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quinta-feira, setembro 14, 2017

Uma toca música com colheres e outra sinos com os pés.
(Se, com coisas destas, eu ia perder tempo com os tais das campanhas negras que aparecem sempre que há eleições? Ia, ia... )



Pois muito bem, sim senhor. 
Sim senhor e sim senhora que aqui somos todos pela igualdade de géneros.
Igualdade ou identidade? A esta hora já não vou lá pelo sentido, é mesmo só na base da oralidade. E agora não sei. Mesmo. Acaba em 'dade' mas não sei se devia dizer igualdade ou identidade. Também não interessa. Que o que interessa é que. 
As coisas estão animadas lá para as minhas bandas. Quero dizer, numa das minhas bandas. Que, na verdade, num dos meus poisos, tudo meio paradão, em compasso de espera. Estamos naquele limbo que antecede os momentos decisivos de vai ou racha e, se for, tudo muda e, se não for, tudo terá que mudar mas no sentido oposto. Portanto, aquele silêncio pesado que antecede as tempestades. No outro poiso, uma guerra. Um dizia-me: 'A ferro e fogo'. Outra dizia: 'Isto assim não se aguenta muito tempo'. Outra desesperava: 'Mas por quanto tempo aquele senhor ali vai continuar a fazer das dele?'. E eu: 'Calma. É peciso inteligência. Tudo menos precipitação'.


Porque tenho dois poisos, duas ocupações. Ontem, ia a sair a pé da garagem, um colega, no carro, a entrar. Abriu o vidro, cumprimentou: 'Ora viva quem agora tem dois ordenados!' Informei-o: 'Pois queira saber que é a primeira pessoa que se lembrou disso. Todos os outros acham que posso trabalhar a dobrar recebendo apenas um único ordenado'. Riu-se e provocou. Mas a provocação dele não posso eu escrevê-la aqui. Desiludi-o: 'Pois saiba que nem isso'.

Acho que tenho que falar com a santa padroeira do sindicato dos enfermeiros para ver se marco aí uma greve a reivindicar uma carreira e mais uns quantos leros para ver se abano a credibilidade da geringonça, que, francamente, só com a geringonça é que uma pouca-vergonha destas poderia acontecer. Se fosse noutra era, arregimentava-me no sindicato dos maquinistas. Agora é no dos enfermeiros.

Mas isto para dizer que se eu fosse esquizofrénica a coisa talvez fluisse ainda melhor. Duas ocupações, preocupações antagónicas, ritmos e equipas diferentes. Mas, enfim, não me queixo. Não corre mal. Não há monotonia.


A política é que anda monótona. Para o peditório das campanhas negras eu não dou mais, não. Os gentinhos escolados da jota, acabadinhos de receber lições de sumidades tais que nem a galinha rangélica ou a múmia cavaca, são useiros e vezeiros em perfis falsos, denúncias anónimas e outras babaquices e, consoante quem se apresenta a votos, assim eles escolhem os alvos. Agora é o Medina. Mas acho que a última coisa a fazer é dar palco a esses trampolineiros. Portanto, adiante que se faz tarde.

E só me apetece é falar de perfumes, fragrâncias, aldeídos, jasmim, bergamota. No outro dia, o H. falava-me no musgo de cedro, raríssimo. Coisas assim. Disso eu gosto. Ou músicas. Musiquinhas boas. Balanceamentos, mão dadas, conversinhas soltas e enleantes.

(E, com isto, adormeci. Mas adormeci para valer. Que coisa, isto.)


E, se, à partida, tinha alguma em mente, à chegada é que não tenho de certezinha absoluta. Só sei é que, há pouco, quando algum saudável propósito me animava, vi dois vídeos que reservei para sobre eles construir uma prosa. Agora que a mente abandonou a corpo, indo dormir e deixando-o a escrever sozinho, para aqui estão, despropositados.


Angels in heaven - Chris Rodrigues e a Spoon Lady



A complexa dança do tocadores de sinos do Alasca


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E amanhã logo mostro a Juju. Era para ser hoje mas distraí-me e agora acho que aqui já não cabe. Mas agradeço à querida MP e ao simpático P. a sua descoberta. 

As fotografias que plantei ali em cima são de Richard Avedon.

E o melhor é descerem até ao post abaixo em que se fala de 'palavras que fazem mal'.  Ao menos é capaz de ter uma linha de rumo já que este me quer cá a mim parecer que não tem.

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quinta-feira, agosto 31, 2017

Cavaco Silva, o não-político, foi dar uma aula aos Jotas.
Se eles são bons alunos, devem ter aprendido a ser ressabiados, mal encarados, invejosos e pacóvios.



Ia a caminho de um lugar muito bonito quando na rádio nos pareceu ouvir uma voz vinda do além. Eu disse: 'Mas o que é isto? A múmia...?'. O meu marido esticou o braço para lhe calar o pio mas interceptei-o: 'Deixa ver o que é isto'. Enfadado, cedeu.

Compreendam-me: parecendo que não, estou de férias. Quase não se vê televisão e, quando se vê, é só o que a TDT nos oferece. Como não é grande coisa, desligamos. De carro, também andamos menos e, quando andamos, vamos a ouvir música. Por isso, não estamos muito a par das notícias de Boliqueime nem de como o casal Mariani ocupa o seu tempo. E, se formos pelas probabilidades, também não conseguiríamos lá chegar. De facto, quem iria pensar que, para instruir neófitos da política, alguém se lembraria de ir buscar um pretenso não-político? Na verdade, um ser que é um pretenso não-ser.  Ele não só pretende fazer-se passar por não-político, como também por um não-peso-morto, por um não-causador de um desastre civilizacional e cultural em Portugal, por um não-oportunista.

Mas permitam que repesque a ideia que me ficou da intervenção política da criatura ao longo do tempo em que andou na política -- tempo demais, diga-se.

Depois de anos como Primeiro-Ministro a passar o país a patacos, fechando fábricas, colocando campos em set aside, acabando com parte da frota pesqueira e de ter levado para a ribalta toda a espécie de chico-espertos, de oportunistas e de gente pouco recomendável, saíu de mal com o país, à dentada ao bolo-rei, boca cheia, mal disposto com a falta de apreço que os portugueses mostravam por ele -- e remeteu-se ao ressabiamento à porta fechada. 

