A importância que reconheço ao Dia de S. Valentim é zero. Se o festejo? Claro que não. Nem me lembro. Hoje vi andarem a distribuir rosas a mulheres e nem percebi o que se estava a passar até reparar que os jovens distribuidores tinham um coração nas costas. Aí caíu a ficha. Fiquei até sem saber se a noiva negra que tinha visto, com uma gabardine pelas costas sobre o vestido branco, era noiva a sério ou se era coisa do dito Valentim.
Não tenho ideia de quando chegou esta moda a Portugal. Quando eu namorava ou nos primeiros tempos de casamento presumo que não houvesse e, quando veio, deve ter-me passado ao lado. Não faz falta.
Mas não interessa. Não preciso de mostrar-me assim tão desalinhada, não ganho nada com isso. Mais vale dizer que sim, que é lindo, peace and love, beijinhos na boca, effe-erre-á. E, portanto, sendo a Santa UJM uma verdadeira padroeira do sex and love, aqui fica a homenagem. Mas uma homenagem no feminino. Não é Valentim, é Valentina, a minha mana santinha, a namoradeira-mor.
Fomos almoçar a um restaurante numa pequena aldeia aqui perto. Chegámos bem já depois das duas. Os trabalhos no campo têm disto. Há uma sequência que deve ser cumprida. E banho antes de almoçar e fechar a casa e mais a viagem... e deu nisto. Nestas terras almoça-se cedo. Fomos os últimos a chegar, já o restaurante estava quase vazio e, naturalmente, também fomos os últimos a sair, passava das três da tarde. O dono da casa e os empregados estudavam a disposição das mesas e a mulher do cozinheiro compunha umas jarras na entrada. E tantos os cuidados que perguntei: 'Vai haver festa ao jantar, não?'. Com ar de quem estava a ceder a uma imposição com a qual não se identificava lá muito, respondeu-me ela, enquanto encolhia os ombros e arqueava as sobrancelhas: 'Vamos fazer a Noite dos Namorados... Vamos ter música ao vivo. Estamos a decorar para dar um arzinho assim mais... romântico'. Parecia tímida ao assumir a cedência aos ditames comerciais.
Nem nos tínhamos lembrado. Dia dos Namorados.
Depois do restaurante e antes de virmos para casa, fomos a um mini-mercado. Passámos pela florista. Uma lojinha pequenina com uns quantos vasinhos à porta. O meu marido leu o nome: Belinha Florista. Olhei. Reparei que, por dentro da pequena montra, tinham uns fios suspensos com uns quantos coraçãozinhos encarnados. A Belinha não se tinha esquecido do Dia dos Namorados. Pelo aspecto dos homens que costumo ver por ali, conversando no passeio junto ao café ou à loja que vende máquinas agrícolas, diria que a registadora da Belinha não notará grande incremento mas, que sei eu?, quem vê caras não vê corações.
Tirando isso, não dei conta de outras comemorações.
Já acertámos com o senhor da máquina a limpeza daquela nesga de terreno lá ao fundo, a seguir à serventia. Em tempos havia lá colmeias. Presumo que o senhor que nos pediu para lá as ter já não se dedique a isso. Nem sei se ainda vive. Naquela altura, quase há vinte anos, já não era nada novo. O senhor da máquina vem no sábado quase de madrugada. Por aqui a alvorada é sempre cedo. E quero acompanhar, não vá alinhar pelo meu marido e também ser do clube do 'vai tudo abaixo'.
Entretanto, dando continuidade à nossa labuta, já se cortaram mais um monte de ramos dos cedros que estão relativamente perto da casa para que a copa fique bem mais alta que os beirais. Já se cortou em troncos para a lareira tudo o que se conseguiu. Já se desbastou mais tojo, é uma praga o tojo. Já se fizeram grandes fogueiras, uma de manhã e outra de tarde.
