Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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domingo, setembro 22, 2019

O Fama Show versus Greta Thunberg.
Vivemos mesmo num mundo estranho.


Depois de almoço e num dia de recolhimento in heaven durante o qual tento recuperar de um resfriado ou gripe ou faringite ou virose ou sei lá o quê (na volta, apenas a revolta do organismo face ao regresso ao trabalho e ao trânsito), vejo as notícias no computador enquanto na televisão passa o Fama Show

E o que me chega dali, do lado da televisão, é uma coisa inenarrável. É canal aberto à futilidade, ao exibicionismo, à parvoíce encartada, aos sorrisos enxertados na cara e às respostas parvas a perguntas parvas, a patrocínios disfarçados de encontros de amigos durante os quais cada um exibe o mais puro pechisbeque. O pastiche do pastiche do pastiche. Parece que acham que aquilo é glamour e ninguém quer ficar atrás do outro mas, na verdade, aquilo a que assisto é o mais puro atentado à inteligência, uma total distorção de valores. 
Nem digo mais nada pois posso estar a não usar as palavras mais adequadas. É que temo estar a dar importância a mais a um mero programa de entretenimento. Aparentemente, aquela parvoíce será inócua. 
Mas, na realidade, temo que não o seja tanto quanto isso pois os programas mais vistos, os blogs mais vistos, as páginas de Facebook ou os instagrams mais populares são os que se ocupam desta espuma, desta macacada, e são, justamente, da autoria desta gente que ocupa o palco e vive dos media e da social media que tudo invade como uma vulgar infestante. Dá ideia que grande parte da população prefere seguir a 'opinião' destas nulidades do que a opinião de quem fala de assuntos relevantes.
A alienação em estado puro. O que dizem é de bradar aos céus, tão grande o vazio que parece habitá-los. E sorriem e exibem-se e dizem criancices em catadupa. Pasmo.

Entretanto, acabou e eu estou a tentar relativizar o que vi e ouvi. Mas tenho dificuldade. O mundo tornou-se mesmo um lugar estranho. Num mundo normal, seria dado palco a quem tivesse alguma coisa de relevante a dizer e não a pessoas que não têm literalmente nada que dizer.  
E é por terem tanta necessidade de estarem sempre lindos, glamourosos, sorridentes e em boa forma que acontecem desgraças como a do outro rapaz que se injectou com testosterona aparentemente janada, quase destruindo a sua vida, ou que há tantos casos de droga, de alcoolismo, de depressões ou de outras situações complicadas. Lindo mundo, este.
Entretanto, sabendo do meu interesse e preocupação sobre temas como a desregulação da inteligência artificial ou das cada vez mais preocupantes alterações climáticas, o algoritmo do YouTube sugere-me alguns vídeos e eu, rendida, dou-lhe razão: vejo-os, interessam-me de facto. 

E eu, que temo o efeito dos poderes 'sobre-humanos' destes algoritmos, percebo o paradoxo. Em coerência, deveria mandar bugiar o YouTube ou o Google (ou, mesmo, o Blogger) e, no entanto, dependente deste mundo de conexões imediatas e infinitas, aqui estou. 

Tento convencer-me que sei distinguir as oportunidades dos riscos... mas sei lá se consigo. 

Seja como for, depois de ontem à noite ter voltado ao tema (ou melhor, não ontem à noite mas hoje de madrugada), peço de novo a vossa atenção para o discurso simples mas poderoso desta miúda que não usa roupa oferecida por costureiros glamourosos, que não se maquilha, que não faz poses para o boneco e que fala de temas pouco sexy e que, ainda por cima, não se ensaia nada de desafiar e ameaçar quem quer que seja. 
The young climate activist Greta Thunberg has been awarded the "Special Prize Climate Protection" during Germany's Media awards show GOLDENE KAMERA 2019. She used her speech to call on media celebrities to raised their voices and spread the message on climate change.

E até já.

Que fazer quando a nossa casa está em chamas?





Seria fácil se a solução estivesse apenas na florestação. Mas, infelizmente, não é bem assim. Florestar é importante, muito importante, mas, tal como se refere no vídeo que partilhei no outro dia (o segundo do post), não haveria superfície terrestre suficiente para todas as árvores necessárias para produzir o efeito indispensável. Além disso, não é qualquer árvore, em qualquer sítio. É preciso muito, muito mais que isso. 

A questão é complexa: a globalização pôs as coisas a percorrerem longas distâncias. Queremos muita oferta, muito barata. Para isso, os produtores fazem o que podem. Onde são produzidas as peças de roupa que compramos na Zara ou em qualquer outra grande marca? No Paquistão, no Chile, onde calhar. E as matérias primas para fazer essas peças? Sabe-se lá de onde vêm. Da Índia, de Marrocos, you name it. Tudo percorre grande distâncias. Compra-se a matéria prima onde for mais barata, transporta-se de lá, leva-se até onde a mão-de-obra for mais barata, depois transporta-se de lá até onde existir consumo. E quem diz roupas, diz ténis, diz carteiras, diz brinquedos, diz electrodomésticos...  diz quase tudo. 


E as empresas e demais organizações, para terem escala e 'eficiência', têm que ter os serviços centralizados e as pessoas que antes estavam noutras repartições mudam de local de trabalho, se calhar ficando a quarenta ou cinquenta quilómetros da sua residência e para a qual terão que se deslocar pendular e diariamente, usando transportes, tantas vezes viatura individual.
E não me ponho de fora. Não, sou um dos pequenos seres que, em toda a linha, se integra nesta cadeia. 
E, por isto, aquilo ou o outro, a poluição aumenta, aumenta, aumenta.

E isto já para não falar no crédito fácil e nos hábitos de consumo que fizeram com que as cidades fossem devoradas pelos carros. Um carro para a mãe, outro para o pai, outro para cada filho.

Ou o crédito também fácil para viajar que criou a procura necessária para as viagens de avião low cost com os aeroportos saturados e os ares cheios de ruído e porcaria.


E os hábitos da picanha brasileira, da carne argentina, e os restaurantes de all you can eat cheios de carnes e enchidos e trinta por uma linha vindos sabe-se lá de onde mas, certamente, de longe... e tudo a oito ou nove euros. E, portanto, tudo tem que ser barato pelo que os criadores de gado têm que baixar o preço da carne, ter muitas cabeças de gado e, para isso, têm que ter espaço e vá de acabar com florestas. E isso e o escambau, porque estou a dar meros exemplos mas isto é generalizado.

E é tudo descartável porque não é prático andar a aproveitar coisas, ter que lavá-las. Nem se vendem coisas a granel. Mais simples e barato tudo de plástico. E como não? Como compraríamos o gel de banho, o detergente, o shampoo, a água, tudo, tudo, tudo? E tanta coisa que não se recicla, que vai para o lixo, ficando por aí, poluindo mares, terras.

E nem falo da indústria que, por cá, vai sendo menos poluente mas que, em tantas partes do mundo, é criminosamente poluente. Tintas, resinas, metais pesados, produtos altamente poluentes a irem para os leitos de rios ou para a atmosfera. Em tanto lado.


E tudo nas nossas vidas é assim. Não é de hoje nem de ontem. Tem sido uma longa e estúpida trajectória. 

