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quarta-feira, janeiro 07, 2026

Notas sobre o grande debate

 

O grande perdedor da noite: zero em termos de conteúdo, zero do sentido de não ter qualquer conteúdo, zero em termos de ideias, e não é uma pontuação subjectiva, não, é mesmo que não tem uma única ideia.  E, ao descontrolar-se, mostrou que tem zero de compostura. Muito mau. E depois a palavra ordinarice, que soltou ao dirigir-se a Gouveia e Melo, soou ali muito mal; penso que é palavra que lhe ficará colada. Refiro-me, é claro, a Marques Mendes. Se houvesse a pouca sorte de chegar à 2ª volta com o Ventura, acho que nem assim votarei em Marques Mendes.

Confirmação: é igualmente um zero em termos de conteúdo e um zero em termos de ideias. Em termos de compostura, já se porta como se já fosse PR. Mas um PR daqueles que não acrescenta ponta de corno. Peço desculpa pela expressão, mas a criatura tira-me do sério. Se já encarnou uma bafienta personagem, imagine-se se tivermos a pouca sorte de ele lá chegar. Um horror. Se for à 2ª volta com o Ventura, com muito desconforto e até muitas e severas dúvidas, votarei nele, nele Seguro. Mas ficarei arreliada até à segunda casa. Que burrice a do Pedro Nuno ter falado no nome da criatura. Há quem o gabe por ter estado 12 anos sem dizer nada, como se isso fosse uma virtude. Não é, é apenas a sua idiossincrasia: não tem nem nunca teve nada para dizer.

Almirante: na realidade ainda não adquiriu a tarimba que nestas coisas dá um certo jeito. E tem algumas saídas um bocado fora da mãe, dá ideia que vai muito ensaiado e muito ensinado e isso retira-lhe alguma naturalidade e, mesmo, algum discernimento. Contudo, continuo a achar que talvez seja a melhor opção.

Ventura: tenho que reconhecer que, no debate, não esteve mal de todo. E não é burro nenhum. Percebe-se que atraia o voto de tanta gente. O pior é que, para além de não ser sério, isto é, intelectualmente honesto, e de jogar no bota abaixo, e de ter valores opostos aos meus, não é confiável. Portanto, é para esquecer.

Cotrim: o ganhador da noite. Esteve muito bem. De todos, foi quem melhor revelou ter ideias e, ao mesmo tempo, ter atitude. Está a subir nas sondagens e isso percebe-se. Acredito que, se por acaso lá chegasse, seria um presidente digno. Acredito também que saberia ser razoavelmente isento face às suas ideias políticas. Provavelmente seria a minha segunda opção.

Antonio Filipe: respeitável e cordato como sempre. Mas não acrescenta, é sempre mais do mesmo. Contudo, calma, em termos de conteúdo e de atitude, 10 a 0 a Marques Mendes e a Seguro. O pior mesmo é o quadro mental em que se move. Mas, quando o vejo, penso sempre que é uma fofésima criatura, uma simpatia.

Catarina: esteve bem no debate e tem feito uma campanha muito capaz. Mas.

Jorge Pinto: esteve bem mas, infelizmente, aquela coisa de não se perceber se está numa de desistir, baralhou tudo.

André Pestana: é o sindicalista do STOP e foi isso que revelou no debate.

Humberto Correia: de vez em quando aparecem pessoas assim, não se percebe bem o que pretendem, mas vê-se que é bem intencionado e, de resto, é um direito que felizmente a malta tem, meter-se em alhadas destas.

Manuel João: de certa forma, alguma desilusão. Estava à espera que fosse mais polémico, mais irreverente. Mostrou ser um peixe fora de água. Com tantos candidatos armados em políticos a sério, o Manuel João não encontrou o seu palco, e teve alguma dificuldade em ser fluente. Mas a felicidade é uma coisa importante, é mesmo, e até me parece bem que esteja na Constituição. Se isto tudo não for para a malta ser feliz, então é para quem? 

Carlos Daniel: fantástico. Um grande moderador. O melhor de todos. Cinco estrelas. Das grandes.

sábado, fevereiro 24, 2024

Debate geral pré-campanha eleitoral.
Para o vencedor, o Carlos Daniel, um post todo florido

 

Apesar de estar aguaceirento, achei que se poderia estender a roupa. O meu marido entendia que era perda tempo pois, não tardaria, a chuva viria. Arrisquei. Entre as sessões de pingaria, a aragem e o tímido sol tratariam da saúde à roupa.

