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sábado, abril 01, 2023

A Primavera já aí está e eu, que ando com a cabeça um bocado à nora, mal dou por ela

 

É que não sou só eu. O meu marido está ainda pior. Já dormiu de tarde, está a dormir agora. E do cão não vos digo nem vos falo. Arrasta-se. Chega a um sítio e atira-se para o chão à maluca. Só quer dormir. Bem digo ao meu marido que o deixe em casa, a descansar sossegado. Mas custa-lhe deixar o bichinho sozinho em casa sobretudo porque sabe  como ele gosta de andar connosco.  Tivemos vários dias seguidos em que mal conseguimos descansar. Nós e o cãobeludo.

A nossa rotina foi substancialmente alterada em cima de uma covid que nos devorou a energia.

Felizmente, até ver (e reparem como estou a aprender a ser cautelosa), parece que as coisas estão a querer entrar na normalidade e a mim só me apetece respirar de alívio. 

Mas, mal pousamos, ficamos quase instantaneamente à beira da inconsciência. Sinto que precisaria de dormir como nos primeiros dias de covid em que dormia horas sem fim. Só que não tem podido ser.

Hoje de tarde, antes e depois de sairmos (e saímos por volta das três, regressámos um pouco depois das sete, depois saímos perto das oito para uma breve caminhada tendo regressado cerca de meia hora depois, a tempo de fazer dourada na chapa com batatinhas assadas com alecrim) estive a tentar ver como organizar as ideias para o meu segundo livro. Continuo com alguma dificuldade em perceber como devo cerzir as peças que tenho em mente.

Entretanto o meu marido leu o livro, o primeiro. Já tinha lido até metade, que agora é menos de metade pois, ao rever, aqui e ali introduzi mais alguma textura e o livro cresceu, e esta sexta feira leu o resto. Fico surpreendida e na minha cabeça sinto isso como um bom indicador. Raramente lê livros que não de história, geografia política, ensaios sobre economia política ou sobre causas e consequências de diferentes guerras. Não é dado a ficções, a enredos, a histórias. Não lhes toca. Melhor: nem se aproxima. Por isso, temi que não conseguisse paciência para avançar página após página. 

Perguntei-lhe a opinião. Limitou-se a dizer: 'Manda'. Quis saber pormenores mas, com ele, isso já é querer de mais. Perguntei se tinha achado credível. Disse que sim. Do que lhe conheço, sei que não o considerará literatura da grande (e claro que não é) mas ler de enfiada, dizer para eu mandar sem gozar e dizer que acha credível já são elementos que me dão alguma confiança. 

E hoje eu fiz um comentário a propósito de uma atitude dele e ele riu-se, reconheceu essa sua faceta no personagem masculino no livro. Perguntei se não tinha reconhecido outras. Disse que não. E eu disse-lhe que devia reler. E ele riu-se.

Este 'livro' permite continuar com alguns personagens para livros posteriores. E eu, se não andasse com a cabeça já no novo, tentaria avançar por aí. Assim, já desliguei. 

Detesto fazer puzzles. Detesto perder tempo com coisas inúteis ou efémeras. Por exemplo, escrevo aqui e sei que isto perdurará e atravessará fronteiras (mesmo que isso de pouco valha). Um puzzle faz-se e desfaz-se e, na prática, não serve para outra coisa senão para ocupar o tempo. Mas, se eu estivesse habituada a puzzles, se calhar agora saberia como montar as peças, alinhar ideias e arranjar um fio condutor para o livro novo. Assim estou um bocado à nora. E é isso que agora mais me ocupa a mente.

E, em vez de dormir, como inteligentemente faz o meu marido, ponho-me agarrada ao computador a ver se me organizo e depois chego ao fim do dia sem quase conseguir abrir os olhos. E ando com pesadelos, acordo assarapantada e depois custa-me muito a readormecer. Costumava dormir como uma pedra e agora são sonhos complicados que me sobressaltam e a seguir horas às voltas até que o sossego me volte. E isso ainda agrava mais a sensação de cansaço.