E nem falo da maior derrota dos nossos tempos, esse flagelo, essa dor que nos crava o coração de mágoa e impotência, essa tragédia que são os desgraçados bandos humanos às portas do mundo dito civilizado, gente que foge à guerra (alimentada pela sinistra indústria de armamento e fomentada pelos mais funestos e gananciosos exemplares da espécie humana, gente que se alimenta de petróleo e de todo o tipo de sórdidas ambições), gente que foge à seca, à fome, a um destino miserável -- deixando para trás terras esventradas ou ressequidas ou mortas.

Por isso, agora que o planeta está como está, a nossa casa em chamas, não é uma medida -- uma medida única, avulsa, voluntarista --  que resolve o que quer que seja. Têm que ser muitas. E bem estudadas, articuladas, planeadas. É toda uma civilização que tem que fazer a agulha num outro sentido.


De novo partilho um vídeo que me parece bem feito, apelativo, credível.

David Attenborough, Greta Thunberg and Jane Goodall 

want to talk to you about climate change


Todos somos poucos para, através de uma consciencialização colectiva, tentarmos ajudar a mudar este triste estado de coisas.
Que cada um de nós seja porta voz desta consciência, desta vontade de salvar o planeta, de nos salvarmos a nós próprios.


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No outro dia falei do espaço e ainda não é hoje que explico porque o digo (digo apenas que se é sabido que dos céus nos vem a luz e o vento -- aproveitados, entre outras coisas, através das fotovoltaicas e das eólicas -- não nos esqueçamos que é também de lá que nos vem a chuva que pode ser estimulada).

Mas hoje falo também do mar. E se Portugal tem mar... Note-se: não é a solução. Mas pode ser uma das soluções. veja-se como um exemplo das muitas possíveis soluções que, volto a dizer, cientificamente estudadas, articuladas, planeadas, etc, podem vir a contribuir para mudar a trajectória de destruição que estamos a percorrer.

This incredible underwater farm could be the future of food



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Fotografias feitas este sábado in heaven nas quais se pode ver uma abençoada amostra de chuva. 

Lá em cima, nuns belos jardins australianos, é o concerto N°24 na interpretação de Piotr Anderszews

Goal.
Leonard Cohen ainda e sempre entre nós



Silêncio, por favor. 

Leonard Cohen entra, de novo, nas nossas vidas. Ainda vivo. Sempervirens. Eternamente cantando para nós, eternamente envolvendo-nos no veludo esculpido no carvão das suas palavras e da sua voz.

I can't leave my house
Or answer the phone
I'm going down again
But I'm not alone
Settling at last
Accounts of the soul
This for the trash
That paid in full
As for the fall - it began long ago
Can't stop the rain
Can't stop the snow
I sit in my chair
I look at the street
The neighbor returns my smile of defeat
I move with the leaves
I shine with the chrome
I'm almost alive
I'm almost at home
No one to follow
And nothing to teach
Except that the goal
Falls short of the reach



sábado, setembro 21, 2019

Não sou eu que o digo, é o Harrison Ford.
E, felizmente, não apenas ele mas muito mais gente em todo o mundo.


Temperaturas médias em Portugal de 1901 a 2018 usando dados de Berkeley Earth.


Estamos encarnadinhos, quentinhos. E eu que, como é sabido, sou tão encalorada... Como será isto quandos os meus filhos tiverem a minha idade? E os meus netos? Conseguir-se-á respirar? Haverá água para beber? Terra para pisar? 

Ou, até lá, o mundo inteiro ganhará consciência de que a destravada deriva consumista, a poluição, o consumo desregulado de recursos finitos e tudo o mais que possa enunciar-se estão a levar o planeta à exaustão e ao desequilíbrio das forças que o mantinham sustentável?

Espero que seja a segunda hipótese e que este mundo ainda consiga salvar-se. Claro que poderá toda a gente mudar de hábitos e todos os governos serem forçados a pôr no terreno medidas urgentes de contenção e revitalização... e um belo dia cair-nos um big meteorito em cima e bye-bye maria ivone, lá vai tudo desta para melhor. 

Mas -- admitindo que isso só acontecerá daqui a cinquenta milhões de anos e que até lá seria bom que o planeta se mantivesse azulinho e branco, pontilhado a verde quando visto mais de perto -- é melhor que nos deixemos de aventurinhas mediáticas ou ocos sound bytes usados como arma de arremesso partidária ou graçolas dialécticas tais como joguinhos florais ou batatinhas sem bifes a cavalo pois o assunto é sério, requer que a ciência (vários ramos da ciência) trabalhe em registo de urgência, de integração e com visão estratégica, requer enquadramento político, requer união de esforços e muito foco, requer que a mesquinhez de rivalidades clubíticas ou fundamentalismos próprios de seitas sejam postos de lado. Paradoxalmente requer também serenidade, requer ausência de catastrofismo, requer tino, muito tino.

O tema felizmente saltou para o primeiro plano da ordem mundial e este é daqueles casos em que ninguém deve recear que os outros pensem que é moda e critiquem quem a ela adere. Que critiquem. E, de resto, pensando melhor, exijamos que seja moda, que seja obsessão. É bom que seja. Mas uma moda e uma obsessão com base, enquadramento e contornos científicos.

Daí que hoje, dia em que milhões de pessoas em todo o mundo saíram à rua a exigir reformas urgentes nestas matérias, aqui volte outra vez ao tema e partilhe um vídeo que vos convido a ver. Embora se perceba bem o que o Harrison Ford diz, para quem não pesque bem em águas de língua inglesa, as legendas em português podem ser activadas.

Se não protegermos a natureza, não conseguiremos proteger-nos a nós



Termino com as temperaturas médias do mundo numa escala temporal mais ampla que o anterior, aqui entre 1850 e 2018.

E, também aqui, se vê como, globalmente, o grau de aquecimento aumenta consistentemente de forma assustadora.


How the #ClimateStrike travelled around the world



sexta-feira, setembro 20, 2019

Sobre uma coisa séria





Na quarta-feira deitei-me tarde demais e levantei-me cedo, como sempre. Hoje estou, como é bom de ver, cansada e com muito sono. Estive a ler os comentários, com muita vontade de reagir. Um por um. Mas estou incapacitada. Adormeço a cada minuto. Acresce que esta semana o trânsito tem estado péssimo. Isso e a minha agenda sobrecarregada, pois acumularam-se compromissos à espera do meu regresso de férias. E esta conjugação é suficiente para, em mim, a acumulação de contrariedades se transformar em impaciência. Acresce ainda que, zen como estive nas férias, afeiçoada à calmaria, agora toda a macacada, desorbitagem, injustiça ou quadradice me deixa em pulgas. Portanto, neste curto espaço de tempo já coleccionei quatro conversas complicadas e tensas (mas tensas para quem teve que me aturar porque eu, felizmente, mantive-me tranquila, segura das minhas razões).

