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quarta-feira, novembro 26, 2025

André Ventura e Marques Mendes: um pseudo-debate nulo em que Clara de Sousa se esqueceu de ser moderadora

 

André Ventura fez a peixeirada do costume. Não se aproveitou pitada no que respeita a ideias e iniciativas concretas para o próximo exercício do futuro presidente da República. 

E confirmou o seu carácter arruaceiro, mal formado, insultuoso, desrespeitador, enlameador. Tenho pena que haja tantos portugueses que se revejam numa pessoa assim. Há uns anos eu pensava que um trauliteiro com tão mau carácter jamais teria lugar na Assembleia da República. Afinal não apenas é lá que está como, apesar de todas as suas continuadas infâmias, foi a partir de lá (com o apoio permanente da Comunicação Social) que reforçou a sua bancada. 

Onde quer que esteja, André Ventura faz aquilo que sabe fazer: lança atoardas, acusa, abusa, arma confusão, ocupa o tempo e o espaço com a baderna que arma. Não vai além disso.

Teve pela frente Luís Marques Mendes, uma nulidadezinha em forma de politicamente correctezinho, sempre armado em independente quando obviamente é psd dos pés à cabeça, o eterno conselheirozito, homem de mão do partido. É certo que é bem educado, é civilizado, acredito que saiba estar à mesa, é simpático. Mas nunca vi que acrescente o que quer que seja em relação ao que for. Saiu-se com uma como se fosse uma grande tirada: que irá convocar um Conselho de Estado para debater o tema da corrupção. Ora abóbora. Que grande iniciativa! Se para todo um mandato de vários anos o que se lembrou de engendrar foi convocar um Conselho de Estado para baterem bolas sobre a corrupção, vou ali e já venho.

Quanto à Clara de Sousa: nada fez, como se nem sequer ali estivesse. Moderar o debate: zero.

Depois os comentadores. Todos. Em todos os canais. Um disparate. Dá ideia que estão à espera que haja sangue, frases de efeito, bocas, boquinhas e bocarras, e é isso que analisam. E dão pontos. Parece que não têm noção de que o que seria suposto que acontecesse seria que os candidatos explicitassem ideias concretas, inovadoras, inspiradoras. Se nada fazem disso, então, nada há a dizer a não ser que o debate foi uma porcaria e a prestação dos candidatos uma nulidade.

quinta-feira, setembro 18, 2025

Se o Rui Costa fosse PM em vez do Montenegro muita coisa mudaria!
-- De novo, a palavra ao meu marido --

 

Devo confirmar que sou do Sporting e que o objetivo deste mail não tem nada a ver com a rivalidade clubística nem com os aspetos desportivos. Quero apenas deixar a minha opinião de que as coisas tenderiam a não piorar se o Rui substituísse o Luís. 

O Rui, depois de, para aí há dois meses, apostar mais uma vez no Lage, após dois resultados menos conseguidos, correu com ele. 

Se o Rui fosse PM e seguisse a mesma politica, já nos tínhamos visto livres dos ministros "nódoa" do governo. À segunda falha, rua que se faz tarde. A ministra da saúde já tinha sido posta na rua há  séculos, as ministras da administração interna tinham estado pouquíssimas semanas no lugar, o rapaz da educação já tinha voltado ao Minho, a "simpática" da habitação já não apareceria sempre ao lado do PM em todas as fotos de família, o Sarmento, depois de tantas cativações e "do crescimento da economia não ter correspondido às ambições do governo" já tinha voltado para a escolinha, o inefável Rangel estava a curto prazo, mais uma má criação e ala que se faz tarde, o ministro da economia também estava a prazo, mais uma incontinência verbal e voltava para casa... e por aí fora. Será que o Rui, caso não continue na atividade atual, ainda se torna coach do Montenegro?

Voltando à ministra da saúde. Esta zaragateira com pouca educação hoje ainda mergulhou mais fundo do que alguma vez tinha mergulhado. Sendo certo que não assume nem uma única responsabilidade pela desgraça que é o SNS e habitualmente culpa os subordinados pelos erros que na realidade são da sua responsabilidade,  hoje veio dizer que as urgências de obstetrícia da margem sul continuavam fechadas porque a equipa que ela nomeou e trabalha com ela a tinha enganado. A ministra não só perdeu a cabeça como perdeu a noção do ridículo. Palpita-me que há um certo Dr. Pedro Azevedo das hostes laranjas recentemente nomeado pela ministra para responsável da ULS de Almada que deve estar com as orelhas a arder. Tanta solidariedade por parte da tutela põe qualquer um vermelho que nem um tomate. Será que com mais este notório desequilíbrio a ministra se mantém no cargo? A talhe de foice, será que os obstetras que iam sair do privado para irem para o hospital de Almada não foram porque não tinham a certeza de poder compor o vencimento com a prestação de serviços no hospital como tarefeiros?

