Estava com parte da família a ver o futebol, mas estava tudo morno. O meu marido, durante parte da segunda parte, foi dar uma volta. Os rapazes estiveram, a maior parte do tempo, em silêncio. Eu ia falando com a minha filha enquanto íamos olhando o ecrã mas parece que não se passava nada. Uma coisa quase sepulcral. Como não consegui prestar atenção, só posso dizer o que me parecia de cada vez que me focava no jogo: era como se houvesse uma suspensão, quase uma slow motion, quase como se toda a gente antecipasse que o caminho estava traçado. No início ainda imaginei que pudesse haver um bom desfecho. Mas, logo que me apercebi da marcha fúnebre, deixei de alvitrar.
Mal o jogo acabou, os rapazes levantaram-se em silêncio e retiraram-se. O meu marido insultou uns quantos e disse que por ele até é melhor: assim já pode ver o resto do mundial sem se enervar.
Tive pena mas tive muito mais pena ainda quando Cabo Verde foi eliminado. Os rapazes cabo-verdianos, esses sim, entregaram-se com uma alegria, uma genica, uma capacidade de luta e umas ganas de irem atrás de um sonho que foi tão contagiante que me agarraram e me puseram a vibrar com eles.
Quanto às notícias, o que tenho a dizer é que a cegada da avaliação dos exames é uma coisa sinistra. Como é possível que se lance um novo sistema, uma nova metodologia, sem tudo ser testado sob todos os pontos de vista: do ponto de vista técnico, funcional, de formação de quem vai usar (os professores) e de carga (todos ao mesmo tempo). Uma coisa tão transversal e com tamanho impacto só poderia ser lançada depois de resistir à lei da bala, não falhando um único ensaio. Aquilo a que se assiste é de um tal amadorismo, de uma tal inexperiência, de uma tal impreparação que até dói.
Tenho um neto à espera dos resultados para saber o que vai ser a sua vida. Ele e todos os outros nas mesmas condições, depois de tanto estudarem e de de saberem que estão num momento charneira das suas vidas, encontram-se neste limbo:
no caso do meu: por um lado a selecção portuguesa -- segue ou não segue? (e, já se viu: não seguiu)
e, por outro, a espera pelas notas: chegam ou não chegam para entrar onde se quer? Os exames vão ser avaliados ou não? E, se não conseguirem levar adiante a avaliação, em tempo útil, o que acontecerá?
E as explicações que se ouvem e o ar espaçado do ministro são de uma tal indigência a todos os níveis que a gente já nem estranha que o dito ministro nos apareça com ar de quem nem tomou banho, o cabelo com ar de estar sujo e mal cheiroso.
Mas não me apetece continuar a escaranfunchar nestes assuntos senão começo também a pensar no body guard do Luís, o trauliteiro que dá pelo nome de Hugo Soares, e isso seria, da minha parte, bater no fundo. E não me apetece.
Vou antes derivar para outras paragens. Mulheres que se situam à margem das marés, que não encaixam no mainstream, que não querem nem saber das últimas modas. Poder-se-ia pensar que as duas de que aqui trago notícia estão nos antípodas. Em termos práticos e objectivos, estão. Subindo um pouco mais, vendo de mais longe, são parecidas. Fascinantes.
A artista que vive na floresta
Há muito tempo que queríamos conhecer Maria, uma artista sueca que vive numa pequena casa de madeira perdida nas florestas da Suécia com o seu companheiro, Johannes.
Juntos, recriaram um mundo mágico, fora da realidade e da lógica, onde vivem e trabalham. Maria recolhe a madeira que a floresta lhe oferece para a transformar em obras de arte, e vive desta atividade há mais de 30 anos.
No entanto, o que pode parecer uma vida de conto de fadas esconde, na verdade, a fragilidade de uma floresta que precisa de ser defendida. Maria e Johannes optaram, à sua maneira, por lutar para a proteger.
Fran Lebowitz não tem smartphone, portátil ou filtro
A nova-iorquina Fran Lebowitz construiu uma carreira satirizando a vida moderna. Numa conversa acutilante e divertida com Benjamin Law, reflete sobre um mundo em turbulência, abordando temas que vão desde Trump às esposas tradicionais.
Desde os seus livros best-sellers a participações em talk shows noturnos e ao filme Pretend It’s a City, de Martin Scorsese, tornou-se uma das vozes mais singulares dos Estados Unidos.
Agora, em 2026, enquanto a democracia estremece e o caos político aumenta, Benjamin Law conversa com Lebowitz para lhe perguntar: como é que ela interpreta o que estamos a testemunhar em tempo real?
Hoje, quando a menina mais linda estava a andar de balouço, ouviram-se uns estalidos algo ameaçadores. O meu filho olhou e verificou que o tronco, enxertado no chorão, no qual foi construída uma armação para se suspender o balouço, está seco, parece que bichado, diz que não tarda vai partir-se.
Fiquei a olhar com pena. Pensei que, com jeito, talvez conseguíssemos retirar aquela montagem e substituí-la por uma nova, resistente. Mas é preciso muita força, aqueles troncos são muito pesados. E é preciso jeito. Se calhar também técnica. Não temos nada disso.
Vejo aquelas pessoas que, perante qualquer situação, olham e facilmente engendram soluções engenhosas para as resolver ou melhorar. Não sou assim. Aliás, acho que, cá por estas bandas, ninguém é assim. Imagino que, perante um desafio mais complexo, olhem todos, digam que não sabem, que dá muito trabalho, que, para fazer, teria que ser bem feito, que esqueça, que não é para amadores, para totiços como nós.
Mas fico com pena. Agora, a nível da maltinha miúda já estão todos a ficar grandes e, em boa verdade, os rapazes nunca ligaram muito ao balouço, só mesmo as meninas. Só que é bonito, é uma graça, é daquelas coisas que a gente associa à infância, à liberdade de quase voar. Sempre gostei de andar de balouço, de dar balanço, de ir bem alto.
(Para dizer verdade, temos um segundo balouço, mais estruturado, sem ser de estar preso à árvore. Mas também, praticamente, ninguém lhe dá uso. Mas existe, é amarelo e bonito, e traz alegria ao lugar -- e isso também importa.)
Mas, voltando ao tema: talvez por ter essa pequena frustração de não ser habilidosa nem ter habilidos por perto, goste tanto de ver vídeos em que uma pessoa sozinha faz mil coisas: uma cabana, uma casa subterrânea, uma casa dentro de um tronco de árvore. Antes aparecia-me uma jovem asiática que ia para o campo, aparecia com plantas, frutos, bagas diversas, flores, paus. E fazias tinturas, ou fazia saladas, ou construía abrigos, ou fazia umas comidas curiosas. Nunca mais me apareceu. Mas eu ficava ali vendo-a com a sua destreza a fazer as coisas mais inacreditáveis.