E não vem ao caso mas é uma constatação que acho que devo partilhar convosco. Já o contei: os testes à minha personalidade dão que sou absolutamente assertiva, quase 100%. Nada passiva, quase nada manipuladora e, de vez em quando, pontualmente e em situações bem identificadas, um pouco agressiva. Mas, de forma quase limite, sou assertiva em toda a linha. Portanto, não é com esforço ou por encenação que defendo as minhas convicções com confiança. Ou seja, é natural em mim chegar-me à frente e defender acerrimamente o que penso. E nunca me dei mal com isso. Mas uma coisa é propor novas soluções ou criticar decisões tomadas e outra, diferente, é dizer a uma pessoa ao meu nível ou superior, cara a cara, que é ela que não está a dar conta do recado ou que está a prejudicar as empresas, ou seja, que a solução para os problemas não passará por ela. 
Isso ou uma outra em que estou a tornar-me exímia: quererem que eu me responsabilize por uma 'cena' daquelas a que, numa empresa, se sabe que o não é inadmissível -- pois implicará uma auto-demissão ou, se não, um vexante encostanço -- e, ainda assim, perante seja quem for, dizer: não estou disponível. Ou dizer: Não me sento à mesma mesa que esse fulano porque esse fulano é um ordinário. E, apesar de ver o ar estarrecido do meu interlocutor, incapaz de reagir, certamente sem saber como lidar com uma situação destas, manter-me segura e determinada. É que, nos meios que frequento, coisas destas não se dizem, muito menos se fazem. E, no entanto, eu faço e ninguém me bate. E penso que é importante partilhar isto: digo o que tenho a dizer, faço o que acho que devo fazer e ninguém me bate.

Contudo, de uma coisa estou certa: tudo isto é treta. Questiúnculas. Toda a gente tem que lidar com elas. Lidar com gente insensível, quadrada, de vistas e mente curta é uma chatice mas não deve haver quem nunca tenha sido sujeito a isso. Portanto, mais ou menos vitória, destas pequenas vitórias, tanto faz. Banal. Irrelevante. Podem não ser irrelevantes para as pessoas que são directa ou indirectamente beneficiadas ou prejudicadas mas, para o mundo, a relevância é zero.

E depois há as decisões mais macro, as que afectam grupos de pessoas: os que ganham mais, os que ganham menos, os desempregados, os proprietários, os empresários, os profissionais liberais, etc, etc. E aí entram as orientações políticas: umas pessoas acham que se devem penalizar os trabalhadores, outras que se devem esmifrar é as empresas, outras que se deve é apostar na investigação científica. Etc.


Mas depois há -- ou devia haver -- aqueles temas que não são individuais ou grupais, que não devem ter a ver com sensibilidades pessoas ou orientações políticas. Questões supra-partidárias. E, até, questões supra-nacionais.

Podia falar de várias -- garantir a total igual oportunidade de oportunidades e de tratamento entre homens e mulheres, garantir o máximo de escolaridade a toda a população, regular a utilização das poderosas plataformas tecnológicas, das redes sociais ou da utilização de inteligência artificial, etc, etc, etc, muitas, muitas -- mas vou falar das alterações climáticas, da escassez de água (actual em algumas zonas do mundo e futura em muitas outras).


Faz muitos anos, certamente mais de mil, um amigo meu foi a Marrocos. Era a primeira vez que eu falava com alguém que tinha passado umas semanas em Marrocos. Encalorada como sou, o que mais me impressionou foi o calor. Dizia ele: Uns quarenta graus. Não imagina. Tínhamos que andar sempre a beber água. Ar seco, seco. Eu nem conseguia imaginar.

E, no entanto, já aí estamos. Quarentas e tais já cá os temos. Terras a serem abastecidas de água por cisterna também.

E isto se, provincianamente, pensarmos apenas no nosso pequeno rectângulo. Mas, se pensarmos a uma escala europeia e percebermos que o aumento das temperatura, o degelo, a desertificação de algumas terras e a escassez de água já afecta partes significativas de vários países, percebemos que, o que haja a fazer, mais vale que o seja, de forma articulada, a nível europeu.


E, depois, subindo um pouco mais o patamar de observação, temos o mundo, com zonas a serem devoradas pelas águas, outras a escaldar, a terra gretada, os animais a morrer,  as pessoas a lutarem por uma gota de água.

Estamos a falar de um tema muito sério. Não é tema que, na ligeirinha, se possa usar sobretudo para fazer slogans, para fazer títulos de notícias, para querelas partidárias, para medidas absurdas de tão pacóvias. É tema sério. Tem que envolver cientistas de muitas ciências, tem que envolver gente séria, ponderada. É tema para mentes brilhantes e não para espertezas saloias. É tema transversal, a ser tratado com elevação, com os pés na terra e com a cabeça no espaço (e, um dia destes explico a que propósito vem agora esta do espaço).


Há quem embirre com a jovem Greta, achando que há ali vedetismo, quem ache que há oportunismo nos pais. Eu não acho isso. Foco-me na mensagem mais do que no mensageiro. E a mensagem é certa. E é bom que, graças a Greta, tenha vindo para a agenda mundial. Pense-se, por exemplo, em Al Gore. Há quantos anos anda ele a tentar vender a ideia? Nem sei. Há quantos anos, por exemplo, estive eu num almoço com ele no Estoril? Nem sei. E alguma das suas conferências, entrevistas ou livros conseguiu o impacto global com carácter de urgência  que Greta Thunberg conseguiu em tão pouco tempo? Não, nem pensar. Foi o percursor, tem sido incansável, não o nego. Mas não conseguiu incendiar o mundo com a centelha de urgência que ela conseguiu. Portanto, não se lhe desvalorize o mérito. Preocupemo-nos antes em fazer tudo o que está ao nosso alcance. Façamo-lo.


Estas belíssimas mulheres vieram de 50 Stunning Photos Of Women From Across The Globe In The Finals Of The Agora Photo Competition 2019 e, tal como o Kodi Lee, não devem ter muito a ver com o tema. Mas gosto e isso, a mim, chega-me.

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A vossa atenção para os vídeos abaixo:










E tenham uma bela friday.

Resposta da mui idosa e mui conservadora UJM à jovem e sonhadora Rita


Escreveu Rita, a jovem:
Compreendo que pessoas como a senhora, já com uma certa idade, não gostem de partidos como o Bloco ou o PAN. Os meus avós, que devem ser da sua idade, sessentas, também preferem os partidos da situação, como o PS, PSD (e CDS). Cá por casa, eu com 20 e meu irmão com 18, ambos na universidade, vamos dividir-nos entre o BE e o PAN. Como dizia uma sondagem qualquer que li outro dia, estes partidos são mais apelativos aos jovens (como nós), do que os tais partidos da situação. Acho bué de injusto as acusações que faz á Catarina Martins, traiçoeira, populista, gabarola, sei lá que mais. Mas lá está, é uma questão de gerações. Pergunto, o que é que pessoas como António Costa e Rui Rio têm para nos oferecer, a nós os jovens? Tal como a senhora, não fazem a menor ideia do que é o nosso universo e da forma como olhamos para a vida. Os nossos avós ficam admirados com as escolhas de nós dois. Já os pais, divorciados, menos. O pai todo Iniciativa Liberal, a mãe menos dada à política, mas hesitando entre o voto em branco, ou abster-se. Ambos na casa dos 40 anos. E é assim, gerações. Os mais velhos mais conservadores, como a senhora e os meus avós, e nós mais sonhadores.

