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domingo, junho 07, 2026

Ora vamos lá a saber: quanto tempo consegue aguentar-se apoiado/a numa só perna?

 

Hoje a minha filha referiu a importância do equilíbrio numa única perna enquanto indicador da longevidade.

Por acaso, já sabia e até é uma coisa que pratico sempre que vou ao ginásio; e, mesmo em casa, volta e meia gosto de me apoiar numa única perna. Aliás, já o fazia antes de saber disto. Gosto de o fazer.

Então, estive a mostrar-lhes. E ela também esteve a fazer o teste. E um dos rapazes, um verdadeiro pernilongo, também. Mas esse faz toda a espécie de movimentos enquanto, em contínuo e durante um tempo que não acaba, se apoia numa única perna -- só que não conta como termo de comparação pois não apenas ainda só tem quinze anos, recém feitos, como é desportista a sério.

Porque é um tema de interesse geral, para poder partilhar a fundamentação científica, pedi explicações ao Gemini. Para facilitar a leitura, retirei as referências e a explicitação das fontes, nomeadamente os links para os textos científicos.

O Equilíbrio como Biomarcador de Longevidade: O que o Teste da Perna Única Revela em Qualquer Idade
A capacidade de uma pessoa se manter em apoio unípede (numa só perna) deixou de ser vista apenas como um teste de agilidade e passou a ser classificada pela comunidade médica como um biomarcador vital do envelhecimento sistémico. O tempo exato que o corpo consegue sustentar nesta posição serve como um preditor direto da saúde neurológica, cardiovascular e do envelhecimento biológico, aplicando-se desde os jovens adultos até à terceira idade. 
O Declínio Silencioso: Começa aos 30 Anos 
Muitas vezes associa-se a perda de equilíbrio à velhice, mas os dados clínicos mostram o oposto. Investigações da Mayo Clinic publicadas na revista PLOS One comprovaram que, entre a marcha, a força muscular e o equilíbrio, o tempo de suporte na perna não dominante é a variável física que declina mais rapidamente com o envelhecimento .
Este processo inicia-se logo a partir dos 30 anos devido à perda gradual de massa muscular (sarcopenia) e à diminuição da velocidade de condução dos sinais nervosos. O Unipedal Stance Test (UPST) estabelece os tempos normativos (de olhos abertos) esperados para um organismo saudável ao longo da vida, servindo como uma métrica de avaliação da idade biológica:
  • 30 a 49 anos: ~60 segundos
  • 50 a 59 anos: ~45 segundos
  • 60 a 69 anos: ~40 segundos
  • 70 a 79 anos: ~26 segundos
  • Mais de 80 anos: ~10 segundos
Quando um adulto jovem ou de meia-idade falha significativamente estes tempos, o seu corpo está a emitir um sinal de alerta de envelhecimento prematuro.

Isolando o Sistema Neurológico: A Variante de Olhos Fechados
Na prática clínica, os médicos utilizam uma variação avançada deste exame para avaliar a integridade do sistema nervoso de forma pura, eliminando a compensação visual: o Teste de Apoio Unípede com Olhos Fechados.
Ao fechar os olhos, o cérebro deixa de poder utilizar a visão para corrigir a postura. Isto obriga o sistema nervoso central a depender exclusivamente de dois sistemas internos: o sistema vestibular (localizado no ouvido interno) e a proprioceção (os recetores nervosos em músculos e tendões que mapeiam a posição do corpo no espaço).
Por ser um teste de stress neurológico, as médias populacionais normativas de olhos fechados são substancialmente inferiores e revelam falhas de conectividade precoces:
  • 30 a 39 anos: ~26 segundos
  • 40 a 49 anos: ~13 segundos
  • 50 a 59 anos: ~8 segundos
  • 60 a 69 anos: ~4 segundos
  • Mais de 70 anos: ~2 segundos

