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quinta-feira, outubro 21, 2021

Sobre a estupidez

 


Não sei o que vocês acham mas tenho para mim que o pior do pior da espécie são os estúpidos. Não é coisa irrelevante, não é perigo menor, não. A estupidez é coisa para se levar a sério.

Uma pessoa quando se vê confrontada com um estúpido sente-se perdida: para começar, um estúpido não percebe que é estúpido. A conversa fica desigual. Ficamos em desvantagem. Nós temos pruridos, eles não. Um estúpido acha-se sempre o maior. Pode estar a dizer as maiores cavalices que avança sem vacilar. Não se inibe, não hesita, não se intimida. Nada. 

Um estúpido invariavelmente acha que os outros é que não estão a ver bem ou que, intencionalmente, estão a querer deixá-lo ficar mal. Não vale a pena tentar provar a um estúpido que o que diz revela ignorância, deficiente raciocínio ou deficiente interpretação dos factos. Não vale a pena. Um estúpido jamais vai reconhecer que os outros podem ter razão. Para um estúpido os outros têm sempre uma visão distorcida e só eles, os estúpidos, captam a verdade. Os estúpidos quando confrontados com a sua estupidez não se detêm nem por um instante para tentar perceber se os outros têm razão. Não. Para eles os outros nunca têm razão. Pelo contrário, ou se vitimizam, achando-se injustiçados, ou partem para o ataque, ofendendo e destratando quem tenta chamá-los à razão.

É um erro subestimar os estúpidos, achando que um dia vão perceber a estupidez dos seus pensamentos ou actos ou achando que são inofensivos. Nem uma coisa nem outra. Jamais percebem as suas limitações nem como são afoitos exibindo a sua ignorância como se fosse sapiência. E não são inofensivos pois têm a esperteza suficiente para manipular os mais fracos ou menos informados. Há sempre uma legião de inocentes e/ou de broncos dispostos a darem-lhes razão.

Um estúpido atrai sempre outro estúpido. É, pois, frequente encontrar estúpidos aos pares. 

O dicionário da Priberan define estupidez como falta de inteligência e de delicadeza de sentimentos. Há também a definição da wikipedia, em inglês: Stupidity is a lack of intelligence, understanding, reason, or wit

Nos últimos tempos tenho tido algumas cenas para esquecer, tudo por conta de gente estúpida. A gente diz tomato eles percebem potato, a gente diz que não, que dissemos tomato e eles que não, que têm provas de que dissemos potato. E a gente tenta explicar que nada a ver, que a conversa é sobre tomato e vamos falar sobre tomato e eles, cheios de teorias e teimosias, que a gente falou foi em potato. E invocam um historial ficcionado de não-eventos que, segundo eles, comprovam as suas inenarráveis teorias de cão de caça. Não se cansam. Convictamente apresentam argumento, citam artigo, dizem toda a espécie de disparate, envolvem a conversa em testemunho que toda a gente percebe que é inexistente ou deturpado... e prosseguem, resolutos, perante a estupefacção de quem assiste. 

O melhor, nestes casos, é a gente deixar para lá, deixá-los a falar sozinhos, deixar que aos poucos vão ficando isolados. Mas, por vezes é mais forte que nós, queremos demonstrar que estão errados, queremos que vejam o que toda a gente informada vê. No fundo, genuinamente queremos ajudá-los. Mas é tempo perdido. Deturpam o que dizemos, inventam, caluniam, ofendem, não conhecem limites. E não saem da deles, mesmo que em prejuízo próprio. Há qualquer coisa de grande burrice nos muito estúpidos.


Em síntese: de gente estúpida o melhor é guardar distância.

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E, no meio destes meus pensamentos, eis que o meu amigo algoritmo adivinha as agruras pelas quais tenho passado às mãos de um ou outro exemplar do género e, sem que eu tenha feito qualquer pesquisa nos motores de busca que o leve a extrapolar e a sugerir-me 'literatura' sobre o tema, me aparece com isto que aqui, agora, convosco partilho.

John Cleese on Stupidity

Cleese explains why extremely stupid people do not have the capability to realize how stupid they are.

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Bonhoeffer‘s Theory of Stupidity
Dietrich Bonhoeffer's argues that stupid people are more dangerous than evil ones. This is because while we can protest against or fight evil people, against stupid ones we are defenseless — reasons fall on death ears. Bonhoeffer's famous text, which we slightly edited for this video, serves any free society as a warning of what can happen when certain people gain too much power.

