Agonia-me a conversa sonsa do PCP e de alguns alarves que, a coberto da palavra 'paz, se recusam a condenar veemente e incondicionalmente, sem adversativas, os actos de Putin.
Preocupa-me, e muito, que Trump, esse palhaço, esse energúmeno, possa ganhar as eleições nos Estados Unidos.
Angustia-me pensar que o apoio internacional à Ucrânia possa falhar e que Putin lá ponha as suas patas vitoriosas, levando a dele avante e aproximando-se ainda mais do mundo ocidental, democrático e livre em que vivo.
Não me espantei com a morte de Nalvany pois era uma morte anunciada. A sua coragem era uma afronta ao sanguinário e cobarde Putin. Mas comovi-me profundamente.
Quantos mais inocentes terão que morrer para que alguém consiga travar Putin?
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One who understands the tragedy better than most is the wife of Vladimir Kara-Murza, an opposition politician who was sentenced last April to 25 years in prison for treason and other charges that he has denied. Evgenia Kara-Murza has been a prominent voice for the freedom of her husband, who last month was transferred to a new Siberian penal colony and is currently being held in strict isolation. Kara-Murza joins the show to discuss the death of Navalny and the fears it stokes for the fate of other Russian political prisoners.
Sábado tranquilo. Até me pareceu mentira não ter aparecido nenhuma crise. Por isso, aproveitámos a calma e o sol para lavar e estender roupa, caminhar, descansar.
Escrevi. Li. Dormitei. Escovámos o cãobeludo e cortámos-lhe alguns nós.
Tenho quatro novos vasos de flores. Recebi de presente. No prazo de dois meses já recebi, de três pessoas diferentes, várias plantas. Estas que recebi agora, segundo me disse quem mas ofereceu, são plantas que trazem alegria e boa energia. Parece que cada uma tem sua função mas agora não me lembro. Mas sei que é tudo na base das coisas boas para a casa e para quem aqui vive. Sobretudo, sinto-me agradecida por haver quem goste de me oferecer plantas.
Parece que este domingo vai chover e é bom que chova. Complica-nos um pouco as caminhadas e o dog chega encharcado que nem um pinto e, para o limpar, é uma tourada, corre, rebola-se, sacode-se, anda aos saltos à nossa volta. Por fim, estamos nós cansados e ele ainda molhado e todo contente. Mas faz tanta falta, é tão bom que ela venha.
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E depois há o que as notícias nos trazem. A agonia. A dor. A destruição. A perda. Podem os mais cépticos, os que já viram de tudo, os que já assistiram à morte, ao silvar das balas, ao estrondo das bombas, ao esgarçar dos corpos, à desistência, olhar para tudo isto com indiferença. Mas eu, que vivo no conforto abrigado da minha casa, que tenho a alegria consolada da proximidade dos meus, olho para todo isto com uma grande aflição. Não consigo conceber como se pode fazer mal a alguém. Não consigo compreender como se pode pensar que a destruição de pessoas e bens pode servir para alguma coisa.
A nossa vida já é, em si, tão difícil de justificar que, se a usamos para destruir outras pessoas, tornamo-la, então, inútil, desprezível.
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Partilho um vídeo que talvez nos ajude a pensar. Talvez. Nisto uso talvez, talvez, talvez. Não sei nada.
Yuval Noah Harari on CNN Amanpour - Hamas' aim was 'to assassinate any chance for peace'
Watch Christiane Amanpour's interview with Yuval Noah Harari, exploring the long-term implications of Hamas' attack on Israel and the subsequent retaliation in Gaza.
Com a vida de pantanas, sem conforto, certamente com medo, é espantosa a força anímica das mulheres ucranianas. De todos os ucranianos, aliás, sejam mulheres ou homens. Mas agora centro-me nas mulheres.
Há as mulheres em aldeias recônditas que percebemos serem humildes e que, quando os jornalistas conseguem falar com elas, nos aparecem assustadas, chorosas, contando que têm vivido escondidas, com pouco que comer, quase sem água, sem luz, as casas destruídas, familiares desaparecidos ou mortos. Sobreviventes. Mães e avós coragem.
Mas depois há as que vivem em meios mais urbanos e que nos aparecem vibrantes, arranjadas, cabelos pintados, unhas pintadas, olhos pintados. Podem viver em prédios meio destruídos, podem também não ter electricidade à noite, mas mantêm-se combativas, confiantes. Algumas são guerreiras. Melhor: todas são umas guerreiras pois, com a sua força e energia, ajudam-se mutuamente a não se entregarem nem ao inimigo nem ao desespero ou desalento. Mas algumas pegam mesmo em armas.
