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sexta-feira, maio 22, 2026

Colbert por Colbert
--- com dedicatória do Boss

 

Já aqui falei nisto. Aliás várias vezes. E, tal como eu, tanta gente. Chegou ao fim o que já era uma instituição. E, de certa forma, até me parece quase justo que ele possa sair ouvindo os louvores que geralmente ficam guardados até que a pessoa morra. 'Vai deixar um vazio', ou 'perda irreparável' é o que se sente -- e não porque tenha morrido -- pois está vivo e bem vivo -- mas porque puseram fim ao seu programa.

Não faço ideia do que irá ele fazer a seguir, se é que vai fazer alguma coisa. Pode apetecer-lhe, simplesmente, não fazer nada. 

Seja como for, o seu afastamento foi sentido junto de todas as pessoas decentes que acompanhavam o seu trabalho como mais do que uma injustiça: como uma tremenda burrice.

Mas é o que é. Vivemos tempos de burrice acelerada. Nos tempos que correm há duas coisas que avançam desenfreadamente: a Inteligência Artificial e a Estupidez.

Nestes últimos dias do seu programa, meio mundo tem passado por lá. Parece que tudo o que é gente capaz faz questão de lá ir dar-lhe um abraço. Mas não é um abraço de velório, é um abraço de estima, de reconhecimento. E há sempre humor. Humor e carinho.

Colbert tinha inventado o Questionário Colbert, através do qual, dizia ele, as pessoas se davam verdadeiramente a conhecer. Pois bem, desta vez, foram muitos os que compareceram para lhe fazer a ele essas reveladoras perguntas: 'Qual a sua sandwich preferida?', 'Maçãs ou laranjas?', 'Cães ou gatos?'. Etc. Desde a sua própria mulher até Robert de Niro. Uma diversão. É o que têm em comum as pessoas inteligentes: o sentido de humor e o não se levarem demasiado a sério.

E o que he desejo é vida longa e feliz e, se possível, que, profissionalmente, reapareça noutro lugar. Gosto muito de o ver e ouvir. 

Stephen Colbert Takes The Colbert Questionert - PART ONE

Se não sabe qual é a sua sanduíche favorita, ou qual é o animal mais assustador, será que conhece mesmo o apresentador do "The Late Show", Stephen Colbert? Fica a conhecer melhor a nossa estrela premiada com um Emmy com a ajuda dos convidados especiais Billy Crystal, "Weird Al" Yankovic, Josh Brolin e Martha Stewart.


Stephen Colbert Takes The Colbert Questionert - PART TWO

Se não sabe qual é o seu filme de ação favorito, ou o que ele acha que acontece quando morremos, será que conhece mesmo Stephen Colbert, o apresentador de talk shows vencedor do Prémio Peabody? Conheça Stephen mais a fundo com a ajuda dos convidados especiais Mark Hamill, Jim Gaffigan, Jeff Daniels e Tiffany Haddish.

Stephen Colbert Takes The Colbert Questionert - PART THREE

Se não sabe qual é o seu cheiro preferido, ou qual é a sua memória mais antiga, será que conhece mesmo Stephen Colbert? Conheça-o melhor com a ajuda dos convidados especiais Evie McGee Colbert, Amy Sedaris e Ben Stiller.

Stephen Colbert Takes The Colbert Questionert - PART FOUR

Se não sabe se ele prefere gatos ou cães, ou em que número está a pensar, será que conhece mesmo o apresentador do "The Late Show", Stephen Colbert? Conheça Stephen mais a fundo com a ajuda dos convidados especiais Aubrey Plaza, James Taylor, Robert De Niro e John Dickerson.

E quem também não poderia faltar é Bruce Springsteen -- com as suas palavras, a sua coragem, o seu vozeirão e a sua extraordinária e emocionante presença em palco

"Streets of Minneapolis" - Bruce Springsteen (LIVE on The Late Show)

Bruce Springsteen, vencedor de 20 prémios GRAMMY, regressa ao The Late Show para interpretar "Streets of Minneapolis", uma canção que escreveu no meio da terrível violência orquestrada pelo governo contra a população do Minnesota.

