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sexta-feira, setembro 18, 2026

Existem duas competências chave para o Montenegro escolher ministros - humildade virtual e burrice intrínseca
-- A palavra ao meu marido --

 

O ministro estrela do Montenegro, também conhecido por Fernando Alexandre, anteriormente alvo das maiores loas por tudo o que é comentador é o exemplo acabado deste perfil. Faz-se de humilde e não aprende com os erros, o que é um dos maiores apanágios dos verdadeiramente burros. Para uma área em que, lembro-me bem, o Montenegro dizia na campanha eleitoral que tudo se podia resolver facilmente com uma melhor gestão, escolheu um sujeito que não percebia nada de educação mas que tem a mania que é o maior. Vem o Fernando e conseguiu estragar o que corria bem, atirar-se de cabeça para a trapalhada e fazer estragos que nunca tinham acontecido com ministros anteriores. O Fernando conseguiu, porque acha que ele "é que sabe", originar desigualdades nas colocações no ensino superior, o que nunca tinha ocorrido e não colocar centenas de alunos porque destruiu a estrutura do ministério. Paralelamente as escolas continuam sem professores, os alunos sem aulas e as condições de muitas escolas degradaram-se a olhos vistos. E o que faz o Fernando?  Culpa tudo e todos e, num pseudo acto de contrição, pede desculpa. Logo os comentadores mais próximos lhe perdoam porque o tipo afinal é humilde. De facto, qualquer pessoa com apenas um dedo de testa percebe que humildade não é uma valência do Fernando. Já quanto a burrice... só um tipo sem grandes dotes cognitivos conseguia fazer tanta asneira em tão pouco tempo. Portanto, neste caso o Montenegro esteve quase a acertar. Escolheu para ministro um tipo arrogante que se faz passar por humilde e cujos dotes cognitivos são parcos. 

Outro exemplo acabado é a Ana Paula Martins. Passa a vida a dizer que está tudo mal e, às vezes, que ainda vai ficar pior. Portanto, é humilde -- e bate todos os recordes de falta de dotes cognitivos. Só uma pessoa com enorme falta de dotes cognitivos conseguia fazer chegar o SNS ao estado que chegou. Mais uma com o perfil adequado.

Claro que nem todos os ministros se podem gabar de ter este perfil. 

Uma exceção clara era o Neves quando ainda achava que era o "maior da Cantareira"; mas, vai pelo bom caminho. Já revela aquela pseudo humildade que caracteriza outros ministros do governo e na audição parlamentar até reconheceu que tinha cometido erros, mas claro, segundo ele, coisa pouca. No caso das capacidades cognitivas estamos conversados. Só um tipo pouco esperto pode julgar que engana tudo e todos com patranhas. 

Relativamente a outros ministros é difícil perceber se cumprem ou não integralmente as competências chave. Raramente dão um ar da sua graça. 

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Só um aparte:, quem seguramente não é humilde é a Ângela Silva. Utilizar exatamente as mesmas técnicas que o Chega, para não deixar falar o José Luís Carneiro revela uma arrogância insuportável. Claro que na SIC cada um faz os fretes que quer, e defende quem lhe apetece desde que não seja de esquerda. Ter esta criatura viperina horas e horas como comentadora e entrevistadora na SIC revela bem com que linhas se cose a linha editorial desta estação de televisão. 

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E vivam os burros, em especial os que, ainda por cima, são humildes.

sábado, setembro 05, 2026

Está tudo louco ou a Montenegro & Ventura deram cabo disto tudo?
--- De novo, a palavra ao meu marido ---

 

A coisa está curiosa. O Seguro manda dizer (afinal tem ou não tem quem fale por ele?) que ficou "furioso" com o discurso do Neves na Madeira. Deve ter sido uma gritaria das antigas em Belém, só é pena que ninguém tenha ouvido. Em contrapartida, o Montenegro diz que está tranquilo quanto ao discurso do Neves. Claro que a questão de ter sido desautorizado pelo Neves é um pormenor sem importância. Antes assim, mais vale malharem no Neves do que falarem nas 12 horas de espera nas urgências, na compra das fragatas, na barraca dos exames e, sobretudo, do que falarem no aumento do custo vida. Percebe-se que o Montenegro esteja tranquilo, a coisa está tão complicada que dá jeito ter um Neves para aparar os "raios". O que o Montenegro não percebe é que, quando o raio cai, tudo o que está perto fica chamuscado.

Já agora, falando em gente inconscientemente tranquila. Alguém tem que dizer à mocinha da saúde que os ministros, teoricamente, estão lá para resolver os problemas pondo em prática as medidas que são necessárias. Vir para as televisões dizer que está muita coisa mal, que algumas ainda vão piorar, como por exemplo os tempos de espera, e não resolver um único problema, antes pelo contrário tomar medidas que os agrava como faz a Ana Paula, é de uma pelintrice de espírito que até chateia. Aliás, o diretor executivo do SNS tem exatamente o mesmo discurso e também não dá uma para a caixa. Estas coisas pegam-se, sabe-se! Será que o Seguro também fica furioso com estas tiradas dos responsáveis pela saúde e ninguém nos diz nada?

Em resumo entre as fúrias do Seguro e a pelintrice de espírito e falta de ética de quem nos governos a coisa vai mal. 

Haverá luz no fundo do túnel?

sexta-feira, setembro 04, 2026

O que é a caquistocracia?


Caquistocracia (ou kakistocracia): significa o «governo dos piores», ou seja, um sistema político liderado pelas pessoas menos qualificadas, mais incompetentes ou mais inescrupulosas.

  • Etimologia: A palavra vem do grego kakistos (o pior, superlativo de mau) combinado com kratos (poder ou governo).
  • História: O termo foi criado no século XVII para descrever governos entregues a cidadãos sem capacidade ou mérito para exercer a função pública. 
  • Principal característica: Incompetência como critério - o governo escolhe ou tolera membros com base na falta de preparação, afastando e hostilizando quem demonstra verdadeira competência.
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A caquistocracia segundo o ChatGPT


Um Governo em que o primeiro-ministro está contaminado por uma infecta Spinumviva que para sempre lhe ficará colada como uma carraça, que começou a governar sobre uma mentira que soou aos portugueses como uma fraude (falando numa descida espectacular do IRS quando era afinal algo que já estava reduzido (pelo governo PS)), que tem balizado a sua actuação por meias verdades, por chutar para canto, por incumprir tudo o que tinha prometido, que se fez rodear de uma equipa de ministros fraquíssimos, que estragam tudo em que tocam (o caso da Saúde, da Educação, então, são paradigmáticos do que é a incompetência elevada a expoentes impensáveis), em que um ministro da Administração Interna (o 3º erro de casting, depois de duas senhorinhas que não atinaram) se apresenta como um polícia de tipo self-made man -- quero, posso e mando e que venha o primeiro que me impeça de fazer o que quero -- não é um exemplo de que, também em Portugal, se tem vindo a decair no sentido de uma caquistocracia? 

Os que estão no Governo não deveriam ser os melhores dos melhores? Como é possível que as coisas estejam num declínio tal?

Mesmo na Assembleia da República, como é possível ver nas bancadas um tal rebotalho? 

A bancada do Chega seria de anedota se não fosse uma tragédia. O mal que este partido tem feito à democracia é palpável, é como uma gangrena que vai alastrando.

Mesmo na bancada do PSD, que líder parlamentar é aquele? Um trauliteiro, um fala barato. Qual o critério: ser unha com carne do Montenegro? Outro vírus para a democracia.

E que porta-voz do PSD é aquele? Que credenciais tem o Bugalho? Ser outro fala-barato? Abre a boca e sai um bafo que incomoda.

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Ainda assim, há que reconhecer que nada que se pareça com a palhaçada a que se assiste nos Estados Unidos. Aí, sim, é um filme de terror, a coisa vai para além do imaginável. Não se consegue perceber como o país mais poderoso do mundo (será que o é, de facto?) está nas mãos de um narcisista maligno, demente, ignorante, estúpido até à quinta casa. Nem se percebe como admitem os americanos que a equipa executiva seja constituída por gente tão totalmente desqualificada. Ou como admitem que todas as instituições basilares da democracia estejam permanenetemente sob ataque por parte de Trump, que só descansa quando corre com os competentes e os subsitui por gente desqualificada e servil. É de fugir. 

Gostei de ouvir George Clooney descrever esta situação como uma caquistocracia. No vídeo fala de várias coisas, incluindo disso. Vale a pena ouvir.

George Clooney critica a América da era Donald Trump: "Estamos a viver uma caquistocracia neste momento"

A estrela de Hollywood George Clooney fez uma série de declarações contundentes no Festival de Veneza, onde recebeu o Leão de Ouro pelo conjunto da sua obra. Clooney abordou temas como a política norte-americana, o jornalismo, a inteligência artificial, Hollywood, as alterações climáticas e a propriedade dos meios de comunicação.

Clooney descreveu a situação atual nos Estados Unidos como uma "caquistocracia", termo que se refere a um governo exercido pelas pessoas menos qualificadas. Alertou ainda para o conteúdo gerado pela inteligência artificial e para os deepfakes, afirmando que podem tornar cada vez mais difícil distinguir a verdade da ficção.

O ator manifestou ainda preocupação com a concentração dos media e a proposta de fusão entre a Paramount e a Warner Bros., além de discutir as alterações climáticas e os incêndios florestais que afetaram a casa da sua família em França.


Desejo-vos uma boa sexta-feira

quarta-feira, setembro 02, 2026

O Montenegro está nas mãos da improvável sociedade Ventura & Neves? E, afinal, o Neves também é um populista, não é?
-- A palavra ao meu marido --

 

A fazer fé nas notícias que li, o Neves revelou-se na comunicação que fez esta terça-feira, qual Ventura II, um verdadeiro populista. Fez exatamente o que os populistas, nomeadamente o Ventura, fazem. Não esclareceu nada, não tocou nos factos de que é acusado, elegeu um inimigo, neste caso o Ventura, e negou, irritado e vitimizando-se, tudo. É o que faz um populista: nega tudo (vejam o discurso do Trump), elege um inimigo principal (no caso do Ventura, a imigração) e nunca responde aos factos de que é acusado dizendo que são "fake" e resultam de uma cabala. Cavalgam a onda da "vox populi" e dizem o que é mais conveniente num determinado contexto, independentemente de ser verdade ou mentira. 

O Neves aproveita a onda dos "amigos do Neves" nas redes sociais e na comunicação social e transforma-se em arauto do combate ao populismo, elegendo como inimigo principal o Ventura e uns outros tantos que, diz, organizaram uma cabala contra ele, afirmando que são tudo mentiras e que esses difamadores vão sofrer consequências. 

Relembrando uma frase em voga: se fala como um populista, se age como um populista e se parece um populista, então, o mais certo é que o Neves seja mesmo um populista. 

No entanto, deve ter-se esquecido que está no governo mais populista de que há memória, que tem um discurso populista, que aprova leis suportadas no populismo, que segue a agenda do partido do Ventura eleito inimigo principal pelo Neves. Portanto, o Neves, que anunciou que "está de pedra e cal", vai afinal também vai encetar um combate sem tréguas contra o Montenegro..?. Curioso, muito curioso! 

