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terça-feira, junho 03, 2025

A Inteligência Artificial vai atirar o desemprego para uns assustadores 20%? Já é caso para alarme?
Ou vamos esperar a ver no que dá e, até lá, que não nos doa a nós a cabeça...?

 


Quando comecei a trabalhar havia profissionais que, mais tarde, desapareceram. Por exemplo, havia codificadores. Mais tarde, as próprias pessoas escolhiam os códigos que, de entre a lista, melhor se adequavam. Na informática, que ocupava enormes 'salões', havia 'analistas' de diversos tipos, programadores e 'operadores de recolha'. Os diversos serviços enviavam diariamente montanhas de documentos que estes últimos 'recolhiam'. Aos poucos, a 'recolha' acabou pois os diversos serviços introduziam a informação directamente nos sistemas.

Dentro dos centros de informática propriamente ditos, espaços gigantescos, havia os preparadores que organizavam a sequência em que entravam os 'jobs' e, para a informação ser cozinhada, havia programas que 'corriam' de noite. E, de manhã, os estafetas distribuíam lençóis, 'pijamas', por todos os serviços - listagens enormes de papel às risquinhas com buraquinhos dos dois lados. Aos poucos isso foi saindo nas impressoras que estavam nos serviços e mais um conjunto de profissionais ficou sem trabalho.

Havia salas enormes com operadores de telex. Os serviços preparavam o que hoje seriam mails, os 'contínuos' levavam à sala dos telex's. 

E havia a enorme sala de dactilografia. Só senhoras. Eram elas que 'batiam à máquina' cartas, relatórios, contratos e o que houvesse a fazer em letra de forma. Algum tempo depois, essas salas desapareceram.

Outra das salas enormes, enormes mesmo, era a da Contabilidade. As facturas dos fornecedores chegavam lá, eram contabilizadas em máquinas de manivela, e eram registadas e arquivadas em mais do que uma via.

Já mais recentemente, as facturas chegavam, alguém abria os envelopes, organizava-as e passaram a ser digitalizadas à chegada e, a partir daí, todo o processo passou a ser automatizado, com sistemas que transformam imagem em dígitos, com workflows para que circulassem por quem as aprovava, e, daí até entrarem directamente no sistema, eram um ai. Vários profissionais foram dispensados, claro. Posteriormente, a mudança foi ainda maior com os fornecedores a registarem directamente as facturas no portal que a empresa disponibilizava. E mais redução de pessoal, claro.

Fazer o orçamento da empresa e fazer o acompanhamento mensal, quando entrei, ocupava muita gente e era um trabalho terrível. Tinha que se recolher informação manual de todas as áreas e fazer infindáveis cálculos manuais. Fazer uma alteração implicava, frequentemente refazer todo o processo. O produto do orçamento era um dossier enorme, cheio de folhas datilografadas, que era distribuído pelas direcções. Mensalmente eram produzidos, em papel, relatórios com os desvios e as suas explicações bem como uma projecção dos impactos no resultado anual. Uma trabalheira que hoje dificilmente se imagina.

Aos poucos, os escritórios foram encolhendo. O que antes requeria edifícios gigantes com muitas centenas de funcionários ficou reduzido a um andar em que a maioria das pessoas já estava afecta a áreas mais 'nobres' como planeamento, investigação, inovação, qualidade, gestão de talento e coisas assim.

Fora dos escritórios a revolução foi também brutal. Os armazéns, por exemplo, antes fervilhavam de gente: uns recebiam o material, outros codificavam, outros inseriam as guias de entrada em dossiers e em folhas de registo para serem 'recolhidas' ou, mais tarde, directamente no sistema, isto depois dos codificadores catalogarem tudo. Depois havia os que arrumavam os artigos, outros que faziam inventários, outros que atendiam quem lá ia levantar artigos e, aí, faziam os movimentos inversos. Hoje poucas pessoas lá trabalham. Tudo está informatizado, automatizado.

E podia continuar mas o panorama seria sempre o mesmo.

Em cada um destes movimentos houve sempre alguém que foi sacrificado mas, vendo a posteriori, nada disto foi globalmente dramático pois as pessoas iam sendo 'reconvertidas', outras saíam com indemnização e arranjavam lugar noutras actividades. E isto era um processo gradual.

O que aconteceu nas empresas em que trabalhei, aconteceu em todo o mundo.

Mas não sei se a revolução que a inteligência artificial não vai ser mais disruptiva. Não a vejo como um interruptor -- hoje funciona assim e amanhã já é de outra maneira e, de um dia para o outro, saltam pessoas aos milhares -- pois as organizações levam tempo a assimilar as mudanças e a adaptar-se. Mas, assim que se inicie a migração para processos que incorporem a inteligência artificial, o movimento será irreversível e rápido.

Hoje ainda não sabemos dizer ao certo todas as áreas em que a IA vai mexer mas é só questão de começar. Onde ela entre, o movimento será imparável.

A nível caseiro, já a uso a toda a hora -- e já sinto que há um antes e um depois do ChatGPT. Dou um exemplo: contei no outro dia que a rega não tinha arrancado. Herdámos o sistema de rega com a compra da casa. Tem sido sempre uma aventura atinar com o seu funcionamento pois não ficou nenhum manual e, quando tínhamos jardineiros, cada um mexia à sua maneira, dizendo que tinha reprogramado. E havia noites em que regava em permanência, outras vezes arrancava de dia, em horas impróprias, outras vezes funcionava dia sim, dia não. Quando resolvemos que estávamos melhor sem jardineiros, esse imbróglio passou para nós. O incrível mundo das electroválvulas e das estações e dos programas passou para nós. O mal das coisas complexas e sofisticadas -- que dão para adaptar a tudo e mais alguma coisa e que permitem combinações de tudo com tudo -- é que descortinar o que está programado e o que se pode fazer sem fazer perigar todo aquele equilíbrio instável é um desafio. O meu marido é apologista da técnica de mexer o menos possível. Eu sou o contrário: eu sou de tentar perceber tudo e depois refazer tudo em consciência. Mas, antes, faltava-me o apoio técnico. 

Até que chegou o ChatGPT. Agora fotografo o programador e coloco dúvidas. Ele reconhece a marca e o modelo e começa a interpretar o que vê. E vou seguindo o que 'ele' diz. Claro que ele não me diz tudo às primeiras pois é sabido que a maior ignorância é a que desconhece a dimensão da sua ignorância. Portanto, não pergunto tudo o que há para perguntar e, portanto, vou recebendo respostas que são apenas uma parcela do que há a fazer. Uma luta. Tentativas infrutíferas umas atrás de outras. Mas não desisto. Faço, fotografo o que diz o monitor, volto ao ChatGPT, volto ao programador, e assim sucessivamente. Neste momento, já estou mais perto de dominar a coisa. Ainda não estou lá, mas já vi a luz ao fundo do túnel mais longe... Claro que ainda não cheguei à parte a que provavelmente nunca me atirarei: a do aspecto físico da coisa, o das electroválvulas, a sua associação às estações respectivas. Mas, se calhar, até para isso, 'ele' me ajudaria. O que antes requereria um jardineiro especialista em sistemas de rega, agora está nas minhas mãos e nas do ChatGPT. 

