Já falei muitas vezes que, na minha adolescência, uma das minhas pimeiras escolhas como vocação profissional seria psiquiatria ou, retirando-me daí com receio de enfrentar cadáveres nas aulas de Anatomia em Medicina, psicologia. Desviei-me e tudo bem, realizei-me profissionalmente num mundo completamente diferente. Mas o bichinho ficou.
Contudo, permanece em mim a dúvida sobre a qualidade da terapia quando do outro lado está um psiquiatra ou um psicólogo também com problemas ou limitações.
Também já o contei: uma amiga nossa, psiquiatra e, pelos vistos, tão competente que chegou a directora de serviço num dos principais hospitais do país, era completamente doida. Mas doida varrida. Deixámos de nos dar pois divorciou-se e ficámos amigos do marido. Não apenas o divórcio foi traumatizante para eles, como, face a tudo o que se passou, sentimo-nos mais solidários em relação a ele. E, de resto, mesmo quando tudo estava bem (se é que alguma vez esteve tudo bem, tão doisa ela era), o meu marido não conseguia suportá-la, raspava-se de perto dela sempre que podia. E sempre nos interrogámos: como é que uma maluca assim podia tratar pessoas com doenças do foro mental? Provavelmente, ao trabalhar, transformava-se. Também já o contei: uma vez, um amigo, por razões que não eram de saúde e que agora não vêm aqui ao caso, precisava de consultar uma psiquiatra. Falei-lhe nesta mas avisei-o: não é boa da cabeça, não ponho as mãos no fogo por ela, é maluca mesmo. Pois não é que veio de lá encantado...? Achou-a o máximo, giríssima (e era), com uma voz super sensual, interessantíssima, inteligente, super profissionalona. Nem percebeu a razão dos meus alertas. Fiquei sem saber o que dizer.
Conheço uma outra, não psiquiatra mas psicóloga, psicanalista, conceituada terapeuta. Pois... Nada a ver com a maluqueira da primeira mas diria que também com uma certa pancada. Ainda no outro dia, umas duas outras que também a conhecem bem, se riam com as coisas dela, as desculpas esfarrapadas que arranja, os recuos de última hora que ninguém percebe. Tem coisas que me deixam um bocado de boca aberta, a pensar que, se calhar, algum acompanhamento psicológico não lhe fazia mal nenhum.
E eu penso: se eu precisasse, recorreria a alguma delas...? E não tenho dúvidas: nem pensar. Acho que viria de lá pior do que para lá tinha entrado. No entanto, pode acontecer -- e certamente acontece -- há um qualquer fenómeno que faz com que, quando estão a trabalhar, dispam todas as suas doideiras pessoais e, no acto de terem de cuidar de outras pessoas, se portem de forma sensata e útil.
Lembrei-me destes aspectos ao ver o vídeo abaixo. Imagine-se a responsabilidade: um jovem meio perdido, desinteressado, desligado da vida concreta do dia a dia, com os riscos que isso comporta, riscos até existenciais... e imagine-se se dá com um psicólogo que não bate bem ou que não consegue agarrar os problemas do paciente de forma a restituir-lhe o entusiasmo e a motivação que tão imprescindíveis são a uma vida digna de ser vivida... Há um certo risco nisto, não há?
Contudo, neste caso, parece que o jovem paciente encontrou o terapeuta certo.
O caso do jovem que não sabia como estar no mundo | Do Outro Lado
O psicólogo Pedro Aires Fernandes acompanhou um paciente de 23 anos muito desligado e desinteressado da vida. O caso inquietou-o e levou-o a interrogar-se como terapeuta, como homem e como pai.
Há sempre aquilo, o lugar comum dos dois gumes. Está bem que não estava bem da cabeça quando cometeu o crime... mas o pobre coitado que foi assassinado...? E não pode haver um terceiro gume: o da possibilidade de voltar a acontecer?
Estes domínios, que me atraem -- e, não por acaso, a primeira hipótese de opção profissional quando tive que escolher um curso era a psiquiatria, depois não por causa dos mortos nas aulas de anatomia, depois psicologia, mas, afinal, não porque não sabia se era reconhecido como curso superior --. têm sobre mim o fascínio de tudo se passar dentro da cabeça, de não serem visíveis a olho nu e de ainda estarmos longe de perceber o funcionamento do nosso cérebro.
