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sexta-feira, janeiro 17, 2025

Superar o legado de famílias disfuncionais

 Disclaimer:

Pergunta: Haverá famílias absolutamente funcionais?

Resposta: Duvido

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Abaixo partilho um vídeo que me parece um testemunho importante. 

Quantas vezes as pessoas arranjam neuras, pancadas, fobias, fixações, embirrações apenas porque veem as coisas segundo a sua própria perspectiva, ignorando a dos outros? E, quando entendemos melhor os outros, quantas vezes não mudamos o nosso ponto de vista, não percebemos que arranjámos problemas desnecessários, nos arreliámos por motivo nenhum?

E quantas vezes criticamos nos outros por não fazerem o que nós também não fazemos? Ou por fazerem o mesmo que nós também fazemos? Ou criticamos nos outros aquilo que os outros dizem também de nós?

Sugiro que vejam o que o António Raminhos aqui conta.

Como superei o legado da minha família disfuncional | António Raminhos | TEDxPorto

Para António Raminhos, todos temos um legado, uma cronografia que nos precede. Cresceu no seio de uma típica família disfuncional dos anos 80, com relações e narrativas peculiares, mas hoje olha para trás com um sorriso e não queria ter de contar outra história.

Na sua talk, partilhou alguns desses momentos, trazendo leveza e comicidade mas sem deixar de refletir sobre a importância vital dos nossos antepassados e como devemos reconhecer o papel fundamental que desempenham nas nossas vidas.

Na sua experiência com a sua família, o julgamento e falta de afeto que sentia criaram-lhe as condições para perturbações do foro mental, tal como ansiedade e perturbação obsessiva-compulsiva. Mas através do diálogo com os seus familiares, e em especial com o seu pai, conseguiu conhecer o passado destes, com as suas perspetivas e dificuldades, compreendendo que a forma como tinha sido educado foi o resultado do melhor que sabiam e puderam fazer. Reconhecer a história dos seus pais e avós foi assim uma forma de ultrapassar o legado que recebeu e de conceber um novo para a sua família.

 Da televisão à rádio, dos livros aos podcasts, das redes sociais aos grandes palcos em nome próprio, António Raminhos surpreende ano após ano reinventando-se.

(...)

domingo, janeiro 05, 2025

Caminhar ou não caminhar, eis a questão.
10.000 passos? Mais um, menos um?
O que é que os passos fazem de bem ao nosso corpo?

 

Durante muito tempo apenas me desloquei de carro. Só andava, e era se tivesse tempo, à hora de almoço, para ir do estacionamento até ao restaurante e vice-versa. Não tinha tempo para mais.

Mais tarde, consegui a disciplina de, ao chegar a casa, mesmo que fosse bem de noite, chovesse ou trovejasse, ir caminhar com o meu marido. Fazia-me muito bem. Depois de dias terríveis de reuniões, stresses, desafios, complicações, chegava ao fim do dia e espairecia.

Agora, reformada, nesta casa, tendo o cão, ainda mais pretexto tempo para caminharmos. Por isso, apenas com a excepção de dias em que há movimentações cá em casa ou outros programas, duas vezes por dia vamos fazer as nossas voltas. Não conto os passos mas seguramente atingirei sempre os 10.000. E, se não consigo, sinto a falta. Sinto que andar é bom para o corpo e para a mente. 

O vídeo abaixo, com legendas em português, explica bem as razões do bem que caminhar faz. 

Do you really need to take 10,000 steps a day? - Shannon Odell

For years, Jean Béliveau walked from country to country, with the goal of circumnavigating the globe on foot. While few people have the time or desire to walk such extreme lengths, research shows that adding even a modest amount of walking to your daily routine can dramatically improve your health. So, what exactly happens to your body when you increase your step count? Shannon Odell investigates.

segunda-feira, outubro 07, 2024

Não quero tomar-vos tempo demais com as minhas little questões caseirinhas.
Por isso, bora lá ver como tornar a terra mais selvagem...?

 

Parece que está de chuva e, por aqui, bem precisados estamos dela. 

É bom mas...

É chato, o cão vem para casa todo molhado, sacode-se por todo o lado, esfrega-se por todo o lado para se autolimpar e, ainda por cima, arma uma tourada quando vamos nós limpá-lo (salta, quer arrancar-nos a toalha, brinca em nossa volta). Além disso, a roupa custa a secar. E começa a não dar jeito fazer caminhadas de pernas ao léu. 

Mas é uma alegria pensar que a terra vai ficar hidratada e que as verduras vão ficar viçosas de dar gosto.

Tirando estes pequenos aspectos que são circunstanciais, estou com um problema numa das minhas duas laranjeiras. Deu tanta, mas tanta, laranja que agora, antes de ficarem maduras, caem aos montes. Não sei como mantê-las na árvore a amadurecer. As que caem estão rijas, nada doces e não sei se vão alguma vez chegar a bom porto.

E estou com um problema ainda maior na romãzeira. Desta vez os bichos -- ou pássaros glutões ou ratos invisíveis, não sei -- devoraram-nas todas. Não sobrou uma para amostra. Para o ano vamos ter que arranjar ratoeiras ou qualquer outra arma preventiva. Uma pena. Eu que gostava tanto de comer os rosados e sumarentos grãos, agora só se as comprar.

O limoeiro está carregado de limões, belos limões, mas está com a folha fraca, com um ar um bocado desfalecido. Aqui há tempos deitei-lhe um pouco de adubo para citrinos mas parece não ter tido efeito nas folhas. Se calhar, também neste capítulo, vou ter que recorrer ao ChatGPT.

Seja como for, vão gostar de ser regadas com aguïnha da chuva.

E, como poderão compreender, estou mais virada para temas assim, domésticos, caseirinhos, coisas rasteirinhas, do que para os tristes descasos da nossa política em que os partidos de esquerda se empenham em dar cabo da esquerda e os de direita andam a ver como roubar eleitorado à direita mais direita e mais populista, e o PS anda mais ou menos aos papéis a ver como sair airosamente da saia justa em que o Marcelo enfiou o País.

Por isso, como os temas da natureza puxam sempre por mim, resolvi partilhar convosco um vídeo muito interessante e inspirador. 

Era bom que todos os países tomassem em mãos missões assim: reflorestar, devolver a natureza à natureza. 

A uma escala minúscula, tenho o meu ínfimo exemplo ao transformar um pedaço de terra em que só havia mato rasteiro e pedras numa parcela de terra fértil, em que as árvores crescem como gigantes, em que agora há vegetação, musgo, infinitos cogumelos, muitos pássaros, lagartixas; e até esquilos lá apareceram.

O vídeo abaixo está legendado. 