E quem diz isto diz interpretar um balanço e uma demonstração de resultados, apontando pontos críticos, áreas a requerer atenção -- e isto através do 'upload' de um ficheiro ou de fotografias. Isso ou interpretar análises clínicas ou relatórios de exames médicos. Ou fazer o upload de um livro, ou de um contrato ou do que for, e pedir um resumo, uma apresentação ou o que for. E o trabalhinho aparece imediatamente feito.

O impacto disto nas empresas, nos escritórios de advogados, na Administração Pública, na Investigação, na análise das imagens de exames médicos, em todo o lado..., vai ser imenso.

Claro que haverá sempre muitas profissões que não desaparecerão. Muitas. E novas profissões surgirão. Muitas. 

Estudar o impacto, área a área, de tudo isto é imperioso: para programar a formação e as vagas por curso, para repensar a sociedade no seu todo. Se tudo for pensado e planeado, decorrerá sem sobressaltos de maior. Se nada se fizer, será um ver se te avias de crises, crises daquelas bem problemáticas.

A entrevista que o Anderson Cooper conduz com o CEO de uma empresas de Inteligência Artificial é interessante. Penso que é um tema que deveria ser trazido para a ribalta. Em vez de andarem mais do sete cães a um osso a ver quem diz mais mal do Gouveia e Melo mais valia que se antevisse o futuro. Com pés e cabeça. Com factos, com objectividade. Com gente que saiba e não com papagaios. Estou farta de papagaios.

AI company's CEO issues warning about mass unemployment

Anthropic CEO Dario Amodei tells CNN's Anderson Cooper that "we do need to raise the alarm" on the rise of AI and how it could cause mass unemployment.

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Imagens geradas, a meu pedido, pelo Sora (IA)
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Dias felizes

quarta-feira, fevereiro 17, 2021

Onde investir? O que investigar? Em que trabalhar? O que estudar?

 

O mundo está num momento charneira. A consciência colectiva de que temos andado a estragar o planeta e a pôr em perigo a natureza, incluindo a nossa espécie, está aí. Podem ainda alguns negacionistas considerar que isso do 'ambiente' é uma fantasia ou um excentricidade ou que ser 'verde' é coisa a que uma minoria radical gosta de se dedicar, pode grande parte dos políticos ainda andar entretida com intrigas ou minudências partidárias mas uma coisa é certa: por um lado as evidências do mal causado são já inúmeras e muito evidentes e, por outro, uns quantos ilustres e muito influentes giga-tera-peta-milionários estão a investir em força naquilo que acreditam ser a galinha dos ovos de ouro das próximas décadas.

Fecham algumas refinarias, reconvertem-se indústrias, vários sectores definham e muitos sofrerão consequências que sobreviverão à pandemia -- mas muito, muito trabalho está para chegar em segmentos novos e para os quais ainda muito há que estudar.

Melhor farão os sindicatos e os partidos que se colam aos receios dos trabalhadores que vêem o seu emprego a perigar se souberem propor e preparar programas de reconversão para trabalhos para os quais muita gente vai ser precisa.

Claro que para haver investimento tem, ao mesmo tempo que haver tecnologia e, antes, muita investigação e, antes, aprendizagem. 

Não quero simplificar o que é complexo nem menorizar o que é dramático para os que sofrem o desemprego na pele. Sei que é cliché mas, com vossa licença. vou mesmo dizer: os momentos de mudança devem ser encarados como oportunidades; cabe é aos políticos ver ao longe e tentar que haja mais ganhos do que perdas, sobretudo a médio e longo prazo, não descurando os que precisam de ser ajudados no curto prazo. Se escrevo isto é apenas porque é um tema emergente, no qual a sociedade deveria estar focada. E não vejo que isso esteja a acontecer.

Se a UE já está a dirigir os apoios para a descarbonização, para o digital, para a a transição, a verdade é que é toda a economia, toda a cultura, toda a sociedade que progressivamente vai orientar-se nesse sentido.

Os vídeos que partilho são interessantes e abrem uma janela para o que está para vir. Uma vez mais Bill Gates. Com o seu espírito empreendedor e visionário, agora condimentado pelas suas preocupações ambientais, de desenvolvimento e de inclusão, ele sabe onde pôr as fichas. Tem a vantagem de o anunciar e explicar bem explicado.

Espero que no nosso País os políticos, a academia, os empresários e a comunicação social dirijam a sua atenção para estes temas pois há muito, muito  a fazer. Já para não falar na necessária mudança de mindset: inovação, colaboração, primazia à ciência e ao conhecimento, visão de longo prazo.

This tool will help us get to zero emissions

No fundo, mostra onde há investigação e investimento a fazer e, claro, onde vão ser criados mais postos de trabalho


Bill Gates: The 2021 60 Minutes interview

"Without innovation, we will not solve climate change. We won't even come close," 

Gates says. Anderson Cooper reports for 60 Minutes


sábado, setembro 15, 2018

Sorry, Sr. Presidente, não lhe segui o exemplo:
não fui capaz de mergulhar na Fróia*...


Só para desfazer já as ilusões: não foi por mais nada, foi mesmo só pelo bucho e pelos maranhos. Love, love, love. Ou seja, estando por ali, nem pensar em vir embora sem os ir manjar onde eles são de a gente se lamber e chorar por mais. 

Portanto, o percurso de volta passou pela Sertã e, de caminho, por Proença-a-Nova.




E, já que estávamos em Proença, nem pensar em passar por lá sem ir até à Fróia, essa bela praia fluvial.
* E, note-se, não sei se o Marcelo também por lá banhou o seu mundano corpo mas, dado como é a tirar a roupa em qualquer lugar, se esta praia fluvial lhe escapou foi por mero acaso e, de resto, nada nos garante que um belo dia não estejamos nós de mantinha sobre os joelhos a ver televisão e não nos entre ele, todo lampeiro, sala adentro, a mergulhar nas verdejantes águas da Fróia.
Adiante.

Pensámos: para lá chegarmos, deve haver indicação, placas, quelque chose. Mas perceber que quem não é do sítio precisa de ter placas de orientação é coisa que os nossos municípios, de maneira geral, ainda não perceberam. Podíamos ter tentado logo o gps mas resolvemos, antes, fazer as coisas à moda antiga. Ir até ao centro, dar um passeio, ir até ao Turismo.


E foi o que fizémos. Démos uma voltinha a pé, procurámos os Paços do Concelho e lá démos com o Turismo. Uma jovem simpatiquíssima deu-me um mapa, explicou-me.

Ao entrarmos no carro, lá transmiti as indicações mas o meu marido, achando que eu não estava a ser clara, insistia: há-de haver indicação de praia fluvial ou de aldeias de xisto, qualquer coisa. Sim, sim, era bom. Sendo pontos de atracção no concelho, era normal que estivessem devidamente assinalados. Nada. Acabei por tentar o gps e felizmente lá tinha a Fróia. Sorte. É que só mesmo junto ao sítio onde se vira é que tem uma placa. O costume.