Aliás, o Neves, segundo li, apresentou-se  como se a sua continuação como ministro dependesse da sua própria vontade e decisão e não da vontade e decisão do Primeiro-Ministro. A ser verdade, quer isso dizer que o Primeiro-Ministro não risca nada no que a ele diz respeito? Ou, melhor perguntando: o Neves quis mostrar a toda a gente que tem o Montenegro na mão? 

Parece que o Neves também disse que os bens apreendidos aos criminosos devem ficar ao serviço de quem os apreende. Curioso. Segundo tenho ouvido, parece que não é bem isso que é suposto. 

(Não sei bem porquê mas até me veio à memória uma frase batida "ladrão que rouba a ladrão tem cem anos de perdão") 

sábado, agosto 29, 2026

Breves e levezinhas
-- e poderia estar a referir-me à Sandra Felgueiras e à Felícia Cabrita, de quem aqui falo, mas não, até porque elas têm efeito de longa duração e são da pesada

 

Continuo na onda levezinha e acho que não faz mal, o melhor é aproveitar antes que a silly season dê de frosques. 

Primeira

Quando o cabelo atinge este tamanho, o normal é começar a sentir a tentação de ter a tesoura na mão e lá vai disto. Mas desta vez estou a vacilar. Como tenho farta cabeleira, que me aquece não apenas a cabeça como as própias entranhas, isto quando o tempo aquece, bem entendido, gosto de a apanhar. 

No outro dia, não sei se contei, usei a app que nos diz qual o corte de cabelo e o penteado que mais nos favorece. E deu-me, creio que em primeiro lugar, o rabo de cavalo à Brigitte Bardot, aquele rabo de cavalo meio despenteado com franja também despenteada. E eu gosto, de facto, de me ver assim. Andar bem penteada nunca foi a minha praia. Já não vou à cabeleireira há imenso tempo, creio que, no mínimo, há uns dois anos, e, de cada vez que vou, a primeira coisa que faço quando de lá saio é despentear-me. Continuando: como alternativa ao rabo de cavalo a la BB, o corte pela nuca, também meio despenteado, de que também gosto. Só que, se o corto, depois já não posso apanhá-lo. E, portanto, não apenas estou a refrear a tentação de me atirar a ele à tesourada como estou a protelar a resolução do dilema, sendo certo que, ao protelar, estou, na prática, a deixar-me ficar com ele mais para o grande. Mas o meu marido ontem, quando me viu com ele solto, perguntou-me: 'Não está já um bocado anos 80?'. Tenho a certeza que disse anos 80 como poderia ter dito outra coisa qualquer. Mas como nunca se pronuncia e, desta vez se pronunciou, fiquei a pensar que alguma coisa no cabelo lhe pareceu pouco canónica e, portanto, ou ando com ele sempre apanhado ou me decido a cortá-lo. 

Segunda

Vi, creio que na CNN, um excerto de uma peça sobre o Neves, o grande Neves, essa grande sumidade que desperta amores e paixões junto de tão boa gente. Como convidadas, creio que do André Carvalho Ramos, a Sandra Felgueiras e a Felícia Cabrita. E pensei que só pode ter sido maldade porem uma ao pé da outra. A Sandra toda articulada e bem falante, a Felícia, a trapalhona do costume, péssima dicção, sem conseguir dizer uma frase com seguimento. 

Mas uma coisa é certa: danadas para a brincadeira como são -- e a Cabrita com os seus contactos no milieu, cuidado com ela --, não vão descansar enquanto não entregarem, de bandeja, a cabeça do Neves ao Seguro. Aliás parece que já lhe levaram as orelhas e o rabo, o Seguro é que não é de decisões rápidas e deu um tempo ao Mentenegro. Este é que, vamos lá saber porquê, parece não se querer desfazer do Neves. Ou o Neves não deslarga o Mentenegro ou o Mentenegro não quer deslargar o Neves. Qual deles não deslarga o outro e porquê ainda haveremos de saber. Mas pode ser apenas porque o Mentenegro é casmurro como um asno, ou, então, gosta de coleccionar tesourinhos deprimentes como a Ana Paula ou o Fanã.

Nota: eu sei que não se diz deslarga, está bem?

Terceira

A notícia do sofá de pele branco com aplicações douradas, as televisões e os equipamentos de ginásio apreendidos numa operação da PJ e que deixaram a casa do Xuxas mais vazia é de se lhe tirar o chapéu. E a Judite (quem na Judite?) a querer aproveitar-se disso é ainda melhor. A gente ouve e começa a imaginar coisas. Como a minha imaginação é fértil ocorreram-me de imediato inúmeras possibilidades. Pulam-me, aliás, os dedos para criar micro-narrativas que envolvem um avatar do Neves, o sofá com dourados, e outros adereços e outros personagens. Só não divulgo aqui porque tenho cá para mim que a realidade é muito bem capaz de ser mais cabeluda que as minhas inocentes ficçõezinhas.

Mas, falando mais a sério, não seria de alguém fazer um inventário ao armazém de apreendidos e ao parque de viaturas igualmente apreendidas, para ver se tudo o que foi apreendido de facto deu lá entrada e se, tendo dado, ainda lá está? E, não estando, com ordem de quem de lá saiu e para onde foi? É só uma sugestão. A menos que aquilo seja mesmo na base do bar aberto. 

Quarta

Há pessoas que não suporto. Por diferentes motivos. Umas é porque são fúteis e parvas. Outras é porque se acham o máximo quando não valem um caracol. Outras é porque são insuportavelmente palavrosas, galináceas cacarejantes. Outras porque, sendo novas, nasceram velhas e se portam como velhas cagonas. Outras é porque se acham ladinas, matreiras, sabidas. Outras é porque são sonsas, acham que a melhor defesa é não saírem da moita. Outras porque são burras, ignorantes e descaradas. Outras porque são mentirosas e acham que se safam se estiverem sempre do lado da oposição (mesmo estando no governo). 

Apetece-me dizer os nomes, chamar os bois pelos nomes. Mas não o faço porque, ainda assim, a forma como as classifico é generosa de mais e não quero que me chamem otária. 

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E vou-me, não sem antes dizer o que se passa com a cauda do meu petcão. O meu marido sofre de empatia aguda em relação ao cãobeludo e, por isso, tentou outra vez tirar-lhe o funil. De novo, freneticamente a lamber a cauda. Funil de novo. Consulta na veterinária. Problema diagnosticado: as crostazinhas e a pele seca dão-lhe muita comichão. Solução: aplicar uma mousse hidratante e mais não sei o quê. Não se põe com água nem se tira com água, é para ficar. Um frasquito de nada quase quarenta euros. É o que eu digo: produtos muitas vezes mais caros do que os que eu uso, os meus tudo na base das marcas brancas do supermercado e tudo mais que bom, ele, o marquês, ex-pastor de ovelhas no monte, só produtos de vet. Já para não falar da ração que agora é de truta e sem cereais, porque os cereais não são bons para quem padece de alergias, isto supondo que ele de tal padece. Mas, enfim, já nem digo nada, já só quero que se ponha bom, que não espete praganas nas patas, que não se fira com nada, que não arranje alergias ou comichões, que não fique coma  pele ferida, que nos dê algum sossego. Tirando isso, está bem, ladra que se farta ao mínimo barulho na rua, desestabiliza os cães todos da rua quando o pobre carteiro se aproxima da nossa caixa de correio, corre e corre e faz acrobacias aéreas a desafiar o cão do lado e, á noite, vem pôr-se encostado a nós para lhe fazermos festas.


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Desejo-vos um belo sábado

sábado, agosto 15, 2026

Férias & fragatas Luís Nuno Montenegro Melo
(E uma breve actualização sobre o estado do nosso cão)
--- A palavra ao meu marido ---

 

A rapaziada do governo continua a julgar que a maralha é ignorante, que pensa pouco e que acredita na primeira patacoada que é posta a correr na comunicação social. 

É provável que assim seja em muitos casos, mas felizmente ainda há quem tenha dois dedos de testa e ainda vai existindo alguma imprensa que lá vai escrutinando minimamente o governo. 

Depois da descarada mentira do Montenegro que não tirava férias e agora ser apanhado dia sim dia sim a descansar de férias, vem a justificação do Nuno Melo sobre o preço das fragatas que tem tudo para ser mais uma efabulação a la Montenegri. Vir dizer que a diferença de 25% no custo das fragatas, comparativamente com as fragatas compradas pela marinha italiana se deve à inflação, a serem destinadas a operar no Atlântico ao contrário das italianas, e aos sistemas que vão ser instalados não é credivel. Primeiro as fragatas portuguesas e as italianas serão entregues nos mesmos anos. A inflação tem que afetar de forma semelhante ambos os fornecimentos e os preços finais devem ser idênticos. Este argumento nada justifica. Não cola  dizerem que as fragatas compradas por Portugal são diferentes das italianas porque estão preparadas para operar no Atlântico e as compradas por Itália vão operar no Mediterrâneo. Qualquer um com um conhecimento médio ou, quiçá, médio baixo sabe que a Itália faz parte da NATO e que, pelo menos, no âmbito da NATO as fragatas italianas têm que operar no Atlântico Norte. Também não é justificação. E vão dois a zero. Resta a história dos sensores serem especiais de corrida. Se tem a ver com a operação no Atlântico não se percebe, se tem a ver com particularidades de actuação da MP ainda se percebe menos. Os requisitos operacionais são fundamentalmente definidos pelas operações de âmbito NATO nas quais ambos os países participam. E diferenças de preço de centenas de milhões não podem ter a ver só com sistemas diferentes nos navios, quando, ainda por cima, os navios são desenhados para operar nos mesmos cenários e no mesmo tipo de operações. Também não é justificação para diferenças de centenas de milhões de euros. Aliás, é curioso comparar este tipo de justificações com o que ministro disse numa entrevista à CNN. Referiu que ainda não estava definido o que estava incluído no fornecimento de cada fragata e, pasme-se, não conseguiu confirmar ou desconfiar se as fragatas traziam helicóptero. Se ainda não está definido o equipamento das fragatas como podem justificar a diferença de preços com este argumento?

Sabemos que este governo é bom a esbanjar dinheiro mas neste caso não é esbanjar, é pornografia. A despesa pública dispara, o ministro da educação tem um devaneio sobre digitalização de exames e gasta milhões ao erário público, a ministra da saúde gasta sem controlo e o serviço piora,... Verdade seja dita que nesta onda de despesismo se salva o Luís (neste caso Neves). O tipo em vez de gastar dinheiro a destruir resíduos, manda-os para Barcelos borrifando para as questões legais e para a saúde e segurança públicas (na verdade, não resolvendo coisa nenhuma -- mas isso os palermas não descortinam, por isso faz de conta que poupou) e consegue comprar herdades, dizem que por metade do preço. Sugiro que numa hipotética remodelação do governo passe para as Finanças. 