A quantidade de ramos e mato que já queimámos é brutal e, no entanto, olha-se e parece um bosque em estado virgem. Tínhamos que estar cá um ou dois meses de seguida, dedicados a isto. E tínhamos que estar fisicamente habituados a tanto esforço. Ao quarto dia estamos exaustos.
Ao fim do dia, começou a cair uma humidade que era quase uma chuvinha tímida. Anoitecia, as árvores já eram apenas vultos, e vinha da terra um perfume bom, orgânico. A fogueira ainda estava viva e deixava no ar o cheiro bom do cedro a arder. O prazer de estar ali é difícil de descrever. E é curioso como os nossos olhos se habituam à luz a esvanecer-se. Ou porque os passos já conhecem os caminhos ou porque os olhos aprendem a desvendar os vultos que se escondem na escuridão, a verdade é que regressámos às escuras sem qualquer problema.
Quando chegámos ao pé da casa, o meu marido lembrou-se que tinha deixado a escada encostada a um dos cedros que está do lado de lá do estúdio. Fui buscar uma lanterna para o ajudar a encontrá-la e fiquei a apontar enquanto ele ia até lá. De repente, um barulho, um sobressalto, várias asas a baterem em uníssono, com força. Assustámo-nos. Mas os pássaros, de certeza, que se assustaram ainda mais tal o alarido do bater de asas.
Agora que cheguei à etapa lúdica da jornada computacional (ou seja, depois de responder a mails de trabalho e de autorizações e outras cenas), dei com uma selecção de músicas românticas.
Lá está, Dia de S. Valentim que se preze pede banda sonora.
Conheço umas, não conheço outras.
Se eu tivesse que escolher a 'nossa' música haveria de me ver grega. Se lhe perguntasse a ele, diria que me deixasse de perguntas sem sentido. Talvez a muito custo lhe arrancasse alguma coisa. E eu lembro-me de uma ou duas mas não que sejam especialmente românticas, apenas as associo a momentos que, de alguma forma ficaram gravados na minha memória de uma forma muito intensa.
Mas, sim, Leonard Cohen seria um dos que teria numa selecção que fizesse. Contudo, talvez não com a dele que é considerada uma das mais românticas de todos os tempos, a So long, Marianne, mas com outra. Talvez I'm your man. O meu amor é sempre mais erotizado do que puramente romântico. Outra que eu quereria incluir seria Nina Simone. Contudo, não tinha presente a canção que vejo na selecção do The Guardian. Mas ouvi-a e gostei. Claro que gostei. Gosto sempre de Nina Simone.
Bem. E mais não me ocorre, por ora. Se calhar é porque, enquanto escrevo estou com um olho no burro e outro no cigano, encantada com as jóias alimentares que o José Avillez está a descrever. O seu menu de degustação, no Belcanto, tem fama e diz quem já lá foi que é manjar dos deuses. Mas 165 euros por pessoa é obra. Será que ele também lá festejou o Dia dos Namorados?
PS: E já vos contei que aqui a net é a pedal...? Escrevo várias palavras e fico a vê-las a apareceeeeeer... devagariiiiinho.... Ou clico numa coisa e o ecrã fica em suspenso, a rodinha a rodar, a rodar, a rodar... e, muitas vezes, pede-me que faça o reload da página. Ou faço um post com imagens e vídeos e o que me aprece são espaços em branco, não consegue carregar imagens ou vídeos. Um desatino. Por isso, por muito que me apteceça escrever mais, acabo por desistir. Ah, os malefícios de se estar longe da civilização...
PS2: E volto aqui para comentar uma cena: aqui não temos cabo, é mesmo a TDT ou lá como se chama. Portanto, enquanto me entretinha a dar uma volta por alguns blogs, fui tenntando descobrir coisa que se visse. Fui dar à TVI e às Não sei Quantas Sombras de Grey. Só vi a última parte. Está bom de ver que não li o livro e em boa hora não tinha visto o filme. Uma sensaboria sem pitada de glamour ou sensualidade. Uma estopada metida a besta. Não dá para perceber o sucesso. Li, em tempos, que o sucesso provinha de donas de casa ou mulheres casadas ou coisa do género. Presumo que das que são pobres de espírito ou carentes até à última casa, daquele tipo de trepar pelas paredes ou matar cachorro a grito.
