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terça-feira, julho 07, 2026

Ex-mundial com o rabo entre as pernas, futuro ex-ministro dos exames nacionais com o rabo e a cabeça entre as pernas.
E, para fugir ao faduncho, mulheres de outro mundo

 

Estava com parte da família a ver o futebol, mas estava tudo morno. O meu marido, durante parte da segunda parte, foi dar uma volta. Os rapazes estiveram, a maior parte do tempo, em silêncio. Eu ia falando com a minha filha enquanto íamos olhando o ecrã mas parece que não se passava nada. Uma coisa quase sepulcral. Como não consegui prestar atenção, só posso dizer o que me parecia de cada vez que me focava no jogo: era como se houvesse uma suspensão, quase uma slow motion, quase como se toda a gente antecipasse que o caminho estava traçado. No início ainda imaginei que pudesse haver um bom desfecho. Mas, logo que me apercebi da marcha fúnebre, deixei de alvitrar. 

Mal o jogo acabou, os rapazes levantaram-se em silêncio e retiraram-se. O meu marido insultou uns quantos e disse que por ele até é melhor: assim já pode ver o resto do mundial sem se enervar. 

Tive pena mas tive muito mais pena ainda quando Cabo Verde foi eliminado. Os rapazes cabo-verdianos, esses sim, entregaram-se com uma alegria, uma genica, uma capacidade de luta e umas ganas de irem atrás de um sonho que foi tão contagiante que me agarraram e me puseram a vibrar com eles.

Quanto às notícias, o que tenho a dizer é que a cegada da avaliação dos exames é uma coisa sinistra. Como é possível que se lance um novo sistema, uma nova metodologia, sem tudo ser testado sob todos os pontos de vista: do ponto de vista técnico, funcional, de formação de quem vai usar (os professores) e de carga (todos ao mesmo tempo). Uma coisa tão transversal e com tamanho impacto só poderia ser lançada  depois de resistir à lei da bala, não falhando um único ensaio. Aquilo a que se assiste é de um tal amadorismo, de uma tal inexperiência, de uma tal impreparação que até dói.

Tenho um neto à espera dos resultados para saber o que vai ser a sua vida. Ele e todos os outros nas mesmas condições, depois de tanto estudarem e de de saberem que estão num momento charneira das suas vidas, encontram-se neste limbo: 

  • no caso do meu: por um lado a selecção portuguesa -- segue ou não segue? (e, já se viu: não seguiu) 
  • e, por outro, a espera pelas notas: chegam ou não chegam para entrar onde se quer? Os exames vão ser avaliados ou não? E, se não conseguirem levar adiante a avaliação, em tempo útil, o que acontecerá?
E as explicações que se ouvem e o ar espaçado do ministro são de uma tal indigência a todos os níveis que a gente já nem estranha que o dito ministro nos apareça com ar de quem nem tomou banho, o cabelo com ar de estar sujo e mal cheiroso.

Mas não me apetece continuar a escaranfunchar nestes assuntos senão começo também a pensar no body guard do Luís, o trauliteiro que dá pelo nome de Hugo Soares, e isso seria, da minha parte, bater no fundo. E não me apetece.

Vou antes derivar para outras paragens. Mulheres que se situam à margem das marés, que não encaixam no mainstream, que não querem nem saber das últimas modas. Poder-se-ia pensar que as duas de que aqui trago notícia estão nos antípodas. Em termos práticos e objectivos, estão. Subindo um pouco mais, vendo de mais longe, são parecidas. Fascinantes.

A artista que vive na floresta

Há muito tempo que queríamos conhecer Maria, uma artista sueca que vive numa pequena casa de madeira perdida nas florestas da Suécia com o seu companheiro, Johannes.
Juntos, recriaram um mundo mágico, fora da realidade e da lógica, onde vivem e trabalham. Maria recolhe a madeira que a floresta lhe oferece para a transformar em obras de arte, e vive desta atividade há mais de 30 anos.

No entanto, o que pode parecer uma vida de conto de fadas esconde, na verdade, a fragilidade de uma floresta que precisa de ser defendida. Maria e Johannes optaram, à sua maneira, por lutar para a proteger.

Fran Lebowitz não tem smartphone, portátil ou filtro

A nova-iorquina Fran Lebowitz construiu uma carreira satirizando a vida moderna. Numa conversa acutilante e divertida com Benjamin Law, reflete sobre um mundo em turbulência, abordando temas que vão desde Trump às esposas tradicionais.

Desde os seus livros best-sellers a participações em talk shows noturnos e ao filme Pretend It’s a City, de Martin Scorsese, tornou-se uma das vozes mais singulares dos Estados Unidos.

Agora, em 2026, enquanto a democracia estremece e o caos político aumenta, Benjamin Law conversa com Lebowitz para lhe perguntar: como é que ela interpreta o que estamos a testemunhar em tempo real?

