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quarta-feira, julho 31, 2024

Andam anjos in heaven?
Ou vamos mas é ao que interessa: a minha voz é igual à de José Castelo Branco?
(Se acharem que sim, agradeço que me poupem)

 

Dormi que foi um regalo. Acordei tarde, acordei descansada. 

E foi um dia bastante produtivo. 

Tenho sempre muitas coisas que fazer e isso agrada-me, em especial quando são coisas que me agradam (passe a redundância). Mesmo quando trabalhava, quando não havia coisa nova e se entrava quase na monotonia, ficava stressada. De vez em quando, o Grupo comprava empresas e era preciso assimilá-las rapidamente, metê-las no perímetro de gestão das empresas do grupo (metê-las no sentido de enfiá-las, nem que fosse contra a vontade delas), organizá-las, pô-las a funcionar como as demais, e tudo em prazo recorde. Se grande parte dos meus colegas ficava em ponto de rebuçado, achando que eram prazos impossíveis, que as circunstâncias eram irrealizáveis, toda eu vibrava.

Nada me agradava mais do que ter desafios que pareciam irrealistas e equipas descrentes ou equipas que tinham que ser formadas à pressão para começarem a colaborar nesses projectos. Mesmo quando era acusada de me atravessar 'à maluca' ou me atirar para a piscina ainda sem saber se teria condições para isso, e mesmo se eu própria, cá para mim, me assustava e pensava 'caraças, para que é que me fui meter nisto...?', a verdade é que essa adrenalina era um tónico indispensável para a minha existência.

Agora, reformada, também não paro de me meter em cenas e de me atirar 'à maluca'. Gosto de arriscar, gosto de ir à luta e, apesar das derrotas (que tendo a encarar como percalços naturais), muito dificilmente desisto. Posso ajustar o rumo, posso repensar estratégias mas desistir é para mim muito difícil.

Bem. Adiante.

A meio da tarde deitei-me cá fora e pus-me a olhar para o céu. E só pensava: 'Azul'. Ou não pensava nada, simplesmente olhava. Estive ali durante muito tempo a olhar para o céu e a única coisa que atravessava a minha mente era a palavra azul. Depois reparei que, muito lá em cima, um pequeno pontinho branco se movia. Como estava presa ao 'azul' levei algum tempo a pensar: 'avião'. Mas logo retrocedi e me fixei no mesmo: 'azul'. Depois ocorreu-me que, se calhar, estava a meditar. Para a coisa ser mais consubstanciada, pus-me a fazer respirações. 

No fim estava ainda mais descansada. 

Depois estraguei tudo. Fui aos figos. Comi uns poucos. E isto preocupa-me pois já sei que a balança vai castigar-me. Mas é o que é. Parece que nasci mais para pecar do que para ser abstémica.

E, como habitualmente, andei a passear in heaven e, mais uma vez, me deu para fazer vídeos. Fiz dois. Mas, para não ser uma overdose de maluqueira, hoje partilho apenas um.

Um dia destes tenho que ver se é possível transformar os vídeos feitos com telemóvel em vídeos de écran inteiro. Acho que seria melhor, não acham?


Dias felizes para todos!

segunda-feira, maio 20, 2024

Betinho e Betty, dupla de opereta
- A palavra a António Araújo, licenciado e mestre em Direito, doutor em História Contemporânea -

 

Para quem ache que os temas relacionados com o socialite Castlewhite a quem os jornalistas, vá lá saber porquê, teimam em identificar como marchand de arte só podem ser tratados pelas so called jornalistas do Correio da Manhã, aqui está a prova de que quem sabe, sabe, e um estudioso como António Araújo consegue fazer maravilhas qualquer que seja a matéria-prima que lhe apareça pela frente.

Começo por transcrever uma síntese dos seus saberes para melhor se avaliar com que background se atirou à fantástica obra de que abaixo cometo a ousadia de aqui ter uma parte:

O diretor de Publicações e membro da Comissão Executiva e do Conselho de Administração da Fundação, António Araújo, nasceu em Lisboa, em 1966. É licenciado e mestre em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, doutor em História Contemporânea pela Universidade Católica Portuguesa. Foi docente na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e, atualmente, é professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. É assessor do Tribunal Constitucional e foi consultor para os assuntos políticos do Presidente da República. É autor de vários livros e artigos no domínio da ciência política, do direito constitucional e da história contemporânea.

Não trago aqui, na íntegra, o artigo intitulado Betinho e Betty, dupla de opereta, mas apenas um pouco mas recomendo que o vejam na íntegra no DN, na rúbrica Prova de Vida:

Entre as muitas coisas em que pensamos quando pensamos em José Castelo Branco, talvez Martin Heidegger não seja das mais imediatas e mais óbvias. Ainda assim, o filósofo alemão foi autor de uma frase penetrante, A luz do público obscurece tudo /Das Licht der Öffentlichkeit verndunkelt alles, que Hannah Arendt usou no proémio ao seu livro Homens em Tempos Sombrios, de 1968, e que se aplica que nem uma luva a esta víbora nada em Tete, Moçambique, aos 8 de Dezembro de 1962, com o nome próprio José Alberto e o apelido paterno Silva Vieira, que deixaria cair em 1984 em prol do albicastrense e mais lustroso apelido de sua mãe, Inês Paulino Castelo Branco, “Nini”, também nascida em Tete, em 24 de Dezembro de 1921 (e falecida de complicações cardíacas no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, a 16 de Dezembro de 2014).

Com efeito, e na verdade, o que mais espanta e deslumbra nesta figura de mistério, um Cagliostro dos nossos dias, é a sua constante e exuberante presença nas revistas de sociedade e em eventos mundanos, mas, em simultâneo, a densa opacidade que envolve tudo quanto faz e é, desde logo quanto às origens que tem e ao modo como ganha o pão e o brioche.

Sabemos que se apresenta como marchand de arte e que faz “presenças” em festas e acontecimentos mundanos, cobrando por isso. Sabemos que se assume, e cita-se, como “uma grande bicha”. Sabemos que numa endiabrada vida pretérita, começada aos 15 anos, usou o nome eslavo-artístico de Tatiana Romanova, ingeriu hormonas e até possuiu maminhas, descrevendo-se então como transgender, mas nunca como drag queen.

Sabemos que já foi condenado por ter pinado um perfume no aeroporto de Lisboa (e, noutra ocasião, por ter agredido o relações públicas Daniel Martins), que esteve detido em Nova Iorque por furtar roupas numa loja e que, em parelha com a Betty, foi detido na Portela por alegado tráfico de jóias. Sabemos que não desdenha os epítetos de “Princesa do Povo” ou “Evita de Tete” e que entre os seus momentos de glória se conta “um banho de multidão” em Sacavém, com “as massas” a aplaudi-lo. Sabemos que uma vez até jantou com a Madonna. Sabemos que, em 1986, se casou em Loures com uma moça plebeia de apelido explosivo, Pólvora, e nome próprio Maria Arlene (rectius, Maria Arlene Ferreira Pólvora), da qual teve um filho rapaz chamado Guilherme, que agora uma Zulmira diz estar “perdido” e sem “saber o que fazer” ante as recentes acusações de violência doméstico-conjugal deduzidas contra seu pai, à conta de uns tabefes dados à Betty, por ora tão-só alegados, os tabefes, mas já na mira dos delegados, os do Ministério Público, os mesmos que, num passado ainda fresco e recente, embicaram com um primo seu, o oriental premier António Costa, tombado por um parágrafo.

(...)

