do verão, vou ter que lá ir, já está combinado. E vai ser estranhíssimo. Vou sentir-me uma estranha. Se calhar por isso tive este sonho que deixou em mim este incómodo.
Ontem, também, ao querer aceder ao blog, não consegui, tive que provar que não era um robot, qualquer coisa de estranho se tinha passado, mas não sei o quê. Ocorreu-me que um dia posso ficar sem acesso ao blog para o actualizar e que o Um Jeito Manso pode ficar a pairar no espaço como um blog esquecido, como aqueles blogs cujo autor morre e fica imutável, para sempre parado no tempo. Ou que o próprio blog despareça sem que eu saiba onde procurá-lo. Ou sem que saiba como avisar-vos.
Ideias um pouco estranhas. Mas pode acontecer. E talvez por saber que pode acontecer e por ter medo que aconteça é que estou com esta estranheza em mim.
Não sei se posso dizer que sou artesã. Gostava de poder dizer. Contudo, agora de artesanato apenas faço o blog. Mas, durante muito tempo, fiz tapetes de arraiolos. Já tinha feito tricot e quando mudei de casa reencontrei várias camisolas feitas por mim, geralmente com um design improvisado enquanto ia fazendo. Apenas para os meus filhos e marido fazia peças normais. Para mim era sempre um design fora da caixa. Também houve uma altura em que fazia crochet e até uma colcha eu fiz. E bordei e tenho vários 'quadrinhos' abstractos feitos em bordado. Mas aquilo de que mais gostei de fazer foi, sem dúvida, os tapetes de arraiolos.
Para já, gosto de tapetes. Não apenas gosto de fazê-los como de os ver e sentir na casa. Digo 'sentir' porque frequentemente ando descalça. Acho que uma casa, para ficar confortável, tem que ter tapetes. E gosto de tapetes de lã. Um dos mais bonitos, comprei-o em Londres e é um tapete afegão. É um tapete frágil, lindo, em lã que parece prensada e, depois, sobre a base da lã prensada, é bordado. É uma pequena carpete, talvez de 1,2 por 2m. Está in heaven e por isso agora não posso medi-lo. Com medo que se desfizesse, pedi à minha mãe que o forrasse. A parte que agora contacta com o chão é de algodão espesso e pespontou o tapete ao forro. Tenho também um outro tapete afegão mas mais simples, menos frágil. Tem um bordado em quadrícula, em cada quadradinho um desenho quase infantil. São peças especiais.
Às vezes penso que, um dia que tenha tempo, poderia fazer tapetes e quadrinhos bordados para vender. Mas, deformação profissional oblige, mentalmente faço um business plan e concluo que não dá. Fazer um tapete leva tempo. E as lãs são caras. Teria que vender o meu trabalho a valor abaixo do de terceiro mundo para que alguém os quisesse comprar. E estar a trabalhar para aquecer não me parece que faça qualquer sentido.
No entanto, vejo imagens como as do vídeo abaixo e fico encantada, as mãos a fervilhar de vontade de fazer coisas assim.
Trata-se de uma família ucraniana que, numa aldeia remota, continua o seu ofício de trabalhar a lã, de fazer tapetes e outras peças. E todos colaboram, a mulher, o homem, a filha. A filha, jovem adolescente, trabalha ao lado da mãe e é geralmente ela que aparece nas fotografias a usar os casacos.
A lã, depois de tosquiada, tem que ser desfiada, fiada, tingida (quando é o caso), lavada, penteada, tecida, lavada de novo, escovada. Muito trabalho até que fique pronta e apta a durar anos. Uma maravilha.
Estive a ver as peças que estão à venda e fico tentada. O conforto que um tapete ou um cobertor ou um poncho assim transmitem é palpável apesar da distância e apesar de não poder fazer o que apetece: passar a mão para lhes sentir a macieza.
As sapatinhas, por exemplo, devem ser tão boas de sentir, devem ser tão confortáveis... O pior nelas é que uma pessoa, com umas sapatinhas destas calçadas, nem deve ter vontade de sair de casa.