Isto é cada cavadela, sua minhoca. Até a ministra do ambiente que tantas vezes veio a público sugerir que as gasolineiras se aproveitam das alterações nos preços dos combustíveis foi hoje desmentida pela entidade reguladora. Pena que ela não bata à porta do colega das Finanças para ele justificar a carga fiscal sobre os combustíveis.

É chato, ninguém se aproveita!

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Nota sobre o nosso cão

Está menos incomodado. Já começa a deitar-se e a dormir durante o dia, coisa que não acontecia há vários dias. Parece estar a voltar à normalidade. As feridas começam a secar, apenas uma está ainda feia. Quando a semana passada arrancou o funil e fomos dar com ele agarrado à cauda e até um tufo de pêlo arrancou, dá ideia que arrancou mais que isso, parece que lhe falta ali qualquer coisa, pelo menos um bom bocado de pele. Essa é que está a custar mais a iniciar o processo de cicatrização. O tratamento hoje foi mais cuidadoso e o desinfectante que hoje começou a usar parece ser menos agressivo e é em spray. 

Hoje já não parece ter dores. Tem razão o João que estranha não ter sido prescrito nenhum analgésico. Também nós. A veterinária que o tratou no primeiro dia e que o torturou disse que era necessário esfregar vigorosamente as feridas para desinfectar em profundidade e que aquilo passava, era apenas um incómodo momentâneo, que só queria que andasse com as feridas ao ar e que tomasse antibiótico. A enfermeira veterinária que o tratou no dia seguinte seguiu as indicações dessa veterinária. 

A veterinária que tratou dele ontem é mais cuidadosa que a primeira. Aparentemente a injecção de anti-inflamatório que ontem levou teria também algum efeito analgésico. Desde ontem que notamos que está mais aliviado. Ainda não deixa tocar, mas é natural, nem que seja por estar traumatizado com o que tem sofrido.

Agradecemos os vossos comentários e a vossa simpatia. 

sábado, agosto 08, 2026

Os Luíses, Montenegro & Neves, são mais mentirosos que o Trump...? Bizarrias do governo cá do burgo
-- A palavra ao meu marido --

 

Isto da silly season é lixado. Não é que temos sido assolados com notícias ainda mais bizarras, anedóticas, impensáveis, inimagináveis, ridículas quiçá, insuportáveis sobre o governo, a PJ e o Montenegro? Nem os génios do comentário televisivo tipo Rosa do Observador, Calafate, Ricardo Costa ou Maria Castelo Branco conseguiram antever estas bizarrias. Suponho que nem no país mais recôndito dos confins de África ou da Oceania um membro do governo manda investigar publicamente um outro membro do governo que por acaso até é o ministro das polícias. Mas em Portugal acontece! Para cúmulo o ministro investigado até agradece e não se demite. Isto não é uma bizarria, é uma pouca vergonha! 

Será que isto aconteceu porque o Luís Montenegro, por acaso, PM, está ausente, a banhos? É que o Luís que jurou a pés juntos, perante toda a maralha, que este ano ia finalmente trabalhar e, como tal, não podia ir a banhos, mentiu, mais uma vez, descaradamente. Foi apanhado com o amigo Hugo na praia, com os pezinhos na areia. Este caso não é uma bizarria. É apenas o costume! O Montenegro mente descaradamente. E não se deve pensar que a ministra da Justiça se atirou ao Neves porque o PM se pisgou para os Algarves e houve faita de coordenação no governo? É evidente que coordenação no governo nunca houve,  e que este governo é uma manta de retalhos de incompetentes. A coisa aconteceu porque alguém tentou ficar melhor na fotografia e sair o menos chamuscado possível. 

Será uma bizarria a notícia de  que a DST, que factura cerca de 700 milhões por ano e tem milhares de empregados, ter ido a um concurso do MAI como parte júnior num consórcio liderado por uma empresa que instala painéis solares e carregadores de automóveis, com menos de 20 empregados e cuja lista de referência não menciona um único trabalho do âmbito do concurso? Talvez... Mas, no caso Neves, o que não faltam são bizzarias. 

Até um camião com químicos perigosos para fazer drogas foi parar a um canto de um armazém de materiais de construção civil, propriedade do amigo do peito do Neves. E que dizer sobre o amigo do Neves, que por acaso fazia obras na PJ e que tinha feito obras na herdade do Neves, também trabalhar na casa do diretor financeiro da PJ? Será apenas amizade compincha ou o empreiteiro curte trabalhar para aquecer? Isso é que seria verdadeiramente bizarro! 

E será bizarro e surpreendente que um terço dos membros do governo tenha empresas? Bizarro é, dir-se-ia que deviam ter mais que fazer, mas, surpreendente não é, por alguma razão, o governo não toma nenhuma medida para garantir equidade fiscal. Então a rapaziada do governo ia prejudicar-se a si própria? Querem é pagar o mínimo de impostos possível. Que mal tem, a maralha que pague a conta!

Assim, e para termos ainda mais com que nos divertir este Verão, proponho que se faça uma contagem das mentiras do Neves e do Montenegro e se comparem o número de mentiras de cada um com o número de mentiras ditas pelo Trump. Apostaria que o Neves já disse mais coisas que não correspondem à verdade desde que começou a ser questionado, do que as mais de 30 vezes que o Trump informou que tinha chegado a acordo com o Irão sem que tal tivesse acontecido. Para que conste, a mentira do Montenegro sobre as férias vale por 100 na contagem.

Nota: A malta que pertence aos AAN, Amigos Anónimos do Neves, talvez influenciados pelos APN (Amigos Públicos do Neves muito representados na comunicação social), comentam sempre que podem que o Neves é uma vitima da extrema direita e que fez tudo numa de voluntarismo. Tenho uma notícia a dar-lhes. Quem fez trapalhadas, cometeu irregularidades e, provavelmente, ilegalidades foi o Neves. A extrema direita como é seu hábito aproveita e cavalga a onda, mas, de facto quem fez asneiras foi o Neves. Recordo-lhes que por se branquearem estes e outros tipos de coisitas é que o Montenegro é PM e o Trump presidente dos EUA. Pensem nisso.

sexta-feira, agosto 07, 2026

As gueixas

 

Não vou explicar em pormenor, repito apenas que me faltam os meios para que os meus dedos consigam pronunciar-me capazmente sobre a embaraçosa situação do Luís Neves, que se vai enterrando mais a cada dia que passa, da insustentável situação do incompetente e irresponsável Fanã-Alex, da vergonhosa e preocupante incompetência da Ana Paula Martins, do absoluto zero que é o Lentão Amaro e de todos quantos, feitos zombies, se arrastam no governo do Montenegro, o tal que anunciou que não ia de férias e que agora foi fotografado a banhos no Algarve, como sempre, cosido com o trauliteiro-mor Hugo Soares.

Tivesse eu um computador e o tanto que teria para dizer. Até invocaria o caso de um tal director que, tendo tido problemas e remodelações por fazer em sua casa, 'contratou' a empresa que tinha contratado para fazer uns trabalhos numas certas instalações, trabalhos esses que, sem o saberem (cala-te boca) pagaram todo o gasto na casa do dito director. E isto foi-me contado por quem tinha todas as provas. Isto numa outra vida, outros personagens. Há histórias que parece que teimam em repetir-se, mudando apenas os personagens. Um tédio.

Mas não tenho computador. Parece que encomendaram uma peça. Ando mentalmente coxa, parece que me falta a mobilidade. A ver se para a semana, a coisa se resolve.

Entretanto, fui a uma clínica veterinária comprar um shampoo para peles sensíveis para o cão e fiquei com vontade de o experimentar, deve ser bom pois custa dez vezes mais do que o que uso para mim. E quando estava a ser atendida, saiu uma vet toda chiquérrima do consultório e dirigiu-se à funcionária que me estava a atender, a perguntar-lhe por umas fichas não sei de quê. Mas, de repente, levantou o olhar para me pedir desculpa por ter interrompido e, ao dar de caras comigo, soltou uma exclamação e, sem parar de me olhar, repetiu o que tinha dito e disse que eu lhe fazia lembrar uma certa baronesa quando era mais nova. O meu marido depois disse-me: 'Ora aí está uma coisa boa para contares no blog'. Respondi-lhe que é o que dá ele não ler o que eu escrevo. Se lesse, saberia que jamais contaria isso. Gozou comigo 'Aposto que vais escrever'. Portanto, aqui fica a prova provada: perdeu a aposta.

E pronto, como sem computador e com um corrector automático que só à bofetada, fico como se estivesse lobotomizada, totalmente improdutiva, sem saber de que falar, fico-me por aqui

Vou antes ver este vídeo que nada tem a ver com algumas personagens da nossa praça, umas infelizes mancas em classe, savoir faire e requinte, pimbas e intelectualmente balofas -- nada, nada, a ver com as icónicas personagens do vídeo abaixo.

As Gueixas de Tóquio: Por dentro do mundo fechado dos enigmáticos ícones do Japão | Foreign Correspondent

No Japão, a comunidade das gueixas é um mundo fechado. O modo de vida por detrás daquelas mulheres icónicas — com a sua maquilhagem marcante, as imponentes perucas negras e os requintados quimonos de seda — é em grande parte desconhecido, até mesmo para muitos japoneses. Então, como é que as gueixas atuam na era moderna? Como é, de facto, a vida de uma gueixa em 2026?

No programa *Foreign Correspondent*, a repórter Natalie Whiting leva-nos para o interior da vida privada das gueixas. Com um acesso privilegiado, conhecemos uma das gueixas mais famosas do Japão e as jovens que abdicaram das liberdades usufruídas pelas suas amigas para dedicarem a sua vida a uma das antigas formas de arte japonesas. Antigamente, mais de 13.000 gueixas viviam e trabalhavam em Tóquio; hoje, restam apenas cerca de 200. Estão numa missão para se abrirem ao mundo, numa tentativa de salvar esta antiga tradição das artes performativas.

O *Foreign Correspondent* é o programa de atualidade internacional exibido no horário nobre da estação pública australiana, a ABC-TV. Produzimos reportagens aprofundadas de meia hora de duração para exibição nos canais de televisão e plataformas digitais da ABC. Desde 1992, as nossas equipas viajaram para mais de 170 países para cobrir conflitos, catástrofes naturais e agitações sociais e políticas — sempre na perspetiva das pessoas que vivem estes acontecimentos de perto.


Uma happy sexta_feira

segunda-feira, agosto 03, 2026

Luís Neves -- o passivo* dos desenrascados

 

Como é sabido por quem por aqui me acompanha, trabalhei mais de mil anos em contexto empresarial, seja o de empresa pública seja, maioritariamente, privada. Trabalhei com gente que nunca mais acaba e, agora, de ginjeira, consigo caracterizar toda a gente que me passa à frente. 

Trabalhei com dois que, a meu ver, são cópias chapadas do Luís Neves. Em empresas diferentes e em anos desencontrados, eles não se conhecem. Mas eu conheci-os bem demais. Ambos altos dirigentes nas respectivas empresas.

Não vou entrar em pormenores mas , caso eles tenham cometido irregularidades, fizeram-nas certamente "por bem". E, de resto, já prescreveram, já foi tudo há muito tempo. 