Já contei que, quando ia para as minhas reuniões a norte (porque, a sul, ia eu a conduzir), tentava ir de boleia e, muitas vezes com um colega e amigo com quem tinha muita confiança. Uma das coisas que eu gostava era de ouvi-lo a falar da prima que era doida-varrida. E, por umas três ou quatro vezes, apanhei, ao vivo, aquelas delirantes conversas. Ele levava o telemóvel em alta voz e não tinha segredos em relação a mim. Cheguei também a apanhar dessas conversas no gabinete dele. Acabava por sair porque eram intermináveis, ele pura e simplesmente não conseguia pôr um fim naquilo. Tudo começava com: 'Ligaste-me?', e dizia o nome dele. Ele dizia que não. Ela insistia: 'Apareceu-me aqui o teu número. Ligaste...'. Ele voltava ao mesmo: 'Não, não te liguei.'. Por fim, pedia-lhe ele: 'Mas, vá, diz lá o que queres.'. E aí a coisa começava a ganhar graça. Lembro-me de uma vez em que ela queria que ele assinasse um documento. Ele perguntava: 'Ah, sim? Mas que documento?'. E ela dizia que o banco dizia que ele tinha que assinar um documento a dar-lhe, a ela, autorização para movimentar a conta. Ele, já não estranhando nada daquilo: 'Eu? Mas a que propósito? A conta é tua. Eu não tenho nada a ver com a tua conta.'. E ela muito admirada: 'Ah não? Julgava que já te tinhas feito titular da minha conta...'. Ele piscava-me o olho e continuava a conversa: 'Eu? Mas então uma pessoa pode fazer-se titular da conta de outra pessoa...?'. Ela ficava em silêncio. Depois dizia: 'Mas tu e a Elita não combinaram fazer-se titulares da minha conta? Ela disse-me que sim.'. Ele fazia-me sinal de que a paranoia dela começava a manifestar-se e retorquia: 'Ah foi? Ela disse-te isso? Mas como é que fazíamos isso sem a tua permissão?'. Silêncio. Ele contra-atacava: 'Mas não foi o Banco que te pediu uma assinatura minha para eu te autorizar a ti a movimentares a tua conta?'. Silêncio dela. Depois, como se já estivesse cansada: 'Eu não estou é a perceber já nada desta conversa...'. Ele concordava: 'Pois, também me parece que essa conversa não tem grande sentido, não.'. Ela ficava em silêncio, ouvia-se a respiração. Depois voltava: 'Mas então tu e a Elita não se fizeram titulares da minha conta?'. Ele começava a agastar-se: 'Olha, não vais volta ao mesmo, pois não? E era só isso? Como pelos vistos estás a fazer confusão, vai lá esclarecer melhor. Eu agora não me dá jeito, estou no carro.'. Silêncio. Depois: 'Ah, estás a conduzir... Então vê lá... Tem cuidado. Mas olha, quando chegares, depois liga-me que é para combinarmos.'. E ele já farto: 'Mas combinarmos o quê?'. E ela: 'Então, vires assinar o documento que o banco pediu.'. Ele: 'Mau... Outra vez...?'. E ela, a suspirar: 'Já estás outra vez impaciente, não se pode falar contigo. Não vês que tenho que esclarecer isto? Julgas que não percebo que já estás a despachar-me?'............
E isto poderia durar quase a viagem inteira, ele a querer desligar e ela a prendê-lo, em loop.
Solteira, sem irmãos, sem pais, apenas com dois primos. Professora do ensino secundário, a maior parte do tempo de baixa, com vários surtos psicóticos, os vizinhos a chamarem a polícia com o barulho que ela fazia supostamente a matar bichos que a queriam atacar. Com duas casas muito bem situadas, requintadamente mobiladas, com obras de arte valiosas, tudo herança dos pais, supostamente com uma conta bancária recheada. Segundo o meu amigo, para entrar em casa dela só de luvas e máscaras. Não limpava as casas nem queria lá ninguém, sempre a achar que todos a queriam roubar. De facto, ele e a prima Elita já tinham falado com ela algumas vezes que era melhor ela ter acompanhamento médico, ter alguém em casa a ajudá-la, que seria mais seguro que alguém mais pudesse também ter acesso à conta, talvez um advogado para ela não desconfiar que eles, os primos, queriam roubá-la. Nunca quis nada. Por duas ou três vezes a polícia levou-a para o hospital e ela deu o contacto dos primos. Lá chegados, encontraram-na a simular uma lucidez que não lhe conheciam. Dizia-me ele: 'Os malucos parecíamos nós, eu e a minha prima Elita'. Dizia também que dela queriam era distância pois estava sempre a insinuar que eles a queriam roubar, tinha chegado a dizer que já tinha apresentado queixa deles.
Mas, dizia-me ele: 'Se a vir, não diz. Vê-se que não anda muito bem arranjada, mas parece assim uma senhora fina, uma aristocrata um pouco alternativa, e consegue manter uma conversa completamente normal, disfarça completamente'.
