Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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quinta-feira, julho 25, 2019

Sharon Stone, a bela e sexy mulher que teve o desplante de não morrer nova






Há algum tempo recebi a visita de uma ex-colega que não via há algum tempo. Quase tive um choque. Mantinha a mesma maneira de se pentear e de se vestir mas tinha engordado, o rosto tinha papos por todo o lado, a pele estava baça e disfarçada com base, num colorido artificial. O cabelo estava também sem vida apesar do tom avivado. No conjunto, estava uma caricatura do que tinha sido.

Quando uma outra colega entrou na sala em que estávamos, não a reconheceu. Tive que fazer de conta que ela estava distraída: 'Então, sempre acelerada, nem repara na Drª Ana que aqui veio visitar-nos...?'. Pela reacção, quase um sobressalto, percebi que estava a ter a mesma involuntária impressão. Ao fim do dia, quando pude comentar com esta última, ainda não me tinha restabelecido: 'Já viu como ela está...? Tive que me esforçar para não deixar transparecer a surpresa que estava a sentir'. E ela: 'Nem me diga nada... tive que disfarçar...' E eu: 'Mas o que é? Está mais gorda...? Viu os papos? Quase parece desfigurada...' E ela: 'O que é? É simples: são 10 anos a mais. E acha que nós estamos iguais ao que éramos há dez anos...?' Acho que já não respondi. Devo ter ficado apreensiva, senão mesmo um bocado triste.

Tendo trabalhado em várias empresas e passado por fusões e cisões, tem sido frequente perder de vista muitas pessoas e, passados alguns anos, calhar a encontrá-las. E há uma interjeição recorrente quando me vêem: 'Ah... mas está igual...' ao que geralmente respondo: 'Olhe que não, olhe que não... capaz é de estar a precisar de óculos, não...?'. Racional como sou, não me deixo levar pois, a ser verdade, ainda estava com cara de dez anos.

Creio que já contei que, num dos últimos enterros a que fui, dei de caras com um homem que conheci na minha infância. Ele estava com uma mulher que não reconheci como sendo a mulher dele até porque estava certa de que ela tinha morrido. 'Não me estás a conhecer, pois não...?', disse-me ele. E eu, atónita, a achar que não podia ser, o senhor não podia estar quase igual ao que era umas décadas atrás, apenas um bocado mais velho. Não arrisquei: 'Acho que sim, que conheço mas não estou bem a ver quem...', até porque tinha até ideia de a minha mãe, em tempos, me ter dito que o senhor também tinha morrido. Então ele disse-me o nome e eu só não me deixei cair para trás porque já aprendi a disfarçar quando levo um murro no estômago. Era o meu grande e insubstituível amigo, o meu primeiro amor, minha companhia de brincadeiras e longas conversas -- até ter ido cada um para seu lado. Fiquei sem acção. E ele: 'Pois eu conheci-te logo, estás igual, o mesmo sorriso.' E eu muda, provavelmente o mesmo sorriso pasmado no rosto. Depois apresentou a senhora, era a mulher. E ela disse: 'Toda a vida ouvi falar de si'. E eu, em estado de estupor catatónico, incapaz de retribuir a simpatia. Só me ocorria que a senhora parecia capaz de ser minha mãe, que não podia ser a mulher do meu amigo de infância e que ele não podia estar transformado naquele homem enorme, encorpado, ar pesado e olhar triste. Quando comentei com a minha mãe, ela contou-me que ele tinha saído do banco onde tinha um cargo dirigente, tinha tido uma depressão, vivia agora toda a semana numa quinta, que estava transformado num homem do campo. Ao fim de semana, vinha à cidade ou a mulher ia ter com ele ao campo. E senti alguma tristeza. Já aqui falei muitas vezes desse meu grande amigo. Sempre foi reservado, tímido. De uma inteligência invulgar, chegou a receber o prémio do melhor aluno do país, coisa que soube pelos meus pais e não por ele. Eu era então provocadora, gostava de fazê-lo sofrer, fingia que não gostava dele, fingia que preferia os outros meninos, desafiava-o para fazer coisas que ele não gostava de fazer mas que se sentia compelido para não me contrariar. Mas, na verdade, eu não conseguia passar sem ele. Andávamos sempre juntos. Eu conversava, sonhava alto, fazia-o viajar nas minhas palavras e ele, calado, sorridente, nunca me contrariava. Nunca, nunca. Tinha uma paciência incrível e eu, embora nunca lhe dissesse, sentia-me agradecida por poder contar com ele.

Não suportou o peso da vida na cidade e a sede daquele grande banco que fervilhava com centenas de pessoas, aquele ambiente, aquela pressão, foram-lhe insuportáveis. Aguentou talvez uns trinta anos e depois refugiou-se no campo.

Mas isto para dizer que o tempo passa inexoravelmente sobre nós. Sorte a de quem lhe sobrevive.

Quando aqueles que achamos muito belos morrem na flor da idade, lamentamos muito e guardamos deles a imagem da sua eterna juventude. Habitam a nossa memória (e agora habitam também o infinito repositório da net), cristalizados, iguais ao que eram quando a sua beleza impressionava quem os via.

Claro que agora aquela app que, através da inteligência artificial, não apenas fica com um manancial de inumeráveis rostos como simula como ficam as pessoas quando envelhecerem, conseguimos ver como seriam hoje aqueles que, em tempos, cativavam o mundo com a sua radiosa beleza. Os próprios fazerem isso é uma coisa, cada um decide por si. Ou fazer isto com pessoas que estão vivas também é como o outro. Agora, quando fazem isso com quem já morreu, sinto que é preciso ingratidão e maldade para querer ver como teriam sido frágeis e decadentes aqueles que se evadiram da lei da vida sem que o mundo as visse a perecer.

E eu, ao olhar o belo rosto de Sharon Stone, que está viva e bem viva, e ao ver como as pálpebras tombam e o cabelo embranquece e como o seu corpo tentador hoje se encobre para lamentar o afastamento a que se viu votada, sinto pena -- o tempo é ingrato e mau. Ou não é o tempo, são as pessoas. Ingratas e más. E, no entanto, que bonita que ela é e que bem que está e que sorte teve ao escapar, sem sequelas, a esse inferno que é um maldito AVC. E que solidariedade, cá muito minha, sinto ao pensar no que ela deve ter sofrido ao ver-se sem falar, sem andar, totalmente dependente, a ter que reaprender tudo, a força necessária, a coragem, a superação do medo e do desgosto. Tão difícil tudo.
Penso no meu pai. Tão bem que estava, tão saudável, tão orgulhoso que sempre foi e, no entanto, um dia viu-se inerte, apenas com metade do campo de visão, sem orientação, sem força num braço, sem andar, de fraldas, a ter que ser alimentado à boca, a ter que ser lavado, a ter que depender de outros para tudo.
Felizmente ela conseguiu ultrapassar tudo: está bem, saudável, inteira.


Mas queixa-se que a esqueceram, que deixaram de lhe dar trabalho. O cinema queria-a como mulher sensual, maliciosa, enérgica, intimidantemente tentadora, não como uma mulher de meia idade que, em tempos, foi isso tudo e que agora perdeu o viço. Como deve ter sido difícil para ela esforçar-se por recuperar, sentir que estava de novo a reconquistar a plenitude das suas facultadas e, ainda assim, sentir-se rejeitada. Uma coisa horrível.

