Continuo na onda levezinha e acho que não faz mal, o melhor é aproveitar antes que a silly season dê de frosques.
Primeira
Quando o cabelo atinge este tamanho, o normal é começar a sentir a tentação de ter a tesoura na mão e lá vai disto. Mas desta vez estou a vacilar. Como tenho farta cabeleira, que me aquece não apenas a cabeça como as própias entranhas, isto quando o tempo aquece, bem entendido, gosto de a apanhar.
No outro dia, não sei se contei, usei a app que nos diz qual o corte de cabelo e o penteado que mais nos favorece. E deu-me, creio que em primeiro lugar, o rabo de cavalo à Brigitte Bardot, aquele rabo de cavalo meio despenteado com franja também despenteada. E eu gosto, de facto, de me ver assim. Andar bem penteada nunca foi a minha praia. Já não vou à cabeleireira há imenso tempo, creio que, no mínimo, há uns dois anos, e, de cada vez que vou, a primeira coisa que faço quando de lá saio é despentear-me. Continuando: como alternativa ao rabo de cavalo a la BB, o corte pela nuca, também meio despenteado, de que também gosto. Só que, se o corto, depois já não posso apanhá-lo. E, portanto, não apenas estou a refrear a tentação de me atirar a ele à tesourada como estou a protelar a resolução do dilema, sendo certo que, ao protelar, estou, na prática, a deixar-me ficar com ele mais para o grande. Mas o meu marido ontem, quando me viu com ele solto, perguntou-me: 'Não está já um bocado anos 80?'. Tenho a certeza que disse anos 80 como poderia ter dito outra coisa qualquer. Mas como nunca se pronuncia e, desta vez se pronunciou, fiquei a pensar que alguma coisa no cabelo lhe pareceu pouco canónica e, portanto, ou ando com ele sempre apanhado ou me decido a cortá-lo.
Segunda
Vi, creio que na CNN, um excerto de uma peça sobre o Neves, o grande Neves, essa grande sumidade que desperta amores e paixões junto de tão boa gente. Como convidadas, creio que do André Carvalho Ramos, a Sandra Felgueiras e a Felícia Cabrita. E pensei que só pode ter sido maldade porem uma ao pé da outra. A Sandra toda articulada e bem falante, a Felícia, a trapalhona do costume, péssima dicção, sem conseguir dizer uma frase com seguimento.
Mas uma coisa é certa: danadas para a brincadeira como são -- e a Cabrita com os seus contactos no milieu, cuidado com ela --, não vão descansar enquanto não entregarem, de bandeja, a cabeça do Neves ao Seguro. Aliás parece que já lhe levaram as orelhas e o rabo, o Seguro é que não é de decisões rápidas e deu um tempo ao Mentenegro. Este é que, vamos lá saber porquê, parece não se querer desfazer do Neves. Ou o Neves não deslarga o Mentenegro ou o Mentenegro não quer deslargar o Neves. Qual deles não deslarga o outro e porquê ainda haveremos de saber. Mas pode ser apenas porque o Mentenegro é casmurro como um asno, ou, então, gosta de coleccionar tesourinhos deprimentes como a Ana Paula ou o Fanã.
Nota: eu sei que não se diz deslarga, está bem?
Terceira
A notícia do sofá de pele branco com aplicações douradas, as televisões e os equipamentos de ginásio apreendidos numa operação da PJ e que deixaram a casa do Xuxas mais vazia é de se lhe tirar o chapéu. E a Judite (quem na Judite?) a querer aproveitar-se disso é ainda melhor. A gente ouve e começa a imaginar coisas. Como a minha imaginação é fértil ocorreram-me de imediato inúmeras possibilidades. Pulam-me, aliás, os dedos para criar micro-narrativas que envolvem um avatar do Neves, o sofá com dourados, e outros adereços e outros personagens. Só não divulgo aqui porque tenho cá para mim que a realidade é muito bem capaz de ser mais cabeluda que as minhas inocentes ficçõezinhas.
Mas, falando mais a sério, não seria de alguém fazer um inventário ao armazém de apreendidos e ao parque de viaturas igualmente apreendidas, para ver se tudo o que foi apreendido de facto deu lá entrada e se, tendo dado, ainda lá está? E, não estando, com ordem de quem de lá saiu e para onde foi? É só uma sugestão. A menos que aquilo seja mesmo na base do bar aberto.
Quarta
Há pessoas que não suporto. Por diferentes motivos. Umas é porque são fúteis e parvas. Outras é porque se acham o máximo quando não valem um caracol. Outras é porque são insuportavelmente palavrosas, galináceas cacarejantes. Outras porque, sendo novas, nasceram velhas e se portam como velhas cagonas. Outras é porque se acham ladinas, matreiras, sabidas. Outras é porque são sonsas, acham que a melhor defesa é não saírem da moita. Outras porque são burras, ignorantes e descaradas. Outras porque são mentirosas e acham que se safam se estiverem sempre do lado da oposição (mesmo estando no governo).
Apetece-me dizer os nomes, chamar os bois pelos nomes. Mas não o faço porque, ainda assim, a forma como as classifico é generosa de mais e não quero que me chamem otária.
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E vou-me, não sem antes dizer o que se passa com a cauda do meu petcão. O meu marido sofre de empatia aguda em relação ao cãobeludo e, por isso, tentou outra vez tirar-lhe o funil. De novo, freneticamente a lamber a cauda. Funil de novo. Consulta na veterinária. Problema diagnosticado: as crostazinhas e a pele seca dão-lhe muita comichão. Solução: aplicar uma mousse hidratante e mais não sei o quê. Não se põe com água nem se tira com água, é para ficar. Um frasquito de nada quase quarenta euros. É o que eu digo: produtos muitas vezes mais caros do que os que eu uso, os meus tudo na base das marcas brancas do supermercado e tudo mais que bom, ele, o marquês, ex-pastor de ovelhas no monte, só produtos de vet. Já para não falar da ração que agora é de truta e sem cereais, porque os cereais não são bons para quem padece de alergias, isto supondo que ele de tal padece. Mas, enfim, já nem digo nada, já só quero que se ponha bom, que não espete praganas nas patas, que não se fira com nada, que não arranje alergias ou comichões, que não fique coma pele ferida, que nos dê algum sossego. Tirando isso, está bem, ladra que se farta ao mínimo barulho na rua, desestabiliza os cães todos da rua quando o pobre carteiro se aproxima da nossa caixa de correio, corre e corre e faz acrobacias aéreas a desafiar o cão do lado e, á noite, vem pôr-se encostado a nós para lhe fazermos festas.