Caraças.

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Salvam-se os vídeos bem dispostos que vejo durante um bocadinho, aqui à noite.

A propósito de hospitais e de longas filas de espera:

Mr. Bean no hospital

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As fotografias lá em cima foram feitas, de corrida,  aqui em casa

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Desejo-vos um bom sábado

Saúde. Inspiração. Motivação. Paz.

sábado, outubro 01, 2022

Olha, afinal se calhar foi da cabeçada...

 

O que está a passar-se com a Rússia ameaça a paz, ameaça os princípios mais básicos da civilização e da humanidade, ameaça o futuro de todos nós. E é tão grave, tão assustador que, para minha defesa, de vez em quando forço-me a desviar o pensamento de tamanha desgraça. Além do mais, não sei porquê, olho para o Putin e vejo uma alma penada, alguém que está de pé como se assim fosse estar para sempre, alguém a quem muitos milhões de pessoas por todo o mundo desejam que passe rapidamente à história, à história de sarjeta, que vá juntar-se à montureira onde se acumula a pior escória que o mundo produz.

Mas, para mim, hoje não é dia de dar palco a dead men walking, a zombies (corados como pêros saloios -- mas zombies), a assassinos bêbados do seu próprio veneno, a bandidos. 

Hoje não consigo, hoje preciso de abrir espaço para me rir.

E um dos que sempre me faz rir, e que gosto de ver com os meus netos, rio que me farto, sempre, é o Mr. Bean. Se calhar é porque, em parte, me revejo um bocado nas atrapalhações dele, nos stresses agudos que ele sente antes dos grandes momentos.

Chegada a casa depois de termos ficado com os meninos enquanto os pais foram a uma cena, fomos dar uma volta nocturna com o dog de guarda que tinha ficado em casa. É bom andar a passear de noite. Zero pessoas na rua, claro. Os cães, em várias moradias, completamente desestabilizados e o nosso, feliz da vida, nem aí, a andar a saltitar e a correr todo contente pelo inesperado passeio com os donos regressados. Como à noite já está mais frio, tinha levado calças e, claro, os meninos andaram encostados ou por cima de mim. E devem ter deixado o seu cheirinho bom pois, uma vez regressada e a passear, a fera cabeluda andou o tempo todo a cheirar-me as pernas e a dar-me beijinhos e a cheirar e a dar saltinhos e todo ele estava radiante com o cheiro que eu trazia nas calças.

Quando, aqui chegada à sala e francamente com algum sono, abri o youtube. Claro, bingo, Putin e a sua última e macabra filha-de-putice. Não dá para acreditar no pesadelo que o mundo está a viver. Parece uma ficção estuporada, daquelas tão parvas e excessivas que chegam a ser cómicas. 

Fechei. 

Pus-me a ver o Pantanal e, quando dei por mim, percebi que tinha estado a dormir. Voltei a abrir a arca dos mil tesouros e escrevi Mr. Bean. O algoritmo percebeu a mensagem: a minha onda hoje não está para bandidagem, está para gente inofensiva cuja única arma é o sentido de humor. 

O primeiro vídeo que me apareceu foi este fantástico que abaixo partilho convosco.

Mr Bean Goes to a Premiere


Um bom sábado
Saúde. Boa disposição. Paz.

quarta-feira, agosto 11, 2021

Ir ao dentista

 

Quando era pequena detestava leite. Dava-me vómitos. Na altura, o leite era fresco, do dia, tenho ideia que vendido porta a porta. A minha mãe fervia-o em casa. Depois aquilo formava uma nata que era cuidadosamente retirada, coada. Se eu sentia uma leve película na boca, ficava com vómitos. Só a perspectiva de, ao beber, sentir aquela coisa na boca, já de si me agoniava. Aliás, até o próprio sabor do leite me dava náuseas. A minha mãe servia-o morno e tentava várias aproximações: simples, com ovomaltine ou sei lá com o quê. Mas nada a fazer: eu detestava-o de todas as maneiras. 

Ou seja, pouco ou nenhum leite bebia. 