Hoje apareceram-me, como seria expectável, toda a espécie de vídeos sobre o Trump, sobre os seus dislates, sobre o facto de ter despachado a vil e engraxadora Pam Bondi, especulando já sobre quem vai ser a próxima. Mas estou zen, ou, melhor, perdida de sono, não estou para políticas, maçadas, inquietações.
Tive cá o pessoal. Um lanche ajantarado nesta altura do ano sabe bem melhor, podemos estar na rua, os dias estão já de bom tamanho, a temperatura está agradável, o tempo fica com ar de férias. Aliás, eles estão mesmo de férias e isso sente-se, a descontração é outra. Ainda agora estive a ver as fotografias. Sorridentes, as cores bonitas que o sol da tarde torna mais douradas. E a malta miúda sempre a crescer. E eu a ficar mais pequena no meio deles.
E estava a ganhar coragem para agradecer os comentários mas acho que não vou conseguir. Para escrever isto, que não é nada, já parei várias vezes, a fechar os olhos enquanto escrevo. Tenho que ir dormir.
Mas mostro o vídeo que reteve a minha atenção -- embora, confesso, tenha também semi-adormecido cinquenta vezes pelo meio. Mas é daqueles que eu olho e penso: não é difícil, se a gente tentasse, se calhar, conseguiria fazer coisas assim. Mas não tentamos, se calhar porque sabemos que não conseguiríamos.
Esta coisa das cabaninhas, das casinhas nas árvores, dos abrigos no meio da floresta estimula a minha imaginação. Talvez me faça lembrar a minha infância quando passava tardes inteiras com um amigo, um ano mais velho que eu, na altura em que um ano mais velho fazia alguma diferença, na pequena cabana de madeira que avô tinha construído ao fundo do jardim. Conversávamos, conversávamos. A minha avó ia lá levar-nos o lanche e comentava com o avô dele: 'Mas o que é que estas alminhas tanto têm para conversar...?'. E a verdade é que tínhamos. Eram tardes felizes, só nossas, nós e o nosso mundo. Planeávamos coisas, eu perguntava-lhe coisas pois ele sabia muito mais que eu e ele tinha uma paciência infinita. E, quando não sabia, dizia que não sabia e eu gostava, ficávamos os dois, por uns instantes, calados, certamente a pensar como haveríamos de descobrir a resposta. Durou até ao fim da escola primária, altura em que fui para o liceu e deixei de ir, à tarde, para casa da minha avó. Mas a memória dessa afinidade perdura até hoje.
Encontrei uma árvore oca gigante e construí uma casa secreta no seu interior
Descobri uma árvore oca gigante no meio da floresta e decidi transformá-la num abrigo secreto para sobrevivência. Neste vídeo, verá todo o processo de construção de um refúgio dentro de um enorme tronco de árvore, utilizando apenas ferramentas básicas e materiais naturais. Desde a limpeza do espaço interior até à criação de uma área habitável quente e segura, este projeto mostra como as capacidades primitivas e a criatividade podem transformar a natureza na base de sobrevivência perfeita.
Este não é apenas um abrigo — é uma casa secreta construída para viver em áreas selvagens durante longos períodos. Se gosta de bushcraft, vida fora da rede elétrica e construções de sobrevivência extremas, esta viagem irá inspirá-lo com técnicas práticas e momentos de paz na floresta.
Veja até ao fim para ver como uma árvore oca se transforma num santuário aconchegante e escondido na natureza.
Gosto agora muito de me sentar no jardim ou no campo, em especial à tardinha, a olhar para o ar, para o céu, para as árvores.
No jardim há agora um perfume novo, creio que a mistura de várias flores. É um perfume floral, isso sem dúvida, mas, ao mesmo tempo, doce e íntimo. Os pássaros também gostam. Descem e vêm passear perto de mim, entretendo-se a debicar o que encontram na terra.
Se estou sob as árvores gosto de as admirar, vendo-as de baixo. Não existiam e foram-se tornando a maravilha que são. E gosto de ver as flores através da luz. Ou a luz através das flores. Parece o mesmo mas não é.
As nuvens também me cativam. São efémeras como uma aragem. Não têm a noção do tempo nem do espaço, são livres como uma partícula elementar, como uma palavra solta ao vento, como espíritos vogando por aí.
Isto é um deus, e creio que daqueles que não são particularmente santos (honi soit qui mal y pense).
Muitas vezes tenho um livro comigo mas, se o livro não tem nada que me impressione (e impressionar no sentido em que a luz impressiona a película, nela gravando imagens, sombras, movimentos), fecho-o e deixo-me estar.
Isto é um milagre. Inexplicável. Fruto da inspiração de uma inexistente divindade
Tenho saudades de fotografar com as minhas máquinas fotográficas. Foram-se estragando e, depois, para quê continuar?, já tinha milhares de fotografias. Faz sentido continuar a acumular fotografias? Não vou voltar a vê-las. O que gosto é do momento em que capto a imagem. A partir daí já não me interessam. Agora uso o telemóvel. E vou apagando pois estou sempre a precisar de mais espaço.
Isto é uma obra de arte. Fortuita. Com a vantagem de não ser um Miró
Já contei muitas vezes que, quando fazemos as nossas caminhadas nestes dias de calor, mal transpomos e entrada do nosso jardim, sentimos a frescura que nele se acolhe. A temperatura está uns graus abaixo da temperatura fora dele. São as árvores, as trepadeiras, as flores, é o carinho que retêm.
In heaven a mesma coisa. Vou andar lá em baixo e, no meio das árvores, é outra a geografia.
Em qualquer dos casos, o tempo suspende-se.
Hoje estava sentada no meio das flores, o cão deitado, os passarinhos a cantar. Pensei que poderia ficar assim saecula saeculorum. Talvez bastasse não me mexer. O mundo à minha volta a girar e eu ali, parte do tempo, imóvel como o tempo, uma partícula imaterial suspensa na infinitude do espaço.
E para que não protestem com o teor da conversa, para quem prefere temas mais concretos, aqui está um vídeo que poderia muito bem servir de inspiração a quem tem a responsabilidade de melhorar os espaços públicos.