Entretanto, fez uns investimentos financeiros que lhe correram especialmente bem, depois viu grandes amigos e ex-colaboradores metidos em sarilhos judiciais e, ao que parece, saíu da Mariani, tendo-se mudado para a Coelha. Acontece que o espírito Mariani não saíu dele. 


E quando pensávamos que nos tínhamos visto livres da criatura, eis que, qual pesadelo, a assombração voltou às nossas vidas, desta vez sob a forma de Presidente da República.
Contudo, não foi à força para lá. Volta e meia, por falta de alternativas inspiradoras ou porque os votantes são crentes e ainda acreditam na regeneração de casos perdidos, acontecem fenómenos desconcertantes. Foi lá parar com os votos de parte da população. Mas se para a primeira vez ainda pode haver explicação, já para a segunda a coisa foi mais estranha. A verdade é que foi reeleito e por lá continuou a arrastar-se sem fazer nada. 
Um presidente inexistente que os portugueses dispensavam de boa vontade. Um presidente que, perante a pobreza crescente dos portugueses, se pôs a lamuriar com o que ganhava dizendo que nem lhe dava para as despesas. Ele que vivia uma vida regalada, ele de quem se sabia o que tinha ganho com as famosas acções recomendadas pelos tais amigos, ele que tinha optado por receber a alta reforma, não se sujeitando ao ordenado de Presidente.


Mas não foi só isso. Não é verdade que não tenha feito nada. Eu deveria ter dito: nada de útil. É que, aos poucos, Cavaco foi derrapando para aquilo que é a sua ideologia e esquecendo-se de que era suposto ser o presidente de todos os portugueses. Tornou-se líder de facção. Não descansou enquanto não fez a vida negra a Sócrates, abrindo as portas, de par em par, ao seu bem amado Passos Coelho que vinha de braço dado com o espertalhão Paulo Portas. 



Não sei o que viu Cavaco em Passos Coelho. Um instrumento? Um pau-mandado? Um abre-portas? Nunca percebi bem. Sendo um economista teórico, a Cavaco não podia passar despercebido o nível de ignorância e incompetência do láparo. Sendo professor, a tendência para o corrigir e reprovar devia ser constante. 


Portanto, como foi possível que o tivesse protegido ao longo de quatro anos, vendo que a realidade tirava todos os meses o tapete à ideologia que ambos defendiam e praticavam? Como conseguiu conviver com as burrices que aquele governo cometeu, uma atrás da outra? Como suportou a tendência radical de Passos para fazer o gosto ao Schäuble, mesmo que isso implicasse depauperar o País e desgraçar a vida de muitos portugueses? Como aguentou as inconstitucionalidades que Passos Coelho e Portas tentaram fazer passar vezes sem conta? 

Não sei. Mas aguentou. Por mais dislates que fizessem, por maior que fosse a miséria para o qual o País ia sendo arrastado, ali estava Cavaco a passar a mão pelo pêlo aos pafiosos, a pôr-lhes a mão por baixo, a desculpá-los, a apoiá-los.


E mesmo agora que vê que um governo com uma ideologia oposta à que ele e os seus pupilos praticaram vem apresentando melhores resultados, mesmo agora ele continua aos coices na realidade, defendendo uma receita que não resultou, que ninguém quer, que provou ser um desastre.

Até que neste fim de Agosto, Cavaco se apresenta em Castelo de Vide para instruir os Jotas.


E é com uma total ausência de sentido de Estado e de nobreza de carácter (que sempre revelou não ter) que o faz: desenterra as suas velhas raivas, espuma azedumes, deixa deselegantes indirectas portando-se como um vulgar praticante de má-língua que não poupa até o actual Presidente em exercício e, imagine-se, cola-se ao novo presidente francês.


E a forma como falou...? Uma vergonha. Políticos que nem piam ou quando piam, piam baixinho? É esse linguajar que Cavaco tem para ensinar aos jovens do seu partido? E foi este professor que a actual direcção do partido achou que os jotas deveriam ter? Ok. Vou ali e já venho. Depois como é que alguém ainda pode admirar-se com o baixo calibre dos Hugos Soares desta vida? Que é que se pode esperar do PSD com a escola que têm?


Mas com aquela fixação dele no Macron é que eu fiquei ainda mais espantada. Ainda Macron mal aqueceu o lugar e ainda anda a ver a quantas se há-de mexer e já está o Aníbal a comparar-se-lhe...? Uma saloice que revela aquilo que acima referi: o espírito Mariani continua a habitá-lo.


Será que quando vê Macron com a Brigitte ele se revê? Será que olha e vê-se a si próprio com a sua Cavaca? Iguais, tal e qual?

Macron, o anti-Marcelo, Macron, o gémeo separado à nascença dele, Cavaco. Será isso que ele vê? Macron, tal como ele, também anti-jornalistas. Iguaizinhos? E será que também imagina Macron a dar cobertura a inventonas? A mandar um assessor para o sótão... também? 


Enfim. Do pior que a política pós 25 de Abril pariu.

Só se espera que agora que já fez esta má acção e que já piou como uma ave de mau agouro, Cavaco volte à sua condição de múmia. Ámen.

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As imagens que como tal estão identificadas provêm, como é bom de ver, do saudoso We Have Kaos in the Garden.

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E agora apresento o que teria sido uma alternativa mais ajuizada para ensinar os Jotas. Vai na mesma linha do Cavaco, aquele que diz que não é o que é e que, às tantas, já nem sabe o que  é.

Mas, enfim, quiseram o Cavaco, já nada a fazer para este ano. Contudo, caso queiram persistir na mesma linha curricular mas não estejam para presenciar a bílis do marido da D. Maria Cavaca, aqui fica a sugestão: passem o vídeo que aqui partilho.

Monty Python - Apelo à saude mental e em nome da conservação natural



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E agora, caso queiram lavar a vista e purificar a alma, queiram fazer o favor de descer até ao post seguinte onde se fala de matéria de qualidade e bom gosto. Branding em bom.

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terça-feira, maio 24, 2016

Paulo Rangel - ou o deputado europeu do PSD que, digo eu, precisa que alguém lhe ensine algumas coisitas
( boas maneiras, por exemplo... não?)

