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quinta-feira, outubro 15, 2026

Dormir ou não dormir, eis a questão

 

Já contei, desculpem por me repetir: quando andava na escola infantil, todos os dias, depois de almoço, a sala era posta às escuras, os colchões eram estendidos, se estava frio os cobertores eram distribuídos, e todo o mundo ia dormir a sesta. Todos menos eu. Não consegui dormir uma única vez.

À noite, desde sempre, queria ir tarde para a cama. Quando comecei a tomar o gosto da leitura mais a sério, lia até de madrugada. Estou a falar talvez a partir dos treze anos. A mobília do meu quarto tinha sido desenhada, imagino que pelo meu pai, talvez a partir de alguma fotografia que tenha visto em alguma revista estrangeira, não sei. Era uma mobília incrivelmente moderna para aqueles tempos, podia muito bem ser uma mobília actual. A cama ficava entre os móveis, que eram lineares, baixos -- ficava aconchegada, digamos assim. O que poderia servir de mesa de cabeceira era a bancada-toucador adjacente, onde estava um candeeiro articulado, também bem moderno para aqueles tempos. Isso permitia-me estar a ler com o candeeiro a apontar exclusivamente para a cama. Por vezes, se eu ouvia algum dos meus pais levantar-se durante a noite, apagava a luz à pressa. Outras vezes parecia-me que estavam só a mexer-se, não a levantar-se. Mas era a minha mãe que me enganava, para me apanhar. Ia pé ante pé até ao meu quarto e passava-me altas desandas por ser aquela hora e eu ainda a ler. Imagino que isso acontecia quando tinha aulas à tarde pois, se tivesse que me levantar às sete e tal, duvido que conseguisse estar até às três a ler. Mas ainda me lembro dessas noitadas dedicadas a uma literatura que absorvia como uma esponja, deslumbada, certamente sem capacidade para assimilar tudo o que devorava.

Mas estes meus hábitos noctívagos acompanharam-me toda a vida. Ou ficava a fazer tricot ou crochet ou a bordar ou a fazer tapetes de arraiolos ou a pintar ou, depois, agora, por exemplo hoje, a escrever no blog. O que calhasse. Não sei como me aguentava tendo que me levantar tão cedo e tendo dias tão exigentes. Tentava dormir pelo menos seis horas mas muitas vezes ficava-me pelas cinco. Muito mau.

Quando tinha reuniões fora de Lisboa e tinha que sair de casa às seis ou antes disso, com receio de não acordar, por vezes quase não dormia e aí sofria horrores para me manter acordada na viagem. E sentia-me toldada todo o dia. Dias complicados. Chegava a casa, à noite, espapaçada.

O que me valia é que, tirando esses dias fora, nos dias normais, mal caía na cama adormecia profundamente e era até de manhã. E, ao fim de semana, desforrava-me e parece que me recarregava.

Hoje reconheço o péssimo que esses meus hábitos noctívagos eram. Hoje, que posso acordar à vontade, reconheço quão melhor fico quando durmo bem. Mesmo se, ao deitar-me, acontece sentir alguma dorzeca algures, se durmo bem, na manhã seguinte estou (geralmente) boa. Em contrapartida, se tenho uma noite de insónia, o que agora desgraçadamente me acontece de quando em vez, fico incomodada todo o santo dia.

Mas tenho que abrir uma ressalva: não é verdade que possa sempre acordar à vontade. Por exemplo, nas casas em frente ou ao lado contratam jardineiros. Ao passo que nós temos aparelhos elétricos que não fazem barulho, esses jardineiros usam corta relvas, aspiradores e corta-sebes a gasolina que fazem um barulho ensurdecedor, horrível, que me acordam. Como dormimos de janela aberta, o barulho entra todo. Outras vezes é o telefone que toca quando ainda estou a dormir. Ou, se pára algum carro à minha porta, o meu cão faz um cagarim tal que me acorda a mim e desestabiliza os cães de toda a vizinhança. Acontece também o meu marido aparecer a dizer: 'se queres ir ao ginásio e depois ainda vir fazer almoço, diria que é melhor levantares-te...'. Portanto, na realidade, são frequentes as manhãs em que sou acordada antes de tempo. Mas, enfim, nada que se pareça com as noitadas de antes.