Mas, chegando lá, a gente esquece a falta de visão dos autarcas e focamo-nos é no que a nossa própria visão nos dá a ver.

Uma maravilha. Já conhecíamos mas a lugares assim pode sempre voltar-se que nunca será de mais.

Verde que te quero verde. Um mundo tranquilo todo em verde. Lá em cima, na estrada fazia um calor abrasador mas cá em baixo, junto à água, no meio do arvoredo, estava um fresquinho verde de dar gosto.



Não sei que erro de paralaxe é este que, ao projectar-nos nas águas, me deixa redonda e  põe o meu marido barrigudo e mais pequeno que eu
Por estas e por outras é que não gosto de selfies: parece que desfavorecem uma pessoa, credo

Estava, pois, com vontade de seguir o conselho do nosso ubíquo Presidente-Nadador e mergulhar nas águas da praia fluvial. Mas, olhando para o fundo, não consegui. A água escura, na beira um fundo pedregoso e a meio nem se via o fundo. Não consegui. Não sei que monstros se escondem em águas assim, não sei se haverá piratas submarinos a puxar as pernas das ladies que se afoitam, não sei se há tubarões de água doce, polvos gigantes ou medusas enleantes e perigosas. Não. A mim não me apanham em águas que não sejam transparentes. Aliás, corrijo: a água até é capaz de ser transparente mas o fundo e as margens devem ser escuras e toldam a visão. Ou isso ou outra coisa qualquer que não deixa ver. Portanto: andei e passarinhei, fotografei mas não mergulhei.


Agora uma coisa tenho eu a dizer: ainda não sabemos valorizar o património riquíssimo que temos. Lugares paradisíacos como estes são ainda quase desconhecidos do mundo. E quando falo do mundo não preciso de ir longe. Num dia de calor (trinta e tal graus) e com muita gente ainda de férias (já para não falar nos que não trabalham como, por exemplo, os reformados) não estava lá mais do que uma dúzia de pessoas. 

Está certo que não é preciso que haja enchentes que estraguem ou descaracetrizem a beleza natural dos lugares mas o turismo de qualidade sabe conciliar o melhor dos mundos. Mais turismo traz mais riqueza aos lugares, mais emprego, mais oportunidades. 

Proença-a-Nova tem um potencial que, à vista desarmada, se vê que é enorme e, no entanto, do que conheço (e que, confesso, não é muito), não parece saber tirar partido disso.

Adiante. 

Dali rumámos à Sertã. Estava muito calor, mesmo muito. Demos um passeio no bonito e cuidado jardim e, de seguida, até porque estávamos quase no limite do horário, fomos então ao bucho e ao maranho. Bons, bons, bons.


E dali iniciámos o caminho de regresso. Já cá estou, in heaven. O bem que me sinto aqui, a alegria com que chego a casa, são difíceis de explicar. Já andei a varrer a caruma à volta da casa, já andei aos figos, já assei um cabrito no forno, com alecrim e mel. E aqui estou, sossegada, partilhando convosco estas minhas andanças.

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E, agora que já acabou o filme Eu, Daniel Blake que passou na rtp2, devo dizer que, se não viram, devem vê-lo. Penso que é imprescindível e urgente vê-lo. A situação de quem se vê numa situação de fragilidade, sem meios, sem ter a quem recorrer, à mercê de mecanismos e organismos frios, insensíveis, onde não há consideração pela dignidade humana nem compreensão para com a vulnerabilidade de quem nada tem, pode ser de total desespero. A história de Daniel e de Katie é de partir o coração. E é, acredito, o retrato realista do que se passa nessa parte do mundo real em que as pessoas são a parte menos importante, nesta Europa que, por vezes tratar assim os seus cidadão. E é isto que tem vindo a abrir a porta ao populismo, à xenofobia e a tudo o que de mais temível está à espreita. Tentem ver este filme, é o que vos recomendo.

quarta-feira, dezembro 20, 2017

Não, não é uma história de Natal





Não é só que estes meus dias estejam complicados. É capaz de ser também a falta de descanso. Frequentemente sinto que a impaciência me toma. Esforço-me por chegar ao fim do dia sem que se perceba que estou em esforço. E a cidade está com mais trânsito do que habitualmente, o que também não ajuda nada. Está tudo cheio. Tento encaixar tudo dentro de tudo mas não é fácil. Ao fim do dia ainda quis ir à fisioterapia. Um trânsito danado. Cheguei tarde. Intrigada por a fisioterapia não estar a resultar como esperado, a terapeuta resolveu trocar a componente do frio pelo quente. Calor nas cervicais até aos ombros. Maravilha. Pelo menos, enquanto ali estive com o calor soube-me mesmo bem. Depois mais trânsito. E mais coisas que fazer cá em casa. Passa da meia-noite e só agora consegui aqui chegar.

Esta quarta-feira espera-me um dia também cheio de cenas e vai ser até à noite. Não está fácil.

Gostava de ter tempo para responder aos mails e às sms que começam a chegar. Mas não tenho conseguido. Alguns são mails profissionais mas há outros que são de leitores. Tenho-os lido a todos mas ainda não é hoje que vou conseguir responder. Não levem a mal, por favor.


Por tudo, sinto que ando sem capacidade para acomodar mais contratempos ou situações emocionalmente mais puxadas. No entanto, não se pode controlar o que nos é exterior.

Hoje, por exemplo, uma situação que me deixou numa inquietação. Ainda estou. Até pensei: hoje não vou escrever nada no blog, não quero falar no que se passou e não consigo falar de outra coisa.

Mas, tendo ligado o computador, resolvi escrever.

Conto. Quando estamos a admitir alguém para alguma das minhas áreas nem sempre intervenho directamente. Consoante a função ou a responsabilidade, assim delego total ou parcialmente. No caso presente, como quero perceber se encontro alguém dentro de uma determinada via para, caso não encontre, enveredar por outra e porque quero despachar isto rapidamente, resolvi participar, estando também a minha colaboradora que vai chefiar a nova pessoa e o colega responsável pelas admissões. Tinha recebido antes um dossier com inúmeros candidatos. Dali, seguindo o método rápido que geralmente sigo, pus de parte a maior parte deixando cerca de meia dúzia. Meia dúzia com um grande esforço porque tive vontade de desistir de imediato. Nenhum me pareceu ter o cv adequado ao que se precisa. Mas resolvi dar uma hipótese. Pedi ao meu colaborador que fizesse o mesmo: uma pré-selecção. Depois, desconsolados, comparámos e reduzimos os pré-seleccionados a três. Com muitas, muitas reticências...

Tenho que confessar que cada vez mais me custa assistir a situações que antevejo complicadas e relativamente às quais penso que as pessoas envolvidas precisam de uma mão mas em que me sinto impotente para fazer o que quer que seja. Não trabalhasse eu para um empresa mas sim para uma instituição de apoio social, proporcionar-lhes-ia o suporte que sinto que precisam. Mas trabalho numa empresa e não faz sentido necessitar de uma pessoa para uma função e admitir uma pessoa notoriamente incapaz.