A Bold Plan to Rewild the Earth — at Massive Scale | Kristine McDivitt Tompkins | TED

The first step to saving nature is the rewilding of our own minds, says conservationist and former Patagonia CEO Kristine McDivitt Tompkins. With an unwavering commitment to protecting ecosystems, she and her late husband Douglas Tompkins created vast conservation parks across South America that allowed ancient flora and fauna to flourish once again. Now, she's carrying that legacy and mission forward with a bold plan to connect parks across geographic boundaries, creating a system of continental-scale wildlife corridors — before it's too late. (Recorded at TED2024 on April 16, 2024) 

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Desejo-vos uma bela semana a começar já nesta segunda-feira

Saúde, boa sorte.

Dias felizes

quarta-feira, fevereiro 21, 2024

Coragem
- Dasha Navalnaya, a filha de seu pai, olha de frente os assassinos e os cobardes que, disfarçados de pombinhas da paz e enchendo a boca de adversativas, os desculpam

 

O vídeo que aqui partilho tem quatro meses mas mantém-se tristemente actual. Sem meias palavras, com a coragem intelectual física que o pai demonstrou até ao fim, a mesma que a mãe tem também demonstrado, a jovem Dasha, bela como os progenitores, é bem a menina de seus pais. O seu pai foi assassinado, depois de perseguido, envenenado, torturado, privado da liberdade. Mas Dasha não se calará.



Uma família corajosa, aqui em dias felizes

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Podem ser activadas as legendas em português

Lessons from My Father, Alexey Navalny | Dasha Navalnaya | TED

Dasha Navalnaya is the daughter of Alexey Navalny, the politician and leader of the Russian opposition to Vladimir Putin. Sharing the story of her father's poisoning, persecution and current imprisonment, she details what it was like growing up under the watchful eye of government surveillance as her father led a decade-long investigation into the corruption of Putin's regime — and shows why paying attention to what happens in Russia matters to everyone, everywhere.


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Um dia feliz

Saúde. Coragem. Paz.

domingo, junho 18, 2023

A verdade sobre os produtos alimentares 'fora de prazo'

 

Hoje o tema é outro. Não é política, não é a minha vidinha, não é o calor, não são flores ou esquilinhos. 

Hoje o tema tem que ver com os prazos de validade. Devemos deitar fora os produtos cujo prazo de validade expirou mesmo que nos pareçam bons? Devemos jogar pelo seguro ou podemos arriscar? Quais os alimentos que, na prática, jamais se estragam?

O vídeo abaixo é interessante e se, nas definições (roda dentada do vídeo) seleccionarem as legendas e seleccionarem o português (o de Portugal ou o do Brasil), não terão desculpa... Não faz grande sentido deitar tanta coisa para o lixo quando está perfeitamente comestível.

As datas de validade dos alimentos não são o que V. pensa - Carolyn Beans

Os países em todo o mundo desperdiçam grandes quantidades de alimentos todos os anos: cerca de um quinto dos alimentos nos EUA são jogados fora porque os consumidores não sabem ao certo como interpretar os rótulos de validade. Mas a maioria dos mantimentos ainda é perfeitamente segura para comer após as datas de vencimento.  
Carolyn Beans partilha como evitar o desperdício de alimentos.

Desejo-vos um bom dia de domingo
Saúde. Boas contas. Paz.

quinta-feira, maio 25, 2023

Uma considerável esperança na erradicação do cancro

 

À medida que a esperança de vida vai aumentando maiores as probabilidades de que algum desenvolvimento celular descarrile.

Provavelmente toda a gente tem na família alguém que tem ou teve cancro ou em que o próprio o tem ou já teve. 

Na hidroginástica, uma das minhas companheiras teve cancro na mama e ostenta com orgulho a sua mama amputada que, entretanto, sofreu uma intervenção plástica. Dizia ela no outro dia, no balneário, que acha que quase toda a gente que vive até tarde tem grandes probabilidades de ter cancro mesmo que muitos o tenham sem o saberem. Claro que, quando ela disse isso, todas ficámos em silêncio. Eu senti-me encolher por dentro. Tive vontade de dizer: "Porra, vire essa boca para lá...". Mão não disse nada até porque provavelmente está certa.

No meu caso, já tive dois familiares próximos do lado do meu marido que morreram de cancro, sendo que num dos casos a grande quantidade de tabaco que consumiu durante toda a vida o pré-anunciaria. Do meu lado, tive um tio directo que também morreu do mesmo, embora nunca tivesse sido fumador, a minha tia por afinidade, mulher dele, também morreu de cancro, noutro sítio do corpo. E a minha mãe também o teve embora (noc-noc-noc, três vezes na madeira) tenha ficado bem. Na minha família alargada, a que veio pelo lado conjugal dos meus filhos, mais dois casos, um felizmente ultrapassado (noc-noc-noc, outra vez na madeira) e outro controlado. E a pessoa com quem mais directamente trabalhei nos últimos anos está a passar pelo calvário dos tratamentos depois de uma recidiva e de uma metastização.

Ninguém pode, pois, achar que é uma realidade que lhe é distante.

No outro dia, quando fui a uma consulta de rotina, estive numa sala de espera ao pé da ala de oncologia. Como estive bastante tempo à espera de ser chamada, ia vendo as pessoas que entravam ou que saíam. Todas as idades. 

Embora cada vez mais os cancros sejam tratáveis, saber que se tem um continua a ser uma daquelas notícias que ninguém quer receber pois, numa primeira reacção, é como se fosse uma sentença de morte.

Desde que me lembro de ser gente que tenho ideia que, de vez em quando, surgia uma notícia de que uma nova investigação parecia ser promissora no tratamento do cancro. Mas embora os progressos sejam notáveis, parece que o milagre ainda não aconteceu.

Contudo, de forma muito consistente, têm agora vindo a lume notícias muito animadoras. Dá ideia que não são apenas ideias e projectos mas já realidades. E, quando começa a haver experiência e historial clínico, penso que é caso para nos animarmos.

Tomara. Tomara. Tomara. E que a investigação receba sempre todos os apoios possíveis. 

A breakthrough in eradicating cancer | Eric Tran | TEDxPortland

--  Com legendagem em português   --

O Dr. Eric Tran e sua incrível equipe são pioneiros na imunoterapia contra o cancro - uma "primeira vez global" nos esforços de redução de tumores. O trabalho que está sendo feito usa uma infusão de 16 bilhões de células T reprogramadas para atingir as células cancerígenas e removê-las do corpo. Isso mostra que o nosso sistema imunológico é capaz de curar o cancro avançado. Embora o cancro seja formidável, nós também somos. Você achará esta palestra inspiradora e esclarecedora, pois encorajamos nossos esforços para erradicar esta doença.

