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domingo, setembro 06, 2026

Polícias à porta de casa -- e uma situação insólita e inexplicável

 

Uma vez deu-me para descrever as coisas bizarras que se passavam na casa ao lado. Quando os meus filhos cá vinham, eu descrevia os acontecimentos inenarráveis a que assistia sem conseguir compreender nada da vida daquelas pessoas, esperando que eles acendessem uma luz que ajudasse a decifrar o mistério. Debalde. Os habitantes foram mudando ao longo dos poucos anos em que cá estamos, sempre tudo estranhíssimo, mas, ao mesmo tempo, sempre parecendo haver algumas coisas em comum. E assim continua. Os habitantes não mudaram desde então, pelo menos a esse nível parece haver agora alguma estabilidade, mas tudo continua a ser incompreensível, incluindo uma mulher que tanto fala como se fosse uma brasileira de gema, como uma portuguesa do mais 'nacional' que pode ser.

Publiquei na Amazon um livro ("Um ordenado paraíso") que descreve quase ipsis verbis aquilo que eu conseguia apreender. Os meus filhos estranhavam que, em tanto tempo, eu não tivesse nunca conseguido ouvir nenhuma conversa que desse para perceber alguma coisa. Mas não. Misteriosamente, o que chega até aqui são coisas desligadas e a partir das quais não consigo extrapolar nada. Mas diziam-me também que eu não tinha nada a ver com o que se passa na casa dos vizinhos e estranhavam a minha curiosidade. De facto, nunca, em toda a minha vida, tive ponta de vontade de saber o que quer que fosse da vida alheia. Morava num prédio e mal sabia quem lá morava de tão distraída e desinteressada da vida dos outros que sou. Mas aqui é outra coisa: é o insólito, o inexplicável. Nada bate certo.

Em contrapartida, na casa do outro lado, as coisas são mais lineares: um casal relativamente jovem e a respectiva descendência, uma criança com uns oito ou nove anos e outra talvez com quinze ou dezasseis que, quando os pais estão em casa, estão também com eles. Muitas vezes tratam do jardim em conjunto. De vez em quando há festas, e todos participam na preparação prévia. Parecem bastante unidos e pessoas bem dispostas. 

Mas hoje aconteceu uma coisa também bizarra.

Geralmente a casa deles está sempre muito iluminada e, como por aqui é habitual, à noite luzes acesas dentro de casa e estores levantados, ou seja, estamos na rua ou eu aqui em minha casa e vê-se tudo ou quase tudo o que se passa lá dentro. E têm também projectores na parede exterior que iluminam fortemente o jardim a toda a volta. Mesmo quando vão de férias, os projectores em volta da casa estão sempre acesos.

Há pouco, quando saímos para o nosso passeio nocturno, era esse o cenário. O normal.

Contudo, quando vínhamos a regressar, ao fundo da rua, o meu marido disse que estava um carro da polícia ao pé da nossa porta. Sem óculos, não pesco boi, vi um carro e pareceram-me vultos, mas sem distinguir nada. Quando nos aproximámos vimos que não exactamente à nossa porta, mas quase. Dois polícias falavam com o casal. Estavam ambos do lado de fora do portão, a falar com os polícias. Tive vontade de perguntar se tinha havido algum problema, mas contive-me, estavam tão focados na conversa que não quis ser intrusiva. Além disso o meu marido, é zero, ou menos que zero, cusco e, se eu os tenho inquirido, haveria de achar falta de educação da minha parte. Quando entrámos no nosso jardim, vimos que os polícias estavam a entrar com o casal para dentro do jardim deles, provavelmente para dentro de casa. Mas, quando cheguei à minha porta e olhei para o lado, breu absoluto. Tudo apagado, escuridão absoluta, dentro e fora. Fiquei estupefacta: entraram com os polícias e apagaram tudo? Podem acreditar: sem luzes acesas não se vê nada. Uma coisa é morar na cidade em que há sempre luzes exteriores que, de certa forma, iluminam minimanente o interior, e outra é aqui. Sem luz acesa não se vê um palmo à frente do nariz. Nada. Bola. Quando entrei em casa, intrigada com aquilo, fui à minha janela espreitar para ver se o carro da polícia ainda lá estava. Estava. Durante bem mais de meia hora, talvez uma hora, o carro da polícia esteve ali. E da casa ao lado nem um som nem uma luz. Nem os cães, sempre barulhentos, soltavam um pio. Há bocado fui ver e o carro da polícia já não está aqui mas a casa continua mergulhada no breu e no silêncio mais absolutos. Não sei qual a explicação para isto. O que terá levado a polícia a entrar e estar tanto tempo lá dentro? E porque apagaram todas, t-o-d-a-s, as luzes? O que terão estado a fazer às escuras?

Os meus filhos diriam: 'e o que é que tu tens a ver com isso?'. Pois, bem sei, não tenho. Mas não é isso. O que me faz confusão é não encontrar sentido nas coisas, não me ocorrer nenhuma explicação plausível para isto. 

Mas, pronto, vou dormir com esta dúvida. Não consigo sequer antever hipóteses palusíveis para encaixar estas peças. 

Estou com um sono daqueles em que não atino, estou só a adormecer (mas não estou a delirar, calma, o que contei está descrito com precisão). Ontem tivémos cá um jovem para a janta e para pernoita, a que se juntou hoje um irmão para almoço e para a tarde. Depois foram ambos com o avô para um jogo no qual o mais velho era o guarda-redes. E nada de mais, tudo tranquilo, quando são poucos é uma calmaria extraordinária, zero trabalho. Mas, vá lá saber-se porquê, talvez por me ter ido deitar um pouco mais cedo que o habitual e ainda sem estar perdida de sono, tive mais uma daquelas estúpidas insónias em que vejo o dia clarear, ouço o galo a cantar, depois ouço passos de alguém na rua, a fazer corrida -- e eu sem conseguir sentir pitada de sono. Dantes nem sabia o que isso era, adormecia instantaneamente e dormia de seguida, como uma pedra. Mas, de há uns anos a esta parte (e já aqui falei disto), creio que depois de ter covid (mas pode não haver relação - tenho que ter o cuidado de dizer isto), é isto: o meu sono tornou-se caprichoso. De vez em quando, quase passo uma noite em claro. Se de dia não tenho afazeres, durmo a sesta e reponho. Se não, fico tonta, esvaída de sono. Depois pode acontecer que durante uma ou duas semanas durma que me farte, como nos bons velhos tempos. Até ao próximo episódio. O médico encolhe os ombros, diz que pode ser sequela da covid, sim, e que pode ser que vá passando. Mas é uma chatice. Portanto, estou no ir.

Desejo-vos um belo dia de domingo. E se tiverem explicações para isto a que assisti e que aqui reportei, ficarei agradecida.

domingo, agosto 23, 2026

Breves

 

Num meio que nada tem de rural, apesar de todas as casas terem jardim, é com prazer que, quando acordo de madrugada, ouço um galo a cantar.

Esta noite, ao passear por aqui, passei junto a uma casa muito bonita, com uma arquitectura invulgar. Tinha a porta aberta e as luzes de dentro todas acesas. Vi muitos vultos no jardim, uns entravam e outros saíam de casa, sempre conversando, recortados contra a luz que vinha de dentro. Falavam em francês. Parecia um filme.

Muitas vezes não publico os comentários porque são ofensivos, sobretudo para algumas pessoas que não eu (imigrantes, homossexuais, etc). Outras vezes não publico porque são demasiado estúpidos. Outras porque são incompreensíveis, certamente escritos por pessoas que não estão bem. Mas acontece que por vezes fazem o pleno e juntam-lhe ainda erros ortográficos. Por exemplo, tenho aqui um que não vou publicar e que, entre outras pérolas, fala da 'chumgaria'. Assim mesmo, com m. Se nem escrever sabem como podem avançar para o patamar seguinte que é o de expor ideias? 

Há uma coisa que me anda a parecer muito curiosa. Dizia-se, ou melhor, admitia-se, que o Luís Neves era o ás da judite. Não havia criminoso que lhe escapasse. Pois bem: desde que saiu, é raro o dia em que não é apanhada uma rede, seja do que for, de bandidagem ligada à droga, às burlas, às fraudes, a tudo. Não há aqueles nomes criativos para as operações, pelo menos que se saiba, mas parece que tudo o que andava encalhado no tempo do Neves, agora está a resolver-se a toda a brida. Seria interessante que alguém comparasse a estatística de apreensões (droga, armes, bandidos, whatever) antes, no tempo do Neves na Judite, e depois, desde que deixou por circular por lá. 

Harvard vende cursos ministrados por clones de IA dos seus professoes. Quando uma coisa inexistente já se dá ao luxo de ensinar um humano, só posso dizer que vou ali e já venho. Pior: quando um humano aceita pagar 700 euros por um curso ministrado por uma coisa, só espero que seja um parvo daqueles que estão sempre prontos a darem com o burrinho nas couves, e não uma moda que está a vir para ficar. Mundinho mais tinhoso, este. E tudo estará bem, se o avatar não alucinar ou não estiver desinformado ou com algum bug. Mas pode estar e estará a ensinar a grelagem das batatas em vez de física quantica. Mas, mesmo que esteja a dizer coisas acertadas, um professor não é mais do que uma mera máquina debitadeira? Pensava que era. Eu, pelo menos, durante a minha curta experiência, tentava ser muit mais que isso. Estamos a caminhar para a autofagia, é isso?