Quando agora fiz anos perguntei aos meninos se sabiam quantos anos eu tinha feito. Não sabiam, atiravam números à sorte, uns para cima, outros para baixo, e eu esclarecia-os dizendo que tinha cem anos. Desatavam a rir, que era impossível. E eu, muito séria, dizia que era mesmo. Cem anos. Riam, perguntavam aos pais. Mas eu, no meu íntimo, antecipava o prazer de viver cem anos e ainda estar para as curvas, com vontade de brincar e de rir, com vontade de seduzir, de provocar, com vontade de me pôr a caminho.


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A segunda vida de Sharon Stone


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Isabella Rossellini, Jack Nicholson e Jennifer Lawrence aparecem aqui sob o efeito de uma outra app, desta feita uma que converte as pessoas em pinturas de antanho. Por acaso, se não me importasse de oferecer o meu rosto a estranhos, gostava de me ver nesta.

A Lady Di, a Marilyn Monroe, o Brad Pitt, o Putin, o Trump, o Zuckerberg e outro que não sei quem é foram envelhecidos pela FaceApp e nesta é que eu não me meto. Livra.

A Sharon Stone, na fotografia, está como é agora e como era antes, sem inteligência artificial à mistura. 

Crossroads pelo Don McLean, que eu não conhecia e que é tão bonita, está aqui porque estou a gostar imenso de ouvir. Acho-a triste, triste, mas não consigo deixar de ouvir.

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Tenho andado a tentar reavivar o meu Ginjal e Lisboa, a love affair pelo que, se estiverem para aí virados, serão muito bem vindos nesse meu lugar à beira Tejo plantado. Hoje tenho: E o seu nome seja o seu próprio pudor sobre poema de António Ramos Rosa ao som de Divna Ljubojević. E eu gostava muito que gostassem de lá estar. 

[E desculpem por, nos últimos dias, não ter respondido a comentários ou mails mas, acreditem, o meu tempo não dá para mais. Hoje respondi, ou melhor, coloquei uma pergunta porque era um único comentário e a minha pergunta era simples. Mas leio sempre (e fico sempre com um sentimento de culpa por achar que parece pouco educado por não retribuir a simpatia de quem por aqui passa mas ponho-me a escrever posts e quando dou por ela são quase horas de me levantar)]


segunda-feira, julho 08, 2019

Gracias a la vida:
os segredos dos que se esquecem de morrer, nas 'zonas azuis' do planeta




Acho bonito que chamem às zonas do mundo onde as pessoas vivem até mais tarde 'zonas azuis'. O azul é uma cor saudável, tranquila, a origem e o fim de tudo -- isto, claro, depois e antes do branco original e final, depois e antes do grande infinito. O azul, o vasto horizonte que se funde com o grande líquido azul que transporta e preserva a vida, dentro e fora de nós.

Não me lembro se já algma vez aqui falei disto: os locais da Terra onde há idosos a quem a idade não pesa, vivendo muitas vezes até para lá dos cem anos, mas vivendo com qualidade, felizes da vida.

A nova obra do Bordalo II - um big gato na Expo


É um fenómeno que tem atraído a atenção de jornalistas e de cientistas. E eu, que sempre convivi de perto com gente de avançada idade, interesso-me pelo assunto.

Ainda conheci uma bisavó. Eu era muito pequena e lembro-me de uma velhinha deitada num quarto da casa da minha avó. Dos outros bisas não faço ideia. Tenho uma fotografias de um casal de bisavós e julgo que eram os pais da minha avó paterna mas não garanto. Nada sei deles, não me lembro de alguma vez ter ouvido falar deles. Daquele que fugiu às dívidas de jogo e mulheres ninguém sabia nada. Durante muito tempo, se se falava nele, alguém dizia: 'Se calhar ainda está vivo' mas, que eu saiba, nunca ninguém mexeu uma palha para saber do seu paradeiro. Sabia-se que tinha ido lá para as américas do sul e pouco ou nada mais. E creio que o recíproco também foi verdadeiro. Digo creio porque é isso: mão juro que assim tenha sido.


Quanto aos meus avós, tirando um que morreu novo num acidente horrível, os outros viveram até bem tarde. E o tempo vai passando e agora já são os meus netos que vèem um velhinho na cama e o velhinho agora é o meu pai. E ainda me custa chamar velhinho ao meu pai porque o meu pai sempre foi um homem tão desportista, tão autónomo, tão 'bem conservado' e parece que ainda acho que aquele AVC foi, de facto, uma coisa acidental, que não devia mesmo ter acontecido, daquelas rasteiras que veio mudar o rumo normal das coisas, interromper o que tinha tudo para ser uma vida tranquila para ele e para a minha mãe. Tentamos todos que viva o melhor possível mas o grau de consciência dele já é uma coisa que, para nós, é cada vez mais enigmática.

Mas a minha mãe, essa, sim, poderia muito bem figurar numa destas reportagens das blue zones. Tem uma vitalidade, uma jovialidade e um aspecto que parece de mulher muito mais nova. O que ela faz, o que ele pensa, o que ela ri, transforma-a num exemplo para quem lida de perto com ela. Os netos e bisnetos adoram estar lá em casa. E não é só pelo banquete que ela sempre prepara, é mesmo pela boa onda, pela compreensão e leveza com que encara a vida (apesar da tristeza -- e prisão -- que é partilhar a vida com alguém que se vê a definhar progressivamente, sem esperança que um dia melhore).


Mas, voltando às zonas azuis, o que parece ser comum entre os muito idosos que vivem até tarde conservando a qualidade de vida é:
  • a convivência -- porque a solidão é um mal terrível, uma coisa que corrói a alma e esgota a seiva que alimenta a vida, 
  • a alimentação natural -- muitos legumes e frutos, de preferência de época, locais, e ervas aromáticas, nomeadamente o alecrim, e carne não muitas vezes por semana, para aí umas duas ou três vezes; não são vegans, são apenas minimalistas no consumo de carne. 
  • o exercício, actividade física -- porque a inactividade faz perder massa muscular, faz perter o tónus, faz amolecer a alma e a vontade de festejar a vida; vários idosos têm a sua horta que cuidam e da qual provêm alguns dos seus alimentos

Fiquei contente por saber. Agrada-me a forma simples de viver e sempre que ouço que isso faz bem ao corpo e à mente fico descansada. Saber aquilo do alecrim, então, para mim foi uma alegria. Gosto imenso de usá-lo e os meus filhos estão sempre a aborrecer-se comigo, dizem que uso e abuso, e o meu marido faz coro, arma-se em vítima como se fosse obrigado a ingerir comida envolta em arbustos do campo. Nada disso. Uso de forma moderada e quando me parece que vem a propósito.

Por exemplo, hoje para o jantar (e a contar que sobrasse para a semana) fiz um guisadinho e, ao temperar, hesitei mas resolvi não usar alecrim. Conto como fiz e parece que ficou bom e digo que 'parece' porque  apenas o meu marido o provou.
(Eu hoje, ao jantar, fiquei-me pela sopa de legumes que tinha feito pouco antes, queijo e fruta, acompanhados por dois ou três goles de Trinca-Bolotas, e que rematei, à laia de sobremesa, com um quadrado de chocolate negro comido ao mesmo tempo que dois cubos de gengibre cristalizado). 