Mas o melhor é vermos o vídeo.
Ukrainian Mountain Weavers Refuse To Surrender Their Traditions In War Or Peace | Still Standing
Ukrainian’s Hutsul ethnic minority is keeping a century-old weaving tradition alive by using the same tools and techniques that their people have for generations. In war and in peace, they’re determined to keep their craft alive, and they sell their blankets on Etsy (www.etsy.com/ie/shop/WovenWoolArt). We visited their village in Western Ukraine to see how their tradition is still standing.
Para não ser preciso ir despejar o lixo ao contentor da estrada, separamos os plásticos para um lado, o vidro para outro, o cartão para outro e, quando saímos para ir ao supermercado ou para ir ver a família, levamos para a reciclagem, para os contentores grandes que estão perto da estrada nacional. Os restos, os orgânicos, vou despejar lá em baixo, sob a caruma. Os animais comem-nos e, o que sobra, vai sendo revolvido na terra. Acho que fertiliza o solo, que aproxima os animais, e escusamos de andar a pôr restos que se degradam no contentor da estrada.
Mas, então, um destes dias ia eu à noite, às escuras, descalça, pé ante pé, com um pratinho na mão com cascas de batata ou de fruta, quiçá alguns ossinhos, e dou com um pirilampo a voar à minha frente, a alumiar-me o caminho. Nestas alturas, arrepio-me. Não sei se é emoção pura, se é o inesperado do dito hecho estético de que Borges falou:
La música, los estados de felicidad, la mitología, las caras trabajadas por el tiempo, ciertos crepúsculos y ciertos lugares, quieren decirnos algo, o algo dijeron que no hubiéramos debido perder, o están por decir algo; esta inminencia de una revelación, que no se produce, es, quizá, el hecho estético."
Eu ali, a noite com aqueles seus sons que cruzam o silêncio, a lua a crescer no céu, os meus pés nus e cautelosos sobre a caruma e, à minha frente, ziguezagueando, um pirilampo. Emocionada, pensei: olha, o açauí veio ter comigo. E ia andando e dizendo em voz muito baixa, quase sussurrando: 'Açauí, açauí...', como se querendo falar com ele. Açauí, açauí...
E, desde aí, quando escurece, eu olho em volta e penso: 'Será que o meu amigo açauí vem visitar-me?'. E, sem que ninguém me ouça, eu murmuro Açauí.... açauí...
Ao mesmo tempo ocorre-me, de vez em quando: 'quem será que aqui veio dar-me a conhecer este outro nome do pirilampo?'. E ponho-me a pensar se será este, se aquele, se aquela, tentando perceber como será a pessoa que tão generosamente me ofereceu um nome para eu dar à irreal aparição que é um pequeno açauí voando na noite, um pontinho de luz em que dificilmente se acredita.
Hoje cheguei aqui e resolvi rever o comentário para ver se havia alguma pista que me deixasse antever quem seria. Li, reli e não queria acreditar. Afinal não é açauí coisa nenhuma, é arincu. Reli. Arincu? Se o que ali está escrito é arincu, como é que eu registei açauí...?
Fui agora verificar o significado de açauí e, para ainda maior espanto, é palavra inexistente. E, no entanto, o pirilampo lindo que cruza a noite para deixar que eu o acompanhe parece que fica melhor vestido de açauí do que arincu. Não sei se alguém pode registar o nome ou se fica só meu. É um arincu mágico que muda de nome quando chega perto de mim, transforma-se em açauí.
Enfim. Não liguem. Coisas minhas.
É como tessitura. Li e pensei na La Dame à la licorne. Fiquei a pensar no que tinha lido e a pensar que a palavra certa ali era mesmo aquela, palavra que descreve bem tudo o que envolve coisas como à mon seul désir (que eu, volta e meia, confundo com à mon seul plaisir). Tive vontade de ir buscar A Dama e o Unicórnio para reler alguns poemas, para ver as tapeçarias, para perceber bem as declinações de desejar e ser desejado: a primeira, a segunda e a quinquagésima derivada.
