sábado, junho 13, 2026

Ora bem, falemos então do canal de denúncias

 

Ok, ok, eu falo. Mas já lá vou. 

Antes, retomo o tema da Prestação Social Única e de toda a celeuma que a rodeia. Eu poderia ir tentar descobrir com que linhas a ministra Palma Ramalho coseu a dita prestação, como a chuleou, como cerziu e acolchoou e, no fim, engomou a dita prestação. Poderia, sim, mas não me apetece. Aquilo ainda vai ser discutido, há de ser alinhavado de novo, e muita água há de passar sob as pontes. Li, mas admito que sejam as vizinhas do costume, que a Palma Ramalho, sister de Madame Rebelo Pinto, quer pôr as pessoas com cancro a trabalhar. Não acredito. Nem acredito que queira pôr os desvalidos e desgraçados a tirar o trabalho aos outros. Não morro de amores pela ministra mas não a considero burra nem parva nem estúpida de todo e, por isso, mais depressa acredito que seja fofoca de vizinhas assanhadas.

Como disse, concordo a mil por cento que se faça de tudo para acabar com algumas coisas como, por exemplo:

  • a baixa produtividade
  • o baixo nível de escolaridade de parte do tecido económico
  • a subsídio-dependência 
  • a avença-dependência 
  • o parasitismo 
  • a economia paralela. 

Tudo junto torna a economia portuguesa uma coisa a tender para o poucachinho, e os portugueses, alguns deles deles, a portarem-se como chico-espertos, invejosos, mesquinhos.

Recordo: 

a) A nível da produtividade portuguesa

Olhando para os dados oficiais mais recentes partilhados pela Pordata e pelo Eurostat, Portugal encontra-se na 19.ª posição do ranking de produtividade do trabalho entre os 27 Estados-membros da União Europeia. O fosso para a média: O valor gerado por um trabalhador em Portugal (cerca de 48 mil euros) equivale a apenas 65% da média da União Europeia.

É importante notar que este ranking não significa que os portugueses "trabalham pouco". Pelo contrário, Portugal tem das semanas de trabalho mais longas da Europa. O problema é o valor gerado nessas horas devido à falta de modernização tecnológica das empresas e à forte presença de setores económicos assentes em mão de obra barata (como a hotelaria e o comércio tradicional).

b) A nível da economia paralela

Portugal apresenta níveis de economia paralela superiores à média da Europa Ocidental e das economias avançadas, integrando o bloco do Sul e de Leste europeu onde a informalidade é mais expressiva.

Estudos de economistas associados ao FMI e ao Center for Economic and Policy Research (CEPR) colocam a média histórica e atual de Portugal na casa dos 17% a 24% do PIB, servindo habitualmente de barómetro para as comparações internacionais rígidas.

Conjungando estes dois aspectos, parece-me óbvio que há medidas que têm que ser postas em prática ao mesmo tempo:

  • é preciso puxar a força de trabalho para trabalhos de maior valor acrescentado 
  • e é indispensável criar mecanismos de combate à economia paralela.

Tem que haver uma aculturação, muito levada a sério, de que trabalhar é dignificante e contribuir com impostos e contribuições sociais faz parte da dignidade do ser um cidadão de pleno direito.

Tem que ser rejeitado pela sociedade, mas rejeitado a uma só voz, com veemência, que haja trabalho informal, dinheiro recebido debaixo da mesa, muito menos que haja quem esteja a receber subsídios e, para não os perder, trabalhe recebendo 'por fora'. E isso é um crime duplo e não pode passar incólume.

Contudo.

Calma aí.

Vamos lá a pôr as coisas em perspectiva.

Claro que estou a falar naquilo tudo e a pensar que, face ao momento de charneira sociológica e tecnológica que atravessamos, não tarda vai haver muito mais desemprego, e, provavelmente, desemprego entre as camadas até agora consideradas de grande valor acrescentado. E isto é um outro filme. Um filme que até hoje nunca vimos.

Ainda hoje vi uma entrevista com Dario Amodei a alertar para os riscos potencialmente hecatômbicos relacionados com a adopção maciça da IA. Não são apenas os riscos existenciais (caso haja governos e empresas que avancem sem avaliar os riscos, passando por cima de todas as linhas vermelhas, e tenhamos armamento autónomo, independente da vontade humana) mas também os riscos de desemprego numa dimensão astronómica. Diz o Elon Musk: tem que se pagar subsídios a toda a essa mole humana. Mas, como também ouvi dizer, e concordo, quando não se tem trabalho, acaba-se a trabalhar para o diabo. 

Como se ocuparão todos esses bons profissionais que, de um momento para o outro, se veem sem trabalho? E de onde vai vir o dinheiro para tantos subsídios. Aí já ninguém vai falar de ciganos ou de chico-espertos pois muito provavelmente estaremos a falar de programadores, técnicos de IT em geral, engenheiros, arquitectos, advogados. E esta é a grande discussão. A grande discussão que deveria estar a acontecer.

Mas a malta tende a não querer encarar os grandes problemas -- ou porque são tão grandes que a sua mente não os consegue abarcar, ou porque têm medo e preferem fazer de conta que não os veem. Portanto, estando um pedregulho gigante a vir na direcção da malta, em vez de se arranjar uma estratégia para não ficarmos todos esmagados, a malta olha para os pés e queixa-se que tem areia da praia entre os dedos.