Os repórteres mostram-nas valentes mas graciosas, sorridentes mas determinadas, prontas para defender com unhas e dentes a integridade do seu território. Travam com a sua vida o avanço de Putin, esse fascista assassino, e, com a sua força de vontade, ajudam a defender, em conjunto com os seus concidadãos ucranianos, o direito a viver em paz e liberdade no seu país, na sua fértil Ucrânia. E defendem a paz na Europa.
Estas que aqui aparecem são verdadeiramente extraordinárias. Casam-se, engravidam e mantêm-se mulheres de armas, focadas em defender o seu país, em reconquistar a soberania plana.
Sniper Dubbed 'Ukrainian Joan Of Arc' Shares What Saved Her Life
In Ukraine, 31-year-old female sniper Evgenia Emerald tells Newsy’s Jason Bellini the story of the best and worst day of her life. Both happened on the front.
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Field tool for female Ukrainian soldiers amazes Amanpour
More than 50,000 Ukrainian women are under arms with the fight against Russians. CNN's Christiane Amanpour goes to a volunteer hub that is helping make the uniforms customized for women and sending other supplies to the front lines.
O meu dia foi tranquilo. Era para sermos mais a passar o dia in heaven mas as suspeitas de um caso de covid fizeram com que o agregado sob suspeita ficasse em terra e fossemos apenas nós os dois. Por isso, aproveitámos para trabalhar. O meu marido armou-se de roçadora e foi-se ao tojo e às silvas e eu, com vassoura de arame e pá metálica de cabo alto, fui-me à caruma e às folhas e pinhas caídas pelos caminhos.
Na quinta ao fim do dia, fui ao supermercado e, em casa, à noite, fiz uma jardineira. De manhã, embalei-a e, portanto, ao chegar ao campo, não tive que ir a correr para a cozinha. Pude ir passear, ver a primavera em flor, a fera peluda aos saltos e a correr, feliz da vida.
Depois de almoço, instalei-me no sofá e pus-me a ler o zonas de baixa pressão do António Guerreiro, livro que sempre leio de gosto. Aliás, leio António Guerreiro sempre de gosto. Agora ia dizer que é uma pessoa brilhante, com uma visão iluminada que vai dos clássicos aos colunistas mais fajutas da actualidade, mas lembrei-me no que ele escreveu sobre os que escreveram sobre Agustina quando ela morreu. Diz ele que todos louvaram Agustina esquecendo-se de falar sobre a sua obra. Por isso, não falo do António Guerreiro, falo da sua escrita. É clara, inteligente, informada, irónica. Ofereci este livro pelo Natal, espero que quem o recebeu também tenha gostado.
Mas estava a ler, deliciada com a leitura e com o agradável ambiente que me envolve quando estou aqui e, ao mesmo tempo, a pensar que deveria era ir lá para fora, varrer.
O meu marido também já se tinha equipado com caneleiras e óculos de protecção e tinha abalado para o campo. Escuso de dizer que tenho que me auto-controlar ferreamente para não ir atrás dele para ter a certeza que não corta os orégãos que estão a despontar nem o rosmaninho, nem o tomilho, tão frágil, nem o alecrim, nem a sálvia. Mas já consigo dominar-me. Confio que ele há-de ter algum cuidado e não fazer aquilo que naturalmente faria: cortar tudo a eito.
Depois de ele ter ido, mais me motivei a ir também à minha vida.
Penso por vezes nisto: um dia que não tenhamos nada que fazer, o que faremos?
O meu marido tem andado cansado. Tem muito trabalho, por vezes horários complicados. Naturalmente, tendo oportunidade, deveria ter vontade de não fazer nada. E, no entanto, num dia que era para ser animado e acabou por ser calmo, em vez de aproveitar para descansar, foi de máquina ao ombro, para o mato.
E eu, que não ando menos cansada, sempre com trabalho e afazeres complementares, também não descansei enquanto não fui varrer caruma, fazer montes, apanhá-los e despejá-los, até que, por fim, já me doíam as mãos.
E acabei e senti-me realizada, contente ao ver os caminhos mais limpos.