Li também que um enviado de Trump usa vodka e piadas brejeiras para conduzir a diplomacia dos Estados Unidos. Não me admira. Quando se desce ao nível rastejante, tudo faz sentido, os vermes de todo o mundo sentem-se econhecidos. De qualquer forma, o estilo não é inédito e há sempre quem aprecie o género e caia na esparrela. Tive uns colegas, gente muito vip, gente muito ilustrada, viajantes de muitas mil milhas à volta do mundo, empresários autodenominados de 'mão cheia', que, tendo a ilusão de fazer negócios com altos empresários chineses, se deixaram enredar em situações em que uma chinesa insinuante se atirava ao mais pateta deles, por sinal também considerado um ás, segundo ele batido em tudo o que é arte e manha -- e as noites acabavam com ela enfiada no quarto de hotel dele, com ele embriagado e, sem saber porquê ou sem se dar conta disso, completamente maluco. Ou ela lhe dava alguma bebida que mexia com a estabilidade mental dele ou, então, o álcool desatinava-o mais do que a conta. Os outros colegas, não sei se completamente sóbrios ou se apenas um pouco mais conscientes que ele, relatavam, off the record, à boca mais do que pequena, episódios estarrecedores. Tendo ele aparecido de uma dessas viagens com um brutal hematoma, ferido mesmo, na testa, veio depois a saber-se por portas e travessas que, não se sabe como, numa dessas noites selvagens, com a dita chinesa lá metida no quarto, ele subiu para a cómoda e de lá pretendeu atirar-se em mergulho para a cama, tendo, obviamente, aterrado no chão. O que ela sacou dele nunca se conseguiu saber, nem ele, que não conseguia reconstituir nada do que se tinha passado. Claro que, ao fim de algum tempo, os chineses perdiam o interesse nas parcerias. Dizia eu e outras más línguas que já tinham obtido o que queriam. Por essas alturas, recebemos uma visita do SIS que nos veio avisar para os riscos de algumas situações e descreveu várias, algumas tiradas a papel químico do que sabíamos que se tinha passado com os chineses mas também com árabes. Algumas pessoas em funções de responsabilidade são um perigo.

E, por hoje, fico-me por aqui. Se um dia me ponho para aqui a desbocar-me vai ser o bom e o bonito. O que me vale é que não há nenhum chinês por aqui, que me ponha a falar do que não quero. Na-na-ni-na-não. Da minha boca não vai sair nada de mais, não.

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Desejo-vos um bom dia de domingo

quinta-feira, fevereiro 26, 2026

Quem foram as vítimas de Epstein? As crianças e mulheres violadas e traficadas? Ou também os bilionários, intelectuais e outros que foram atraídos por ele?

 

Neste grande escândalo Epstein muitas coisas me intrigam. Já falei nisto várias vezes antes. Tudo para mim é um mistério. É tudo tão improvável, tão inacreditável... Mais: muitas coisas quase me parecem materialmente inconcretizáveis. Custa crer que um só homem conseguisse ter relações sexuais com tantas mulheres (mais de mil), que tivesse tempo para isso e para milhares e milhares de mails e para viagens e mais viagens, várias de longo curso, para tantas farras e orgias, para tantas sessões de brainstorming com físicos e com biólogos, para reuniões com universidades para seleccionar projectos a financiar, para idas a galerias de arte e para escolher objectos decorativos atípicos... e sei lá que mais. E, nas fotografias, sempre como se tivesse tempo, com calma, com espaço para desfrutar das companhias, das brincadeiras, das velhacarias.

E depois há o cerne: qual o eixo central de toda esta história? A pedofilia e a proxenetismo, envolvendo crianças? A obtenção de material comprometedor para sacar dinheiro aos prevaricadores? Ou o material comprometedor destinava-se a ser cedido ou vendido a agências de informação como a Mossad ou a CIA ou o MI6 ou as derivadas do ex-KGB? Ou, para além disto, ainda mais qualquer outra coisa?

A máquina Epstein movia-se pelo prazer? Pelo dinheiro? Pelo poder? Por outra coisa?

Tenho lido coisas sinistras que envolvem a gravidez de muitas miúdas, o sacrifício de bebés para diferentes fins, manipulação de DNA, e muitas outras loucuras, cada uma mais desvairada que as anteriores, que, como sempre, mantenho na minha cabeça em stand by até que apareçam referidas por congressistas ou por jornalistas de referência. 

Mas, isto para dizer que a leitura ad hoc, avulsa, analisada casuística e não sistemicamente, dificilmente conduzirá a conclusões sólidas.

Vi um vídeo em que um especialista em Data Analytics explicava como estava a desencantar fotografias e vídeos que se encontram encapsuladas em ficheiros pdf, como estão a tentar indexar e sistematizar a informação ou a tentar cruzar informação rasurada com a não rasurada para tentar detectar pontas soltas. Isto porque é tanto mail, tanto documento avulso, tanto power point, tanto documento encafuado dentro de outros documentos, e quase todos cheios de rasuras, que não é fácil identificar o fio da meada nem se é suposto que as coisas se organizem segundo uma lógica única (a da pedofilia, por exemplo), ou se faz sentido que, em simultâneo, multidimensionalmente, se organizem segundo lógicas diversas. E, note-se, aparentemente o que está publicado, e altamente rasurado, é uma pequena parte de todo o material que há. 

Eu, se tivesse meios e tempo, não apenas faria aquilo que o especialista em Data Analýtics fez, como, de seguida, aplicaria aos datos devidamente limpos e sistematizados, a teoria dos grafos. Tenho para mim que será com um modelo que assente na teoria dos grafos que se conseguirá mapear todas aquelas conexões, perceber caminhos equivalentes, pontos de relevância, nós górdios e qual o (ou os) caminho/s crítico/s que movia/m esta pessoa (ou este esquema)? 

Seria um bom tema para as universidades estudarem sob diversas perspectivas (a matemática com tratamento de dados e modelagem, a antropologia e a sociologia, a psicologia, as finanças -- porque afinal, que cash flow era aquele, de onde vinha e para onde ia o dinheiro? -- o direito e a investigação criminal, etc).

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Uma coisa que custa a encaixar em qualquer das partições que façamos para dar lógica a esta história: o que, por exemplo, levava Chomsky ou Stephen Hawking ou tantos outros a frequentar e fazer de tudo para agradar a Epstein? 

Entretanto, li um artigo interessante da autoria de Emma Brookes no The GuardianHow did Epstein ensnare so many rich men? By knowing they were entitled and insecure. Como conseguiu Epstein enganar tantos homens ricos? Sabendo que eram privilegiados e inseguros.

Penso que traz uma perspectiva nova e curiosa, porventura realista, pelo que me permito transcrevê-lo. 

Uma das coisas que tem intrigado frequentemente, à medida que os desenvolvimentos da história de Epstein continuam, é a forma como um jovem que abandonou a faculdade e achava cool cometer gralhas conseguiu persuadir os mais poderosos do mundo a entrar no seu covil. Qual era, precisamente, a natureza do seu "génio"? Era chantagem? Era o esquema de pirâmide social de usar um nome importante para atrair outro? Nada chegou perto de o explicar até que, com a mais recente leva de pormenores dos arquivos de Epstein, algo se tornou subitamente claro: não eram as raparigas e mulheres traficadas que Jeffrey Epstein aliciava. O verdadeiro talento do homem, se assim lhe podemos chamar, estava em aliciar o seu grupo de associados.

Isto não significa, naturalmente, que os homens e a ocasional mulher que se aliaram a um homem a quem nos devemos referir, com toda a seriedade, como "o pedófilo morto" não fossem culpados. No entanto, ao analisar a enorme quantidade de material relacionado com Epstein, desde a investigação profunda do New York Times sobre as suas finanças até ao vasto acervo de correspondência contido nos arquivos, emerge a imagem de um homem que causou danos aos seus pares de uma forma que normalmente se vê dirigida às vítimas. Embora múltiplos testemunhos de sobreviventes indiquem que Epstein considerava as raparigas e mulheres que traficava como de tão pouca importância que nem sequer tinha de se dar ao trabalho de as aliciar – segundo o relato de Virginia Giuffre, Epstein violou-a no primeiro encontro –, todos os seus recursos, através de diversas tácticas, foram direccionados para conquistar a lealdade de homens poderosos.

Analisemos Andrew Mountbatten-Windsor, que, após a sua detenção na semana passada, viu o seu público relaxar subitamente, deixando de se inibir em descrever o homem como ele realmente é. Talvez tenha visto o vídeo de 2022, agora amplamente divulgado, no qual o ex-oficial de segurança de Mountbatten-Windsor disse a um canal de notícias australiano que a alcunha que davam ao seu chefe real era "o filho da puta". Com um pouco mais de civilidade, o deputado trabalhista Chris Bryant chamou na terça-feira a Mountbatten-Windsor "rude, arrogante e prepotente", observações que podem ser úteis para explicar como Epstein conseguiu tamanha lealdade do oitavo na linha de sucessão ao trono. Em Mountbatten-Windsor, vemos um homem vaidoso, fraco e prepotente, a viver na sombra do irmão, e que Epstein pode ter atraído para uma amizade através de uma combinação de lisonja e demonstração de poder.