[Mas, pergunto-me eu: o que é que se pode esperar de um partido que faz cartazes como este da JSD
“Isto Stalin(do), está!”...?

A ignorância e a estupidez, quando andam de mãos dadas e à solta, só podem dar nisto
]

É caso para perguntar se estaremos mesmo Rockin in The Free World - mas, enfim, deixo isso para a União das Tribos


Oh Caro Leitor que me enviou este vídeo... isso faz-se...? Não digo eu que ninguém me poupa? Senhores. Chega uma pessoa a casa com a cabeça feita em água, que isto são umas atrás de outras, e, abrindo a caixa do correio, dá com uma destas... Ai, que mal fiz eu para merecer tamanho castigo...?

Começo a ver o vídeo e nem estava a perceber, estava atenta à intervenção da senhora, à espera de ver, a seguir, o Rangelito a ter uma das suas exorbitantes intervenções. Eis senão quando vejo a criatura, a mal-comportada criatura, quase qual macaquinho encarrapitado no ombro da senhora, a fazer coisas parvas. 

Não sei se é porcalhão, se aquilo será um tique incómodo para quem vê, se quê. O que sei é que não quero um deputado português a fazer figuras destas. Que horror.

Não haverá por lá quem marque faltas de mau comportamento? Acho que devia haver porque uma destas deveria ser castigada. Que porquinha nos saíu a histérica criaturinha, credo.

Bogeyman in European Parliament


Portuguese MEP Paolo Rangel has a good ol' rummage.




Isto é muito mau.
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De qualquer forma, o seu chefe, o láparo de Massamá, também conhecido como o Tuga-Trump, deve apreciar o género porque, por mais que o rangélico petiz faça, continua a mantê-lo em posição de destaque.


passos coelho trump

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E vejam bem a mais recente aberração parida pelas mentes perturbadas da seita dos láparos cor de laranja.


“Da mesma forma que Estaline se considerava o único interpretador correto do verdadeiro comunismo, parece-nos que estamos perante um caso em que Mário Nogueira e o Partido Comunista Português, com o senhor ministro da Educação e o Partido Socialista a dizerem ámen, julgam-se os únicos iluminados naquilo que diz respeito às políticas de educação em Portugal”, justifica ao Expresso Cristóvão Simão Ribeiro, líder da JSD. 


Este cartaz, e a mensagem do mesmo, poderão num futuro próximo saltar das redes sociais para outras plataformas: “Utilizando uma linguagem que a esquerda bem gosta, a nossa luta não pára por aqui. Mais formas de combate político virão”. (Diz a mesma inteligente criatura: Aqui)


Ou seja, eles aí estão. Quando o desatino toma tonta das desmioladas cabeças do PSD/JSD, avançam as campanhas negras, as redes sociais com perfis aldrabados, os cartazes arruaceiros. Poder-se-ia pensar que é gente que se mete nos copos ou que inala coisas que não deve porque gente na plena posse das suas capacidades não consegue fazer tanta porcaria. Mas acho que nem deve ser isso: cá para mim, e do que tenho observado ao longo dos tempos, isto tudo é coisa de gente desqualificada, pouco abonada do ponto de vista intelectual. Não falo em ética neste contexto porque isso já é coisa elaborada demais para esta gentinha.

Isto é mesmo muito mau.
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Com tanta mediocridade, tanto jota-vale-tudo, tanto láparo-capacho, tanto cherne-concièrge, tanta gente caladinha quanto a essa coisa que, por entre os pingos da chuva vai andando (a TIPP), tantos burocratas a gerir o destino das nações, tantos agentes dos mercados a decidir o futuro do mundo, tanto idiota, tanto trump, não admira que o país esteja a caminhar como está, na europa a soberania e a democracia pelas ruas da amargura, nos States o pesadelo que pode estar a chegar, uma desregulação pegada.

Mas, enfim, poderemos sempre dizer que estamos

Rockin in The Free World


(Um grande som pela União das Tribos, uma banda formada por músicos conhecidos de grandes bandas portuguesas. 


Um grande som e um grande vídeo. Não deixem de ver porque é mesmo muito bom)




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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa terça-feira.
Sejam felizes, apesar de tudo.

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quinta-feira, janeiro 30, 2014

A mãe do Hugo Soares que me desculpe mas quando os putos só fazem burrice da grossa e não atinam de maneira nenhuma, acho que uns calduços são muito bem aplicados. "Todos os direitos das pessoas podem ser referendados", ó Hugo...? Tens bem a certeza disso ou não sabes o que são direitos? Ou não sabes o que são pessoas? Ou não sabes o que é um referendo? Ou não sabes o que dizes, ó Hugo Alexandre?


Que não me interpretem mal: sou contra a violência. Mas há coisas que não são violência, são pedagogia. 

Por exemplo: se a miudagem anda por aqui à minha volta, desatinada, a fazer disparates sem parar e não obedecem quando se lhes diz que parem de tentar destruir a casa, só me parece que haja um remédio santo: uma palmada bem aplicada.

Claro que, sendo pequeninos, bastará um ameaço de palmada ou, se forem mais crescidotes, uma palmada no rabo, coisa simbólica, aplicada com cara de caso. Resulta.

Estou a dizer isto e a lembrar-me que, quando o meu filho era já espigadote e, depois de ter chegado a cinturão azul do karaté, se passou para o judo, quando eu queria acertar-lhe, ele defendia-se de uma maneira enervante. Eu a querer dar-lhe um estalo e ele a aplicar todas aquelas técnicas de defesa. Impossível atingi-lo. O esforço para eu não me desatar a rir do ridículo da minha situação, nem vocês imaginam. Para ver se conseguia, acabava a dar-lhe ordem para parar de se defender, mas aquilo já estava entranhado nele, mal eu avançava com a mão, o braço dele automaticamente aparecia a travar o meu. Umas cegadas. Enfim. (Um conselho a mães de crianças pequenas: se puserem os vossos filhos nessas artes marciais, vão também aprender porque senão acontece-vos isto). Adiante. Saíu educado, respeitador, um menino lindo. (E vai ficar fulo comigo por eu estar aqui a falar dele...)

