Anda meio mundo perplexo com um filme, documentário, apresentado num festival, sobre uma pessoa que tem tanto de repulsivo como de intrigante, talvez até fascinante.
Elizabeth Holmes é daquelas mulheres que parecia normal até se descobrir que não era. Enganou meio mundo, incluindo pessoas inteligentes e supostamente perspicazes. Foi capa de revistas que costumam dar palco a gente de relevo, deu inúmeras entrevistas, apresentou-se em conferências, nunca fugiu à exposição pública. Pelo contrário, procurava-a. Os investidores acreditaram cegamente nela, milhões fluiram para a sua empresa que, segundo ela, iria revolucionar a medicina, a forma de fazer análises. Ninguém duvidou de nada. Era convincente, o projecto era sólido.
E, no entanto, era tudo uma fraude. Tudo.
Ela era uma fraude. Sem nunca o assumir, como se falasse sempre verdade. Geria uma empresa, tinha trabalhadores, conseguia forjar uma realidade que não existia a não ser na sua delirante cabeça. Nunca mostrando arrependimento, nunca baixando os olhos, nunca mostrando vergonha por ter enganado tanta gente e por estar a ser exposta como uma falsidade sem ponta por onde se lhe pegasse.
Este documentário deixa as pessoas que o viram aterradas. Elizabeth Holmes permitiu que uma equipa de filmagem estivesse em sua casa, com o seu marido e os seus filhos, nos dias que precederam o julgamento e a prisão. Mostrou a sua intimidade, mostrou as conversas mais pessoais, supostamente mais reservadas, deixou que filmassem tudo. Como se não tivesse nada a esconder.
Não sei como funciona a cabeça de uma pessoa assim. Uma fraude humana em que nada do que diz é verdadeiro e que, no entanto, se comporta como a mais verdadeira e transparente das pessoas. Não sei como conseguem conviver com ela sabendo a fraude que é, sabendo que parece não ter escrúpulos, sentimentos. Os pais, o marido, como conseguem viver relacionamentos familiares que supostamente assentam na confiança, na verdade, com uma pessoa desprovida da mais elementar confiabilidade? Será que ela os manipula a ponto de os cegar?
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Hoje fiquei também a saber de uma outra fraude, igualmente intrigante. Para me facilitar a vida, pedi ao Gemini que descrevesse o caso. Transcrevo:
A história de Tania Head é considerada uma das maiores e mais estarrecedoras fraudes da história recente norte-americana.
O seu nome verdadeiro é Alicia Esteve Head, nascida a 31 de julho de 1973, em Barcelona, Espanha. Oriunda de uma família catalã abastada, Alicia estudou na Universidade de Barcelona.
A farsa começou por volta de 2003 e 2004, quando Alicia apareceu em fóruns online de vítimas dos atentados. Sob a falsa identidade de "Tania Head", ela criou uma narrativa dramática e repleta de detalhes chocantes:
A história inventada:
Alegava que no dia 11 de setembro de 2001 estava no 78.º andar da Torre Sul (WTC 2) a trabalhar para a empresa Merrill Lynch quando o avião colidiu. Dizia ser uma das pouquíssimas pessoas a sobreviver acima da zona do impacto e afirmava ter sido salva por Welles Crowther (o herói do "lenço vermelho"). A perda do noivo: Contava que o seu suposto noivo/marido, um homem chamado Dave, tinha morrido na Torre Norte.
Ascensão à liderança: Entrou para a World Trade Center Survivors' Network (Rede de Sobreviventes do WTC).
Rapidamente ganhou notoriedade e empatia e acabou por se tornar presidente da associação. Figura pública: Tania participou ativamente no apoio emocional a sobreviventes, organizou visitas guiadas ao Ground Zero para figuras públicas — incluindo o ex-presidente da câmara Rudy Giuliani e o governador George Pataki — e deu palestras em universidades.
O facto mais bizarro de toda a farsa é que, no dia 11 de setembro de 2001, Alicia Esteve nem sequer estava nos Estados Unidos;
Em setembro de 2007, jornalistas do The New York Times (David W. Dunlap e Serge F. Kovaleski) realizavam uma reportagem sobre os sobreviventes do 11 de Setembro e começaram a notar várias inconsistências no relato de Tania:
A Merrill Lynch confirmou que nunca tinha tido qualquer funcionária com o nome Tania Head.
A família e os amigos do homem ("Dave") que ela alegava ser o seu noivo falecido afirmaram nunca ter ouvido falar de nenhuma Tania.
Ela recusou-se repetidamente a conceder entrevistas formais aos jornalistas do New York Times, esquivando-se aos pormenores verificáveis.
Quando o jornal confrontou a rede de sobreviventes e publicou a investigação a desmascarar a fraude em setembro de 2007, o escândalo rebentou mundialmente.
Após a publicação das suspeitas e o desmantelamento do seu disfarce, Alicia contratou advogados, mas nunca deu explicações públicas ou pediu desculpas.
Chegaram a circular rumores e e-mails num fórum de sobreviventes alegando que ela se tinha suicidado, mas isso revelou-se também falso.
Documentário chocante acompanha Elizabeth Holmes enquanto se prepara para ir para a prisão
"You Can See Everything", realizado por Nathan Fielder e Lance Oppenheim, tornou-se um dos filmes mais aguardados da noite para o dia, após a sua estreia em Telluride e o lançamento de um pequeno teaser trailer.
Tania Head descreve o encontro com o seu noivo nas Torres Gémeas do World Trade Center.
Alicia Esteve Head, ou Tania Head, é uma espanhola que afirmou ser sobrevivente dos ataques ao World Trade Center, a 11 de setembro de 2001, usando o nome de Tania Head. Juntou-se ao grupo de apoio World Trade Center Survivors' Network, do qual se tornou presidente mais tarde. O jornal The New York Times noticiou a farsa em 2007, pouco antes do sexto aniversário do 11 de Setembro.