Crucial para esta abordagem é o facto de, a julgar pelos e-mails de Epstein, ele nunca ter sido subserviente, pelo menos não com Mountbatten-Windsor. O seu tom em relação ao ex-príncipe e à sua ex-mulher, Sarah Ferguson, muitas vezes roça a grosseria, dando-lhes ordens e impondo-lhes comandos numa espécie de paródia de um empresário ambicioso e dinâmico que está ali para oferecer ao casal uma hipótese de algo que nunca tiveram em toda a vida: relevância real e central. "Sarah, podes [sic] pedir a uma das tuas filhas para mostrar [censurado] Buckingham, por favor?", escreveu Epstein num e-mail de 2010 — dois anos após a sua primeira pena de prisão — no qual parece estar a pedir à antiga duquesa de York que mostre o Palácio de Buckingham a alguém. (A “Sarah” do e-mail respondeu no mesmo dia: “Claro”.)

Os professores do MIT provavelmente preocupam-se menos com a relevância do que dois ex-membros da realeza decadentes, mas podem, por outro lado, sentir inseguranças persistentes sobre o seu estatuto em relação às mulheres. Veja-se o caso de Marvin Minsky, o falecido professor do MIT que, segundo o livro de memórias de Giuffre, foi levado para a ilha de Epstein para ser vítima de tráfico sexual. Neste caso, o poder que Epstein exercia sobre homens como Minsky pode estar menos relacionado com o sexo do que com a auto-imagem. No livro de Giuffre, esta alega que, depois de um dia a andar de mota de água e a fazer atividades turísticas comuns, Minsky teve a ousadia de lhe pedir aquilo que Epstein anunciara como “uma das suas famosas massagens”. É uma passagem terrível, sobretudo porque, a acreditar no relato de Giuffre, Minsky está claramente muito constrangido com o que está a fazer. Dizem que Epstein ofereceu a este homem a oportunidade de viver uma versão fantasiosa de si mesmo que – pesquisem sobre ele no Google – está completamente fora da realidade, e, meu Deus, ele agarrou a oportunidade.

Foi aí que o falecido criminoso sexual se destacou: em extrair influência e proteção de pessoas poderosas, identificando e explorando as suas fraquezas. Como tal, compreendia algo melhor do que ninguém: que, por mais diferentes que fossem nos seus pormenores, estes homens, todos senhores do universo, ainda sentiam fundamentalmente que a vida os tinha prejudicado; que tinham direito a mais do que possuíam. Epstein podia ajudá-los com isso e, a julgar por como e com que risco continuavam a agradar-lhe, amavam-no por isso.

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sexta-feira, fevereiro 20, 2026

Tal como a nuvem radioactiva de Chernobyl, assim a mancha Epstein vai alastrando de país em país

 

Que havia sexo e traficância de menores é mais do que certo e sabido. Cenas de torturas com crianças ou de procriação forçada com roubo de bebés parece que também, embora as pessoas façam por não olhar de perto, tão horríveis parecem ser as revelações. Mas começam a desenhar-se também ligações ao negócio das armas. E parece também claro que havia lavagem de dinheiro -- dinheiro russo, com certeza, mas não se sabe se mais. E que era agente duplo, Mossad e CIA, também já se afirma como se não houvesse muitas dúvidas. Parece que há passaportes com outros nomes e já há congressistas a pedir informação à CIA. Mas suspeita-se também de ligações aos serviços secretos ingleses. Também se detectam ligações a Putin. Aliás, era coisa que ele gostava de descrever, aquela vez em que se encontrou com Putin, um verdadeiro filme, com escalas, destinos misteriosos.

À medida que se investigam os ficheiros mais e mais dúvidas vão surgindo (e, note-se, os que estão disponíveis são os ficheiros mais 'pacíficos' e estão amplamente rasurados, com grande parte ocultada, e serão metade do que há, sendo que há outros tantos retidos, por razões que o Departamento de Justiça ainda não explicou cabalmente). Quantos países estão comprometidos ao mais alto nível com segredos de estado divulgados? Quem, em cada país, fazia parte da rede?

Alguma vez se vai saber?

E ele? O que, de facto, lhe aconteceu? Foi assassinado ou retirado da cadeia? É que parece que já ninguém acredita na tese do suicídio.

Há até quem também já compare o fácies de Ghislaine Maxwell e o da mulher que foi ao Congresso (não) prestar declarações e conclua que não são a mesma pessoa, e que, a ser verdade, a amiga de Epstein já estará fora, provavelmente indultada, provavelmente posta a bom recato.

Tudo o que antes pareceria uma tresloucada teoria da conspiração agora parece apenas uma pálida amostra do que ainda há para saber.

O irmão do Rei foi chamado a depor e o seu biógrafo diz que o mais provável é que se pire pois já lhe ofereceram 'casa' num país árabe onde tem muitos amigos. A futura rainha norueguesa já pediu desculpa e os concidadãos olham para tudo o que se sabe com suspeição. Bill Gates cancelou a sua intervenção na maior web summit face às suas ligações, maiores do que se supunha, ao íman Epstein. E os casos sucedem-se. 

Por todo o mundo. Só nos Estados Unidos, o Departamento de Justiça iniste em assobiar para o lado. E Trump, esse folião demente, até já se gaba de que foi ilibado.

Les Wexner foi chamado a testemunhar no Congresso. Apresentou-se como vítima: diz que foi roubado por Epstein, centenas de milhões. Uma história mirabolante, de cabo a raso. Aliás, cada uma das ligações a Epstein daria, de per se, uma história de loucos. Veja-se esta. Como é que um multimilionário como Wexner passa a gestão da sua fortuna para um tipo que não tinha conhecimentos nem académicos nem práticos? Não tinha nenhuma licenciatura, tinha enganado o colégio em que tinha dado aulas como se fosse formado em matemática, daí tinha passado para analista financeiro de uma empresa de gestão de fundos em que cometeu uma fraude e foi despedido, depois dali, por ser desonesto, foi contratado para uma empresa fraudulenta pois, tratando-se de uma empresa que funcionava com base em esquemas, nada como um tipo esquemático, para aldrabar as contas... Dizem que Wexner se terá envolvido sexualmente com Epstein e que, a partir daí, ficou na mão dele. Se isso justifica que lhe tenha passado para a mão centenas de milhões de dólares, não se sabe. 

Na verdade, não se sabe se alguma vez se vai saber alguma coisa.

Dizem que foi por ter passado a ser também multimilionário que Epstein viu abrirem-se-lhe todas as portas da alta finança. E daí passou para a academia, para os negócios, para a política. Ou isso ou estaria formatado para ser um agente kompromat de alto gabarito. Ou isso ou tudo o resto que se possa dizer.

Tudo bizarro. E volto ao mesmo: como tinha ele tempo para tudo isto? Como tinha ele cabeça para tudo isto? Sozinho...?

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Dois vídeos, entre muitos outros possíveis, sobre o assunto e sobre os tempos presentes

Arquivos Epstein: mensagens de texto entre Epstein e Bannon desencadeiam guerra civil entre apoiantes de Trump, Wexner presta depoimento

As mensagens de texto recentemente divulgadas de Steve Bannon com Jeffrey Epstein provocam reações negativas entre os apoiantes de Trump, enquanto Les Wexner, antigo proprietário da Victoria’s Secret e figura-chave na ascensão de Jeffrey Epstein à riqueza extrema, presta declarações à Comissão de Supervisão da Câmara.

0:00 Imagens recentemente divulgadas mostram Steve Bannon a entrevistar Jeffrey Epstein
1:39 Troca de mensagens entre Bannon e Epstein
3:41 Como reagirá Trump à controvérsia em torno de Bannon?
4h31 O bilionário Les Wexner presta depoimento ao Congresso sobre as suas ligações a Epstein

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Trump deixa escapar o que o incomoda: Wolff | Dentro da cabeça de Trump

Michael Wolff junta-se a Joanna Coles para analisar porque é que a irritação pública de Donald Trump pode revelar mais do que qualquer fuga de documentos. À medida que os arquivos de Epstein desencadeiam uma onda de manchetes, Wolff defende que a verdadeira história não é o que foi descoberto recentemente, mas como a ampla divulgação dispersou a atenção, desviando-a de Trump para um número crescente de figuras periféricas — uma dinâmica na qual, segundo ele, Trump se apoiou repetidamente para sobreviver a crises passadas. Baseando-se nos encontros de Wolff com Jeffrey Epstein e na sua apresentação de Steve Bannon à órbita de Epstein após a saída de Bannon da Casa Branca, a conversa traça a forma como o ressentimento, a rivalidade e a obsessão com Trump uniram estes homens, mesmo enquanto Trump se apresenta agora como vítima de uma conspiração que envolve jornalistas e antigos adversários.
00h00 - Trump furioso no Air Force One
03h37 - O círculo de influência de Epstein alarga-se
06h54 - O comportamento de Epstein e as suas estranhas contradições
10h03 - A alegação de "exoneração" de Trump é examinada
11h32 - Melania questiona e evita a imprensa
14h58 - Porque é que o processo incomoda Trump?
18:21 - As ligações de Steve Bannon a Epstein
22h02 - O debate sobre a culpa por associação intensifica-se
25h44 - O medo de Trump sobre o que pode vir ao de cima
29h31 - Por dentro do padrão de ressentimento pessoal de Trump
33:05 - Estratégia mediática e indignação seletiva
36:42 - A política da distração e da negação
40h11 - Como Trump reescreve narrativas em tempo real
44h18 - O que este episódio revela sobre a mentalidade de Trump

quarta-feira, fevereiro 04, 2026

O grande polvo russo

 

O tema está na ordem do dia e meio mundo tenta juntar as pontas. Mais do que um pedófilo, um traficante de crianças e um charmoso manipulador, Epstein era também um espião? Um agente da Mossad? Ou um agente ao serviço da Rússia? Ou de ambos? Ou também da CIA?