E tive uma que trabalhava numa das minhas equipas, e cheguei a falar aqui dela, que nunca foi boa da cabeça, mas que chegou a um ponto que começou a ser ameaçadora, os meus colegas já temiam pela minha segurança, já me diziam para eu ter cuidado com ela. Sempre que podia, punha-se virada para mim, a olhar-me fixamente, com ar ameaçador. Chegou a entrar-me no gabinete uma vez que fiquei sozinha naquele piso, a trabalhar até tarde. Quando lhe perguntei o que estava ali a fazer, fez um sorrisinho maligno: 'Não tenha medo, não vou fazer-lhe mal.' E ficou ali a olhar para mim. Mas, ao mesmo tempo, com as pessoas com quem não tinha interacção directa, fazia-se de muito querida, fazia bolos e bolachinhas para oferecer aos colegas, desfazia-se em mesuras com toda a gente. E, no entanto, a nível pessoal a sua vida era uma complicação. Por exemplo, empreendeu que o irmão queria roubar os pais, empreendeu que o irmão tinha feito com que os pais a prejudicassem a ela, apresentou queixa na esquadra contra o irmão, o que levou o pai a cortar relações com ela, engendrava coisas surreais para virar a mãe, já meio demente, contra o irmão. E, a nível profissional, cometeu erros gravíssimos pelos quais responsabilizou outras pessoas, promoveu campanhas de vitimização e, ao mesmo tempo, de culpabilização dos colegas. Nem sei. Conseguiu que todos os colegas directos se incompatibilizassem com ela e que em alguns locais proibissem a sua entrada. Para eu me ver livre dela foi o cabo dos trabalhos. Finalmente, por acharmos que era um caso social, conseguimos mantê-la mas em funções inócuas, em que, na prática, não tinha que interagir com ninguém (pois já toda a gente queria distância e alguns já tinham medo dela), nem havia risco de causar danos com os seus erros. Já eu não estava lá quando soube que a mãe tinha morrido e que, no dia seguinte, apareceu lá, cabelo pintado de uma cor arrojada, vestida de um colorido exuberante e que ria e contava piadas por todo o lado, sem ninguém saber como reagir perante tão insólita reacção.
Isto para dizer que muitas vezes se subestima o risco que pessoas assim podem representar para os outros. Num momento de paranoia, num surto psicótico, podem atacar alguém. Muitos dos que acabam a cometer crimes já antes tinham dado sinal de que a sua estabilidade mental e emocional não existia.
O episódio que aqui partilho é disso exemplo.
O homem que perdeu a liberdade antes de ir para prisão | Do Outro Lado
O psiquiatra Sérgio Saraiva lembra o momento em que um doente percebeu que tinha cometido um crime violento. O caso mostrou-lhe, na prática, como a doença mental grave pode anular a vontade própria.
Quando estou com alguma das minhas amigas mais antigas, mal nos vemos desatamos a conversar como se não tivesse havido tempo de permeio. Aquelas com quem mais gostava de estar em miúda continuam a ser aquelas de quem ainda mais gosto. Não são iguais a mim. Cada uma delas tem coisas que vão quase em sentido oposto ao que eu sigo. Mas, ainda assim, nas nossas diferenças, entendemo-nos. Gostamos de ouvir as opiniões umas das outras. Para quem não tem problemas de maior, conversar assim deve ser tão bom e tão válido como fazer terapia. Tudo o que alguma de nós diz não encontra espanto ou censura nas outras, encontra aceitação, vontade de compreender. Não há vergonha nem inibição.
Nunca fiz terapia, nunca senti necessidade. Pelo contrário, gosto é de ouvir as outras pessoas. Já contei muitas vezes este fenómeno: sem que me conheçam, as pessoas desatam a falar-me da sua vida. Sempre assim foi. Mesmo agora no ginásio isso acontece. Uma companheira, digamos assim, com quem lá me cruzo com alguma frequência, quando estamos as duas ao lado uma da outra, conta-me tudo e mais alguma coisa sobre a sua vida. No fim, já despachado, o meu marido fica à minha espera no sofá, a ver televisão, pois a conversa costuma demorar. Nem sei o nome dela nem ela o meu, e no entanto sei como se chamam o marido e os ex-maridos, sei porque se separou dos ex, sei o que a encanta no actual, sei dos desaires da filha, sei de muita coisa. E a sensação que tenho é que mal abro a boca. O meu marido costuma dizer, ao ver como as pessoas se abeiram de mim e desatam a falar: 'se não desses conversa, a ver se a conversa durava tanto...' Mas a conversa que ele diz que dou não é nenhuma, limito-me a ouvir com atenção, eventualmente faço uma ou outra observação.