Não sei o que é estar sem fazer nada. Tratar da lida da casa e, no máximo, ler parece-me pouca coisa. Parece que tenho que ter sempre mais coisas para fazer do que o tempo de que disponho. E estava a varrer e a olhar para as árvores com vontade de, a seguir, ir buscar o podão para desbastar ramos baixos. Tenho que me tratar deste mal. Não fazer nada é capaz de ser coisa boa.
E, estando na sala, ocorreu-me, uma vez mais, que é uma chatice já não ter onde pôr carpetes de arraiolos pois estava mesmo a apetecer-me voltar a atirar-me a eles, bordar, ver aparecer os desenhos. Claro que haveria de ser uma festa com o urso peludo a ensarilhar os novelos de lã. Quando aqui está, passa a vida a sair a correr, a ladrar, para investigar cada pequeno barulho ou ladrar ao longe. Depois, chega aqui e cai perdido de sono. Mas é um sono leve, está sempre en garde.
Foi, pois, um dia tranquilo, banhado por um sol suave e dourado. Um dia de paz, a paz que deveria ser um direito indiscutível, universal (mas, claro, não a paz da rendição, a paz da cedência aos agressores e aos tiranos que violem o direito internacional, querendo anexar outros países).
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Agora, à noite, procuro as notícias. Vi televisão, li, vi vídeos. Os regimes totalitários são um perigo. Putin vive há meses fechado num bunker. Vive fechado para o mundo, para as pessoas. Ocupa a mente a forjar armadilhas, mentiras, a ouvir quem não lhe faz frente, a instruir a punição dos que o enfrentam (mesmo que apenas por segurarem uma folha em branco). Vive enredado na teia demencial que, ao longo de anos, foi tecendo.
As atrocidades que ele e os que lhe obedecem cegamente estão a levar a cabo, com o apoio de uma população manipulada, são de uma pessoa ficar doente. Aquilo a que o mundo assiste está para além de maldade. É a total insensibilidade, a gente de Putin vive numa realidade alternativa, uma realidade desabitada, distópica.
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O vídeo abaixo mostra uma pessoa extraordinária e o que diz e a forma como o dia são também extraordinárias.
'I am heartbroken': Last surviving Nuremberg prosecutor on war in Ukraine
Benjamin Ferencz was just 27 when he successfully prosecuted 22 defendants for war crimes. Now he tells Amanpour it pains him to once again see atrocities in Europe
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Este segundo vídeo também é impressionante. O que aqui vemos é um homem normal que se vê apanhado na armadilha de um louco, de um psicopata. Zelenskyy envelheceu muito em dois meses. Não consegue chorar, não consegue dormir. Mantém uma racionalidade e um humanismo invulgares para quem vive o tormento que ele vive.
Zelenskyy On Biden, Hating Russia, And Sleepless Nights
Ukrainian President Volodymyr Zelenskyy talked about the emotional toll of the Ukraine war and his feelings towards Russia and Putin in an exclusive video interview with German newspaper BILD
Ontem, em conversa, eu dizia que, se os espanhóis tivessem em mente anexar Portugal e lhes conhecêssemos instintos bélicos e assassinos, também eu quereria que alguém nos protegesse e, se não pertencêssemos à Nato e os espanhóis estivessem do outro lado, também eu imploraria que nos deixassem pertencer à Nato para que nos defendessem em caso de ataque.
O meu interlocutor disse: 'A grande diferença é que se isso acontecesse, você não teria a população inteira pronta a defender o País. Pelo contrário, apareceria logo malta a dizer que o melhor era fazer a vontade aos espanhóis, dar-lhes o que eles quisessem. Até haveríamos de ver montes de malta nas televisões a falar espanhol.' Fiquei na dúvida: 'Ah... Será...?'. E ele: 'Ah... não tenha dúvidas...'
Pouco depois, enquanto circulava pelos corredores da empresa, ia pensando, sobre cada um a um que cumprimentei, se defenderia o país de uma tentativa de ocupação selvática ou se cederia ao facilitismo da rendição, deixando que um outro país, outra língua, outra matriz cultural nos anexasse. Sim, provavelmente haveria quem remontasse aos tempos do Condado Portucalense, haveríamos de ouvir falar de Leão e Castela, haveríamos de ouvir falar de tudo o que pudesse servir para justificar o acto malvado do invasor, mesmo que se tratasse de um assassino que estivesse a arrasar Portugal e a praticar um infame extermínio dos portugueses. A julgar por tanto que tenho lido e ouvido por estas alturas, não me admiraria que parte dos portugueses, com as mais variadas desculpas e adversativas, em vez de condenar veemente os invasores, ainda se pusesse a arranjar desculpas para estarmos a ser invadidos.
