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quinta-feira, julho 25, 2019

Sharon Stone, a bela e sexy mulher que teve o desplante de não morrer nova






Há algum tempo recebi a visita de uma ex-colega que não via há algum tempo. Quase tive um choque. Mantinha a mesma maneira de se pentear e de se vestir mas tinha engordado, o rosto tinha papos por todo o lado, a pele estava baça e disfarçada com base, num colorido artificial. O cabelo estava também sem vida apesar do tom avivado. No conjunto, estava uma caricatura do que tinha sido.

Quando uma outra colega entrou na sala em que estávamos, não a reconheceu. Tive que fazer de conta que ela estava distraída: 'Então, sempre acelerada, nem repara na Drª Ana que aqui veio visitar-nos...?'. Pela reacção, quase um sobressalto, percebi que estava a ter a mesma involuntária impressão. Ao fim do dia, quando pude comentar com esta última, ainda não me tinha restabelecido: 'Já viu como ela está...? Tive que me esforçar para não deixar transparecer a surpresa que estava a sentir'. E ela: 'Nem me diga nada... tive que disfarçar...' E eu: 'Mas o que é? Está mais gorda...? Viu os papos? Quase parece desfigurada...' E ela: 'O que é? É simples: são 10 anos a mais. E acha que nós estamos iguais ao que éramos há dez anos...?' Acho que já não respondi. Devo ter ficado apreensiva, senão mesmo um bocado triste.

Tendo trabalhado em várias empresas e passado por fusões e cisões, tem sido frequente perder de vista muitas pessoas e, passados alguns anos, calhar a encontrá-las. E há uma interjeição recorrente quando me vêem: 'Ah... mas está igual...' ao que geralmente respondo: 'Olhe que não, olhe que não... capaz é de estar a precisar de óculos, não...?'. Racional como sou, não me deixo levar pois, a ser verdade, ainda estava com cara de dez anos.

Creio que já contei que, num dos últimos enterros a que fui, dei de caras com um homem que conheci na minha infância. Ele estava com uma mulher que não reconheci como sendo a mulher dele até porque estava certa de que ela tinha morrido. 'Não me estás a conhecer, pois não...?', disse-me ele. E eu, atónita, a achar que não podia ser, o senhor não podia estar quase igual ao que era umas décadas atrás, apenas um bocado mais velho. Não arrisquei: 'Acho que sim, que conheço mas não estou bem a ver quem...', até porque tinha até ideia de a minha mãe, em tempos, me ter dito que o senhor também tinha morrido. Então ele disse-me o nome e eu só não me deixei cair para trás porque já aprendi a disfarçar quando levo um murro no estômago. Era o meu grande e insubstituível amigo, o meu primeiro amor, minha companhia de brincadeiras e longas conversas -- até ter ido cada um para seu lado. Fiquei sem acção. E ele: 'Pois eu conheci-te logo, estás igual, o mesmo sorriso.' E eu muda, provavelmente o mesmo sorriso pasmado no rosto. Depois apresentou a senhora, era a mulher. E ela disse: 'Toda a vida ouvi falar de si'. E eu, em estado de estupor catatónico, incapaz de retribuir a simpatia. Só me ocorria que a senhora parecia capaz de ser minha mãe, que não podia ser a mulher do meu amigo de infância e que ele não podia estar transformado naquele homem enorme, encorpado, ar pesado e olhar triste. Quando comentei com a minha mãe, ela contou-me que ele tinha saído do banco onde tinha um cargo dirigente, tinha tido uma depressão, vivia agora toda a semana numa quinta, que estava transformado num homem do campo. Ao fim de semana, vinha à cidade ou a mulher ia ter com ele ao campo. E senti alguma tristeza. Já aqui falei muitas vezes desse meu grande amigo. Sempre foi reservado, tímido. De uma inteligência invulgar, chegou a receber o prémio do melhor aluno do país, coisa que soube pelos meus pais e não por ele. Eu era então provocadora, gostava de fazê-lo sofrer, fingia que não gostava dele, fingia que preferia os outros meninos, desafiava-o para fazer coisas que ele não gostava de fazer mas que se sentia compelido para não me contrariar. Mas, na verdade, eu não conseguia passar sem ele. Andávamos sempre juntos. Eu conversava, sonhava alto, fazia-o viajar nas minhas palavras e ele, calado, sorridente, nunca me contrariava. Nunca, nunca. Tinha uma paciência incrível e eu, embora nunca lhe dissesse, sentia-me agradecida por poder contar com ele.