Desejo-vos um dia feliz

terça-feira, junho 09, 2026

Bons conversadores

 

Agora, de vez em quando, vejo aquilo de haver um outro tipo para além de introvertido e extrovertido: o outrovertido (ou lá como lhe chama, já não sei ao certo, é um nome como qualquer outro) -- as pessoas que gostam de conviver mas só com quem lhes agrada, que se cansam quando são obrigadas a conviver com pessoas que falam muito e não dizem nada, que precisam de se isolar depois de sujeitas a um convívio forçado e cansativo. Rvejo-me nisso. Se há coisa que me cansa muito, me deixa quase de rastos, desidratada, estafada, é quando passo horas a aturar cumprimentos, conversas de circunstância, fotografias forçadas, gente que circula de grupo em grupo a ser simpática e a exigir atenção. Fujo disso a sete pés. Grupos em que, à partida, não vejo ninguém com quem se possa ter uma boa conversa, são grupos que faço de tudo para evitar

Em contrapartida, gosto imenso de uma boa conversa, gosto de ouvir, gosto que me ouçam, em especial gosto imenso que ouçam e compreendam as minhas perguntas, gosto que gostem de falar comigo, gosto de ser surpreendida com argumentos novos, gosto de testemunhar uma maneira de pensar diferente da minha, gosto de aprender, gosto de ouvir falar sobre temas que desconheço, gosto de ser desafiada nas minhas convicções.

Na televisão, se há coisa que ainda aprecio é ver uma boa entrevista ou uma boa tertúlia. Isso é cada vez mais raro. O que há é bandos de comentadores, gente que tanto ouvimos a comentar o Netanyahu, o Bad Bunny ou, se for preciso, o José Mourinho. Ou uns jovens, cada um representando o seu estereótipo partidário, uns burgessos, outras parvas, outros fofinhos e outros a atirar para o intelectualóide. Não tenho pachorra, passo logo adiante.

Contudo, no youtube aparecem-me, de vez em quando, vídeos interessantes com umas boas conversas. Talvez seja a isso que se chama podcast. Não sei. O que sei é que fico, de gosto, a ouvi-los.

Abaixo partilho duas conversas gostosas: gente com ideias, com graça, com originalidade.

SEM TÍTULO - Entrevista com MIGUEL GUILHERME conduzida por Miguel Nabinho

Onde se fala de coisas sérias e coisas divertidas, de tudo, da infância, dos amigos, das representações, das 'cenas' com o Manoel de Oliveira. Etc.


E, para algo diferente (ou talvez não), que entre a sempre boa de ouvir, a grã-duquesa de New York -- digamos assim.

Fran Lebowitz | Andy Warhol, Nova Iorque e a Arte de Falar

Em comemoração do 250º aniversário da independência americana, a Rosebud apresenta uma série de entrevistas gravadas na cidade de Nova Iorque. A primeira é com a mais perspicaz observadora da vida nova-iorquina: a espirituosa, conversadora e escritora Fran Lebowitz. Nesta brilhante entrevista, Fran conta a Gyles sobre a sua família, que se mudou da Rússia e do Leste da Europa para os EUA para escapar aos pogroms contra os judeus. Fala da sua infância feliz, pedalando na sua "máquina da liberdade" pela bela cidade natal em New Jersey, onde o seu pai era dono de uma tapeçaria e a sua mãe ambicionava ser a parceira de dança de Fred Astaire. Conta a Gyles sobre os castigos que recebia por ser tagarela na escola, sobre saber desde cedo que era gay e sobre a sua mudança para Nova Iorque para se tornar escritora. Fala sobre Andy Warhol e sobre ter sido paga para escrever pornografia. Ela fala sobre o tabagismo, a internet e a sua enorme coleção de livros. Por fim, Gyles atribui a Fran uma medalha da Sociedade Oscar Wilde, em reconhecimento da sua brilhante oratória.

Como deve imaginar, esta é uma conversa fantástica. Vale muito a pena dedicar-lhe o seu tempo.

Aproveite.


Desejo-vos uma boa terça-feira

domingo, novembro 30, 2025

Sopradores de folhas, clubes de leitura, labubus, inimigos, livros sobrevalorizados e outras coisas do género.
Isto num dia em que não estou na minha melhor forma.

 

Lembro-me bem de ter quarenta e tal nos e de ter ido a casa da senhora que transpunha para papel quadriculado os desenhos de tapetes de Arraiolos dos séculos XVI ou XVII e de, às tantas, lhe ter dito que não ia decidir ali pois gostava de pedir a opinião à minha filha. A senhora olhou para mim, muito admirada, e perguntou que idade tinha a minha filha para me poder dar opiniões sobre umas hipóteses tão específicas. Teria certamente vinte e poucos. A senhora olhou-me ainda mais admirada e perguntou. 'Não me leve a mal... mas qual é a sua idade para já ter uma filha dessa idade...?'. Disse-lhe e ela mostrou-se muito espantada, disse que ninguém diria, que julgava que eu não teria mais que trinta e poucos. Não sei se era ela que não via bem mas a verdade é que toda a gente se admirava comigo, dizendo que eu parecia estar sempre igual, diziam que a idade não passava por mim. E lembro-me de, por essa altura, um conhecido que nos tinha ido visitar ter dito que se alguém nos quarentas dissesse que não tinha, de quando em vez, alguns problemas de saúde ou dores ora aqui ora ali, estava de certeza a mentir. Eu disse que eu não tinha queixas de nada e que não estava a mentir. 

