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sexta-feira, abril 03, 2026

Uma casinha na árvore

 

Hoje, quando a menina mais linda estava a andar de balouço, ouviram-se uns estalidos algo ameaçadores. O meu filho olhou e verificou que o tronco, enxertado no chorão, no qual foi construída uma armação para se suspender o balouço, está seco, parece que bichado, diz que não tarda vai partir-se.

Fiquei a olhar com pena. Pensei que, com jeito, talvez conseguíssemos retirar aquela montagem e substituí-la por uma nova, resistente. Mas é preciso muita força, aqueles troncos são muito pesados. E é preciso jeito. Se calhar também técnica. Não temos nada disso. 

Vejo aquelas pessoas que, perante qualquer situação, olham e facilmente engendram soluções engenhosas para as resolver ou melhorar. Não sou assim. Aliás, acho que, cá por estas bandas, ninguém é assim. Imagino que, perante um desafio mais complexo, olhem todos, digam que não sabem, que dá muito trabalho, que, para fazer, teria que ser bem feito, que esqueça, que não é para amadores, para totiços como nós.

Mas fico com pena. Agora, a nível da maltinha miúda já estão todos a ficar grandes e, em boa verdade, os rapazes nunca ligaram muito ao balouço, só mesmo as meninas. Só que é bonito, é uma graça, é daquelas coisas que a gente associa à infância, à liberdade de quase voar. Sempre gostei de andar de balouço, de dar balanço, de ir bem alto. 

(Para dizer verdade, temos um segundo balouço, mais estruturado, sem ser de estar preso à árvore. Mas também, praticamente, ninguém lhe dá uso. Mas existe, é amarelo e bonito, e traz alegria ao lugar -- e isso também importa.)

Mas, voltando ao tema: talvez por ter essa pequena frustração de não ser habilidosa nem ter habilidos por perto, goste tanto de ver vídeos em que uma pessoa sozinha faz mil coisas: uma cabana, uma casa subterrânea, uma casa dentro de um tronco de árvore. Antes aparecia-me uma jovem asiática que ia para o campo, aparecia com plantas, frutos, bagas diversas, flores, paus. E fazias tinturas, ou fazia saladas, ou construía abrigos, ou fazia umas comidas curiosas. Nunca mais me apareceu. Mas eu ficava ali vendo-a com a sua destreza a fazer as coisas mais inacreditáveis.

Hoje apareceram-me, como seria expectável, toda a espécie de vídeos sobre o Trump, sobre os seus dislates, sobre o facto de ter despachado a vil e engraxadora Pam Bondi, especulando já sobre quem vai ser a próxima. Mas estou zen, ou, melhor, perdida de sono, não estou para políticas, maçadas, inquietações.

Tive cá o pessoal. Um lanche ajantarado nesta altura do ano sabe bem melhor, podemos estar na rua, os dias estão já de bom tamanho, a temperatura está agradável, o tempo fica com ar de férias. Aliás, eles estão mesmo de férias e isso sente-se, a descontração é outra. Ainda agora estive a ver as fotografias. Sorridentes, as cores bonitas que o sol da tarde torna mais douradas. E a malta miúda sempre a crescer. E eu a ficar mais pequena no meio deles. 

E estava a ganhar coragem para agradecer os comentários mas acho que não vou conseguir. Para escrever isto, que não é nada, já parei várias vezes, a fechar os olhos enquanto escrevo. Tenho que ir dormir.

Mas mostro o vídeo que reteve a minha atenção -- embora, confesso, tenha também semi-adormecido cinquenta vezes pelo meio. Mas é daqueles que eu olho e penso: não é difícil, se a gente tentasse, se calhar, conseguiria fazer coisas assim. Mas não tentamos, se calhar porque sabemos que não conseguiríamos. 

Esta coisa das cabaninhas, das casinhas nas árvores, dos abrigos no meio da floresta estimula a minha imaginação. Talvez me faça lembrar a minha infância quando passava tardes inteiras com um amigo, um ano mais velho que eu, na altura em que um ano mais velho fazia alguma diferença, na pequena cabana de madeira que avô tinha construído ao fundo do jardim. Conversávamos, conversávamos. A minha avó ia lá levar-nos o lanche e comentava com o avô dele: 'Mas o que é que estas alminhas tanto têm para conversar...?'. E a verdade é que tínhamos. Eram tardes felizes, só nossas, nós e o nosso mundo. Planeávamos coisas, eu perguntava-lhe coisas pois ele sabia muito mais que eu e ele tinha uma paciência infinita. E, quando não sabia, dizia que não sabia e eu gostava, ficávamos os dois, por uns instantes, calados, certamente a pensar como haveríamos de descobrir a resposta. Durou até ao fim da escola primária, altura em que fui para o liceu e deixei de ir, à tarde, para casa da minha avó. Mas a memória dessa afinidade perdura até hoje.

Encontrei uma árvore oca gigante e construí uma casa secreta no seu interior

Descobri uma árvore oca gigante no meio da floresta e decidi transformá-la num abrigo secreto para sobrevivência. Neste vídeo, verá todo o processo de construção de um refúgio dentro de um enorme tronco de árvore, utilizando apenas ferramentas básicas e materiais naturais. Desde a limpeza do espaço interior até à criação de uma área habitável quente e segura, este projeto mostra como as capacidades primitivas e a criatividade podem transformar a natureza na base de sobrevivência perfeita.

Este não é apenas um abrigo — é uma casa secreta construída para viver em áreas selvagens durante longos períodos. Se gosta de bushcraft, vida fora da rede elétrica e construções de sobrevivência extremas, esta viagem irá inspirá-lo com técnicas práticas e momentos de paz na floresta.

Veja até ao fim para ver como uma árvore oca se transforma num santuário aconchegante e escondido na natureza.

@Minh Anh Survival Bushcraft


Desejo-vos uma boa sexta-feira

domingo, março 08, 2026

E, agora, uma boa notícia...

 

O dia teve uma componente muito boa, com a família reunida. Os meninos estão naquela fase meio volátil da adolescência e pré adolescência em que, tirando o mais novo, já todos entraram na altura da vida em que já estão a deixar para trás a pele da infância mas em que ainda não ganharam a segurança e independência da vida adulta, e em que todo aquele bulício e confusão de antes está a dar lugar a grupos de interesses distintos ou a que uns se isolem para falar com os seus amigos. Já lá estivemos, sabemos como é. O tempo vai passando e a vida tem que saber ir apanhando o comboio das idades que vão mudando.

Mas o dia, já à noite, teve uma componente desagradável, factores externos que, independentemente da nossa vontade, vieram-nos bater-nos à porta. Já tentámos enxutá-los e só espero que fiquem definitivamente bem longe de nós. A vida também tem destas coisas, sobressaltos, inconveniências. E nós, que tanto gostamos de paz e descanso, que não causamos problemas a ninguém, temos que estar preparados para saber reagir a contratempos que, sem se saber bem como, parece que querem bater-nos à porta. Mas, enfim, a vida nem sempre se apresenta com a suavidade angélica do céu na terra - isto admitindo que o céu é o lugar de paz que se imagina e não o espaço que, por vezes, é atravessado por bombas, mísseis e drones.

Portanto, adiante.

Entretanto, na tentativa de reencontrar a paz de espírito, vim espreitar o youtube. Notícias, não. Não quero ver mais ataques, ouvir sirenes, ver nuvens de fumo, prédios destruídos, gente sem casa ou em fuga. Tudo terrível de mais. Não é bom alhearmo-nos pois o sofrimento ou as injustiças alheias devem merecer-nos atenção, respeito e preocupação. Mas é tanta coisa má, tanta, por todo o lado, a toda a hora, que chego a um ponto e penso: chega, já não consigo mais. 

E, como se soubesse que eu estava a precisar de coisas fofas, eis que o algoritmo me presenteia com o vídeo que aqui partilho.

A história é simples. Um dia, num hospital, a anestesista foi ao encontro da criança que ia ser operada ao coração. Para sua surpresa, a criança, pequena, estava sozinha. Era um menino que estava institucionalizado e, por qualquer motivo, nenhum adulto o tinha acompanhado. Enquanto olhava o menino que estava a ser operado, foi-se formando uma ideia na cabeça da médica. Mal acabou, ligou ao marido. Apesar de já terem 6 filhos, resolveram adoptar o menino. Só que o menino tinha irmãos, cinco... Então convenceu familiares e amigos e vizinhos e cada um adoptou um dos irmãos. Agora todos convivem e, na verdade, é tudo de uma ternura tocante. A bondade por vezes encontra o seu espaço, abre caminhos, transforma vidas.

Médico adota menino que chegou sozinho à clínica e depois arranja lares para os 5 irmãos

Quando um rapazinho apareceu sozinho para um procedimento importante no Nebraska, uma anestesiologista interveio. Como relata Steve Hartman, ela não se ficou por aqui


Desejo-vos um feliz dia de domingo

domingo, julho 13, 2025

Uma conversa entre duas pessoas que admiro, mas em que se fala em algumas coisas pouco agradáveis levadas a cabo por portugueses
... Outros tempos... outros tempos...

 

Apesar de tudo, apesar de ter servido 'buffet' variado -- e, feito por mim, apenas a sopa e a preparação das saladas --, a verdade é que por ir buscar comida aqui, ali e acolá, e se calhar pelo peso da idade ou por outra coisa qualquer, à noite, o sono avançou sobre mim à força toda. 