O El País chamou-lhe, em 2008, “o conde que quer ser rainha”, intento hoje prejudicado pelas notícias que dão conta da sua detenção e queda em desgraça. Castelo Branco diz que, entre outros muitos vícios, o povo português “maltrata quem se destaca” e afirmou um dia, com conhecimento de causa, que “o putedo no meio da comunicação faz-me confusão. Os arrivistas fazem-me confusão”. Agora talvez também lhe faça confusão que as televisões e os jornais se precipitem sobre o seu cárcere, que ponham drones no seu encalço, que nos informem que foi detido de saltos altos, que jantou bochechas de porco no posto da GNR de Alcabideche e que, antes de ser ouvido pelo juiz no Tribunal de Sintra, lhe deram “uma sandes, um sumo e uma peça de fruta” (TV 7 Dias, de 10/5/2024). Por obra e graça do rasquedo televisivo, com a TVI e a CNN à cabeça, a prisão do “Conde” mostrou Portugal ao espelho, a ponto de poder dizer-se, sem favor nem esforço, que Castelo Branco somos todos nós, nas grandezas e misérias, sobretudo nestas.

(...)

Mas vão ler o artigo na íntegra, está bem? O artigo é interessantíssimo. 

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Votos de uma boa semana 

terça-feira, março 19, 2024

Uns comentadores comentam o que diz o Ventura e o Marcelo, outros comentam o baptizado da neta do Castelo Branco e o Bruno de Carvalho responde à letra a um tal Miguel Azevedo - aparece de tudo um pouco.
Portanto, com vossa licença, opto por aqui trazer a subida do populismo explicada pelo S. Pappas

 

Entre assuntos burocráticos em que, como é costume alguém me liga e dá o assunto por acabado dizendo que falta ainda um outro papel (juro: hoje aconteceu outra vez!), e telefonemas exacerbados envolvendo um senhor das obras e as limitações existentes e tudo uma confusão pegada, eu só a querer paz e descanso e a falarem-me no tubo das águas pluviais e na prumada e em mais não sei o quê e o esgoto do outro lado e uma infiltração ou entupimento não sei onde, vá lá a gente entender alguma coisa, e, ainda, entre acabar um trabalho e deitar um olho ao que por aí se diz, pego no computador já perto da uma da manhã e sem cabeça para grandes divagações.

Apelo, pois, à vossa habitual condescendência.

Por entre votos perdidos, estragados, envelopados. desenvelopados e o diabo a quatro, continuamos sem saber como é que o sarilho arranjado pelo Marcelo vai acabar. Pelos vistos, ele também não e, por via das dúvidas, parece que também não se rala muito se não cumprir a Constituição. Eu, que não sou letrada em leis, só tenho para mim que, no meio da confusão, é prudente a gente agarrar-se a algumas bóias de salvação, a saber: a Constituição, as boas maneiras e o respeito pela inteligência dos outros.

Mas parece que, no meio da enxurrada populista, a malta já está toda numa de caguar para essas minudências.

Claro que também não consigo instruir-me com a chusma de comentadores que andam a dar à costa: raia miúda, carapauzinho pingão, de tudo aparece. É vê-los, com ar entendido, a dar lições de tudo o que calha. Política, Constituição, Fait-Divers a fazerem de conta que são História. Tudo. Ainda há pouco. 

Mas, ao fazer zapping para ver se fugia, à pressa, eis que, sem aviso prévio, me aparece a diva Castelo-Branco a arrastar a sua Senhora Dona Lady, depois os convidados a dizerem o que levavam vestido e que presentes iam dar à menina Constança, neta do avô que estava aperaltado na versão gaja produzida para baptizados. E no estúdio, como comentador, o Bruno de Carvalho, esgargalado e sem meias, a falar na qualidade de músico, compositor, letrista, produtor, cantor, ou seja, ecléctico artista do mundo do espectáculo. Portanto, I rest my case. Ou seja, santa paciência: aos costumes digo nada.

E, assim sendo, com a vossa licença que, desde já, agradeço, passo a palavra a Takis S. Pappas que até usa bonequinhos para a gente perceber melhor. Útil. Dá para pôr legendas em português. 

The rise of modern populism


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Um dia feliz

Saúde. Boa disposição. Paz.

sexta-feira, outubro 04, 2019

No restolho da campanha
-- E Freitas do Amaral que não faz parte desta história --


Volta e meia coincide eu ir no carro e estar a dar um resumo da campanha. No outro dia, uma senhora dizia que, salvo erro, da Venezuela lhe tinham cortado parte da reforma ao que Catarina Martins se insurgia, que não estava certo, que devia receber a reforma por inteiro. E não sei se foi essa senhora, se outra, que lhe disse que ela lhe fazia lembrar a Princesa Diana. E a Catarina, em vez de dizer 'cruzes, canhoto, ó mulher vire essa boca mas é pra lá que não quero ter o fim triste que ela teve', fez um sonzinho enaltecido, acreditando-se já a princesa do povo, rainha dos corações. 

E isto foi o que registei na memória em vários dias.

Não, peço desculpa, registei também outra coisa: o Negrão, o tal puro que usou assinaturas de pessoas sem lhes pedir autorização, a dizer que o parlamento ia ficar cego, surdo e mudo durante a campanha por não ter sido aprovado uma reunião deles na sexta-feira para debaterem se o ministro sabia se não sabia.
E eu, ao ouvir aquela conversa desesperada, só me lembrei daquele jingle da TSF em que se ouve o dito líder da bancada do PSD, voz trémula, lançando um lancinante 'o senhor tem pelos no coração...!' ao Costa. É que, quando ouço aquele grito de dor, só me ocorre que ainda bem que foi ele e não Catroga que assim se manifestou.  
Logo a seguir, ouvi o Rio a dizer a propósito da conversa do seu líder: não morre ninguém por causa disso. E, ali no carro, sozinha, no meio do trânsito, desatei a rir. Cego, surdo e mudo, na volta também com pelos púbicos no coração mas, vá lá, morrer não morre. Menos mal.

Mas, portanto, da campanha, que me lembre, não registei mais nada.

Volta e meia, entre um e outro zapping, vi peixeiras ou mulheres no mercado ou na rua a convidarem candidatos para o quarto ou a dizerem brejeirices que deixam os pobres homens encabulados. Uma, sorrisinho malicioso no canto da boca, dizia para o candidato pôr a bandeira direita e perguntava se ele já não conseguia endireitar o pau. Geralmente, nestas ocasiões, o meu marido diz: 'Eu bem digo: as mulheres são muito piores que os homens'.
E eu, ao agora escrever isto, lembrei-me do comentário do Onirocrata e estou aqui a pensar que ele, o Ony, deveria fundar um #MeToo_Y para os homens com razão de queixa das mulheres, ou seja, para quase todos. É que as mulheres, essas malucas, são um perigo: umas deixam-se agredir física e psicologicamente pelos homens e outras apalpam-nos e fazem de tudo para desviá-los por maus caminhos. Um perigo, as mulheres. Tadinhos dos serzinhos do cromossoma y, sempre vítimas delaX.
Quanto a debates também não posso pronunciar-me pois tenho ideia que só vi um, o dos quatro contra o Costa. E entrevistas, assim de repente, acho que só o Ricardo Araújo Pereira com a Joacicine do Livre.

Mas até pode acontecer que tenha visto ou ouvido mais. Mas não me lembro, não ficou cá nada.

Para mim, estas campanhas são uma indigência intelectual, um desperdício político, uma canseira para os candidatos que andam em tournée, uma perfeita inutilidade para todos. Salvo quaisquer excepções de que agora não me lembro -- e nas tintas se alguém aí, Martin incluído, acha que o digo por sectarismo -- mas, na realidade, do pouco que vi e ouvi, foi o que constatei: acho que só o PS se limitou a dizer quais as suas intenções. O resto andou todo a malhar no PS: só chicana, maledicência, intrigalhadas, quadrilhices. Não me assiste. Ainda se essa grande figura da política nacional não tivesse desistido... Agora, com o grande Castelo Branco fora de combate, foi basicamente mais do mesmo. Sem graça. Sem conteúdo.

