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sexta-feira, fevereiro 20, 2026

Tal como a nuvem radioactiva de Chernobyl, assim a mancha Epstein vai alastrando de país em país

 

Que havia sexo e traficância de menores é mais do que certo e sabido. Cenas de torturas com crianças ou de procriação forçada com roubo de bebés parece que também, embora as pessoas façam por não olhar de perto, tão horríveis parecem ser as revelações. Mas começam a desenhar-se também ligações ao negócio das armas. E parece também claro que havia lavagem de dinheiro -- dinheiro russo, com certeza, mas não se sabe se mais. E que era agente duplo, Mossad e CIA, também já se afirma como se não houvesse muitas dúvidas. Parece que há passaportes com outros nomes e já há congressistas a pedir informação à CIA. Mas suspeita-se também de ligações aos serviços secretos ingleses. Também se detectam ligações a Putin. Aliás, era coisa que ele gostava de descrever, aquela vez em que se encontrou com Putin, um verdadeiro filme, com escalas, destinos misteriosos.

À medida que se investigam os ficheiros mais e mais dúvidas vão surgindo (e, note-se, os que estão disponíveis são os ficheiros mais 'pacíficos' e estão amplamente rasurados, com grande parte ocultada, e serão metade do que há, sendo que há outros tantos retidos, por razões que o Departamento de Justiça ainda não explicou cabalmente). Quantos países estão comprometidos ao mais alto nível com segredos de estado divulgados? Quem, em cada país, fazia parte da rede?

Alguma vez se vai saber?

E ele? O que, de facto, lhe aconteceu? Foi assassinado ou retirado da cadeia? É que parece que já ninguém acredita na tese do suicídio.

Há até quem também já compare o fácies de Ghislaine Maxwell e o da mulher que foi ao Congresso (não) prestar declarações e conclua que não são a mesma pessoa, e que, a ser verdade, a amiga de Epstein já estará fora, provavelmente indultada, provavelmente posta a bom recato.

Tudo o que antes pareceria uma tresloucada teoria da conspiração agora parece apenas uma pálida amostra do que ainda há para saber.

O irmão do Rei foi chamado a depor e o seu biógrafo diz que o mais provável é que se pire pois já lhe ofereceram 'casa' num país árabe onde tem muitos amigos. A futura rainha norueguesa já pediu desculpa e os concidadãos olham para tudo o que se sabe com suspeição. Bill Gates cancelou a sua intervenção na maior web summit face às suas ligações, maiores do que se supunha, ao íman Epstein. E os casos sucedem-se. 

Por todo o mundo. Só nos Estados Unidos, o Departamento de Justiça iniste em assobiar para o lado. E Trump, esse folião demente, até já se gaba de que foi ilibado.

Les Wexner foi chamado a testemunhar no Congresso. Apresentou-se como vítima: diz que foi roubado por Epstein, centenas de milhões. Uma história mirabolante, de cabo a raso. Aliás, cada uma das ligações a Epstein daria, de per se, uma história de loucos. Veja-se esta. Como é que um multimilionário como Wexner passa a gestão da sua fortuna para um tipo que não tinha conhecimentos nem académicos nem práticos? Não tinha nenhuma licenciatura, tinha enganado o colégio em que tinha dado aulas como se fosse formado em matemática, daí tinha passado para analista financeiro de uma empresa de gestão de fundos em que cometeu uma fraude e foi despedido, depois dali, por ser desonesto, foi contratado para uma empresa fraudulenta pois, tratando-se de uma empresa que funcionava com base em esquemas, nada como um tipo esquemático, para aldrabar as contas... Dizem que Wexner se terá envolvido sexualmente com Epstein e que, a partir daí, ficou na mão dele. Se isso justifica que lhe tenha passado para a mão centenas de milhões de dólares, não se sabe. 

Na verdade, não se sabe se alguma vez se vai saber alguma coisa.

Dizem que foi por ter passado a ser também multimilionário que Epstein viu abrirem-se-lhe todas as portas da alta finança. E daí passou para a academia, para os negócios, para a política. Ou isso ou estaria formatado para ser um agente kompromat de alto gabarito. Ou isso ou tudo o resto que se possa dizer.

Tudo bizarro. E volto ao mesmo: como tinha ele tempo para tudo isto? Como tinha ele cabeça para tudo isto? Sozinho...?

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Dois vídeos, entre muitos outros possíveis, sobre o assunto e sobre os tempos presentes

Arquivos Epstein: mensagens de texto entre Epstein e Bannon desencadeiam guerra civil entre apoiantes de Trump, Wexner presta depoimento

As mensagens de texto recentemente divulgadas de Steve Bannon com Jeffrey Epstein provocam reações negativas entre os apoiantes de Trump, enquanto Les Wexner, antigo proprietário da Victoria’s Secret e figura-chave na ascensão de Jeffrey Epstein à riqueza extrema, presta declarações à Comissão de Supervisão da Câmara.

