Há dias em que tudo converge. Encomendamos aqui, encomendamos ali, combinamos com uns, combinamos com outros, e, não sei como, de repente, parece que tudo se alinha para que apareça tudo no mesmo dia. Esta sexta-feira foi um desses dias. Não sei se já contei que finalmente acedi a trocar de forno. Toda a gente me chateava com isso. Mas eu entendia-me (mais ou menos) com ele e parecia-me um gasto desnecessário. Mas é verdade que algumas coisas já não estavam lá muito bem. Portanto, lá foi, encomendámo-lo.
Quando estávamos a proceder à encomenda, o senhor perguntou: com entrega e instalação?
Pareceu-me óbvio que sim pelo que estranhei a pergunta e contra-perguntei: mas poderia ser sem instalação?
O senhor riu-se e disse: tenho clientes que dizem que pagaram quase cinquenta euros para depois a pessoa chegar lá, ligar três fios e, em cinco minutos, estar tudo feito.
O meu marido ouviu a conversa e perguntou: mas é só isso?
O senhor puxou o forno para fora e mostrou-lhe o cabo com os ditos três fios, pelo que o meu marido decidiu: nesse caso, é só o transporte.
Encomendou uns conectores wago. Como continuamos sem carro (está na oficina do representante, que tem uma fila de espera de cerca de dois meses), conectores encomendados online.
O forno era para chegar na quarta-feira e os conectores só na sexta. Afinal, a entrega do forno atrasou-se e só chegou esta sexta-feira. Estava o homem do forno a carregar com ele e estava o dos conectores a tocar à campainha.
Portanto, o forno ficou no meio da cozinha, envolto em esferovite e plástico. O forno antigo que o meu marido desinstalou foi levado. Quando o meu marido foi pôr o forno no buraco, parecia que não cabia. Fiz um esforço para me manter zen, até porque na loja tinham-nos dito que não aceitavam trocas de fornos. Medimos e parecia que caberia por um ou dois milímetros, quer em largura, quer em profundidade. Mas, ali, no momento da verdade, parece que não entrava.
Contudo, o meu marido deu-lhe um jeito e um empurrão valente, aquilo fez um click e entrou, encaixando que nem uma luva. Depois puxou-o outra vez e fez a ligação. Ao princípio não percebeu como funcionavam os ditos conectores wago, que são diferentes dos que ele costuma usar, mas o chatgpt explicou e a coisa deu-se. Finalmente, com a parte elétrica reslvida, lá o encaixou definitivamente. Impec. À medida, perfeito.
Entretanto, na cozinha, temos na parede entre a porta e a entrada para a despensa, um móvel baixo, de prateleiras, mesmo à conta. É ali que temos as taças da fruta, uma caixa com os biscoitos e alguns produtos do cão, onde estão as embalagens de águas das pedras ou de cervejas. Praticamente não se vê. Ora o meu marido sempre embirrou com o pobre do móvel, diz que a porta da cozinha não abre completamente porque bate no móvel, que não conseguimos entrar bem na despensa por causa do móvel. Sempre a chatear por causa do móvel, que, coitado, é tão útil e tão invisível. Como se não bastasse, como anda numa de reorganizar tudo na cozinha, começou a ver soluções alternativas. No outro dia, convenceu-me a ver os móveis que tinha pré seleccionado. Às tantas pensei que, de facto, se o móvel fosse mais estreito e menos comprido, sobretudo a entrada para a despensa seria mais fácil. E se fosse mais alto, talvez ganhasse um espaço extra, a uma boa altura, para aquelas coisas que agora estão nos armários da cozinha, lá mais em cima, inacessíveis. Portanto, lá me dei por vencida. Encomendámos.
Chegava na segunda-feira. Pois bem, no meio da confusão, tocam outra vez à campainha. Um homem tira de um camião duas caixas pesadíssimas. O meu marido ficou espantado: o que é isso, agora?
Eu também não sabia mas depreendi que só poderia ser o móvel que se tinha antecipado. Só que o meu marido convenceu-se que o móvel viria montado. Ao ver aquilo, teve o primeiro dissabor. Quando abriu as caixas e viu carradas de peças de madeira, montes, e uma caixa com carradas de parafusos e de porcas e um desenho com o que há para montar, ficou passado.
Felizmente foi ele que o escolheu... Imagine-se o que seria se fosse eu a impingir-lhe um móvel que ele não quisesse e lhe aparecesse uma coisa assim...
Já começou a montar mas depois desistiu, parou, já lhe doíam as costas.
No meio de tudo quem também apareceu hoje foram os homens dos estores. Desde Julho que ando a querer que venham, depois, no início de setembro veio um e desistiu e, finalmente, cá apareceram dois. Substituiram os motores de dois e alinharam quatro outros.
Escuso de dizer que o cão-de-guarda estava na rua, vedado, capaz de estraçalhar quem lhe aparecesse pela frente, tamanha a barafunda de entra e sai, e em especial ao ver os das janelas a aparecerem à vez em cada janela. Devia pensar que eram lobos a andar por dentro do redil, as ovelhas em perigo, e ele sem poder fazer nada. Ladrava e saltava como um possesso.
Portanto, amanhã temos a continuação da odisseia do móvel. A ver se o meu marido dá conta daquele quebra cabeças. E temos as compras. Já nos habituámos ao uber. Prático. Chamamos o carro, vamos. Acabamos as compras, chamamos, esperamos com as compras no carrinho. Chega o carro, do carrinho do supermercado as compras vão para o porta-bagagens e regressamos. Li há tempos que, no futuro, não fará sentido ter carro a não ser como gadget pois andar de carro será recorrer a um serviço. Talvez. Parece que sem condutor. E isso já me parece mais estranho.
Entretanto, nesta semana que vem chegam os materiais para a renovação da casa de banho. O homem que vem montar agora fala que só lá mais para o início de novembro. Já estou por tudo. Desde que venha. Antes, supostamente, ainda virá para limpar o telhado, ver aquilo das telhas partidas, pintar o quebra-fogos (ou lá como se chama o rebordo do telhado). Já era para ter vindo mas todas as semanas desliza mais uma.
Enfim. É o que é. Já lá vão os tempos em que eu planeava tudo ao milímetro e fazia questão de cumprir sem um atraso. Agora já me deixei disso. Estou dependente de aparecerem quando podem. Seja lá quando for.
Mas há coisas piores. Não me queixo. Na verdade, de certa forma até me divirto.
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Nota:
À hora a que estou a escrever isto, a coluna lateral direita com os blogs que gosto de espreitar está outra vez toda despassarada. Presumo que os fulanos do blogger lhe andem a mexer e, pelo que vejo, sem atinarem pois está tudo desconchavado. Pode ser que de manhã já tenham resolvido os erros. Portanto, como dá para perceber, é coisa alheia à minha vontade e à minha capacidade para resolver. Tenhamos esperança de que tudo se componha.
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Desejo-vos um sábado feliz