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Provavelmente amanhã haverá mais pois o último dia, o de dia 21, é bem capaz de ser ainda mais memorável

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Desejo-vos uma feliz sexta-feira

quinta-feira, abril 23, 2026

"Isto está a acontecer agora!": O grito de alerta de Bruce Springsteen

 

A cantiga é uma arma. A palavra é uma arma. Springsteen sobe ao palco e a sua presença e a sua voz enchem a arena. Todos os que o escutam sentem-se unidos, membros do mesmo exército, prontos para a luta, para resistir.

Resistir. 

No seu recente concerto no Prudential Center, Bruce Springsteen fez uma pausa na música para fazer um dos discursos mais políticos e contundentes da sua carreira. Sob o título "This Is Happening Now", o músico não poupou críticas e deixou um apelo directo ao coração da democracia.

Aqui fica a transcrição possível das suas poderosas palavras:

Sobre a Crise Nacional e a Verdade:

"Estamos a viver tempos conturbados. Os nossos valores americanos, que nos sustentaram por 250 anos, estão a ser desafiados como nunca antes. (...) Os nossos museus estão a ser instruídos para branquear a história americana, ocultando factos desagradáveis ou inconvenientes, como a história completa da brutalidade da escravatura. Dizem que há 'flocos de neve' (sensíveis), mas a verdade é que temos um presidente que não consegue lidar com a verdade."

Sobre a Justiça e a Corrupção:

"O nosso Departamento de Justiça deitou fora a sua independência; limita-se a receber ordens diretamente de uma Casa Branca corrupta. Eles perseguem os supostos inimigos do presidente, encobrem os seus crimes e protegem os seus amigos poderosos. Isto está a acontecer agora."

Sobre o Papel no Mundo e a NATO:

"Minámos a NATO. A ordem mundial que nos manteve seguros e em paz global durante 80 anos está sob ameaça. Ameaçamos os nossos bons vizinhos e aliados, cujos filhos e filhas lutaram ao nosso lado em guerras americanas — países como o Canadá e os Países Baixos. Ameaçamo-los com a anexação predatória das suas terras."

O Declínio da Reputação Americana:

"Esta Casa Branca está a destruir a ideia americana e a nossa reputação no mundo. Para muitos, já não somos vistos como aquele defensor, por vezes imperfeito mas forte, da democracia. Já não somos a 'terra dos livres' ou o 'lar dos corajosos'. Para muitos, somos agora a 'América, a Imprudente' — uma nação pária, imprevisível e predatória. Este é o legado desta administração."

O Apelo Final à Decência:

"Honestidade, honra, humildade, verdade, compaixão, humanidade e moralidade... não deixem que ninguém vos diga que estas coisas já não importam. Elas importam! Elas estão no cerne do tipo de homens e mulheres que somos e do tipo de país que vamos deixar aos nossos filhos."

Springsteen concluiu com uma convocação:

"Tantos dos nossos líderes eleitos falharam connosco que esta tragédia americana só pode ser travada pelo povo americano. Por vocês. Juntem-se a nós e vamos lutar pela América que amamos. Estão connosco?"

 Bruce Springsteen's "This Is Happening Now" 2026 Speech at the Prudential Center


domingo, abril 12, 2026

Peace over war!

 

O Boss entra e, com o seu vozeirão, grita as palavras que unem os que resistem ao crescente e demencial fascismo de Trump. 

Com todo o seu eletrizante power, o Boss solta as palavras que todos querem ouvir, o grito que traz a esperança de que o bem vingará sobre o mal, de que os tempos felizes avançarão sobre estes tempos de chumbo. Quando, no fim, grita que a paz vencerá sobre a guerra é uma descarga de adrenalina que incendeia a multidão. 

Trump, naqueles seus posts nocturnos, quando a demência aperta e os filtros desaparecem, incitou ao boicote aos seus concertos, apelidou Bruce Springsteen de medíocre, de perdedor, de ameixa seca e de toda a espécie de parvoíces que a sua bílis decadente verteu. 

