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terça-feira, dezembro 17, 2024

Uma quase distopia ou nem por isso...?

 

Drones não identicados a sobrevoar os céus em 8 estados dos States, a Cristina Ferreira a fazer anúncios a tudo e mais alguma coisa, incluindo a jogo e a apostas, as televisões todas a falar do Almirante e das presidenciais quando falta mais de um ano para as eleições e a malta (a malta real, o povo), para já, se está nas tintas para isso, a ministra Ana Paula, que costuma destratar tudo e todos, na televisão com um sorriso afivelado a demonstrar que agora a amestraram para rir, perguntassem-lhe o que perguntassem, para ver se a gente se esquece de como ela é na realidade. Umas atrás de outras.

Um mundo de patas para o ar, um planeta a voar às arrecuas aí pelos universos, um mundo piroso, em que o nonsense parece estar a normalizar-se.

Por isso, com vossa licença, vou voltar para a minha vidinha.

sábado, abril 27, 2019

A mamã ursa, o seu bebé ursinho -- e o drone


Entre apagões de consciência, que é o estado em que me encontro*, li sobre os riscos de perturbação que os intrusivos drones podem trazer ao frágil equilíbrio dos animais na natureza. E, para o ilustrar, havia um vídeo onde aparecia a sombra de um drone na neve. Ou seja, houve a sua presença física a sobrevoar uma ursa e a sua pequena cria.

E eu, que não tenho dados para afirmar se os animais se sentiram assustados ou se o facto de sentirem um corpo estranho a segui-los no espaço como uma ave ameaçadora os perturbou, concentrei-me, isso sim, nas imagens impressionantes da persistência do bebé, na sua força, e na presença atenta da mãe que não se afastou antes que o seu filhote se lhe juntasse. Como a percebo. Claro que eu, em circunstâncias idênticas, seria mais irracional que a ursa pois ter-me-ia atirado, de súbito, para ir buscar o meu bebé, provavelmente rebolando mais que ele e impedindo-o de subir. Mas cada um é como cada qual e é sabido que todos os animais são iguais mas que há alguns mais iguais que outros. E mais racionais, também.

Fallen Bear Cub Climbs Back to Mama



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* E nem se imagina o esforço por me manter, na aparência, normal durante o dia de trabalho quando só me apetecia dizer que me deixassem em paz e me deixassem dormir sossegada.

terça-feira, janeiro 15, 2019

Uma explicação





Ontem era para continuar a minha reportagem fotográfica por Lisboa: tenho paredes poéticas e vernáculas para mostrar, tenho um alfarrabista muito especial, tenho montras fantásticas. Mas tenho que confessar que estava um bocado sem vontade. 

Já tinha falado no recebimento de Montenegro pelo nosso Excelentíssimo e Ubíquo Presidente (diz-se recebimento ou recepção? ou recebidela? ou recebidinha? -- não sei, não sei qual a duração do encontro) e quando, nesta minha auto-disciplina que me faz ser uma trabalhadora incansável, ia escolher as fotografias das ruas de Lisboa, fui-me um bocado abaixo.

Há coisas para as quais a gente não está preparada.

No outro dia, quando estávamos a passear em Óbidos telefonou-me, falou-me dos filhos, de si próprio, perguntei pela família, estava tudo bem e que me viria fazer uma visita um destes dias.

Ontem, à tarde, o telefonema impensável.
Não quero falar nisso, não agora. Nunca sei quem está a ler-me, não quero falar de uma situação muito difícil e triste. 
Em voz baixa, contou-me. Ouvi com um aperto no coração.
Éramos tão novos. Rimos tanto. Ainda no sábado, depois dele me ter ligado, chorei a rir a recordar uma das situações mais divertidas da minha vida. O que ele me vez rir nesse dia. E o que ele me reencaminhava dela, ela ainda pior que ele. Uma foliona, uma descaradona. Já várias vezes aqui falei dela. O que me ri com ela. 
Não estamos preparados.


