Kodi Lee é um músico e performer americano que ficou conhecido pela sua participação no programa de talentos "America's Got Talent" em 2019, onde venceu a competição com a sua habilidade para tocar piano e cantar. Kodi é cego e autista e a sua performance emocionante e talentosa inspirou muitas pessoas ao redor do mundo. Desde então, ele tem-se apresentado em vários eventos e continua a encantar o público com a sua música.
Quantos anos tem?
Kodi Lee nasceu em fevereiro de 1996, o que significa que ele tem 27 anos em 10 de fevereiro de 2023.
[Respostas dadas pelo ChatAGT. Ando a testar a esperteza do bicho...]
Na quarta-feira deitei-me tarde demais e levantei-me cedo, como sempre. Hoje estou, como é bom de ver, cansada e com muito sono. Estive a ler os comentários, com muita vontade de reagir. Um por um. Mas estou incapacitada. Adormeço a cada minuto. Acresce que esta semana o trânsito tem estado péssimo. Isso e a minha agenda sobrecarregada, pois acumularam-se compromissos à espera do meu regresso de férias. E esta conjugação é suficiente para, em mim, a acumulação de contrariedades se transformar em impaciência. Acresce ainda que, zen como estive nas férias, afeiçoada à calmaria, agora toda a macacada, desorbitagem, injustiça ou quadradice me deixa em pulgas. Portanto, neste curto espaço de tempo já coleccionei quatro conversas complicadas e tensas (mas tensas para quem teve que me aturar porque eu, felizmente, mantive-me tranquila, segura das minhas razões).
E não vem ao caso mas é uma constatação que acho que devo partilhar convosco. Já o contei: os testes à minha personalidade dão que sou absolutamente assertiva, quase 100%. Nada passiva, quase nada manipuladora e, de vez em quando, pontualmente e em situações bem identificadas, um pouco agressiva. Mas, de forma quase limite, sou assertiva em toda a linha. Portanto, não é com esforço ou por encenação que defendo as minhas convicções com confiança. Ou seja, é natural em mim chegar-me à frente e defender acerrimamente o que penso. E nunca me dei mal com isso. Mas uma coisa é propor novas soluções ou criticar decisões tomadas e outra, diferente, é dizer a uma pessoa ao meu nível ou superior, cara a cara, que é ela que não está a dar conta do recado ou que está a prejudicar as empresas, ou seja, que a solução para os problemas não passará por ela.
Isso ou uma outra em que estou a tornar-me exímia: quererem que eu me responsabilize por uma 'cena' daquelas a que, numa empresa, se sabe que o não é inadmissível -- pois implicará uma auto-demissão ou, se não, um vexante encostanço -- e, ainda assim, perante seja quem for, dizer: não estou disponível. Ou dizer: Não me sento à mesma mesa que esse fulano porque esse fulano é um ordinário. E, apesar de ver o ar estarrecido do meu interlocutor, incapaz de reagir, certamente sem saber como lidar com uma situação destas, manter-me segura e determinada. É que, nos meios que frequento, coisas destas não se dizem, muito menos se fazem. E, no entanto, eu faço e ninguém me bate. E penso que é importante partilhar isto: digo o que tenho a dizer, faço o que acho que devo fazer e ninguém me bate.
Contudo, de uma coisa estou certa: tudo isto é treta. Questiúnculas. Toda a gente tem que lidar com elas. Lidar com gente insensível, quadrada, de vistas e mente curta é uma chatice mas não deve haver quem nunca tenha sido sujeito a isso. Portanto, mais ou menos vitória, destas pequenas vitórias, tanto faz. Banal. Irrelevante. Podem não ser irrelevantes para as pessoas que são directa ou indirectamente beneficiadas ou prejudicadas mas, para o mundo, a relevância é zero.
E depois há as decisões mais macro, as que afectam grupos de pessoas: os que ganham mais, os que ganham menos, os desempregados, os proprietários, os empresários, os profissionais liberais, etc, etc. E aí entram as orientações políticas: umas pessoas acham que se devem penalizar os trabalhadores, outras que se devem esmifrar é as empresas, outras que se deve é apostar na investigação científica. Etc.