Tessitura. Ponto a ponto, passo a passo, o fio que se entrelaça, que desliza e prende e volteia e se cruza com outro fio, de uma outra cor, o ponto e outro ponto, a tessitura perfeita, o desenho a anunciar-se, a insinuar-se.
A Dama seduz Ou o Unicórnio entrega-se? No jogo da sedução Quem usa a taça e a seta?
Eu capricho na conquista
no fogo da sedução
Sou Dama da minha vida
deixo nela a minha pista
Senhora de meu desejo
de meu prazer e paixão
Agora, estando eu nisto, assaltou-me a dúvida: tessitura? ou tecedura? Reli. Tessitura. Fui conferir. Pois, li uma coisa, tresli e pensei noutra. E, no entanto, agora parece-me que são sinónimos. Ou uma outra forma de dizer a mesma coisa.
Aliteração. Alitero o sentido das palavras, aconchego-as a mim, ao fogo da minha paixão, ao capricho da sedução, teço e entreteço e enlaço e deslizo o laço e em alvoroço escondo a taça e espero que o prazer das palavras de mim não faça sua escrava porque não nasci para serva mas para senhora da minha vontade e, mesmo quando me desnudo, nunca mostro o meu corpo nu mas a minha alma que apenas ilude uma nudez que nunca é real. E agora que o escrevo penso que talvez aliteração também não seja a palavra certa mas isso agora também não interessa para nada até porque é capaz de não haver palavra para isto de nascerem asas no corpo das palavras. Portanto, adiante.
Não tenho conseguido responder a comentários e tenho sido um bocado menos prolixa que o costume porque tive um fim de semana digamos que um pouco atarefado.
Conto.
Na sexta-feira saí um pouco mais cedo do que o habitual pois ia ter jantar cá em casa. Muitos. E a freguesia deu para tarde e foi uma festa e a costumeira confusão pois, sempre que os meninos se juntam, é o que é.
A seguir ao jantar, a minha filha lembrou-se de pôr a 'Música no coração'. Os meninos não conheciam mas os crescidos, sim. Uma alegria, claro está.
Parte da turma ficou cá em casa.
Na manhã de sábado houve compras para fazer, nomeadamente mantimentos. Fomos todos e encontrámo-nos com os que não tinham dormido. Depois fiz o almoço, pus a adiantar o jantar e almoçámos à pressa pois, de tarde, parte da turma tinha um baptizado.
No meio de tudo, ao início da tarde, ainda consegui ir ao cinema. Assim que estávamos para entrar para a sala, lembrei-me. Um sobressalto. Perguntei ao meu marido: 'Desligaste o fogão?'. Ele: 'Não. Está-se a ver que tu também não.'. E o enervante nisto é que ele, mal acabámos de arrumar a cozinha, tinha querido desligar o fogão pois dizia que eu iria esquecer-me. Afiancei que não, que a carne precisava de mais tempo de cozedura e que não iria esquecer-me, desligaria antes de sair. Está bem, está. Uma data de gente a sair de casa à pressa, lembrei-me lá eu da panela ao lume. Com ar desalentado, disse-me que ia a casa. Não tentei ir eu em vez dele pois sei que é mais ágil na condução do que eu. A minha filha lamentou: 'O chato disto é que sobra sempre para o pai...'. E é, tem razão. A minha filha observou ainda: 'E é que é perigoso...'. Mas que querem que eu faça? Desculpei-me: 'Mas lembrei-me. Já viste se não me lembrava...?'. Pois, pois.
Estava a primeira parte a acabar quando ele reapareceu. Tinha apanhado um engarrafamento, ainda por cima.
Depois fomos para o resto do programa.
Quando o menino mais crescido, já vindos do baptizado, entrou no carro, disse: 'Pensava que a água benta era uma água especial. Mas afinal é água normal, podia ser água do luso, mas na qual se incorporaram uns espíritos'. Desatei a rir. Já, à ida, ele ia a comentar com o irmão: 'Acho que, basicamente, o que vai acontecer é que vão despejar água na cabeça da bebé'. Acrescentei que também fariam uma cruz na testa com óleo. Não ligaram, deve ter-lhes parecido uma informação inútil.