E os meninos até eram para ter dormido cá. Mas, afinal, um deles, apareceu com covid. Assim de repente, estando ele febril, houve que tomar uma decisão. Mas não foi difícil. O tempo este sábado já não esteve de chuva, do outono da véspera passámos para uma simpática primavera, pelo que esteve bom para almoçarmos ao ar livre. E o resto da tarde, tirando os rapazes do futebol que gostam de se fechar na sala a ver não sei o quê, futebol, vídeos ou cenas, estivemos sempre na rua. Portanto, apesar de o covid já não ser o bicho papão de há cinco anos, se pudermos evitar apanhá-lo melhor. Eu e o meu marido estamos convencidos que ficámos agarrados pelo long covid pois, depois de o termos, nunca mais nos libertámos do peso do sono que parece que continua a apertar connosco muito mais do que antes e muito mais que o razoável. O médico diz que há muita gente com estes sintomas e que se espera que acabe por ir passando.

Mas, meu rico menino, nada lhe tira o apetite. E, estando mais murchito, esteve menos reguila. Fofo, só me apetece dar-lhe beijinhos. Está um rapazinho crescido mas, claro, ainda longe dos primos que estão crescidos, uns homenzões grandes, de voz grossa, ou da mana, alta, uma belezura, ou como o mano que ainda não entrou propriamente na adolescência mas que para lá caminha com ansiedade, com vontade de ser grande, peludo e malandreco como os mais crescidos.

Agora à noite, quando ficámos só os dois, fomos fazer a nossa caminhada nocturna e, no regresso, depois de tratar de uns expedientes, sentei-me aqui e pimba, tiro e queda, adormeci.

Claro que não faço ideia do que se passou no país ou no mundo e, sinceramente, nem vou tentar saber. Não me apetece arranjar argumentos para me tirar desta doce paz de espírito em que me sinto tão bem.

Aqui ao meu lado, deitado no sofá 'dele' (sofá que os netos adoram, há sempre algum deitado no 'lugar do avô'), o meu marido dorme a sono solto. A esta hora já costuma estar na cama mas, desta vez, depois de ter ligado a televisão e posto no 24"Kitchen, adormeceu que foi um regalo. Como não me importo de ir ouvindo falar em noodles, couve chinesa cozida, anis estrelado, empratamentos elegantes e etc., não lhe digo para mudar de canal e deixo-o estar a descansar.

Nos últimos dias tenho acordado sempre mais cedo do que o habitual pois tem havido sempre algum afazer matinal e, como não continuo a não conseguir ir para a cama mais cedo (senão não prego olho), acumulei algum sono atrasado.

Por isso, hoje fico-me por aqui. Li os vossos comentários mas não tenho energia para escrever mais. As minhas desculpas.

Vou antes partilhar uma conversa entre dois comunicadores que, na medida das minhas possibilidades, vou seguindo: o charmosíssimo e empaticíssimo Pedro Bial e o médico que fala claro sobre tudo, Drauzio Varella. A conversa rola gostosa sobre vários assuntos, até que o tema da 'descoberta' do Brasil pelos portugueses e o que eles fizeram aos índios vem à baila. Interessante. Claro que tudo tem que se pôr em perspectiva, situar no tempo e no espaço. Não dá para pensar no que se passou, usando os cânones de agora.

MEDICINA, Amazônia e HISTÓRIAS | Conversa Com Bial | GNT

Em uma conversa profunda, Drauzio fala sobre seu novo livro "O Sentido das Águas: histórias do Rio Negro", uma obra que mergulha nas vivências das comunidades ribeirinhas da Amazônia. Ele também compartilha reflexões sobre a medicina como arte, seu compromisso com o cuidado humano e a importância de ouvir, com empatia, os relatos das pessoas por onde passa.

Desejo-vos um feliz dia de domingo

domingo, julho 06, 2025

Galinha-choca

 

Os meus avós paternos tinham, no quintal, uma grande capoeira. Havia o recinto ao ar livre, cercado por uma vedação e havia umas casinha que comunicava com o recinto através de uma passagem em arco. Podia entrar-se directamente quer para o recinto, quer para a casinha. Ao recinto ia-se para limpar e lavar o chão, com agulheta, para pôr água fresca, para lhes dar milho ou sêmeas. Aí os meus avós nunca queriam que eu entrasse. Mas deixavam-me ir à casinha. Espreitava a ver se não estava nenhuma galinha e para ver se havia ovos na cestinha. Se havia, eu recolhia-os. E, por vezes, a minha avó fazia-me uma gemada, quer com ovo completo quer apenas com gema. Mexia bem com um pouco de açúcar. Adorava.

Se alguma galinha ficava choca e isso lhe era permitido, então a galinha tinha direito a tratamento vip. Mas muitas vezes não queriam, não sei porquê, e sacrificavam a pobre da galinha com banhos debaixo da torneira do quintal, a galinha tentando fugir, estrebuchando com todas as suas forças, e o meu avô ou avó agarrando-a com firmeza.

Mas quando a coisa podia ir adiante, a partir de certa altura a galinha era deslocada para a 'casinha', não a pequenina, anexa à capoeira, mas um anexo que também havia no quintal. Esse anexo tinha uma parte com ferramentas, muitas, algumas penduradas na parede do fundo, outras em bancadas. Tinha também uma parte em que estavam os produtos colhidos pelo meu avô na horta. Batatas em caixas no chão, cebolas entrançadas penduradas em réstias, algos também pendurados, entrançados, e uma coisa de que eu gostava imenso, tomates chucha, também pendurados pela rama, igualmente entrançada. Duravam todo o ano. A casinha tinha umas janelas pequenas pelas quais entrava pouca luz e a porta, que tinha uma janela também com portada, tal como as janelas, também não deixava entrar muita luz. Era neste anexo, à meia-luz, que a galinha chocava os ovos. E era ali que nasciam os ovos. Para mim era um sentimento misto: por um lado andava sempre naquela expectativa: já nasceram? estão quase? os ovos já estão bicados? Mas, por outro lado, aqueles pintos meio molhados, esquisitos, feios, meio apardalados, intimidavam-me bastante.

A minha avó não queria que eu andasse por ali a cirandar e não queria que eu fizesse barulho. Por vezes, ajudava-os a nascer. E pegava-lhes. Eu nunca consegui. Bichinhos assim, demasiado frágeis, sempre me fizeram muita impressão.

Mas o pior foi o que uma vez aconteceu. Creio que já o contei mas, como não tenho a certeza, arrisco a contar. 

O meu pai houve uma altura que também quis ter uma capoeira no quintal. Felizmente foi sol de pouca dura pois nem ele nem a minha mãe tinham o mesmo à vontade que a minha avó. Mas, enquanto durou, calhou uma galinha ficar choca. Não sei porquê, resolveram montar apartamento para a galinha, creio que nos dias antes do 'parto', num recanto da sala de jantar. Quando os pintos começaram a sair dos ovos, foi uma atrapalhação. Para mim, pequena, aquilo era uma preocupação. Intuía que os parteiros não tinham sabedoria para a situação. E eles não queriam que eu andasse ali de roda para não stressar a galinha e os pintos. Só que eu não resistia a espreitar. E, numa das vezes, dei com um dos pintos estendido e a esticar uma perna. Apesar de ser uma criança pequena, já tinha ouvido a expressão 'esticar o pernil' e percebia o significado. Então, em pânico, saí dali a correr fui ter com a minha mãe, mas, tão, aterrorizada estava, que mal conseguia falar. A minha mãe não percebeu a razão daquele pavor mas eu empurrei-a para a sala de jantar e, com esforço, lá consegui balbuciar que o pinto estava a morrer. A minha mãe também não era corajosa para essas situações mas lá foi espreitar. Os pintos estavam todos bem. Chamou-me. Mas, quando um dos pintos se espreguiçou, meio a dormir, esticando a pata, ela percebeu o que tinha acontecido.

Ao ver, no vídeo que aqui partilho, o pinto recém-nascido a cair de sono, lembrei-me disso.

E ao ver os pintos a quererem sair do ovo, voltei a sentir, mas a sentir vividamente, aquele susto e receio que sentia há mil anos, quando, pequenina, num compartimento quase sem luz, aguardava que o milagre do nascimento se desse.

Esta galinha mãe fala com os seus ovos – e eles cantam de volta! | BBC Earth

Já se perguntou como é que uma galinha ajuda os seus pintainhos a chocar? Conheça a Patricia, uma galinha anã de Pequim dedicada, que mantém os seus ovos à temperatura ideal e cacareja suavemente para guiar os seus pintos ao mundo.


Um bom dia de domingo

quarta-feira, junho 18, 2025

Uma aventura no IKEA


No fim de semana, estávamos aqui à mesa, diz um dos meninos: 'O que eu gostava era de ir ao Ikea comer almôndegas.'. Ficámos estupefactos. Ao Ikea?! Almôndegas do Ikea?!?!?!

Toda a gente o contestou. Quem é que quer ir ao Ikea? E quem é que, ainda por cima, quer ir comer almôndegas? Dahhhh....

Mas o menino dizia que gostava mesmo de ir. Perguntei à minha filha porque é que não satisfazia o filho, se era coisa que ele queria assim tanto. Respondeu que pagava para não ir ao Ikea. E muito menos iria lá comer almôndegas.

E a conversa ficou por ali.

