Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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segunda-feira, julho 23, 2018

A forma em U da curva da felicidade em função da idade.
[Sim, é verdade, a meia-idade é uma altura charneira na vida das pessoas: a partir daí é sempre a melhorar]





Não consegui desenvolver porque o sono me apeou pelo que, de novo, aqui estou para a mesma lide.

Poderia dar o meu testemunho mas hesito porque acho que quem frequenta a blogosfera tende a preferir temas pesados, confissões de alta solidão, de peso a mais, varizes a explodir, costas curvadas de tanta escoliose, abandonos, dor de corno, cabelo espigado, unhas partidas, calos e joanetes, ataques de bílis. Por isso, sei bem que aparecer eu aqui sem dramas desse calibre, automaticamente me desabilita de ser levada a sério.

Mas, pronto, arrisco. Quem dá o que tem a mais não é obrigado e eu dou o conhecimento de uma realidade que mais ou menos conheço: a minha. Note-se: não por me achar exemplar mas por facilidade, escuso de me pôr a inventar.


Não por mérito, esforço ou resultado de terapia, mas sim por simples genética nunca fui dada a aflições ou inquietações. Não tento aprofundar o conhecimento de mim própria nem dos outros e isso, desde logo, tira-me ralações de cima.

Seja por isso ou por alguma deformação cerebral, a verdade é que não apenas não guardo ressentimentos como não me dá para carpir sobre o que poderia ter feito e não fiz ou para gostar de quem não gosta de mim (talvez porque me estou nas tintas para quem não gosta de mim) ou para querer o que não consigo alcançar -- e, portanto, a verdade é que não guardo memória de períodos da minha vida em que me tenha sentido infeliz. Sou uma pessoa simples e dos simples, como se sabe, é o reino dos céus (. Talvez não por acaso, parte do meu tempo seja vivida aqui, in heaven).

Uma vez, teria eu uns quarenta e poucos, na conversa com uma pessoa, disse-me ela que quem, aos quarenta, diz que o corpo não começou a dar de si e a dar toda a espécie de problemas, está a mentir. Calei-me caladinha mas pensei que a mim o corpo parecia igual ao que estava aos trinta: não me dava problemas de maior.

Agora já não digo o mesmo. Não que me pregue grandes partidas mas porque o seu formato já não é o mesmo do que era há décadas. Olho para vestidos ou blusinhas que vestia aos quarenta e tal e pasmo: eu cabia ali dentro? A minha cinturinha era daquele little tamanhinho? 

Era tamanho 36. Depois fixou-se no 38. Julguei que assim ficaria para todo o sempre. Mas não.

Com a menopausa, o corpo parece que alargou, que ganhou volume. Mais: as rugas começam a aparecer (e tanto mais quanto somos de rir amiúde) e os músculos começam a perder a elastecidade própria da juventude. Mas isso não me aflige. A menos que nos vamos retocando, preenchendo, repuxando ou enxertando o corpo vai ganhando as marcas do tempo. As coisas são o que são.

E, corpo à parte, no resto também tudo tranquilo.

Nunca fui ambiciosa no sentido de ter fisgado algum lugar pelo que, se isso antes não era tema, muito menos o é agora. Nem no sentido de ter um carro de luxo, um barco de alto calibre, um palacete no vale do Tejo, um jactinho com piloto de carne e osso, lindo e atlético, os filhos casados com os herdeiros do Aga Khan. Nunca tive pretensões a nada que não pudesse obter sem esforço ou que não dependesse directamente de mim pelo que nunca me senti frustrada por não o alcançar.

Sou despreocupada e feliz como sempre fui. Não quer dizer que o seja sempre -- mas sou-o na maior parte do tempo. E sou mais agora do que era quando era mais nova. A minha qualidade de vida emocional tem aumentado ao longo do tempo.

Tenho fúrias destemperos, irritações. Toda a gente as tem e eu não sou excepção. Mas passam sem deixar rasto. Tenho preocupações como todas as pessoas as têm, algumas bem pesadas, mas não as procuro nem me deixo afundar nelas.

E, cada vez mais, dou valor a tudo o que de bom me rodeia.

A natureza, a beleza, os afectos, um bom livro, uma música bonita, o silêncio, o perfume que paira no ar, os sorrisos -- tudo isso me traz serenidade e felicidade.

E as estatísticas comprovam que este é o padrão. É a chamada curva em U da felicidade.

A linha da felicidade em função da idade -- versão simplificada

A mesma coisa mas juntando 7 grandes estudos que, como se vê, coincidem no padrão

Orégãos a secar na sala de jantar
Na juventude e no estado adulto, até se atingir a dita meia-idade, há um crescendo de preocupações que, pelo que se vê nas estatísticas, não deixa saborear a vida. A felicidade tomba, o nível de satisfação vai escorregando por aí abaixo. Será a preocupação com o trabalho, a dificuldade em conciliar vida profissional e vida pessoal, as dificuldades com filhos pequenos ou adolescentes. Ou dificuldade em pagar a casa ou em arranjar um trabalho de que se gosta. Coisas assim. Muito compreensível.