Não suportou o peso da vida na cidade e a sede daquele grande banco que fervilhava com centenas de pessoas, aquele ambiente, aquela pressão, foram-lhe insuportáveis. Aguentou talvez uns trinta anos e depois refugiou-se no campo.

Mas isto para dizer que o tempo passa inexoravelmente sobre nós. Sorte a de quem lhe sobrevive.

Quando aqueles que achamos muito belos morrem na flor da idade, lamentamos muito e guardamos deles a imagem da sua eterna juventude. Habitam a nossa memória (e agora habitam também o infinito repositório da net), cristalizados, iguais ao que eram quando a sua beleza impressionava quem os via.

Claro que agora aquela app que, através da inteligência artificial, não apenas fica com um manancial de inumeráveis rostos como simula como ficam as pessoas quando envelhecerem, conseguimos ver como seriam hoje aqueles que, em tempos, cativavam o mundo com a sua radiosa beleza. Os próprios fazerem isso é uma coisa, cada um decide por si. Ou fazer isto com pessoas que estão vivas também é como o outro. Agora, quando fazem isso com quem já morreu, sinto que é preciso ingratidão e maldade para querer ver como teriam sido frágeis e decadentes aqueles que se evadiram da lei da vida sem que o mundo as visse a perecer.

E eu, ao olhar o belo rosto de Sharon Stone, que está viva e bem viva, e ao ver como as pálpebras tombam e o cabelo embranquece e como o seu corpo tentador hoje se encobre para lamentar o afastamento a que se viu votada, sinto pena -- o tempo é ingrato e mau. Ou não é o tempo, são as pessoas. Ingratas e más. E, no entanto, que bonita que ela é e que bem que está e que sorte teve ao escapar, sem sequelas, a esse inferno que é um maldito AVC. E que solidariedade, cá muito minha, sinto ao pensar no que ela deve ter sofrido ao ver-se sem falar, sem andar, totalmente dependente, a ter que reaprender tudo, a força necessária, a coragem, a superação do medo e do desgosto. Tão difícil tudo.
Penso no meu pai. Tão bem que estava, tão saudável, tão orgulhoso que sempre foi e, no entanto, um dia viu-se inerte, apenas com metade do campo de visão, sem orientação, sem força num braço, sem andar, de fraldas, a ter que ser alimentado à boca, a ter que ser lavado, a ter que depender de outros para tudo.
Felizmente ela conseguiu ultrapassar tudo: está bem, saudável, inteira.


Mas queixa-se que a esqueceram, que deixaram de lhe dar trabalho. O cinema queria-a como mulher sensual, maliciosa, enérgica, intimidantemente tentadora, não como uma mulher de meia idade que, em tempos, foi isso tudo e que agora perdeu o viço. Como deve ter sido difícil para ela esforçar-se por recuperar, sentir que estava de novo a reconquistar a plenitude das suas facultadas e, ainda assim, sentir-se rejeitada. Uma coisa horrível.

Quando agora fiz anos perguntei aos meninos se sabiam quantos anos eu tinha feito. Não sabiam, atiravam números à sorte, uns para cima, outros para baixo, e eu esclarecia-os dizendo que tinha cem anos. Desatavam a rir, que era impossível. E eu, muito séria, dizia que era mesmo. Cem anos. Riam, perguntavam aos pais. Mas eu, no meu íntimo, antecipava o prazer de viver cem anos e ainda estar para as curvas, com vontade de brincar e de rir, com vontade de seduzir, de provocar, com vontade de me pôr a caminho.


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A segunda vida de Sharon Stone


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Isabella Rossellini, Jack Nicholson e Jennifer Lawrence aparecem aqui sob o efeito de uma outra app, desta feita uma que converte as pessoas em pinturas de antanho. Por acaso, se não me importasse de oferecer o meu rosto a estranhos, gostava de me ver nesta.

A Lady Di, a Marilyn Monroe, o Brad Pitt, o Putin, o Trump, o Zuckerberg e outro que não sei quem é foram envelhecidos pela FaceApp e nesta é que eu não me meto. Livra.

A Sharon Stone, na fotografia, está como é agora e como era antes, sem inteligência artificial à mistura. 