Quando andava na infantil e na primária, tínhamos um professor de educação física que nos punha a fazer desporto ao ar livre e nos levava à praia... e que nos fazia beber garrafinhas de leite ucal. Não sei porquê, não com chocolate mas simples. Odiava. O sabor daquilo dava-me ânsias. Não conseguia beber. Só da perspectiva de, no fim, ter que tentar beber aquilo, já a aula, que tinha tudo para ser boa, se tornava um bocado angustiante.

Apenas no fim da adolescência percebi que tolerava bem o leite magro, frio e sem açúcar. Mesmo o meio-gordo desde que frio. Mas não apenas não virei entusiasta como já lá cheguei tarde de mais. Por essa altura, já tinha também percebido que gostava mesmo era de iogurtes. 

A falta de leite na tenra infância e no início da adolescência teve consequências. Ainda miúda tive uma ou outra cárie. Não tinha qualquer medo de ir ao dentista. Estando os meus pais a trabalhar e tendo a minha mãe a absoluta responsabilidade de nunca faltar para não deixar a sua turma ao deus dará, coisa que eu compreendia e respeitava, lembro-me de ir ao dentista sozinha. Lembro-me também de no consultório se admirarem de eu estar sozinha. A mim não me fazia qualquer diferença. Ia na maior descontração, saía de lá com a boca ao lado da anestesia, e ia a pé, sozinha, para as aulas.

Apesar de tomar cálcio durante a gravidez e enquanto amamentava, quando teria o meu filho uns seis meses, tive ao mesmo tempo problemas em dois ou três dentes, já não me lembro ao certo. De facto, foram os 9 meses da gravidez da minha filha, depois 13 meses de amamentação, depois mais 9 meses da gravidez do meu filho e seis meses de amamentação dele. Muito consumo de cálcio para as minhas fracas reservas.

Ir ao dentista nessa altura, era para mim um sufoco, não por ter medo mas por ter falta de tempo. O dentista, por acaso da família, ficava longe do meu emprego e longe da casa dos meus sogros, onde o meu filho ficava durante o dia nesses primeiros meses. Na altura, deslocava-me usando transportes públicos. Saía a correr do emprego, apanhava autocarro ou eléctrico e metro. Depois do tratamento, mais metro e mais autocarro. Pegava no meu filho e iniciava o trajecto para casa, com o meu filho ao colo, indo, pelo caminho, buscar a minha filha ao colégio. 

Portanto, resolvi que, em vez de lá ir várias vezes para uma sessão de uma hora cada, deveria fazer umas três de seguida, por dia, e despachar o tratamento em muito menos tempo. O dentista tentou dissuadir-me, que era anestesia a mais, que o pós-anestesia seria complicado. Mas não conseguiu. Sem qualquer medo, sem me preocupar com consequências, fiz questão. E assim foi.

Na primeira e única vez em que ele foi na minha cantiga do 'condensado', quando saí de lá, vi que não estava bem. Contudo, a minha preocupação era recuperar os meus filhos e chegar a casa. Por essas alturas, o meu marido estava num trabalho novo, com muitas deslocações e frequentemente a ter reuniões com pessoas que vinham de fora e tinham o tempo contado pelo que as noitadas eram mais que muitas. 

Foram tempos muito puxados para mim. Mas os meus vinte e poucos anos e a minha vontade de que tudo se conciliasse -- vida familiar, vida profissional, vida conjugal -- tudo aceitavam e tudo ultrapassavam, sem qualquer aborrecimento ou drama.