Hoje duas pessoas. Como disse, pelos CVs antevi que não seriam bons candidatos. De facto, nada bons. Mas, por vezes, os CVs são fracos e, nas entrevistas, temos surpresas. Apareceram ambos a cheirar imenso a tabaco. Ambos desempregados há bastante tempo. Devem consumir as horas livres a fumar. E só isso me encheu de pena, imaginando-os desanimados, sem nada que fazer senão fumar. Mas, enfim, pormenor isso do intenso cheiro a tabaco.  Não quero entrar em pormenores mas tudo neles os atira para os braços do infortúnio. Não quero que me interpretem mal. Se há coisa que me custa tolerar são os betinhos, auto-convencidos, cheios de frases feitas, todos sapientes e focados. E estes eram o oposto. Mas coitados. E acreditem que o digo com uma pena imensa: coitados. Um deles, então, deixou-me de coração partido. Profissionalmente um nulidade mas de uma tal humildade, de uma tal sinceridade, de uma tal fragilidade... Mesmo fisicamente todo ele insegurança, vulnerabilidade, todo ele disponível para tudo e qualquer coisa. Com 40 anos. E eu ouvindo-o e com vontade de abreviar a conversa porque nada nele deixava antever qualquer mínima probabilidade de vir um dia a estar capacitado para as funções em causa... mas incapaz de atalhar, como se não quisesse logo matar-lhe a esperança. Deixei prolongar a conversa, quase aflita, sem saber se estava a fazer bem. Não procuro gente com muita experiência pois a experiência adquire-se. Mas, se não tiver experiência, tem que ter bases ou, se não tiver nem grande experiência nem umas bases extraordinárias, tem que ter umas luzes mas umas luzes que se vejam e que a gente perceba que vai lá. Não era o caso destes dois, em especial deste que, coitado, notoriamente não encontrou ainda o seu lugar no mundo nem tem sabido adequar as suas expectativas às suas reais capacidades. Não pode aparecer a dizer que determinada área sempre foi a sua paixão e a gente, ao fim de um minuto, peceber que ele não tem sequer a noção do que é essa área, limitando-se apenas a ter algum conhecimentos de uma ínfima parcela dessa área. Mas tudo de uma forma inocente, ingénua, humilde. Talvez daqui por uns tempos eu relate a conversa para que possam perceber. 

Acabou a conversa, agradeci, despedimo-nos. E os três concluímos que nem pensar mas os três estávamos um pouco comovidos e eu disse que tinha era pena de não poder encaminhá-lo para algum lugar onde ele pudesse ser ajudado. Deveria fazer testes vocacionais ou coisa do género, deveria receber formação consentânea, depois deveria ser encaminhado para um trabalho onde fosse acolhido apesar de já não ser especialmente novo face ao grau de experiência que teria nessa altura. Assim, por aí vai continuar a enviar CVs a eito, nem sabendo já qual a empresa que o chamou, tantos os CVs que tem enviado.


Desde que me despedi dele que tenho estado com este sentimento de amargura. Custa-me deixá-lo ao deus dará mas não tenho mesmo qualquer hipótese de admiti-lo. Só que o seu corpo frágil, o seu rosto infeliz, a sua voz humilde, as suas mãos finas, brancas e magras não me saem da cabeça.

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Fotografias feitas no sábado

O vídeo mostra um sem abrigo vive numa cadeira de rodas que, em Leeds, na véspera de Ano Novo do ano passado, se aproximou de um músico de rua e lhe pediu para cantar e o resultado é a maravilha que puderam ouvir.

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sexta-feira, janeiro 06, 2017

O futuro está a chegar.
[E cuidado com ele...]




Não é novidade para quem por aqui me vai acompanhando: eu própria já me movi em terrenos relativamente próximos da inteligência artificial e, oh céus, eu própria me surpreendi com a correcção e capacidade de decisão daquilo que eu própria tinha idealizado e que, perante situações reais, processava mais informação, em menos tempo e melhor que eu.

Há mundos que, por quem deles se abeira, devem ser vistos com respeito, forte sentido de ética e com instinto de sobrevivência.

Podemos desenhar modelos e conceber mecanismos que sejam melhores que nós em determinadas funções. Fazê-lo, para quem o sabe, é canja. Mas não devemos também deixar de ter presente que mesmo que invisíveis, há linhas que devem ser vistas como linhas vermelhas. As tentações, nestes domínios, são perigosas armadilhas. 

No outro dia já aqui falei de bonecos de aspecto humano e que, ao contrário das vulgares bonecas sexuais (antes simplesmente insufladas), inertes e desanimadas, são animadas, falam, respondem com inteligência e que até já estão a ser preparadas para demonstrar emoções e para serem sexualmente interactivas. 

Pode parecer que tem piada.


Imagino: aqui ao meu lado, um tarzan, todo giraço, e eu: 'lindo, diz-me um soneto de Shakespeare' e ele, prestável, voz timbrada, simpático,
All the world’s a stage,
And all the men and women merely players;
They have their exits and their entrances,
And one man in his time plays many parts,
His acts being seven ages. (...)


E depois eu, 'fofo, agora dá-me um beijinho' e ele, cortês, a debruçar-se sobre mim e a perguntar-me com ar malicioso 'onde, madame...?'.

Muita graça. E, no entanto, graça nenhuma.

Deve ser uma coisa como, quando os bebés estão habituados a mamar do peito da mãe, em que têm que fazer força para puxar o leite, em que encontram sabores diferentes -- e depois um dia experimentam beber leite artificial pelo biberon e nunca mais querem outra coisa. Assim eu com o tarzan. Às tantas, tão simpático, tão disponível, tão prestável a toda a hora, tão fofo, tão diseur, quiçá cantador de baladas, quiçá até arranjava um que tocasse piano, ou, quiçá até que dançasse o tango --- e eu, esperta, pensava 'mas pera lá aí, com este tarzan que nunca protesta com nada e que tem o feitio de um santo, para que é que eu quero este aqui ao lado, que qualquer dia vai para velho, que se chateia quando tiro mais de mil fotografias e que acha sempre que faço comida a mais quando cá vem alguém e não pára de me chamar para me perguntar se eu estou à espera que ele fique a comer restos durante uma semana...? Ná. Fico mas é com o tarzan.'

O drama é que o meu marido poderia arranjar também um sucedâneo de mim, uma Kate Moss tal e qual, uma espécie de eu mas em bom, e, um dia, chegava eu a casa e tinha a beldade estendida no meu lugar do sofá, a falar sobre futebol com ele e ele todo entusiasmado por ter finalmente uma parceira capaz de o acompanhar em conversa tão relevante. Ou, quem diz a falar de futebol, diz a fazer a dança do varão. E ele todo babado, sem tirar os olhos dela.


Isto já para não falar que, quando fossemos trabalhar, ficavam a Kate e o Tarzan sozinhos em casa e, às tantas, ainda se apaixonavam um pelo outro e, quando chegássemos a casa, tínhamos as malas à porta e a fechadura trocada porque os marmanjões se tinham aboletado com a nossa querida casinha e tinham resolvido que estavam melhor sem nós. Forrobodó todo o santo dia e no need for humans.




Ficção...?

Pois. Mas talvez não muito distante.