Contudo, a partir da meia-idade, a felicidade e a qualidade de vida melhoram para a maioria das pessoas.

Prova-se ainda que as pessoas que se sentem felizes vivem mais anos. A felicidade dá saúde, afasta a sombra do fim que se avizinha.

Mais: está provado que as pessoas com 50, 60 ou mais anos encontram mais facilmente novas companhias do que quando tinham 20, 30 ou 40.

Portanto: a meia-idade é uma altura de viragem mas os melhores anos não estão para trás: estão, sim, por vir.

Claro que, olhando o segundo gráfico, o mais detalhado, dá para perceber que, de vez em quando, à medida que a idade caminha no sentido da longevidade, alguns declives, algumas quebras na linha crescente da felicidade podem acontecer. Podem ser perdas, doenças. É natural. Mas logo se recupera; e a tendência, sempre, é que a satisfação com a vida vá aumentando. A vida é uma coisa boa -- e isso é a sabedoria (que a idade nos vai trazendo) que nos ajuda a perceber.

Lá fora, Pedro Mexia
Cemitério de Elefantes, Dalton Trevisan
+ o meu biquini

E é isto que tenho a dizer sobre o mito urbano da 'crise da meia-idade' ou outras tretas que formatam negativamente a vida das pessoas. 

E bora mas é atirar os maus astrais para trás das costas -- o que não quer dizer que sejamos uns frescos e fofos, descerebrados e levianos. Ou seja, estarmos de bem connosco e com a vida não significa que não estejamos alerta e não nos ergamos de cada vez que pinte uma injustiça, uma trapalhada, uma pinóia que tresande. 

Inteiros e erguidos na defesa dos valores que defendemos, contra tudo e contra todos -- assim devemos ser e estar. A nossa consciência sempre limpa.

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E, agora, dancemos

Ímã - Grupo Corpo


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[Fotografias feitas este domingo, in heaven]


domingo, julho 22, 2018

A crise da meia-idade.
[É verdade que, a partir dos 50, é sempre a descer?]




Há, sobre tão interessante tema,  muitas complexas teorias, umas assentes nessa inesgotável fonte de sabedoria que é o Facebook e outras que têm um substracto mais sustentado como revistas de cientistas ou crónicas literárias.

Eu nem umas nem outras porque prefiro caminhar pelos meus pés e andar por entre florestas de bambus ou salas de espelhos (ao quarto negro nunca fui, obrigada -- 🙈🙉🙊).

Portanto, ouço daqui, espreito acolá, atiro palpites ao vento ou mergulho as mãos no barro de onde saem as grandes descobrimentas e, no fim, sai teoria que os mais puristas correm a classificar, taxinomizar e arquivar para a posteridade, emoldurando-as como grandes momentos da história alheia.


Isto para dizer que tendo eu, upa, upa, já passado os cinquenta -- coisa que ainda me custa a acreditar, confesso --, posso falar por experiência própria.

Crises dos entas, crises da meia idade, crises da menopausa, crises de ciúmes ou de ciática -- são tudo temas relevantes e na ordem do dia. Infelizmente, posso falar de muita coisa mas de qualquer uma dessas crises não. Não me assistem. Nunca me assistiram. Com sorte, nunca me assistirão.

Para falar da ansiedade ou dos temores de passar a mítica barreira dos 50 terei que me socorrer do saber de quem os conhece ou de quem já investigou sobre o tema o que, pensando bem, vai dar no mesmo já que investigar sobre um tema ansioso deve contagiar à brava quem nele mexe. Portanto, se me permitem, usarei luvas e pinças para falar no assunto a ver se não acabo agarrada a uma caixa de ansiolíticos.


E também não vai poder ser agora porque não dá. Não mesmo. Se desse já sabem como sou: ia nem que fosse sempre a abrir, sem saber sequer sobre o que estava a escrever. Mas não dá. Acreditem. Estou a dormir e a dormir não consigo elaborar sobre temáticas complexizantes ou paranormais.

Este domingo, entre afazeres, lazeres e outros prazeres tentarei resumir, em linguagem de leiga e, quiçá, usando a universalidade do esperanto, o que se afigura aos inteligentes sobre a crise da meia idade. Agora não, que estou sem cabeça para coisas tão latejantes, rastejantes, arquejantes, bacantes ou implantes. Zero. Bolinha.

