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sábado, setembro 23, 2017

O cavaleiro da luz








Em 1895, quando abandonava a infância, Albert Einstein teve uma visão que lhe abriu portas desconhecidas: sonhou, ou imaginou que cavalgava pelos céus montado num raio de luz.

Alguns anos depois, estas portas conduziram-no à teoria da relatividade e a outras iluminações.




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O texto é de Eduardo Galeano em 'O caçador de histórias'

Béatrice, 1897 e The Birth of Venus, 1912 — Odilon Redon
The Cosmos -- Hee Choung Yi

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segunda-feira, setembro 22, 2014

Teresa Guilherme de vestido com babete dourado ou peitilho ou lá o que é aquilo apresentou a nova Casa dos Segredos. Tudo do pior que há, desde a toilette dela, aos trocadilhos vulgares, à pinta dos concorrentes. Para esquecer. ---- E, por contraste, o tributo a um eterno sedutor, Leonard Cohen, no seu 80º aniversário.



Tinha eu acabado de escrever o post abaixo, um post dividido em duas partes, relativo à tarde na Gulbenkian, quando, instantes depois, recebi um sms da minha filha. Pensei logo que já o tinha lido e discordava de alguma coisa já que tinha presenciado a cena descrita na parte final. 

Afinal era outro o assunto: perguntava-me se já tinha visto o outfit da Teresa Guilherme na casa dos Segredos, e acrescentava que era surreal.


Respondi-lhe que estava na dúvida, que me parecia mau demais. Para falar, teria que ser franca - como sempre sou - e depois lá iam dizer que não tenho compaixão ou que tenho é inveja, piropos que, por vezes, leio por aí. Não é que me afectem, até lhes acho uma certa graça, mas, desta vez, o dito outfit era tão estapafúrdio que até dava dó (e não gosto de falar do que me dá dó). 

Mas depois ela enviou-me outro sms a insistir que era coisa tão indescritível que merecia bem uma referência. E acrescentou que 'já para não falar nos concorrentes, todos iguais, tudo o mesmo look, tão básicos, não se consegue ver mais do que 5 minutos disto'.

Para não falar de cor, deixei-me ficar a ver, vi bem uma meia hora daquilo. De facto, é inenarrável. 


Pensar que está a passar em horário nobre uma coisa que é da ordem do lúmpen televisivo. Os concorrentes apresentam-se como se estivessem dispostos e habituados ao vale tudo, e dizem-se amigos dos seus amigos e meigos às vezes, bombásticos outras e uns gabam-se que têm várias namoradas ao mesmo tempo, elas que são fogo e que ninguém as provoque, e tudo banalidades e insinuações deste género, e a Teresa Guilherme, em cada frase que pronuncia, mostra que se espera deles que se envolvam, que haja zaragata e sexo. Uma chusma de vulgaridades que choca. E choca ver aquela gente toda produzida e contente por ir entrar para uma gaiola vigiada onde serão manipulados, emocionalmente explorados. Uma coisa aterradora e de uma vulgaridade sem limites. Tudo o que é comportamento cívico, cultura, exigência moral, ética, ali é coisa que não existe. Aliás, certamente serão exploradas, sem dó nem compaixão, a sua ignorância, boçalidade, pobreza de espírito. 


Já por telefone, durante a tarde, a minha mãe me tinha dito que já quase que só consegue ver outros canais que não os generalistas, que a qualidade destes se está a esvair a toda a velocidade. Acrescentou, vê tu que até aquela Fanny da Casa dos Segredos, uma que grita muito, que diz muitas asneiras, agora aparece a toda a hora, parece que vai ser repórter do novo programa. 