Crossroads pelo Don McLean, que eu não conhecia e que é tão bonita, está aqui porque estou a gostar imenso de ouvir. Acho-a triste, triste, mas não consigo deixar de ouvir.

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Tenho andado a tentar reavivar o meu Ginjal e Lisboa, a love affair pelo que, se estiverem para aí virados, serão muito bem vindos nesse meu lugar à beira Tejo plantado. Hoje tenho: E o seu nome seja o seu próprio pudor sobre poema de António Ramos Rosa ao som de Divna Ljubojević. E eu gostava muito que gostassem de lá estar. 

[E desculpem por, nos últimos dias, não ter respondido a comentários ou mails mas, acreditem, o meu tempo não dá para mais. Hoje respondi, ou melhor, coloquei uma pergunta porque era um único comentário e a minha pergunta era simples. Mas leio sempre (e fico sempre com um sentimento de culpa por achar que parece pouco educado por não retribuir a simpatia de quem por aqui passa mas ponho-me a escrever posts e quando dou por ela são quase horas de me levantar)]


quarta-feira, fevereiro 03, 2016

Aquelas que, em tempos, foram mulheres muito belas


Bem, agora que que se ouvem tantas meninas a gritarem que vem aí o lobo e que eu já disse o que tinha a dizer sobre o assunto -- deixando umas sugestões para os senhores que nos governam -- vou intervalar.

De qualquer maneira, a quem não aguentar a espera e quiser já ouvir-me a dar conselhos ao Costa, ao Centeno (que, coitado, tão estafado parece estar, dá ideia de já mal poder com uma gata pelo rabo) e ao Mister Foreign Affair e, tagarela como sou, também a falar do orçamento, de caniches que não largam, de incontornáveis popotas e de galinhas bronzeadas e sei lá que mais, pois que salte já daqui até lá para baixo.

É que, aqui, agora, vou falar de mulheres. Da beleza das mulheres quando deixam de ir para novas. (Hélas, como é o meu caso).

 Jennifer Lawrence, 25 anos, e Jane Fonda, 78 anos -  por Annie Leibovitz para a Vanity Fair, 2016



Silêncio e tanta gente - Maria Guinot


Hoje fui ao supermercado à hora de almoço. Todas as semanas levamos as compras mais pesadas para que a terceira idade não tenha que o fazer. Quando me atraso, o meu marido despacha tudo num ápice: as compras cingem-se ao estritamente necessário. Quando eu vou, dou-lhe cabo do sistema nervoso porque o tempo é limitado e eu, sem querer, perco-me. 

Jane Fonda, 1978

Geralmente, mal o apanho de costas, pisgo-me a ver se há promoções na zona dos cremes. Vejo para que idades são eles recomendados para ver se são mesmo os que eu deveria usar, se apagam as rugas, se eliminam a flacidez, e mais qualquer coisa de que agora não me lembro. Vejo se são de dia, de noite, se são tratamentos reafirmantes, se são daqueles que simulam preenchimento, etc. (O que será a outra coisa de que não me lembro?) Adiante. Depois vou ver os mais caros, para ver as novidades. Um balúrdio. Arrepio caminho e, se estou a precisar, fico-me pelos mais básicos.

Volta e meia encontro na casa de banho do escritório algumas colegas retocando as maquilhagens. Só vejo coisas de marca. Eu não. Abasteço-me na fancaria e, de preferência, no que estiver em promoção. Perdulária só sou com livros (ou coisas para a descendência, claro).

Pois bem, hoje havia promoções das boas, 35% de desconto. Abasteci-me, claro está. Agora já apliquei um creme de noite, dos novos. Com um descontão destes, trouxe um daqueles que, só pela embalagem, a gente já vê que é coisa técnica, certamente mais eficaz do que um lifting.

(Só espero amanhã, quando me vir ao espelho, poder constatar que estou com a cara que tinha aos 15 anos, sem uma ruguinha, pele quase de bebé.)

Helen Mirren, 2016
Tenho na parede do meu quarto, umas fotografias de quando me casei, banhada de sol, eu de calças brancas, justinhas, túnica Augustus branca, quase transparente, com uns bordadinhos brancos, cabelo curtinho, risonha, completamente in love e abraçadinha a um moreno sóbrio parecido com um sírio cabeludo e barbudo. 

