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sexta-feira, outubro 31, 2025

Um salão de baile com muito que se lhe diga

 

Muito se tem dito, e creio que está à vista, que Trump nunca foi bom na cabeça e que, agora, com a idade, o regime alimentar desadequado e uma vida de excessos, a demência está a fazer o seu caminho. E, no entanto, parece que ninguém se chega à frente para correr com ele. Ora, parece que a principal razão é que, aí, quem ascenderia à presidência seria J.D. Vance que, dizem, é verdadeiramente sinistro. Não o conheço assim tão bem mas a verdade é que, quando vejo alguns vídeos em que ele discursa, fico agoniada, visceralmente incomodada.

Está assim o país mais poderoso do mundo, entre um narcisista doentio, mentiroso, vingativo, corrupto, vigarista, ainda por cima agora já meio taralhouco, e um sujeito frio, ambicioso, prepotente, com uma agenda bem definida, ultra reaccionário, daquelas pessoas que coloca a interpretação mais limitada, deturpada e inquisitória da Bíblia acima da Constituição dos EUA, que, se puder, sem pestanejar, se tornará um ditador bem mais perigoso que o actual ditador-orange-clown.

Trump, de uma maneira ou de outra, acabará forçosamente mal, pois tão longe está a levar a corrupção, o desafio à lei e à ordem, tão longe está a levar o torpedeamento à democracia, tantos são os desvarios e tantos os indícios de que andou metido em alhadas das sérias que, de alguma forma, a coisa irá dar para o torto. Isto se não cair para o lado (há médicos que dizem que, para além do problema circulatório e da degeneração mental, também já terá tido um avc).

Além de tudo o que se passa na vida deste personagem, há o passado que o persegue e que, presumo, o deve atormentar até ao limite. E ele vê o que está a passar-se com o ex-Príncipe Andrew, igualmente amigo de Epstein: a pública descida aos infernos de que não consegue esconder-se (e ainda deve estar a ver-se apenas o princípio).  Para Trump, também não deve haver dia em que o tema não venha bater-lhe à porta, nem que seja para o relembrarem de que os ficheiros devem ser divulgados. Isto para não falar do processo movido por Michael Wolff a Melania, que vai fazer correr rios de tinta e que poderá ter consequências imprevistas.

O recente escândalo do Salão de Baile, que ele anuncia como um projecto régio, dourado, luxuoso, majestático, e que o levou a demolir parte do edifício da Casa Branca, é bem a metáfora do que move Trump, de como se move e do desrespeito que sente por tudo e todos.

Os fulanos do The Lincoln Project são incansáveis na denúncia dos desmandos do Trump. 

Quando se anuncia que o Salão de Baile vai chamar-se The Trump Ballroom, provavelmente, precedido de Big and Beautiful, eles aparecem a dizer que bom, bom é que se honre também o bom amigo Epstein, chamando-lhe o Epstein Ballroom, ou Trump and Epstein Ballroom

Epstein Ballroom

The Epstein files stay hidden, but the Epstein Ballroom will be a prominent display

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Desejo-vos uma feliz sexta-feira

domingo, maio 04, 2025

100 dias de Trump

 

Tudo muito mau, assustadoramente mau. E choca-me que ainda haja tanta gente, por cá, que tente copiar as atitudes e as medidas deste anormal.

100 dias de caos, 100 dias que pareceram 100 anos

quarta-feira, abril 23, 2025

Não está a funcionar

 

Há muita gente que acreditou que Trump iria mostrar ao mundo como é bom um país governado por liberais, daquela gente que deixa os mercados agirem por si, por conservadores que não alinham no 'politicamente correcto', que estão a marimbar-se para essas 'mariquices' de ambiente, igualdade de género e coisa assim.

Por cá temos vários desses. 

Na nossa política, alguns, burros até à décima casa ou avençados ao serviço de quem quer destruir a democracia, continuam a defender Trump.

E, no entanto, o que se tem visto por lá é uma palhaçada, uma afronta, um disparate pegado, um atentado às mais elementares leis de um estado de direito. Podia ser um filme, poderia ser a versão humana do triunfo dos porcos. Mas não é um filme. É a realidade. Uma realidade distópica, surreal, absurda.

Seria bom que os ingénuos que acreditam ou acreditaram naquilo percebessem bem como as medidas de Trump -- medidas ruinosas, parvas, erradas, catastróficas, desumanas, estúpidas -- destroem a economia, destroem as poupanças, destroem a confiança, minam a estabilidade. Seria bom que, nas nossas próximas eleições legislativas, quem tem dois dedos de testa se afastasse dos partidos que ainda não descolaram abertamente de Trump.

It's Not Working


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Mas, optimista como sou, tenho alguma esperança. Há vozes que se levantam, que se sabem fazer ouvir, gente com carisma e ideais que apontam para o lado civilizado e bom da vida.

Como já aqui partilhei, nos States, o jovem Bernie Sanders e a carismática e sensata Alexandria Ocasio-Cortez têm juntado multidões para apelarem à revolta da população contra a indigência moral e intelectual de Trump. O vídeo abaixo mostra como, com frases curtas mas muito bem pensadas, muito eficazes, Ocasio-Cortez consegue mostrar as diferenças entre os dois lados.