No dia seguinte, intrigada, perguntei à minha filha de onde conhecia ele as almôndegas do Ikea. Disse que, dantes, a sogra costumava ter em casa almôndegas congeladas e, quando apareciam os netos para almoçar, descongelava-as. Se calhar não era sempre, se calhar aconteceu algumas vezes. Mas as suficientes para o menino sentir saudades.

Acresce que está de férias e, tirando os treinos de futebol, pouco tem que fazer. Um dos primos do menino também está de férias.

Então, ocorreu-me o seguinte: 'E se fossemos buscar um e outro e fossemos com os dois  ao Ikea comer almôndegas?'

O meu marido foi categórico: não, não e não. Nem Ikea nem almôndegas. Segundo ele, um disparate sem sentido. Nem pensar em ir enfiar-se no Ikea, nem pensar ir para o restaurante do Ikea, nem pensar em almôndegas. Não e não e não. Assunto encerrado.

Fui ver o menu do restaurante e vi que há outras iguarias. Li-lhe.

E falei-lhe no prazer que daríamos ao menino que estava com saudades das almôndegas. E o primo, certamente, ficaria feliz por ir também.

Auscultei os respectivos pais. Por eles, sim. 

Mas o mano do primeiro também quis ir. E a menina, que eu pensava que estava com aulas, afinal esta terça-feira não as tinha, pelo que também estava livre e também quis ir. 

(O mais novo se calhar nem chegou a saber desta aventura... Está ainda na escola.)

Pôs-se, pois, o tema logístico. O carro só dá para cinco... 

Então fomos buscar dois, depois eu e a menina ficámos no Ikea e o meu marido e o outro menino foram buscar os primos.

Foi, pois, dia de festa. A alegria de estarem juntos num programa tão fora da caixa...

Todos contentes, com carrinhos, lá fomos buscar a comida. Comeram wraps de salmão para entrada, os rapazes comeram almôndegas, dose maxi, 12 almôndegas cada, com puré de batata, bolo, água (o mais crescido bebeu coca-cola, já se sente um rapaz crescido...). Quis que levassem salada mas disseram que não, que a alface do wrap era suficiente... Dois dos meninos levaram uma peça de fruta, os outros não quiseram. Ficaram a deitar por fora, todos contentes com o pitéu... Eu comi lombo de salmão, o meu marido e a menina comeram pernil estufado. 

Depois, surpreendentemente, na saída, entusiasmaram-se com os peluches. 

Já crescidos... mas parece que lhes deu a nostalgia dos peluches. Ela trouxe um alien, o mais crescido um pinguim que diz que é para oferecer à namorada pois estão quase a fazer 6 meses de namoro, outro trouxe um macaco e disse que era para o irmão e o menino que teve a ideia inicial das almôndegas trouxe uma bola de futebol mas ficou com pena de não ter trazido também um macaco (ficou prometido para a próxima). 

Os pais, quando viram as fotografias que lhes tirei a andarem com os peluches nem queriam acreditar. Mas eles estavam radiante. Um dos meninos disse que aquilo deveria passar a ser uma tradição, nas férias irmos todos almoçar ao Ikea (não sei se sempre almôndegas ou se a tradição admitirá variantes).

Depois um dos meninos pediu para ficar em casa dos primos, os três sozinhos em casa. Obtidas as devidas autorizações, assim foi, lá ficou. A menina ficou um pouco tristonha mas tem exames, tem que estudar, e logicamente não tinha levado os livros, tinha mesmo que ir para casa. 

Para o lanche, ainda lhes comprámos lá, ao lado do snack, umas panquecas congeladas e bolachas. Os anfitriões não queriam, que há muita comida em casa, que não, que não. Mas depois, na perspectiva das panquecas e daquelas belas bolachas, aceitaram. Disseram que poriam as panquecas no microondas e as comeriam com mel.

Soube depois que, enquanto o mais crescido estava a estudar para o exame, o menino que está de férias foi com o primo, os dois sozinhos, ao supermercado comprar nutela com o seu próprio dinheiro.

Claro que o pior foi o trânsito que depois apanhámos, uma seca das valentes. Fomos pôr a menina a casa que, imagino eu, não deveria estar com grande vontade de ir estudar... Os exames deveriam acontecer no outono ou no inverno ou no início da primavera. Agora exames no verão é um sacrifício para os jovens...

E ainda fomos comprar tinta para pintar o resto do muro e mais ácido muriático e mais uma série de coisas. Um calor dos diabos. 

Mas foi um dia muito bom. Gostei muito. E o meu marido também estava contente. Não é preciso muito para as pessoas se sentirem felizes.

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Uma boa quarta-feira

Be happy

quarta-feira, junho 11, 2025

Para mim, um 10 de Junho sem discursos -- mas, do que já vi, um grande discurso de Lídia Jorge

 

Tal como tinha dito, o meu dia começou bem cedo. Pouco passava das oito e já a casa se enchia das vozes que nos enchem de alegria -- a nós e ao cãomaisfofo que salta, rodopia, em volta deles, surpreendido e feliz. Os pais foram para fora, embarcavam bem cedo, e, neste dia feriado, ficaram cá. Nos outros dias ficam nos outros avós que vivem mais perto das escolas. 

Portanto, foi dia cheio, sempre algum a querer fazer alguma coisa, ela na cozinha a querer estar ao comando. Despachada, rápida, impaciente. Eu, que também sou rápida, vejo-me grega para acompanhar aquele ritmo. Está-lhe nos genes querer fazer tudo rapidamente e várias coisas ao mesmo tempo. 

Não apenas fez parte do almoço como fez uma limonada e um bolo que estava francamente bom. Pesquisa a receita, vai vendo os ingredientes necessários, vai buscá-los ou pede-os, ao mesmo tempo vai partindo ovos, batendo os ingredientes, comentando o que vai fazer a seguir. Um ritmo que vai lá, vai. Ao jantar, voltou a fazer a parte principal enquanto o mais novo se ocupava do acompanhamento. Uma animação, uma agitação, uma alegria.

E, de tarde, estivemos no jardim e dançámos e jogámos à estátua e rimo-nos, e, entre eles, também estiveram entretidos. Dia bom. 

Pensávamos que ia estar de trovoada e chuva mas não, para a tarde até abriu. Nada dos calores dos outros dias mas razoável.

O cãoamigo agora está com as pilhas todas carregadas, super interventivo. Mal me vê agarrada a algum deles, na beijoquice, aparece logo a interpôr-se entre nós. Mas, embora venha a rosnar baixinho, vem a dar ao rabo, encosta-se também a mim. Eu digo: 'Então, quer ver que já não posso dar beijinhos...?' e ele dá ao rabo, todo encostado. Só falta rir. O dia todo nisto.

Quando se iam embora, os meninos puseram as respectivas mochilas às costas, pegaram nas malas (como vão ficar uns dias fora da sua casa, de manhã trouxeram logo a bagagem e as coisas da escola para o resto da semana), e foram para o jardim, para o pé do portão, à nossa espera. O dog estava ao pé deles, a dar ao rabo. Pensava que também ia. Tive que refrear o seu entusiasmo e disse-lhe: 'O cão (de facto, disse o nome dele, não disse 'cão') não vai. Fica cá a tomar conta da casa, está bem?'. Pois, de imediato, o rabinho parou de abanar e, com ar infeliz, foi para o lado, sentado, meio deitado, a olhar para outra direcção. E, até sairmos, ali ficou, a olhar na direcção oposta. Conheço-o: estava decepcionado, triste. A sua capacidade de compreensão, as suas emoções e raciocínios surpreendem-me a toda a hora.

Fomos, pois, levar os meninos a casa dos outros avós. 

Quando regressámos a casa, ainda fomos tratar o problema da perna do cãobeludinho e ainda fomos dar uma voltinha boa.

Ou seja: não vi televisão o dia todo. Para dizer a verdade, nem me lembrei de tal coisa tal como nem me lembrei que era dia de cenas.

Portanto, não sei como foram os festejos oficiais, desconheço o que o Marcelo disse, desconheço quem esteve ou deixou de estar. 

Só agora, através do instagram, tive conhecimento que a Lídia Jorge fez um discurso inteligente e poderoso. Fico contente. Tenho que tentar encontrar o discurso inteiro. 

Não costumo ligar a mínima aos discursos do dia 10 mas dá ideia que este discurso teve substância, acrescentou, ficará na memória de quem o ouviu.

Tirando isso, nada mais me ocorre pois o conhecimento do que está a passar-se por aí (ruas de Los Angeles, comportamentos trogloditas contra adeptos ou contra actores de teatro ou outros sucedidos por terras de aquém e além mar) é diminuto. 

Por isso, não opino. Vou descansar.

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Como é bom de ver as imagens mostram imagens geradas pelo Sora (IA) a partir do que lhe pedi.
Não é bem o que eu queria mas não tenho capacidade para aqui ficar até 'ele' acertar.

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Dias felizes para todos

segunda-feira, dezembro 30, 2024

Dia super feliz in heaven.
E a relação entre os signos e a gastronomia.

 

Entre sexta e sábado foi limpeza a fundo: os outsides todos varridos e lavados e esfregados, nos interiores, spray de cera de abelhas nas madeiras, limpeza de vidros, tudo sacudido, limpo, lavado, spray de lixívia em uniões e juntas das casas de banho e todo um vasto etc. e etc.