Esse é um dos aspectos em que o meu desregramento não me deve ter feito nada bem. Outra coisa de que me arrependo é de, antes, não fazer exercício. Não tinha tempo. De facto, não tinha tempo. Mas, se tivesse pensado realmente na minha saúde, teria arranjado tempo. Não era capaz de estar indisponível. O meu tempo era todo tão preenchido que não via maneira de dizer, 'meus caros, santa paciência, mas não contem comigo entre as tantas e as tantas porque vou para o ginásio'. Claro que poderia ir à hora de almoço, mas sempre gostei de ter tempo para almoçar e fazer compras, porque, obviamente tinha que fazer compras. E, ao fim do dia, saía sempre tão tarde que já só me apetecia era ir para casa.

Em síntese, não fazer exercício e dormir pouco foi um disparate de todo o tamanho. Junta-se a isso os tempos em que fumava. Outro disparate. Não sei como não travei antes. Pensava sempre que um dia deixaria de fumar, mas esse dia levou uns bons anos a chegar. Disso arrependo-me bastante. Talvez seja das poucas coisas de que me arrependo sem reservas, daquelas coisas que, se fosse hoje, jamais teria acontecido. Mas não se pode voltar atrás no tempo. Por isso, o que há a corrigir não é amanhã, é hoje, é já.

Quanto ao sono, partilho um vídeo bem elucidativo, não com base em dicas ou bocas mas com base em ciência.

Preciso de Dormir. 7 Estratégias para uma Rotina de Sono

'Manual de Instruções para Humanos' -- Observador

Vamos para a cama tarde e pomos quase tudo à frente do tempo de sono. Ou temos filhos pequenos e nunca mais dormimos igual. O que explica isto? E porque é que uma sesta ou um comprimido não ajudam?

Mental é uma parceria do Observador com o Hospital da Luz. Tem a colaboração do Colégio de Psiquiatria da Ordem dos Médicos e da Ordem dos Psicólogos.


Desejo-vos bons sonos. E bons sonhos.

E dias felizes

sexta-feira, agosto 21, 2026

Dia de cão com ovos

 

Não sei porque escrevi aquilo ali em cima. Não faz sentido. Geralmente começo a escrever sem saber bem para onde os dedos me vão puxar e, só no fim, quando percebo o que saiu, tento resumir, dando à prosa um título. Hoje a coisa virou-se de pernas para o ar e comecei pelo fim. Se calhar tem a ver com um pensamento que me assolou esta tarde. Estava num sítio, parada. Estava uma aragem e as árvores ondulavam ao de leve. Tudo o resto parecia imóvel. Pensei: o tempo está em suspenso. Depois pensei que deveria corrigir: talvez não seja o tempo pois, a ser, a terra teria interrompido o seu incessante movimento em volta de si própria e do sol. Depois pensei que, se um dia disparar o gatilho da gravidade e esta desaparecer ou for neutralizada, deixaremos de estar todos atraídos para o centro da terra e passaremos a flutuar por aí, talvez nos percamos pelos vastos mares do infinito, ideia que tem o seu quê de tétrico e de maravilhoso.

E começando assim o texto de hoje até se poderá pensar que o dia foi tão flauteado que até me está a dar para a poesia. Pois não foi. Foi mesmo um dia de cão -- no mau sentido, claro.

Para começar tinha vários assuntos críticos e urgentes para tratar e tudo a requerer computador. Com o meu avariado, há mais de quarenta e oito horas sem tugir nem mugir apesar de mil manobras de eanimação, tive que tentar ultrapassar a terrível condicionante com o telemóvel e com o anquilosado computador cujo techado cobre parte do écran, nomeadamente o que deve estar a descoberto, e onde só se consegue escrever, e mal, uma tecla a seguir à outra, com minutos de intervalo entre cada. Um desespero que me deixa agoniada. 