Dindinha finge que chora, se achega, encosta a cabeça no meu ombro.
Diz: Prima, ninguém quis saber de mim hoje, foi dia dos namorados e nenhum quis se arrimar a mim.
Ponho-me a rir, Deixa disso, Dindinha, bonita como tu és, logo, logo vão andar de roda de ti, cheirando tua saia.
Quem dera, prima, quem dera. Tomei banho em água com pétala de rosa, depois pedi ao Zezinho que pusesse creme em todo o corpo e ele caprichou, cada refego, cada dobra, a pele toda macia, macia, macia, prima. Não quer ver?
Não, Dindinha, deixa, acredito.
Mas, prima, confira. Eu dispo a blusa. Espere. Já despi, prima, veja.
Oh Dindinha, para que é isso? Eu acredito.
Mas veja, prima, ponha a mão aqui na maminha, veja, veja, prima, a macieza.
Pega em minha mão e leva-a a ver que o Zezinho caprichou na espalhação do creme.
Já vi, Dindinha, agora vista a blusa. Já vi. Mas, prima, veja aqui o biquinho. Não parece botãozinho de flor, bom para passar linguinha? Tenha mas é tento na língua, menina, isso é lá coisa que se diga?
Esconde o rosto na dobra do braço, depois encosta-se à porta, finge que tem vergonha. Dindinha é moça melancólica. Desdobra a trança, solta o cabelo. Está triste.
Lastima-se: Veja, prima, foi dia dos namorados e nem uma rosinha alguém deu para mim. Nem bombom. Sabe que eu sonhei.
Foi? Com quê?
Sonhei que vinha um homem grandão, morenão, barbudo, e batia na porta e eu ia abrir. E ele perguntava: 'Foi daqui que pediram um bombom entregue na boquinha?' E eu dizia que sim. E ele dizia: 'Mas tenho que tirar a camisola e a menina também, são ordens da casa'. E eu tirava e ele também e então ele dizia, 'Agora fecha os olhinhos porque a transacção tem que ser feita de olhinhos fechados'. E eu fechava e ele deixava um bombom na minha boca.
Foi um sonho doce, Dindinha.
Ah pois foi, prima. Mas o homem do bombom desapareceu e não voltou de verdade. E agora estou aqui triste, sem namorado que sinta a minha pele macia, a minha língua que ainda sabe a chocolate. Faço agora o quê, prima?
Olha Dindinha, não pense mais nisso. O que for soará.
Oh prima, sempre com ensinamento distante. Eu queria era um namorado aqui e agora vem a prima com filosofia.
Ai Dindinha, que impaciência é essa, menina?
Oh prima, é muita decepção, muita, muita. Veja, prima, logo que Zezinho saíu, apareceu Roninho para ver se eu tava precisando de algum nada e eu disse: 'Ah que veio na hora certa Roninho. Estou aqui para pôr uma eau de toilette e não sei bem como'. E Roninho disse: 'Vai Didinha, para não ficar muito forte faz assim: vai buscar um lencinho'. E eu, 'Oi Roninho, lencinho...? Mas onde é que eu tenho lencinho?' E ele, 'Qualquer coisa que dê para a gente depois passar no seu corpo'. E eu disse: 'Cuequinha de seda pode, Roninho?' E ele disse, 'Vai lá buscar Dindinha'. Fui. Ele disse: 'Dindinha... que cuequinha macia.' Então ele pôs a eau de toilette na cuequinha e disse: 'Deita aí na cama, Dindinha'. Deitei. Então ele passeou a cuequinha pelo meu corpo. E, no fim, eu disse, 'Agora cheira, Roninho'. E ele cheirou-me toda, toda, por todo o sítio. E disse, 'Cheira bem, Dindinha'. Mas logo tocou o telefone e Roninho disse 'Não leve a mal, Dindinha. Tenho que ir, a minha mulher lembrou que tenho que ir buscar o menino ao colégio'. E foi, prima. E foi. Fiquei ali largada, meu corpo exalando perfume de desejo, minha pele toda sedenta. E ele se foi, prima. Ai de mim.