Na realidade, até tarde convenci-me que tinha uma sorte do caraças por nunca ter queixas de nada. Nem cabelos brancos tinha. 

Claro que alguns anos depois a realidade do meu corpo humano veio bater-me à porta. Ou por genética ou por durante anos não praticar qualquer exercício físico, a verdade é que comecei a ter queixas nos joelhos. Descobri mais tarde, aliás já muito recentemente, qual a condição que me provoca, de vez em quando, algumas inflamações nas articulações. A mesma coisa que o meu pai teve e que a minha avó materna também. 

No intervalo dessas 'crises' fico bem, como se não tivesse nada e faço uma vida absolutamente normal.

Desde há dois dias que tenho estado meio empanada. Na sexta-feira fui na mesma ao supermercado, este sábado fomos almoçar fora. De tarde limpei a casa. Ou seja, não fico inválida nem pouco mais ou menos nem tenho paciência para me ver como uma velhinha meia coxa. Ou seja, fico apenas meio condicionada. Claro que, se tudo correr bem, um dia chegarei a velha. Mas tem tempo... não preciso de começar já a ensaiar para isso, não é'

E já tenho alguns cabelos brancos... Não muitos mas tenho, sobretudo nas frontes. Nisso também saí ao meu pai que manteve o cabelo da sua cor natural até tarde. Depois começou a ficar levemente grisalho, mas já bem tarde. Portanto, até nesse aspecto, aquela coisa de assumir os brancos também tem tempo. Deixa-os vir, um a um, devagarinho. Quando os tiver na cabeça toda e com fartura logo vejo se viro uma velhinha platinada. Talvez tivesse piada, se calhar aproveitava e fazia um corte à maneira, bem curtinho, à rapazinho. Mas ainda deve faltar um bom par de anos, não vale a pena estar a antecipar.

Isto para dizer que, ao contrário do que é costume, não andei a apanhar cogumelos, não andei a caminhar por entre as árvores a fotografar ou a fazer vídeos. Dei uma leve voltinha mas não tive disposição para me deixar encantar.  Só uma ou outra fotografiazita mas agora também é tarde, não me apetece passar do telemóvel para aqui. 

O que me vale é que sei que, quando isto me passar, e acho que já está a passar, até à próxima, estarei bem, na maior. Faço parte do grupo de malucos que vêm o copo sempre quase cheio.

Este algoritmo do instagram já me topou e agora aparece-me com vídeos com exercícios e sei lá que mais para prevenir inflamações deste tipo. Mas o que despertou mais a minha atenção foi a acupunctura. Só não sei é que parte do corpo haveria de espetar pois a cena dá-se onde calha, ora num joelho, ora num pé, ora num pulso - onde calha. Mas qualquer dia ainda vou ver o que um tipo desses me diz. E capaz de ser até bom, já estou a imaginar-me deitada numa marquesa, toda picadinha e a dormir o sono dos justos. Essas coisas dão-me um sono... Quando ia fazer fisioterapia, adorava. Quem lá andava queixava-se à brava, diziam que só queriam ver-se livres daquilo. Eu era ao contrário, adorava. A chatice era que me debatia para não adormecer. Uma tentação danada, quase irreprimível de me deixar embalar nos aconchegantes braços de Morfeu. Aliás, não sei se isso não aconteceu uma ou outra vez.

Enfim. 

Vi o debate entre o Jorge Pinto e o Marques Mendes. Não me aqueceu nem me arrefeceu mas voltei a achar piada ao Jorge Pinto, acho que o País precisa de malta assim. Já disse que ainda não o acho maduro para a função pelo que não votarei nele. Mas também não voto no Marques Mendes. Era o que faltava. Bolas.

Seja como for, não tenho pachorra para agora falar neles.

Vou é transcrever parte de uma entrevista a Fran Lebowitz, no Guardian. Fazer caminhadas é a coisa mais estúpida que eu poderia imaginar

Achei graça pois identifico-me um bocado com ela, não nisto das caminhadas, que gosto bastante de fazer, mas em muito do resto. Ou melhor, para ser mais precisa: gostava de ser tão desabrida e desbocada como ela. E há uma diferença de fundo entre nós: já não fumo, coisa de que me orgulho imenso pois estupidamente fumei durante tempo demais, Mas, por exemplo, estou com ela no horror aos sopradores de folhas, à barulheira que fazem. Gosto é de as varrer. Sobretudo, gosto de ver o chão coberto por elas. É como os clubes de leitura: nunca consegui inscrever-me nisso. Tinha duas colegas que os organizavam e dinamizavam. Tentaram mil vezes levar-me. Nunca fui. Não me imaginava a dissertar sobre o que tinha lido e muito menos me imaginava com paciência para opiniões parvas, até porque, à partida, tenho para mim que tudo o que se diga sobre um livro num clube desses tem alta probabilidade de ser parvo. 

Mas vá, aqui fica um excerto. Para o lerem na íntegra, podem clicar aqui.

Gostaria de saber a sua opinião sobre cinco coisas. Primeiro, os sopradores de folhas.