Volto a outro que já não me parece que vá lá de outra forma. Claro que com ele não bastará um ameaço nem um tautau no rabo. Acho que terá que ser mesmo um calduço. Será que lá entre os jotas não há praxes? Já não vão a tempo?

Vá lá meus: todos a darem calduços nele!

O Hugo Alexandre a cantar e a dançar o vira


Talvez fosse uma boa praxar o Hugo Alexandre, não vos parece? Bora referendar isso?

Ou então, para não banalizarmos isto dos referendos, posso daqui lançar um apelo? Não poderá algum dos colegas da jota ou algum dos séniores, quando ele estiver sentado na bancada na Assembleia, dar-lhe um bem dado? Digo isto porque ele é grande e não deve ser fácil apanhá-lo a jeito. Assim, sentado, já me parece mais fácil.

Querendo, alguém também lhe poderá dar uma belinha naquela testa a ver se ele acorda para a vida, pelo menos para a vida a sério (fora do laboratório infecto dos jotas). A Senhora Dona Teresa das Écharpes não se importa de lhe aplicar uma belinha com toda a força naquela testa?

Ontem um Leitor dizia que, sendo um burro um animal tão inteligente, ficamos sem saber o que chamar às pessoas que não são inteligentes. Pois, também não sei. Pedaço de asno? Cavalgadura? Não sei.


Nota: Eu sei que ele já não é bem um puto, pelo menos de tamanho, eu sei que não. Mas é jovem, certo? É jovem (jsd) e não tem tino nem experiência de vida nem coisa nenhuma. Se seguirem o link ali em cima verão de que é que a casa gasta. Uma indigência.

Pois bem: do jota Hugo Alexandre, estranhamente um deputado da Nação a quem, de cada vez que abre a boca, só lhe sai matéria fora do prazo e fora de especificação, saíu já esta semana, num debate televisivo com Isabel Moreira (que ficou pregada ao tecto, tal o espanto) a pérola citada em epígrafe, que todos os direitos das pessoas são referendáveis. A gente ouve e nem acredita. 


E eu, no meio disto, só penso: mas porque raio de carga de água ando eu a pagar o ordenado a um coiso destes? Ando eu a trabalhar para me roubarem grande parte do fruto do meu trabalho para depois se andar a pagar a anedotas destas? Caraças. 

sábado, janeiro 18, 2014

Hugo Soares, Teresa Leal Coelho, Teresa Caeiro, Miguel Frasquilho e vários outros deputados que tiveram uma actuação miserável na votação do referendo relativo à adopção e coadopção por casais homossexuais: tudo farinha do mesmo saco. O primeiro será um pobre coitado, sem mundo, sem um pensamento naquela cabeça mas os outros negaram a sua própria consciência e a sua dignidade de cidadãos livres em nome de uma mesquinha e miserável disciplina de voto. Um dia triste para os portugueses: ficámos a saber que a maioria dos deputados deste país não é gente honorável em quem se possa confiar pois até a sua própria consciência espezinham. Um dia triste também para Fabíola Cardoso.


Não é por Teresa Leal Coelho se ter demitido de vice-presidente do seu grupo parlamentar ou por alguns outros terem feito declarações de voto que marcam alguma diferença face ao abandalhamento que revelou ser a ala que apoia a coligação (des)governamental. 


O que é isso? Que importância tem o gesto póstumo de explicar porque fizeram o que fizeram? Nenhum.


Deixaram, isso sim, que um garotelho qualquer, uma criatura que não tem decência cívica, um tal Hugo Soares, conseguisse fazer o Parlamento escrever um dia negro na sua história - e alinharam com isso.


Na prática, calaram a sua consciência sobre um tema tão do foro da consciência pessoal, deixaram-se instrumentalizar, marimbaram-se para a vida de todas as pessoas envolvidas em situações como as que são objecto do projecto de lei, nomeadamente as crianças, anularam-se a troco de ficarem bem junto das instâncias partidárias. 

Todo este episódio é miserável. Envergonha quem nele participou. 

Se estes deputados estão mesmo contra este acto miserável - este referendo tirado da cartola, uma verdadeira golpada de que Relvas não desdenharia, a baixa política em todo o seu esplendor - deveriam ter-se deixado estar na bancada e, na hora de votar contra, deveriam ter-se levantado e votado contra. O povo paga-lhes para se portarem de forma digna. 

O povo não paga a traidores e é o que eles mostraram ser. Trairam o eleitorado mas pior, muito pior que isso, trairam a sua própria consciência. Quem não consegue respeitar-se a si próprio não é digno de outra coisa que não desprezo.

Miserável foi, de resto, toda a forma como o PSD se portou ao longo deste processo, culminando com o não dar liberdade de voto numa matéria tão sensível como esta. Miserável. Atitude miserável a dos que gizaram tudo isto e atitude miserável a dos que aceitaram alinhar com esta atitude tão canalha. Se um deputado não pode agir e votar em consciência então está na Assembleia da República a fazer o quê?

A lei da coadopção - que foi, portanto, travada com a chico-espertice dos rapazolas da JSD e com a cumplicidade cobarde dos que votaram a favor, se abstiveram ou se ausentaram na altura da votação - já deveria ter sido aprovada e já deveria estar a ser posta em prática. 

Para se perceber o que está em causa com a pretendida lei da coadopção, leia-se a carta de uma mulher que pede que a aprovem:

UM  DESABAFO 

Chamo-me Fabíola Cardoso, tenho 41 anos, sou professora em Santarém e mãe de duas crianças com 9 e 11 anos de idade.


Estas duas crianças são fruto de uma relação lésbica e têm crescido na realidade de uma família que em tudo as cuida, que sempre soube provir a todas as suas necessidades mas que não é reconhecida pelo Estado Português.

Estas duas crianças têm como figuras parentais duas mulheres, a quem chamam mãe, ainda que nos seus documentos apenas conste o meu nome. Foi-me diagnosticado, em Julho deste ano, um carcinoma invasivo da mama. Na sequência desse diagnóstico fiz uma mastectomia no Hospital Distrital de Santarém e encontro-me neste momento a fazer quimioterapia, da qual já resultou a necessidade de um segundo internamento hospitalar.

