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quarta-feira, fevereiro 04, 2026

O grande polvo russo

 

O tema está na ordem do dia e meio mundo tenta juntar as pontas. Mais do que um pedófilo, um traficante de crianças e um charmoso manipulador, Epstein era também um espião? Um agente da Mossad? Ou um agente ao serviço da Rússia? Ou de ambos? Ou também da CIA?

Ou era um agente especializado em Krompomat -- material comprometedor ou documentos incriminadores; expressão originária do russo (abreviação de komprometiruyushchy material), refere-se a informações, fotos ou documentos obtidos para chantagear, desacreditar ou manipular figuras públicas, políticos ou empresários -- que depois alguém, pessoas ou instituições, usariam quando conveniente?

Estarão agora os russos com meio mundo 'ocidental' na mão (políticos, empresários, investigadores -- americanos, europeus e mais uns quantos) bem como com planos de tudo e mais alguma coisa na mão?

Parece que sim. Uma extensão insólita, impensável.

E a verdade é que Alexander Dugin (ou Aleksandr Dugin), o estratega russo, o grande defensor da reconstrução imperial da sonhada Eurásia, já começou a querer recolher dividendos. E, claro, os burros do costume já começaram a divulgar as suas ideias. Já recebi um comentário, que obviamente não publiquei, remetendo para um artigo publicado no blog pró Rússia do costume com um artigo dessa criatura.

Aliás, há não muito tempo, Putin, ele mesmo, fez um comentário que na altura soou a ameaça mas que parecia algo encriptada. Agora percebe-se. E usou expressões que Alexander Dugin agora usa. Estava a avisar, portanto. Trump certamente compreendeu-o pois está a obedecer-lhe caninamente.

Parece que depois de financiarem Epstein e incentivarem a depravação dos ricos, poderosos e bem-pensantes 'ocidentais', depois de recolherem provas e de os terem na mão, os russos agora vêm saltar em cima e hipocritamente denunciar a podridão 'ocidental'.

Claro que existe essa podridão, claro que é uma podridão que enoja, que revolve as entranhas, claro que todos esses tarados, perversos e e nojentos merecem punição, uma punição severa, merecem repúdio absoluto, rejeição social incondicional -- mas são eles, eles e só eles, eles e os que os protegeram. Não é toda a sociedade ocidental. E a sociedade russa (e a israelita) têm tanta fruta podre como a ocidental. Não se pode julgar uma sociedade no seu todo pela fruta podre que há no cesto.

Portanto, caros Comentadores do costume não venham para aqui tentar divulgar a cartilha russa pois aqui não serão bem acolhidos. Já deveriam sabê-lo.

De resto, creio estarmos perante a maior e mais extraordinária operação de espionagem jamais urdida e jamais levada a cabo. Só falta mesmo vir a confirmar-se que Epstein está vivo.

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A título de exemplo:

Epstein estava 'efetivamente envolvido no crime organizado russo' | Christopher Steele

“Rastrearam as atividades e operações de Epstein até à década de 1970.”

O antigo chefe da divisão da Rússia do MI6, Christopher Steele, afirma que, na sua opinião, já na década de 1970, Epstein estava “efetivamente envolvido com o crime organizado russo”.

sexta-feira, novembro 21, 2025

O sorridente rosto do medo.
Por vezes, menos vezes, o sorridente rosto da coragem.

 

Há uma coisa que me perturba. Uma não, muitas. Mas aqui vou falar de uma em particular: a capacidade de sorrir que as pessoas com medo conseguem ter. De resto, não sei se é voluntário, se o fazem para disfarçar, para fazerem de conta que vivem bem como estão, ou se é involuntário, se é um acto reflexo, uma defesa.

O que sei, e sei porque o constato, é que é frequente que pessoas que vivem atormentadas, ameaçadas, divididas entre a vontade que têm de falar, de desabafar, de denunciar quem as ameaça e, em simultâneo, vivendo com terror das consequências caso ousem falar, nos apareçam sorridentes.

Mesmo as pessoas com depressão, não sei se com medo de preocuparem os outros ou com receio de que tenham pena delas ou com vergonha de que as achem fracas, frequentemente se mostram tão sorridentes que ninguém desconfia do que vai no seu íntimo.

Talvez tenham a sua razão. Nunca se sabe, com certeza absoluta, o que vai acontecer. 

No caso de violência doméstica ou de abusos sexuais é frequente as vítimas esconderem e viverem anos sem coragem para divulgar o aperto em que o seu coração vive.

Os vídeos abaixo relacionam-se com o mesmo caso, o caso Epstein, um caso tão complexo e com tantas camadas que não sei se alguma vez alguém conseguirá unir as muitas pontas que por aí andam soltas.

As mulheres sabem quem foram os homens que abusaram da sua ingenuidade mas receiam divulgá-los pois receiam pela sua vida ou pela vida dos que lhes são queridos. 

O homem que escreveu um livro sobre Andrew, irmão do Rei do Reino Unido, sabe mais do que diz, leu mails de agentes do FBI, mas não os revela porque tem medo.

Mas depois há também os que sorriem como desafio, como demonstração de coragem, de determinação. Um conjunto de senadores, congressistas, ex-militares, ex-agentes da CIA fizeram esta semana um vídeo apelando a que ninguém cumpra ordens apenas porque sim já que ninguém é obrigado a cumprir ordens ilegais. Como reaccão, Trump reagiu dizendo, em maiúsculas, que eles deveriam ser executados. Um novo ponto baixo no 'novo normal' da anormalidade que é o regime trumpista. Vale tudo, até ameaçar de morte ou incitar à morte daqueles que ousam discordar publicamente dele. 

A reacção indignada, apreensiva, revoltada dos envolvidos não se fez esperar. Mas trago aqui a reacção de Elissa Slotkin pois considero admirável a sua capacidade de sorrir, ainda que apenas ao de leve, ao reagir com o que imagino seja profunda indignação, profunda repulsa e provavelmente alguma preocupação íntima.