Eric fez parte de uma experiência histórica de mais de 7.000 participantes numa experiência a 10 anos. 


Um dia bom
Saúde. Esperança. Paz.


quarta-feira, novembro 27, 2019

Sandrine Bonnaire perdeu a inocência


Há trinta anos Sandrine já era reconhecida pelo seu talento. 

Lembro-me bem de a ver, rosto de menina, radiosa, cativante. 
A sua beleza inocente -- que poderia, sem esforço, deslizar para a malícia --- encantava quem a via. Era de uma ingénua joie de vivre combinada com uma ambiguidade que fazia prever a capacidade de pecar sem culpa, encarnando aquela duplicidade encantadora que prenunciam o incomparável prazer de seduzir. 
Nessa altura ela ainda não sabia o que haveria de lhe acontecer uns anos mais tarde.

Uma década depois, aquele que foi o seu companheiro e que nos primeiros anos sempre lhe pareceu atencioso, amoroso, uma simpatia, viria a revelar-se possuidor de um amor tóxico, perigoso. Como infelizmente acontece neste tipo de relações, há um dia em que a coisa descamba. E descambou. Veio a violência doméstica. Com os ossos do rosto partidos, oito dentes destruídos, a língua rasgada, toda ela desfigurada, Sandrine desceu ao inferno.

Felizmente, os amigos apoiaram-na e não apenas o criminoso esteve preso como ela se submeteu a cirurgias, ganhando coragem para se reconstituir como mulher e como atriz. Lamenta, claro, que a condenação não fosse senão de dois anos e de uma indemnização para pagar os custos das cirurgias e da terapia. Mas, enfim, pelo menos foi condenado.

No dia 23 de Novembro, em que se gritou o não à violência doméstica e aos assassinatos (em França, os números de mulheres assassinadas também são assustadores), Sandrine desceu à rua e, ao lado das outras mulheres e homens, gritou contra a violência.

É agora uma mulher com cinquenta e dois anos e um rosto que mostra que a vida não lhe foi fácil. Mas está inteira, a trabalhar, a testemunhar a dor e a coragem, a servir de exemplo para que outras, em situações idênticas, não deixem chegar as coisas ao ponto a que com ela chegarem. Sobreviveu e está cá para contar mas poderia ter sido mais uma das muitas mulheres que se entregam e que, acreditando numa ilusão que só existe na sua cabeça, acabam por se ir anulando até que um dia a sua vida pode ser definitivamente aniquilada,

Assim era Sandrine Bonnaire em 1989.


E assim é Sandrine agora, recordando o que lhe aconteceu, numa gravação que dura escassos segundos (e que não sei como pôr em ponto maior). Obtive o vídeo no artigo "J’ai eu tous les os du visage cassés" : Sandrine Bonnaire détaille l'agression de son ex, na Madame le Figaro.



Não fui a nenhuma manifestação mas, uma vez mais, aqui estou a, na fraca medida das minhas possibilidades, pedir às mulheres que me lêem e que não são inteiramente felizes no seu relacionamento e que suspeitam, mesmo que seja uma suspeição que não querem ouvir, que não é um amor totalmente retribuído e de que há alguma tendência para uma agressividade num nível difícil de explicar, ou que, numa fase posterior, já são vítimas de violência psicológica ou física, que não aceitem perder anos de vida a troco de coisa nenhuma. Afastem-se ou, se já for caso disso, denunciem o agressor. Nunca é cedo demais. Pode é ser tarde demais.

Vejam o vídeo até ao fim, por favor. Não é importante apenas para quem vive ou suspeita que pode vir a viver uma situação assim mas também para os outros, para que todos aprendamos a conhecer os sinais e possamos ajudar quem precisa de ajuda mesmo que não saiba que precisa ou não queira assumi-lo.

A história de amor de Jessica


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A bem da felicidade e da paz de espírito.

sexta-feira, outubro 25, 2019

O papel do Facebook no Brexit (e no resto) -- vejam o vídeo, por favor


Por mail de Leitor a quem muito agradeço recebi um vídeo (com legendas em português) muiiiiito interessaaaaante e que já foi visto mais de três milhões de vezes.

Transcrevo o texto que o acompanha no site do TED:
Numa palestra imperdível, a jornalista Carole Cadwallard aborda um dos acontecimentos mais desconcertantes da atualidade: a votação super renhida para a saída do Reino Unido da União Europeia. 
Investigando os resultados até chegar a uma imensidão de anúncios falaciosos no Facebook, dirigidos a eleitores indecisos e vulneráveis — e ligando os mesmos intervenientes e as mesmas táticas às eleições presidenciais dos EUA em 2016 — Cadwalladr acusa os "deuses de Silicon Valley" de estarem do lado negro da história e pergunta: Serão as eleições justas e livres uma coisa do passado?
A journalist on the frontline protecting an open society, Fintan O'Toole no The Guardian

Sobre a oradora, transcrevo (e agora perdoem-me a preguiça por não traduzir):
Carole Cadwalladr is a journalist for the Guardian and Observer in the United Kingdom. She worked for a year with whistleblower Christopher Wylie to publish her investigation into Cambridge Analytica, which she shared with the New York Times. The investigation resulted in Mark Zuckerberg being called before Congress and Facebook losing more than $100 billion from its share price. She has also uncovered multiple crimes committed during the European referendum and evidence of Russian interference in Brexit.
Cadwalladr's work has won a Polk Award and the Orwell Prize for political journalism, and she was named a Pulitzer Prize finalist for National Reporting in 2019. Of her award-winning work, judge Sir David Bell wrote: She "deserves high praise for the quality of her research and for her determination to shed fierce light on a story which seems by no means over yet. Orwell would have loved it."

O papel do Facebook no Brexit -- e a ameça à democracia
















Um bom jornalista é outra coisa. 
E uma mulher inteligente também.

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E queiram aceitar o meu convite e descer, por favor, até: 


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E... thanks God, it's friday! Enjoy.

sábado, fevereiro 11, 2017

Pode uma mulher perdoar o seu violador?





Durante vários anos trabalhou comigo uma mulher com uma vida atribulada. Quando a conheci era ela uma jovem vistosa, casada, com uma filha pequena. Eu tinha poucos mais anos que ela. Uma vez um outro colaborador meu organizou um churrasco na sua casa de praia e convidou toda a gente e respectivas famílias.

Foi nesse dia que conheci o marido dela. Talvez uns dez anos a mais que ela, ar de pato bravo bem sucedido. Nesse dia vi também que tinham um grande mercedes*. Fiquei muito surpreendida. Achei que ela não tinha nada a ver com ele.


