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terça-feira, janeiro 26, 2016

Marcelo confirma: não vai haver Primeira-Dama. Percebo a vontade de Rita Amaral Cabral: eu, se fosse a ela, também não teria pachorra para tanta mesura e rapapé





Não conheço Rita Amaral Cabral mas conheço uma pessoa que lhe é muito próxima. Se ela se parecer, comportamentalmente, com essa pessoa que eu conheço, terá paciência para muita coisa menos para fazer sala, desenvolver aquilo a que se costuma chamar small talk, aturar chatos, fazer fretes, fazer mesuras e, até, portar-se bem quando a saturação pede um chega para lá. Admito que seja moça para não lhe dar para excessos e fúrias mas, ainda assim, parte dessa maneira de ser (digamos que rebelde) lhe deve correr nas veias. A verdade é que a idade traz habituação a tudo e que a sua própria profissão, as companhias e as circunstâncias da vida vão moldando a maneira de ser pelo que, mesmo que em jovem tenha sido uma irreverente, agora já deve estar polida, quase formatada. 

Mas, não a conhecendo, não posso ajuizar. Certo é que, pelo que se vai conhecendo, se sabe que privilegia um certo recato, que evita aparecer com ele em público especialmente em acontecimentos sociais ou mediáticos e que continua a exercer a sua profissão como jurista.

Falou-se muito nela por altura da bronca do BES, dado que era lá administradora mas a verdade é que a sua reserva e discrição ajudaram a que tivesse passado relativamente incólume perante o olhar da opinião pública.

Já antes se tinha falado dado que uma sua irmã era casada com Miguel Paes do Amaral, o que fazia de Marcelo quase cunhado do dito, na altura presidente do grupo Media Capital, dono da TVI onde Marcelo era comentador.


Coisas que passam já que, em qualquer dos casos, Rita Amaral Cabral não teve papel relevante no que estava em causa. E, não sendo dada a ribaltas, o sururu passa e ninguém mais se lembra de falar nela. E, quando se fala, sobretudo o que se diz é que é a  'namorada de longa data de Marcelo'. E a verdade é que há anos e anos que Rita é mesmo a namorada de Marcelo.



Viver com Marcelo não deve ser fácil: hiperactivo, hipocondríaco, certamente habituado às suas rotinas e com alguma dificuldade em suportar o contraditório, percebe-se que a opção de ambos tenha sido a de viver cada um em sua casa. A convivência diária com uma pessoa como Marcelo não deve se fácil e, pelo que se sabe, Rita Amaral Cabral preza a sua paz de espírito, tal como preza a sua independência e liberdade. Portanto, a nível de convivência, devem ter optado pelas doses homeopáticas ou espaçadas e, pelos vistos, tem resultado.

Li há pouco:
Ele não se cansa de lhe tecer elogios e refere-se a ela como sendo a sua «sensação espiritual». Rita Amaral Cabral namora com Marcelo Rebelo de Sousa desde os primeiros anos da década de 1980 mas nunca contraíram matrimónio nem nunca sequer quiseram viver juntos. «Não me voltarei a casar nunca mais. A Igreja Católica não aceita o divórcio e eu concordo. E recuso-me pelas mesmas razões de princípio a pedir a anulação do [meu primeiro] casamento», disse à jornalista Clara Ferreira Alves, numa entrevista.
«Tive a sorte de encontrá-la [à Rita Amaral Cabral] porque ambos partilhamos a mesma convicção católica de que o matrimonio dura ate a morte. Tive a sorte de que a mulher a quem tive de pedir sacrifícios concordasse inteiramente [com eles]», justificou o comentador. O romance iniciou-se quando se (re)encontraram, em 1981, nas reuniões da assembleia de representantes da Faculdade de Direito, o órgão que votava e escolhia os elementos do conselho diretivo.
No outono desse ano, no final de umas eleições, ficam sozinhos a fiscalizar a urna de voto enquanto os restantes membros da mesa vão jantar. Quando os colegas regressam, vão eles dois cear. Pouco depois, começam a sair juntos e a namorar, iniciando uma relação que se prolonga até os dias de hoje. Em 2006, um problema cardíaco de Rita Amaral Cabral trava a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa à Presidência da República. Ele considera que a doença dela foi um sinal da providência divina para não se submeter a sufrágio.
Não sei se Rita alguma vez se casou ou se tem a nostalgia do casamento de fadas com que talvez tenha sonhado em menina. Ou se, tal como Marcelo, tendo-se casado uma vez, ficou vacinada. Ou se é mesmo convicção religiosa ('casamento só há um'). Ou se, pura e simplesmente, acha que não teria saco para aturar as pancas do namorado. Não faço ideia.


