Dias complexos que me deixam exausta e, à noite, com vontade de descansar a cabeça. Aquela de que não há duas sem três deve ser alterada para não há seis sem sete, quiçá nove sem dez. Sempre a somar..
E, para complicar, vimos finalmente o que se passa com a cauda do pobre cãobeludo. Tirou o colar isabelino, não sei como, e dei com ele freneticamente agarrado à cauda. Fui chamar o meu marido pois eu sozinha nem pensar em conseguir agarrá-lo e voltar a pôr-lhe aquele horrível funil. E, então, vimos uma ferida enorme na parte de baixo, na parte interior, digamos assim, a sair de dentro do pelo, uma ferida horrível, assustadora, grande, gorda e rubra como uma grande ameixa em carne viva. Se nos aproximamos e desconfia que lhe vamos tocar lá, vira-se e rosna, nitidamente apavorado. E não fazemos ideia de como arranjou isto. Só espero que não seja outra pragana. Supostamente um cão resistente, do campo, e, afinal, sempre com mazelas do caraças. E, a ajudar, este feitiozinho de cão. A cãzinha, a nossa saudosa boxer, era uma santa. Nunca tivemos quaisquer problemas destes com ela. Nunca.
Um stress do caraças, isto.
E nós sem carro. Fui ver a questão do uber pet friendly mas não são carros com divisórias para animais, são carros normais em que os motoristas consentem que os clientes transportem os seus animais de estimação. Ora é uma situação impossível, o nosso cão não é motorista friendly. Cravei a minha filha para vir buscar-nos à hora de almoço e nos levar à clínica veterniária. Felizmente está de férias por cá, consegue. Mas é um programa com o qual não estava a contar e eu destesto cravar quem quer que seja, mesmo numa emergência como esta. Detesto mesmo.
E vai ser um pesadelo no veterinário, temo que tenha que ser sedado. E não sabemos como fazer nos dias seguintes. Tem certamente que desinfectar todos os dias e pôr pomada ou sei lá o quê e não deixa, vira-se imediatamente e tenta defender-se como pode, rosnando e ameçando atacar. Já aconteceu antes e levávamo-lo à escola de treino em que as tratadoras o continham enquanto uma enfermeira veterinária o tratava. Mas isto tendo nós carro para andar nisto. Poderíamos alugar um carro mas ele tem outra particularidade: quando passa por nós uma mota ou alguém a pé que não lhe parece de confiança, salta no banco de trás e desforra-se no que pode, temos os bancos e as portas todas espatifadas. Não podemos arriscar que dê cabo de outros carros.
Podem dizer que está mal ensinado. Sim, sim. Já andou em não sei quantas escolas. Obediente e tal e coiso mas, quando lhe parece que deve ser guardião, cão-pastor, é possessivo, territorial e implacável. É sair da sua alçada.
O nosso carro já é um caso perdido... e pior é que não sabemos quando o teremos...
Um stress. Isto causa-me um stress do caraças.
Pelo meio ainda veio cá um senhor tirar medidas para uns trabalhos em volta da casa e por dentro, o que, obviamente, obrigou o meu marido a andar com a fera de um lado para o outro pois um homem desconhecido a circular pela casa deixa-o ainda mais reactivo do que ele já está e, se o apanhava, a coisa não ia correr bem. Agora imaginem o senhor a fazer perguntas e o cão aos saltos e a ladrar furiosamente e nós quase sem conseguirmos ouvir o senhor.
O meu filho, quando ligou, estava a pensar trazer os meninos amanhã. Mas, com este cenário de termos que ir para o veterinário, não dá. Não sabemos quanto tempo lá demoramos e, de qualquer maneira, mesmo que fosse rápido, não íamos deixá-los cá sozinhos. Que impotência com tudo isto. Não ter carro para nos deslocarmos, em particular quando há a necessidade de levar o cão ao veterinário e quando ele anda incomodadíssimo, quase não come, anda desorientado com o funil na cabeça e com o incómodo que tem e não dá para adiar, é uma sensação de impotência... E só de pensar que os múdos deveriam estar a contar passar cá o dia e que, afinal, não é possível... Que chatice.
E em cima disto mais não sei quantos contratempos. Às tantas já só me apetecia virar costas, desistir. Talvez, até, chorar.
Agora estou aqui na sala, enquanto ele está deitado aqui ao pé de mim. Mas de vez em quando estremece, agita-se. Deve doer-lhe à brava, coitadinho.
Para ver se me distraio, viro-me para vídeos 'bonitos', tranquilos, com temas que me agradam, que me distraem e descansam a cabeça. É o caso deste que partilho. Espero que também gostem.
Por dentro da restauração do jardim de Coco Chanel na Riviera Francesa | Architectural Digest
A AD acompanha o arquiteto Peter Marino numa exploração da restauração dos lendários jardins de Coco Chanel em La Pausa, a sua icónica villa na Riviera Francesa. Dos arquivos históricos à plantação mediterrânica, a paisagem foi cuidadosamente reimaginada para honrar a visão original de Chanel, celebrando a beleza do sul de França.