UM  LAMENTO 
Foi a situação da minha doença que alterou profundamente a minha visão da situação dos meus filhos e me leva a escrever-vos hoje esta missiva. Fomos até agora, as duas, capazes de zelar sempre pela segurança e o bem estar dos nossos filhos, mas esta situação de doença veio abalar significativamente a aparente estabilidade e firmeza. Que aconteceria aos meus filhos se eu tivesse morrido na mesa de operações? Conseguiria a sua outra mãe a tutela? Seria correto, face a essa situação, sujeitar as crianças a um processo legal deste tipo? Que enquadramento legislativo teria um juiz para decidir a favor das crianças e da manutenção da sua família real? Ou poderá alguém de bom senso e bom coração afirmar que será melhor para estas crianças serem entregues a um familiar ou até a alguma instituição??!! Estive uma semana internada, devido a uma complicação causada pela quimioterapia. Como pode a outra mãe destas crianças justificar perante a sua entidade patronal a necessidade de faltar para as apoiar se, legalmente, não lhes é nada?? Porque teremos nós, uma família que cumpre todos os seus deveres, de não poder beneficiar numa situação de infortúnio dos diretos que assistem às outras famílias?? Ficamos na dependência das simpatias, das disponibilidades de cada um. Lamento profundamente que, devido à situação legal existente no nosso país, eu tenha muitos mais motivos de preocupação do que aqueles que deveria ter neste momento e que as minhas crianças estejam numa posição de fragilidade que não deveriam estar.
E  UM  PEDIDO 
Venho pedir-vos a decência de aprovarem a Lei da Co-adoção, não porque a considero excelente, excelente seria simplesmente todas as crianças deste país terem uma família feliz onde crescer em segurança, mas porque nenhuma família deveria ter de passar pela situação que a nossa está a passar. Gostaria que, independentemente da cor do símbolo político que usam na lapela, pensassem honestamente nesta situação e se tentassem colocar, não no meu lugar, nem no da outra mãe, mas sim no lugar dos meus filhos. São eles os principais desprotegidos neste cenário e são-nos porque o Estado Português se sente na legitimidade de ilegitimar a sua família. Desejo o dia em que ninguém tenha de passar pelo acréscimo de sofrimento e insegurança em que a situação atual nos coloca. Nesse dia Portugal será um pais mais justo e mais democrático.
Está nas vossas mãos. 
Obrigada, Fabíola Cardoso

*

Face a este pedido tão vindo das entranhas, a resposta do PSD e do CDS foi o que se sabe. 
Na prática riem-se na cara de quem os elegeu, riem-se na cara de quem ainda espera alguma coisa deles. 





Shame on you, Miguel Frasquilho, Teresa Leal Caeiro, Teresa Caeiro e outros, shame, shame on you.


*

A primeira imagem provém, como é visível, do blogue We Have Kaos in the Garden. as restantes foram obtidas na net sem que tenha conseguido descobrir a sua proveniência original.

*


Declaração de interesses: Sou mãe de família de uma família dita normal, não tenho nenhum nenhum caso de homossexualidade (pelo menos declarada) na minha família mais chegada ou no meu núcleo de amigos mais próximos. Não me orgulho nem deixo de me orgulhar por isso da mesma forma que não me orgulho ou deixo de orgulhar por uns serem louros e outros morenos. Mas uma coisa é certa: não é o eu não ter casos no meu núcleo mais próximo que me impede de achar que qualquer pessoa tem direito a viver em felicidade a sua vida de acordo com as suas orientações sexuais - e deve vivê-la no pleno usufruto de todos os direitos, os quais devem ser independentes de orientações sexuais. Por maioria de razão, todas as crianças devem poder viver protegidas e felizes independentemente da orientação sexual dos seus pais, sejam eles biológicos ou não. E tenho a maior dificuldade em perceber quem ache o contrário disto.


quinta-feira, junho 20, 2013

Hugo Soares, deputado do PSD, presidente da JSD, quer saber quanto custam os sindicatos dos professores. Intrigada com a insolência do requerimento fui saber quem é o valentão. Ora bem: cá temos mais um gaiato de 30 anos. Experiência profissional, experiência de vida...? Fraquinhas, fraquinhas... Eu não vos disse já mil vezes que no PSD os escolhem a dedo? Quanto mais fraquinhos, mais trepam. (Não me admiro nada: eu se quisesse ter um bando de paus mandados a assinarem de cruz tudo o que eu dissesse também os escolhia assim) /// E, já que a conversa derrapou de novo para a mediocridade, fui buscar outra vez a Rosa Oliveira para que, por aqui, deite a sua Cinza (*) /// E, porque soube agora que morreu James Gandolfini, o Tony Soprano, a minha despedida a um homem cheio de vida



Ora aqui está ele, Hugo Alexandre Soares, o catraio (bem nutrido)
que quer saber se há-de mandar acabar com os sindicatos ou não
- para já só está a pensar nos sindicatos dos professores mas depois logo se verá o que vem a seguir



Retiro do site da Assembleia da República informação sobre a vasta e suculenta biografia do catraio Hugo Alexandre:

Em 2005, aos 22 anos, o Hugo Alexandre foi para Deputado Municipal na Assembleia Municipal de Braga onde esteve até 2009. Nessa altura foi Vereador na Câmara Municipal de Braga em regime de substituição (ou seja, não sabemos se exerceu ou não, ou se isto consta do seu CV apenas para encher). Mas uma coisa é certa: o jeito que dá ser da JSD - mal lhes caem os dentes de leite já estão em deputados e vereadores disto e daquilo...


Enquanto isso, a partir de 2007, altura em que dá ideia que acabou o curso de advogado, e até 2009, foi formador em duas empresas, a Weform, empresa que não tem site, e da qual consegui perceber, salvo erro nas páginas amarelas, que dá formação em Cursos de Práticas Administrativas, Práticas Técnico-Comercias, e a Ldn - Formação Profissional, onde se ministram cursos financiados.

Entre 2010 e 2011, fruto certamente da bruta experiência que, entretanto tinha adquirido, foi para Consultor Jurídico na Associação Empresarial de Portugal  (programa Empreender no Feminino). Fazer o quê não se sabe pois entrei no site e não consegui perceber qual a intervenção da AEP no dito o programa para além de o divulgar, pelo que não se sabe que consultoria lá teria ele feito. Uma avençazita que lhe deu muito jeito, provavelmente.