Deixa, Dindinha, mas ao menos tua pele ficou macia e perfumada.
Pois, prima, mas para quê isso tudo se não ganhei nenhum namorado, se agora a noite está caindo e eu aqui sem ninguém que venha passar a mão na minha pele ou venha cheirar meu corpo? Já viu meu destino, prima? Já viu minha solidão? Ai Dindinha, que drama, menina. E escuta... você acha que namorado é para isso que serve, menina? E não é, prima, e não é? Não, Dindinha, namorado é também para dizer um poeminha no ouvido, passar o braço sobre o ombro, olhar o céu em silêncio, segurar a mão enquanto faz jura de amor. Ai prima que lá vem de novo com poesia. Mas oh Dindinha, só prosa, só prosa...? Sim, prima, eu quero é substantivo bem definido, verbo bem afirmado, nada de reticência, nada de adjectivo silencioso. Quero grito, prima, quero palmada, beijo de língua, corpo transado, abraço suado. Quero namorado homem, prima, nada de santo, dispenso valentim, dispenso jura, dispenso metáfora, dispenso suspiro. Dispenso até prosa, prima. Quero é homem, prima. Mas primeiro, prima, primeiro me ensina a ser mulher.
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Lá em cima a música é "Minha Namorada" - ( Maria Creuza/Vinicius de Moraes/Toquinho )
As fotografias pertencem ao livro 'Nues. Femmes Lascives', da L'Oeil Curieux.
Por uma questão de honestidade intelectual devo fazer algumas confissões relativas ao meu dia de S. Valentim.
Se eu percorrer as revistas da especialidade encontro receitas afrodisíacas, lingerie tentadora, filmes inspiradores, livros à maneira, especiarias que atam mais forte do que reza, músicas que não falham.
Pois bem. Deve ser porque me tenho portado mal, a mim não me calhou nada disso.
Almocei um robalo desprovido de qualquer sentido de romance, não lhe detectei especiaria de qualquer espécie muito menos afrodisíaca, não fui ao cinema, ninguém me ofereceu um presentinho que fosse.
Minto, ofereceram-me uma caneta que não é bem caneta e que também não foi bem presente e todos os que estavam à volta da mesa a receberam. Não conta, portanto.
E a lingerie que usei não foi nada do que vi recomendado. Explico-me.
Não gosto de cuecas deste género, parecem-me muito à avózinha
Também não gosto de soutiens de cós alto
Pode parecer muito sexy mas os cinto-ligas já são como o rolo da máquina fotográfica: já eram
Há meias lindas com liga de renda aderente
Mas nem eu, nem ele. Se fosse um homem adaptado aos tempos modernos, há pouco, quando se despiu, teria feito uma declaração de amor verdadeiramente sentimental. Mas não. Incapaz de uma manifestação valentina. Como costuma ler isto, aqui lhe deixo este remoque. Para o ano a ver se se lembra de demonstrar o seu amor de uma forma convincente. Aqui fica um exemplo.
Portanto, já estão a ver. O São Valentim, este ano, não mexeu comigo. Estava a pensar se tinha acontecido algo de verdadeiramente amoroso no meu dia mas só me lembro de o meu marido ter ido comprar cápsulas de Nespresso e de, por acaso, ter um queixo parecido com o do Clooney.
Bolas, agora fui confirmar e o Clooney não tem covinha, tem é uma batatinha. E agora estou a ver que, no outro dia, cometi uma gaffe. De manhã, recebi uma mensagem a dizer que o bebé tem covinha no queixo e a perguntar se o avô tem, para ver a quem sai o bebé. Respondi que não sabia, logo via quando estivesse com ele, que o Brad Pitt e o Clooney tinham, isso eu sabia, agora do queixo do avô da criança não estava certa. A mãe respondeu que o pai já andava a achar estranho que o bebé à nascença parecesse chinês, no dia seguinte russo e que, se ao terceiro dia se parecesse com o Clooney, capaz de começar a não achar muita graça.