Muitas vezes me surpreendia com as roupas que ela usava. Muito morena, muito maquilhada, cabelos compridos a que, por vezes, dava uma tonalidade ruiva, sempre com saltos altíssimos, saias muito justas e muito curtas, decotes arrojados ou, no verão, vestidos ou blusas sem costas -- ela era, sem dúvida, uma mulher que dava nas vistas.
Por causa dela e de uma outra estagiária que eu lá tinha que competia em provocação com ela mas em louro e uma outra que, não sendo tão aparatosa como as anteriores, era também uma bela mulher, e trabalhando todas numa zona específica, é que um dia, o nosso contabilista, homem à beira de reforma, me disse ao entrar para lá: gosto sempre de vir aqui a este seu departamento: é como ir para o Meco. O que eu me ri. Eu própria, na altura, era uma mulher pouca dada a vestimentas muito fechadas. A única vez que, por essa altura, vesti um vestido aos quadradinhos miúdos em preto e branco, mais propriamente em pied de poule, abotoado de alto a baixo, cinto fino, mangas compridas, decote subido, salto alto, ouvi da minha secretária, ao lá chegar: 'Ai... que mudança de visual... Não leve a mal mas parece uma viúva... Mas daquelas ainda muito desfrutáveis'. 
Mas, voltando ao ponto onde ia.


Esta de que falo não conduzia. Vivia na Linha e deslocava-se para o trabalho de comboio. Naquelas alturas os comboios para Lisboa ouvia eu dizer que vinham a deitar por fora. E eu ficava sempre a pensar no que seria aquilo, com ela naqueles preparos no meio da maltosa amontoada. 

Um outro que trabalhava também comigo teve uma paixão tresloucada com ela. Anos mais tarde foi um outro (que, tantas fez por ela, a ia arranjando bonita...). Ela ria, gozava com o colega apaixonado, mas ia almoçar com ele, saía e iam beber um cafezinho, muitas vezes parecia-me que ia passear com ele (também casado) em vez de ir para casa.

No meio disto, outra situação: os ciúmes do marido. Ela dizia que era um tormento e volta e meia discutiam ao telefone. Os colegas falavam da doença do marido: um ciumento paranóico, que lhe ligava a saber se ela estava a trabalhar, que queria saber a que horas ela ia chegar para a ir buscar ao comboio, que queria controlá-la até mais não poder. Muitas vezes, vendo que era ele, ela pedia aos colegas para o atenderem e eles, no gozo, davam-lhe informações dúbias para o deixarem em brasa, coisa que a divertia imenso.

Eu lembrava-me do pintas que tinha visto naquele churrasco e ficava sem perceber o que via ela nele e, por outro lado, descrevendo-a como um ciumento doentio, interrogava-me porque andava ela sempre arranjada de uma forma que não podia deixar insensível os outros homens.


Anos depois as coisas entre eles azedaram a sério. Ela passou dos flirts para os namoros às escâncaras, o marido tentava apanhá-la em flagrante, ela ficava furiosa -- e falava abertamente das brigas constantes com o marido. Depois contou que saíu de casa e foi viver com a filha, já jovem adolescente, para uma outra casa que tinham. Mas depois contava-me que ele lhe aparecia lá e que ela, por pena, lhe abria a porta e que acabava por deixá-lo lá ficar até à discussão seguinte.

Eu não percebia nada daquele casamento. Um dia enchi-me de coragem e perguntei-lhe '... mas e têm relações...?'. Resposta dela: 'Violações! Aquilo são violações não são relações!'. E ficou quase a chorar. E eu aterrada. Perguntei: 'Mas então e porque aceita isso?' e ela encolheu os ombros e disse 'Chego a ter pena dele...'. Respondi-lhe que achava tudo aquilo doentio. Ela concordou.

Muita água correu ainda debaixo daquela ponte. Acabou por se divorciar depois de muitas histórias que nunca percebi se eram verdadeiras. Cheguei a ir com ela a uma esquadra para que fizesse queixa do marido, num dia em que me apareceu tarde, desmaquilhada, ar arrasado, dizendo que ele lhe tinha batido. Chegou lá, desistiu, não quis apresentar queixa.

Já aqui antes falei dela a propósito da política autárquica: uma outra história inacreditável.

Como disse, nunca percebi, entre tantas e tantas histórias rocambolescas a que lhe assisti e com tantos e tão diferentes intervenientes, qual a verdade.


Mas aquela das violações e de parecer encarar tal coisa com naturalidade nunca mais esqueci.

Que há muita violência doméstica encapotada --- e muita violência também a nível sexual -- e muitas relações sexuais não consentidas e não denunciadas é coisa que é facilmente intuída.

Acredito que, se me acontecesse a mim, talvez fosse tentada a esconder o assunto. Teria vergonha, talvez achasse que a culpa seria também um pouco minha, não quereria que os outros soubessem, que andassem a comentar assuntos da minha intimidade. Não deve ser fácil denunciar a situação. Imagino que uma mulher que seja molestada sexualmente pelo marido (ou pelo namorado ou companheiro, tanto faz) também deve ter muito medo de retaliações. Ou, se ainda gosta do homem, talvez o descupabilize e queira acreditar que não volta a acontecer, ou que aquilo é apenas uma forma doentia dele manifestar o seu amor ou que aquilo foi do stress, que são as circunstâncias que o levaram a isso. Imagino.


Deve ser uma situação muito complexa. Uma mulher a viver tal drama deverá arranjar coragem para pedir ajuda, é o que penso. Mas fácil é pensar, estando de fora. Difícil deve ser arranjá-la quando se vive debaixo da sensação de medo, de vergonha, de angústia.

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Estou a escrever isto depois de ter visto o vídeo abaixo. Sinto sempre alguma reserva quando vejo pessoas que fazem das suas vidas uma história que vendem em TED's ou outras conferências. Mas desta vez foi um pouco diferente. Ao ouvir a história que violador e violada contam a duas vozes senti a mesma estranheza que sentia quando assistia à vida daquela minha colaboradora: gostava ela dele? Depois de tudo aquilo que contava, continuava a gostar dele? Ou se não gostava porque o aguentava? Desculpava-o?

Aqui a história não é bem assim mas merece ser ouvida. A jovem que foi violada, depois de esconder o sucedido durante anos, resolve contactar o violador e depois de, durante outros tantos manterem uma conversação por mail, acabam por se encontrar e exorcizar as culpas e vergonhas.

Vejam, por favor.

Thordis Elva and Tom Stranger:

Story of reconciliation





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As fotografias são de Nobuyoshi Araki

Lá em cima a música é Train de Shigeru Umebayashi

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* Nada contra conduzir Mercedes. Até porque,..


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E para uma coisa completamente diferente, queiram, por favor, descer até ao post seguinte.