Fomos também ao supermercado da vila onde têm carnes excelentes. Também costumam ter bons peixes e afins mas não tinha o que eu queria (choquinhos pequeninos para fazer com tinta). Pena o senão do vagar das empregadas que conversam com os clientes que conhecem. Uma pessoa desespera sem saber quando é que a confraternização vai acabar. Mas ninguém parece ter pressa. Olho em volta e vejo toda a gente na boa, à espera. Parece que só eu é que ainda não aprendi a aguardar serenamente.

Este domingo foi dia grande, desde cedo a maltinha toda reunida in heaven. Corte de árvores, queima. Um avanço na limpeza que foi um gosto. Tanto o trabalho que um dos jovens trabalhadores até andou, parte do tempo, em tronco nu.





E o mais pequeno já anda de bicicleta que dá gosto, por lá anda, sozinho, em caminhos estreitos, subidas, descidas, curvas. E os mais crescidos fizeram corridas de trotinete e depois todos jogaram ao Monopólio para Batoteiros, coisa que dá muita luta e que até levou à expulsão do batoteiro-mor.... 

E o almoço foi um regalo, com o meu filho, uma inesgotável força de trabalho, que, depois de serrar, carregar, queimar, se atirou ao barbecue. 

Dia maravilhoso. Frio mas, ao sol, suportável. E em casa bem.

Mas vinha eu a pensar que já o meu pai, que era caranguejo, adorava cozinhar e ter-nos lá todos em volta da mesa. E eu e o meu filho também somos assim. Claro que o meu marido e a minha filha e a minha nora também gostam tal como a minha mãe também gostava, são todos muito bons anfitriões. Mas creio que não há aquela 'coisa' muito intrínseca de queremos dar de comer aos 'outros', parece que queremos ter a certeza de que se alimentam bem e de que temos aquilo de que gostam, 'coisa' essa que esses 'outros' nem sempre compreendem ou aceitam bem. 

Pois agora, ao ver a Madame le Figaro, vejo um artigo em que se fala na relação de cada signo com a gastronomia. Transcrevo a descrição de como é o Caranguejo. Por mais surpreendente que possa parecer para alguns, supostamente existe uma ligação entre a astrologia e a gastronomia. A astróloga Amélie Weill fez dela o tema do seu primeiro livro, Astro food (Éd. Flammarion). E, segundo ela, as sete estrelas da constelação em forma de panela da Ursa Maior seriam o sinal supremo.

Caranguejo

O Caranguejo, o primeiro signo de água do zodíaco, leva-nos ao território das emoções. O que mais gosta é de unir as pessoas e fazê-las felizes. O Caranguejo preocupa-se com os outros e, para ele, a comida é cuidado. Atento, adivinha e antecipa as necessidades de todos, e até se questiona porque é que os outros não fazem o mesmo... Em suma, não se limita a cozinhar, coloca amor em tudo o que faz.

A sua fantasia secreta? Vivendo numa antiga casa de pedra, rodeada por um magnífico jardim e repleta de amigos e crianças, todos se reuniam à volta de uma mesa para saborear os bolos da avó, desde mil-folhas gourmet a tarte de mirtilos acabada de sair do forno. O pequeno guilty pleasure alimenta a sua vida diária... E se não gosta do que ele lhe preparou, não lhe diga, nem use luvas de pelica. A cozinha é como uma família, não se lhe toca!

Só neste último aspecto é que não me revejo: não me importo que critiquem. Aceito bem críticas, reprimendas e sugestões. Claro que nem sempre as sigo (porque, como é óbvio, há coisas que são mais fortes que eu) mas, enfim, esforço-me e não levo nada a mal, até agradeço.

Para quem tenha curiosidade, aqui está o link para o artigo com todos os signos: Nos préférences et compatibilités culinaires signe par signe, selon une astrologue

E uma semana para todos!

domingo, setembro 08, 2024

Luís Montenegro anda por aí num carro-patrulha à procura dos presos em fuga?
Pergunto.
É que quero ficar descansada...

 

Andei ocupada todo o dia e agora tenho os quartos todos ocupados por meninos que, antes de se recolherem aos seus aposentos, perdidos de sono como estavam, desataram a embirrar uns com os outros). 

Ou seja, entre jardinagens em força durante o dia, idas ao supermercado e etc. e, depois, o são convívio com a juventude,  não me deu para acompanhar as notícias. 

Só quando, ao fim da tarde, íamos no carro buscar alguns dos meninos é que ouvimos o sucedido. Um fartote. Câmaras sem funcionar, escadas postas para dentro a partir do exterior, falta de vigilância de cabo a raso agravada por uns estarem de baixa, outros de férias. E à plena luz do dia. E também só deram por isso 2 horas depois. É um clássico deste Governo. Vigilância a instalações que deveriam estar bem seguras, em tempo real, é coisa que não lhes assiste. Sempre umas horas depois para dar tempo aos ladrões para se porem ao fresco à vontade (â vontade e... e à vontadinha). 

Lindo. Isto numa prisão de alta segurança. O que será isto numa prisão normal...? Na volta os guardas andam com os presos ao colo e às cavalitas para onde eles quiserem, de preferência deixando escadas, escadotes e cordas com fartura para se poderem servir à vontade.

Mas uma coisa me deixou descansada. Ouvi que o Montenegro andava a acompanhar de perto a operação. À hora a que escrevo parece que já lá vão para cima de 13 horas e ele ainda não conseguiu deitar-lhes a mão. Deve andar por aí, num carro-patrulha a dar-lhes caça. Conhecido por se emplastrar no meio das operações armado em rambo de pacotilha, só estranho ainda não o ter visto na televisão (mas, se calhar, é porque não tenho visto televisão...). 

Não sei se a ministrinha da AI (note-se: AI de Administração Interna e não de Artificial Intelligence), a rambinha troloró, também não andará com ele, quiçá de algemas penduradas no cinto, quiçá de cassetete em punho e com aquele ar vagamente alucinado. 

Já a da Justiça, Júdice de ascendência, é menina de outro gabarito, menina fina, imagino que não ande por aí armada em saloia, a armar-se ao pingarelho. Valha-nos isso. Mas isto sou eu a supor. Vai que o Montenegro acha que bom, bom mesmo, é ela montar-se também num carro patrulha e andar por aí a fazer operações stop. Nunca se sabe até onde chega a coisa.

Tirando isso, não sei que mais diga. Poderia talvez dizer a receita do jantar pois comeram que se lamberam (um salmão feito de uma maneira de que gostaram bastante) mas, não sei porquê, parece que não ficará aqui lá muito bem enquadrado.

Por isso, vou mas é ficar-me por aqui.

E um bom dia de domingo para todos.

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PS: O Bugalho estará a precisar de uns trocos adicionais?  Só pode, não é? Já o Expresso, estará a recisar de quê para o ter contratado. Há coisas que não se percebem.

domingo, agosto 18, 2024

Grelhados suculentos e saudáveis, doces à Chef, lanche para gente sem apetite e etc.

 

Por estes dias, aqui chegada, à noite, não tenho muito assunto. Muitas vezes nem muito nem pouco. Não vejo televisão nem sei de notícias senão quando aterro aqui no sofá. 

Abro a página em branco e penso: 'Escrevo o quê?'. E, muito sinceramente, só me ocorre falar do que foi o almoço. Fazer o quê? 

Por isso, aqui vai e vai sem mistérios: grelhada mista.

Fui ao talho em que estou a habituar-me a ir pois tem carne boa e um jovem talhante que sabe ir ao encontro do que lhe digo. 

O meu filho tinha-me falado em piano. Não havia. Mas tinha uma peça de entrecosto alto, ainda com o courato. Não se atrapalhou: retirou o courato e o toucinho. Isso não veio. Depois, retirou um rectângulo de carne alta. Ficou, então, a parte do osso com fina camada de carne por cima. Mas depois vi aquele rectângulo de carne e resolvi trazê-la. O rapaz sugeriu abri-la ao meio, transformando-o em dois bocados de carne baixa. Pareceu-me interessante.

Depois trouxe costeletas do cachaço mas em corte largo, para ficarem costeletas grossas.

Trouxe também pernas de frango do campo pois toda a gente gosta de pernas de frango grelhadas. O meu filho tinha-me falado em peitos de frango. Aí o rapaz sugeriu abrir os peitos ao meio e eu achei boa ideia. Afinal o meu filho disse que ficariam melhores inteiros, altos. Para a próxima, já sei.

Trouxe também bifes do pojadouro que ele me disse que eram um espectáculo mas para se lhes dar apenas um cheirinho de calor.

Logo de manhã recebi uma mensagem do meu filho para preparar uma marinada mas apenas para as carnes de frango e de porco: 1 cerveja, sumo de 1 limão, alho picado (não muito pois o pessoal não gosto de sabores demasiado intensos), louro, um pouco de pimentão doce e sal. Juntei também orégãos. 

Os bifes de vaca, apenas uns leves grãos de sal e sumo de limão na hora de irem à grelha.

Ao contrário do que dantes eu pensava, não se deve pôr azeite no tempero da carne. Pelo contrário, deve pôr-se limão ou cerveja pois o ácido cítrico do limão ajuda a quebrar as fibras musculares da carne, tornando-a mais macia. A cerveja também amacia. Além disso,  ao grelhar carne em altas temperaturas, são gerados compostos como aminas heterocíclicas (AHCs) e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs), que têm potencial cancerígeno. Marinadas à base de ácidos (como o sumo de limão) ou antioxidantes (presentes na cerveja) podem ajudar a reduzir a formação desses compostos.