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Sobrevivente de Epstein quebra o silêncio sobre "a lista", Mar-a-Lago e a luta pela justiça

Sharlene Rochard, sobrevivente de Epstein, conta a Jen Psaki numa entrevista exclusiva que vai para o ar esta noite que as pessoas para quem foi traficada incluem nomes conhecidos e alguns nomes que "ainda não vieram a público". Rochard explica como era levada a "festas de modelos" em Mar-a-Lago quando era adolescente e fala sobre o seu trabalho com Sky e Amanda Roberts e outras sobreviventes dos abusos de Epstein para levar os seus associados à justiça.


O que o FBI está a dizer sobre a morte de Epstein | Excertos do podcast do The Daily Beast

Andrew Lownie, autor do bombástico livro "Entitled: The Rise and Fall of the House of York" (Intitulado: A Ascensão e Queda da Casa de York), conversa com Joanna Coles sobre a primeira reação do ex-príncipe Andrew ao descobrir as acusações de Virginia Giuffre contra ele e como a Rainha pode ter encoberto o seu comportamento inadequado. Além disso, os dois discutem a possibilidade de Epstein se ter cansado da ex-membro da realeza e de Fergie, e o que Lownie descobriu ao trocar correspondência com um agente do FBI sobre a possibilidade de Epstein se ter suicidado.

Elissa Slotkin reage à declaração de Trump de que vídeo dos democratas é 'punível com a MORTE!'

Numa publicação nas redes sociais, na quinta-feira, a senadora Elissa Slotkin (D-MI) criticou o presidente Trump pela sua reação a um vídeo publicado por deputados democratas sobre ordens militares. 

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Desejo-vos uma sexta-feira feliz

sexta-feira, julho 05, 2024

Um Governo de tangas

 

Dão o dito por não dito, têm ideias parvas, verdadeiros tiros no pé do equilíbrio orçamental, anunciam como deles trabalho que é outros e sempre tudo na base da treta, da tanga, com uma corte de bacocos, de totós, de pacóvios a defenderem o indefensável.

Todos os pacotes, todos os anúncios, tudo o que dizem é uma mão cheia de nada. E, quando há qualquer coisa, é algo que repescaram do trabalho do Governo de António Costa e da qual, desavergonhadamente, se apropriam.

Não é possível que se aguentem muito tempo.

[Mas, antes que caiam todos de maduros, Montenegro devia -- de imediato -- livrar-se do inenarrável Sarmento (uma nódoa abaixo de nódoa) e das malcriadas e tóxicas Ana Paula Marins e Rosário Palma Ramalho. Não que os outros se aproveitem mas, enfim, pelo menos não criam anticorpos por onde passam, não geram um mal estar geral, não dão tiros nos pés do Governo e não atentam contra a inteligência dos portugueses da forma que este trio o faz.]

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Um aparte:

Só espero que uma onda como a que varreu o Reino Unido avance pela Europa, pelo mundo. Gostava mesmo.

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PS: Começo a gostar de posts curtos. Um dia destes ainda me inscrevo no X que parece que é a casa certa para mandar bocas curtas. 

terça-feira, maio 09, 2023

Marcelo, os Chornalecas e a dupla Ventarina (ou Catatura).
E, para desopilar, 5 momentos divertidos da Coroação

 

Por cá isto está a ficar estúpido. Agora é o Bloco e o Chega -- que coincidentes que eles estão --, os dois ainda numa de caça ao Galamba. Não há pachorra. Nunca achei graça a gente que gosta de mastigar comida já mais que mastigada. E os chornalecas (nome que doravante darei a todos quantos andam por aí a querer fazer-nos crer que são jornalistas) lá continuam atrás da dupla Catarina e Ventura como se dali alguma vez pudesse vir solução para algum problema. Pelo contrário, inventam problemas para não haver tempo para alguém prestar atenção às soluções.

Temos depois o fake new Marcelo. E é fake new porque é novo coisa nenhuma. Toda a vida assim foi. Moderava-se para parecer que estava acima da carne seca, mas agora não aguentou mais. Aquela de o Costa ter mostrado que os tem no sítio e que não é um badameco com medo das bocas do comentador-mor desestabilizou-o. Furibundo e descontrolado, não apenas deixou que o verniz se lhe estalasse em público, mostrando que é pouco leal, dado a apedrejamentos públicos sobre quem parece que está caído na rua, dado a sacrificar o sentido de Estado em prol dos seus pessoalíssimos estados de alma, com uma educação que se tem mostrado algo duvidosa, agora resolveu que está bem é ao lado dos chornalecas do Correio da Manhã e de braço dado com a dupla Ventura & Catarina, dupla -- que, parafraseando o grande Markl --, se pode designar por Ventarina ou, caso prefiram, Catatura.

Promulga um diploma e aproveita para incendiar os sindicatos e, en passant, dizer mal do Governo. Anda por aí com os chornalecas atrás e, como quem não quer a coisa, diz mal do Governo, lança farpas e cascas de banana a este e aquele. Menino mais ressabiado, mais irreflectido, este puto Marcelo. A continuar assim, teremos todos que disfarçar a vergonha alheia que começaremos a sentir.

E, de que me dê conta, nada de esperto por cá acontece.

Portanto, como isto por cá está meio triste, meio sem jeito, vou antes deslocar-me para palácios onde os seus habitantes têm melhores maneiras.

Vou, então, rescaldar a coroação 

1.

Gente prevenida. Para um just in case, levaram duas Camillas sobressalentes 

💪

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2.
Não apenas espetaram com o Harry na 3ª fila como puseram, à frente dele, a fofa e cavalona ti-tia, a cuja transportava farfalhuda pena no barrete, quase de propósito para o ofuscar. 
👌

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3.
74 anos à espera deste dia e, afinal, quando chegou o grande dia ainda, Sua Majestade ainda não tinha decorado a meia dúzia de palavras que tinha que dizer  
😕

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4.
E, vá lá saber-se porquê, houve gente que compareceu sob disfarce. Houve quem dissesse que este aqui abaixo, à direita, era a Meghan. Mas também houve quem suspeitasse que era malta que a seguir ia tentar fanar as jóias da Coroa
😎

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5.

Um cavalo com vontade própria, coisa mailinda. 

👀


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Um dia bom
Saúde. Bom humor. Paz.

domingo, maio 07, 2023

Um casal todo real-caturra, uns convidados à maneira, uma boa música e toilettes para todos os gostos

 



Não tenho nada contra a festa da coroação. Parece-me uma coisa de outros tempos: juras e rezas, paramentos, cerimoniais, coches puxados a cavalos, arcebispos e cantares. Coisa de filme. Coisa de histórias infantis. Tem um lado ficcional. Devaneios que envolvem reis e rainhas, príncipes e princesas, mantos, pajens, aias, damas de companhia, coroas, ceptros, tiaras. 