Mecanismos Biológicos: Por que Razão o Equilíbrio Prevê Doenças Ocultas?
Por requerer uma integração complexa entre o cérebro e a periferia do corpo, a incapacidade de manter a estabilidade unípede (pelo tempo esperado para a idade) serve como um indicador precoce de patologias assintomáticas:
  1. Lesões Cerebrovasculares Subclínicas: Um estudo publicado na revista Stroke da American Heart Association demonstrou que a incapacidade de manter o equilíbrio unípede por mais de 20 segundos (de olhos abertos) está fortemente associada à presença de doença de pequenos vasos cerebrais, micro-hemorragias cerebrais silenciosas e enfartes lacunares assintomáticos, funcionando como um aviso prévio em adultos aparentemente saudáveis.
  2. Declínio Cognitivo Prematuro: Uma redução drástica ou acelerada no tempo de suporte unípede ano após ano serve como um sinal precoce de atrofia cerebral e perda de integridade das vias neurais, antecedendo frequentemente a perda de memória detetável.
  3. Danos Metabólicos e Neuropatia: A dificuldade extrema no teste, especialmente de olhos fechados, indica frequentemente que os recetores periféricos das plantas dos pés estão a perder sensibilidade. Este é um reflexo comum de condições metabólicas crónicas e silenciosas, como a diabetes tipo 2 em fase inicial ou não controlada.

O Impacto na Longevidade a Longo Prazo
Em termos de mortalidade tardia, o estudo clínico longitudinal publicado no British Journal of Sports Medicine determinou que indivíduos de meia-idade e idosos que não conseguem sustentar a posição por apenas 10 segundos (de olhos abertos) apresentam um risco 84% maior de mortalidade por qualquer causa na década seguinte
O equilíbrio não é uma capacidade estática; reflete o nível de atividade física acumulada, a força do core e a eficiência neurológica. Monitorizar e treinar esta competência desde jovem através de exercícios simples do dia a dia é uma das estratégias mais eficazes para preservar a integridade do sistema nervoso e garantir a longevidade funcional.
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Nota

Para fazer o teste em casa, há que ter em atenção o seguinte:

Se quiser testar o seu equilíbrio de forma realista e comparável com os estudos científicos, ignore a imagem do vídeo abaixo (que se destina a mostrar como exercitar o equilíbrio), e siga estas regras:
  • Faça o teste descalço.
  • Cruze os braços no peito.
  • Suba um pé sem deixar que ele toque na outra perna.
  • Acione o cronómetro (e feche os olhos, se for essa a variante que quer testar)
O que INVALIDA o teste (O cronómetro para se):
  • Rodar ou arrastar o pé de apoio: O pé que está assente no chão tem de ficar totalmente fixo. Se o calcanhar ou a planta do pé rodarem, deslizarem ou derem pequenos saltos (saltitar para não cair), o teste termina ali. 
  • Girar ou inclinar muito o tronco: Inclinar o corpo excessivamente para o lado oposto, rodar as ancas ou fazer uma torção acentuada da coluna para contra-atacar o desequilíbrio é considerado uma falha de controlo postural. 
  • Descruzar os braços: Se a pessoa rodar o tronco e, nesse processo, afastar os braços do peito ou das ancas para se agarrar ao ar, o tempo é interrompido. 
O que é PERMITIDO (O cronómetro continua a contar):
  • Micro-oscilações: Pequenos tremores involuntários nos tendões do pé e do tornozelo são aceitáveis. É o sistema somatossensorial a trabalhar em tempo real para manter o eixo.
  • Movimentos da perna elevada: Desde que a perna que está no ar não toque na outra perna, no chão ou em objetos, ela pode mexer-se ligeiramente para ajudar na compensação.
Para garantir a máxima precisão ao realizar o teste em ambiente clínico ou doméstico, o avaliado deve focar-se em manter-se o mais imóvel e "alinhado" possível, funcionando como uma coluna única
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Minuto da Clínica Mayo

O que é que estar de pé sobre uma perna só pode dizer sobre a qualidade do envelhecimento de uma pessoa?

Medir a qualidade do envelhecimento de uma pessoa pode ser tão simples como equilibrar-se numa só perna. Pode não ser fácil para todos manter o equilíbrio numa só perna, mas, de acordo com um inquérito da Mayo Clinic, este pode ser um indicador fiável do envelhecimento neuromuscular tanto para homens como para mulheres.
Neste vídeo da Mayo Clinic, o Dr. Kenton Kaufman, professor de investigação musculoesquelética W. Hall Wendel Jr. e responsável pelo estudo, explica as conclusões e porque é que nunca é tarde para melhorar o equilíbrio.