THE MINI FOREST - Rewilding using the Miyawaki Method
Terrell Wong is about to plant 100 trees in her small Toronto backyard, a dense mini forest based on the Miyawaki Method. What at first seems like a simple act soon evolves into a complex story about dirt, lawns, fungus, wildlife, native species, and finally the human brain. An anti-lawn anthem from director David Hartman, The Mini Forest explores this innovative form of afforestation and the importance of restoring the native woodlands that once covered so much of Canada and the World.
Gosto de livros, de filmes e de vídeos sobre jardins e jardineiros. Sobretudo, gosto de jardins.
Tenho vivido bons momentos ao longo de toda a minha vida.
Não guardo traumas (ou, pelo menos, não dou por eles). Sempre relativizei o que me desagradava. Na escola devo ter passado por situações menos boas pois toda a gente se lembra de ter passado e eu não devo ser diferente dos outros. Mas, de facto, não me lembro. Situações boas de que me lembre são aos montes. Provavelmente desde miúda que reajo como sempre me ter lembrado de ter reagido: não ligar a mínima ao que me desagrada.
Por exemplo, lembro-me de que, quando cheguei ao 1º ano do que se chamava Ciclo Preparatório, hoje 5º ano, não conhecia ninguém na minha turma. Na altura, as turmas eram inteiramente femininas. Várias das minhas colegas tinham andado juntas na escola primária e, portanto, já eram amigas. Eu aterrei num mundo desconhecido. Isso para mim foi apenas uma alegria, um mundo novo a descobrir. Era tudo desconhecido: o espaço, o ambiente, as professoras, as colegas, as regras. Com dez anos acabados de fazer ia, de autocarro ou a pé, sozinha para a escola e da escola para casa. Os meus pais trabalhavam e, por isso, eu estava por minha conta. Achava isso natural. Talvez estranhando não verem a minha mãe, perguntavam-me por ela e eu dizia que ela estava na escola, a dar aulas, era professora. Lembro-me de um dia uma colega me ter dito, com ar abespinhado, que eu julgava que era melhor que as outras e, quando eu me mostrei admirada e perguntei porque dizia ela isso, me ter respondido que eu dizia que a minha mãe era professora. Lembro-me bem do meu espanto e de ter dito: 'Mas ela é professora!'. E lembro-me de ter pensado: 'É mesmo burra, se calhar queria que eu dissesse que a minha mãe estava em casa, só para ser igual às outras'. Não me aborreci. Relativizei, achei apenas que ela era burra. E ao longo de todos os anos em que com ela convivi mantive a mesma opinião: só diz burrices.
Por isso, se alguém me chateou (e, repito, só me lembro dessa vez), borrifei.
A minha mãe por vezes arreliava-se por eu ser assim. Disse-me várias vezes que me achava excessivamente racional. Na realidade, eu sempre fui muito o oposto dela. Embora para o exterior ela mostrasse alguma resistência à opinião alheia, a verdade é que se incomodava muito com isso. E guardava mágoas e ressentimentos. Eu zero. Não queria saber disso para nada. Ela às vezes dizia-me: 'disseram isso de ti e não queres saber..?'. E eu respondia que não, não queria saber. Zero, zero. Por isso, quando ela às vezes mostrava opiniões negativas sobre alguém, eu nunca sabia porquê. Se alguma vez tinha sabido, já tinha esquecido. Ela ficava passada comigo. Achava-me excessivamente desprendida.
Mas dos momentos bons não me esqueço. E não os desvalorizo.
Podem ser situações aparentemente insignificantes mas, para mim, muito relevantes. Por exemplo, e já falei disso muitas vezes, dos momentos bons, relembro os que vivi, ainda que fugazmente, nos viveiros em que ia comprar pequenas árvores para tornar o nosso terreno pedregoso naquilo que é hoje. Já não me lembro como se chama a terra, se é Chamusca, se é Azambuja, sempre confundi os nomes. Saía de casa muito cedo, metia-me a caminho para lá estar muito cedo (não me recordo bem mas tenho ideia que aquilo abria às oito). Depois escolhia as arvorezinhas, levava o carro cheio e regressava a Lisboa, para ir trabalhar.
As jardineiras, simpaticíssimas, de galochas, andavam pelo meio de todo aquele mundo, um mundo perfumado, húmido, generoso, a terra negra, fértil -- e elas conheciam todas as espécies pelo nome correcto, sabiam como cresciam, como se faziam, escolhíamo-las em conjunto, eu pedia a opinião delas, elas juntavam-se para andar comigo. Acredito que achassem curioso que ali chegasse aquela mulher vinda de Lisboa, vestida daquela maneira, de saltos altos, toda produzida, e por ali andasse conversando com elas, escutando-as com tanta atenção. Cheguei a dizer-lhes que as invejava, que não me importava de trabalhar ali. A forma como faziam transplantes de vasinhos para vasos maiores, a forma como tratavam as plantinhas como bebés, como animaizinhos que precisassem de cuidados, enternecia-me.
No liceu detestei botânica. Hoje penso que a forma como se ensina destrói a curiosidade e o gosto dos miúdos. Muito se deveria repensar sobre a forma de ensino.
Mas também é certo que o meu gosto por árvores, por flores, por trepadeiras, é um gosto mais espiritual que académico ou funcional. Por exemplo, não me sinto atraída por saber as regras de uma poda correcta ou por fazer uma horta. Mas gosto de andar junto às plantas, contemplá-las, venerá-las. É um gosto poético, um gosto imaterial, quase abstracto, difícil de explicar.
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Não obstante, gosto de ver vídeos como este que aqui partilho em que se abordam temas bem pragmáticos, muito terrenos. Muito pertinentes. Este é um dos tipos de sabedoria que me cativa.
Portugal is Turning into a Desert – Can This Farming Method Save It?
Portugal is slowly turning into a desert. But is the real issue a lack of water—or poor water management? Lars and Denise are using a powerful technique to restore the land and prevent desertification. This technique can be applied anywhere in the world—not just in Portugal or dry regions. By using this method, you’ll gain a deeper understanding of farming and how to work with nature instead of against it.
In this short documentary, Lars—who has spent years working with nature—explains the basics of his approach, inspired by syntropic farming. Want to learn more? Together with Lars and Denise, I (Sara) have created step-by-step videos to teach this method.
00:00 - 00:37 Intro
00:37 - 02:17 Results
02:17 - 05:56 How to regenerate the land? Permaculture vs. syntropic farming
05:56 - 08:06 How long does it take to regenerate? No dig vs. dig
Desta vez, quando atingi um número redondão, não me apeteceu festejar. Estava desinspirada, sem cabeça para pensar em cenas festivas. Por isso, passei pelos 7 milhões como boi por vinha vindimada. (É boi ou cão? - engano-me sempre nos provérbios, Mas tanto dá, boi ou cão, o que quero dizer é que fui deixando passar os dias e os 7.000.000 já vão em 7.146.009 (neste momento)). Por isso, agora, já foram.