Mas, então, a receita do meu guisadinho. Tinha comprado vitela, em bocadinhos para fazer a kind of jardineira. Num tacho coloquei azeite, uma cebolona gigante cortada aos bocados, um tomate também bigalhão igualmente aos bocados, salsa, duas folhas de louro, uma meia dúzia de dentes de alho. Pus a frigir ligeiramente para que os sabores se misturassem. A seguir, juntei os bocados de carne, um pouco de sal, pouco, e, quando hesitei a propósito do alecrim, acabei por optar por um pouco de orégãos. Estava o calor no máximo e, quando levantou fervura, baixei. Gosto de cozinhar a baixas temperaturas. pelo que os meus cozinhados nunca ficam 'repuxados'. Coloquei uma pinguinha de água, apenas para poder estar a cozinhar durante mais de uma hora sem risco de acidentes. Quando voltei à cena já a carne estava macia. Nessa altura preparei cenouras, batatas doces, mais cebola, mais tomate, mais salsa, coentros e uma novidade dos meus cozinhados: quiabos. Juntei tudo e envolvi com uma colher, levantando a temperatura até que voltasse a ferver. Depois baixei, temperatura 3 numa escala de 1 a 9. Ficou ali a cozinhar por mais uns quinze minutos. Quando desliguei, continuou sobre a placa para que apurasse um pouco mais. Estava um cheirinho mesmo bom. 

Não sei onde iam estes seres irreais
que avistei hoje quando estava a caminhar à beira rio, desta vez do lado de cá

E, por ora, é isto. Deixo-vos com um vídeo de apresentação de uma série que vai passar em França e onde Angèle Ferreux-Maeght, chef de cuisine e naturopata e Vincent Valinducq, médico e investigador, investigam o que se passa nas zonas azuis junto de gente que anda por volta dos cem no Jaão, Sardenha, Grécia e Costa Rica.

Mais informação pode ser vista em À la découverte des "zones bleues", ces villages reculés où les centenaires vivent heureux, no site de Madame le Figaro.




Já agora, a quem possa interessar, mais alguma informação sobre os Segredos de uma vida longa, agora falado ou legendado em português.


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Todas as fotografias foram feitas este domingo.

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E a todos vós desejo uma bela semana a começar já por esta segunda-feira.

Paz, saúde e amor.

domingo, março 25, 2018

Champanhe para Agustina. Tchim-tchim!



(A filha, Mónica) vem todos os dias à casa do Gólgota ver se está tudo em ordem, agora que só cá vive a escritora, sempre acomponhada por uma senhora que toma conta dela e a segue como uma sombra. "Nunca a sua presença foi tão forte na casa. Sentimos a sua força, a sua intensidade, só que agora já não interfere. Só há o silêncio. Às vezes é muito desconcertante.", diz. Como um enigma.

Confere que a mãe acabou de almoçar e bebeu uma taça de champanhe. Faz questão de beber uma taça ao almoço e outra ao jantar, um hábito que adquiriu desde de que estabilizou depois do AVC, naquele acto de voluntarismo que espantou a neta. A filha interpreta esta vontade de champanhe a acompanhar cada refeição como a celebração de mais um dia. 

Das imagens mais fortes que guarda de Agustina é dela na sala, a escrever com uma prancha em cima dos joelhos, papel e caneta na mão. Mónica entrou de repente na sala, a mãe interrompeu-se e deu-lhe atenção, depois regressou ao texto, numa expressão que a filha estranhou, "como em transe". Como se tivesse passado por um mundo diferente.



[Excerto do artigo "Agustina íntima" de Ana Soromenho, no Expresso deste sábado que comprei de propósito para ler este artigo.  As fotografias obtive-as eu na net, ou seja, não integram o artigo]


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Já agora permitam que partilhe um vídeo que estive agora ver: 

Agustina, no Porto, à conversa com Manoel de Oliveira




E, uma vez mais, o documentário "Agustina Bessa-Luís - Nasci Adulta e Morrerei Criança"



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Tchim-tchim!

terça-feira, junho 07, 2016

Nuvens fálicas;
mais um com o sintoma do sotaque estrangeiro;
o talvez ex-putativo rei, o Charles-Tampax, com um rapazinho nos braços;
o prelúdio de um je ne sais quoi entre Marcelo e o seu Coelho de mal-estimação;
e Calypso Rose - Calypso Queen


Depois do Paulo Portas a caminho do bem bom internacional (Mota e Companhia, pois então, e, sobretudo, milhas e mais milhas aéreas -- com, pelo meio, o troloró do costume na TVI), tudo regado ao som do Lello Perdido, eis-me chegada ao momento do dia em que me sinto na obrigação de falar de coisas sérias.

Não faltam, elas: difícil é escolher. Mas vamos lá, partamos para a escolha possível, necessariamente incompleta e injusta.

1. Nuvens

Há sítios em que as nuvens parecem coisas a despropósito, sejam elas (nuvens) de verdade sejam a fingir. E depois ainda há quem pense que eu é que sou aficcionada em relação à espécie. Sou, sou... Sempre quero saber o que pensam, então, dos neozelandeses.

1.1. Foi inaugurada em 2015 em Auckland uma escultura que foi erigida a oito metros de altura na estação de caminho de ferro de New Lynn. A obra chama-se Transit Cloud e é da autoria de Gregor Kregar que diz que é uma nuvem e não um falo, como é bom de ver. Pois, pois.

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1.2.  Mas depois há as nuvens genuínas, não fruto da imaginação. São curiosas e até artísticas mas não foram obra de nenhum bacano -- a menos que o bacano paire nos céus.

Uns dias chove, outros dias um frio desgraçado, depois um calor abafado, em França chove desvairadamente, troveja e relampeja. Lá onde trabalho, uns dias o mulherio avança como se já verão fosse, umas quase como que a caminho da praia para, logo a seguir, casacos e chapéus de chuva que a tempestade se aproxima e o granizo bate feroz nas vidraças.

E o apresentador da meteorologia, lá no país das nuvens curiosas, olhou para o écrã e viu uma big nuvem. Em forma de tromba. Uma trombinha aquosa. E a apresentadora, sabe-se lá a pensar em quê, caíu depravadamente na risota.

Ou seja, Gregor Kregar antecipou-se à realidade. Let us look at the trailer.

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2. Síndroma do Sotaque Estrangeiro

Depois de um acidente cerebral, italiano passou a expressar-se em francês e tornou-se acérrimo defensor de cultura e hábitos francófonos. 

Faz-me lembrar aquilo de que aqui já falei algumas vezes: a tia de um médico meu amigo que depois de um AVC acordou a falar espanhol.

Este é um espantoSegundo conta o Independent, o italiano só teria tido contacto com a língua francófona na escola e quando aos 20 anos namoriscou uma francesa, mas desde então nunca mais falou aquele idioma.

Agora, depois de sofrer um acidente cerebral, acorda todos os dias a gritar a plenos pulmões: "bonjour".JC fala um francês cheio de imprecisões, mas fala-o com um ritmo acelerado e uma entoação exagerada”, consta no relatório da universidade de Edimburgo, que descreve o homem de 50 anos como “uma caricatura de um típico homem francês”.“Ele só quer ver filmes franceses que nunca tinha visto, comprar comida, ler revistas e livros francófonos”, explicam os cientistas acrescentando que o homem não se mostra incomodado por as outras pessoas nem sempre entenderem o que está a dizer.