Não sei como é nos outros países. Nestas coisas acho que não vale a pena inventar a roda. Chama-se a isso fazer benchmarking. Gostaria, pois, de saber como fazem em países onde a democracia já leva mais anos de estrada. Não acredito que, em locais onde a malta é civilizada há mais tempo, os políticos andem em feiras a gritar 'toda a ciganada a votar no CDS', a insultarem-se, a lançarem suspeitas, a avacalharem a conversa ou a prometerem amanhãs que cantam mesmo que seja em Caracas. Ou a perguntarem o nome dos cães. Acredito que há maneiras evoluídas de mostrar aos eleitores quais as suas ideias sem ter que poluir o ambiente nem abalar a sanidade mental dos mais incautos.

Ah, é verdade, lembrei-me ainda de mais outra: aquela tal do Rio que num dia até prendia jornalistas por alimentarem a Justiça de tabacaria e, no dia seguinte, já esquecido do seu ponto de honra, os chamou para lançar a acusação contra um inocente (relembro: até prova em contrário toda a gente é inocente), fazendo o julgamento na praça pública do ministro Azeredo e do Costa. O mesmo Rio que, não tendo a malta toda desatado a apedrejar a mulher do Costa (sim, porque se o ministro sabia, o Costa claro que sabia e, logo, a mulher também tinha que saber), inventou outra: a de que o Centeno deveria receber uma aula do Sarmento, o ministro das finanças que o Rio já nomeou não se sabe bem para quê. Claro que o Centeno, que tem os dedos de testa que faltam ao Alpakas, o mandou dar banho ao cão.

E eu, que não sabia quem era esse tal génio da batata frita, o Joaquim Sarmento, resolvi googlá-lo, para lhe tirar a pinta. E tirei mas não me alongo. Hoje estou em dia bom: a santinha desceu em mim com o regaço a transbordar de caridade. Mas uma coisa eu tenho mesmo que dizer. É que, olhando o dito Quim, achei que o senhor até pode ser bom a dar aulas sobre a contabilidade das laranjas mas uma coisa ele não sabe: que as mangas das camisas do homem não devem ter vinco.

Tirando isso, noves fora nada, alekui-alekuá, xiripitatá-tatá. Urra. Urra.

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Hesitei. Freitas do Amaral merecia estar em melhor companhia aqui no Um Jeito Manso. Ou sozinho, num post apenas a ele dedicado. Mas, tudo sopesado, acho que estará bem aqui. A demonstração pelo absurdo é um método tão bom quanto qualquer outro. De um lado a Cristas, o Rio, a Catarina, o Ventura e etc e, do outro, ele.

Nunca votei em Freitas do Amaral nem sequer, em seu original tempo, alguma vez senti simpatia política pelas suas ideias. Depois, aos poucos fui adoçando a opinião. Fui achando que, independentemente das suas ideias, era um senhor, era uma pessoa respeitadora e digna. E comecei a sentir simpatia. Não propriamente pelas suas ideias que não me pareciam muito definidas mas por ele. Ou fui eu que ganhei maturidade ou tolerância ou foi ele que se chegou ao lado gauche da vida, seja lá o que isso quiser dizer.


Foi-se e eu, ao ouvir a notícia, senti pena. No outro dia, quando ia no carro com a minha mãe, passámos por uma casa que deve ter sido bonita e que está, há muitos anos, abandonada, cada vez mais degradada. Contou-me que era de dois irmãos, ambos sem herdeiros. Foram para uma residência, a casa ficou ao abandono. Agora que morreram ainda mais ao abandono ficou. Assim o CDS, uma casa que, percebi mas tarde, nasceu inteira, digna. Havia o Freitas e o Adelino. Gente inteligente, íntegra. Foi-se um, de uma maneira traumática, depois saiu outro. E o partido nunca mais foi o mesmo. Monteiro, Portas -- e, agora, descambou de vez com a Cristas. Agora que Freitas morreu, acaba a memória do CDS. Ficará ao abandono até que alguém o deite abaixo.

Mas Freitas do Amaral sobreviver-lhe-á -- quer através da obra que deixou, quer através da memória de coragem, dignidade e elevação na política que dele ficou.

Se há um panteão da memória da democracia portuguesa, de uma coisa podemos nós estar certos: Mário Soares está lá de braços abertos para receber o amigo.


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quinta-feira, abril 19, 2018

José Sócrates, José Gomes Ferreira, José Castelo Branco e mais uns quantos, Ventinhas incluído


Cheguei a casa tardíssimo. Um dia daqueles de que nem vale a pena falar. Mas ainda consegui ir à fisioterapia. Tenho que tentar fazer as sessões prescritas a ver se me ponho completamente boa para ter alta. Já estou muito melhor, nem se compara. Quase consigo abotoar o soutien atrás das costas. Durante meses, o supra-espinhoso não tinha a flexibilidade necessária para curvar o braço atrás das costas, para além de me doer à brava. Agora já pouco me dói e a mobilidade do braço, mesmo nas rotações interiores, já é outra loiça. Mas completamente boa ainda não estou e, não querendo ficar deficiente para o resto da vida, embora seja uma maçada ir enfiar-me ali ao fim do dia e estar naquilo durante mais de uma hora, forço-me a ir.

[Aliás: esqueçam que eu disse que estou melhor porque gabar-me de alguma coisa parece que atrai forças contrárias. Não disse nada. Não estou melhor. Noc-noc-noc, três vezes na madeira]

Bem. Onde é que eu ia?

Ah sim, já sei.

Não contando com o stress para conseguir raspar-me do escritório a horas razoáveis e das correrias no trânsito para lá chegar a horas, aquilo é bom. Estar ali deitadinha e tratamentozinhos e tal e coisa traz-me uma calma instantânea. O chato é chegar tão tarde a casa. Enfim.

No fim, já por volta das oito e meia da noite, lá fui pagar a sessão. Na recepção e sala de espera, uma grande televisão. Sócrates, claro. As pessoas ali todas a levarem com os interrogatórios, com as considerações dos jornalistas, a testemunharem a condenação de Sócrates na praça pública. Um homem dizia ao filho: 'Ninguém proibe isto?'. O filho, um jovem, encolhia os ombros. Um casal olhava e segredava um para o outro e era como se também encolhessem os ombros. Aos poucos as pessoas vão-se habituando a este regime fora-de-lei.

Quando cheguei a casa, ainda a reportagem decorria. Um maná.
A ver se a seguir vem uma Grande Reportagem sobre o Caso dos Submarinos. Ou sobre  Caso Tecnoforma. Isso é que era. Diz o meu marido
Bem. Adiante.

Depois de me ter despido, desmaquilhado, lavado e vestido uma roupa simples de trazer por casa, fomos jantar. Na televisão da copa, um grupo de sindicalistas, cada um de seu ramo (o Ralha do fisco, o Ventinhas dos magistrados, outro dos agentes de investigação e outro não me lembro de quê), reivindicava mais meios para poder fazer mais proezas como esta, do Caso Marquês. O meu marido disse: onde é que isto já vai. E eu pensei: amanhã ainda aqui temos a Avoila.