Mudando de assunto. Ouvi uma parte da entrevista da Clara de Sousa ao Gouveia e Melo. A Clarinha foi tão "claravidente" que conseguiu que, num período de tempo significativo da entrevista, o tema fosse o Ventura. Parece que os jornalistas têm uma obsessão com o Ventura e não percebem que é isso que o Ventura quer. Apre! Os jornalistas ensandeceram? Não metam o Ventura em tudo o que fazem, tenham algum discernimento! A Clara não teve e conseguiu transformar a entrevista ao Gouveia e Melo numa entrevista centrada no Ventura!

segunda-feira, setembro 09, 2024

Quando as mulheres divorciadas soltam a franga

 

Se calhar é porque ainda me sinto a modos que na silly season. Não digo que não. Mas são tantas as cenas. Por exemplo, agora acabei de ouvir o Marques Mendes a confessar que aprendeu uma palavra nova no Campus da Liberdade da IL: genuflexório. Pareceu-me que estava a falar a sério. E não sei se foi com vergonha de parecer menos totó que ele mas a Clara de Sousa disse que também não sabia. Eu que não tenho ideia de alguma vez me ter ajoelhado numa igreja claro que conhecia o nome da coisa. Caraças. Mais vale desistir já da ideia de se candidatar. E não é por ser frouxo a nível de vocabulário, é por ser tão parvinho que ainda vem gabar-se disso. 

Mas o tema de hoje não é o défice vocabular do putativo candidato a PR nem a falta de esperteza dos entrevistadores que não são capazes de perguntar aos directores da polícia, ao director dos guardas e aos próprios guardas porque é que não se lembraram de olhar para as imagens das câmaras (agarram-se àquilo de não haver gente nas torres de vigilância e não percebem que seria mais fácil se estivesse alguém com atenção a olhar para os ecrãs onde passam as imagens captadas pelas câmaras): o tema hoje são as mulheres divorciadas que, mal se apanham solteiras, livres e boas raparigas, soltam as amarras que existiam dentro delas.

Veja-se a Catarina Furtado. Desdobra-se em entrevistas, que a culpa também foi dela, que agora já vai ser melhor namorada e mais não sei o quê. E diz que está numa fase toda xpto, mais picante e tal e coisa. E faz sessões fotográficas em que se mostra mais sexy, nomeadamente nua na banheira, com arzinho de atrevidota e coiso.

Catarina Furtado mostra-se nua na banheira

É como a Jennifer Lopez. Desde que se separou do Ben Affleck que se mostra mais poderosa que nunca. Agora apareceu de uma maneira que toda a gente a abençoou. Um vestido que vai lá, vai. Quase que poderia parecer um aventalinho mas está bem, está. Não sei se nas costas tem um letreiro a dizer: 'desfaz-me os lacinhos, se faz favor' ou se 'ora chupa, ó Ben Totó'

Jennifer Lopez em vestido Tamara Ralph na passadeira encarnada do Festival International du Film de Toronto, no dia 6 setembro 2024. SPUS / SPUS/ABACA

E até poderia recuar aos tempos em que a malograda Lady Di usou o chamado 'vestido da vingança' ao aparecer pela primeira vez em público após o marido ter admitido publicamente ter um caso extra-conjugal.

Uma lição sobre o dress code para enfrentar o mundo depois de um marido anunciar que afinal há mesmo outra

Acho muito bem. 

Mais. Que isto nos sirva de ensinamento. Por exemplo, mero exemplo, se um dia virmos a Santa Isabel Jonet, a ilustre Madama Cavaca ou mesmo a Senhora Dona Esposa de Marques Mendes ou qualquer outra senhora do género aparecerem descascadonas, a anunciarem-se picantezonas, já sabemos: o sagrado matrimónio foi à vida.

Tirando isso, pode falar-se de quê? Não sei. 

Só se for sobre o facto do Montenegro ainda não ter capturado, ele próprio em missão, os 5 foragidos. Mas isso não é notícia. Ninguém estaria à espera de tal proeza. Na volta deve andar a ver se angaria, ele mesmo, professores para preencher as vagas nas escolas. E riam-se, riam-se. Julgam que estou a brincar? Olhem que não, olhem que não... Sei de fonte segura que é menino para se ocupar com coisas do género (embora não necessária ou não exclusivamente com professores -- e não me peçam detalhes pois tenho por hábito proteger as minhas fontes). 