E aos cépticos que estão a achar que estou, uma vez mais, a armar-me ao pingarelho, tentando iludir os Leitores já que acham que esperanto é que não sei de certezinha absoluta, despeço-me assim:

Kiu estas mezaĝa estas malfeliĉa? 
Ĉu ĉio estas nur mirinda urba mito? 
Ĉu vi vetas, kiel mi faros poŝton pri parolado pri lertaĵo kiel ĉi tio?


[E não vale a pena irem ao tradutor da Google que sai tudo estropiado]


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A fruta é de Dennis Wojtkiewicz pelo que façam o favor de não a comer. 
Obrigada.

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E, então, até daqui a nada.
Até lá, em querendo, poderão descer até ao post seguinte e presenciar a minha confissão:

Eu, pecadora, me confesso.
[Pior mesmo é não estar arrependida e saber que voltarei a pecar uma e outra e outra vez]




Tenho alguns comportamentos desviantes. Confesso.
Mas, também, porque não haveria de o confessar? Isto ser escrito sob autoria indeterminada tem as suas vantagens. Posso desbocar-me à vontade que não corro o risco de ser apontada na rua: olha a delinquente.... 
Um desses comportamentos manifestou-se na sexta-feira. Conto.
E se deixarem de gostar de mim, não poderei fazer nada. Mas terei pena. Acreditem. Gostava que gostassem de mim apesar de ser tão imperfeita que até cansa.

O hotel tinha cada amenity melhor que as outras. Pior, mesmo, só o facto de o programa de festas ser tão intensivo que não deu para usufruir coisa nenhuma. Mas vinguei-me. Aliás, vingo-me sempre mesmo quando não tenho motivo.
O meu marido passa-se. Mas passa-se mesmo. Mas se eu não lhe ligo quando o tenho à perna imagine-se quando estou por minha conta. 
Portanto, quando guardei as minhas coisinhas no necessaire e o necessaire na valise para fazer o check-out (praticamente ainda de madrugada), guardei todos os frasquinhos que sobraram. Como era a única no quarto e havia produtos para tudo e para dois, trouxe tudo o que não usei e que foi a maioria. 
Quando um colega fez a gentileza de pegar na mala para a pôr no carro, ficou admirado: credo! tão pesada! Fiquei caladinha. Não lhe contei que, para além da roupa da véspera, tinha os sapatos da véspera, o casaquinho da véspera, tinhas os adereços decorativos da véspera -- a saber: fio, pulseira, brincos, anel -- (que eu, nisto do pendant, sou fundamentalista) -- tinha um livro, tinha um frasco de perfume, tinha o computador e respectivo carregador e mais o carregador do telemóvel, tinha o dito nécessaire com uma embalagem de toalhitas desmaquilhantes, cremes, maquilhagens, pente, molas para prender o cabelo enquanto me maquilho e desmaquilho, mini-estojo de costura, mini-estojo de não sei quê (com tesourinha, corta-unhas, lima, pinça, etc), etc, etc, etc -- que eu, sempre que viajo, seja para onde for, seja por quanto tempo for, vou prevenida para tudo -- e, lá está, também os frasquinhos de gel de banho, shampoo e loção corporal. Portanto, não haveria a mala de estar pesada?

Claro que o meu marido, quando viu aquilo tudo na bancada da casa de banho, começou logo com a velha lengalenga, que sou maluca, que é um disparate trazer aquilo, que depois me esqueço de consumir, que faço colecção de porcariazinhas que não servem para nada, etc. Não respondi. Mas pensei que ele ia ver, ia gastá-los num instante. No entanto, hoje de manhã, quando tomei banho (cabelo incluído), nem me lembrei dos meus bons propósitos e usei o gel que agora tenho usado, um que não é gel, é creme de banho, e o shampoo que agora também uso, um shampoo micelar. Mas, quando acabei, lembrei-me que me tinha esquecido dos benditos produtinhos; no entanto, pensei que, felizmente, me tinha lembrado a tempo de ainda usar a loção corporal que tinha trazido do hotel. 

Portanto, besuntei-me toda com ela e fiquei toda cheirosa. Cheira muito bem. Tem um perfuminho discreto, a flor de laranjeira, a ervas do campo, nem sei bem.


Só sei que, enquando, esta tarde, estava a andar aqui no campo, in heaven -- com uma ventania incessante que fazia com que o som das ramagens a ondular em uníssono quase parecesse a voz do mar -- me vinha um cheirinho mesmo bom. E não sabia se era do eucalipto, se dos cedros, dos pinheiros, das figueiras, em especial se daquela grande, vergada até ao chão tão densa a folhagem e tantos os figos, se era do alecrim ou da madressilva, ou se era do meu cabelo ou da minha pele ou, quando passava junto às toalhas (usadas pelo pessoal todo que cá esteve no fim de semana passado), que lavei e que encheram três cordas, se era do detergente novo que tem um cheirinho mesmo bom.