O primeiro era responsável por uma grande área que, por sinal, tinha vários pontos de risco. Sob sua coordenação, directa ou indirecta, trabalhavam muitas centenas de pessoas. A Administração da qual ele dependia, gostava genericamente dele. Consideravam que não seria um estudioso nem um inovador, nem sequer metódico e, muito menos, especialmente rigoroso. Atrasava-se nos relatórios, sabia-se que, aqui e ali, alguns procedimentos eram aligeirados, e não era extraordinariamente brilhante quando tinha que apresentar planeamentos detalhados ou justificações mais complexas. Mas resolvia todos os problemas. Nunca levava problemas para a Administração. Resolvia tudo e a Administração, na maior parte das vezes, nem sabia que tinha havido qualquer problema. E haver uma pessoa assim é um descanso. Um desenrascado. Por vezes sabia-se que tinha lá estado uma equipa da ACT e chegavam rumores de algumas situações estranhas mas ele dizia que estava tudo ultrapassado, que nem valia a pena entrar em pormenores. Sabia-se que tinha boas relações com os inspectores, que os convidava para almoçar. Era cordial, descontraído, simpático.

Outras vezes, a posteriori, ouvia-se falar em eventuais acidentes de trabalho, outras vezes ambientais. Mas ele assegurava que não, coisas de nada que os intriguistas do costume gostavam de empolar. A Administração lembrava-o que os procedimentos eram para cumprir religiosamente, que a transparência era imprescindível. E ele dizia que sim, claro.

Os seus indicadores eram sempre de excelência. Os colegas torciam o nariz, desconfiavam que ele atirava os problemas para debaixo do tapete, recorria a expedientes, encobria problemas. Mas eram suposições.

Até que mudou de funções. E aí foi o ver se te avias. O pobre coitado que para lá foi encontrou um passivo desgraçado. Situações até embaraçosas, problemas para resolver que não acabavam, os anteriores colaboradores todos a demarcarem-se do antigo chefe, tudo a vir acima.

Infelizmente, por essa altura aconteceu um problema de grandes dimensões, coisa séria, que o transcendeu. Ele foi acusado por inerência de funções mas, directamente, toda a gente acreditou que foi mais um grave acidente do que uma gravíssima negligência. Mas ele foi-se muito abaixo, adoeceu, teve uma depressão, e passou a ser uma pálida sombra do que tinha sido.

O segundo, num outro tempo, numa outra empresa, era igualmente um alto dirigente. Muito do género do primeiro. Considerado um ás, um solver, ainda se estava a começar a ouvir falar de um problema e já ele estava em campo, a resolvê-lo. Afável, simpático, bom trato. Toda a gente gostava dele. Talvez fosse das pessoas mais conceituadas da empresa. Os clientes adoravam-no, os fornecedores estavam sempre a querer falar com ele, as instituições com as quais a empresa se relacionava tinham nele o rosto operacional da empresa, os sindicatos entendiam-se muito bem com ele.

Nunca enviava relatórios e várias áreas penavam para ele dar alguns inputs de que precisavam, por exemplo, para ter orçamentos ou para se fechar as contas. Nunca tinha tempo, andava sempre em reuniões, andava no terreno, dizia que não tinha tempo para papéis.

O pior foi quando se começaram a fazer auditorias. O passivo era gigantesco. Verbas inusitadamente altas por facturar por acordos que fazia com clientes sem informar ninguém, gente que reclamava aumentos e promoções que ele tinha garantido e, como não podia ser ele a dá-los, arranjava maneira de compensar as pessoas com falsas horas extraordinárias ou falsos subsídios. Acordos com fornecedores que fazia à revelia da área de Compras, segundo ele para resolver emergências (das quais as Compras nunca tinham ouvido falar). Recurso a trabalho temporário ou a prestação de serviços sem autorização. Ou, mesmo, querer corromper quadros bem colocados em algumas organizações, segundo ele porque eram pessoas influentes que poderiam ajudar em concursos, e de que, in extremis, foi impedido, deixando-o incomodado por achar que quem o impedia era gente burocrática, sem visão.

Foi afastado de funções de responsabilidade, claro, pois a empresa não queria correr riscos de danos reputacionais. Mas muita gente na empresa pôs-se do lado dele, desculpando as múltiplas e graves irregularidades e louvando o seu espírito desenrascado 

Agora quem quiser que diga se identifica ou não esta maneira de ser com a de Luís Neves.

Nas empresas em que trabalhei, no mínimo seria encostado. No governo do Montenegro, encaixa bem.


* Passivo no sentido contabilístico do termo

sábado, agosto 01, 2026

Seguro: TACO... perdão SACO
-- E cá está, de novo, o meu marido --


Percebemos hoje, com surpresa e agrado, que afinal a fonte de Belém não secou. Terá estado em manutenção, talvez em reparação, mas voltou a jorrar pujante. Diz o Expresso que o Presidente não falou para não adensar a crise. A questão do Seguro não falar é um hábito antigo, para quê comprometer-se?, não é surpresa é mais do mesmo. Mas esta de ele assumir haver uma crise também me surpreendeu. 

O Neves segue as pisadas do Montenegro: trapalhadas, irregularidades, quiçá, ilegalidades (até ouve mimetismo na cena dos dossiers na conferência de imprensa, só para inglês ver). 

O Fernando com as suas decisões cria desigualdades no acesso dos jovens ao ensino superior e desbarata o erário público para corrigir os erros que originou. 

A ministra da saúde dá cabo da saúde dos portugueses. 

A ministra da justiça finge que não existe, quando bens sob custódia do estado vão parar a um armazém lá para os lados de Barcelos. 

O gabinete do Ventura na AR é, presumivelmente, assaltado. 

E, com este panorama, o Expresso refere que há uma crise e que o PR não falou para não a adensar. 

Nada mais errado. Este é o normal funcionamento do governo da AD e das instituições. Só os mais tresloucados achariam bem que o Seguro dissesse umas banalidades, que outra coisa não lhe parece vir ao espírito, por causa da situação atual. A coisa está normal, tudo o que o governo faz é asneira. E já agora uma proposta, se de Trump se diz que TACO, não fiquemos atrás dos cowboys: de Seguro se passe a dizer que SACO (Seguro always chickens out). Parece-me adequado! 

quarta-feira, julho 29, 2026

Ainda o Luís (neste caso, Neves) e a meritocracia
-- Ainda a palavra ao meu marido --

 

Uma das teses que anda por aí é que, como parece que entre os 11,4 milhões de portugueses (vamos ver se o INE não me vem corrigir) o Luís Neves é o único que sabe combater fogos, tenha ele pisado a linha ou ficado em cima dela, não se deve demitir nem ser demitido porque é competente naquilo que faz. É uma tese muitíssimo perigosa. Vou só dar um exemplo e por absurdo demonstrar onde nos podem levar as teses de quem se marimba para a ética republicana e acha que os resultados estão acima de tudo. Vejamos o nosso influencer da área da comunicação e da restauração, de sua graça Isaltino Morais. Se tivesse sido apenas julgado pelos resultados à frente da câmara de Oeiras certamente não teria sido  condenado e preso, porque teve e tem excelentes resultados como autarca. Tinha pisado o risco, mas que se lixe, o que interessa são os resultados. 

E, assim, se vai dando força ao populismo.

Ainda sobre o caso do Luís (neste caso Neves): ouvi hoje o Henrique Machado na CNN fazer uma defesa acérrima do senhor. Ouvindo-o parece que não deve haver qualquer preocupação com os bidons de amoníaco. São perigososos, podem explodir ou evaporar e originar sérios problemas de saúde pública  -- mas, para ele, o que é que interessa? O antigo diretor nacional da PJ é um tipo desenrascado, manda aquilo para um descampado e não há-de ser nada. Mas o Henrique acrescenta que, ainda por cima, a PJ não tinha verba  para destruir corretamente o amoníaco. Com certeza, pedir à Ministra a verba necessária, nem pensar! Guardar o amoníaco numa empresa de produtos químicos com condições para o armazenamento seguro do produto, que heresia! O Machado bloqueou, já não consegue pensar. Habitualmente tão castigador para com criminosos, pseudo criminosos e potenciais criminosos, tornou-se, nesta caso, um cordeirinho. Será que deve alguma coisa à PJ ou ao seu ex-diretor? Nem o advogado de defesa do Luís Neves faria uma defesa mais empoderada do seu constituinte. E já agora, aquela história de ter sido o diretor financeiro a assumir a saída do camião, para mim, é um clássico. Quando quem manda quer fazer uma coisa que não quer assumir que fez, arranja um tipo próximo e pede-lhe (isto é, manda-o) fazer o frete. Deve ter sido o que aconteceu com a entrega da galera ao construtor. Até apostava!

domingo, julho 26, 2026

Somos um povo de masoquistas para querermos que esta legislatura chegue ao fim?
-- A palavra ao meu marido --

 

Admitindo que a sondagem foi bem feita, a maioria dos portugueses quer que a legislatura chegue ao fim, embora na mesma sondagem haja uma maioria de portugueses que desaprova fortemente as políticas setoriais do governo. É difícil perceber qual é o racional desta opção. Seremos maioritariamente masoquistas? Temos um governo em que o PM não sabe governar, segue a agenda da extrema direita, mente descaradamente (ainda hoje ouvi que no início do ano anunciou que iam adquirir 275 viaturas para o INEM e hoje o respetivo diretor referiu que iam lançar um concurso para 40 viaturas), atravessou mais vezes o atlântico durante o mundial que os pilotos da TAP, demonstra uma enorme insensibilidade social, decretou o simplex ético (uma vénia ao Pedro Marques Lopes) e não cumpriu as promessas que fez na campanha eleitoral. Um ministro da administração interna que, de acordo com as notícias recentes, trata os aspetos relacionados com obras particulares com uma grande informalidade, senão, irregularidade ou pior. Um MAI que nasceu com o rabo virado para a lua e consegue comprar vários montes no Alentejo por preços muito inferiores ao preço de mercado e, simultaneamente, efetuar obras nos montes sem os correspondentes pagamentos ao empreiteiro, que não entrega declarações de património e parece protagonizar uma situação alo bizarra com uma galera sob custódia da PJ. Uma ministra da saúde que para além de tudo o que de péssimo tem feito no SNS agora conseguiu põr diversas especialidades médicas contra ela e, mais grave, recusarem-se a efetuar atos médicos. Um ministro da educação, uma verdadeira fraude, que, com a sua arrogância e incompetência, conseguiu introduzir o caos no sistema de exames e introduzir desigualdades nas avaliações -- pior seria difícil. Um ministro das infraestruturas que de pacote em pacote continua na mira do MP por causa do período em que foi vice-presidente da câmara de Cascais e participou na aprovação de um projeto muito controverso. Uma ministra do trabalho que também mente descaradamente (a última foi sobre as baixas) e levou com chumbo grosso quando tentou alterar a lei laboral. Uma ministra da justiça que não fez nada no setor e se mantém muda e queda apesar da galera á guarda da PJ ter ido passear para  Barcelos. Um ministro das finanças que não controla a despesa pública. Um ministro da presidência que não prima pelo rigor e revela uma falta de preparação atroz. Um ministro da economia que não existe. Uma ministra da juventude que para além de pôr em prática políticas erradas também mente. E já basta de exemplos. Portanto, com este panorama, das duas uma: ou somos masoquistas ou andamos a chutar para a veia para querermos manter este governo. Por mim mandava-os pastar caracóis de imediato. Existem riscos na opção de convocar eleições mas em democracia há surpresas e pode acontecer que depois desta experiência a maioria vote com a cabeça e não com os pés.