Fico passada com isto, juro. Tanta gente válida neste País, tanta gente culta que não arranja emprego, que se vê forçada a aceitar empregos menores, que se vê forçada a emigrar, e depois as televisões são inundadas de gente que não estuda, que não quer trabalhar, que tem como único objectivo na vida aparecer nas capas das revistas, fazer presenças, O mal que programas deste tipo fazem à cabeça da camada mais frágil e influenciável da população... é uma regressão permanente, uma vulgarização da boçalidade e da ignorância. Um charco.

Isto a par do empobrecimento decretado e levado à prática por Passos Coelho, do ataque cerrado à cultura e à investigação, só pode fazer mal a este país desgraçado, cada vez mais atascado num lodaçal infecto. 

Claro que no meio disto tudo, o vestido ridículo da Teresa Guilherme é um pormenor. Pode ser boa pessoa, não digo que não, não a conheço, mas presta-se a um papel que não a dignifica, o papel de alcoviteira. Pode até dizer-se que ela é o rosto do que de pior a televisão tem.


Vê isto quem quer, dir-me-ão. Mas a escolha não é muita, especialmente para quem não tem televisão por cabo. Estive a fazer zapping e não há grandes alternativas nos canais portugueses. Além disso, é sabido que programas deste género são um estímulo ao voyeurismo e, havendo um buraco da fechadura à disposição, grande parte das pessoas irão espreitar por ele.

E isto entorpece. As pessoas vão aceitando tudo, tudo. 

Por exemplo, li há pouco que Passos Coelho disse que quer demissões na Justiça. LeioPassos Coelho disse hoje aos Conselheiros Nacionais do PSD que as estruturas intermédias que enganaram a ministra têm de ser demitidas.


E às tantas os papagaios de serviço até aparecerão a elogiá-lo. E, no entanto, eu acho isto uma coisa imoral, estúpida: então o sujeito vai dizer numa reunião do partido que pessoas que trabalham em estruturas pelas quais ele é o primeiro responsável têm que ser demitidas? Isto é próprio de uma pessoa leal, responsável? Não é isto um populismo barato? Não é isto uma falta de ética?
Se achava que demitir as pessoas que andam há tempos a avisar dos riscos da instável manta de retalhos feita de programas informáticos presos com pinças que constitui o Citius, e a quem ninguém deu ouvidos, é a solução para o caos instalado na Justiça, não o deveria dizer reservadamente, junto da ministra em vez de o andar a apregoar publicamente? 

Mas perante tanta e tão permanente mediocridade, tanta banalização da nulidade, já nada parece chocante.


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Quando cheguei a casa ao fim da tarde e o sol caía sobre um rio rosado que reflectia um céu acobreado, estive a fotografar recantos da casa que estavam banhados por essa luz tão doce, recantos onde guardo livros. Queria falar disso, dos meus recantos, dos meus livros banhados pela luz, da vista desta minha janela. E fotografei o rio e o céu.

Depois pus-me a falar da Gulbenkian e agora da Teresa Guilherme e da nova temporada da Casa dos Segredos e, aqui chegada,  já é tarde para começar a escrever sobre luz, livros, recantos. Talvez amanhã.

Mas está a custar-me acabar o dia com assuntos negativos, maçadores. 

Por isso, se me permitem:


Thanks Mr. Cohen, thanks for all the good moments. I'll be here for you, as always
E que me continue a surpreender e a agradar como sempre o fez. 

Leonard Cohen Turns 80


Tributo da CBC





Quando a inteligência e o charme se juntam é um escândalo, uma perdição. 
E o bem que faz à saúde... Quanto mais velho está, mais bonito e interessante está.

Dance me to the end of love, Mr. Cohen.


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Relembro: no post já a seguir falo da minha tarde nos Jardins da Gulbenkian e falo de uma figura pública que lá encontrei e da estranheza que me causou o seu comportamento. 


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa semana a começar já por esta segunda-feira.

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sábado, maio 10, 2014

Nem sequer o amor que os ligava poderia salvá-los, visto que na ausência do mundo até o amor é impotente








À sua volta tudo é de um branco leitoso, não se distingue o chão, nem as paredes, e estas parecem flutuar como espectros na estranha bruma que em breve as engolirá e apagará.