Hugo Alexandre,
sabendo certamente muito da vida e da história política, económica e social do país,
não hesita em cagar sentenças como a que acima se vê
 (e vocês desculpem lá o léxico mas é que não dá para a gente manter a compostura perante anedotas destas:
é que uma coisa é ser alguém com tino e conhecimentos a fazer avaliações comparadas
e outra, bem diferente, é ser um jota qualquer desta vida a dar-se ao desplante de o fazer)


E daí, com 28 anos, ei-lo a saltar para representante do Povo, passando a ser Deputado na Assembleia da República na ilustre bancada do PSD (where else?). 



Ó pr'a ele, o Hugo Alexandre, tão importante, já deputado!, rico menino

Já deputado, com 29 anos, foi eleito Presidente da JSD. Vêmo-lo nas fotografias desse inesquecível dia, babado, ao lado desse outro grande estadista que dá pelo nome de Pedro Passos Coelho.


Pois bem, é este puto agora com 30 anos e que por aí tem andado, beneficiando da sua condição de Jota, que hoje resolveu encabeçar um grupo de deputados que mostraram uma vez mais qual a sua cepa.



Vocês desculpem... mas digam-me lá se este Hugo Alexandre
não tem um je ne sais quoi que faz lembrar o Tino de Rans?


Transcrevo parte de uma notícia: num requerimento dirigido ao ministério da Educação e Ciência, hoje entregue no Parlamento, o deputado do PSD Hugo Soares perguntou "quantos sindicatos existem no sector da Educação", qual o "valor transferido para os sindicatos durante o ano de 2012 e orçamentado para 2013" e como são discriminados os gastos.


O deputado justificou a oportunidade da pergunta face aos "acontecimentos recentes que impossibilitaram milhares de jovens de realizarem os seus exames nacionais", referindo-se à greve dos professores da passada segunda-feira.

Questionado pelos jornalistas, no Parlamento, sobre se sugere a redução dos custos da actividade sindical para o erário público, Hugo Soares afirmou que antes de admitir essa possibilidade, quer saber quais são os encargos.

O deputado argumentou ainda que os custos devem ser conhecidos "numa altura em que é fundamental que todos os portugueses percebam a equidade dos sacrifícios que são pedidos e que ao mesmo tempo se exigem cortes na despesa do Estado com vista a uma redução da carga fiscal".



Cá estão eles. Estão de cabeça para baixo porque pensam com os pés,
porque, nas mãos desta gente, o país está de pernas para o ar


Assusta-me pensar que a Assembleia da República - lugar onde deveriam estar os nossos representantes, gente que deveria ser do melhor que a sociedade fosse capaz de gerar - está, ao invés, ocupada por uma seita de gente perigosa. Muito perigosa.

A ignorância e a estupidez, quando ligadas a uma ambição rasteira, são um perigo. 


Como poderemos esperar que gentinha desta, impreparada, deslumbrada, mal escolada, mal formada, sem cultura democrática, caída de pára-quedas em lugares de poder, tenha condições para legislar, para monitorizar a actuação do governo, para propor alternativas, para fazer o que quer que seja que exija bases sólidas, alguma tarimba, alguma cultura, algum mundo? Impossível.

Enquanto a Assembleia da República, o Governo, as Autarquias e sabe-se lá o que mais estiverem invadidos por esta praga, como pode o País avançar? Impossível. Impossível. Desgraçadamente impossível.


Mas não nos isentemos de responsabilidade perante um descalabro destes. Somos nós que deixamos que isto aconteça. Somos nós os responsáveis por esta pouca vergonha. Votamos neles sem cuidar de saber que competências têm para lá figurar, e continuamos a assistir, impávidos e serenos, a que toda a espécie de animais assuma o comando da nossa quinta.


[Já agora: não seria, ao menos, de dizermos ao Hugo Alexandre e demais amiguinhos que temos melhor destino para os nossos impostos do que pagar-lhes o ordenado? Que não estamos para estar a trabalhar para ele e outros criançolas andarem a dizer baboseiras?

Quer-me cá parecer que um dia destes ainda meto férias para ir para as galerias da Assembleia com cartazes dirigidos aos palermas que por ali pululam.

... Mas eu não digo que ninguém me poupa, senhores...?]


*


Em presença de todo este desastre (e, desde que este miserável desGoverno tomou posse, são só desastres, retrocessos, atentados, vexames, empobrecimentos, aviltamentos) fui buscar outra vez a Rosa Oliveira e a sua Cinza , teve mesmo que ser. E ela disse.



                                          como foi possível esta longa marcha para a mediania?
                                          o que significa viver dentro de um corpo
                                          de onde a consciência se retirou há muito
                                          esta embalagem vazia?

                                          rodeados de pensamento tóxico
                                          submersos em epifanias da normalidade
                                          estamos numa guerra invisível
                                          desconhecida até hoje da humanidade
                                          sitiados por armas virtuais em destruição imparável

                                          sufocamos sob camadas de managers
                                          designers, adidos, conselheiros, assessores
                                          pequenos soldados de chumbo
                                          reclinados nas dunas da abreviatura
                                          agasalhados na linguagem religiosa
                                          da performance a todo o custo

                                          como nas hordas de lepra medieval
                                          trazemos sinos que anunciam corpos contaminados
                                          lentos, pensativos
                                          suspensos numa mudança de vírgula
                                          reescrevendo sem horário

                                          confiando na oscilação do universo
                                          lançamos toda a fortuna
                                          no princípio da incerteza




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(*) - Como é óbvio a mediocridade a que me refiro no título não tem nada, nada, nada a ver com a poesia de Rosa Oliveira. A mediocridade a que me referia era à dos medíocres a que ela se refere no poema que escolhi.

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Soube agora que morreu James Gandolfini, um artista que eu adorava ver nos Sopranos. Fico com pena.

Para além do mais, quando não estava muito gordo, achava-o um homem muito sexy, peito amplo, todo ele sensual, divertido, malicioso, caloroso.

Assim é a vida, por vezes excessivamente breve. Seja como for, deve tê-la usado muito bem. 