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Uma boa semana a começar já nesta segunda-feira

segunda-feira, outubro 08, 2018

Clara de Sousa: eis a verdadeira chefe da oposição a António Costa.
Mais assanhada e tendenciosa do que a Cristas, o Rio, o Negrão, o ex-Passos, o ex-Portas, os Jotas mais fanáticos.


Confesso: não tenho paciência para ouvir dominicalmente o Garganta Funda de todos os regimes, essa pequena criatura que obtém informações não sei como e as processa para, de forma manipuladora, fazer de conta que está a ser isento. Não tenho. Há peditórios para os quais já mais do que dei. 

Mas este domingo estava distraída a pintar as unhas, não estava a prestar atenção e, às tantas, quando dei por ela, não me apeteceu ir à procura do comando e, sem querer, para meu espanto, prestei atenção foi a ela, à Clara de Sousa.

Não tinha ideia formada a propósito dela, tenho ideia que nunca se destaca muito. Se tivesse, assim de repente, de dizer alguma coisa acerca dela, lembrar-me-ia que publicou um livro de culinária e que tem aparecido a falar nisso. 

Mas hoje ouvi-a e fiquei petrificada: a senhora esquece-se que é jornalista. 

Tendenciosa, fútil na forma como faz oposição, o sectarismo a toldar-lhe as ideias. Notoriamente não gosta de António Costa, odeia o Mário Centeno, abomina o PS. Se vem à baila que o défice vai situar-se na vizinhança do zero, a senhora diz que é o Mário Centeno a trabalhar para a imagem. Se o orçamento de 2019 vai ter um alívio sensível, ela diz 'mas não tem nada para distribuir'. Teve que ser o Marques Mentes a corrigi-la: é bom um orçamento com o défice perto do zero e tem, tem muito para distribuir. 

Para meu espanto, o agente do PSD de serviço aos domingos à noite foi ali o moderado. A jornalista foi a fundamentalista, a agente da direita mais trauliteira.

Numa televisão séria, alguém lhe chamaria a atenção e a avisaria: se a menina Clara de Sousa quer fazer campanha política, inscreva-se num partido, desenvolva trabalho partidário -- agora não, mas não mesmo, enquanto estiver no seu exercício profissional de jornalista. Enquanto estiver a trabalhar, abstenha-se de fazer campanha. Seja objectiva, isenta, séria. E, se não for capaz, pois que desande e vá apresentar um programa de culinária.

Em resumo: se antes não via o Marques Mentes por ele ser como é, agora é que não vejo mesmo porque se há coisa que não suporto é ver péssimo jornalismo, ainda por cima em horário nobre. A SIC fede. Já chega. 

quinta-feira, janeiro 28, 2016

José Eduardo Martins sofre do síndroma do homem rude / homem polido?
Ou seria melhor mudar o figurino dos debates televisivos?
(Como estou sempre do lado da solução e não do problema, dou uma sugestão)


Aquele senhor já uma vez me divertiu na Assembleia da República desafiando um outro do PS para uma cena de pancadaria na rua e mandando-o para um sítio muito feio (lamento mas não consigo ser explícita: é o único palavrão que tenho dificuldade em dizer), sob o olhar estarrecido do Diogo Feio, moço mais dado a manifestação Cristãs do que a vernaculadas puras e duras. 


Depois, na era lapariana, José Eduardo Martins, nos frente-a-frente da SIC, foi crítico, não gostava de tanta austeridade, quase pedia desculpa à Mariana Mortágua por ser PSD, e todo ele era moderação, demarcava-se às escâncaras da trupe pafiana. 


Pois bem, hoje, julgando-o ainda moderado, numa de conciliador e compreensivo para com as medidas do Governo, especialmente perante a tentativa de ingerência dos burocratas de Bruxelas, face a uma Ana Catarina Mendes (a quem a Clara de Sousa e ele próprio, num lamentável lapsus linguae, trataram por Ana Catarina Martins), fui surpreendida: não senhor, já não estava moderado, estava outra vez na sua versão do contra, contra o orçamento, contra o aliviar da austeridade, contra até o que não conhece, contra, contra, contra.

Não sei se será uma coisa pessoal: se gosta de quem tem pela frente derrete-se, se não vai muito à bola, passa ao ataque. Acho que, para testar esta idiossincrasia comportamental, se poderia pôr à frente do cavalheiro a Mariana e a Ana Catarina, as duas ao mesmo tempo, e ver se se porta como o talhante dos Monty Python, ora rude, ora polido.