Fosse do que fosse, não apenas estava uma temperatura amena e macia, uma luz suave e dourada, uma música boa dos pássaros misturada com o som do vento nas árvores, como caminhava envolta num perfume tão limpo e tão mas tão bom que só não andei nas nuvens porque não as havia.

Depois disso, fui buscar um livrinho, abri a espreguiçadeira e deitei-me, cá em cima, debaixo da figueira brava gigante junto à casa, a ler e a preguiçar.


Por acaso, não dormi mas não foi por falta de sono: é que o meu marido andava lá para baixo entregue ao seu presente vício, ou seja, a roçar mato -- e eu, como é sabido, não tenho grande confiança nele. Aliás, quando não resisti e fui ver que estragos andava ele a fazer, não apenas tinha cortado silvas, tojo, inúmeros rebentos e pés de aroeira (e, até aí, tudo bem) como, no meio da confusão, já tinham ido ao ar três pés de jovens azinheiras. Com os óculos protectores e com a sua bem conhecida falta de cuidado, para ele é tudo igual ao litro: vai tudo. Fiquei furiosa. Furiosa. Digo-lhe que as azinheiras são animais em exitinção, espécie protegida. Pergunto-lhe que mal lhe fizeram as azinheiras. Mas as minhas fúrias para ele também são iguais ao litro. Portanto, nem consigo ter motivação para prosseguir na fúria. Ou seja, voltei para a espreguiçadeira e entreguei os pés de azinheira para Deus.

E, agora que aqui estou nesta inútil cavaqueira, ou muito me engano ou já fui picada e repicada. Gaita das melgas e mosquitos. A vida no campo tem este lado peregrino e altamente dispensável.

Mas adiante. Vou ali buscar aquela coisa que se liga à corrente e que lança uns ultra-micro-sons ou lá o que é que, supostamente, afastam essa bicheza que me está a deixar toda cheia de comichões.

Pode ser que ainda volte. A menos que seja devorada viva.

sábado, julho 21, 2018

Sobre Luana Piovani nada.
Sobre Trump e Putin tudo
(Com Jimmy Fallon a ilustrar)


Já cá estou. O dia já virou, já é sábado. Sentei-me no sofá e caí a dormir. Foram dois dias a transbordar. Muito. E, por vim, no regresso, ainda o trânsito. 

Mas antes de cair, passada de canseira, desfiz a valise, falei com a família. Depois caí, mudei de hemisfério mental, caí num buraco negro.

Agora, despertei um pouco, ao de leve, coisa ligeira.

Vontade de férias e elas tão longe. Vontade de não ter com que me ralar e a agenda cheia de coisas. 

A vida está flauteada para uns e outros mas para mim é sempre esse forró que vai de cabo a raso. Mas é o que é. De resto, sei que de barriga cheia quer a gente lá saber de razões. Nem eu quero.

Portanto.

Adiante.

Penso que não aconteceu nada de especial por cá excepto todas as coisas boas de que a comunicação social nunca dá notícia. Por isso, nada.

Só que Luana Piovani vem morar para Portugal. E eu, que não sabia quem era e porque era isso notícia, fui ver.


E, agora que sei, continuo sem ter nada a dizer. Só que seja bem vinda e que goste de estar cá. Não faz tanto calor por cá como por lá, mas whatever. E que os meninos gostem e que o marido surfe todas as ondas com bué de boas vibes.


E quem diz ela, diz todas as outras pessoas de bem que venham para cá ajudar a combater a quebra de população activa e contribuinte.

Tirando isso, só a petite histoire do momento: parece que, de entre os que receberam dinheiro para reabilitações de casas, houve aproveitadores. Não admira: sempre há. O mundo não é perfeito. E pode ser que, desta vez ou por uma vez, os que pisaram a bola, sejam punidos. Mas que sejam punidos, pu-ni-dos, e não que se vão juntar a todos os outros que ficam a aguardar a decisão da justiça durante anos e anos e anos, vendo a vida a desandar sem que a decisão aconteça.

Tirando isso, no mundo, o que me chama a atenção é o festival de anormalidades que cresce desordenamente em volta ou de dentro de Trump. Tudo aquilo é do domínio do inacreditável 

Campo fértil para a paródia. Por exemplo:


sexta-feira, julho 20, 2018

Lisbon Resort Hotel


Só para informar: estou out. Saí de madrugada, foi sempre a bombar e, como é bom de ver, já que o filme se repete esta sexta-feira, I'm not at home. Resumindo: estou sem saber notícias, sem saber coisa alguma. Falei com a família e foi de corrida e se o Bruno de Carvalho já foi cooptado pelo Benfica ou se a Kolinda já foi cooptada pelo Marcelo ou se a dupla de marretas Rio&Negrão já cooptou o Francisco Assis ou se a Alexandra Lencastre já insuflou mais as poitrines e a beiçola ou se a Judite Sousa apareceu de trancinhas, bibe com bordado inglês, botas de Dartacão e capacete de motard a entrevistar uma criancinha perdida da mão no Colombo ou se a Georgina apareceu com a D. Dolores ao colo e os filhos da barriga de aluguer às cavalitas dela e do padastro do CR7 -- juro que não sei de nada. Podem tentar que eu confesse que eu nada direi. Não sei de nada. Juro.