domingo, julho 19, 2026

Atrelados, mentirosos e quejandos: Luís , Luís & Alexandre -- firma unipessoal de irresponsabilidade ilimitada
[A palavra ao meu marido]

 

O Luís (neste caso Neves) seguiu as pisadas do Luís (neste caso Montenegro) no caso Spinumviva. Arranjou um empreiteiro amigalhaço que tinha feito obras para a PJ, da qual era diretor, para fazer umas obras lá em casa num espírito de grande informalidade. A coisa já tem que se lhe diga, mas piorou. Soube-se que o Luís (neste caso Neves) autorizou que um atrelado apreendido numa operação de droga, cheio de químicos, parqueado num depósito da Marinha no Seixal, fosse parar às mãos do empreiteiro amigalhaço. Tão inverossímil que parece fake. Se o MAI não for corrido depois desta, nunca ninguém será corrido de um governo de Luís (neste caso Montenegro). E já agora sugiro uma linha de investigação à PJ sobre este caso. Parece que o Luís (neste caso Neves) cravou uma solipas à IP para fazer obras lá em casa. Será que o atrelado não foi cedido para transporte do material cravado?  Já agora um conselho ao responsável pelo depósito do Seixal. Vi numa imagem televisiva que há imensas lanchas parqueadas no depósito -- será que ainda estão lá todas? Uma embarcação destas dava imenso jeito para dar umas voltinhas tanto no mar como no rio em Odemira.

O caos nos exames é inacreditável e o comportamento do ministro ainda pior. O Alexandre mente, ameaça, chuta responsabilidades e enxovalha os professores. Para além disso é burro que nem uma porta. Um tipo com inteligência mediana nunca cometeria tantos erros em tão pouco tempo como o Alexandre fez no processo dos exames. Os senhores comentadores que achavam que este tipo é o suprassumo da batata frita o que dizem agora? Pois,... A talhe de foice, os professores que foram desrespeitados, acusados de várias formas e ameaçados com demissões impossíveis comeram, calaram e não fizeram birras. Longe vai o tempo em que por dá cá aquela palha amuavam e faziam greve. O dinheiro é um poderoso motivador não é?

Este governo é um governo de incapazes e mentirosos, até a ministra pepsodente mentiu descaradamente sobre as instruções da UE relativamente à gratuitidade em algumas entradas nos museus. 

As sondagens indicam que os portugueses pensam o pior sobre as políticas setoriais e, no entanto, também mostram que querem que o governo se mantenha até ao fim. Há muito tempo que conclui que somos um povo de masoquistas, o que se confirma com esta opção paradoxal. 

Um governo em que não fazem nada que se aproveite, criam problemas atrás de problemas, mentem descaradamente... e a malta quer mantê-los a governar? Está tudo bêbado ou é do calor que se tem sentido?

sábado, julho 18, 2026

[Em actualização] Sem rede... mas com muita competência*

 

Finalmente, às onze da noite, saíram as notas na escola de um dos meus netos. Recebi fotografias dos carros e do monte de alunos à porta da escola. Já as sabe, já está aliviado. Pelo menos não foi um dos 'suspensos' cujas notas não puderam ser publicadas porque as provas ou parte das provas desapareceram ou coisa que o valha. Teve as notas que esperava e, portanto, até ver, está tranquilo. 

O do 9º ano, ao contrário do que o ministro anunciou, vai continuar a aguardar, mas, enfim, sendo aborrecido e frustrante, não é determinante para a sua vida futura. 

E, como era previsível, aquela ideia anunciada pelo ministro de que iam disponibilizar a todos os alunos, sem ser necessário pedir, a cópia do exame e a correcção, por mail, não vai acontecer. Só vai ser facultada, caso a caso, a quem a pedir. Como ontem disse, enviar massivamente não seria nada de mais desde que a aplicação tivesse bem desenhada e testada. Agora, anunciado da forma que foi, que pareceu mero improviso, dificilmente correria bem às primeiras. Seria como todo este processo: erros, omissões, dúvidas, atrasos e mais atrasos, e, até ao último momento, o ministro sem perceber o que se passava. E, como parece apanágio deste governo, meteram-lhes na cabeça que a melhor forma de defesa é o ataque e, portanto, no meio da maior confusão de que há memória, teve a lata de aparecer a disparar em todas as direcções: contra os partidos que o criticaram, contra os professores, contra as escolas e, até, contra as famílias que foram imprudentes em acreditar nos calendários. A forma como as escolas e os professores, então, têm sido tratados, ameaçados e desrespeitados é insana, cobarde e revoltante. Ocorre-me, até, a palavra abjecta, mas reservo-a para mais tarde.

De qualquer maneira, parece que para a grande maioria dos alunos*, embora às quinhentas da noite, as notas já estão visíveis e já conseguirão ajuizar se devem pedir revisão ou se podem avançar para as candidaturas à próxima etapa da sua vida académica. 

Como balanço provisório, o que posso dizer é que isto não é uma transformação, não é uma modernização, nem nada do que aconteceu é normal em processos desta natureza: é, isso sim, um processo miserável, toda a gente mais aos papéis do que antes da dita 'digitalização', um verdadeiro atraso de vida, a gastarem pipas de massa, vamos ver se não houve falhas em termos de RGPD, e criando em toda a sociedade a sensação de amadorismo, de incompetência, de falta de rigor. E conduzido por um ministro arrogante, irresponsável, e, cobardemente, a sacudir a água do capote para todo o lado.

* E, tal como eu antecipava, não conseguiram concluir o processo. Não apenas deixaram para trás os alunos do 9º ano como, tal como era mais do que previsível, não conseguiram que todos os ficheiros do 12º estivessem incorruptos, sem registos com problemas (por exemplo, alunos sem classificação, alunos com classificação superior a 20, classificações com items negativos, alunos sem items classificados). Então, fizeram uma coisa que eu nem pensei que fosse legal fazer: avançaram com a divulgação das notas, deixando para trás milhares de alunos (segundo se lê nas notícias, são milhares e não centenas). Alunos sem nota nas pautas. Este governo é assim: passa por cima de toda a folha. Mesmo que a folha sejam alunos e as respectivas famílias que a esta hora devem esar bem ansiosos sem saber o que lhes vai acontecer.

E uma coisa me parece: não apenas a legalidade desta discriminação deveria ser averiguada como a forma como as correcções estão, a posteriori e à pressa, a ser feitas deveria ser muito seriamente auditada. Quem garante que, para ultrapassar o que, em alguns casos, pode ser inultrapassável de forma limpa, não substituem os erros por valores para lá postos à martelada? Marteladas em informática é a tentação óbvia para quem não sabe corrigir as coisas de forma correcta. Ainda por cima, na fase em que se está, de preparação de ficheiros, já não há professores envolvidos que possam denunciar alguma manobra pouco canónica. 

Só espero que os sindicatos dos professores, as associações de directores escolares ou de pais ou os próprios deputados exijam uma auditoria muito séria à forma como os milhares de registos errados, incompletos ou (informaticamente) corrompidos vão ser corrigidos. Read my lips: ponham-se em cima disto.

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Mas já é sábado e, muito francamente, estou sem saco para me ocupar do Fanã-alex (que anda com um cabelo que só me dá vontade chegar-lhe uma máquina de tosquiar cães) e afins. Por exemplo, ao ocorrer-me aquela coisa bizarra do atrelado que estava parqueado num recinto da PJ e foi 'dispensado' ou 'emprestado' (não faço ideia) a um empreiteiro (parece que sem alvará) que fez as obras na casa do Luís Neves, fico a pensar que talvez pudesse aqui dar um lamiré sobre o assunto. Mas, por um lado, nem sei o que dizer, não percebo nada daquilo e, por outro, não me apetece.

Andei a regar. De fato de banho, descalça, de mangueira em punho, aí, sim, aí estou na minha praia. E devia ter varrido mas estava muito calor e o calor derrete-me a energia. Felizmente parece que este sábado a temperatura vai dar alguma trégua e pode ser que consiga sentir aquela pica que me leva a varrer sem parar, a encher carrinhos de caruma e folhas secas e levá-los para os despejar na terra.

Até lá, fico com imagens fantásticas como as desta jovem que, com uma força e uma perícia extraordinárias, se eleva e se contorce e tudo a uma altura perigosíssima. 

(* Perigosíssima, arriscadíssima... e sem rede. Mas isto de fazer coisas arriscadas sem rede é para quem sabe o que faz).

Golden Buzzer: Pólo Aéreo de Veronika Goroshkova atordoa Sofia Vergara | Audições | America's Got Talent 2026


Desejo-vos um belo dia

sexta-feira, julho 17, 2026

Incompetência e irresponsabilidade a um nível impensável

 

Onde eu trabalhava, praticava-se a gestão activa de porfólio. Para quem não está por dentro desta gíria pode parecer que estou a armar-me ao pingarelho. Mas não estou, era assim que dizíamos. Isto significava que era normal adquirir ou vender empresas, outras vezes formar empresas, outras vezes ainda organizá-las debaixo de diferentes holdings e sub-holdings.

Em termos de gestão isto é um desafio pois havendo áreas corporativas centralizadas ou empresas  de serviços que os prestam a outras, e havendo processos normalizados e, em grande parte, automatizados, de cada vez que havia destas jiga-jogas todos os processos eram virados do avesso, novos processos eram implementados, pessoas eram postas a fazer trabalhos diferentes daqueles a que estavam habituadas -- e tudo tinha que se passar sem que a operação fosse beliscada, sem que os clientes e fornecedores fossem afectados. 

Outas vezes era preciso mudar sistemas, automatizar de forma transversal processos novos (processos de toda a espécie, desde a gestão de topo até ao dito shop floor). Acontecia haver revoluções que afectavam, ao mesmo tempo, milhares de pessoas, geralmente ao longo do país, geralmente ao mesmo tempo em várias empresas, por vezes ao mesmo tempo em Portugal e fora de Portugal. 

Nada poderia falhar. A última coisa que se queria era ter falhas que originassem prejuízos ou danos reputacionais. O que se pretendia era que a transição fosse tão tranquila que quase não se desse por ela, que parecesse fácil.