Acresce que, às brasas, foi adicionado um pouco de alecrim, que perfuma a queima mas é tido um outro cuidado: usam-se grelhas altas por forma a não submeter a carne à queima directa ou ao contacto com temperaturas muito elevadas.

Aprendemos isto com nutricionistas ou investigadoras como a Conceição Calhau.

E, digo-vos, faz toda a diferença. Claro que é também essencial haver arte no grelhador. Juntando a arte e o conhecimento, o produto final é uma maravilha. E bem mais saudável.

Depois, na mesa, para temperar a carne grelhada, tinha um molho simples feito com azeite, sumo de limão, orégãos e coentros migados. Mexendo tudo, emulsiona. 'Servi' com um pincel para se poder pincelar devidamente a carne ao ir para o prato. Fica muito bom mas, mesmo não pondo nenhum molho, o tempero e o ponto estavam suficientemente bons para até poderem dispensar tempero adicional.

Para acompanhar, tinha batatas fritas (de pacote, tradicionais, umas normais e outras light), salada de alface (que fiz com alface ice, que é nutricionalmente mais fraca mas de que todos gostam, abacate aos bocados, azeite, orégãos e vinagre bio com mel), salada de tomate (tomate maduro cortados aos quadradinhos, com azeite, orégãos, e queijinhos mozzarelas às bolinhas) e feijão preto (num tacho, com um pouco de azeite, frito cebola picada e um pouco, para aí um quarto ou menos, de chouriço artesanal aos bocadinhos e salsa. Quando está tudo douradinho, juntei duas latas de feijão preto mais ou menos escorrido. Mexi bem, deixei ferver mas sempre em lume brando). Tinha ainda pão de Rio Maior.

Para sobremesa tinha salada de frutas e um doce que o meu marido fez e que estava bom.

Numa frigideira cozinhou maçãs cortadas aos cubinhos, com casca (apenas sem o pé e sem caroços), juntamente com um frasco inteiro de compota de pêssego. Juntou um pouco de sumo limão e um pouco de canela. Quando a maçã estava cozinhada, passou para a fase seguinte. 

O forno estava a aquecer a 200º. 

Forrou um tabuleiro com papel vegetal e pincelou com azeite. Em cima colocou a massa folhada fresca que comprámos no supermercado, com formato rectangular. Encheu com a fruta cozinhada em compota. Foi ao forno que, entretanto baixou para 170º

Só depois se lembrou que, supostamente, era para levar amêndoa torrada aos bocadinhos. Poderia remediar-se mas já estava farto, não quis pôr. Mas estava bom na mesma. Serviu-se com gelado de limão. Aqui não foi especialmente apreciado, disseram que teriam preferido de baunilha ou natas. Fica para a próxima.

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E pronto, não sei que mais vos conte. Só se for o lanche. 

O almoço acabou já depois das 3 da tarde. Depois ainda houve jogos de cartas e outro de que não me lembro o nome mas que me fez rir até às lágrimas. Depois, parte deles, na verdade todo o sector masculino menos o avô (incluindo o mais novo de sete anos), como a tarde estava de assar, resolveram ir fazer um passeio de bicicleta. São doidos. Saíram todos de capacete, parecia a volta a Portugal, tudo em fila de pirilau a encher a estrada. Depois, passado um bocado, vieram deixar o mais novo em casa (furioso, a achar-se discriminado) mais o guarda-redes mais velho que não queria perder o jogo do Sporting, e continuaram para um passeio mais puxado. Regressaram passada uma hora, completamente afogueados. E claro que o desporto não se ficou por aí pois ainda houve partida de vólei. 

Banhos tomados, hora do lanche. Que ainda não estavam com muita fome, que se calhar não era preciso nada de especial.

Pois... Como se já não os conhecesse...

Fiz batido de leite e fruta para uns

Fiz batido de kéfir com latte dourado para outros

Uma das comensais comeu iogurte natural com salada de fruta.

Quase todos comeram salada de fruta.

Depois tostas (fatias de pão-de-forma de Rio Maior, tostadas) com queijo fresco e presunto e outras com tomate.

Depois tostas com fatias de queijo e o doce de gamboa.

E, no fim, estando o lanche terminado, para meu espanto, um dos meninos veio ter comigo e perguntou se não havia mais e se não podia comer uma sandwich ou qualquer coisa que o enchesse mais.

Fui então buscar uma carcaça, enfiei-lhe lá um bife do pojadouro (do que tinha sobrado do almoço), pus um pouco de ketchup e como piada, juntei, lá dentro, batatas fritas. Chamou-lhe um figo, claro.

Talvez fossem já umas sete ou mais da tarde, nem sei bem.

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E agora é que já não sei mais que vos diga. Só se for para vos desejar um feliz dia de domingo.

sábado, agosto 17, 2024

O puto do ano

 

Quando penso nos meus filhos e nos meus netos claro que a primeira coisa que me ocorre é que o que mais desejo é que tenham vidas longas e felizes. Mas também que se sintam sempre motivados. Motivados seja para o que for, projectos pessoais, profissionais, sociais, o que for. E que, além disso, se sintam realizados. 

Uma pessoa doente é terrível mas, admitindo que tem saúde (física), penso que não será feliz se não se sentir motivada, se andar encalhada, a arrastar-se, entediada, sem ter vontade de se fazer à vida. Também não será feliz, acho eu, se fizer coisas que não a realizem, se se sentir frustrada a fazer coisas que a deixam indiferente, vazia, contrariada.

Por isso, quando vejo uma pessoa motivada, realizada, feliz, e quando, ainda por cima, há o efeito surpresa associado ao que faz, fico até comovida. 

O menino aqui abaixo, com poucos recursos mas com imaginação, motivação, sentido prático e uma noção clara de como é importante unir esforços e ousar, foi escolhido pela Time como o puto do ano para 2024. E parece-me bem. Todos os contributos para se tratar o cancro de pele são bem vindos.

Heman Bekele Is TIME’s 2024 Kid of the Year

Meet the 15-year-old scientist who could change how we treat skin cancer.

Heman Bekele spent the last year developing a bar of soap that could treat skin cancer. It was the winning entry at the annual 3M Young Scientist Challenge, considered one of the top science and engineering competitions for fifth through eighth graders


sábado, agosto 03, 2024

Depois dos caranguejos chegam os leões. Tempo de festas e pré-festas.
Isto na companhia de um cão e... de um rato...
Uma selva...

 

Por estas bandas, leões são também muitos. E como os há a irem de férias, fazem-se já as pré-comemorações. Depois se farão as comemorações. Hoje uma das leoas tentava fazer a contabilidade às vezes em que já estivemos juntos esta semana, uma das quais comemorando aniversários de caranguejos que já tinham festejado parcialmente mas não em conjunto. 

Estivemos até às dez da noite (ou mais?, não sei) até porque alguns ainda tinham muito que fazer antes de amanhã saírem para férias. Não cantámos os parabéns a você, claro, pois parabéns podem dar-se e festejar-se depois mas, ao que parece, não antes. Mas estivemos felizes da vida, à volta da mesa e à conversa.

Mas estou com muito sono. Deito-me sempre tarde pensando que compenso dormindo até mais tarde. Pois às sete da manhã, o telefone: alarme in heaven. Vistas as imagens, conclui-se que foi um insectozão a passar em frente da câmara. Mas espertei.

Passado um bocado, o meu marido levantou-se, foi passear com o cão. 

Estava agendada a vinda de um técnico da e-redes. Pelo horário referido, intuí que deveria vir lá para as nove e tal. Pensei que, antes disso, o meu marido regressaria. Portanto, com a pancada de sono com que estava, poderia eu dormir mais um pouco. Qual quê? Passado um bocado, a campainha da porta. Era o homem. Tive que me levantar à pressão e ir ter com o senhor. Ou seja, sono para que te quero? Devo ter dormido quatro horas e tal. 

Depois, quando cá estão todos, desperto. O pior é quando se vão embora. Sento-me no sofá e tenho que travar uma luta para não adormecer instantaneamente.

Nisto, noto o peso da idade. Dantes aguentava-me em forma, a trabalhar na maior, mesmo pouco dormindo durante dias e dias a fio e sujeita a pressões de todo o lado. Agora está bem, está... Os meus meninos têm uma energia inesgotável, saltam, correm, brincam horas a fio. Os rapazes já tinham estado de manhã a jogar à bola (rapazes dos sete aos quarenta anos) até chegarem a casa imundos e de tarde continuavam como se estivessem frescos e descansados. Esta energia permanente e esta capacidade de instantaneamente a reporem só pode ter a ver com a juventude. 

Tirando isso, devo ainda aqui deixar registo de um outro facto. Estávamos a jantar no terraço pois é onde geralmente preferimos estar. A mesa está colocada debaixo de um telheiro. Essa área tem um desnível. Na parte mais baixa está um sofá grande com zona de chaise-longue e cadeiras e cadeirões. E, por detrás, está uma vedação de treliça. Atrás dessa vedação há uma sebe alta. E, por detrás, um muro alto que separa da casa ao lado. Pois, muito bem. Eu não vi mas vários dos presentes viram: um rato a passear nesse muro. 

E volta e meia anda lá um gato. Mas, pelos vistos, não intimida o rato. Nem se intimida com o barulho de tanta gente ali tão perto. Claro que o cãobeludo, mal dá por ele, põe-se logo em guarda, a olhar muito sério. No outro dia, fez-lhe uma perseguição que vi jeito de haver ali uma chacina. Mas o rato não se torce nem se amolga. Pelos vistos acha que também é um pet da família.