Claro que isso motiva ainda mais o Boss e os muitos que se reveem no seu grito de guerra ao fascista, ao pretenso rei cor-de-laranja, ao demente que, a um ritmo alucinante, tem vindo a minar a democracia americana e a lançar o mundo num estado caótico. É como se todos fossem um só corpo a afirmar a força da resistência.

Gostava muito de estar num daqueles concertos para também poder gritar a plenos pulmões: 

Democracia sobre o autoritarismo

Estado de direito sobre a ilegalidade

Ética sobre corrupção

Resistência sobre a complacência

Verdade sobre a mentira

Humanidade sobre a divisão

Paz sobre a guerra

 

Bruce Springsteen & The E Street Band   -- Introdução e War

sábado, março 28, 2026

Mulheres palestinianas e israelitas descalças, de mão dada, pedindo a paz -- para que os seus filhos não matem nem sejam mortos
E que este sábado, 28 de Março, as ruas americanas transbordem de millions and millions a protestar contra Trump

 

Todos os países que desencadeiam guerras são governados por homens. Não que todos os homens sejam belicistas, claro, claro que não. Muito menos se pode inferir que todos os homens têm tendências imperialistas, que são insensíveis ao sofrimento, que são assassinos. Nem pensar. Tenho a certeza que, felizmente, são uma minoria. Mas, nos que pertencem a essa minoria, há com certeza alguma correlação entre terem esses traços e a testosterona. Putin, Netanyahu, Trump -- são disso exemplo, e só para referir casos recentes, cujos actos bélicos estão a desestabilizar o mundo.

No meio deste ambiente frenético em que os mísseis e os drones cruzam os céus, com tanta gente a morrer e tantas cidades a serem destruídas, com a economia alterada e o futuro ameaçado, quase nos esquecemos que a maioria da população é feminina. 

E, enquanto ainda dura a chacina que se verifica em Gaza (e que não vai acabar enquanto Israel não dispuser do território limpo para poder começar a construir a Riviera idealizada por Trump, Jared Kushner e amigos, e, com tudo devidamente higienizado e produtivo, anexado a Israel), eis que mulheres da Palestina e de Israel se juntam em Roma e, descalças, marcham e cantam pela paz.


Seria bom que em todo o mundo -- em todo o mundo, repito -- houvesse manifestação de mulheres pela paz. As mulheres todas na rua, marchando pela paz. Milhões de mulheres. Para que os nossos filhos não matem nem sejam mortos. Sem bandeiras, sem símbolos territoriais ou religiosos. Apenas as mulheres, com vestes simples, com uma echarpe que simbolize a harmonia e a união entre os povos. 

Não sei quem pode convocar manifestações assim mas penso que seria importante que alguém conseguisse fazê-lo. Aqui fica o meu humilde apelo. Contra o belicismo de uns e a cobardia de outros, que as mulheres descessem à rua e fizessem ouvir a sua voz.

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Mães israelitas e palestinianas marcham descalças por Roma num apelo conjunto à paz

As mães israelitas e palestinianas caminharam lado a lado por Roma, na terça-feira, num poderoso apelo conjunto à paz, liderado pelas nomeadas para o Prémio Nobel da Paz, Yael Admi e Reem Al-Hajajreh. Centenas de pessoas juntaram-se à marcha descalça, atravessando o centro da cidade, desde o Ara Pacis até ao Terraço do Pincio.

A "Caminhada Descalça: Apelo das Mães pela Paz" contou com o apoio da administração da cidade de Roma, com uma apresentação coral realizada na Piazza del Popolo. Admi disse que as mães de Israel, Palestina, Líbano e Irão partilham uma exigência: que os seus filhos não morram nem matem.

As duas activistas deverão reunir-se com o Papa Leão XIII na quarta-feira, no âmbito da sua visita a Roma, acrescentando uma importante dimensão diplomática à sua missão de paz.


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Já agora:

Desejo também que, nos Estados Unidos, este sábado seja marcado por uma enchente nunca vista, muitos milhões de pessoas nas ruas de todas as cidades (mais que os 7 milhões da última manif), na manifestação NO KINGS


E cá está o Boss, Bruce Springsteen, a fazer o apelo. E com que intensidade o faz. Vejam até ao fim, ok? 


