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sexta-feira, outubro 19, 2012

Numa noite fria de névoa, num hotel, dançando com luzes e ouvindo a trova do vento que passa (e hoje não quero saber do Passos Coelho nem do Gaspar nem do Portas)





Aqui onde estou está frio, húmido. Quando há pouco cheguei ao hotel estava uma noite agradável, uma névoa fresca, daquelas noites em que é agradável uma pessoa perder-se na noite, sair a passear pela beira do rio (aqui também há um rio) e deixar-se ir, sem saber por onde, deixar-se ir apenas. 

Mas não fui. Para isso teria que ter quem depois me trouxesse de volta e me trouxesse abraçada porque a noite está fria para se andar sem um aconchego nos ombros, sem uma palavra quente nos ouvidos.

Vim, portanto, para o quarto e aqui estou. Estou a ouvir o noticiário da meia noite e meia. A mesma tourada de sempre. Neste momento ouço que apenas um interessado se confirma na privatização da TAP. Em qualquer parte do mundo decente, alguém que estivesse a negociar com apenas um interessado, desistiria da venda. Aqui não, vai-se em frente. 

Ouço também que o Gaspar-não-acerta-uma, quando foi ter uma reunião com os deputados para lhes explicar a orgia fiscal, levou quadros que tinham os cálculos engatados. Olha! Qual o espanto? Já houve alguma vez em que ele tivesse acertado?

Mas não me apetece falar de nada disto. Tretas, amadorismos, parvoíces.

Só que não estou com grande cabeça para escrever sobre outras coisas. Poderia falar da Sylvia Kristel mas também não quero. Há uns anos li a sua autobiografia e fiquei com muita pena. Alguém que em tempos víamos como uma mulher tão sensual e tão cheia de uma luminosidade inocente e, afinal, teve uma vida tão sobressaltada, fez más escolhas, foi infeliz. E depois foi a doença. Fico com pena. Mas não quero agora falar de coisas que não têm remédio e que me dão pena.

Também não tenho aqui os meus livros nem as minhas fotografias. Por isso, vou aqui apenas colocar um vídeo com um grupo de que gosto bastante, o Quixotic Fusion, gente que dança com luzes.





Mas está mesmo a apetecer-me poesia. Fui à procura e encontrei esta que me apetece ouvir. A Trova do vento que passa, porque É preciso um País. É a voz do poeta diseur Manuel Alegre e a guitarra de Carlos Paredes.




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E nada mais que daqui a nada tenho que me estar a levantar para mais um dia intenso. 
Tenham, Meus Caros, uma bela sexta feira!

sexta-feira, outubro 12, 2012

Sobre o OE 2013 e não só. Passos Coelho é uma couve tronchuda? Pode uma couve dar tangerinas? pergunta-se Pacheco Pereira sobre a possibilidade de Passos Coelho atinar e vir a ser capaz de ser Primeiro Ministro. Tudo isto é pior que mau diz Lobo Xavier que arrasa Passos Coelho. Entretanto, Durão Barroso tira o tapete ao Governo de Passos Coelho e Paulo Portas e afirma que esta austeridade tresloucada é obra dos Governos e não de Bruxelas. E FMI alerta para que a austeridade é excessiva e deve ser abrandada. Tudo isto no dia em que se sabe que Passos Coelho, Paulo Portas e Vítor Gaspar vão roubar, como vulgares delinquentes, grande parte do rendimento dos portugueses. Isto também no dia em que Bagão Félix diz que, com este terramoto fiscal, devastador, esta 'punção fiscal' (expressão de António Costa), este Governo não se aguenta até ao fim da legislatura. E, para compensar, a Peregrinação e o Credo de José Tolentino Mendonça na Estação Central e Dançar com Luz pelos Quixotic Fusion


O Governo Passos Coelho, Paulo Portas, Miguel Relvas, Vítor Gaspar e mais uns quantos, depois de 20 horas de reunião, chegou a acordo sobre o Orçamento de Estado para 2013 e o resultado é o absurdo que se esperava. Absurdo, ridículo, e perigoso, muito, muito perigoso.

Claro que não  irá avante pois é um aborto. 

Mas, se por acaso os deputados se portassem como uns bananas ignorantes e amorais, se Cavaco Silva não percebesse que ser Presidente da República não é 'mandar bocas' por aí ou escrever aos amigos no facebook, então, então teríamos uma hecatombe de consequências imprevisíveis, devastadoras.

As medidas que constam do aborto OE 2013 levam ao empobrecimento generalizado e, sobretudo, ao esmagamento da classe média. Já aqui o referi várias vezes: a classe média e média alta são o motor da economia. São os seus excedentes que alimentam o comércio, a distribuição, a restauração, o turismo interno e, também, que geram a poupança que é indispensável para alimentar a liquidez bancária.

Esmagar a classe média e média alta não é aplicar justiça fiscal como os estúpidos e os demagogos ignorantes dizem: fazê-lo é levar à falência súbita toda, toda, a rede económica que vive, directa ou indirectamente, dos rendimentos da classe média e média alta. Fazê-lo é destruir rapidamente o País, fazê-lo é levar à súbita miséria a população portuguesa.

Com este Governo a estupidez anda em roda livre. É como um monstro à solta, uns monstro medonho, esfaimado, sem escrúpulos, sem moral. O monstro pode, por vezes, parecer gente normal, boa gente. Mas, por favor, não se deixem enganar, tenham cuidado com ele. É muito perigoso. O poder de destruição é brutal.




Algumas notícias ao acaso:






























&


Mas há que ter esperança e lutar. Lutar. Protestar. Não somos baratas que se esmaguem com o pé. Não somos descartáveis. Não somos objectos. 

E a nossa razão é reconhecida por quem tem dois dedos de cabeça.

De novo, algumas notícias ao acaso para provar que há indícios de que podemos ter esperança, de que talvez Portugal volte a ser, em breve, um local acolhedor para as nossas crianças.


























***

Liga o braço longe a uma estrela
Prende distâncias que teus pés ignoram
as árvores cruzam desse modo os seus ramos
enquanto as multidões falam
de milagres
que não viveram

*

Creio no sol, mesmo quando não o vejo
Creio no amor, mesmo quando não o abraço
Creio em Deus, mesmo quando Deus se cala.



['Peregrinação' e 'Credo' de José Tolentino Mendonça in 'Estação Central']

..

Dançar com luzes para afastar os demónios


Quixotic Fusion

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E tenham, meus Caros Leitores, um bom dia.