Sinceramente, já não me incomodo nada, já sei que o rato deve morar ali para trás pois volta e meia dá as caras. Mas nem todos reagem tão indiferentemente. O meu marido diz que vamos ter que tomar providências. Não percebo porquê, pois o ratinho não faz mal nenhum. O meu marido diz que qualquer dia entra para casa e depois sempre quer ver o que fazemos.

Cenas.

Ah, é verdade. O meu marido tem andado a arrancar ervas do lado da horta (aliás, ex-horta, pois não a mantivemos e ela soçobrou) e veio de lá com dois marmelos grandes. E diz que há mais. Não sei como mas a verdade é que eu não tinha dado por eles. Mas fiquei com vontade de fazer marmelada (literalmente falando) mas o diabo é o pormenor do açúcar. Não sei se ficará boa se não se puser açúcar. Claro que poderei pôr mel, mas o mel tem açúcar na mesma. E já não bastam os bolos dos anos, os biscoitinhos que vão trazendo e que cá ficam..., a fruta... Como posso perder os quatro quilos que ando a perseguir há séculos e eles a correrem à minha frente...?

Bem.

Nada mais tendo a acrescentar, vou limitar-me a partilhar um vídeo que gostei muito de ver, muito inspirador.

Inside Cath Kidston’s Art-Filled Notting Hill Terrace | Design Notes

The house is nestled away and backs onto a large private garden square with views of a forest of old London plane trees filled with flocks of parakeets. “I have a theory that it takes seven years for a house to feel really lived in, and I feel very settled in here,” insists Kidston


Dias felizes

sábado, dezembro 02, 2023

Contra as nuvens negras que ensombram os meus dias, nada como ter a família à mesa e ver a boa disposição de todos

 

O meu dia foi bom embora haja uma permanente nuvem a ensombrar-me. 

Dizem-me que parece que não estou bem e que nitidamente não estou a conseguir gerir esta situação. E que parece que ainda não percebi que, havendo gente competente a geri-la, tenho que confiar e aprender a desligar. Compreendo pois eu própria poderia dar esse conselho a pessoas que estivessem a viver o mesmo que eu. Mas há uma angústia que me estrangula. Os próprios meninos, que já compreendem o que se passa, me aconselham a aceitar que nem tudo está nas minhas mãos e que este é um dos casos em que eu não posso fazer mais do que faço.

Mas, enfim, não vale a pena continuar para aqui a chover no molhado. 

Demorei a começar a escrever pois não sabia do que falar a não ser disto. Estarei pirada, como a minha filha me diz? Estou passada como o meu marido me diz? Em loop como o meu filho me diz?

Se calhar.

Vou tentar falar de outra coisa. De como foi o meu dia.

De manhã, eu, o meu marido e o urso cabeludo, fomos passear para a praia. De lá trouxemos o almoço constituído sobretudo por sushi, coisa que os meninos muito apreciam. 

Do lado do meu filho estão a passar o fim de semana prolongado no Alentejo com cunhados e primos de um dos lados, quase trinta. Recebemos fotografias, um tocando viola, vários cantando, todos em volta de uma fogueira no exterior. Imagino os meus meninos, entre os muitos primos de um dos lados da mãe, todos felizes da vida. Antes de irem, o mano do meio foi ao barbeiro e ficou com um corte futebolístico, giraço. Na véspera, ele, a mana e a mãe tinham ido ver a Carolina Deslandes. A minha menina linda foi produzida à maneira, coquette até à décima casa. O mais novo ficou em casa com o pai.

Do lado da minha filha estiveram cá e, como disse acima, de tarde a minha filha esteve com a avó. Os rapazes jogaram basket, viram televisão e, em especial o mais velho, prometeu que logo estudava quando chegasse a casa. Como sempre, comeram como uns lobos deixando-me sempre perplexa com o fenómeno que é ingerirem brutais quantidades de comida e continuarem magros e esbeltos. Mesmo logo a seguir, quando se levantam da mesa, não se percebe para onde foi a comida pois não há vestígio de nada, um estômago mais proeminente, qualquer sinal de armazém repleto. Nada. Como treinam futebol quase todos os dias, já a sério, federados, e têm jogos e, no intervalo, jogam com os amigos ou praticam basquetebol, o corpo requer certamente a reposição de todas as calorias que o desporto lhes consome.

O mais novo, o dos doze, já está da minha altura ou um ou dois dedos mais que eu. E o mais velho, o de quinze, já está indecentemente mais alto que eu. E bonitos que dão gosto. E divertidos. 

E, pronto, é isto. 

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Desejo-vos um bom sábado

Saúde. Boa disposição. Paz.

sexta-feira, dezembro 01, 2023

O galo português que foi passear até à Holanda e que resgatei nos idos de 2012 ontem resolveu acordar-me debaixo do maior sururu

[E, por falar em fenómenos, que Gavriil Scherbenko, o pianista e compositor que ainda usa fraldas, nos mostre ao que vem]

 

Pelos conhecidos motivos sobre os quais já não falo (ainda hoje o meu filho me disse que os meus posts andam um bocado depressivos e a minha filha me perguntou se eu não deveria procurar apoio psicológico...), volta e meia durmo mal. Custa-me a adormecer ou, então, acordo de madrugada e só volto a adormecer já o dia clareou. 

Por isso, nessas noites, peço a todos os santinhos que ninguém se lembre de me acordar logo cedo para tentar repor algumas energias.

Pois, pois. É a tal Lei de Murphy. Lei mais tinhosa não há. Quando dá para correr mal, são umas atrás de outras. Uma inclemência danada.

Só para verem como é, eu conto.

Na outra noite, estava eu a ver a manhã a chegar, toca o alarme. Uma sirene que nos ensurdece. 

(O meu marido segue o conselho do técnico de segurança que cá veio instalar o equipamento: de noite deixa o alarme parcial.)

Depois do susto inicial, o meu marido levantou-se e foi ver o que se passava. Avisei-o para não ir despido para, na central, não o verem naquele estado. Não quis saber. De qualquer forma, acho que na central só veem o que as câmaras captam no momento em que o alarme é accionado e não depois. Enfim, tomara...

(Por exemplo, no outro dia, no campo, o meu marido andava não sei bem por onde. Saí de casa para ir caminhar lá por baixo e accionei o alarme. Passado um bocado, ele, que não sabia que eu não estava em casa, ao entrar, fez aquilo disparar. Eu, a andar lá no meio das árvores, recebo uma chamada da central a perguntar-me se eu estava em casa, se sabia que tinha sido detectada uma intrusão e que as imagens mostravam um senhor alto, magro e calvo. Nem sei como não soltei uma gargalhada.) 

Bom, mas ontem lá foi ele ver o que se passava. Entretanto, recebi uma mensagem a dizer que o alarme tinha sido activado no sótão. Descansámos. Chamámos sótão na parametrização do sistema mas não é no sótão, é no 'espaço multi-usos' do piso de cima. E agora é aí que o cãobeludo tem resolvido dormir. Acho que, para ele, é um bom posto de comando. No verão, dorme encostado ao vidro da janela grande. No inverno, geralmente deita-se num assento que há entre dois pilares. Provavelmente, em vez de sair de fininho como habitualmente deve fazer, deve ter dado um salto em frente do sensor. E agora já não uiva. Nas primeiras vezes que o alarme disparou, punha-se de cabeça ao alto a uivar como se fosse um lobo, uma coisa muito louca.

Voltámos para a cama.

Passado um bocado, como viu que já não conseguia dormir, o meu marido levantou-se, tomou o pequeno-almoço e foi passear o urso.

Eu fiquei a tentar adormecer. E consegui. Mas foi por poucos minutos. 

Passado um bocado, um grande estrondo, não no piso de cima nem muito longe do quarto. Não consegui identificar mas foi um barulhão. E, acto contínuo, a sirene do alarme. 

Fiquei transida. Sozinha em casa... Liguei ao meu marido, aflita de todo. Disse-me que estava longe de casa mas que vinha já, que eu fosse de imediato para a rua.

Entretanto, chegou a mensagem a dizer que tinha sido no corredor dos quartos. Ainda mais assustada fiquei. A sirene tocava, tocava.

Enfiei um top de alças e umas calças e, descalça, cheia de medo fui para o jardim. Abri o portão para o caso de ter que fugir mas fiquei do lado de dentro. Ao sair, espreitei o dito corredor. Nada no chão. Não vi nada, ou seja, não era nada que tivesse caído. Ainda mais preocupada fiquei. 

Da central ligaram ao meu marido e disseram que não se tinha visto nada.

Devia ser para aí umas oito da manhã, um frio e uma humidade do caraças e eu ali, meia descascada, com os pés molhados, a gelar.

Quando o meu marido chegou, o dog fez uma festa por me ver ali. Saltou ao alto, rodopiou no ar, via-se que pensava que era uma recepção surpresa que eu tinha preparado para ele. 

Sujou-me o top todo, claro Vinha com as patas enlameadas e foi como essas mesmas patas que me cumprimentou.

O meu marido puxou por ele e avançou para dentro de casa: o verdadeiro binómio cinotécnico em acção. 

Estranhamente, o cão estava tranquilo, como se nada de anormal se passasse. Eu atrás, donzela assustada. com receio que dessem de caras com um perigoso fantasma.

Não se via nada de estranho.