A seguir a coisa compôs-se ainda mais. José Gomes Ferreira -- num excitex, num pico de epifanias simultâneas, hipermotivado para varrer o adro a varapau -- já queria passar a pente fino todas as decisões dos governos Sócrates, todas, uma por uma. E, completamente desfocado, ou melhor, destravado, já queria inspeccionar de fio a pavio todos os contratos das parcerias público-privadas, já ajustava contas com toda aquela geração de políticos, empresários, gestores e tutti quanti. Valeu a intervenção de Cristina Ferreira, pouco isenta jornalista mas, ainda assim, já com idade para ter um mínimo de juízo, que, sem meias palavras e na prática, o mandou ir dar banho ao cão, lembrando que era melhor fechar os processos em curso antes de abrir novas frentes. Ele enfiou o barrete e disfarçou, dirigindo-se a outro. Logo depois elogiaram-se todos uns aos outros por terem feito tão bom trabalho, inspectores ventoinhas, jornalistas de aviário, tudo do bom e do melhor e que venham mais que isto é que é a democracia a funcionar. Para eles, a coisa está feita, os culpados condenados e o caso encerrado -- e eferreá-eferreá, alequi-alecuá, xiripitatatatá.

Referência ao facto de ali estarem a participar numa farsa e numa ilegalidade, está quieto. Reflexões sérias é coisa que não lhes assiste.

O que me valeu foi que, entretanto, adormeci. Mas foi sol de pouca dura, nem deu para sonhar.

Vi os mails, trouxe para aqui a opinião informada do P. Rufino. E voltei a adormecer.

Agora aqui estou, pobre de mim, tentando acordar para ver se consigo chegar à cama. Mas gostava de ir com uma coisa boa em mente para ter bons sonhos senão ainda corro o risco de ter um pesadelo com o justiceiro José Gomes Ferreira ou com o Ventinhas.

Portanto, com vossa licença, um vídeo que não tem nada a ver. Mete segredo de justiça e outras cenas mas é pura coincidência.



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As imagens que mostram como o que se vê nem sempre é o que se vê provêm do Bored Panda e, como é bom de ver, também nada a ver.

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quarta-feira, julho 20, 2016

Kim Kardashian e José Castelo Branco -- gémeos separados à nascença?
- ou o triunfo do bisturi e do silicone no maravilhoso Reino das Selfies
[Nem a Mona Lisa resistiu a esta moda, caraças]


selfies kardashian

No outro dia, um amigo mostrou-me fotografias de um importante evento em que tinha participado. Cusca eu e não menos cusco ele, ali estivemos no corte e costura, a ver um por um, e ele a mostrar-me a mulher deste, acabada, acabada, a outra, tia, podre de tia, o outro já a cair da tripeça, a tal que é gira todos os dias. Às tantas pergunto-lhe se a mulher de fulano de tal não tinha ido. Que sim, que sim, poderia lá ela faltar a uma coisa daquelas. Mas nunca mais aparecia. E ali estive eu a ver uma que, gorda como está, já não tem corpo para se vestir daquela maneira, o outro que parece uma múmia bem conservada. E entre o espanto e o riso, lá fui vendo as mais de duzentas fotografias.

Até que me diz ele: 'Olhe. A sua amiga.'. Olhei, espantada, sem conhecer ninguém. Ao meio da fotografia uma desconhecida, de pé, sorria. Dos lados, outras. E ele: 'Mau. Então?' E eu: 'Não conheço ninguém...'. E ele 'Olhe bem'. Eu parva, a olhar: 'Não me diga...,' E ele: 'Ai digo, digo'. E eu: 'Não... impossível...' E ele, 'Ai não, não...?'. Era ela, a mulher do outro. Irreconhecível. Esticada por todo o lado. Nem se percebia onde acabava o nariz e começavam as maçãs do rosto que, por sua vez, estavam redondas e volumosas, lustrosas como maças saloias. A boca era outra desgraça. Umas beiçolas inchadas, reviradas, transbordando para o espaço entre o lábio superior e o nariz.  Diz ele: 'Pois, estou a ver que partilha da minha opinião: não correu bem'. E eu: 'Nada bem. Fogo... que tragédia!'

E ali fiquei, perplexa, a olhar para ela, tentando reconhecê-la. Sem rugas, sem feições, sorriso pasmado, Parecia a mãe dela que também se recusa a deixar o tempo pousar sobre o rosto. Gastam fortunas, devem ter dores quando fazem aquelas obras de recauchutagem, e, acredito, acham-se bonitas nesta figura.

É o reino do faz-de-conta, do fútil, dos sorrisos a toda a hora, das selfies feitas para seguirem directamente para o Face ou para o Insta.

O pináculo deste fenómeno foi atingido por essa rabuda que dá pelo nome de Kim Kardashian. 


É conhecida apenas porque se dá a conhecer -- e tão fenomenal é a sua figura e tão vazio o invólucro que milhões de pessoas a seguem como se fosse uma divindade. 


Ela fotografa-se com as mamonas ao léu e é o furor, ela besunta-se de óleo e despeja champanhe na bundona e rebenta com a internet. Não passa disto. Já teve um programa de televisão e sei lá que mais. E, repito, não passa disto!


Se olharmos para ela rapidamente percebemos que a nossa bicha de estimação, o José Castelo Branco é uma Kim Kardashian avant la lettre. Criatura auto-construída, alimentada pelo jet set de trazer por casa, o Conde também dá o cu e cinco tostões por aparecer na televisão ou na capa de uma revista cor-de-rosa (nb: metaforicamente falando, claro).  São quase iguais.

Ambos gostam de mostrar o corpo, ambos o mudam à medida do que lhes passa pela cabeça. Nus, de fato de banho, abraçados aos conjuges, o que calhar: é preciso é aparecer. Alimentam-se disso. Como se vivessem permanentemente ao espelho.

Kim Kardashian e as suas formas pronunciadas

José Castelo Branco, a mana gémea da Kim,
que não tarda também se vai pôr a enxertar toucinho nas nádegas

Mas, enfim, mal também não faz. E ilustram bem o que são estes tempos que atravessamos, tempos de narcisismo e vacuidade. Ainda hoje uma jovem considerada de elevado potencial e uma estrela em ascensão, que conhece vários países e tudo o que é restaurante e bar da moda, me dizia, toda convicta, que não tinha tempo para ler. Nem gostava. Tudo muito chato -- dizia ela. E eu não a contrariei. Para quê? Falamos uma língua diferente, vivemos em mundos diferentes.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quarta-feira.

...

domingo, maio 25, 2014

Os Globos de Ouro 2014 vistos por José Pedro Vasconcelos para o 5 para a Meia-Noite: 'São sempre os mesmos!'. Lili Caneças e o beijo na boca, Lady Betty, o auto-broche e José Castelo Branco, Balsemão que mais parece a múmia de Carnaxide, Júlia Pinheiro cheia de saudades e mais uma data de cromos de quem não sei o nome.


No post abaixo mostro-vos uma forma possível de responder a piropos na rua. Uma mulher vai a passar e ouve um beijinho repenicado? E a seguir mais outro...? Ok. No fim deste, desça, por favor, até ao post seguinte. Martina Hill mostra como é.

Aqui, agora, a conversa é outra.


As eternas manas catatuas
José Castelo Branco, essa grande bicha,
 toda ela folhos,
e a Senhor Dona Lady, Betty Grafstein de seu nome,
com o big auto-broche ao peito


Não vi os Globos de Ouro. De vez em quando o zapping passou por lá, mas não deu para lá ficar: não apenas não conheço praticamente ninguém das pessoas de quem se lá fala como há ali um arremedo de Oscares que me parece uma coisa excessivamente de trazer por casa, uma imitação demasiado literal.

O que é que trazes vestido? E as jóias são de quem?, eram as perguntas recorrentes dos entrevistadores de serviço. 