Helen Mirren por Lord Snowdon, 1995

Por baixo dessas fotografias coloquei uma minha e uma dele quando tínhamos eu um ano (quase careca, apenas uma penugem clarinha, e toda risonha) e ele com dois (cabelo escuro, muito penteadinho e muito sério).

Volta e meia páro a olhar: eu com 1 ano, eu com 20 anos e, depois, se me olhar ao espelho, eu agora. E tento perceber quantas das minhas células actuais sobreviveram desses meus verdes anos. Penso que já devem ter ido todas à vida e, no entanto, sou eu, a mesma.

Mas os traços da idade estão cá e mais virão. Melhor: tomaram que venham que será sinal que estou viva. E, de resto, com cremes milagrosos, quem sabe se não parecerá que cristalizei no tempo, sempre com carinha de vinte anos.

(Estou a brincar, bolas, não quero parecer um fóssil, senão, às tantas, ainda me confundiam com a Senhora Dona Lady).

Diane Keaton por Annie Leibovitz, 2016
Diane Keaton, 1985
Dantes eu pensava que as mulheres eram bonitas quando eram novas e que, depois, eram o que tinha sobrado. Agora já não penso assim. Agora já acho que há beleza em todas as idades. Além disso, quando me distraio, logo penso: olha, de qualquer maneira uma mulher aos 70 ainda é capaz de parecer toda gira aos olhos de um homem de 80. Mas é um pensamento parvo, claro, até porque o que não faltam são mulheres que despertam paixões em homens bem mais novos.

E o que se passa com mulheres, passa-se com homens. Contudo, a pele dos homens parece que resiste melhor ao passar do tempo. Ou, então, sou eu que sou mais benevolente com eles. Mas que os homens ficam mais interessantes, mais inteligentes, melhores companhias, isso é inquestionável -- isto, claro, se não ficarem velhos babacas, taralhoucos.

Mas volto às mulheres para referir aquilo que verdadeiramente penso a propósito disto: interessantes são as mulheres que não têm medo de parecer velhas, feias, sem graça. Interessantes são as mulheres que amam a vida e a querem viver, toda, tenham a idade que tiverem. Interessantes são as mulheres que ousam, que desafiam, que seduzem. Interessantes são as mulheres que gostam do seu corpo, que querem amar e ser amadas. Interessantes são as mulheres que têm prazer em despertar interesse e que estão disponíveis para se interessar pelos imprevisíveis instantes de felicidade que a vida tem para oferecer. Tenham 20, 40, 60 ou 80 ou mais anos.

Charlotte Rampling por Helmut Newton, 1974

Charlotte Rampling, Annie Leibovitz, 2016


Mulheres brancas e pretas, sempre belas em qualquer idade

As mulheres que dão cartas em Hollywood - por Annie Leibovitz para a Vanity Fair  2016

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Hoje, quando cheguei aqui à sala vinha numa de falar de um certo lobo com um filósofo à mistura. Mas, depois de umas boas charutadas (vide post abaixo), nada como dar uma espairecida e, por isso, desviei-me para isto das mulheres. A ver se amanhã venho, então, de lobo pela mão que agora, com o sono com que estou, vou mas é pregar para outras pradarias.

Caso estejam fartos de tanta mulherada, aceitem o meu convite e venham dar vivas a Portugal, enquanto as maria-amélias suspiram de saudades pelos algozes. É já aqui abaixo.

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terça-feira, setembro 15, 2015

O primeiro dia do resto da minha vida


No post abaixo já juntei os trapinhos entre Catarina Martins e António Costa. Existe química entre aqueles dois e tem tudo para ser uma química virtuosa. Os do Bloco e simpatizantes acharão que ela, no debate da TVI 24, encostou o Costa às cordas; os do PS acharão que ele mostrou que o BE pode fantasiar e fazer malabarismos verbais porque não espera ser Governo. E eu acho que eles dançaram um belo tango e só se forem parvos é que não se unem e juntam as suas melhores forças a bem do País.

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Mas isso é a seguir. Aqui, agora, mudo de rota.

Depois das férias, falo do regresso.






Na véspera já eu estou a escolher a roupa. Experimento uma e outra, solto o cabelo, apanho o cabelo, mudo de novo, conjugo de outra forma, escolho brincos. Vejo-me ao espelho. Não gosto.

Mudança radical. Outro género, novas peças a conjugar. Vejo-me de frente, de perfil. Ensaio sorrisos. Não, séria. Depois, vendo-me séria, desato a rir. Não. Melhor séria. Ou um meio sorriso se o conseguir suster.

