Continuo nas breves e a despachar porque são quase duas da manhã e não tenho cabeça para longas e com calma.
1.
Como não vi televisão e estive a milhas de tudo, agora passei, rapidamente, os olhos pelas notícias e quase me sobressaltei com uma que começa por Governo apalpa. De repente, na minha ligeireza ensonada, pensei que alguém do governo andava a apalpar o que não devia. Pensei: 'Será o Neves?'. Depois de lhe ter aparecido uma piscina num fim de semana, de lhe ter aparecido um orçamento de 155.000 euros para coisas que custam para aí umas dez vezes menos e que não era ele a pagar (ele, leia-se a Judite), de andar aboletado num carro desportivo apreendido numa operação (também da Judite), e já nem falo de ter dado ordem para produtos perigosos andarem a passear do Seixal para Barcelos e de lá ficarem guardados ao deus-dará como se fossem azeitonas, querem lá ver que agora também anda para aí a apalpar qualquer coisa (ou alguém) que não é suposta ser apalpada? Fechei e abri os olhos e afinal verifiquei que não, coitado, não foi ele. O título completo reza assim: "Governo está a apalpar terreno para mexer nas pensões? "Atreva-se, atreva-se para ver o que lhe vai acontecer""
Como já tinha lido que o Seguro diz que as pensões são sagradas, pensei logo: 'É pá, temos homem. Já está a desafiar o apalpador. Atreva-se? Nem parece coisa dele, já a desafiar o Montenegro para um duelo...'.
Mas, incrédula, fui cobfirmar. Afinal não foi o Seguro, foi o Raimundo já a ensaiar as cordas vocais para a festa do Avante. Assim já percebo.
2.
Hoje decorreu cá em casa mais um almoço de parabéns a você. No espaço de nem chega a mês e meio foi o sexto aniversário. Dia feliz, portanto. O tempo esteve de chuva e, de vez em quando, de trovoada. Como tivémos que refeiçoar dentro de portas, para evitar confusões com o cãobeludo que, nestas circunstâncias e com tanta gente e tanto movimento, fica num excitex, o meu marido, que antes tinha preparado tudo para ele ficar no jardim, teve que alterar os planos e acondicioná-lo na garagem. Com o terror que ele tem de trovoadas (ele, o cão), não iríamos sacrificar o animal. Então, deixou-o na garagem, e a garagem com o portão aberto, e com uns painéis de uma certa altura, talvez uns 70 ou 80 cm, que impediriam a sua saída. Tudo certo. Pois bem, de tarde, apareceu em casa, todo lampeiro. Pensei que tinha sido o meu marido a condoer-se. Não, foi ele mesmo. Fomos ver se tinha conseguido derrubar a barreira. Não, estava no sítio. Portanto, escapista profissional como é, fez salto em altura. Mesmo com o funil na cabeça, conseguiu alçar-se àquela altura, passar por cima e vir ter connosco.
Nota: está bem melhor, mas agora com muitas crostazinhas soltas emaranhadas no pêlo da cauda, de alto a baixo. Tento puxá-las e não deixa, vai aos arames. Ora, se não as tiro, tentará tirá-las ele com a boca mal o libertemos do funil isabelinho. E o mal de começar a lamber e a puxar com os dentes é que, às tantas, com a pele húmida e lambida e relambida, arranja novo problema. Caraças. Está aqui um problema que não vai ser fácil de resolver.
Ao fim do dia, quando estávamos só nós e nos dedicámos à faena da limpeza e desinfecção, foi outra vez o bom e o bonito: ladra, rosna, revira-se, contorce-se, tenta pirar-se, ameaça, e só não ataca mesmo porque o meu marido o agarra ferozmente. Portanto, suspendi a caça à crosta.
Algum tempo depois, o meu marido, que consegue disfarçar melhor que eu, vendo que a fera estava mais mansa, tentou enganá-lo e pôs-se a escová-lo como quem não quer a coisa. Mal lhe tocou com a escova na cauda, deu logo um salto e mostrou aqueles ameaçadores dentinhos que tão bem conhecemos. Desistiu. cão, kikasPortanto, agora é mais esta para ver como se resolve
3.
Não sei se é só por aqui ou se é um mal generalizado: moscas e mais moscas. Nos últimos dias, mal conseguia estar sossegada lá fora, tantas as moscas. Comprámos uma espécie de ventoinhas portáteis próprias para afugentar bicheza esvoaçante e eu, às tantas, já andava com uma na mão. Agora, passaram cá para casa. Como costumamos ter as janelas abertas, entram estupidamente. Por exemplo, estou aqui na sala a escrever e uma filha da mãe não me deixa em paz, aqui anda a zoar-me os ouvidos, a deixar-me doida. Não me apetece pôr-me à caça dela para a esborrachar mas já não aguento, vou-me deitar. Com sorte, a estupora não sabe o caminho para o quarto.