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Portanto, vamos lá todos a treinar, a exercitar. E, caso pretendam atingir a vida eterna, é treinar até conseguir chegar até onde esta bailarina chegou. Mas, e aqui fica um conselho amigo, não o façam em cima dos ombros do vosso marido ou namorado ou companheiro pois ele pode ir-se abaixo nas canetas. 

Ballet nos Ombros: O Impressionante Pas de Deux do Ballet Acrobático Chinês que Encantou Monte Carlo

Um deslumbrante pas de deux acrobático da Trupe Acrobática de Cantão/Cantão, apresentado no estilo frequentemente descrito como "ballet sobre ombros". A performance combina a elegância do ballet clássico com a extraordinária técnica acrobática chinesa, apresentando delicados movimentos de ponta, elevações, equilíbrios e controlo preciso das mãos.

Esta célebre peça está intimamente ligada aos artistas Wu Zhengdan e Wei Baohua, cujo pas de deux de ballet acrobático ganhou o prémio Clown d'Or no Festival Internacional de Circo de Monte-Carlo em 2002. A sua aclamada técnica de "ballet sobre ombros" tornou-se posteriormente uma inspiração fundamental para o ballet acrobático completo O Lago dos Cisnes, coreografado por Zhao Ming e protagonizado por Wu Zhengdan e Wei Baohua.

Um belo exemplo de como a dança e a acrobacia se podem fundir numa performance poética. 

Desejo-vos um belo dia de domingo

segunda-feira, maio 25, 2026

Os fenómenos bizarros que a medicina se esforça por explicar -- o poderoso testemunho de um neurocirurgião que recebeu a sentença de apenas mais 6 a 8 meses de vida

 

Desde sempre ouvi dizer que é preciso lutar ou que, se a cabeça quer, o corpo obedece, ou que é preciso ter calma. Mas, leiga que sou, sei lá se há fundamentação científica paa o que mais parecem lugares comuns.

O vídeo que abaixo partilho impressionou-me bastante, pela honestidade e pela vulnerabilidade do testemunho. Talvez também pela humildade. A vida é frágil. E essa é a nossa condição.

Qualquer um de nós estremece perante a possibilidade de uma doença, em especial se vier com veredicto associado, e o veredicto for assustador. Mas, creio eu, para um médico ainda talvez seja pior. Lembro-me de uma grande amiga que, quando jovem, com duas crianças muito pequenas, se viu perante um problema gigante. O marido, médico, hiperactivo, divertidíssimo, sempre cheio de ideias e de genica, um dia, do nada, caiu para o lado. Um aneurisma. Não morreu logo mas ficou sem se mexer, e foi uma coisa mesmo dramática, impensável. E muito triste. Ainda viveu algum tempo, tempos muito difíceis. A minha amiga dizia: Não vale a pena tentarmos animá-lo porque ele sabe o que tem, sabe o que o espera. Fecha os olhos, não quer ouvir, não quer que tentemos consolá-lo. Ele sabe que não vai viver muito mais.

Um neurocientista que tem um cancro raro e agressivo e uma curta expectativa de vida sofre como qualquer pessoa, ou talvez mais porque tem a objectividade da ciência a formatar-lhe as ideias. Mas David Linden diz que a sua atitude sempre foi a de um nerd, a de querer perceber tudo, querer entender a biologia daquelas células que, dentro dele, cresciam descontroladamente. 

Primeiro veio a revolta, depois a gratidão pelo que já tinha vivido e pelo apoio que sentia. Mas, sempre, a vontade de estudar, de compreender.

E uma coisa de que ele fala é como, de facto, cientificamente provado, a mente pode influenciar a sobrevida, e a qualidade da sobrevida. Não morreu ao fim dos seis a oito meses. Já passaram cerca de cinco anos e, pelo que diz e pelo que parece, está bem, o cancro ainda está lá, mas aparentemente controlado. E atribui sobretudo ao amor da mulher por ele e ao apoio dos filhos e dos amigos o prolongamento da sua vida.