Portanto, escrever sobre a actualidade é coisa que está fora do meu alcance. Desenvolver teorias de cão de caça sobre assuntos altamente é coisa a que o meu exaurido intelecto se recusa. Pôr-me para aqui de asas depenadas a tentar voar, querendo que a minha alma se eleve até àquela camada da estratosfera em que a censura interna não alcança é coisa para a qual me falta inspiração.

Portanto, assim sendo, muito rasteirinhamente deitada num quarto super-hiper e com pena de não poder pôr-me nova no spa, limito-me a espreitar a televisão aqui na parede em frente e a ver os mails dos meus Leitores e amigos.

E, de entre tanta coisa engraçada, eis que dou com um que me traz coisa extraordinária. Pode ser trote. Ou treta. Ou truta. Não sei. Vê-se e não se acredita. Coisa do além.

Não sou de saudosismos, de ter o pé preso ao cimento do chão do passado, não sou de pirar sempre que alguém mexe nas paredes ou nos interiores de edifícios aos quais nunca antes liguei muito mas, confesso, às primeiras fiquei de olhos arregalados quando vi as imagens do Lisbon Resort Hotel. Depois caí na real: mas que diferença faz que seja hotel ou ministério? Que diferença faz que a praça tenha só pedra ou laguinho e repuxinho? Zero. Faz um bocado de falta a estátua, é verdade. Aquele cavalinho ali ao meio com o cavaleirinho em cima faz parte da paisagem e, alguns, os mais letrados e nostálgicos são mesmo capazes de dizer que tirar dali o cavalinho mexe com o imaginário da gente. Mas eu isso do imaginário deixo para lá. E saudosismos eu sacudo como quem sacode pó e extermina ácaro.

Por isso, vendo melhor as imagens, até que acho que o Terreiro do Paço tinha a ganhar com o Lisbon Resort Hotel. Aquilo ali ficaria mesmo supimpa... Não sei é onde é que vão pôr o cavalinho do D. José mas acredito que lhe arranjarão um lugar maneiro.

Portanto, por mim, luz verde.

[Mas, calma, há que ter em atenção o estado em que estou: não garanto que esteja na plena posse das minhas faculdades.]

Cliquem aqui no Lisbon Resort Hotel para entrarem no site.


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Ups...

Ao tentar encontrar uma fotografia para enfeitar o texto, descobri esta aqui acima e vi que saíu no Público e que tudo não passa de uma ideia, de um projecto -- e que as redes sociais, que são maioritariamente conservadores e reaccionárias, ficaram num alvoroço, tudo gente carregadinha de amor pela utilização dos edifícios como ministérios e tudo apegado ao cavalinho ali ao meio. Também pode ser pela história que não querem que se mexa. Pronto. Faz sentido querer preservar a história. Mas, caraças, a história é o que é, é memória, é gravura, é história em livro. E isso mantém-se. Não precisa é cristalizar no tempo. Se mantêm os edifícios todos lindinhos e limpinhos e se embelezam a praça, acho muito bem.

Não é com a vox populi e, muito menos, com os likes de facebookianos politicamente correctos que algum dia se conseguirá chegar a lado algum. Portanto, se o Costa ou o Medina ou o Marcelo -- ou lá quem é que tem que dar o visto -- precisam do meu ok para avançarem para a guerra, estão aqui o têm: ok. Go.

quinta-feira, julho 19, 2018

Explicação prática de porque é que as mulheres vivem até mais tarde do que os homens.
[Nada que não se soubesse já -- mas nada como voltar à carga]


Números. Contra a especulação ou a desconfiança, números. Dados oficiais de 2016: 

Em 2016 a esperança média de vida em Portugal era de 78,1 anos para os homens e 84,3 para as mulheres. E o padrão é idêntico em todos os países que a Pordata analisa.

Pergunta a minha iguinorância: será coisa de hormona? A hormona da mulher dá vida mais longa que a do homem? Será que o sangramento mensal durante o perído fértil é coisa boa, limpa bicheza maligna?