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quarta-feira, junho 29, 2016

Como é que o que comemos afecta o nosso cérebro?
- e outras derivações
(o mal e os desafios da razão, o terrorismo no aeroporto de Istambul e, no extremo oposto, os pássaros que voam em V, a definição de amor, etc.)





Estive a ouvir poesia. Como quando uma pessoa parece que precisa de açúcar, assim estava eu, a precisar de uma voz junto a mim a dizer poesia.

Parece que me sinto nostálgica mas isto é capaz de não ser nostalgia. O mais certo é ser sono. A esta hora não distingo bem, já se confundem saudades, calor, vontade de ir de férias. Será que toda a gente sabe escalpelizar o que sente? Eu não. Verdade seja dita que também não me dá para perder tempo com isso. Há bocado fui abrir a janela para entrar a frialdade da noite e tive vontade de puxar uma cadeira e deixar-me ficar ali a olhar a negrura. Talvez me pusesse a pensar no passeio que anda aqui a forjar-se dentro de mim. Volta e meia, a meio do dia, penso que, se tivesse dez minutos sossegada, ia ao google maps e olhava para os percursos possíveis para chegar lá. Mas não consigo e, por isso, a vontade de pensar no assunto anda aqui ao meu lado. Será que o receio de não poder ir é que parece ser nostalgia?

Não sei. Ou uma vontade de sair pela noite, juntar-me às paredes gastas junto ao rio, ficar a ouvir o ranger das correntes, sentir a maresia limpa, imaginar o sono dos gatos.

Estou a ouvir música, a cabeça vazia. Escrever assim sem fazer a mínima ideia do que vai sair, descansa-me. Deve haver explicação para isto.


Em vez de escrever sentada à mesa onde costumava entricheirar-me entre livros, agora arranjei o hábito de me pôr no canto do sofá, reclinada, os pés em cima do assento de uma cadeira e o computador ao colo. Deve-se isto ao sono com que ando: estes meus dias são assim a modos que muito preenchidos de coisas diversas, surpreendentes e desafiantes. No outro dia, uma pessoa dizia-me que era desafioso. Sorri. Desafioso? Nunca tinha ouvido mas muito bem, seja. 

Mas, ao fim de um ano já de si bem cheio, e agora este sprint em pleno verão, e o calor dão nisto -- chego à noite já quase em modo off. 

Também não tenho oportunidade para beber os chás que costumava beber ao longo do dia, chás e infusões. Careço disso e agora nem sempre posso. Provavelmente, a água que bebo não produz o mesmo efeito que o chá verde e as infusões de camomila, erva cidreira, lúcia-lima que agora pouco consumo.

Digo que careço mas não sei se é correcto: pode não ser carência, pode ser apenas um hábito.

No regresso, já o céu de um dourado quase nocturno, vim ao telefone e a ouvir música. Gosto de conduzir assim.

Cheguei, estacionei, calcei os ténis e fui andar. Passava já bem das nove quando entrei em casa. Vale-me o ter já a comida feita, sopa e, hoje, lombinho estufado e, portanto, é apenas aquecer, juntar salada. Acompanhei com vinho branco bem gelado, coisa pouca, acho que nem um copo inteiro, e um copo de sumo de beterraba e maçã bem gelado. No fim, comi um damasco e comi um bocado de queijo de cabra. Adoro queijo, e gosto de o misturar com fruta ou de lhe pôr um pingo de mel de urze em cima.

Depois ainda algumas arrumações e, quando aqui chego ao sofá, a primeira meia hora é para adormecer de cinco em cinco minutos. Há mails ou comentários, alguns a que tenho mesmo vontade de responder, leio-os com gosto, mas penso: se me ponho a responder, chego ao fim boa para encostar de vez e escrever no blog, está quieto, zero. Mil desculpas, meus amigos.

Amanhã, irei levantar-me cedo, como sempre, e hoje já escolhi a roupa. Prefiro fazê-lo de véspera porque, quando desatino, perco imenso tempo, parece que nada combina com nada, parece que nada é adequado ao ar do tempo, ponho-me a vestir e a despir, com vontade de me embalar numa porcaria qualquer, esperar que um shopping qualquer abra, e ir escolher uma toilette brand new que faça pendant com o meu estado de espírito Tolices, claro. Mas perco tempo. E, assim, essa etapa de duração imprevisível não fica para de manhã, já que, de manhã, é sempre a abrir, tempos espremidos.

O pequeno-almoço é tomado sentada, gosto de estar tranquilamente a comer, por vezes enquanto ouço as primeiras notícias da manhã. Agora o meu pequeno-almoço é composto por uma banana e um pêssego, depois iogurte ou kefir com cereais, muesli. Por vezes junto frutos secos. Segue-se um café.

Ao almoço, sempre que posso como peixe e legumes. Quando vou, depois de almoço, para o meu gabinete, se não me esquecer de manter o reaprovionamento (coisa que desgraçadamente acontece com frequência) como dois quadrados de chocolate preto. Gosto muito de chocolate preto, forte, quase puro.

Muitas vezes, também se estou no gabinete habitual, a meio da tarde como duas bolachas recheadas de fruta ou, então, uma maçã.

Acho que não como muito mas a verdade é que não sou magra. Aliás, nunca fui. Acho que não se pode dizer que seja gorda mas gostaria de, no mínimo, ter uns três ou quatro quilos a menos. 

Ao longo do dia, quando estou a trabalhar, não tenho sono e a maior parte das pessoas até se surpreende com a minha energia. Não me vêem aqui, como estou agora, só a bocejar... já mais a sonhar com voos, brancas cavalgadas e noites de luar do que com energia para o que quer que seja.

Os cavalos foram fotografados por  Carina Maiwald

E vem grande parte desta conversa a propósito de um vídeo que o meu amigo google seleccionou para mim. Conhece-me melhor, este algoritmo, do que grande parte dos meus melhores amigos.

Seleccionou a música lá de cima, a Halie Loren a interpretar In a Sentimental Mood, seleccionou o vídeo da Nature que vou colocar mesmo no fim, Come fly with me, e este já aqui abaixo. Juro que fico perplexa com a simpatia deste meu compagnon de route. Adivinhou que eu estava in a sentimental mood, adivinhou que me apetecia que me levassem a voar e adivinhou que eu adoraria saber um pouco mais sobre o meu cérebro.

Partilho convosco porque acho que este vídeo é serviço público. Sugiro que o vejam também porque é bastante interessante e útil.

How the food you eat affects your brain


When it comes to what you bite, chew and swallow, your choices have a direct and long-lasting effect on the most powerful organ in your body: your brain. So which foods cause you to feel so tired after lunch? Or so restless at night? Mia Nacamulli takes you into the brain to find out. 