É quase como se um filme extraordinário fosse realizado em directo, um filme com protagonistas que conhecemos, com um guarda-roupa cuidado, com adereços valiosos, com uma boa banda sonora, rodado em palácios, catedrais e com cenas de rua.

Sou republicana de cabo a raso, da cabeça aos pés. Mas nada me move contra as monarquias dos outros países. 

A do Reino Unido já se viu que não tem qualquer intervenção política. Podem, no terreno, desentender-se completamente uns e outros, andar desgovernados, resolver sair da União Europeia sem perceberem o que era o brexit, não saberem bem a quantas andam, pouco faltar para andarem à batatada. A Rainha não mexeu uma palha. Assistia, fazia uns discursos simpáticos mas mais nada. Era a Rainha de Inglaterra a ser a Rainha de Inglaterra e toda a gente compreendia que era isso que se esperava dela.

E agora, com o septuagenário novo rei vai, certamente, ser a mesma coisa. Ele e a sua rainha, amor de longa data, coroados quando se julgaria que com aquela idade bem podiam retirar-se de cena, majestades improváveis, alguma vez vão dirimir conflitos entre partidos ou fazer discursos à nação para desancar num ministro? Nem pouco mais ou menos. Continuarão com as suas fundações (algumas, segundo ouvi, até bastante meritórias), com as suas visitas e pouco mais. E se é assim que é e se a maioria lá deles gosta, quem sou eu para opinar em contrário?

Gastam fortunas nestes festejos, é certo. São milionaríssimos, é certo. Mas dão também muito a ganhar pois são, no conjunto, uma fantástica máquina promocional, uma imparável máquina de marketing, o turismo muito lhes deve e o comércio de toda a espécie de bugigangada também, e, no balanço final, acredito que haja  benefício para os cofres de Estado.

Acresce que, entre eles, os Royals, há sempre festa e fanfarra, cegada e coboiada da boa. Amores clandestinos e adultérios, zangas, boas e más companhias, tristezas agudas, fugas de informação, conluio com os tablóides, há de tudo. E já nem falo no caso extremo da Princesa do Povo que alimentou escândalos, amores e desamores durante anos acabando tragicamente como acabou ou agora o outro, caído em desgraça pelas suas mal afamadas incursões epsteinianas. 

Uma espécie de Netflix e HBO em directo e em permanência, folhetins quase diários.

E depois há estes happenings: casórios, baptizados e enterros reais, e, agora, cereja em cima do bolo, uma coroação. 

Nós temos o desfile das marchas na Avenida ou o alho porro no Porto ou todas as outras festas pelo País, temos umas efemérides celebradas com enfado. Os russos, os chineses e os coreanos têm aquele disparate de armamento a desfilar e o culto do grande líder. Os ingleses têm isto e, convenhamos, divertem-se muito mais que todos os outros. E, convenhamos também, em direitos televisivos, devem ganhar fortunas pois o mundo inteiro é cusco e gosta de ver estas cenas.



As mulheres, em particular, gostam de ver as toilettes, vestidos, sapatos, penteados e, sobretudo, chapéus, e a elegância, o a propósito, a compostura, as gracinhas das crianças, as extravagâncias, os olhares que trocam entre eles. 









Enfim, essas irrelevâncias com as quais às vezes gostamos de nos entreter. E quem nunca...?

Não sei o que se seguirá mas eles já devem estar a preparar o próximo acontecimento pois a máquina tem que se manter em movimento.

Finalmente tenho que referir que do Marcelo nem sinal. Que eu saiba não o filmaram nem à entrada, nem durante nem à saída. Se calhar, o seu tão importante comunicado ao país não despertou o interesse dos media britânicos, coisa que não se percebe.

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sábado, maio 06, 2023

Estarão todos de fralda?

 

Horas de cerimónia, horas de desfile. O público, cá fora, horas e horas sem arredar pé. Será que ninguém precisa de ir à casa de banho?

A minha mãe diz que acha que estão todos de fralda. Na volta, é isso mesmo.


Charles e Camilla, os reis da pândega

 

Em dia de galáctica coroação, o que estava a ver jeito de nunca coroar a sua sempre amada Camilla finalmente sobe ao trono. Se fosse em França já estaria reformado faz anos. Assim, é aos 74 anos que vai ser empossado como rei e vai lá, vai. E Camilla, aquela que passou de pérfida amante a malvada madrasta e agora a vovó mais fofa, é aos 75 anos, quando muito boa gente acha que está na altura de calçar as pantufas e pôr-se a ver o programa da manhã, que vai subir ao trono -- não como consorte mas como queen -- e quem não goste que coma só as batatas fritas.

Eu gosto.

Gosto de amores assim que desafiam a lógica, a corte e quem mais vier atrás. Gosto também de gente que desata a rir sem conseguir parar e que não perde ocasião para se divertir.

Quanto àquilo ser uma monarquia é lá com eles. Para aqui é coisa que nem me passaria pela cabeça mas, por lá, não quero saber e até acho uma certa graça.




E que tenham muitos meninos.

sábado, janeiro 07, 2023

Prince Harry, o alcofinha.
E quando as coincidências são farpas

 


Nos excertos que se vão conhecendo do anunciado livro, nas entrevistas que vai dando, vamos ficando a conhecer a pinta de alcofinha do menino. O dirty Harry é afinal um rapazola com complexo de inferioridade e que padece de um mal que muita vezes vem associado àquele complexo: é um queixinhas. 

Vai escarrapachar num livro as brigas que tem com o mano, as conversas que teve com o pai, o que este ou aquela disseram sobre isto ou sobre aquilo...? E depois ainda tem o topete de dizer que agora a bola está do lado deles...?

E relata idas à bruxa para falar com a defunta mãe...? Verdadeiramente do além. 

E, en passant, conta que matou vinte e tal talibans, naturalmente deixando os militares de cabeça à banda, petrificados com a leviandade do petit prince.