Ou era um agente especializado em Krompomat -- material comprometedor ou documentos incriminadores; expressão originária do russo (abreviação de komprometiruyushchy material), refere-se a informações, fotos ou documentos obtidos para chantagear, desacreditar ou manipular figuras públicas, políticos ou empresários -- que depois alguém, pessoas ou instituições, usariam quando conveniente?

Estarão agora os russos com meio mundo 'ocidental' na mão (políticos, empresários, investigadores -- americanos, europeus e mais uns quantos) bem como com planos de tudo e mais alguma coisa na mão?

Parece que sim. Uma extensão insólita, impensável.

E a verdade é que Alexander Dugin (ou Aleksandr Dugin), o estratega russo, o grande defensor da reconstrução imperial da sonhada Eurásia, já começou a querer recolher dividendos. E, claro, os burros do costume já começaram a divulgar as suas ideias. Já recebi um comentário, que obviamente não publiquei, remetendo para um artigo publicado no blog pró Rússia do costume com um artigo dessa criatura.

Aliás, há não muito tempo, Putin, ele mesmo, fez um comentário que na altura soou a ameaça mas que parecia algo encriptada. Agora percebe-se. E usou expressões que Alexander Dugin agora usa. Estava a avisar, portanto. Trump certamente compreendeu-o pois está a obedecer-lhe caninamente.

Parece que depois de financiarem Epstein e incentivarem a depravação dos ricos, poderosos e bem-pensantes 'ocidentais', depois de recolherem provas e de os terem na mão, os russos agora vêm saltar em cima e hipocritamente denunciar a podridão 'ocidental'.

Claro que existe essa podridão, claro que é uma podridão que enoja, que revolve as entranhas, claro que todos esses tarados, perversos e e nojentos merecem punição, uma punição severa, merecem repúdio absoluto, rejeição social incondicional -- mas são eles, eles e só eles, eles e os que os protegeram. Não é toda a sociedade ocidental. E a sociedade russa (e a israelita) têm tanta fruta podre como a ocidental. Não se pode julgar uma sociedade no seu todo pela fruta podre que há no cesto.

Portanto, caros Comentadores do costume não venham para aqui tentar divulgar a cartilha russa pois aqui não serão bem acolhidos. Já deveriam sabê-lo.

De resto, creio estarmos perante a maior e mais extraordinária operação de espionagem jamais urdida e jamais levada a cabo. Só falta mesmo vir a confirmar-se que Epstein está vivo.

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A título de exemplo:

Epstein estava 'efetivamente envolvido no crime organizado russo' | Christopher Steele

“Rastrearam as atividades e operações de Epstein até à década de 1970.”

O antigo chefe da divisão da Rússia do MI6, Christopher Steele, afirma que, na sua opinião, já na década de 1970, Epstein estava “efetivamente envolvido com o crime organizado russo”.

segunda-feira, setembro 15, 2025

Pode uma pessoa ser um perigoso íman, cujo efeito electrizante e perturbador sobrevive à sua morte?

 

Partilho um vídeo de Agosto de 2023 por continuar a ser actual. Nessa altura, tal como antes e tal como depois e, na verdade, tal como agora, Epstein continua a ser um mistério que ninguém consegue deslindar. Jornalistas de todo o lado têm investigado a fundo e a conclusão é sempre a mesma: não conseguem perceber que pessoa era aquela, como se movia por tantos e tão poderosos meios, de onde lhe vinha a fabulosa fortuna, como atraía tantas pessoas que pareciam decentes e que, no entanto, sabendo-o um pedófilo compulsivo já condenado, continuavam a frequentar as suas casas e a manter tão dedicada amizade com ele.

Eric Weinsten está na mesma e conclui que para tal só pode haver uma explicação: acha ele que Jeffrey Epstein era uma construção, um ser forjado, era a pessoa que aparecia mas que, na realidade, atrás dele estaria uma estrutura, provavelmente os serviços secretos. Não é uma dúvida inédita. Que ele seria um agente da CIA ou da Mossad, um agente treinado para agir na base da chantagem -- e que 'agarraria' pelos testículos (pardon my french) tudo o que era gente poderosa, da política aos negócios, passando por cientistas, gente relevante do mundo universitário -- é rumor que circula desde há muito.

Não sei, claro. Se meio mundo que o investiga não consegue agarrar as pontas e ir atrás delas, claro que não era eu que ia saber. 

O que sei é que talvez algumas séries ou filmes que se façam sobre ele venham, através da ficção, revelar-nos algo de mais concreto do que hoje há.

E o que sei também é que, apesar de Epstein ter sido encontrado morto numa cela -- em que toda a gente que conhece o lugar e que o conhecia a ele diz que era impossível ter sido um suicídio e que tais ideias não lhe passavam pela cabeça -- o tema tem tais difusos contornos que continua a marcar o dia a dia da política americana, com muita gente a dizer que grande parte do que Trump faz é para desviar as atenções do tema pois toda a gente, Magas incluídos, querem que os ficheiros do caso sejam divulgados.

Seja como for, aqui fica o registo desta curiosa entrevista. 

[E aqui fica prometido que amanhã contarei como fiz as almôndegas a la italiana que, felizmente, foram consensualmente aprovadas e que não apenas foram servidas ao almoço como, com um ligeiro twist, vieram a ser também parte substancial do lanche ajantarado. Hoje já é tarde, se me ponho a dar a receita completa, deito-me tarde de mais. E agora vou tomar um relaxante muscular. O que tomei ontem, ao deitar, fez-me bem, mas a seguir ao almoço, tive que tomar um ben-u-ron de 1gr. Fiquei melhor enquanto fez efeito mas agora já estou, outra vez, bem apanhada. Portanto, mesmo que estejam para aí a lamber-se por umas almôndegas bem cheias de molho, bem italianadas, terão que esperar por amanhã. Mas guardem um bocadinho de pão para ensoparem no molhinho, ok? Quem vos avisa, vosso amigo é.]

The Night I Realised Epstein Wasn’t Normal - Eric Weinstein


E, já agora, um vídeo muito recente que faz uma resenha corrida de alguns factos e 'achados' relativos a esta personagem misteriosa.

The DISTURBING THINGS Found Jeffrey Epstein's Home


Desejo-vos uma boa semana a começar já por esta segunda feira.

sábado, agosto 16, 2025

Ainda a propósito do Relvas e não só:
É o destino, “for the time being"

 

A propósito do testo que escrevi ontem sobre o Bannon tugolaranja, Relvas, por aí andar a dar as tácticas a Montenegro (respaldado por Passos? ou a abrir caminho a Passos?), permito-me puxar para aqui, para o corpo principal do blog, um comentário bastante interessante.

[Mas, antes, um apontamento. Pouco tempo depois do Relvas ter deixado de ser ministro, e lembremo-nos que saiu pela porta pequena, foi almoçar, num restaurante ali à beira rio, para as bandas de Belém, com um empresário e com um outro artista, familiar (para não dizer familiar muito próximo) de um ex-primeiro ministro. Esse empresário contou-me depois que estavam a almoçar na esplanada e que algumas pessoas que passavam reconheceram-no, olhando parece que com um certo ar trocista, e que ele sorria, na maior. E uns jovens, de longe, gritaram 'Vai estudar ó Relvas'. E ele, sorridente, como se nada fosse. Perguntei: 'Mas, no fundo, deve ficar sentido, não...?'. Resposta desse empresário: 'Acha?! Estava, isso sim, a ver se me 'vendia' umas ideias... Pessoas como o Relvas, gente de esquemas, estão é sempre a ver se estabelecem ligações, se fazem pontes para negócios, coisas assim.']

Mas, então, aqui está o texto do Leitor a quem muito agradeço.

Relvas já tem alguém (Victor Sereno) da sua máxima confiança no aparelho de Estado, precisamente num alto e sensível cargo – o SIRP Serviço de Informações da República Portuguesa, um dos vetores das nossas “Secretas”). O “Dr.” Relvas (assumindo que terá entretanto concluído o tal curso que não possuía) foi buscá-lo (VS) ao MNE, onde já revelava sordidez, ou seja, estavam bem um para o outro – e ambos arrogantes qb.

Quanto ao Tribunal Constitucional, tal como é (ou foi concebido) não deveria existir. Isto porque um Tribunal não deve ter juízes nomeados, ou escolhidos, por razões políticas, como sucede, desde a sua criação. Só nos EUA, que não é um país democrático segundo os “standards” do Conselho da Europa (por causa do seu sistema judicial, cujos magistrados – juízes e procuradores – são nomeados e escolhidos por pertencerem ou aos Partido Republicano, ou Democrata, bem como o seu sistema eleitoral, aquele tal Colégio Eleitoral, onde não é facultado o voto directo) é que os magistrados são escolhidos pela sua simpatia ou filiação partidária.

Inclinava-me para, em vez de termos um Tribunal Constitucional, optássemos por uma Secção Constitucional no Supremos Tribunal de Justiça, com magistrados peritos em Direito Constitucional, a fim de dirimir as questões de carácter constitucional. Como não sucede assim, teremos em breve uns tantos trogloditas de extrema-direita sentados no Palácio Raton a decidir questões sensíveis de constitucionalidade, sabendo bem o quão desprezam esta Constituição. Afinal de contas, o Chega conseguiu eleger 60 energúmeros para a AR, sendo que um deles, Diogo Pacheco de Amorim, antigo bombista do MDLP, fascista/salazarista assumido, que desdenha a Democracia que o 25 de Abril nos devolveu, após 48 anos de Ditadura, é hoje um dos Vice-Presidentes da AR.