Não interessa: vivem nesse regime e, pelos vistos, assim vão continuar. Pareceu-me ouvir dizer a Marcelo que não vai viver em Belém e, de certeza, que o ouvi afirmar que não vai haver Primeira-Dama. 

Pareceu vagamente incomodado, como se, perguntando-lhe por isso, lhe tivessem tocado nalguma corda sensível. Se foi, não tem porquê. Cada um faz o que quer da sua vida privada e, quando alguém elege uma pessoa para desempenhar algumas funções, é para isso, e só para isso, que o elege: não para que encarne o modelo da figura exemplar (casado, pai de família, etc). Portanto, o que desejo é que vivam felizes. E só não lhes desejo que tenham muitos meninos porque já estão mais para avós do que para terem filhos. 
Ou seja, agora muito a sério, o que lhes desejo é que estes próximos cinco anos sejam para Marcelo anos de um trabalho desempenhado com competência, próximo dos portugueses, isento, sensato, evoluído, civilizado, democrata, humanista, grande defensor da liberdade, zelador dos mais desfavorecidos. E etc e tal. Tirando isso, se vive aqui ou acolá, se vive sozinho ou acompanhado, se come pastéis de nata ou pão-de-ló, tanto me dá. Por mim, nessas coisas, está tudo certo.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela terça-feira.

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segunda-feira, janeiro 25, 2016

No rescaldo das eleições presidenciais.
Marcelo Rebelo de Sousa é Presidente da República e eu só espero que ele se contenha e não queira festa a toda a hora.
O PSD de Passos Coelho bem pode ir pondo as barbas de molho.
E era bom que o PS percebesse o que se passou pois, uma vez mais, se espetou neste assunto das presidenciais.
O Bloco de Esquerda soma e segue e Catarina Martins não perdeu tempo a reivindicar o seu papel como agregador da esquerda dos trabalhadores.
O PCP teve a prova que os fiéis indefectíveis já não passam de uns 3 ou 4% e que a malta de esquerda já não está nem aí para o sectarismo ou para os dogmas de antanho.
E a brutalidade dos valores da abstenção: a indiferença de uma parte significativa da população é inquietante.




1. Senhor Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa



Agora que Marcelo Rebelo de Sousa -- ao colo da comunicação social -- foi eleito Presidente da República, o que eu desejo, a bem do país, é que ele ponha de lado a sua veia de zelig, a sua veia de entertainer, a sua veia de catavento, a sua veia de fazedor de factos políticos e etc e, comedido, sensato, ponderado, exerça com equilíbrio e elevação as suas funções. O discurso de vitória foi ajuizado, entre o tranquilo e o formal, talvez um bocado forçado, ele a encenar já a figura de presidente -- mas, enfim, do mal o menos. Só espero que o frenesim não tome conta dele e que se consiga manter, nos próximos cinco anos, num registo atilado. 
E que, uma vez chegado ao Palácio de Belém, perceba que não precisa de ir fazer brushing às senhoras que lá trabalham nem passar revista às unhas das convidadas. Muito menos precisa de ir passar a ferro as toalhas de mesa nos dias em que haja recepções. 
Bem. Vamos ver.
E, muito a sério, o que desejo é que Marcelo, enquanto no exercício das suas funções de Presidente da República, tenha sorte, saúde e estabilidade emocional. Melhor que o Cavaco acredito que será e, portanto, corações ao alto.

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2. O PSD a caminho de se ver livre de Passos Coelho



Para além disso, uma coisa é certa: Marcelo pode ter mil defeitos mas não é um burro nem um saloio nem um deslumbrado. Por isso, tenho para mim que Passos Coelho vai sentir que a hostilidade de Marcelo lhe vai pesar e que, aberta ou veladamente, sentirá que o novo PR favorecerá outra liderança no PSD. 

E as hostes laranjas começarão a ficar inquietas: Passos Coelho é um líder a quem a realidade prova todos os dias que seguiu, ao longo de quatro anos, uma política errada e, portanto, a quem os seus correlegionários não tardarão a querer ver pelas costas. Marcelo, PSD convicto, terá a vida facilitada se houver barrela e se for afastada a pessoa que personificou um erro tão grosseiro e tão nefasto para o País. Portanto, para mim, a eleição de Marcelo é uma guia de marcha para Passos Coelho.