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Há bocado, na minha tentativa frustrada de deambulação, perdida de sono, passei os olhos pelo título: O mal: um desafio aos limites da razão. Espreitei. Não li. Fujo do mal como se, fugindo, ele não me apanhasse.


Mas, de uma maneira ou de outra, sempre acaba por tocar-me. Ouço agora a tragédia do aeroporto de Istambul. iam em turismo ou em trabalho, não interessa, e viram-se a meio do inferno. Mais de trinta mortos, muitos feridos. Uma coisa diabólica esta. Chacinas levadas a cabo por gente doida.


Mas não quero falar nisto. Dizer o quê? Que o mal anda à solta? Sempre andou. Parece que o género humano, de vez em quando, em certas zonas do globo, passa pela compulsão da destruição.

Prefiro não olhar, quase ignorar -- como acima disse, quase como se, evitando olhar ou pensar nisso, ajudasse a que o mal se mantenha, para sempre, bem longe de mim e dos meus: não me contagie, não me salpique.

Alguns dos meus Leitores, talvez os mais cínicos, são capazes de achar que tanta ingenuidade minha é sinal de estupidez. Eu penso que nem será (apenas) isso: será talvez um instinto de sobrevivência ainda muito animal, ainda não maculado pelo meu lado racional. Quero tentar viver feliz, longe de angústias e de medos - só isso.

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Prefiro, antes, partilhar convosco o vídeo dos pássaros que voam alto, livres, sem conhecerem os tormentos em que se afogam alguns estúpidos humanos

Come fly with me


In this Nature Video, we see how researchers at the UK's Royal Veterinary College put data loggers on ibises to record their position, speed and wing flaps when they migrated. The ibises position themselves within the V so that they benefit from the flow of air created by the bird in front. They carefully time their wing flaps with their flock mates', to get an extra lift when flying high.


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E, por agora, mais nada. Estava com vontade de partilhar convosco a voz que há pouco me trouxe a poesia de que eu estava precisada mas, agora quando a fui procurar, apareceu-me o próprio poeta, não a dizer um poema mas numa das suas cínicas tiradas: ironia, provocação, talvez apenas o prazer de usar palavras.

Bukowski define o amor



Não concordo. O amor não desaparece assim tão facilmente. Disparate.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quarta-feira.

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segunda-feira, junho 27, 2016

Futebóis, Ronaldo in The Last Game, Eleições em Espanha, Passacailles, Fotografias de Rua, Metáforas.



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Depois de ter partilhado convosco o vídeo que a grafómana Gina G. fez para mim, pus-me por aqui a circular pela net.

O meu dia foi tranquilo, praia de manhã, depois arrumações em casa, cozinhar, tratar da roupa, passeio a pé ao fim da tarde. Não vi televisão, não li jornais. 

Só há pouco soube que o ensarilhanço em Espanha se mantém -- e isso dá-me vontade de rir.

Quando a nossa comunicação social se faz eco das bocas que os ex-pafs vão passando e que tentam fazer-nos crer que em Bruxelas aqueles artolas andam preocupados com as medidas do governo português, só mesmo gente descerebrada é que pode cair nessa: com uma Espanha com um governo em gestão há meses, com um Reino Unido tem-te não caias há meses, com uns países a serem corroídos por dentro pelos vermes do xenofobismo e do populismo, só mesmo totós é que iam acreditar que alguém de bom senso se preocupa com as contas orçamentais portuguesas que, no meio de todas as dificuldades (em especial do sistema bancário), até se vão aguentando bastante benzinho. Talvez se preocupem, isso sim, com a forma tranquila como a governação está a decorrer 'apesar' das rédeas estarem na mão dos socialistas que contam com o apoio de comunistas e bloquistas, heresia que tende a chocar as cabeças acéfalas e burocráticas.

Mas não estou agora virada para me pôr a falar disto.


Hoje recebi um mail em que o Leitor referia o facto de eu também não me ter pronunciado sobre a passagem de Portugal aos quartos de final. Pois foi, não comentei. A noite ontem foi agitada cá por casa.

De facto, este sábado tive um dia cheio, cheio. De tarde, a família reunida. Os caranguejos começaram a atacar e agora vai ser de seguida. Depois, parte da família veio cá para casa: jantar, futebol.

Por isso, vi o jogo, sim senhor, mas, quem tem crianças pequenas em casa sabe bem como é difícil estar concentrada em qualquer coisa. O meu marido acho que ontem, por acaso, até conseguiu. Deita-se no sofá dele e foca-se, não janta ao mesmo tempo que nós para não perder tempo, e, quando nós regressamos à sala vai ele até à copa, onde vê o futebol enquanto janta. Regressou à sala, salvo erro, para o prolongamento. Nessa altura tinha-me eu alapado no sofá dele, de onde se tem uma melhor visão para a televisão -- mas fui logo corrida. Obedeci porque já sei que em dias assim, em que quer ver o futebol sossegado, fica arreliado se há muita perturbação ambiente e, portanto, dadas as circunstâncias, não quis acrescentar factores de distracção que o deixam amofinado.

Fui para outro sofá. Mas por pouco tempo.

Pelo meio, os demais também viam o jogo, mas depois os mais pequenos queriam o jogo que estava em cima do móvel que eu já nem fazia ideia o que era, depois queriam que eu ligasse o computador para verem um vídeo que metia o Ronaldo transformado num boneco atoleimado (e que agora descobri para vos mostrar), depois outro queria escrever e, pelo meio, eu ia tentando perceber a quantas paravam as modas com o esférico entre as quadro linhas.

Do que vi, pareceu-me um jogo morno, desengonçado, uns moços desfocados, uma falta de graça. Finalmente, com o golo do Quaresma lá vibrámos e houve saltos e palmas - e pronto, lá se passou à próxima. Mas falta garra. Já no outro dia o disse: falta testosterona à equipa portuguesa. Não têm instinto guerreiro, aquilo não desenvolve. Uma seca.

Claro que ainda bem que passaram à fase seguinte mas, com este nível de jogo, ninguém dirá que têm mística que chegue para se igualarem aos artistas do Fado ou ao poder de atracção de Fátima. Os três F's passarão a ser FF e um f muito pequenino. 

Para quem goste, aqui vos deixo, então, o vídeo que os pimentinhas estiveram a ver todos entusiasmados e que, na volta, consegue ser mais animado do que foi o fastidioso Portugal-Croácia.


Nike Football: The Last Game



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De notar que quando falo no défice de testosterona da selecção portuguesa, não me baseio em nenhuma constatação médica nem estou a insinuar nada. É, digamos assim, uma metáfora. E eu gosto de metáforas. Tal como gosto de ironia. Tal como gosto de subtilezas - mesmo que possa não parecer. Muito do que digo é assim um modo de dizer mais do que uma coisa verdadeiramente dita. Posso é não ter a arte para dissimular o entretexto ou as costuras do texto.

