Francamente nem sei bem como se me têm esgotado os dias que desaparecem ainda mal eu estou com vontade de os começar. Tenho tido afazeres, assuntos a tratar, e tudo o que mete tefonemas traduz-se num exagerado consumo de tempo. Aliás, ainda estava a dormir, um telefonema de que eu estava à espera (mas que não esperava que fosse tão cedo), que durou um bom bocado e que foi rematado com a combinação de uma video chamada para daí por um bocado. Felizmente tenho facilidade em passar do estado de sono profundo para completamente desperta numa ínfima fracção de segundo pelo que acho que ele nem percebeu que me acordou.
Fui a correr dizer ao meu marido pois era importante que ele estivesse nessa reunião. Estava a entrar com um podão, certamente já tinha cortado vários ramos sabe-se lá do quê. Respondeu que queria ir passear o cão, ir à ginástica, etc, etc, pelo que me entendesse eu sozinha com o outro. E eu que nem pensar, que se deixasse de coisas, que tinha que estar. E ainda estávamos nisto, eu sem roupa, acabada de sair do quarto, sem as minhas abluções matinais, toca outra vez o telefone. Chamada de vídeo. Imagine-se. E eu naquele estado. Nessas alturas fico assarapantada, com medo de tocar sem querer na aceitação e aparecer em estado de imprópria para consumo à pessoa que está a ligar. Virei o telemóvel ao contrário não fosse o diabo tecê-las, fui a correr enfiar um vestido, apanhar o cabelo, chamar o meu marido. Tinha começado a barrar o pão, que ia comer, não eram horas para video calls, que tratasse eu do assunto. E assim teve que ser. Mais um tempão.
Ou seja, só depois disso me fui higienizar, preparar, pôr-me apresentável. E tomar o pequeno almoço. Conclusão: uma boa parte da manhã à vida.
Para além disso, os afazeres domésticos. E a ginástica. E os passeios com o cão. E telefonemas. À tarde mais mails, papelada, coisas para assinar, para tratar. Coisas assim, nada de transcendente, mas que consomem tempo. E, com isto, os dias passam a correr, evaporam-se.
Nestes últimos dias nem num livro tenho pegado. Parece que faltam componentes no dia.
Já para não falar que, de novo, depois de almoço me deu uma daquelas pancadas de sono que me põem ko. Gosto de ir para a espreguiçadeira lá fora, mas agora, com tanta mosca, é difícil. Já usémos aquelas fitas onde elas ficam agarradas mas ainda não noto a sua eficácia. Por isso, deitei-me sobre a cama do chamado quarto das meninas. Com o estore levantado e a janela basculante, o jardim praticamente dentro do quarto, é uma maravilha. Ponho-me a olhar e adormeço em três tempos. Não foi muito tempo mas foi reparador. Mas foi mais uma parcela do dia que desapareceu.
Este sábado vai ser diferente. Não vai evaporar-se. Talvez depois conte um pouco dele.
Já passa das duas da manhã e não quero deitar-me tarde pois não posso levantar-me tarde, nem quero levantar-me mal dormida. E ainda tenho que equacionar se amanhã faço uma revelação, se não. Tendo sempre para o não. Pode parecer que sou extrovertida, mas há em mim uma parte que é absolutamente reservada. Conto muita coisa mas não a toda a gente e, certamente, não exactamente tudo. Portanto, vamos ver.
Deixo-vos com um bailado que já vi umas duas ou três vezes. Vem a calhar. O coreógrafo já não vinha aqui há algum tempo e é pena pois tudo o que faz é incomum. E gosto particularmente da expressão 'contradição do silêncio'.
The Contradiction of Silence by Alexander Ekman
Inspirada pela beleza serena e tranquila das florestas, lagos e vastos céus da sua terra natal, a Suécia, a conceituada empresa de design Bolon orgulha-se de lançar a sua nova coleção, 'Silêncio'. Já conhecida pelos seus trabalhos com designers e arquitetos como Missoni, Paul Smith e Jean Nouvel, este lançamento apresenta uma colaboração criativa de um tipo diferente, mas igualmente entusiasmante: com o aclamado coreógrafo Alexander Ekman. Famoso pelas suas interpretações modernas da dança clássica, os seus trabalhos anteriores incluem projetos com a Boston Ballet Company, a Sydney Ballet Company, a Juilliard School e o Royal Swedish Ballet.