Nesse dia, fui, pois, meio estonteada, meio nauseada. Mas, quando a gente quer chegar inteira a um lugar, a gente, quase sempre, consegue. Contudo, estando como estava, a verdade é que não sei como consegui chegar a casa. Mas cheguei. Deitei o meu filho na caminha dele e deitei-me, vestida, sobre a minha cama. Quase desmaiada, não sei como foi possível aguentar-me. A minha filha, três anos, sentada em cima da minha cama, descalçou-se sozinha e lembro-me de ver a areia que ela sempre tinha dentro dos sapatos a escorrer para a minha cama. O meu filho chorava, certamente cheio de fome, e ela brincava, metendo-se também dentro da cama, vestida, suja da escola, com bonecas, tudo na cama, uma festa. De vez em quando, conseguia, a muito custo, ir à casa de banho vomitar. E, agarrada às paredes e aos móveis, de novo para a cama. Na altura não havia telemóveis. Não me lembro se consegui telefonar ao meu marido. Tenho uma vaga ideia que sim e tenho uma vaga ideia de que, doente como estava, não consegui transmitir-lhe as dificuldades em que estava.

Não sei como me aguentei sem desmaiar nem sei como consegui aguentar os miúdos até que, finalmente, à noite, ele chegou.

Mas não ganhei aversão ao dentista. Continuei a não ter qualquer medo. 

A única coisa que me assusta é quando põem aquela massa horrível para fazer um molde para uma coroa (igual a esta aqui ao lado). Tenho medo que, quando aquilo solidifica e é preciso puxar, me venham os dentes todos atrás. Imaginar-me totalmente desdentada é assustador. E, quando me põem aquela massa e fico de boca aberta e com aquilo a encher-me a cavidade bucal, dá-me uns vómitos que não se aguentam. E só de me imaginar naquela figura, ao mesmo tempo dá-me uma vontade de rir que também não se aguenta. Ainda me lembro do dentista, porque o riso é contagioso, também rir a bandeiras despregadas, eu a rir, as lágrimas a correrem-me, pelo meio com vómitos, e a rir, rir e ele a rir, rir, também já com lágrimas nos olhos. Quem ali entrasse haveria de achar que só podíamos ser ambos malucos. Quando penso nisso, dá-me sempre vontade de rir. E também vontade de que não volte a ser necessário encherem-me a boca com aquela plasticina assustadora.

E isto só vem a propósito do vídeo que hoje, ao abrir o youtube, aqui me apareceu.

Os meninos do meu filho estiveram cá hoje de manhã e o mais pequeno insistiu para que o deixasse ver o Mr. Bleen (como ele diz). Então, enquanto tive que fazer um telefonema, pedi para o mano do meio, lhe pôr o Mr. Bleen no meu computador. Riram os dois de gosto e eu, quando me despachei do telefonema, ri-me também. Agora, por ter percebido estes meus gostos, o algoritmo tinha este para me mostrar. E eu, como sempre, apesar do sono com que estou, já me fartei de rir. Não consigo responder a comentários e mal me aguento de olhos abertos.... mas rir, isso não há quem me trave.

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Já agora, se me permitem, um momento publicitário:


E, olhem, só mais este, ok?


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Desejo-vos um dia feliz
Risota. Sorrisos. Galhofa. E saúde.

quinta-feira, janeiro 16, 2020

O que custa uma pessoa ter que se levantar quando está no melhor dos sonos


Contaram-me que um tal que saíu de uma das empresas depois de um conturbado processo já se reformou. Como o fez antes da idade certa teve uma penalização considerável mas, como tinha um ordenado base elevado, a redução não lhe faz mossa. Para mais, recomeçou a trabalhar, agora como assessor. Contam-me isto como se fosse coisa boa, invejável, e eu só penso que cada vez percebo menos as pessoas que parece que não conseguem deixar de trabalhar. Disse: 'Eu, um dia que me reforme, nem pensar em voltar a trabalhar. Acho que nem vou querer saber de nada que se relacione com as empresas em que trabalhei nem saber de nada relacionado com as matérias que me têm ocupado em todos estes anos'. Quem me ouviu, reagiu com estranheza: 'Ah, não diga isso... Com certeza que receberá convites. Não vai dizer que não. Não a vejo a querer ficar em casa'. Pois, não quero saber se vêem ou se deixam de ver. Me dá igual.