Quando no fim do outono passado almoçámos passámos a tarde com uns amigos, alguns com quem já não estava há bastante tempo, para o fim, um que é muito conversador desatou a contar-me coisas. O meu marido sentou-se num banco, incapaz de acompanhar. Mas um outro que estava também sentado nesse banco, levantou-se e veio mostrar-me umas fotografias, de certa forma interrompendo a conversa do outro. E eram fotografias de uma mulher muito bonita, que ele mostrava embevecido. Eu não a conhecia. Disse-me depois que era a mulher, que tinha morrido há uns dois ou três anos, salvo erro e que eu nunca tinha conhecido. Vi que continuava apaixonado por ela. Ora ele estava lá, naquele dia, com a namorada, namorada essa que, quando me tinha apanhado sozinha, também me tinha estado a contar toda a sua vida e como, agora, com este namorado, continuava a morar cada um em sua casa, tanto mais quanto, em casa dele, havia fotografias da mulher por todo o lado. Então, quando ele estava a mostrar-me as fotografias da mulher, linda, eu estava a modos que meio desconcertada por ver como, se calhar, ele ainda não estava preparado para estar a viver um namoro quando ainda se derretia todo a mostrar fotografias da mulher. Claro que não disse nada, não apenas porque o meu outro amigo, que este tinha interrompido, estava à espera que ele acabasse para retomar a conversa, como o meu marido não parava de me fazer sinais para nos irmos embora.
Quando chegámos ao carro, queixou-se do que se queixa sempre, que me deixo ficar a ouvir as pessoas, que não percebo que, se não as interromper, as pessoas não se calam. E eu, de certa forma, até concordo: as pessoas começam a falar comigo e não param de falar, e, por isso, custa-me desligar-lhes o botão. Pergunta porque é que não faço como ele. Respondo que não faço porque não sou capaz. Ele desliga. Ora como posso fazer isso com as pessoas a confidenciarem-me sobre as suas vidas?
Disse lá em cima que nunca fiz terapia, e é verdade. Mas, quando a minha mãe estava internada, nos Cuidados Paliativos, as médicas disseram à psicóloga que achavam que eu precisava de apoio e, então, ela procurou-me. Falei com ela, não me recordo se duas ou três vezes e foi muito útil, gostei bastante, ajudou-me. E, naquela altura em que eu estava meio perdida, desorientada, quase sem saber interpretar o que estava a acontecer e a querer que tratassem a minha mãe em vez de tentarem convencer-me que já não havia nada a fazer, foi bom ter alguém a fazer-me perguntas, a ouvir-me, a ajudar-me a interpretar. Lembro-me que desatava a chorar e que ela me dizia que era natural que eu estivesse assim, e continuava a falar como se, de facto, a minha reacção fosse normal, dizia que era normal eu estar até quase revoltada por a minha mãe ter escondido tudo e estar, até ao fim, a fazer de conta que não sabia o que tinha, deixando-me sem saber como agir.
Estávamos sentadas ao mesmo nível, ela num sofá, eu num outro, perto uma da outra.
Não sei se funcionaria se eu estivesse deitada num sofá e ela sentada, num nível mais elevado. Não sei. Não sei se uma pessoa deitada, se abandona, se se expõe mais facilmente. Não sei.
Aqui à noite, sem televisão ligada, vou vendo o que o algoritmo do Youtube tem para me mostrar. E tenho gostado de ver as conversas de algumas pessoas interessantes, deitadas no sofá, com a anfitriã, sentada num outro plano. Com uma câmara apontada ao rosto, sabendo que a conversa está a ser gravada, não sei se conseguiria desinibir-me e conversar sobre tudo. E, mesmo pondo-me no papel de quem ouve o que outra pessoa fala sobre a sua vida, não creio que me sentisse confortável estando o outro ali deitado no sofá. Mas, se calhar, funciona. Pelo menos, aqui, como abaixo poderão constatar, funciona.
Neste caso a conversa é com Helena Bonham Carter, que admiro bastante, é uma excelente diseur e uma excelente actriz. E quem conduz a conversa é Bella Freud, filha do pintor Lucian Freud e bisneta de Sigmund Freud. E divertem-se imenso, a conversa é gostosa. E falam com vagar, o que é muito bom. Conversar requer tempo, disponibilidade.