Uma invenção horrível, horrível. Eu nem sabia da existência deles até há cerca de 20 anos, quando aluguei uma casa no campo. Fiquei chocada! Vivo na cidade de Nova Iorque, não temos problemas com folhas. Temos todo o tipo de problemas. Quando eu era criança, tínhamos de varrer as folhas. O que é silencioso. Os sopradores de folhas são a coisa mais estúpida que já vi. Primeiro, são incrivelmente barulhentos. E segundo, 10 minutos depois de o usar, aquele soprador gigante no céu atira todas as folhas de volta. É uma invenção muito estúpida.

Jantares.

Gosto de jantares em casa de outras pessoas. Não sou eu que o dou. Acho que o mundo se divide entre convidado e anfitrião. Sou convidada. E sou velha, por isso normalmente não me prendo a jantares de que já não gosto, porque sou uma ótima juíza de jantares antes de ir a um.

Clubes de leitura.

Acho giro que as pessoas o façam, mas, sinceramente, não consigo pensar numa atividade mais solitária do que ler — e essa é uma das razões pelas quais adoro ler. Não tenho nada contra a ideia, mas certamente não me atrai.

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Labubus.

Eu sei o que são, infelizmente. Já houve muitas modas de bonecas, mas estas bonecas em particular parecem-me muito desagradáveis. O que é diferente agora é que os adultos o fazem. Antes, isso era coisa de crianças. Mas os adultos têm estas coisas presas às suas bolsas e cintos. Francamente, parecem ridículas.

Qual a coisa mais estranha que já fez por amor?

Aos 75 anos, o romance não é a sua principal preocupação, pode ter a certeza. Quem diz que é, está a mentir. Portanto, não sei. Sei que as pessoas me acham invulgar, mas não sou estranha. Também não sou de fazer grandes gestos.

Poderia ser algo estranho para os seus padrões — como praticar um desporto radical.

Ah, não, não, eu nunca faria isso. Nunca fui tão jovem ao ponto de dizer: "Uau, escalar montanhas parece divertido". Não, não me parece divertido. Se quer escalar montanhas, divirta-se. Não percebo porque alguém faz estas coisas. Fazer trilhos é a coisa mais estúpida que consigo imaginar. Já vi pessoas a jogar ténis, porque isso aconteceu mesmo no início do meu amor. Duas semanas depois? Já não estou lá.

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Tem algum inimigo?

Ah, tenho a certeza que tenho mais do que um. Tenho a certeza que são dezenas. Felizmente, não costumo prestar muita atenção às outras pessoas. Sei que não sou a menina dos olhos da América. Mas mesmo que soubesse exatamente o nome da pessoa, não te diria.

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Qual acha que é o livro mais sobrevalorizado?

Não creio que me consiga limitar a um só. Existem muitos escritores sobrevalorizados. Quero muito que os romances contemporâneos sejam bons, mas percebo que não gosto da maioria deles. Muitas vezes as pessoas dizem: "É uma questão de geração, Fran, este escritor tem 20 anos". E a minha resposta é: "Bem, não é bom, porque isso não deveria ter importância". Sei quantos anos tinha Tchekhov quando escreveu as suas histórias? Não sei. Não importa. É simplesmente uma grande história.

Durante a maior parte da minha vida adulta, fiquei muito irritada com a lenda de F. Scott Fitzgerald. Por isso, de cinco em cinco anos, releio O Grande Gatsby, esperando que não seja assim tão bom – mas infelizmente é.

Qual é o objeto mais antigo que possui e porque ainda o possui?

Tenho muitas coisas antigas no meu apartamento. A maioria dos meus móveis é do século XIX. Tenho muitos livros antigos. Ainda tenho o trenó da minha infância, de quando era muito pequeno. Eu devia ter uns seis anos, no máximo. Tem uma corda amarrada para o puxar colina acima – lembro-me de ver o meu pai a amarrar a corda. Também tenho o meu carrinho de mão original da infância. E, como tudo neste apartamento, tem livros em cima.

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Desejo-vos um feliz dia de domingo 

sexta-feira, outubro 04, 2024

Sobre o OE25 -- que a AD apresentará na AR -- não me pronuncio porque não o conheço (há alguém que conheça?).
Por isso, passo a palavra a quatro pessoas inteligentes.
É um gosto ouvir pessoas inteligentes...

 

Não vou falar dos anhucas que por aí pululam, uns mais saloios que outros, uns mais totós que outros. Nem vou falar dos jornalistas palermas que não têm neurónios e usam como raciocínio as 'bocas' que alguém manda para as redações sob a forma de comunicado ou as habilidades semânticas que uns espertos utilizam e que passam como verdades inquestionáveis.

In illo tempore, uma das áreas que mais gostei de estudar foi Lógica. Adorei, para ser mais precisa. Até sonhava com aquilo. E ainda gosto. E sofro quando a vejo quotidianamente assassinada. Partindo de premissas erradas com raciocínios errados aí está a malta a tirar alegres e erradas conclusões. Uma dor.

Como se combate isto?

Cada vez mais me convenço que o sistema de ensino deveria levar uma reviravolta das valentes. Deveria ser obrigatório ensinar em todos os níveis, desde a mais tenra infância e até ao fim da escolaridade, disciplinas como Lógica, Cidadania, Nutricionismo, Natureza, etc., e isto já para não falar em Língua Portuguesa, neste caso obrigatória até ao último dia das licenciaturas, quaisquer que elas sejam.