E no trabalho. Há muitos anos que as linhas de produção estão automatizadas, que são autómatos que regulam e optimizam o seu funcionamento. Há muito que, a nível administrativo, os sistemas informáticos automatizam processos de facturação, de gestão de stocks, de organização de transportes, etc. Onde antes trabalhavam largas centenas de pessoas, pode agora o mesmo trabalho (ou melhor: mais trabalho) ser feito por escassas dezenas. Claro que há desemprego. Como não?

E é irreversível, isto.

Obviamente a população trabalhadora vai-se desviando para outras actividades: para o turismo, para a cultura, para o entretenimento. Mas a tendência é esta: grande parte dos trabalhos tende a ser desempenhada, com vantagem a nível de eficiência e de custos, por máquinas ou por programas informáticos.

E vem isto a propósito de quê, meus Caros?



Programa tem "tecnologia cognitiva que lhe permite pensar como um humano" e deverá aumentar a produtividade da empresa

Uma empresa japonesa de seguros vai substituir 34 dos seus funcionários por um software de Inteligência Artificial. A Fukoku Mutual Life Insurance acredita que ao instalar o Watson Explorer da IBM poderá aumentar em 30% a produtividade e poupar 140 mil ienes por ano, cerca de um milhão e 100 mil euros. (...)

O Watson Explorer vai ser instalado este mês por 200 mil ienes, cerca de um milhão e 600 mil euros, segundo o Telegraph, e a empresa acredita que em dois anos conseguirá reaver o investimento. Os trabalhadores vão ser despedidos em março. (...)


Mas não temos que ir tão longe. Senão, vejamos.

Meet Amelia, your first digital employee.



ou o Watson:


Learn how IBM Watson works and has similar thought processes to a human





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O tema tem tanto de fascinante quanto de assustador. 

E uma coisa é certa. Não é ficção, não senhores. É a realidade e vamos lá ver se, burros como somos, burros, burros, burros, não nos estamos a habilitar a ser os dinaussauros dos tempos modernos.


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Informação aos leitores: 

O post abaixo trata de um caso patológico. Não digo que o senhor, coitado, seja um psicopata. Mas bom da cabeça, cá para mim, é que ele também não é. Refiro-me a Campos e Cunha.


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terça-feira, abril 14, 2015

Alô, alô Passos Coelho! Ainda é mesmo preciso baixar mais os custos do trabalho em Portugal...? Sério? Até onde? Até se atingir o nível dos desgraçados dos precários japoneses que vivem como refugiados nos Net Cafe?


Depois do vídeo abaixo sobre a forma como tratamos o planeta e nos tratamos a nós próprios, vídeo que acho que merece ser visto (aliás já foi visto quase 6 milhões de vezes), quase a propósito, eis que recebo do meu filho um vídeo que, devo dizer, me deixou de coração apertado. Ao ponto a que a miséria humana está a chegar nos países mais desenvolvidos do mundo... Que tragédia esta, senhores.

Diz-me o meu filho no mail: É sobre a prevaricação e a nova pobreza no Japão, em particular sobre o fenómeno dos trabalhadores precários sem casa que vivem em internet cafés porque são baratos.



Vê-se o filme e não se acredita. É para isto que as sociedades estão a caminhar? É que se é, então vou ali e já volto. 

Não pode ser, esta porcaria de trajectória tem que ser corrigida. 

Quando o Passos Coelho, depois de toda a pobreza em que já lançou o país e depois da emigração que já provocou, se sai com mais uma alarveirice como a que ainda é preciso baixar mais os custos do trabalho em Portugal, eu fico aterrada com a malvadez e má fé que vai naquela cabeça. 


E mais ainda pasmo quando ouço que as sondagens ainda dão o PSD e CDS com intenções de voto acima de zero. Como é possível que ainda haja alguém neste país que apoie esta política miserável?!

Era bom que ele, o Portas, o da Mota, o das Cervejas e mais os que apoiam esta seita, pusessem os olhos neste filme.


One billion people, 30 percent of the world’s workforce, are jobless. Recent political instability, from the Arab Spring to the London riots and Occupy Wall Street protest, all have one thing in common – frustration over unemployment and anger towards the growing gap between rich and poor. Unsustainable employment, and the political turmoil it provokes, is a global crisis. 
Once a birthright for the middle class, the 40-hour-a-week job with medical benefits and a pension is fading. Disposable workers – those easily fired without a social safety net – are becoming the norm. 
Japan has gone through a painful transformation from a lifetime employment system to one that readily discards unwanted labor. This project is about lives of such disposable workers in Japan: temporary employees who live in internet cafes, female college graduates who get by as bar girls, and businessmen who, desperate to retain their jobs, sometimes work themselves to death.


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E, por favor, sigam para o vídeo abaixo.

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sábado, janeiro 24, 2015

Défice de 2014 melhor do que o esperado. Palmas! Palmas! --- [... o pior são os detalhes. Como sempre o diabo está nos detalhes: quantos desempregados ficaram sem receber subsídio de desemprego? quantas pessoas tiveram que emigrar e viver longe das famílias? quantas pessoas morreram nas urgências? quantas crianças perderam o abono de família? quantas pessoas tiveram que emigrar? quantas pessoas tiveram que passar a comer a sopa dos pobres? quantos alunos do ensino especial foram postos de lado? quantos professores ficaram meses sem receber o ordenado?... etc, etc, etc.]


O que levou o Ronaldo a separar-se da Irina descobriu-o Marcelo Rebelo de Sousa - esse extraordinário e multifacetado comentador, eterno putativo candidato a qualquer coisa -  e o vídeo em que a revelação acontece está no post a seguir.

Aqui agora, embora seja sexta-feira e à sextas-feiras não costume dar-me para as coisas sérias, tenho que falar do maravilhoso resultado atingido pelas contas públicas. Sempre que hoje andei de carro - e as horas que hoje andei metida no carro! - ouvi tecer loas às maravilhas das contas, ao défice que foi menos mau do que o expectável, ao bom que isso vai ser para o futuro.

Chego agora aqui e, ao dar uma volta pelos jornais online, logo vejo também OE 2014: Défice cai para 7.075 milhões, melhor que o antecipado pelo governo

E, no entanto, não apenas muito disto foi à custa do esbulho fiscal e do empobrecimento geral junto de quem paga impostos como o investimento público foi ignorado, a saúde está no caos, há professores sem receber ordenado, foram cortados milhares de abonos de família e sei lá que mais.

Gerir assim qualquer burro sabe fazer. Difícil é gerir bem, sem roubar  gente honesta e sem dar cabo da vida de ninguém.




Leio no Observador que: Serviço Nacional de Saúde fecha ano com saldo positivo e menos dívidas aos fornecedores


Mas poderá alguém alegrar-se com isto? Para que houvesse esse saldo positivo quanta coisa foi sacrificada, quantas pessoas sofreram?


Por exemplo (a propósito de uma reportagem da TVI):

São imagens exclusivas filmadas nos últimos dias nos corredores de cinco hospitais da Grande Lisboa - Amadora-Sintra, Garcia de Orta, São José, São Francisco Xavier e Santa Maria - que mostram macas alinhadas nos corredores e doentes espalhados por toda a urgência. Nestes hospitais, os tempos de espera em alguns casos chegam a ultrapassar as 30 horas. 