Mas, atenção, se hoje estamos onde estamos, com uma maioria de Direita radical (AD+Chega+IL), deve-se ao mau desempenho da Esquerda, em particular do PS, que não se soube assumir como alternativa ao trafulha do Montenegro e ao Chega (os restantes Partidos de Esquerda não existem, praticamente e alguns, BE, e PCP deverão desaparecer em próximas eleições).

Voltando a Relvas, faz o papel que bem sabe e sempre soube fazer, que é o de desgastar a oposição à esquerda do PSD. Um traste político, sem valores e princípios políticos. E teremos esta gente (AD+ Chega, com a mãozinha da IL) pelo menos nos próximos 2 anos, se não forem mais. É o destino, “for the time being”.

quarta-feira, agosto 06, 2025

Papa João Paulo II, Fidel Castro, Woody Allen, Mick Jagger, etc., etc. -- todos em fotografias com Epstein na sua galeria de conhecidos e amigos

 

Ver mais imagens da casa de Epstein em NY aqui ou aqui

Se há personagens misteriosos e fascinantes, sem dúvida que Epstein é um deles. Já vi uma série na Netflix sobre ele, já li muitos artigos, já ouvi entrevistas com quem o conheceu bem, e, no ponto em que estou, o meu desconhecimento sobre a sua vida e sobre a sua motivação permanecem totais.

Vejo que ninguém conseguiu descortinar a proveniência da sua extraordinária fortuna. Identificam-se algumas parcelas, mas nada que atinja a totalidade, identificam-se algumas alavancas (pessoas a quem ele pode ter burlado ou manipulado) mas, identicamente, nada que justifique o brutal amontoado de bens. Em tudo o que vejo e leio a conclusão é a mesma: não se compreende de onde veio toda a sua extraordinária fortuna.

Há muita gente que pensa que parte da sua fortuna proveio de chantagem. Havia câmaras por todo o lado. Milhares de horas de gravações. Muitas fotografias, algumas guardadas no seu cofre. Para alguma coisa seriam. Mas pode a chantagem atingir valores desta natureza? E, de resto, nas fotografias, se algumas daquelas pessoas estavam a ser chantageadas, pareciam felizes por sê-lo.

Já ouvi diversas referências a ele ter sido apontado como um activo da Mossad e/ou da CIA, que interviria em situações de chantagem, e isso justificaria parte do secretismo de que as denúncias e os processos judiciais sempre parecem ter estado revestidos. Mas, sendo tudo secreto, como saber se isso é verdade ou se é mais uma das muitas teorias da conspiração em que a cultura americana é fértil?

E é tudo muito estranho. Vindo de uma família 'normal', sem riqueza, não acabou nenhuma licenciatura mas, não se percebe como, conseguiu enganar um prestigiado colégio onde deu aulas de matemática. Por ser lá professor, foi contratado como analista financeiro para uma empresa. Depois, por lá trabalhar e por desviado dinheiro, foi contratado por quem queria uma pessoa com o perfil dele, ambicioso, inteligente, fura-vidas, sem escrúpulos. Aí geria um esquema fraudulento em pirâmide e, claro, pessoa de 'confiança, cativante, insinuante, tornou-se próximo do big boss, a que se aliou e com quem burlou meio mundo. Quando a fraude foi descoberta, o big boss foi preso, mas ele, milagre, safou-se. E assim foi andando e, em pouco tempo, já tinha conseguido comprar casarões, mansões, um big rancho, uma ilha privada, um avião, um helicóptero, arte a gosto e a eito, pagar a não sei quantos funcionários, pagar 200 dólares a cada miúda que ia fazer um serviço e 200 a cada miúda que arranjava outra, e era normal haver desses serviços três vezes por dia, pois, segundo diziam, sexualmente, era insaciável -- e, sempre, em tudo, à grande e à francesa. 

Pelo meio, tudo o que era CEO das grandes empresas americanas, políticos e académicos e gente do cinema, cientistas, prémios Nobel, realeza, tudo estava caído nos encontros que ele organizava, uns meramente de tertúlia (embora sempre houvesse meninas a circularem pelas casas), outros de pedofilia pura e dura. Toda a gente lhe conhecia a fama. E mesmo depois de ter sido condenado e cumprido uma pena (ridiculamente baixa), ou seja, mesmo depois de ser público que era comprovadamente um pedófilo compulsivo, continuou a reunir em volta de si a habitual corte de amigos e admiradores. Como se ser pedófilo fosse coisa de somenos. Foram identificadas centenas de vítimas mas admite-se que possam ultrapassar as mil. Não só abusava delas como as traficava. Ele e o seu alter ego feminino, a sinistra Ghislaine Maxwell, presença constante na sua vida. 

Era também um conhecido filantropo. Oferecia dinheiro a rodos para partidos, para associações de beneficência, para pagar estudos e investigações, para bolsas. Dizem que parecia sempre bem informado e toda a gente gostava de falar com ele. Prestava atenção, parecia ter estudado os assuntos. Diziam-no uma pessoa interessante, interessada, afável, cativante. 

Apesar da sua reputação e do seu cadastro, parecia que as pessoas gostavam de ser vistas com ele. Ou, então, era ele que gostava de ser visto com elas. Nesta história não consigo perceber os contornos de nada.

Nas revelações que hoje vieram a público no The New York Times e já com reflexo noutros media, nas molduras de uma das suas incríveis casas, em Nova Iorque, há fotografias dele a visitar o Papa, dele com Fidel Castro, dele com Musk, dele com Mick Jagger, dele com Woody Allen. Muitas fotografias. Não se vê ninguém com ar de ter sido torturado para ali estar a sorrir. Todos parecem felizes, aparentemente descontraídos e orgulhosos por estarem em tão importante companhia. 

Leio que era visita do Palácio Real britânico e que, aparentemente, emprestou dinheiro a Sarah Ferguson, a ex do Príncipe Andrew. A teia de amizades vai sendo revelada, parece infinita. E inexplicável. Como chegou ele a tanta gente? E para quê?

E depois há o seu grande amigo, Best Friend Forever, Trump. Li que se zangaram não por Epstein ter 'roubado' uma menina de 16 anos que trabalhava em Mar-a-Lago mas porque Trump deu cabo de um negócio imobiliário milionário que Epstein queria fechar. Dizem que Trump seria testa de ferro de oligarcas russos. E aqui entram os russos, de mão dada com Trump? Outra teoria da conspiração? Ou outra vertente do mistério?

Questiona-se também qual o papel de Melania no meio deste filme. E as hipóteses que tenho ouvido são todas igualmente bizarras. E, também aqui, o mistério tem contornos imprecisos.

Os grandes jornais americanos não estão a largar o que a Justiça americana, pela mão de Trump, anda a querer esconder.

Não sei se alguma vez vamos perceber os contornos desta história mirabolante mas, pelo que se vê, entretanto vamos continuar a ser brindados com novos episódios que, em vez de revelarem, ainda adensam mais o mistério sobre esta estranha nebulosa.

Para quem não consegue ver o artigo que hoje está a bombar no NY Times, aqui fica um vídeo onde se fala disso.

A Disturbing New Look at Jeffrey Epstein's NYC Mansion

New photos reveal strange statues, cryptic and disturbing letters, and the presence of long-rumored hidden cameras inside the townhouse on Manhattan's Upper East Side. 


Desejo-vos dias felizes

quinta-feira, junho 15, 2023

SIS

[A palavra ao meu marido e uma Nota pessoal de minha autoria]

 


Trabalhei numa empresa que tinha uma certificação em segurança da informação  (norma 27001). A necessidade da empresa ter esta certificação resultava de utilizarmos informação confidencial disponibilizada pelos nossos clientes que, naturalmente, não podia ser divulgada.  Os procedimentos necessários para obtermos/mantermos a certificação implicavam analisarmos as nossas vulnerabilidades. e definirmos  as ações necessárias para mitigar a probabilidade dessas vulnerabilidades originarem situações que pudessem pôr em perigo a confidencialidade, integridade e disponibilidade da informação que nos era facultada pelos nossos clientes.

Assim, primeiro identificávamos quais as situações de risco (avaria de equipamentos, possibilidade dos colaboradores copiarem informação, ataques informáticos,...). A seguir, para cada risco, tentávamos definir a probabilidade deste ocorrer e os danos que poderia causar, o que nos permitia, após alguns cálculos, conhecer quais eram os riscos de poderiam afectar de forma mais grave o bom desempenho da organização. Finalmente definíamos as medidas que deveríamos por em prática para mitigar a probabilidade de ocorrerem as situações mais graves.

Identicamente, para cada risco grave que, apesar das medidas preventivas viesse a concretizar-se, existia uma panóplia de planos de intervenção, muitos das quais passavam por reportar às entidades competentes a ocorrência do problema.

Suponho que  a  forma do Governo trabalhar no que respeita à informação sensível seja idêntica e, assim, presumo que tenha sido isso que aconteceu quando a Chefe de Gabinete, perante o roubo de um computador contendo informação sensível, reportou a ocorrência a quem de direito.

Identicamente o SIS deve reger-se por um conjunto de procedimentos. Identificará qual é  a informação sensível que não pode ser divulgada e definirá formas de atuar quando ocorre uma falha que origina o acesso indevido à informação ou a possibilidade de isso vir a ocorrer.