Haverá lá alguém novo? E aquele por quem o meu coração bate? Estará lá? E se não está? Como lhe falarei? Ignorá-lo-ei para o fazer o sofrer? Ou sorrirei, mostrando a minha alegria? Ou surpreendo-o e mostro-me atrevida? Pergunto-lhe se teve saudades minhas. E se ele responde à altura? Aguento-me e surpreendo-o ainda mais? Digo que quase morri de saudades. Depois desato-me a rir e ele ficará sem saber se era de verdade ou brincadeira. Não. Fingirei nem o ver, farei de conta que me esqueci dele durante as férias.

E se ele me ignorar? E o se o vejo de amores com uma outra qualquer? Faço o quê? Começo a falar com outro para ele ver que não estou nem aí?

No dia de manhã, um nervosismo. Tomara que haja alguém novo, isso sim, alguém giro, inteligente, alguém que traga espanto, surpresa, que desestabilize. 

De novo a questão da roupa. A escolhida na véspera afinal não vai dar. Está frio. De repente, nada para vestir. Que horror, uma camisola, nem se vai ver que tenho um tom levemente bronzeado. Porcaria de tempo.

O tempo a passar e o desespero de nada ficar bem. Os brincos também já não podem ser aqueles, os sapatos muito menos, a cama pejada de roupa, nada fica bem, uma desinspiração.

Depois, no último minuto, já qualquer coisa. Mas não, essa qualquer coisa não pode ser. Nova blusa, sem mangas, levo um casaco. Novas calças, outros brincos, o espelho de frente, de lado, espreitar por cima do ombro para ver de trás.

Não. Um vestido, o vestido cor de rosa.  Se calhar vou ter frio mas paciência. À saída, a correr, volto atrás. O perfume. Depois de novo atrás, já quando à porta: o casaco, um casaquinho leve.

Ah, baton. Fundamental. Bolas, onde está o cor de rosa? Ah que chatice. Onde está?

Ah, deve estar na outra bolsa.

Rápido.

Uma camada leve. Ah, mal se nota. Duas. Ah agora está muito carregado. Bolas.

Nervosismo. Nem deu tempo a ver bem ao espelho. E se chego lá e não estou bem? E se não consigo ir ver-me ao espelho antes de o encarar? E o cabelo? E o decote? E será demasiado transparente? Devia ter vestido um top por baixo. Com aquelas trocas, esqueci-me. Vestir o casaco? Não, nem pensar, morria de calor, mais vale morrer de frio.

Chego. Finalmente.

Lá está ele. Finge que não me vê, faz de conta que está ocupado. Finjo que não o vejo. O coração a bater. As amigas, os amigos, 'Então as férias?' Eu rio, 'Boas, sempre boas'. Espero que ele me veja mas não olho. O dia passa e eu não lhe falo, ele não me fala. O coração a bater, a bater. A voz dele, e ele nada. E eu nada. Falo com todos menos com ele. Penso mil vezes: 'mil vezes estúpida'. Mas não dou o braço a torcer. Nem ele. Insulto-o mentalmente, 'estúpido'. Ameaço-o em surdina 'vais ver, estúpido, vais ver'.

Até que, como se o dia não se tivesse esgotado nesta dança incompreensível, nos reencontramos. E então é a ternura. Como se nenhum dia de permeio tivesse existido, somos só nós. Ninguém mais, nada mais: só nós dois. Rimos um para o outro, felizes, sem palavras, depois abraçamo-nos. E dizemos 'que saudades'. Um novo ano, juntos. Para sempre. Para sempre.

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Recomeço das aulas. O primeiro dia do resto da minha vida. Treze, catorze, quinze, dezasseis, dezassete anos. Acho que era em Outubro, talvez a sete de Outubro. Todos os anos a mesma emoção. O dia do recomeço era, sobretudo, o dia em que ia voltar a poder estar o dia quase todo com o meu amor.

(Pelo meio o amor mudou mas não interessa, a emoção manteve-se inalterável.)