E lá regressámos a casa. Acabei o jantar, a carninha estava mais cozidinha que só visto. O resto da turma juntou-se-nos. Mesa cheia, de novo, e a alegria do costume.
A seguir ao jantar, a minha filha voltou ao ponto em que tínhamos ficado na Música no Coração. A sala cheia, os sofás poucos para tanta gente, alguns meninos no chão. Por vezes, o público fazia coro com o filme. Lembrei-me que era eu pequena quando vi pela primeira vez este filme. A minha filha disse que não se lembra de, quando era pequena, vermos muitas vezes. Expliquei que nessa altura não havia televisão por cabo ou box para haver esta faculdade de se ver o que se quer quando se quer. O mundo era outro. A tecnologia tem coisas boas.
Até o meu filho que não liga muito a este género de filmes, e estava entretido com outras coisas, acabou por prestar alguma atenção. O meu marido é que nem por isso. Aproveitou para se encostar a descansar, num sofá mais afastado. Pelo meio, nos momentos mais chatos do filme, mormente quando as freiras cantavam, os rapazinhos resolveram fazer moche ao avô. E dançaram, lutaram, um pôs-se a compor uma canção no iPad, depois mostrou-a e os outros desataram a dançar como se tivessem levado uma injecção de saltos. Uma animação pegada.
Lá para o fim da noite, parte do pessoal foi para sua casa e outra ficou de pernoita.
O domingo amanheceu branco. Tínhamos a ideia de ir para a praia mas com um nevoeiro tão cerrado pensámos que era melhor não. Mas depois viu-se que na praia não havia névoa e lá fomos. Passeámos, apanhámos sol, os meninos brincaram. Depois viémos para casa, fizemos o almoço, almoçámos. De tarde, quem ia à sua vida arrumou pertences, recolheu haveres. Preparei a marmita com parte do que tinha sobrado. E lá foram.
Entretanto, já só os dois em casa, fizeram-se máquinas de roupa, arrumou-se o que era de se arrumar e, como geralmente acontece depois destas lidas, deitámo-nos, cada um em seu sofá, e, claro, foi tiro e queda. Nem consegui ir a casa dos meus pais; mas a minha mãe até se zanga de eu, em fins de semana assim, querer ir, diz que não me estafe, que não é preciso porque eles estão bem, que não ande sempre a correr para conseguir fazer tudo, que descanse. Por isso, segui o conselho, não fui e descansei. Mas acordei com frio e dor de cabeça. Fiz uma infusão de erva-príncipe e fiquei bem, devia estar a precisar de uma bebida quente.
E já arrumei roupas, já preparei a indumentária de amanhã, já passei um brilhozinho nas unhas, já vi as fotografias que fiz nestes dias, e, por acaso, já tentei ler mas pouco consegui. Perco-me, distraio-me, desconcentro-me. Acho que a minha cabeça, a esta altura do campeonato, não está para assimilar literatura, nem tão pouco voar sobre ela.
Salva-me o Habitualmente:
Há pedras habitadas. Pássaros que não migram
só para não sofrerem a partida
Esperam um ano a fio pelo regresso dos companheiros.
Bonito. Um bálsamo para os neurónios.
E assim foi o meu fim-de-semana. Muito bom. Uma alegria.
Está a começar nova semana, já estamos a caminhar para o fim de Janeiro. É impressionante como o tempo anda depressa. Razão para agarrarmos bem cada instante.
As imagens representam fragmentos da obra de William Morris e vêm ao som de Lavinia Meijer a interpretar Koyaanisqatsi ('Life out of Balance') de Philip Glass. O poema chama-se Pedras e pertence ao livro 'Um dia tudo isto será meu' de João Habitualmente.