E vejam também o grande Robert de Niro, o respeitabilíssimo Robert de Niro, a fazer o mesmo apelo

Robert De Niro convoca o maior protesto da história americana para 28 de março: "NO KINGS"


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Um bom sábado

Saúde. Paz.

sábado, janeiro 31, 2026

Por vezes é uma canção que une e exprime a comoção das multidões.
Talvez seja o caso de Streets Of Minneapolis de Bruce Springsteen.

 

Debaixo das intempéries, resistindo à invasão das tropas que mais parecem tropas nazis às ordens do louco, corrupto e cruel Trump, a corajosa população de Minneapolis ajuda os 'vizinhos', protege-os como pode da violência cega das milícias, vem para as ruas e protesta, protesta mesmo sabendo que, do outro lado, está gente impreparada, violenta, instruídos para espalharem o terror. 

De entre os mortos, emerge a morte à queima roupa, à vista de todos, tiros disparados sem razão e sem compaixão, de Renée Good e Alex Petti, dois inocentes cidadãos americanos. Mas que fossem chilenos, mexicanos, chineses, guineenses ou de qualquer outra nacionalidade. Nenhuma morte assim tem perdão.

E, no meio dos protestos e dando voz à tristeza e à revolta de todos, eis que Bruce Springsteen corporiza numa canção o que todos sentem. Um hino de coragem e resistência.

Bruce Springsteen - Streets Of Minneapolis (Official Lyric Video)

Through the winter's ice and cold
Down Nicollet Avenue
A city aflame fought fire and ice
'Neath an occupier's boots
King Trump's private army from the DHS
Guns belted to their coats
Came to Minneapolis to enforce the law
Or so their story goes

Against smoke and rubber bullets
In the dawn's early light
Citizens stood for justice
Their voices ringin' through the night
And there were bloody footprints
Where mercy should have stood
And two dead, left to die on snow-filled streets
Alex Pretti and Renée Good

Oh our Minneapolis, I hear your voice
Singing through the bloody mist
We’ll take our stand for this land
And the stranger in our midst
Here in our home they killed and roamed
In the winter of ’26
We’ll remember the names of those who died

On the streets of Minneapolis


segunda-feira, setembro 14, 2020

Uma letter to you.
São letras mágicas





O meu dia foi bom: caminhada na praia, ida à outra casa buscar coisas, arrumar as coisas que vieram, lavar cortinados, depois pô-los de molho em água e um pouco de lixívia a ver se voltam à alvura inicial (coisa que a minha mãe, ao telefone, já me disse que tire daí o sentido). Coisas simples. Um dia descansado. O meu marido há bocado arreliou-se comigo quando lhe disse que não sabia porque é que ele estava cansado porque o dia tinha sido tão descansado. Lembrou-me que carregou com sacos pesados, pregou coisas nas paredes, um dos quais um armário pesado. Mas isso já me parece coisa ligeira quando comparado com o que foram as semanas da mudança. E eu para além de ter lavado e relavado pesados cortinados, carreguei-os para o estendal. Ah, e passei camisas a ferro. 
Há quanto tempo não o fazia? Meses. Gostei. Gosto de passar roupa a ferro. Quando era pequena, lembro-me bem de pedir à minha avó que me deixasse passar alguma roupa a ferro. Na altura os lenços de assoar eram de pano. O irmão mais novo do meu pai ainda vivia em casa dos pais. Não sei para que queria ele os lenços. Não tenho ideia de o ver andar sempre a assoar-se. Se calhar, era costume saírem de casa com um lenço de pano lavado todos os dias. Sei que a minha avó deixava que eu passasse a ferro os lenços do meu tio. Todas as semanas havia um montinho de lenços para o meu avô e outro para ele. Mas eu gostava era de passar os dele. Um algodão macio, fininho. Lembro-me muito bem de ir passear com ele e com a namorada que viria a tornar-se minha tia e de ele lhe mostrar o lenço para que ela visse como estava bem engomado. Ah, que orgulho senti. Como me senti agradecida. Ainda agora, quando o vejo, cada vez mais curvado, a pele cada vez mais enrugada, me lembro da sua gentileza, do seu afecto por mim.