A coragem de uns alicerça-se na coragem dos outros. Por muito que queiramos ser corajosos, se olharmos para o lado e virmos todos a deitarem-se no chão para servirem de tapete aos agressores, se calhar também perdemos a valentia. Não sei. Por sorte nunca me vi -- e espero nunca me ver -- numa tão inconcebível situação. Mas, eu que gosto tanto de ser portuguesa, que gosto tanto do meu país e da minha língua, não sei se, vendo ao meu lado parte da população a capitular, teria coragem para me manter firme, para pegar em armas, para ficar debaixo de bombardeamentos, no meio de escombros, sem água, sem luz, com pouco ou nada que comer, vendo feridos e mortos ao meu lado. Nem sei se teria coragem para deixar a vida toda para trás e, com meia dúzia de coisas num saco, ir por estradas destruídas, pontes arrasadas, comboios cheios ou à boleia com desconhecidos, à procura de um tecto que me acolhesse. Nem para isso eu sei se teria coragem.
Por isso, desde o primeiro dia, sinto uma admiração imensa por estes ucranianos que, novos e velhos, homens e mulheres, saudáveis e doentes, enfrentam o risco e defendem o seu país com unhas e dentes, sem medo, com uma abnegação e coragem como nunca vi.
Querem ser livres, queres ser europeus, querem ser ucranianos -- e, sem pensarem duas vezes, dão a vida por isso.
Christiane Amanpour, cujo canal no youtube sigo e que nos tem dado interessantes entrevistas, foi a Kyiv entrevistar Lesia, uma mulher jovem, elegante, deputada... e que agora anda armada, confessando que, com as unhas grandes, pintadas, bem cuidadas, não era fácil carregá-la... Nada que ela não ultrapasse com um sorriso. Feminina e corajosa, determinada e livre.
Ali está, em campo aberto, pronta para ir à luta, determinada a defender o seu país, a defender o país dos seus filhos.
Digo de novo que tenho pena que estes vídeos não estejam legendados e temo que nem todos os meus Leitores dominem bem o inglês mas são testemunhos que quero mesmo partilhar pois acho que são apontamentos que ajudam a perceber estes tempos que vivemos.
Christiane Amanpour Speaks to One Woman Ready to Defend Kyiv | Amanpour and Company
Ukraine is still standing fast thanks to the remarkable resilience and resolve of its people, both military and civilians. When the war first started, Christiane spoke from London with Lesia Vasylenko, a parliamentarian who swore she would stay and fight alongside her fellow Ukrainians. Today, Christiane met with Vasylenko in Kyiv to see where things stand, more than a month later.
Noutros tempos talvez eu falasse da composição do novo governo ou do meu agrado por ver mais mulheres que homens, por ver nomes de grande competência, por ver nomes que surpreendem. Mas estes são tempos estranhos e, por isso, digo apenas que acredito que vai correr bem. Apenas uma reserva: não sou grande simpatizante de Fernando Medina; mas as razões para isso talvez sejam de somenos face ao que se lhe exige. Tirando isso, há lá grandes nomes, a começar pela Mariana Vieira da Silva e a acabar em Elvira Fortunado. Portanto, boa sorte à nova equipa e bora lá para a frente, bora lá a tornar Portugal ainda melhor.
De resto, tenho a dizer que hoje estive a conversar com um jovem muito ligado à igreja e, familiarmente, com proximidade a um membro de um governo africano com ligações à Rússia.
Nunca tinha falado com ele sobre política. É um jovem com trinta e poucos que gosta de música, que pratica desporto e muito activo na igreja, trabalhando com grupos de outros jovens. Pois bem: ao conversarmos sobre o que está a passar-se na Ucrânia, não consegui ouvir-lhe uma palavra de condenação em relação a Putin, uma única. De cada vez que eu mostrava a minha revolta pela chacina, ele vinha com a conversa típica dos que, acima do repúdio pelo assassínio em massa que os russos estão a levar a cabo, têm uma grande aversão à Nato. E, se queremos saber de que acusam a Nato, não sabem exactamente e enrolam-se em conversas abstractas e acusações pretéritas -- dizendo qualquer coisa que desvie a atenção da destruição feroz que Putin está a levar a cabo. Fiquei muito admirada. Conclui que os vínculos familiares e as afinidades com governantes de um país apoiante da Rússia estavam a falar mais alto mas fiquei chocada pois parece que isso era mais relevante do que a sua ligação à Igreja. Julgava eu que alguém tão ligado à prática religiosa ficaria chocado, esmagado, revoltado com tanto sofrimento. Mas não. Nem uma palavra sobre isso.