Quando reencontrei o dito avô, agarrei-lhe o queixo para o inspeccionar de perto. Ficou admirado, 'o que é isso?'. Expliquei-lhe que tinha que perceber, debaixo da barba, se tinha uma reentrância. E tem, sim senhor. Mas, portanto, se não tem queixo parecido com o Clooney, aquilo de ter ido comprar cápsulas de café já não pontua como facto afrodisíaco.
Tirando isso, acho que nada que encaixe no merchandising do Dia dos Namorados. Nada com corações, hearts ou coeurs, nada a pingar amor, nada de beijinhos retintins com bombonzinhos buonzinzins, lacinhos e dulcelins. Nadica.
De resto, também não sou de tipo namoradinha e não é porque seja contemporânea da Mata Hari -- que todas as idades são boas para se ser namoradeira, não é por ser pentavó que já não podia ser namoradinha-inha. É mais porque o meu género é outro.
Mas não me gabo disso. Tenho este lado muito racional, muito anti-metafísica -- e isto não sei se é bom. Capaz de, se fosse mais aluada (no bem sentido), mais froufrou, capaz até de, se tivesse vontade de me filiar no facebook e espalhar likes como quem espalha amor, capaz de, se conseguisse ser mais dada às ondas, se me alinhasse mais com as trends, os insta e os hashtags, tivesse aqui alguma coisa de jeito a reportar. Assim, só tenho coisas que não têm nada a ver ou de que não posso falar.
E mais. Já que estou nesta de registo confessional, ficam já a saber que há bocado comprei peras abacates e que estou decidida a fazer dieta para perder estes três ou quatro quilos que sei bem que tenho aqui a mais, e dizem que a pera abacate é do melhor que há. E, para o ano, no Dia dos Namorados, vou vestir-me aqui como a Gigi, coração ao peito, quiçá até ossinho da clavícula a pedir um chochinho, penas poéticas a la tête, véuzinho todo religioso, lábios completamente en rouge. A ver se não vai ser um fartote de sweet happennings. Me aguardem.
Depois do post abaixo, notoriamente impróprio para os Leitores eruditos que procuram consolo diário por estas santas paragens, teria que vir algo de contido para limpeza da aura (ou da alma -- vai dar ao mesmo, acho eu) dos muitos que se terão sentido defraudados.
Portanto, cá está.
Enquanto para aqui me estarreço, que é como quem diz, com um filme bizarro na RTP 2 (filme ou série?) que me mostra sexo explícito de todas as maneiras e feitios, tento abstrair-me do contexto, que é como quem diz, e, com um olho no burro e outro no cigano, que é como quem diz, ponho-me a navegar por onde não se fale no tema requentado das pafianas criaturas que encalharam no affair Centeno & Domingues. E, tirando isso, por todo o lado, trumpetadas e preparativos para o São Valentim.
Se eu tivesse espírito científico, coisa que sou capaz de não ter, ia investigar que santo é este que se globalizou desta boa maneira. Quando eu era menina e moça não tenho ideia nenhuma de se andar com estas frioleiras de presentinhos e jantarinhos de Dia de Namorados que, ao que parece, é sponsorizado pelo transnacional S. Valentim. Agora é isto. Everywhere. TINA.
E então, dei por mim a pensar no que é que eu, se não fosse uma sedutora de nascença, tentaria aprender para agradar a alguma putativa vítima.
E o que me ocorreu é que nada melhor do que uma aula prática leccionada pela Drª Dita von Teese. Portanto, attention, please, Leitoras mal humoradas: esta é para vocês.