Mas depois há -- ou devia haver -- aqueles temas que não são individuais ou grupais, que não devem ter a ver com sensibilidades pessoas ou orientações políticas. Questões supra-partidárias. E, até, questões supra-nacionais.
Podia falar de várias -- garantir a total igual oportunidade de oportunidades e de tratamento entre homens e mulheres, garantir o máximo de escolaridade a toda a população, regular a utilização das poderosas plataformas tecnológicas, das redes sociais ou da utilização de inteligência artificial, etc, etc, etc, muitas, muitas -- mas vou falar das alterações climáticas, da escassez de água (actual em algumas zonas do mundo e futura em muitas outras).
Faz muitos anos, certamente mais de mil, um amigo meu foi a Marrocos. Era a primeira vez que eu falava com alguém que tinha passado umas semanas em Marrocos. Encalorada como sou, o que mais me impressionou foi o calor. Dizia ele: Uns quarenta graus. Não imagina. Tínhamos que andar sempre a beber água. Ar seco, seco. Eu nem conseguia imaginar.
E, no entanto, já aí estamos. Quarentas e tais já cá os temos. Terras a serem abastecidas de água por cisterna também.
E isto se, provincianamente, pensarmos apenas no nosso pequeno rectângulo. Mas, se pensarmos a uma escala europeia e percebermos que o aumento das temperatura, o degelo, a desertificação de algumas terras e a escassez de água já afecta partes significativas de vários países, percebemos que, o que haja a fazer, mais vale que o seja, de forma articulada, a nível europeu.
E, depois, subindo um pouco mais o patamar de observação, temos o mundo, com zonas a serem devoradas pelas águas, outras a escaldar, a terra gretada, os animais a morrer, as pessoas a lutarem por uma gota de água.
Estamos a falar de um tema muito sério. Não é tema que, na ligeirinha, se possa usar sobretudo para fazer slogans, para fazer títulos de notícias, para querelas partidárias, para medidas absurdas de tão pacóvias. É tema sério. Tem que envolver cientistas de muitas ciências, tem que envolver gente séria, ponderada. É tema para mentes brilhantes e não para espertezas saloias. É tema transversal, a ser tratado com elevação, com os pés na terra e com a cabeça no espaço (e, um dia destes explico a que propósito vem agora esta do espaço).
Há quem embirre com a jovem Greta, achando que há ali vedetismo, quem ache que há oportunismo nos pais. Eu não acho isso. Foco-me na mensagem mais do que no mensageiro. E a mensagem é certa. E é bom que, graças a Greta, tenha vindo para a agenda mundial. Pense-se, por exemplo, em Al Gore. Há quantos anos anda ele a tentar vender a ideia? Nem sei. Há quantos anos, por exemplo, estive eu num almoço com ele no Estoril? Nem sei. E alguma das suas conferências, entrevistas ou livros conseguiu o impacto global com carácter de urgência que Greta Thunberg conseguiu em tão pouco tempo? Não, nem pensar. Foi o percursor, tem sido incansável, não o nego. Mas não conseguiu incendiar o mundo com a centelha de urgência que ela conseguiu. Portanto, não se lhe desvalorize o mérito. Preocupemo-nos antes em fazer tudo o que está ao nosso alcance. Façamo-lo.
Depois de ter escrito sobre mais uma big palhaçada em terras de Sua disfarçada e distraída Majestade e de ter estado a responder aos mais recentes comentários, já são quase duas da manhã. Não posso, pois, alongar-me.
O dia hoje foi tranquilo. Junto à piscina, na esplanada, vimos o japonês. Estava sozinho, a ler. Tentei perceber que livro era. Na capa, só consegui ler Sartre. O outro, o que anda vestido de igual, só vimos ao pequeno almoço, tisnado como um tunisino, e também sozinho -- e incompreensivelmente de chapéu posto.