Tudo isto é uma coisa que deixa a malta toda de boca aberta. Tudo deslocado, inútil, ridículo, imaturo, estúpido de mais.

A família real, toda pompa e circunstância, agora nas bocas do mundo por isto. Fofocas para todos os gostos. Um fartote de parvoíces, sem ponta por onde se pegue.

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Estava eu aqui sossegada da vida a ver sobre estas coisas quando começam a chegar mensagens da minha filha perguntando-me pelos filhos de alguém que conheço muito bem, perguntando-me pela ex, pela actual, pela casa, pelos hábitos, pela família. Tudo coisas que sei de cor e salteado. Por cada resposta que eu dava, ela ia confirmando que são as personagens do livro que está a ler e que, às cegas, lhe ofereci pelo Natal. 

Por tudo o que me foi contando, o livro relata a história da família de alguém que conheço muito bem, uma figura pública, de quem aqui já falei algumas vezes. E parece que a autora pega pesado. Imagino como ele deve estar em brasa. Cioso da sua imagem como é, deve estar aterrado não vá a notícia do livro espalhar-se. Nem consigo imaginar o que será uma pessoa ver-se retratada e posta a ridículo nas páginas de um livro. 

Imagino que um dia se faça um filme baseado no livro e imagino que ele viva mortificado com medo que isso aconteça. A vida, às vezes, é do caraças.

Podia agora, para ilustrar esta parte do texto, colocar aqui a fotografia dele. Mas obviamente não o faço. Nem vou colocar a imagem da capa do livro. Primeiro quero lê-lo. Depois pode ser que um dia fale dele (embora não diga de quem se trata, como se fosse tudo ficção).

Ou pode ser que um dia escreva eu sobre ele, sobre essa mesma pessoa, relatando alguns aspectos que a autora do livro desconhece.

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Tentarei amanhã responder aos comentários. Hoje não consigo.

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Desejo-vos um bom sábado

Saúde. Boa disposição. Paz.

sábado, outubro 22, 2022

E sobre a Liz Truss não há nada, nada, nada?


Não. Nada. Não há nada a dizer. Nada. Nem antes, nem durante nem depois. Ela, Boris, Kwasi Kwarteng, outros que tal. Nada. Figurantes de uma tragédia que tem um nome: Brexit. E que tem um actor principal, que actuou na sombra, que criou as condições, que financiou, que engendrou, que manipulou, que mexeu os cordelinhos. E actores secundários que usaram ferramentas proibidas, que estudaram as motivações profundas, que exploraram os medos, que brincaram com a ignorância, que pagaram. 

E os britânicos votaram sem saber no que estavam a votar. Não perceberam o logro. Deixaram-se enredar na perigosa e imprevisível trama do logro.

E agora ninguém consegue gerir esse logro. O logro é ingerível. Cai um ministro, cai outro, caem às mãos cheias, e cai um primeiro-ministro, cai outro, cai outro, repescam os que caíram. Uma farsa, um absurdo, um caos.

E o rei assiste impotente porque está lá apenas para ser o public relations do reino, para ajudar a vender canecas e bandeirinhas, não para tomar decisões relevantes.

Por isso, nada a dizer da pobre coitada da Liz, nada a dizer do bacano do Boris, nada a dizer do James, nada a dizer de todos os que já se demitiram e dos que ainda se vão demitir. A única coisa com graça nisto do Brexit foi o pai do Boris se ter naturalizado francês.

Um dia aparecerá um político a sério, o Brexit será revertido, as coisas voltarão a entrar na normalidade. Só não sei quando. Talvez quando o actor principal, o diabo que actua na sombra, tiver virado pó.

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Até lá, que viva o outono que, finalmente, parece estar a aceitar deixar de ser verão. Que traga chuvas, aragens, neblinas, cheiro a lareira, terras molhadas, árvores gotejantes, vontade de aconchego.

E que os tempos tragam algum presciência a quem vive ou assiste ao declínio moral que aqui e ali vai medrando nas sociedades democráticas, abertas, tolerantes, inocentes.

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E que a beleza e a graça e o amor estejam sempre por perto

Auto-retrato de Élisabeth-Louise Vigée-Le Brun (Paris, 1755 –1842)


Lea Desandre & Cecilia Bartoli – De Bottis: Mitilene, regina delle amazzoni: "Io piango" - "Io peno"


The English Patient - The Heart is and Organ of Fire 


Bedroom Folk - Sharon Eyal & Gai Behar (NDT 1 | Strong Language)



Foto de Alain Laboile

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Um bom sábado
Saúde. Aconchego. Beleza. Paz.

domingo, setembro 18, 2022

Este imenso e insólito caleidoscópio*

 


A vida é uma coisa múltipla. Nela misturam-se passado, presente e expectivas para o futuro, misturam-se grandes crises mundiais com ínfimos problemas pessoais, misturam-se questões profissionais com questões pessoais, grandes alegrias e imensas tristezas, interesses e desinteresses, ficção e realidade, o bem e o mal, a aventura e o tédio, a intimidade e a indiferença, a morte e o nascimento, o amor e o ódio. E tudo o mais.

Enquanto Londres transborda com gente vinda de todos os lados para a ilusão de participar na despedida à Rainha e todos os Royals se desdobram numa cuidada e bem encenada coreografia e todas as forças de autoridade se multiplicam na execução de um exigente plano de segurança e enquanto a economia britânica se regozija com o inesperado afluxo de turistas e de consumo, dentro do caixão em torno do qual familiares e multidões circulam em passo lento o corpo de Sua Majestade segue o seu inexorável caminho rumo à inexistência. 

E enquanto uns se prostram em silêncio e outros festejam e outros choram e uns ameaçam e outros acusam e uns matam e outros cuidam de mortos e feridos... as nossas praias enchem-se de gente que aproveita o belo sol de um longo verão e as esplanadas vibram com gente que confraterniza e se diverte ou, simplesmente, desfruta a paz.

É assim mesmo. É normal e bom que assim seja. 

A vida alimenta-se dos impulsos entre polos de sinal contrário e se, por um lado, o The Guardian  mostra transactas fotografias da Rainha com outras celebridades como, por exemplo, Sua Majestade a não conseguir impedir-se de deixar cair o seu curioso olhar sobre os atrevidos seios de Jayne Mansfield, por outro mostra o terror levado a extremos de que a malavita russa é capaz como mais uma grande vala na qual centenas de corpos jazem demonstrando o horror a que foram sujeitos. 