Testemunhos recolhidos por uma equipa da TVI dão conta de um cenário de «campo de batalha» em pleno hospital Amadora-Sintra «semelhante ao que é visto nos filmes» e enfermeiros e médicos admitem que «não é possível dar assistência a todos os doentes».

Paulo Macedo liga ao Papa Francisco - do blog Raim
«Como temos mais de cem doentes internados em SO, uma área de ambulatório com mais de 150 doentes, é impossível chegar a todo o lado, não conseguimos dar assistência a todo o lado. Perde-se a noção dos doentes que temos, dos que são críticos, por mais seletivos que sejamos, é impossível, porque nem espaço físico temos para isso», confessa um profissional de saúde.

«Chegam-nos a passar em oito horas de turno centenas de doentes», revela outra profissional, acrescentando: «As macas estão lotadas, chegamos a ter de pôr macas dos bombeiros que estão à espera, porque já não há macas no serviço de urgência».

(...)



E uma reportagem da SIC quando o número de mortos nas urgências já ia em sete






No final de Dezembro havia 306.062 pessoas a receber prestações de desemprego, menos 70.860 do que no ano anterior e menos 663 pessoas do que em Novembro. Os números foram divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto de Segurança Social e mostram que mais de 57% dos 713,7 mil desempregados apurados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) não têm acesso a estas prestações.

(...)





E poderia ainda falar no investimento público que está parado, comprometendo a economia e o futuro. Ou da notícia do Expresso deste sábado de que num ano cerca de 40.000 crianças perderam o abono de família. Ou perguntar: não há investimento novo há quanto tempo?

Como pode haver recuperação económica e criação de emprego sem investimento nem privado nem público?

Não há uma única aposta deste governo a não ser na destruição. Não construíram nada, apenas destruíram.

Que demência esta forma de gerir um país! Que indigência moral a destes ignorantes que, a troco de nada, tem vindo a fazer sofrer tanta gente!

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Para distrair, não se esqueçam: o vídeo abaixo é muito revelador sobre o que levou Irina a dizer bye-bye ao CR7 (ou vice-versa).

segunda-feira, dezembro 01, 2014

Marion Cotillard , retrato de Mulher no verso e no reverso


No mail abaixo já mostrei a reencarnação de uma lenda: Sissi. Ainda é apenas um pequeno pitéu para abrir o apetite já que apenas na terça feira, dia 2, poderemos ajuizar: Cara Delevinghe pode ser a nova Romy Schneider?

Mas isso é abaixo. Aqui, agora, a conversa é outra embora continue no reino da fantasia, uma mais visionária, outra mais realista. Em qualquer delas, uma mulher especial.

Marion Cotillard é bela, inteligente, talentosa e muito versátil.

Está em cena nos cinemas portugueses um filme cujo título é 'Dois Dias e uma Noite' e em que Marion Cotillard é a mulher do povo que enfrenta o risco do desemprego, que luta, que desespera.


Transcrevo da apresentação do vídeo no Youtube:


Em "DOIS DIAS, UMA NOITE”de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne, Marion Cotillard interpreta Sandra, uma trabalhadora cujo emprego é ameaçado quando os seus empregadores decidem oferecer um prémio aos restantes trabalhadores se eles votarem para que Sandra não regresse ao emprego.


Ajudada pelo marido, Sandra tem apenas o fim-de-semana para visitar os colegas e convencê-los a abdicarem dos seus prémios para que ela possa voltar ao emprego.




Mas versátil, eclética, Mario Cotillard é também a perfeita mulher sofisticada, um pouco louca, que podemos ver no vídeo abaixo. Mas sempre bela.

Snapshot in LA, um filme com Marion Cotillard que também canta

Lady Dior 'Enter the Game'



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Para duas mulheres igualmente belas e sobre a reencarnação de uma na outra, desçam, por favor até ao post já a seguir.

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sexta-feira, outubro 31, 2014

Os condenados de horário zero. O desespero. 'O balão' de outros tempos. O retrocesso. O caminho em direcção ao fim dos tempos?


Se, no post a seguir a este, a música, a sensualidade, a beleza e o glamour andam no ar, aqui, agora, a conversa é outra. Infelizmente muito outra.



Já não sei bem a quantas andamos com o físico-pop Maqueijo a contestar não sei o quê e mais uns quantos a inventarem outras tantas teorias. Mas, na última vez em que me pareceu haver um relativo consenso, tenho ideia que o universo estava em expansão. Ora, na minha simplística visão dos factos, se o universo se expande, também a vida dos que o habitam deveria seguir o mesmo percurso.

Up, up and better. 








Custa-me perceber que se ache normal que os humanos, como qualquer espécie, não caminhem no sentido positivo da sua evolução. Se antes os seres viviam em cavernas, morriam cedo, pereciam, indefesos, às garras de perdadores e, entre sobressaltos, vêm atravessando os tempos, tornando-se mais longevos e supostamente mais sabedores, como explicar que grande parte deles se deixe subjugar por estirpes daninhas que tentam o retrocesso? 

Os jornais e televisões trazem-nos notícias de actos selvagens, gestos bárbaros, e constatamos que há jovens que abandonam o mundo do conhecimento para se juntarem a seitas que praticam o mal como se a iluminação dos tempos não tivesse passado por elas.




Mas não me refiro apenas a sequestros e decapitações, ou mesmo a mutilações genitais, apedrejamentos até à morte, assassinatos conjugais e toda a espécie de violência doméstica. Não. Refiro-me também a outra espécie de retrocesso, um retrocesso silencioso, uma violência que esmaga e envergonha: a da exploração total de pessoas, a nova forma de escravidão - como a dos condenados que trabalham segundo contratos de zero horas*.

Leitor, a quem muito agradeço, enviou-me um artigo publicado no Le Monde cujo título é Au Royaume-Uni, les damnés des « zero hour contracts » e que é da autoria de Philippe Bernard


Começa assim (o artigo completo apenas será acedido por quem for assinante e eu não tenho como anexar o PDF; além disso, está em francês e sei que já não há muita gente que domine a língua; ainda assim, coloco-o aqui):


Candice Roberts n’a pas besoin de parler pour expliquer à quoi sa vie ressemble. Elle brandit son antique téléphone portable Huawei comme une pièce à conviction, où les six mots du SMS qu’elle a reçu samedi après-midi sont restés inscrits: « Mission annulée. Mettez-vous en attente ». La quadragénaire aux yeux cernés et au sweat-shirt en éponge saumon n’est pas astronaute. Elle est emballeuse de biscuits secs à l’usine Jacob’s, une énorme bâtisse de brique sur laquelle flotte l’Union Jack, à Aintree, au nord de Liverpool. Lorsque son patron a besoin de ses services, Candice, 46 ans, place dans leurs boîtes les cheese crackers ou les club chocolate, qui défilent sur un tapis roulant. Sinon, elle attend la prochaine « mission » de l’agence de placement Prime Time, qui sert d’intermédiaire. Un simple SMS pour la convoquer au travail, parfois dans l’heure qui suit. Un autre, éventuellement, pour annuler sa venue. Et des journées entières à attendre qu’on la sonne, en pensant à la paie qui rétrécit à chaque heure perdue.
Appelée ainsi vendredi pour rejoindre l’équipe du dimanche matin à 7 heures, elle a appris la veille que, finalement, on n’avait plus besoin d’elle. « I’ve been cancelled » (« J’ai été annulée »), explique-t-elle en un terrible raccourci. Le long silence qui suit n’est troublé que par les applaudissements du jeu diffusé par la télé, allumée en permanence. 