Helena Bonham Carter fala sobre traseiros proeminentes, androginia e a Princesa Margarida | Fashion Neurosis
Helena Bonham Carter é uma atriz inglesa. Conhecida pelas suas interpretações de mulheres interessantes e singulares, alcançou a fama ao interpretar Lucy Honeychurch em Um Quarto com Vista, em 1985, e a personagem-título em Lady Jane, em 1986. Em 1999, Bonham Carter rompeu com a imagem de "rosa inglesa" ao interpretar a mulher fatal Marla Singer em Fight Club. Interpretou a malévola bruxa Bellatrix Lestrange na franquia Harry Potter e, mais recentemente, a Princesa Margarida em The Crown, papel pelo qual foi nomeada para vários prémios. Helena vai protagonizar uma nova adaptação de Os Sete Relógios, de Agatha Christie, para a Netflix em janeiro de 2026.
Helena Bonham Carter tem dois filhos com o realizador Tim Burton. Conheceram-se em 2001 no set de O Planeta dos Macacos, e o casal colaborou em sete filmes, incluindo A Noiva Cadáver e Alice no País das Maravilhas, até à separação em 2014.
Conhecida pelo seu amor por calças abalonadas, saias compridas e estilo vitoriano, Bonham Carter lançou a sua linha de moda, The Pantaloonies, em 2006. Protagonizou campanhas para Marc Jacobs e Prada, e citou Vivienne Westwood e Maria Antonieta como as suas inspirações de estilo.
Bonham Carter recebeu um prémio BAFTA, um Critics' Choice Movie Award, um Emmy Internacional e três prémios do Screen Actors Guild, além de ter sido nomeada para dois Óscares, nove Globos de Ouro e cinco Primetime Emmy Awards. Foi nomeada Comandante da Ordem do Império Britânico (CBE) na lista de Honras de Ano Novo de 2012 pelos serviços prestados ao teatro.
Neste episódio de Fashion Neurosis, Bella Freud e Helena Bonham Carter discutem sobre roupas andróginas, rabos proeminentes e a palavra "vagina" como o novo elogio.
Tenho visto entrevistas ou vídeos de médicos americanos que convergem na opinião de que Trump padece de demência frontotemporal. Inicialmente havia quem dissesse que poderia ser Alzeihmer, tal como o pai teve, mas agora todos referem que parece não ser isso mas algo com consequências piores dadas as funções que ocupa.
Pedi ao chatGPT que caracterizasse essa doença e transcrevo parte da informação que obtive.
A demência frontotemporal (DFT) é um grupo de doenças neurodegenerativas que afetam sobretudo os lobos frontal e temporal do cérebro — áreas responsáveis pelo comportamento, personalidade, linguagem e funções executivas (planeamento, controlo emocional, julgamento).
Ao contrário de outras demências, no início a memória pode estar relativamente preservada. O problema principal está no comportamento, personalidade ou linguagem.
Evolução média: 6 a 10 anos após início dos sintomas (mas pode variar)
Geralmente progride mais rapidamente que a doença de Alzheimer
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Tem sido o próprio Trump a referir que tem feito testes cognitivos (que ele se gaba de acertar em tudo, a começar por identificar a girafa e o elefante) bem como Ressonância magnética ou TAC.
E parece estar a perder os poucos filtros internos que tinha e a ter as suas capacidades cada vez mais deterioradas: insulta pessoas, toma decisões erráticas, parece não planear nada do que decide nem acautelar as consequências, inventa as mais desvairadas aldrabices em que parece mesmo acreditar, demonstra não se informar sobre as matérias sobre as quais decide, passa a vida a adormecer nas reuniões, nas conferências de imprensa e até já adormeceu de pé.
Li que há opiniões médicas a referir o seu estado de declínio desde o 1º mandato, o que o colocaria já na recta final do percurso da doença. Como sou leiga na matéria, não consigo avaliar mais do que o que salta à vista de toda a gente (de toda a gente menos dos MAGAs, claro)
Com o poderio militar de que os Estados Unidos dispõem, com um gabinete de gente fraca e bajuladora em que não se consegue perceber quem é que, de facto, manda ali, a ser verdade que Trump padece mesmo de demência frontotemporal, ter à frente dos destinos do mundo uma pessoa que não mede o que diz ou faz parece ser causa para alarme.
Estou certa de que meio mundo deve andar já a estudar formas de 'atacar' o problema caso venha a tornar-se evidente que não pode continuar ao leme do país. O pior é o que ele ainda irá fazer até que o retirem. Por exemplo, a situação do Irão pode ser explosiva e ter consequências dramáticas e duradouras. Mas saberá ele avaliá-las? Tenho muitas dúvidas.
Vejo muitas discussões políticas e muitos comentadores a analisarem as suas decisões como se fossem ideológicas. E não vejo que as analisem como me parece que deveriam também ser analisadas, como provas de um caso clínico.
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Junto o vídeo em que Joanna Coles conversa, de novo, com o Dr. John Gartner para analisarem os acontecimentos mais recentes. Como sempre, é interessante e, até, divertido. Poderão accionar a tradução automática para língua portuguesa.