Várias coisas desagradáveis mas, porque existem, incontornáveis. E sem carro, ainda por cima.

Mas, no meio das chatices que queria ter resolvido rapidamente e que, para mal dos meus pecados, não consegui resolver, aconteceu que, ao fim do dia, ligaram a dizer que já se poderia ir levantar o carro. Tinham resolvido o problema, espero que de vez (e já bati três vezes na madeira não vá o dizer isto dar azar e amanhã já não pega novamente). Portanto, já montada nele, fui logo com o computador à loja das reparações. E lá, começou por não me deixar ficar mal e não arrancou mas, ao fim de uns minutos, arrancou. Se eu estivesse dentro de uma série humorística, naquela altura teria pegado nele e tê-lo-ia atirado ao chão e saltado em cima dele. Caraças. 

Mas o rapaz, sem se rir, disse:'Talvez esteja alguma coisa a bloqueá-lo'. Pensei que só me faltava mesmo era aquele toque de ironiazinha, a falar como se o computador também precisasse de fazer terapia para se livrar de bloqueios. Mas depois percebi que estava a falar num registo puramente técnico. Andou a ver, vasculhou tudo, e, no fim, ambora deveras céptico, disse que talvez um determinado software estivesse a bloqueá-lo e eu disse que não me fazia falta e ele desactivou-o. Portanto, trouxe-o de volta e ele aqui está, nas minhas mãos, lampeiro, ladino. (Refiro-me obviamente ao computador, não ao jovem da loja). 

Os meus dados saltitam de tecla em tecla e quase nem sei por onde eles andam, já conhecem os cantos à casa.

Com as voltas que ainda demos, e demo-las graças a termos a voiture, só chegámos a casa perto das dez. Pelo caminho apanhámos uma pizza que nos soube maravilhosamente, tamanha a fome que trazíamos.

E agora aqui estou, a adormecer entre cada palavra, quase derrotada pelo sono. Para além do dia ter sido arraçado de coisa ruim, também estava eu a dormir, de manhã, ouço a campainha, uma e outra vez. Vesti-me à pressa, pensei que o meu marido estava no seu passeio matinal com o dog, mas depois ouvi a voz dele. Dele, do meu marido. Aliás, dos dois, pois o cão (está melhor, obrigada, Maria Martins. mas ainda lhe dói quando se limpam algumas das feridinhas) ladrava furibundamente como sempre faz quando alguém assoma ao portão, mesmo que do lado de fora. Tinham vindo trazer os ninhos para chapins. Devem ter começado a entrega por nós pois aquilo não eram horas para fazer levantar uma pessoa da cama. O pior é que obviamente já não dormi, tanto mais que o meu marido veio dar-me a boa nova: 'Já chegaram os ninhos para chapins'. Vai pendurar nos pinheiros, aqui e in heaven, pois, ao que consta, os chapins comem as lagartas-do-pinheiro. A ver vamos.

Obviamente não consegui, nem consigo agora, responder aos vossos comentários. E não consigo já falar das coisas mirabolantes que um dos meus netos nos contou na quarta-feira, ao almoço. Coisas verdadeiramente estapafúrdias. Estávamos todos perplexizados. Fica para outro dia. Hoje vou para vale de lençóis. Aliás, não: durmo destapada.

sexta-feira, agosto 01, 2025

Na ressaca de uma ida às compras, com o corpo habituado ao descanso e ao silêncio

 

Quando estamos no campo, o tempo flui de uma outra maneira. Durmo mais, levanto-me tarde e isso não atrapalha o resto do dia porque tudo corre tranquilamente, quase como se o tempo deslizasse com todo o vagar.

Com o calor que tem estado, só se consegue estar bem dentro de água ou dentro de casa. Só ao fim do dia se consegue andar na rua. E, ao fim do dia, com a doçura do entardecer, tudo é serenidade. O tempo em tardança.

Sou eu e é ele: zen, zen, zen
Ainda hoje, no campo, à sombra, a dormir descansadamente

Portanto, com este ritmo pausado, o meu corpo parece desabituar-se da agitação, do movimento.