James Gandolfini, aqui como Tony Soprano,
fotografado por Annie Leibovitz


*

Isto está outra vez uma coisa de um tamanho impróprio, bem sei que nos blogues não se deve escrever em extensão, textos longos tornam-se maçadores. Mas distraio-me, escrevo de gosto. Vocês desculpem-me, está bem?

Mas, ainda assim, permitam-me que vos convide a virem comigo até ao meu outro blogue, o Ginjal e Lisboa, a love affair. Hoje há uma certa rosa esquerda que salta das mãos de Herberto Helder para se vir acolher no meu ventre. A música é ainda de José Valente.

*

E tenham, meus Caros Leitores, uma bela quinta feira. Aproveitem bem a vida, está bem?

(Uma vez mais rumo a norte e por lá fico para o dia seguinte.
A ver se, à noite, apesar do jantar certamente prolongado e da cabeça certamente em água, ainda consigo vir aqui dar dois dedos de prosa convosco.)

quarta-feira, junho 19, 2013

'Sérgio Azevedo, deputado do PSD, que assina o relatório preliminar da comissão parlamentar de inquérito sobre as Parcerias Público-Privadas (PPP) rodoviárias, destaca a importância do envio do documento para o Ministério Público, embora não especifique os crimes que poderão ter sido cometidos.'. Vi o catraio na televisão e tive curiosidade em perceber que curriculum poderia ter o garoto para andar aqui a cantar de galo. 'Curriculum...? O que é isso?', perguntaria o jovem jota de 31 anos ///// Poeira, poeira. É como o que se passa com os SWAPs e com as verbas astronómicas que, à pála disso, estão a ir limpinhas, direitinhas, para os bancos! //// Face a isto, o que me resta esperar? Olhem, eu e a Rosa Oliveira, nestes dias de cinzas, "esperamos ver finalmente os fontanários públicos a mijar na cara dos passantes". Calma... ela disse 'fontanários públicos', não disse 'os ministros do governo de Passos Coelho'



Gaiato armado em importante


Como não sou um cão, não vou atrás de qualquer osso que atirem para a rua. Um maduro qualquer deve ter tido a brilhante ideia de enviar o relatório das PPPs para os media e ei-los: os jornais, rádios e televisões não falam de outra coisa. E, claro está, todos os canais ficaram enxameados de comentadores e papagaios de toda a cor e feitio. Mata, esfola, enterra, pisa em cima. Veio mesmo a calhar para toda a gente se esquecer da vergonha da actuação do Crato (que de outras vergonhas me custa um pouco falar, porque cada um saberá de si).

Já aqui falei algumas vezes sobre as PPPs. Investimentos que são feitos têm que ser pagos e um investimento que é usável ao longo de muitos anos é amortizado ao longo de muitos anos.

A Ponte Vasco da Gama custou milhões e é natural que seja paga. Que seja paga directamente aos bancos ou a empresas vai dar ao mesmo.

Dizer que para o ano há x milhões para pagar e para o ano seguinte outros tantos e por aí fora, em si, não é mal nenhum. É o normal.



Catraio convencido que é importante


Pode ser questionado se a Ponte fazia falta ou se o contrato com a Lusoponte está bem feito. Mas são duas questões distintas. E quem diz a Vasco da Gama diz qualquer outra obra. 

Mas, agora que está feita, tem que ser paga. Portanto, sobre a primeira questão não vale a pena agora dissertar, já é leite derramado. Que se questione publicamente e de forma responsável, pode ser uma lição a tirar para o futuro. 

Resta saber se o contrato está bem feito. Tendo que se pagar a obra, haverá que ver se o reembolso é justo. Se assegura uma margem de lucro superior ao que é normal, então poderá ser revisto.

Há muitas PPP's e foram feitas ao longo de vários governos. Se não estou em erro a opção de subcontratar a exploração do investimento desde a sua génese até à sua posterior manutenção e pagamento começou com Cavaco Silva, e não sei se a Ponte Vasco da Gama não foi, justamente, o primeiro ou um dos primeiros casos. Todos os governos desde então recorreram a esta modalidade. Não tem mal em si, desde que a coisa seja feita de forma bem delineada, justa e seja, posteriormente, controlada (como presumo que seja, pois, do que acompanho nos media, parece-me que tem sido sucessivamente revista). 


Repito: com esta modalidade, o Estado, em vez de se endividar directamente para fazer as obras, adjudicou a terceiros - nada de mais, a menos que haja dolo ou má fé que leve a benefício desequilibrado para uma das partes. Quando isso acontece pode haver matéria para revisão contratual - o que também não é um feito épico mas, sim, um acto normal de gestão.


No entanto, que eu saiba, todos os contratos foram validados pelo Tribunal de Contas. E não é o Tribunal de Contas um órgão idóneo? Creio que sim. Ou seja, custa-me um bocado a acreditar que, depois de algumas renegociações que já aconteceram (algumas no tempo de José Sócrates) e depois do crivo do Tribunal de Contas, ainda haja para ali matéria especialmente escabrosa. 



Garoto armado em importante


Ainda assim, como acima referi acho normal que se analisem contratos em vigor, quem os gere deve estar sempre atento à sua execução - mas que se analisem com isenção técnica, com rigor, com conhecimento de causa. Há matéria complexa de ordem jurídica e financeira, já para não dizer operacional. Não é qualquer gaiato, sem conhecimentos ou experiência, que pode pegar em assuntos desta natureza.

Pois bem.

Hoje vinha no carro e já ouvia a voz de um gaiato a dizer que matava e esfolava. O que dizia eram lugares comuns. Qualquer coisa ali me fez soar as campainhas. Chego a casa, vejo a televisão e o que vejo? O dito Sérgio Azevedo, todo pimpão, todo moralista, a matar, esfolar, trazendo para a opinião pública suspeições a torto e a direito.


Intrigada com a precocidade do gaiato, fui investigar.



O grande especialista em contratos, finanças, gestão, economia e obras públicas,
Sérgio Azevedo do PSD de seu nome


E cá está. Sérgio Azevedo, 31 anos, escolado na JSD, frequência de Direito (não diz por quanto tempo mas admito que tenha constatado que era areia a mais para a camioneta dele pelo que rapidamente deve ter saltado fora), curso de Ciências da Comunicação (obtida onde?), e, tendo, como único trabalho, o de trabalhar na EMEL (durante quanto tempo? a fazer o quê? a passar multas ou o quê?).