E encontrei o livro que estava a ler, Narciso e Goldmund de Hermann Hesse. Não tive tempo para voltar a ele mas tenho agora tempo para transcrever algumas palavras (incluindo as 'palavras mágicas' que puxei para parte do título deste post). 
Naturezas como a tua, dotadas de uma sensibilidade forte e delicada, as pessoas dominadas pelos impulsos da alma, os sonhadores, poetas, amantes, são-nos quase sempre superiores, a nós, intelectuais focados no espírito. A vossa origem é materna. Viveis na plenitude, a vós foi-vos dada a força do amor e da capacidade da vivência. Nós, os intelectuais, embora possa por vezes parecer que quase sempre vos guiamos e governamos, não conhecemos a plenitude, vivemos na carência. A vós pertence-vos a pujança da vida, a seiva dos frutos, o jardim do amor, o belo território da arte. A vossa pátria é a terra, a nossa a ideia. O perigo para vós consiste em afogar-vos no mundo dos sentidos, para nós em sufocarmos no espaço rarefeito de ar. Tu és artista, eu sou pensador. Tu dormes no regaço da mãe, eu mantenho a minha vigília no deserto. Para mim brilha o Sol, para ti a Lua e as estrelas; tu sonhas com raparigas, eu com rapazes...
Mais do que no mundo real, vivia naquele mundo dos sonhos. O mundo real, a sala de aulas, a cerca do convento, a biblioteca, o dormitório e a capela eram só superfície, uma ténue membrana vibrando sobre um mundo de imagens surreais alimentadas pelos sonhos. Um nada bastava para perfurar essa fina membrana: algo sugestivo, intuído na sonoridade de um vocábulo grego no decorrer de uma vulgar lição, uma fragrância saída do herbário do padre Anselm, a visão de uma grinalda de folhas de pedra que brotava do alto de uma coluna que sustentava o arco de uma janela -- pequenos estímulos que bastavam para rasgar a membrana da realidade e desencadear, por detrás daquela amena e árida realidade, a erupção dos abismos fragorosos, das caudalosas torrentes e vias lácteas do mundo imagético da alma. 
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Rogier van der Weyden está aqui por tão bem pintar retratos de mulher. 
Bruce Springsteen está aqui porque, ao contrário de muitos outros, sabe escrever uma Letter to you 

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A todos desejo dias felizes

terça-feira, dezembro 03, 2019

Desvendado o mistério das meias desaparecidas.... e o da concha da sopa também.




Contei há umas duas semanas que, num mesmo dia, me desapareceram duas meias, uma de cada par  -- e ambas de forma inexplicável. Fiquei maçada e intrigada mas não preocupada. Não acredito em vudus ou magias macacas e, de resto, estou beige de saber que estas coisas, cá em casa, tão depressa desaparecem como aparecem.

A preta com as pintinhas brancas foi a primeira a aparecer. No fim de semana seguinte ao desaparecimento, na sequência da minha menininha ter estado aqui a maquilhar a tia, desapareceu-me um gloss cutâneo. Pensei que só podia estar aqui na sala. Na demanda, espreitei por todo o lado, revirei tudo, incluivamente arrastei o pesadíssimo sofá que é muito baixo e para debaixo do qual raramente vão cenas porque não cabem. Então, ao afastá-lo da parede... pimbas... lá estava o baton e... a meia preta. Ora... como? Como é que uma meia, que é coisa que não rebola, para ali se esgueirou...? Não encontro explicação. Mas nestas coisas eu não tento explicar, limito-me a aceitar. Com o tempo estou a tornar-me crente.

Subsistiu o desaparecimento da meia felpuda cor de rosa e branca. Já tinha desistido. Pensei que era um daqueles casos de sublimação que exemplificam as maravilhas da ciência. Claro que gostaria de ter assistido ao processo, uma meia felpuda a evaporar-se, mas pronto, foi-se, foi-se. Tem-se sabido de fenómenos ainda mais inexplicáveis.

Até que hoje...