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Katie Melua, lá em cima, interpreta The closest thing to crazy e tomara eu ser tão gira (e tão talentosa - e ganhar tanto dinheiro como a Jennifer Lawrence)

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E, por falar em amor, deslizem, por favor, até ao casalinho maravilha: Catarina Martins e António Costa. Nada que deva assustar a simpática Fernanda Tadeu já que falo apenas num juntar de trapinhos político. Acho que a Catarina Martins traria um sopro de ar puro, irreverência e gosto pelo combate político a um Governo PS.
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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela terça-feira. 
Divirtam-se, está bem?

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quarta-feira, setembro 02, 2015

'Apanha-me, se puderes', diz Emilie Fouilloux, a mulher de vermelho. Nem pó, responde Johnny Depp, o 'Sauvage'. Que nunca foi tímida, confessa a Dior Addicted Jennifer Lawrence.


Pode ser uma mulher a correr em Paris, pode ser a sedução em vermelho, pode ser o anúncio da marca Tara Jarmon ou ser a moda outono/inverno 2015, pode ser o que quiserem. Eu gosto. Tivesse eu a idade, a altura e corpinho da Emilie e a ver se não me haviam de ver por aí a correr como ela pelas ruas de Paris ou de Lisboa.




E ele é aquele bad guy por quem as mulheres não conseguem deixar de ter um fraquinho. E o perfume é bem bom. Pelo menos o Eau Sauvage que eu conheço é-o. Aposto que qualquer homem perfumado com Sauvage fica tão sedutor como o Johnny Depp.

(Contudo, o perfume de homem que eu considero mesmo, mesmo, irresistível é o que o meu marido usa desde há anos, o Acqua di Giò; mas tenho ideia que já usou o Eau Sauvage. Ele diz que não se lembra mas eu acho que sim)




Contudo, para que os sedutores não tenham a vida muito facilitada, nada como uma mulher se apresentar devidamente armada. Por exemplo, um baton parece-me uma boa opção: é sabido que o ataque é a melhor defesa.

Jennifer Lawrence explica como é. 



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Disclaimer: Infelizmente não tenho participação em nenhuma das empresas referidas neste post.

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quarta-feira, outubro 08, 2014

Jennifer Lawrence, a bela actriz a quem roubaram a nudez, numa sessão fotográfica onde mostra a sua sensualidade sem mácula. Uma rapariga na terceira margem, aquela onde se escondem os secretos jardins.


No post mais abaixo já desabafei. Sorte a do Crato porque não se cruzou comigo porque eu, quando tenho que as dizer, não as mando dizer por ninguém. Ouvia-as, ai, ouvia-as mesmo. Aquele fulano anda a pedi-las, anda, anda. Devia sair rapidamente do governo e ir para muito longe, para umas daquelas ilhas que ainda não percebi se existem mesmo ou se são apenas um pedregulho no meio do mar com umas quantas offshores a cavalo. Longe, muito longe. Ou então bem podia ir para as Selvagens tomar conta da bandeira e dar de comer às cagarras. Olha, ensiná-las a fazer a prova dos nove. Ou não, capaz de baralhar os animais, destituído como é. Olha, podia arranjar um programa informático para colocar as cagarras. Não, melhor não, senão as cagarras ficavam todas sem casa e sem norte. Olha, ficar a brincar às pedrinhas. Ou, então, podia ir ele e a outra, a que faz de tudo para parecer uma adolescente retardada. Os dois a darem de comer às cagarras. Olha, também podiam entreter-se a montar tendas para os que iriam chegando aos poucos, a cristas que despacha os secretários de estado a grande velocidade, para a albuquerca que no meio desta bagunça toda até consegue passar despercebida, para o vice-irrevogável poder brincar às linhas vermelhas que ninguém pode pisar, para todos, e, em espacial, para o láparo, aquele que larga pêlo e que nem para tal e coiso serve (... enfim, deixem para lá, sabem a anedota, com certeza).

Mas a conversa sobre o Crato é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra.



You are my sister



Antony and the Johnsons




Quando se abrem contas na nuvem (da apple ou da google, por exemplo) e se acede a essas contas num smartphone como o iPhone ou um Samsung (para referir dois dos mais usados), sem que a pessoa tenha bem noção disso, quando tira fotografias pode estar a colocá-las não apenas dentro do seu telemóvel mas, também, nas bases de dados associadas à sua conta e alojadas nessa nuvem.

Acede-se a essas contas (de mail, de espaço de armazenamento, etc) escrevendo o nome do utilizador e a password.

Contudo, para tentar violar essas contas estão aí os hackers.