Admoesta-a -- enquanto se diverte -- o ainda mais jovem MPDAguiar:
Quant’è bella giovinezza,che si fugge tuttavia!chi vuol esser lieto, sia:di doman non c’è certezza(Lorenzo de'Medici)
Cara Rita, espero que aproveite a sua giovinezza. Mas olhe que pela sua argumentação dou-lhe 20 anos (para atingir a idade dos seus pais?) até se tornar uma pessoa já com uma certa idade e mudar de partido. E se não chegar lá, terá tido azar. Aproveite o tempo para mobilar melhor a cabeça e ler o que o General MacArthur (!!!) escreveu acerca da juventude. "Bué da fixe, né"? Quando eu andava na faculdade os profs. avaliavam os alunos atendendo ao uso da língua portuguesa, pelo que espero que o seu "bué" apenas seja usado "en petit comité" e consequentemente sigo o seu exemplo e cumprimento-a de um cota para uma futura cota,
E eu, se me é permitido, enquanto sorrio de gosto com este comentário do ragazzo acima, respondo, aqui abaixo, à jovem Rita:
Diz a menina que vê aqui a je como uma senhora já com uma certa idade, na casa dos sessentas, tal como seus avós.  Pois saiba que pecou por defeito. Idade, não: muita idade. Sessentas? Quem me dera. Para cima de cento e sessenta, isso sim. Como os seus avós? Muito generosa, Rita. Para aí como os seus tetravós, isso sim.
E diz que prefiro os partidos da situação. Quiçá acha-me, a mim própria, da situação. Ora, da situação, eu? Qual quê. Mais do que isso: do aparelho. E não me pergunte de que aparelho para não ter que revelar algumas intimidades que isto, sabe lá, já é aparelho em todas as partes do corpo para ver se consigo aguentar-me aqui onde me vê, num sarilho para não cair da tripeça.
E não sei nada do seu universo? Pois como haveria de saber se eu vivo neste e a menina e o seu mano já foram atrás da Catarina e do André para o tal planeta B que eles fingem que não existe mas que é onde já vivem e que não sei sequer em que universo se integra? Diz que também não sei como a menina e o seu mano vêem a vida. Pois acredito. Eu conheço a vida deste planeta real em que as palavras significam (mais ou menos) o que a gente aprendeu e, no dito Planeta B, em que o BE e o PAN vendem gelados, gomas coloridas e amanhãs que cantam, as palavras têm significado móvel, ora querem dizer uma coisa como o seu contrário. Por exemplo: se falam para jovens de 18 e 20 dizem que a culpa de tudo é dos cotas dos vossos avós que não vos compreendem nem sabem sonhar mas, se falam com os vossos avós, dizem que a culpa é dos jovens que não querem saber dos velhos. 
E pergunta-me, Rita, o que é que eu tenho para lhe oferecer. Ora essa. Agora é que me apanhou mesmo desprevenida. Não me diga que faz anos. É que, se não for isso, não sei. Olhe, talvez possa oferecer-lhe as estradas em que anda, os hospitais onde a menina algum dia pode ter que se ir tratar, as escolas onde se calhar estudou. E etc. Todos esses bens e serviços pagos pelos impostos de anos de quem trabalha e que, parecendo que não, são um bem inestimável. Sabe lá o que é viver sem isso. E posso também oferecer-lhe a liberdade que foi tão difícil de alcançar. Nem imagina. Tanta gente que deu a vida para que os jovens hoje possam viajar, falar, discordar em plena confiança de que nada de mal lhes acontecerá. E tantas coisas mais que a menina dá por adquirido e que olhe que não são.
Mas espere lá. Deixe que lhe diga. Se se põe nessa postura de menina mimada à espera que os crescidos lhe dêem a papinha à boca não vai por bom caminho. Sabe porquê? O que a menina deve fazer é ir à luta, ir à procura do que quer, esforçar-se por concretizar os seus sonhos. É que se ficar à espera do que os outros têm para lhe oferecer, pode acabar por ficar à espera para o resto da vida. É que, read my lips, pode acontecer que ofereçam muito, muito sonho, muita promessa, muito universo lindo e fofo e, na prática, zero, bolinha, espuma.
Para terminar, diz a menina que eu sou conservadora. Mais uma vez está a ser simpática e eu só posso agradecer-lhe. Não sou conservadora, estou é já em conserva. Nem queira saber: tetravó, com cento e sessenta anos, presa por arames, só mesmo em conserva para me aguentar. Mas creia-me, gostava de ser sonhadora como a menina. Mas como? Sonhar com quê? Com um D. Afonso Henriques com carinha de Louçã? Com campos verdejantes, com cavalinhos brancos, príncipes encantados com carinha de Pan? É que, com a minha provecta idade, só tenho sonhos marretas, coisa já meio demencial, não sei se está a ver.
Tirando isso, venha daí um big smile, Rita. Não divida o mundo em novos e velhos, em sonhadores e conservadores. Há linhas que dividem o mundo mas, acredite, não passam por aí. Mas não vou dizer-lhe quais são. Acho que deve ser a Rita a descobri-lo. Já é crescida, não precisa que os outros lhe ofereçam respostas e soluções, pode encontrá-las por si mesma.

E beijinhos e abraços para todos vocês, novos e velhos, homens e mulheres, conservadores e sonhadores. tenham um glorioso dia.

quinta-feira, setembro 19, 2019

Um grito de alerta. Olhos nos olhos.
A grande voz de Maria Bethânia, Rainha dos Mares.


Maria, Rainha dos Mares, Iemanjá cheia de brilhos, cabeleira de ondas, andar de fundo do mar, poderosa voz do alto dos montes que rasga os céus e abraça o mundo, encantou e emocionou quem a ouviu.

Sei que tem setenta e três anos mas, se não soubesse, poderia pensar que tem trinta e três ou cento e três ou mil e três ou quarenta e três. Todas as idades naquele sorriso, naquela agilidade, naqueles meneios, naquela infinita graça. 

Levou ao rubro o Coliseu que, no fim, se levantou e se aproximou como se querendo abraçá-la e não querendo que se fosse embora.

Pelo meio, muitas palmas, muita gente a entoar as suas canções, muitos gritos brasileiros, homens que se levantavam e gritavam: 'Gostosa...!', 'Maravilhoooosa...!'. Numa canção, cantava ela 'e depois não diga que tem saudades' quando um brasileiro grandão, negão, voz grossa se levantou e gritou: 'Eu digo!'.

Muito bom. 

E ela linda. Primeiro em carmim brilhante, depois em branco. Divina. Ela, sim, uma verdadeira diva. Diva, divina. 
Tanto* pseudo-diva que por aí há, tanto piolho ranhoso armado em mini-diva -- deviam estar caladinhos e, quando ninguém visse, ir beijar o chão que ela pisa, aprender a ser gente antes de abrir a boca. 
Ela, sim, gente grande, poderosa. De facto, maravilhosa.

E sentou-se e conversou e cantou. E encantou. Voz grande, corpo incansável. Belíssima.


* NB: Não me refiro àquele que lá estava mesmo à frente ou ao que estava mais ou menos atrás de mim que esses, tanto quanto sei, sabem ser gente.

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Emocionante quando cantou o Grito de Alerta à capela. Muito bom. Pena não ter encontrado gravação idêntica. De ouvir porque a letra é mesmo um grito de alerta, um desabafo gritado a alguém com quem não se tem um relacionamento saudável.


E depois esta: Olhos nos Olhos

Alguém que renasce e remoça depois de ter interrompido a relação com alguém que não trazia felicidade. 


NB: Como não se pode tirar fotografias durante o espectáculo e como sou muito bem mandada, apenas tirei a que está no post abaixo. As aqui de cima encontrei na net e não consegui confirmar se foram ambas feitas por Mauro Ferreira. Creio que sim.