A note for Fox News hosts. | Alexandria Ocasio-Cortez

When Social Security provides benefits for babies whose parents have passed away, that's not "waste."

That's called humanity.


Tomara que o lado bom da vida prevaleça

(nos States, na Rússia, em Israel, em todo o lado)

sexta-feira, março 07, 2025

Vladdy Daddy

 

The Lincoln Project is a leading pro-democracy organization in the United States — dedicated to the preservation, protection, and defense of democracy. Our fight against Trumpism is only beginning. We must combat these forces everywhere and at all times — our democracy depends on it. 

sábado, março 01, 2025

O espectáculo que Trump, esse bully asqueroso, e J.D. Vance, um porcalhão mal-educado, deram na Casa Branca é uma coisa obscena.
Mais uma vez Zelenskyy provou que é um homem (e até dá vontade de escrever o H em maiúscula), um homem que os tem no sítio

 

O espectáculo vergonhoso, com duas bestas a humilharem e a quererem vergar um homem que há 3 anos se aguenta de pé apesar da violenta guerra a que o seu País tem estado sujeito, foi surpreendente. Mas não foi só isso que Trump e J.D. Vance fizeram: na verdade, humilharam todos os americanos e os Estados Unidos enquanto nação. Chamarem estúpido a Biden, como Trump já o fez repetidamente, gozar com Obama, dizer mentiras em catadupa, proferir ameaças, ofensas, falar com Zelenskyy como se ele fosse um jogador de cartas e a Ucrânia um tabuleiro, é uma vergonha, uma vergonha a nível mundial, uma vergonha nunca vista.

Não sei como é que os americanos, democratas ou republicanos, digerem um espectáculo tão vexante. Não sei se não se sentirão tentados a acabar com a ruína moral que representa a presença de Trump como presidente dos Estados Unidos.

Em contrapartida, perante aquela vergonha, Zelenskyy manteve-se fiel a si próprio: inteiro, frontal, humilde mas firme. 

Para a história Trump ficará como um palhaço. Putin como um psicopata, um assassino. E Zelenskyy como um herói. 

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E as reacções aparecem por todos os lados. Aqui está uma:

Trump and Vance ATTACK Zelenskyy in Oval Office and Align U.S. with PUTIN

Rick Wilson reacts to the disgraceful Oval Office meeting between Donald Trump, JD Vance, and Volodymyr Zelenskyy. Today's Oval Office spectacle wasn't about showing strength, it was about surrendering to Putin. Trump and JD Vance have sold out America.

sábado, fevereiro 08, 2025

Presidente Musk

 

Pergunta: Quem votou em Trump, votou em Trump?

Resposta: Não, aparentemente votou em Musk.

E acrescento: E, mais grave ainda, o Presidente Musk tem como adjunto um maluco, Trump

President Musk

The real president wasn’t even on the ballot last November.


The Lincoln Project is a leading pro-democracy organization in the United States — dedicated to the preservation, protection, and defense of democracy. Our fight against Trumpism is only beginning. We must combat these forces everywhere and at all times — our democracy depends on it. 

quarta-feira, fevereiro 10, 2021

Uma questão de verdade e de imagem de marca

 

Não é fácil comunicar. Pensamos que estamos a ser claros, exaustivos, inequívocos e, afinal, o que dizemos ou fazemos pode ter segundas leituras, pode dar azo a interpretações distorcidas. Ou uma palavra mal colocada ou omissa pode anular todo o resto do texto. Ou o que pretendemos que seja uma narrativa inspiradora pode ser vista como utópica ou deslocada.

Saber escolher o momento de comunicar, saber identificar o destinatário e ser eficaz e inquestionável na mensagem transmitida mais do que requerer técnica, requer arte.

Desde que comecei a ver os vídeos de The Lincoln Project fiquei rendida à sua arte de comunicar. São certeiros, cirúrgicos. 

Hoje novos vídeos. Fantásticos. Uma vez mais o apelo de um grupo de Republicanos ao sentido ético dos Republicanos que serão chamados a votar. Na mira o julgamento sobre a actuação de Trump no assalto ao Capitólio.

Uma obra-maior na arte da comunicação política.

Branded   --  The Lincoln Project


Watch this if you own a company and corporate branding & messaging matters to you!


The Case Against Donald J. Trump



quinta-feira, janeiro 21, 2021

Morning in America

 

Esta quarta-feira foi um dia grande. A larva narcisista e cor de laranja foi corrida e saiu, pela porta pequena, na companhia da sua esfíngica e vazia viúva que, na hora da despedida, se mascarou a preceito, de negro mas com umas festivas solas em rouge Louboutin. Dizem que se exprime através das toilettes e, se a de hoje diz alguma coisa, é conversa para a qual me estou nas tintas. 

O psicopata Donald saiu não apenas com a viúva mas também com a sua corte de filhos, noras, filhas, genro e amigos, todos uns parvalhões de primeira. Saiu dizendo as alarvidades do costume. 