Mas não o diz como homem de fé. Não tem fé, diz. Fala numa perspectiva científica. Estudos humanos e ensaios em animais demonstram como o exercício, a tranquilidade, um bom enquadramento social, haver uma rede de afecto, influenciam a sobrevida dos doentes cardiológicos ou com cancro.

Ainda estão a estudar quais as reacções biológicas que se operam para que tal aconteça. E dessa compreensão estão a nascer novos tratamentos que complementam os existentes.

O vídeo é longo e, por vezes, a terminologia é técnica. Mas é muito interessante. Não é só o lado humano, é também a esperança que estes novos caminhos da mente --- a mente como um centro não apenas reactivo mas de elaboração de previsões e de activação de recursos para lidar com essas previsões -- traz a quem enfrenta situações de susto e sofrimento.

[Relembro que dá para activar as legendas automáticas em português (do Brasil ou de Portugal)]

Os fenómenos bizarros que a medicina se esforça por explicar | David Linden: Entrevista completa

O neurocientista David Linden esclarece a biologia por detrás de fenómenos que a medicina há muito luta por explicar, desde as mortes associadas ao vudu e a síndrome do coração partido até ao efeito placebo, e porque é que o luto aparece nos resultados das autópsias. 


Desejo-vos uma boa semana
Saúde. Paz. Alegria.

terça-feira, abril 14, 2026

Um medicamento extraordinário contra o cancro que é tão caro que ou o SNS se afunda ou milhares de pessoas ficam sem tratamento...? É isto....?

 

Desde que comecei a votar que o meu sentido é o mesmo. Identifico-me com as sociais democracias, em especial com as do norte da Europa, estáveis, tranquilas, assentes no bem de toda a população, no desenvolvimento, na felicidade.

Nunca me identifiquei com o comunismo nem nunca me identifiquei com as chamadas doutrinas sociais da igreja, conservadoras e reaccionárias, muito menos com os movimentos de direita e, mais recentemente, com os populismos.

Nunca diabolizei a iniciativa privada nem nunca defendi que, mesmo em alguns serviços que entendo que devem ser disponibilizados gratuitamente à população, a gestão tem forçosamente que ser desempenhada pela Administração Pública.

Trabalhei para empresas do Estado, nacionalizadas, trabalhei para empresas estatais mas geridas como se fossem privadas e trabalhei para empresas privadas. Conheço bem as regras de umas e outras. Como sou avessa a generalizações não vou catalogar umas e outras quanto à qualidade da gestão. 

Tenho para mim que a saúde, a educação, a segurança pública, por exemplo devem ser públicas, de acesso universal. Mas, no caso da Saúde, em que se movimentam muitos milhões e em que a componente da gestão é fulcral, não tenho dúvidas em dizer que os problemas são de gestão, que quem gere a maioria das unidades não faz ideia do que está a fazer e que a incompetência começa na ministra. Não digo que a gestão da Saúde deve ser privada mas afirmo, sem margem para dúvida, que deve ser gerida com a mentalidade de um gestor profissional. Ao contrário do que muito ignorante pensa, a gestão privada não visa apenas o lucro. O lucro em si tem perna curta. Tem que haver qualidade, apreço por parte de todos os que se movimentam dentro e em redor (o que, em linguagem de gestão, se designa por stakeholders). Se houver apreço por parte de todos, cria-se a fidelização, desenvolve-se a motivação, estimula-se a criatividade que é o motor para se encontrarem boas soluções. O lucro será a consequência de tudo o resto, perifericamente, funcionar bem.

Sei bem o que eu faria e sei que, se eu pudesse pôr em práticas as medidas que vejo como críticas e prioritárias, em três ou quatro anos, o SNS estaria disponível a muito mais gente, em muito mais valências, com índices de qualidade muito acima dos actuais, com filas de espera mínimas, com tempos de atendimento decentes, e com um gasto geral no mínimo inferior em 10 a 20% ao actual. Se fosse o caso, isto é, se eu fosse convidada para isso e aceitasse -- o que obviamente duplamente não acontecerá -- eu própria definiria estes objectivos e eu própria definiria que, se não os atingisse, seria liminarmente despedida.