Mas isso, neste momento e neste contexto, está deslocado. É devaneio e não é dos poéticos.

Portanto, desloco-me para territórios onde ouço de gosto o que dizem, com um sorriso, com vontade de ouvir mais.

O vídeo abaixo está legendado.

Overtime: Fran Lebowitz, Yuval Noah Harari, Ian Bremmer


segunda-feira, março 25, 2024

Estou como a Fran que também não suporta os estúpidos e os ignorantes.
Chama-lhes anarquistas que querem acabar com o regime, destruir a democracia. Concordo.
E, tal como ela, também não posso com homens que pintam o cabelo (e, claro, ainda menos, com os que usam capachinho)

[E, já agora, junto a receita da sopa e do arroz de cabrito que fiz hoje]

 

O ar denso, amarelo. Uma mistura de pólens, nomeadamente o dos pinheiros, e de poeiras do deserto. Isso e o que parece ser humidade. Não gosto. Sinto a garganta ligeiramente arranhada, por vezes uma comichão que me dá tosse. Se calhar é disto. De noite, tenho tido ataques de tosse. Esta noite já não dormimos de janela aberta (ie, vidros abertos) e, por acaso, tossi um pouco menos.

A ver se a chuva que aí vem lava o ar pois isto, certamente, não é lá muito saudável.

Sábado foi dia de família, de alegria, de animação. 

Domingo dia de lazer. Aproveitei para lavagem de roupas e para cozinhar. 

Fiz sopa de legumes e arroz de cabrito. Vou dizer como fiz cada coisa.

Sopa de legumes

Numa panela, coloquei água, duas cebolas, um alho francês, uma fatia de abóbora, uma courgette, um nabo, quatro cenouras médias, sal. Tapei. Depois de levantar fervura, baixei e ficou a cozinhar até ver que os ingredientes estavam quase macios.

Num tacho à parte, com um pouco de água, coloquei o conteúdo quase todo de um pacote de sopa portuguesa embalada (cenoura fatiada, couve ripada, alho francês fatiado) e uma mão cheia de feijão-verde fatiado. Ficou a cozinhar, tapado, até as couves estarem macias.

Quando os legumes da panela ficaram cozinhados, desliguei o fogão, juntei um fio de azeite e triturei. Depois misturei os legumes cozinhados à parte e envolvi.

Arroz de cabrito

Primeiro retirei a gordura dos bocados de cabrito. Não tirei absolutamente toda mas, pelo menos, tudo o que é gordura densa saiu. Lavei bem.

Num tacho coloquei um pouco de azeite. Cortei duas cebolas grandes lá para dentro e foi frigindo. Por cima coloquei os bocados de cabrito. Por cima deles, um pouco de sal, salsa e coentros em quantidade razoável, meio alho francês aos bocados e o resto do conteúdo da embalagem de sopa portuguesa. Juntei água até quase cobrir. Juntei ainda um pouco de pimentão-doce em pó, um pouco, muito pouco, de curcuma e, ainda, um pouco de alho também em pó. Por sugestão do meu marido, juntei um bocadinho (bem pequeno) de chouriço de carne, só para dar alguma graça.

Depois de ferver, baixei, sempre com o tacho tapado. Ficou a cozinhar. Talvez uma hora, não sei bem. Vou espreitando até ver que a carne começa a despegar-se dos ossos. Juntei, então, três cenouras às fatias e uma boa quantidade de feijão-verde, creio que uns dezoito feijões grandes, também aos bocados, desta vez largos. De cada vez que junto alguma coisa, levanto o lume para que o caldo volte a levantar fervura. Nessa altura, baixo de novo.

Pouco depois, juntei três bolas de folhas de espinafres congeladas e duas maçãs de alcobaça cortadas aos cubinhos (isto para cortar um pouco aquele sabor que pode ser intenso do cabrito). Quando se come, fica com um suave doce que corta o que ainda remanesça de sabor gordo a animal que o cabrito parece que sempre tem.

Depois de ferver de novo, juntei um copo de arroz basmati. Antes tinha validado (a olho...) que o caldo presente no tacho seria sensivelmente o dobro. Envolvi tudo.

Quando o arroz estava cozinhado, o caldo absorvido, juntei um bocado de vinagre. Envolvi.

Ficou bom.

Tirando isso fiz várias coisas como arrumações, apanhar nêsperas, limões, etc. Por exemplo, há pouco vi um vídeo com a Fran Lebowitz que gosto sempre de ouvir. É desabrida, é educada, é divertida, é lúcida, é inteligente... e é democrata. 

Podem colocar-se legendas em português mas creio que só daquelas em que a tradução é automática (que, como se sabe, por vezes é manhosa...). Mas, vão por mim, vale muito a pena. Também ela se insurge contra os estúpidos, os ignorantes, que andam a dar cabo das democracias. 

Nem todas as mentes são suficientemente abertas para ouvirem os alertas ou algumas sugestões que servem sobretudo para lançar o tema, para fomentar a discussão. Há ainda muita gente que se acha mais esperta que os outros e podem os populistas estar a minar a democracia, regredindo nos direitos e nas liberdades, infectando todo o sistema legislativo e a fazer porcaria por todos os lados, que continuarão enfeudados nos seus redutozinhos de intelectualidade reaccionária e míope. Por eles, bem podem os populistas, os ditadores, os maiores energúmenos avançar sobre nós que não mexerão um dedo, entretidos a 'mandar bocas' aos que tentam resistir.