O que sei é que começa a custar-me ter que me levantar cedíssimo nos dias em que tenho reuniões à primeira da manhã no cu de judas. Não sou de me deitar cedo e nem vale a pena tentar. Se for para a cama sem estar perdida de sono, agarro é uma espertina. Claro que poderia ir recuando nos meus horários mas o meu ritmo é outro, conduz-me incontornavelmente para a noite. E tudo bem se puder dormir, de penalti, aquelas horas que me deixam bem. Bastam-me poucas mas têm que ser de seguidinha e até à hora a que me levanto na boa.


Agora, se a alvorada é de noite, está tudo estragado. Acordar e não ver raio de luz, espreitar a rua e ver as ruas desertas e escuras é coisa que me condiciona o sistema nervoso, o límbico, tudo. Levantar-me a meio do sono, a precisar de dormir mais um bocado, deixa-me incompleta. Pode ninguém dar por isso mas dou eu. Sinto que falo mais pausadamente e os outros pensarão que estou mais ponderada, menos impulsiva. Mas eu sei que é a maneira que tenho para conseguir falar enquanto, por dentro, estou a meio gás. É que me levanto desfalcada de sono e, depois, não mais consigo repôr a energia pois meto-me no carro e aí vou eu para depois entrar num edifício, subir à sala de reuniões e, quando estou é a precisar de me reorganizar mentalmente, tenho que me sentar a uma mesa cheia de homens e desatar a falar de temas que requerem atenção.

Podia, é certo, ir hoje mais cedo para a cama. Mas está bem, está. Agora estou a ver a Isabel dos Santos numa entrevista de qualidade. Inteligente. Bonita, segura e empresária. Empresária da cabeça aos pés, no sangue que lhe corre nas veias. E quanto ao resto a justiça o dirá. Não lhe conheço os balanços nem as demais peças contabilísticas nem as movimentações societárias e/ou financeiras para poder ajuizar. Portanto, limito-me a ouvir. Com interesse.

Enquanto vejo televisão e me queixo destas minhas frivolidades, desloco-me até ao YouTube para pescar uma musiquinha boa. E pimbas, qual big brother escrutinando o que escrevo ou como me sinto, avança com uma sugestão: 

Alarm clock and getting up | Mr Bean Official


E é isto.

Já agora: a senhora a dormir não sou eu até porque não uso camisa de dormir. Quem a caçou naquela falta de compostura foi Francesc Gimeno

Até já. 

sábado, março 30, 2019

O bright side of Brexit e o tão esperado encontro com a Rainha




Mais uma cegada para os lados do Brexit. Não há explicação para o que se está a passar. Entretanto, nas ruas, uma maltosa altamente suspeita desfila a gritar 'Shame on EU'. Parecem hooligans, malta de gangs, de claques, fazem saudações que metem medo, dizem que foram traídos, querem sair da Europa. Outros são apenas excêntricos. Ou tias fora de tempo. Ou velhos nacionalistas desfasados da realidade. Ou gente que parece que chegou atrasada para os festejos de carnaval. Um grupo esparso e inconsistente. E vendo quem assim ainda continua a defender o Brexit percebe-se ainda melhor o tremendo disparate que os britânicos fizeram. 

Já tenho visto, nas empresas, cometerem-se erros incríveis. A gente tenta perceber como foi possível ter acontecido uma decisão tão absurda e, mesmo depois de se ter percebido o erro que se cometeu, continuar a persistir-se nele, e não percebe. 

Imagine-se isto a uma escala muitas mil vezes superior.

Que não haja uma figura acima disto a pôr fora de jogo quem já mostrou não saber jogar e a escolher melhor alternativa é coisa que ainda assusta mais. A rainha? Onde pára a rainha?

A vulnerabilidade dos povos é grande. Deixam-se empurrar, avançam determinadamente em direcção ao abismo e, mesmo que toda a gente veja o triste destino que se avizinha, permanecem incapazes de mudar de rumo. Muito preocupante isto a que o mundo está a assistir.

Mas já estamos no fim de semana e eu, depois de de um dia em parte preenchido por avaliações, eu como avaliada e eu como avaliadora, tudo coisas às quais não acho especial graça e tendo ainda em cima de mim o peso de saber que a parte pior é ainda a que me espera, nomeadamente o ter reuniões destas com algumas figurinhas complicadas, chego aqui, a esta hora, e falta-me vontade para dissertar sobre o tema.