Ou será que mulher é mais inteligente que bicho homem e sabe poupar-se? Inclino-me para isso. Já aqui falei muita vez: homem é bicho infantil, cheio de orgulho besta, capaz de maluquice só para parecer leão, capaz de se entregar ao medo só para parecer que não tem medo. Coisa triste, é verdade -- mas coisa verdadeira. E qualquer homem que aí está pode assegurar que não estou a blasfemar. 

Seja como for, o Bored Panda fez uma súmula de situações que provam, de prova comprovada, porque é que a vida das mulheres é, em regra, mais longa do que a dos homens. Resmas de situações. Resmas. Paletes. Mostro só algumas para não maçar a vossa bela paciência mas se dois pontos traçam uma recta e três um plano, seis fotografias alicerçam uma teoria..

Um método seguro de vigiar uma demolição (repare-se como estava com capacete e colete refractor).
E, lá está, era um homem.

Mas bora lá com música que, com música, a coisa marcha melhor.
In hell I'll be in good company


E siga a demonstração.

Um colete salva-vidas muito original para provar que homem é sinónimo de valentão.
(Pior é se as garrafas furarem).

Uma máscara de protecção para soldadores.
Desde que uma fagulha não faça buraquinhos no garrafão de plástico

Capacete obrigatório e, finalmente, um que é cumpridor.
Em caso de queda, a rasta cabeleira está safa.
(Pior mesmo é os protectores auriculares não terem mais guita, assim não chegam às orelhas)

Cá está uma maneira segura e económica de mudar lâmpadas num sítio como este:
nem andaimes, nem escadas, nem arnês. Um super-herói ou um homem-aranha em grande estilo.
Tomara é que não lhe dê comichão num testículo.

A segurança primeiro, pois claro. Está bem visto, este.


PS: Só espero é que os artistas que aqui aparecem ainda estejam todos vivos.

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E queiram, por favor, dar uma descidinha para verem a graça das palavras com sentido.

Palavras com sentido


Tenho ideia de que foi em Amesterdão que vi mais lojas e galerias de design. Objectos interessantíssimos, úteis ou simplesmente curiosos, ideias que não lembravam ao careca e que ali estavam vertidas em coisas surpreendentes. Por vezes quase arte, por vezes pura diversão.

Tenho uma prima que é designer de profissão. Campanhas publicitárias, cartazes, logótipos, fontes para um lettering inventado -- de tudo saem daquelas mãos. Ou melhor: daquela cabecinha. Desde miúda se percebeu aquele sentido criativo e artístico, aquela capacidade de aparecer com ideias inteligentes que reflectiam conceitos, aquele espírito moderno e prático. 

Gosto de coisas assim. Sou sensível a tudo o que é novo, engraçado, inesperado.

Estas animações para ilustrarem o sentido das palavras, usando apenas as próprias palavras, são mesmo uma graça. São da autoria do designer da Lituânia Mindaugas Dudenas.







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E, para que não protestem por eu não vos dar música, que entrem os designers da música

Ok Go - Last leaf


quarta-feira, julho 18, 2018

Há um lugar no mundo onde muita gente não sabe o nome de um único país nem é capaz de apontar um único país no mapa-mundo.
É o país que é governado por um so-called génio estável, um troca-tintas que dá o dito por não dito, um trumpalhão que envergonha o mundo.
Ver para crer.


Tenho para mim que os populistas são altamente perigosos, mais perigosos que os bandidos encartados, que ladrões de esticão, que malta que cospe na sopa ou goza com velhinhas. Os populistas sabem ser simpáticos, ser sorridentes, sabem fazer promessas que são um engodo para os desvalidos, chegam mesmo a distribuir umas esmolas que sabem a tesouro aos pobrezinhos. Os mais desfavorecidos são, pois, o grande apoio deste tipo de gente. Regra geral, os populistas têm também uma conversa em que apelam ao medo -- aparecendo, a seguir, a prometer protecção. E aí, portanto, têm os mais indefesos a suportá-los.

Têm ainda alguns traços comuns: não têm escrúpulos, não distinguem a verdade da mentira, são egocêntricos, ambiciosos, são destituídos de remorsos, de consciência, de empatia. 

São perigosos porque enganam muita gente. São perigosos porque são imprevisíveis, incontroláveis. São perigosos. Ponto.

Trump, a um nível transnacional, tal como tantos palhaços por aí -- e, a nível tuguinha e nos tempos recentes, lembremo-nos de Bruno de Carvalho no Sporting -- eles alimentam-se da iliteracia que abunda nas redes sociais e da presença omnimediática. Os tempos desregulados em que vivemos são pasto favorável para animais destes.

Imagine-se, pois, o terreno favorável que é a própria terra do animal, uma terra onde há brutamontes aos molhos. Apesar de Trump ser uma óbvia cavalgadura, ganhou as eleições (é certo que com muitas maozinhas escondidas atrás das moitas). Mas ganhou. Está lá.