0:00 Imagens recentemente divulgadas mostram Steve Bannon a entrevistar Jeffrey Epstein
1:39 Troca de mensagens entre Bannon e Epstein
3:41 Como reagirá Trump à controvérsia em torno de Bannon?
4h31 O bilionário Les Wexner presta depoimento ao Congresso sobre as suas ligações a Epstein

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Trump deixa escapar o que o incomoda: Wolff | Dentro da cabeça de Trump

Michael Wolff junta-se a Joanna Coles para analisar porque é que a irritação pública de Donald Trump pode revelar mais do que qualquer fuga de documentos. À medida que os arquivos de Epstein desencadeiam uma onda de manchetes, Wolff defende que a verdadeira história não é o que foi descoberto recentemente, mas como a ampla divulgação dispersou a atenção, desviando-a de Trump para um número crescente de figuras periféricas — uma dinâmica na qual, segundo ele, Trump se apoiou repetidamente para sobreviver a crises passadas. Baseando-se nos encontros de Wolff com Jeffrey Epstein e na sua apresentação de Steve Bannon à órbita de Epstein após a saída de Bannon da Casa Branca, a conversa traça a forma como o ressentimento, a rivalidade e a obsessão com Trump uniram estes homens, mesmo enquanto Trump se apresenta agora como vítima de uma conspiração que envolve jornalistas e antigos adversários.
00h00 - Trump furioso no Air Force One
03h37 - O círculo de influência de Epstein alarga-se
06h54 - O comportamento de Epstein e as suas estranhas contradições
10h03 - A alegação de "exoneração" de Trump é examinada
11h32 - Melania questiona e evita a imprensa
14h58 - Porque é que o processo incomoda Trump?
18:21 - As ligações de Steve Bannon a Epstein
22h02 - O debate sobre a culpa por associação intensifica-se
25h44 - O medo de Trump sobre o que pode vir ao de cima
29h31 - Por dentro do padrão de ressentimento pessoal de Trump
33:05 - Estratégia mediática e indignação seletiva
36:42 - A política da distração e da negação
40h11 - Como Trump reescreve narrativas em tempo real
44h18 - O que este episódio revela sobre a mentalidade de Trump

quarta-feira, outubro 21, 2020

Às armas! Às armas!

 

Leio e, à luz do meu pensamento -- que, à luz do meu pensamento sobre o meu pensamento, é avesso à irracionalidade --, acho que aquela malta é doida varrida. Contudo, acredito que, porventura, se lhes perguntarem a eles o que acham do meu comportamento dirão que me acham irracional. O mundo é assim, uns com as patas da frente, outros com as patas de trás, outros com as patas de cima e outros com as de baixo, todos fazem o cocó sobre o qual se andam a deitar. Não me iludo, portanto. Não sou melhor que eles, sou apenas o avesso deles.

Perante a ameaça do merdinhas, ponho máscara, lavo as mãos, afasto-me, essas coisas. Eles compram armas. Eu acho que me defendo melhor se tiver hábitos defensivos de higiene; eles acham que se defendem melhor se reagirem ofensivamente, seguindo a lei da bala.

Eu tenho medo de ser contagiada e de ficar doente ou de contagiar outros. Eles têm medo de ser assaltados, creio que não pelo corona mas por outros, iguais a eles.

A desgraça de uns é a oportunidade para outros e, no fim, a indústria do armamento ganha sempre.

Eu vivo num país em que o presidente se senta nu, peludo, com as mamas penduradas, enquanto leva uma vacina, um presidente que comenta tudo e todos a toda a hora e que é viciado em receber afecto mas que, apesar de tudo, é inteligente, culto, informado e, valham-nos todos os santinhos, até é um tipo decente. 

Eles vivem num big, big country em que o presidente é o palhaço Donald da cara cor-de-laranja e melena de palha, narcisista insuflado, maozinhas de pinypon, boquinha de boneca e, certamente, pilinha de hamster, que se acha o maior e que troça de deficientes, que apela ao voto das mulheres suburbanas a quem chama isso mesmo, suburbanas, que insulta e ofende Fauci, o infecciologista que mais tem penado para minimizar o catastrófico efeito das suas decisões, um presidente que é bronco, boçal e que gere o país na base das bocas.

Assim vamos.

Mas enfim, pouco a fazer. Como dizia o outro: 'é a vida'. Que é como quem diz, c'est la vie (malheureusement pas la vie en rose). 

A quem não esteja bem a perceber que macacoa me atacou para eu estar com este converseio, recomenda a leitura do artigo completo no The GuardianMore than 100,000 Californians have bought a gun in response to Covid-19 crisis, report finds.

Claro que há quem tema que tanta arma venha a traduzir-se em violência, nomeadamente violência doméstica, em aumento de suicídios -- esse tipo de efeitos colaterais que as armas costumam provocar. Mas isso, para aquela gente, não interessa para nada. O que lhes interessa, perante ameaças de incertos, é armarem-se até aos dentes. E, lá está, eles estarão que estão certos e quem sou eu para lhes atirar a primeira pedra...?

Uma canseira, isto. Um mundo a andar às arrecuas, danado para se encafuar num buraco negro.

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Felizmente, o que por lá ainda têm de bom é a liberdade de imprensa. A resposta da CNN a mais uma cavalice do Trump, que lhes chamou bastardos e que troçou deles por continuarem a fazer a cobertura da pandemia, é coisa boa de ver.


CNN's Brianna Keilar responds to President Trump's comments at a rally that people are "tired of the pandemic" and those who continue to cover the crisis are "dumb bastards."



Ou este:

CNN’s Anderson Cooper rolls the tape on leaked audio between President Trump and staffers where the president is heard bashing Dr. Fauci.



Coisas do além.

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E dias felizes para todos