Mas, ainda assim, agora que aqui estou, quero dizer que continuo surpreendida por aqui ter chegado, tanto milhão de visualização, e agradecida por ter a vossa companhia. Quero que saibam que não é palavra de circunstância. É mesmo de coração.
Penso muitas vezes que nada me obriga a continuar a vir aqui todos os dias pelo que poderia conceder-me (a mim e a vocês...) umas tréguas, umas férias, um descanso. Mas, para mim, estar aqui é estar de férias, é descansar a cabeça. Venho aqui por prazer, não por obrigação. E, muito sinceramente vos digo, espero que convosco aconteça o mesmo.
De vez em quando, ao ver qualquer coisa bonita, fotografo para partilhar convosco ou penso que poderia falar nisso.
Depois, à noite, aqui, penso que são coisas insignificantes, que não faz sentido estar a ocupar espaço e a maçar-vos com banalidades.
Em alturas de guerras, destruições, ou em período de instabilidade política ou degenerescência ética, que sentido falar de pequenas coisas, iguais para todos?
Mas, também, pode alguém estar permanentemente motivado para falar de coisas sérias e preocupantes? Eu não consigo. Posso ser fútil, mulherzinha desocupada, dondoca (como aquele meu fofo arqui-inimigo me chama). Mas sou o que sou e não me apetece vir para aqui fingir que sou diferente.
Estando com a família estou protegida, rodeada de alegria e boa disposição. Ainda ontem, à conversa com amigo de longa data, pusemos a conversa em dia e, apesar de também falarmos de acontecimentos tristes nas nossas vidas, logo falamos de coisas boas, rimo-nos, combinamos um almoço. E agora estou a preparar outro encontro bom. E tudo isso me transporta para um espaço no qual há paz, canto de pássaros, flores crescendo em liberdade, sorrisos, afectos.
Por isso, por vezes, dói-me sair do aconchego da minha zonazinha de conforto e falar de gente que não me interessa, de gente má, ou, pior ainda, das suas vítimas inocentes.
Por comodismo, fico-me por florzinhas, por vídeos de decoração, pela vontade de abraçar o mundo inteiro e deixar-me ficar a ouvir o canto dos passarinhos, a sentir o perfume dos flores, a ouvir os meus amores e amigos a conversarem à minha volta, envolta em paz e sossego.
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Por exemplo, um vídeo que mostra um lugar muito bonito onde deve ser maravilhoso estar
At Home in Marrakesh with Meryanne Loum-Martin
Join Susanna in Marrakesh, Morocco as she visits renowned hotelier Meryanne Loum-Martin at her stunning property containing both her renowned boutique hotel Jnane Tamsna and her own residential refuge in the heart of Marrakesh’s Palmeraie district. Both places are just seamless steps from one another and resonate with Loum-Martin’s penchant for blending culture, history and design.
Born in Cote d’Ivoire, Loum-Martin worked in Paris as a lawyer before moving to Morocco in 1996. She built the property in 2001, after creating its buildings and outfitting its unique rooms with furniture and objets culled from her extensive travels. Her ethnobotanist American husband fashioned the native gardens and their bounty helps feed the many guests who seek their generous hospitality from all over the world.
The hotel’s interiors are as singularity exotic as the rooms in Loum-Martin's home, both filled with art, textiles and antiques and she and Susanna explore each. You won’t want to miss how Morocco’s only Black female hotelier determinedly brought her vision of creating a destination for world travelers and for her own family, to life.
Dia efectivamente mais calmo. E muito bom. Almoçámos juntos num restaurante familiar, muito agradável, com comidinha boa. Comi um prato de que gosto imenso e que já não papava há que tempos: pescadinhas fritas de rabo na boca com arroz de tomate. Que bem me soube.
Depois fizemos um pequeno passeio a pé que teve que ser encurtado pois desatou a chover e... imagine-se: tínhamo-nos todos esquecido dos chapéus de chuva no restaurante. Portanto, voltámos lá e seguimos para casa do meu filho.
Os rapazes jogaram futebol na PlayStation e depois futebol a sério no corredor com uma bola mole (sendo que, aqui, já não foram só os rapazes pequenos que se digladiaram com o esférico como pretexto). Entretanto, a minha filha tinha ido comprar cenas com a sobrinha que, quando chegou, vinha radiante: um gloss com sabor a cereja, um gloss que refresca e faz efeito de plump up (ou lá como se chama) nos lábios e, ainda, um rímel transparente.
E ainda houve lanche: a minha filha tinha levado uns biscoitos e a minha nora fez um delicioso bolo de laranja.
E, da horta, ainda trouxemos couves e brócolos que este domingo já marcharão com bacalhau com batatas.
Portanto, uma tarde daquelas de que eu estava completamente a precisar. Cheguei a casa muito retemperada, mais leve, a cabeça mais descansada. E a caminhada feita depois, com o dog, ao frio e à chuva, só fez ainda melhor.
Não reflecti nada a nível de eleições pois a minha decisão está tomada ab initio. Só espero é que a malta vá votar e, já agora, que vote com a cabeça e não com os pés.
Entretanto, enquanto vejo a votação para o Festival da Canção (em que a Filomena Cautela ou está grávida ou está atrapalhada dos intestinos pois não tira a mão da barriga), vou partilhar um vídeo que vi há pouco e que me agradou bastante. Calma, tranquilidade, amor à natureza.
Feeling deeply
That’s what the world tells us. There's been a movement to watch our thoughts and feelings, making sure that we're positive at all times. We receive messages that we must shift these ‘bad’ feelings and find better ones. But when we do this, we close down and shut off parts of ourselves, suppressing the fullness of our emotions. To feel whole and be whole, we must honour all of it - good and bad. All emotions are beautiful and create a fullness and wholeness in our experience.
They are powerful forces that our bodies can use as fuel for action and healing. Our thoughts create reality, not the other way around. So when our reality doesn't look the way we want it to and brings up emotions that are unpleasant to us, that is the message we are being given to start building a bridge between what is and what can be.
Taking time to be aware of our reactions, thoughts and emotions will bring us into a space of clarity and balance where we can make informed decisions guided and supported by our soul... decisions that will usher in release and healing for ourselves and all of life around us.