How to be sexy with Dita von Teese
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Por outro lado, e agora é aos ilustres cavalheiros que me dirijo, muitos são -- e desculpar-me-ão o plebeismo -- uns calhaus, uns maçadores, charme = zero, incapazes de arrancar um sorriso a uma lady, incapazes de lhes despertar no coraçao a predisposição para o indispensável french kiss. A esses e também aos que gostam de poesia mas a declamam como se estivessem no século passado em cima do palco do D. Maria II ou a despejam com ar de quem está a fazer um monumental frete, aqui vai uma outra aula prática: como dizer um poema bem escolhido de uma forma convincentemente sexy.
Estou certa que, com um look devidamente composto, com uma voz sedutoramente colocada para dizer o incontornável 'to his coy mistress', não haverá demoiselle, por tímida ou empedernida que seja, que não caia nos deliciosos laços do amor.
Super sexy man recites 'To his coy mistress', Andrew Marvell
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Finalmente, para as descadeiradas donas de casa congénitas que não abdicam do desagradável outfit doméstico 'rolos na cabeça + bata' e para os sebentos galãs de bairro, uma outra aula prática: como conseguirem transformar-se num casal apresentável e apto para um tango a preceito depois de andarem anos a meterem medo um ao outro.
A vossa atenção, s'il vous plaît. Ver do princípio ao fim para poder imitar como deve ser.
Tango para esperançosos casais à partida muito mal jeitosos
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Conselho final a todos:
Vão tentando reproduzir tudo o que viram. Step by step. Ok? Vocês conseguem.
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Caso pretendam aulas práticas de outras disciplinas, já sabem, é só pedirem. Claro está que este é um blog de família pelo que não vale a pena esticarem-se ou atirarem-se para fora de pé. Seja como for, se me chegar à alembradura alguma matéria relevante para o cabal sucesso do já não muito distante dia, cá estarei para contribuir para a vossa felicidade.
E, entretanto, aviso que a parte de cima do post que se segue tem graça e recomendo que entrem no site das trumpetadas mas, mal estejam aviados daí, deverão fechar os olhos e não ver o que se segue. Avisei.
- Sabe? -- disse-lhe, pegando-lhe nas mãos muito macias e perfumadas. -- Já há muito tempo que desejava estar consigo.
- Sim! Porquê?
- Porque a acho muito formosa e elegante.
- Sou tão magrinha.
- Oh, mas é muito bem feita!
- Sim, não sou desastrada de todo.
- Diga antes que é muito sedutora.
- Não esteja a troçar comigo.
- Falo sério. -- E enlaçando-lhe a cintura com o braço esquerdo procurei com a mão direita colher-lhe os seios.
- Naturalmente não gosta, são tão pequeninos.
- Mas são deliciosos, dois verdadeiros encantos, dois frutos de Vénus como raros tenho encontrado assim. Certamente não amamentou a sua filha.
- Não, faltou-me o leite.
- Todo?...
- Seu mau... O da amamentação. O outro sobra-me.
- Deixe-me cobrir de beijos essas jóias deliciosas.
Ela desabotoou a robe.
Realmente eu não exagerara.
Cleópatra tinha uns seios pequeninos mas encantadores, rijos, macios, tersos, direitos, que pareciam querer saltar para a cara da gente, seios verdadeiramente esculturais, como se fossem talhados em mármore, terminando nuns deliciosos bicos muito tesos e rosados, que desafiavam todos os apetites.
Entre os lábios tomei esses gráceis encantos e suguei-os com a mais artística e suave subtileza.
Ela apertara-me o busto e respirando forte murmurava:
- Ai, amor, que prazer sinto.
Então a minha mão, passando por de sob as suas roupas e por entre as mais macias e aveludadas coxas que é dado fantasiar e que ela entreabria, procurou aquele cálix do amor que sempre transborda quando a sua possuidora é de sensível temperamento...
- Ai, filho -- exclamou ela, -- vem comigo que eu não posso mais...
Cobri-lhe de beijos os lábios ardentes e vermelhos, e segui-a à sua alcova, muito elegante e confortável.