Porque é que o ego instável de Trump está a deixar o mundo em alerta | Podcast do The Daily Beast
O Dr. John Gartner junta-se a Joanna Coles para uma análise profunda e instigante do que ele defende serem os sinais crescentes de declínio cognitivo e comportamental em Donald Trump — desde palavras confusas e histórias desconexas até grandiosidade, paranóia e o espetáculo de adormecer no seu recém-formado Conselho da Paz. Enquanto dissecam a história da conspiração da escada rolante de Trump, a obsessão com a aparência, a fixação em nomear pontos turísticos em sua homenagem e os discursos noturnos nas redes sociais, a conversa alarga-se aos verdadeiros riscos: os códigos nucleares, a política de risco no Médio Oriente, as eleições intercalares e aquilo a que o Dr. Gartner chama uma perigosa combinação de ferida narcisista e poder desenfreado. Com referências à Gronelândia, Gaza, Irão, ao Departamento de Justiça e até à sombra dos arquivos de Epstein, Coles questiona se ainda existem mecanismos institucionais de proteção — ou se o impulso orienta agora as políticas.
No tema das doenças mentais há várias vertentes, qual delas a mais interessante e, talvez, a mais complexa. Como leiga, direi: misteriosa.
De um lado há as causas, muitas vezes ocultas, da doença. E, num outro lado, há os meios para as descobrir ou controlar. De forma mais material, de um lado estão as pessoas que têm os problemas e de outro estão as pessoas que conseguem tratar as primeiras.
Se nem sempre é fácil a quem tem ataques de pânico ou sofre de depressão ou de uma qualquer outra patologia perceber o que origina as crises também não será menos verdade que também não é fácil encontrar o terapeuta que acerta na abordagem ou que consegue despertar a confiança virtuosa junto de quem precisa de apoio.
Tenho aqui partilhado diversos vídeos sobre o tema e fica claro que estes domínios não são da ordem da ciência exacta. E fica também claro que o tempo dos estigmas ou dos tabus deve ser do passado. Tem que ser do passado. Ninguém está livre de ter um problema destes ou de ter que lidar com quem esteja afectado. E é importante que todos estejamos sensibilizados para esta temática seja por nós seja para podermos compreender e apoiar quem disso precisar.
Mas se as causas profundas destes distúrbios são misteriosos, também o são os vínculos entre médico/psicólogo/terapeuta e o doente, ou a forma como o terapeuta tem que se despir de si próprio para conseguir alcançar o paciente.
Já falei várias vezes de uma amiga psiquiatra que é das pessoas com a vida mais problemática que conheço. Perdi-lhe, entretanto, o rasto pois divorciou-se e éramos amigos do casal e algo se desmoronou depois dos inúmeros conflitos que ensombraram o fim do casamento. O meu marido chegou a um ponto em que, de cada vez que estávamos com eles, me dizia: 'Não tenho paciência para aturar esta maluca'. E chegava a sair da sala em que ela estava de tal forma ficava exasperado. Sendo fisicamente uma bela mulher e aparentemente normal, era, de facto, uma mente perturbada. No entanto, a nível profissional, parece que era muito competente. Chegou a directora do serviço num grande hospital. E depois deixei de saber dela. Com isto das redes sociais, descobri, no outro dia, que é amiga de um amigo meu. E vive no estrangeiro. Hei-de saber dela. Mas o que me espanta é como é que uma pessoa com forte pancada consegue ajudar os doentes de foro mental a encontrarem equilíbrio quando ela é, na sua vida pessoal, completamente desequilibrada.
Conheço também uma psicóloga, embora não tão bem como a psiquiatra. Mas, do que lhe conheço, também lhe detecto aqui e ali uns pontos que me colocam alerta. No outro dia estava com duas amigas que a conhecem muito bem e que se referiram a ela como alguém com alguns desequilíbrios. E, no entanto, profissionalmente, é conceituada e reconhecida. Portanto, há nisto também um certo mistério.
O vídeo abaixo é muito interessante. Sem meias palavras, com muita objectividade, Henrique Dias descreve o surgimento dos primeiros sinais e guia-nos pelos caminhos da sua ansiedade, da sua depressão, dos tratamentos, da procura do terapeuta que, finalmente, conquistou a sua confiança e conseguiu conduzi-lo para fora dos labirintos onde o negrume imperava.
Diz ele que quem tem problemas de ansiedade ou depressão muitas vezes não o partilham. Talvez por amor aos mais próximos, para não os preocuparem. Talvez por incapacidade. Talvez caiba, pois, a quem está bem a responsabilidade por estender a mão. Não deixemos que os que se sentem sós no seu sofrimento, por dificuldade em sair da solidão, não possam contar com a ajuda de quem poderia ser, de alguma forma, uma boia de salvação.