Pode não ter graça mas, que me desculpem os que ficam circunspectos com notícias destas, eu acho que do mal o menos e que até tem piada. Se alguma vez a mim me der uma destas (cruzes canhoto! Noc-noc-noc, três vezes na madeira) pois que acorde a falar como a Pipi das meias altas.

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3. O Príncipe Carlos é sexualmente fluido?


Consta que o Príncipe Carlos foi apanhado em poses comprometedoras com um brinquedinho, um moçoilo, todos eles abraços e beijinhos. A imprensa sensacionalista rejubilou, que já se sabia mas que não de tanto desaforo público, e a Firma gelou, que por estas e por outras é que Mamãe não lhe passa a coroa.

Eu olho e não fico certa que aquele ali seja o real tampão da Camila, um full prince charles. Às tantas é um clone. Mas, a bem dizer, tanto se me dá.

Até porque -- para o dia a dia -- em geral prefiro as comédias britânicas às tragédias gregas. E os fundamentalistas que se vão catar.


Prince Charles & Camilla Royle Family spoof


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4. E que dizer deste abracinho entre o omnisciente e omnipresente Rei Marcelo e o seu animal de pouca estimação, o boy toy Láparo-que-antes-abria-Portas?



Só olhos para o Príncipe Carlos e nada de prestar atenção aos arroubos de ternura da quase realeza tuga. Não me parece bem. Ninguém se comove com o ubíquo Marcelo a abraçar e a olhar nos olhos, quase parecendo no prelúdio de um valente chocho, ao Láparo? Isso não é notícia? Ora. Que falta de cortesia.

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5. Calypso Rose - Calypso Queen

E para rematar o post, só vos desejo que, com o calor que se avizinha, venha também a alegria, e mais o carnaval, e a dança, o riso, a música no corpo, as cores na alma. E que as nuvens (em espacial as daquela forma ali em cima) saiam de cima da vossa cabeça. 

From Trinidad & Tobago, Calypso Rose is the undisputed queen of Calypso for more than 40 years. After having produced 30 albums and composed 800 songs, she lives today in the Queens in NYC.
O album “Far From Home” saíu há poucos dias e é um prazer. 

Enjoy!

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E agora, caso sejam pessoas de mau gosto e vos apeteça descer ao mundo do ex-irrevogável Portas, é só deslizarem por aí abaixo.


domingo, maio 08, 2016

Os mistérios dentro de nós
[E as palavras, os números e a música no nosso cérebro]




Por vezes espanto-me com o que me parece ser a burrice alheia. Pergunto-me como é possível a pessoa parecer normal, falar bem, andar bem e, afinal, ser tão troca-tintas, tão desmemoriado, tão trapalhão, tão destituído, tão burro.

Outras vezes espanto-me com o que me parece ser a parvoíce alheia. Pergunto-me como é possível a pessoa parecer normal, ter imensos conhecimentos, uma memória articulada e oportuna, ter bom gosto e, depois, ser tão estúpida, tão mal educada, tão boçal, tão irremediavelmente insuportável.

Está a explicação para isto no cérebro das pessoas? Fazendo um varrimento a todos os recantos dos seus cérebros encontrar-se-ão as explicações para estas maneiras de ser? Será que, ao mapear todas as regiões do cérebro de um mentiroso compulsivo ou de um ressabiado crónico, se detecta que há diferenças consideráveis em relação ao cérebro de uma pessoa normal, bem formada?

Ou os cérebros, estaticamente falando, são idênticos e o que difere é a forma como as ligações se estabelecem?

Antes do meu pai ter o AVC extenso e profundo que o deixou como está, teve dois ligeiros e vários AIT's que apenas posteriormente relacionámos com pequenos estranhos eventos que não tínhamos valorizado. 

No primeiro dos dois ligeiros não conseguia falar, parecia que tinha a fala entaramelada, queria falar e custava-lhe mas achava que isso se devia a ter dormido mal. Foi para a rua andar a ver se refrescava, sentia-se melhor a andar. Mas quem o viu percebeu que alguma coisa não estava bem. A minha mãe queria que ele fosse ao hospital mas não queria. Então ligou para o irmão dele e foi ele que o convenceu a ir ao hospital. Quando lá chegou já estava bem mas ficou em observação. Saíu no dia seguinte, pelo seu pé, como se nada se tivesse passado, despreocupado em relação ao que se tinha passado.

Na segunda vez, naquela vez em que por sorte não tiveram um acidente, já que ficou com a perna presa, o pé sobre a embraiagem, só que estava a estacionar e o carro dali não saíu. Depois acho que foi a conduzir para o hospital e deve ter ido porque a minha mãe apanhou um tremendo susto. Saíu também bem mas com uma coisa estranha: não reconhecia números. Olhava para o relógio e não conseguia perceber que horas eram. Nem sabia dizer os números. Aquilo fez-me muita impressão. Contudo, aos poucos, foi recuperando. A minha mãe ensinava-o como se ele fosse um seu aluno. E ele foi progredindo e gostando - aliás sempre foi bom a matemática. Depois já sabia os números e começou a fazer as operações simples, adições, depois subtrações. Depois aprendeu a tabuada. Gostava. E gostava de relatar os seus progressos. Por fim, já fazia coisas complicadas sozinho. Já nem a minha mãe se lembrava e lembrava-se ele. Aliás, quase que nem eu. Punha-se a fazer, à mão, raízes quadradas complicadas. Já as fazia nas calmas.

E, portanto, recuperava, ficava normal, nem mais nos lembrávamos do que tinha acontecido. Não sei se era a zona lesionada que se regenerava se era outra zona do cérebro que assumia as funções da que tinha ficado inutilizada.

O médico queria que ele tomasse Varfin mas ele não quis, achava que aquilo tinham sido epifenómenos que não se repetiriam.  

Já o contei mas, por ser tão extraordinário, conto de novo. Uma vez, falando com um médico amigo e relatando-lhe isto de o meu pai ter perdido o conhecimento dos números, ele contou que uma tia, quando acordou de um AVC, só falava em espanhol. Nunca antes tinha falado em espanhol. Apenas em pequena tinha tido contacto com alguém espanhol, já não me lembro se seria uma empregada. Depois, com o tempo, voltou ao normal, isto é, a falar em português.


Também já o contei aqui, às tantas torno-me uma repetitiva maçadora. Mas permitam que reincida. Neste último AVC que o meu pai sofreu, em que perdeu metade do campo visual e parte da mobilidade de um dos lados do corpo, perdeu também uma coisa curiosa: a orientação espacial de proximidade. Lembra-se de como se vai para todo o lado, para o mercado, onde se pode deixar o carro, qual a farmácia mais próxima da paragem do autocarro, o estádio de futebol, o pavilhão desportivo, tudo. Mas, em casa, não sabe de que lado é a porta do quarto, qual a direcção da casa de banho ou a porta da rua. Aliás, quando ainda andava -- a custo, mas andava - uma vez arranjou um sarilho dos grandes pois, vindo da varanda, encadeado pela luz e baralhado com a direcção, entrou na sala que há à direita e, convencido que a porta da sala era a porta da rua, fechou-a e deu a volta à chave e retirou-a da porta, como costumava fazer com a chave da rua, colocou-a na estante convencido que a estava a colocar no pequeno móvel de parede onde a costumava pôr e, assim, ficou fechado à chave dentro da sala. Depois, como mal se aguentava de pé e quase não via, não conseguia achar a chave e, de resto, não percebia onde estava. Foi um drama. A minha mãe ia-lhe dando instruções do lado de fora mas ele pensava que estava junto à porta da rua e que a minha mãe é que tinha ficado do lado de fora da casa. E, por isso, dizia para ela dar a volta pelo jardim e tentar entrar pelas traseiras. 