The Butcher Who Is Alternately Rude and Polite - Monty Python's Flying Circus





Mas, a seguir pensei numa coisa: ele está ali para fazer o papel de opositor do governo, a voz do contra. Se se mostrar compreensivo, às tantas leva ordem de marcha e ainda contratam o Amorim, que sempre arma maior chavascal, ou aquele puto que parece que era secretário de estado e que agora vai a todas. Por isso, numa de lei da sobrevivência, é ver o José Eduardo Martins a fazer a agulha e a dizer aquilo que esperam que diga.

Mas o mal não é dele, que se é assim e ainda lhe pagam (quando ele é que, cá para mim, devia pagar a um psiquiatra para o tratar da dualidade comportamental), tem é sorte.

O mal é de quem acha que contratar comentadores formatados pelos partidos é um bom negócio. Eu, se lá estivesse na secção do Entretenimento (que acho que deve ser a que se ocupa dos debates), inovava. Contratava paineleiros não por serem a favor ou contra o governo, que isso já é coisa fora de moda, mas por serem giros, ou por serem malucos, ou por serem totós, ou por falarem comendo a sílaba do meio, ou por terem barba só dum lado da cara, ou por usarem meio capachinho e pendido para a testa, ou por qualquer outra habilidade ou gracinha.
Qualquer coisa como a mesa de comentadores que abaixo se vê, cada qual mais maluco que o anterior. 
Garanto que audiência não lhes haveria de faltar. Agora aturar cromos como este José Eduardo Martins ou tantos outros que por aí andam a vender refrescos partidários...? Lamento mas não há pachorra. 

...

Claro que podem ir um pouco mais longe: podem pôr os moderadores trajados de forma a motivar os espetadores com gostos mais mais minimalistas. E, quem diz os moderadores, diz, até, os próprios paineleiros. Por exemplo, todos nus, apenas com um avental. Mas não um avental qualquer, claro está. Estou a imaginar a Clara Ferreira Alves com um avental todo fashion, em tricot, feito por elle-même, o Pedro Marques Pereira, claro, a fazer pendant com ela, o Daniel Oliveira, que deve ser peludo todos os dias, com um aventalinho à macho man (e mais não digo), aquele do Inimigo Público que tenta esconder a barriga, com um espartilho -- eu assim não ia perder o Eixo do Mal, oh oh, claro que não. 

Para quem não tenha imaginação, aqui vai um exemplo de um negócio que, recorrendo a esta poderosa arma, se soube fazer distinguir da concorrência:

Uma Padaria diferente das outras




....

Ora bem.
Resumindo: não há por aí um Provedor do Espetador?

Se há, só espero que espete o dedo e lance a confusão nos canais de televisão -- é que já não se aguenta tanto tédio e parvoíce.
...

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quinta-feira.

Be Happy.


quinta-feira, setembro 11, 2014

António Costa e António José Seguro na SIC com Clara de Sousa: o segundo debate na televisão, o segundo frente a frente antes das primárias no PS. António Costa, frontal e firme e com 'evangélica paciência', deixou António José Seguro com os nervos em franja, corado e à beira de fazer beicinho e, sobretudo, deixou bem claro qual dos dois tem estofo para vir a ser primeiro-ministro. No fim, quase tive dó do Tozé. mas, enfim, foi ele que as andou a pedir.


Depois de na 3ª feira, na TVI, as questões se terem centrado essencialmente no carácter, revelando o duvidoso nível de António José Seguro e a calma olímpica de António Costa, o debate na SIC foi muito diferente.





Clara de Sousa, gira como sempre e muito bem, directa e de rédea curta, levou o debate para o terreno das ideias. Sabido que é que não é com respostas de um minuto ou dois que alguém consegue explicar como vai tirar o pé do País da lama, tem que se reconhecer que uma amostra do que pensam e de como pensam conseguiu, apesar de tudo, ser antevista.




E aí, quando António Costa começou a responder, percebi que tinha mudado de tercio. A montada era outra e o tipo de bandarilhas também. Se, na TVI, tinha ido numa de contenção e delicadeza para poupar o Tozé (tal como o Caro HB disse num comentário ao texto de ontem), na SIC mostrou que a coisa não ia ser um passeio para o Piu-Piu. Tivemos faena a preceito e quase festa rija.





De cada vez que o Piu-Piu piava, António Costa, contido e zen, deixava transparecer que, por dentro, estava a pensar, 'Ó pá, make my day...' e, mal o outro acabava, pumba. Sempre delicado e com elevação, com o argumentário no plano político e não pessoal, não as poupou:

  • que o Tozé andava a apregoar ideias como suas quando eram património do PS, 
  • que apregoava como novas as medidas quando, em 80 e tal, apenas seis medidas e meia é que diferem das do programa eleitoral de 2009 e é porque são questões conjunturais, uma das quais até já ultrapassada, etc e tal
  • que apregoava que eram medidas inovadoras quando algumas constam de programas do partido desde 1995.