Maria, Rainha dos Mares.
Bethânia entre um mar de gente em Lisboa


Sem formatação. Belíssima de qualquer maneira.



quarta-feira, setembro 18, 2019

Jorge Amado. As novas rotas da seda. Alvim e a sua Prova Oral





Só para dizer que na segunda não consegui mas que esta terça, num ápice, mergulhei numa livraria.  Minutos, a despachar. Esta rentrée não me está facilitada. Ando com o tempo muito contado e isto já para não falar que, para algumas coisas, com pouca paciência. Mas agora é para falar de livros, não de trastes. 

De qualquer maneira, ainda não estou muito ambientada a muita prateleira, muito expositor, muita cor, muita coisa, muito barulho. Sinto falta do silêncio, da largueza sem muita gente à volta. Mas as coisas são o que são. Portanto, se em vez de livros a capela, tem que ser livros à mistura com pseudo-livros e outras pseudo-coisas, tudo envolto em burburinho, pois que seja,

Peguei na biografia do Jorge Amado porque tive uma fase da minha vida em que gostava muito de ler tudo o que ele tinha escrito. Aquela escrita que trazia sal na pele, areias que à noite acolhem santos e orixás e amantes que se abraçam entre gemidos e ais de amor, longas praias com pescadores, cabanas e muitos amores, e terreiros e traições e paixões. Gostava de lê-lo a ele e a outros brasileiros. E fui também saber onde estava As novas rotas da seda, recomendação do Malomil que disse que era imperdível e eu, bem mandada como sou, pensei logo que era bom para o meu marido. E se ele o ler e gostar e não quiser resumi-lo pode ser que eu o leia. Ando preguiçosa. Ainda estas férias tentei isso com outro livro. Primeiro com ele e, como não resultou, tentei a sorte com a minha mãe. Também não tive sorte, disse-me que aquele livro era uma seca. Mas acho que este das rotas da seda deve ser interessante, seca nenhuma.


E agora estive aqui a folhear a biografia do Jorge Amado escrito por Joselia Aguiar, e talvez vá gostar de ler até porque parece que também fala de outros de que eu gostava tanto ou mais do que dele e tudo junto deve ter graça. E estive a ver as fotografias que lá vêm e achei graça porque a última que aparece é ele e a mulher, de costas, a passearem à beira mar. Pensei que gostava de ter podido ser eu a fotografá-los, mais um daqueles casais caminhantes de viagem de longo curso que partilham afinidades e afectos e que mostram porque é que há amores que perduram.

Ainda tentei encontrar lá outro de que soube também na blogosfera mas só por encomenda e pagando logo e isso, por princípio, não faço. Terei que tentar noutra livraria que venda material mais marginal. 

Tirando isso, só tenho a acrescentar que estive a ver a Prova Oral e que me diverti à brava. O Alvim é um daqueles meus malucos de eleição que não perco. Diverte-se e só de vê-lo divertido já eu me divirto. E os convidados dele são sempre uns bacanos que proporcionam momentos de boa onda. Hoje levou duas piradas da cabeça que iam dando com o Bordalo II em doido. Fartei-me de rir com tanta maluqueira.

E pronto. Depois do Pitt, Brad Pitt, é só isto que tenho a declarar -- o que, convenhamos, não é muito.


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As flores em gelo foram obtidas aqui.

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E um dia feliz.  Saúde e alegria.

E Deus criou o Brad Pitt




Não tenho culpa. Gosto de homens bonitos. Conheço quem goste de homens feios. Aliás, ainda bem que é assim pois de outra forma ou havia carradas de homens bonitos pendurados ou a mesma coisa mas em feio. Assim há procura para tudo, e assim é que está certo.

Mas eu, santa paciência, sempre gostei deles não apenas bem apessoados (como diz a minha amiga bicha) mas, mesmo, giraços. Dantes dizia-se 'borrachos' ou, antes disso, 'pães'. Também se diz 'gatos'. Por mim, qualquer epíteto lhes assenta bem.

Depois de ter gostado de vários meninos quando era pequenina, sobretudo de um -- embora fizesse de tudo para lhe fazer ciúmes -- o primeiro de quem gostei a sério, na minha condição de pré-mulher , era o oposto do que viria a ser o meu 'género'. Esse era louro e tinha qualquer coisa de Brad Pitt. Tinha aquele tipo de nariz, aquele tipo de irreverência, aquele tipo de charme. Era um bad boy que, enquanto dançávamos, me abraçava de uma forma que fazia despertar em mim o efeito, até então desconhecido, das hormonas em erupção. E a forma como me afastava devagar o cabelo para um dos lados para me beijar o pescoço com aqueles lábios que ferviam incendiava todos as terminações nervosas do meu corpo. 

Numa fase indefinida entre o primeiro e o segundo, houve uma breve história com o que devia ser o mais bonito do liceu. Lindo, cabelo castanho escuro, olhos muito verdes, um corpo de modelo. A menina Dina, a contínua daquele corredor, dizia-me: 'Sabes escolhê-los' e, quando me via a balançar para o primeiro, meu primeiro grande, grande amor, censurava-me: 'Mas há lá comparação...? Podendo tu ficar com aquela brasa, que é que tu vês neste ali?'. Mas via. Era não apenas um bad boy mas também um sexy boy mas isso, se calhar, só eu é que sabia. E sendo um bom jogador de futebol e um aventureiro, um desafiador, um maluco que se metia em todo o tipo de sarilhos, surpreendia a turma inteira quando revelava ser um exímio diseur, em especial de poesia. Eu ficava arrepiada e, pelo silêncio durante e no fim, presumo que toda a gente também o ficava. 

O segundo, o artista, era muito talentoso e era bonito, diziam-no até muito bonito, e tinha pele clara e olhos cor de violeta mas cabelos pretos. Já aqui falei muitas vezes dele, não vou repetir.

Do terceiro, o moreno, mais moreno que sei lá o quê -- em especial quando está bronzeado como agora está -- é fisicamente o oposto do primeiro.

E o que se conclui daqui é que isto de géneros, cor de pele, cor de cabelo ou de olhos é bem capaz de ser pormenor. Ou melhor, para ser franca, pormenor não é. O primeiro, apesar de louro, como andava sempre na rua e fazia imenso desporto e deslocava-se de bicicleta e mota (sem capacete), andava sempre bronzeado e o cabelo com madeixas arruçadas, coisa que eu achava o máximo. Homens de pele muito branca não fazem o meu género. Mas isto é porque, na volta, não calhou conhecer um especial de corrida e copinho de leite.

Quando vi a primeira vez o Brad Pitt, no 'Thelma e Louise', fiquei rendida. Coisa mais linda. E em 'Lendas de Paixão'? 

Por duas vezes foi eleito pela People o homem mais sexy do mundo, em 1995 e em 2000.

E tinha graça quando andava com a Gwyneth Paltrow e, depois, com Jennifer Anniston. Fazia casais bonitos. Estavam bem para ele e ele para elas. Quando foi o romance com a Angelina Jolie não gostei. Não sei. Muito stress em cima dele. Tinha que ser muito bem comportado, muito politicamente correcto, muito marido ideal a acompanhar a sua muito politicamente correcta Angelina. 

Depois foi o que foi. E o álcool e os Alcoólicos Anónimos e a magreza.