Já agora, para os que também gosta do assunto:

A arte da metáfora -- por Jane Hirshfield com animações de Ben Pearce




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As fotografias que usei ao longo do texto são da autoria do fotógrafo Bill Cunningham que trabalhou para a The New York Times e que se foi este sábado, com 87 anos. Pode ver-se em acção nestas duas últimas, ao praticar um dos seus prazeres, a Street Photography.


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A Passacaille de Jean-Baptiste Lully (em  Armide) pode parecer aqui deslocada. Se calhar está. Mas a mim apeteceu-me ouvi-la enquanto escrevia. Era como se estivesse a ver reflexos de luz, cintilações, revendo memórias, intangíveis pontos de luz. Espelho no espelho.

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E queiram, por favor, aceitar o meu convite e ver, já aqui abaixo, o vídeo que recebi de presente.


terça-feira, junho 21, 2016

Porque é que amamos?
- Os filósofos respondem





No post abaixo deu-me para me fustigar. Pimba, pimba, pimba, eu quase em sangue. Não sei que coisinha má é que me passou pela cabeça para me pôr para aqui a falar de uma espécie que eu pensei que fosse rara mas que, afinal, começo a perceber que pulula por aí: os vencidos da vida, aquelas macambúzias criaturas que preferem ocupar os seus dias a enfiar a cabeça nas próprias vísceras enquanto
se afadigam na ânsia de auto-esmorecer,
de desfazer a alegria alheia,
de decapitar os que da vida tentam colher a felicidade
e que, de caminho,
vão soltar bílis nos blogs, contra quem se ri, quem fala em praias, quem fala em livros, quem não se queixa do amor,
para logo, acto contínuo, a seguir se desmancharem em migas, ehehehes, DDDD e smiles
e, tendo dinheiro para tal, irem moer a paciência a pscicoterapeutas, psiquiatras, quiçá até a tarólogas, cartomantes
ou, ok, Rita, lapso meu, tem razão, aos padres que as aturam em chatérrimas confissões.
Mas isso foi um vaipe qualquer que passou por aqui a alta velocidade. Neste momento, depois de, durante um bocado, ter trazido a meus braços o perturbado Harry (leio deitada, já o disse) e que volto aqui para mais uma inofensiva charla, já nem me lembro porque é que passei os meus delicados dedinhos por tão quezilentas e intragáveis criaturas. E vou, antes, dedicar-me a um tema mais ao meu gosto. O amor. 


Poderia escrever um tratado, eu. Aliás, se se derem ao trabalho de compilar os textos aqui dedicados ao tema, constatarão que estão na presença de uma cátedra, uma sofisticada pos-doc, um douto canhenho, uma sustentada teoria que muito bem poderia ombrear com a dos mais reputados deuses, vivos ou mortos, da Academia.

Ah, o amor. Tão bom o amor. Mas para quê? Sim, para quê o amor? E o que fazer quando o amor bate à nossa porta e nos invade as entranhas? Sim, o quê? Morgadamente procriar? E se já não der para tal... fazer o quê? Teorizar? Poetar? Filosofar? Ah, tantas dúvidas, tantas.

Pois bem. É para responder a estas e outras incandescidas questões que eu, desilustrada criatura, ouso socorrer-me dos mais ilustres gurus sobre o tema. E, atenção, não me refiro à Cristina Ferreira, ao Tony Carreira, ao Manuel Maria Carrilho ou à mais recente estrela pop, o pinga-amor Prof. Marcelo. Esses são uns práticos. Falo mesmo dos teóricos, que esses é que a sabem toda.

O texto que apresenta o vídeo que abaixo se mostra reza assim (e veja, Rita, como já me converti. Viu que até escrevi 'reza'?)
Ah, romantic love; beautiful and intoxicating, heart-breaking and soul-crushing... often all at the same time! If romantic love has a purpose, neither science nor psychology has discovered it yet – but over the course of history, some of our most respected philosophers have put forward some intriguing theories. Skye C. Cleary outlines five of these philosophical perspectives on why we love.
[Lesson by Skye C. Cleary, animation by Avi Ofer.]

Why do we love? A philosophical inquiry




Se algum dos Leitores tiver uma explicação filosófica mais inteligente do que as que aqui ficaram plasmadas, queira, pois, partilhá-la connosco. Agradecemos.
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As fotografias de um casal apaixonado são da autoria do fotógrafo Tomasz Laskowski e a Maria Bethânia interpreta o hino que todos os apaixonados deveriam conhecer: É o amor


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E para conhecer um mestre no tratamento do olho gordo, da dor de cotovelo ou de corno ou qualquer outro padecimento, queiram descer até o post que se segue. Muito útil.

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terça-feira, maio 10, 2016

O invisível. Outras dimensões.




Parece que só quando estamos atentos é que vemos algumas coisas. Quando, no século passado, visitei a Expo de Sevilha com uns amigos, eu andava fascinada, tanta arquitectura fantástica, tantos pavilhões cheios de novidades, tanta tecnologia nova, tantas gentes com outros costumes. Olhava à volta e queria descobrir esses admiráveis mundos novos. Em contrapartida, a minha amiga dizia coisas como 'ali devem vender não sei o quê porque estou a ver pessoas virem com sacos de não sei quê e vêm todos daquela direcção'. E eu ficava perplexa porque, de facto, era verdade e eu não tinha, pura e simplesmente, visto.

Acontece-me a toda a hora. Volta e meia vamos na rua e há pessoas que nos cumprimentam muito bem e a quem o meu marido corresponde da mesma forma. Pergunto quem é e ele diz que moram no nosso prédio. Já não se admira pois sabe que é o tipo de coisa à qual não presto grande atenção.

Por isso, sei bem o que é não ver aquilo de que não ando à procura.

Tenho muito para mim que o mundo deve estar cheio de coisas curiosas a que não prestamos atenção porque não as reconhecemos como 'coisas' ou porque os nossos olhos não estão calibrados para as percepcionar.


Movia-me bem nas topologias, esse território insano em que a mente navega por entre espaços ilimitados e multidimensionais. Tinha a sensação de que não percebia nada daquilo mas deixava-me ir, como que embarcando inconscientemente naqueles mistérios. 

A sensação de não perceber matérias e de não me importar, pensando que é da aceitação sem reservas -- e sem querer antes descodificar com códigos familiares que podem não ser aplicados -- é algo familiar em mim. Claro que, desta forma, acabo por não ser capaz de me pronunciar como uma especialista sobre o que quer que seja, porque, ao deixar que a minha maneira de ser flua por entre ou por sobre as coisas, contrario o que seria o natural: embrenhar-me em algumas delas.