Até que vi, no chão da cozinha, o galo holandês de ascendência portuguesa (que comprei, por mero acaso, num antiquário em Amsterdão). 

O dito é o de cima

Tinha-se despencado lá de cima, deve ter embatido no microondas, depois na bancada e, finalmente, no chão. Pode pensar-se que um galo não é tão barulhento assim. Mas este é. Este é de madeira maciça, um peso invulgar, um verdadeiro galo capão. 

O curioso é que a cozinha não fica no alinhamento do corredor dos quartos. Nem pouco mais ou menos. Deve ter sido o impacto que causou tal trepidação que fez accionar o alarme. Imaginem.

Menos mal.

Portanto, desvendado o mistério, ainda pensei que podia voltar para a cama. Mas já não valia a pena. Estava acordada demais. Fui para a banheira e tomei um banho bem quentinho para me aquecer as entranhas pois ainda devo ter estado uns vinte minutos ali a enregelar no jardim. 

E sobre o resto do dia logo conto numa outra vez.

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E a vossa atenção, por favor, para um pianista compositor com ano e meio, Gavriil Scherbenko


Um dia bom para todos, está bem?

Saúde. Alegria. Paz.

segunda-feira, outubro 23, 2023

Tendo o Bernard rumado a sul, aventurámo-nos e fomos dar ar à pluma. Mas coisa pouca.
Disto, hoje, salva-se uma casa muito interessante

 

Adaptámos o programa de festas às anunciadas façanhas do Bernard. Afinal o moço, pelo menos por aqui, não deu as caras. Não que o tempo estivesse de feição mas ventania e chuveiral, não.

Caminhámos por aqui mesmo, depois fiz uma bacalhauzada apenas para os dois e, mais para o fim da tarde, quando percebemos que o bom do Bernas tinha desandado para o Algarve, fomos comprar um livro que tinha despertado o interesse ao meu marido. Acabei por trazer também o Post-Scriptum do Jorge de Sena que está aqui ao meu lado e que vou abrindo de quando em quando. 

E demos uma caminhada por aqueles lados, pelo parque, tudo verdinho e lindo, o dog num excitex, a correr, a saltar, feliz da vida, tanto cheiro novo e bom.

E fomos dar um beijinho à parte da família que mora mais perto. Os pimentinhas todos crescidos e lindos. Estão na fase de espigar, espigar. Coisas mais fofas. 

Soube depois que, do outro lado, um deles está constipado. Talvez seja frio que apanhou. De resto, está é aquela altura do ano em que aparecem viroses, em que apanham frio. Tomara é que se ponho logo bom.

E depois, quando vínhamos, eu disse: 'Com um tempo destes, calhava bem era um bolo daqueles bonzões, nem sei se com um chocolate quente.'

Dito isto, logo me arrependi: tento manter-me bem comportada, não comer daquelas coisas que se alojam directamente nos pneus que encontram pelo caminho. Pensei que o meu marido iria ironizar: 'Isso faz parte da dieta?'

Mas não. Perguntou: 'Onde é que se arranja disso?'

E eu: 'Mas é porque também te apetece?'. É porque se fosse só para ser simpático, eu não aceitaria. Seria o pretexto de que precisava para esquecer as guloseimas. Mas afinal ele disse que, de facto, também estava in the mood.

Assim sendo, não quis que se privasse, não é? Portanto, dali fomos até uma Padaria Portuguesa. Infelizmente, àquela hora, a coisa já estava nos finalmentes. Nada de bolos radiosos a escorrer creme. Comi a última fatia de folhado com doce de ovo. O meu marido ficou-se por um scone. E, para beber, um simples sumo de maçã e tangerina. Mas soube bem.

Logicamente, para compensar, o jantarinho foi inho-inho, minimalistazinho.

E agora não tenho mais nada para contar. Estou a ver o The voice embora o meu marido, volta e meia, faça zapping. 

Gosto imenso da Sara Correia. Acho-a das mais extraordinárias vozes da actualidade, uma fadista de mão cheia. Nunca tive vontade de ouvir cantar o fado ao vivo mas estou com vontade de ir ouvi-la. É genuína, intensa, tem o fado a correr-lhe nas veias.

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E, por ora, nada me ocorrendo ou apetecendo dizer mais, passo ao tema que o Youtube anda a sugerir-me e que me tem trazido coisas bem interessantes. 

Inside The Art-Filled Home/Studio This Textile Designer Has Rented For 48 years

Pauline Caulfield’s home and studio has long been an artist’s haven. Before she and her ex-husband, the late painter and printmaker Patrick Caulfield, began renting their red-brick cottage in north London nearly 50 years ago, it belonged to, among others, the book illustrator Arthur Rackham, the abstract artist John Hoyland and the Pre-Raphaelite painter John William Waterhouse. It was already a place of creative legacy – and now it’s one that Pauline has become a part of. Much like her large-scale hand-printed wall hangings, Pauline’s interiors are full of pattern, personality and punchy tones aplenty – as we discover for our new episode of Seven Wonders.


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Desejo-vos uma boa semana a começar já por esta segunda-feira

Saúde. Esperança. Paz.

segunda-feira, outubro 02, 2023

Um domingo bom e dedicado a limpezas com uma tarde afável e feliz.

[E Joan Baez revela segredos, um dos quais bem pesado]

 

O que esta casa se suja, apesar de estar fechada, não dá para explicar. Tudo fechado, tudo, tudo bem fechadinho. Antes de sairmos, tudo limpinho. E chego lá, e não sei como, vejo teias de aranha nuns cantinhos, afasto os sofás e vejo pó ou, quando enfio a vassoura por debaixo dos móveis, constato que saem rolos de cotão. Posso fechar os olhos, fazer de conta que não vejo. Se estou cansada demais ou com pressa é isso que faço. Fica para a próxima, digo. Mas nunca saio sem limpar, pelo menos, a maior.

Hoje tinha tempo, foi a preceito, tapetes não apenas bem varridos mas bastamente sacudidos, sem esquecer de afastar tudo o que havia para afastar, tudo, tudo. Se há coisa de que gosto de fazer é isso. Parece que o ar depois fica mais limpo. Ou, então, é psicológico. Mas, seja o que for, é bom na mesma.

E, no entanto, há menos de quinze dias tinha deixado a casa limpa. 

Não sei se é por haver um cão em casa, se é por trazer paus que se entretém a roer como se fossem ossos, se é por trazer tojo seco agarrado ao pelo. Não sei. Creio que não pois quando saio a casa fica limpa. 

E, se eu estive dedicada aos interiores, o meu marido andou de volta das árvores. Depois de anos e anos a lutar por cada pé de árvore, agora estou outra. Percebi que quando há ajuntamento de pés, nenhuma árvore se desenvolve muito e há pés que ficam infelizes e esquálidos. Era minha ideia que a natureza era sagrada e que isso tinha que ser levado à letra. Mudei. Agora acho que devemos ajudá-la, fazendo a misericórdia de eliminar o que não está fadado a vingar. Leio-me ao escrever e sinto-me cruel. Mas não estou a falar do reino animal, apenas do vegetal.

Por isso, alguns aglomerados de pés de aroeiras e de azinheiras, justamente os que estão em frente das janelas da sala da televisão e da sala do lado, foram hoje aligeirados. Ele teve uma trabalheira a serrar aquilo tudo, a cortar aos bocados, a transportar ramagens e troncos.

Mas fica muito melhor, mais desafogado, uma visão mais ampla. Gosto muito mais. Quando me ouve a louvar a nova vista, o meu marido limita-se a dizer: 'Há anos... há anos que ando a querer fazer isto...'

Tenho constatado que, neste tipo de coisas, sou lenta, custo a perceber.

Deixo para fim uma mágoa, uma mágoa gigante. Estou quase certa que os esquilos debandaram. Aquela semana de máquinas a serrar ramos pelas árvores acima e de outras a desbastar mato devem tê-los assustado e muito. E, de facto, como não...? Eu tinha era esperança que, susto passado, regressassem. Mas, pelos vistos não.

O que fizemos tinha que ser feito e reconheço que há agora uma maior segurança (contra incêndios, por exemplo) e, apesar de tudo, não menos beleza. Mas afugentarmos os esquilos é daquelas que para sempre me ficará como uma grande pena. Voltei a deixar a banheira de quando os meninos eram bebés com água e à sombra. Mas não sei se, onde estão, os esquilos vão adivinhar que ali pus a água.

Tomara, tomara que sim. Vê-los, ou simplesmente sabê-los, nas árvores enchia-me de felicidade.

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Entretanto, de tarde, casa cheia. 

A alegria, o bom apetite de todos... e o que as crianças estão a crescer... Estão naquela idade em que espigam como feijões mágicos. 

O mais crescido já quase um homem, com a sua personalidade cada vez mais definida, já sem a mesma apetência pelas brincadeiras dos demais. Não tarda será ela. Também já mais esguia, coquette, meiga, toda ela decidida nos seus objectivos. Seguem-se os dois que estão ainda a espreitar de longe a adolescência, um com onze e outro com doze, brincalhões, amigos, com os mesmos interesses. E, depois, o mais novo, seis anos cheios de filosofia. Para um projecto na escola sugeriu como tema: 'Porque é que há seres humanos'. A professora chutou para canto, claro. Numa sala de 1º ano, como trabalhariam o tema durante todo um ano lectivo? Ele ficou decepcionado, bem entendido. Menino mais fofo (e mais terrivelzinho...)