Não fui directamente para o escritório pelo que coloquei o computador no porta-bagagens. Quando,  ao início da tarde, no parque da empresa, abri o porta-bagagem e me debrucei para puxar o computador, vi, para meu espanto, uma coisa cor de rosa a vir arrastada. Puxei mais. A meia. Disse alto: 'Ai... não acredito...' e desatei a rir. Ali sozinha, como quem assiste a uma aparição mas em cómico.

A meia, num daqueles tão vulgares movimentos de telecinesia, voou do quarto directamente para o porta bagagens do carro, uns pisos abaixo, na rua, e, certamente, uns metros adiante. 

Agora à noite, quando fomos caminhar, contei ao meu marido que a meia cor de rosa tinha aparecido. Ele não foi capaz de adivinhar. E eu vi-me aflita para contar, a rir à gargalhada, quase sufocada. Ele olhava para mim antevendo que dali vinha coisa.

Quando consegui articular palavra, ele encolheu os ombros. Como sempre, disse que não se admirava. Mas depois, pensando melhor, quis saber qual a explicação. Depois de muito pensar só posso admitir que, a não ser uma meia telecinética, só pode ter ido no meio de qualquer coisa. No outro dia, quando começou a esfriar, lembrei-me de levar para o carro, para um just in case, uma capinha de lã. Será que, antes de pegar nela para a levar, a capa pousou em cima da meia e a meia, com aquelas bolinhas anti-aderentes de repente aderentes, se agarrou à capa? Pois não sei. 

Nisto das coisas muito científicas ou transcendentais deixo para entendidos. Eu limito-me a aceitar. A meia ressuscitou e eu, sem a pretensão de querer questionar, só posso festejar o facto.

Esta, a fofa pink, e a outra, blackinha com pintinhas, quais gatas vadias, foram dar as suas voltas e agora que tiveram saudades dos quentinhos da mamã resolveram dar as caras e cá estou eu para as acolher.

Mas mais curioso foi o que aconteceu à concha verde da sopa. Há uns dois ou três meses, nem sei. Tenho um conjunto de utensílios de cozinha, comprados no IKEA, a que dou muito uso. Uma big pinça, uma colher de servir, uma espátula e uma concha de sopa. Tudo verde-alface. Até que um dia a concha desapareceu. Pensei logo que o meu marido, por algum motivo, a tinha deitado fora. Incriminei-o. Ele não gostou. Eu não quis saber: só podia ter sido ele. Procurei por todo o lado, na esperança de descobrir que ele não tinha cometido tão indesculpável acto. Mas nada. Claro que achou que eu não estava boa da cabeça: porque haveria ele de deitar fora uma concha da sopa? Não encontrei motivo mas só podia ter sido ele a dar-lhe sumiço.

Depois suspeitei da senhora que, meio dia por semana, cá vem limpar a casa. O meu marido ficou chocado com a minha suspeição. Tentei racionalizar, encontrando um motivo para justificar a suspeição. Mas não me ocorreu. Obviamente tive a decência de não a deixar perceber a minha suspeição.

De vez em quando, intrigada, voltava a revirar gavetas, a espreitar para dentro de armários. Mas nada. O meu marido, quando me apanhava naquela demanda, dizia: esquece a porcaria da concha. Fiz por isso. 

Até que no domingo, de manhã, quando acordei, o meu marido nem esperou que eu saísse da cama: Lembras-te da concha da sopa?

Tive vontade de o corrigir: da defunta concha da sopa. Mas a curiosidade impediu-me de perder tempo. Então? 

E então diz ele: achei a concha, uma afiador de facas, uma pinça de inox da salada, um quebra-nozes, uma pega, um pano das mãos. Estava estupefacto. E eu ainda mais fiquei: Onde? Conta.

Diz ele: resolvi afiar uma das facas mas não encontrei o afiador na gaveta onde estava, a última, a de baixo. Estive à procura na gaveta e, quando fui fechá-la, ela não fechava. Então puxei-a para fora e, lá atrás, estava tudo aquilo. Perguntei-lhe como foi isso possível. E o que se passa é que os carris daquela gaveta não vão até ao fundo, deixando aquele alçapão secreto.