E assim foi. Secou que foi uma beleza. De vez em quando era borrifada mas, logo, logo, vinha um ventinho saudável que a secava.

Não deu foi para me pôr estendida a apanhar sol pois a friagem estava de apertos. Tive que ir buscar uma camisolinha mais aconchegante.

O dia foi a modos que assim, com coisas para tratar, e tratei delas, um conjunto de mails, uns telefonemas, um certo expediente, mas, em relação a algumas matérias, sem saber se alguma coisa vai ficar tratada. Mas paciência, é o que é, há coisas que, se calhar, serão mesmo na base da tentativa e erro. 

As caminhadas também foram híbridas, metade à chuva e outra metade com ela escondida a ver se aparecia. Mas bem belas, fresquinhas, revigorantes.

Mas as flores despontam por todo o lado e até uma que eu julgava que era bonita apenas pela rubra folhagem agora saiu-se com um golpe de mágica e surpreendeu-nos com uma cobertura altamente imprevista. Até tive que ir informar-me para não passar pela ignorância de desconhecer que planta misteriosa aqui tenho. É a Loropetalum chinensis Fire Dance. Quem diria?

[É a primeira fotografia, a que está à esquerda]

A magnólia também está exuberante, flores que parecem de papel, fabricadas por laboriosas mãos. Lindas, lindas.

[É esta aqui ao lado, à direita]

Não falo das camélias. Aborrecem-me. São muito bonitas mas inaceitavelmente efémeras. Não se aguentam bonitas. Atiram-se logo para o chão. 

[É esta aqui abaixo, também à esquerda]

E já nem falo dos jasmins. O amarelo é luminoso mas discreto, não exala aquele perfume que inebria. O outro, o fúcsia e branco, é insolente. Parece coisa miúda mas as florzinhas ficam numa excitação perfumada. Quando passamos por ele não consegue passar despercebido, perfuma o ar que é uma indecência. É um perfume controverso. Ao princípio estranhei. Agora, não é que se tenha entranhado mas aprendi a gostar dele. O meu marido acha que o cheiro é doce e intenso demais.

[É a quarta e última fotografia]

Quando passeamos pelas ruas, em especial à noite, há, por todo o lado, um perfume bom, delicado, um cheirinho suave que se mistura com o mistério das penumbras. Talvez seja a primavera que não consegue esperar pela sua vez, que já aí está.

Tirando isso, o que posso dizer é que parece que continuo a modos que preguiçosa, parece que me falta aquela energia que me levava a fazer mil coisas por dia. 

Por exemplo, tinha pensado ir tirar dos sacos os livros que vieram ontem para identificar os que ainda não tinha cá em casa, para arrumar esses nos sítios devidos, deixando os repetidos numa estante que está na cave para os meus filhos poderem ir escolher para eles ou para ficarem para, mais tarde, os meus netos. Mas não consegui ânimo para tal. Lá continuam.

Em contrapartida, consegui mover-me para a história que ando há séculos a escrever e que já dei por finda mas que tem que ser lida, relida, rerrelida. Mas a verdade é que estou naquela fase em que, para fazer qualquer coisa, tenho que pedir licença a uma mão para poder mexer a outra. Mal me reconheço, confesso.

E não falei ainda dos passarinhos que andam numa animação, esvoaçam e cantam que é uma alegria. E o meu marido ontem disse que tinha passado ali uma andorinha. Fiquei muito contente e a desejar que ocupem um dos ninhos para poder vê-las muitas vezes.

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Quanto ao debate, o que me apraz dizer é que o Carlos Daniel provou ser um dos melhores moderadores da nossa televisão. Esteve sempre bem, muitos furos acima de qualquer dos outros. E, quando me refiro aos outros, não estou apenas a falar dos outros moderadores nos anteriores debates. Refiro-me também aos moderados. Lamento dizê-lo.

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Ludovico Einaudi - Birdsong from DAY 2


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Desejo-vos um bom sábado

Saúde. Beleza. Paz.