Tudo isto era planeado ao milímetro, era executado com monitorização apertada, havia não apenas a equipa de projecto como um steering committee que envolvia não apenas a equipa de projecto mas também a equipa de gestão e a administração. Não havia uma ponta solta. Toda a estrutura tinha que estar envolvida, coesa, solidária. Não podia haver gente desconhecdora, desalinhada, contrariada. Nem pensar. Garantir que toda a gente remava para o mesmo lado, ao mesmo ritmo, era responsabilidade da equipa de gestão do projecto. E do projecto constavam várias vertentes incluindo a formação e a gestão da mudança, os testes intensivos aos vários níveis, funcionais e técnicos, o acompanhamento in loco e remoto a quem estava no terreno. Antes de se arrancar com a nova realidade já tudo estava oleado, compreendido, agarrado. Ainda assim havia sempre um plano de contingência. Nem pensar em atirarmo-nos para a piscina com uns a não saberem nadar, outros a não saberem que estilo ou para que lado era para nadar e sem haver bóias e equipas de salvamento a postos. A gestão de risco avançava sempe a par e passo da gestão do projecto.

E trabalhei por várias vezes com equipas alemãs, por exemplo quando empresas alemãs nos compravam ou nos vendiam empresas. Aí o planeamento era levado ao detalhe mais minucioso que se possa imaginar. Aí eu, que sou rigorosa e exigente, chegava a ficar pelos cabelos com as cautelas deles. Para cada pequena etapa definia-se a margem admissível de falha e o respectivo plano de contingência. Não havia uma vírgula ou um papel que fosse deixado ao acaso. Antes de se ir para o terreno, tudo estava ensaiado e acautelado ao mais ínfimo pormenor. Quando trabalhávamos com alemães já sabíamos que era assim.

Outros casos: aconteceu-me várias vezes alguns colegas dizerem-me que se estava em fase avançada de negociação e que uma determinada empresa, cujo funcionamento eu não conhecia, devia começar a trabalhar, de forma integrada dentro do Grupo, dentro de um mês. Face a isso eu não tinha qualquer pejo em dizer que era impossível, que havia vários levantamentos a fazer, muito trabalho de migração, de documentação, de formação, de testes de integração e de funcionamento e que, portanto, na melhor das hipóteses isso poderia acontecer no prazo de x meses (o x variando em função da complexidade da empresa adquirida). E isso era aceite. Nestas coisas, prevalecia sempre o bom senso, a vontade de que tudo corresse bem, a prudência e o sentido de responsabilidade. Não havia lugar ao voluntarismo nem ao amadorismo.

Sempre que se resolvia avançar com modernizações transversais, e foram muitas as vezes em que isso aconteceu, uma coisa era sempre clara: modernizar não é fazer informaticamente a mesma coisa que se fazia de forma tradicional. Modernizar é repensar um processo, é optimizar.

O que está a acontecer com isto dos exames é a antítese de tudo isto. Não há estratégia, não há método, não há gestão, não há noção, não há sentido de responsabilidade. O que estão a fazer não apenas não está a funcionar bem como é uma coisa arcaica, uma ineficiência, uma aberração, um atraso de vida. Um aborto.

Tenho ouvido o ministro, o primeiro-ministro e alguns comentadores a defenderem que mudar é correr riscos e que é normal que as coisas corram mal em processos de transformação. Não é. NÃO É. O normal é que tudo corra on time, on budget, on scope. Ou seja, sem desvios orçamentais, a tempo e horas e a corresponder ao requerido. Isto é o normal. O normal é correr bem. Correr bem é o objectivo do qual os bons profissionais não se desviam.

E digo outra coisa: depois do que fui sabendo a propósito deste caos dos exames, tenho antecipado todos os problemas que têm havido. E não porque seja mais esperta do que quem não o antevê. Simplesmente tenho experiência, conheço os passos que têm que ser dados antes de se passar à fase seguinte. E esta gente, pelo que tenho visto, não pesca boi. Uma indigência como nunca vi.

Por exemplo, tenho ouvido toda a gente a dar por garantido que, a partir do momento em que acabem as avaliações, acto contínuo as notas serão disponiblizadas. Não quero antecipar ou parecer que estou a querer que corra mal, até porque não conheço o que se fez em cada fase do projecto. Pode acontecer que o sub-processo que medeia o fim das classificações na nova plataforma e aparecerem as notas, integradas por aluno e separadas por disciplinas e por escolas no sistema do Júri Nacional de Exames, tenha sido testado e re-testado e estar a funcionar direitinho, incluindo todos os mecanismos de controlo (por exemplo, confirmar que os x items de cada prova foram classsificados, confirmar que todos os items que foram separados por avaliador, são bem agregados e bem totalizados por aluno, confirmar que não faltam alunos em cada disciplina e em cada escola, etc -- por forma a garantir que a informação que vai nos ficheiros gerados pela nova plataforma e que será carregada no portal do JNE está integra e correcta. Se tudo isso foi bem testado e se foram também realizados testes de carga por forma a garantir que esses ficheiros chegam direitinhos e a tempo e horas às escolas, sem sobrecargas e time outs, e que a integração com as notas escolares é um processo rápido, então, perfeito, óptimo.

Só que o que tenho visto até aqui é um amadorismo sem paralelo, uma sucessão de calinadas e de improvissos como nunca vi em décadas de vida profissional. Nunca. Se isso é geral, então as notas serem calculadas, ponderadamente, agregadas por aluno e por escola, e saírem da nova plataforma até chegarem e serem lidas como deve ser pelo sistema do JNE, pode muito bem vir a ser outro problema.

Contudo, espero bem que não. Já o disse várias vezes: tenho dois netos à espera de notas, um deles no 12º ano, a aguardar poder candidatar-se à universidade. Por isso, desejo muito sinceramente que as notas deles saiam, sejam credíveis, estejam correctas, e que, atempadamente, as escolas as publiquem  e emitam as fichas que são necessárias às candidaturas.

Mas só quando isso acontecer eu descanso porque agora a confiança que tenho na integridade deste processo é bola. Zero.

Depois, um outro aspecto. O sistema oficial que vigora é que os alunos têm o direito a pedir uma cópia do seu exame. Como até aqui as provas estavam em papel na escola, isso era banal. Era ir buscar e fotocopiar. Agora não é assim pois, fisicamente, estão no armazém da bagunça em Mem Martins. Mas foram digitalizadas. Só que estão anonimizadas. Ou seja, para localizar a cópia digital de cada prova para a fazer chegar a cada aluno, ela tem que ser desanonimizada. Ora só a escola as pode desanonimizar, fazendo corresponder a identidade do aluno ao código da prova digitalizada. E depois tem que se juntar o endereço de mail dos encarregados. Supostamente no sistema do JNE já existe esse endereço. Só que as cópias digitalizadas estão na nova plataforma e a integração com o sistema do JNE pelos vistos não existe, pelo menos em tudo o que devia. Gerar mails a partir de uma lista de endereços e localizar anexos para indexar aos mails ou gerar links não é nada de especial. O que não faltam são aplicações para o fazer que nem ginjas. Mas tem que ser testado, especialmente quando está em causa enviar 130.000 mails e quando, pelos vistos, se as notícias estão correctas, à última hora os códigos e os endereços de mail vão ser carregados à mão. Mas se esse processo também foi testado, perfeito, talvez corra bem. Só que parece que isto foi uma bola que saiu do saco à última hora e ontem as escolas ainda não sabiam onde iam registar esses endereços. Por isso, nem sei o que pensar.

Ou seja, pode acontecer que as únicas barracadas e burrices grosseiras só tenham surgido no sub-processo do split das provas em items e envio dos itemas para avaliar e que tudo o resto esteja a funcionar às mil maravilhas. Pode ser e seria bom para os alunos e famílias.

Mas, se a inexistência de gestão de projecto, de experiência, de prudência, de know how foi generalizada, pode acontecer que, entre o fim da avaliação e a disponibilização das notas e das fichas pelas escolas, venham a surgir novas surpresas.

Ouvi a incoerente, tendenciosa e preguiçosa Clara Ferreira Alves no Eixo do Mal a justificar este caos dizendo que isto é mesmo assim. Talvez seja na casa dela ou nos ministérios do Montenegro. Não é decidididamente assim em todos os lados em que há gente responsável e competente è frente de lugares de responsabilidade.

Mas, enfim, vou acender uma velinha. Pode ser que os meus netos amanhã já conheçam as notas dos exames e as médias com que acabaram respectivamente o 9º e o 12º anos. É o que eu desejo.

quarta-feira, julho 15, 2026

[Em actualização: São os professores resistentes que estão a dar cabo disto tudo?]
O caos nos Exames Nacionais -- não foi a pressa, foi a INCOMPETÊNCIA

 

Adiaram outra vez. Ontem, o Ministério da Educação anunciou que a classificação dos exames que ainda faltavam prosseguiria até quarta-feira, mais um dia além do prazo que já tinha sido alargado duas vezes antes. Às 19h de segunda-feira estavam corrigidas 98% das respostas. Os 2% em falta explicam, sozinhos, o essencial do processo: são folhas mal digitalizadas ou nunca digitalizadas, provas que as escolas não chegaram sequer a entregar às forças de segurança, itens que têm de ser reclassificados porque a folha certa só apareceu depois. O Ministério garante que a afixação das pautas se mantém para sexta-feira, dia 17. Garantiu o mesmo, antes, para o dia 14, e antes disso para o dia 10.

Pedi ao ChatGPT uma imagem que ilustrasse o que se passa com
a avaliação dos Exames Nacionais e esta foi o que ele me devolveu

Vale a pena olhar para a dimensão do que falhou, porque os números, sozinhos, já dizem muito. Mais de 166 mil alunos do 11.º e 12.º anos inscritos na 1.ª fase. Mais de 300 mil provas realizadas. Segundo o próprio presidente do EduQA, um exame de Matemática tem várias folhas; multiplicado pelas 300 mil provas, isso dá cerca de quatro milhões de páginas digitalizadas num único armazém em Mem Martins, por cerca de 40 pessoas, sete dias por semana, entre as 8h e as 22h, desde 16 de Junho. Para isso foram compradas mais de 70 máquinas de digitalização a 3.000 euros cada, financiadas pelo PRR. O processo de digitalização, sozinho, já tinha custado mais de sete milhões de euros em três anos, antes mesmo desta época de exames.

O problema nunca foi a falta de equipamento. Foi tudo o resto.

Vamos por partes:


Um projecto lançado sem os fundamentos de um projecto

Qualquer pessoa que já tenha implementado um sistema de informação crítico, seja num banco, numa seguradora, numa grande empresa, num hospital, sabe que a tecnologia é a parte fácil. O que decide se um projecto desta escala funciona é o que se faz antes de o pôr em marcha: testes de carga que simulem o volume real, testes de integração entre todos os sistemas envolvidos, um grupo de key users que valide o processo do princípio ao fim em condições reais, formação adequada e atempada de quem vai usar o sistema todos os dias, manuais completos e disponíveis com antecedência, e um plano B testado para quando, não se, alguma coisa falhar.