O mundo multidimensional que, à nossa luz, é mais imaginário que outra coisa é, para mim, um mundo fantástico onde a nossa existência ganharia um colorido inimaginável, uma vivência caleidoscópica. Provavelmente entraríamos em combustão perante uma estética tão desbragada mas imagino-o como um paraíso feérico, uma maravilhosa e superlativa expo habitada por toda a espécie de vida.

Independentemente disso, o mundo povoado por coisas invisíveis é para mim o mundo de verdade. Não sei dizer mais do que isto e sinto-me feliz assim, quase como se soubesse que isso é o que faz sentido já que o mundo que habito está cheio de coisas transparentes, indecifráveis, inexplicáveis, silenciosas.

Quantas vezes a beleza apenas é assimilável em toda a sua verdadeira extensão (se é que isso existe) quando vistas as coisas de ângulos que antes não tínhamos experimentado. Vejam-se as fotografias que aqui tenho, feitas com um drone.

Transcrevo:
Danilo Dungo uses drones to take stunning pictures of Japanese cherry blossoms. Every spring, he goes to the Inokashira Park to admire the blossoms, and while regular photography capture the park’s beauty, the drones reveal something else altogether.
When seen from a great height, the lake Inokashira Park lake appears to be entirely covered in blossoms! Resembling pollen in a river stream, the blossoms turn the lake a surreal pink, a view unseen by most before the drone age. Be sure to check out Dungo’s other photographs at the National Geographic link below!


Os vídeos abaixo explicam um pouco isso: o invisível que nos rodeia, as multidimensões. Talvez seja mera abstração. Talvez sejamos nós que ainda não estamos sintonizados para as percebermos. Talvez. Não faço ideia.

Exploring other dimensions - Alex Rosenthal and George Zaidan


Imagine a two-dimensional world -- you, your friends, everything is 2D. In his 1884 novella, Edwin Abbott invented this world and called it Flatland. Alex Rosenthal and George Zaidan take the premise of Flatland one dimension further, imploring us to consider how we would see dimensions different from our own and why the exploration just may be worth it. 
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What's invisible? More than you think - John Lloyd


Gravity. The stars in day. Thoughts. The human genome. Time. Atoms. 
So much of what really matters in the world is impossible to see.

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Claro que, antes e depois de tudo, tal como a música, está a poesia.

Mesmo que não na língua original, de novo:

Here I love you de Pablo Neruda (lido por Tom O'Bedlam)



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E aceitem ainda, por favor, o meu convite e desçam até à escrita à mão que nos desnuda.

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quinta-feira, março 31, 2016

A matemática e o sexo


O algoritmo da google que interpreta os gostos das pessoas, os indexa, os selecciona e mostra pela ordem de putativa apetência é mesmo, mesmo, o máximo. Estou a ver que ele é a minha verdadeira alma gémea. Juro. Vou ver o que me é recomendado para hoje e, logo em primeiro lugar, um vídeo que, entretanto, já vi e que me deixou smiling o tempo todo.

Apenas uma coisa me maça um bocadinho: aquele corpinho escorrido da Clio, sem pitada de gordurinha, era mesmo o que eu queria. E aquelas calças, que pinta... Eu usava este tipo de roupa até há uns três ou quatro anos. Mas agora já não dá, agora já uso blusas mais soltas para disfarçar. 

Ando para começar uma dieta a sério mas há festas de anos a toda a hora. Amanhã é outra. E quando não é aniversário é Páscoa, e se não é Páscoa é Natal, e se não é Natal é almoço com todos. Sei lá. Bolas. E aquelas calças tão giras... Eu gosto de usar calças brancas mas posso lá usar assim com abas... ainda me fazia parecer mais anafada. Bolas. E sempre tive pena de não ter um cabelo assim, fininho, esvoaçante. Quem o tem queixa-se, queria tê-lo mais forte e volumoso. Mas eu, que sempre tive cabeleira farta, tinha uma pena de não poder ter um cabelo assim, escorridinho, levezinho, sensível a qualquer aragem. Agora já me habituei mas, vendo a bela Clio, penso: caraças, se eu fizesse dieta e esticasse o cabelo, talvez também pudesse fazer uns números a falar de sexo e de matemática. Assim, gaita!, é só canseiras de manhã à noite. E os sapatos...? Estou agora a olhar para eles. Bem giros.

Bom, mas invejinhas palermas à parte, eu que gosto tanto de matemática, fiquei toda contente por vê-la aqui ao serviço de uma causa tão nobre. Matemática aplicada a coisas maçadoras tem graça porque a matemática é límpida e elegante de qualquer maneira mas, enfim, admito que é para quem gosta. Agora matemática aplicada ao sexo... não há quem não tente perceber qualquer coisinha. Digo eu. 

Gostava que vissem o vídeo. Claro que alguns homens sentirão que algumas das suas gabarolices são postas em causa ou ficarão apreensivos ao perceberem que, se calhar, as mulheres têm andado a ser reservadas quanto às suas próprias estatísticas - nomeadamente: alguém acredita que em média os homens já tiveram para cima de uma carrada de parceiras sexuais e que as mulheres apenas tiveram um... vá lá dois... vá lá uns três no máximo...? Pois. Não é o que a matemática facilmente desmonta.
[E outros aspectos, tais como pôr a descoberto os ciclos hormonais dos homens ao longo do dia -- o que será útil se pensarmos que, quando a coisa está no pico, a disposição será diferente.]
Mas não me alongo pois não quero ser daquelas chatas que desvendam o enredo antes dos outros irem ver o filme.

Uma coisa posso garantir: mesmo os que não sabem resolver equações ou que não são muito entendidos nos raciocínios ligados à matemática, poderão acompanhar perfeitamente todo o vídeo.

Mathematics and sex | Clio Cresswell | TEDxSydney



Mathematics and sex are deeply intertwined. From using mathematics to reveal patterns in our sex lives, to using sex to prime our brain for certain types of problems, to understanding them both in terms of the evolutionary roots of our brain, Dr Clio Cresswell shares her insight into it all.


Dr Clio Cresswell is a Senior Lecturer in Mathematics at The University of Sydney researching the evolution of mathematical thought and the role of mathematics in society.  
Born in England, she spent part of her childhood on a Greek island, and was then schooled in the south of France where she studied Visual Art. At eighteen she simultaneously discovered the joys of Australia and mathematics, following on to win the University Medal and complete a PhD in mathematics at The University of New South Wales. Communicating mathematics is her field and passion.

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E já cá volto e a ver se venho com coisas ensinativas que agora ando em maré de serviço público: matemática, sexo, amor e outras matérias anti-políticas (como dizia a outra).