Nós não sabemos de verdade o que são os mundos nem do que depende a sua existência. Algures no universo está acaso inscrita a lei misteriosa que preside à sua génese, ao seu crescimento e ao seu fim. Mas sabemos isto: para que surja um mundo novo, é preciso que, primeiro, morra um mundo antigo. E sabemos também que o intervalo que os separa pode ser infinitamente curto, ou pelo contrário tão longo que os homens têm de aprender durante dezenas de anos a viver na desolação para descobrirem infalivelmente que não são capazes e que no fim de contas não viveram.



Talvez possamos até reconhecer os sinais quase imperceptíveis que anunciam que acaba de desaparecer um mundo, não o silvo dos obuses por sobre as planícies esventradas do Norte, mas o ruído do obturador, que mal perturba a luz vibrante do Verão, a mão esguia e estragada de uma jovem mulher que fecha tudo suavemente, no meio da noite, uma porta sobre o que não deveria ter sido a sua vida, ou a vela quadrangular de um navio que sulca as águas azuis do Mediterrâneo, ao largo de Hipona, trazendo de Roma a inconcebível notícia de que ainda existem homens, mas já não o seu mundo.




Na insignificância das suas pobres presenças humanas quando o chão lhes fugia debaixo dos pés não lhes deixando já outra opção além da de flutuarem como espectros num espaço abstracto e infinito, sem saídas e sem direcções, do qual nem sequer o amor que os ligava poderia salvá-los, visto que na ausência do mundo até o amor é impotente.


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  • O que se lê são excertos do belíssimo livro O sermão sobre a queda de Roma de Jérôme Ferrari da Divina Comédia Editores numa tradução de Pedro Tamen. Este livro ganhou o Prémio Goncourt 2012

  • A música lá em cima é de Gabriel Fauré - Sicilienne, para violoncelo e piano, Op. 78

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Caso, depois disto, vos apeteça estragar tudo e ler sobre debilidades mentais, inconseguimentos fiscais em tempo de saídas apressadas, e sobre fácies que mostram bem a desgraça que lhes vai dentro, (des)aconselho o post seguinte.

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E, por agora, por aqui me fico. Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo sábado.

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quarta-feira, janeiro 08, 2014

Breves instantes de beleza. O pó, o som, o corpo. A imagem, a palavra.


A beleza sem norma, a beleza acidental, a beleza do movimento e dos corpos e dos corpos feitos pó e do pó ao pó, dust to dust.

Do pó ao pó, um movimento fugaz, a breve passagem do tempo sobre os corpos, ou os efémeros corpos que deslizam sobre a superfície do tempo antes de voltarem a ser o pó original. Ou palavras soltas sobre o nada. O silêncio, o vazio. E nós feitos pó no meio, no útero doce, doce, macio e encarnado, de sangue,seda e calor.

E do centro e do calor germina a inspiração que vem do centro do corpo, do voo, do vento, da luz, da sombra, da raiz do tempo. Volátil como o pó antes de ser corpo, ou eterna como o corpo depois de ser corpo.

Sem palavras.





E depois a felicidade da música, sons felizes, os céus como lençóis macios, e a voz que se ergue sobre os corpos, e a felicidade é tanta, tanta. E não sabemos o que é a felicidade, nem precisamos de saber, só querermos estar felizes, abraçados e nem precisamos de saber a que corpos pertencem os braços, são braços de deuses, de anjos, nuvens, sonhos, voos, segredos. Para quê querer desvendar os mistérios felizes? A alegria da brancura? As palavras que descem dos céus. Ou que sobem do centro da terra, da poeira do tempo. 

Feitos poeira perdida no tempo, vamos mergulhar, vamos, vamos mergulhar na beleza, na música, no movimento. Sem perceber. Sem querer perceber. Deixando-nos apenas ser. Ser. Ser devagar. Muito devagar.