Enquanto ouvia isto, o Tozé toldava os olhos, rangia os dentes e não sei que mais fazia que as câmaras não tivessem captado mas não devia ser coisa boa. Alguém devia ensinar o homem a disfarçar a raiva.




António Costa apresentou ideias (tanto quanto possível nos escassos minutos de que dispõem) e, quando o Tozé disse que finalmente o via a apresentar ideias, o Costa saltou outra vez com alegria: isso significa que andaste apenas a dizer o que as agências de comunicação te dizem para dizeres em vez de leres a moção que apresentei. O Tozé, ar esgazeado, fingindo que ria mas com os dentinhos a tremerem de raiva, nem sabia o que responder.





Às tantas, no meio da confusão, o Tozé, sempre a querer descer do chinelo, saíu-se com uma fantástica: que, enquanto os autarcas estavam de janela, ele andava a percorrer o País. Costa disse logo que lá andar muito pelo País ele tinha andado, tinha era conseguido pouca coisa e aproveitou para lhe perguntar se era isso que ele pensava dos autarcas, que estavam de janela. Seguro, voz a tremer de raiva, respondeu que não eram os autarcas, era ele, Costa. António Costa já nem comentou tamanha infantilidade.


E António Costa falou nos erros de Seguro enquanto oposição débil, na falta de ideias, na falta de capacidade de mobilização, no eleitorado órfão, na falta de capacidade para se demarcar do PSD no que fazia sentido ou para contribuir para alguma convergência quando isso era razoável. E, quando o outro reagiu, sempre tentando levar a coisa para o plano pessoal ('fica-te mal dizeres isso'), Costa rematou à baliza 'tu não foste capaz'. 


E apresentaram, pois, as suas ideias. Forçosamente têm que ser ideias gerais mas na forma de apresentar as suas, António José Seguro quer particularizar como que para provar que tem mais ideias, não percebendo que isso não é assim que funciona, parece imaturo.

António Costa tem uma estrutura mental mais lógica, mais sistematizada e sabe que não vale a pena querer inverter a ordem dos factores ou falar de tudo ao mesmo tempo. António Costa sabe e é isso que diz que a primeira prioridade é injectar liquidez na economia e por isso defende que o foco esteja nos fundos estruturais e em políticas de relançamento económico e combate ao desemprego e pobreza. Não são só razões sociais: são também razões económicas pois só com liquidez a economia conseguirá renascer e só com relançamento económico e investimento, poderá haver crescimento e geração de valor.

António Costa sabe e disse-o de forma clara que o sentimento europeu é outro e que o fundamental é inverter o paradigma: não é menos austeridade mas sim crescimento.

Perfilho as suas ideias e não faço outra coisa senão defendê-las desde há mais de 3 anos. 

E António Costa falou no conhecimento, na ciência, na investigação e falou no apoio às empresas e na reforma administrativa do território.

António José Seguro, boca seca, risinho nervoso e amarelo, também disse umas coisas mas vê-se que não sabe prioritizar as ideias, vê-se que, para ele, tanto valem ideias que são balões cheios de ar ou ideias complexas. Dá pena vê-lo a querer mostrar serviço agora que aparente e desejavelmente está de saída.




No final, diria eu que já com o Tozé com alguma dificuldade em se aguentar sentado, António Costa felicitou-o por se ter sabido portar como deve ser, por não ter cedido ao impulso dos ataques pessoais, tanto mais desagradáveis por serem entre camaradas. O outro parecia que estava a sangrar mas queria fingir que estava a gostar e, por isso, mantinha-se de sorrisinho morto pregado à cara, boca em biquinho, dentinhos a quererem vir para fora, olhar descompensado. Andou a pedi-las mas foi confrangedor.





Finalmente, uma vez mais ficou claro que António Costa fala de frente, sabe ser firme e duro, e tem sentido de humor. O seu sorriso é simpático a quem o vê.





António José Seguro tem mau perder, tem uma simpatia artificial, é tudo muito construído, não convence ninguém. 




Digo isto e tenho que corrigir: todos os que apoiaram antes convictamente Passos Coelho contra Sócrates e que agora, apesar de toda a destruição que Passos Coelho infligiu ao País, continuam a não ser capazes de assumir que se enganaram completamente, esses continuam a ver virtudes no Tozé. Diga ele o que disser ou faça o que fizer, esses artistas que inundam os jornais, as televisões e a blogosfera continuam a achar que 'esteve melhor' do que António Costa. Percebo-os: quem já antes revelou tamanha incapacidade de entendimento, não se cura de um dia para o outro. Mas isto pode ser que seja eu a ser tendenciosa, a deixar-me guiar pela intuição, já que acho óbvio que não há comparação possível entre um e outro.