E se a Monarquia é daquelas instituições que nada acrescenta e que pelo menos tem o mérito de ter um lado cinéfilo, ficcional, em que existem sempre imagens reais e afins nas quais há com o que entreter o pagode e estimular o consumo através da imprensa da moda, da decoração, da jardinagem, dos mexericos, dos amores e desamores já o mesmo não se pode dizer de regimes ditatoriais em que se cerceia a liberdade, em que se ignoram os direitos humanos, em que se desprezam todos os valores e princípios essenciais que devem reger o comportamento de sociedades que respeitem as pessoas.


Por isso, se podemos sorrir com alguma bonomia ou, mesmo, simpatia para as gaffes do novo Rei ou para a forma carinhosa como a sua Consorte de longa data o acompanha ou com admiração para os banhos de carinho que as multidões demonstram a tudo o que lhes cheire a realeza... estou em crer que ninguém com um mínimo de bons sentimentos consegue olhar para os corpos que estão a ser desenterrados em Izium sem sentir compaixão para os que sofrem as agressões e revolta contra quem as pratica. Nem se consegue imaginar o que estas pessoas sofreram antes de serem enterradas. Ao contrário daqueles de quem se diz que 'morreram tranquilamente' estes não tiveram certamente essa sorte. A sua vida foi-lhes ceifada prematuramente e, do que tem estado a descobrir-se, depois de terem sido torturados. Quantos não terão sido enterrados depois de humilhados, violentados, ou de assistirem à morte de outros ou, mesmo, enterrados ainda com vida?


E o que eu penso é que, por muito bom que esteja a ser o nosso dia, por muito quentinho ou dourado que esteja o sol, por muita alegria que sintamos com os nossos ou com o que quer que seja, devemos sempre guardar um bocadinho da nossa atenção para o que de mau se passa à nossa volta.

Claro que coisas más acontecem por todo o lado e, La Palice confirmá-lo-ia, não há coisas más que sejam boas. Mas, a par dos desastres naturais resultantes das alterações climáticas, não há na actualidade um drama de maior gravidade do que o a Ucrânia atravessa. A barbaridade do regime de Putin é miserável, inaceitável. Felizmente a contestação interna na Rússia começa a fazer o seu caminho e os seus potenciais aliados, Índia e China, começam a mostrar a Putin o beco sem saída em que se meteu, dizendo-lhe que a guerra tem que acabar.


Espero que o mundo ainda exista quando Putin passar à história como um medíocre agente do KGP que, depois de se alapar no Kremlin e distribuir riqueza pela família e por um punhado de oligarcas, virou um psicopata com aspirações imperialistas, congregando sobre si a repulsa generalizada do mundo civilizado pelos hediondos crimes de guerra que está a levar a cabo (sendo apenas apoiado, ainda que disfarçadamente, pelo PCP e por um punhado de palermas, alguns dos quais com presença na blogosfera portuguesa) e que, com o destamanho da barbárie de que mostrou ser capaz, sujou a Rússia de vergonha. 

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Entretanto:

Ex-CIA director predicts ‘terrible, painful retreat’ for Russia

Retired US Army general and former CIA Director David Petraeus tells CNN’s Jim Sciutto that he thinks Ukraine’s counteroffensive has placed Russia in a “disastrous situation.”

See Russians react to Ukraine's dramatic territory gains

As Kyiv pushes on with its counteroffensive, Russian troops are retreating from the occupied territory in Ukraine in one of the biggest defeats of the invasion. CNN's Matthew Chance reports on how Russians are reacting to the battlefield losses

Officials from 18 Russian districts call for Putin to resign

Deputies from 18 municipal districts in Moscow, St. Petersburg and Kolpino have called for Russian President Vladimir Putin’s resignation, according to a petition with a list of signatures posted on Twitter

Putin makes concession about Ukraine war in meeting with China

President Vladimir Putin addressed China's questions and concerns about the war in Ukraine during a regional summit. This is the first time Putin and Chinese President Xi Jinping have met since Russia's invasion over six months ago.
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* Caleidoscópio como o Arménio Pereira costuma dizer

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Desejo-vos um bom dia 
Saúde. Afecto. Paz (da verdadeira)

quarta-feira, setembro 14, 2022

Querem lá ver que o petiz não tem a pachorra e o savoir-faire da querida mamã...?

 

Como é bom de ver, não tenho andado a comer, a mastigar ou a ruminar sobre os omnipresentes documentários e comentários sobre a falecida Rainha, sobre a Consorte, sobre o novo Rei, sobre os irmãos do Rei ou sobre os filhos. Não sou cidadã do Reino Unido ou da Commonwealth nem tenho recordações pessoais ou afectivas que me liguem aos Royals. Por isso, não os sigo caninamente, não consigo traçar-lhes traços biográficos nem consigo ter opinião sobre se Charles III vai modernizar a monarquia, se vai mantê-la viva e a vender canecas e outros gifts a todo o vapor ou se vai enterrá-la. Não sei, não faço ideia.

No entanto, acompanho o suficiente a comunicação social para saber algumas pequenas coisas. E é, portanto, a partir do pouco que sei que acho que o agora rei esteve bem quando, avant la lettre, demonstrou preocupações ecológicas e pôs em prática conceitos de sustentabilidade. Também acho que foi coerente e mostrou ser pessoa de fidelidade aos seus amores, quando, contra tudo e contra todos, apesar das tremendas dificuldades e contra a pressão da família e da opinião pública, se manteve inabalavelmente ligado ao seu amor de sempre, a sua Camilla, à altura casada com outro, mais velha e menos glamourosa que a sua belíssima Diana. E também aprecio o seu sentido de humor e a sua capacidade de rir em uníssono com a sua bem amada, tal como acho comovente a ternura que tem expressado em relação aos pais ao comentar publicamente a sua morte e ao agradecer o carinho das manifestações de pesar que os seus concidadãos têm demonstrado.

Tirando isso, pouco mais posso acrescentar. 