Enfim, é o que é. 

Fran Lebowitz on the joy of revenge, holding grudges and why men shouldn't dye their hair

Fran Lebowitz sobre a alegria da vingança, sobre guardar rancor e a razão pela qual os homens não devem pintar o cabelo 


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Desejo-vos uma boa semana a começar já nesta segunda-feira

Saúde. Coragem. Frontalidade. Paz.

sexta-feira, novembro 17, 2023

E já vão 3 (três!) erros grosseiros e crassos do Ministério Público... Um total fiasco. No entanto, com isto, deitaram abaixo um governo de maioria absoluta.
E... agora Marcelo?
Não manda arrancar os ramos mortos? Vai deixar que toda a Justiça gangrene? Vai deixar que os populistas tenham terreno fértil para medrar?

[E, para desanuviar o ambiente, Fran Lebowitz]

 

Tive mais um dia muito cansativo. Cheguei tarde a casa e sem vontade de ligar o computador ou ver televisão. No telemóvel, espreitei as notícias. 

E, para minha estupefacção, vi que houve mais um erro do Ministério Público: a tão propalada, censurada e debatida/comentada reunião entre Lacerda Machado e Escária com Afonso Salema, então CEO da Start Campus, na sede do PS, no Largo do Rato, em Lisboa... afinal não existiu. O erro denunciado pelos envolvidos já foi assumido pelo Ministério Público. Mais um erro. 

Depois de terem trocado o Ministro da Economia com o Primeiro Ministro, depois de lançarem atoardas e infâmias sobre o envolvimento dos suspeitos através de advogados a redigir uma certa portaria, que afinal nada tinha a ver com o caso -- duas barracadas, amadorismos, incompetências, leviandades (ou má fé) --, eis que aparece mais um impensável erro.

Já parece demais, não é? É assim que o Ministério Público -- destrambelhadamente, irresponsavelmente -- trabalha? É?!

E é com base nestes despautérios sem pés nem cabeça que alguém decide mandar avançar dezenas de polícias para invadir a casa das pessoas, revistar-lhes as gavetas, prendê-los, pespegar tudo nos jornais -- com base em suspeições/acusações que afinal eram infundadas, erradas?

É com base nisto que se deita abaixo um governo (de maioria absoluta)?

E, de cada vez que o Ministério Público manda estas notícias, afinal fake news, para a comunicação social, logo saltam os comentadeiros e as galinhas sem cabeça da oposição, capitaneadas pelo omnipresente Ventura, tudo a saltar em cima a pés juntos, todos dizendo que não se espantam, que era expectável, que é tudo uma cambada -- e... afinal... era mentira. Aquilo que estes descerebrados zés-ninguéns já sabiam, afinal, não existiu.

E, nessas alturas, depois de se saber que foi cometido mais um erro pelos procuradores, onde estão todos os que cuspiram em cima dos que foram visados pelo Ministério Público? Não os vejo. Calados que nem ratos. Cobardes.

E, mais uma vez, pergunto: onde está o murro na mesa que se impõe a Marcelo? Onde está Marcelo a dizer que os ramos mortos da Justiça, nomeadamente a cadeia hierárquica e as maçãs podres do Ministério Público, têm que saltar fora?

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E quando pessoas lúcidas, informadas e inteligentes como Augusto Santos Silva (ASS) vêm pedir explicações aos que fizeram porcaria (porcaria e porcaria a valer), e celeridade a quem tem que desembaraçar o emaranhado que os fora-de-lei teceram, logo aparecem, uma vez mais, as galinhas acéfalas e aos papagaios descerebrados a pedir a demissão de ASS e a lançar confusão. 

E eu, de novo, pergunto: porque não vem Marcelo dizer o mesmo que ASS ou Vital Moreira, porque não vem dar cobertura aos democratas que se insurgem e batem o pé e levantam a voz para defender a democracia, a liberdade e a justiça (a sério)?

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Mas hoje estou cansada, não me apetece continuar a escrever.

Deixo-vos em boa companhia

Fran Lebowitz's 5 Points of Culture with CpULTURED Magazine


quinta-feira, agosto 10, 2023

Alice Neel por ela mesma e Fran Lebowitz, a propósito de Alice Neel (e não só)

 

De vez em quando, ao ver algumas das telas que pintei, fico admirada. Não estou a dizer que as acho excepcionais, note-se. Estou a dizer que me espanto por aquilo ter saído de mim. É como quando, às vezes, leio coisas que escrevi há muito tempo e fico admirada por aquilo me ter ocorrido.

Nunca tive vontade de aprender a pintar tal como não me ocorre frequentar um curso de escrita criativa. Tenho a ideia, porventura errada, de que estas coisas ou saem genuinamente do nosso íntimo ou não vale a pena. Tenho também a ideia de que a aprendizagem tem que ser às nossas custas: experimentar, falhar, tentar de novo.