Como se viu, o que ali se descreve não decorre na África profunda, nas montanhas secretas da América do Sul, nos confins dos planaltos tomados pelo terror islamita ou em qualquer outro local distante que nos sossegue a alma. Não é longe nem podemos dizer que não nos acontecerá a nós ou aos nossos: é aqui ao lado, no coração da Europa civilizada, em Inglaterra.

Cresce o número de pessoas profissionalmente desprotegidas, à mercê de um telefonema, de um qualquer chamamento. Não têm garantia de nada. Inscrevem-se numa empresa que angaria trabalhadores e os coloca nas empresas que os requisitam. Podem ser contactados por sms para se apresentarem numa empresa no espaço de 1 hora. O artigo fala das pessoas que embalam bolachas. Quando a fábrica precisa de gente, contacta uma dessas empresas que, por sua vez, contacta uma pessoa da sua base de dados.

Nós somos como os bolos que embalo na fábrica: caímos numa caixa para deixar espaço para os seguintes, diz um operário dessa fábrica, a Jacob's. 
Certamente que, para os gestores da fábrica, o que importa é reduzir custos, aumentar a eficiência. Seja de que forma for, os meios não interessam, o que interessa é que os custos sejam baixos, para a margem ser confortável, para que o artigo seja competitivo face à concorrência. As pessoas que embalam os bolos valem tanto como os bolos, como se os clientes que compram os bolos tudo merecessem, como se os clientes não fossem pessoas tão frágeis quanto os operários de horário zero.

Os trabalhadores sujeitos a este infame regime, trabalham as horas que calharem. O valor horário é mínimo e nunca sabem se vão ter trabalho na semana seguinte, no mês seguinte. Claro que, quem diz trabalho, diz rendimentos. É a precaridade levada ao extremo, a desprotecção, a insegurança.

Imagino a angústia de quem aguarda um sms que não chega quando não tem outra forma de rendimento, quando tem família para sustentar ou quer formar uma e não vê condições para o fazer.





No artigo, alguns dos ouvidos dizem que se sentem até preteridos por serem ingleses e brancos já que há imigrantes que pacificamente se sujeitam a tudo, sendo ainda mais dócil carne para canhão.

Todo o excelente artigo é uma punhalada no peito. Pelo menos para mim é. E acredito que o seja para todos quantos sentem como sua a tragédia que isto é.

Como se chegou aqui? Que voltas tresloucadas é que o mundo deu sobre si próprio para que se tenha chegado a este triste ponto?

Muitas vezes o tenho aqui perguntado: se não se governa para bem das pessoas, governa-se para quê?

Como é que a humanidade iniciou uma trajectória contrária à do universo no qual se insere? E que loucura. Como se pode pretender que os tempos andem para trás? 




Há alguns anos conheci um senhor que me contou que antes, há muitos, muitos anos, na antiga CUF, no Barreiro, havia uma figura designada por ‘o balão’. 


Quando era preciso mais gente para as fábricas, alguém chegava ao portão e dizia que precisava de não sei quantos homens. Enchia-se o balão. Contava ele que muitas vezes queriam gente para carregar sacas de 100 kg de adubo ou outros trabalhos pesados que davam cabo da saúde de qualquer um.

Junto ao portão esperavam muitas e muitas dezenas de homens desempregados, ansiosos por serem chamados. Depois havia ainda a escolha. A olho eram escolhidos os mais fortes. Os mais fracos continuavam sem trabalho, aguardando dia após dia.

Mais tarde, quando não eram mais precisos, eram postos fora. Era como se o balão se esvaziasse. Chegavam a ser dispensadas centenas de pessoas que, sem trabalho, seguiam, rua fora, em busca de qualquer outra coisa, talvez nos campos, o que aparecesse.

Passou-se isso várias décadas atrás num país retrógrado, nuns tempos longínquos. A pobreza, a desprotecção, a ditadura, tudo contribuía para que os mais desafortunados se vissem à mercê de um chamamento, vivendo sem direitos, sem direito a um futuro digno.

Mas eis que, aqui chegados, tanto tempo depois, é para trás, para esse negrume, que estamos a ser empurrados.

A mediocridade é geral, a impunidade campeia, a ignorância parece tudo cobrir como um manto denso e opaco que destrói a vida, que impede que a luz e o oxigénio passem para as camadas inferiores.

E tudo vamos aceitando, como se não fosse connosco, como se não nos pudesse acontecer, como se os outros não fôssemos nós.




Primeiro levaram os comunistas,
mas eu não me importei
porque não era nada comigo.

Em seguida levaram alguns operários,
mas a mim não me afectou
porque eu não sou operário.

Depois prenderam os sindicalistas,
mas eu não me incomodei
porque nunca fui sindicalista.

Logo a seguir chegou a vez
de alguns padres, mas como
nunca fui religioso, também não liguei.

Agora levaram-me a mim
e, quando percebi,
já era tarde.






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  • O primeiro vídeo é Stephen Hawking - The Expanding Universe (ie, the expanding universe, the doppler effect, introduction to the birth of the universe)
  • Tinha o poema por ser 'A indiferença' de Bertold Brecht mas o André diz que não, que faz parte de um sermão de  Martin Niemöller e eu acredito nele.
  • O último vídeo é Despair, sendo a música da autoria e interpretada por Johan Troch.

* Leitor atento chama-me a atenção para a forma como escrevi: zero horas e corrige para zero hora. Admito que seja correcto dizer zero hora (hora no singular) mas a verdade é que não me soa bem e, portanto, neste caso, mantenho por me parecer que a habituação oral talvez justifique a imprecisão da escrita. Contudo, vou ver se me informo pois, se o que estou a escrever for um disparate completo, corrigi-lo-ei.

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Relembro: no post abaixo o ambiente aligeira-se. É tempo de festa de aniversário, de beautiful people, de glamour. Acho que talvez até saiba bem um sopro de leveza depois do peso da realidade.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa sexta-feira. 
Saúde e alegria é o que vos desejo a todos.

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quarta-feira, julho 23, 2014

BES afunda-se em prejuízos, as acções a preço de uva mijona - e, no entanto, há os que estão sempre aí, nos maus momentos, para saírem ganhadores. O Deutsche Bank foi contratado como conselheiro financeiro e o Goldman Sachs adquiriu uma fatia de 2,27% do capital social do BES. Identicamente, a gestora de fundos Desco LP comprou 2,71% do capital social do BES. Na terminologia de Passos Coelho só posso dizer que estes não são piegas. Piegas são os que ficarem desempregados, os que perderem economias, casas, os que se virem forçados a emigrar. Os derrotados do costume.