Ou seja, deve ter sido isto que aconteceu no caso do computador levado do Ministério pelo ex-assessor: foi reportado ao SIS que um computador com informação sensível tinha sido levado indevidamente pelo ex-assessor e o SIS promoveu a sua recuperação urgente. Deve ser compreendido que a intervenção do SIS não foi no sentido de recuperar o computador enquanto objecto mas sim a de tentar evitar a destruição de informação sensível ou a destruição de evidência de possíveis cópias indevidas,

Que os jornalistas e comentadores não entendam o que aconteceu é lamentável, que o Sr. Presidente da República deixe correr as coisas para tentar desgastar o Governo é infelizmente o habitual, que  a oposição se sirva de tudo  e mais alguma coisa para a luta politica é uma tristeza. 

Se, eventualmente, o SIS tivesse ficado "mudo  e quedo" e a informação confidencial fosse parar a quem não devia, a opinião dos jornalistas, dos comentadores, do Sr. Presidente e da oposição sobre o mesmo assunto, certamente seria exatamente o contrário daquilo que agora afirmam pois o que os move parece ser, apenas, o 'bota-abaixo'.

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Nota minha (UJM)

Uma vez que o meu marido trouxe a sua experiência pessoal sobre o assunto, trago também o meu conhecimento sobre temas afins

Trabalhei durante algum tempo numa empresa que, pela sua actividade, foi considerada por quem de direito como alvo apetecível quer do ponto de vista da espionagem empresarial, nomeadamente internacional, quer do ponto de vista de possíveis acções terroristas.

Obviamente estávamos certificados por todas as normas que garantissem a inviolabilidade da informação e das instalações bem como fomos informados e/ou instruídos por diversas entidades, incluindo pelo SIS, sobre os cuidados a ter e o que fazer caso alguma ocorrência anómala ou suspeita viesse a verificar-se.

Portanto, face à minha experiência, que o SIS tivesse sido informado e tivesse agido perante a ocorrência de informação sensível sobre infraestruturas críticas do País e sobre o plano de reestruturação da TAP estar nas mãos de uma pessoa não autorizada parece-me não apenas normal como bastante adequado.

Que as pessoas que não conhecem estes meandros estranhem que o SIS tenha sido avisado e que, uma vez avisado, tenha resolvido agir, não me espanta. Mas espanta-me muito que os jornalistas, os comentadores, a oposição e o Sr. Presidente da República, revelem não compreender uma coisa tão simples.

sábado, maio 20, 2023

Hoje não há CPIs.
Hoje o tema é a fofura do Koko e a graça e doçura de Robin.

 

Passa das duas da manhã e estive a trabalhar até agora. Tive um dia daqueles. Desde fazer máquinas de roupa e estendê-la ao sol e ao vento, limpar pó, varrer e sei lá mais o quê, até fazer a revisão (espero que final) a mais uma "obra". Um dia falarei sobre isso. 

Por isso, não vi televisão, não vi notícias. Nada.

Tinha ideia de aqui escrever uma ficção desenvolvida segundo a metodologia científica da validação de hipóteses. Primeiro enunciar as ditas hipóteses (por exemplo: suponhamos que o computador continha provas de que passava informação para um certo partido; suponhamos que continha provas de que passava informação para uns certos jornalistas; suponhamos que continha provas de que passava informações para umas certas empresas; etc). Depois identificar os meios de prova a usar na validação de cada hipótese. Depois tal e tal. 

Também tinha pensado ficcionar que eu própria já tive contactos com o SIS. Ou relatar, ficcionadamente claro, casos em que o SIS teve intervenção, e ainda bem, depois de algumas situações banais para uns, terem suscitado  atenção a outros.

Tudo ficcionado.

Mas, juro, já não consigo. É muito tarde.

Este sábado também vou entregar-me à faxina pelo que não sei se durante o dia consigo vir aqui quer agradecer os comentários quer desenvolver algumas ficções (que, obviamente, nada têm a ver com as mediatices e cavalices que por aí pululam).

Entretanto, à falta de melhor, viro-me para animais decentes e fofos. Vejam, por favor, porque é delicioso.

Koko's Tribute to Robin Williams

Robin Williams met Koko in 2001.   It was a very cheerful encounter for both, and Koko has treasured it to this day.  When Koko learned of Robin's passing (on Aug. 11, 2014) she became very sad.  We hope this video will lift her spirits and remind everyone of the profound gift of joy that Robin Williams brought to our world.


Bom sábado
Saúde. Bom trabalho ou bom descanso. Paz.

quarta-feira, maio 03, 2023

Os testículos de António Costa, a bicicleta de Marcelo, o SIS, a não demissão de Galamba e a cabeça de Holofernes como compensação aos que tanto salivavam pela cabeça do homem do brinco

 

Há coisas que não percebo, que me parecem altamente questionáveis. Uma delas é uma pessoa com o CV do Frederico Pinheiro ter sido Adjunto de um Ministro. Não vejo no seu percurso nada que o qualifique para tal. Pelo contrário, imagino o sacrifício que gestores experientes e capazes tinham que fazer para lidar com gente com esta inexperiência e desconhecimento do mundo real. É que, do mundo real pelo qual ele passou, o que vejo é que foi empregado de mesa e vagamente jornalista do SOL ou do Record, coisa que, convenhamos, pode ser respeitável mas não é, certamente, um extraordinário cartão de visita para um Adjunto de um Ministro das Infraestruturas. Tirando isso, o que vejo é o percurso da malta que anda de curso em curso, começando na comunicação, passando pela política, investigando coisas de duvidoso interesse, e que assim anda, mestrando-se e doutorando-se e, en passant, assessorando estes e aqueles.

Isto, sim, parece-me muito questionável. Ele e todos os outros e outras que, sendo amigos do BE ou do PS ou do que for, e frequentando os corredores das intrigas partidárias, acabam compensados com lugares bem remunerados como adjuntos e assessores. 

E falo no BE pois é público que  quem deu a mão a Frederico Pinheiro para ele se introduzir nestes meios foi Ana Drago. Transcrevo:

(...) de janeiro de 2013 a março de 2014, tornou-se assessor de Política Económica e Financeira da Assembleia da República, sob o aval de Ana Drago. A deputada assinou uma carta de recomendação onde dizia ter convidado pessoalmente Frederico Pinheiro para trabalhar como colaborador do Bloco de Esquerda. 

Estamos falados.

Além disso, do que vejo, Frederico Pinheiro estava há uns anos naquelas funções de Adjunto de Ministro. Ou seja, trabalharia com Pedro Nuno Santos e terá sido herdado pelo Galamba.

Se agora, por quebra de confiança, Galamba o demitiu, nada a dizer. Terá feito bem. Não se pode ter um Adjunto em que não se confia. E, tal como já o disse, fosse eu ministra, alguma vez quereria ter um Adjunto com um CV como o deste Fred...? É que nem pouco mais ou menos. 

E nem quero saber do folhetim das notas, tretas que são milho para pardais. Falo apenas do CV do amigo 'pessoal' de Ana Drago (sic).

Mais. Ficou agora a saber-se, pela reação do dito Frederico, que emocionalmente não será muito maduro e que, quanto a sentido de Estado, tem sido a tristeza que se tem visto: despeja mensagens e mails para a comunicação social, levou (sem autorização) um computador do ministério com informação classificada, teve reacções violentas, etc. Portanto, face a isto, ainda mais razão há que dar a Galamba. Se o exonerou, se calhar o que há a censurar é que só tenha sido agora.

Volto a dizer que o que me preocupa nisto é, sobretudo, pensar que há gente deste calibre nos ministérios.

De resto, não percebo bem que 'culpas' se atribuem a Galamba. Não pode ser o brinco. Se ele tivesse um piercing num neurónio eu poderia ficar preocupada, talvez lhe afectasse o raciocínio. Agora um piercing na orelha não vejo que isso prejudique o seu trabalho.

Pelo contrário, não tenho ouvido dizer mal a quem tem lidado profissionalmente com ele, em especial quando estava na Energia.

No meio desta catadupa de suspeições e acusações, parece que agora se pede a cabeça dele por supostamente o Ministério ter contactado o SIS. Só que penso que as pessoas pensam que o SIS foi contactado para recuperar um computador roubado quando isso era caso para a PSP.

Ora tenho a dizer que eu, no lugar do Galamba, teria pensado e feito o mesmo que ele. Se um computador com informação classificada e sensível para o Estado está nas mãos de alguém ressabiado que foi demitido, então deve ser dado o alerta ao SIS. 

Se calhar as pessoas pensam que o SIS só deve ser alertado em caso de terrorismo ou coisa do género. Errado. Tanto quanto julgo saber, o SIS deve ser alertado sempre que esteja em causa zelar pelos interesses do País, nomeadamente quando se pensa que informação sensível pode ir parar a mãos que a usarão contra os interesses do país, seja em temas com contornos económicos, estratégicos ou outros.

Já participei em operações de venda de empresas. É sempre um tema sigiloso em que a informação tem que ser restrita e acessível apenas a quem é inequivocamente capaz de guardar segredo seja em que condições forem. Qualquer fuga indesejada de informação prejudica sempre quem vende.

Por exemplo, tendo o Frederico Pinheiro no computador o plano de reestruturação da TAP é certo e sabido que, se alguma informação transpira para os potenciais compradores, logo o que lá consta será sinónimo de um desconto. Se, por exemplo, lá consta que, para modernizar a empresa, se terá que investir 200 milhões de euros, logo qualquer comprador dirá que vai abater essa verba ao valor que ia oferecer. Branco é, galinha o põe.

Escusado será dizer que quaisquer empresas compradoras se 'pelam' por obter informações (e são conhecidas algumas práticas pouco recomendáveis para aliciar interessados em passar essas informações). 