Ontem surpreendemo-nos com um jovem casal, tal a desproporção: ele deve medir quase dois metros, todo ele amplo. Ela deve medir metro e meio e toda ela uma bonequinha miudinha. De costas percebe-se que o volume dele deve ser o dobro do dela. A falar, ela vai o tempo todo de cabeça virada para o alto e ele quase como que a olhar para o chão. Pois bem, hoje ao pequeno almoço quase a mesma coisa mas em mais velhos. Ingleses. Aliás, não sei se já o escrevi: muitos ingleses, creio que mais do que é costume. Numa mesa, ao pequeno-almoço, um senhor muito inglês, muito grande, muito forte. Em frente, a sua senhora, muito pequenina, muito sorridente, talvez de origem indiana. Quando se levantaram, ele muito cortês, ela muito querida, era a mesma desproporção. A diferença estava, pois, na idade: estes andariam pelos quase setenta. Mas a forma afectuosa como se olhavam e falavam era a mesma do jovem casal.
Na mesa ao lado da nossa, uma coisa estranhíssima, daquelas em que o meu marido está a controlar-me o tempo todo não vá eu distrair-me e pôr-me a olhar, à descarada. Um homem que, diria eu, deve andar pelos cinquenta. Sotaque acentuado de irlandês. Alto, magro, cabelo um pouco comprido, ar boémio. Em frente uma miúda talvez tailandesa, pequenina, cabelo curtinho, calções muito curtos, tshirt justinha e curtinha. Quando ele se levantou para ir buscar chá para ambos, perguntei ao meu marido: 'Mas o que é isto, percebes? A miúda já terá dezoito? Não me parece'. O meu marido disse-me: 'Não sei, não dá para perceber, pode ser que tenha. Ou pode ser filha. O gajo tem ar de maluco'. Não me pareceu que fosse filha pois ele derretia-se com ela, ia buscar-lhe a comida, dizia graças, coisas que não me pareciam ter nada a ver com instinto paternal Eu diria que a miúda teria uns catorze ou quinze anos. Mas é daquelas situações em que não se sabe, não se percebe e em que, civilizadamente, achamos que não temos nada a ver. Espero bem que não.
Na praia fiz muitas fotografias e gostaria de divulgar algumas aqui, fazendo como que umas séries. Uma é a habitual série de casais, demonstrando aquela minha teoria de que os membros do casal, quando são casais de verdade, acabam por ter muitas afinidades na forma como andam, como se vestem, como se articulam entre si. Outra sobre gaivotas, em especial uma que fiz com gaivotas e uma mulher. Poderia chamar-lhe 'a encantadora de gaivotas'. O problema é que se vê o rosto. Se eu tivesse tido coragem, teria ido ter com ela e ter-lhe-ia pedido autorização para publicar as fotografias. Mas temo sempre que as pessoas se assustem, achem que sou pirada da cabeça. E outra série com a tentativa frustrada de um senhor caminhar sobre as águas. Tão engraçado. Neste caso penso que o apanhei algumas vezes de costas pelo que não dará para ser identificado.
No meio das fotografias, a melhor parte: 'fui ao banho' prolongada e repetidamente. A água boa, boa, boa, daquela de não se conseguir sair dela. Fui várias vezes. E estava aquela ondulação boa, que dá para andar feita pata, a flutuar sobre as ondinhas. Tão bom. E os mergulhos, tão bons. Gosto imenso de me meter debaixo de água.
Também consegui ter hoje o jacuzzi só para mim. O meu marido, já nem me lembro porquê, não quis. Ah, já sei, disse que estava muito quente, custa-lhe suportar aquela água fumegante e aquele vapor tão quente. Eu, bicho de água -- lá está --, não me faz diferença nenhuma. E dali fui para a piscina nadar. Com tanta caminhada e tanta natação até poderia ser que estivesse mais elegante. Infelizmente as tartes de alfarroba, de figo ou a torta de amêndoa estragam tudo. Também fui comer gelado àquela casa de gelados recomendada por quem sabe e foi do de figo, claro, figo e amêndoa. À maneira, portanto.