Portanto, vão desculpar-me por não responder a todos os comentários ou nem vou documentar-me sobre a proposta de lei da PSU, nem me alongo mais sobre isto: não quero contribuir para ocupar o espaço público com um tema que me parece normal (fundir vários subsídios e ter regras claras para a sua atribuição bem como mecanismos de controlo na sua aplicação, parece-me, em abstracto, um bom propósito). Bem podem vir para aqui falar na Folha Não-Sei-das-Quantas ou da Não-se-Quantas-Liberal ou de ciganos ou cheganos ou do que quiserem, ou bem podem todos os canais ter comentadores para todos os gostos a falar entusiasticamente do assunto -- não vou dar muito mais para esse peditório.

Mas não me vou sem abordar o tema do canal Denúncia que dá nome a este post. O nome dá coceira, bem sei. Ouve-se e pensa-se logo em bufaria. Mas vejamos o assunto por outra perspectiva: se as pessoas sabem que está a passar-se qualquer coisa de condenável ou repulsivo devem calar-se? Tornar-se cúmplices?

Nas empresas há o canal de denúncia e é muito relevante. É por essa via que as pessoas denunciam casos de assédio sexual ou moral, casos de corrupção, casos de deslealdade profissional, etc. Quando trabalhava, vários casos chegaram até mim. Claro que, em primeiro lugar, os casos eram 'despistados' por uma comissão que fazia uma pré-análise. Geralmente as denúncias são anónimas pois as pessoas têm receio de retaliações e é natural que as tentemos proteger. Muitas vezes, quem faz uma denúncia não é um bufo nojento mas, sim, uma pessoa corajosa. Mas, porque a maior parte das denúncias são anónimas, a primeira investigação para aferir se há ali matéria de facto ou se é obra de colega vingativo pode ser complicada. Geralmente, só depois de já haver um 'caso' devidamente estruturado é que as coisas chegavam até mim e até outro colega que comigo analisava as denúncias. Na sequência de denúncias dessas, por exemplo, uma directora foi despedida com justa causa na sequência de uma denúncia. Um responsável de serviço mudou de funções na sequência de uma denúncia em que a suspeita era grande mas em que não se conseguiu provas suficientes para despedimento. Outros casos traduziram-se em admoestação e aviso por escrito. Outras denúncias ficaram pelo caminho: nada de concreto se conseguiu apurar e mais parecia coisa de ajuste de contas. Pessoas experientes sabem 'pegar' nos assuntos de forma a não alimentar denúncias ocas e, pelo contrário, para aplicar justiça em casos muitas vezes falados à boca pequena e sobre os quais nada se fazia.

Extrapolando para o tema em apreço, que haja um canal nacional para que se possam denunciar situações abusivas de gente que anda a gozar com o pagode, recebendo dinheiro de subsídios quando não precisa deles e quando, ainda por cima, trabalha 'clandestinamente', sem pagar pingo de impostos ou de contribuições, parece-me normal. E confio que haja gente com moral sólida para analisar o que lá for chegando (ie, nada daqueles capangas que movem inquéritos retaliatórios contra juízes que não lhes agradam e que estão feitos com a imprensa sensacionalista). 

Contudo, volto a dizer, face à real dimensão dos problemas da economia portuguesa:

  • a baixa produtividade + a impensável dimensão da economia paralela + (já para não falar da desgraçada demografia invertida)
  • e à ainda maior dimensão da gigante ameaça (ou desafio, conforme se queira ver o assunto) que já começa a desenhar-se, da Inteligência Artificial.

 tudo isso não passa de amendoins. Peanuts, para os intelectuais.

sexta-feira, junho 12, 2026

E se os psiquiatras e psicólogos precisarem ainda de mais tratamento que os seus pacientes...?

 

Já falei muitas vezes que, na minha adolescência, uma das minhas pimeiras escolhas como vocação profissional seria psiquiatria ou, retirando-me daí com receio de enfrentar cadáveres nas aulas de Anatomia em Medicina, psicologia. Desviei-me e tudo bem, realizei-me profissionalmente num mundo completamente diferente. Mas o bichinho ficou.

Contudo, permanece em mim a dúvida sobre a qualidade da terapia quando do outro lado está um psiquiatra ou um psicólogo também com problemas ou limitações.

Também já o contei: uma amiga nossa, psiquiatra e, pelos vistos, tão competente que chegou a directora de serviço num dos principais hospitais do país, era completamente doida. Mas doida varrida. Deixámos de nos dar pois divorciou-se e ficámos amigos do marido. Não apenas o divórcio foi traumatizante para eles, como, face a tudo o que se passou, sentimo-nos mais solidários em relação a ele. E, de resto, mesmo quando tudo estava bem (se é que alguma vez esteve tudo bem, tão doisa ela era), o meu marido não conseguia suportá-la, raspava-se de perto dela sempre que podia. E sempre nos interrogámos: como é que uma maluca assim podia tratar pessoas com doenças do foro mental? Provavelmente, ao trabalhar, transformava-se. Também já o contei: uma vez, um amigo, por razões que não eram de saúde e que agora não vêm aqui ao caso, precisava de consultar uma psiquiatra. Falei-lhe nesta mas avisei-o: não é boa da cabeça, não ponho as mãos no fogo por ela, é maluca mesmo. Pois não é que veio de lá encantado...? Achou-a o máximo, giríssima (e era), com uma voz super sensual, interessantíssima, inteligente, super profissionalona. Nem percebeu a razão dos meus alertas. Fiquei sem saber o que dizer.