E é que não se exige muito, apenas experiência e alguma competência em gestão e vontade de fazer a coisa certa. Estou certa que, tal como eu, se o mesmo desígnio fosse proposto a qualquer outro profissional experiente e competente e tivesse a cobertura de um pacto de regime que permitisse actuar a sério, se revolucionaria verdadeiramente a forma como hoje se trabalha. E quando falo em revolucionar, garanto que revolução seria a palavra certa. Poderes e poderzinhos, compras descentralizadas, negociações descentralizadas, corporativismos de toda a espécie, centralizações absurdas sem qualquer benefício -- tudo isso acabaria. E acabaria num abrir e fechar de olhos. Nestas coisas não sou adepta de ir devagarinho, sou mais na base do one time shot. Como sei o que faço não haveria risco de me atirar para fora de pé pois sei que sei nadar.

Dito isto, e continuando no domínio da Saúde, falo agora de uma notícia que verdadeiramente me perturbou e que me fez questionar se não deveríamos, enquanto sociedade, repensar algumas abordagens, deixarmos de ser tão passivos ou tão individualistas como somos.

A notícia diz o seguinte: "Merck transformou medicamento contra o cancro num êxito de vendas, mas é tão caro que poucos o podem pagar"

Pensei: o capitalismo no seu máximo expoente. Mesmo quando está em causa a vida de tantas pessoas, prevalece o endeusamento do lucro de algumas empresas. Eu bem sei que o valor das patentes financia a investigação e etc e tal. Mas quando se trata de produtos vitais à sobrevivência ou à qualidade e dignidade da vida humana, há que equacionar prioridades e abordagens. Que sentido faz, vender uma embalagem por milhares de euros quando há tantas pessoas que beneficiariam brutalmente desse medicamento? E como pode o SNS providenciar esse tratamento quando o valor é insustentável?

Fui informar-me: enquanto em Portugal os preços altos são mantidos por longos períodos devido à proteção de patente na UE, na China, o Estado exerce um controlo mais direto sobre o preço final e incentiva a produção de alternativas locais mais baratas (ou superiores) para substituir o medicamento de marca, limitando a margem de lucro dos originais.

E nos países nórdicos? Informei-me. Ao contrário de Portugal, que negoceia individualmente através do Infarmed, os países nórdicos uniram forças para aumentar o seu poder de mercado. Dinamarca, Noruega e Islândia realizam concursos públicos conjuntos para medicamentos hospitalares, forçando as farmacêuticas a oferecer descontos maiores para garantir o mercado de três países de uma só vez.

Claro que me parece que a abordagem chinesa é a que melhor defende os interesses da população e não tenho dúvidas que é o caminho certo. Mas a China tem uma dimensão que permite uma força que não está ao alcance de todos. Além disso estão formatados (e bem) para o pensamento estratégico e para a persistência. Estamos, infelizmente, um bocado longe disso. (Não vou aqui falar da liberdade de expressão, dos direitos humanos, etc. -- isso são outras vertentes que não são objecto do que aqui estou a escrever)

A Europa deveria agir desta forma, ser como a China, juntar os países nas grandes negociações. Se o fez para as vacinas Covid, deveria fazê-lo para todos os medicamentos inovadores e de grande interesse público. Esse é o caminho. Mas, enquanto isso ainda não é possível, Portugal deveria juntar-se pelo menos com Espanha e, desejavelmente, com mais uns quantos países e enveredar por esta via. Não apenas se poupariam largos milhões ao erário público como se traria maior esperança de vida a milhares de pessoas.

E quem diz isto, diz agir desta mesma forma a muitos outros níveis. 

Não podemos é continuar a pensar pequeninamente, a desbaratar milhões e milhões e a não conseguir entregar os cuidados e os serviços de que a população necessita. 

Não sou contra o capitalismo (quando é regulado e decente), sou é contra a falta de visão, a falta de ambição e de energia, a falta de definição de prioridades.


quinta-feira, janeiro 29, 2026

Temos é que nos ir aguentando até que todas as muitas inovações médicas estejam disponíveis para todos

 

Num ano e numa altura em que as estatísticas em Portugal nos trazem números nada tranquilizadores quanto ao aumento da mortalidade, talvez seja difícil antever quando é que os benefícios das fantásticas inovações técnicas se traduzem em melhores tratamentos.