A minha mãe já chorava e ele enervadíssimo. E eu, também aflita, à distância pois, por acaso, isto passou-se enquanto a minha mãe estava ao telefone comigo e, portanto, acompanhei tudo de forma remota, tentando ajudar, dando sugestões, tentando acalmar a minha mãe mas incapaz de o fazer pois o meu pai não percebia o que se passava e a minha mãe estava com medo que ele caísse, e não queria sair dali para pedir ajuda para não o deixar sozinho. Por fim, lá a convenci e ir chamar um vizinho . Mas ele não quis partir o vidro da sala, e depois de muitas tentativas, conseguiu, com ferramentas, destrancar e abrir a porta da sala.

Tanto o meu pai se enervou nesse dia, pois achava que tinha deixado a minha mãe na rua e estava aflito porque não lhe conseguia abrir a porta e depois porque se assustou com estar durante muito tempo a ouvir mexer na porta e a voz de um homem, que acho que a partir daí piorou consideravelmente.


O neurologista disse-nos que quem tem um AVC com aquela extensão geralmente não fica cá para contar. Deve ter uma grande parte do cérebro inutilizada e não conseguiu regenerá-la como aconteceu noutras vezes. Não sei se é regenerar ou arranjar outros caminhos.

A mulher de um colega meu teve um AVC quando era ainda bem nova, quarenta e picos. Perdeu o andar, a fala e também parte do campo visual. Acabou por recuperar o andar e a fala (o campo visual não) mas ficou com falhas a nível do vocabulário que ultrapassa dizendo o significado. Se quer dizer botão diz qualquer coisa como isso que entra na casa para apertar o casaco. Outras vezes engana-se e nem dá por isso. Uma vez, sendo ainda fumadora, estendeu o braço na direcção do cinzeiro e pediu-me: passa-me o relógio?

Isto para mim é tudo muito estranho. Pensamos que somos assim ou assado como se isso estivesse impresso em nós, desde que fomos concebidos, como se a nossa maneira de ser fosse uma marca única e indelével, mas, afinal, tudo pode ser fruto de circunstâncias que não controlamos. Mais depressa sabemos sobre estrelas ou planetas longínquos e o que compõe a sua atmosfera do que como funciona o nosso cérebro. Claro que digo isto porque sou leiga porque, certamente, há quem saiba muito. Mas a procura do conhecimento nestes domínio é um work in progress.


Os vídeos abaixo mostram alguns aspectos dessa fascinante procura.
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Os efeitos da música no cérebro

Bach versus Beethoven no cérebro de Oliver Sacks


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Os números e o cérebro


Your brain seems to treat numbers and words very differently (even if the number is written as a word!). So says cognitive neuropsychologist Brian Butterworth.

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As palavras e o cérebro -- ou o dicionário do cérebro


Where exactly are the words in your head? Scientists have created an interactive map showing which brain areas respond to hearing different words. The map reveals how language is spread throughout the cortex and across both hemispheres, showing groups of words clustered together by meaning. The beautiful interactive model allows us to explore the complex organisation of the enormous dictionaries in our heads.

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Já agora algumas curiosidades sobre o cérebro


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As imagens que usei para ilustrar o texto são, de novo, da autoria de Greg Dunn.

 A música é De Profundis de Arvo Pärt

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E, caso desejem observar as evidências que contrariam as afirmações de um exemplar que talvez encaixe num dos tipos acima referidos, queiram, então, por favor, descer até a um desfile de inaugurações nas quais Passos Coelho participou 
(ele que convictamente disse que nunca, por nunca, participou em alguma inauguração)

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sábado, março 12, 2016

Malucos, dementes, dependentes e a minha amiga psiquiatra. E a diva Kotleta.





Já falei algumas vezes daquela minha amiga psiquiatra que, sempre que me gabo que ela acha que eu sou a pessoa mais equilibrada que conhece, faz o meu marido encolher os ombros e dizer 'Olha quem'. É que ele acha que ela é maluca.

Há algum tempo que não estou com ela mas tenho algumas saudades. É tão maluca, diz e faz coisas tão malucas, que eu lhe acho mesmo graça. Sendo uma mulher muito bonita, toda ela bonita, rosto, corpo, e com um timbre de voz mesmo bonito, tem coisas mesmo parvas. Uma vez, no verão, foi buscar-me ao emprego. Fomos de carro, um carro desportivo, baixo, e eu ao lado dela. Ela com uma saia justa, curta, uma blusa bonita, saltos altos. Nessa altura, tinha o cabelo quase curto, cabelo claro, os lábios pintados de encarnado: aquele género de mulher que dá nas vistas. Ela ao volante, eu ao lado dela. Então olho para as pernas dela e nem quero acreditar. Tinha depilado as pernas até mais ou menos à altura da saia. Ora a saia, sendo justa, e o banco rebaixado, ao sentar-se, a saia subia e ficava um bocado de perna à vista e, horrível, com pelos. Fiquei escandalizada: 'Bolas! Mas então o que é isso?' E ela, admirada, 'O que foi...?' Respondi, zangada: 'Mas tu não atinas? Que disparate. Porque não te depilas como deve ser, ó caraças?' E ela, muito admirada: 'Mas vê-se?'. E eu 'Estás maluca? Mas não tens olhos? Caraças, que coisa mais sem jeito. Ou depilas as pernas todas ou não usas saia curta!' E ela 'Achas? É que não gosto nada de me depilar, depilo só o necessário. Mas pronto, logo depilo'. E eu, espantada 'Olha lá, e vais trabalhar assim? Já toda a gente deve ter visto essa parvoíce'. Parvoíces assim; e esta deve ser das menores. Lembro-me que, nessa altura, o meu marido desvalorizou. Limitou-se a comentar: 'Mesmo que vejam. Tudo malucos como ela'.


Posso, por vezes, ficar chocada mas, de facto, as pessoas que agem e pensam de forma diferente da minha intrigam-me, de certa forma fascinam-me.

Mas há casos que não têm graça nenhuma.

No outro dia, um amigo meu, pessoa das mais íntegras que conheço, estava, uma vez mais, a falar comigo do grande problema que tem com o filho. É um problema sério e eu, porque tenho sempre algum receio que alguém se reconheça a partir do que aqui escrevo, não vou falar nisso em concreto, é tema sensível e doloroso. Mas o meu amigo dizia-me que, desde que se tinham apercebido desse problema do filho, a vida dele mudou, a dele e a da mulher. Diz-me que se sentem muito tristes e preocupados, perguntando-se onde é que falharam e, especialmente, como puderam ser tão cegos que não deram conta daquele problema. O filho conseguiu camuflar um problema grave durante anos e uma coisa tão séria e tão óbvia passou-lhes completamente ao lado. Poderá dizer-se que os pais agora ligam mais ao trabalho do que a quem está perto deles, que a vida dos filhos é relegada para plano secundário. Mas não é o caso. Tenho encontrado, ao longo da minha vida, pessoas excepcionais, de uma integridade e de uma franqueza inabaláveis. Este meu amigo é assim. Ele é daqueles em quem confio incondicionalmente. E ele retribui essa confiança. Ao falar comigo, abre o seu coração sobre qualquer assunto, sem qualquer reserva. Por vezes, teve problemas pessoais e profissionais por ser tão inteiro, e eu, contra ventos e marés, sempre estive ao seu lado. 