Conheço uma outra, não psiquiatra mas psicóloga, psicanalista, conceituada terapeuta. Pois... Nada a ver com a maluqueira da primeira mas diria que também com uma certa pancada. Ainda no outro dia, umas duas outras que também a conhecem bem, se riam com as coisas dela, as desculpas esfarrapadas que arranja, os recuos de última hora que ninguém percebe. Tem coisas que me deixam um bocado de boca aberta, a pensar que, se calhar, algum acompanhamento psicológico não lhe fazia mal nenhum. 

E eu penso: se eu precisasse, recorreria a alguma delas...? E não tenho dúvidas: nem pensar. Acho que viria de lá pior do que para lá tinha entrado. No entanto, pode acontecer -- e certamente acontece -- há um qualquer fenómeno que faz com que, quando estão a trabalhar, dispam todas as suas doideiras pessoais e, no acto de terem de cuidar de outras pessoas, se portem de forma sensata e útil.

Mas o que protege uma pessoa vulnerável se lhe aparecer pela frente não um bom psiquiatra ou psicólogo mas um maluco? Ainda ontem vi uma notícia de que um psiquiatra se envolveu com uma paciente e, quando ela quis romper com ele, para se vingar, determinou que ela precisava de ser internada compulsivamente. Vejam bem... 

Lembrei-me destes aspectos ao ver o vídeo abaixo. Imagine-se a responsabilidade: um jovem meio perdido, desinteressado, desligado da vida concreta do dia a dia, com os riscos que isso comporta, riscos até existenciais... e imagine-se se dá com um psicólogo que não bate bem ou que não consegue agarrar os problemas do paciente de forma a restituir-lhe o entusiasmo e a motivação que tão imprescindíveis são a uma vida digna de ser vivida... Há um certo risco nisto, não há?

Contudo, neste caso, parece que o jovem paciente encontrou o terapeuta certo.

O caso do jovem que não sabia como estar no mundo | Do Outro Lado

O psicólogo Pedro Aires Fernandes acompanhou um paciente de 23 anos muito desligado e desinteressado da vida. O caso inquietou-o e levou-o a interrogar-se como terapeuta, como homem e como pai.

Desejo-vos um belo dia

quinta-feira, junho 11, 2026

Prestação Social Única --- e trabalho voluntário obrigatório

 

Não li a proposta do governo nem tenho prestado atenção a todo o cacarejar que se levantou em torno do assunto. Cansam-me as vozes que falam de tudo, mostrando desconhecer a realidade.

Como não conheço a proposta não vou pronunciar-me sobre ela. O que quer que venha a fazer-se deve ser bem pensado. E quando digo 'bem pensado' é isso mesmo: avaliado sob todas as perspectivas e apenas decidido depois de muito conscientemente se ter sopesado prós e contras.

O que posso dizer é a experiência de casos de que, em tempos não muito longínquos, ouvi falar.

Um caso diz respeito a uma empregada doméstica. Trabalhava num registo completamente informal e não queria de outra maneira pois estava a receber subsídio de desemprego e, portanto, não podia ter uma actividade remunerada 'oficial'. E assim, recebia 'limpo' mais do que se trabalhasse a descontar. E, segundo me contaram, ela dizia isto com a maior naturalidade.

Outro caso diz respeito a uma pessoa que uma empresa quis contratar. Ofereciam um bom ordenado, um bom subsídio de almoço, seguro de saúde. Pois bem, essa pessoa não aceitou pois disse que 'não lhe compensava'. Estava a receber o subsídio de desemprego e a trabalhar num lugar em que recebia 'por baixo da mesa', enquanto no bom ordenado que lhe estavam a propor, como era todo legal, isto é, sujeito a IRS e TSU, o líquido era inferior ao que recebia de subsídio mais o outro que vinha pela porta do cavalo. Na altura, contaram-me que não era caso único, muito pelo contrário.

Relembro ainda as várias vezes em que a senhora que nos ajudava, primeiro com o meu pai e, depois, embora de forma mais ligeira, com a minha mãe, me dizia que outras pessoas de idade lhe pediam também apoio e ela dizia que já não podia aceitar mais compromissos, mas que andavam sempre atrás dela. Quando eu perguntava se ela não arranjava alguém que a ajudasse e a quem, de certa forma, desse ormação, respondia-me que não, pois, segundo ela, 'o café ali em cima está cheio de mulheres que não fazem nada, passam o dia todo ali na conversa e a fumar, umas que vivem dos subsídios de inserção e subsídio disto e daquilo, e não estão para se maçarem a trabalhar, já se habituaram a receber o dinheiro sem fazerem nenhum'. Eu, na brincadeira, dizia para ela não ser má língua. Ficava brava comigo, dizia que jurava por tudo o que havia de mais sagrado que era a mais pura das verdades, que eu podia ir lá ver com os meus olhos.

E poderia enunciar outras situações do mesmo género, pessoas que dizem que trabalhar a descontar 'não lhes compensa' face aos subsídios qu erecebem mais o que fazem 'por fora'.