E é um gaiato destes, sem formação em Direito, sem formação em Gestão, Economia ou Finanças, sem sequer formação em Engenharia (o que o ajudaria a perceber os projectos), que se põe a escrever sobre contratos financeiros complexos e se sente à vontade para lançar suspeições sobre gente adulta, com anos de carreira académica e profissional como, por exemplo (e refiro apenas um), António Mendonça, doutorado, professor, com larga experiência universitária cá e lá fora?

Volto a dizer: para mim não há tabus pelo que me parece razoável que, com seriedade, isenção, honradez, se analise tudo o que há a analisar. 

Mas, ó senhores!, que se faça com competência, conhecimento de causa e seriedade.



Gaiato já crescidinho, com idade para ser vice-presidente que,
pelo cabelo cor de laranja,
até é capaz de ser  deputado do PSD


Agora entregarem a condução de trabalhos sérios e complexos e a redacção das conclusões a um aprendiz de politiquice já me deixa arrepiada. Eu disse arrepiada? Disse mal. Encanitada. Brava. Enjoada. 

Por estas e por outras é que eu não me meto na actividade política.

Imagine-se se eu tinha paciência para dar troco a um gaiato destes? Eu que trabalho há tantos anos (que nem digo aqui para não acharem que tenho ideia para ser tetravó do garoto), eu que toda a vida vi o meu trabalho ser respeitado, imagine-se se tinha 'saco' para aturar um fedelho qualquer a aparecer-me pela frente, sem saber do que está a falar, achando-se importante por ser vice-presidente da JSD, e começar a questionar a minha honorabilidade...? Havia de ter graça. É que, antes de dar meia volta, o mandava calar a boca, crescer e só me voltar a aparecer pela frente quando a mãezinha lhe tivesse tirado os cueiros (... lá está: cueiros. Conversa de velha. Agora já ninguém sabe o que são cueiros. Nem eu sei. Melhor trocar por 'fraldas').

Raios partam isto tudo.

É como o escarcéu à volta dos SWAPs...! Mais umas centenas ou mais, nem sei bem, acho que é mais de mil milhões, direitinhos para os bancos, sem piar. Já. Não é em Novembro, não é em duodécimos. Não. Todos. Uma coisa que podia até nunca vir a dar lugar a qualquer pagamento já foi direitinho, à cabeça, para os bancos. Fico de boca a aberta, escandalizada. E, como já vem sendo hábito, tudo envelopado numa conversa moralista, com julgamentos sumários na praça pública, despedimentos. De arrepiar de medo. Esta gente é perigosa, bem vos tenho dito.


Note-se que não conheço nenhum dos contratos em causa, falo em abstracto. Uma vez mais, um contrato swap não é mau em si. Pode estar mal feito, pode ter havido incompetência, pode a conjuntura se ter alterado. Não sei. Uma vez mais, como todos os contratos, a sua execução deve ser monitorizada e, se for caso, disso, renegociada. É o normal.

Mas o que sei, pelo pouco que se consegue perceber( porque o relatório técnico não foi divulgado e vivemos atolados no meio de 'bocas' de uma indigência técnica confrangedora) é que, pelos vistos, haveria ali um risco implícito (pelo menos foi o que uma empresa que levou quase meio milhão de euros para o estudar, concluíu - e claro, para pagar esse estudo pago a peso de ouro também houve dinheiro, há sempre dinheiro para estas coisas). Mas um risco é um risco. Pode ocorrer ou pode não. E, claro, pode ser mitigado. Mas, ó senhores!, mitigar não significa passar para os bancos o pagamento de grande parte do risco.

É a mesma coisa que eu, como seguradora, poder ter que pagar 150.000 euros de indemnização caso haja um incêndio numa habitação e, para não correr o risco de ter que pagar tanto dinheiro, armada em esperta, desfazer-me dessa responsabilidade e pagar já, à cabeça, 100.000 ao dono da habitação. Linda coisa... A casa poderia nunca arder e nem haver lugar, algum dia, à necessidade de pagar. A ser feita uma maluquice destas, com esta linda medida a seguradora iria desembolsar uma verba que, se calhar, nunca iria gastar.

Mas algum puto palerma, lá metido como gestor, ainda poderia aparecer todo ufano a gabar-se de ter poupado 50.000 - e como se a estupidez ainda fosse pouca, vir dizer que quem antes tinha assinado a apólice de seguro era incompetente e deveria ir para a rua.

Francamente.

Isto é tudo mau demais para ser verdade.

Onde é que param os economistas do PS que não vêm denunciar isto?! A falta que o Louçã faz na Assembleia, é o que eu digo. (E quem haveria de dizer que eu ia ter saudades dele. Ó senhores, ninguém me poupa...)

«««»»»

Face a isto só me resta ir buscar a Rosa Oliveira para dizer umas palavrinhas a propósito.




                                                                 atordoados
                                                                 diante do arroz de favas
                                                                 nós
                                                                 pobres criaturas flaubertianas
                                                                 um pouco imbecis
                                                                 olhando o prato fumegante
                                                                 sedentos de prosa alcoólica
                                                                 e de religião demarcada
                                                                 esperamos ver finalmente
                                                                 os fontanários públicos
                                                                 a mijar na cara dos passantes


                                                                ['pós-preditivo' de Rosa Oliveira in 'cinza']





«««»»»

Bem. Convido-vos ainda a irem de passeio até um certo mosteiro em ruínas no meu Ginjal e Lisboa, a love affair. As minhas palavras foram em oração junto às palavras de uma outra agradável descoberta, Abel Neves. A música que se lhes segue é outra vez um espanto. Ando admirada e agradada com o José Valente. Porque é que eu nunca tinha ouvido falar nele? É fantástico.

«««»»»

E, por hoje, é isto. 
Tenham, meus Caros Leitores, uma bela quarta feira. 

E, já agora um conselho: cuidado com os fontanários públicos. Nunca se sabe. 
O mesmo conselho em relação aos ministros, caso passem perto de algum. Fujam para bem longe. Há que temer o pior!!!!