Henrique Dias, depressão e ansiedade. “Há uma solidão tremenda nas doenças mentais”
Foram precisos 12 anos, a partir do diagnóstico, para encontrar o psiquiatra certo para ele e a terapia que o pôs no caminho onde está hoje. Henrique Dias, guionista, autor de inúmeros textos no teatro e na televisão e um dos criadores da série “Pôr do Sol”, da RTP, era um jovem de 22 quando teve o primeiro ataque de pânico. No Labirinto — Conversas sobre Saúde Mental, fala do percurso entre o diagnóstico, o internamento num hospital psiquiátrico e a descoberta da psicanálise.
Continuo com severas limitações no computador e isso corta-me a disposição para escrever pois estou habituada a deixar que os dedos se aventurem à vontade sem que eu tenha que vigiá-los. Ora, agora, para conseguir usá-lo é uma ginástica e um esforço mental para os quais já estou destreinada. Para além das limitações que só com muita dificuldade consigo ultrapassar como, por exemplo, colocar acentos graves ou travar letras que ele desata a escrever sozinho e que me vejo aflita para controlar... Terei que levá-lo a uma loja, mas, caraças, custa-me deixar a minha caixinha dos segredos nas mãos sabe-se lá de quem. Não sei, não.
Por exemplo, estive a ver um vídeo com uma interessante entrevista a Brian Cox, um bacano por quem desenvolvi uma embirração de estimação só porque aquele cabelinho à f...-se e aquele sorrisinho que me parece um misto de falso maroto e de sonsinho abetalhado (abetalhado, de betinho apetatado) tendem a distrair-me do que ele diz. Mas ele sabe do que fala e sabe falar de forma clara e explícita, e isso eu tenho que receber.
Só que o tema da entrevista é, de facto, tão interessante e tem tanto que se lhe diga que me sinto inibida sabendo que vou estar a lutar com o teclado, a tentar encontrar atalhos ou correcções para os disparates que vejo aparecer no ecrã. 'Há vida depois da morte'', é um dos temas que ele aborda. Ora, posso eu chapar aqui um vídeo com temas tão do caraças e não dizer de minha justiça? Não posso, não é? Por isso, tenho que passar adiante.
Assim sendo, vou antes partilhar um vídeo, não tão complexo mas também imperdível, no qual o psiquiatra e professor em Harvard Robert Waldinger fala de um estudo que vem sendo conduzido há 85 anos sobre a felicidade. Não é coisa pouca. A felicidade é dos temas mais relevantes em qualquer sociedade, em qualquer extracto social, em qualquer faixa etária. Sermos felizes, verdadeiramente felizes, é o que todos queremos para nós e para aqueles a quem mais queremos. Contudo, não me parece que seja um objectivo a perseguir a qualquer custo, uma daquelas felicidades instagramáveis, enquadradas em cenários cinéfilos, em que as poses são estereotipadas e as conversas são vãs, conjugadas em torno de lugares comuns. Essa felicidade é efémera, artificial. Vejo mais a felicidade como o prazer de estar bem com as pequenas coisas, como a alegria simples de existir. Mas isto sou eu, leiga, leiga, a dizer.
O vídeo é longo mas é muito interessante. E também não tem que ser visto de penálti... E está legendado. E tem matéria interessante. Solidão, isolamento, partilha, convívio. E de quantos amigos chegados precisamos para sermos felizes? E a nossa experiência infantil tem impacto na nossa felicidade'
What 85 years of research says is the real key to happiness | Robert Waldinger
“Podemos aumentar as nossas hipóteses de sermos felizes construindo uma vida que inclua as condições que contribuem para a felicidade.”
E se o segredo para uma felicidade duradoura estivesse mesmo à frente dos nossos olhos? O psiquiatra de Harvard, Robert Waldinger, revela as conclusões do estudo mais longo do mundo sobre a vida adulta, com 85 anos de dados que desafiam as nossas suposições sobre o sucesso, a saúde e a realização pessoal.
Waldinger explica como as nossas relações e ligações — e não a nossa riqueza, fama ou sucesso — impactam diretamente a nossa mente, o nosso corpo e a nossa longevidade.
Têm-me dito que estou demasiado interessada em Trump, quase como se houvesse o risco de o interesse virar obsessão. Não creio que haja esse risco mas é verdade que o exagero dos dislates, a sua acelerada trajectória na direcção de uma parede, a loucura patente que está, sem oposição, a corroer dramaticamente a democracia, tudo isso me intriga e me dá vontade de antever qual o momento em que a coisa vai ter um fim dramático. Porque me parece inevitável que o fim seja estonteante, dramático.