Agora que falo nisto, reparo que os bocados que intermitentemente vi, aconteceram durante a entrada para o espectáculo em si (o espectáculo não vi de todo). Mas na entrada, tal como nos programas da televisão generalista que passam o tempo todo a anunciar um número de telefone para o qual as pessoas devem telefonar se querem habilitar-se a ganhar uns milhares de euros - parecendo que os bimbas que por ali desfilam a cantarolar e a bambolear-se são mero adorno para encher os espaços entre os apelos aos telefonemas - também aqui dá ideia que tudo aquilo dos Globos de Ouro é pretexto para as pessoas irem fazer propaganda a costureiros ou joalheiros.



Se calhar sou a única pessoa à superfície da terra
que não sabe quem é esta vaporosa senhora
Mas isto que abaixo vos mostro em vídeo é outra visão desse desfilar de vaidades na passadeira vermelha dos Globos de Ouro, ali às Portas de Santo Antão. O foco não são os vestidos, os sapatos. O foco é a graça da coisa.

Numa reportagem para o 5 Para a meia Noite, José Pedro Vasconcelos, esse ganda maluco, esse mestre do improviso que tem carradas de piada, entrevista o jet set que por ali vai desfilando, e populares, e distribui piropos e alfinetadas e até dá um beijo na boca a Lili Caneças. Um beijo que o deixa cheio de tremores. 

Oceana Basílio
como se estivesse a fazer
prova de marcha com uma
indumentária pouco apropriada


Há momentos deliciosos e o final não podia ser melhor: uma série de carros da polícia para levar de cana alguns dos convidados.





[A propósito de jet sets que influenciam e derrubam governos, que se armam em moralistas e defendem a necessidade de flexibilizar ainda mais a legislação laboral ou de reduzir os custos do trabalho e que, às tantas, fogem ao fisco, fazem contabilidade criativa, alojam as sedes em paraísos fiscais, dão golpes de mestre, e que causam a ruína de bancos e de países, estou com vontade de falar dessa grande barraquinha que está aí armada: as dívidas de milhares de milhões não declaradas nas contas do Grupo Espírito Santo, grupo esse onde pontua esse grande exemplo nacional que dá pelo nome de Ricardo Salgado. Mas não vai ser hoje porque estou cheia de sono]





E agora convido-vos a ver os vídeos

Globos de Ouro 2014: os vestidos, os costureiros, os sapateiros, os seios, os anéis, em suma, o déjà-vu 

(tudo José Pedro Vasconcelos transforma em piada).







***   ***


Não estranhem eu não ter reportagens de rua mostrando como as ruas estavam invadidas por espanhóis. Explico. De manhã, ao fazermos a nossa caminhada matinal, constatámos a invasão. Espanhóis sobretudo, claro, mas também muitos alemães (os que tinham planeado vir para o Bayern). Mas não ia preparada para fotografar.

À tarde estivemos com os meus pais, os pimentinhas a darem uma volta na casa e no jardim dos bisavós. Reparem no rabinho cinzento da minha menina. Disse que queria levar uma roupa especial e escolheu as calças às quais a outra avó tinha cosido um rabinho de feltro cinzento para ir fazer de ratinho numa festa na escola. 

Os primos acharam a coisa mais natural do mundo vê-la com rabo de ratinho e ela fica toda vaidosa por repararem nela. É uma coquette.

Por onde passam, mexem em tudo. A minha mãe já lá tem copos de plascistinas (como ela diz) para ver se se entretêm com isso e não mexem noutras coisas. Mas, sabe-se lá como, aparecem sempre com outras coisas na mão. Por exemplo, a lupa da escrivaninha saíu à cena e partiram logo o aro que rodeia a lente. 

O bebé está um rapazinho brincalhão, falador e espertalhão, mas, tal como a mana, é meigo que só visto. Aliás, é ainda mais. Dá xi-corações que são um consolo. Pedimos: vem cá fazer um miminho ou dá-me um abracinho e ele vem logo, bracinhos abertos, encostando a carinha à nossa. Uma ternura imensa.

O mais crescido já lê com uma facilidade que deixa a bisavó enlevada, logo ela que foi professora primária (e diz, faria se alguém o ensinasse...). fala com um vocabulário riquíssimo, com uma infindável capacidade de argumentação. Vai ser advogado, diz a bisavó. Tem dois tios que o são e um primo em segundo grau a caminho de o ser - às tantas é genético. Mas sabe-se lá. É tão pequeno ainda.

O ex-bebé é um querido e um desembaraçado. E é tão alto que já nem faz muito sentido tratá-lo por ex-bebé. Comilão, bem disposto, uma força da natureza. E gosta de se exibir, especialmente se há público feminino para assistir aos seus feitos.


Depois tivemos que vir de lá antes deles quererem, que estavam de gosto, porque o avô queria estar a postos em frente à televisão meia hora antes do jogo começar e deu ordem de partida à família toda muito antes do que seria razoável. Mas, com medo que houvesse trânsito ou por precaução, ala que se faz tarde. E depois já não saímos. Por isso, futebol e festejos de rua, só vi pela televisão.

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Relembro: para ver cuma possível reacção a um beijinho atirado na rua, desçam por favor até à Martina no post abaixo.

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Por agora, fico-me por aqui.
Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo domingo e, por favor, vão votar.
Não se abstenham. Não votem em branco. Votem. Por favor.


quarta-feira, junho 12, 2013

Nuno Crato faz dos professores o inimigo público nº 1 e, em vez de ajustar as datas dos exames, não se importa de sacrificar os alunos e, numa de macho-man, faz braço de ferro não sei com quem e diz que vai recorrer da decisão do colégio arbitral (que não viu razão para serviços mínimos). O Papa Francisco reconhece que existe corrupção e um lobby gay que atam as pontas todas dentro do Vaticano, tornando a vida da Igreja um bocado complicada. O governo da Grécia não é de modas e faz a vontade à troika: numa de morte súbita, fecha a televisão e a rádio públicas, deixando na rua 2.700 pessoas. Perante isto vou falar de quê...? Nem sei. Olhem... vou falar do José Castelo Branco no Splash! da SIC e, já agora, falo também da Senhora Dona Lady, Betty Grafstein de seu nome. Todos pr' á piscina, todos pr'á piscina...!..!


Nestes tempos de greve de professores, afinal o colégio arbitral resolveu que não é caso para decretar serviços mínimos para o dia dos exames e o Crato-do-mamar-doce lá nos apareceu, ar ressabiado, dizendo que vai recorrer. Esta gente não sabe gerir situações mais complexas. Estavam bem governadas as empresas se à sua frente estivesse gente emburrada que resolvesse fazer braço de ferro com os trabalhadores, pondo em causa os clientes. Só visto. 

Mas há dias em que não tenho paciência para gente tão fraquinha: não vou falar disso. Coitados dos alunos. Não o digo por causa da greve dos professores mas por estar um sujeito tão fraco (a todos os níveis!) à frente do Ministério da Educação. Os alunos, os professores e o País em geral mereciam melhor sorte. Mas que é que se podia esperar num desGoverno destes? Milagre seria o contrário.

Adiante.

Podia falar da assumpção, por parte do Padre Francisco, de que há um lobby gay (não me dá jeito escrever lóbi; na volta sou uma conservadora) e corrupção dentro do Vaticano. Novidade disto? Nenhuma. Mas é a primeira vez que um Papa o assume, assim, sem papas na boca. Diz ele que não é fácil desfazer redes antigas mas parece que alguma coisa é capaz de vir a acontecer já que está uma brigada de limpeza no terreno.

Mas também não me apetece falar nisto. Estou noutra.

Devia mesmo é falar do que vai acontecer na Grécia sobre o fecho de televisão e da rádio pública, assim, à bruta. As pessoas reuniram de urgência mas a decisão é inabalável: 2.700 pessoas para a rua de súbito. 