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3. O PS novo, o PS velho, e a falta de tino quando se trata de escolher um candidato a Presidente da República






Quando perguntei à minha mãe em quem é que ia votar, fiquei arreliada: disse-me que ia votar no Marcelo. Questionei-a. Disse-me que acha que ele sabe qual o papel de presidente, que acha que vai ser equilibrado e, sobretudo, que os outros não a convenciam e que o PS estava dividido, com os candidatos do PS em luta um contra o outro. Tentei demovê-la -- mas não consegui. Sugeri a Marisa. Que não, que não a estava a ver como presidente. Há bocado, já o Marcelo eleito, voltou a dizer-me: deixa lá que o PS também deu um lindo espectáculo... não foi capaz de se decidir por um, pôs os dois à bulha um contra o outro, muito bonito.... Já não lhe disse nada, a coisa estava feita, não vale a pena chorar sobre leite derramado. Até porque não lhe tiro a razão.

Outra surpresa que tive foi com um amigo meu. Socialista ferrenho, um daqueles que bate no peito quando se fala no PS, disse-me que ia votar no Marcelo. Fiquei de queixo caído, pensei que estava no gozo. Não estava. Disse-me que o Nóvoa não percebia bem qual o papel de um presidente. Que o Marcelo sabe o que a Constituição impõe a um presidente, que é honesto e inteligente -- e que o PS não apresentou alternativa viável. Fiquei sem saber o que dizer. Dele nunca esperaria este voto.

Mas a verdade é que também não me revi na candidatura do Nóvoa -- apesar de o achar digno,  bem preparado, civilizado, mobilizador, com um discurso que sabe empolgar.

Claro que a candidatura da Maria de Belém só veio agudizar o problema: um tiro no pé, uma coisa que não se percebeu, que só serviu para dividir o eleitorado (e, pior, sem que se percebesse ao que ia). Dá ideia que o PS não consegue unir-se em torno de uma ideia, de um nome, de um propósito. Ver cada um dos dirigentes para seu lado deu cabo de tudo. O problema não foi ter dividido os votos dos socialistas ou simpatizantes: o problema é que, perante a ausência de uma alternativa válida e perante aquele triste espectáculo, muita gente, do mal o menos, votou no Marcelo. Ou seja, a divisão do PS afugentou parte do seu eleitorado.

Há uma reflexão a fazer em torno disto. Num partido (e isto sou eu a dizer, eu que nunca fui filiada em coisa nenhuma, quanto mais num partido) tem que haver utopia, sonho, ideais -- mas tem que haver também pragmatismo, capacidade para ler os sinais, inteligência para saber captar o ar do tempo. Ao PS parece faltar o equilíbrio entre estes dois lados. E, nos momentos em que são chamados a unirem-se, não senhor, tornam-se adversários, canibalizam-se.

Ou aprendem com os erros, e este foi mais um, ou um dia destes vão ter um desgosto.

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4. O Bloco de Esquerda na linha da frente da esquerda. 



Há uma linhagem de guerreiras nestas mulheres que avançaram para a frente do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, Mariana Mortágua, Marisa Matias. Não perdoam, não vacilam, não se desfocam. Preparam-se como nenhuns outros, vão à luta, vencem, declaram a vitória, marcam o território. 

Em tempos, nos primórdios do BE, um amigo meu, anarquista de direita dizia-se ele, gozava com os bloquistas, dizia-me que aquilo lá era só charros e orgias. Eu dizia que ele era parvo dizendo coisas daquelas e ele ria e respondia: diz que sim, que são parvoíces... Não faço ideia. O que sei é que o Bloco de então, que se dividia, que eram meia dúzia e, mesmo assim, havia um dissidente novo todos os dias, já lá vai. O Bloco agora é uma força que se quer mostrar como implacável, que enfrenta sem complacência quem quer que esteja à sua frente e que defenda interesses contrários aos que o Bloco defende.

Os dirigentes do BE sabem interpretar as ansiedades da população, sabem informar-se do ponto de vista técnico e político e têm uma grande vantagem sobre os outros: falam claro e marram a direito. 

Catarina Martins, no seu discurso sobre o resultado das eleições foi inequívoca: o terreno das lutas dos trabalhadores já é também do Bloco e cada vez será mais.

(O PCP deve ferver ao ouvir isto. Mas, em vez de ferver, deveria era tentar perceber.)

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5. O PCP na sua trajectória descendente



Ao longo da campanha, fui sentindo cada vez mais simpatia por Edgar Silva. Mostrou ser um homem sério, convicto dos seus ideais, simpático, simples, próximo das pessoas. Não admira, conhecendo-se o seu percurso.