De facto, se o governo da Saúde continuar enredado em partidarites dificilmente o que investigadores e técnicos desenvolvem chegarão até ao grande público. E faço notar que, em medicina, o que acaba em 'ite' remete para inflamação e, como se sabe, as inflamações estão na base de grande parte das doenças, incluindo as fatais. Nomeadamente, se os hospitais públicos continuarem a ser geridos por agentes partidários e não por gestores competentes, tudo continuará ensarilhado, tudo continuará a ser um sorvedouro de dinheiro, dinheiro mal gasto -- e a disponibilidade para o estudo, para a aplicação de inovações continuará relegado para segundo plano.

Há, claro, as instituições privadas. Mas essas apenas estão ao alcance de quem tem bons seguros de saúde. Ora, sabendo-se que é na terceira idade que as células começam a dar de si e que as doenças começam a aparecer, as Seguradoras ou não fazem seguros de saúde para quem tem mais de 65 anos ou tornam-nos proibitivos. Os funcionários públicos terão a ADSE, mesmo após a reforma. Mas quem não estava abrangido pela ADSE ou paga e paga bem ou batatas. 

Seja como for, há que reconhecer que a medicina tem avançado incrivelmente. Muitas doenças que há uns anos eram sentença de morte ou de declínio inexorável agora são tratáveis ou curáveis, havendo hoje incontáveis sobreviventes. Há uns anos seriam memórias. Hoje estão para as curvas.

Lembro-me de quando a minha mãe, há uns anos, teve cancro no cólon. Fizeram-lhe três insignificantes buraquinhos na barriga e salvo erro ao segundo dia saiu do hospital pelo seu próprio pé, bem disposta, a andar normalmente, sem qualquer desconforto, como se nada se tivesse passado. E, no entanto, um bom pedaço de intestino e tecidos adjacentes tinha-lhe sido retirado. E ficou boa. É certo que isto se passou num hospital privado mas se calhar o mesmo se teria passado num hospital público.

São os equipamentos de diagnóstico que são mais avançados, são os equipamentos de intervenção, tratamento e os medicamentos que são mais eficazes.

Mas a inteligência artificial está a dar um empurrão fantástico e isso é um lado bom que deve ser bem aproveitado. E há cada vez mais investigação cruzada, juntando médicos, biólogos, físicos, engenheiros. E tudo isto é muito promissor.

O que agora é preciso é transformar isso em soluções adoptadas pelos serviços públicos e levadas à prática o mais rapidamente possível. 

O vídeo abaixo da BBC é muito interessante, e está legendado. Fala quem sabe.

As novas inovações médicas que podem mudar tudo

 - The Engineers, BBC World Service

Três engenheiros de renome discutem os mais recentes avanços na engenharia do corpo humano.

A engenharia inovou como nunca, chegando ao interior do corpo. Em neurociência, os implantes cerebrais podem proporcionar uma comunicação "psíquica" a pessoas com síndrome de encarceramento. Na área médica, uma nova tecnologia visa administrar quimioterapia e outros medicamentos diretamente às partes do corpo que deles necessitam, através de bolhas na corrente sanguínea. E estão a ser desenvolvidos dispositivos eletrónicos ingeríveis para combater doenças, enviando mensagens que direcionam os anticorpos diretamente do intestino para o cérebro.

A BBC e a Comissão Real para a Exposição de 1851 uniram-se para apresentar um evento especial: Os Engenheiros: Explorando o Humano.

Três engenheiros biomédicos, na vanguarda das suas profissões em todo o mundo, juntam-se à apresentadora Caroline Steel para discutir os seus trabalhos pioneiros e responder a perguntas do público na Royal Geographical Society, em Londres.

Convidados:

Tom Oxley (Austrália) – Neurologista e inovador em implantes cerebrais. Professor Associado da Faculdade de Medicina de Melbourne. CEO da Synchron.

Eleanor Stride, OBE (Grã-Bretanha) – Engenheira Biomédica e inovadora em tecnologia de bolhas. Professor de Biomateriais na Universidade de Oxford

Khalil Ramadi (Emirados Árabes Unidos) – Nanorrobótico, inovador em eletroceuticos ingeríveis, Diretor do Laboratório Ramadi de Neuroengenharia Avançada e Medicina Translacional em Abu Dhabi. Professor Assistente de Bioengenharia na Universidade de Nova Iorque.