Por isso, limito-me aos fait divers, nomeadamente a esta sua recente baralhação sobre a quantas anda (o que é natural pois, ao mesmo tempo que o corpo da mãe anda em bolandas, de um lado para o outro, tem ele que andar também a bater perna por todo o reino, a discursar, a agradecer a gentileza de meio mundo e a fazer juras de que vai seguir o bom exemplo da darling mamma), à sua fúria com a caneta que se babou e lhe sujou os dedos e à cumplicidade de Camilla, sempre presente e atenta a seu lado.

'I can't bear this bloody thing': King Charles gets frustrated with leaky pen

King Charles became annoyed with a leaking pen during a visit to Northern Ireland's Hillsborough Castle on Tuesday.

Charles, alongside the Queen Consort, Camilla, was attending a reception at the castle, where he met with members of Northern Ireland's assembly.

During a book-signing ceremony towards the end of the visit, Charles realised he had initially signed the wrong date and then complained about the pen he was using, with the Queen Consort saying it was leaking 'everywhere'. The pen was swiftly vanished by a royal aide before Camilla sat down to sign the book herself


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E a propósito da risota cúmplice entre Charles e Camilla, partilho, uma vez mais, um vídeo com imagens que acho deliciosas

Inuit throat singing leaves Charles and Camilla in stitches

Prince Charles and the Duchess of Cornwall struggle to contain their laughter during a traditional Inuit welcome in Iqaluit. The city is the capital of Canada's northernmost territory and is already feeling the effects of climate change. The pair were on the first day of a three-day tour of the country.

Desjo-vos um dia bom
Saúde. Boa disposição. Paz.

sexta-feira, setembro 09, 2022

Isabel gostava de chapéus e de se divertir

 


Não tinha proximidade de qualquer espécie nem tenho conhecimentos para falar. Apenas posso dizer que era uma presença que os meios de comunicação social nos tornavam próxima, uma mulher discreta e simpática que, ao longo de décadas tem ilustrado uma realidade carregada de símbolos, um misto de tradição e sonho, conto de príncipes e princesas, castelos, coroas, joias reais, sorrisos, banquetes, desfiles.

Neste caso com a graça adicional de encabeçar uma família fértil em escândalos, histórias de amores e desamores, traições, adultérios, mortes trágicas, amizades perigosas -- tudo nas capas dos jornais a alimentar a fantasia popular. E ela sempre ali, assistindo a tudo, conseguindo gerir com elegância e silêncios os dramas, as intrigas, as fugas de informação, as revoltas, a contestação.

Sou republicana. Zero de monarquias. Mas reconheço a simpatia tutelar que emanava de Elizabeth II.

E reconheço que achava muita graça às suas coloridas toilettes, aos seus alegres chapéus, à forma como mostrava o seu fino sentido de humor. E comovi-me quando a vi sozinha, na igreja, num luto carregado e triste, quando o marido morreu. Uma idosa que tinha perdido o amor da sua vida.

Escrever qualquer coisa aqui no dia em que morre a Rainha não é fácil. Não falar? Deixar passar o dia? Falar? Falar o quê? 

Prefiro, pois, limitar-me a partilhar imagens que a mostram bem disposta com os seus arrojados chapéus e uns vídeos no qual ela se ri, brinca, dança, mostra o seu sentido de humor. 


Queen Elizabeth II funny moments









E boa sorte a Carlos e a Camila, os senhores que se seguem. Um casal de bacanos.


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Um dia bom
Saúde. Alegria. Paz.

domingo, maio 01, 2022

Falo do deputado totozeco apanhado a ver pornografia no telemóvel, antes do momento da votação?
Ou deixo-me disso e falo antes de um apartamento alugado muito bonito, muito bem decorado?

 

No que se refere a Neil Parish estou como o João: tanto fusuê por causa de uma coisa destas? O homem, enquanto no exercício das suas funções, andava à procura de tractores quando, naturalmente, foi parar a um site porno. Toda a gente sabe que quem diz tractor está na verdade é a pensar em ver como é que o bicho pega. Mas o Parish não sabia. Pasmou, olhou e viu. E, afinal, que mal tem? Quem nunca? Perante um tractor vagabundo quem nunca arregalou os olhos a ver se descobre que diabo se esconde ali?

Ora. Só santinhos.

Mas ele, o Neil, que é toryzinho e de lagriminha no canto do olhinho, confessa que, não esclarecido, foi lá uma segunda vez. Na volta quis ver modelos de pá levantada, modelos de pá de arrasto. Whatever

Só que aquilo ali, naquele parlamento, as condições não são as melhores. Tudo acanhado. Tem que estar tudo perna com perna. Hoje vi umas imagens em que uma senhora estava empalmada entre dois calmeirões. Para caberem os três, um tinha que estar de lado com o braço por cima dela e o outro encolhido tentando, mas não conseguindo, empernar com ela. Depois queixam-se de má conduta. É que não sei como evitá-la. Está bem que, se os parceiros foram horrorosos e mal cheirosos, ainda dá para se encolherem e fazerem de conta que não dão por nada, que estão ali só mesmo pelo penteado do Boris. Agora se são simpáticos e jeitosos, ali aconchegados uns nos outros, como evitar que role um climinha? 

Depois, claro, se algum outro da bancada da frente quer arranjar confusão, logo vai intrigar e pôr a rádio alcatifa a comentar que, em vez de estarem concentrados nas leis, estão é a medir a temperatura um ao outro e, nitidamente, se não rolou já pintou. E dali até soar que, entre aqueles dois, há ali má conduta não vai um segundo.

Pois bem, foi no meio destes amassos, uns aconchegados nos outros e os de cima logo ali em cima verem o que se passa na bancada de baixo, que o fofo do Neil se foi pôr a ver as habilidades dos tractores, e si cariño, si cariño, truca-truca, para a frente e para trás.

E agora, tendo sido apanhado naquela sua curiosidade inocente pelos colegas, tudo gente pura e pudica, caíram-lhe em cima. São os colegas, são as televisões e jornais, são as redes sociais: que não há perdão possível. É para a rua e é já. Andor.

E ele, tipo menino do coro, fofinho da sacristia, confessa que pecou, chora, todo ele arrependimento, diz que está a fazer sofrer a mulher e o que isso lhe custa só ele sabe, assume o erro, diz que foi um momento de loucura.