E agora até me fez lembrar uma outra situação que não tem a ver com isto dos subsídios mas que, no fundo, tem a ver com a mesma mentalidade. O filho de um conhecido foi um aluno muito bom, tenho ideia que o melhor do curso, depois fez o mestrado numa universidade do exterior, depois começou a doutorar-se, e tudo em temas ligados à cultura, à sociologia da arte, coisas assim. Durante a frequência universitária ligou-se mais ou menos a um partido. E um dia escreveu um artigo crítico no jornal da faculdade, dizendo mal das políticas culturais do governo da altura e, já não me lembro como, esse artigo depois foi citado num jornal dito de referência. Curiosamente, a seguir, foi contactado pelo secretário de estado no sentido de lá ir ter uma conversa. Foi e, lá, foi-lhe oferecido um cargo de assessoria a troco de uns euros valentes. Apesar de ser crítico do governo e de este ser de uma cor diferente da do partido em que mais ou menos militava, aceitou. Algum tempo depois, viu um anúncio para ir organizar e dinamizar o acervo cultural de uma importante institução financeira. Foi à entrevista. Dias depois, o pai, todo revoltado com essa instituição, contava-me que lhe tinham oferecido um ordenado da treta, que nem chegava aos dois mil euros, que mais que isso ganhava ele na Secretaria de Estado 'para não fazer nada', e que, portanto, obviamente tinha recusado. Fiquei estupefacta. Ele e o filho achavam normal que o rapaz ganhasse uma avença para não fazer nada. No fundo é a mesma lógica: a de que possa fazer sentido receber-se dinheiro só porque sim, sem ter que dar nada em troca.

Como disse, não conheço a proposta da Prestação Social Única e do trabalho voluntário 'à força'. Mas, independentemente disso, acho que as virgens ofendidas que batem no peito por dá cá esta palha deveriam conhecer melhor o mundo da economia paralela antes de pregarem com tanta veemência. 

E também acho que o que houver a fazer para moralizar minimamente esta sensação de que algumas pessoas têm de que podem receber subsídios, acumular com trabalho feito à candonga, sem pagar impostos ou contribuições sociais, porque lhes 'compensa mais' do que fazer trabalho normal, legítimo e declarado, deve ser feito. 

quarta-feira, junho 10, 2026

Camões

 

A falta de produtividade dos portugueses tem muitas explicações e, se calhar, a mais razoável terá a ver com a genética. Muito tempo gasto em coisas que não interessam, muita conversa gasta a remoer à toa, muita burocracia, muito enrolamento. Provavelmente tem também a vem com aquilo de que fraco rei faz fraca a forte gente: maus gestores que orientam mal quem deveria ser encaminhado para fazer coisas úteis e, em vez disso, está a perder tempo em renhonhós. E a malta aceita. Genética. Brandos costumes. Delicadeza. Por delicadeza deixamo-nos morrer, dizia o outro. Nós também. Não procriamos, envelhecemos, velhos no meio de velhos.  Deixamo-nos ir.

Não nos valorizamos.

Por exemplo, em qualquer outro lugar em que a malta esteja virada para valorizar a língua, as grandes histórias e as grandes figuras da história, já haveria filmes, séries, telenovelas. E mil documentários. E banda desenhada. E desenhos animados. E tudo e mais um par de botas a falar de Camões. Numa altura em que há tanto camelo a perorar contra os imigrantes, esses pobres que vêm de longe para tentar a sua sorte no nosso país, não seria interessante mostrar como foi quando fomos nós, também metidos em barquinhos, atravessámos mares em busca de um mais promissor futuro? Não se poderia usar a nossa literatura para retratar, de forma apelativa, inteligente, tantos personagens marcantes da nossa história, da nossa literatura?

Mas não fazemos nada disso. Modestos. Ou desfocados. Se passo o comando pelos canais, nos programas generalistas, se é ficção, é só porcaria: intrigas, traições, agressões, chantagens, mas tudo uma coisa rasca, personagens sem substância, tudo inventado por gente sem mundo, sem cultura. Uma patetice pegada.

O meu neto que está a acabar o 12º e que tem que ler os 'obrigatórios', passa-se com o que acha uma coisa sem ponta de interesse. Não sei se foi o Antero de Quental que o tirou do sério, já não me lembro, estava irritado, não percebia como é que um 'gajo' daqueles conseguia gastar tanto tempo a escrever coisas que não interessavam para nada, dizia que o 'gajo' devia ser um parasita para, em vez de trabalhar, estar só a escrever coisas a dizer mal, a carpir. Quando o ouço fico meio desconcertada pois quero argumentar mas, ao mesmo tempo, conheço-o bem: o mundo dele é outro. Se eu, quando estudei ou li estes autores já me cansei, imagine-se o que é, nos tempos de hoje, com as mil solicitações de hoje, continuar com um programa em que os alunos nem percebem porque é que estão a perder tempo com aquilo. Não sei qual a alternativa, estou a falar sem ter uma solução para apresentar. Mas estou em crer que se os alunos tivessem pequenos vídeos bem feitos, biográficos, filmados como ficção, ou alguém a ler, com voz bem posicionada, alguns trechos, talvez se sentissem mais cativados. Ou se os pusessem a eles a ler outros poetas ou prosadores, mais actuais, talvez se sentissem atraídos. Não sei. Não sou entendida na matéria.

Ainda me lembro do desespero do meu filho, provavelmente no seu 12º, deitado no sofá da sala, passado, enervado, a atirar Os Maias para o chão, a achar que não ia conseguir ultrapassar o que lhe parecia uma monstruosidade intransponível. Dizia: 'Já li não sei quantas páginas e não passa da decoração da sala, dos cortinados, e sei lá mais o quê! Não consigo!'. E, tanto o desespero, já nem assimilava o que lia. No outro dia o meu cão levou uma injecção e a veterinária dizia: 'Esta dói muito, o líquido é muito espesso'. Era o caso de Os Mais, assim, na base da injecção.