Contudo, volta e meia sentia-se que tinha alguma dificuldade em falar sem peias. Parece que há, no PCP, um formato estabelecido que deve ser seguido aquando de questionamentos mais melindrosos, parece que o PCP não consegue assumir que tem que haver novos caminhos, caminhos que se desviem de uma ortodoxia ultrapassada.

Os trabalhadores de hoje já não são as ceifeiras, os trabalhadores do 'balão' do Barreiro, os operários metalúrgicos de há quarenta anos atrás: os trabalhadores de hoje são pessoas que se habituaram ao consumo, gente que tem filhos formados que não arranjam emprego cá e que vão para fora, ou que tem filhos que não conseguem doutorar-se cá, ou gente que tem cursos e não arranja emprego razoável -- e todos trocam opiniões nos facebooks desta vida e têm hábitos que já não se coadunam com os ditames do comité central. Ou seja, os explorados de hoje são de uma outra geração, habituados a uma outra conversa. Conversas que metam PIDE, Caxias, reformas agrárias, etc, já não dizem nada à maior parte dos trabalhadores ou desempregados de hoje. 

Persistir em temas ou lemas ou jargões situados nesse horizonte datado é um erro. O PCP vai perdendo eleitores à medida que os seus apoiantes dos gloriosos tempos de Abril de 74 vão desaparecendo.

O PCP tem nas suas fileiras gente muito válida, gente evoluída, aberta, capaz de representar os interesses dos pobres e explorados (que são tantos!). Se quer sobreviver como partido relevante o PCP tem que puxar para primeiro plano essas pessoas. E, apesar dos resultados, é minha convicção que Edgar Silva é uma dessas pessoas. 

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6. A abstenção que revela bem o interesse com que os portugueses encararam estas eleições



Foram várias eleições de seguida, as presidenciais muito em cima das legislativas, depois nove candidatos não muito convincentes contra um que andou semanalmente desde há muitos anos a ganhar a habituação dos portugueses -- presença habitual e simpática, nas suas casas, a voz da moderação, um aconselhamento afável, que sabia responder a todas as perguntas, desde coisas de futebol até ao estado do tempo (que fosse um manipulador de primeira era pormenor...). A coisa estava, pois, decidida à partida. Depois, a overdose de comentários políticos nas televisões que faz com que as pessoas já quase vomitem quando lhes aparece algum político pela frente. Tudo junto. Gerou-se, com isto, um tédio. Votar? Para quê? Em quem? Tenho mais que fazer! - era o que mais se ouvia dizer.

A comunicação social anda a intoxicar a opinião pública. Há uma tendência para a mediocridade, para a banalização. Isto leva à abulia, ao desinteresse. Isto mina a saúde da democracia.

Talvez fosse um bom tema para o novo Presidente da República apadrinhar, este. Digo eu.

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NB: Não falei do CDS porque acho que não tem expressão.

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E mais não digo porque já estou cansada de tanto escrever. Se alguém tem conseguido ler isto tudo é um herói. My hero. E isto vai tudo sem rede, sem qualquer revisão, sem nada. Se encontrarem gralhas -- e acredito que vão encontrar muitas -- por favor relevem.

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As ilustrações são da autoria das gentes da Design Crowd
E a cantoria (Contado ninguém acredita) está a cargo dos Deolinda.

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Abaixo encontrarão uma apreciação crítica em relação a três toilettes da jornada eleitoral: António Costa, Paulo Portas e Marisa Matias.

Mais abaixo ainda, poderão ver o desenrolar das minhas opiniões à medida que ia sabendo os resultados eleitorais.

Ainda lá mais abaixo, o registo é outro: as pessoas da beira-Tejo. Um passeio à beira rio com Lisboa em fundo.

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quinta-feira, outubro 22, 2015

Caro Ferreira Fernandes, também não foi para isto que votei no PS!
[E, de brinde, o desasado cisne que não sabe afastar-se de cena antes do triste final]


Eu votei no PS e, digo já, não foi para isto que votei.


Respondendo ao repto de Mestre Ferreira Fernandes no DN -- que, por estar farto de andar a ouvir tudo o que é bicho careta a dizer porque é que as pessoas votaram no PS, e que não foi para isto que votaram, etc, etc, resolveu esclarecer a razão do seu voto e desafiou os outros votantes a fazerem-no também -- aqui estou para dizer porque é que eu votei no PS. E faço-o no mesmo registo que ele o fez.



Votei no PS porque tenho esperança que o António Costa arranje aulas de dicção e espero que, como primeiro-ministro, alguém o obrigue mesmo a isso. 

Votei no PS porque acho que ele tem um gosto muito bizarro para se vestir -- tenho-lhe visto com cada modelito que é de bradar aos céus -- e tenho esperança que, como primeiro-ministro, alguém o mantenha na linha (tal como, vá lá!, agora tem andado). 