Hoje, ao fim da tarde, alguém  espreitou à minha porta e, do nada, perguntou-me: então agora o que é que vai acontecer depois do que sucedeu hoje? Embrenhada que estava nas minhas coisas, levantei a cabeça, admirada: o quê? Ele disse: isto do brexit. E eu, apesar de admirada, disse: alguma coisa vai acontecer pois não creio que caiam mesmo no caos.  Ele seguiu e eu fiquei a pensar que, se calhar, daqui por algum tempo, vou lembrar-me do meu optimismo inocente.

Não será a primeira vez.
Há uns anos, estávamos numa reunião e um disse que estava preocupado pelo rumo que as coisas estavam a tomar a nível do BES, com o Banco de Portugal a agudizar a crise. Desvalorizei. Ainda vivia naquela tonta ilusão do 'too big to fail'. Lembro-me de ter dito que se o Banco de Portugal continuasse entregue às indefinições daquele que viria a revelar-se o Emplastro-Mor -- o tal que está em todo o lado mas está só por estar, para aparecer, para ser visto, para fazer número -- o Governo haveria de intervir. Não se deixa cair um banco daquele tamanho, sabendo que a sua queda arrastaria a queda de várias empresas, de ânimo leve. E, no entanto, aconteceu. O impensável aconteceu. E, no entanto, apesar da leviandade e incongruência da decisão, tanta gente apoiou, tanta gente ainda acha que foi dado o passo certo. E, no entanto, apesar dos custos brutais que a decisão acarretou e ainda acarreta, ainda há muita gente que não percebeu a dimensão do erro cometido.
São muito manipuláveis, as pessoas. Portanto, vulneráveis.

Mas isto não é tema para fim de semana, bolas. Se é para falarmos de desgraças que são tão estúpidas que até dão vontade de rir, então que entre quem sabe do assunto. E que entre também a Rainha, caraças, que se esta situação não está a pedir um gesto real então não sei qual é que pedirá.


sábado, fevereiro 09, 2019

Soluções das adivinhas de ontem.
E uma nova: o que é que um escorrega diz ao outro?
[Com exercícios tibetanos para aprender a descontrair]



Com os parabéns aos acertadores -- atribuindo o segundo lugar ao Francisco (e não o 1º porque não respondeu a uma e aqui quer-se rigor) e o terceiro com menção honrosa à JV (que só acertou em duas mas acrescentou graça às respostas) aqui ficam as soluções. 


Faço notar que a minha filha diz que eu achar um piadão a isto é preocupante, diz mesmo que acha que é uma ganda nóia. Mas eu também acho graça a isto que ela diz. Portanto, nada a fazer pelo que, assim sendo, passo às soluções:


1. Porque é que colocaram uma cama elástica no Polo Norte?
Para o urso polar [pular]

2. Porque é que o panado se divorciou?
Porque a mulher não servia panada [para nada]

3. Porque é que a água foi presa?
Porque matou a sede

4. Como é que as freiras secam a roupa?
Convento [com vento]

5. Como se chama a um utensílio que se perdeu?
Foice [foi-se]

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E espero que, sem googlarem (que isso não vale!), saibam o que é que um escorrega diz ao outro.

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E vá, para não ficarem stressados, a refilar que um post destes não está com nada, sugiro que aprendam a descontrair com os monges tibetanos, reproduzindo estes exercícios em casa.

Força aí.



E até já.

terça-feira, fevereiro 05, 2019

Com os parabéns à JV pelo trocadilho do ano:
se um pato gostar de patos, mas não de patas, poderá ser um pato antipática?,
aqui fica, à laia de presente, um homem que dança bem que se farta.