Para quem não queira ver tudo mas queira ter conhecimento de algum tópico, aqui fica o horário das intervenções

00:00 Introdução

02:20 Primeira experiência de um doente com síndrome de encarceramento

03:53 Utilização de bolhas para administrar medicamentos dentro do corpo

05:21 Eletrónicos ingeríveis

06:13 Implantação de um "stentrode" no cérebro

07:54 Influenciar o cérebro através do sistema digestivo

09:27 Introduzir oxigénio nas bolhas na corrente sanguínea

11:21 Testes em humanos para uma interface de computador implantada no cérebro

12:19 Direcionando as bolhas para diferentes partes do corpo

13:13 O que acontece aos dispositivos eletrónicos ingeríveis no organismo

14:15 Testes em humanos com a tecnologia de bolhas

15:09 Diferentes condições que estas tecnologias poderiam tratar

18:06 Questões éticas

21:44 As três tecnologias poderiam funcionar em conjunto?

23:32 Poderiam ser utilizados implantes neurais para jogos de realidade virtual?

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Desejo-vos dias felizes

quinta-feira, outubro 31, 2024

Será que é desta...?

 

A solução para retardar o envelhecimento estará mesmo a caminho...?

Creio que sim, que está mesmo a caminho. E só gostava era que chegassem a tempo de eu poder usufruir de alguns dos desenvolvimentos que vierem a mostrar-se efectivos, sem efeitos secundários, económicos, para uso geral. Admito que a cosmética venha a beber aí conhecimentos. 

Pelo que parece, o que está a descobrir-se abre caminho não apenas ao retardar do envelhecimento da pele mas também dos órgãos, nomeadamente o coração.

Notícias fantásticas. 

Daqui por não muito tempo a esperança de vida aumentará e creio que, por essa via, a qualidade de vida será incrementada (e as pessoas parecerão mais jovens até mais tarde). Assim a sociedade saiba adaptar-se (o que pode ser um desafio e tanto...). 

Aliás, as investigações em curso nas mais diversas áreas parecem abrir portas a um mundo novo. Sempre assim foi, mas agora, com as investigações em rede, com a partilha de informação disponível em qualquer lugar, a qualquer hora, com as sinergias que se criam, os avanços são mais rápidos, podem ser facilmente potenciados e, talvez por isso, parecem mais significativos.

E, no entanto, vejo estas boas notícias ao mesmo tempo que leio que morreu André Freire, pessoa que ouvia sempre com atenção. Segundo a notícia, foi operado a um ombro, supostamente uma operação pacífica, arranjou uma infecção na sequência da cirurgia e, num ápice, morreu. Fez-me muita impressão. Com tantos avanços científicos, tanta sofisticação e depois acontece uma coisa destas. Li que ainda na segunda-feira tinha estado a lançar um livro, certamente muito longe de pensar que estava a viver um dos seus últimos dias de vida. Por vezes a vida é ingrata, traiçoeira. E isso pode ser assustador.

Li ainda que André Freire foi operado na Luz mas que, face ao quadro, foi transferido para o São Francisco Xavier. 

Quando a coisa dá para o torto a valer, ainda bem que há o SNS. Infelizmente, neste caso, pelo triste desfecho, já não terá sido possível reverter o quadro. 

Lamento muito.

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New skin research could help slow signs of ageing | BBC News

Researchers have made a scientific discovery that could be used to slow the signs of ageing. 

The Human Cell Atlas project has discovered how the human body creates skin from a stem cell, and even reproduced small amounts of skin in a lab. 

As well as combatting ageing, the findings could also be used to produce artificial skin for transplantation and prevent scarring.

sexta-feira, setembro 06, 2024

Quando a ciência pula e avança:
ou é o medicamento para o peso em excesso que afinal retarda o envelhecimento e reduz a mortalidade ou é o simples corante alimentar que torna a pele transparente permitindo ver o que se passa dentro dos corpos...
(Quem sabe se não estamos à beira de um salto quântico no prolongamento da vida (saudável)...?

