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segunda-feira, fevereiro 09, 2026

Salve Seguro

 

Era o que faltava se agora aparecesse aqui aos saltos. Sabendo-se o que penso sobre as características da pessoa e sabendo-se que não votei nele na 1ª volta, só se fosse uma mariazinha desmiolada é que agora aqui me mostraria armada em cheerleader, a dançar, a fazer piruetas e a atirar balões ao ar.

Contudo, votei nele agora e votei com toda a convicção e votei desejando que tivesse uma votação que tirasse o tapete ao execrável Ventura.

Portanto, em coerência, aqui estou a declarar-me satisfeita com o resultado, inequivocamente satisfeita, certa de que os resultados que obteve legitimarão sobejamente a sua afirmação como Presidente da República.

Contudo, tenho que dizer que fiquei um bocado apreensiva com o número de votos que o Ventura obteve. Custa-me a perceber que haja tantos votantes que se revejam na hipocrisia, na mentira, na velhacaria, no incitamento ao ódio e à exclusão que Ventura protagoniza. E não apenas me custa a perceber como me parece preocupante. Não podemos estar orgulhosos nem viver descansados sabendo que existem em Portugal mais de 1.700.000 pessoas que se identificam com o que de pior pode existir numa sociedade. 

É certo que mais do dobro disso é gente que defende a democracia e o humanismo. Mas, numas legislativas, com esses quase 3.500.000 divididos por vários partidos e os 1.730.000 concentrados num único partido, há o risco sério de que um dia venhamos a ter uma pessoa maldosa, falsa e perigosa como primeiro-ministro.

Este tema deveria merecer uma séria reflexão por parte dos partidos democráticos.

Deveria também merecer reflexão a atitude de Montenegro ao longo da legislatura: ao vergar-se, com frequência, na direcção do Chega, o que tem conseguido é validar e reforçar as causas do Chega. Com essa atitude apenas está a fazer declinar o PSD e a engrossar as bases do Chega.

E deveria também merecer reflexão por parte da Comunicação Social, que continua a andar com o Ventura ao colo, esperando-o antes da missa, depois da missa, a carregar garrafinhas de água, com um gatinho ao colo, seguindo-o e entrevistando-o por tudo e por nada. Talvez fosse oportuno perceberem que dois terços dos votantes não querem, não gostam, não podem com o Ventura.

Enfim.

Tempos difíceis para o próximo Presidente da República, portanto. Tempos difíceis a nível interno e a nível externo. Fico tranquila por ser Seguro -- e não Ventura -- a ocupar o Palácio de Belém. E espero, francamente, que Seguro se aguente. Duvido que brilhe pois, pela sua personalidade, não me parece que a sua presidência venha a ser exultante, vibrante. Mas a gente vai-se habituando a tudo e, às tantas, resigna-se a não ter um PR brilhante. E, de resto, estou aberta a que venha a ser surpreendida. Tomara que Seguro se revele um lutador, um inspirador, uma mão firme e, ao mesmo tempo, habilidosa. Se isso acontecer, cá estarei para aplaudir e agradecer.

Seja como for, gostei do seu discurso de vitória. Esteve bem.  É certo que não estava à espera que trouxesse para ali temas estruturais, visionários. Por isso, talvez porque temia um discurso redondinho, acabei por gostar. Esteve bem. 

E tem uma família simpática. Parece gente de bem, uma família normal, pessoas agradáveis. A felicidade e o orgulho estavam espelhados nos seus rostos, e gostei de ver isso, em particular a candura da filha, tão contente que estava.

Portanto, resumindo, foi uma boa noite eleitoral.

Parece que está a enviar um beijinho, não parece?
(mas de todas as fotografias que tirei à televisão esta foi a melhor)

Desejo que Seguro tenha saúde e sorte e que o seu desempenho, enquanto PR, seja exemplar e o melhor possível para Portugal, que não nos envergonhe, que nos represente, a todos, de forma decente e abnegada, que saiba puxar pelo melhor de nós, que saiba olhar para o futuro e consiga fazer a interpretação correcta das ansiedades e das ambições dos portugueses, de todos os portugueses, que não ceda ao facilitismo nem receie o murro na mesa se algum dia o tiver que dar.

sexta-feira, fevereiro 06, 2026

E hoje uma coisa completamente diferente

 

Não vou falar das árvores que nos caíram, o que tanto desgosto me dá, não vou falar da preocupação, essa sim baseada em dramas de outra dimensão -- por tantas pessoas terem ficado sem casa, tantas empresas terrivelmente danificadas, tantas pessoas ainda sem eletricidade e sem água canalizada, tantas estradas colapsadas, tantas árvores arrasadas, tantas casas completamente alagadas com prejuízos incalculáveis -- nem vou falar de guerras, de escândalos, da miséria moral de tanta gente que deveria ter um comportamento exemplar e que, afinal, como os ficheiros Epstein tão cruamente revelam, são sórdidos, cruéis. Não vou falar de nada que me perturbe.

Poderia falar das presidenciais já que isso não me perturba. 

Não vou votar com entusiasmo, o Seguro nunca me pareceu um personagem inspirador, não me parece que motive alguém. Mas a alternativa é imprestável pelo que se o Ventura fosse a votos com um calhau eu votaria no calhau, se fosse a votos com um buraco negro eu votaria no buraco negro. Por isso, claro que vou votar no Seguro. É decisão tomada. Na primeira volta votei no Almirante e na segunda, obviamente, voto no Seguro (e, claro, que estou a conter-me para não o tratar por ToZé). Esteja frio, chuva ou ventania, claro que vou sair de casa e vou votar. Portanto, isso nem sequer já é tema.

Mas também não é das presidenciais que vou falar.

Vou falar de uma coisa completamente diferente. 

Vou falar de cães. Quando comecei este blog, estava eu ainda no período de luto pela nossa doce cãzinha, a boxer mais querida e mais amiga do mundo, que nos enchia o coração de amor. Toda a família se derretia com ela.

Tal o desgosto com a sua partida que tinha resolvido, em definitivo, não voltar a ter outro cão. Durante anos mantive-me firme. O meu marido também. Ele que tanto gosta de cães, estava também em luto profundo.

Mas, já aqui nesta casa, com os meninos todos a quererem um cão, de repente senti que o meu coração se abria. Enfrentando ainda a resistência do meu marido, fui abrindo caminho. Depois das peripécias para adoptar um cão abandonado e de termos constatado a maluquice que é aquilo, desistimos.

Até que fomos até a um monte alentejano ver um cão bebé, de um pastor. E foi amor à primeira vista. Peguei logo ao colo aquele pequeno tufo de pelo. E ele aninhou-se em mim. Adoptámo-nos instantaneamente. O meu marido enterneceu-se, rendeu-se.

Tornámo-nos inseparáveis.

É um cão temperamental, teimoso, vigoroso, territorial, possessivo, e excelente guardião. Mas meigo, amigo, muito brincalhão, inteligentíssimo. Não passamos sem ele e ele sem nós. 

E estou a falar nisto pois vi um vídeo que me comoveu. Já tinha visto vídeos com esta forma de adopção, em que são os cães que escolhem os seus futuros donos. Mas este é especial. 

Este cão de abrigo rejeitou todas as famílias... e então fez algo que partiu o coração de todos.

Durante oito meses, Max viu famílias passarem em frente ao seu canil. 

Grande demais. Energético demais. Não tem o tamanho ideal. 

Mas a verdade era mais simples: Max não estava à espera de uma família. Ele estava à espera de uma pessoa. Este vídeo conta a história real de um cão de abrigo que recusou todas as adoções, de um menino que teve que ir embora e da promessa que nenhum dos dois esqueceu. Às vezes, os cães entendem a lealdade melhor do que nós. E às vezes, as melhores coisas da vida valem a pena esperar.