Fiquei perturbada com a conversa. Parece que ainda não estou refeita.
Agora, enquanto escrevo, estou a ver na RTP 3 uma interessante entrevista do Vítor Gonçalves ao Vítor Cotovio, psiquiatra. Mesmo muito interessante. A quem não viu, recomendo que, se possível, a veja. Caracteriza muito bem quer Putin quer Zelenskyy.
Entretanto, estive a ver os vídeos das últimas 24 horas. E, como sempre, a Amanpour, essa mulher de armas. Directa, sem dar abébias, sem meias palavras, atenta ao que os outros dizem, sempre com a observação ou a pergunta certa. Uma profissional de mão cheia.
No vídeo abaixo, Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, cuja filha se demarcou publicamente da guerra, repete a propaganda putinesca. Mas, apesar de manter afivelado aquele sorriso meio apalermado que o caracteriza e se limitar a papaguear uma conversa que pode colher dentro de uma Rússia informativamente às escuras mas que, no mundo normal, é incompreensível e absurda, tenho para mim que estava francamente atrapalhado e envergonhado. Christiane Amanpour não o poupou mas o palerma também não desarmou. É gente presa pela barriga, habituaram-se ao luxo. Mas, não fora isso, e talvez Dmitry fosse o próximo Anatoly Chubais.
Partilho o vídeo pois não apenas é um documento interessante como me parece um exemplo a seguir pelos nossos jornalistas.
CNN's Christiane Amanpour presses Russian spokesman Dmitry Peskov on the Russian invasion and whether they are achieving their objectives in Ukraine
Para esclarecer Dmitry, o pateta sorridente:
CNN military analyst: 'This is just war criminality'
CNN Pentagon correspondent Barbara Starr reports the US government is currently assembling evidence to potentially present a war crimes case in an international court. CNN military analyst Maj. Gen. James "Spider" Marks (Ret.) breaks down the current strategy of the Russian armed forces, arguing it can only be described as "war criminality."
Ao falar com o meu filho sobre o que se passa na Ucrânia, embora coincidindo no repúdio absoluto sobre a invasão e sobre a guerra, quando abordamos as motivações russas estamos em corredores distintos. Eu falo de um maluco criminoso, ele fala de estratégia política. Eu falo da repulsa que o mundo sente pelo que se passa e ele pergunta-me a que mundo me refiro. Eu digo que me refiro ao mundo civilizado e ele diz que isso é apenas uma parte do mundo e, para o provar, fala-me da China e da Índia que, em conjunto com a Rússia -- e os territórios que esta quer ter sob a sua influência -- são um pólo relevantíssimo e que não lhe parece que aí estejam muito preocupados com o que se passa. E fala-me também de países árabes -- ou seja, para ele, o tema tem muito mais a ver com equilíbrios geo-políticos que têm vindo a ser estudados pelo regime russo do que com o que se passa na cabeça de Putin.
Como disse no post abaixo, o meu feeling vai num sentido distinto. Na minha perspectiva, o que se passa é, acima de tudo, o delírio de um ditador, a deriva imperialista e mitómana de um narcisista criminoso.
Por isso, penso que nas estratégias para acabar com a chacina em curso deveria ser levado em conta a melhor forma de neutralizar Putin.
Seria bom que todo o mundo (pelo menos, o dito munto civilizado) se unisse de todas as formas possíveis e imaginárias para o derrubar, impedindo-o de continuar nesta sua deriva criminosa. É certo que isso já tem estado a acontecer mas era bom que, embora actuando de forma racional e tanto quanto possível prudente, se fosse mais intenso, mais ubíquo, mais arrasador.