Uma vez estive num encontro em que, para mostrar alguns cuidados a ter a nível empresarial, nomeadamente no que se refere à vulnerabilidade das redes de comunicações, tinham convidado um hacker do pior que havia. Já nem me lembro da nacionalidade do rapaz, tenho ideia que era alemão. O que sei é que o que ele disse e demonstrou era de arrepiar. Muitas vezes nem é por maldade ou pelo gozo de ver o conteúdo que esses habilidosos violam a segurança de sites ou correio, documentos ou fotografias: é, sobretudo, para ver até onde vai a própria capacidade para rebentar com portas supostamente trancadas a sete chaves.

Pode não ter sido o caso recente dos que violaram as contas de umas quantas actrizes, mas sei lá. Aí admite-se que tenha sido mesmo pelo prazer de sacanear, ou para chantagear, ou para receber uns cobres por parte da imprensa sensacionalista mas, às tantas, foi mesmo para verem até que ponto eram capazes de detectar as vulnerabilidades destes sistemas.

O que penso é que, nem as raparigas deveriam ter bem a percepção de que aquelas fotografias mais íntimas, não estavam apenas guardadinhas e quase invisíveis dentro dos seus telemóveis ou nos dos namorados mas, sim, armazenadas algures numa qualquer cloud. Além disso, obviamente são livres de se fazer fotografar como muito bem lhes apetece, nuas, provocantes, ou vestidas até ao pescoço, como quiserem.

Imagino a angústia destas jovens mulheres quando souberam que fotografias privadas e algumas bastante ousadas andavam a circular por todo o lado, imagino a vergonha perante amigos e, sobretudo, perante a família.

Claro que acabam por criar uma carapaça ou fobias ou, como acontece com tantas, acabam por procurar defesas em drogas ou álcool.

Jennifer Lawrence, a talentosa e sexy menina de 24 anos que já ganhou o Oscar e muitos outros prémios, parece que já mais ou menos conseguiu pôr a infâmia e a humilhação para trás das costas e, como dizem os brasileiros, já entregou para Deus. Mas não deve ser fácil.





E a Vanity Fair deu-lhe uma ajuda, elevando o seu estatuto a capa de revista, a diva, a mulher quase feita, bela, sensual e muito respeitável. A capa da Vanity Fair não é para qualquer uma e, por isso, eis a bela actriz a quem roubaram a nudez, aqui, fulgurante, superior, bem acima da maldade alheia.





Foi Patrick Demarchelier quem fotografou Jennifer Lawrence para a Vanity Fair de Novembro e ela está linda, menina inocente, irreverente e muito sexy, both huntress and prey. Uma bela rapariga a percorrer os sinuosos labirintos da fama.





Rapariga que segura outra ponta da distância, acudo à sua
noite desde a terceira margem, que é a margem do amor.

Nessa margem visito secretos jardins: a flor nocturna que
rego debaixo da sua saia, a orquídea negra que cresce na fenda
dos seus músculos.

Rapariga de cujas pernas abertas a noite se escoa, entro no
seu bosque como a chave nas fechaduras, para me assomar
de novo ao outro mundo.

Não me perguntem o santo e a senha, a chave que abre a gruta
ao seu silêncio, o sésamo do seu coração. Não há palavra que
nomeie esse fulgor.



['Rapariga' de Juan Manuel Roca in 'Os cinco enterros de Pessoa']




Jennifer Lawrence Makes a Splash for Her Cover Shoot - Vanity Fair November 2014






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E por hoje fico-me por aqui. Ando mesmo com sono, podem não acreditar mas ando. Amanhã, ainda por cima, tenho que madrugar. Bolas que ninguém me poupa.

Tantas boas intenções que eu tinha para hoje e nada. Mas os livros podem esperar.




O tempo permanece
Apanhado entre os livros.
Por este prodígio de apreensão,
Heraclito continua a banhar-se
No mesmo rio,
Na mesma página.
Tu continuarás para sempre
Nua no meu poema.


['Arte do tempo' de Juan Manuel Roca, in 'Os cinco enterros de Pessoa', tradução de Nuno Júdice]






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Relembro: deslizem, por favor, até ao post já a seguir para se virem juntar a mim num valente tareão ao sonso do Crato.


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa quarta-feira.