AVISO: O vídeo foi feito com o auxílio de inteligência artificial, mas retrata uma situação que realmente aconteceu de uma forma emocionante.


Desejo-vos um bom sábado

domingo, fevereiro 01, 2026

Depois dos ridículos discursos dos ministros, o discurso sonso do Marcelo
-- Mais uma vez, a palavra ao meu marido --

 

Ontem foram o "Lentão" e a D. MAI que nos brindaram com discursos ridículos. Hoje veio o PR brindar-nos com um discurso sonso, a rondar o patético. Qual Karoline Leavitt (porta-voz da Casa Branca,  seguidora acéfala e defensora feroz do Trump), veio o Marcelo fazer de porta voz do governo e, depois de várias banalidades sem préstimo, referiu que o Luís estava "muito preocupado com a situação".

Recordo que o Marcelo também disse que o Luís estava "preocupado" com o estado da Saúde, e as coisas continuaram a piorar de dia para dia. 

Suponho que, por muito mal que pensem do Luís, os portugueses julgam que ele se preocupa, pelo menos os mínimos, com estas duas catástrofes. No entanto, há que dizer ao Marcelo, que felizmente acaba em breve o mandato do pior PR dos últimos cinquenta anos, que os portugueses se borrifam para os estados de alma do Luís e para aquilo que o Marcelo acha dos mesmos. O que os portugueses querem é decisões rápidas e acertadas e informação coerente sobre os assuntos importantes. Os portugueses precisam é de um PR isento, que não aja em função da cor política do governo e que, quando necessário, critique o governo. 

É certo que os portugueses não precisam nem querem um secretário do governo na Presidência como demonstraram na primeira volta das presidenciais ao não votarem no Marques Mendes. No entanto, desde que Montenegro foi eleito, o Marcelo tem exercido as funções de secretário de estado do governo em Belém. Com todo o amadorismo e incompetência que o governo tem demonstrado, este é o tipo de PR de que certamente o País não precisava. 

Já agora dois assuntos conexos. 

1 - Os geradores não chegam onde são precisos porque o governo, à semelhança do que aconteceu no apagão, pretendeu que fossem os motoristas dos ministros a levá-los e depois perceberam que não cabiam nos carros? 

2 - O comentário mais estúpido e cretino que ouvi sobre a devastação causada pela tempestade foi feito pela Clara Ferreira Alves no Eixo do Mal. Mais uma vez, torna-se evidente que fala por falar sem conhecer minimamente os fatos. Dizer que Lisboa e Porto passaram pela tempestade sem estragos porque são cidades ricas e que Leiria sofreu uma enorme devastação porque é uma cidade pobre é estúpido e não tem qualquer aderência à realidade.

O que também é extraordinário é que os "colegas" de programa não lhe tenham explicado que, embora a tempestade tenha atravessado todo o território continental, o seu centro de impacto e os danos catastróficos concentraram-se na Região Centro, particularmente no distrito de Leiria. A Clara, no Eixo do Mal, consegue frequentemente dizer uma coisa e o seu contrário e revela uma falta de preparação  assustadora relativamente aos assuntos sobre os quais opina. 

Deve haver uma razão escondida para a manterem a comentar. Qual será?

quarta-feira, janeiro 28, 2026

O Ressentimento faz a força

-- Um poderoso texto do meu filho --

 

Se observarmos a História da humanidade e a evolução das diversas civilizações, encontramos dois elementos que surgem recorrentemente: o conflito e o progresso. É provável que estejam interligados. O progresso nasce do desejo de alcançar mais e melhor, e é essa mesma vontade que está na raiz de inúmeros conflitos.

A nossa história é marcada por ciclos de mudança e por grandes disrupções: pragas, descobertas, obras colossais e destruições massivas provocadas por guerras. Periodicamente, surgem transformações profundas que criam novas eras — a queda de impérios, revoluções tecnológicas, ou a criação de armas cujo poder supera tudo o que as antecedeu.

A mudança, porém, não é necessariamente benéfica. O progresso, por definição, implica melhoria; a mudança, não. Uma inovação tecnológica pode acarretar custos ambientais tão elevados que os prejuízos ultrapassam largamente os benefícios. Um novo império guiado por ideologias de ódio pode destruir muito mais do que é capaz de criar. A história recente já nos ofereceu exemplos de ambos os casos.

Há nestes dias o acordar da consciência coletiva para uma nova fase da humanidade. 

Por alianças, proximidades geográficas e culturais e por interesses partilhados, o mundo organizou-se em blocos. Nas últimas décadas, o Bloco Ocidental liderou a ordem internacional e concentrou uma parte significativa dos recursos globais. Sem juízos de valor sobre os méritos ou falhas desse Bloco, é inegável que, para os povos que o compõem — em especial os nativos deste espaço — essa configuração de poderes foi, em geral, favorável. Foram, de forma recorrente, vencedores de conflitos, acumuladores de riqueza e beneficiários de um estilo de vida mais confortável do que a maioria da população mundial.

Hoje, esse Bloco revela fraturas profundas, que colocam em causa qualquer resquício de unidade. O fenómeno parece mais uma implosão do que um confronto externo — forças internas comprimidas numa câmara de pressão que já não suporta a crescente intensidade das tensões.

O risco para todos os povos do mundo é que esta desagregação produza uma mudança profunda, mas não um verdadeiro progresso para a Humanidade. Esta suposição contém um certo grau de arrogância (na qual na realidade nunca me revi): a ideia de que o mero funcionamento deste Bloco gera mais benefícios do que prejuízos para o mundo.

É perfeitamente concebível imaginar, num cenário contrafactual, uma ordem global diferente — mais equilibrada entre povos, menos dependente de hegemonias, mais cooperativa, mais solidária no desenvolvimento e menos assente na apropriação de recursos pela força, militar ou económica.

Mas é igualmente plausível, noutro cenário contrafactual, emergir algo pior: guerras destrutivas e globais, isolacionismo e egoísmo que aceleram a catástrofe ambiental, migrações massivas provocadas pela fome e pela seca, um retrocesso civilizacional nas liberdades e nos direitos.

Se este for, de facto, um momento de charneira, o risco é escolhermos o cenário contrafactual errado — empurrados pela cegueira de poder de elementos agitadores que exploram o Ressentimento Histórico do Homem Branco Nativo, que se vê como o “herdeiro legítimo” do Bloco Ocidental, mas que hoje se sente traído e contrariado no seu forte sentido de entitlement, de direito adquirido.

Este Homem Branco, nativo do Bloco Ocidental, não pertence às classes altas nem aos vencedores do capitalismo liberal que moldou o Bloco. Não integra a elite política nem a burocrática. Não faz parte dos ricos nem dos privilegiados. Pertence, isso sim, à classe trabalhadora — na melhor das hipóteses à middle working class assalariada, com rendimentos próximos ou abaixo da média. Cumpre a lei, paga impostos e tem opiniões. Recebeu educação, mas não chegou à universidade. Tem um emprego, mas não uma carreira. Viveu sempre no mesmo ambiente cultural e racial, partilhou com os seus vizinhos tradições semelhantes, interesses futebolísticos, religiosos e sociais.

É esta classe que está a aumentar a pressão dentro da câmara. 

Esta classe sente-se ressentida. Ressentida pela perda de poder de compra; pela nostalgia de um tempo que nunca viveu, mas que lhe foi prometido pelas gerações anteriores — a convicção de que o futuro seria melhor do que o presente e muito melhor do que o passado. A promessa de que, cumprindo as suas obrigações e trabalhando com afinco, proporcionaria aos seus filhos uma vida superior à sua. Hoje, essa promessa soa-lhes irrealista, e não têm evidências de que alguma vez venha a concretizar-se. 