É obrigação do SIS zelar por que os interesses do País sejam acautelados. Não nos esqueçamos que se o negócio correr mal (e não me refiro apenas ao preço de venda) é Portugal que ficará prejudicado. 

Portanto, quem anda por aí na maior histeria por o SIS ter sido alertado só pode ignorar isto.

De resto, gostei da intervenção de António Costa. O meu marido comentou: Tem tomates. Mas eu, que aqui escrevo, porque acho que, sendo ele Primeiro Ministro, devo ter algum tento na língua, digo apenas que acho que ele os tem no sítio, referindo-me naturalmente aos seus respeitáveis testículos.

Não se pode governar em função dos bugalhos desta vida nem dos jornalistas que, esquecidos que a sua missão é informar com isenção, resolveram todos saltar para a ribalta para tomar partido e para defender acerrimamente quem lhes dá na bolha, sem um pigo de racionalidade ou isenção. Não se pode governar indo atrás de bocas ou de humores. Há que ter os pés na terra e agir com objectividade. 

Gostei bastante do ouvir o Costa. Acho que tem coluna vertebral, que tem cabeça, que tem os pés na terra, que não vai em cantigas.

[Que eu gostaria que o Costa conseguisse arregimentar para o seu Governo gente de alto calibre como, no seu tempo, foram Álvaro Barreto ou Nobre da Costa, claro que sim. Mas duvido que, nos tempos de hoje, com a chusma de besouros venenosos e melgas palradoras que enxameiam a comunicação social, pessoas experientes e competentes largassem os seus empregos para se irem sujeitar à vida política de hoje em que meio mundo se acha no direito de enlamear quem ousa afirmar a sua vontade.

Curiosamente, há pouco, ao falar com o meu filho, pessoa competente, experiente e com um trabalho que o motiva, disse-lhe isto e perguntei-lhe se ele, por exemplo, aceitaria ir para ministro, ele disse-me que sim, Fiquei muito admirada. Percebi que gostava de servir o País. Contudo, acrescentou que, não estando ligado a nenhum partido e, portanto, sem ligação a qualquer aparelho, não seria recomendado e, portanto, não seria convidado. E que, portanto, a questão nem se põe.

Não sei se será assim mas, na volta, é mesmo. Não sei como funciona a selecção de nomes ministeriáveis mas, do que se tem visto, de facto António Costa não tem conseguido sair da bolha política do partido.

Mas isto é um tema geral, que transcende o Costa, que transcende o PS, que transcende o PSD. É uma questão de regime. E é um tema sério, basilar. Por isso, tenho falado que este assunto, sim, seria um tema que Marcelo deveria agarrar: como conseguir atrair para a política -- e para a governação, em particular --, gente séria,  experiente e competente?]

Mas, no tema em concreto do Galamba, nas actuais circunstâncias, percebo que António Costa tenha tomado a atitude corajosa que tomou, dando o peito às balas para seguir a sua consciência. Revela sentido de Estado, revela princípios, revela cabeça fria, revela coragem, revela liderança. É o que se espera de um Primeiro-Ministro.

Já o que não percebo é a reacção de Marcelo ao emitir uma Nota em que mostra publicamente o desacordo perante a posição de António Costa. Não percebo mesmo. E não gostei. Fiquei, até, incomodada. Todos os comentadores se agarrarão agora a isto, explorarão este publicitado desacordo ad nauseam. E isso não é saudável para a democracia. Parece-me uma reacção semelhante à do 'puto' Fred que, fulo por ter sido demitido, invadiu o ministério, roubou o computador e, segundo li nas notícias, atirou a bicicleta contra as portas de vidros. 

Falta a Marcelo o que Costa revelou na sua intervenção. Marcelo -- que já se tinha esticado ao deixar que anunciassem publicamente o seu pedido de demissão do Galamba e que tem andado a atear a fogueira da dissolução para gáudio das mediáticas marabuntas --, escusava de ter-se exposto ainda mais com esta Nota. Diminuiu-se publicamente.

Espero que reconsidere e se reposicione pois, em minha opinião, com esta Nota, qual bicicleta atirada contra os vidros de São Bento, prestou um mau serviço ao País (e desgastou, ainda mais, a sua imagem).

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Para os que se sentiram defraudados por Costa não nos ter servido a cabeça do Galamba, para ver se se acalmam, junto várias pinturas que mostram Judite com a cabeça de Holofernes na mão. 

Menina mais castigadora que só visto...! Estava mesmo bem como comentadeira, esta Judite. Era ela e a Moura Guedes. Olha que duas.

(NB: O Holofernes é barbudo e não tem brinco, lamento, mas é o que se arranja).

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Um bom dia

Saúde. Tino. Paz.

sexta-feira, julho 22, 2022

Em férias, pouco tenho a dizer.
Por isso, com vossa licença, a palavra aos chefes dos espiões

 

Estou num daqueles dias. Adormeço por dá cá aquela palha. Os dias a sul têm estado quentes, difíceis de estar ao sol. Não têm sido férias iguais a outras. Desde que os meus filhos eram adolescentes que não saíamos para férias em família. Além disso, mesmo nós dois, há dois anos, com a pandemia, que não saíamos. Agora parece que os tempos da sarna acabaram. Ninguém usa máscara, há gente por todo o lado, parece que nada aconteceu pelo meio. O meu marido ainda anda com o frasquinho de álcool gel mas eu, salvo situações mesmo merecedoras, já me deixei disso.

De tarde, fui saber se ainda havia hora de massagem para hoje. A menina devia ter tido uma desistência e disse, toda animada, que só se fosse naquele preciso momento. Respondi que por mim poderia ser mas que não tinha trazido nenhuma máscara. Uma salinha fechada e ela em cima de mim pareceu-me proximidade e risco a mais. Diz ela, continuando animada: 'Ah, não faz mal... não é preciso...!'. Temendo desiludi-la, arrisquei: 'Mas é por mim... eu é que prefiro. Será que me arranja uma?'. E ela arranjou-me e eu pus-me nas mãos dela. Difícil foi escolher o tipo. Todas com nomes artilhados, cada um sugerindo milagres. Optei pela mais simples. Uma hora para me rebalancear, seja lá o que isso for. No fim estava tranquila, zen, tão balanceada como antes. 

De manhã, fomos passear pelo centro da cidade não só porque estava com saudades como a minha mãe estava com uma certa carência de andar a ver montras. Com o sol que estava, um chapéu novo veio-lhe mesmo a calhar. E eu, que juro a pés juntos que não preciso de roupa até aos últimos dias da minha vida (mesmo que dure até aos 200) cedi à tentação de um vestido verde escuro com umas flores azuis. A vendedora era muda mas entendemo-nos gestualmente. Uma simpatia. Quinze euros. Vesti-o por cima do macaco que trazia vestido e ela segurou um espelho grande. Depois, semicerrando os olhos, fechou os dedos da mão direita, levou-os aos lábios como se soltasse um beijo de apreço. Também gostei. Enquanto isso, o meu marido fazia tempo passeando o cão. Quando cheguei ao carro, disse com aquele seu ar jocoso: 'Vieste de Lisboa de propósito para comprar um vestido nas barracas de Lagos'. Não são barracas, são umas tendinhas em que os vendedores são uns ciganos e ciganas que são uma simpatia. E têm vestidos giríssimos e muito em conta. 

E, portanto, com estes calores, tem sido uma semana à maneira. Trouxe um livro mas não me sobra tempo. Termos trazido o nosso urso cabeludo tem sido uma experiência e tanto. O balanço, ao fim de uma semana, é que penso que não é lá grande ideia nem para ele nem para a família. O hotel é dog friendly (e o dog paga diária), temos ido a restaurantes dog friendly, a praias dog friendly. Mas o animal não descansa, quando alguém se aproxima fica num stress e nós também estamos condicionados. Acho que, para a próxima, vamos apostar no hotel para cães

Quase não tenho feito fotografias. Há sempre tanta coisa que nem me dá tempo. 

Claro que não sei de notícias ou fofocas. Estou completamente out. Não sei de nadica de nada. Antes de abrir o blog espreitei o Guardian e vi alguns vídeos. Não sei se é bom, se é mau andar alienada mas é assim que me sinto, fora deste nosso mundinho. Preocupada com ele mas a gostar de estar fora.

Por isso, não estranhem se, na ausência de conversa própria, me dedique a partilhar este vídeo que versa aquele tema que me tem consumido. Quero perceber, ver sob diferentes ângulos.

Former spy bosses discuss Ukraine and Putin's invasion - BBC Newsnight

The former heads of MI6 and the CIA gathered at Bletchley Park for a book launch and wanted to talk Ukraine and Russia.  


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As pinturas de Yue Minjun estão aqui apenas para não me esquecer que em qualquer circunstância é bom arranjar um espaço para a gente se rir

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Desejo-vos uma feliz sexta-feira
Boa sorte. Boa onda. Saúde. Paz.

quarta-feira, maio 25, 2022

Um mistério que esconde outro mistério que esconde outro mistério.
Uma matriosca de mistérios.