Agora aqui chegada é com gosto que vejo vídeos sobre o tema, resumindo, com números, o que foram estes quatro anos de vergonha mundial. Aqui fica pro memoria.


Interessante também este vídeo que ilustra bem o que foi a absurda era Trump, uma era desconcertante e ridícula em que valeu tudo.

Jared & Ivanka: No Credentials Necessary 

The Daily Social Distancing Show


Tantos vídeos de The Lincoln Project aqui partilhei que hoje não posso deixar de partilhar um segundo, o da celebração, da esperança, tão contrário aos da série Mourning in America que em tempos também partilhei:

Morning in America


Donald Trump is out. President Joe Biden is in. It's morning in America, again.




E a palavra ao novo presidente dos Estados Unidos

This is democracy's day': Joe Biden urges unity in inaugural address


Que novos dias voltem a trazer alguma esperança

sábado, novembro 14, 2020

Democracia...?

 


O mundo assiste, perplexo, à palhaçada com que Trump continua a brindar os americanos e o mundo em geral. Com a pandemia a explodir em novos records todos os dias, Trump, que dizia que despediria Fauci, agora entretém-se a anunciar a vacina e como fará a distribuição. O grande contagiador, essa infame criatura a quem Anderson chamou tartaruga obesa, fala como se ainda não tivesse percebido que perdeu as eleições, como se não soubesse que os outros países já o isolaram, felicitando Biden como o presidente democraticamente eleito, como se a comunicação social não estivesse de olhos postos no que virá a ser a nova Administração e não na sua desorquestrada côrte constituída por filhos, advogados caquéticos e louras burras. 

Que país é este? Que democracia é esta que alberga tais palhaços como se fossem dignos de governar em liberdade?

Sou ferozmente contra todas as formas de autoritarismo mas não posso dizer que esteja contente com a deriva fofinha por onde navega a democracia. Não sou politóloga, socióloga ou filósofa para poder opinar sobre as coordenadas geográficas onde se deve colocar a linha vermelha. O que sei -- ou melhor, o que sinto -- é que a democracia não pode ser a casa da mãe Joana onde entra quem quer. Populistas, fascistas, racistas, xenófobos, narcisistas ou psicopatas não deveriam estar autorizados a ir a votos, a ocupar lugares de representação e, em geral, ocupar lugares de poder. São um atraso de vida e um verdadeiro perigo. 

Os Estados Unidos que, talvez ingenuamente, nos habituámos a olhar como um lugar de democracia, são agora o palco onde todas as cegadas são possíveis: um maluco governou aquele gigante país durante quatro anos, só dizendo e fazendo parvoíces, prestando-se ao escárnio, incentivando o que de pior a natureza humana esconde. Agora que foi derrotado porta-se como uma menina birrenta, um maluco desatinado, um ditadorzinho de caca, um palhaço que ainda não percebeu que está na hora de levantar a tenda. Uma vergonha.

Até há algum tempo não dei conta de que fosse costume usar-se a expressão 'vergonha alheia'. Agora é banal. E eu, que me aborreço com banalidades, não posso agora deixar de usá-la: assistir ao comportamento de Trump faz-me sentir vergonha alheia.

Na distraída deambulação que por aí faço, dei com o mangas de alpaca, Rui Rio de seu nome, na pacóvia gozação com quem o critica, no Twitter, pois claro, sendo glosado de perto (ou melhor: gozado implacavelmente) pelo alarvezeco de meia tigela que o ex-láparo, em tempos, promoveu a figura pública. Vejo isso e pasmo. Não quero perder tempo com figuras rasteiras de quem nunca nada de aproveitável alguma vez virá mas fico com pena: pessoas assim ainda merecem votos de confiança de alguém...? Como é tal possível...? Que desconsolo. 

Felizmente, estando para aqui eu neste desânimo, fui dar com mais uma da rapaziada do Lincoln Project. Grande equipa. Mais um vídeo à maneira. É ver.

Um apelo aos Republicanos: 

It's time for Republicans to put America first.



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Tal como no post anterior, sobre a vacina Covid, as flores são de chez-moi e vêm ao som de Leonard Cohen: Democracy

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Que o sábado vos seja bom

domingo, novembro 08, 2020

Biden, presidente dos Estados Unidos da América.
[Com Trump out, chega ao fim um dos mais vergonhosos e incompreensíveis períodos da História]

 

Esta é a madrugada que nós esperávamos*
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

É com um imenso alívio que vi confirmada a vitória de Biden. Digo aquilo que disse no outro dia: Trump doía-me como se fosse presidente do meu país. Ter que suportar um escroque daqueles como presidente dos Estados Unidos era uma humilhação que me custava a suportar. A liberdade e a democracia estavam a ser vilipendiadas. Claro que o que não faltam são estupores. Veja-se Bolsonaro e outros. Mas os Estados Unidos são uma bandeira da democracia para o mundo. Pode ser uma miragem, uma ilusão. Talvez. Nódoas não faltam naquela bandeira. Mas temos, todos, que querer o melhor e não encontrar justificações ou atenuantes para aceitarmos o pior.