Ainda se eu fosse aplicada e fizesse exercício a sério... De manhã acompanho, mal e porcamente, o meu marido na caminhada na praia. Cerca de quatro ou cinco quilómetros. Só que, enquanto ele não pára e mantém o ritmo eu, volta e meia, sou forçada a parar para fotografar alguma coisa. Portanto, ele leva sempre avanço e acaba sempre por fazer um bocadão a mais que eu. Depois, quando volta para trás, apanha-me e lá vamos mais ou menos a par porque ele, no regresso, já não vai a tanta velocidade.
Hoje vi uma senhora, a da primeira fotografia, aquela lá em cima, que fazia flexões a sério, à beira de água. E dobrava-se que era uma limpeza. Uma energia e uma força e elasticidade que me deixaram a olhar para ela, cheia de pena de não ser assim.
Ou seja, para abreviar: quando regressar à torre de vidro, talvez leve um ligeiro tom de pêssego sobre a pele mas quilos a menos nem pensar.
E, por falar em tom de pêssego, vou ponderar se mostro também as fotografias que o meu fotógrafo particular me fez. Quando estou a ler ou a dormitar ou a olhar o mar, é ele que caça a caçadora. Parece-me difícil pois talvez sejam demasiado explícitas, tenho que avaliar. Mais depressa, se calhar, mostro algumas que fiz com ele, à sua revelia. Logo vejo.
Se calhar fico-me só por esta em que até parece que estou com bolhas na pele. Mas não, está um bocado marcada é de ter estado deitada antes de me pôr sentada, a tentar ler, e as manchinhas claras são entradas de luz através do chapéu que é de palha. Ou melhor, de papel entrançado. Embora, agora que reparo, tenha também uma mancha mais clara a meio, de protector solar (50!, que eu, com a minha pele, se não me cuido, apanho escaldões que até fervem). Por isso, ou estou à sombra, ou escondida debaixo do chapéu ou, então, espero que o sol comece a querer amansar, lá mais para o fim da tarde.
Nota: eu sou a da fotografia de cima, não esta felpuda e maldisposta branquelas aqui abaixo que, em vez de ir à praia, ficou à porta de uma loja a roer-se de inveja.
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Lá em cima, o extraordinário Kodi Lee volta a ter uma actuação emocionante e, ainda por cima, cantou uma canção que me enche as medidas, You are the reason. E a mãe, comovida, sempre presente, é outra coisa que me toca especialmente. Ser mãe é isto, estar presente em qualquer circunstância em que a gente sinta -- ou pressinta -- que um filho precisa de nós.
Creio que Odeith é o nickname artístico mas até pode ser que seja mesmo apelido de origem. Não faço ideia. Leio que dá pelo nome Sérgio Odeith. Tem 43 anos, é português das redondezas de Lisboa e é um artista de rua. Street Art é com ele. Graffiti 3D. Faz uns sombreados que fazem parecer que as coisas estão a sair do sítio ou que há aberturas e relevos.
Tem obras por todo o mundo. Se eu fosse presidente de Câmara da minha cidade, criava vários super espaços para os artistas de rua fazerem das suas à vontade. A arte traz felicidade às cidades. E um dos que teria lá lugar cativo seria, sem dúvida, o Odeith. A sua última graça está a dar que falar; e percebe-se.
Era assim:
e, depois de pintado, ficou assim:
Esta aqui abaixo é anterior mas é mais uma das suas várias obras extraordinárias. Caso para dizer que gente talentosa é obra.
E, para que este post tenha banda sonora, permitam que aqui partilhe convosco a última actuação do abençoado Kodi Lee que, não obstante ser cego e autista, é um artista de mão cheia, um artista inteiro, um artista maior que sabe mostrar ao mundo que o que cega e isola as pessoas é o preconceio.
Interpreta uma das músicas que, a ter que escolher algumas como sendo as músicas da minha vida, aí estaria incluída: Bridge over troubled water.