Featuring Phoebe Barnard (www.phoebebarnard.com)
Filmed in Mount Vernon, Washington State, USA.
The poem read at the start of this film is called 'The Peace of Wild Things' - by Wendell Berry.
Informaram que já poderíamos ir buscar o quadro, que tinha ficado muito bonito com a moldura que tínhamos escolhido. Fomos de manhã.
Aproveitámos para turistar por ali. E uma coisa é certa: quando estamos numa de fazer turismo, descobrimos coisas que antes nunca vimos. Pelo contrário, quando nos armamos em entendidos a passamos pelas ruas e jardins como cão por vinha vindimada, dando por adquirido e considerando déjà-vu tudo o que está à nossa volta, o que acontece é que passamos sem prestar atenção a nada, ceguinhos de todo.
Foi, pois, com a disposição de um marinheiro de primeira água que me fiz aos jardins. Muita gente, todas as línguas, todas as raças. Gosto imenso de andar nestes ambientes. Há muita gente que fica com comichões quando se vê rodeada de gente estrangeira. Eu não. Mil vezes isso do que cercada de vizinhas que examinam e comentam tudo o que uma pessoa veste, faz ou diz.
Chovia e íamos preparados para a chuva mas cruzámo-nos com pessoas que iam de manga curta, à fresca, e sem mostrarem qualquer frio.
Como sempre, muita gente a fotografar-se a si própria com os monumentos, por trás, votados à irrelevância. Parece que, nesta era, há uma grande tendência para o narcisismo. Por algum motivo as pessoas pensam que os outros têm muito interesse em acompanhar os seus passos ou que, na proximidade de esculturas interessantes, jardins bonitos ou monumentos excepcionais, o que é relevante é a pose que fazem ou o sorriso que exibem.
Acontece que, nessa altura, da central de segurança ligaram ao meu marido a informar que tinha accionado o alarme na nossa sala. As imagens não mostravam presença humana. Mas ficámos preocupados pois as câmaras não cobrem todos os ângulos de todas as divisões. Por isso, abreviámos o percurso turístico, fomos buscar o quadro e retirámo-nos para vir conferir se estava tudo bem. Felizmente, estava.
Dado que o tema 'pendurar quadros' é tema sensível cá em casa, mantive-me prudentemente reservada.
Depois de almoço, enquanto ele estava no sofá a ver séries ou futebol ou a dormir (não sei), eu atirei-me à árdua tarefa de mondar os livros que já vieram.
O meu marido colocou os sacalhões na cave. Alguns sei, à partida, que nós também já cá os tínhamos. Esses fui logo arrumando numa das estantes que lá está, na cave.
Aqueles que me ofereciam dúvidas, trazia-os para cima. Os de língua portuguesa vinham para a biblioteca do rés do chão. Os outros para a biblioteca do primeiro andar. Por isso subi, carregada de livros, muitas vezes, um ou dois lances de escadas. Depois, in loco, validava se já os tinha ou não. Se sim, voltavam para a cave. Os que não tinha foram arrumados na devida ordem alfabética. E isso está a trazer-me grandes problemas pois muitos não cabem. Por isso, tive que reformular, arrumar de outra maneira. Tudo isto é um desafio...
Parei porque já estava cansada e com medo que tanto step em doses maciças e carregada de livros me afecte as articulações já que se dão mal com carregos e com movimentos repetitivos. E foram umas horas disto.
Mas tive vários momentos de felicidade pois encontrei muitos livros que julgava perdidos.
Estupidamente nunca me tinha ocorrido que poderiam ter ficado em casa dos meus pais.
Por exemplo, na altura, andava na faculdade, tinha ficado francamente impressionada com A Bastarda da Violette Leduc. E tinha-lhe perdido o rasto. Hoje apareceu. E vários outros. Por exemplo, vários dos Livros do Brasil. Ou um outro que, na altura, também me impressionou, o Papillon. Ou os do Gorki. Por algum motivo, quando me casei, levei uns e não levei outros e, depois, acabei por me esquecer de ir buscá-los.
Mas, dos que vieram de casa dos meus pais, há muitos que não tinha e que, por mim, para mim, não os teria comprado. Por exemplo, várias biografias de personagens históricas ou livros sobre saúde (cérebro, microbiota, etc). Alguns, por sinal, fui eu que os ofereci à minha mãe. O meu pai também lia mas mais livros mais técnicos ou sobre geografia ou ciências. Depois há várias obras completas: Ferreira de Castro, que foram para a minha filha, Eça, que o meu filho diz que ficará com eles, Camilo Castelo Branco que ficaram para mim pois tinha alguns mas não todos. Os do Aquilino não sei se ainda lá estão ou se a minha filha também os levou. Os do Júlio Dinis ainda não vieram. E sei lá que mais.
Claro que a estante dos repetidos já está a transbordar.
A ver se este domingo consigo dar destino aos que ainda estão em sacos na cave.
Mas, dizia eu, andei nisto, para cima e para baixo e, claro, de bico caladinho em relação aos quadros.
Até que, como por milagre, o meu marido apareceu ao pé de mim a dizer para irmos ver onde pôr os quadros. E falo no plural pois o que veio foi para o lugar de outro que, por sua vez, desinstalou outro. E assim sucessivamente. Também para pendurar o que o meu tio pintou tive que arredar outro que, por sua vez, foi para outro sítio e assim sucessivamente, e patati-patatá. Portanto, uma enfiada deles. É que nem sempre um pode usar o mesmo prego que o antecessor pois ou está acima ou está abaixo.
Mas a verdade é que a coisa fluiu sem dramas e já está tudo posto e lindinho. Milagre, milagre.
E é isto.
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Vi há pouco um daqueles vídeos que me encantam. Plantar uma floresta, salvar uma floresta do declínio quando a principal e quase única espécie é atacada, andar pelos campos, fazer arte com paus, troncos, pedras, sentir a terra com as mãos, ver a natureza a reinventar-se, se. Tudo maravilhoso.
Rewilding A Forest | Maria "Vildhjärta" Westerberg | Something Beautiful for the World
Synopsis: Maria was a romantic, animal-loving, dreamy child who, growing up, had a hard time conforming to the demands associated with the trajectory towards "a normal life". As a young adult she became depressed, and was encouraged by her therapist to go for walks in the forest. The myriad of funny-looking twigs and sticks she found along the way immediately put her on a path to recovery. Now, 25 years later, she's a celebrated "twig poet" whose art is shown in galleries throughout Sweden. When a climate related crisis strikes the forest where she lives and works, she's forced into a new type of creativity in order to save the place that once upon a time saved her.