 

Já aqui o referi: fico passada comigo mesma por verdadeiramente nunca me ter ocorrido que Putin era um perigo não apenas para os russos como para o resto do mundo. Eu sabia das prisões e dos envenenamentos e achava que isso era lamentável, desastroso. Por isso, obviamente não simpatizava com Putin. Também sabia da invasão da Crimeia, das suas incursões em território alheio, mas ou porque estava mal informada ou mal informada, relativizava. Tinha ideia de que, às tantas, o desenho das fronteiras tinha sido impreciso e que se tratava de pôr o risco um bocado mais para leste, coisa sem grande relevância internacional e que merecia (mais ou menos) o apoio das partes envolvidas. Lembro-me de participar em conversas sobre isso mas a ideia que tenho é que ninguém sabia bem o que dizia. E havia aquilo dos hackers russos e da espionagem económica e de outro tipo. Falava-se que não eram hackers por conta própria mas que era o próprio estado russo que o fomentava. Sabia, achava grave, mas também há os chineses, os coreanos. Ou seja, relativizava. E havia também a ingerência russa nas eleições ocidentais. A ser verdade, seria muito grave. Mas não sabia se seria mesmo verdade. Podia ser chicana política. 

Ou seja, desvalorizei. Não liguei as pontas. A minha perspicácia falhou em absoluto. Se cada um destes factos já seria grave de per se, quando juntos não deixam margem para dúvidas de que o perigo é real e não poderia ser desvalorizado.

O meu marido tenta apaziguar a minha auto-condenação: diz que não era a mim nem aos civis em geral que competiria mapear os riscos e alertar a comunidade internacional para os riscos não negligenciáveis que estavam a desenhar-se para os países vizinhos e não alinhados com a Rússia e, por essa via, para o mundo em geral -- era aos serviços secretos de todos os países.

Então como é possível que tenham falhado todos? Ou não falharam... e os políticos é que não os levaram a sério? Mas, então, porquê?

O que falhou? Alguma coisa foi. Aliás, muitas coisas foram.

Já se sabia (e agora sabe-se mais e melhor) como a Rússia tinha (e tem -- e agora bem à vista de todos), espalhados pelos mais diferentes centros de decisão (na política, na comunicação social, nas forças armadas, no meio académico, etc), agentes de influência que canalizavam informação nos dois sentidos. Mas isso não acontece apenas com a Rússia e, portanto, até aí, nada de mais. Mas os agentes dos serviços secretos dos países ocidentais não perceberam qual o rumo que a estratégia russa estava a seguir? Ou os políticos estavam todos cegos? Todos...? Ainda se fosse apenas um ou outro... Agora todos...?

Não percebo -- e, se alguém aí desse lado o percebe, muito agradeceria que me explicasse. É que tudo isto me deixa deveras intrigada.

Penso que os investigadores têm aqui um manancial de informação por explorar. Muito há por perceber em toda esta história de horror.

Twenty Years of Putin Playing the West in 3 Minutes | NYT Opinion

Vladimir Putin, especially these days, is widely reviled. To some he’s a war criminal, to others he’s a dictator, and to many he’s simply a very bad man.

But it wasn’t always this way.

We trawled through video footage from 20 years of international summits, speeches and news conferences and discovered a man who once basked in high regard: the one who went fishing and dancing with George W. Bush, who fell into warm embraces with Tony Blair and whose jokes had NATO’s leaders rolling on the floor with laughter.

As the Opinion Video above starkly reveals, Western leaders once considered Vladimir Putin not just an ally, but also, apparently, a friend.

Even if they were simply giving him the benefit of the doubt for political purposes, they were taking a naïve gamble of historic proportions: Be nice to Putin, and maybe he would be nice back.

It’s true that this brand of personal diplomacy scored some significant security victories. Arms control treaties were signed, and Putin allowed U.S. jets to strike the Taliban from bases in Russia’s satellite states.

But as Russian tanks rolled into Georgia in August 2008, Bush learned that his eight-year friendship with the Russian leader had earned him zero leverage over Putin’s territorial ambitions.

While it’s debatable whether Western governments could have foreseen the bloody horizon of Putin’s vision, let’s now be clear about one thing: Personal diplomacy doesn’t work when you need it most.


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Pela parte que me toca, já se sabe.


domingo, abril 24, 2022

Entretanto, desde a invasão da Ucrânia, alguns oligarcas russos desataram a cair como tordos

 

A ver se daqui a nada mudo um bocado de agulha pois, apesar da minha mente continuar ocupada com a tragédia ucraniana e com a impensável selvajaria de Putin, sinto alguma necessidade de falar de outras coisas.

Mas, ao preparar-me para mostrar qual a última moda, ao ir procurar um vídeo que o ilustrasse, apareceu-me este que aqui abaixo partilho. 

Na verdade, um caso é um caso isolado, nada a dizer, coisas destas acontecem. Dois casos são dois casos, violência e crimes acontecem, nada a dizer. Mas quando aparecem mais, na verdade, já se começa a achar estranho. Além do mais, o historial da Rússia nestas matérias não é coisa pouca. Qualquer série que meta serviços secretos, kgb ou kremlins, inclui também crimes que não deixam rasto.

Seja como for, não me pronuncio. A realidade anda alucinada, supera a mais tresloucada ficção. Limito-me a partilhar o vídeo.

Curious Number Of Russian Oligarchs Have Died Since Invasion Of Ukraine

Ali Velshi reports on four separate instances of Kremlin-connected, extremely wealthy Russians with ties to the oil industry who have died by suicide since Russia's war in Ukraine began. 


E até já

segunda-feira, abril 11, 2022

E é só preciso criar a dúvida

 

Todos ficámos chocados com as imagens de Bucha. Que significado tem este momento nesta guerra? Pode ter sido um momento decisivo?

Pode e é decisiva. Bucha só veio confirmar aquilo que era expectável num conflito deste tipo. Era uma questão de tempo para quem conhece a natureza de base do exército russo, o estado moral, a desorganização e a corrupção que existe e até a forma como algumas das unidades foram enviadas para a frente, não podíamos esperar outra coisa.

Não sei se estaríamos à espera que acontecesse precisamente em Bucha, mas era uma tragédia à espera de acontecer e que não ficará certamente por aqui.

Pode alterar a estratégia russa?

Acho que a Rússia vai ser mais cautelosa. Tomaram logo medidas de contrainformação no sentido de lançar confusão para criar a dúvida sobre a autoria do massacre.

E é só preciso criar a dúvida. Mas não me parece que funcione. Ou só funcionará junto das pessoas que, ou são caixas de ressonância da mensagem russa, ou querem ser, ou têm uma visão paralela que pode conduzir a uma aparente neutralidade.

Sabem que em tempos de guerra para reunir uma comissão de investigação independente para ir lá é complicado.

É óbvio que não foram os ucranianos a matar 400 ucranianos. Não passa pela cabeça de ninguém. Só mesmo alguém que esteja perturbado.

O que interessa à Rússia, ao lançar esta dúvida, é evitar um agravamento das sanções e que as caixas de ressonância da mensagem russa continuem ativas.

Europeus e americanos não perceberam que este regime russo é como um cancro. É um cancro que devora tudo aquilo que não se assemelha a ele e que tem de crescer, porque se não crescer estagna e morre. Não tem mais que enganar.

E como é que se estanca esse cancro?

Infelizmente, e sendo absolutamente cínico, estanca-se com a resistência da Ucrânia, com as mortes ucranianas. Estanca-se com o drama que está a ser vivido pelo povo ucraniano que está a lutar também por nós, o trabalho pela Europa.

Se não fosse o povo ucraniano e a resistência das Forças Armadas ucranianas, que ninguém tenha a mínima dúvida que o tempo que mediou 2008, da Geórgia até 2014 na Crimeia e daqui até 2022, passaria a ser mais curto - e atingiria a Geórgia novamente, o resto da Ucrânia, a Arménia e depois os países, que na alucinação geo-estratégica de Putin, são considerados seu espaço de influência.

As pessoas tendem a esquecer-se rapidamente, mas o que o presidente Putin fez, não tem defesa possível: intimidar a Suécia, a Finlândia, países que nunca fizeram nada e ele não hesitou em passar aviões com armas nucleares pelo espaço aéreo da Suécia, um autêntico bully.

Aquilo que me espanta é algumas pessoas que defendem a posição russa serem quase como alguém que defende o agressor sexual. A culpa é da mulher porque anda com uma roupa provocante.

Só que esta provocação - sendo discutível se a Ucrânia provocou ou não - é o exercício da liberdade.

É um país independente com vontade própria que conhece melhor do que ninguém o que se pode esperar do regime russo. Sei que há países mais fortes do que outros, mas não posso admitir uma ordem internacional que continue a assentar na força.

É por isso que lutamos pela democracia, pela liberdade das pessoas e dos povos. O que o presidente Putin quer é que se privilegie a força.

Admira-me como pessoas de países democráticos, sobretudo os mais pequenos, estejam a defender que o regime russo terá alguma razão porque estaria a ser provocado.

 

[Excerto da interessante entrevista ao Diário de Notícias de Jorge Silva Carvalho, ex-diretor do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) e antigo chefe da "Casa da Rússia", a unidade de contraespionagem para os países da ex-URSS]

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Algumas imagens do The Guardian

Chervonohrad, Ukraine
Myroslava Mamchuk holds a picture of her godson, Ukrainian soldier Dmitry Zhelisko, during his funeral at the Church of St Volodymyr in Chervonohrad. Zhelisko died fighting the Russian army near the town of Kharkiv.
Photograph: Joe Raedle/Getty Images
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Bucha, Ukraine
A man, who said that Russian soldiers broke his arm, stands outside his house in Bucha. Russia stands accused of ‘terrible’ war crimes, as western leaders condemned the killings of unarmed civilians in Bucha and the surrounding areas of Kyiv in alleged atrocities that prompted fresh demands for tougher action against Moscow.
Photograph: Alkis Konstantinidis/Reuters
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Bucha, Ukraine
Tanya Nedashkivs’ka mourns the death of her husband, killed in Bucha.
Photograph: Rodrigo Abd/AP

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