O liberal económico argumentará que a oportunidade existe: “trabalharás, e chegarás lá”. Mas será mesmo assim? Será essa a realidade para a maioria? Existem oportunidades infinitas numa economia real, capaz de absorver todos os que se esforçam? E acordar cedo, trabalhar oito ou nove horas, perder duas em deslocações, trabalhar cinco ou seis dias por semana sem pausa, desempenhando bem a sua função — não é esforço suficiente esperado? A verdade é que, para muitos, não é.

A evolução do Bloco Ocidental está a gerar um conflito que parece cada vez mais insanável. À medida que o Estado reduz o seu papel de intervenção económica e se desvalorizam as políticas de redistribuição, solidifica-se uma camada de vencedores, criando-se um sistema progressivamente viciado. Como é próprio da natureza humana, essas classes vencedoras criam mecanismos para preservar a sua posição e ampliar a distância em relação aos seus competidores naturais. Assim tem sido desde os primórdios da humanidade.

Deste desequilíbrio nasce o ressentimento da classe trabalhadora, que cumpriu o contrato social que lhe foi proposto, mas não recebeu o retorno que lhe tinha sido implícita ou explicitamente prometido.

É verdade que este Homem Branco dispõe de um certo conforto material: possui um carro, uma casa nos subúrbios — quase sempre associada a uma dívida duradoura, faz férias ocasionais, tem SportTV e pequenos prazeres do quotidiano. Não vive a miséria extrema que atinge muitos povos do Hemisfério Sul ou amarguras da guerra, os verdadeiros derrotados da ordem global. O seu ressentimento nasce mais de um sentimento de abandono do que de desespero.

Este ressentimento é alimentado também pela degradação dos serviços públicos, financiados pelos seus impostos, que se deterioram a uma velocidade inversamente proporcional à expansão dos serviços privados por natureza elitistas e orientados para os vencedores do sistema. O fenómeno manifesta-se igualmente na educação, na saúde e na justiça, pilares fundamentais da democracia que lhes foi prometida. Quando estas instituições se degradam, desmorona-se, aos olhos desta classe, a própria perceção de que o sistema democrático funciona.

E são percebidos como perdedores — não porque estejam pior do que há cinquenta anos, mas porque estão estagnados há vinte, mergulhados num ambiente generalizado de degradação e desânimo. São as escolas sem professores, os hospitais a transbordar ou com as urgências encerradas, os comboios paralisados ou sobrelotados, o preço esmagador das casas, a inflação nas compras mensais e na energia, os processos nos tribunais que se arrastam, uma perceção generalizada de insegurança.

Ressentimento também por motivos culturais. Uma sociedade multicultural, com bairros étnicos, com muitas culturas e línguas, como se observa em Londres, é o que Homem Branco espera para a terra onde nasceu, cresceu e sempre viveu? O sistema de imigração deve exclusivamente dar resposta às necessidades vorazes do mercado de trabalho liberal?

O Homem Branco não está pronto para uma transformação cultural tão acelerada. Em alguns casos poderá ser Racismo e Xenofobismo ideológico, mas em muitas situações será um humano receio da mudança. A dificuldade em assimilar que tudo muda menos ele. A dificuldade em lidar com vizinhos diferentes, com comportamentos que não compreende, com línguas que não fala. A nostalgia de outros tempos, que pelo menos eram fáceis de entender.

É um Ressentimento cultural real.

O ressentimento nasce também da perceção — ainda que abstrata — de que quem governa pertence à Classe dos Vencedores, em oposição à Classe dos Perdedores. Alimenta-se a ideia de que o poder político age sobretudo em benefício próprio, sem um verdadeiro compromisso com o Serviço Público.

A esta pressão interna soma-se um elemento adicional que funciona como catalisador, tal como acontece em tantas reações físicas: neste caso, os partidos situados nos extremos do espectro político. São eles que veem nesta insatisfação profunda uma oportunidade para avançar com a sua própria transformação, oferecendo respostas simples para problemas complexos e capitalizando a frustração acumulada.

Com a queda do Muro de Berlim caiu por terra a promessa e atração do Socialismo Real. Com a ascensão do Donald Trump, das Redes Sociais e dos fenómenos migratórios de muito larga escala, num panorama estéril de promessas transformadoras, emergiram os Partidos da Direita Radical, herdeiros do fascismo do século passado. 

Os grandes atores políticos da atualidade — apoiados por estrategas experientes em propaganda e marketing, utilizadores hábeis das redes sociais e sem pudor em recorrer à mentira, à difamação e a técnicas de manipulação de massas — tornaram-se os verdadeiros vencedores políticos do nosso tempo. São os orquestradores de uma nova era que receamos poder ser pior do que a anterior: uma era em que prosperam aqueles que mais beneficiam do retrocesso, da destruição e da divisão. Emergindo do caos e do ódio, da gritaria e da acusação, das fake news e da demagogia, constroem um futuro com estas características e moldado pelo ambiente em que melhor sobrevivem. Uma simbiose perfeita entre o organismo e o meio.

As redes sociais funcionam, neste contexto, como um acelerador sem precedentes. Permitem uma comunicação direta, desintermediada e sem filtros entre o Agitador e o Ressentido — uma combinação altamente inflamável. Este canal imediato facilita a provocação e a mobilização, apelando às emoções mais primárias de indignação e ódio, ao mesmo tempo que oferece o conforto da desculpa: a sensação de que afinal ninguém está sozinho, de que esses sentimentos têm legitimidade, de que há uma razão plausível para a raiva. Alimenta-se assim a motivação para “mudar” — seja para o que for, desde que não seja isto.

O dilema para a sociedade torna-se, assim, evidente e deve ser recordado em cada eleição. Combater a força da direita radical através das ferramentas da política tradicional revela-se uma estratégia condenada ao fracasso junto da sua base eleitoral mais fiel — aquela parte da população que já não acredita no valor das propostas dos partidos convencionais. Para este eleitorado marcado pelo ressentimento, a frustração é tão profunda que prefere derrubar o sistema para ver o que daí resulta, em vez de persistir no caminho que considera estagnado, mesmo que não haja propostas ou projetos de mudança reais.

A única forma de transformar este momento de mudança em algo melhor — no espírito do que Mark Carney defendeu no seu discurso — é devolver esperança aos que se sentem ressentidos, através de propostas concretas e credíveis. Um futuro baseado na justiça, na confiança e na inclusão; um mundo em que ninguém fica para trás. Um mundo em que o fosso entre ricos e os remediados se estreita, em que as relações entre países se constroem sobre acordos justos e não sobre a exploração dos mais fracos pela força dos mais poderosos.

À escala de um país como o nosso, isso implica um plano de longo prazo, sustentado por um amplo consenso entre os partidos que partilham princípios democráticos. Um plano orientado para recuperar os pilares fundamentais da sociedade; para reforçar o elevador social; para criar um mercado verdadeiramente justo, que valorize e premie o trabalho e não apenas o capital.

Implica também uma gestão responsável e transparente da imigração, com políticas claras de aceitação e integração.

E aponta para um futuro em que os pais possam acreditar que os filhos terão uma vida digna e estável: com acesso a creches de qualidade, boas escolas, boas universidades, bons empregos com salários justos e habitação paga de forma sustentável; com cuidados de saúde que respondam às suas necessidades. Este era — e continua a ser — o sonho da convergência europeia e da globalização no seu melhor sentido. Era o sonho de uma ordem internacional baseada no direito e nos direitos humanos. 

A construção desse futuro não tem de gravitar na órbita dos Estados Unidos. Pode assentar num quadro multilateral, baseado em pontos de aproximação e numa interdependência pragmática entre diferentes regiões e parceiros. 