 

Tratamentos assim e assado, testes, experimentações, cenas promissoras que afinal se revelam limitadas no âmbito ou na implementação mas que, de uma forma ou de outra, contribuem para os avanços que têm permitido que a esperança de vida se vá prolongando e que, quando é chegada a hora, muitas vezes a 'passagem' se faça com menos sofrimento. Dito assim, pode parecer pouco. Parecem pequenos passos, um pouco mais do mesmo. 

Engano: isso não é pouco, a vida é assim mesmo. Na maior parte das vezes, um dia pouco difere da véspera. Há recuos, há compassos de espera e há baby steps. 

Estamos onde estamos porque, apesar de tudo, muito de relevante tem acontecido.

Mas. depois, há coisas inesperadas que fazem com que, de onde menos se espera, surja a esperança de descontinuidades virtuosas. Ao longo da história da medicina, há momentos fulcrais que fazem toda a diferença. Aí os avanços não são simples incrementos, são verdadeiros achados que mudam o rumo da história, ou pelo menos, abrem brechas através das quais os cientistas conseguem abrir espaço a uma esperança cheia de luz.

Dois exemplos.

No outro dia era a notícia de que:

"Medicamentos para emagrecer ‘retardam o processo de envelhecimento’, sugerem cientistas. 

A semaglutida – contida no Ozempic e no Wegovy – tem “benefícios de longo alcance”, com taxas de mortalidade mais baixas por todas as causas.

Os medicamentos para a perda de peso estão prestes a revolucionar os cuidados de saúde, ao abrandar o processo de envelhecimento e ao permitir que as pessoas vivam mais tempo e com melhor saúde. Esta é a mensagem dramática dos principais cientistas após a apresentação de estudos na semana passada na Conferência da Sociedade Europeia de Cardiologia, em Londres.

(...)

[Ler artigo completo no Guardian]

Imagino que várias novas frentes de investigação se abram a partir daqui. E fico esperançosa nos seus bons resultados.

Hoje uma outra notícia me parece empolgante. Neste caso ainda não foi testada nos humanos mas forçosamente se avançará por aí e, creio, muito rapidamente.

Corante alimentar comum torna a pele e os músculos temporariamente transparentes

Investigadores dizem que procedimento ainda não testado em pessoas pode eventualmente ser usado para ajudar a localizar lesões ou tumores.

Os investigadores examinaram os cérebros e os corpos de animais vivos depois de descobrirem que um corante alimentar comum pode tornar a pele, os músculos e os tecidos conjuntivos temporariamente transparentes.

A aplicação do corante na barriga de um rato tornou o fígado, os intestinos e a bexiga claramente visíveis através da pele abdominal, enquanto a aplicação no couro cabeludo do roedor permitiu aos cientistas ver os vasos sanguíneos no cérebro do animal.

A pele tratada recuperou a sua cor normal quando o corante foi removido, de acordo com investigadores da Universidade de Stanford, que acreditam que o procedimento abre uma série de aplicações em humanos, desde a localização de lesões e veias para tirar sangue até à monitorização de distúrbios digestivos e à detecção de tumores.

(...)

[Também aqui, artigo completo no Guardian] 

 Groundbreaking Process Makes Skin Invisible

Researchers at Stanford University have developed a way to make skin and other tissues transparent using a simple food dye, a reversible technique with potential for revolutionizing internal medicine. In this clip, thin slices of chicken breast become transparent on exposure to the dye yellow #5.

Using a common food dye, researchers made mouse skin transparent

What if you could apply a substance on the skin, much like a moisturizing cream, and make it transparent, without harming the tissue? In a study published in Science, Stanford Engineering researchers were able to see, with the naked eye, organs within an animal’s body, by simply applying a common food dye. The process is completely reversible and appears to leave no lasting effects on animal subjects. 

The researchers believe this novel technique is the first harmless, non-invasive approach to achieving visibility of an animal’s living internal organs. Looking forward, this technology could make veins more visible, easing the process of venipuncture. Moreover, this innovation could potentially replace some X-rays and CT scans, assist in the early detection of skin cancer, and make laser-based tattoo removal more straightforward.
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Dias felizes