Nada disto é visível neste processo. O único manual encontrado publicamente, o "Manual do Professor Avaliador 2026", foi actualizado a 16 de Junho, o mesmo dia em que arrancou o calendário de exames. Ou seja, a documentação de apoio a quem ia usar o sistema ficou pronta, na melhor das hipóteses, em cima da hora. Não há registo público de nenhuma bateria de testes de carga anterior ao arranque, o que é indispensável quando se sabe, à partida, que o sistema vai ter de processar mais de quatro milhões de páginas e servir milhares de professores em simultâneo. Não há registo de testes de integração entre a plataforma de digitalização (interna, do EduQA) e a plataforma de classificação (da Blat), duas peças de fornecedores diferentes que, como se veio a confirmar, comunicavam mal entre si: foi precisamente aí, na costura entre os dois sistemas, que surgiram os itens cortados a meio e as folhas de continuação em falta. E não há sinal de formação alargada aos milhares de classificadores antes do arranque, que se viram a aprender o sistema em tempo real, muitos deles convocados de um dia para o outro, alguns ao fim de semana, alguns por telefone.

Quanto ao plano B, o que existiu foi improviso disfarçado de plano. A norma do Júri Nacional de Exames dizia que o calendário tinha sido definido "de modo a acomodar eventuais contingências". Na prática, essa "contingência" resumiu-se a adiar o prazo sempre que a realidade obrigava: de 6 para 10 de Julho, depois para 14, depois para 17, e agora, no meio disso, mais um dia de correcção. Um plano de contingência genuíno define, antes de o problema acontecer, o que se faz se a plataforma cair, se faltarem folhas, se os prazos não puderem ser cumpridos, incluindo a hipótese de recuar para o modelo em papel nas disciplinas mais críticas. O que tivemos foi uma sucessão de comunicados de sexta-feira a explicar o que já tinha corrido mal.

A isto soma-se um factor que raramente é dito com esta clareza: a equipa que devia garantir tudo isto foi desmantelada a meio do processo. Em Setembro de 2025, o Governo extinguiu o IAVE, fundindo-o com mais três organismos (a Direcção-Geral da Educação, a Estrutura de Missão do Plano Nacional de Leitura e o Gabinete Coordenador da Rede de Bibliotecas Escolares) num novo instituto, o EduQA, reduzindo dezoito entidades do ministério a sete. Nessa reforma, centenas de professores que trabalhavam nestes serviços regressaram às escolas, muitos deles a meio do ano lectivo. Ou seja, a instituição que tinha de planear, testar e executar a maior operação de digitalização de exames de sempre viu parte da sua memória técnica e dos seus quadros especializados dispensados nos meses imediatamente anteriores ao arranque. Não é preciso mais nada para perceber por que motivo faltaram testes, formação e um plano B: faltou, literalmente, quem os fizesse.


Setenta scanners não é uma estratégia

Fica bem, num comunicado, dizer que se compraram "mais de 70 máquinas de digitalização de grande capacidade". Mas convém perguntar: capacidade para quê, organizadas como? A operação real, tal como foi descrita pelo próprio EduQA na visita de imprensa a Mem Martins, é uma operação artesanal: exames guardados em envelopes, arrumados em prateleiras por zona do país, com equipas a retirar agrafos à mão antes de os fazer passar pelas máquinas, e sempre que um erro é detectado, alguém tem de localizar fisicamente o envelope certo, entre milhares, para repetir o processo. Isto é o oposto de uma linha de produção industrial dimensionada para milhões de páginas.

Havia duas soluções sensatas, e nenhuma delas foi escolhida. Uma: descentralizar a digitalização pelas escolas ou pelos centros regionais de exame, logo a seguir à prova, sem custo adicional relevante, uma vez que grande parte das escolas já dispõe de equipamento de digitalização básico e de pessoal administrativo habituado a processos deste tipo. É este, aliás, o modelo seguido por sistemas de exames de grande escala noutros países: digitaliza-se junto da fonte, reduz-se o transporte físico, reduz-se o risco de um único ponto central de falha. Outra: se a opção fosse mesmo centralizar tudo num único local, então a decisão correcta seria investir em duas ou três linhas de digitalização verdadeiramente industriais, com capacidade e redundância reais, geridas por uma equipa técnica dedicada e testada, em vez de setenta máquinas de gama alta mas ainda assim manuais, dependentes de gente debruçada sobre pilhas de papel, turno após turno.

O que ficou não foi nem uma coisa nem outra. Foi uma central única, fisicamente vulnerável e logisticamente frágil, montada à pressa num armazém que, até ao ano passado, ainda imprimia os próprios exames.


A vulnerabilidade que ninguém quer explicar até ao fim

A 6 de Julho, a plataforma de classificação esteve suspensa durante mais de dezoito horas por causa de uma "fragilidade de segurança". O ministro garantiu que não houve ciberataque nem intrusão. Mas admitiu, ele próprio, que a segurança informática das plataformas era "o maior risco" de todo o processo de correcção digital. Ou seja: o Governo sabia, à partida, qual era o ponto mais perigoso do sistema, e deixou-o entrar em funcionamento a tratar os dados pessoais de mais de 166 mil alunos, a maioria deles menores, até que uma consultora chamada de urgência, já com o processo a decorrer, descobriu a falha.

Ficam por responder perguntas que deviam ter resposta pública, categórica, e não vaga. Houve ou não acesso indevido aos dados dos alunos durante essa janela de vulnerabilidade? O Bloco de Esquerda colocou exactamente esta questão ao Ministério, sublinhando que uma falha numa plataforma que associa provas de exame à identificação de alunos menores é, em si mesma, potencialmente uma violação de protecção de dados com obrigações legais próprias, independentemente de ter havido ou não exploração efectiva da falha. Até hoje, não há uma resposta pública e detalhada, apenas a garantia genérica de que "os dados estão seguros". E há ainda um episódio paralelo, nunca oficialmente confirmado nem desmentido com provas, de uma alegada fuga de informação da própria Blat, em Maio de 2026, que teria exposto dados de dirigentes do PSD e mais de um milhão de linhas de comunicações internas da empresa com os seus clientes. Não há registo de que esse incidente tenha sido notificado à Comissão Nacional de Protecção de Dados, como o RGPD exige em caso de violação de dados pessoais. Não é preciso provar que os dois episódios estão ligados para perceber que ambos apontam na mesma direcção: uma cultura de segurança informática desadequada à criticidade da informação que esta gente tinha em mãos.

E aqui há uma obrigação legal que não pode ficar por cumprir por simples conveniência política. Quando existe uma vulnerabilidade confirmada numa plataforma que trata dados pessoais de menores, incluindo dados relativos à sua avaliação escolar, a Comissão Nacional de Protecção de Dados tem de apurar, com poderes que o Ministério não tem sobre si próprio, se houve ou não acesso indevido, e a que dados exactamente. Isto não pode ficar resolvido com a garantia genérica do próprio visado, o Ministério a dizer que os dados do Ministério estão seguros. Se a CNPD concluir que houve violação, mesmo que parcial, mesmo que sem exploração maliciosa comprovada, existe o dever legal de notificar os titulares dos dados, ou, tratando-se de menores, os seus encarregados de educação, dentro dos prazos que o RGPD define. Até hoje, não há notícia pública de que a CNPD tenha aberto um processo, nem de que qualquer família tenha sido notificada de fosse o que fosse. Este silêncio é, em si mesmo, uma lacuna a apurar: ou a CNPD já investigou e concluiu que não houve violação, e isso devia ser dito publicamente e com clareza, ou ainda não investigou, e devia.

E depois há a pergunta mais simples de todas, a que qualquer auditor faria em cinco minutos: quem teve acesso físico às provas? Sabe-se que, para tentar cumprir os prazos, foram chamados a corrigir e a mexer no processo técnicos do EduQA e elementos do gabinete do secretário de Estado que não pertencem ao Júri Nacional de Exames, o que os próprios críticos do processo apontam como um risco directo para o princípio do anonimato: quantas mais mãos, fora do circuito formal, tiveram acesso às provas, mais difícil se torna garantir que não houve troca, adulteração ou erro de correspondência entre a prova física e a nota atribuída. O Ministério assegura que o anonimato "só pode ser quebrado nas escolas". É uma garantia de procedimento, não uma garantia de facto verificável por quem está de fora. Num processo tão disperso, com tanta gente diferente a circular por armazéns, plataformas e envelopes, a única resposta séria a "quem garante que a nota que sair é mesmo a do aluno" seria uma auditoria externa e independente, publicada, e não apenas a palavra do ministro.


"Faz parte da transformação digital." Não, não faz!

Perante tudo isto, o discurso do Governo tem sido notavelmente consistente: isto é normal, é o preço de qualquer "transformação digital", faz parte de "processos de mudança" exigentes. O primeiro-ministro disse-o quase nestes termos, garantindo que, depois deste "primeiro grande teste", o sistema será "um avanço" para a educação portuguesa, e queixando-se de que há quem tente "exacerbar e quase exagerar" os problemas. O ministro da Educação repete, semana após semana, que "o processo não começou bem", mas mantém o rumo.

Isto não é verdade, e vale a pena dizê-lo sem rodeios. Transformação digital feita a sério não produz este tipo de caos, produz frustração pontual e curvas de aprendizagem, coisa bem diferente de convocatórias erradas, professores reformados chamados a corrigir provas, provas sem folhas de continuação, itens que desaparecem depois de corrigidos, plataformas suspensas sem aviso, e um calendário que se vai reescrevendo a cada semana. Isso não é o preço da mudança. É o resultado previsível de lançar, em produção, sobre dados sensíveis de 166 mil menores, um sistema sem testes de carga documentados, sem testes de integração entre plataformas de fornecedores diferentes, sem formação prévia adequada, sem plano de contingência real, e gerido por uma teia de pequenas empresas contratadas por ajuste directo, uma delas com catorze pessoas e sem contrato em vigor conhecido nos últimos anos. Chamar a isto "normal" é, no melhor dos casos, ingenuidade; no pior, é a forma mais eficaz de branquear responsabilidades antes de a auditoria (se alguma vez houver uma auditoria pública e completa) chegar a alguma conclusão.


E o que ainda não sabemos

Falta ainda perceber como será feita a integração destas notas, obtidas por um processo com este historial, com a classificação interna final que cada aluno já tem na escola, e que pesa directamente no acesso ao ensino superior. Foi esta integração testada com o mesmo rigor com que se deveria ter testado tudo o resto? Não há, até hoje, qualquer informação pública sobre isso. Depois de um mês de falhas na parte mais simples do processo (digitalizar e distribuir ficheiros), não é razoável dar como garantido que o cruzamento final de dados, decisivo para o futuro de cada aluno, foi salvaguardado com mais cuidado do que tudo o resto.

O que sabemos, com certeza, é isto: um projecto desta natureza e desta escala tinha de ter sido testado antes, não corrigido ao vivo, à custa dos alunos, das famílias e dos professores. Não foi.


Pressa ou incompetência?

Fica a pergunta que tudo isto convoca: é o preço da pressa, ou é o preço da incompetência? A distinção interessa, porque não são a mesma coisa e não merecem o mesmo perdão.