Não estamos condenados à guerra e conflito. Da cooperação pode vir uma paz longa e duradora. Da cooperação conciliada com a autonomia, do progresso aliado à justiça, pode resultar uma sociedade melhor. 

Neste cenário alternativo ao ressentimento — um cenário de esperança — o Estado tem um papel real, não pela força do seu peso, mas pela força da sua capacidade de promover mudança e transformação, em conjunto com os demais setores da sociedade. Um projeto que inclua todos, sem exceção, garantindo que ninguém fica para trás.

Não haverá sucesso nesta jornada se não se compreender e enfrentar a verdadeira origem do Ressentimento. Ignorar ou desvalorizar a parte da população que agora aderiu à Direita Radical seria um erro histórico.

Num momento tão transformador como o que vivemos, cabe às forças impulsionadoras da mudança encarar o desafio de frente e reescrever o futuro comum, com o propósito claro de transformar o ressentimento em esperança. E promover a mudança positiva em cada Eleição. 

terça-feira, janeiro 20, 2026

Eleições
-- A palavra ao meu marido --

 

Depois da derrota humilhante deste domingo, Montenegro, demonstrando que é um democrata de pacotilha, não aconselhou o voto em Seguro na segunda volta. 

Dirão que, depois do erro que cometeu ao apoiar Marques Mendes -- que ampliou ao envolver tudo o que era ministro menos mal visto na campanha -- e da percentagem que o Marques Mendes obteve, não tinha saídas airosas. 

Eu repito o que já aqui escrevi. A democracia do Montenegro e de alguns dos atuais dirigentes do PSD, dos quais o Hugo Soares é o expoente máximo e a eminência parda (ou talvez pior que isso), não é assente em valores humanistas e de ética democrática. Não existem para eles linhas vermelhas relativamente ao populismo, à demagogia e à mentira. Confirma-se que  Montenegro escolheu o seu caminho, e esse caminho, ao que parece, passará pelas ideias e pela agenda do Ventura. 

Depois de apoucar e responsabilizar o PS, muitas vezes sem qualquer razão, por todos os males do mundo, a posição que tomou relativamente à segunda volta vai reforçar objetivamente o Ventura, porque, depois da lavagem ao cérebro que levaram, muitos militantes do PSD vão votar no Ventura apenas para não votarem em alguém do PS. 

Assim, o Montenegro vai trilhando, passo a passo, o seu caminho. E esse caminho tem um fim pré-anunciado. 

Nestas eleições percebeu-se claramente quem defende os valores da democracia ou quem se está marimbando para estes valores e tem com objetivo único caçar votos. 

Vamos ver como corre a segunda volta.

segunda-feira, janeiro 19, 2026

No rescaldo da 1ª volta

 

Votei no Almirante, mas a preocupação que me levou a votar nele não foi partilhada pela maioria dos votantes pelo que, com pena minha, os portugueses não o levaram à 2ª volta.

E, em coerência com o que sempre disse, passando o Seguro e o Ventura, não hesito nem por um segundo: o meu voto vai, incondicionalmente, para o Seguro. 

Tenho muitas dúvidas na firmeza, na criatividade, no punch de Seguro como Presidente da República: não sei se é pessoa para fazer frente a Montenegro quando isso for preciso e tenho muitas dúvidas de que tenha capacidade, energia e autoridade para se impor como deve ser caso um dia venhamos a ter a infelicidade de Ventura chegar a 1º ministro. Mas as coisas são o que são. Step by step. O cenário agora é Seguro contra Ventura para Presidente da República. Portanto, sem hesitar, o meu voto só pode ser um: em Seguro.

Há uma linha vermelha muito clara: de um lado está a democracia, de outro está a anti-democracia, o populismo. Estarei sempre do lado da democracia, e estarei sempre com absoluta firmeza e convicção.

Portanto, tentando abstrair-me de que vejo o Tó Zé Seguro como o Menino da Lágrima com pose de Rainha de Inglaterra, vou concentrar-me nos seus aspectos positivos: é democrata, é humanista, é civilizado, supostamente é um homem sério -- e isso, para já, é o mais relevante. 

Na reacção aos resultados, Ventura, eufórico, ufano, já mostrou ao que vem: vem para a lama. Tentará enlamear Seguro e o que o rodeia. Voltaram as mentiras, os insultos, o apelo ao medo, voltou ao 'nós' contra 'eles', voltou ao 'nós, os puros, os portugueses de primeira', contra ' eles, os socialistas, os corruptos'. O discurso xenófobo, racista, divisionista, radical, não inclusivo, trumpista esteve ali bem presente. 

E eu só espero que quem votou no Almirante, no Marques Mendes ou em Cotrim rejeite isso e saiba posicionar-se a favor do País, da seriedade, da honestidade intelectual, do civismo, da democracia, da bondade e, mesmo que o seu coração penda mais para a direita e para o conservadorismo, dê primazia à decência e aos verdadeiros valores democráticos.

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Sobre Cotrim Figueiredo não tenho muito a dizer, a não ser que fiquei com a ideia de que ficou com vontade de fazer qualquer coisa com os votos que recebeu. Não sei o quê pois tenho para mim que os últimos dias o queimaram. Tendo uma conversa genericamente arejada, espalhou-se ao comprido ao dar a entender que poderia votar em Ventura (contra Seguro) e ao mostrar não ter estaleca para aguentar embates. Depois da notícia sobre o assédio e de ter visto o pasmo de muita gente com a sua não rejeição do voto em Ventura, foi-se completamente abaixo, mostrou-se arrasado, atirou em todos os sentidos de uma forma pouco estruturada. Com isso, mostrou não ter fibra para o cargo para que estava a candidatar-se.

Tirando este aspecto, há que registar o falhanço brutal da candidatura de Marques Mendes e do posicionamento de Montenegro, um falhanço em toda a linha. Com as suas opções e o seu apoio muito activo à candidatura fraquíssima de Marques Mendes, Montenegro derrapou à força toda, e derrapou para debaixo da pata de Ventura. Com isto, Ventura, o grande oportunista, o demagogo que funciona just-in-time, já veio apresentar-se como o líder da direita. Tempos agitados, estes próximos. Com um governo minoritário, com falhanços sucessivos e muito graves em áreas críticas como as da Saúde, da Habitação e da Segurança, Montenegro vai passar a caminhar no fio da navalha, sobre brasas. 

Outra candidatura cujo falhanço é também de registar é a de António Filipe, ou seja, do PCP. Claro que também a votação de Catarina Martins foi um desastre e, por acaso, tenho pena pois fez uma bela campanha. Mas o Bloco é um desastre pelo que desastre por desastre pouco adianta. A de Jorge Pinto, que, nos debates, mostrou estar muito bem preparado, foi outro disparate. Ao baralhar-se todo com o apoio ao Seguro, esvaziou completamente o seu eleitorado. Agora António Filipe, político experiente, esteve a fazer o quê? Qual a lógica do PCP? Mostrar à evidência que já não vale nada? Sendo um partido com um historial que merece respeito, qual a lógica de andarem a exibir uns desgraçados 1,6%? Não percebo. E, no discurso da noite eleitoral, aparecem com a mesma estafada conversa de que os portugueses podem continuar a contar com eles... Mas contar com eles para quê? Não percebem que já não riscam para coisa nenhuma? Não percebem que poucos mais votos tiveram que o Manuel João Vieira...? Caraças. Que pena que me dão. 

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Desejo-vos uma boa semana

sexta-feira, janeiro 16, 2026

Ai... se o ridículo matasse...

 

Só agora vou almoçar. Liguei a televisão enquanto o meu marido não chega aqui. 