Devagar. Devagar os corpos enleiam-se, e disputam-se e desejam-se e nada faz sentido e é tão boa a inocente falta de sentido. E o suor mistura-se e as lágrimas fundem-se e um dia, uma noite, o sémen de um entrará no corpo de um outro e a vida prosseguirá, solta, sem sentido, apenas um breve instante, um fluir, um movimento luminoso. 

A beleza. A beleza. A felicidade da beleza. A beleza do que é breve e sem sentido. 





O voo dos corpos, a cumplicidade das palavras inventadas, em silêncio, coração com coração, pele com pele, sonho com sonho, sexo com sexo. Um rumor. Uma poeira vogando no infinito. Um ponto de luz e um outro. Dois pontos de luz brilhando no meio da mais solitária escuridão.

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E depois há as imagens improváveis, belas, a cor e a luz em dias de chuva. E os risos das crianças, e o carinho, e o contacto puro com todas as formas de arte e beleza.




E a alegria de um amor que começa, a beleza da sua pele, o seu cheiro, o conhecer o seu interior, as suas palavras, as primeiras.  Novos livros. As saudades que eu já tinha de me passear por uma livraria, a emoção de trazer os livros, de os sentir, a alegria animal da posse. A contemplação inocente. 




Livros novos, palavras por descobrir. Pudesse eu confessar-vos o quanto me apetece beijá-los, trazê-los junto ao peito, poder sentar-me num banco de jardim num dia de chuva e, sozinha, lê-los sem querer saber da chuva nem de nada. Ou sentar-me à lareira, um bule, uma chávena de chá bem quente, tostas com queijo e mel, nozes, uma música por perto, um abraço doce. E poder passar as mãos pelas páginas, beijar secretamente quem nas páginas pousou as palavras ou as imagens que os meus olhos beijam.

Devaneios. Um pouco de paz num mundo tomado pela insanidade. 


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1. Os instantes de beleza nos vídeos respeitam a:



2. Sobre a pintura que faz parte de uma exposição que visitei no outro dia vos falarei outro dia, amanhã talvez. Alguém adivinha de que se trata?

3. E os livros vieram hoje cá para casa. Entre eles, Há um muito especial, uma peça para guardar num cofre, numa vitrina, para ter aqui à minha beira. A ver se depois vos falo melhor sobre ele. Agora tenho-o aqui, quase ao meu colo, e cheiro-o, já o cheirei tantas vezes, ainda cheira a bebé acabado de nascer, a tintas, a palavras e imagens impressas. Como é o que se vê pior na fotografia, eu conto-vos. É uma edição da Relógio d'Água. Antigo Testamento (Génesis, Êxodo e Cântico dos Cânticos) com ilustrações de Marc Chagall. Tradução de Herculano Alves, D. António da Rocha Couto e José Tolentino de Mendonça. Parece um missal, sabem?



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Muito gostaria ainda que visitassem o meu Ginjal e Lisboa. Hoje, por lá, tenho palavras de Adélia Prado, alguém de quem, como sabem, tanto gosto. Ex-Votos

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma quarta feira muito feliz. 
E procurem a beleza, está bem?

quarta-feira, dezembro 07, 2011

Vozes que envolvem: Melody Gardot e Jeremy Irons. Corpos que contam histórias: Akram Khan e Sidi Larbi. E, de resto, 'não esperes que te caia do céu'

Nestes tempos de incerteza e desesperança, adocemos a nossa existência com bons momentos. Desfrutemos com vagar e prazer as vozes que nos envolvem, deixemos que o nosso pensamento voe com os belos corpos que se desdobram, que deslizam, que falam. Ao menos que estes momentos nunca se percam.