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Permito-me transcrever a deliciosa parte final da crónica de Ferreira Fernandes no DN, intitulada 'Não vou discutir a baixa do IVA, não' :



Já aqui o disse: não gosto de Seguro. Não é por esta ou aquela linha política. E nem é por essa coisa que salta nos políticos quando falta, o carisma. É pela cara mesmo. O falso afeto. Isto é, por uma razão política maior. Se ele chegar a primeiro-ministro e encontrar o ministro alemão Schäuble, não quero vê-lo a debruçar-se e perguntar: "Então, como vão as perninhas?"


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Uma pergunta para terminar: o que é que ainda leva a que alguém convide o Henrique Monteiro para comentar o que quer que seja? Ouvi os comentadores na SIC N durante um bocado e, de cada vez que lhe davam a palavra, ele desatava a desfiar as suas próprias ideias, contraditórias e paradoxais como sempre, sounbites e pouco mais e nunca lhe ocorreu que estava ali para comentar  os candidatos e não para fazer campanha a favor dele próprio. É um fala-barato que cansa. Claro que, no meio de mil imprecações... zapping!


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quinta-feira, agosto 29, 2013

Manuela Moura Guedes volta à televisão, à RTP, agora como apresentadora do "Quem quer ser milionário". Faz-me lembrar aqueles jogadores de futebol que andam pelos principais clubes para depois irem acabar em decadentes clubes da 5ª divisão. Foram rosas, agora são cardos. [Nem sei porque, então, falo nisto quando há tanto assunto sério para se falar (o Governo que forneceu dados incompletos ao FMI e com base nos quais o FMI acha que se deve baixar ainda mais os ordenados; a intervenção militar na Síria não se sabe ao certo porquê nem para quê mas relativamente à qual já se ouve o rufo dos tambores; os alemães que acham que os gregos devem entregar património já que não podem pagar a dívida). Mas são assuntos sérios, tristes, e eu ando com dificuldade em carpir. Prefiro pairar como se não desse pelas coisas más. Vocês desculpem lá.]


Cheguei a casa há pouco. Mais uma noite de laré. Enquanto os dias ainda estão granditos e as noites amenas há que aproveitar. Tirei umas fotografias e agora poderia falar no que andei a fazer e mostrar-vos em que param as modas - mas o facto é cheguei a casa tão cansada e tão perdida de sono (isto vai-se acumulando, sabem; a ver se este fim de semana consigo recarregar as baterias) que agora não tenho energia para as passar para o computador, escolhê-las, reformatar as que quiser colocar no blogue, etc, não tenho mesmo (e não faço outra coisa senão bocejar, credo). Fica para amanhã ou depois. 

Além disso, já estou como ontem. Por um lado acho que deveria falar de coisas sérias mas, por outro, apetece-me é pairar com ligeireza sobre coisas que não interessam para nada.

E assuntos sérios é o que não falta. Um autêntico massacre:

  • O Governo, se facultou dados que espelhavam uma realidade incompleta e que percebia que, com isso, ia induzir o FMI em erro, dando-lhes a ideia de que ainda existe margem para mais cortes de ordenados, fez mal. Mas, se o fez (e é óbvio que o fez), não consigo ficar espantada. Acho que esta gente que nos governa é, no seu conjunto, um bando de feios, porcos e maus. Seja porque gostam de fazer sofrer a populaça, seja porque são desmazelados, seja porque a sua incompetência não dá para mais, o que se passa é que dali só espero mesmo que façam porcaria. Por isso já nem me apetece falar deles. É gente que lá não devia estar e ponto final. Por cada dia a mais que lá estão, de mais disparates se vai sabendo. Se o dono de um restaurante contratar um cão como empregado de mesa, alguém se pode espantar se o cão meter as patas dentro dos pratos? Estranho será o contrário. É como com estes: a gente espantar-se-á é no primeiro dia em que façam alguma obra asseada.