E agora eis que, de novo, é o Brad Pitt que aparece.


O mesmo Brad. Lindo, sexy, aquele sorriso que arrasa corações, aquela vontade de olhar (e não falo em mexer por mero realismo).

Onde aparece causa furor. Ele sorri, aquele sorriso irónico, lindo de morrer. Já tem 55 anos e a beleza e o charme só fizeram foi crescer.


O The New York Times escreveu um artigo a que deu o título: 'Os planetas, as estrelas e Brad Pitt'. 


E o Madame le Figaro escreve: Et Dieu recréa Brad Pitt (sur les cendres encore chaudes de Brangelina) de onde aproveitei a ideia para o título deste post.

As nove cenas mais sexy de Pitt, Brad Pitt



E até já

terça-feira, setembro 17, 2019

Quem ganhou o debate? O Costa ou o Rio?


A televisão estava lá, no ponto. Acabaram-se as férias, voltei a pegar no batente: se é para sofrer pois que venha com debate e tudo. 

Vi o começo. A Clara com aquele ar todo cheio de óculos, fazendo perceber que a todo o momento podia soltar o chicote, a Maria Flor com aquela voz encorpada que ainda ela nem abriu a boca e já impõe respeito e o José Alberto, coitado, a tentar a todo o custo mostrar que duas mulheres daquelas não chegam para o intimidar.

E, para prestar contas, o Costa e o Rio.

E o Rio naquele registo de quem está por aqui só para ver passar os ciclistas, a dizer que foi só uma forma de dizer e que disse aquilo em geral e que não sabe bem mas é capaz de ser. E Costa, seguro, os números na ponta na língua, desmanchando a prosa solta do outro. 
Só não gostei quando, respondendo à indignação do Rio sobre os julgamentos na praça pública, Costa deu de barato a suruba pegada entre o Ministério Público e alguma comunicação social de sarjeta. Isso eu não gostei. Se calhar foi sincero e um Primeiro não pode fazer nada em relação a isso. Mas, seja como for, não gostei. Preferia que ele tivesse dito que também lhe mete nojo que se condene alguém na praça pública e que com baratas dessas não pode haver piedade, só pontapé na fuça. 
Também gostei da franqueza pessoal do Rio. 
Não tem mão no partido, não leva jeito na gestão de equipas, não sabe escolher colaboradores, tem-se rodeado duma gente que não se recomenda, ziguezagueia em alturas em que seria suposto mostrar que é capaz de andar a direito, não tem visão abrangente, mija no pé do vizinho. Um desastre. Não é homem para tomar conta do saco de gatos que é o PSD quanto mais de um país. 
Mas, depois de vê-lo hoje (ainda que não com total atenção até ao fim, e já explico porquê), fiquei a achar que uma pessoa como ele é capaz de ser mais fair e menos escorregadio e perigoso do que uma Catarina-BE-Conversa-Mole que diz o que lhe vem à cabeça para soar bem, uma populista de primeira, uma espécie de gabarolas com uma certa tendência para ser traiçoeira. 

Pode acontecer que alguns indecisos, preocupados com a deriva demagógica da Catarina-Conversa-Mole, possam querer contrabalançar o efeito dela num futuro governo, votando no PSD.

Eu, se fosse ao Costa -- que esteve bem, seguro, focado, demonstrando porque é que é o Governo dele tem sido um exemplo de coragem, visão e competência não apenas por cá mas, também, na Europa -- tentava rapidamente reparar aquilo de parecer aceitar com resignação a bandalheira da Justiça e dos Media de sarjeta. A Justiça em Portugal ainda tem um long way to go e o avacalhamento de alguns dos seus agentes em alegre conúbio com o que de pior se pratica no pseudo-jornalismo-de-pacotilha é uma coisa a que tem que se deitar a mão. E Costa deveria encabeçar essa luta e não dá-la como perdida.

Tirando isso, o que aconteceu a seguir é que vi que tinha chegado um mail que eu esperava. E esse mail era a continuação de uma troca de mails de ontem. E eu, de noite, a meio da noite, tinha estado a pensar nisso, a ter ideias, já a imaginar como poderia ser. Há coisas que nos pegam pelos colarinhos mesmo que não os tenhamos. E, portanto, respondi logo. Há assuntos e há pessoas que nos tocam de uma forma especial e eu, quando isso acontece, sinto que tenho que dar tudo o que tiver para dar. E, portanto, desliguei do resto do debate. 

Não sei se acabou bem, se acabou assim-assim, muito menos prestei atenção aos comentadeiros que, mal algum osso é atirado para a rua, logo saem a correr e a latir. E digo isto sem fazer ideia de quem é que se apresentou ao serviço nos diferentes canais. Na volta até apareceu alguém diferente, com ideias frescas. Mas não vi.


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E, agora, se me permitem, sugiro que desçam um pouco mais e vejam a cabeça no ar do Boris e as barracadas que anda por aí a armar que eu, pela parte que me toca, vou ver se descanso a minha beleza que o dia já vai longo.

As fotografias que para aqui escolhi fazem parte das finalistas mas há mais para ver em The 2019 Comedy Wildlife Photography Awards


Um dia feliz para si que aí está desse lado. Saúde e boa onda.

A labilidade de Boris não augura nada de bom


Olha-se e ouve-se Boris Johnson e o que se vê é a labilidade em forma de gente. Está perdido. Não sabe o que dizer, o que fazer, como comportar-se. Derrapa a cada instante.

Claro que o seu look e o seu sorriso disfarçam: à primeira vista pode parecer que tudo aquilo faz parte do 'boneco'. Mas não. Está mesmo à nora, não consegue disfarçar a instável inconsistência que vai nele. O olhar é lábil. Até a conversa é lábil. Saíu dos carris e está em roda livre. Os britânicos têm cada vez mais razão para se sentirem preocupados e envergonhados.

Tenho, contudo, ainda uma vaga esperança que algum volte-face aconteça.

Agora é o sonso do Cameron que, certamente mil vezes arrependido da burrice que fez, já quer outro referendo.



Pode, pois, acontecer que de entre os conservadores surja um movimento que tire o tapete ao Boris, forçando assim uma mudança completa de cenário. E há ainda a esperança que, do lado dos outros partidos, surja alguém com um mínimo de liderança na atitude e um mínimo de inteligência e visão que virem o jogo. Não será Corbyn, esse infeliz que nunca conseguiu sair das tábuas, nunca foi à lide.  É uma choca. Pode também acontecer que Bercow, que anda picado que nem fera acossada, consiga engendrar alguma manobra legal que, qual golpe de mágica, faça os monstros regressarem à caixa e deixe a democracia, de novo, nas mãos do povo e dos seus representantes.