Curiosamente, este meu neto surpreendeu-me ao dizer que, por acaso, a Os Lusíadas até tinha achado piada. Disse assim. Achou piada. E eu achei piada a ele ter achado piada a Os Lusíadas que sempre foi aquele calvário que os estudantes tiveram que percorrer. Não sei se ainda se dividem orações de estrofe em estrofe, um absurdo quebra-cabeças que nem sei como não me fez odiar a língua portuguesa. Mas deve ter um bom professor pois achou piada a Os Lusíadas.

Esse meu neto teve 19 em interpretação de um livro que não leu. Já tinha tido, salvo erro, um 18 num trabalho ou numa apresentação sobre Os Maias, que identicamente não leu. Mas preparou-se. Quem o ouça, jurará que domina aquilo de trás para a frente. Sabe caracterizar os personagens, disserta sobre o enredo, tudo na mouche. E sem ler os livros. No outro dia, telefonou-me a perguntar-me coisas sobre O Ano da Morte de Ricardo Reis. Não me lembro o suficiente para esclarecer um aluno que vai fazer exame nacional de 12º, pelo que lhe perguntei porque não lia o livro. Respondeu que nem pensar, não tinha tempo, tem muita coisa para estudar, tem que se preparar bem a Matemática e também a Português. Acabei a sugerir que 'trabalhasse' em conjunto com o Claude. De resto, a minha filha diz que o ouve a falar, julga ela que com o Gemini, tu cá, tu lá, ele faz-lhe perguntas, inclusivé de Matemática, e 'ele' responde-lhe. E é assim que ele se prepara. Assim e vendo vídeos. 

Bem lhe falo na maravilha que é ler. Diz que não tem tempo. E não tem: é a escola, é o futebol que pratica, é o ginásio, é a namorada, são os amigos, são as festas, é o futebol a que assiste, são as contratações e as equipas de futebol que conhece ao pormenor, são os concertos, no outro dia foram todos para uma coisa qualquer de wrestling, há de ser a praia quando começarem as férias. Não há tempo para ficar em casa sossegado a ler um romance ou a ler poesia. E não vale a pena estarmos a idealizar que era importante que conhecessem, e bem, o Alexandre Herculano, o Antero de Quental, o João de Deus, o Eça de Queirós, o Saramago, o Pessoa,  pois o mundo perfeito é coisa que não existe. Era importante... era... se eles vivessem num outro mundo ou se esses autores lhes fossem apresentados de uma maneira que encaixasse na vida deles.

No outro dia li uma reitora não me lembro de que escola a dizer que estamos a preparar os jovens para um mundo que já não existe. Concordo. 

Não sei quem é que faz os programas escolares mas, no tempo da Inteligência Artificial, das redes sociais e da informação toda, a toda a hora, em todo o lugar, todo o método e o currículo escolar deveria ser repensado. O saber já não está só nos livros: o saber está em todo o lado e está misturado com toda a espécie de coisas -- com diversão, com manipulação, com 'toca e foge', com invenção, com tudo o que se possa imaginar.

Ainda assim, porque hoje o dia é de Camões e da nossa maravilhosa língua e do nosso querido País, partilho um vídeo. Antigo. Antiguinho. O género de coisa em que os meus netos não pousam os olhos nem por um minuto. Eu gosto de ver, tenho tempo, tenho paciência. Mas porque não se fazem documentários interessantes, com o género de filmagens que prendem os jovens, uma coisa mais picada, repicada, com cor, com alguma provocação, com movimento, mais curtos?

Quem és tu Luís Vaz de Camões?


Desejo-vos um belo dia

terça-feira, junho 09, 2026

Bons conversadores

 

Agora, de vez em quando, vejo aquilo de haver um outro tipo para além de introvertido e extrovertido: o outrovertido (ou lá como lhe chama, já não sei ao certo, é um nome como qualquer outro) -- as pessoas que gostam de conviver mas só com quem lhes agrada, que se cansam quando são obrigadas a conviver com pessoas que falam muito e não dizem nada, que precisam de se isolar depois de sujeitas a um convívio forçado e cansativo. Rvejo-me nisso. Se há coisa que me cansa muito, me deixa quase de rastos, desidratada, estafada, é quando passo horas a aturar cumprimentos, conversas de circunstância, fotografias forçadas, gente que circula de grupo em grupo a ser simpática e a exigir atenção. Fujo disso a sete pés. Grupos em que, à partida, não vejo ninguém com quem se possa ter uma boa conversa, são grupos que faço de tudo para evitar

Em contrapartida, gosto imenso de uma boa conversa, gosto de ouvir, gosto que me ouçam, em especial gosto imenso que ouçam e compreendam as minhas perguntas, gosto que gostem de falar comigo, gosto de ser surpreendida com argumentos novos, gosto de testemunhar uma maneira de pensar diferente da minha, gosto de aprender, gosto de ouvir falar sobre temas que desconheço, gosto de ser desafiada nas minhas convicções.