  • É como o iminente ataque à Síria. Sentimos que estamos em counting down e sabemos que muitas vidas se vão perder. Cirúrgica ou não, a intervenção vai sair cara em recursos de toda a espécie, incluindo os humanos. As consequências indirectas, neste caso, não serão inferiores às directas. Um perigo, esta brincadeira. E nem percebo quem é que vai financiar isto com os cofres americanos e europeus quase vazios. Tal como ontem referi, se houvesse alguma lógica nisto, dever-se-ia perceber em nome de quê e para quê se vai intervir militarmente num país - ainda por cima sabendo que isso vai perturbar o já de si instável equilíbrio de forças entre blocos de interesses económicos e geo-estratégicos antagónicos. Ninguém quer que se massacrem civis mas também ninguém quer que, sem provas (verídicas) e sem alternativas políticas conhecidas a priori, se avance à maluca. Mas parece que é isso que vai acontecer. Entretanto o governo sírio parece que entregou provas na ONU que demonstram que foram os rebeldes e não eles que usaram armas químicas. E, perante, divergências tão agudas e as inconsistências do costume por parte dos americanos, continua a assistir-se ao avanço, que quase parece irreversível, para uma guerra de consequências imprevisíveis. Não há dúvidas: o lobby do armamento e tudo o que tenha a ver com a indústria da guerra são vergonhosa e assustadoramente poderosos. É para isto que lhes dá jeito (a eles e ao sector financeiro) que nos governos dos países estejam zés-ninguéns sem miolos, joguetes fáceis, paus mandados sem moral. 

  • Também podia falar de uma notícia que me chocou (e devo mesmo ser muito parva para ainda me chocar com coisas destas). Transcrevo uma parte:

O presidente da Federação da Indústria Alemã (BDI), Ulrich Grillo, propõe como alternativa na resolução da crise grega que Atenas transfira parte do seu vasto património nacional para o fundo de resgate europeu, que poderá vendê-lo para se financiar. 

Acho isto asqueroso. Primeiro, para ter excedentes na balança de transacções, a Alemanha exporta ou força a que os outros países importem (por exemplo impondo regulamentos cujo cumprimento só é possível com recurso a equipamentos fabricados na Alemanha, como aconteceu, por exemplo, com os equipamentos de climatização obrigatórios para efeito de restauro escolar), depois, para que tenham dinheiro para o fazerem, emprestam dinheiro; a seguir, quando as contas dos outros começam a mostrar sérios desequilíbrios, fecham os olhos à maquilhagem das contas; a seguir fecham a torneira e exigem o pagamento da dívida; como não têm como pagar, impõem-lhes juros agiotas e, quando os pobres estão exauridos e na mais indigente míngua, pretendem sacar-lhes o património. É certo que isto é um déjà-vu mas o que é chocante é como décadas (ou séculos!) de história em cima de episódios vergonhosos como o que se volta a pretender levar a cabo não serviram para os povos se precaverem. É mesmo a lei do mais forte - porque, de facto, deixemo-nos de fantasias, isto é uma selva e o resto é conversa.
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Por isso, porque tudo isto me parece mau demais, previsível demais, inevitável demais, é compreensível que só me sinta bem com os pés na rebentação, naquele sítio em que não é água nem deixa de ser: uma espuma que vai e vem, não deixando rasto.

Ou seja, só me apetece falar de coisa nenhuma.




No outro dia, quando estava in heaven e meia a dormir, vi na RTP 2 a repetição do Lado B do Bruno Nogueira. Estava lá a Manuela Moura Guedes. 


O meu marido também estava entre o sono e a difícil vigília. Tenho ideia que quando fez zapping e foi ali parar, disse qualquer coisa como ‘coitada, olha para ela…’. Tenho ideia que levantei os olhos do Expresso que estava a tentar ler a todo o custo e que também fiquei impressionada. Fico sempre quando a vejo mas desta vez fiquei mais. Deixo aqui a parte inicial da entrevista, que tenho ideia que nem é a mais significativa daquilo que estou a dizer mas agora não consigo estar a ver tudo para escolher a parte mais obnóxia.





Mas não foi apenas pelo rosto insuflado – lá está: maçãs do rosto enxertadas, subidas, redondas, boca a transbordar de botox, arrebitada, esbardalhada, a disformidade do costume que, vá lá saber-se porquê, atrai tantas mulheres -, foi sobretudo pelos trejeitos dengosos, pelas boquinhas, parece que se estava a armar em boa, volta e meia toda ela parecia esponjar-se no braço do sofá, toda ela revirava olhos, boca, língua. Um disparate. E dizia coisinhas, parecia uma adolescente palerma – olhem nem sei.

Por mais do que uma vez o meu marido tentou tirá-la do ar, dizia que não conseguia ver aquilo. Mas as alternativas deviam ser piores, ou então era o nosso sono que nos deixava sem acção, pelo que por ali foi ficando.

Cheia de requebros, meneios, sacudidelas de cabelo, olhares lânguidos, queixava-se que estava sem trabalho, em casa, que gostava de voltar à televisão (e tudo isto, claro, à mistura com mostrar que se acha uma fantástica jornalista, acutilante, incisiva, brava, do melhor que há – quando era, sobretudo, mal educada, exagerada, incomodativa; as entrevistas conduzidas por ela eram um stress que não acrescentava nada à qualidade do que as pessoas diziam, pelo contrário, tinha vezes de quase nem as deixar falar).