Aconteceu-me hoje um banho de imersão num bem animado shopping. Já no outro dia, quando um dos meninos fez anos, fomos às compras com ele (e com o mano). Mas a transição do campo para a cidade não foi como hoje, foi mais rápido e só um dos rapazes estava comprador. 

Hoje, com dois leõzinhos em vias de fazerem anos, de presente quiseram também ir às compras. Só ao fim da tarde porque antes estiveram na praia. 

Ele despachado, muito pragmático. E impaciente. No capítulo das compras, igual ao pai. Antes tinha-nos avisado qual a hora limite pois tinha que estar em casa a tempo de tomar banho e jantar para, quando começasse o jogo, queria estar a postos em frente da televisão.

Ela é outro comprimento de onda. Disponível para avaliar todas as opções, com gosto em experimentar tudo, sem pressa. Neste capítulo, igual à tia. Disse o irmão que, só por saber que ele se queria despachar para não perder pitada do jogo, já ela fazia tudo mais devagar. Ela disse que não mas não sei se, lá no fundinho, ela não se importou nada de não corresponder às pressas dela. Contudo, penso que, nela, é, sobretudo, o prazer de ir às compras e de experimentar toilettes. Compreendo-a. Não posso esconder que sou também assim. Talvez não agora, em que me forço a não ceder ao consumismo, mas, antes, o prazer que sentia em adquirir farpelas novas era grande e sempre renovado.

Portanto, gerir estas duas personalidades e motivações, foi uma coisa um pouco complexa: ele desesperado, farto, irritado, ela nas calmas, nas sete quintas. 

Entretanto, o meu marido resolveu levar o cão, mas, logicamente, ficou lá fora a passeá-lo. Não sei se imaginou que seria rápido mas, se imaginou, imaginou mal. Por isso, também desesperava, telefonando-me volta e meia a pedir-me um ponto de situação, dizendo que já não conseguia andar mais tempo às voltas. Pelo meio, ligou-me também o meu filho a querer saber onde andávamos pois daí a nada começava o jogo, e, perante o ponto de situação, disse-me que eu não estava a gerir bem as prioridades. Talvez, mas perante abordagens contrárias, até conflituantes, que poderia eu fazer?

Segundo ela, foi o irmão que ligou aos pais a queixar-se dela e a mostrar o seu desespero. Não vi mas ele não negou. 

No final, ela já estava bem abastecida, embora ainda com um item em falta, ele ainda quase sem nada.  Vi o caso mal parado. Ele já não queria nada para ele nem queria que a irmã fosse comprar o que lhe faltava. Tive que convencê-lo, iríamos a correr, tudo muito rápido. Não podia ser ficar praticamente sem presentes. Respondeu-me que logo comprava, noutra altura, e depois logo dizia quanto tinha custado. Disse-lhe que isso não tinha jeito nenhum. Uma negociação difícil. Com a promessa de que despacharíamos o assunto em poucos minutos, lá acabei por convencê-lo e lá se resolveu tudo. Mas disse que não volta a ir às compras ao mesmo tempo que a irmã. E, de facto, mais vale tratar do assunto em duas expedições distintas, uma para cada um.

Mas, enfim, entregámo-los em casa resvés campo de ourique, presumo que ainda conseguiu ver o futebol todo (não sei se teve tempo para o banho e se não teve que jantar em frente da televisão...). Os primos, em contrapartida, gentileza do tio que lhes arranjou bilhetes, viram-no ao vivo, no Algarve.

Agora o que acontece é que, desabituada de estar no meio de muita gente, desabituada de algum stress (por irrelevante que seja), desabituada de pressas, chegada a casa, quando acabei de jantar, sentei-me aqui no sofá e foi como se estivesse anestesiada: caí num sono profundo. Não imaginam. Não conseguia acordar. Ferrada, ferrada, ferrada, como se tivesse vindo de correr a maratona.