Já aqui o referi, fazendo-me eco do que tanta gente advoga: em simultâneo com o narcisismo exacerbado, parece óbvio que há uma excessiva ausência de filtros, uma alarvidade que ultrapassa o razoável. Talvez esteja, de facto, demente. E a forma abstrusa como se deixa influenciar, a volatilidade das intenções, o protesto do seu ímpeto vingativo, tudo junto, torna-se um cocktail perigoso demais pois, não nos esqueçamos, está ao comando do país mais poderoso do mundo. E nem falo dos códigos nucleares.
A sua porta-voz confirmou que o Salão de Baile para 999 pessoas e que, segundo ele, tem tido óptimas reviews, é a sua grande prioridade. Com o governo paralisado, com consequências tão pesadas para tanta gente, com tantos e tão graves problemas, a sua prioridade é o Salão de Baile. Vai para as reuniões com plantas, com desenhos. Tal como agora quer mandar construir uma réplica do Arco do Triunfo. Tudo delirante. Depois de ter garantido que não ia mexer no edifício para construir o Salão de Baile, é com espanto e horror que as pessoas percebem que afinal está a demolir a ala esquerda da asa Branca.
Contudo hoje ouvi uma coisa que me deixou um pouco de pé atrás sobre se é só demência e ostentação ou se é também paranoia -- ou se há alguma racionalidade, inconfessa, a justificar tudo isto. Nos tempos de Hitler, em 1936, também foi construído um Salão de Baile. Só que, por baixo, estava o verdadeiro objectivo: um bunker. Sucede que, justamente, por debaixo da ala que agora está a ser destruída existe o Presidential Emergency Operations Center (PEOC). Ora acontece que não deve ser tão grande nem tão moderno nem tão 'anti-nuclear' como Trump deseja. Por isso, será que isto do grande e opulento Salão de Baile, que bate muito certo com a demente ostentação de Trump, não é ao mesmo tempo o pretexto para reformular e reconstruir um novo, huge, fantastic, bigger then anyother nuclear bunker?
Enfim. O que for soará.
Seja como for, partilho o mais recente vídeo em que o psiquiatra Dr. John Gartner conversa com Joanna Coles sobre a deterioração evidente da mente de Trump -- e como é preocupante que aparentemente ninguém se preocupe a ponto de tomar sérias providências. Mais depressa as pessoas gozam com as derivas tresloucadas do que ficam apreensivas com a sua demência que já estão a levá-lo para actos a todos os títulos preocupantes para os Estados Unidos e para o mundo.
É muito interessante.
Trump's Cognitive Collapse is Clear: Psychologist | The Daily Beast Podcast
O Dr. John Gartner junta-se a Joanna Coles, da Beast, para avaliar o desfasamento mental de Donald Trump. O psicólogo clínico e antigo professor da Johns Hopkins, que alertou precocemente para o "narcisismo maligno" de Trump, afirma agora que o presidente demonstra sinais claros de declínio cognitivo, comparando a sua confusão e grandiosidade a ditadores nas suas fases finais. Coles pressiona Gartner sobre se a demência de Trump o torna mais perigoso ou simplesmente mais delirante, e o que isso significa para o resto do segundo mandato de Trump e mais além. Estarão os Estados Unidos a ser liderados por um homem que está a perder o contacto com a realidade ou Trump ainda é suficientemente astuto para esconder os seus sintomas crescentes?
00:00 - Introdução
02:56 - Explicando o Narcisismo Maligno de Donald Trump
04:09 - Comparar as Ações de Trump com o Alarmismo de Hitler?
10h10 - Porque é que as derivas erráticas de Trump são, na verdade, um sintoma de declínio cognitivo
13h11 - A grandiosidade de Trump é uma componente de uma perturbação de personalidade
15h19 - O vídeo da IA de Trump, "No Kings Poop", é um sinal do sadismo de Trump
16h29 - Trump confundir Irão e Índia é sinal de declínio cognitivo
19h00 - Como as pessoas que rodeiam Trump tentam lidar com o seu declínio cognitivo
20h37 - A incapacidade de Trump para se calar revela o seu distúrbio de pensamento
23h09 - Trump deu sinais de AVC durante a cerimónia de 11 de setembro
27h13 - Porque é que diagnosticar a saúde mental de Trump é urgentemente necessário
32h26 - Como o declínio cognitivo de Biden difere do de Trump
36h30 - O discurso militar de Trump mostra como o seu pensamento é desordenado
39h48 - A comunicação social generalista precisa de cobrir os problemas cognitivos de Trump