Se eu fosse responsável por um canal de televisão também não a contratava. É conflituosa, cria atritos com os próprios convidados. Não é isso que a gente quer ver. Eu, pelo menos, chego à noite e quero é calma. Quero ser informada, sim, ouvir opiniões, sim, mas com bons modos, nem gritos, nem vozes sobrepostas, nem gente com modos arrogantes ou intempestivos.


Pense-se, por exemplo, na diferença para uma impávida mas incisiva Ana Lourenço, para uma serena e atenta Carla Moita

 ... ou, continuando apenas nas mulheres:

para uma tranquila mas certeira Clara de Sousa, e ainda para uma suave mas intransigente Paula Costa Simões.




Mas eis que vejo agora que a RTP a repescou mas, ó vã glória de mandar, ó tristes rasteiras do destino, já não para nenhum cargo de chefia, já não sequer para jornalista mas, tão só, para entertainer. Em vez do Malato, a Bocas Moura Guedes a apresentar um concurso, o Quem quer ser milionário


Fico sem saber bem o que dizer. Não posso esconder que sinto uma certa pena. A vida dá voltas…

Percebo que ela se aborreça de estar em casa, diz que jardinava, que fazia ginástica, que tinha um personal trainer que a ajudava a manter a forma, coisas assim: de facto muito pouca adrenalina para quem se alimentava dela. Acredito que a ânsia por sair de casa e voltar à pica de ter as câmaras à frente devia ser muita. Talvez isso justifique a decisão de ir apresentar um concurso na RTP.

Mas será que justifica mesmo? Não será isso uma forma triste demais de nos voltar a aparecer pela casa dentro? Não sei. Não sei mesmo.

Às tantas perdeu-se mas foi uma artista da rádio, TV, disco e da cassete pirata.


Foram cardos, foram prosas. 



Ou foram rosas e agora são cardos? É isso, não é...? Agora é chegado o tempo dos campos de cardos.



***

A ver se amanhã escrevo sobre a nossa Avenue, nomeadamente sobre o que se pode ver por lá.

Hoje fico-me por aqui e a ver se consigo ir a pé até à cama.

Resta-me desejar-vos, meus Queridos Leitores, uma bela quinta-feira!!!!!

quinta-feira, julho 25, 2013

Maria Luís Albuquerque na SIC entrevistada por Clara de Sousa sobre os SWAPs: a capacidade de se manter inalterável e aparentemente tranquila mesmo quando confrontada na televisão, em directo, perante a evidência da mentira até assusta. Parece uma sonsinha mas, pelo que nos vai sendo dado a conhecer, podemos estar perante uma grande descarada.




A Ministra Maria Luís Albuquerque na SIC, sendo entrevistada por Clara de Sousa
(ministra de quem Passos Coelho garantiu a Cavaco Silva
que sobre ela não impendiam assuntos desagradáveis sobre os SWAPs)


Clara de Sousa, implacável, no Jornal da Noite, confrontou a Ministra com os mails trocados em Junho de 2011 sobre os SWAPs nos quais fica patente e factualmente comprovado que não tem feito outra coisa senão mentir.


Perante tudo o que Clara de Sousa disse, arremessou, contestou, provando e recomprovando que Maria Luís Albuquerque recebeu informação sob a forma de relatórios, folhas de cálculo ou mails, esta continuou sorridente, impávida e serena, continuando a dizer que não mentiu.




Clara de Sousa não facilitou nem nas palavras nem na expressão. Mostrou os mails trocados, confrontou Maria Luís Albuquerque com as contradições e com a falta de verdade.

Maria Luís Albuquerque não se torceu nem se amolgou: impávida e serena como se não fosse nada com ela.
Parece que nasceu para mentir. Pessoas assim até metem medo.


E mesmo quando Clara de Sousa lhe disse que ela estava a jogar com palavras mas que as provas demonstravam aos jornalistas, deputados e público em geral que ela possuía desde o início toda a informação que lhe permitiria agir atempadamente e que, ao dizer que não conhecia nada e não tinha recebido informação, estava a faltar à verdade, nem mesmo nessa altura, Maria Luís Albuquerque vacilou.


Estamos bem entregues. Com gente desta, que revela uma assustadora ausência de moral, de ética, de vergonha na cara, o que vai ser de nós?

Como podemos acreditar no que dizem, como podemos esperar deles lealdade, verdade, sentido de dever? 

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(Mais informação sobre esta fétida matéria no Expresso, aqui, e no Jornal de Negócios, aqui.)