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E a ver se esta quinta-feira tomo uma decisão acertada e espero que definitiva em relação a um caso de estupidez aguda com o qual tenho estado a ser confrontada. Não vai ser fácil. Por isso, a mim própria desejo boa sorte.

E, para vocês aí desse lado, um belo dia.
Saúde. Bom senso. Humildade. Boa disposição.

terça-feira, setembro 21, 2021

Rir

 

A beleza é fundamental, já Vinicius o dizia. A inteligência é fundamental. O bom carácter é fundamental. A cultura é fundamental. O bom feitio é fundamental. Muitas outras coisas são fundamentais. Mas, de entre elas, uma se destaca: o sentido de humor.

Posso relacionar-me com muita gente mas apenas com a que revela sentido de humor eu sentirei vontade de manter a proximidade. 

O sentido de humor é a manifestação mais evidente da inteligência mas é a inteligência condimentada com a graça de existir e a generosidade de fazer rir os outros.

O sentido de humor é o alfa e o ómega para se levar isto na boa. E só não acrescento a delta para não haver lugar a confusões que eu do merdinhas com totós quero é distância..

Pode alguém ser o máximo, pode saber Os Lusíadas de cabo a raso, a Odisseia de cor e salteado, simplificar os polinómios até os deixar em carne e osso, pode saber declinar todas as leis da termodinâmica e inventar ainda uma nova como quem não quer a coisa, ou cantar toda a tabela periódica, desde os clássicos até aos mais recentes elementos, pode não falhar um rio, um afluente, uma serra, saber todas as cordilheiras, picos, vulcões, reconhecer os eixos e a respectiva orientação dentro de cada cristal, pode saber reconhecer cada astro por mais longínquo que seja, saber de leis como quem sabe de fazer bolos, as receitas todas de cor, as manhas e os preceitos, um a um. Pode tudo. Mas, se não souber fazer-me rir aí, santa paciência, nada a fazer. Não tenho paciência para chatos. Tem que saber desarmar-me com uma piada, tem que ter a inteligência de juntar as pontas soltas e dar-lhes o mais inesperado e insólito laço, descobrir a brejeirice elegante que fará desatar-me a rir. 

Não ter sentido de humor é pior que doença, é falta de gene, é deficiência irreparável, devia ser caso para enxerto ou para criar associação.

Em contrapartida, pode ter falta de muita coisa mas, se tiver sentido de humor e tiver o condão de me fazer rir, tenderei a desculpar todas as faltas. É o meu ponto fraco: gosto de quem seja capaz de me fazer rir.

Aliás, sentido de humor é mais do que fundamental. É o sal da vida. É anti-oxidante, anti-aging, é poção mágica, elixir da vida eterna.

De entre os vários tipos de humor prefiro o pouco óbvio, o insolente, o que contém alguma sofisticação, o que junta ao tempero um pouco de pimenta, o que é inesperado e até inapropriado, o que continua a fazer-me rir vinte ou trinta anos depois. Mas se for uma cambalhota trapalhona, um trejeito descarado ou um trambolhão bem merecido também não me farei rogada. Sou de riso fácil.

Em dia um pouco apático e em que as mãos se movem sobre uma massa algo informe em que se pressente a semente da desmotivação, em dia em que o dia que era para ser afinal não foi (o que me desiludiu, não o escondo) e em que, para ajudar à festa, o ferro de engomar não aqueceu causando um óbvio transtorno, chego aqui ao computador e apetece-me rir. Quem ri, seus males espanta.

E basta-me escolher um ou outro vídeo que o meu grande amigo do peito, o algoritmo mais fofo, logo percebe o que é que eu quero e desata a sugerir-me maluqueira atrás de maluqueira. Já estive a ver alguns a que não resisto.

E, para polvilhar o post, nada como as macacadas que aqui vêem. Há milhares. 

Quem esteja por aí ensimesmado, sem encontrar motivo para sequer esboçar um leve sorriso, que veja aqui ou procure o que por aí há de risota. Não falta.

Permitam, pois, que partilhe convosco alguns vídeos já mais do que conhecidos mas que sempre me farão rir ou sorrir.

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João César Monteiro e as más-línguas


Vasco Santana e o palheto


Os irmãos Marx e a password


John Cleese, impagável.


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E tenham, por favor, uma risonha terça-feira