E vi o impensável: o Marques Mendes, o facilitador que toda a vida andou colado ao PSD e que agora se enfiou no bolso do Montenegro, anda na campanha eleitoral a apregoar que, se Seguro for eleito, não vai fazer frente ao Governo... 

Tem razão, eu digo o mesmo. O nome do meio do Tozé é Perna-Aberta. Aliás, se o Tozé for a PR (oh ironia... oh desgraça...), não tenho dúvidas que o Tozé, qual Rainha de Inglatera, vai manter a pose com que já está de ser uma figura decorativa, simpática, com cara de menino da lágrima se a coisa não lhe agradar lá muito, ou com cara de amigo de reformados e desvalidos se o momento for de ternura. 

Mas ser o Marques Mendes a vir dizer isto é que é de ir às lágrimas... 

Claro que o Tozé dar um murro na mesa, mandar o Montenegro ou o Ventura irem dar banho ao cão, chamar a atenção a sério, mostrar cartão amarelo -- ou encarnado, se necessário for --, isso claro que o Tozé inSeguro jamais fará. Jamais. Por isso mesmo vou votar no Almirante. Ou alguém acredita que, se um dia Ventura for a primeiro-ministro, o Tozé é menino para se impor...? Está bem, está... Jamais. Mas, claro que nem ele nem o Marques Mendes.

Mas Marques Mendes não se ficou por aí. Com aquele complexozinho de inferioridade que o caracteriza, em que até compara a sua altura com o António Vitorino e, imagine-se, até com a Maria de Belém😅😆😅, agora, para não se ficar atrás do Cotrim, anda a dizer que quem sofreu um golpe de assassinato de carácter foi ele, o maior de todos, um golpe de todo o tamanho, golpe maior nunca ninguém viu. Vamos ver se até ao fim do dia não vai apregoar que a pilinha dele é maior que a dos outros.

Ai, que coisinha mais caricata que para aí anda pelas ruas a querer ser presidente... 

terça-feira, janeiro 13, 2026

O nariz (perfeito) de Scaramucci.
E, de novo, a afirmação inequívoca do meu voto no próximo dia 18

 

O ano amanheceu ainda mais perigoso do que estava em 2025. Se antes os riscos decorriam do poder desavergonhado de imperialistas, tarados, psicopatas sanguinários, agora junta-se a isso o desconhecido risco de termos a nação mais poderosa do mundo nas mãos de um doido varrido. Mas podia ser um doido varrido normal. Só que não é. Trump é um narciscista maligno, um mentiroso compulsivo, um sádico, um ganancioso, um desavergonhado, uma pessoa sem pudor nem filtros de qualquer espécie, uma pessoa destituída de compaixão ou empatia.

Se está de facto demente, como vários médicos afiançam, se apenas tem todos os seus defeitos elevados a um expoente até agora ainda não experimentado isso não sei. Só sei é que a verdade é que, ao mesmo tempo, se detecta que há uma inteligência perversa por detrás de tudo o que ele faz. 

Sou levada a crer que há gente interessada em muito do que ele procura, gente interessada em regressar ao país de onde foram levados a sair e que querem regressar, vingar-se, investir em força, gente que quer garantir terras raras a custo quase zero,  gente que quer ter lítio assegurado a preço de chuchu para os próximos anos, gente que quer assegurar petróleo adquirido a preço de saldo, misturada com gente que tem uma visão geo-estratégica de um mundo dividido em três blocos. Provavelmente há um caldo de gente que fervilha e manobra nos bastidores para que tudo isso se consiga. E, dando corda a toda essa gente e vendo o que, para si próprio, pode retirar -- comissões, dividendos, bónus, presentes, parte nos negócios --, está ele, o bufão, o grande corrupto, o negociante que despede aprendizes na televisão, o grande animador que procura share nas televisões, que se baba por primeiras páginas, que se alimenta da atenção que recebe dos outros.

Implacavelmente, Trumpe hostiliza, ofende, humilha, ameaça, despede, persegue, esmaga quem lhe faz frente. E, no entanto, ele aí está, eleito pela segunda vez, as suas grandes mesas e salões de baile sempre repletos. Ao contrário do que a decência recomendaria, muita gente não lhe vira as costas. Pelo contrário, bajulam-no, lambem-lhe o rabo, deitam-se no chão para que ele passe por cima.

Custa a perceber. Mas é isto que acontece.

Só que são factores desconcertantes a mais: não se consegue prever qual a sua jogada seguinte, qual o próximo golpe, qual a afronta que se vai seguir.

Joanna Coles tenta perceber como funciona a sua cabeça e como funciona o círculo de serventes que o rodeia. A entrevista a Scaramucci é interessantíssima. Recomendo-a vivamente.

É isto que o ganancioso Trump está realmente tramando com o petróleo

This Is What Greedy Trump's Really Up To With Oil | The Daily Beast Podcast

Anthony Scaramucci junta-se a Joanna Coles para uma conversa franca sobre o que Donald Trump está realmente fazendo na Venezuela — e por que o caos é o objetivo. Scaramucci argumenta que a ação na Venezuela é motivada menos pela democracia ou segurança do que pelo petróleo, dinheiro e enriquecimento pessoal, e é moldada por teorias da conspiração e pressão política. Ele também analisa o apetite de Trump pela crueldade e pelo espetáculo, os sinais de alerta na escalada da violência do ICE, o afastamento silencioso de aliados como Marco Rubio e JD Vance, e por que republicanos que sabem mais ainda se alinham a ele. A conclusão: Trump não está a descontrolar-se — ele está focado, transacional e cada vez mais disposto a destruir instituições para se manter no poder.


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Quanto às presidenciais, volto a dizer: para PR voto em função do que que antevejo que seja a personalidade, o carácter, a atitude da pessoa e a forma como se move dentro do quadro de valores que me parece fundamental para assegurar um desempenho conforme com a Constituição e com os tempos presentes.

Assim, na primeira volta:
  • não votarei em pessoas que não gostam da democracia nem respeitam os nobres valores republicanos, 
  • não votarei em quem nunca fez mais nada na vida senão ser um videirinho, um leva e traz, 
  • não voto em quem sempre se revelou uma amiba -- sem coluna vertebral, sem punch, sem cérebro (e portanto, sem ideias),
  • não voto em quem ainda está agarrado à morta e enterrada ideia de amanhãs que cantam, 
  • não voto em quem apenas votarei se passar à 2ª volta com o 1º que aqui referi
  • não voto em quem não tem qualquer hipótese de coisa alguma. 
Votarei, pois, em Gouveia e Melo pois, embora não o conheça bem (enquanto aos outros conheço o suficiente para os enquadrar no que acima referi), intuo que tem coluna vertebral, que tem ideias razoavelmente alinhadas com as minhas, que tem uma consistente capacidade de acção e reacção dentro do quadro constitucional, e que conseguirá não nos envergonhar no desempenho das suas funções.

Isto, como referi, na 1ª volta. 

Como, a partir das sondagens, parece claro que haverá uma 2ª volta, nessa altura avaliarei as hipóteses em cima da mesa e decidirei.

sexta-feira, janeiro 09, 2026

Luís e Luizinho: o ventríloquo e seu boneco amestrado

 

Peço desculpa, mas não consegui fazer melhor. Tentei, tentei mas não consegui aprimorar as feições. Por acaso, Luisinho, o bonequito que o cínico joker manobra, até saiu favorecido, mais compostinho e mais bonitinho do que o é na realidade. O meu receio é que nem o identifiquem. 

Mas, enfim, espero que percebam a ideia. 