Filmed in: Värmland, Sweden
Featuring: Maria "Vildhjärta" Westerberg & Johannes Söderqvist (https://vildhjarta.net/) and Martin Jentzen (https://www.jentzen.se/)
Uma vez mais, passa das duas quando começo a escrever. O dia começou mal. Quando fui tirar o bacalhau do congelador para fazer cozido com todos para o almoço, senti logo que estava meio mole. Apalpei os sacos vizinhos e tudo na mesma. Fui logo dar a notícia ao meu marido.
Não tinha faltado a luz porque a central dá aviso e não tinha dado. Como tínhamos estado uns dias fora, não sabíamos mais do que o que estava à nossa frente: nem quando nem porquê.
Como o frigorífico é digital, ele pensou desligá-lo da tomada e voltar a ligá-lo. Sentiu a ficha quente e viu que estava com cores de hematoma. Quando ligou, o painel desatou num pisca pisca muito descontrolado.
Pensou que a tomada, por dentro, vá lá saber porquê, tinha tido um escaldão.
Ligou-o, então, com extensão numa outra tomada e aparentemente ficou bom.
Mas, obviamente, tivemos que esvaziar. Descongelar e voltar a congelar não está com nada.
Alguns sacos que estavam a meio da descongelação aproveitei. Fiz vários tachos de comida.
O resto, tudo para o lixo. Uma dor de alma.
Mas aquilo da lei de Murphy -- que quando é para dar para o torto, dá mesmo para o torto, --esteve a pleno.
Mais coisas que, dado o adiantado da hora, nem vale a pena enunciar.
Para ajudar à festa, resolvi reler a última 'obra' que já tinha dado como relida. De noite tinha ficado com umas dúvidas. De dia, resolvi mudar uns aspectos e, para evitar contradições, rever de novo, coisa que só agora acabei.
Pelo meio fui vendo os comentários daqui que agradeço e com os quais, fossem outras as circunstâncias, faria uma festa.
E agora, pouco tendo a acrescentar, deixo-vos apenas com um tema que me interessa. Li, a meio do dia, numa escapadinha, aos desagradáveis afazeres, um artigo que chamou a minha atenção:
Eu que plantei a minha pequena floresta e que posso testemunhar como toda a paisagem mudou, como tudo ali nasce e cresce e como os animais dali fazem a sua casa (pois se até esquilos já lá vivem), sou muito sensível à necessidade de todos estarmos conscientes que temos que fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para travarmos a desertificação da nossa terra.
O vídeo abaixo é muito simples e está traduzido (para brasileiro). Mas dá para perceber.
O que são as 'microflorestas' que estão surgindo no mundo
Milhões de árvores estão sendo plantadas em todo o mundo na tentativa de combater as mudanças climáticas. Mas vários grupos ambientais também estão plantando "microflorestas" urbanas — do tamanho de uma quadra de tênis.
Neste vídeo, você vai conhecer uma floresta minúscula na Holanda.
A técnica de plantio usada, chamada "Miyawaki", vem do Japão — e o primeiro passo é preparar o solo com nutrientes e um mix de árvores nativas. Em poucos anos, cresce uma floresta rica e densa.
Mas será que há pontos negativos? E será que florestas tão pequenas realmente ajudam na luta contra o aquecimento global? Assista e entenda.
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Desejo-vos uma boa semana a começar já por esta segunda-feira
Não sei se no outro dia contei que estava na cozinha, a tratar do almoço ou a lavar a louça, não me lembro, e, ao olhar para o pinheiro lá mais ao fundo, vi um esquilo, com o seu mega cauda felpuda, a salta de um ramo para outro. Senti uma onda de felicidade. Se alguma vez, quando a terra à volta da casa era só pedras e mato rasteiro e eu sonhava com um pequeno bosque, eu podia sonhar que os pinheirinhos que o meu pai trouxe, ainda pequeninos, agora estariam tão altos e que neles eu haveria de ver um esquilo a brincar...
Não quis desviar o olhar pelo que não fui buscar o telemóvel para fotografar. Ao ver o bichinho verifiquei que apenas o vi porque ele estava a salta de um ramo para outro. Se não o tivesse seguido com o olhar não o detectaria.
Quando estou a caminhar, tento descobri-los mas não consigo. Mas penso que, se calhar, são eles, lá em cima que estão a ver-me a mim.
A vida é uma breve passagem e mesmo que gostemos muito de cá estar chegará o dia em que chegamos ao fim da passadeira rolante em que calhou que viéssemos parar. Mas, enquanto cá estamos, é bom que aproveitemos, que gostemos de cá estar, que façamos aquilo de que gostamos e, se possível, que deixemos, à nossa passagem, coisas boas de que os que vêm a seguir possam desfrutar.
Hoje, nos intervalos dos meus trabalhos, por aqui andei a caminhar, a respirar este ar tão puro, a banhar-me nestes verdes tão límpidos, a fazer corridinhas ao despique com o ursinho cabeludo.
Por diversas vezes pensei que era sábado ou domingo. Ainda não assimilei que posso ter uma vida boa durante a semana. Outras vezes, quando acordo mais tarde, sobressalto-me como se estivesse a baldar-me, a abusar da minha sorte dormindo quando devia estar a trabalhar. parece que o meu corpo (ou a minha mente?) ainda não se habituou completamente à liberdade.
Trouxe para ler um livro que a minha filha me deu sobre os banhos de floresta, o bem que fazem ao corpo e à mente, o bem que sabem, as maravilhas que se escondem numa floresta ou como essas maravilhas se mostram para quem está disponível para as ver, ouvir, tocar, cheirar, sentir, respirar.
Acredito muito nos benefícios de andar na natureza, de andar ao sol, de andar à sombra sob o fresco saudável da copa das árvores, de andar em silêncio, de escutar os sons das árvores e aspirar o perfume das flores, da aragem, de sentir a macieza da terra, dos musgos, da caruma, de ver os mil tons de verde.
Para além das fotografias que fiz ao fim da tarde, partilho convosco um conjunto de vídeos que têm a ver com isso. Espero que tenham tempo e vontade de os ver e ouvir e gostava que também gostassem deles.
Entre o trabalho e os meninos e a mãe dos meninos e o que vai surgindo ao longo do dia, telefonemas e sobressaltos da minha mãe, outros telefonemas, uns pessoais e outros profissionais e cozinhar e etc. pouco sobra para saber de notícias do mundo.