E, quando ele precisava de arranjar um trabalho para o filho porque o rapaz andava em maré de 'pouca sorte' e a precisar de um qualquer arrimo, ainda não se desconfiando de nada, movi mundos e fundos para lhe arranjar um estágio que, acima de tudo, era um estímulo, um amparo, uma preparação. O estágio falhou e foi porque eu me interessava pelo rapaz e os meus colegas que o acompanhavam perceberam esse meu cuidado, que me alertaram para que havia qualquer coisa de errado e eu, preocupada, avisei o pai. Foi um choque, o mundo a desaparecer-lhe sob os pés. Diz-me este meu amigo que a vida dele e a forma como passou a olhar o mundo mudou radicalmente desde que esta situação se tornou indisfarçável. No outro dia estive mais de meia hora ao telefone com ele e senti tanta, mas tanta, tanta, pena. Um homem que chefiava centenas de pessoas, tantas vezes em situações difíceis, em períodos complexos, e ele sempre firme como um rochedo - e agora, ao telefone, frágil, inseguro, triste. 

Às vezes na brincadeira, quando alguém nos conta um dissabor, podemos dizer 'antes isso que partir uma perna'. E a verdade é que é mesmo assim: tanto drama que, por vezes, se faz em torno de uma ninharia à toa, quando, de repente, do nada, pode aparecer um facto nas nossas vidas que nos abale os alicerces, nos retire a alegria de viver.

Ando com vontade de lhe ligar para saber que é feito do rapaz, se terá ido a alguma consulta lá com a minha amiga psiquiatra, que eu recomendei. Mas, cobarde, cobarde, tenho receio que não esteja a resultar, que as coisas estejam piores e custa-me tanto pensar na reviravolta terrível que a vida do meu amigo levou. Tomara que esteja melhor e que a maluca da minha amiga psiquiatra, se ele lá foi, esteja a dar conta do recado.

Agora que estou a falar nisto, estou a lembrar-me de uma amiga que me contou que a mãe, a quem foi diagnosticado Alzeihmer, tem coisas cada vez mais do além. Uma vez que ela foi ver a mãe, levava uma caderneta de cromos para os filhos e calhou abrir o envelope ao pé da mãe. A mãe delirou com aquilo e quis ficar com o saquinho com os cromos. E agora, sempre que a filha lá vai, toda contente, quase corre para ela a perguntar: 'Trouxeste a minha surpresa?'. E, portanto, de cada vez que lá vai, tem antes que ir à tabacaria a ver se têm cromos. Em tempos, a mãe não tinha aprovado a escolha do namorado, foi uma guerra, quase cortou relações com ela, por pouco nem iam ao casamento da filha. E agora ali está, diminuída, à espera que a filha chegue com a surpresa. A minha amiga conta isto com tristeza. Custa-lhe tratar a mãe como se fosse uma criança mas não vê maneira de agir de outra maneira.

Não difere muito do que se passa com o meu pai. Homem orgulhoso, enérgico, saudável, habituado a ter uma vida boa, absolutamente independente, ao ter o AVC que o deixou completamente dependente, tem vindo progressivamente a perder a lucidez. Bem, não é bem assim. Tem dias em que está sempre completamente lúcido. Ainda no fim de semana passado, com netos e bisnetos, completamente bem, a falar, a conhecer todos, os nomes dos miúdos, sem qualquer problema. Mas ou porque a medicação, volta e meia, o deixa atarantado ou porque a quase completa falta de visão ajuda à festa, ou porque o processador, às vezes, tem um bug (que, depois de dormir, desaparece), a verdade é que, a par da incapacidade motriz, tem, de vez em quando, momentos de grande perturbação. Hoje, à hora de almoço, quando liguei, a minha mãe disse-me que ele estava desaustinado e que queria falar comigo. Então, lá lhe passou o telefone. É sempre um desatino, porque diz que não me ouve bem, fala enquanto eu falo, uma confusão. Mas hoje não, hoje ouvia quando eu falava e falava quando eu dizia 'Diga lá, pai'. Então, com a voz um bocado entaremelada, disse-me que a minha mãe é uma teimosa, que não o deixa ir para o jardim e que ele queria ir para o cadeirão da sala mas que o tinham deixado ficar ali e que ele já só queria ir para a sua 'caminha' que nem se importava de ficar na 'caminha' até ao fim da vida, mas que eu tinha que lá ir, para ver o que se passava -- e continuou neste registo, sem eu perceber algumas passagens. Pedi para passar o telefone à minha mãe. Perguntei: 'Mas, afinal, o que se passa?'. Diz a minha mãe, 'Mas não percebeste o que ele disse? Acha que está caído no chão. E quer que eu o levante ou que chame alguém para o levarmos para a cama e, por mais que eu lhe diga que na cama está ele, não acredita, fica todo zangado, diz que eu sou teimosa e que tu é que tens que vir cá para resolver isto'. E eu, ouvindo aquela barafunda toda, fiquei cheia de pena. Já nem me parece o meu pai, já pouco tem do que era o meu pai antes disto.

Há bocado, quando liguei de novo, já estava normal. Tinha dormido a sesta e acordado normal, nem se devia lembrar das confusões de antes. A minha mãe já se habituou: 'É assim, nada a fazer'. Pois é. Mas custa.


A qualquer momento, a qualquer de nós, pode acontecer uma coisa destas, ou a nós ou aos nossos. E temos que saber aceitar e, enquanto isso não acontece, devemos viver, gostar de viver, aproveitar a vida, viver bem, sentindo-nos agradecidos por estarmos bem.

Dito assim parece conversa oca. Mas sinto tanto isto, tanto. Cada vez mais.

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Bem. Não quero que isto soe tristonho até porque não estou triste. De qualquer forma, pelo sim, pelo não, que entrem os meus amigos do circo voador.

A tradução é miserável o que ajuda a que a coisa fique ainda mais absurda.

Dr Larch, o Psiquiatra - pela mão dos fabulosos Monty Phyton


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As fotografias da gata Kotleta são da autoria de Kristina Makeeva 

Nelson Freire interpreta Arabesque Opus 18 (C) de R Schumann

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Mas, já agora, deixem que manifeste a minha perplexidade. Ontem contei-vos que uma coisa que escrevi em Outubro de 2014 sobre a Cristina Ferreira, amiga de Marco António Costa e de outros ilustres barões do PSD, tinha tido, nas 24 horas anteriores, para cima de mil e tal visitas, não foi? Pois, imagine-se que juntando com as visitas de hoje, já vai em mais de 3.000. Curioso.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um sábado muito bom.

quinta-feira, janeiro 21, 2016

Da mente, das partículas elementares, dos mistérios, dos atraentes enigmas que nos habitam
[O caos nunca impediu nada, foi sempre um alimento inebriante]


Ora muito bem. No post abaixo mostrei um vídeo fantástico e contei um dos meus famosos (e embaraçosos) deslizes e, mais abaixo ainda, mostrei um filme alusivo aos Descobrimentos mostrando Cabral, ele mesmo, a produzir indevido efeito sobre um índio maneiro.