Gente inculta, deformada, gente com cérebros deturpados, atrofiados. Não são todos. Mas são muitos os que são assim.

O vídeo abaixo, muito recente, dá que pensar. É certo que a amostra pode não ser significativa mas, caraças, é assustador. Aquela gente não vê boi de coisa nenhuma. Não sabem o nome de países, não fazem ideia das geografias, não fazem ideia de nada. 

Como podem eles perceber que são governados por uma besta populista se nem fazem ideia onde se situa o país em que vivem?

Vejam, por favor. Passou no programa de Jimmy Kimmel.

Can you name a country?



Em contrapartida, extraordinária é a canção do expressivo Randy Rainbow. Humor do bom. Os States são um vexante atraso de vida mas são também o país da democracia e onde o humor cintila.

Vejam também, por favor. A very stable genius.


Só para lembrar: estamos a falar do maior trafulha dos tempos modernos, um doido e descarado trapalhão. Passará à história como palhaço. E digo isto na esperança que seja corrido antes que tenha oportunidade de fazer mal a sério.

Agora diz que se enganou ao falar da interferência russa nas eleições. Mentiras parvas, imaturidades de babaca.

Igualmente: ver para crer.


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Ai és tão lindo

Um cabelinho à fo...-se mesmo lindo
Uma sugestão à Melania:
abra uma excepção e vá ao quarto do estupor e.... corte-lhe a palha capilar... à escovinha.

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E queiram, por favor, descer para escolher: qual o presidente que dá beijinhos mais fofos, abracinhos mais aconchegadinhos?

O nosso Marcelo ou a fogosa Kolinda?

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Kolinda e Marcelo:
- Qual dos dois dá os abracinhos e beijocas mais calientes?
- Qual tem uma saída da água, na praia, mais sexy?


Não sou atenta em relação a presidentas de países que não me dizem muito como é o caso da Croácia. Por isso, não conhecia a bela e fogosa Kolinda Grabar-Kitarović até a ver com blusa a preceito a vibrar com o jogo de futebol e, no fim, a dar beijinhos e big hugs, abracinhos mesmo apertadinhos, festinhas e ternurinhas não apenas às equipas em peso, jogadores, treinador e equipas técnicas, como ao sorridente Macron a quem, nitidamente, não cabia um feijaozinho. E não era para menos: por um lado, a França a fazer um jogaço e a arrebatar o troféu e, por outro, aquele mulherão ali ao lado naqueles arroubos apaixonados e a dedicar-lhe aqueles miminhos tão calientes.

Fui saber quem era a fogosa Kolinda e, claro, com aquele temperamento arrebatado só podia mesmo andar numa de beijos e abraços, all over. E fiquei a pensar: alto, então não querem lá ver que a Koly ainda vai para o Guiness antes do nosso Marcel?

Mas agora, vendo-o em Cabo Verde, todo ele abraços e beijinhos, também todo ternurento e chegadinho, sosseguei. Ná. Não há pai para o nosso Marcelo.






Agora uma coisa é certa. Numa de afectos e gostos estivais, a coisa ia ser renhida.

Pergunto-me mesmo: se a Koko vier para Portugal, será que o nosso Celinho resiste? É que, não é por nada, mas tenho cá para mim que a Koko, apesar de ser mais curvas do que esquinas, era capaz de fazer mossa.

Aliás, aliás, quando se chegaram ao pé de um outro, foi logo aquela quimicazinha gostosa. Não sei se rolou mas á que pintou, pintou.



Que casalinho mais lindo. 
Beijoquinhas mais boas e afectinhos mais fofinhos os destes dois pombinhos.

terça-feira, julho 17, 2018

Outra maneira de evitar birras de crianças.
[Não menos polémica e radical do que a dos preservativos]


Não me vou deter sobre aquilo de, às vezes, algumas pessoas desesperarem com as birras dos filhos. É humano. Acontece a toda a gente. Uma criança a chorar aos berros durante algum tempo dá conta do juízo a qualquer um.

Uma vez, os meus pais ficaram com a minha filha quando ela teria meses. Quando cheguei a casa, estava a minha mãe numa pilha de nervos, o meu pai já contagiado. A bebé estava a chorar ininterruptamente fazia horas. A minha mãe já tinha feito de tudo: água, aero-om para as cólicas, massagem na barriguinha, colo, canções de ninar. Tudo. E nada resultava. Transpirada. Já soluçava de cansada. E ambos: tem que ir à pediatra, já, alguma coisa ela tem, coitadinha, nunca chora assim, se chora é porque não está bem. Aflita, mulher quase menina ainda, lá fui, assustada já também. Mas a menina já tinha acalmado, já quase dormia. A médica disse que não era nada, apenas um stressezinho bobo, coisa de criança desavinda.

Quando regressou a casa, vinha num sono pesado. A minha mãe sossegou.