Na televisão, se há coisa que ainda aprecio é ver uma boa entrevista ou uma boa tertúlia. Isso é cada vez mais raro. O que há é bandos de comentadores, gente que tanto ouvimos a comentar o Netanyahu, o Bad Bunny ou, se for preciso, o José Mourinho. Ou uns jovens, cada um representando o seu estereótipo partidário, uns burgessos, outras parvas, outros fofinhos e outros a atirar para o intelectualóide. Não tenho pachorra, passo logo adiante.

Contudo, no youtube aparecem-me, de vez em quando, vídeos interessantes com umas boas conversas. Talvez seja a isso que se chama podcast. Não sei. O que sei é que fico, de gosto, a ouvi-los.

Abaixo partilho duas conversas gostosas: gente com ideias, com graça, com originalidade.

SEM TÍTULO - Entrevista com MIGUEL GUILHERME conduzida por Miguel Nabinho

Onde se fala de coisas sérias e coisas divertidas, de tudo, da infância, dos amigos, das representações, das 'cenas' com o Manoel de Oliveira. Etc.


E, para algo diferente (ou talvez não), que entre a sempre boa de ouvir, a grã-duquesa de New York -- digamos assim.

Fran Lebowitz | Andy Warhol, Nova Iorque e a Arte de Falar

Em comemoração do 250º aniversário da independência americana, a Rosebud apresenta uma série de entrevistas gravadas na cidade de Nova Iorque. A primeira é com a mais perspicaz observadora da vida nova-iorquina: a espirituosa, conversadora e escritora Fran Lebowitz. Nesta brilhante entrevista, Fran conta a Gyles sobre a sua família, que se mudou da Rússia e do Leste da Europa para os EUA para escapar aos pogroms contra os judeus. Fala da sua infância feliz, pedalando na sua "máquina da liberdade" pela bela cidade natal em New Jersey, onde o seu pai era dono de uma tapeçaria e a sua mãe ambicionava ser a parceira de dança de Fred Astaire. Conta a Gyles sobre os castigos que recebia por ser tagarela na escola, sobre saber desde cedo que era gay e sobre a sua mudança para Nova Iorque para se tornar escritora. Fala sobre Andy Warhol e sobre ter sido paga para escrever pornografia. Ela fala sobre o tabagismo, a internet e a sua enorme coleção de livros. Por fim, Gyles atribui a Fran uma medalha da Sociedade Oscar Wilde, em reconhecimento da sua brilhante oratória.

Como deve imaginar, esta é uma conversa fantástica. Vale muito a pena dedicar-lhe o seu tempo.

Aproveite.


Desejo-vos uma boa terça-feira

segunda-feira, junho 08, 2026

Uma entrevista a não perder

 

Falo por mim: do nazismo não tive, felizmente, conhecimento directo. O que sei, sei de ler ou ouvir. Mas sei que veio devagar, veio com apoio popular, espalhou-se perante o silêncio e a cumplicidade de muitos, se calhar, da maioria.

Daquilo a que assisto agora há muita coisa que me choca. Muita. A cobardia de quem ouve e, em vez de se levantar e virar costas, aplaude; a cobardia dos que, podendo renegar, se calam, se escudam com a diplomacia. Não fico incomodada, desagradada, revoltada apenas com os algozes, os pérfidos, os bandidos, os canalhas -- fico, quase igualmente, com os cobardes, os hipócritas, os oportunistas, os igualmente canalhas.

Assisto ao impensável nos Estados Unidos mas assisto igualmente ao impensável na Europa, ao calar-se perante as ingerências, as ameaças e as desconsiderações de Trump e da sua entourage. Assisto ao impensável por parte de Israel mas assisto igualmente ao impensável na Europa, ao calar-se, ao fechar os olhos, na prática, ao ser cúmplice de Netanyahu. Assisto ao impensável por parte da Rússia e, neste caso, assisto ao impensável por parte de todos quantos se têm manifestado a favor da deposição das armas por parte da Ucrânia. Não se extinguem aqui as ignomínias no mundo. Mas prefiro focar-me nos casos de maior dimensão, talvez pelo risco para a ordem mundial, talvez pelo risco para as democracias de todo o mundo, talvez pela quase habituação, e aceitação, da violação do direito internacional, talvez pelo risco da banalização do mal.

A entrevista que aqui abaixo partilho é apenas um caso. Mas é um caso a que não fico indiferente, e não é apenas pela emoção e pela revolta, pela tristeza que se sente nas palavras do entrevistado. Quando a imprensa, que deveria ser livre, fica nas mãos de quem apenas pensa em dinheiro, em lamber as botas do poder, em bajular os maiores inimigos da liberdade de expressão, mal, muito mal vão as coisas. Os sinos tocam a rebate pela democracia quando a imprensa livre é ameaçada.

Independentemente disso, a entrevista vale também pela qualidade da entrevistadora e do entrevistado. 

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Scott Pelley: O que aconteceu ao '60 Minutes' é uma tragédia | A Entrevista

Estreada na CBS em 1968, a emissora foi o lar de alguns dos jornalistas mais conceituados da televisão, de Mike Wallace e Ed Bradley a Lesley Stahl, Anderson Cooper e, até à semana passada, Scott Pelley.

Pelley, que trabalhou na emissora por 37 anos, incluindo como correspondente da Casa Branca, âncora do "CBS Evening News" e correspondente do "60 Minutes", foi demitido após uma série de eventos explosivos e muita turbulência nos últimos anos na CBS. Estes acontecimentos incluem um polémico acordo financeiro com o Presidente Trump sobre um segmento do "60 Minutes"; a venda da estação a David Ellison; e a nomeação de Bari Weiss, ex-colunista de Opinião do New York Times e fundadora do The Free Press, sem experiência em jornalismo televisivo, para liderar a CBS News.

