Não tenho acompanhado a campanha eleitoral pois, se calha o canal em que passamos estar a dar alguma coisa, só se veem parvoíces e, como é óbvio, desandamos rapidamente. Portanto, temos optado pelo condensado de parvoíces que o Ricardo Araújo Pereira prepara diariamente.
Não posso pronunciar-me, pois, sobre se, no geral, é mesmo tudo uma treta, sacos de vento, chachadas que até as crianças acharão infantilizadas ou palermas, ou se tem havidos bons momentos informativos ou reflexivos.
Contudo, temo que o panorama geral seja mesmo inaproveitável. Duvido que alguém fique verdadeiramente a perceber qual o programa eleitoral a partir do que as televisões e as redes sociais mostram. Acabamos por aceitar tudo isto com naturalidade mas, na verdade, se pensarmos bem, é uma autêntica aberração. A vida do País depende, em grande parte de quem nos governa e, para nos explicarem porque devemos votar neles, os partidos fazem cartazes parvos, arranjam iniciativas apalhaçadas, uns tocam tambores, outros correm, outros dançam com idosas, outros andam de mota, outros jogam voleibol de praia, quase todos andam pelas tascas... e é isto.
Pelo meio, o Marcelo, que tem arranjado caldinho atrás de caldinho -- a ele devemos toda esta instabilidade --, aparece-nos a dizer vacuidades a que já ninguém liga.
Uma desilusão. Dá ideia que a inteligência, a decência, a exigência está em acelerado processo de rarefacção na política -- e não é só por cá, aliás, com anormais como o Trump, tudo tende a acanalhar-se ainda mais. Estão a ser criados standards que deveriam envergonhar-nos. Gostava de poder dizer: 'Caraças, também não é bem assim, aproveita-se fulano de tal que tem sabido manter a cabeça no lugar e que tem mostrado estar à altura do cargo a que se propõe'. Mas, lamentavelmente, parece que a bitola está toda a querer alinhar-se por baixo. Claro que há algumas diferenças. De vez em quando, naqueles rápidos relances, enquanto o canal não é mudado, vejo algum peixe fora de água e imagino o sacrifício que deve estar a fazer. Mas, tirando as excepções, é a indigência total. Digamos que, se quisermos votar com alguma coerência o máximo que podemos fazer é fugir daqueles em que a bitola consegue estar ainda mais baixa do que noutros. Mas é uma tristeza. Confesso que me tem ocorrido votar em branco. Mas nunca o fiz. Só de pensar nisto me sinto arrependida, como se estivesse a trair o meu direito de cidadania, como se estivesse prestes a dar uma facada nas costas da democracia. Mas é o que me tem ocorrido.
Caraças. Ao que chegámos.
Consolo-me a ler. Mas também só leio livros mais ou menos marginais. A dificuldade está em descobri-los. Sempre que pego num livro badalado, hiperconceituado, só sai treta. No outro dia pensei que um certo, com tanta recomendação, tantas mediatização, e que já vai na n-ésima edição, talvez se aproveitasse. Folheei, folheei. E deixei ficar. Treta e da grossa. Como é que é possível?
E depois há a natureza, o jardim, os campos por onde passeamos. Isso, sim, é uma alegria. Estão lindos, os campos, a chuva hidratou a terra, as flores nascem que dá gosto. E a passarada, os chilreios, uma festa.
Vi um vídeo de que gostei bastante. Uma pessoa que desenha paisagens. Quando pergunto aos meus netos que profissões gostariam de ter, ficam-se pelas mais tradicionais. Gostava que tivessem acesso a tantas outras. Há tantas profissões fantásticas. Quem as exerce deve viver num permanente estado de motivação, de surpresa, de vontade de aprender e de experimentar.
O paisagista Piet Oudolf fala sobre encontrar consolo no jardim
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De qualquer forma, desculpem lá o mau gosto de voltar ao tema da campanha eleitoral depois de estarmos no jardim mas o meu marido pediu para eu deixar a seguinte nota: o Ricardo Araújo Pereira, ao entrevistar este domingo o Montenegro, quis fazer-se passar pela Maria João Avillez?
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Uma boa semana