Quando este filme de terror se começou a desenhar em toda a sua verdadeira dimensão, antevi aqui: muita coisa ia ser vendida e o mais depressa possível, ou seja, de qualquer maneira, a quem quer que aparecesse com dinheiro na mão. Hotéis, hospitais, agências de viagem, bocados de banco - tudo o que ainda possa valer alguma coisa. Mais: nestas alturas há sempre abutres a pairar por perto; desvalorizam os activos, rondam, não descansam enquanto a carniça não lhe vai parar ao bico a preço de osso.

Não sou vidente nem especialmente inteligente. Simplesmente é isto que sempre acontece quando o capital está entregue a seitas que agem na penumbra, embora dentro da lei - ou melhor: nos interstícios da lei - quando o seu poder se ramificou por todo o tecido económico, quando agem desreguladamente.

As carcaças são abandonadas quando já não têm músculo nem valor. É, então, chegada a hora dos abutres.

Não demoraram.

Começam a pousar e são os mesmos de sempre. Os que ganham sempre. Os que sabem como ganhar. Os que seguram as pontas das cordas do poder, os que mandam no mundo.




Goldman Sachs, Deutsche Bank, fundos americanos ou apátridas, gente sem rosto, sem moral, acima da lei - a gente do dinheiro. Os mercados.



Money, money, money





Não o digo com surpresa nem, sequer, indignação. É este o mundo devastado que temos vindo paulatinamente a construir. Ou melhor, a destruir. Em todos os lugares onde os líderes desapareceram e a população se deixou manipular e aceitou ser governada por gente sem inteligência, sem moral, ou qualquer sentido de humanidade, acontece isto. São territórios que passam a ser o pasto onde as hienas, abutres, necrófagos de toda a espécie vêm buscar os despojos.

Vêm para ajudar, dirão. Talvez. Em momentos como estes forço-me a ser indulgente.

Senão daria em doida de tão revoltada que fico.



O alemão Deutsche Bank foi a instituição escolhida pelo Banco Espírito Santo BES para conselheiro financeiro, informou esta terça-feira, 22 de Julho, o banco liderado por Vítor Bento, num comunicado emitido à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).


"O BES informa que a sua Comissão Executiva contratou o Deutsche Bank como conselheiro financeiro para avaliar a potencial optimização da estrutura do seu balanço", lê-se no comunicado de duas linhas divulgado esta tarde pelo banco.

O banco anunciou ontem, 21 de Julho, que iria contratar uma instituição financeira internacional como seu conselheiro especializado para "auxiliar o BES a avaliar as oportunidades de melhorar a estrutura do seu balanço, com vista à sua optimização".



Em duas notas enviadas à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o BES revelou ter sido notificado da duas novas participações qualificadas na sua estrutura accionista. 


O Goldman Sachs e a Desco passaram a deter uma fatia superior a 2% do capital social do banco agora liderado por Vítor Bento.




De acordo com a comunicação feita pelo BES à CMVM, o Goldman Sachs adquiriu no passado dia 15 de Julho um total de mais de 127,6 milhões de acções do banco, o que consubstancia uma fatia de 2,27% do capital social do banco português, conferindo então uma participação qualificada à instituição financeira norte-americana.

Numa outra nota enviada ao final desta tarde ao regulador, o BES informa que no dia 21 de Julho a gestora de fundos Desco LP, uma empresa detida na totalidade pelo também norte-americano David E. Shaw, comprou mais de 152,5 milhões de acções, representativas de 2,71% do capital social do banco português.



Um dia destes a Desco sai e entram outros - dinheiro sem rosto que vive na transumância da desgraça. Onde lhes cheira a falências, a grandes aflições, aí estão eles. Enquanto uns vão ao tapete, outros aproveitam para especular, para forçar uma derrota ainda maior para depois venderem e ficarem a ganhar. Simples.

Problema dos pedantes da família Espírito Santo, dirão os mais precipitados sempre prontos a pensar que, com a desgraça dos outros, podem eles bem.

Errado. Os derrotados não são eles, os derrotados somos nós:
  • Os trabalhadores das empresas do GES que se verão com outros donos que reestruturarão as empresas, delas querendo 'extrair valor' custe o que custar, 
  • e os que, infelizmente, serão despedidos. 
  • E os que tinham acções do BES ou da PT e que agora se vêem com muito menos valor do que lá investiram.
  • E os que trabalham nas empresas clientes do BES que, de repente, se vão ver aflitas sem poder movimentar as verbas que tinham aplicadas em títulos que julgavam sólidos. 
  • E os outros bancos que terão que assumir novas imparidades e que terão que fazer novos aumentos de capital (aumentos de capital estes que, no fundo, representam dinheiro que sai da economia para ir tentar buracos resultantes de dinheiro que desapareceu não se sabe para onde - talvez para offshores, talvez para contas de familiares e amigos, talvez para corromper sabe-se lá quem, talvez para comprar propriedades e barcos em nomes de empresas sedeadas também em offshores).

Ou seja, os que perdem estão à partida sempre identificados: a grande maioria dos portugueses, os que pouco têm, os que são sempre acusados de tudo, de preguiçosos, de gastadores, de folgados (Augusto Santos Silva referiu-o e muito bem na TVI 24).


Os que ganham são os que sempre ganham: os fundos apátridas, o capital sem rosto, os grandes bancos, os grandes especuladores. E os grandes escritórios de advogados, claro.




Pelo meio há os idiotas úteis, os papagaios, os bobos da corte, os capachos, os traidores, os vendidos, os palermas, os que masoquistas - os que facilitam a vida aos algozes e que, sobre a destruição, tecem teorias, descobrem culpas que merecem punição, ajudam a vergar a resistência dos vencidos.


E, no entanto, apesar de tudo isto, de todo o jogo invisível, de todas as injustiças, de todas as rendições a que vamos sendo sujeitos, o que desejo, mas desejo mesmo, é que esta crise seja superada, que o BES se consiga salvar sem prejuízo para os clientes, com o mínimo de danos para a economia portuguesa.


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Abro um parêntesis para dizer uma coisa: nem todos os membros da família Espírito Santo são culpados pelo que se passou, nem todos devem ser olhados precipitadamente com desprezo ou rancor. Haverá, por exemplo, muitos jovens que, habituados a uma vida de fartura, se verão agora rodeados de familiares assustados; miúdos que não percebem bem o que lhes aconteceu e que se sentirão envergonhados ou que serão tratados como ladrões ou vulgares falsários sem que tenham de alguma forma contribuído para esta hecatombe. Quem lide de perto com pessoas da família, deverá dosear a sua indignação consoante as pessoas que tenha pela frente. Pelo menos é o que eu acho.


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Goldman Sachs rules the world - Trader Interview BBC



The BBC presenters were speechless when an independent trader admitted that stock market crashes are planned and that Goldman Sachs controls the banking world.


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A música lá em cima, Money (Money Makes the World Go Round), pertence ao Casino, aqui na interpretação de Alan Cummings.

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