Não sei de que são acusados os outros cinquenta e tal, incluindo três ministros, de quem se diz serem também gente de má conduta. Terão posto a mão na perna do gordo do lado? Terão contado a anedota do macaco Horácio no intervalo de uma votação? Terão visto as capas do Correio da Manha? 

Não sei, não faço nem ideia.

O que sei é que parece que está tudo maluco. Não há explicação.

Portanto, com vossa licença, sigo para um tema em que ninguém me vai poder pegar: não tem a ver com pornô, não tem a ver com Putin nem com o Partido do Zê, não tem a ver com geopolítica nem com a ausência de cultura grega. 

Nada. Decoração pura e dura. Neste caso nem com arquitectura tem a ver. Só com bom gosto. A designer do ano lá da terra dela, a Sophie Ashby, foi para um andar alugado e fez dele uma coisa fantástica. 

Our Designer of the Year Sophie Ashby on decorating her rented Georgian house | Design Notes


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Desejo-vos um feliz dia de domingo
Vivam os trabalhadores e viva o merecido descanso!
E juízo nessa cabecinha. Saüdinha da boa. Paz a sério.

domingo, junho 27, 2021

Olha... o ministro, esse poor man, demitiu-se...
Diz que não pode pedir distanciamento social aos outros e, ao mesmo tempo, andar a beijar e a apalpar o rabo da assessora...
Ora bolas para o corona que já nem deixa a malta pular a cerca à vontade...
Mas a qu
estão não é essa, a questão é outra. E não tem nada a ver com o corona.

 

Há uma coisa que me causa espanto: onde estava a câmara que apanhou o ministro naquele ângulo? No próprio gabinete não deveria estar senão eles teriam tido cuidado. Li que foram as câmaras de vigilância que os apanharam e que alguém as 'sacou' e, ou para sacanear o ministro ou para ganhar algum dinheiro, as fez chegar ao Sun. A sensação de que há sempre, algures, um Big Brother a espiar toda a gente deve estar bem presente não apenas neles e em quem trabalha em locais vigiados como, progressivamente, em cada um de nós.

Partilho aqui o vídeo pois não apenas eu partilhar ou não partilhar é mais do que irrelevante como isto é também mais do que público. Mas este vídeo é uma daquelas devassas que não sei como daqui pode não se partir para uma queixa contra quem permitiu esta absoluta invasão de privacidade. É certo que são figuras públicas em locais de trabalho mas é inadmissível que alguém julgando estar a actuar em privado, ainda por cima, em momento de grande intimidade, se veja exposto desta maneira.

Claro que, pelos contornos do que se passou, poderá fazer-se de conta que é outra coisa e vir dizer-se que se expôs um momento de contradição entre as regras públicas e as práticas privadas mas dizer isso é de uma insuportável hipocrisia pois sabe-se bem que o que se pretende é expor o momento de infidelidade entre Matt e Gina. A humilhação a que o jovem ministro e a sua assessora foram expostos é brutal.


Ainda há poucos dias a Rainha se referia a Matt Hancock como 'poor man'. E, na realidade, ele como todos os outros ministros da Saúde que tenham apanhado com a batata quente da covid são merecedores do nosso apreço... e compaixão. Não se deseja a ninguém que esteja no governo na altura em que rebenta uma pandemia. A pressão, a preocupação, a total disponibilidade, a incompreensão alheia, o cansaço, o receio de falhar, a responsabilidade sem rede -- tudo coisas que não têm preço e que jamais agradeceremos o suficiente.

Mas, se Matt Hancock estava nos títulos dos jornais ingleses pela forma carinhosa e condoída com que a Rainha o tratava, logo a seguir veio a bomba largada pelo Sun. E, a seguir, veio a graça de ele vir desculpar-se por... ter infringido as regras de distanciamento social que ele próprio propôs e muito intensamente defendeu.

E eis que, um dia depois, se demite. A comunicação de saída vai no mesmo comprimento de onda -- e bem -- desviando o foco do affair, que é matéria privada, para aquilo que tem a ver com os outros: a quebra do distanciamento social.

Entretanto, Gina Coladangelo também já se demitiu. Obviamente. Era assessora de um ministro que já não é pelo que o lugar quase que automaticamente se extinguiu.


Do que li, Matt e Gina foram colegas de universidade e são amigos de longa data. Quanto ao resto, nomeadamente ao que se passa em casa deles é outra conversa. Estará, certamente, em curso um terramoto nas suas vidas. Já transpirou para a comunicação social que Matt já disse à mulher que se separa dela. 

É uma história igual a milhares de outras histórias.

Para já, Matt sai e um outro entra para Health Secretary: Sajid Javid. 

E mais um tablóide britânico mostrou como o respeito pela dignidade alheia é assunto para que não está nem aí. Tomara que o Correio da Manhã nunca desça tão baixo e que não apareça um dia algum pasquim que venha a servir o que de mais baixo a sociedade produz.

sexta-feira, dezembro 13, 2019

Corbyn, a lástima que abriu caminho a Boris.
O número máximo de dias que se deve usar um soutien sem o lavar.
E o SNS: um caso em Espanha e outro com a minha mãe.
[E, se isto parece que não liga a bota com a perdigota, a culpa não é dos cogumelos]





Só posso concluir aquilo que já concluí há muito tempo: o Corbyn é uma nulidade. Bem podem dizer-me que são as circunstâncias ou que sei lá o quê. Não vou nesse. Nunca fui e agora está à vista no que deu. Não há conjunturas que expliquem que, perante políticas tão erradas, estratégias tão desastrosas e atitudes tão inaceitáveis como são as dos Conservadores e, mais recentemente, potenciadas pelo descaminho que é o trafulha do Boris Johnson, o principal partido da oposição não tenha via verde para o tirar de lá. Devia ter sido piece of cake, canjinha de galinha. Já dizia o outro: até o rato Mickey teria conseguido melhor.

Jeremy Corbyn sempre se mostrou um frouxo, pouco claro, nunca conseguiu traçar um rumo claro e pòr-se em cima dos carris, nunca explicou, de forma inequívoca, o que se propunha fazer caso ganhasse. E veio agora com propostas que lançaram a confusão na classe média, ameaçando-a com medidas que poderiam fazer sentido se fossem para classe alta, altíssima e não para a grande maioria da população contribuinte; e isso e mais um banho de nacionalizações e mais um punhado de medidas desfasadas do tempo. Os eleitores votam não em princípios abstractos mas em pessoas que inspiram confiança e relativamente às quais se sabe o que farão quando se virem com o poder nas mãos. Portanto, o resultado dos Trabalhistas não terem resolvido o problema da sua liderança deu no que deu: um desastre para o Reino Unido. E uma machadada na União Europeia. Mas, se ganhasse o totó do Corbyn, a coisa não seria melhor. Portanto, vou ali e já venho.