Na pintura, sempre me senti tentada pela abtracção ou, quando é figurativo, que o objecto da pintura seja inexistente. Pessoas inventadas, flores irreais, casas imaginárias, caminhos impossíveis. Talvez me aproxime do surrealismo. 

Poderia pensar que é uma defesa contra a falta de perícia. Sei que se quisesse retratar fielmente uma pessoa iria falhar. Por isso, pintando coisas inexistentes, não há o risco de virem dizer-me que a boca na pintura é mais carnuda do que a real ou que o joelho saiu bicudo demais. Mas não é (só) isso pois, ao apreciar arte alheia (em galerias ou museus) nunca é a pintura figurativa, realista, naturalista, etc, que me seduz. Prefiro aquilo que apenas existe porque o pintor o criou a partir da sua imaginação ou capacidade de abstração.

E uma coisa de que gosto é de ver/ouvir pintores, não os conceptualizam muito mas os mais prosaicos, menos dados à auto-promoção ou a armarem-se em intelectuais da coisa.

Confesso que não conhecia Alice Neel.

Mas esta porta aberta para o mundo, presente, passado e futuro, que é a internet leva-me a descobrir o que de outra maneira talvez nunca descobrisse.

Cativante esta Alice Neel na forma simples e directa como fala que parece ser o espelho da forma como pintou. O auto-retrato (acima) ou o retrato de Andy Warhol (abaixo) são disso exemplo.

Os vídeos estão traduzidos mas, aviso já, a tradução não é das melhores, deve ser tradução automática. Em tudo em que, em inglês, o género é neutro a tradução sai no masculino mesmo que se esteja a falar de mulheres. Mas, enfim, para quem não domina bem a língua inglesa, sempre será melhor que nada.

Alice Neel, 1978

Alice Neel entrevistada por Barbaralee Diamonstein-Spielvogel, para o programa de televisão Inside New York's Art World, 1978.


Engraçada também a entrevista com Fran Lebowitz sobre, justamente, Alice Neels (e não só). Fran Lebowitz é uma daquelas carismáticas figuras nova-iorquinas, diz o que lhe apetece, conhece meio mundo dos meios artísticos e boémios, tem sentido de humor e é inteligente.

Fran Lebowitz on Alice Neel | PROGRAM

Fran Lebowitz discute a vida e a obra da pintora Alice Neel, vivendo em Nova Iorque nos anos  70 e o que significa ser artista -- entrevista com Helen Molesworth. 


Desejo-vos uma boa quinta-feira
Saúde. Boas vibes. Paz.

segunda-feira, junho 20, 2022

E esta sou eu

 


Qual a vez em que foi mais feliz?
Mais ainda do que quando nasceram os meus filhos -- e foi uma felicidade imensa--, quando nasceu cada um dos meus netos. 

Qual o seu maior medo?
Tudo o que se relacione com a saúde e/ou a felicidade dos meus filhos, dos meus netos, do meu marido e da minha mãe

Qual a pessoa viva que neste momento mais admira e porquê?
Zelensky. A coragem, a determinação e o respeito pelo voto que recebeu dos seus eleitores merece-me muito respeito e admiração

Qual a característica que mais deplora em si?
A impaciência

Qual a característica que mais deplora nos outros?
A desonestidade intelectual

À parte as casas, qual a coisa mais cara que já comprou?
Livros

Descreva-se em três palavras.
Optimista, determinada, curiosa

O que a torna infeliz?
Ver como o populismo, a hipocrisia e a estupidez são ilimitadas, omnipresentes e poderosas

O mais lhe desagrada na sua aparência?
Os quatro ou cinco quilos que tenho a mais. Para me ver livre deles terei que abdicar persistentemente de comer o que me apetece e, como abdicar do que gosto e ser disciplinada são coisas que não estão no meu ADN, é com pena que constato que, se calhar, nem tão cedo me livrarei deles.

Se pudesse dar vida a alguma coisa já extinta, o que escolheria?

Um pinheiro grande, lindo, plantado pelo meu pai, que tombou e se perdeu irremediavelmente num dia de ventania

Que livro se envergonha de não ter lido?
Não sou muito dada a vergonhas. No caso dos livros, se há livros que gostaria de ler, espero ainda lê-los.

Preferiria fama ou anonimato?
Anonimato, claro.

Qual o seu prazer mais pecaminoso?
Não sei o que são pecados. Actos reprováveis, sim. Todos os meus prazeres são altamente aprováveis.

O que deve aos seus pais?
Não sei se devo (no sentido de ser algo que tenho em dívida por regularizar). O que aprendi com eles e que tenho sempre muito presente é o valor do trabalho e, também, o valor da honestidade absoluta, seja sob que perspectiva for, seja em que circunstância for. 

O que ou quem é o maior amor da sua vida?
Os meus filhos e os meus netos, o meu marido

Já alguma vez disse ‘amo-te’ sem que isso tivesse qualquer significado?
Não me dá jeito dizer 'amo-te'. Não me soa bem. Sílabas mudas não me parece que representem bem um sentimento que se quer bem forte. Também não sou muito de andar a dizer 'gosto de ti'. Acho desnecessário, uma redundância. A quem o digo de forma espontânea é aos meus netos mas isso é porque tudo com eles é novo, inocente, ainda não vulgarizado. Gosto de lhes dizer 'gosto muito de ti'. De resto, em geral, provo o meu amor em actos. De todas as vezes que o digo, sou totalmente sincera.