Uma vez fiz uma almofada com fios saídos em argolinhas. A estopa estava esticada num bastidor. O desenho era inventado e as cores eram vermelho e laranja. E fiz toalhas de chá que penso que nunca usei. Crochet. E panos de tabuleiro. E uma toalha de renda grande. Usei-a uma ou duas vezes. É muito difícil de passar a ferro. E colchinhas de lã para as camas dos meus filhos. E tricot. Camisolas, casacos. E bordados. Muitos bordados. Algumas gavetas cheias desse meu dedicado labor, dessas inutilidades.
Houve uma altura, há mil anos, em que apanhava alguns transportes públicos para ir trabalhar. Trabalhava longe. Levava lãs e fazia crochet. Iam muitos colegas, todos homens. Ao princípio gozavam. Depois habituaram-se.
Foi o meu percurso até chegar aos tapetes de arraiolos. Já não sei quantos fiz, tapetes e carpetes. Comecei por um simples. Logo a seguir quis fazer complicados. Outros à mão livre. O prazer de, do nada, de peças soltas -- um tecido, umas lãs -- fazer nascer uma peça intemporal.
Tenho isto: há coisas que não sabemos fazer mas que aprendemos e deixam de ser complicadas. Há outras coisas que não sabemos mesmo e que nunca conseguiremos.
Exemplifico. Quis ter os meus filhos a sangue frio e tive-os. Já aqui o contei várias vezes: foram partos muito complicados, induzidos, com fórceps. A sangue frio. Sem medo das dores. Sem pensar duas vezes.
No trabalho também assim. É para fazer, faz-se. Não me ocorre pensar que nunca o fiz antes, que posso não ser capaz, que pode correr mal. Faz-se. O caminho faz-se caminhando.
Mas quando a minha filha tinha um dente a cair, preso por um fio ensanguentado, não consegui puxá-lo. Fomos para a casa de banho, assim não podia ficar, um dente suspenso por um fio. Tentei. Tentei mesmo. Enchi-me de coragem. Mas não consegui. A perspectiva de poder magoá-la tolheu-me os movimentos. Não consegui. Senti-me a desmaiar. Tive que me sentar, a ver tudo branco. Medo que lhe doesse. Ela, pequenina, pôs-se ao espelho, puxou o dente, arrancou-o. Ainda hoje fala disso.
No outro dia, um menino disse-me que tinha um dente a abanar muito, quase a cair. Dias depois disse que já tinha caído, que a mãe tinha puxado. Relembrei. Pensei que, se tivesse que ser eu, voltaria a não consegui-lo.
E a fotografia. Não tenho paciência para ler manuais, para ler livros técnicos ou para ir a aulas. Qualquer desses rituais me tiraria o gosto da descoberta. Faço fotografias a eito, milhares de fotografias. Mas não posso falar disso ao pé de quem saiba pois tendem a fazer-me perguntas sobre técnicas, se faço assim ou assado, se a objectiva é esta ou aquela. Não sei. Não quero saber.
Também não as organizo. Não sei se alguém, algum dia, vai fazer alguma coisa com tudo isto que, ao longo da vida, tenho vindo a fazer.
Uma pessoa contou-me que está a dar rumo às coisas dos pais. Uma casa muito grande, cheia de coisas. Diz que nunca mais acaba. Não sabe o que fazer. Há coisas de que não quer desfazer-se mas não tem onde guardar tudo o que acha que deveria preservar. Fala com lágrimas nos olhos.
Ao ouvir, pensei na minha casa. O meu marido diz muito isso: não vamos criar um problema aos miúdos. Geralmente é o argumento que vem para cima da mesa quando me quer convencer a deitar fora metade das coisas. Mas tem razão. Pode ser um grande problema. Tantos tapetes já sem saber onde pô-los, tantos quadros que já não tinha onde guardar (que paredes para os pôr já não havia), tantas fotografias que por aí estão em discos e nem sei onde mais.