Portanto, que bom que Biden tenha vencido estas tão renhidas e tumultuadas eleições. Que bom que Joe Biden seja o novo presidente dos Estados Unidos.

E se estou tão aliviada e contente nem é tanto por Biden -- embora também o seja. Acho-o um tipo decente e acredito que vai sair-se honrosamente. De resto, será bem apoiado e em sua volta congregar-se-ão todas as forças positivas da gente de bem. Kamala, sua vice, não tenho dúvida, será uma presença de modernidade e inclusão que trará força e luz ao seu mandato.

Biden terá pela sua frente uma tarefa hercúlea: conseguir fazer-se afirmar junta da imensa mole de broncos e grunhos que votaram em Trump. Isso e, não menos importante, conseguir vencer os coronavírus que, por lá, andam à solta como múltiplas varas de porcos assanhados. Isso e, também, a brutal crise que a covid está a cavar por lá (como em todo o mundo). Não vai ter a vida fácil, Biden.

Há gente que tenho por civilizada e que, estranhamente, ainda acredita que o problema de Trump é o que diz e a forma como o diz. Ingenuidade. O problema de Trump é ser Trump. Não há um narcisista à superfície da terra que valha um caracol. Nenhum. É tudo gente que pensa e age em função de si própria. Pode isso ser camuflado de mil disfarces, alguns nem deliberados, mas não há volta a dar. Os narcisistas desconhecem o que é a empatia, desconhecem o que é a abnegação, desconhecem o que é a visão intelectualmente honesta. Imagine-se agora um narcisista extremado e poderoso como Trump. É um perigo. Trump é uma pessoa que é tudo e o seu contrário conforme a conveniência de momento mas que tem como substracto o desprezo que, no fundo, sente pelos outros. Acha-se o maior, o melhor,  mais amado. Nem é bem desprezo, é, sobretudo, indiferença. Os outros interessam-lhe apenas na estrita medida em que lhe podem ser úteis. Se não lhes reconhece utilidade ou se percebe que são pessoas que não o veneram ou, simplesmente, que não gostam dele, sentem-se ameaçados, vitimizam-se, mostram-se injustiçados -- e partem para o ataque, para a injúria ou, quando a cobardia aperta, para a lamúria infantilizada. Gente assim é tóxica. Imagine-se um Presidente que é tóxico: é tóxico para os outros, só que, neste caso, os outros são a população do país. Mais: sendo o país os EUA, ele é, também, tóxico para o mundo. Um perigo.

O que Trump fez é inenarrável: rompeu acordos importantes, marimbou-se para as alterações climáticas, ignorou a ciência, mostrou desprezo pelos outros Estados, acicatou ódios, apoiou os mais ignorantes de entre os ignorantes, fomentou o obscurantismo ao mais alto e disseminado nível -- e essa sua herança vai ficar por lá.

Biden vai, pois, pisar terreno que, em larga medida não lhe vai ser favorável (isto para não dizer que é terreno minado). Ganhou, mas a percentagem de gente que votou em Trump é de susto. Contudo, optimista que sou, espero que esses broncos caiam na real e percebam que um país ter à frente um democrata, um homem decente, é meio caminho andado para os cidadãos se sentirem confiantes. Espero também que muita dessa gente seja tão bronca que, não tendo quem lhes dê corda, acabe também por se esquecer das posições trumpistas. Finalmente, apesar de não ser vingativa, por esta vez espero ainda que Trump acabe isolado e atolado no fel e na gosma que passou o mandato a espargir sobre quem não lhe prestava vassalagem.

Mas, enfim, agora é hora de olhar em frente. Trump já era. 

 by Chris Riddell

Biden é agora o Presidente dos Estados Unidos e isso é o que interessa festejar. 

E se há festa nas ruas...! E se há alegria**, desfile, salto, dança, riso, aplauso, alívio... e hope, hope, hope

Good luck, Biden, Mr. President!

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Para memória futura:

The path to Joe Biden’s victory: five days in five minutes

* No poema original de Sophia de Mello Breyner: que eu esperava

** E muita gente sem máscara... Tão felizes estão que até parece que se esquecem da covid. A ver no que tanta falta de cuidado vai dar.

quarta-feira, novembro 04, 2020

OUT

 

É como se fosse comigo. Na realidade, no meu íntimo, o que sinto é que é comigo. Não posso votar e tenho pena. Mas posso falar: um presidente dos Estados Unidos como Trump envergonha o mundo. Não faço ideia de quais serão os resultados. Se Trump ganhar, não os achará ilegais e cantará vitória. Se perder, haverá confusão. Não aceitará os resultados, recorrerá a toda a espécie de intrujices. Contudo, se a derrota for humilhante, talvez não tenha como alegar o que quer que seja e, aí, talvez o vejamos em lágrimas, bebé incompreendido, e, como todos os narcisistas apeados, sem perceber como foi possível tamanha injustiça -- talvez inventando casos, desfiando desculpas, dizendo patranha atrás de patranha. Mas não sei. Sei, isso sim, o que desejo: que este terceiro cenário se torne realidade. Que saia pela porta baixa, sem ninguém à sua volta, enxotado como um cão tinhoso, rabo entre as pernas, a boquinha de cu a fazer beicinho.