Se fosse só pressa, o padrão seria outro: um sistema bem desenhado na sua concepção, mas comprimido no tempo, com qualidade degradada, atrasos, sim, mas dentro de uma lógica reconhecível. Pressa explica cortar testes de aceitação à última hora. Não explica não ter testes de carga nenhuns. Pressa explica formação apressada. Não explica não haver formação. Pressa explica um manual publicado tarde. Não explica um manual publicado no próprio dia do arranque do calendário de exames.

Há três factos, em concreto, que não se explicam pelo tempo disponível, explicam-se pela qualidade das decisões tomadas. Primeiro, o piloto já tinha falhado, e da mesma forma: o exame de Filosofia, em 2025, com 20 mil alunos, teve exactamente os mesmos problemas de plataforma e de distribuição de itens que agora se repetiram à escala de 300 mil provas. Um piloto serve para aprender antes de escalar. Não faltou tempo para ler essa lição, faltou vontade ou capacidade de a ler. Segundo, a escolha do fornecedor da peça mais crítica do sistema não foi feita sob pressão do calendário de 2026, foi feita, e mal, ao longo de uma década, por sucessivos governos: entregar a plataforma que trata dados de 166 mil menores a uma agência de catorze pessoas, por ajuste directo, sem contrato em vigor conhecido nos últimos três anos, é uma falha de contratação pública estrutural, não um efeito colateral de um Verão apertado. Terceiro, a extinção do IAVE e a dispensa de quadros técnicos especializados a meio do processo, descrita acima, não foi imposta por prazo de exame nenhum. Foi uma opção do próprio Governo, tomada a sabendo que a maior operação de digitalização de sempre estava a poucos meses de arrancar.

A pressa existiu, e agravou tudo, a decisão política de generalizar a 300 mil provas sem corrigir primeiro o que o piloto já tinha exposto é, em si, um sintoma de pressa. Mas mesmo essa pressa é, no fundo, um sintoma de incompetência de planeamento: um projecto bem gerido reserva tempo para testes e formação antes de fixar a data de arranque, não fixa primeiro a data e depois tenta encaixar lá dentro testes que nunca chegam a acontecer.

Por isso, a resposta parece-me clara. A causa matricial não é a pressa. É a incompetência, estrutural e institucional, não de uma pessoa isolada, mas de um sistema de decisão que dispensou as disciplinas mínimas de gestão de um projecto desta escala (testes de carga, testes de integração, formação, manuais, plano de contingência, fornecedor único e responsável), que ignorou o seu próprio piloto do ano anterior, e que ainda por cima se reestruturou a si próprio, dispensando quem sabia fazer o trabalho, no pior momento possível para o fazer. A pressa foi o veículo. A incompetência foi o motor. E é por isso que ninguém, até hoje, respondeu com factos concretos à pergunta mais simples de todas: quem garante alguma coisa neste processo?

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O texto acima foi elaborado com recurso a IA para obtenção e sistematização de informação junto de diversas fontes, com vista a cobrir alguns aspectos que me parecem relevantes. Como já referi, não têm conta os processos de transformação em que participei, incluindo a digitalização de processos em âmbitos diversificados, vários deles de âmbito nacional e outros para além disso. Se há temas em que sei do que falo, este é seguramente um deles. E o que posso dizer é que nunca, NUNCA, vi tamanha incompetência, tamanho amadorismo, tamanha irresponsabilidade. Um ex-colega que me ligou ontem dizia que não tem conseguido deixar de jogar as mãos à cabeça perante o que está a passar-se. Dizia ele: 'Esta gente nunca trabalhou.... esta gente não sabe como é que as coisas se fazem...'.  Um outro dizia-nos no ginásio: 'Se a Madeira quisesse invadir o Continente e tomar conta disto, com a gente deste Governo, era limpinho, num dia a Madeira estava a mandar em Portugal inteiro'. 

Face ao que está a passar-se, não era só o Ministro da Educação que deveria rapidamente ser posto borda fora: também o Montenegro, qu eé o responsável pelo Governo, deveria levar um valente apertão. Isto não se faz.

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Fontes consultadas:

Comunicados do Ministério da Educação, Ciência e Inovação e do EduQA; reportagens de Público, Observador, ECO, RTP, Renascença, JN, CNN Portugal, DN, esquerda.net e Executive Digest, entre 3 e 15 de Julho de 2026.

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Actualização

A "resistência dos professores": gerir a mudança também é gerir o projecto

Nas jornadas do PSD em Palmela, na véspera do debate do Estado da Nação, Luís Montenegro admitiu, pela primeira vez com esta formulação, que pode ter havido "alguma falha dos responsáveis políticos e dos serviços". Mas não deixou a frase respirar sozinha: a seguir, atribuiu parte da perturbação do processo a "resistência à mudança" por parte de "alguns" professores, ressalvando que "a grande maioria está com este passo". Garantiu ainda que a digitalização "é para continuar" e apelou aos colegas de Governo para "não terem receio de enfrentar as resistências" dentro dos seus serviços.

Há aqui uma inversão que vale a pena desmontar, porque é, ela própria, mais um sintoma do problema de fundo.

Gerir a resistência das pessoas à mudança não é um imprevisto externo ao projecto, é uma das componentes normais de qualquer projecto de transformação, com nome próprio na disciplina de gestão de projectos: change management. Um projecto bem desenhado antecipa que nem todos vão aderir ao mesmo ritmo, e por isso investe, antes do arranque, em comunicação, em formação, em canais de suporte e num período de transição com acompanhamento reforçado, precisamente para reduzir essa resistência antes de ela se tornar um problema operacional. Quando um primeiro-ministro invoca a "resistência" dos utilizadores de um sistema para explicar o caos desse sistema, está a descrever, sem se dar conta, uma falha de gestão da mudança, e essa gestão também é da responsabilidade de quem concebeu o projecto, não de quem o teve de usar sem preparação.

E há uma segunda inversão, mais grave. Antes de se falar em "resistência", o próprio ministro da Educação já tinha sugerido, em audição parlamentar, que boa parte dos testemunhos de professores sobre falhas concretas "é falsa". A plataforma MetaPROF respondeu publicamente que cada relato que divulga é revisto e pode incluir prova documental anexa, convocatórias, capturas de ecrã, comunicações oficiais, e acusou o ministério de tentar "inverter as responsabilidades". Entretanto, factos concretos foram confirmados pelo próprio ministério em audição: houve, por exemplo, uma professora já falecida que chegou a ser convocada para classificar provas. Isto não é resistência à mudança. É gente a apontar defeitos reais, verificáveis, nalguns casos grotescos, num sistema que não funcionava. Chamar-lhe "resistência" é, no melhor dos casos, uma imprecisão de linguagem; no pior, é transferir para a classe docente uma responsabilidade que é do desenho e da gestão do projecto.

E as novidades das últimas horas

O caso continua a ramificar-se. O Ministério alargou por dois dias o prazo de matrícula do 10.º e do 12.º anos (agora entre 15 e 24 de Julho), precisamente por causa do adiamento das pautas. Confirmou-se também que os problemas não se ficaram pelo secundário: as provas finais de Matemática do 9.º ano tiveram os mesmos constrangimentos no processo de classificação digital. E, num sinal de que a crise já mexe com nomeações dentro da máquina do ministério, demitiu-se a vice-presidente do conselho directivo da AGSE (a agência que gere pessoal e estabelecimentos escolares), Salomé Augusto Branco, a seu pedido, a 8 de Julho; o ministério nega qualquer ligação aos exames, mas a coincidência de datas, a meio da maior crise do sector em anos, não passou despercebida.

Por fim, o calendário político aperta: o debate do Estado da Nação decorre esta quinta-feira, dia 16, já sob pressão da oposição (a Iniciativa Liberal chegou a pedir o adiamento), e o ministro Fernando Alexandre é ouvido no Parlamento já esta sexta-feira, dia 17, precisamente no dia em que, segundo o Governo, as pautas serão finalmente afixadas.

Tudo isto reforça, e não contraria, a conclusão a que já tínhamos chegado: perante um projecto mal gerido do início ao fim, a resposta política tem sido, sistematicamente, apontar para fora, para os professores, para quem denuncia, tudo menos para o próprio desenho do projecto. É a mesma incompetência estrutural, agora também na forma como se fala dela.

terça-feira, julho 14, 2026

Está esclarecido, os ministros estão no governo para arranjar problemas
-- Mais uma vez, a palavra ao meu marido --

 

Hoje o nosso Primeiro fez mais uma intervenção no seu estilo, confirmando que ou tem um baixo nível intelectual ou pensa que a malta é burra. Eu apostaria que no meio é que está a virtude. Tenho para mim que quem é burro acha sempre que os outros ainda são mais burros. Após a intervenção do Luís, percebeu-se finalmente qual o grande objetivo dos ministros. O objetivo número um dos ministros é criarem o maior número de problemas possível para depois, como fez hoje o Luís relativamente ao ministro da educação e fez anteriormente, por exemplo com a ministra da saúde, vem a público afirmar que estão de pedra e cal no governo e que os nomeou para resolverem os problemas (deveria ter acrescentado: 'os problemas que criaram enquanto ministros' -- mas isso já seria pedir demais). 

Quem duvida que esta é uma prática muito salutar para organizar um governo impróprio para governar? Não há dúvida. E os exemplos são muitos e variados. 

O que tem feito a Ana Paula Martins senão criar miríades de problemas na saúde sem conseguir resolver nenhum? Missão cumprida! 

O que tem feito o ministro da educação senão criar problemas desnecessários e que  deixam as famílias dos alunos em alvoroço? Missão cumprida! 

O que fizeram as ex-ministras da administração interna e o atual ministro senão criarem problemas que se foram agravando durante o tempo que estiveram no governo? Missão cumprida! 

O que fez a ministra da segurança social senão criar um problema enorme com a lei da reforma laboral (que, por sinal, até originou um desgaste muito significativo no governo)? Missão cumprida! 

E o que fez a ministra "pepsodente" com as medidas para os jovens, nomeadamente tudo o que tem a ver com a habitação, e o ministro da coesão quando agem ou botam faladura? Criam problemas. Missão cumprida! 

Até o Bugalhito, putativo ministro, criou ontem um problema com a intervenção que fez sobre o pagamento das horas extra aos professores. Missão cumprida! 

E o que faz o Luís com as políticas de insensibilidade social e privilégio dos mais ricos? Cria problemas que não sabe resolver e que agravam a situação dos portueses. Missão cumprida! 

Tudo isto seria cómico, senão fosse trágico, revelando um amadorismo e uma falta de conhecimento e bom senso absolutamente confrangedoras.

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Para terminar. Vi na televisão umas pessoas a entrarem pela calada da noite aparentemente no armazém onde estão os exames para procurarem folhas em falta. Serão técnicos do EduQA. E, pelos vistos, também por lá andaram repórteres. Fiquei pasmado. Tendo um neto que fez exames, fico de pé atrás porque quem nos garante que estas pessoas não põem ou tiram folhas onde lhes convém, podendo, assim, prejudicar ou beneficiar alunos? A dúvida está instalada. Missão cumprida! 

O ministro é tão desprovido que origina imagens que só criam problemas ao governo e revelam a falta de rigor e de segurança que há em todo o processo. Missão duplamente cumprida!!