E eu, perante esta fatalidade anunciada, não consigo dizer mais nada. Só que tenho pena.

E, se não for sobre isso, nem sei de que fale. Não estou em minha casa. A febre dos jantares e almoços de Natal alastra imparavelmente. Hoje estou a fazer baby sitting pois temos que ser uns para os outros. 
E isto porque me baldei a mais um. Melhor: a dois. Pode parecer mentira mas é verdade. De manhã, quando disse a um que hoje não ia, franziu o nariz, fez-se de desconfortável. Limitei-me a dizer: 'Pois. Mas é assim mesmo. Não vou. Ia ser a tarde em viagem, amanhã a manhã em viagem. Dois meios dias perdidos. Não dá. Ao outro, tinha dito logo de início que comigo não, violão. E ainda não fica por aqui. Isto são modas que vão alastrando. Não tenho ideia nenhuma de há uns anos haver esta moda dos almoços e jantares de natal em tão grande número. Ou, então, era eu que estava mais circunscrita. Não faço ideia. 
Os meus meninos já dormem. Foram cedo para a cama. Contei-lhes uma história e, estafados como estavam, foi tiro e queda. Por isso, nem é que me estejam a distrair. Não, não é isso. A questão é que, quando estou desenquadrada e fora do meu sofá, escrevo mas é o que se vê, a coisa parece que não flui. É como quando cozinho sem ser na minha casa. 

Parece que a intuição se me esvai, parece que a coisa perde a espontaneidade. 

E, assim sendo, uma vez mais fora do meu habitat, sem tema que puxe por mim, só me ocorre referir um artigo que li sobre a lavagem dos soutiens. Ao que parece, é frequente algumas mulheres usarem tempos a fio o soutien sem o lavarem. Sendo de cor não se notará a falta de limpeza. Li o artigo com aquela minha perplexidade de quando percebo que vivo num mundo paralelo. Então alguns especialistas pronunciaram-se: um soutien não precisa de ser lavado de cada vez que se usa mas não deve ser usado mais do que três vezes sem ser lavado. Exceptua-se, claro, a situação em que a dona pratica desporto, transpira, etc. Nesse caso, obviamente, deve ser lavado de cada vez.

Isto há com cada uma.

Ah, lembrei-me agora de um tema sobre o qual ando para falar há algum tempo. Serviço Nacional de Saúde.

Há pouco tempo almocei com uma espanhola que tinha vindo há umas semanas da Tailândia onde tinha estado a passar férias com a família. Uma das filhas contraíu uma bactéria esquisita e ela teve que a levar às urgências de um hospital público em Madrid. A miúda fez uma série de exames, foi medicada e foi para casa onde deveria ficar praticamente em isolamento a tratar-se. Disseram-lhe que em princípio ficaria bem e que telefonariam a vigiar. E assim foi. A miúda não voltou nem ao hospital nem foi a outro médico. Telefonavam, perguntavam pelos sintomas, pela temperatura, etc. Até que a miúda ficou livre de cuidados e teve ordem para voltar à escola. Uma semana depois, quando ela já nem se lembrava, recebeu novo telefonema do hospital a fazer um ponto de situação sobre o estado de saúde da filha. Estava óptima. Ela ficou muito bem impressionada pela eficiência e cuidado. Disse que na saúde, em Espanha, não há crise, não há tempos de espera, não há descontentamento, não há tema. 

Fiquei a pensar que, de facto, vai-se a tanta consulta, entopem-se hospitais e centros de saúde, quando, na volta, uma vez diagnosticada a maleita e medicado o paciente já não haverá mais a fazer a não ser vigiar o bom andamento da recuperação.

E, que nem de propósito, a semana passada constatei que esse bom método não vigora só em Espanha, já também por cá está em uso. No outro dia a minha mãe contou-me que estava com um sintoma bizarro. Vi no google e pareceu-me que não seria nada de grave mas que, pelo sim, pelo não, deveria se acompanhado. Sugeri que ligasse para a Saúde 24. Assim fez. E em boa hora. A senhora que a atendeu foi atenciosa, fez recomendações, validou algumas situações. E ficou de voltar a ligar por volta da hora de jantar. E ligou. E voltou a validar alguns aspectos, a aconselhar. E, para surpresa da minha mãe, no dia seguinte, voltou a ligar. Está tudo bem, os conselhos foram úteis, não foi não teve que ir ao médico, ficámos mais descansadas. E surpreendidas.

Portugal o que tem é um problema de organização, não é de dinheiro. 

Infelizmente, não é só no SNS, é em todo o lado. Se há área em que Portugal tem um longo caminho pela frente é o da organização. E a organização só se consegue com uma boa liderança e com inteligência. Tenho esperança que estejamos a começar a trilhar esse caminho.

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Entretanto, já estou em minha casa e, como sempre, perdida de sono. Estou com a leve sensação que o tema da lavagem do soutien está aqui a despropósito. Mas também não é agora que vou fazer purgas no texto. Vocês relevem, está bem? Façam de conta que isto é apenas uma conversa sem guião, em que vamos falando das coisas que nos vão ocorrendo. Quantas vezes, quando estamos a conversar, na maior informalidade, os temas vão surgindo em mão e em contramão. Por isso, se estou aqui na conversa convosco, não vou rasurar o que saíu, vou é contar com a vossa tolerância.

Também me apeteceu juntar ao texto as belíssimas fotografias de Alison Pollack que vê de perto, como ninguém, a hipnótica beleza destes seres misteriosos, irreais. Não têm nada a ver com nada mas a beleza não precisa de ter a ver com nada.

E também me apeteceu ter aqui a voz tranquila de Sissel. Gosto muito de ouvi-la. Espero que também gostem.


E, por ora, é isto.

Uma boa sexta-feira para si que aí está a aturar esta conversa desconexada.