Se as imagens estão tão pouco realistas que não servem de caricatura e não transmitem a situação que pretendo ilustrar, sugiro que pesquisem as afirmações do facilitador encartado. Verão que é uma corrente de transmissão do Spinum, mas é uma corrente de transmissão que não acrescenta um pêlo a coisa alguma. Especializado em ser um leva e traz, em abrir portas e em telefonar para este e para aquele e, ao domingo, em ir para a televisão dizer coisas, quando largado por sua conta, prova que não existe. Um boneco só existe quando manobrado pelo mestre. Agora que anda pelas ruas, aos caídos, com um sorriso amarelo, parece uma marioneta abandonada. Claro que ainda tem esperança de ir para Belém para ser o porta-voz do seu dono. Mas comigo jamais contará.

E queiram, por favor, continuar a descer para verem o Trump chinês. Uma graça.

quarta-feira, janeiro 07, 2026

Notas sobre o grande debate

 

O grande perdedor da noite: zero em termos de conteúdo, zero do sentido de não ter qualquer conteúdo, zero em termos de ideias, e não é uma pontuação subjectiva, não, é mesmo que não tem uma única ideia.  E, ao descontrolar-se, mostrou que tem zero de compostura. Muito mau. E depois a palavra ordinarice, que soltou ao dirigir-se a Gouveia e Melo, soou ali muito mal; penso que é palavra que lhe ficará colada. Refiro-me, é claro, a Marques Mendes. Se houvesse a pouca sorte de chegar à 2ª volta com o Ventura, acho que nem assim votarei em Marques Mendes.

Confirmação: é igualmente um zero em termos de conteúdo e um zero em termos de ideias. Em termos de compostura, já se porta como se já fosse PR. Mas um PR daqueles que não acrescenta ponta de corno. Peço desculpa pela expressão, mas a criatura tira-me do sério. Se já encarnou uma bafienta personagem, imagine-se se tivermos a pouca sorte de ele lá chegar. Um horror. Se for à 2ª volta com o Ventura, com muito desconforto e até muitas e severas dúvidas, votarei nele, nele Seguro. Mas ficarei arreliada até à segunda casa. Que burrice a do Pedro Nuno ter falado no nome da criatura. Há quem o gabe por ter estado 12 anos sem dizer nada, como se isso fosse uma virtude. Não é, é apenas a sua idiossincrasia: não tem nem nunca teve nada para dizer.

Almirante: na realidade ainda não adquiriu a tarimba que nestas coisas dá um certo jeito. E tem algumas saídas um bocado fora da mãe, dá ideia que vai muito ensaiado e muito ensinado e isso retira-lhe alguma naturalidade e, mesmo, algum discernimento. Contudo, continuo a achar que talvez seja a melhor opção.

Ventura: tenho que reconhecer que, no debate, não esteve mal de todo. E não é burro nenhum. Percebe-se que atraia o voto de tanta gente. O pior é que, para além de não ser sério, isto é, intelectualmente honesto, e de jogar no bota abaixo, e de ter valores opostos aos meus, não é confiável. Portanto, é para esquecer.

Cotrim: o ganhador da noite. Esteve muito bem. De todos, foi quem melhor revelou ter ideias e, ao mesmo tempo, ter atitude. Está a subir nas sondagens e isso percebe-se. Acredito que, se por acaso lá chegasse, seria um presidente digno. Acredito também que saberia ser razoavelmente isento face às suas ideias políticas. Provavelmente seria a minha segunda opção.

Antonio Filipe: respeitável e cordato como sempre. Mas não acrescenta, é sempre mais do mesmo. Contudo, calma, em termos de conteúdo e de atitude, 10 a 0 a Marques Mendes e a Seguro. O pior mesmo é o quadro mental em que se move. Mas, quando o vejo, penso sempre que é uma fofésima criatura, uma simpatia.

Catarina: esteve bem no debate e tem feito uma campanha muito capaz. Mas.

Jorge Pinto: esteve bem mas, infelizmente, aquela coisa de não se perceber se está numa de desistir, baralhou tudo.

André Pestana: é o sindicalista do STOP e foi isso que revelou no debate.

Humberto Correia: de vez em quando aparecem pessoas assim, não se percebe bem o que pretendem, mas vê-se que é bem intencionado e, de resto, é um direito que felizmente a malta tem, meter-se em alhadas destas.

Manuel João: de certa forma, alguma desilusão. Estava à espera que fosse mais polémico, mais irreverente. Mostrou ser um peixe fora de água. Com tantos candidatos armados em políticos a sério, o Manuel João não encontrou o seu palco, e teve alguma dificuldade em ser fluente. Mas a felicidade é uma coisa importante, é mesmo, e até me parece bem que esteja na Constituição. Se isto tudo não for para a malta ser feliz, então é para quem? 

Carlos Daniel: fantástico. Um grande moderador. O melhor de todos. Cinco estrelas. Das grandes.

quarta-feira, dezembro 31, 2025

O Montenegro, o PGR e as Presidenciais
-- A palavra ao meu marido --

 

Num País em que o PM apresenta como exemplo para a populaça um jogador de futebol (boa Luís! viva o populismo!) que foi capaz de ir bajular o Trump, que trabalha para um "patrão" que não sabe o que é democracia, que promove um país em que as liberdades e os direitos individuais são uma miragem e ao qual nunca se viu a mais pequena defesa de causas relevantes. 

Num País onde o PR promulga a concessão dos casinos do grupo que pagava ao PM porque o PM estava de férias quando a decisão foi tomada (boa Marcelo, então estando o Luís de férias tinha lá alguma hipótese de influenciar a decisão... nunca!). 

Num País em que o governo campeão do controlo de fronteiras suspende a utilização de sistema informático que permite um controlo eficiente das fronteiras durante três meses (boa "Lentão", boa D. MAI, o sistema só serve para "chatear... Isto é que é trabalhar como deve ser, não há dúvidas!). 

Num País em que o MP, mais uma vez, se veio meter na campanha eleitoral só para lançar lama para cima de um dos candidatos e, assim, proteger outro,  "Maques" Mendes de seu nome (boa Amadeu, é claro que o que fizeram agora ao Almirante não tem nenhuma semelhança com o que aconteceu com o caso da averiguação ao Pedro Nuno Santos quando a Spinumviva começava a ser difícil de conter e é claro também que o MP não é dominado pelo PSD e que é pura coincidência aparecerem casos semelhantes aos que incomodam a rapaziada do PSD contra malta de outros quadrantes políticos -- "honi soit qui mal y pense"). 

Num País em que o candidato mais lobista de que há memória se finge de virgem ofendida e a propósito do Conselho de Estado nos quer fazer de parvos (boa 'Maques", a malta sabe que pautas a tua atuação pela transparência). 

... Neste País, ainda parece haver alguém que sabe o que diz e que se percebe que conhece bem e tem ideias definidas sobre problemas que nos afetam cada vez mais, nomeadamente, a nível internacional. 

Ouvi ontem a entrevista do Gouveia e Melo no NOW, e gostei bastante. Tem um registo completamente diferente de outros profissionais da politica cujos expoentes máximos no caso das presidenciais são o Andrézito e o Mendes, e percebe-se que do ponto de vista da politica internacional, da Europa e da geopolítica mundial tem conhecimentos que poderão ser muito úteis a um PR nos tempos que se avizinham. Dá 10 a 0 (zero) a qualquer dos outros candidatos. Também sobre os maiores problemas do País defendeu posições que me parecem adequadas. 

Por estas e por outras é possível que o Gouveia e Melo seja o candidato em quem deveremos votar.

domingo, dezembro 28, 2025

Nabinho entrevista Manuel João Vieira

 

Já disse em quem vou votar, no Almirante. De todos parece-me o mais confiável e quem melhor desempenhará as funções de PR numa altura tão complexa. Não dá para brincar em serviço. Não será com artolas e com videirinhos que lá vamos. Tem que ser com quem não tenha o rabo preso, não tenha medo de ferir amigos e amigalhaços e seja capaz de dar um murro na mesa quando isso for necessário. Portanto, dito isto, e estando claro que, para a primeira volta a decisão está tomada, tenho que confessar que, se o contexto fosse outro e houvesse um circuito paralelo em que a gente pudesse votar em quem queria ver e ouvir mais vezes, o meu voto iria para o only and only Candidato Vieira.