Qual o pior trabalho que já teve?
Quando era professora do ensino secundário, o período de mês e meio em que estava a fazer o estágio. O orientador era maluco, era preciso fazer planos, fichas e mais não sei o quê, coisas que me pareciam uma perda de tempo, uma macacada. Tudo aquilo me parecia uma banhada, uma absurda burocracia, um pesadelo. Mudei de trabalho sem pensar duas vezes.

Qual foi o seu maior desapontamento?
Na sequência de um processo de fusão, houve uma reorganização e uma redistribuição de funções e eu, que antes acumulava duas funções, perdi a função de que mais gostava porque o administrador que tinha o pelouro era do outro accionista e escolheu uma outra pessoa da sua confiança, por sinal incompetente e desonesta.

Qual a sua maior conquista?
Conseguir ter uma vida profissional motivante e recompensadora mantendo sempre como primeira e inalienável prioridade a família.

Qual o seu contacto mais próximo com a lei?
Não terá sido o mais próximo mas, de todos, o que mais me tocou foi o primeiro: quando fui testemunha de um amigo cuja mulher lhe tinha movido um processo injusto e infame. 

O que lhe tira o sono?
O cansaço extremo

Preferiria ter mais sexo, mais dinheiro ou mais fama?
Dinheiro, porque sexo tenho que baste e fama não quero.

Qual a lição mais importante que a vida lhe ensinou?
Que tudo é efémero e que os que se julgavam todo-poderosos, eternos e arrogantes, também adoecem, também ficam vulneráveis, também morrem

Como quer ser lembrada?
Gostava de ser lembrada com carinho. Mas, na realidade, como cá não estarei para o testemunhar, não penso nisso, não estou nem aí.


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As perguntas a que acima respondi são as que Rosanna Greenstreet colocou a Fran Lebowitz no Guardian

Em alguns casos, gostei tanto das respostas que a minha vontade era papagueá-las. Mas não. Estas são mesmo as minhas. Sem pensar muito e, em alguns casos, francamente redutoras. Mas não vale a pena complicar. Noutro dia posso responder outra vez e, provavelmente, as respostas sairão diferentes, quiçá mais fiéis ao que sou. Mas, também, sei lá quem sou... 

Cheguei à entrevista pela mão do João.

 As fotografias foram feitas in heaven.

Era para ter escrito isto ontem mas, para mal dos meus pecados, não consegui pois, inesperadamente, foi dia e noite de juízo, uma directa das antigas. Cheguei a casa às sete da manhã, felizmente com notícias razoáveis e a minha mãe já em casa, sentindo-se bem e livre do susto que apanhámos. Pelo meio, de madrugada, enquanto esperava pelo resultado de exames e tentava espantar os receios, consegui escrever o post-ito a que dei o desinspirado nome de Vinham os dois ali mas só o mais alto se vê

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Desejo-vos uma boa semana a começar já por esta segunda-feira

Saúde. Confiança. Força. Paz.

quinta-feira, dezembro 03, 2015

Tantas casas vazias nas grandes cidades. Os centros das grandes cidades tão despovoados. Todas essas casas a serem compradas por chineses, russos, angolanos. Tantos sem-abrigo a dormir ao relento. Em Lisboa. Em Nova Iorque também.




Frances Ann "Fran" Lebowitz (nascida em 1950), uma das fotografadas para o Calendário Pirelli 2016, é uma autora americana e uma oradora controversa. 

A sua vida tem sido pontuada por actividades distintas em que sempre deu nas vistas - de resto, o seu hábito de se vestir ostensivamente com roupas masculinas, só por si, já a tornaria um pouco diferente.

Lebowitz é conhecida pelos seus sardónicos comentários sociais sobre o estilo de vida americano, comentários esses filtrados segundo as sensibilidades de Nova Iorque. Há quem a chame a Dorothy Parker actual.

No vídeo abaixo, feito para a Vanity Fair, Fran Lebowitz que nunca se intimidou perante temas polémicos, fala sobre o problema dos sem-abrigo e dos imigrantes em Nova Iorque.


Pode dizer-se que há aqui uma visão ingénua, talvez populista, talvez simplista - e não sei julgar se ela profere o que profere por provocação, se por convicção, se por um misto das duas coisas - mas a verdade é que, se muitas vozes respeitadas não se cansarem de apontar o dedo a situações que, se bem vistas, são aberrantes, contrárias à ordem natural das coisas, talvez as consciências comecem a despertar para as injustiças sociais que levam a que uns tenham tanto, quase tudo e outros, pouco, quase nada.

O vídeo foi hoje colocado no Youtube (à hora a que escrevo ainda tem apenas 250 visualizações) e não tem legendas em português. Mas, porque o acho interessante, aqui o partilho convosco.


Fran Lebowitz sabe o que fazer com todos esses oligárquicos apartamentos 



 
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E desçam, por favor, até ao post abaixo se quiserem saber onde adquirir livros belamente encadernados ou ilustrados.
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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quinta-feira.
Peace and love, my friends.

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