Gostava de encher o post de fotografias de Tim Walker. Sou fã, fã, muito fã dele, acho-o um dos melhores. Mas não me arrisco, não quero atrair urubus que andam em volta de quem usa fotografias sem pagar direitos de autor. Eu compreendo que o trabalho dos fotógrafos tem que ser remunerado. Nem é apenas compreender: é aceitar na íntegra. Mas isto aqui não é comercial. Quando aqui coloco imagens de algum artista, seja de que tipo for, é para o divulgar, não para me aproveitar do seu trabalho, muito menos para monetizar o que escrevo à custa de trabalho alheio. Aliás nem disso, nem de coisa nenhuma. Tudo o que faço, quer aqui quer seja, onde for é pro bono. Obviamente. Mas há plataformas que funcionam por arrasto e, por isso, tomo cautelas. Rastreiam imagens que não tenham pago o fee da ordem e saltam em cima, de mão estendida. E são plataformas que o que arrecadam nem é para os fotógrafos ou artistas em geral, é nem se percebe bem para quê, parece esquema, talvez até seja pois se há caso em que se aplica aquilo de que se parece que é esquema, cheira mesmo a esquema, então, o mais provável é que seja esquema.
Mas podem googlar: Tim Waljer. Verão como os trabalhos dele são especiais: oníricos, maravilhosos, cheios de cor, de fantasia, de magia, de elementos etéreos. Não se confundem com nada. São arte.
É curioso ele dizer que sempre receou ser um impostor. E parece ficar surpreendido por ser tão requisitado, tão elogiado. As pessoas diferentes às vezes t~em alguma dificuldade em aceitar que t~em valor.
Não é qualquer um que é fotógrafo. Há que saber conhecer o outro, observá-lo. Não interessa propriamente apanhar o melhor ângulo, isso é pouco relevante, é passageiro. O interessante é captar a essência da pessoa, a forma como se comporta quando está distraída, ou a forma como a luz a envolve quando ela não se dá conta disso, ou como as sombras se recortam no seu semblante.
Mas Tim Walker, em mais uma das conversas íntimas com Bella Freud, não fala apenas de fotografia. Com total naturalidade, conversa sobre as diferentes etapas da sua vida assumida de homossexual, dos meandros dos encontros, da vulnerabilidade que aí se encontra e se partilha, da conexão que se pode sentir num encontro sexual com um desconhecido. Que, segundo ele, pode ser tão poderosa como a conexão que se pode sentir quando se fala com alguém, que se encontra por acaso, que tem um cão e se põe à conversa connosco, quando estamos a passear o nosso cão. É tão amiga e despreconceituosa (e poshy) a forma como Bella fala de todos os assuntos, que os dois estão totalmente à vontade em territórios que poderiam ser algo melindrosos. Não há pudores, não há tabus. Ela fala abertamente de tudo. E Tim Walker conversa também de tudo. É carinhosa a forma como ela refere que transpira amor a relação entre Tim Walker e o seu actual companheirro, Chris. E ele confirma, diz-se feliz e afortunado por tê-lo na sua vida.
Mas o melhor é calar-me, que não sou para aqui chamada, a conversa é entre eles os dois.
Tim Walker fala sobre Kristen McMenamy, sexo e selfies nuas | Fashion Neurosis
Tim Walker é um fotógrafo inglês. Começou a fotografar ainda jovem e, depois de terminar os estudos, trabalhou no arquivo de Cecil Beaton na Biblioteca Condé Nast antes de estudar fotografia na Exeter College of Art.
Após a universidade, mudou-se para Nova Iorque para trabalhar como assistente de Richard Avedon, antes de regressar a Inglaterra, onde fotografou o seu primeiro editorial de moda para a Vogue com apenas 25 anos. Tornou-se conhecido pelas suas composições elaboradas e ensaios fotográficos ambiciosos e narrativos em locais de todo o mundo, trabalhando com adereços e cenários extraordinários, frequentemente em colaboração com a cenógrafa Shona Heath.
Walker realizou seis curtas-metragens, entre as quais "The Lost Explorer" (2010), e criou capas de álbuns para artistas como Harry Styles e Kate Bush.
Já realizou exposições individuais em importantes instituições, como o Design Museum, a Somerset House, o Victoria and Albert Museum e o J. Paul Getty Museum. As fotografias de Walker fazem parte de coleções privadas e de instituições públicas, incluindo o V&A e a National Portrait Gallery de Londres.
A sua mais recente exposição, Tim Walker’s Fairyland, inaugura esta semana na National Portrait Gallery, em Londres.
Neste episódio de Fashion Neurosis, Bella Freud e Tim Walker conversam sobre como superar um coração partido através do sexo, a experiência de ser despedido por Richard Avedon e o que é a Beleza Extrema.