Dizem com naturalidade: é imposição da troika. Da troika?! E aceitam?!?!?! Cambada de cobardes, de vendidos. 

Fico perplexa. De boca aberta. Estupefacta. Custa a aceitar. Isto agora já é assim?!?! E ninguém acha isto esquisito? Ninguém vira a mesa?! Ó senhores que isto me deixa varada!

Adiante que eu, com isto tudo, estou speechless, que é como quem diz, sem pio.

E, assim sendo, vou esparveirar para ver se me distraio.



José Castelo Branco, a verdadeira biichaaaa....!


Vou antes falar, já viram no título, do José Castelo Branco e da sua bem-amada, a Srª Dona Lady.

Na primeira vez que deu o Splash! da SIC, com a histriónica Júlia Pinheiro, eu não sabia o que era. Como aqui em casa há um habitante que só pára de fazer zapping quando adormece, calhou passar por lá. Fiquei fã.

Nem vou tentar explicar porquê pois temo que os argumentos ainda fossem piorar mais a má impressão que esta confissão possa estar a causar em vós.



Provavelmente estes são os que passaram à próxima eliminatória mas não garanto,
os meus conhecimentos não chegam para tanto


Mas também não vou explicar porque, de verdade, não sei bem qual a verdadeira razão. Não sei se é por exaustão face ao resto da programação televisiva, já não há pachorra para tanto papagaio!, se é porque gosto de ver os chapões que eles dão ao princípio, acho graça a atirarem-se à gato, enroscados de frente, gosto de ver como, aos poucos, vão superando o medo, e como eu os percebo (as vertigens que eu tenho, só de escrever isto já sinto os pés a ficarem esquisitos, é uma espécie de formigueiro, nem sei), gosto de ver como depois conseguem voar para a frente, entrar direitinhos na água (outras vezes nem tanto mas não interessa, superam-se e isso é o mais importante).



José Castelo Branco na versão 'diva prepara-se para voar'


Eu nunca fui capaz de saltar de uma prancha. Adoro nadar, gosto de nadar fora de pé, longe, quando era mais nova, então, nadava até bem longe, até olhar para baixo e ser escuro, escuro, bem fundo, não tenho o mínimo medo. Quer dizer, agora já não me aventuro assim. Penso que posso ter uma cãimbra ou que posso ser levada por uma corrente. Já não vou para tão longe. Mas das alturas tenho mesmo medo... Nem nunca consegui dar aquelas cambalhotas no ar. Nem de perto nem de longe. Nem consigo imaginar o meu corpo a ganhar o balanço suficiente para se elevar e dar aquelas piruetas malucas. E sempre tive pavor quando os meus filhos, em miúdos, faziam trinta por uma linha. Juntavam-se com os primos e era cambalhotas no ar umas atrás das outras e eu em pânico. Pânico.

Talvez por esse lado, acho graça a este programa.

Claro que me enerva o lado pindérico-emocional da Júlia Pinheiro a pedir aos familiares que digam que amam os saltadores e outras cenas pífias. Mas passo por cima disso para ver o resto.



José Castelo Branco
aqui na versão sereia pronta para a dança sincronizada,
 molinha no nariz, luva alta, branca


E depois há esse personagem rocambolesco a que acho um piadão: o Castelo Branco, o Conde que gosta de pintar a manta. Uma mulher autêntica mas com um sentido de humor que dá gosto, a rir-se dos botoxes, a rir da falta de jeito. 

Não me lembro se foi no primeiro dia se noutro, a Júlia Pinheiro, outra que tal, olhando-lhe para o bas fond, perguntou se não havia ali nada, e ele, na maior descontração, disse que havia e que até era de bom tamanho, que tinha posto para trás. 



José Castelo Branco:
uma mulher num corpo de homem ou um homem num corpo de mulher?


E eu ali a olhar-lhe para o meio das pernas a ver se percebia onde teria ele escondido o coisinho. 

E todo ele faz pose, altas toilettes, e de saltos altos, toda pintada, a biichaaaa...!, e sempre na boa, na brincadeira. 



Splash!, a sereia José Castelo Branco e a Srª D. Lady


E a Senhora Dona Lady, toda risonha, coitadinha, nem sei quanto tempo aquelas duas almas levarão para se arranjar, ele na maior produção e ela, de boquinha meio aberta, meio ao lado, sempre sorrindo, e ainda toda direitinha. No outro dia, estando ele a tentar cantar (que aquela bichaaaa! não tem medo nem vergonha de nada, vai a todas mesmo sem as saber fazer), no fim perguntou-lhe, em inglês claro, se ela tinha gostado. E ela, tão querida, lá lhe disse que sim, com ar meio adormecido ou meio condescendente ou, então, não conseguiu fazer outra expressão. 

Isto dito assim, pode parecer que estou a gozar mas não estou. A sério que aquelas duas são tão do além que até sinto simpatia por elas.



O casal maravilha no seu melhor, José Castelo Branco e Betty Grafstein,
talvez a criatura e o seu criador, não sabendo eu qual é qual


E quando o vê na piscina a fazer aquelas palhaçadas, toda ela tenta sorrir, e não se percebe se está mesmo consciente ou se o botox a deixou assim, de boquinha arreganhada como se estivesse a rir. 

(E lá estou eu... mas não estou a gozar, a sério que não, mas é que são tão fora do comum que a gente não consegue ficar indiferente. Eu, pelo menos, não consigo.)

Uma graça. Acho que aqueles dois são felizes. Vejo-os e parece que é gente boa onda. Claro que é uma realidade paralela, uma coisa do além, mas tem graça. Ele encarna todas as personagens: ou chefe de claque, ou sereia, ou diva. Uma graça. E ela acha-lhe piada, não se incomoda com os excessos dele, ali andam sempre os dois juntos.



José Castelo Branco: the cheerleader
Feminina e  abandonada, prestes a ser atirada para a água pelo guerreiro 


Acho que é gente inofensiva, bem disposta. Não vejo a menor razão para dizer mal deles. E gostei de vê-lo a ir dar um beijo ao filho, um rapagão normalíssimo que, curiosamente, parece aceitar bem a excentricidade do pai.



Pai e filho. Uma ternura.
Quase parece mãe e filho mas isso não interessa.


E, portanto, vocês estão a ver: não é melhor escrever sobre eles do que sobre os padrecos que pregam a castidade e andam enfiados nas saunas gay? Ou sobre os que andam a fazer trafulhices no banco do Vaticano? Ou sobre o sonso do Crato? Ou sobre os estafermos que vão fechar a televisão pública grega e pôr 2.700 pessoas na rua?

*

Acabei de ver as estranhas imagens do fim da televisão pública grega. As pessoas estavam em estúdio a falar e de repente desapareceu tudo e apareceu a indicação de que não havia sinal. 

De facto, parece que não há: parece quase mão haver nem sinal de democracia. Nem sinal da vida que julgávamos normal, eterna, maternal. Que impressão me fez, que impressão. Como é que se aceita uma coisa destas? Como?!

Diz que vão fazer uma empresa mais pequena, mais rentável, e que alguns dos que foram agora humilhantemente despejados, talvez sejam repescados. Sinto-me sinceramente enjoada perante uma coisa destas. Nem sei se a palavra é enjoada ou enojada. É isto a democracia que estamos dispostos a aceitar?

*

Bom. Fico-me por aqui. Como de costume gostaria que me visitassem no meu outro blogue, o Ginjal e Lisboa, a love affair. 

Mas hoje gostava ainda mais porque talvez me ajudem a desvendar um mistério. Apareceu-me uma fotografia misteriosa que eu não dei por ter tirado (e só eu é que tiro fotografias) - parece uma folha manuscrita, uma coisa mesmo estranha. Escrevi sobre isso e desta vez foi a fotografia que me inspirou. 