E, assim sendo, quem queira pagode é descer, que, aqui, agora, a conversa é outra. Não é que seja dramática mas divertida também não será.




Atraem-me algumas matérias que desconheço e que, por algum motivo, me aparecem como mágicas ou simplesmente poéticas. Acontece isso, por exemplo, com a física da matéria. Por acaso, agora que falo nisto, penso que há já algum tempo que não leio ou ouço nada sobre o tema.

[Ao escrever isto, interrompi a escrita e estive a ver alguns vídeos sobre o assunto]

Não me esforço por perceber. Aliás, prefiro até nem perceber. Neste tipo de coisas acho que, se mergulhasse nos aspectos mais técnicos e guiasse o meu raciocínio segundo os já desbravados caminhos do saber, deixaria que escapassem à minha percepção os aspectos mais luminosos e encantadores do assunto.

Sou capaz de ler livros sobre estes assuntos, de forma salteada, como quem lê um poema aqui, outro ali. Acho fascinante que aquilo de que tudo é feito se situe para lá da fronteira do nosso total entendimento. Fotões, quarks, a forma como se deslocam, o rasto que deixam, tudo isso para mim é magia. Já o contei (e é o mal de uma pessoa escrever como se não houvesse amanhã, já lá vão cinco anos, às tantas corremos o risco de nos tornarmos repetitivos): podendo escolher uma cadeira opcional na faculdade, por puro diletantismo escolhi Introdução à Física da Matéria, de um curso que não era o meu. Inesperadamente, tive um dezanove que tive que ir defender e para cuja sessão fui numa total inconsciência, sem me preparar e sem fazer a mínima ideia do que me esperava. Ainda estou para saber como, mantive a nota e recebi muitos parabéns. E muita gente manifestou a sua incompreensão sobre o que me levava a não me dedicar a sério a uma área na qual me movia com tanta facilidade. A questão é que a física das partículas, para mim, era como a poesia: um fascínio. E, nem por isso – ou talvez por isso - não me licenciei em literatura, ramo de poesia (se é que o há).

Igual atracção tenho por tudo o que se prenda com o cérebro, com o seu funcionamento, ou sobre maneiras de ser, o que as motiva, o que leva uma pessoa a ser como é. 

Tenho no meu pai a prova de como as ligações no cérebro podem apagar-se, renascer, flutuar, mudar de comprimento de onda, transformar-se. Desde que teve o último e profundo AVC já lhe vimos toda a espécie de comportamentos. No primeiro dia, lúcido, chorou quando me viu. Mal podia falar, tinha perdido meio campo visual e parte do corpo estava imobilizado e, muito naturalmente, isso desgostava-o bastante. No segundo, parecia estar numa euforia, cheio de planos para quando regressasse a casa (instalar acesso à internet, mudar os vidros das janelas, sei lá) e referia-se a uma enfermeira como sendo parecida com aquela miúda que vai à televisão e que tem umas grandes mamas. A minha mãe, espantada com aquele comportamento, recomendava que ele falasse baixo, que disparate, que alguém podia ouvir e que, para além do mais, mamas grandes têm elas todas, aumentam-nas. Ele ria-se. Depois lembrou-se: era a Ana Malhoa -- e a minha mãe ficou parva com o que ele tinha ido buscar. 

E foi variando. Houve uma altura que queria ter relações sexuais, até se queixou ao meu marido de que a minha mãe não queria. A minha mãe encabulada, mandando-o calar, e ele a insistir. Sentiu-se a minha mãe na obrigação de nos explicar o óbvio: que ele não estava minimamente em condições e que aquilo era mais um dos epifenómenos a que se vinha assistindo.

Quando a minha mãe esteve doente neste verão, choroso (apesar de não saber o que ela tinha nem ter bem a noção de há quanto tempo estava ela fora de casa), dizia ele que estava a rezar à Nossa Senhora. Fiquei perplexa e sem saber se era verdade ou mais uma baralhação. Sempre o ouvi, tal como ouvia ao meu avô, pai dele, referir-se aos padres como os padrecos ou a padralhada, sempre o ouvi referir-se às mulheres mais crentes como umas beatas. Não me lembro que alguma vez tenha ido à missa, quanto mais rezar.

Contou-me a minha mãe que ontem, estando ela a tentar evitar que ele durma durante o dia, senão não dorme de noite e não a deixa dormir, se queixava, com um certo toque de ironia, à senhora que lá vai tratar da higiene: não tenho conseguido dormir, aí o fiscal não me larga. Outras vezes refere-se à minha mãe, com arrelia, dizendo: ‘anda aí feita doutora, a dar ordens, só a querer que eu amoche’. Outras vezes, logo de seguida, é capaz de querer ir para um lar porque acha que dá muito trabalho e que tem pena de ser uma prisão para a minha mãe. E oscila entre todos os estados de espírito, sem razão aparente. Outras vezes percebemos que nem é ele: são os comprimidos. Há dias chamou a minha mãe e disse-lhe que já tinha morrido e queria saber onde é que iam pôr o caixão. Já não é a primeira vez que diz isto. A minha mãe já se ri, e diz-lhe como se se zangasse: ‘Ai! não sejas parvo, então achas que, se tivesses morrido, estavas a falar? Cala-te com essas conversas que não têm jeito nenhum’. A semana passada chamou-a, parecia assustado. Praticamente não vê nada mas, então, dizia que a minha mãe tomasse conta das crianças que ali estavam, todas de roda da cama, sem pararem sossegadas e sem ninguém a olhar por elas. Quando a coisa derrapa para estes domínios, a minha mãe pensa que é algum medicamento que está a provocar alucinações. Ou pensa que sabe qual é e reduz a dose (embora receie que alguma outra coisa descarrile), ou vai ao neurologista que lá muda ligeiramente aquele processo alquímico que serve de caldo no qual a mente se movimenta.

No entanto, li num livro de Oliver Sacks (a ver se um dia destes falo sobre ele que é deveras, mas mesmo deveras, interessante) que aquelas alucinações podem não ter a ver com a medicação mas com o facto de praticamente não ver. Há pouco fui ver se encontrava algum vídeo sobre isso e encontrei. Está ali em baixo.

São matérias tão misteriosas... É o nosso corpo e, no entanto, como ainda é um enigma, pelo menos para a maioria das pessoas.

Pela parte que me toca, não sei se há alguma relação entre a física das partículas, as neurociências, a poesia, a álgebra ou a geometria descritiva, os modelos de simulação e a inteligência artificial, a simetria e as cores puras das flores. Não sei mesmo. Não sei porque é que isto me atrai nem provoca em mim esta sensação de irresistível atracção que me leva a ler sem querer fixar, a contemplar sem querer perceber, a aproximar-me sem querer tocar. Não sei. E também não quero saber.
(...)
e já declina a beleza completamente despida
da jovem ateniense que abriu a porta e traz a luz ao quarto inteiro
de uma só vez,
mas deixa que se suspeite a treva infinda de onde chega,
ávida fêmea de que equívoca temperatura,
de perguntas como: que idade tem a terra?
em que data de que sítio é a primavera?
(...)