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De resto, meus Amigos, fiquem-se com esta imagem que colhi na rua e que é todo um programa de vida:



E tenham um bom dia, meus Caros. Enjoy (if you can).

terça-feira, novembro 08, 2011

Poesia in heaven - árvores e palavras. E palavras ditas: David, Eugénio, Natália. And poetry in motion: Akram Khan and Sylvie Guillem. Poesia contra a crise.


Não sou dada a amores platónicos. Para mim o amor tem que ser vivido com a cabeça (é o mais importante: como é sabido e consabido, o amor é, acima de tudo, uma coisa mental) e com o coração (tem que haver, pelo menos no início, palpitações, arritmias) mas também com todos os sentidos (e escuso de os citar porque são todos indispensáveis).

Por isso, tudo o que amo, amo de uma forma também física. E as palavras não são excepção.

Gosto de imaginar, e já aqui várias vezes o referi, que as palavras que escrevemos no computador ou no telemóvel, ao serem transmitidas, andam pelos ares, voam no meio de nós, gosto de pensar que as respiramos. São como pássaros transparentes, atravessam continentes, e depois, vêm e entram-nos em casa, aconchegam-se à nossa frente, na nossa mão, entregam-se indefesas ou provocadoras.

Mas eu quero mais que isso. Não me basta dizê-las, saboreando-as, ou ouvir dizer palavras ou vê-las impressas ou desenhadas. Não me basta. Tenho que poder tocar-lhes. Tenho que lhes associar um cheiro. E não pensem que estou a ‘fazer género’ porque não estou.

O espaço que habito é um espaço também habitado por palavras. Elas estão um pouco por todo o lado.




Não apenas nos livros – que não estão apenas nas estantes: estão nas mesas de cabeceira, nas mesas da sala, no chão e até galgam para cima nas cadeiras e dos sofás, ocupando o lugar destinado às pessoas – mas também cá fora. Escrevi-as em azulejos, escrevi-as em muros, escrevi-as nas paredes dos canteiros (que são altos também para que possam conter poemas).




Eu passo por aqui e posso tocá-las com as minhas mãos, posso respirar o perfume dos pinheiros, dos cedros, dos loendros que lhes fazem companhia.




Aqui, à minha volta, eu tenho o vento, as pedras, os pássaros, as árvores, e o tojo, o alecrim, o rosmaninho, a sálvia, o tomilho (ervas que tantas vezes apanho e ponho na comida) e tenho as palavras de Sophia, de Eugénio, de Natália, de Jorge de Sena, de Herberto, de O’Neill, de David, de Maria Teresa, e de outros.



E, por isso, as palavras de Sophia têm o cheiro luminoso das figueiras, as de Herberto têm o cheiro fresco e doce dos pinheiros, as de David têm o cheiro galante dos cedros, e a todas eu posso tocar, às vezes afagar.



Percorro os caminhos deste local tantas vezes agreste, de grandes frios e grandes calores, de ventos intensos e, enquanto vou inspirando este ar tão puro, vou sentindo a companhia das palavras que tanto amo, voam ao meu lado ou recolhem-se às paredes que eu tanto gosto de sentir e nas quais sinto que estou eu própria impressa.














Tenham, meus Amigos, um belo dia.

E que tenha alguma poesia, se fazem favor.

Contra a crise  que viva a nossa pátria, a nossa bela língua portuguesa, que viva a nossa poesia, que vivam, sempre, as nossas palavras.

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Depois de ter escrito este post e antes de me ir deitar, ainda fui dar uma volta por algumas capelinhas e eis que dou com um delicioso poema que o O Destino marca a hora quase parece ter-me enviado para provar que já há quem pratique aquilo que eu acabei de recomendar (poesia contra a crise) e que não há nada mais perene do que as palavras quando se articulam numa surpreendente e inspirada toada. Confiram, se fazem favor.


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(Ps: E depois, se quiserem, terão uma bela música à vossa espera, um duo de contrabaixo, na Música no Ginjal)