O apoio à Ucrânia com armas e munições é importante e as sanções à Rússia e a oligarcas russos também. Talvez sejam dos vectores mais rápidos e efectivos. Contudo, sabemos como o apoio com armas tem que ser cuidadoso para que não forneça o pretexto para que as coisas ainda escalem ainda mais... e arma puxa arma e mais gente vai caindo morta. E algumas sanções são impossíveis no imediato (quando se está dependente do assassino para algumas necessidades vitais, gestos de corte radical são bravatas que lesam mais quem toma a iniciativa do que aquele que se quer lesar).
Por isso, que se deite mão a tudo o que se puder, seja o que for que tenha visibilidade e que possa chegar até à Rússia, em especial à opinião pública russa para que Putin seja desmoralizado, para que os russos se virem cada vez mais contra ele, para que percam o medo, para que mil forças convirjam para resolver o assunto.
Repesco exemplos já postos em prática em alguns locais e acrescento algumas sugestões. Tudo coisas com bastante visibilidade e repercussão e que tendem a fazer com que os russos que apoiam Putin se sintam ridicularizados e com que Putin comece a sentir as pernas fracas, humilhado.
Seria bom que, em todo o lado em que existam embaixadas ou consulados russos ou instalações de empresas estatais ou instituições russas, fosse seguido o exemplo da Lituânia que mudou o nome da rua da Embaixada russa para Rua dos Heróis da Ucrânia ou de outras capitais que estão a mudar para 'Rua Libertem a Ucrânia'
Seria bom que, sempre que possível, fosse seguido o exemplo de Portugal e se iluminassem os edifícios russos (embaixadas, consulados, empresas - o que for) com as cores azul e amarelo.
Sei dos riscos mas seria bom que na própria Rússia houvesse maneira de que, nas principais praças e avenidas, vários edifícios começassem a aparecer assim iluminados.
Nunca julguei que me fosse possível defender a actuação de hackers... mas hoje vou fazê-lo. Seria bom que hackers conseguissem entrar nos sites mais vistos na Rússia e pusessem como home page e em todas as páginas imagens da guerra na Ucrânia.
Seria bom que também conseguissem entrar no alinhamento publicitário das televisões e rádios russos e, no meio dos anúncios, aparecessem imagens da guerra ou mensagens denunciando os crimes de Putin.
Seria bom que entrassem nos feed de todos os media russos mensagens denunciando os crimes de Putin
Seria bom que os aviões comerciais que sobrevoam a Rússia aparecessem pintados com as cores da Ucrânia.
Seria bom que tal como foi feito com Trump, fossem feitos mega bonecos insuflados de Putin colocando-o a ridículo, vestido de nazi ou com cara de diabo e as mãos a escorrer sangue. Seria bom que isso fosse aparecendo em imagens de manifestações por todo o mundo, passando em todas as televisões.
Seria bom que nos principais programas de comédia de todos os países começassem a aparecer imitações de Putin, que o mostrem como um nazi, como um assassino -- mas medroso, cobarde, mal preparado, a acabar traído pelos que lhe são mais próximos, incluindo pelas próprias filhas.
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E aqui partilho mais alguns vídeos que me parecem interessantes e indiciadores da trajectória desta guerra sangrenta, destruidora, levada a cabo por um poderoso serial killer -- que deve ser detido.
Ukrainian soldiers find field full of abandoned Russian tanks after invaders 'fled their post'
Ukrainian soldiers found that the area had been abandoned by the Russian aggressors, who reportedly fled their post and left behind military hardware for their foes to take advantage of in the defence of the country.
The General Staff of the Armed Forces of Ukraine released the images on March 6, saying: 'Mykolaiv region. The paratroopers of the Russian aggressor simply fled.'
The Ukrainian Armed Forces added: 'New trophies for our Ukrainian defenders.'
Russian captive inteligence members speak about their orders for the invasion of Ukraine
Sergey Galkin was born in 1987, he enlisted into the Russian army in 2013.
On February 23rd his battalion got the order to invade Ukraine alongside other Russian forces, covered by massive artillery strikes on the Ukrainian territory.
The captive tells a story of constant bombardments of civilian objects by the Russian aviation and heavy artillery units. This is an important part of documenting the war crimes that Russia wages on the people of Ukraine and this footage will be used to bring war criminals to justice.
Ben Hodges: “I Believe That Ukraine Is Going To Win" | Amanpour and Company
Heavy fighting continues around Ukraine’s capital, Kyiv. What might happen as the conflict intensifies? Ben Hodges was a brigade commander during the U.S. invasion of Iraq in 2003 and later commanded the U.S. Army in Europe.