Agora, mais recentemente, com a minha menininha mais linda acontecia isso quase sempre quando ficava com ela à sexta à noite. Muito caladinha, muito indiferente. Queríamos que fizesse gracinhas e nada. Eu, que gosto tanto de brincar com crianças, desesperava. Punha-me à frente dela e era como se nem me visse. Acenava, fazia palhaçadas e ela zero, bola. Cheguei a assustar-me. Nem ousava verbalizar. Uma vez enchi-me de coragem e falei ao meu marido. Ficou furioso comigo. Mas a menina, por mais que eu fizesse, não dava bola. Só uma coisa me tranquilizava. Volta e meia, olhava com ar maroto para o meu marido, disfarçava um meio sorriso. Ele gabava-se: maças a miúda e ela não te liga; vê lá eu, não digo nada, não me ponho a moer a paciência da miúda e vê lá como ela se mete comigo. Mas, ao perceber-lhe a intencionalidade, eu descansava. 

Mas depois acontecia o seguinte: se às sextas feiras à noite os pais queriam ir laurear, eu já ia aflita. Eu tentava brincar e ela nada. Moita. Na maior indiferença. Depois dava-lhe o sono. Eu começava a tentar que adormecesse. Está bem, está. Empertigava-se, recusava-se a dormir. Não queria chucha, não queria que eu a embalasse. Nada. Chorava desbaladamente. Eu desesperava. Não sabia o que lhe havia de fazer. Tudo o que eu fizesse, a fazia chorar ainda mais. Era como se deliberadamente se recusasse a dormir. Transpirava ela, transpirava eu. Cantava 'o meu menino é de oiro, é de oiro fino', embalava-a e isso parece que ainda a enervava mais. Volta e meia, de cansaço parecia querer dormir. A luz quase apagada, em silêncio, eu já derreada mas a não querer parar o movimento de embalar -- e era quase certo que o meu marido que, entretanto, já dormia a sono solto, lhe desse uma tosse... e acordasse a fera que, de novo, desatava num berreiro. Escusado será dizer que eu ficava capaz de trucidá-lo, coisa que ele não percebia, achava que não tinha feito nada.

À medida que foi crescendo, a sua personalidade foi ficando mais marcada. Não dá bola com facilidade mas, quando gosta, é uma querida que adora beijinnhos e ternurinhas, fala pelos cotovelos e percebe-se que, quando era bebé, queria era ser ela a traçar a sua agenda, recusando-se a dormir.

Com o mais novo da minha filha também passei por desesperos, sem saber como calá-lo. Uma vez, o mais crescido, in heaven, foi picado numa orelha e, para nosso susto, a orelha começou a inchar até a criança ficar a parecer um extra-terrestre. O pai estava a trabalhar em Lisboa pelo que o meu marido foi com ela e com o menino para o hospital e eu fiquei com o mais novo. Quando percebeu que estava sozinho comigo, não vendo nem o mano nem a mãe, começou a ficar choramiguento. Tentei disfarçar, brincar. Depois a choraminguice foi em crescendo, por fim berrava a plenos pulmões, encharcado de transpiração e baba de tanto chorar. Quando eles chegaram do hospital, estava eu capaz de me ir internar. Exaustos os dois. Mal a mãe o pegou ao colo, calou-se. E de noite...? Quando ficavam cá em casa.... O que ele chorava... O irmão, que é todo racional, dizia: 'Resolves alguma coisa por chorar?'. Ele pequenino, ficava calado a olhar para o irmão. 'Então cala-te. Deixa-me dormir'. E ele lá caía na real e adormecia.

E lá está. Se fosse como aquele do anúncio ali em baixo, uma coisa do mais fundamentalista que há, para prevenir choradeiras destas em crianças, recomendar-se-ia aos pais que tivessem usado preservativo.

Claro que é coisa em que nem quero pensar... meus ricos meninos. Que chorem, que protestem, que falem alto, que desarrumem tudo, que comam que nem lobos, que se peguem uns com os outros. Tudo o que quiserem. 

Mas, já que estamos na silly season e em maré de conselhos radicais, tenho aqui uma recomendação do mais radical que há para quem já tem filhos que cheguem: que mudem de gostos. 

Por exemplo: se para dançar o tango é preciso dois (it takes two to tango), porque não do mesmo sexo?



Ou, identicamente eficaz na prevenção das birras de crianças: um tango a solo. Claro que, no fim, talvez se acabe a dar com a cabeça nas paredes mas, enfim, enquanto se dança e não dança, faz de conta que também é bom. Afinal, tango é tango.

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E pronto: queiram descer até ao post seguinte para verem o tal anúncio mauzinho que recomenda um remédio santo -- santo até demais -- para prevenir birras de crianças.
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