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Acima, o excerto pertence a um poema inédito de Herberto Helder publicado na revista de poesia Relâmpago, 36/37.

No título desta mensagem há um pequeno excerto de um outro poema, mas esse já de 1990.

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E agora aqui estão dois vídeos nos quais Oliver Sacks fala de enigmas que me fascinam. 

1.

Oliver Sacks explica o incrível efeito da música sobre a gagueira cinética do mal de Parkinson


Transcrevo o texto de apresentação do vídeo: Muitos têm conhecimento sobre o notável poder da música em fazer desaparecer os bloqueios de fala das pessoas que gaguejam (cantar é uma das formas mais infalíveis de eliminar momentaneamente a gaguez). Mas poucos sabem que um efeito similar também ocorre no mal de Parkinson, também chamado de gagueira cinética. Neste vídeo, o neurologista Oliver Sacks fala sobre como é surpreendente a forma com que pacientes parkinsonianos reagem ao estímulo fornecido pela música. Impedidos pela doença de falar e se mover com fluxo e suavidade, a música momentaneamente consegue trazer-lhes de volta à normalidade, restaurando-lhes a leveza e o ritmo dos movimentos. A história contada no vídeo é um dos casos clínicos relatados em seu novo livro, Musicophilia,


2.

Oliver Sacks: O que as alucinações revelam sobre as nossas mentes


O neurologista e escritor Oliver Sacks chama nossa atenção para a síndrome de Charles Bonnet -- na qual pessoas visualmente deficientes experimentam alucinações lúcidas. Ele descreve as experiências de seus pacientes com detalhes afectuosos e nos conduz à biologia desse fenómeno pouco divulgado.

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Lá em cima, o primeiro vídeo traz, de Hildegard von Bingen, Ave generosa (de Heavenly Revelations), numa interpretação a cargo de Oxford Camerata.

As fotografias da mulher que partilha um dos olhos com um animal e a última, a que os esconde com uma borboleta, são da autoria da húngara Flóra Borsi.

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E, agora, a quem ainda tiver paciência para me aturar, recomendo que desçam até aos dois posts seguintes, bem mais levezinhos.

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sábado, agosto 15, 2015

A nudez integral de Sharon Stone: a beleza de uma mulher de 57 anos que teve um aneurisma e uma brutal hemorragia cerebral, que deixou de ser capaz de ler, escrever, falar, andar, que se divorciou, que perdeu a guarda do filho, que perdeu os bons papéis no cinema, que se sentiu humilhada e que, bela, belíssima, aí está de volta, inteira, pronta para a luta


Depois de, no post abaixo, ter aqui trazido São Mateus para me ajudar na resposta ao Quiz relativo às próximas legislativas, em que nos explica, com todas as letras, porque é que os PàFs deviam era ter vergonha na cara, agora parto para outra. E a outra tem um nome bem conhecido: Sharon Stone.

Não fazia ideia do que se tinha passado com ela. A gente lembra-se dela das cenas calientes de Instinto Fatal, o famoso cruzar e descruzar de pernas, a sedução provocante, a bissexualidade implícita, e a elegância e ambiguidade no Casino... e depois vai perdendo o rasto, e acaba por se fixar nas imagens do passado quase esquecendo que não está a vê-la no presente.

Sharon Stone naked photo after stroke

Até que a Harper'z Bazaar traz de volta uma Sharon Stone esbelta, carnes lisas, corpo escorreito, sem uma gordurinha a mais, nem um pneu que nos sirva de consolo. Nua. Completamente nua. 


O rosto já não tem aquela malícia que lhe escorria do olhar; mas como poderia uma mulher que se abeira dos sessenta anos ter a disponibilidade ostensiva dos trinta? Deixo-me, pois, de observações eivadas de caridade disfarçada, na verdade quase invejinhas bobas, e reconheço que tomara eu, caraças, tomara eu um corpinho bem feito destes.

E depois ponho-me a ler e vejo, com surpresa, o que se tem passado na vida desta mulher desde que em 2001 quase foi desta para melhor.

Transcrevo:

(...) To add insult to injury, Stone kept forgetting her lines.

"That was humiliating," the actress recalls. "Having worked with the finest people in the industry, I was like, 'Wow, I'm really at the back of the line here. I'm wearing L'eggs panty hose, and in makeup they start out by putting this white primer on my face.' I'm like, 'This is so bad. What did I do to deserve this?' "

Sharon Stone naked photo after stroke
The situation had to do in part with an aneurysm that Stone suffered in 2001 and a subsequent cerebral hemorrhage that lasted nine days. She emerged from the hospital stuttering, limping, and unable to read. Over the next few years, her marriage to journalist Phil Bronstein fell apart, and she lost custody of their adopted son, Roan, then eight. (...)

Only recently has Stone begun to talk openly about the brain hemorrhage and its crushing impact on her life. As she recalls it, she felt unwell for three days before she went to the emergency room. It turned out she'd had a stroke, and she lost consciousness soon after being admitted. "When I came to, the doctor was leaning over me. I said, 'Am I dying?' And he said, 'You're bleeding into your brain,' " she remembers. "I said, 'I should call my mom,' and he said, 'You're right. You could lose the ability to speak soon.' " Stone's mother flew in from Pennsylvania so quickly that she arrived at her daughter's bedside still in her gardening shorts.

Sharon Stone naked photo after stroke
Several days and two angiograms later, Stone was finally diagnosed with a ruptured vertebral artery. She says that at one point she woke up to find herself being wheeled into surgery and got into a screaming match with a doctor about alternative treatments. "I was hemorrhaging so much that my brain had been pushed into the front of my face," she says. Surgeons ultimately repaired the artery with 22 platinum coils.

The stroke and its aftermath transformed Stone in ways she's still discovering. "It took two years for my body just to absorb all the internal bleeding I had," she says. "It almost feels like my entire DNA changed. My brain isn't sitting where it used to, my body type changed, and even my food allergies are different." It took months for her to regain feeling in her left leg and years for her vision to return to normal; she also fought to eliminate a persistent stutter. (...)


Mas, apesar de tudo, ela cá está, de novo a tentar voltar para papéis dignos, para o palco mediático onde se sente em casa. E bela, belíssima. Queixa-se que há muito tempo que nenhum homem a convida para sair, parece que já nem se lembram das suas capacidades de flirtar mas, enfim, é certamente coisa temporária e parece-me pormenor perante a sua resistência, a sua força e, já agora, perante a beleza do rosto e das formas perfeitas do seu corpo.
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E viva a vida
- que, tantas vezes, é traiçoeira e tantas outras é boa, feliz; e que é sempre efémera.

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Em 1992, longe de saber o horror pelo qual iria passar, era assim:


Instinto Fatal
  
[realizado por Paul Verhoeven, onde Sharon Stone, fatal e provocante, contracena com Michael Douglas]

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E permitam que recorde: se é pelos frutos que os devemos conhecer, então, sigam, por favor, até ao post seguinte para que se veja a quê, na actualidade, podemos fazer corresponder os ensinamentos de Mateus.
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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo sábado, feliz, tranquilo.

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