Por isso, aqui, escrevo para o vento. Palavras soltas ao vento, para quem as quiser ler. Cartas que escrevo para quem gosta de me ler. Uma vez escrevi um livro. Não sei dele. Acho que estava numa disquette. Outra vez comecei a escrever outro. Achei por bem pôr uma password. Esqueci-me dela. Não faço ideia em que computador estará. Perdeu-se.
E talvez isto que acabaram de ler não faça muito sentido mas é que era para falar de uma coisa que me contaram e, afinal, achei melhor guardar o assunto só para mim. Pelo menos, para já.
No post abaixo transcrevi um excerto de um livro que acabei de ler durante a semana passada e que muito vivamente recomendo. Trata-se de O grande rebanho de Jean Giono, o mesmo autor de O homem que plantava árvores.
Tantos livros que se escrevem sobre coisa nenhuma, com historietas fúteis, com palavras vulgares e, depois, pega a gente num livro assim e fica presa à magia da arte de escrever. Que seja também técnica ou, então, que seja um misto de arte, magia e técnica, eu isso não sei. Só sei que gostei muito.
Mais abaixo ainda, mostrei um presente que um Leitor me deixou num esconderijo e que eu não descansei enquanto não fui lá resgatá-lo. Partilhei convosco a alegria de ter Leitores assim e o quanto me sinto agradecida.
Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra.
Mas, se concordarem, vamos com música que, com música destas, vamos ainda melhor
Tinha-vos falado ontem de como temos andado a ajudar o meu filho na montagem de móveis e candeeiros e, na medida do possível, em algumas arrumações ou, então, a tomar conta dos pimentinhas enquanto outros se ocupam das tarefas pesadas associadas à árdua tarefa que é sempre uma mudança de casa. Contei também que, não apenas eu tenho andado descadeirada por causa da queda de que vos falei há uma semana - e que me tem impedido de ser verdadeiramente útil - como a máquina fotográfica tem andado, por simpatia, também esparvoada.
Pois bem, deve ter-se envergonhado com o que ontem eu disse pois esta segunda feira fiz várias fotografias e a bateria ainda não descarregou. É temperamental como a dona, é o que é.
Por isso, com a devida autorização, mostro algumas imagens da casa que - quem a viu e quem a vê...! - está agora tão linda, tão acolhedora, tão adorada pelos meninos. Há ali muito trabalho de todos, em especial dos donos da casa que há meses lá trabalham incansavelmente ao fim de semana, fins de dias e sempre que lhes sobrava algum minuto livre. E há também muito espírito de entre-ajuda entre a família e amigos que não se têm poupado a esforços para os apoiar sempre que se ouve o toca a trabalhar.
Estou, por isso, muito feliz por eles e tanto mais feliz por ver como o meu filho, apesar de tão cansado, anda tão realizado por ter uma casa como sempre sonhou. A eles desejo toda a sorte e felicidade do mundo e que a casa acolha sempre os seus momentos de alegria e partilha e os seus sonhos.
Para que a mudança ficasse mais barata, contrataram apenas o desmontar na casa anterior e o transporte, ficando a montagem por conta dos próprios. Esta segunda-feira esteve a montar-se o roupeiro do closet do quarto principal, o roupeiro do quarto de vestir e brincar dos meninos e o grande móvel de canto que é, ele próprio, um escritório - ou seja, trabalho pesado e demorado.
Depois de tudo isto montado, as roupas puderam começar a sair dos sacos e, aos poucos, a casa vai ficando mais organizada. Ainda há ali muito trabalho, muita coisa para retirar de sacos, mas vai aos poucos, o essencial já começa a ir ao sítio.
Mas deixem então que vos mostre. Começo pelo que ontem referi: as carpetes de Arraiolos feitas por mim e que agora habitam esta casa tão bonita.