Portanto, tudo está bem quando acaba bem.

Quando as coisas se perdem de mim, acabam por voltar para mim. As pessoas também.

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E tendo estes invulgares eventos a reportar, ainda não foi hoje que distribuí presentes: livros ou objectos úteis. Talvez amanhã.

As fotografias que mal-empreguei aqui, dispondo-as por entre meias usadas e conchas da sopa, são da autoria de Nick Knight, homem talentoso para além da conta.

Para acompanhar, só podia aqui ter Bruce Springsteen não por ser o Boss mas porque canta como gente grande e há dias assim, em que me sabe bem ouvir gente grande. Também podia ser uma marcha militar que uma vez, por entre anjos perdidos, me maravilhou. Infelizmente há rastos que teimam em esvanecer-se. Mas talvez sejam como as meias ou a concha da sopa e um dia voltem.

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E dias felizes para todos que aí estão, desse lado, a ouvir a minha respiração

sexta-feira, janeiro 20, 2017

Não é The Boss quem quer


Transcrevo tal qual recebi:

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Isto está muito giro. 

Durante um concerto na Alemanha um fã pediu a música "you never can tell" que não fazia parte do alinhamento e ele já não tocava há anos (fazia parte da banda sonora do pulp fiction).

O resultado é muito engraçado! E o guitarrista da fita na cabeça que está ao pé do bruce é ator dos sopranos 😁 
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Vejam, por favor.

Bruce Springsteen - You Never Can Tell



E, já agora, um outro que também acho uma ternura:

Bruce Springsteen - Save The Last Dance For Me





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Isto no dia em que é notícia:

Bruce Springsteen Needled Trump Fans Further by Giving the Obamas a Private Concert


Not even a Springsteen cover band will appear during Trump’s inauguration festivities, for fear of disappointing Bruce — but the man himself was more than happy to perform for the outgoing president. (...)


E isto numa altura em que parece que, não arranjando muitas mais que queiram dançar com ele no baile da tomada de posse, o palhaço irá dançar com Caitlyn Jenner

Does Donald Trump Think Dancing with Caitlyn Jenner Will Get L.G.B.T. People to Like Him?




Caitlyn Jenner, reality star and transgender activist, might get a moment in the spotlight with incoming president Donald Trump at his inauguration. Page Six reports that Trump’s advisers have suggested he take a turn on the dance floor with Jenner for the photo-op.




An anonymous source only identified as a Republican “member of the incoming administration,” said, “The image of Trump dancing with Caitlyn would send a strong message that he supports gay rights and trans rights. A picture is worth a thousand tweets.” (...)




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segunda-feira, julho 27, 2015

Haverá o risco de o próximo presidente ser conservador, exibicionista, fanfarrão, podre de rico e, ainda por cima, ter um cabelinho ridículo...?


No post abaixo já escrevi mais uma página do meu diário: um domingo na vida da autora do Um Jeito Manso. Tudo explicadinho, com fotografias da casa desarrumada, das frutas maduras ou a caminho disso, do céu cheio de árvores, com os passinhos todos enunciados, fiz isto, depois aquilo, depois o outro -- um despropósito. Se a alguém interessar tal coisa, já sabem: é descer até ao post a seguir.

Aqui, agora, antes de me ir entregar, por um bocado, ao prazer de ler as palavras de Agustina sobre Camilo, deixo-vos com um assunto que não tem nada a ver, um assunto que, a bem dizer, está do outro lado do oceano.

Eleições presidenciais, é disso que vou tratar -- tema que agita o aquém e o além-mar. E se, por cá, temos exemplares avulsos e para todos os gostos, pelos States há também com cada cromo que só visto.

Sabido que é que a televisão faz escritores, políticos e celebridades instantâneas de todos os quadrantes, é de temer os artistas que se apresentam a votos depois de longas estadias sob os holofotes mediáticos.

É o caso do grande canastrão que dá pelo nome de Donald Trump, candidato a presidente dos EUA.


The Donald Looks Like A Howler Monkey


Born in the USA - where else?