A demissão de Pelley ocorreu depois de Weiss ter demitido vários de seus colegas e ter contratado um novo chefe para o "60 Minutes", Nick Bilton, com quem Pelley entrou em conflitonuma reunião de equipe. Pelley, juntamente com vários outros correspondentes do "60 Minutes" que foram demitidos, acusou Weiss de interferência editorial e parcialidade, acusações que a CBS News e Weiss negam.

Na sua primeira entrevista desde que foi demitido, Pelley conta sobre o incidente específico que considerou interferência, sobre as suas experiências na CBS News nas últimas semanas e meses e sobre o que espera que resulte deste período turbulento na emissora onde passou a maior parte de sua carreira.


Desejo-vos uma boa semana a começar por esta segunda-feira

domingo, junho 07, 2026

Ora vamos lá a saber: quanto tempo consegue aguentar-se apoiado/a numa só perna?

 

Hoje a minha filha referiu a importância do equilíbrio numa única perna enquanto indicador da longevidade.

Por acaso, já sabia e até é uma coisa que pratico sempre que vou ao ginásio; e, mesmo em casa, volta e meia gosto de me apoiar numa única perna. Aliás, já o fazia antes de saber disto. Gosto de o fazer.

Então, estive a mostrar-lhes. E ela também esteve a fazer o teste. E um dos rapazes, um verdadeiro pernilongo, também. Mas esse faz toda a espécie de movimentos enquanto, em contínuo e durante um tempo que não acaba, se apoia numa única perna -- só que não conta como termo de comparação pois não apenas ainda só tem quinze anos, recém feitos, como é desportista a sério.

Porque é um tema de interesse geral, para poder partilhar a fundamentação científica, pedi explicações ao Gemini. Para facilitar a leitura, retirei as referências e a explicitação das fontes, nomeadamente os links para os textos científicos.

O Equilíbrio como Biomarcador de Longevidade: O que o Teste da Perna Única Revela em Qualquer Idade
A capacidade de uma pessoa se manter em apoio unípede (numa só perna) deixou de ser vista apenas como um teste de agilidade e passou a ser classificada pela comunidade médica como um biomarcador vital do envelhecimento sistémico. O tempo exato que o corpo consegue sustentar nesta posição serve como um preditor direto da saúde neurológica, cardiovascular e do envelhecimento biológico, aplicando-se desde os jovens adultos até à terceira idade. 
O Declínio Silencioso: Começa aos 30 Anos 
Muitas vezes associa-se a perda de equilíbrio à velhice, mas os dados clínicos mostram o oposto. Investigações da Mayo Clinic publicadas na revista PLOS One comprovaram que, entre a marcha, a força muscular e o equilíbrio, o tempo de suporte na perna não dominante é a variável física que declina mais rapidamente com o envelhecimento .
Este processo inicia-se logo a partir dos 30 anos devido à perda gradual de massa muscular (sarcopenia) e à diminuição da velocidade de condução dos sinais nervosos. O Unipedal Stance Test (UPST) estabelece os tempos normativos (de olhos abertos) esperados para um organismo saudável ao longo da vida, servindo como uma métrica de avaliação da idade biológica:
  • 30 a 49 anos: ~60 segundos
  • 50 a 59 anos: ~45 segundos
  • 60 a 69 anos: ~40 segundos
  • 70 a 79 anos: ~26 segundos
  • Mais de 80 anos: ~10 segundos
Quando um adulto jovem ou de meia-idade falha significativamente estes tempos, o seu corpo está a emitir um sinal de alerta de envelhecimento prematuro.

Isolando o Sistema Neurológico: A Variante de Olhos Fechados
Na prática clínica, os médicos utilizam uma variação avançada deste exame para avaliar a integridade do sistema nervoso de forma pura, eliminando a compensação visual: o Teste de Apoio Unípede com Olhos Fechados.
Ao fechar os olhos, o cérebro deixa de poder utilizar a visão para corrigir a postura. Isto obriga o sistema nervoso central a depender exclusivamente de dois sistemas internos: o sistema vestibular (localizado no ouvido interno) e a proprioceção (os recetores nervosos em músculos e tendões que mapeiam a posição do corpo no espaço).
Por ser um teste de stress neurológico, as médias populacionais normativas de olhos fechados são substancialmente inferiores e revelam falhas de conectividade precoces:
  • 30 a 39 anos: ~26 segundos
  • 40 a 49 anos: ~13 segundos
  • 50 a 59 anos: ~8 segundos
  • 60 a 69 anos: ~4 segundos
  • Mais de 70 anos: ~2 segundos

Mecanismos Biológicos: Por que Razão o Equilíbrio Prevê Doenças Ocultas?
Por requerer uma integração complexa entre o cérebro e a periferia do corpo, a incapacidade de manter a estabilidade unípede (pelo tempo esperado para a idade) serve como um indicador precoce de patologias assintomáticas:
  1. Lesões Cerebrovasculares Subclínicas: Um estudo publicado na revista Stroke da American Heart Association demonstrou que a incapacidade de manter o equilíbrio unípede por mais de 20 segundos (de olhos abertos) está fortemente associada à presença de doença de pequenos vasos cerebrais, micro-hemorragias cerebrais silenciosas e enfartes lacunares assintomáticos, funcionando como um aviso prévio em adultos aparentemente saudáveis.
  2. Declínio Cognitivo Prematuro: Uma redução drástica ou acelerada no tempo de suporte unípede ano após ano serve como um sinal precoce de atrofia cerebral e perda de integridade das vias neurais, antecedendo frequentemente a perda de memória detetável.
  3. Danos Metabólicos e Neuropatia: A dificuldade extrema no teste, especialmente de olhos fechados, indica frequentemente que os recetores periféricos das plantas dos pés estão a perder sensibilidade. Este é um reflexo comum de condições metabólicas crónicas e silenciosas, como a diabetes tipo 2 em fase inicial ou não controlada.

