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quinta-feira, fevereiro 16, 2017

Lobo Xavier, os SMS entre Centeno e Domingues
-- e Monica Lewinsky e as manchas brancas no vestido azul


Quando rebentou o escândalo Monica Lewinsky, algumas coisas me chocaram.

Não me chocou o que aconteceu entre Bill e Monica, dois adultos maiores e vacinados -- ela rendida ao efeito afrodisíaco do poder que transpirava de todos os poros dele e ele, adrenalina em alta, rendido às formas radiosas de uma jovem mulher disponível. Cada um sabe de si e, tratando-se de práticas consentidas, é coisa que não me diz respeito. Que ele fosse casado, que ela soubesse que ele era casado, que isto, aquilo e o outro, a mim nada me convence ou desconvence. A intimidade entre dois adultos, sejam quais forem os laços entre eles, é assunto privado sobre o qual não opino.

Mas chocou-me saber que a jovem Monica chegou a casa depois de ter estado na brincadeira com Bill e não apenas foi relatar à mãe o que se tinha passado como foi mostrar à mãe as manchas de sémen que caíram no seu vestido, o célebre vestido azul. 

E chocou-me ainda mais a reacção da mamã que, se queria agir para bem da filha, em vez de lhe recomendar que, para a próxima, usasse avental ou, no mínimo, babete ou, então, que fosse bem educada (e aqui peço desculpa mas, dado este ser um blog de família, não vou explicar-me) --  não senhor. Resolveu que não lavariam o vestido e o guardariam para um just in case. E o just in case aconteceu e a senhora e a senhorita mandaram analisar as manchas brancas do vestido azul para Monica poder vir a público pôr a boca (desta vez) no trombone e entalar o Bill.

Por essa altura, fiquei igualmente chocada pela atarandadice de Clinton que, vendo-se acusado, em vez de dizer simplesmente que não tinha nada que comentar actos da sua vida privada, resolveu ensarilhar-se nas palavras, começando por assegurar que não tinha tido relações sexuais com aquela pessoa para depois, perante as evidências, vir explicar que não tinha havido penetração e, na sua cabeça, isso era sinónimo de não haver relações sexuais. Mal. Mais valia ter ficado calado.

A partir daí a acusação passou a ser que tinha mentido, perjúrio, um caso sério.

E, no meio da confusão que se armou, Bill Clinton ainda conseguiu apanhar um estalo de Hillary -- o menor dos males no meio do furacão que se formou à sua volta.

Contudo, para os destinos do país tudo ficou igual pois aquilo não tinha passado de um banal fait divers empolado por gente coscuvilheira e ociosa.

António Lobo Xavier, nesta história que envolve um personagem que já passou à história e um ministro das Finanças que tem conseguido feitos notáveis mas que provou ser politicamente desasado, é a mãe da menina Lewinsky.


António Domingues, no affaire CGD, rendimentos e o escambau, tentou dar a volta ao Centeno e, de certa forma, até o fez cair na esparrela. E, vendo que tinha nos sms matéria que poderia servir para sacanear o ministro, foi mostrar ao amiguinho de alcova lá no BPI o que deveria ser matéria privada, não transmissível.

E Lobo Xavier, macaco de rabo pelado, mestre da concupiscência que deita na mesma cama política, leis e negócios, parecendo querer evidenciar uma certa vocação para a prostituição ou para a alcoviteirice, começou por dar a entender, na Quadratura do Círculo, que estava sabedor de matéria quente e, de seguida, quando instado a esclarecer a insinuação, pegou nas mensagens e foi mostrá-las a Marcelo.


E eu, esperando que lhe tenha feito bom proveito, devo dizer que estes actos estão, a meu ver, ao nível do vómito. Penso nisto de um banqueiro guardar mensagens trocadas com um ministro, por sinal um verdinho na arte da manha, e ir mostrar a um sabido de primeira água, por sinal conselheiro de Estado, e de este se prestar ao acto vergonhoso de ir mostrar mensagens alheias ao Presidente e fico agoniada. Asco. A palavra que reflecte o que sinto á a palavra asco.

E que Marcelo se tenha prestado a isto de ir ler mensagens alheias, privadas, choca-me.
Bem, não sei se o fez. Tomara que não. Pelo que leio nos jornais, diria que sim. 
Mas, a tê-lo feito, sinto vontade de fazer write off sobre o capital de confiança que tem vindo a conquistar.