Contudo, depois de umas assustadoras sondagens que o mostravam desaforadamente bem posicionado, eis que foi um pouco longe de mais no seu histrionismo. Aparentemente o Berlusconi americano pode ter começado a cair em desgraça mas, dado o seu poderio económico, nunca se sabe.


Transcrevo do Público 

[Mr. Trump, está despedido, diz o Partido Republicano ao candidato desbocado]



O Partido Republicano em peso está a dizer ao milionário norte-americano Donald Trump que desista de tentar ser o escolhido para se candidatar às eleições presidenciais de 2016 pela direita americana. O que virou o partido contra ele foi ter posto em causa o heroísmo do senador John McCain, prisioneiro de guerra durante cinco anos e meio no Vietname.

Who Wore It Better? Donald Trump Or This Ear Of Corn?


Não foi por ter dito que a maioria dos imigrantes ilegais “são traficantes, assassinos, violadores”. 


Isso, aliás, pode ter sido o que o levou ao topo das preferências dos republicanos, segundo uma sondagem Washington Post/ABC News (WP/ABC) conhecida nesta terça-feira: tem 24% das preferências de voto, quase o dobro do segundo, o governador do estado do Wisconsin, o muito conservador Scott Walker, com 13%. Jeb Bush, irmão do ex-Presidente George W. Bush, surge em terceiro, com 12%.

This Bird Has Donald Trump's hair

Mas sondagens imediatas feitas no fim-de-semana, logo a seguir a Trump ter atacado McCain, mostram-no a descer a pique – o fenómeno do milionário desbocado estará a dar os últimos estertores, dizem os analistas.

A guerra aberta entre o empresário da construção civil e o senador do Arizona deflagrou na semana passada, quando John McCain comentou que as declarações de Donald Trump sobre os imigrantes – que incluíam a intenção de construir um muro para travar as entradas ilegais nos Estados Unidos – “tinham aberto as portas aos malucos”.

This Is What Donald Trump Looks Like

Trump, que não prima pela sensibilidade nem pelo bom gosto, como se pode ver na série The Apprentice, respondeu no sábado. Com um supremo insulto, atacou o estatuto de herói de McCain, que foi prisioneiro de guerra e torturado. 

A Rabbit That Looks Like Donald Trump
(Um coelho, isto...?)

Podia ter sido libertado mais cedo, por ser filho de um almirante, mas recusou-se. “Ele é um herói de guerra porque foi capturado. Eu gosto de pessoas que não são apanhadas, OK?”, disse Trump. 

(...)

O site Huffington Post assumiu que o milionário se tornou num palhaço político: anunciou que passaria a cobrir a sua campanha na secção de entretenimento, e não na política. 

“Se está interessado no que ‘The Donald’ tem a dizer, encontrá-lo-á ao lado das nossas histórias sobre os Kardashians”, escrevem os editores. (...)




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E, entretanto, as piadas sobre o seu ridículo cabelinho multiplicam-se.

O Bored Panda publicou uma paródia intitulada 15+ Things That Look Just Like Donald Trump



 Donald Trump Looks Like A Troll Doll

The public has always enjoyed a laugh at the expense of renowned real-estate mogul Donald Trump's 'interesting' hair styling decisions, and his controversial and outspoken U.S. presidential candidacy has brought his hair to the fore-front (or to the crown, if you will) of American politics. 

These Donald Trump look-alikes show where this billionaire might get the inspiration for his signature look.

Feel free to add your own Donald Trump doppelgangers to the list, and let us know what you think of this presidential hopeful in the comments!


As imagens, entre as quais as que usei para ilustrar este post, mostram bem não apenas o extraordinário penteado mas, também, a pinta do estarola. É que era mesmo só o que falta ao mundo: ter à frente dos EUA um palhaço como este maluco do Donald Trump. Então é que estávamos todos bem entregues, ai estávamos, estávamos.

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Relembro que a descrição do meu domingo pode ser vista, tim tim por tim tim, no post abaixo. 
Não sei se vos interessa mas, just in case, aqui fica dito.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa semana a começar já por esta segunda-feira.
Saúde e sorte para todos. Dias tranquilos e felizes também para todos.

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