Mas não sei: o que por aqueles lados (e em todos os lados) não falta é gente que gosta de cães tinhosos. Geralmente são aqueles que os cães tinhosos mais desprezam que mais votam neles: são os mais vulneráveis, os mais facilmente manipuláveis, aqueles que se deixam conduzir sob o efeito do poderoso factor 'medo'. Trump mente, inventa, alucina, ameaça: diz que, se Biden ganhar, não haverá empregos, não haverá comércio, não haverá festividades, será a hecatombe, o vazio, o sepulcro em vida. E muitos acreditam e vão atrás das patranhas, convencidos que Trump os salvará do fim dos tempos. Outros, os mais broncos dos broncos, sentem-se entusiasmados pelo que lhes parece um poderoso macho alfa que gostariam de emular: seguem as suas baboseiras, munem-se de armas, grunhem como porcos convencidos que são gente.

Poderia, tudo isto, ser um guião de filme de Borat, tudo ridículo, irreal, disparatado demais para poder ser verdade. Mas não: as cenas de Borat são coisa de nada ao pé das macacadas estúpidas de Trump. Vê-se e ouve-se o que ele diz e faz e mal se acredita. Stand up do melhor que há. Com o senão de não ser para rir, ser mais para uma pessoa ficar de boca aberta, estupefacta, aterrada. Ele acha que sabe mais do que os médicos, mais do que qualquer cientista, ele compara-se a Jesus Cristo, ele ataca Lady Gaga, diz que sabe muitas histórias dela, ataca Jon Bon Jovi a quem acusa de lhe querer beijar o rabo de cada vez que o vê. No último dia de campanha publica um vídeo com as suas danças. Acha-se o melhor, o maior. Um palhaço babaca, jararaca, bobalhão, porcalhão. O pior é que tem o destino dos Estados Unidos na mão e, com isso, tem o mundo na mão. 

Talvez seja derrotado. Mas não arrisco. Só falo depois dos factos estarem consumados. Até lá, faço votos, faço figas.

Ficam desta campanha não apenas as inúmeras aldrabices e fantochadas de Trump mas também a extraordinária precisão e sentido de oportunidade, a frontalidade, a inteligência e a intransigência da campanha levada a cabo pelos fulanos do Lincoln Project. Afirmando-se republicanos, tudo têm feito para destruir a suprema-cavalgadura-cor-de-laranja para apelarem ao voto em Biden. Um case study. Não tenho ideia de uma campanha política tão certeira, tão permanente, verdadeiro fogo cerrado sobre um candidato a destruir. Tomara que tenham sido bem sucedidos. 

Dois exemplos de dois vídeos (dois dos vários) lançados nas últimas 24 horas:








Acendamos velas. Façamos figas.

Trump no more.

domingo, novembro 01, 2020

A besta

 

Quando vejo aqueles comícios apinhados de gente sem máscara, tudo a aplaudir um palhaço desclassificado, fico em estado de quase estupor catatónico: como é possível um doido varrido destes, um aldrabão descarado, um psicopata narcisista ser o presidente dos Estados Unidos? 

Se a cavalgadura voltar a ganhar terei que me esforçar muito para não hibernar. Não sei como é que os americanos decentes e informados conseguem suportar a ideia de terem um presidente que devia era estar internado em vez de andar por aí a espalhar baboseiras aos quatro ventos.

Veja-se isto aqui abaixo. Alguém acredita que isto é verdade? Se eu tivesse nascido hoje ou aterrado aqui vinda de outro planeta diria que não, nem pensar. Isto só poderia ser paródia.

O pior é que não. Isto passou-se. Isto passa-se sempre que a besta quadrada anda à solta.

The most bizarre moments from Donald Trump’s CPAC speech

Donald Trump gave his longest speech yet at the Conservative Political Action Conference (CPAC), an annual gathering of conservative politicians and pundits. It was a chaotic, unscripted oration filled with unflattering impersonations of the president's opponents. In a speech lasting more than two hours, he took aim at the Green New Deal, Russian collusion, illegal immigrations and investigations into his personal finances. Notably, he made no mention of Michael Cohen, his long-time personal lawyer who gave a testimony to congress last week calling Trump a racist, a con man, and a cheat

Consola-me, mas só um pouco, ver estes vídeos do Lincoln Project:


Façam figas. Eu ando com elas permanentemente feitas.

sexta-feira, outubro 16, 2020

Os republicanos contra o palhaço que se aboletou na Casa Branca:
a malta do The Lincoln Project já fez um vídeo com o hino da Demi Lovato "Commander in Chief"

 

Ainda há pouco, juntei no mesmo post o Lincoln Project e a canção da Demi Lovato que está a dar que falar. Pareceu-me que era uma ligação virtuosa against the disgusting orange pig

Pois bem, a malta do Lincoln Project, republicanos revoltados com o narcisista peçonhento que, à pala do partido republicano, se auto-promoveu o qb para conseguir chegar à Casa Branca -- e que ameaça de lá não sair -- fornicados que andam e danados por verem o animal pelas costas, rápidos no gatilho que só eles, já compuseram um vídeo à maneira sobre o "Commander in Chief". 