A cada dia que passa mais Boris se revela um pateta alegre, um bon vivant que está bem na paródia, nos golpes mediáticos e a tanguear as chocas mas, do que se vê, um zero quando tem que mostrar a sua bravura, a meio da arena.
(NB: Vejo por aí muita gente pouco criativa a dizer mal do PAN por querer fazer touradas sem touros. Gozam com ele. Como é possível?, gozam. Pois eu respondo: é possível. Basta ver o caso do Reino Unido. Uma tourada sem touros. Chocas, palhaços, etc.: há de tudo. Menos touros. A menos que Bercow volte a entrar em cena mas, aí, não será para morrer na arena)

Ver para crer


segunda-feira, setembro 16, 2019

Um grilo cantante, uma Nossa Senhora, dois Sto Antónios e um passaroco espanta-espíritos


Grilo de madeira pintada
Na fotografia dá ideia que é grande mas não, não deve medir mais que uns 10cm
O pauzinho que tem nas costas serve para passar pelo rendilhado dos lados, reproduzindo o cri-cri dos grilos de verdade


E é assim que estou de volta à cidade, preparada para, dentro de poucas horas, retomar a vida normal, longe de paisagens de cortar a respiração, longe de rios e mares, longe dos extensos areais por onde fiz tantas caminhadas, longe do dolce far niente com que tão afanosamente me tenho ocupado.

Apenas trago a pena de não ter conseguido ler tanto quanto desejaria mas a verdade é que, entre o que pouco que fiz e o muito que descansei, pouco tempo me sobrou. Mas, ainda assim, alguma coisa li e a melhor foi a última que comecei e de que ainda vou no princípio: Tudo o que tenho trago comigo de Herta Müller.

Entretanto, de regresso, já visitei os meus pai e, embora de raspão, já revi parte da descendência.

E, aqui chegada, já estive a fazer as minhas arrumações e preparativos, já voltei ao roupeiro para avaliar o que devo vestir, já fui ver se tinha dinheiro na carteira, já reencontrei gestos que estavam em stand by. Até o estar aqui sabendo que daqui a nada vou acordar com o despertador é um déjà-vu e, por acaso, até não é dos melhores.

Espanta-espíritos com pássaro articulado.
Ainda tem uma pecinha pendurada no fio que se vê
Está pendurado no telheiro onde está a mesa de madeira e respectivos bancos, o grelhador, etc

E, assim, a minha mente começa a adaptar-se à perspectiva de voltar a ver-me no meio do pára-arranque do trânsito, de ter reuniões umas a seguir a outras e decisões para tomar e prazos para cumprir. Não é das melhores perspectivas.
Nossa Senhora com o menino ao colo
Feita em crochet. Ofereci à minha mãe.
Em casa da minha mãe, quando ela me dizia que as minhas férias tinham sido tão curtas, eu disse que sim e que me sabe tão bem ser dona do meu tempo. Ela recordou que, quando deixou de dar aulas e o meu pai ainda trabalhava, deixou de usar relógio e ia sair, passear, ver montras, observar com pormenor as coisas do supermercado, sem pressa, sem ter que se despachar pois sabia que não corria o risco de chegar atrasada a algum lugar. Mas que, ao fim de algum tempo, já não sabia o que fazer com o tempo e pensava que estava melhor quando estava a trabalhar. Percebo-a. Disse-lhe que eu, quando chegar a altura de deixar de trabalhar (e ainda falta tanto tempo), terei que arranjar ocupação, rotinas, e que acho que não me vão faltar. Mas sei lá. Sabe-se lá alguma coisa do que vai acontecer seja no futuro mais longínquo seja, até, no mais próximo. O que for soará e pronto. Não quero fazer planos. Só tenho uma vaga ideia, um desejo, mas, ainda assim, se verá.
Mas, enfim, não é o tema.

O tema é que já estive também a arrumar as coisinhas que trouxe de Caminha. As bugigangas, diz o meu marido com aquele seu ar depreciativo. Diz que basta eu ver uma coisa que não serve para nada para ficar logo toda interessada -- e a verdade é que não tenho grandes argumentos para o contradizer.

Sto António com o menino ao colo
Igualmente feito em crochet
Não é que faça questão de andar à pesca do que trazer. Não, não mesmo. Mas gosto de ver artesanato. Gosto porque me enternece o trabalho manual e criativo das pessoas. Acho que é um tributo que presto às pessoas que, ou por amor ou por necessidade, fazem, com as suas mãos peças de que gosto e que gosto de enaltecer.

Duas ficaram na casa in heaven, outra foi presente para a minha mãe e apenas duas vieram para cá.

Mas claro que concordo com o meu marido: são inutilidades e, um dia, podem tornar-se numa dor de cabeça para quem tiver o pincel de dar destino a tanta tralha. Isso custa-me e penso que não posso deixar tal carga de trabalhos para ninguém.

Já pensei: in heaven, onde há espaço -- e que espero que fique na família por muitos e bons anos -- se calhar um dia arranjo uma sala com várias vitrines (para não lhe entrar o pó e a sua limpeza não ser outra dor de cabeça) e levo para lá toda a bonecada, santos e anjinhos, caixinhas, ampulhetas e tralha miúda de toda a espécie. No fundo aquilo a que o meu querido pimentinha mais crescido uma vez se referiu como 'o museu da Tá'. Tenho que pensar nisso. Mas, na volta, quando falar nisto ao meu marido, é bem capaz de achar que é mais uma maluqueira sem pés nem cabeça. Mas a mim parece-me uma boa solução. Logo se vê.

Sto António com menino e peixinho ao colo
[O que trouxe de Caminha é o pequenino -- e, na volta, está tão espantado por ver que há outro e bem mais flausino que ele]
A fotografia foi feita in heaven mas ele veio para cá, está ali ao pé de outros Stos Antónios


E não me perguntem se sou devota de Sto António pois estaria a fazer género se dissesse que sim. Simplesmente acho graça à figura. Acho graça e sinto uma certa (e inexplicável) ternura. É como com a Nossa Senhora. Gosto da figura talvez por ser maternal, talvez por pensar que, como em todas as mães, tem em si a capacidade de abençoar e amar. Como sei que a minha mãe reza e pede pelos seus, pensei levar-lhe aquela ali em cima. E não sei se uma simples figurinha feita em crochet pode ser intermediária das preces de quem acredita no poder de uma qualquer força superior mas se calhar sim. Há coisas que não se explicam, não é?

E, para terminar, não resisto a partilhar mais quatro fotografias de Caminha, aquela terra tão linda.







Caminha

E até já.

domingo, setembro 15, 2019

Caminha no Caminho de Santiago.
E, com vossa licença, umas freirinhas e uma igreja muito linda e uma futebolada na praia e mais umas vistas.





Repito-me -- e peço desculpa por isso -- mas esta pequena vila tem sido um poçozinho de revelações. 

Agora mais uma: víamos chegar ao hotel pessoas que chegavam de mochila e que pareciam sair na manhã seguinte. Ou, então, grupos que chegavam e a seguir chegava uma carrinha com malas. Registavam-se e, entretanto, alguém ia deixar-lhes as malas na entrada. Estávamos intrigados com aquilo.

E nas ruas ou rente ao rio. Na direcção da foz, com mochilas, ar de caminhantes. Caminhantes por todo o lado. Víamos também grupos de ciclistas, mas ciclistas atípicos. 

Reparámos que muitos traziam nas mochilas uma concha e alguns também umas fitas. Começamos a perceber que se tratava de peregrinos. 


Pensámos logo: o Caminho de Santiago, el Camiño. Mas a passar por Caminha? Quem faz uma peregrinação não tentará todos os short cuts possíveis? Podendo traçar uma diagonal no percurso, porque haveria alguém de fazer o caminho mais longo, por Caminha? 

Mas, então, eis que, na Vila, na praça central, vendo-os aos magotes, reparei que alguns olhavam o chão. Olhei também. Umas pequenas placas. Confirmava-se, pois, que Caminha está na rota de Santiago.