Sou muito adepta de receber estagiários. Muito do rejuvenescimento das minhas equipas acontece por essa via. Aparecem desejando aprender, mente aberta a tudo, a receber ensinamentos, a interiorizar experiências, a pôr em prática o que aprenderam. E aparecem sem vícios, verdinhos, prontos para os primeiros passos, dispostos a fazerem-se à vida. E não sou de querer moldar nem de ser dirigista. Naqueles assessments de que muitas vezes aqui falo, durante os quais somos avaliados sob todas as perspectivas por subordinados, pares e hierarquias e virados do avessos por psicólogos, é unânime que o meu estilo de liderança é outro: não sou de dirigir, de mandar fazer isto, aquilo e o outro, não sou de andar em cima. Pelo contrário, sou de lançar desafios, alguns de loucos, atirá-los para a piscina, pô-los a fazer aquilo com que nem sonham. E não ando em cima a ver como estão a desembrulhar-se: nem quero saber. Vão à procura, peçam ajuda, o que quiserem. Limito-me a perguntar se está quase, se está tudo bem. E quando vejo que a coisa já está quase no ponto, peço para ver o que fizeram, dou uns palpites, umas sugestões. E mal acho que a coisa está como eu a idealizei (e tantas vezes além do que idealizei!), atiro-os para a frente, quero que sejam eles a apresentar o trabalho que fizeram, dou-lhes visibilidade.
E vejo-os felizes -- e tenho cá para mim que não há nada mais aliciante na vida do que a gente perceber que é capaz de se superar.
E depois tenho uma coisa e digo-o com toda a sinceridade (aliás, sempre o faço): acredito que uma pessoa é gente de pleno direito desde que nasce. Quando eu pedia a opinião aos meus filhos não o fazia por maneirismo, fazia-o porque genuinamente queria conhecer a sua opinião. Desde pequenos, sempre os respeitei. Pensem de maneira diferente ou idêntica à minha, eu aprendo sempre com eles. Acontece-me o mesmo com os meus netos, mesmo com o pequenino de dois anos. Gosto de saber o que pensam, admiro-me com o que sabem, com o que são capazes de fazer.
E com os jovens estagiários a mesma coisa: quero ouvir a sua opinião, quero que sugiram maneiras diferentes de fazer as coisas. E surpreendo-me com a qualidade das suas ideias.
Mas tem-me acontecido uma coisa de que já aqui falei algumas vezes.
Quando seleccionamos os jovens nem sempre tenho oportunidade de estar presente. Mas tento. E acontece tantas vezes aparecerem jovens que surpreendem pela impreparação para a vida, incapazes de mostrarem um querer, uma vontade, de saberem o que querem na vida, que falam dos pais como se ainda fossem crianças pequenas e, no entanto, já andam pelos vinte e tais, que querem saber como se vai de casa para lá mesmo quando vivem perto, como se não estivessem habituados a andar de transportes. Com muita pena, muitas vezes não os quero. Tenho arriscado em casos em que aparecem cheios de timidez, ainda sem saber estar, sem à vontade. Mas se sinto que são lutadores, em especial se sinto que vieram de longe, que passam dificuldades, que fazem de tudo para se virar, aí sinto imediatamente que tudo farei para que 'vinguem'.
Mas há casos e casos.
Há tempo apareceu um jovem que, na entrevista, falou pelos cotovelos, quis impressionar, mal eu começava a falar já ele estava a responder mesmo que não àquilo que eu tinha perguntado. Um jovem inquieto, desconcentrado, nervoso. Tentei acalmá-lo, tentei tirar a pressão. Impossível. Notoriamente um caso problemático.
Ficou.
E foi um caso muito sério. Nunca conseguiu fazer um trabalho, nunca conseguiu prestar atenção a nada do que se lhe dissesse. Brincava com o telemóvel, sempre a fazer jogos.