Votei no PS porque acho que António Costa tem um sentido de humor estimulante e espero vê-lo na Assembleia da República a dar baile aos Láparos e Portas desta vida, devidamente arrumados na oposição. 

Votei no PS porque gosto da Maria Antónia Palla e acho que é agradável termos um primeiro-ministro com um mãe tão íntegra, tão especial. 

Votei no PS porque tenho esperança que ele, ao formar governo, forme uma equipa de que a gente desta vez não se envergonhe porque de pafianas vergonhas já todos tivemos a nossa valente dose (e estou a falar muito a sério: espero que o PS arranje gente primeira água, gente letrada, bem formada, honesta -- e que não se esqueça de convidar a Catarina Martins e/ou a Mariana Mortágua porque qualquer delas seria uma mais-valia na equipa). 

Votei no PS porque tenho esperança que, com António Costa em primeiro-ministro, o Ricardo Costa, para evitar situações embaraçosas, saia da direcção do Expresso e que um outro que o substitua faça uma limpeza geral naqueles moços e moças de fretes que por lá andam.

E votei no PS para ver se arranjam uns rapazes jeitosos e ajuizados para apagar a má impressão que os Maçães desta vida causaram lá fora. E um ou uma ministra das Finanças que não vá pôr-se de gatas aos pés do Schäuble. E alguém que não tenha o tino de um Miró de óculos para um Ministério da Cultura. E um para a Educação e para o Conhecimento que não odeie o tema. E alguém no pleno poder das suas capacidades para a Justiça, para a Administração Interna ou para os Negócios Estrangeiros. Idem, claro está, para os restantes ministérios.

E votei ainda por mais uma ou outra razão mas são cá coisas minhas - e não passei procuração a ninguém para as divulgar ou falar em meu nome. 

Portanto, Senhores PàFs e pró-PàFs, se fazem favor, deixem de andar a inventar que votei no PS para que Passos Coelho possa desgovernar o meu País em paz. Não foi!

E, tal como Ferreira Fernandes, também eu digo: não é a mim que me cabe formar governo mas, se fosse, nem imaginam vocês a gracinha que também ia ser. Capaz até de contratar o Lombinha dos Briefings para quando tivesse que contribuir com alguma figurinha cómica para participar, em nome do governo, no Natal dos Hospitais.
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E agora, para quem não tenha ido ou não queira ir ao DN ler as razões do excelentíssimo Ferreira Fernandes ao votar PS, aqui estão elas, transcritas na íntegra (um prazer a leitura das crónicas do grande FF).



Não foi para isto que votei no PS!

Como há dúvidas, vou dizer porque votei. Votei no PS, eu, para que todas as casas com construção embargada que me estragam a paisagem sejam deitadas abaixo, já. Esse meu querer lembro-me de ter sussurrado ao voto quando o deitei (só não escrevi para o não inutilizar) - vai para três semanas, e o PS sobre o assunto, nada. Votei no PS por causa do sorriso irónico do líder, são os únicos sorrisos de que gosto nos políticos, mas desde o dia 4 não me parece ser esse o critério de aliança de Costa (a Catarina é simpática, o Jerónimo é veemente, mas nada disso vale um sorriso irónico, acho). Votei no PS para que ele fosse buscar o Luis Fernando Verissimo ao Brasil para dar aulas, nos três canais, duas horas por dia, prime time, sobre como se escrevem diálogos - acho o diálogo fundamental e ninguém pôs isso no programa eleitoral (o PS também não, mas eu não me ia abster, soprei no voto e foi também por isso que votei). Votei no PS porque gosto das ruas alegradas, o Costa pintou a Rua Nova do Carvalho de cor-de-rosa e eu gostava de ver a Estrada de Benfica a cheirar a pitanga. Basicamente foi isto. Os outros 5 408 804 eleitores que digam porque votaram. Eu foi por isto. E não admito que os comentadores digam que votei ou não votei por outras razões senão as expostas. Quanto a formar governo, fui ver à Constituição, não sou eu. Se fosse, vocês iam ter surpresas do caraças.


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Para terminar com dança, deixo-vos com o vídeo onde se pode ver o patético fim do triste cisne que parece não saber perceber que o seu fim está chegado

[Dedicado aos que, perplexos e ressabiados, protagonizam, neste momento, o fim de uma era largando penas e peninhas por onde passam]

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E hoje fico-me por aqui que estes meus dias são longos, de cedo amanhecer e tarde pernoitar.

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma quinta-feira muito feliz.

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