Tinha avisado: alvorei. Ainda era madrugada quando desarvorei. Foi, pois, ainda de noite, parte da viagem. Ninguém merece. Tive um dia do esbeleleu. Estou incapaz de pegar num gato pelo rabo -- coisa a que, mesmo que estivesse transbordante de energia, não me arriscaria. E, como moral da história, apenas consigo concluir que é uma pena não haver feriados tão cedo.

Mas, às tantas, no meio de coisas sérias, arranjei maneira de espreitar -- e, juro, não consegui deixar de rir de gosto com a pergunta da erudita JV: 
Será um pato que sofre de antipatia?? Já que se está a tornar expert em adivinhas e coisas do género, pedia-lhe então que me elucidasse quanto à seguinte questão, que me está a dar a volta à cabeça: se um pato gostar de patos, mas não de patas, poderá ser um pato antipática? 
Claro que logo, logo, tive que fechar o semblante e fazer de conta que tinha acabado de ler um mail muito importante mas, por dentro, tenho andado divertida com esta do pato bicha, antipática.

E agora, com muita pena por não conseguir contrapor um outro  trocadilho, limito-me a perguntar à JV: a menina dança?

É que, se dança, tem aqui um par à altura.


Thanks, JV, pelo bom humor que enxertou no meu dia.

sábado, janeiro 12, 2019

Luís Montenegro, o joker de mão do Láparo, está com vontade de sangue.
Não se pode dizer que Rui Rio já dançou porque tem ar de pé de chumbo.
Santana Lopes, a velha naba do regime, anda a cuscar para ver a quem ferrar.
Mas nada disso tem que se lhe diga porque é tudo uma chachada.
Prefiro dedicar-me a outras cenas.




Só para dizer que os dias passam e eu continuo sem descanso. Tenho coisas minhas para tratar e não consigo uma escapadinha nem de manhã nem à hora de almoço. Ao fim do dia muito menos, saio sempre tarde. É ridículo.

De vez em quando penso em colegas meus que, quando tinham a idade que tenho agora, começavam a deitar contas à vida, punham-se a jeito para, daí por um ou dois anos, receberem uma bela indemnização, daí saltavam para o desemprego e do desemprego para a reforma. Eram outros tempos. As reformas podiam obter-se cedo e, tanto quando julgo saber, sem penalizações. Claro que foram essas liberalidades que ajudaram a dificultar o equilíbrio das contas da Segurança Social pois gente a reformar-se cedo e a viver uma segunda vida já reformada a par da diminuição de novos contribuintes era coisa que não podia continuar.

Mas a verdade é que agora, com a reforma cada vez mais tarde, autêntico alvo móvel, uma pessoa esgota-se neste afã e parece que nunca mais lá chega. Por vezes consolo-me e penso que já faltou mais e que está na hora de arranjar sucessor, começar a prepará-lo e, aos poucos, ir entrando em phase out. Essa perspectiva agrada-me. Mas logo as circunstâncias de encarregam de me tirar as peneiras. Por isto, por aquilo ou por aqueloutro logo me vejo submersa. Na volta é inabilidade minha para me poupar ou uma certa tendência natural para -- involuntariamente -- descobrir e, a seguir, ocupar espaços vazios. Uma maçada.

No entanto, gosto do que faço porque, em boa verdade, faço aquilo de que gosto. Quando calha proporem-me coisas de que não gosto digo que não dá, azarinho, comigo não violão. Acho que já atingi um certo estatuto que me permite isso. O meu marido diz que sim, estatuto de maluca. 

Whatever.

O que sei é que, submersa como ando, vejo como se de fora os gatos manhosos e engalfinhados, no saco que é e sempre foi e será o PSD. Teve e talvez ainda tenha alguma gente de qualidade mas, basicamente, aquilo lá é gente que procura a vantagem, os jogos de interesses, gente oportunista. Conheci de perto alguns. Ainda conheço. Mas agora não andam com o rei na barriga como andaram noutros tempos, andam na moita. Conheci um, a coisa mais inculta, básica, bronca e sem ética que até hoje já conheci. Administrador de empresas, de grandes empresas, das maiores do país. Sem vergonha na cara. Amigo dos mais influentes psd's, tudo gente desqualificada. Vejo-os na televisão, sei por onde param, lembro-me dos sítios por onde andaram, o que fizeram. Na televisão armam-se em arautos do que não são. Gente sem escrúpulos constrói a sua verdade, a verdade conveniente. Gente que se faz de confiável, putativos senadores do regime -- mas em quem não se pode ter confiança.