- Põe-te à vontade -- disse ela, despindo a robe e ficando com uma curta camisinha de seda cor-de-rosa com rendas pretas.
Era uma falsa magra, porque as suas pernas muito direitas e esculpidas tinham um torneado e uma grossura bastante notáveis para o seu todo franzino e débil.
- És linda! - exclamei eu, já como Adão antes do pecado, e arranquei-lhe a camisa, frágil estorvo à representação da cena que íamos representar.
(...)
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Este post e o anteriorq (o que está a seguir a este) são excertos não contínuos da história Deliciosa da autoria de Rabelais (pseudónimo de Alfredo Gallis) inAventuras Galantes. Não transcrevi algumas passagens no interior dos excertos por serem mais explícitas do que é expectável num blog de uma avozinha. Claro que a história não acaba onde eu terminei e, em abono da verdade, até devo dizer que começa a partir daqui -- razão porque, a bem da moral e dos bons costumes, me detive.
Transcrevo apenas o final e cada um que dê largas ao seu poder de dedução ou à imaginação (até porque, se Dia 14 é o Dia dos Namorados, é preciso não esquecer que o amor -- e o que vem por acréscimo -- é sobretudo una cosa mentale). Claro que também poderão adquirir o gostoso livrinho.
Então, acaba assim a história da Deliciosa:
Demais... tinha um cardeal na sua árvore genealógica, como depois me contou ao café.
Eram abundantes e revoltos os opulentos cabelos, que ela enrolava com uma deliciosa e voluptuosa negligência, na qual pairava uma pontinha de coquetterie muito expressiva. De mediana estatura, mais alta do que baixa, era franzina de formas, magra mesmo.
Dava nas vistas a maneira aprimorada como ela se calçava. Sempre meias de seda e sapatos ou botinhas da mais fina qualidade e do mais elegante e bonito talhe.
Contavam os que de perto a conheciam que as ligas eram verdadeiros bijous de rendas e combinações de cores, e que as camisas que usava se singularizavam pela arrojada fantasia que expressavam.
Uns depreciavam-na dizendo que ela não era merecedora de que lhe rendessem culto. Outros elogiavam-na afirmando que ela era uma histérica dotada de um temperamento de fogo, que se interessava excessivamente pelas lutas de Vénus e que possuía segredos quase maravilhosos para elevar às regiões de inenarráveis gozos as mais insensíveis e cristalizadas decadências, gastas no abuso dos prazeres da deusa.
Eu fui sempre da opinião dos segundos.
Realmente aquela mulher estava longe de possuir a formosura fisionómica de Ninon de Lenclos ou a beleza plástica de Friné e da Lais, gregas que à história passaram como exemplares irrepreensíveis da plástica feminina.
Mas... achava-lhe um não sei quê, um tic, uma nota irritante e expressiva que me mordia a carne como um estilete de fogo, pois me segredava que aquela mulher devia possuir verdadeiros tesouros de volúpia quando a ardência de seu temperamento, expressa no seu olhar quente e singular, a levasse a interessar-se pelo homem que a possuísse.
E, depois, era artista de gosto e cuidava do seu corpo com o mais requintado escrúpulo.
Levava mesmo esses cuidados até ao excesso de nunca se deitar sem banhar em água aromatizada os seus mimosos pezinhos, e todas as manhãs, apenas saía do leito, tomava um banho tépido, ungindo depois as carnes com pomadas de amêndoas e leite, o que lhe dava uma frescura deliciosa.
...
Foi ela quem me veio abrir a porta, fazendo-me entrar para um pequenino gabinete modestamente mobilado, mas de muito gosto e fina ornamentação.
- Já vejo que é homem de palavra -- disse, sentando-se a meu lado e deixando a descoberto os seus elegantes embora não muito pequenos pés, calçados em sapatos de cetim branco e meias de seda negras bordadas.
Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma belo dia de domingo
(e, claro está, que me estou nas tintas para o Dia de S.Valentim ou Dia dos Namorados ou o que for: namorar é sempre que a gente quiser -- e puder, of course)