Enfim, um encanto muito grande, um calorzinho bom no coração.

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Termino com um vídeo com uma pessoa de quem gosto bastante, Joan Baez. Não apenas fala da sua vida como faz uma revelação terrível. O que me espanta é como quem sofre abusos sexuais em criança consegue arrumar isso num canto da sua mente e fazer uma vida normal. Dir-se-ia que as vítimas ficariam com traumas tão avassaladores que não conseguiriam livrar-se dessa devastação. Mas conseguem. E, até por isso, temos que estar todos bem atentos a todos os mais ínfimos e subtis sinais pois, como se sabe, quer os abusadores quer as vítimas ocultam tudo bem ocultado.

Mas, para além disso, há a voz e a forma maviosa como Joan Baez interpreta o que canta.

Joan Baez, revealing secrets

In a new documentary, "Joan Baez I Am a Noise," which features the singer-activist's personal archive of home movies, letters and drawings, the Rock & Roll Hall of Famer opens up about her 60-year career and her life on the front lines of social change. Baez talks with correspondent Tracy Smith about the film and the surprising secrets she revealed; how Bob Dylan broke her heart; and how she expresses her less serious side.


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Desejo-vos uma semana feliz a começar já nesta segunda-feira

Saúde. Amor. Paz.

segunda-feira, agosto 28, 2023

Um domingo muito feliz
[E uma casa muito bonita e muito funcional, com belos objectos, e uns designers que transformam refugos em peças interessantes]

 

Se no sábado a casa estava meio cheia, este domingo chegou a metade restante. E, quando as duas metades se reúnem, a alegria imediatamente redobra. Aliás, qualquer deles fica numa impaciência enquanto os demais não chegam, como se estivessem num involuntário e infindável stand by.

E, portanto, mal se reuniram foi a festa do costume. 

Quando algumas pessoas se arreliam com o barulho que as crianças fazem e o atribuem a falta de educação penso que é porque não estão habituadas a verem, por dentro, a explosão de energia, de entusiasmo, a irreprimível vontade de falar, de rir, de brincar que acontece quando miúdos que se adoram estão juntos. Pode tentar-se que falem baixo e controlem a adrenalina e a alegria mas é escusado pois basta que um pregue uma partida para o outro reagir, para um outro ir ver o que se passa e tomar partido, para logo se envolverem em bulhas amigáveis ou risotas, retaliações, exclamações alto e bom som. E é isto em contínuo. 

Abrandam enquanto comem pois, felizmente, têm um apetite voraz e, quando se sentam, servem-se e focam-se na refeição. Abrandam também ao fim do dia quando lhes dá o sono. Tirando isso, é uma festa. 

Pode parecer ruído para quem está de fora. Mas, na realidade, é uma alegria e uma celebração do afecto e da partilha quando vistos por quem está por dentro.

Entretanto, eu andava à volta dos tachos desde que me tinha levantado, debatendo-me com a sua dimensão tentando ter a garantia de que, apesar de grandes, a confecção se opera a contento, quer nos sabores quer no tempo disponível.

Dia grande e feliz, pois.

É uma grande alegria vê-los juntos, todos sentindo que a casa e o lugar lhes pertence e que até parece que está impresso nos seus genes. Mesmo o mais novo está sempre a perguntar quando é que cá vem pois é aqui que mais gosta de estar. Creio que é o único que ainda não me perguntou o que é que acontecerá quando eu e o avô morrermos. Ainda só tem seis anos pelo que é natural que essa dúvida não lhe tenha ocorrido. Mas os restantes já mostraram a sua preocupação. Percebe-se que querem que este lugar especial permaneça na família mesmo depois de eu e o avô deixarmos de existir. 

Claro está que estou com sono (até porque, estupidamente, tive mais uma noite quase não dormida; toda a vida dormi o sono dos justos, como uma pedra; e, relaciono com a covid, parece que fiquei com o ciclo dos sonos alterados e, de vez em quando, tenho uma insónia total)... e só me ocorre é que ainda bem que esta segunda-feira já não é dia de trabalho para mim. 

O pior de tudo era quando chegava a domingo à noite a sentir que precisava de descansar e, no entanto, poucas horas depois já tinha que estar a levantar-me cedo, com despertador e, se a sorte não me estivesse benfazeja, até tinha logo uma malfadada reunião à primeira hora da manhã. Era o pior que me podia acontecer: uma reunião chata logo ao romper da manhã, numa segunda-feira. Um sofrimento para mim e um risco para os que tinham que me aturar... Felizmente, isso já era.

Na volta o Mujica tem mesmo razão: inteligente, inteligente era o mundo encontrar maneira de pormos os robots a trabalhar deixando para os humanos o descanso, o divertimento, a fruição da beleza, da arte, da boa vida. Isso é que era.

Mas enfim.

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O que tenho ainda a dizer é que o design, a inteligência funcional das coisas e das casas e o bom gosto são coisas a que sou muito sensível.

Acho estes dois vídeos são muito interessantes e, por isso, partilho-os convosco. Boas ideias são sempre bem vindas, não acham?

NTS: Wonderful Waste - How UK Designer Turns Waste into Stylish Furniture

Furniture/Interior/Product Designer Nina Tolstrup founded StudioMama in 2000 with partner Jack Mama, and over the past 20 years they’ve championed repurposing, repairing and upcycling with a playful and accessible approach to design. They’ve explored the potential for small footprint living in their 13m2 Cab office conversion, and the 40sqm London Townhouse, filling both with bursts of colour and upcycled furniture like their Re-Imagined chairs. Nina and Jack have created collections of animal sculpture from timber offcuts, chairs and lamps from pallets and even designed sustainable, transforming kitchen spaces for Ottolenghi.

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Inside an Art Lover's Eclectic European Interior Filled With Wonderful Objects | House Tour

Today we meet Joanna Delia inside her meticulously curated four-storey family home in Valletta, Malta. Joanna is obsessed with art, and her house is a fine-tuned reflection of who she is, and how she wants to spend her life in it.

The collaborative work of Joanna and a handful of European architects and designers, the interior and design of her house is “like a pencil” tall and thin, but full of character emanating from the eclectic selection of artworks she's collected, as well as the inspiring objects she’s acquired over the years. 

As we’ll explore each level of this project, prepare to be mesmerized by the fusion of aesthetics and functionality, as Joanna's keen eye for local art and design is evident in every corner, creating a harmonious space that reflects her passion for creativity. From the moment we enter the front door, we’re greeted by an impressive display of carefully selected artworks that set the tone for what lies ahead. 

Each floor boasts its own unique character and purpose, expertly tailored to suit the needs and interests of Joanna's family. Marvel at the art-filled bedrooms, thoughtfully designed to provide a serene retreat for relaxation and creativity. Throughout the tour, Joanna shares her inspirations, design beliefs, and favorite art pieces, providing invaluable insights for art enthusiasts and home décor aficionados alike.

Whether you're seeking ideas for small space living or simply appreciate the beauty of a well-curated home, this episode promises to ignite your imagination and leave you feeling inspired. 
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Desejo-vos uma boa semana a começar já nesta segunda-feira

Saúde. Harmonia e afecto. Paz.

quarta-feira, agosto 09, 2023

Eduardo Antonio Trevino, o novo Joselito...?

 

Quando eu era pequena, tenho ideia que bem pequena, era costume ir,  creio que ao domingo, com os meus pais, à matinée. Era todo um programa. Se a minha memória não está a retocar as recordações, diria que vestia os melhores vestidos, calçava os melhores sapatos e o cabelo era cuidadosamente penteado, talvez com um laço no que era apanhado em cima ou talvez com tranças. No que respeita a sapatos, eu tinha predilecção por sapatos encarnados e ainda me lembro de andar de sapataria em sapataria a prová-los.

Encontrava lá amigos da escola e os meus pais encontravam também os seus. Portanto, mais do que uma simples ida ao cinema, era um momento de convívio.

Tenho também ideia, mas como posso garantir que seja verdade?, que aproveitávamos para visitar os meus avós, almoçando ou jantando lá. A minha avó paterna era muito boa de tempero e ainda recordo as suculentas canjas com galinhas da capoeira deles. Levava hortelã pelo que o perfume era excelente. Tinha sempre miudezas e ovinhos que eu adorava. Fazia também iscas com batatas fritas estaladiças e eu também adorava, nomeadamente molhando o pão no molho espesso e saboroso.

Para sobremesa, fazia frequentemente arroz doce com desenhos de canela em cima. Eu deliciava-me com aqueles almoços e jantares.

No cinema, tenho ideia que passava de tudo e ainda me lembro de ver um Rasputine que recordo entre o fascinante e o tenebroso, eu miúda, miúda, a ver um filme que não devia ser minimamente para a minha idade.

Mas o que recordo que seria mais reincidente seriam os filmes com a Marisol ou com o Joselito. Pelo menos foi o que retive. Cantavam bem. Preferia a Marisol porque me identificava mais com ela. Ou melhor, talvez quisesse ser um pouco como ela. Mas Joselito, o rapazinho miúdo que cantava com uma voz afinada e cheia de salero, também tinha a sua graça.

Lembrei-me dele ao ver este rapazinho simpático e afinado que cantou no America's Got Talent. Ora vejam.

Early Release: 11-year-old Eduardo Antonio Trevino impresses the judges! 

| Auditions | AGT 2023


Joselito, el pastor


Um dia feliz
Saúde. Boas memórias. Paz.