Contudo, como se as coisas não estivessem já suficientemente misteriosas, como que por magia abri um livro ao acaso e apareceu-me um poema, que era do Casimiro de Brito, que parecia ter a ver com tudo aquilo. Há coisas que parecem mesmo do além (mas sei que não são, ou são coincidências ou coisas que, por ignorância minha, ainda não entendo). A música é, de novo, Jacques Loussier a interpretar Bach com ar de jazz, uma maravilha.

*

E é isto. Tenham, meus Caros Leitores, um belo dia, e, se possível, pleno de sorrisos e afectos.

domingo, janeiro 15, 2012

José Castelo Branco, a Imperatriz, acompanhado por D. Betty e por Nelson, foi ao tribunal dizer que não se lembra de ter participado em orgias; não há quem conheça a explicação para Celeste Cardona ir parar ao Conselho Geral e de Supervisão da EDP; e eu não consigo perceber como é que Luís Menezes, um gaiato, tem tanto relevo no PSD. Só mistérios.



Mistério Nº1.  Madame José Castelo Branco, segundo ela própria vestida de imperatriz mas mais parecendo uma viúva negra, ou uma versão feminina do Rei Nimba, ou uma árabe milionária vestida de homem vinda de uma expedição à Namíbia, nem sei, e Senhora Dona Lady, Betty Grafstein de seu nome, vestida de cossaca, apresentaram-se a tribunal.

Diz a Imperatriz Condessa Zeza Castelo Branco que não se lembra de ter participado nas badaladas orgias, ao que parece de cariz sado-masoch, que até já foi a um vidente, que já se submeteu a uma sessão de hipnose para ver se, regredindo no tempo, conseguia recordar-se de por lá ter andado a fazer uma perninha  - mas nada, não tem ideia de nadica. Pediu, então, à juíza que o deixasse ver o filme das ditas para ver se tinha tido algum orgasmo mas, imagine-se, a juíza não o satisfez.

E, no meio dos disparos dos fotógrafos, lá saíram as duas mais o motorista e guarda-costas Nelson, cheios de glamour, sem que o mistério se tivesse esclarecido, ela confessando-se cansada e a Senhora Dona Lady , como sempre, caladinha e sorridente. 

O País continua, portanto, à espera que coisa se esclareça. Ao que parece haverá nova audição e, portanto, lá estaremos todos, à porta do tribunal, à espera do show que aquelas duas sempre proporcionam. A Imperatriz Zeza (brilhantésima, cheia de charme, extraordinárias toilettes) e sua Senhora (sempre com toilette a fazer pendant, inacreditavelmente ainda pelo próprio pé,  e sempre com aquele seu fantástico sorriso) nunca desiludem - aparições plenas de surrealismo estão garantidas!

...

Mistério Nº2. O outro mistério que nos anda agora a preocupar é igualmente perturbante. Ninguém consegue perceber como é que Celeste Cardona apareceu naquele albergue espanhol (ou deverei dizer bazar chinês?). Para os outros, ainda parece encontrar-se uma lógica - um porque é um conhecido humorista (a piada pubiana correu mundo), outro porque esteve em Macau, outro porque tem ar de inteligente alucinado, outro porque faz uns poemas muito engraçados e pinta uns quadros minimalistas que são verdadeiramente do além - ... agora para a Dona Celeste ninguém consegue perceber que piada é aquela.  Quem é a que a escolheu? E a propósito de quê? O senhor presidente Catroga também está intrigado, não faz ideia.


Talvez Paulo Portas pudesse desvendar o mistério mas, como parece que é o único inteligente ali para as bandas do governo, anda caladinho, caladinho, a ver se passa despercebido. Os outros vão-se espalhando ao comprido a cada passo que dão e ele, sorridente, passando entre os pingos da chuva. 

...

Mistério Nº3. Como é que uma criança é agora a voz mais avalizada no PSD para botar faladura sobre o que quer que se passe neste mundo e no outro? Alguém me explica? Em terra de cegos quem tem um olho é rei, é bem certo. Face ao estado de penúria de competências que reina no PSD, a criança (que usa barba para disfarçar) até já conseguiu chegar a vice-presidente da bancada. Parece anedota mas não é.


Dá pelo nome de Luís Menezes, o filho de seu pai. E opina sobre as decisões de Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, opina sobre Cavaco Silva, opina sobre política nacional e internacional e sobre o que quer que seja desde que lhe ponham um microfone à frente. Convicto, sábio, vivido, carregadinho de mundo e de experiência de vida,  hoje ouvi-o pedir ao governo que não se desfoque da política de austeridade, e que, uma vez que a Standard & Poors baixou a nota da dívida portuguesa para 'lixo' - invocando que, com esta política de austeridade o país não vai conseguir pagar o que deve (ah pois não! É que nisto a S&P tem toda a razão) - o gaiato concluíu que o que o Governo tem que fazer é reforçar as medidas de austeridade. Esperto. 

É o que dá entregar o destino do País a miúdos inexperientes.

Eu talvez o aceitasse como estagiário, para ver se ele aprendia o que é a vida real. Mas não, ele optou por mais interessante carreira. Como disse em cima, e desculpem se me estou a repetir, o catraio chegou a deputado e, aí chegado, em vez de o porem nos juniores, não: puseram-no como cereja em cima do bolo, já é vice-presidente da bancada do partido da maioria. Como é que isto é possível?

Alguém me explica um mistério destes? É que isto ainda é mais difícil de perceber que aquela cena maluca de um tal Mário Mendes, professor universitário em Évora, que se fazia passar, na internet, por Ana Sofia Magalhães, mulher sedutora, e depois passava a infernizar a vida dos pobres homens que caíam na esparrela. Ele há coisas...

Valham-nos todos os santinhos ... que já começo a temer que 2012 seja mesmo o ano do fim do mundo.

...

by Robert Maplethorpe

E assim, envolta em mistérios, me despeço por agora, desejando-vos um bom domingo!
  

sexta-feira, outubro 07, 2011

José Castelo Branco e Lady Betty Grafstein, Duquesa de Alba e Alfonso Díez, Marguerite Duras e Yann Andréas - três heterodoxias extremas


José Castelo Branco, nascido em Moçambique em 1962, veio para Portugal quase criança, trabalhou como modelo e, mais tarde, foi Tatiana Romanova, drag queen no Trumps. Casou-se, teve um filho, divorciou-se. A sexualidade ambígua, o corpo torneado, as feições exóticas e um temperamento extrovertido levaram-no a festas sociais onde conheceu artistas plásticas, de quem acabou por se tornar quase agente e, daí, até se tornar marchand foi um passo.

Por essas andanças, foi conhecendo cada vez mais pessoas, foi entrando no mundo do dinheiro. Há cerca de 15 anos casou-se com a riquísima Betty Grafstein, dona de uma empresa de diamantes e design de jóias, a Grafstein Diamond Company que herdou do marido, um judeu americano já falecido. A firma é gerida pelo filho que, naturalmente, não vibra com o casamento da mãe. Lady Betty é muitos anos mais velha que José Castelo Branco mas não se conhece ao certo a sua idade. Residem entre Sintra e Nova Iorque.

Parece que agora meteu na cabeça ser artista, fez um disco, quer participar em espectáculos e à-vontade, graça e sensualidade são coisas que não lhe faltam. Faltar-lhe-á talento vocal mas isso, para ele, é pormenor e, se calhar, para o género, também é irrelevante. A Tatiana Romanova ainda lhe está na massa do sangue.

As festas em que ambos participam, os reality shows em que ele tem sido estrela dominante, o aspecto de ambos, feitos e refeitos em muitas plásticas, tornam-nos um casal mediático e objecto fácil de ridicularização generalizada.