Da leitura rápida e oblíqua que fiz a bem dizer nada me interessou: parece que há dias em que o mundo não avança. Guerras, dramas, novas variantes, recessão e dramas, corrupções. Ou insignificâncias, maledicências. Telejornais ou comentadores não vejo há que séculos. Já não atino com aquilo, falta-me a paciência.
Esta quinta-feira vem cá o senhor da mercearia trazer os frescos e, portanto, na quarta-feira fiz a encomenda. Os meus hábitos vão-se modificando. Dantes ia ao supermercado, via e avaliava o que havia, decidia na altura. E, ao decidir, fazia combinações, quase que os cozinhados começavam logo a nascer ali mesmo. Agora não: agora, em abstracto, imagino o que posso querer ou confiro bem as quantidades que tenho para calcular o que preciso. Não aprecio muito este método pois, no que não é relevante, sou mais dada ao improviso do que ao planeamento.
Era para ter feito a encomenda de roupa para um dos meninos que está quase a fazer anos mas falta-me ali um passo que tenho que esclarecer durante o dia. Também me aborrece um bocado isto pois gostava de ver, de apreciar a qualidade do tecido, avaliar se seria fácil de lavar. Assim, o mais que posso fazer é ampliar a imagem a ver se dá para perceber.
Mas, enfim, tem o seu lado prático: não é preciso sair de casa. Talvez o futuro do comércio passe muito por aqui: esmorecerem as grandes superfícies com as suas lojas, lojinhas e vendedores para haver grandes redes logísticas a dar suporte às plataformas online. Vamo-nos desmaterializando. Desmaterializando-nos e deixando que toda a espécie de bicheza, também invisível, nos domine. Vírus, variantes, variantes das variantes. E nós, pobres totós, à mercê. Mas sempre armados em bons. Tem até graça.
(Uma evolução um bocado estúpida, convenhamos).
Adiante.
A minha filha viu que o ICNF tem 50.000 árvores autóctones para oferecer a cidadãos e proprietários rurais. Já nos inscreveu para ver se podemos ir levantar umas quantas. A ver se chegam para nós. O meu marido ouviu a conversa e não achou muita graça pois não sabe onde tenciono eu plantar aquelas árvores. À partida não sei responder mas hei-de arranjar onde. Plantar árvores é do melhor que podemos fazer pelo mundo. Só quem plantou e cuidou de árvores bebés e as viu crescer até poder estar à sua sombra sabe do prazer maior que é isto de sentirmos que estamos a fazer qualquer coisa de bem pela Terra que nos acolhe. Se formos bem sucedidos, talvez os meninos possam ajudar a plantar uma meia dúzia. As outras quero levá-las para o campo para as plantar in heaven. O meu marido diz que não sabe onde.
Mas, enfim, falava eu de notícias relhas e velhas. E falava para dizer que, de entre tanto déjà vu, de tanta infelicidade e pouca sorte, apenas uma notícia chamou a minha atenção: a que está na moda plantar cogumelos em casa. Achei o máximo. Cogumelos daqueles vulgares ou daqueles lindos. Acho que vou ter que ler a notícia com atenção para ver como é. Aliás, ando a pensar em ter uma estufa. Aliás, aliás, pensar eu penso em muita coisa. O pior é a disponibilidade para passar à prática tudo aquilo em que penso. O que vale é que não me dá para me sentir frustrada.
E é isto. Ou melhor: lamento mas hoje não passa disto. Para além de ter sono, tenho também falta de assunto. A ver se amanhã faço um update do que tenho cozinhado. Os meninos gostam da minha mão para o tempero e eu sinto-me feliz por ver como comem de gosto. Noutra encarnação devo ter sido estalajadeira, daquelas que iam de mesa em mesa com lautas travessas, terrinas ou tachadas servindo os fregueses.
Usei imagens totalmente desfasadas da lógica do texto. Mas como também não se pode dizer que o texto tenha grande lógica, acho que talvez passe. O autor, CRUDEOIL 2.0 de seu nome, faz a proeza de introduzir personagens de antanho às modas sociais dos tempos que correm. O resultado é o que se vê. Diz ele: My imagery was born as a critique of society, saturated with social, aesthetic canons, and appearances. This concept is reflected in my works that deal with social media as a new religion and a new creed. To express my intent, I take artworks from the past and re-contextualize them to the present day. Acho que tem graça.
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Acompanha-nos Fields of Gold - Sting (cover por Arpi Alto) e espero que gostem.
E, para acabar, um vídeo daqueles que me inspiram. Espero que inspirem mais pessoas.
The man who grew his own Amazon rainforest
A corner of the Amazon that had been cleared and used as farmland has been restored to rainforest.
The man who owns it, Omar Tello, gave up his job as an accountant and spent 40 years recreating a patch of pristine forest in Ecuador, stretching just a few hundred metres in each direction.
He’s trying to encourage other landowners to do the same, so they can turn the tide of deforestation.
Isto de estar nas lojas o mínimo de tempo possível e de não provar nada, dá nisto. No outro dia, foi já em casa que provei uma coisa que era para oferecer e outra para mim. A minha estava justa demais e a outra notoriamente não entraria já que é um modelo destituído de elasticidade. Por isso, hoje tivemos que lá voltar. E como havia outros presentes para comprar, tratava-se de tudo ao mesmo tempo.
Enquanto lá andávamos, sentia o telemóvel a estremecer e a piar-me no bolso. Quando consegui, espreitei: eram os membros do grupo da família e mandarem mensagens uns aos outros, dum lado uns faziam caminhadas no bosque, do outro os meninos trepavam às árvores. Numa das últimas, o mais velho estava bem lá para cima numa árvore gigante. Na outra, havia um mapa com a localização de por onde andavam. Passado um bocado, voltei a espreitar. A minha filha dizia 'Va la que nao revelaram os presentes de natal ehehe'. Não percebi, voltei a guardar o telemóvel no bolso, pensei que era coisa lá deles. Mas, quando estava na fila para pagar, pensei: 'espera lá, mas se eles andam a passear e nós é que andamos às compras, querem lá ver que aquilo é mesmo para nós?'. Voltei a ver. Aquilo era ela a comentar qualquer coisa. Ocupada, farta de andar naquilo e, sobretudo, a morrer de calor (é só a mim que a máscara faz subir a temperatura do corpo todo?), não percebi o que era. Até que reparei que, mais acima, estava uma gravação. Ouvi e ia-me caindo tudo. Era eu e o meu marido a conversarmos: ele a perguntar se íamos primeiro fazer as trocas, eu a dizer que não, que era tudo no mesmo sítio, eu a perguntar onde é que se levantava o que tínhamos que levantar. Desliguei, estarrecida. Como é que aquilo tinha acontecido? Caraças. Sem querer carreguei no microfone. Felizmente, não desvendei nenhum segredo nem pronunciei nenhuma palavra imprópria para consumo. Fiquei a pensar se uma coisa destas ou parecida não terá acontecido alguma vez antes com outras pessoas que, por pudor, não me disseram nada.