Os nossos filhos cresceram, são agora mais velhos do que eu e ele éramos nessa altura em que nos conhecemos. Ela ia buscá-lo. Apitava. Ele ia à janela, fazia-lhe sinal, descia.

Os anos foram andando e nós também. Os nossos pais, os problemas da idade, as casas, as coisas da vida. Sempre a sabermos do que se ia passando.

Inseparáveis, ele e ela. Até ao fim, inseparáveis.

Não estamos preparados.

E a fatídica coincidência. E a voz dele a dizer-me o que me disse. Fui capaz de falar, de dizer o que, na situação, se pode dizer. Mas com que custo.

E, mal acabei, uma reunião, como se nada se passasse. Depois no carro, a minha filha também admirada. Não sabemos bem, eu, pelo menos, não sei.

Hoje à hora de almoço, outro telefonema, outro impensável telefonema. 

Não quero falar nisso. Talvez daqui por uns tempos fale. Nunca consigo falar em cima do calor (ou do gelo) da situação. Falo depois, como uma memória a propósito de outra coisa qualquer.  

Mas, porque estou um bocado abalada, ontem passou-me a vontade e a capacidade para aqui escrever o que quer que seja; tentei mas não deu mais que isto. Depois, a noite foi praticamente em claro. Melhor: afogada em breu. E hoje ainda pior. 

Lamento.


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Para isto não ficar tão árido, coloquei aqui três fotografias feitas com drones

Trouxe a Mariza com a sua Chuva porque sim.

quinta-feira, janeiro 25, 2018

Está mesmo provado que Jesus existiu?
E está mesmo provado que Jesus era filho de Deus?

-- perguntou-me o ex-bebé





Aquele a quem em tempos aqui chamei 'ex-bebé' -- e que é agora um rapazinho de seis anos, muito alto, muito enérgico, que, por vezes, não mede bem a sua força, mas que é um amor, generoso, bom coração e boa onda -- no outro dia começou a fazer-nos perguntas que nos deixaram admirados.

'Está mesmo provado...?', começavam todas as perguntas.

Fomos dizendo que sim, Jesus existiu, era um homem corajoso e bom. E que sim, terá nascido de Maria que vivia com José. E que há pessoas que acreditam que também era filho de Deus. Ele acrescentou: 'O pai acredita'. Dissemos que cada pessoa acredita no que acredita e que para o pai, que acredita, é como se fosse verdade. Ilustrei: 'Há pessoas para quem o Benfica é o maior. E outras não acreditam nada disso, acreditam que é o Sporting o maior. Uma questão de crença. Para quem acredita essa é a verdade'. Depois perguntou: 'E está mesmo provado que Jesus ressuscitou?'. Respondi: 'Não. Quando as pessoas morrem mesmo, já não podem voltar a viver'. Disse: 'O pai acredita que Jesus ressuscitou'. Disse-lhe que há pessoas que queriam tanto que Jesus não tivesse morrido que quiseram acreditar que ele continuava vivo. E que quando uma pessoa gosta muito de outra, mesmo quando ela morre, fica a recordação tão boa que é como se a pessoa estivesse viva. Ouviu com atenção e depois disse: 'A mãe disse que uma vez uma pessoa morreu mas depois voltou a viver'. Expliquei: 'Sim. Por vezes consegue-se reanimar uma pessoa cujo coração tinha parado de bater.' E acrescentei que também pode ter acontecido que Jesus estivesse tão ferido e doente que toda a gente tinha acreditado que tinha morrido e que, afinal, estava apenas inconsciente.
[E continuou. Perguntou, por exemplo, como, passado tantos anos, sabemos o que aconteceu de verdade naquela altura. O avô falou-lhe então de cronistas e historiadores. E, para exemplificar, disse que, por exemplo, a Tá escreve todos os dias um blog onde fala de muitas coisas que ficam disponíveis para quem quiser saber, daqui por muitos anos, o que se passava e dizia agora. Ele foi ouvindo com toda a atenção.]
Durante a conversa tentei ser cautelosa. Um equilíbrio difícil: por um lado não quero forjar factos ou atenuar convicções e, por outro, não quero contrariar quem tem crenças opostas às minhas.