No que será a Sala de Jantar, Tapete de Arraiolos (+- 1,70 x 2,5 m) que segue um modelo que se pensa ser do Século XVIII
e cujo original se encontra no Palácio de Queluz
(as cadeiras ainda não tinham as almofadas montadas e, como se vê, ainda há caixas com coisas por desempacotar)
No primeiro dos compartimentos do que será a Sala de Estar do rés-do-chão,
Tapete de Arraiolos sensivelmente da mesma dimensão do anterior e que segue o modelo de um pertencente ao Museu da Fundação Ricardo Espírito Santo e Silva
A minha menina mais linda a fazer desenhos no chão, no meio da confusão, enquanto os primos não chegavam, enquanto o resto da família montava o grande móvel de canto e o irmão dormia a sesta
Entretanto chegaram. O ex-bebé chegou a dormir e foi depositado na cadeira da sala tapado pelo inseparável poncho da minha filha, feito em crochet pela minha mãe. Claro está que apenas se aguentou ali durante dois minutos, se tanto.
Mas eis que a marotinha resolveu ir acordar o maninho (como ela lhe chama - apesar das dentadas que ele lhe dá) e não houve quem a tirasse de lá
(A fotografia está com pouca definição porque o quarto estava praticamente às escuras)
E, quando toca a confusão, aí estão os quatro pimentinhas em acção: os primos mal se aperceberam, vieram a correr, saltaram para dentro da cama, ela seguiu-lhes o exemplo e o bebé acordou a rir, todo divertido, no meio do maior tumulto.
Finalmente, lá sossegaram: foram buscar brinquedos ao quarto do lado, trouxeram-nos para a Saleta da Televisão que está no piso de cima, onde estão os quartos, e ali lancharam e brincaram até ao fim do dia. E até consegui que o mais crescido recitasse um poema com várias estrofes, em inglês, com sotaque e entoação. No fim, houve palmas e aclamação mas, hélas, não deu direito a um encore
Mas, então, deixem que vos mostre alguns outros recantos mais da casa.
Nesga de uma das Casas de Banho onde, tal como nas outras, foi preservado o lindo chão em mosaico hidráulico
Um dos lados da Cozinha onde também foi preservado o mosaico do chão tal como a chaminé original. Foi retirada parte da parede lateral da chaminé para fazer a continuidade da bancada com o fogão. A cozinha dá para a varanda que pega com o terraço e do qual partem as escadas para o jardim
O compartimento do meio da Sala de Estar, onde está parte dos livros. Reparem no grande pé direito da casa e na janela por cima das portas (bandeira, será?)
Estante antiga (a porta é uma persiana de madeira que sobe até ao topo do móvel e fecha com trinco e chave) no terceiro compartimento da Sala de Estar, no que dá para o terraço que, por sua vez, dá para o jardim
Mesa e cadeiras para jogos de tabuleiro ou lanche na mesma zona da Sala cuja porta abre para o terraço. É o mesmo compartimento de cima, onde está a estante da persiana de madeira
As portas e portadas também foram muito bem restauradas e outras feitas de novo, iguais às originais. E os vidros são duplos, para permitirem conforto térmico.
Ainda há muitos livros por arrumar porque ainda falta montar outra estante alta. E ainda faltam vários candeeiros, e falta colocar cortinas, quadros, espelhos, bibelots, coisas miúdas, e falta restaurar um cadeirão de madeira que estava esquecido na cave, imundo tal como estava tudo, e que deve vir a ficar bem bonito, e também uma arca daquelas antigas com ferragens. Mas, apesar de ainda faltar tanta coisa, já está a ganhar jeito e já dá para perceber que é mesmo uma casa muito bonita e acolhedora.
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E pronto, é isto. Hoje já escrevi mais do que sei lá o quê, imagino a seca que vocês, meus Caros Leitores, apanham nestes dias.
Fico-me, pois, por aqui até porque esta terça-feira é dia de trabalho.
A música lá em cima é Sonia Wieder Atherton interpretando Little Girl Blue de Nina Simone,
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Relembro: descendo até ao post seguinte, poderão ler um pouco de um livro cuja leitura me prendeu: O Grande Rebanho. Mais abaixo ainda, poderão ver o meu primeiro presente de Natal, um presente muito especial.
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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela semana a começar já por esta terça-feira
(estou um dia atrasada, eu sei, mas enfim, segunda foi feriado...)