O Impacto na Longevidade a Longo Prazo
Em termos de mortalidade tardia, o estudo clínico longitudinal publicado no British Journal of Sports Medicine determinou que indivíduos de meia-idade e idosos que não conseguem sustentar a posição por apenas 10 segundos (de olhos abertos) apresentam um risco 84% maior de mortalidade por qualquer causa na década seguinte
O equilíbrio não é uma capacidade estática; reflete o nível de atividade física acumulada, a força do core e a eficiência neurológica. Monitorizar e treinar esta competência desde jovem através de exercícios simples do dia a dia é uma das estratégias mais eficazes para preservar a integridade do sistema nervoso e garantir a longevidade funcional.
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Nota

Para fazer o teste em casa, há que ter em atenção o seguinte:

Se quiser testar o seu equilíbrio de forma realista e comparável com os estudos científicos, ignore a imagem do vídeo abaixo (que se destina a mostrar como exercitar o equilíbrio), e siga estas regras:
  • Faça o teste descalço.
  • Cruze os braços no peito.
  • Suba um pé sem deixar que ele toque na outra perna.
  • Acione o cronómetro (e feche os olhos, se for essa a variante que quer testar)
O que INVALIDA o teste (O cronómetro para se):
  • Rodar ou arrastar o pé de apoio: O pé que está assente no chão tem de ficar totalmente fixo. Se o calcanhar ou a planta do pé rodarem, deslizarem ou derem pequenos saltos (saltitar para não cair), o teste termina ali. 
  • Girar ou inclinar muito o tronco: Inclinar o corpo excessivamente para o lado oposto, rodar as ancas ou fazer uma torção acentuada da coluna para contra-atacar o desequilíbrio é considerado uma falha de controlo postural. 
  • Descruzar os braços: Se a pessoa rodar o tronco e, nesse processo, afastar os braços do peito ou das ancas para se agarrar ao ar, o tempo é interrompido. 
O que é PERMITIDO (O cronómetro continua a contar):
  • Micro-oscilações: Pequenos tremores involuntários nos tendões do pé e do tornozelo são aceitáveis. É o sistema somatossensorial a trabalhar em tempo real para manter o eixo.
  • Movimentos da perna elevada: Desde que a perna que está no ar não toque na outra perna, no chão ou em objetos, ela pode mexer-se ligeiramente para ajudar na compensação.
Para garantir a máxima precisão ao realizar o teste em ambiente clínico ou doméstico, o avaliado deve focar-se em manter-se o mais imóvel e "alinhado" possível, funcionando como uma coluna única
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Minuto da Clínica Mayo

O que é que estar de pé sobre uma perna só pode dizer sobre a qualidade do envelhecimento de uma pessoa?

Medir a qualidade do envelhecimento de uma pessoa pode ser tão simples como equilibrar-se numa só perna. Pode não ser fácil para todos manter o equilíbrio numa só perna, mas, de acordo com um inquérito da Mayo Clinic, este pode ser um indicador fiável do envelhecimento neuromuscular tanto para homens como para mulheres.
Neste vídeo da Mayo Clinic, o Dr. Kenton Kaufman, professor de investigação musculoesquelética W. Hall Wendel Jr. e responsável pelo estudo, explica as conclusões e porque é que nunca é tarde para melhorar o equilíbrio.

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Portanto, vamos lá todos a treinar, a exercitar. E, caso pretendam atingir a vida eterna, é treinar até conseguir chegar até onde esta bailarina chegou. Mas, e aqui fica um conselho amigo, não o façam em cima dos ombros do vosso marido ou namorado ou companheiro pois ele pode ir-se abaixo nas canetas. 

Ballet nos Ombros: O Impressionante Pas de Deux do Ballet Acrobático Chinês que Encantou Monte Carlo

Um deslumbrante pas de deux acrobático da Trupe Acrobática de Cantão/Cantão, apresentado no estilo frequentemente descrito como "ballet sobre ombros". A performance combina a elegância do ballet clássico com a extraordinária técnica acrobática chinesa, apresentando delicados movimentos de ponta, elevações, equilíbrios e controlo preciso das mãos.

Esta célebre peça está intimamente ligada aos artistas Wu Zhengdan e Wei Baohua, cujo pas de deux de ballet acrobático ganhou o prémio Clown d'Or no Festival Internacional de Circo de Monte-Carlo em 2002. A sua aclamada técnica de "ballet sobre ombros" tornou-se posteriormente uma inspiração fundamental para o ballet acrobático completo O Lago dos Cisnes, coreografado por Zhao Ming e protagonizado por Wu Zhengdan e Wei Baohua.

Um belo exemplo de como a dança e a acrobacia se podem fundir numa performance poética. 

Desejo-vos um belo dia de domingo