Aliás, agora que falo nisto, lembrei-me de uma que aconteceu faz anos. Tinha acabado de ser apresentada a um tal cheio de nove horas, cheio de de cerimónias, pessoa, ainda por cima, com uma maneira de ser distante, talvez, até, um pouco acanhada. Durante a reunião, ficámos de obter uma informação e de nos telefonarmos. De tarde, tendo eu conseguido saber o que era pretendido, liguei-lhe. Atendeu, eu disse olá e, acto contínuo, ouvi um sonoro 'F...-se!' e a chamada acabou ali. Fiquei perplexa, em suspenso, o telemóvel na mão. Era então assim que o senhor doutor, pessoa tão importante, atendia as chamadas? Ou, melhor, despachava as pessoas?
Ainda mal refeita, toca o telemóvel. Era ele. Pensei: e agora? Digo alguma coisa? Ou ele vai dizer alguma coisa? Mas não, simpatiquíssimo: 'Peço desculpa, estava a sair do carro, quando ia atender deixei cair o telemóvel.'. E eu, sonsa: 'Ah, não tem problema'. E a conversa prosseguiu. Até hoje nunca lhe falei nisto. Para quê? Só se fosse para nos rirmos os dois. Mas sei que, lá no fundo, haveria de ficar um pouco agastado. Nem tanto pelo que aconteceu pois já me conhece bem, sabe que não estou nem aí para deslizes mas pela mesma razão que eu: e se isto já aconteceu alguma vez e se alguém ouviu o que não devia ouvir?
Mas, enfim, nada de mais. O que foi de mais foi outra coisa. Nestas coisas ando sempre à rédea curta. Cronometrando-me os movimentos, o meu marido decidiu que já não dava tempo de ir a outro sítio senão não conseguiríamos estar em casa à uma. Mas eu, que ando há uns dias a querer arranjar um vaso alto e uma planta que cresça em altura para colocar perto do portão para encobrir os contentores do lixo e dos recicláveis, insisti, insisti, insisti. Que já não dava, que não valia a pena, que viéssemos para casa. Mas não sou de me render tão facilmente. Lá fomos. Mas já não deixaram entrar. Fiquei furiosa e ele vitorioso. Portanto, regressámos sem o vaso e sem a planta. E isso contristou-me. Já me estava a imaginar a tratar do transplante e a estava a imaginar o efeito.
De tarde, consegui estar um pouco ao sol. Levei a espreguiçadeira para o bocado de relva ao sol, estive a ler. Tirei a blusa, fiquei apenas com o top de alcinhas, o sol suave a deslizar na minha pele, os passarinhos a cantarem e a brincarem por entre a folhagem, e o livro bom. Não é só o saber bem, é também o ser saudável. Depois andei por ali, a cirandar, a fotografar, a sentir a felicidade de ver as árvores e as flores e a, mais simples de todas, a felicidade de de existir.
Fui até à horta. Não sei o que há ali. Parece que há um qualquer microclima: talvez mais morno, mais húmido. Pelo menos é o que se sente. Isso e os cheiros, bons. Ao canto de um canteiro, descobri um jarro. Agora fui ver se o nome é mesmo jarro e descobri que pode ser mas que o nome botanicamente falando, isto é em esperanto botânico, é Zantedeschia aethiopica. Quando o vi, hesitei. Tive vontade de apanhá-lo para o pôr numa jarra a fotografá-lo. Mas, no último momento, tive pena. Uma flor pode ser sacrificada just for the fun of it? Tive dúvidas.
Ao passar pela estufa, senti pena de ainda não lhe ter prestado atenção. É rudimentar, precisa de ser arranjada. Está abandonada e as coisas, tal como a natureza, sentem o abandono. As pessoas também. Tenho que cuidar daquilo que amo, não posso deixar que se sintam abandonados. A ver se amanhã tenho disponibilidade para lá ir, para entrar, para começar a limpar. Mas receio. Sei que se for é para me entregar, para não abandonar mais. E não creio que esteja chegada a hora para isso.
Também tenho saudades do meu heaven. Estas restrições à movimentação condicionam-nos. Deve estar tudo tão verdinho, o musgo tão fofo e macio. Transformei em bosque um bocado de terra pedregosa e inóspita. Quando toda a gente achava insano aquele meu sonho, eu dizia que haveria de por lá passear à sombra das árvores que estava a plantar. E isso aconteceu. E essa é outra grande felicidade. Se quero sentir felicidade, construo-a. Flor a flor, árvore a árvore, sorriso a sorriso, palavra a palavra.
Gosto de ler sobre jardins. E gosto de ver vídeos sobre pessoas que transforam terra árida em florestas verdejantes que multiplicam a flora e atraem a fauna. Parece-me um milagre e gosto de testemunhar a existência de milagres assim.
E fui ainda ver os livros de Eduardo Lourenço. Aquela estante é daquelas que tem livros que não sei bem como arrumar. Estão ali para uma segunda reflexão. Gostei de relembrar os livros de uma pessoa que sempre admirei. Creio que haverá por cá mais um ou dois livros mas não sei se estarão noutras estantes. Agora estou a ouvir uma entrevista com ele. Fala do que o faz feliz, explica que a felicidade está nas pequenas coisas que estão ao alcance de todos.
É daquelas pessoas que pensa com as mãos na terra e com o olhar acima da multidão -- e com o coração no meio dos homens. Penso naquela vez, não há muito, em que o vi a atravessar a rua ali mais ou menos em frente à Biblioteca Nacional. Não sei precisar, talvez uns três anos. Ou seriam quatro? Não sei. Parece que esta vida em resguardo me está a esbater as coordenadas temporais. Sei que o vi já frágil. Pensei que, com a idade que tinha, era um aventureiro e um corajoso em andar ali, sozinho, sem apoio, quase parecendo um passarinho hesitante, em dificuldade. Tive vontade de lhe ir dar o braço. Mas não o fiz, claro. As pessoas têm o seu orgulho e há que saber respeitá-lo.
Quando parte uma pessoa boa e inteligente fico a pensar que talvez venha o dia em que quase não subsistam portugueses de lei. Como será, então? Quem nos ajudará com as palavras? Não correremos o risco de ficar encurralados em tristes labirintos?