Entretanto, numa pequena lojinha de artesanato, ao conversar com a sua simpática dona (e a ver se ainda faço um post com os recuerditos que trouxe), perguntei-lhe se agora é altura de peregrinação. Riu-se, não, é todo o ano, embora menos no inverno e mais no verão. Perguntei: muito movimento aqui, não? Ela disse: nas comidas e dormidas sim mas, nas lojas, não. Trazem pouca coisa, não podem andar carregados. Falou-me então em cadernetas, disse-me que punha carimbos. Falou-me na concha, nas fitas, que isso é o que lhe compram mais. E mostrou-me: lá estavam, iguais às que eu tinha visto. Perguntei se em Caminha há muito onde ficar já que via tantos peregrinos. Disse-me que talvez a maior parte fique no Albergue e creio que me falou em seis euros por noite (mas será que percebi bem? Seis euros...!?). Mas acrescentou que cada vez mais também no hotel, lá em baixo, na foz do rio. Pois, lá está. E acrescentou: mas cada vez há mais pois parece que estão a preferir mais o caminho do mar. Pensei: então é isso, preferem vir pela costa, o caminho português da costa, deve ser mais bonito apesar de mais longo.


E, entretanto, os ciclistas. Os e as. Muitas mulheres. Fotografei um grupo que aparentemente tinha ficado no hotel. De resto, na entrada do hotel, tínhamos estranhado uma zona de estacionamento para bicicletas. Era, então, isso. Falavam animadamente. Ingleses. Mais mulheres que homens. E, diria eu, maioritariamente acima dos cinquenta. Aliás, alguns e algumas, diria eu que bem acima dos sessenta. Estava pasmada. Como é que gente desta idade se mete a fazer percursos assim, de bicicleta? O meu marido, que não se espanta com nada, respondeu simplesmente: Com treino. Com certeza que não estão agora a andar de bicicleta pela primeira vez. Pois não sei. Nem sei que vos diga. Nem sei de onde partem para, sendo ingleses, estarem ali, a caminho de Compostela. O meu marido disse: Provavelmente vêm da terra deles de avião até ao Porto e aí é que, se calhar, começam o percurso. 


O grupo que fotografei saíu do hotel e, quando eu estava à espera que fossem pela ciclovia até ao cais do ferryboat, não, seguiram pelo passadiço, a caminho da praia. Voltei a ficar admirada. O meu marido disse: Se calhar aproveitam para conhecer os lugares por onde passam, se calhar vão ver o mar. Mas não. Nós, que íamos a pé para a praia, encontrámo-los na pequena paliçada do cais do barco-taxi e, aos poucos, na maior animação, começaram a ir.


Passado um bocado, andávamos nós a caminhar junto ao mar, reparei em pontinhos coloridos já do lado de lá, em Espanha. Eram eles. Já lá estavam todos. Esperaram que estivessem todos e depois ala, lá foram pedalando, um atrás do outro. Bonito de ver.


Perguntei ao meu marido: como será fazer uma coisa destas? Não de bicicleta, que não teríamos estaleca para tal, mas, sei lá, a pé. Nem respondeu. Perguntei: mas as pessoas virão por motivos religiosos ou pela graça de fazerem o percurso? Respondeu apenas: Sei lá. E não me deu conversa. Não é coisa que lhe interesse. E eu, se quiser ser realista, terei que reconhecer que uma caminhada destas deve ser obra.

Mas fiquei a pensar. Sendo uma coisa soft, ficando em hotéis, parte do percurso em autocarro, não seria uma caminhada boa de se fazer? Ir por aí, andando, conhecendo cada local, fotografando, até chegar lá, ao fim do Caminho. O meu marido acha que não, que, deslumbrando-me eu com cada pequena coisa e querendo fotografar tudo, nunca mais chegávamos ao nosso destino. Pois, se calhar tem razão.

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E já que falo em peregrinações (que, se calhar, maioritariamente têm motivações religiosas), faço a agulha para outro tema que também mete religião. 

Na esplanada no Largo principal de Caminha, uma freira já com alguma idade anda de mesa em mesa, chocalhando uma caixinha e perguntando se queremos uma medalhinha de uma santinha, não percebi qual. Quando se pergunta quanto é, diz que é o que se quiser dar. E a verdade é que muita gente lhe dá uma moedinha.


Quando, depois de termos petiscado, entrei na Igreja do Largo, lá estava ela na última fila, absorta, contando o dinheiro que tinha conseguido. Mas, ao ver aproximar-me, de imediato levantou a caixinha e fez a mesma pergunta: uma medalhinha da minha santinha? Achei graça.

Mas eu estava ali apenas para ver, para estar. Gosto de entrar em igrejas vazias. São frescas, são lugares de tranquilidade. E espaços bonitos, carinhosamente cuidados. 


Entretanto, quando, pouco depois, andávamos a passear, lá iam mais duas, conversando. E pode ser visão selectiva ou distracção mas a verdade é que não tenho ideia de ver em Lisboa um par de freiras a andar na rua há que séculos. Se calhar é porque não passo ao pé de algum convento onde elas vivam, porque é capaz de haver algum e acredito que ainda se vistam assim, em Lisboa como no resto do país. Mas a verdade é que achei graça. Tendo eu acabado de ver nas esplanadas gente com um ar tão ou mais cosmopolita do que em Lisboa e, inclusivamente, tendo acabado de fotografar uma mulher tal e qual a Lady Gaga, com um chapéu giríssimo que lhe ficava a matar, pareceu-me estar a ter uma visão do passado ao ver, naquela ruela, as duas 'irmãzinhas da caridade'.


E, por ora, é isto. Temo que, com tanto post -- e tão longos e com tanta fotografia--, já estejam fartos da minha reportagem em Caminha. Entretanto já lá não estou, já regressei à minha selva in heaven.

Mas ainda tenho aqui tanta coisa bonita que gostaria de partilhar convosco. Não sei o que faça. Também fomos a Vila Nova de Cerveira e também gostava de mostrar algumas imagens. Mas sei que uma pessoa pode tornar-se uma maçadora de primeira a querer impingir aos outros aquilo que viu. Portanto, calo-me já deixando-vos apenas com mais quatro fotografias. 

Fiz esta fotografia dentro de água, mesmo, mesmo na foz do rio, no sítio em que ele entra no mar.
(E, apesar do risco, a máquina fotográfica aguentou-se...)
Do lado direito Portugal, Caminha, e, do esquerdo, Espanha

Talvez nesta perspectiva se perceba melhor onde é a foz do rio Minho.
(Tal como a primeira fotografia, esta foi feita num dos miradouros da Vila.)
A ponta de areia que se vê mais ou menos à esquerda é o areal que, do lado de cá, é praia de rio e que, depois do bico, é praia de mar, indo em contínuo até Moledo.
Do lado de cá das águas é, pois, Portugal e, do lado de lá, Espanha
Não é uma paisagem tão linda?

Futebolada na praia (Espanha em frente).
A sorte destes miúdos...

Pôr do Sol do lado do rio (continua a ser Espanha o que se vê do lado de lá das águas)

E agora é que é. Vou ver se fotografo ainda os little recuerditos para vos mostrar. Tralha, inutilidades, diz o meu marido. Pois, não digo que não.

E um bom dia de domingo.