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terça-feira, março 04, 2014

Os quatro melhores vestidos da noite dos Oscares 2014 segundo a Harper's Bazaar - ao som de' Let it Go', a canção de Frozen, Oscar para a melhor música


Não consegui ver os Oscares nem consegui ver os noticiários de hoje. Tenho tido uns dias do diabo (verdadeiramente...! sai-me com cada duque que nem vos digo nada) pelo que, uma vez mais, cheguei a casa tardíssimo. O que sei  dos Oscares foi o que ouvi de manhã nas notícias da TSF enquanto conduzia e agora nos sites que costumo bisbilhotar.

E, assim sendo, a partir do que vi, aqui vai a minha selecção. Começo pelos quatro melhores vestidos da Noite dos Oscares segundo a Harper's. Porque, do que vi, me parecem mesmo muito bem, aqui os partilho.

Que entre a música vencedora: 

Let it Go do filme Frozen, interpretada por Idina Menzel no papel de Elsa





E que comece então o desfile:


A fantástica, irreverente
e uma grande, grande actriz,

Jennifer Lawrance in Christian Dior


A sensual e sempre algo desafiadora

Kate Hudson in Atelier Versace



Uma grande actriz e bonita
mas a quem ainda falta um je ne sais quoi

Amy Adams in Gucci


A luminosa, elegante, segura, bela e grande actriz
Oscar 2014 pela interpretação em Blue Jasmine

Cate Blanchett in Armani


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Já cá volto com mais fotografias seleccionadas.

sábado, janeiro 25, 2014

A Golpada Americana (American Hustle no original), definitivamente a não perder. Jennifer Lawrence, Amy Adams, Christian Bale, Bradley Cooper, Jeremy Renner e Robert De Niro - num cinema perto de si.


Passa da 1 da manhã e só agora estou a ligar o computador porque só há pouco cheguei a casa. Não costumo andar a dar conta de todos os meus passos mas hoje vou contar. Passo por cima do belo jantar e vou direita ao cinema.


Uma sala enorme completamente cheia. E um filme daqueles que enche as medidas (pelo menos a pessoas de gostos simples como eu). Grandes interpretações, uma tramóia ágil, um ritmo focado na atenção do espectador, humor, charme, a simpatia pelos bons malandros, a grande malandragem, a inesperada golpada final, a sedução, o amor, os equívocos, tudo. Mas, sobretudo, as interpretações.

Leio no DN que 'American Hustle', realizado por David O. Russel, foi eleito pelo Círculo de Críticos de Cinema de Nova Iorque como o melhor filme deste ano.



O filme ganhou mais dois prémios: de melhor argumento, assinado por David O. Russel e Eric Singer, e de melhor atriz secundária, Jennifer Lawrence.

E leio na wikipedia que o filme recebeu elogios da crítica quase universal e, entre outros, foi nomeado para sete Globos de Ouro, vencendo 3 prémios. Além disso, foi indicado a 10 Oscares , incluindo "Melhor Filme", "Melhor Director" e as quatro categorias relacionadas a actuação: "Melhor Actor" (Bale), "Melhor Atriz (Adams), "Melhor Ator Secundário" (Cooper) e "Melhor Atriz Secundário" (Lawrence).


Let's look at the trailer




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domingo, janeiro 20, 2013

Guia para um final feliz


Um homem lindo, lindo. Um desempenho contido, um corpo que dá gosto ver.


Bradley Cooper, nomeado para Melhor Actor, Oscares 2013
O bipolar em lenta recuperação



Uma mulher muito bonita, invulgar, as emoções à flor da pele, uma fantástica energia.



Jennifer Lawrence, nomeada para melhor Actril, Oscares 2013
A viúva problemática que gosta do seu próprio lado de 'porcalhona, badalhoca'



Um homem extraordinário, extraordinário. Sempre, sempre extraordinário.


Robert de Niro, nomeado para Melhor Actor  Secundário, Oscares 2013
O pai de Pat (Bradley), cheio de pequenas manias, um típico americano



Uma mulher discreta, contida, um suporte naquela família.


Jacki Weaver, a mãe de Pat, Nomeada para Melhor Actriz Secundária, Oscares 2013


Estes e outros ingredientes, com vários outros argumentos à mistura, só podiam mesmo ser o Guia para um Final Feliz.

Não se espere, ao ir ver este filme, grandes teorias, métodos inovadores, grandes pensamentos. Não. Mas pode esperar-se um bocado muito bem passado.



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E a ver se ainda aqui volto hoje.