Ele parece cada vez mais mulher, a última cirurgia que se lhe conhece, segundo ele, foi para fazer umas pommes. Diz que, quando a mulher morrer vai 'para um convento de bichas'. O aspecto dela também a torna alvo fácil de piadas. Tantas plásticas já deve ter feito que o rosto parece ter cristalizado num sorriso patético.


Agora estão ambos envolvidos em mais um filme: José Castelo Branco terá participado em orgias sado-masoquistas em hotéis de luxo, com a Senhora Dona Lady assistindo. Ela diz que não, que mal pode andar.

E toda a gente goza, dizendo que ele é um oportunista, que aquilo é um casamento interesseiro.

Pois eu acredito que sim, tal como todos os casamentos, cada um à sua maneira. Cada um que se casa pensa que vai para melhor. E cada um valoriza os factores à sua maneira (afecto, estabilidade emocional, estabilidade financeira, luxo, apenas amizade).

Ele, que gosta de luxo e de boa vida, beneficiará com o casamento mas acredito que sente carinho por ela. Mas ela tem, certamente, ao lado dele, um suplemento de juventude, de alegria, de vontade de ser bonita, de se arranjar. Com quem, se não com José Castelo Branco, ela circularia em festas animadas, com cantorias, roupas bonitas, maquilhagens, certamente toda a gente a dizer-lhe que está óptima, fantástica? E que mal tem isso, se ela se sentir feliz assim?

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Cayetana de Alba, conhecida por Duquesa de Alba, possui mais títulos do que qualquer outro nobre: é cinco vezes duquesa, dezoito vezes marquesa, vinte vezes condessa, viscondessa, condessa-duquesa e catorze vezes Grande de España.

Teve, no entanto, uma infância triste. Cedo ficou orfã de mãe. Depois, com o pai, exilaram-se em Inglaterra durante a Guerra Civil espanhola; mais tarde, sofreu na pele a 2ª guerra mundial.

Quando voltou a Espanha casou-se, num casamento divulgadíssimo, de luxo. Desse primeiro casamento nasceram os seis filhos.

Depois de enviuvar, em 1978, Cayetana voltou a casar-se com um ex-sacerdote onze anos mais novo que ela, causando na altura bastante escândalo. Mas foi um casamento feliz, o relacionamento entre ele e os filhos dela foi tranquilo, muito bem aceite por todos. Mas em 2001 Cayetana, Duquesa de Alba voltou a enviuvar.

E em 2008 começou a prenunciar-se o namoro entre ela e Alfonso Díez, vinte e cinco anos mais novo, ex-funcionário da Segurança Social. E agora, como amplamente divulgado, no dia 5 de outubro casaram-se.


Mais uma vez, há especulações, há boatos, fofoca, mas o que eu vejo é um casal feliz.

Claro que o rosto da Duquesa - que parece desfigurado provavelmente devido a excesso de plásticas ou enchimentos labiais a botox - se presta a piadolas.

Mas convém que se saiba que é uma mulher muito interessante, ligada às artes, foi modelo, musa e mecenas de pintores, apoia e dança o flamengo e é grande aficcionada de touradas. Ela própria pintava. Possui uma valiosíssima colecção de pintura de que fazem parte, é apenas a título de exemplo, Chagall, Renoir, Picasso.

E, ao ver as fotografias do casamento, com Doña Cayetana feliz, sorridente, um vestido mimoso e elegante, um bouquet tão bonito nas mãos, dançando flamengo, alegre, plena de graça e vitalidade, o marido batendo palmas, olhar carinhoso, o que vejo é um casal que vive a sua vida da melhor forma. Haverá algum mal nisso? Não vejo.
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Marguerite Donnadieu, cujo non de plume é Marguerite Duras (1914 - 1996) foi escritora, dramaturga e cineasta. Nasceu na Indochina francesa, depois dos pais terem ido para lá na sequência de uma campanha que houve em França aliciando os franceses a irem para trabalhar para esse território longínquo.

Contudo o pai adoeceu e morreu, era Marguerite ainda muito novinha. A mãe, que era professora, insistiu em ficar lá com os três filhos. Investiu os haveres numa propriedade remota no Camboja, mas o investimento correu mal e viveram em situação de pobreza.

Foi por essa altura que Marguerida, jovem adolescente, se enamorou por um chinês adulto tendo vivido um apaixonado romance. Deste amor, nasceram várias histórias (algumas relatando situações contraditórias, de alguma ambiguidade, mas sempre francamente sensuais) das quais a mais conhecida é O Amante, Prix Goncourt 1984, também passado a cinema, um filme muito interessante, carregado de um erotismo poético, digamos assim.

Aos 17 anos voltou a França para tirar o curso de Matemática mas desistiu, cursando antes Ciências Políticas e Direito. Adere ao Partido Comunista (de onde, mais tarde, viria a ser explulsa) e enceta uma activa vida política. Casa com um activista, que é deportado. Mais tarde divorciar-se-ão.

Marguerite começa a ter problemas de alcoolismo mas consegue manter-se intelectualmente activa. Entre livros, teatros, filmes, alguns relacionamentos, Marguerite conjuga estas actividades com problemas recorrentes com o alcool. Numa dessas crises, em 1980, telefona a um jovem admirador, que tinha tido contacto com a sua obra quando ainda estudante de filosofia, e que ela tinha conhecido uns meses antes. É Yann Lemée a quem ela tratará por Yann Andreas e que nos últimos cinco anos lhe tinha escrito inúmeras cartas, fascinado pelos seus livros, por ela.


Começa então uma relação de amizade, amor, dedicação, cuidado e carinho. Yann tem menos 38 anos que Marguerite e adora-a.

Durante dezasseis anos cuida dela, apoia-a, inspira-a. Talvez mais que uma relação meramente amorosa, é também, ou sobretudo, uma relação literária.

Yann começou também a escrever mas o reconhecimento apenas veio mais tarde, com o livro em que fala do amor que viveram. Chama-se 'C'est amour là' e foi também adaptado a cinema.


Pego agora nesse livro e leio-vos as primeiras palavras.

"Gostaria de vos falar disso: desses dezasseis anos entre o Verão de 80 e o dia 3 de março de 1996. Desses anos vividos com ela.

Só consigo dizer ela.

Continuo a ter dificuldade em dizer a palavra. Não consigo dizer o nome dela. Só escrevê-lo. Nunca consegui tratá-la por tu. Por vezes ela teria gostado. Que eu a tratasse por 'tu', que a chamasse pelo seu nome. Não me saía da boca, não conseguia. Desenvencilhava-me para não ter que pronunciar essa palavra. Para ela era um sofrimento, eu sabia-o, via-o, e contudo não conseguia fazer de outra maneira. Acho que aconteceu duas ou três vezes, tratei-a por 'tu' por distracção. E vejo o seu sorriso. A infância. Uma alegria perfeita. Por eu me ter permitido chegar a essa proximidade. "

Depois, perto do fim do livro, já depois de Marguerite ter partido, escreve:

"Estou só na cidade, de manhã, à tarde, à noite. À tarde e pela noite dentro, por vezes, tenho pena de estar assim, de não ir no automóvel preto ao longo do Sena, tenho pena de não ouvir o meu nome chamado por si, Yann onde está você, Yann, é preciso ir às compras ao mercado de Buci, Yann já não posso mais consigo, fique, não se vá embora, não fique triste quando eu morrer. Não acredito por um só momento em todas essas histórias da eternidade. (...) Sim, por vezes, a certas horas do dia e da noite, tenho esta saudade. Como uma tristeza que passa. Como um desgosto que volta a certas horas. Imprevisível. E depois escrevo-lhe."

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