Entrava e saía do elevador, atropelando toda a gente, auscultadores, isolado do mundo, agarrado ao seu brinquedo, aos joguinhos. Outras vezes, se era chamado à atenção, por instantes desligava-se do telemóvel mas, nessas alturas, as suas inabilidades sociais eram ainda mais gritantes: interrompia toda a gente, inoportuno, inconveniente.
Muitas vezes nos interrogámos se não seria autista. E todos dizíamos que autista ou outra coisa, alguma coisa era, normal é que não era.
E eu pensava tantas vezes na preocupação da mãe dele. Tanto que ela deveria querer que ele aproveitasse a oportunidade que lhe estávamos a dar.
Grande parte dos jovens estagiários acaba por ficar e tomara eu que não mudem de ideias. Já lá esteve um, talentoso, uma inteligência rara, tímido que só visto mas um diamante em bruto. Toda a gente o queria. E ele não quis. Queria ir fazer mestrado para Praga, queria conhecer mundo, não queria emprego fixo. Por mais que o aliciássemos, nada. Até que desistimos, percebemos que nada a fazer, era pássaro de arribação, nada o atraía para ficar. Desejámos-lhe felicidades e que voltasse para nós quando quisesse.
Mas com aquele jovem problemático foi o oposto: não pôde ficar, não conseguimos que se interessasse por nada, que aprendesse a fazer o que quer que fosse. Impossível. Deveria ter apoio especial, tratamento, acompanhamento especializado. Não sei que tipo de tratamento ou acompanhamento mas sei que ele não tinha a mínima possibilidade para se aguentar no mundo do trabalho.
E eu continuo a pensar no que será o futuro daquele rapaz e na preocupação terrível que os seus pais devem ter vendo-o já na idade adulta e ainda com um comportamento tão pouco responsável, tão indiferente ao meio em que se insere.
Mas mesmo que fosse mesmo autismo, nem todos os tipos de autismo são assim. É sabido que empresas como o Facebook ou a Google gostam de contratar autistas: penso que, quando se focam num assunto, não largam e, além disso, como pouco socializam, não apenas são muito produtivos como não conversam nem contam o que andam a fazer.
E depois há o Asperger, versão mais ligeira, como ainda no outro dia aqui o referi a propósito de Greta Thunberg. Mas há também os que sofrem de autismo profundo, vivendo num mundo só seu. Imagino como os pais devem sofrer por não conseguirem entrar no mundo de um filho impenetrável.
O vídeo que abaixo mostro impressiona muito. Emociona-me. É extraordinário sob todos os pontos de vista e peço que o vejam. Mas não é apenas o Kodi Lee que me emociona: é também a sua mãe. A presença daquela mãe, a alegria dela, o orgulho dela. E a reacção dele, no fim. Tudo me perturba, tudo me faz pensar que não sabemos nada da natureza humana, que não somos capazes de aceitar as diferenças em toda a sua maravilhosa extensão, que, ao sermos preconceituosos, mostramo-nos mesquinhos, limitados, imperfeitos.
Kodi Lee ganhou um botão dourado
[E se o vídeo do post a seguir alcançou mais de três milhões em menos de um dia, este aqui abaixo já vai em quase trinta e oito milhões de visitas em cerca de mês e meio]
Kodi Lee is a 22-year old blind and autistic musical prodigious savant. Kodi’s truly remarkable gift lies within his musical expression, perfect pitch, and passion for music in all forms. He has been performing his singing and piano expertise all across the globe for many years. His musical repertoire ranges from rock, to jazz, to R & B, and pop. Plus his mastery of the classics such as Bach, Beethoven, Chopin, Mozart and the list goes on. But he doesn’t stop there. He recently has picked up tap dancing and he continues to amaze with his musical expression through dance and vocalization. Kodi’s story and inspirational determination has been featured in Orange County Register, LA Times, numerous broadcast television features and documentaries. Born with optic nerve hypoplasia, surviving a life saving surgery at 5 days old, and being diagnosed with autism at an early age has never stopped Kodi. Kodi continues to pursue his musical career and his dream is to be a “rock star!"