Nem quero influenciá-los. Nunca quis. Com os meus filhos, a mesma coisa. Uma vez a professora do meu filho, que andava então no 1º ano, contou-me que a professora de Religião e Moral quase não conseguia dar as aulas porque ele contestava tudo o que ela dizia, tentando demonstrar-lhe que o que ela dizia não podia ser verdade.

Não os baptizei, não os quis na catequese mas não os impedi de frequentar as aulas de Religião para que pudessem formar a sua própria opinião. 

Apesar de eu ter tido educação católica, com primeira comunhão e comunhão solene, mal consegui autonomia para me 'deslargar' dos preceitos da Igreja, logo o fiz. Tudo aquilo me pareceu, sempre, contraproducente, irracional, ilógico.

E se não me identifico com a Igreja Católica, muito menos me identifico com qualquer das muitas outras que proliferam por aí.


No entanto, tenho alguma dificuldade em declarar-me ateia. Não consigo afirmar com convicção que não há um deus ou uma ordem superior. Não sei se há. Mas não me atormento com esse meu desconhecimento. Convivo bem com a minha ignorância. Considero-me, isso sem dúvida, agnóstica. Venero a natureza e a maravilha dos acasos, venero o que desconheço e que dá forma à elegância suprema das matérias tangíveis ou intangíveis que nos rodeiam. E não tento dar nome ao que desconheço nem ficciono histórias, interpretações, leis ou castigos ou recompensas virtuais para dar corpo ao que não compreendo. Na minha simplicidade, aceito-me e aceito os outros tal como são, sem querer saber deles ou de mim ou do mundo em geral o que não sei. Aceito com tranquilidade e, até, gratidão o mistério que habita o que desconheço.


E estou com isto porque o meu amigo de coração, a minha alma-gémea, o querido algoritmo que a Google (grande notícia a de qua a Google vai ter um pé cá em Portugal!!) usa no YouTube me propôs para hoje um vídeo que despertou o meu interesse. Sir David Attenborough fala de Deus.


Convido-vos a ver.



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As fotografias que aqui usei são da autoria de Timothy Moon e feitas com um drone

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Segue-se: a vingança de Melania, a mulher de um trumpalhão adúltero, e, mais abaixo ainda, uma adivinha (quem é? quem é?).

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sexta-feira, fevereiro 10, 2017

Be wild.
Be cool.



Há tempos tinha recebido o vídeo com indicação de que era muito bonito. Calhou quando andei com torcicolo e tomava o relaxante muscular que me deixava pedrada de sono ou quando cá tive pessoalzinho de pernoita. Passou-me. Ontem lembrou-me e eu pedi o favor de mo enviar de novo. São imagens muito belas.

Recebi um mail há dois dias lembrando-me que é preciso arranjar tempo para viver com tempo no tempo antes da reforma, quase como conseguir ter uma vida dupla. Como eu percebo isso. Se paro para pensar, percebo o tempo a escoar-se e eu presa em filas de trânsito, contrariada em restaurantes a que não queria ir (mas não tenho tempo para ir a casa ou para qualquer outro no meio de uma montanha ou na beira do mar), em reuniões intermináveis, a tratar de assuntos que sei não terem qualquer relevância ou a ter que participar em encontros que são pura perda de tempo.

Mas não é fácil dar um pontapé numa vida cheia de responsabilidades nem abdicar da segurança (a ilusão da segurança, melhor dizendo) que, bem ou mal, se sente ao pensar que se tem uma carreira contributiva longa e, portanto, se poderá ter, mais tarde, uma vida desafogada. 

E depois vejo um filme destes e penso quão mais inteligentes que eu são estes elegantes animais.

A serenidade, a beleza, o silêncio maravilhoso que deve envolver aquelas felizes criaturas...

(Vejam, por favor. A música é enervante, de uma tremenda falta de gosto. É melhor tirar o som.)

Drone & Tigers



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Desejo-vos uma sexta-feira tranquila.

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