Acho fantástico: certeiros, objectivos, com uma mensagem que é sempre curta e grossa, sempre straight to the point. 

Pena é que parte da América seja ainda aquele big subúrbio que se sabe, atrasados, retrógrados, fachos, boçais, malta pouco dada a acompanhar novidades, em especial quando provindas de gente com dois dedos de testa. 

Podem chover picaretas e toda a espécie de evidências do perigo que é ter aquele camelo à frente do país que eles, os seus fiéis eleitores, broncos até à medula, não estão nem aí. Os racistas, xenófobos, fascistas, homofóbicos, bestalhões com pénis minúsculos, continuam a aplaudir cada besteira e cagada que aquela alimária diga. É vê-los. Apinhados, sem máscara, vibram com cada alarvidade que ele faça ou diga. Nada a fazer. 

Escolher entre um homem de carácter e um sem carácter
(e escuso de dizer que o último é o Commander In Chief)

 

Enquanto jantávamos, vimos na televisão o Trump completamente encharcado em esteróides, gritando como um tresloucado, implorando pelo voto mas implorando de uma forma doentiamente histriónica e descabelada. Pretende fazer-se passar por macho man, por macho alfa, por invencível, por super-homem, por semi-deus. Mas é tudo tão estupidamente caricato que só dá vontade que os americanos atinem e percebam que, para o mundo, melhor fora que nem um único voto a besta quadrada tivesse.

Não há pessoas perfeitas e, se houver quem quase o seja, é de fugir a sete pés pois devem ser uns chatos que não se aguenta. Ao que consta, Joe Biden não é perfeito, parece que tem alguns esqueletos no armário, coisa de plágios na universidade e em discursos em início de carreira onde terá usado citações sem dizer que estava a parafrasear. Pediu desculpa, renunciou. E recomeçou. 

A campanha e as reportagens mostram-no agora na sua sofrida dimensão humana. Não sabia. Apenas sabia da dependência de drogas do filho mais velho. Não sabia que já lhe tinham morrido outros dois, uma menina, no mesmo acidente em que morreu também a primeira mulher, tendo sido ele a criar sozinho os dois meninos sobreviventes do acidente, e, mais recente, um dos filhos. Pensar que tem estado sujeito a tentativas de humilhação por parte de Trump a propósito do único filho sobrevivente revela bem o pulha que Trump é. Nada de novo mas, ao saber o trajecto de sofrimento pessoal que Biden tem percorrido, ainda mais aquele anormal cor-de-laranja da boquinha de rosa me enoja.

Razão tem Demi Lovato para dizer o que diz no seu Commander In Chief. Alguma coisa na sua voz (bem como alguma coisa no seu actual look -- e sabemos bem também o caminho torturado que ela tem percorrido) torna tocante o seu manifesto contra o que se passa nas ruas do seu país.

sexta-feira, outubro 09, 2020

Ele já respira bem? Foi uma bênção divina ter sido infectado? O tratamento que recebeu não custa dinheiro (foi à borla)?

 

É sempre com curiosidade e agrado que vejo os vídeos de The Lincoln Project

Muito bem feitos. Poderosas mensagens. Não faço ideia de se têm ampla divulgação por lá mas gostava que sim. 

As pessoas inteligentes não têm nem nunca tiveram dúvidas em relação a este narcisista estapafúrdio. Mas os broncos acreditaram e votaram nele. Esta mensagem destina-se, certamente, a esses broncalhões, aqueles que melhor fariam ao mundo se mudassem de opinião. Tem, pois, que ser informação pura e dura, objectiva, sem ironias (os broncos não percebem a ironia), sem indirectas (muito menos percebem as indirectas). Tem que ser uma linguagem clara e tem que ser posto a nu o estafermo criminoso que é. Tomara, pois, que estes vídeos cheguem até aos broncalhões que andam armados, que são nazis sem sequer saberem o que é o nazismo, que são racistas sem saberem nada de biologia, de história, de sociologia -- ou seja, às bestas tão bestas como a besta-mor. Tomara.


quarta-feira, outubro 07, 2020

America ou Trump
[Da múmia do fétido hálito que saiu das profundezas do esquecimento para vir, rodeado de láparos, caganitas e demais madames desenterradas, apresentar um livro eu não vou nem falar. Não há pachorra.]

 

Tenho dificuldade em alinhar umas quantas palavras para dizer o que penso de Trump. Quando se pensa que a estupidez já atingiu um ponto a partir do qual o estúpido passa a poder ser internado compulsivamente, eis que novos factos vêm demonstrar que o reino da estupidez é reino com regras e escalas muito diferentes das do mundo normal.

O sujeito não é apenas um narcisista desvairado, é também um doente mental grave, mas daqueles cuja demência se agrava espaventosamente de dia para dia. Um narcisista demente facilmente se confunde com um artista de stand up, com um palhaço em pleno espectáculo. Dir-se-ia, ouvindo o que ele diz, vendo o que ele faz: perdeu o tino, não sabe o que diz e faz. Mas pergunto eu do mais fundo da minha ignorância: não há mecanismos para apear um presidente psicopata, demente? Não há forma de travar um criminoso? 