O país politicamente cinzento em que os candidatos que se destacam nas sondagens, tirando o Almirante, são uma Aberração Taberneira, um Totó Inseguro e um Chico-Espertinho de fraquíssima craveira, e em que o Primeiro-Ministro faz um apelo a que tentemos ser o Cristiano Ronaldo, 

(não ouvi, claro, cá em casa praticamos uma certa higiene, mas os salpicos do disparate chegaram até mim), 

necessita de oxigénio, de gente que pense fora da caixa, com sentido de humor e irreverência. Ouvir uma pessoa como o Manuel João Vieira é fechar a porta à estreiteza mental em que vogam grande parte dos políticos do mainstream e comentadores avençados, e, em contrapartida, a abrir a porta a um mundo em que apetece participar ou escutar as conversas.

Miguel Nabinho, conceituado galerista, é bom de conversa, faz entrevistas com piada.

O vídeo é longo e, neste tempo do toca e foge em que apenas temos tempo para o imediato, é coisa em contramão. Mas a mim soube-me estar a ouvir as recordações e as opiniões do fabuloso Candidato Vieira.

Para quem se assuste com hora e tal de conversa, aqui ficam as pistas para os short cuts.

00:00:00 Introdução 00:01:06 Percurso Académico 00:06:44 Banda desenhada 00:08:06 Início da Pintura 00:11:40 Aulas de desenho 00:12:45 Introdução à música 00:14:08 Fazer uma rádio 00:14:40 A banda almôndega 00:15:16 Campo de Ourique 00:17:46 A desilusão 00:18:09 A mudança na política 00:18:59 Eco nas artes plásticas 00:20:05 Consciência ideológica 00:23:55 "Wokismo" 00:29:38 Machismo 00:32:14 Candidatura à presidência da República 00:33:53 Filme candidato Vieira 00:36:46 Nascimento do candidato Vieira 00:37:20 Quem vai escrever 00:37:58 Qual o objectivo 00:39:47 Candidato Vieira vs Trump 00:41:12 Ficção vs Realidade 00:42:25 Em quem votar? 00:47:10 Seriedade vs brincadeira 00:47:43 Artista na presidência 00:49:24 Humor institucionalizado 00:51:29 Originalidade e o belo 00:52:25 Experimentação 00:52:43 Dar a volta 00:54:08 Falta de capacidade na arte 00:54:42 Fim do modernismo 00:55:06 Arte Nazi e arte soviética 00:57:44 Primeira medida como Presidente 00:58:25 Conselheiros 00:59:11 Narrativa do discurso 01:01:36 "Vieirópolis" 01:03:06 Mais propostas 01:10:28 Melancolia no percurso artístico 01:11:47 Política portuguesa

Desejo-vos um bom dia de domingo

terça-feira, dezembro 23, 2025

No Almirante, claro

 

Como já referi muitas vezes, nenhum dos candidatos se apresentou, à partida, como meu inequívoco preferido. Aliás, quase todos apareceram como, de caras, não merecedores do meu voto. Portanto, será, para mim, uma votação por exclusão de partes.

Claro que, em primeiro lugar, me preocupo com a primeira volta. E, aqui, claro que não dá para vacilar. O pior, na segunda volta, seria ter que escolher entre um escroque e uma nulidade. Portanto, em Janeiro, na 1ª votação, vou votar naquele que, à partida, do que lhes conheço, me oferece mais garantias de não fazer porcaria.

E chamo a atenção do que a seguir vou dizer pode vir a ter que ser engolido caso aquele em que votarei não passe à segunda volta. Aí, posso ter, de novo, que ir por exclusão de partes.

Mas, concentrando-me na primeira volta:

  • Não votarei em Seguro pois, para mim, o Menino da Lágrima é uma espécie de amiba, uma rolha, um zero.
  • Não votarei em Marques Mendes, esse facilitador, esse chico-esperto, esse videirinho, essa perfeita nulidade.
  • Não votarei em Cotrim. É bonito, é charmoso, é civilizado, veste-se bem, sabe estar. Aprecio a sua boa pinta e seu sentido de humor. Mas não. Para presidente da República, obrigada mas não.
  • Não votarei no Jorge Pinto porque, embora goste da sua atitude e partilhe muitas ideias, me parece que lhe falta vivência para um lugar que requer mundo, experiência, reconhecimento.
  • Não votarei em Catarina Martins embora lhe reconheça boa cabeça, uma visão humanista e moderna. Mas ainda a colo muito ao Bloco, e o Bloco, como se tem visto, para além de traições, inconsequências e descaminhos, agora, na prática desembocou em coisa nenhuma.
  • Não votarei no Antônio Filipe, que é um fofo, pois é PCP da cabeça aos pés e a incapacidade que todos eles têm de renegar utopias comprovadamente falhadas, ao mesmo tempo que não conseguem compreender o que é o novo mundo, coloca-o naquele infeliz caminho descendente que conduz à total irrelevância.
  • Obviamente não votarei em Ventura. E nem vou dizer porquê pois a eleição não é para animador de uma taberna.
  • Sobra o Almirante e, como é evidente, é nele que votarei na primeira volta. E na segunda, claro, se, como desejo, lá chegar.

Intuo que será um bom PR. Gouveia e Melo não é um totó, não é uma galinha descerebrada, não é um medricas, não é um chico-esperto, não é uma vizinha, não é um choramingas, não acredita em amanhãs que cantam, tem maneiras, é educado, não é fofoqueiro nem intriguista, parece-me inteligente, optimista, positivo, e, forçosamente, pelas funções que já desempenhou, razoavelmente culto e bem informado. Acresce que, na situação de instabilidade política interna e, talvez até ainda mais, geo-estratégica a nível global, parece-me o único com estaleca para enfrentar situações potencialmente sensíveis.

Portanto, Almirante, conte com o meu humilde voto. 

quarta-feira, dezembro 10, 2025

Debate Gouveia e Melo versus Tozé Seguro -- cá para mim, o sorriso do Almirante derrotou a simpatia violenta do Menino da Lágrima

 

Começo por relembrar que continuo limitada a nível informático, escrevendo num teclado virtual que me faz parecer uma galinha a picar as letras grão a grão.

Tenho sido minimalista no que escrevo pois odeio escrever assim, sem a minha usual liberdade de movimentos. Numa altura em que tenho mil assuntos de que gostaria de falar, forço-me à contenção para evitar ficar, enervadamente, até às tantas da manhã, pico pico sarapico.

Por exemplo, ando inquieta com as cavaladas demenciais de Trump, graves demais (e que podem influenciar os merdinhas europeus, que os há, sempre prontos a porem-se de gatas quando as bestas quadradas ameaçam). Veja-se os hipócritas (ou tontos) que por aí andam a atacar os europeus pela guerra desencadeada pela Rússia. Na Europa não há só democratas, gente boa, amante da liberdade, gente que apoia a inclusão, a diversidade, o desenvolvimento humanista - há por aí muito populista, muito amigo secreto de Putin, muito amigo secreto de Trump. 

Mas, se me ponho a falar disso, canso-me antes de chegar aos debates.

Portanto, debate. Bora lá.

Não sou como os comentadores amestrados, não sou avençada, não sou clubista nem carneira nem galinha decapitada. Penso por mim. 

Dito isto, relembro que não vejo os debates a ver quem produz mais bocas, quem dá mais caneladas, quem aplica o gancho mais certeiro, quem dá a canelada mais hematómica. Nada disso. Não pretendo que em Belém esteja um sarrafeiro.