Não sei se é desábito, se é deste calor ou se é de outra coisa: no outro dia o meu marido disse-me que eu passo meses sem ver a tensão arterial. Muito instada por ele, acabei por ir ver e estava baixíssima: a máxima parece que estava em 10 e picos e a mínima nem chegava aos 5. Na volta, também é isso.

Com esta situação, como poderão imaginar, nem faço ideia do que se passa no mundo nem consigo agradecer e responder os comentários. Vou retirar-me para os meus aposentos.

quinta-feira, agosto 08, 2024

A culpa é do raio do long covid... Só pode...

 

Ainda não consegui chegar ao ponto que tanto ambicionei: ter tempo e organização pessoal para me pôr a experimentar coisas, a fazer o que me apetecer, sem ter que interromper por mil e um motivos.

Provavelmente é este regime de fazer caminhadas, geralmente duas por dia, uma curta, para aí meia hora a meio do dia (e está calor para mais), e uma mais longa, quase uma hora, mais ao fim do dia, que anda a cortar demasiado o dia, a interromper o que estou ou vou fazer. 

Claro que me refiro a quando não tenho cá crianças ou a família em geral. Nesses casos só consigo fazer uma caminhada à noite ou perto disso. Mas esses dias estão fora destas considerações pois, obviamente, nessas circunstâncias, não é possível outra coisa que não dedicar-me a eles.

Mas, nos dias em que estamos só os dois, eu gostaria de ter tempo para fazer mil coisas: jardinar, pintar, fazer peças com pedras e conchas, escrever, fotografar, fazer vídeos. Mas não consigo. Ou porque são horas disto ou horas daquilo, parece que não consigo ter disponibilidade ou rendimento. 

Além do mais, continuo com os mecanismos do sono avariado. Falei com um médico sobre isto. Contei-lhe que pode ser impressão minha mas acho que desde que tive Covid o meu sono nunca mais foi o mesmo. Posso dormir lindamente de noite, acordar por mim, tudo na maior. Pois, mal acabo de almoçar, fico perdida de sono. Se me sentar a ler ou a ver o computador, são as passas do algarve para não dormir. Ele disse-me que acredita que é o long covid, que há muitos doentes dele que se queixam do mesmo. Diz que alguns não se queixam disto e outros queixam-se durante uns meses a seguir mas que há outros que, ao fim de um ou dois anos ainda se queixam. É o meu caso. Diz que ainda não sabem como tratar isto.

Caraças.

Mesmo que não durma, não tenho aquela energia necessária para improvisar, para ter vontade para inventar, para arriscar. 

Vejo os vídeos que, quando trabalhava via e que me faziam ter uma imensa vontade de me reformar para ter uma vida assim, e constato que estou a milhas. O meu marido diz que se me deitar cedo, acordo cedo e tenho a manhã toda ao passo que agora tenho apenas uma parte. Não creio que seja isso. 

Vejo esta Elaine e penso que eu que gosto tanto de pintar galos, que pintei carradas de telas cheias de galos, não poderia continuar a improvisar e a diversificar em torno do tema? Podia, não é...?

Elaine Savoie - Painter, Market Gardener

Zsofin Sheehy meets painter Elaine Savoie on her Hornby Island homestead and Studio. An unapologetic iconoclast, Elaine uses her painting practice to question the norms of her Catholic upbringing and human-centred society. The conversation follows Elaine's life of making, raised by the community of island artists and shaped by her process, connection to the land she stewards, and using art as a tool to play and explore oneself. In addition to her creative practice in painting and drawing, Elaine also uses writing and poetry to humorously and fearlessly delve into the intricacies of island life and reflect on her Metis heritage, interweaving themes of personal identity and the complexities of intergenerational processing.  

An artist and farmer born on Hornby Island, Elaine Savoie's upbringing within the early farming settlements of the Savoie family, the Catholic church, and the island's unique natural landscape laid the foundation for her creative journey from a young age. In her nationally recognized Icon series, she seamlessly merges canonical and imagined saints, creatively embodied as roosters, seabirds, and other local creatures. 


Saúde. Alegria.
Dias felizes.