Não sei se ainda há camisas de forças mas, face a ter forçado a alta, face a ter-se posto à varanda tirando a máscara e dizendo que não é preciso ter medo da covid, não sei se não seria caso para pegarem nele à força e enfiarem-no com quartinho bem fechadinho, sem internet, sem telemóvel ou computador. Ou na prisão. Forever. 


More than 200,000 Americans will never recover from Donald Trump



Correr com ele. 

Uma corrida em osso. 

sexta-feira, outubro 02, 2020

É esperto ele.... E fala bem...
Porque será que Join Sully acha que este é o momento para correr com ele...?

 


Optimista que sou, sempre avessa a cair no desânimo, sem paciência para curtir fossas ou alimentar cadeias de maledicência e/ou moralismos, volta e meia parece que não posso deixar de cair na real e, até, quase na derrota: é quando não posso deixar de reconhecer que há um lado muito estúpido, muito incompreensível, muito tacanho, muito babaca, muito bronco no género humano. Ou, pelo menos, em parte do género humano. Não sei se é coisa genética, se é cultural, se é o raio que a parta. Mas que há gentinha que parece que não evoluiu, ou melhor, que dá ideia que melhor fora se não tivesse evoluído, que mais valia que continuassem a saltar de galho em galho e a catarem-se uns aos outros, lá isso há.


Dir-se-ia que ninguém de bom senso -- e nem falo já em inteligência, falo apenas em senso comum -- votaria num narcisista. Aliás, mesmo que não fosse no campo da política, dir-se-ia que ninguém de bom senso haveria de querer um narcisista por perto. Um narcisista é, por natureza, alguém tóxico que se alimenta de relações que, sendo na aparência relações fofinhas, são, na realidade um exercício de anulação do outro, um exercício de subtil e persistente manipulação emocional, levando os outros a quererem protegê-lo do mundo dos maus, a quererem que ele se mantenha por perto para que, sentindo-se acompanhado, não amue ou não se torne agressivo. Ora se isto é assim com todos os narcisistas, imagine-se um narcisista exacerbado e poderoso. Aí o perigo não é apenas para os pobres coitados que lhe são próximos e que incautamente se deixaram enredar, aí é bem pior, aí é um perigo para um país e, sendo o país os Estados Unidos, um perigo para o mundo.


Acresce que, no caso vertente, o psicopata não apenas manipula, amedronta e seduz os broncos e os mais frágeis (seja economicamente, seja sociologicamente, seja -- o que é mais frequente --  emocionalmente débeis) como é ele próprio um bronco. Mas, egocêntrico, basófias e descarado como é, nem quer saber de ser bronco. Acha que está acima de tudo e de todos. É nojento.


Volto a dizer: não estou politicamente informada para poder jurar a pés juntos que a malta do Lincoln Project é toda republicana, um grupo de republicanos bem intencionados e envergonhados por terem eleito um republicano que é um traste que envergonha os trastes. Supostamente sim. Agora que fazem vídeos muito bem feitos isso parece-me irrefutável.

Estes dois aqui abaixo, bem recentes, mostram como é possível ser-se absolutamente explícito na mensagem política, um mostrando o narciso troglodita que está à frente dos destinos do país e que importa apear, outro mostrando um americano exemplar a explicar como é que, tendo Trump falhado em toda a linha e todos os dias, importa correr com ele.

Esperto...?


O nosso momento


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terça-feira, setembro 08, 2020

Não-americano

Acho que a populistas, narcisistas ou estúpidos em geral devemos generosamente dedicar o nosso melhor desprezo. Não palco mas, pura e simplesmente, desprezo. Total desprezo. Ignorá-los. Mostrar-lhes que estão num patamar muito abaixo, que, apesar de se acharem os maiores, não passam da ralé. Melhor: da ralé da ralé. Contudo, esta minha reacção não é consensual. Vejo que há quem lhes veja virtudes, quem encontre razões para os desculpabilizar ou, mesmo não vendo virtudes, quem ache que deve dar-se uma hipótese ou que acredite que o mundo é que conspira contra eles não reconhecendo o seu valor e a sua verdade. 

Como sou muito anciã, guardo memória do destino de muita gente deste género -- e o destino é, regra geral, o esgoto. Não há populista, narcisista ou estupor encartado que fique para a história por bons motivos. Geralmente nem sequer constam. O tempo encarrega-se de mostrar a sua irrelevância, apagando-os. E, se calha subsistir o seu rasto, é para dar nota do ranço com que empestaram aquilo em que tocaram.

Não percebo, pois, reportando-me agora à política, a razão do destaque que a comunicação social dá ao trauliteiro gabarolas do Chega tal como nunca percebi a atenção que, antes de ser eleito, foi dada ao Trump, esse demente alarve-mor.

Parece que é mesmo verdade aquela teoria de que para cada parvalhão existe sempre alguém ainda mais parvalhão que o apoia.