Nos debates procuro apenas avaliar com quem mais concordo, quem me parece ter uma atitude mais inteligente e digna para a nobre função de Presidente da República.

Portanto, chego ao fim de um debate a gostar mais daquele a quem os avençados se apressam a pôr uma cruz em cima.

De longe, o Almirante pareceu-me o mais maduro, o mais digno, o mais apto para a função, e, ao mesmo tempo, mostrou não ser um totó, um joguete nas mãos dos especialistas em comunicação que aconselham alguns candidatos a entrarem ao ataque, a passar rasteiras, ou a fazerem habilidades de todo o tipo.

Pode por vezes mostrar que ainda não tem o rabo pelado nestas coisas. É natural, não passou a vida a bater bolas, a esgrimir argumentos, a aparar ou a desferir golpes. E isso não é grave. Com o tempo aprenderá melhor a lidar com a realidade partidária. 

Em contrapartida, o Totozé Seguro mantém-se igual a si próprio. Hoje migrou o estilo da abstenção violenta para os debates e apresentou -se agressivo, todo ele ao ataque. Mas, coitado, com aquela carinha de menino da lágrima, alguém acredita que aquele ali os terá no sítio se algum dia precisar de os usar? Eu não acredito. 

Claro que se ele for à segunda volta com o Ventura, acenderei mil velas para que ele se aguente como PR, e, enfastiada, farei o sacrifício de votar nele. E nessa altura lembrar-me-ei que foi mais uma argolada do Pedro Nuno Santos. Por que raio de carga de água foi ele lembrar-me deste bocado de pouca sorte...? Caraças.

De qualquer modo, duvido que lá chegue.

segunda-feira, dezembro 08, 2025

Cotrim de Figueiredo e Marques Mendes: um não saiu do bolso do outro
-- o curioso é que eu vi uma coisa e os avençados viram outra

 

Estive a ver o debate com atenção e, ao princípio ao fim, Marques Mendes foi o que se lhe conhece: no que se refere a ideias concretas nem uma. Anos a fio a vender parlapié, especializou-se  em conversinhas da treta, uma no cravo outra na ferradura, nunca uma ideia nova, apenas mastigar a comida que outros antes já mastigaram. Agora arma-se já em presidente para, manhoso, não dar opiniões. Não se chega à frente, não se atravessa em nada. Nada de nada. Um saquinho  de vento. A única que conseguiu tirar da cartola é aquela parvoíce dos Conselhos de Estado. Uma reunião do Conselho para se debater a corrupção. E um jovem no Conselho de Estado. Olha a grande aventura que isso é. 4 Conselho de Estado por ano... 4 vezes por ano, uma grupeta junta-se para bater umas bolas. É essa a grande aposta de Marques Mendes para o seu exercício como PR. Uma mini aposta. Uma nano-aposta. Uma anedota.

Entrou ao ataque, armado em bom, mas, coitado, com um assunto da treta. Alguém para além dos comentadores  quer cá saber daquelas tricas de quem tentou ou deixou de tentar dissuadir o outro a candidatar-se. Por amor da santa, o que é que isso contribui para a felicidade de alguém?

E, no entanto, no fim, do pouco que consegui ter pachorra para ver, todos os comentadores lhe deram uma retumbante vitória. É a célebre bolha em que esta malta vive. Devem achar que, se derem umas notazecas ao Marques Mendes, a malta vai na conversa e vota nele.

Quanto a Cotrim de Figueiredo, continuo a achar que daria um bom Presidente da República. É inteligente, arejado, civilizado, vigoroso, moderno (e bem apessoado - verdade seja dita). E acredito que seria equilibrado, ou seja, que não marcelaria para levar a sua ideologia adiante. Mas há aquilo do voto útil. Se o perigoso Ventura não estivesse na corrida e não houvesse uma percentagem tão grande de burros, ignorantes, estúpidos e ressabiados que votam nele, se calhar, na 1ª volta votava nele. Assim, tenho que pensar bem.

sexta-feira, dezembro 05, 2025

Resumo da matéria dada

 

Apeada de computador, obrigada a usar uma coisa com teclado virtual, letra após letra como uma galinha a comer grão a grão, a minha pica esvanece. Gosto de deixar os dados voarem sozinhos. A minha cabeça não alcança a velocidade dos meus dedos e essa é a única maneira que conheço para escrever. A forma  como agora estou, a ter que vigiar se o dedo não fez uma secante à tecla adjacente, condiciona a minha liberdade e, logo, a minha motivação.

Por isso tenho escrito muito menos e, por isso também, tenho evitado os assuntos que puxam pela minha língua, que fazem com que eu solte os cachorros. A tropeçar nas letras deste teclado de faz de conta, toda a  minha verve se sente tolhida.

Mas vou ver se, pelo menos, sintetizo umas e outras.

1. Debate Tozé Seguro e Marques Mendes. Ao fim dos 5 minutos de cada um, adormeci. Não o lamento pois tenho a certeza de que não perdi nada. E, para provar esse axioma (que, por natureza, nem carecia de demonstração), juro-vos que não me lembro de nada do que disseram enquanto estive acordada. Quanto mais não seja, não concebo um presidente da República que tenha cara de menino da lágrima ou de boneco de ventríloquo. Claro que, se acontecer o desastre de um deles ir à 2ª volta com o Ventura, terei que abdicar do meu bom gosto e contarão com o meu voto. Mas, na 1ª, nem pensar.

2. Debate Catarina Martins e Cotrim de Figueiredo. Não vi porque não estava em casa mas tenho pena, talvez tenha dito alguma graça.

3. Escutas a António Costa publicadas pela Sábado. Não li. Não vou ler. Não leio escutas sejam elas quais forem, não alimento o culto pela devassa e pelo voyeurismo mais sinistro,  não me deixo tentar pelo fruto de comportamentos pidescos, não pactuo com atentados ao Estado de Direito, não legitimo nem normalizo a judicialização da política nem o torpe conluio entre o MP e a imprensa sensacionalista.

4. A mãe que raptou a filha-bebé. Em lágrimas, faço minhas as palavras da Mafalda Anjos no Instagram: "mafaldanjos Peço um bocadinho da vossa atenção. Coloquem-se no lugar de uma pobre mulher pobre. Que engravida, tem um bebé. Quando a criança nasce, a mãe não pode trazê-la para casa porque já estava sinalizada. Outro filho já lhe tinha sido retirado, não por maus-tratos ou falta de cuidados ou amor, mas por falta de condições habitacionais. Porque, cito, vivia numa “casa abarracada”. Esta mãe continua todos os dias a ir visitar o seu bebé ao hospital. Não o abandonou algures, não o largou num canto. Quatro meses de visitas diárias, com a avó. Cuida da sua menina, dá-lhe colo, muda-lhe as fraldas. Toma-lhe o peso nos braços, sente-lhe o cheiro. Certo dia, dizem-lhe que o seu bebé vai ser institucionalizado e entregue a uma família de acolhimento. Desespera. Retira-lhe a pulseira e foge com a menina. “Rapta”, dizem os noticiários. Não sabemos ao certo os contornos do que aconteceu no Hospital de Gaia. Mas tudo indica que terá sido mais ou menos isto. Conseguem imaginar-se no lugar desta mãe? A dormir na sua cama, na sua barraca, com as hormonas em ebulição, a chorar por um filho que ama e que não quer perder? Conseguem conjeturar a sua dor, para fazer algo desesperado assim? (...)"

Concordo com a Mafalda Anjos: foi avaliada a viabilidade de atribuírem uma habitação social e algum apoio a esta mãe? É que retirarem a uma mãe um filho querido parece-me um acto de uma violência extrema.