Lembro-me de como conspiravam para guardarem e esconderem o osso. Lembro-me de como conspiravam para escorraçar possíveis ameaças.

É o que acontece agora. A perspectiva de ficarem afastados do poder durante muito mais tempo deixa-os nervosos, agitados. Os escritórios de advogados onde se acobertam estão ansiosos. Estão aí obras públicas e temem não ser contratados com a mesma ligeireza e abastança que um governo laranja faria. Ministros e secretários de estado laranjas são uma festa: assessores e avençados para todos os gostos, tudo saido do saco de gatos laranja. Mas agora as sondagens mostram o óbvio: ninguém leva a sério o mangas de alpaca. E, portanto, os Montenegros, os Morgados, os Rui Alexes e todos os sarrafeiros laranjas desta vida começam a perfilar-se. A rata velha e gorda já pulou fora, numa das suas habituais e falhadas fantasias.

A Cristas, por outro lado, por aí anda cantando de galo. Quem a ouça pode pensar que tem razões para andar naquela euforia cantante. Mas canta porquê? Canta como se tivesse 27% mas, é ridículo, não passa dos 7%. A sua popularidade tem um saldo de 2,6% contra 33,4% do Costa. Uma galinha sem cabeça que não se enxerga. Pensando bem, até dá pena.

E, tirando isto, nada. Nada se aproveita. Um PSD, um CDS e agora também uma Aliança que não valem um caracol furado. Uma indigência. Bem pode o Marcelo chamá-los a ver se enfia algum tino e sentido de responsabilidade naquelas cabeças ocas que não conseguirá nada. Desde que o Cavaco tomou conta do partido que aquilo se contaminou tudo. Os chicos-espertos minaram por dentro aquela máquina toda. E daí para cá, progressivamente, as madeiras vão ficando desfeitas, as raízes fracas, os ramos definhando, as folhas gastas -- e frutos não há.

Não é bom para a sustentabilidade da democracia. Está a formar-se um espaço grande demais sem nada que o polarize. São vazios destes que atraem populismos.

Mas numa noite em que já deixou de ser sexta-feira para entrar no sábado, praticamente a dormir, não consigo interessar-me mais por isto. É que nem sei que mais se pode dizer sobre o nada,

Portanto, há pouco, para ver se arrebitava, pus-me a ver o Mr. Bean. Gosto do Mr. Bean. Aliás gosto de qualquer coisa que me faça rir. Por exemplo, divirto-me imenso com o Nelo e Idália. Ainda esta semana me fartei de rir. Conheço um machão que é muito como ele. Aliás, machão esse que passa a vida a contar graças sobre bichas e que vai às lágrimas com o Nelo. Nunca percebi porque é que as bichas não perdem oportunidade para contar anedotas de bichas.


Mas, então, dizia eu antes de adormecer pela vigésima vez, que me pus a ver um vídeo do Mr. Bean. Pelo meio caí a dormir não sei quantas vezes mas, juntando o tracejado que consegui ver, dá-me ideia que é engraçado. Por isso, em vez de para aqui estar já nem sei a dizer o quê, vou partilhar o vídeo convosco.

Hoje não consigo sequer olhar para os mails nem consigo responder aos comentários. E devia tentar reler o que escrevi, que deve estar pejadinho de gralhas, mas também não consigo. Não levem a mal. O dia que está quase a chegar vai ser bem preenchido e tenho que ir carregar baterias.

Espero que tenham gostado das imagens. São pinturas de Wolfgang Lettl, doidas e divertidas  como tudo o que é surrealista. As lágrimas negras de Zu&Nuria estão aqui bem deslocadas mas porque é que este meu post haveria de estar todo bem alinhadinho? Não vejo porquê.