Portanto, é sempre com satisfação que vejo formas inteligentes de derrubar a cagança dos egocêntricos doentios.

O Lincoln Project tem divulgado, em cima do acontecimento, uns vídeos que me parecem bastante eficazes na mensagem, tendo, sobretudo, em vista o público a que se destinam: os republicanos boçais que ainda apoiam aquela alimária cor-de-laranja.

 


sábado, agosto 29, 2020

Chyna e outras disfuncionalidades


De férias, sentindo-me de férias como há muito não me sentia, depois de uma noite descansadamente bem dormida, depois de lavar tapetes de arraiolos em conjunto com a minha filha, depois de trocarmos as carpetes de cá com as da outra casa para colocar aqui as de lá e levar as de aqui para a casa nova, depois de cozinhar, comer figos e ler, depois de passearmos por uma paisagem fresca como são as paisagens de beira de rio, depois de ver os meninos, felizes, a mergulhar por entre os peixes -- férias, férias, férias -- foi muito de raspão que vi na televisão Trump a discursar naquele seu jeito alarve, babaca, psicopata. Não prestei grande atenção ao que disse. Tudo ali é caricato, absurdo, lamentável. Como todos os cobardes, Trump vive à custa do medo que instila na mente dos mais intelectualmente débeis. Desprezo os cobardes. Odeio os corruptos. Enjoam-me os narcisistas.

Liguei agora o computador. E cá está:


(Até dói ver o estado a que o mundo chegou)

E ainda mais este:

Porque Kellyanne Connway saíu da Casa Branca



(Tudo muito, muito mau)

domingo, agosto 02, 2020

Luto na América


Por estranho que possa parecer, nas últimas eleições muitos americanos votaram em Trump. Pode dizer-se que muitas pessoas não se reviam em Hillary Clinton. Campanhas mediáticas perversas, muita instrumentalização ao serviço de russos e da ala mais maligna dos republicanos conseguiram abalar a sua credibilidade. Hillary foi arrasada, denegrida, ultrajada -- quase sempre injustamente. Mulheres assertivas são frequentemente vítimas de machistas, prepotentes, marialvas de pacotilha. Homens com pénis pequenino e testículos ainda menores temem mulheres corajosas e afirmativas. É dos livros e a história prova-o. Quem quis iludir-se, acreditou que Hillary tinha defeitos que não acabavam e que Trump iria voltar a fazer a América grande outra vez. Perante um palhaço cor de laranja com melena feita de barbas de milho, a olho nu um narcisista, insuportável e imprestável como todos os narcisistas são, tóxico como todos os narcisistas são, incompetente, ignorante e impreparado, muitos americanos preferiram ignorar o que já era evidente e elegeram-no.

Desde o primeiro dia e, certamente até ao último, Trump não tem feito outra coisa senão confirmar os piores prognósticos: cobarde, fraco, inseguro, irresponsável, influenciável, doentiamente vulnerável à opinião que sobre ele é formulada, Trump vive em função da sua própria imagem e do reflexo dela na opinião pública.

Poderá dizer-se: so what? é um narcisista e, em maior ou menor grau, não há narcisisita que não seja assim. Parecendo serem uma simpatia, aos poucos minam a confiança de quem os cerca, descartam-se de quem não os bajula, insultam e lançam suspeitas sobre aqueles que se afastam dele. É certo: todos são assim. Mas este não é um zé cueca qualquer que, quanto muito, suga a alma dos poucos que o aguentam: este é o Presidente dos Estados Unidos. Está à frente do destino de milhões de pessoas e tem poder para tomar decisões que influenciam todo o mundo. E esse é o grande perigo, um risco grande demais para poder ser assumido.

Trump tem que ser apeado. Não é só que a sua toxicidade já esteja a corroê-lo a ele próprio, nem é só que a sua irresponsabilidade esteja a matar americanos aos milhares nem é só que a sua psicopatia esteja a arruinar a economia americana. É isso tudo junto acrescido do perigo de que continue a fazê-lo e a fazê-lo de forma cada vez mais descontrolada.

Não conheço suficientemente o Lincoln Project para aqui, de caras, me atravessar por eles. Supostamente são republicanos que zelam pela democracia e que, neste momento, se polarizam em torno de um grande objectivo: apear Trump. Se é isso, cá estou para, na medida da minha insignificante influência, daqui os apoiar.


THE LINCOLN PROJECT


DEDICATED AMERICANS

PROTECTING DEMOCRACY

The Lincoln Project is holding accountable those who would violate their oaths to the Constitution and would put others before Americans.


A série de vídeos que têm visto a produzir e divulgar são de antologia e uma lição de comunicação em política. Neste caso, de comunicação negativa -- mas quantas vezes é necessário fazê-lo?

Seleccionei alguns para os quais encarecidamente peço a vossa atenção.

Luto na América



Votaremos



Nacionalista geográfico



Como tudo começou



Fauci


Vários outros vídeos existem e, se tudo correr de feição, muitos mais existirão. E acredito que ajudarão a conseguir aquilo a que se propõem - afastar Trump da Casa Branca. A bem dos americanos. E a bem dos humanos.