Marcelo, se fosse o homem que eu gostava que ele fosse, ao aparecer-lhe Lobo Xavier, qual vizinha coscuvilheira, com as mensagens alheias, ter-lhe-ia dado uma corrida em osso, 

'Rato! Rato de esgoto! Por quem me toma para me aparecer aqui com fofocas e relatos de conversas privadas? Desapareça-me da vista e não volte a aparecer-me à frente. Vou destituí-lo de conselheiro e é já, que não quero cá tipos que, ainda sem ter chegado o Carnaval, já por aqui andam disfarçados de ratos de esgoto, muito menos sentados à mesa do Conselho de Estado. Xô!'
E agora andam os mesmos de sempre, cada vez mais a aparecerem aos olhos do país como vermes, os mesmos que ao longo de anos viveram sobre a podridão governativa de Passos Coelho e Paulo Portas, armados em virgens ofendidas, em ratas de sacristia, exigir a publicação dos sms, a demissão do ministro e sei lá mais o quê. Gente sem memória, sem respeito pelos outros, sem vergonha na cara. E as televisões a darem palco a estes parasitas.

Domingues, a Monica Lewinsky portuguesa, não apenas quase fornicou o Centeno (que é como quem diz, claro) como guardou os sms -- como a outra guardou as marcas de sémen sobre o vestido. 


Mas Domingues já foi à vida. Já acabou. A Caixa já está com outra gestão e há muito trabalho a fazer. Já chega de tricas. Já enjoa tanta chachada que tem como único intuito lançar confusão, denegrir os bons resultados alcançados pelo governo, chatear, chatear, chatear. Já não se aguenta tanta má fé, tanta calhandrice.


Aqueles tristes pàfs, armados em destituídos mentais, não percebem a triste figurinha que andam a fazer alimentando, até à náusea, a polémica em volta deste assunto que fede a sonsice, a traição, a dominguice? 

E Marcelo não é capaz de vir a público dizer que já é tempo de aqueles -- que deveriam estar numa CERCI e não na Assembleia da República -- arranjarem algum programa ocupacional e deixarem de brincar aos políticos de meia tigela já que não fazem outra coisa senão conspurcar o espaço público? A bem do interesse nacional (que é o oposto do interesse dos PàFs e dos balcões onde se serve comentário a copo), Marcelo não é capaz de lhes pôr um par de patins? De lhes dar um valente pontapé no cu? Ou, se quer fazer uma pose presidencial, um murro na mesa, vá? Ou acha bem o que se está a passar? Agora já gosta de ler sms alheios? Já deu em andar a espreitar pelos buracos das fechaduras?

......

quinta-feira, maio 08, 2014

Monica Lewinsky ressuscitou com vontade de queimar o vestido azul que tinha sido emprenhado por Bill Clinton e, de carrinho, queimar também a boina. [Eu gostava era que isto fosse por cá, para ver se estes 'nossos' ao menos me faziam rir. Mas nem isso, senhores!]




Depois de muitas cenas e de muitas dietas, e, acredito, depois de muitos maus bocados, eis que Monica Lewinsky, a ex-estagiária de 22 anos com quem o Presidente cometeu, em tempos, actos inapropriados  - dos quais ela e a sua zelosa mamã ciosamente guardaram as provas num célebre vestido azul - regressou à ribalta. 

E não fez por menos: o trombone onde desta vez pôs a boca, não desfazendo, foi logo a Vanity Fair

Vergonha e arrependimento, confessa Lewinsky. Que foi um mau passo, sim senhor, que foi um acto mutuamente consentido, sim senhor, que a seguir passou as passas do Algarve, sim senhor, que a outra, a cornuda militante Hillary, é uma chata narcisista e mais não sei o quê.



Pose de não sei bem o quê, entre adolescente virginal e tardia e sonhadora endiabrada, pezinho nu, semideitada num sofá bem bonito, eis a agora balzaquiana Monica a atentar de novo o juízo à potencial candidata Hillary. 
Por qué no te callas? deve a família Clinton pensar, com esta inesperada reaparição.
Mas, vá lá, diz que está na altura de deitar fogo ao vestido e à boina. Menos mal. Antes isso do que tirar uma selfie com essa bela indumentária e leiloar no facebook. Contudo, se a fogueira for literal, é bem capaz de chamar os repórteres para fixarem o grande momento. Mas talvez a intenção não passe de uma abstracção literária, que a coisa ainda pode vir a render uns cobres no futuro pelo que, pelo sim, pelo não, o vestido inseminado pode ficar mais uns tempos na arca frigorífica.

O que eu tenho a dizer a isto tudo é que lamento que, por cá não tenhamos cegadas destas. Até o frangote do Hollande consegue proezas do género. Porque será que, por cá, não temos o Passos Coelho ou o Cavaco metido numa cena macaca à maneira, com uma gordinha qualquer a aparecer com o vestido manchado, a mãe a fazer uma peicheirada, entrevistas à Maria a descrever ao pormenor todos os actos, vídeos no youtube como, em tempos, as cassettes do Taveira? Sim, porque será?



Monica Lewinsky pens Vanity Fair article about Bill Clinton affair



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